terça-feira, 19 de dezembro de 2006

Novo secretário da Defesa dos EUA considera fracasso no Iraque uma "calamidade"

O fracasso no Iraque seria uma "calamidade" que assombraria os Estados Unidos por muitos anos, admitiu ontem o novo secretário da Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, ex-diretor da CIA (Agência Central de Inteligência), ao assumir a chefia do Pentágono.

"Todos nós queremos encontrar uma maneira de trazer nossos filhos e filhas americanos de volta para casa", declarou Gates em seu discurso de posse. "Mas como o presidente deixa claro, não podemos fracassar no Oriente Médio. O fracasso no Iraque neste momento seria uma calamidade que assombraria a nação, reduziria nossa credibilidade e ameaçaria os americanos durante décadas."

Gates substitui Donald Rumsfeld, que caiu no dia seguinte à derrota republicana nas eleições de 7 de novembro, como o principal responsável pela condução da guerra que já matou mais de 2.940 americanos e custou US$ 400 bilhões, sem conseguir criar um governo estável no Iraque depois da queda de Saddam Hussein, em 9 de abril de 2003. Chega quando o presidente George Walker Bush discute com seus principais assessores e aliados uma reformulação da estratégia dos EUA, a ser anunciada nos primeiros dias de 2007.

Além do pesadelo em que se tornou a ocupação do Iraque e do ressurgimento dos Talebã no Afeganistão, Gates terá de se preocupar com outras ameaças, como os programas nucleares do Irã e da Coréia do Norte, e a situação-limite em que se encontram as Forças Armadas dos EUA, sem condições de agir em outras frentes, se houver necessidade.

FIM DO ANO LETIVO

Nesta segunda-feira, por ser encerramento do meu ano letivo e por estar viajando para Porto Alegre, não atualizei este blog como de costume. Peço desculpas aos leitores.

domingo, 17 de dezembro de 2006

Jihadistas veteranos do Iraque voltam a Europa

Grupos de militantes fundamentalistas veteranos da guerra no Iraque e voluntários frustrados porque não conseguiram entrar no país ocupado pelos Estados Unidos estão voltando para a Europa, o que aumenta o risco de terrorismo, adverte neste domingo o jornal espanhol El País, citando como fonte os serviços secretos espanhóis.

"São o novo cavalo de Tróia d'al Caeda e seus aliados em nosso território, e estão ativos", comentou um alto funcionário da União Européia.

A Espanha tem uma população muçulmana formada principalmente por argelinos e marroquinos. É um alvo importante de recrutamente d'al Caeda.

"O risco é importante porque no Afeganistão há uma guerrilha rural mas no Iraque é uma guerrilha urbana", observou um policial. A UE já fez uma lista de 200 suspeitos considerados potencialmente perigosos.

Rice rejeita diálogo com Síria e Irã

Depois de desaparecer por algumas semanas do noticiário, a secretária de Estado, Condoleezza Rice, reaparece para rejeitar o diálogo com os maiores inimigos dos Estados Unidos entre os países do Oriente Médio - o Irã e a Síria -, sob a alegação de que o preço a pagar poderia ser "muito caro".

A recomendação foi uma das 79 feitas pelo Grupo de Estudos co-presidido pelo ex-secretário de Estado James Baker e o ex-deputado democrata Lee Hamilton. O presidente George Walker Bush nunca se mostrou muito entusiasmado. Agora, Rice tenta sepultar a idéia.

Em entrevista ao jornal The Washington Post, Condi Rice disse que o presidente não vai mudar os objetivos de longo prazo da invasão do Iraque, na revisão da estratégia a ser anunciada no início de 2007. Rice declarou que a meta dos EUA no Iraque nos próximos dois anos será tentar ajudar os iraquianos a isolar os extremistas e criar um centro democrático e moderado capaz de manter a unidade nacional.

A secretária de Estado reiterou o compromisso dos EUA com a democracia no Oriente Médio e a paz entre Israel e os palestinos, um dos mais longos e sérios conflitos da região na era moderna.

Presidente iraniano perde eleições municipais

No seu primeiro teste eleitoral um ano e meio depois de chegar ao poder, o presidente Mahmoud Ahmadinejad sofreu uma dura derrota diante de conservadores mais moderados e de reformistas, indicam os primeiros resultados das eleições municipais e para a Assembléia dos Notáveis realizadas ontem no Irã.

Estavam em jogo 113 mil cadeiras de vereador, disputadas por 233 mil candidatos, e a Assembléia dos Notáveis, de 86 cadeiras, que é encarregada de escolher o novo líder espiritual e guia supremo da república islâmica, o sucessor do aiatolá Ruhollah Khomeini.

Em Isfahan, a segunda cidade mais importante iraniana, das 13 cadeiras de vereador, sete ficaram com conservadores moderados, quatro com os reformistas e apenas três com os aliados do presidente.

Nas eleições para a Assembléia, a liderança é do ex-presidente Ali Akbar Hachemi Rafsanjani, que perdeu a eleição presidencial no segundo turno para Ahmadinejad no ano passado. Ele pode se tornar seu presidente.

O aiatolá ultraconservador Mohammad Taqi Mesbah-Yazdi, mentor de Ahmadinejad, está em sexto lugar. A capital elege 32 dos 86 notáveis.

A Agência de Notícias República Islâmica informou que a participação foi 56% do eleitorado apto a votar.

Mulheres perdem espaço no novo Iraque

Com a situação de anarquia e violência, e o avanço do fundamentalismo, a situação da mulher piorou no nova Iraque, afirma o jornal americano The Washington Post neste sábado. Cada vez mais as mulheres evitam sair na rua, por medo de seqüestro e estupro.

As mulheres recebem ameaças de morte por causa de sua religião, seus costumes e sua carreira. Elas são perseguidas por não usarem vestidos longos e véus na cabeça, e por dirigir automóveis.

Na maior parte do século passado, o Iraque foi um país secular que estimulava a entrada da mulher nas escolas e no mercado de trabalho. O partido Baath, de Saddam Hussein, defendia um maldefinido socialismo árabe e a plena participação social da mulher. As guerras mudaram esta realidade.

Entre as promessas de democracia do presidente George Walker Bush para justificar a invasão do Iraque, estava fortalecer os direitos da mulher para construir um novo Iraque.

As mulheres iraquianas começaram a freqüentar universidades nos anos 20. Têm uma longa tradição acadêmica.

Na Guerra do Golfo de 1991, para expulsar os iraquianos do Kuwait, Saddam Hussein começou a manipular a religião por interesses políticos. Proibiu mulheres menores de 45 anos de viajarem sozinhas ao exterior, sem a companhia de um parente homem.

Em 2003, incentivadas por Bush, surgiu um movimento feminista iraquiano incipiente, logo sufocado pela anarquia e o avanço do fundamentalismo islâmico. No momento, as mulheres qualificadas tentam fugir do país. Não vêem futuro no Iraque.

Japão remove dois pilares do pacifismo pós-45

O governo conservador do primeiro-ministro Shinzo Abe mudou duas regras do pacifismo imposto ao Japão pela ocupação americana, depois da Segunda Guerra Mundial. As escolas japonesas voltarão a ensinar patriotismo a seus estudantes, e a Agência de Defesa será elevada a Ministério da Defesa pela primeira vez desde 1945.

As medidas foram aprovadas na sexta-feira pelo Senado. Seu objetivo é reforçar a posição internacional do Japão militarmente e resgatar o orgulho nacional, afastando-se do passado e dos sentimentos de culpa pós-1945.

É provável que os países vizinhos que foram ocupados pelo Japão durante a Segunda Guerra Mundial, especialmente a China e a Coréia do Sul, protestem contra a primeira reforma da lei educacional desde 1947.

Estes países alegam, com razão, que o Japão, ao contrário da Alemanha, nunca reconheceu seus crimes de guerra nem pediu desculpas apropriadamente pelas atrocidades do Exército Imperial na Guerra do Pacífico.

O novo texto pede às escolas que "cultivem uma atitude de respeito à tradição e à cultura, de amor à nação e ao país".

A reforma reflete o pensamento do ministro da Educação, Bunmei Ibuki, de que o longo período de prosperidade do pós-guerra erodiu a moral e o espírito conservador do Japão de antes da guerra. Os críticos alegam que é um retrocesso para um período em que as crianças eram doutrinadas para apoiar o imperialismo militarista, e a se sacrificar pelo imperador e pelo país.

Sem maior oposição, porque as preocupações com a segurança nacional aumentaram muito por causa dos testes de mísseis e de explosões atômicas da Coréia do Norte, a Agência de Defesa foi promovida a ministério. A mudança entra em vigor no próximo ano. Dará aos generais mais prestígio e maior poderes sobre o orçamento.

"O governo está colocando em risco o futuro das crianças japonesas, transformando o Japão num país que trava guerras no exterior", protestou o deputado comunista Ikuko Ishii.

Pelo Artigo 9 da Constituição de 1947, imposta pelos EUA, o Japão está proibido de projetar seu poderio militar para além de suas fronteiras e mar territorial. Em 1992, uma emenda autorizou o envio de tropas ao exterior em missões de paz das Nações Unidas.

Até hoje, as forças armadas são chamadas de Forças de Defesa do Japão, o que não impede que este país-arquipélago tenha uma grande Marinha para patrulhar suas águas territoriais. O Japão, único país atacado com bombas atômicas, não tem armas nucleares. Mas ninguém duvida de que tenha a tecnologia e de que seja capaz de fabricar a bomba em meses.

Tanto à China quanto aos EUA, não interessa a nuclearização do Japão, que até hoje vive sob a proteção do 'guarda-chuva nuclear' americano. Até hoje, os EUA mantêm 50 mil soldados no Japão.

Maior delegação de deputados americanos desde 1959 chega a Cuba

O governo interno de Raúl Castro recebeu ontem em Havana um grupo de 10 deputados democratas e republicanos interessados na melhora das relações entre os Estados Unidos e Cuba. É a maior delegação de congressistas americanos a visitar a ilha desde a vitória da revolução comunista, em 1º de janeiro de 1959, e o primeiro contato oficial entre os dois países desde que Fidel Castro foi afastado por motivo de saúde.

Raúl substitui seu irmão, Fidel, como presidente, primeiro-ministro, líder do Partido Comunista e comandante das Forças Armadas, entre outros cargos, em 31 de julho, quando o líder histórico da revolução cubana foi submetido a uma cirurgia de emergência para estancar um sangramento abdominal.

Como ele não apareceu numa parada militar para festejar seus 80, especula-se que Fidel esteja gravemente doente. Para o chefe dos serviços secretos americanos, o linha-dura John Negroponte, ex-embaixador em Honduras nos anos 80, onde coordenava os contra-revolucionários da Nicarágua, Fidel tem câncer terminal e morrerá em breve.

A notícia foi desmentida pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, hoje o maior aliado do ditador cubano. Chávez disse ter falado com Fidel pelo telefone e negou que o dirigente cubano tenha câncer. No seu estilo messiânico, afirmou: "Fidel não vai morrer nunca".

Durante a parada militar, realizada no início de dezembro, Raúl Castro propôs a abertura de um diálogo para melhorar as relações com os EUA.

Os deputados já estiveram com o presidente da Assembléia Nacional, Ricardo Alarcón, e com o ministro do Exterior, Felipe Pérez Roque, ex-secretário particular de Fidel, considerado hoje um dos homens-fortes do regime comunista cubano. Pediram uma audiência com Raúl e têm boas chances de consegui-la.

Antes da viagem, o subsecretário de Estado para a América Latina, Tom Shannon, advertiu que não haverá reaproximação com Cuba antes de reformas democráticas. Mas os deputados realizam uma missão exploratória que dá mais um passo, ainda que lento, rumo à normalização das relações EUA-Cuba.

sábado, 16 de dezembro de 2006

Primeiro-ministro iraquiano apela a baathistas

O primeiro-ministro do Iraque, Nuri al-Maliki, fez um apelo hoje à minoria sunita, inclusive aos militantes do extinto partido Baath, do ex-ditador Saddam Hussein, para que se junte aos esforços de paz e de reconciliação nacional. Depois de pedir que os iraquianos parem de "remoer o passado", Maliki disse que ex-militantes do Baath e ex-militares das Forças Armadas de Saddam que não tiverem cometidos crimes graves podem se reintegrar à vida política e social.

Ao falar no primeiro dia de uma conferência de reconciliação nacional de dois dias, Maliki pediu à Assembléia Nacional que aprove uma emenda constitucional oferecendo anistia aos baathistas que não cometeram crimes.

A desbaathização do Iraque foi um dos principais erros cometidos pelos Estados Unidos após a queda de Saddam Hussein, em 9 de abril de 2003. Quando o governador militar indicado pelo Pentágono, Lewis Paul Bremer, dissolveu as Forças Armadas e a Polícia do Iraque sem oferecer outro emprego ou uma pensão, jogou na clandestinidade centenas de milhares de homens com treinamento para usar armas. Eles constituiriam o grosso da insurgência contra a nova ordem imposta pela invasão americana.

Abbas convoca eleições mas Hamas rejeita

O presidente da Autoridade Nacional Palestina anunciou hoje a intenção de convocar eleições presidenciais e parlamentares antecipada, mas o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), que controla o governo palestino desde sua vitória nas eleições legislativas de 25 de janeiro deste ano, não aceita a manobra, que considera um golpe.

A tensão que se acumulava há meses explodiu nesta quinta-feira, quando o primeiro-ministro Ismail Haniyeh foi impedido por Israel de cruzar a fronteira do Egito para a Faixa de Gaza e houve um tiroteio entre militantes do Hamas e as forças de segurança palestina, leais a Abbas.

Desde que o presidente revelou a intenção de convocar eleições, o Hamas colocou seus militantes na rua, o que provocou confronto com forças da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), de Abbas. Pelo menos cinco palestinos foram mortos, inclusive três crianças menores de 10 anos, e mais de 50 saíram feridos.

Como o Hamas não abandonou a luta armada e não reconhece Israel, seu governo sofre um boicote econômico internacional. Israel impediu Haniyeh de voltar aos territórios palestinos com US$ 35 milhões recebidos do Irã e de países árabes, sob a alegação de que poderiam ser usados para financiar o terrorismo. A ascensão do Hamas também paralisou o processo de paz, porque Israel não admite negociar com um movimento que não o reconhece.

Para o negociador palestino Saeb Erekat, "ir às urnas pode evitar uma guerra civil".

Na minha opinião, Abbas está pressionando o Hamas a retomar as negociações para formar um governo de união nacional entre os palestinos mas a tensão chegou a um ponto explosivo. Este governo precisaria reconhecer Israel para que seja possível retomar o processo de paz.

O Hamas recusa-se a reconhecer Israel sob a alegação de que o Estado judaico ocupa territórios árabes. Por esta lógica, reconhecer Israel significaria aceitar a ocupação. O principal partido islamista palestino exige o fim da ocupação como precondição para negociar com Israel. Isto é inaceitável para Israel. Daria à parte mais fraca uma vantagem inicial nas negociações, o que vai contra a lógica do poder.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2006

PIB argentino é 15% maior do que antes da crise

O produto interno bruto da Argentina é hoje 14,9% superior ao de 1998 e 44% acima do registrado no início de 2002, no auge da crise provocada pelo fim da paridade fixa entre o peso argentino e o dólar.

A renda média por pessoa aumentou 6% desde 1998 e melhorou 38% em relação ao começo de 2002.

Ao todo, a soma das riquezas produzidas na Argentina menos as importações resultou em 670,441 bilhões de pesos, cerca de US$ 221 bilhões.

UE acusa Síria e Irã de desastabilizar Oriente Médio

A União Européia acusou o Irã e a Síria de desestabilizar o Oriente Médio, advertindo Damasco a "parar de intervir no Líbano", se quiser manter boas relações com a sociedade internacional.

Num tom bem mais duro do que o comum, no final de uma reunião de cúpula de dois em Bruxelas, os líderes do Conselho Europeu declararam que "a Síria deve cessar toda interferência nos assuntos internos do Líbano e se engajar ativamente na estabilização do Líbano e da região".

O Conselho Europeu, formado pelos chefes de governo ou de Estado dos 25 países-membros da UE, manifestou preocupação com o efeito das políticas iranianas sobre a estabilidade do Oriente Médio, "inclusive a negação do Holocausto e suas diatribes contra Israel".

Esta declaração reflete o desapontamento da UE com o Irã. Depois de três anos de negociações, Alemanha, França e Grã-Bretanha não conseguiram convencer a república dos aiatolás a abandonar seu programa nuclear, suspeito de desenvolver armas atômicas.

Em uma conferência realizada nesta semana em Teerã, o presidente Mahmoud Ahmadinejad voltou a insistir em que o massacre de 6 milhões de judeus pelo nazistas durante a Segunda Guerra Mundial é um "mito".

Já o presidente da França, Jacques Chirac, denunciou "uma ofensiva desestabilizadora" contra o governo do primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, pressionado pela milícia fundamentalista xiita Hesbolá (Partido de Deus) e outros aliados da Síria a renunciar ao cargo.

O presidente sírio, Bachar Assad, defendeu-se dizendo que uma grande parcela da população libanesa apóia o Hesbolá, argumentando que ele não é dominado nem manipulado pela Síria. Acrescentou que os EUA devem negociar diretamente com o Irã.

Bolsa de Nova Iorque fecha em novo recorde

A Bolsa de Valores de Nova Iorque fechou hoje em nível recorde pelo segundo dia consecutivo. O Índice Dow Jones, que mede o desempenho das principais ações, subiu 28,76 pontos (0,26%), chegando a 12.445,52, com uma alta acumulada de 1,1% na semana e de 16,1% neste ano.

Para os analistas, a explicação é que a economia dos Estados Unidos dá sinais de uma desaceleração suave, com crescimento baixo mais positivo e inflação sob controle.

Inflação cai a zero nos EUA em novembro

O índice de preços ao consumidor nos Estados Unidos não se mexeu no mês de novembrou e seu núcleo, excluídos os preços de energia e de alimentos, subiu 0,048%, abaixo da média das previsões dos economistas, que era 0,2%.

A inflação dos últimos 12 meses está em 2% mas o núcleo está em 2,6%, quando a meta não-declarada oficialmente do Federal Reserve Board (Fed), o banco central americano, é entre 1% e 2% ao ano. Isto reduz a pressão para aumentar a taxa básica de juros da maior economia americana, hoje em 5,25% ao ano.

Hamas denuncia dirigente da OLP

Dezenas de milhares de militantes do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) marcharam hoje na cidade de Gaza para celebrar seus 19 anos de fundação, numa demonstração de força, enquanto seus dirigentes acusavam Mohammed Dahlane, um dos líderes da Fatah (Luta), principal partido da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), de tentar matar o primeiro-ministro Ismail Haniyeh. Ele foi retido na fronteira entre o Egito e a Faixa de Gaza porque transportava US$ 35 milhões obtidos no Irã e em países árabes, que Israel alegou que poderiam ser usados para financiar o terrorismo.

Quando a comitiva de Haniyeh estava parada na fronteira, houve um tiroteio entre as facções palestinas. Um guarda-costas do primeiro-ministro foi morto e seu irmão, ferido. O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, "lamentou" o episódio.

Hoje o Hamas denunciou Dahlane, chamando de "colaborador, traidor e apóstata". Mas o negociador palestino Saeb Erekat, da OLP, liderada por Abbas , atribuiu ao movimento fundamentalista a responsabilidade pelo tiroteio.

Na Cisjordânia, houve choques hoje entre as forças de segurança leais a Abbas e militantes do Hamas.

Hamas acusa guarda do presidente palestino de tentar matar o primeiro-ministro Haniyeh

O Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), que domina o governo palestino, acusou a polícia do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, de tentar matar o primeiro-ministro Ismail Haniyeh, enquanto ele era impedido por Israel de cruzar a fronteira do Egito com a Faixa de Gaza na passagem de Rafah.

Israel bloqueou a entrada de Haniyeh porque ele trazia US$ 35 milhões do Irã e de países árabes. O primeiro-ministro palestino teve de deixar o dinheiro para entrar em Gaza.

Desde a vitória do Hamas, em 25 de janeiro deste ano, os EUA, a União Européia e Israel boicotam economicamente o governo palestino, já que o partido não abandonou a luta armada nem reconhece Israel.

Abbas estava pressionando Haniyeh a resolver a crise econômica para ver se o fazia mudar de posição, reconhecer Israel e abandonar a luta armada, o que não só acabaria com o boicote econômico como abriria caminho para negociações de paz com a criação de um Estado palestino.

Mas a situação definitivamente não é de paz dentro do próprio movimento palestino.

Indústria de viagens teme medidas antiterrorismo

Sete grandes associações da indústria de viagens americanas e de outros países apelaram ao governo dos Estados Unidos pedindo que suspenda a instalação de um sistema computadorizado para avaliar o risco de terrorismo dos visitantes estrangeiros.

"Estamos seriamente preocupados que um cadastro tão amplo e invasor da privacidade de milhões de pessoas entram e saem dos EUA em viagens de negócios lhes possa causar grandes danos, reduzindo a produtividade das organizações que trabalham com viagens de negócios", declarou o grupo em carta enviada na quarta-feira ao secretário para Segurança Interna, Michael Chertoff.

Estado-Maior dos EUA quer apoiar forças iraquianas e caçar terroristas

No debate sobre a nova estratégia dos Estados Unidos no Iraque, os generais do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas americanas querem mudar a missão, parando de combater a insurgência para treinar e apoiar as novas forças de segurança iraquiana, e caçar terroristas, revelou ontem o jornal The Washington Post.

O presidente George W. Bush e o vice-presidente Dick Cheney se reuniram na quarta-feira com os mais altos oficiais generais dos EUA. Eles não querem um aumento significativo do número de tropas como o senador e candidato à Casa Branca John McCain, que acredita que são necessários mais 30 a 50 mil soldados para impor a ordem no Iraque.

Pelo plano que está sendo feito pelo comandante militar americano no Iraque, general George Casey, os soldados americanos sairiam das cidades, concentrando-se em algumas bases, o que deixaria o combate à insurgência com o Exército do Iraque. Casey estuda a possibilidade de aumentar o contingente para intensificar o treinamento dos soldados e policiais iraquianos, os principais alvos dos terroristas e rebeldes.

Parte das tropas americanas seriam infiltradas dentro das forças iraquianas para orientá-las. Há 4mil soldados americanos treinando o Exército e a Polícia do Iraque.

As outras sete ou oito brigadas dos EUA teriam estas missões:
- atacar e desmantelar a rede terrorista Al Caeda no Iraque;
- aumentar a segurança nas fronteiras para impedir a infiltração de armas e terroristas; e
- proteger as estradas para garantir a circulação das forças americanas e aliadas.

Em curto prazo, não haveria nem aumento nem diminuição do contingente dos EUA, hoje em cerca de 140 mil soldados.

Os altos oficiais estão preocupados com o impacto político no Oriente Médio da nova estratégia dos EUA. Temem que os países sunitas apóiem a minoria sunita, como a Arábia Saudita advertiu que faria se os EUA saírem do Iraque. Isto criaria o risco de internacionalização do conflito. O Irã poderia intervir em apoio à maioria xiita.

Uma conflagração generalizada no Oriente Médio envolvendo produtores de petróleo como a Arábia Saudita e o Irã seria o atestado mais trágico do fracasso da invasão do Iraque.

Outro problema sério, na visão dos generais do Estado-Maior americano, é a ação da maior milícia do Iraque, o Exército Mehdi, liderado pelo aiatolá rebelde Muktada al-Sader. Eles se perguntam qual seria o reação do Irã, caso o governo iraquiano tente dissolver esta milícia, de 10 a 15 mil homens.

Os generais também estão preocupados porque o compromisso assumido pelos EUA no Iraque reduz a capacidade das Forças Armadas americanas de responder a outro desafio de segurança que possa aparecer. Para eles, este é o verdadeiro problema e não a data de sair do Iraque.

Hillary e Giuliani lideram corrida à Casa Branca

A senadora e ex-primeira-dama Hillary Clinton, pelo Partido Democrata, e o ex-prefeito de Nova Iorque Rudolph Giuliani, pelo Partido Republicano, são os favoritos para a eleição presidencial de 2008 nos Estados Unidos, revela uma pesquisa do jornal The Washington Post e da rede de TV ABC.

Entre os democratas, Hillary Clinton tem uma boa vantagem, com 39% das preferências, seguida pelo senador de origem queniana Barack Obama, com 17%. O ex-senador e ex-candidato a vice-presidente em 2004 John Edwards tem 12%, enquanto o ex-vice-presidente derrotado pelo presidente George W. Bush em 2000, Al Gore, tem 10%, e o candidato derrotado em 2004, John Kerry, 7%.

Entre os eleitores republicanos, Giuliani lidera com 34%, seguido do senador John McCain, que foi prisioneiro no Vietnã durante anos e se revoltou contra o emprego da tortura na guerra contra o terrorismo dos fundamentalistas muçulmanos. McCain tem 26% das preferências, bem à frente do ex-presidente da Câmara Newt Gingrich, com 12%, e do governador de Massachusetts, Mitt Romney, com 5%.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2006

Bolsa de Nova Iorque bate novo recorde

O índice Dow Jones, da Bolsa de Valores de Nova Iorque, fechou hoje com alta de 99,26 pontos (0,81%), no nível recorde de 12.416,76, impulsionado por fortes ganhos no setor financeiro e por um aumento de 1,15% no preço do petróleo, que fechou em US$ 62,52 por barril por causa de um anúncio da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) de um corte de 500 mil barris em sua produção diária.

Foi o primeiro fechamento acima de 12.400 pontos e o 19º recorde desde o início de outubro.

Depois de dados que revelaram um desemprego abaixo do esperado nos Estados Unidos, indicando que a economia está numa desaceleração suave, o dólar subiu, sendo cotado a US$ 1,3167 por euro e US$ 1,962, enquanto um dólar comprava 117,68 ienes.

EUA precisam reduzir dependência do petróleo

Um grupo de grandes empresários e generais da reserva acredita que o governo dos Estados Unidos precisa agir com decisão para reduzir a dependência do país do petróleo, que é controlado por nações estrangeiras e estará sempre sujeitos a choques de preços ou interrupções no fornecimento.

Em relatório encaminhado ontem ao Congresso e à Casa Branca, o grupo bipartidário que inclui diretores do FederalExpress, do UPS, e da Dow Chemicals, além de importantes generais reformados, afirma que "a pura economia de mercado nunca vai resolver o problema da dependência americana do petróleo".

Hoje o petróleo é responsável por 97% da energia que move os transportes nos EUA.

Em janeiro, o presidente George W. Bush admitiu que o país é "viciado em petróleo". Este grupo quer que até 2030 esta dependência seja reduzida à metade, alegando que, quanto maior a dependência, maior a exposiçãoa choques de preços ou de oferta.

"A esquerda não pode governar sozinha. Morales tem de enfrentar o dilema de Lula", adverte ex-presidente da Bolívia

As experiências de Salvador Allende no Chile, nos anos 70, e dos sandinistas na Nicarágua, nos anos 80, mostram que a esquerda não pode governar sozinha em nenhuma parte da América Latina, declarou o ex-presidente boliviano Jaime Paz Zamora, em entrevista ao jornal argentino La Nación.

"Para governar, para encabeçar o governo, a esquerda deve se aliar com o centro e com os setores democráticos de centro-direita", aconselhou, advertindo o presidente Evo Morales, o primeiro indígena a governar a Bolívia, de que lhe resta pouco tempo para mudar.

Paz Zamora, do Movimiento de Izquierda Revolucionaria (MIR), oriundo da luta armada contra ditaduras militares, fez um acordo nos anos 80 com o ex-ditador Hugo Banzer, que o perseguira, para chegar à presidência (1989-93). Isto lhe valeu críticas ferozes dos setores mais à esquerda, que hoje apóiam o governo Morales e seu Movimento ao Socialismo (MAS).

Agora, acredita que Morales precisa enfrentar o "dilema de Lula": governar para todo o país ou apenas para seus seguidores ideológicos.

"Lula fez e Morales tem de se resolver", argumenta o ex-presidente boliviano. "Lula vinha de um partido muto radical, o PT, num país com grandes níveis de pobreza. Teve de resolver se governava para o PT ou governava para o Brasil. Foi doloroso para ele. Teve de enfrentar dramas de consciência mas decidiu: vou governar para o Brasil, não para o PT; não vou fazer experiências".

Morales enfrenta uma queda de braço com a elite de origem européia e quatro departamentos ricos do Leste da Bolívia, que exigem autonomia e ameaçam até se separar. O presidente apelou ao Exército para manter a unidade nacional, enquanto líderes departamentais fazem greve de fome.

A oposição exige ainda que Morales respeita a regra inicial da Assembléia Constituinte, que exigia maioria de dois terços. Teme ainda que, com sua reforma agrária, mande índios do altiplano para as planícies do

O MAS, que tem maioria absoluta mas não chega a dois terços, mudou a regra do jodo para metade mais. A oposição chegou a apelar ao presidente Lula, durante a reunião de cúpula da Comunidade Sul Americana (Casa), em Cochabamba, na Bolívia. Afinal. há muitos produtores rurais brasileiros ameaçados de confisco pela reforma agrária na Bolívia.

Lula preferiu não se intrometer nas questões internas bolivianas.

Na opinião de Paz Zamora, a América Latina de hoje é fruto de dois grandes processos ocorridos nos últimos 25 anos: a democratização e as reformas econômicas de livre mercado.

"Ainda que com problemas e falhas, temos democracia", observa o ex-presidente. "Os problemas estão sendo resolvidos democraticamente".

Para o ex-presidente, "Morales é um produto da democracia boliviana. Deve reconhecer que a democracia não é ocidental nem burguesa, como querem alguns setores indígenas. O que me surpreende é que, tendo chegado ao governo com a simpatia da maioria e da comunidade internacional, começou a desperdiçar oportunidades de maneira irresponsável.

"Evo começou a inventar inimigos atrás de cada pedra. Começou a ver conspirações. Caiu no velho esquema da esquerda de ver inimigos por toda parte. Chegou o momento da democracia, de dar o salto por cima do indígena, que na Bolívia é sinônimo de indigente. Queremos ser uma África do Sul e que Morales seja o nosso Nelson Mandela. Mas no momento ele se parece mais com Robert Mugabe, do Zimbábue, que está isolado".

Senador ignora Bush e encontra presidente sírio

O senador democrata Bill Nelson, da Flórida, das comissões das Forças Armadas e de Relações Exteriores do Senado dos Estados Unidos, ignorando as objeções do governo George W. Bush, encontrou-se durante mais de uma hora com o presidente da Síria, Bachar Assad, em Damasco, para pedir seu apoio à pacificação do Iraque.

Este diálogo com os maiores inimigos estatais dos EUA na região, Irã e Síria, foi uma das propostas do Grupo de Estudos sobre o Iraque, co-presidido pelo ex-secretário de Estado James Baker e o ex-deputado democrata Lee Hamilton, que, na opinião do influente jornal The Washington Post, está sendo ignorado pelos dois partidos.

A iniciativa do senador Nelson mostra que não é tanto assim. Os EUA têm relações diplomáticas limitadas com a Síria, que acusa de apoiar o terrorismo e grupos como o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), principal partido fundamentalista palestino, e o Hesbolá (Partido de Deus), uma milícia fundamentalista xiita libanesa.

Ao sair do encontro, Bill Nelson declarou que "Assad indicou claramente ter desejo de cooperar". O senador pediu apoio para a libertação de soldados israelenses e o dirigente sírio retrucou que Israel tem 20 prisioneiros sírios.

Em Washington, o presidente Bush criticou o governo sírio, acusando-o de ser uma ditadura que não tem o consentimento de seu povo: "O regime sírio deve libertar imediatamente todos os presos políticos", desafiou o presidente dos EUA, citando a seguir os nomes de vários dissidentes. "Estou profundamente perturbado pelos relatos de que prisioneiros doentes não recebem tratamento de saúde adequado, enquanto outros dividem as celas com criminosos comuns violentos."

Os EUA também acusam a Síria de pressionar o governo do Líbano, que aprovou a criação de um tribunal internacional das Nações Unidas para julgar os suspeitos da morte do ex-primeiro-ministro libanês Rafik Hariri. A maior suspeita recai sobre agentes sírios.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2006

EUA estão perdendo no Iraque, dizem americanos

A maioria dos americanos acredita que os Estados Unidos estão perdendo a guerra no Iraque e gostaria que o governo George W. Bush adotasse as propostas do Grupo de Estudos sobre o Iraque co-presidido pelo ex-secretário de Estado James Baker e pelo ex-deputado democrata Lee Hamilton, revela o jornal The Washington Post na sua principal matéria de hoje.

O Post descreve as propostas, que incluem negociar com inimigos como Síria e Irã e com todos os outros países da região, como órfãs em Washington, com pouco apoio nos dois partidos.

Na pesquisa do Post e da divisão de jornalismo da rede de televisão americana, 80% disseram a missão das tropas americanas no Iraque deve ser mudada do combate direto para o treinamento do Exército e da Polícia iraquianos.

Novos ataques nesta quarta-feira, 13 de dezembro, contra desempregados como procuram trabalho como diaristas mataram pelo menos 23 pessoas e feriram outras 56 em Bagdá e em Kirkuk, no Norte do Iraque.

No começo do próximo ano, quando o presidente Bush anunciará sua nova estratégia para a guerra no Iraque, os EUA pretendem entregar o controle da segurança pública em Bagdá aos iraquianos. O plano para que o Exército do Iraque tome conta da capital foi apresentado a Bush pelo primeiro-ministro Nuri al-Maliki num encontro em 30 de novembro, na Jordânia, informou hoje o jornal The New York Times.

Arábia Saudita ameaça intervir no Iraque

A Arábia Saudita vai intervir no Iraque para proteger a comunidade árabe sunita, se a retirada das forças dos Estados Unidos provocar uma guerra civil entre a minoria sunita, que mandava no país desde que ele foi incorporado ao Império Otomano, no século 17 até a queda de Saddam Hussein, e a maioria xiita, que é cerca de 60% da população iraquiana.

A advertência foi feita durante a visita do vice-presidente Dick Cheney a Riad no final do mês passado, justamente para discutir a guerra no Iraque e a ameaça de uma bomba atômica iraniana.

Se os sauditas entrarem numa guerra civil iraquiana do lado dos sunitas, é provável que o Irã intervenha em apoio aos xiitas. Uma guerra entre o Irã e a Arábia Saudita levaria a uma confrontação generalizada entre sunitas e xiitas no Oriente Médio. Seria uma conseqüência catastrófica da invasão americana ao Iraque.

Bolsa de Buenos Aires bate recorde

O Índice Merval, da Bolsa de Valores de Buenos Aires, superou hoje pela primeira vez a marca de 2 mil pontos, chegando a 2.021,75 e acumulando uma alta de quase 30% neste ano.

Como o governo Néstor Kirchner intervém para manter o dólar acima de 3 pesos, a moeda americana está valendo 3,08 pesos, o que aumenta a competitividade da economia argentina.

Petróleo sobe com queda no estoque dos EUA

Com a queda no estoque de petróleo bruto dos Estados Unidos pela terceira semana consecutiva e acima da expectativa média do mercado, de 4,3 milhões de barris, para 335,4 milhões, o petróleo teve alta de 72 centavos na Bolsa Mercantil de Nova Iorque, sendo cotado a US$ 61,74 por barril.

Terrorista suicida mata 70 em Bagdá

Eram sete da manhã de terça-feira em Bagdá, quando um terrorista fazendo-se passar por um empreiteiro de mão-de-obra atraiu trabalhadores para seu veículo com uma promessa de trabalho para em seguida se suicidar, ferindo um total de 236 pessoas e matando 70 iraquianos. A maioria era de xiitas pobres.

Em Washington, o presidente George Walker Bush recebeu o vice-presidente do Iraque e comandantes militares dos Estados Unidos para traçar uma nova estratégia. A Casa Branca anunciou que Bush vai adiar o anúncio da nova estratégia para o Iraque até o início de 2007.

Pelo menos outras 54 pessoas foram mortas terça-feira no país ocupado pelos EUA, inclusive um cinegrafista da agência de notícias Associated Press Television News, morto quando cobria confrontos em Mossul, no Norte do Iraque.

terça-feira, 12 de dezembro de 2006

EUA mantêm taxa básica de juros em 5,25% ao ano

O Federal Reserve Board (Fed), o banco central dos Estados Unidos, manteve hoje pelo quarto mês consecutivo a taxa básica de juros da maior economia do mundo em 5,25% ao ano, mencionando "um esfriamento substancial do mercado imobiliário" mas lembrando que persistem pressões inflacionárias e que o núcleo da inflação continua "elevado", acima da meta informal do Fed, de 1% a 2%.

A economia americana cresceu a uma taxa anual de 2,2% no terceiro trimestre. Para o quarto, a média das previsões está em 2%. Com o índice de desemprego em 4,5%, o Fed entende que pode haver pressões altistas nos salários.

BUSH 2: A MISSÃO FOI LANÇADO EM PORTO ALEGRE

Com palestra sobre o Eixo do Mal x a Doutrina Bush, meu livro Bush 2: A Missão foi lançado nesta terça-feira, 12 de dezembro, em Porto Alegre. Agradeço a presença de todos e espero que gostem do livro.

Anista espera punição para crimes de Pinochet

A organização não-governamental de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional divulgou nota pedindo que a morte do ex-ditador chileno Augusto Pinochet não signifique o fim dos processos para punir os crimes cometidos pela ditadura militar que governou o Chile do golpe que derrubou o presidente socialista Salvador Allende, em 11 de setembro de 1973, até 1990.

Mais de 3,1 mil pessoas foram mortas neste período sombrio, como o descreveu o porta-voz do governo Lula, André Singer. A Anistia insiste em que sejam investigados e que todos os culpados sejam punidos. Por mais que os chilenos que elogiam o modelo econômico liberal imposto por Pinochet acreditem que ele é o pai do desenvolvimento do país, a tortura, a morte e o desaparecimento de pessoas não podem ficar impunes

Pinochet está sendo velado com honras militares mas não será enterrado como chefe de Estado. Afinal, nunca foi eleito para isto.

A presidente Michelle Bachelet não vai ao enterro. Seu pai, o general-brigadeiro Alberto Bachelet, trabalhara com Allende na distribuição de comida durante os boicotes e greves de caminhoneiros que alimentaram o golpe. Foi preso na Academia da Força Aérea e torturado até a morte, em 12 de março de 1974.

Michelle e a mãe foram detidas em 10 de janeiro de 1975 e levadas para o mal-afamado centro clandestino de detenção da Villa Grimaldi. Por suas conexões com os militares, conseguiram fugir e se exilaram na Austrália.

Em maio de 1975, Michelle Bachelet foi para a Alemanha Oriental, onde prosseguiu seus estudos de Medicina. Bachelet voltou ao Chile em fevereiro de 1979 mas seu trabalho na Alemanha Oriental não foi reconhecido oficialmente pela ditadura miltar chilena.

No final da ditadura militar, ela entrou para o Ministério da Saúde. Em 2000, tornou-se ministra da Saúde sob a presidência de Ricardo Lagos, no primeiro governo de um socialista desde o golpe de 1973.

Será representada no funeral pela ministra da Defesa.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2006

Economia venezuelana é petroleira e rentista

A Venezuela é uma economia petroleira e rentista onde tudo depende da decisão política e unilateral do presidente, afirmou o economista venezuelano José Manuel Ponte, do Instituto de Estudos Superiores de Administração da Venezuela, ao participar do seminário internacional Mercosul + 1: conseqüências da entrada da Venezuela, realizado no Rio de Janeiro em 7 de dezembro de 2006 pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri).

Durante quase 30 anos (1950-77), “houve baixo crescimento e inflação baixa”, explicou Puente. O impacto positivo dos choques do petróleo foi seguido por quedas fortes. “A renda real per capita teve um crescimento sustentado de 1950-79. Se continuasse, o PIB seria o dobro do que é hoje”, cerca de US$ 110 bilhões.

Sucessivas crises levaram a Venezuela de democracia estável desde 1959 a um país instável e polarizado, analisa o economista, que apontou diversas distorções de uma economia rica em petróleo: “É melhor importar do que comercializar. Há um boom de importações”, que não favorece o desenvolvimento da indústria nacional.

“O país está crescendo há três anos consecutivas. Pela primeira vez em 26 anos, vai crescer quatro anos consecutivos”, constata Puente, o que se deve principalmente à alta nos preços do petróleo. “Mas tem a inflação mais alta da América Latina. Até outubro, estava em 13,7% este ano”.

Como o governo Hugo Chávez controla o câmbio e a Venezuela está sendo inundada este ano por US$ 60 bilhões da renda do petróleo, isto provoca mais inflação: “O boom petroleiro financia as importações. Isto só pode ser sustentado por preços do petróleo altíssimos. Um boom petroleiro clássico mantém o câmbio estável, um boom petroleiro clássico”.

As exportações de petróleo crescem mas o resto da economia venezuelana decresce.

De 1998 a 2005 o produto interno bruto cresceu 9,4% mas as exportações não-petrolíferas caíram 8,7%.

O petróleo representa 95% das exportações, 90% dos dólares e 50% da arrecadação da Venezuela. Com o barril em torno de US$ 60, depois de ter ido a US$ 78 em agosto, Chávez pode fazer “uma política fiscal superexpansiva” num sistema clientelista e rentista em que o Estado domina a economia que Puente compara com o varguismo no Brasil.

“É uma economia de portos, onde o Estado controla o petróleo”, a grande riqueza nacional, que José Manuel Puente não sabe se “é uma bendição de Deus ou o excremento do diabo”. Fala-se de uma ‘maldição do petróleo’: os países ricos em petróleo geralmente são autoritários ou abertamente ditatoriais.

A Venezuela tem reservas de petróleo para 100 anos.

CRISE NO SETOR DE PETRÓLEO
Paradoxalmente, o setor de petróleo contraiu-se 1,8% nos três primeiros trimestres do ano. Como Chávez demitiu 18 mil técnicos depois da greve da companhia estatal Petroleos de Venezuela S. A. (PdVSA) em 2002-3, metade de seu quadro de pessoal. “Há uma debilidade gerencial que pode trazer problemas a médio e longo prazos”, ressalva Puente.

As empresas estrangeiras, inclusive a Petrobrás, foram obrigadas a assinar contratos dando maioria à PdVSA. Isto provocou uma redução nos investimentos privados.

“Aprofunda-se uma cultura estatista’, comentou a cientista política Francine Jácome, do Instituto Venezuelano de Estudos Políticos e Sociais. “É um empresariado parasitário e clientelista”.

Chávez prometeu durante a campanha investir mais de US$ 50 bilhões para dobrar a produção de petróleo em cinco anos. Puente não acredita, já que parte da renda do petróleo é desviada para os programas sociais que o presidente não vai cortar.

O país tem hoje o orçamento mais alto dos últimos 30 anos, altos níveis de liquidez e generosos programas sociais, as missões, que Chávez financia com a renda do petróleo. “Em cinco anos, a quantidade de dinheiro em circulação quintuplicou’, observa Puente.

Este modelo é sustentável? Com taxas de juros abaixo da inflação, estimula o consumo, não a poupança e o investimento.

Na vida fácil de quem tem petróleo abundante, e fala-se de uma maldição do petróleo, “há 40 anos os EUA são o principal parceiro comercial dos Estados Unidos”, disse Puente. “Os padrões de comércio não se alteraram. É um casal que já não se ama mas romper o relacionamento tem um custo muito alto. Chávez protesta contra os EUA mas não deixa de enviar 1,5 milhão de barris por dia”.

Tanto com a Argentina quanto com o Brasil, a Venezuela importa mais e exporta menos, o que mostra que a adesão ao Mercosul pode ter um impacto negativo para a economia venezualana.

“Seu aporte ao Mercosul é o petróleo”, resume Puente. Vai junto o “problema estrutural da economia venezuelana”.

Como a decisão de entrar no Mercosul foi tomada pessoalmente por Chávez, sem avaliar o impacto econômico, raciocina o economista, não foram levadas em conta “as distorções econômicas que dificultam a integração, a valorização do câmbio, a política fiscal superexpansiva, altos níveis de liquidez e juros negativos, gigantescas assimetrias, problemas de direito de propriedade e a alta dependência do petróleo. Chávez não é tão ruim mas é incendiário, assusta os investidores”.

Os problemas são:
- a sustentabilidade do crescimento:
- a competitividade; e
- a capacidade para enfrentar os desafios da integração.

Com o antiliberalismo, o anticapitalismo e o caudilhismo de Chávez, a economia venezuelana só funciona por causa do petróleo. Mas já era assim antes da ascensão do neopopulismo.

domingo, 10 de dezembro de 2006

General Pinochet morre impune

O ex-ditador chileno Augusto Pinochet Ugarte (1973-1990) morreu hoje aos 91 anos sem pagar pelos crimes cometidos pelo regime militar que comandou, inclusive a morte de mais de 3,1 mil pessoas. Ele sofrera um violento ataque cardíaco há uma semana.

Pinochet era considerado um oficial medíocre. Por isto, teria sido nomeado comandante do Exército pelo presidente socialista Salvador Allende (1970-73). Semanas depois de assumir o cargo, liderou o golpe de 11 de setembro de 1973, que levou Allende ao suicídio.

Sucedeu-se um reino de terror que começou pela morte dos assessores que estavam no Palácio La Moneda na hora do golpe e continuou com a perseguição política de toda a esquerda chilena, além de milhares de refugiados latino-americanos que foram para o Chile na era Allende.

O Estádio Nacional de Santiago ficou tristemente célebre como centro de detenção, tortura e execução de opositores do golpe, inclusive o cantor e compositor Victor Jara, um dos mais importantes da música popular chilena.

Com mão-de-ferro, Pinochet tornou-se a mais perfeita tradução do ditador latino-americano: cruel e implacável com seus inimigos e seus adversários dentro do regime, sempre de quepe e óculos escuros, sempre negando os atrocidades da ditadura. Orgulhava-se de dizer que "nenhuma folha se mexe no Chile sem que eu saiba", numa clara indicação de que sabia das violações de direitos humanos, dos seqüestros, da tortura, do desaparecimento de pessoas e dos assassinatos políticos.

Na Operação Condor, fez uma aliança com outras ditaduras militares sul-americanas do Brasil, Uruguai, Argentina e Bolívia para perseguir e matar dissidentes além de suas fronteiras nacionais. O caso mais escandaloso foi o assassinato do ex-ministro da Defesa e ex-chanceler Orlando Letelier, em 1976, em Washington, onde estava exilado.

Sem oposição - o líder sindical que chegou a ser chamado de Lula chileno emigrou para a Austrália, o regime de Pinochet promoveu uma profunda reforma econômica no Chile baseada nas idéias do economista americano Milton Friedman, pai do neoliberalismo e da Escola de Chicago. O crescimento econômico ajudou a sustentar o regime, que foi o último a cair.

Seu legado é a economia mais estável da região, com taxa média de crescimento de 6% ao ano e renda média anual por pessoa de US$ 10 mil. Ao mesmo tempo, ele sucateou a indústria e acabou com a previdência social.

Em 1988, o ditador submeteu-se a um plebiscito para prorrogar seu mandato e perdeu. Perdeu mas teve 40% dos votos. Em 1989, Patricio Aylwin foi o primeiro presidente chileno eleito democraticamente desde Allende.


Aylwin tomou posse em março de 1990 mas Pinochet continuou no comando do Exército até 1998. Em 16 de outubro de 1998, durante visita a Londres para tratamento de saúde, foi preso por ordem internacional expedida pelo juiz de instrução Baltasar Garzón, que o denunciou por genocídio, tortura, seqüestro, desaparecimento de pessoas e assassinato.

Entrevistei Garzón durante o Fórum Social Mundial 2002, em Porto Alegre. O juiz espanhol disse que Pinochet era culpado de politicídio, a tentativa de eliminar toda uma corrente de pensamento político, a esquerda. Este crime não está tipificado no Direito Internacional, como o genocídio, que é a tentativa de exterminar um povo inteiro, ou a tortura, que é o tratamento cruel e desumano de presos.

Stalin não permitiu que fosse incluído na Convenção sobre Tortura, aprovada depois da Segunda Guerra Mundial, porque afinal o comunismo pregava a destruição da burguesia e do liberalismo.

Quando a Câmara dos Lordes, que exerce a função de supremo tribunal no sistema constitucional britânico, decidiu que o general não tinha imunidade, criou-se uma crise internacional. No Chile, os militares e a direita pediam a volta do seu general. Já o governo direitista espanhol não tinha nenhum interessa na extradição pedida por Garzón.

A situação começou a ser resolvida no Brasil, durante a Conferência de Cúpula América Latina-União Européia realizada no Rio em 28 e 29 de junho de 1999, quando os ministros do Exterior do Reino Unido, da Espanha e do Chile se reuniram para discutir a questão.

Assim que o chanceler espanhol deixou claro que seu governo não queria ver Pinochet sendo processado na Espanha por crimes contra a humanidade, o representante britânico disse que então não fazia sentido continuar com o pedido da extradição. Acertou-se que Pinochet seria examinado por uma junta médica que o consideraria demente e incapaz.

No início do ano 2000, ele foi declarado gravemente enfermo, demente, sem condições de responder conscientemente a um processo. Libertado, voltou ao Chile em março. Já no aeroporto, ao se levantar da cadeira de rodas para abraçar os amigos, deixou claro que os problemas de saúde eram mero pretxto. Mas renunciou à cadeira de senador vitalício.

Mais de 100 ações foram movidas contra Pinochet, inclusive por ter US$ 26 milhões no exterior. Mas o general morreu sem ser condenado pela Justiça.

Já está condenado pela História.

Sobrinho de Saddam Hussein foge da prisão

Um sobrinho de Saddam Hussein condenado à prisão perpétua por fabricar bombas para a insurgência iraquiana fugiu da prisão neste sábado.

Ayman Sabawi é filho de Sabawi Ibrahim Hassan al-Tikriti, meio-irmão de Saddam.

sábado, 9 de dezembro de 2006

Abbas deve antecipar eleições palestinas

Durante uma reunião da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), neste sábado, seu comitê executivo propôs ao presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, a antecipação das eleições, se não houver acordo com o governante Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) para formar um governo de união nacional. O Hamas, que venceu as eleições de 25 de janeiro passado, denunciou a proposta como "um golpe contra a democracia".

"Trata-se de um golpe contra a democracia com o objetivo de eliminar o Hamas da cena política", declarou o deputado Khalil al-Hiya, líder da bancada do Hamas no Conselho Legislativo Palestino. "Não atende aos interesses nacionais palestinos e só vai agravar a situação".

Abbas está pressionando o Hamas a acabar com a crise econômica, provocada por um boicote internacional a seu governo porque o principal movimento fundamentalista palestino não renuncia à luta armada nem reconhece o direito à existência de Israel. Deve anunciar sua posição oficial num discurso na próxima semana.

O primeiro-ministro palestino, Ismail Haniyeh, foi a Teerã pedir apoio ao Irã, onde insistiu em não reconhecer e Israel e no direito ao uso da força.

China quer aumentar importações para conter pressões pela valorização do iuã

Com o aumento projetado de 65% no saldo comercial, previsto para chegar a US$ 168 bilhões neste ano, o governo da China deve fazer uma campanha para promover o aumento das importações. Seu objetivo é diminuir as pressões, especialmente de seu maior parceiro comercial, os EUA, pela valorização da moeda chinesa.

No ano passado, a China teve um saldo positivo de US$ 202 bilhões no comércio com os EUA.

Há poucos dias, a China anunciou uma maior liberalização do câmbio, aumentando o número de bancos autorizados a operar neste mercado.

Na próxima semana, chega a Beijim uma delegação americana liderada pelo secretário do Tesouro, Henry Paulson. Vai pressionar a China a valorizar sua moeda, numa tentativa de reduzir o déficit comercial dos EUA, previsto para chegar a US$ 850 bilhões este ano.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2006

EUA criam 132 mil empregos mas desemprego aumenta

O maior economia do mundo, que produz mais de US$ 13,3 trilhões por ano, criou 132 mil empregos em novembro fora do setor agrícola, superando a expectativa média do mercado, que era de 110 mil. Mesmo assim, a taxa de desemprego aumentou de 4,4% para 4,5%.

É uma boa notícia porque indica que a desaceleração da economia dos Estados Unidos não é muito forte. O país continua crescendo, em ritmo lento. Por outro lado, o aumento do desemprego indica que não há uma pressão inflacionária por aumentos salariais.

Bush resiste a falar com Síria e Irã

Ao receber ontem na Casa Branca seu principal aliado, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, o presidente George W. Bush resistiu à proposta de abrir diálogo com o Irã e a Síria, feita pelo Grupo de Estudos sobre o Iraque, para que contribuam para a pacificação do país invadido pelos Estados Unidos em março de 2003, que até hoje vive numa situação de caos e anarquia.

Sob pressão de um repórter da TV britânica BBC, Bush admitiu que a situação no Iraque "é ruim". Mas não deixou claro se vai aceitar as recomendações do grupo bipartidário.

Tanto Bush quanto Blair insistiram que suas forças conseguirão a "vitória".

EUA matam 20 em bombardeio contra Al Caeda

Pelo menos 20 pessoas morreram na cidade sunita de Al Jazira, a 110 quilômetros ao norte de Bagdá, durante um ataque aéreo dos Estados Unidos contra uma suposta célula da rede terrorista Al Caeda no Iraque.

Todos os mortos, inclusive duas mulheres, eram terroristas, afirmou o comando militar americano. Mas o prefeito local disse que os mortos eram mulheres e crianças. A polícia local informou que entre os mortos havia seis crianças e oito mulheres.

Três ataques de morteiro contra um bairro xiita de Bagdá mataram 25 pessoas e feriram outras 22.

Venezuela prejudica negociações externas do Mercosul

A entrada da Venezuela no Mercosul é interessante porque trata-se de uma economia importante, a terceira maior da América do Sul, de uma potência energética com enormes reservas de petróleo e gás, e também sob o aspecto geopolítico porque é um aliado na fronteira norte e na Amazônia. Mas da maneira como foi feita, sem uma negociação de acesso prévia que a obrigasse a se adaptar às regras do bloco, e sobretudo por causa do personalismo político do presidente Hugo Chávez, pode complicar tanto a institucionalização do Mercosul como as negociações externas do bloco.

O impacto e as conseqüências do ingresso da Venezuela foram discutidas ontem por acadêmicos brasileiros e venezuelanos, e de um representante da União Européia, no Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), no Rio de Janeiro.

Sem esconder sua surpresa, o chefe do setor político da representação da Comissão Européia no Brasil, Christian Burgsmüller, lembrou que na Europa os candidatos são submetidos a longas negociações e devem aceitar as normas e tratados já existentes.

Em 1 de janeiro, a Romênia e a Bulgária entram na UE, que passará a ter 27 países-membros, e já estão abertas negociações com a Croácia e a Turquia.

Leia a íntegra em meu blog Vida Global

Abbas deve dar uma chance ao Hamas

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mohamoud Abbas, recebeu ontem duas recomendações de um painel de assessores da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), depois do fracasso das negociações para formar um governo de união nacional com o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), que vendeu as eleições parlamentares de 25 de janeiro deste ano:
- deixar o Hamas no poder por enquanto e exigir que supere a crise econômica;
- se a crise persistir, deve convocar um referendo sobre a antecipação das eleições.

Abbas anuncia sua decisão num discurso na próxima semana.

Saleh Raafat, um dos assessores, comentou: "Temos duas recomendações. A primeira é deixar o Hamas no poder enquanto a Fatah faz oposição e dá ao Hamas uma chance de resolver a crise. Se não conseguir, então teremos de recorrer a uma segunda opção, um referendo sobre a antecipação de eleições."

E acrescentou: "Daremos ao Hamas uma chance de resolver a crise, mas tenho certeza de que não vai passar no teste. Não terá sucesso, a não ser que mude suas posições."

As Nações Unidas pediram uma ajuda de US$ 450 milhões para a ANP, em crise por causa de um boicote internacional ao governo do Hamas porque este movimento fundamentalista não renuncia à luta armada nem reconhece o direito de existência de Israel.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2006

Banco Central da Europa aumenta juros para 3,5%

O Banco Central da Europa aumentou hoje a taxa básica de juros dos países da zona do euro em 0,25 ponto percentual para 3,5% ao ano, como previam os analistas de mercado, por acreditar que há pressões inflacionárias e que a economia da eurozona está em forte recuperação. É a taxa mais alta em cinco anos, o que estimula a alta do euro diante do dólar.

Nos últimos meses, a cotação do euro em relação ao dólar subiu 4%, atingindo o valor mais alto em 20 meses, US$ 1,3367, apenas três centavos abaixo da cotação recorde, registrada em dezembro de 2004.

Já o Banco da Inglaterra deixou a taxa básica de juros do Reino Unido em 5% ao ano, a mais alta em cinco anos mas até agora incapaz de conter a inflação no superaquecido mercado imobiliário, especialmente em Londres. No país como um todo, o preço da casa própria subiu em novembro a um ritmo que projeta uma taxa anual de 9,6%, a maior desde março de 2005.

Como o ministro das Finanças, Gordon Brown, fez uma avaliação positiva da economia britânica e o setor de serviços cresceu acima da expectativa do mercado, os analistas já esperam uma alta na próxima reunião do Comitê de Política Monetária do Banco da Inglaterra.

A libra foi a moeda dominante do comércio internacional do século 19 até os anos 20 do século passado, quando houve a transição hegemônica do Império Britânico para os Estados Unidos.

Hoje, está espremida entre duas moedas mais fortes e duas grandes zonas monetárias: o dólar e o euro. Isto a obriga a ter taxas de juros mais altas, o que por sua vez aumenta sua cotação, prejudicando a indústria britânica. A moeda britânica vale hoje quase US$ 2, tornando o Reino Unido cada vez mais numa economia de serviços.

Pentágono quer urgência para tribunal de Guantânamo

O Departamento da Defesa dos Estados Unidos está invocando poderes de emergência para acelerar a aprovação pelo Congresso dos US$ 125 milhões necessários para financiar o tribunal de crimes de guerra da base naval de Guantânamo, em Cuba. Lá, estão presos os suspeitos de terrorismo que o governo George W. Bush define como "combatentes ilegais" para lhes negar os direitos previstos na Convenção de Genebra sobre Prisioneiros de Guerra.

Em carta a deputados e senadores dos dois partidos, o subsecretário da Defesa, Gordon England, justificou a medida pelas "implicações para a segurança nacional e extrema urgência". Os fundos para outro projeto do Pentágono terão de ser congelados para financiar o tribunal, denunciado como um tribunal de exceção por organizações de defesa dos direitos humanos.

O governo Bush não quer que suspeitos de terrorismo possam usar o sistema judicial americano para defender suas idéias e muito menos para denunciar soldados e agentes americanos por violações dos direitos humanos.

Para o jornal The Washington Post, o Pentágono se baseia no Decreto de Autorização de Construção de Emergência Nacional (National Emergency Construction Authority Executive Order), assinado por Bush depois dos atentados de 11 de setembro de 2001.

Senado dos EUA aprova novo secretário da Defesa

Por 95 a 2, o Senado dos Estados Unidos aprovou ontem a indicação do ex-diretor da CIA (Agência Central de Inteligência) Robert Gates para secretário da Defesa. Ele substitui Donald Rumsfeld, responsável pela estratégia da guerra no Iraque, que caiu um dia depois da derrota do Partido Republicano nas eleições parlamentares de 7 de novembro.

Durante as audiências de confirmação, em que foi interrogado pela Comissão de Defesa e Forças Armadas do Senado, Gates declarou que os EUA não estão perdendo nem ganhando a guerra no Iraque.

Este idéia acaba de ser repetida agora, em entrevista ao vivo na CNN, pelo ex-deputado democrata Lee Hamilton, co-presidente do Grupo de Estudos sobre o Iraque, que apresentou ontem seu relatório.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2006

Grupo de Estudos dos EUA admite agravamento da situação e pressiona governo do Iraque

A situação no Iraque está piorando e a atual estratégia dos Estados Unidos não está funcionando, concluiu o Grupo de Estudos sobre o Iraque, um grupo criado pelo governo George W. Bush para sugerir alternativas, co-presidido pelo ex-deputado democrata Lee Hamilton e o ex-secretário de Estado James Baker.

O relatório apresentado hoje faz 79 recomendações, pressiona o governo iraquiano a ser mais efetivo no combate à violência, o diálogo com os países inimigos dos EUA no Oriente Médio, Irã e Síria, e maior empenho do governo americano na solução do conflito árabe-israelense em todas as frentes. Isto permitiria uma retirada gradual dos soldados americanos. Em 2008, não haveria mais tropas de combate dos EUA no Iraque, apenas soldados para treinar as forças iraquianas.

"Uma solução militar não é suficiente", reconheceu Hamilton ao apresentar o relatório aos jornalistas. "Os EUA devem deixar claro que apoiarão o governo do Iraque se ele tomar medidas para promover a reconciliação nacional, garantir a segurança pública e melhorar a vida cotidiana da população".

Caso o governo iraquiano não seja capaz de cumprir estas exigências, o apoio americano seria reduzido.

Já Baker, secretário de Estado do pai de Bush, defendeu uma conferência internacional que inclua os países do Oriente Médio, inclusive a Síria e o Irã, e também Egito, Arábia Saudita e outros aliados americanos, as cinco potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas, a ONU e a União Européia.

"Durante 40 anos, conversamos com a União Soviética, que tinha o compromisso de nos eliminar da face da Terra", afirmou Baker.

Ele defendeu um papel mais ativo dos EUA na solução dos conflitos entre árabes e israelenses, medidas para melhorar o Poder Judiciário, o setor de petróleo e a reconstrução do Iraque.

"Manter o curso atual não é solução", declarou Baker. Uma retirada apressada e imediata, como exigem alguns deputados e senadores da nova maioria democrata no Congresso, seria um sinal de fraqueza capaz de estimular ações terroristas contra os EUA.

Bush recebeu o relatório pela manhã, considerou-o "duro" e prometeu estudá-lo com cuidado. A expectativa é que o presidente leve semanas para anunciar alguma mudança de rumo na condução da guerra.

terça-feira, 5 de dezembro de 2006

Nova Iorque proíbe gordura trans

O Comitê de Saúde de Nova Iorque quer tornar a cidade a primeira nos Estados Unidos a proibir o uso de gordura trans artificial nos restaurantes, que terão de procurar novos óleo para fritura e outros ingredientes.

As gorduras trans, usadas como subsbstitutas para gorduras saturadas em comidas assadas no forno, molhos para saladas e margarinas, entre outras comidas, aumentam o risco de doenças do coração ao elevar a taxa do colesterol ruim e baixar a taxa do bom ao mesmo tempo.

O comitê aprovou ainda outra medida - também pioneira nos EUA -, obrigando alguns restaurantes, especialmente as lanchonetes, a mostrar com destaque a quantidade de calorias de cada prato do cardápio no próprio cardápio ou perto das caixas registradoras.

"EUA não estão ganhando nem perdendo no Iraque"

O ex-diretor da CIA (Agência Central de Inteligência) Robert Gates, nomeado pelo presidente George Walker Bush para substituir Donald Rumsfeld como secretário da Defesa, declarou hoje, durante uma audiência de confirmação no Senado, que os Estados Unidos não estão ganhando nem perdendo a guerra no Iraque. Ele advertiu que uma retirada rápida do Iraque irá estimular a ação de terroristas, a exemplo do que aconteceu com a saída dos americanos da Somália em 1993.

Para o terrorista saudita Ossama ben Laden, líder da rede terrorista Al Caeda, foi um sinal de que a opinião pública americana não agüenta um número elevado de baixas e, nestes casos, pressiona o governo a trazer os soldados dos EUA de volta para casa.

"Nosso curso de ação nos próximos dois anos vai determinar se os povos americano e iraquiano, e o próximo presidente dos Estados Unidos verão uma melhoria lenta e gradual da situação no Iraque e na região, ou se haverá um risco real de confrontação regional, declarou o ex-diretor da CIA (1991-92) no governo do pai de Bush.

Gates considerou contraproducente um ataque contra a Síria, que "provocaria um aumento do antiamericanismo, piorando as relações dos EUA com todo o Oriente Médio". Mas não descartou a possibilidade de uma ação militar contra o programa nuclear do Irã, afirmando que "todas as opções estão sendo avaliadas".

A audiência está em andamento. A nomeação do novo chefe do Pentágono deve ser confirmada sem problemas.

Argentina preocupa-se com déficit com Brasil

O governo da Argentina está preocupado com o déficit comercial de seu país com o Brasil, que atingiu quase US$ 3,5 bilhões nos primeiros 11 meses do ano, 5,9% superior ao de 2005. Será o terceiro ano consecutivo de saldo negativo para os argentinos.

Mas a Argentina não pensa em impor novas barreiras às importações do vizinho e principal sócio no Mercosul. O ministro do Exterior argentino, Jorge Taiana, convocou o embaixador e os 10 cônsules argentinos no Brasil para uma ofensiva de promoção de exportações em 2007, revela o jornal La Nación.

As exportações argentinas para o Brasil cresceram 27%, chegando a US$ 7,256 bilhões de janeiro a novembro de 2006, enquanto as importações brasileiras de produtos argentinos aumentaram 19%, atingindo US$ 10,75 bilhões.

De janeiro a outubro, houve aumento nas exportações argentinas de produtos primários (41%), combustíveis e energia (28%), manufaturas industriais (21%) e produtos industriais de origem agrícola (19%).

Um estudo da Subsecretaria de Comércio Internacional, dirigida por Luis María Kreckler, que morou em Porto Alegre quando seu pai era cônsul no início dos anos 70, identificou oportunidades de negócios para os argentinos em software, serviços de informática, call centers, redes de tecnologia, alimentos, materiais de construção, perfumeria e cosméticos, fotografía, indústria plástica, editorial, maquinária e equipamentos mecânicos, instrumentos médicos e iluminação.

"O Brasil está aumentando importações do mundo inteiro, e o chanceler nos convocou para formular um plano especial de promoção", declarou Kreckler. "É preciso acabar com a intermediação de São Paulo".

Hoje será definida uma lista de produtos para cada cônsul (São Paulo, Curitiba, Belo Horizonte, Porto Alegre, Florianópolis, Uruguaiana, Rio de Janeiro, Recife, Salvador e Brasília). Em 90 dias, eles devem apresentar planos de ação concretos, identificar feiras e oportunidades de negócios, importadores e distribuidores.

Para o embaixador argentino, Juan Pablo Lohlé, as exportações brasileiras têm vantagem porque são financiadas a juros mais baixos que os do mercado pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES): "A Argentina deveria ter o seu".

China já é segundo investidor mundial em pesquisa

A China vai superar o Japão neste ano, tornando-se o segundo país do mundo em investimentos em pesquisa científica e desenvolvimento de projetos, abaixo apenas dos Estados Unidos, previu hoje a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que reúne 30 países industrializados.

"O crescimento rápido da China, tanto em dinheiro quanto em pesquisadores empregados, é impressionante", exclamou o chefe da Divisão de Política de Ciência e Tecnologia da OCDE, Dirk Pilat. "Para acompanhá-lo, os países da OCDE precisam tornar seus sistemas de pesquisa e inovação tecnológica mais eficientes, e descobrir novas formas de estimular a inovação numa economia globalizada e cada vez mais competitiva."

Em 2006, a China deve investir um total de US$ 136 bilhões, superando os US$ 130 bilhões do Japão, enquanto os EUA devem aplicar US$ 330 bilhões e os 15 países que formavam a União Européia antes da entrada dos antigos países comunistas da Europa Oriental (Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Grã-Bretanha, Grécia, Holanda, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Portugal e Suécia), juntos, pouco mais de US$ 230 bilhões.

NASA planeja construir base na Lua

A Agência Nacional de Aeronáutica e Espaço dos Estados Unidos (NASA) pretende construir uma base permanente na Lula. Seria o primeiro passo para a colonização do espaço, um ponto de apoio para viagens a Marte e outros planetas. A construção começaria depois de uma série de viagens ao satélite natural da Terra previstas para a partir de 2020, e a base estaria concluída em 2024.

"Vamos fazer uma base na Lua", declarou Scott Horowitz, administrador adjunto da NASA para exploração.

O local escolhido será provavelmente um dos pólos da Lua porque são regiões de temperaturas mais moderadas e maior insolação, fundamental para que a base funcione com energia solar. Segundo o jornal The Washington Post, seria no Pólo Sul. Lá, também haveria gelo, hidrogênio e outras elementos e substâncias úteis à vida.

"É estimulante", comentou Shana Dale, subdiretora da NASA. "Não sabemos muito sobre as regiões polares".

Os EUA já anunciaram o desenvolvimento de uma nova série de espaçonaves capazes de pousar na Lua. Isto não acontece desde o último vôo da missão Apolo, em 1972. Os primeiros homens pousaram na Lua pela primeira vez em 1969.

Bush recebe clérigo xiita iraquiano na Casa Branca

O presidente dos Estados Unidos, George Walker Bush, recebeu ontem na Casa Branca o aiatolá Abdul Aziz al-Hakim, líder do Conselho Supremo da Revolução Islâmica no Iraque, um partido fundado no Irã, e da maior bancada na Assembléia Nacional do Iraque. Al-Hakim se opôs com veemência à realização de uma conferência internacional envolvendo os países vizinhos na definição do futuro do Iraque, alegando que isto cabe aos líderes políticos eleitos democraticamente e não a estrangeiros.

Diante de um recente memorando do assessor de Segurança Nacional de Bush, Stephen Hadley, descrevendo o primeiro-ministro Nuri al-Maliki como fraco, incapaz ou incompetente, a visita de Al-Hakim à Casa Branca suscita especulações de que talvez ele seja um líder com mais autoridade neste momento de colapso da ordem pública no país.

Bush pediu mais uma vez aos líderes eleitos do Iraque que isolem os extremistas para salvar sua jovem democracia.

Investimento em energia alternativa cresce 60%

Os investidores aplicaram um volume recorde de US$ 49 bilhões em fontes alternativas de energia no ano passado, como energia solar, álcool e biodiesel no ano passado, um aumento de 60% em relação a 2004, numa tendência que beneficia diretamente o Brasil, que tem seu Programa Nacional do Álcool desde os anos 70.

Uma das fontes de biodiesel é um óleo de palmeira produzido sobretudo na Indonésia e na Malásia, capaz de ser transformado em combustível e de ser misturado com o óleo diesel tradicional, derivado do petróleo. Desde janeiro, os preços deste óleo subiram 35%.

Estima-se que haverá uma capacidade de refino de 20 milhões de toneladas de biodiesel, mais do que o dobro da atual. O sucesso do biodiesel deve aumentar muito a demanda. Aí está o problema. As florestas de Sumatra e Bornéu, as duas maiores ilhas da Indonésia estão sendo destruídas para a plantação de palmeiras.

Como a floresta é queimada, os incêndios jogam na atmosfera anualmente milhões de toneladas de gás carbônico, aumentando o efeito estufa, que provoca o aquecimento da Terra, numa nuvem de fumaça que atinge todo o Sudeste Asiático.

Na Índia, o aumento da produção de cana-de-açúcar para fabricar álcool está provocando um forte aumento do consumo de água na agricultura, gerando risco de escassez. Outro temor é que o aumento da produção agrícola para geração de energia leve à escassez de alimentos.

segunda-feira, 4 de dezembro de 2006

Exército do Uruguai protegerá fábrica de papel

O presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, deu ordens ao novo comandante do Exército, general Jorge Rosales, para que proteja a fábrica de papel e celulose da companhia finlandesa Botnia em construção em Fray Bentos, sob protesto dos argentinos que vivem na outra margem do Rio Uruguai e do governo Néstor Kirchner.

A questão gerou o conflito entre os dois países conhecido como 'guerra das papeleiras'. Para Kirchner, "é uma afronta para os argentinos".

Há cerca de um ano, argentinos residentes em Gualeguaychú e ecologistas dos dois países protestam contra a construção de duas fábricas de papel e celulose, sob o argumento de que poluirão o rio que separa a Argentina do Uruguai. Por diversas vezes, a passagem entre os dois países foi bloqueada pelos manifestantes, durante 40 dias no início de 2006 e recentemente durante a Conferência de Cúpula Ibero-Americana, no começo de novembro.

A Argentina já recorreu à Corte Internacional de Justiça das Nações Unidas, em Haia, na Holanda, e esperava que o Banco Mundial não ajudasse a financiar o projeto, o maior investimento estrangeiro da História do Uruguai, de cerca de US$ 2 bilhões, equivalentes a 15% do produto interno bruto uruguaio. Também não aceitou a mediação do Brasil nem do Mercosul, preferindo convidar o rei Juan Carlos, da Espanha, para tentar restabelecer o diálogo.

O problema é que Kirchner não aceita o projeto que, para o Uruguai, tornou-se uma questão de soberania nacional.

Tabaré Vázquez recebeu ontem em Montevidéu o enviado especial de Juan Carlos. O líder uruguaio se nega a negociar enquanto houver bloqueio de estradas e pontes.

Annan: situação no Iraque é pior do que guerra civil

No seu último mês como secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, lamenta não ter se esforçado mais para impedir a invasão americana ao Iraque.

Em entrevista à TV britânica BBC, Annan considerou a atual situação iraquiana "pior do que uma guerra civil" por causa "do nível de violência, do número de pessoas mortas, do ressentimento e da maneira como as forças se organizam umas contra as outras".

Há alguns anos, prosseguiu, "tivemos situações semelhantes no Líbano e em outros países a as consideramos guerras civis. A situação é muito inquietante."

Dólar cai mais diante do euro

A moeda dos Estados Unidos foi cotada hoje a 1,3367 por euro, o valor mais baixo em um ano e oito meses. O dólar já estava em queda na semana passada e baixou ainda mais desde sexta-feira, com a divulgação de dados que indicam a debilidade do setor industrial americano.

"Faz mais de uma semana que o dólar rompeu a barreira de 1,30 por euro e sua fraqueza parece longe do fim", observou Tim Fox, do banco de investimentos Dresdner Kleinwort. Mas ele recomendou cautela aos investidores que pretendam apostar contra a moeda americana.

Com o déficit comercial dos Estados Unidos, que superou US$ 800 bilhões no ano passado e continua batendo recordes, o governo americano adota uma política de "negligência benigna", deixando a moeda cair na esperança de reequilibrar a balança comercial.

Grã-Bretanha renovará arsenal nuclear

O primeiro-ministro britânico, Tony Blair, prometeu hoje manter o arsenal nuclear do Reino Unido, afirmando ser perigoso desarmar o país unilateralmente, abrindo mão da dissuasão nuclear. Quatro novos submarinos armados com mísseis nucleares serão encomendados para substituir os atuais, que têm vida útil até 2004.

Numa concessão a dezenas de deputados do seu Partido Trabalhista que são contra armas atômicas, o primeiro-ministro prometeu cortar em 20% o número de ogivas nucleares, que cairia para menos de 160, e admitiu reduzir a frota de submarinos atômicos de quatro para três.

Blair argumentou que a dissuasão nuclear é uma garantia contra futuras ameaças, sobretudo dos chamados "países párias": "Não podemos ter certeza de que, nas décadas à frente, não surgirá uma grande ameaça nuclear a nossos interesses estratégicos. Há novas ameaças de países como a Coréia do Norte, que alega ter desenvolvimento armas nucleares, ou do Irã, que está violando suas obrigações de não-proliferação".

Além das cinco potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas (Estados Unidos, Rússia, China, França e Grã-Bretanha), a Índia e o Paquistão realizaram testes com bombas atômicas em 1998, e acredita-se que Israel tenha entre 200 a 400 ogivas nucleares.

A Campanha para o Desarmamento Nuclear, que desde os anos 60 defendeu o desarmamento unilateral do Reino Unidos, e dezenas de deputados trabalhistas alegam que o país está contribuindo para a proliferação nuclear ao substituir os submarinos Trident, na sua opinião um gasto desnecessário desde o fim da Guerra Fria.

O custo dos quatro novos submarinos ficaria entre 15 e 20 bilhões de libras (quase US$ 30 bilhões a US$ 40 bilhões).

Se parte da bancada trabalhista se rebelar, Blair conta com o apoio da oposição conservadora, sempre mais linha-dura em questões de defesa.

Embaixador dos EUA na ONU cai

Na segunda baixa do governo George Walker Bush em conseqüência da derrota do Partido Republicano nas eleições de 7 de novembro, a Casa Branca anunciou hoje que o embaixador dos Estados Unidos junto às Nações Unidas, o linha-dura John Bolton, não ficará no cargo.

Dificilmente o Senado, agora dominado pelos democratas, concordaria com sua recondução. Diversos senadores da oposição tentaram bloquear sua nomeação.

Grande crítico da ONU, antes de assumir o cargo, Bolton comentou certa vez que o edifício-sede da organização perder 10 andares sem maior impacto sobre as relações internacionais. Ele foi indicado para ser a voz dos EUA na reforma da ONU, que os americanos acusam de burocratizada, corrupta e ineficiente.

Estive duas vezes com John Bolton no Royal Institute of International Affairs, em Londres, em debates sobre as relações EUA-Europa. É inimigo radical da Iniciativa Européia de Defesa Estratégica, que vê como uma tentativa da França de criar na Europa um pólo de poder alternativo capaz de contrabalançar o poderio americano.

A França bem que gostaria mas qualquer integração das Forças Armadas européias têm de começar pelas duas maiores forças da União Européia, o Reino Unido e a França. O Reino Unido quer apenas criar uma força de reação rápida à sombra da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para intervir em situações de emergência sem depender dos EUA. Mas Bolton vê ameaças e desafios aos EUA por toda parte.

Vitória de Chávez encerra ciclo de eleições dominadas pela esquerda na América Latina

Com a reeleição de Hugo Chávez Frías para um terceiro mandato como presidente da Venezuela em 3 de dezembro de 2006, encerra-se um ciclo de 13 meses em que houve 12 eleições presidenciais e eleições legislativas em 13 países da América Latina.

Apurados 78% dos votos, Chávez tinha 61% contra 38% do principal candidato de oposição, Manuel Rosales, ex-governador do estado de Zúlia, o mais rico da Venezuela. É a nona vitória nas urnas do ex-coronel de pára-quedistas que liderou uma tentativa de golpe em 1992 e que já fala em se reeleger indefinidamente.

Rosales, por sua vez, apoiou o fracassado golpe contra Chávez de 12 de abril de 2002. Então, na origem, os dois lados são golpistas. Mas talvez a melhor novidade desta eleição venezuelana seja o ressurgimento de uma oposição forte, do retorno da política, depois das eleições legislativas do ano passado, boicotadas pela oposição, em que a abstenção superou 75% e foi eleita uma Assembléia Nacional 100% chavista.

Duas constatações imediatas sobre este ciclo de eleições: a democracia está se consolidando no continente, e a voz dos pobres e excluídos cobrando políticas sociais mais ativas começa a ser ouvida nas urnas.

A esquerda não ganhou em todos os países; perdeu no México, na Colômbia e no Peru. E nem todas as esquerdas são iguais.

Há uma esquerda que fez a transição do socialismo revolucionário e da luta armada para uma postura mais pragmática e moderada, social-democrata, que aceita a economia de mercado e dá ênfase às políticas sociais, numa espécie de terceira via. Neste grupo, estariam os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva; Tabaré Vázquez, do Uruguai; e Michelle Bachelet, do Chile.

No Chile, que adotou uma política econômica liberal desde Pinochet, pela primeira vez o Partido Socialista é maioria dentro da Concertación, a ampla aliança que derrubou a ditadura, a pressiona por maior ação social.

Do outro lado, estão líderes que estavam fora do sistema político, os chamados outsiders, que vêm para revolucionar, convocando Assembléias Constituinte para refundar o Estado, como os presidentes Hugo Chávez, da Venezuela; Evo Morales, da Bolívia; os candidatos derrotados no Peru, Ollanta Humala; e no México, Andrés Manuel López Obrador; e o presidente eleito do Equador, Rafael Correa.

Entre os dois grupos, estaria o presidente da Argentina, Néstor Kirchner, que faz superávit primário para controlar a dívida pública mas impõe controles de preços e outras medidas não-ortodoxas, numa tentativa de governar politicamente a economia de mercado.

De modo geral, mesmo onde presidentes foram derrubados, como na Bolívia e no Equador, a eleição é vista como única forma legítima de acesso ao poder, o que é positivo para a América Latina, sempre ameaçada pelo autoritarismo e pelo caudilhismo.

Só no México López Obrador recusou-se a aceitar o resultado oficial, a vitória do conservador Felipe Calderón, denunciando fraude e declarando-se o presidente legítimo.

Chávez tentou interferir em todas as eleições. Perdeu com Humala, no Peru, mas ganhou na Bolívia, com Morales; na Nicarágua, com a volta de Daniel Ortega; e em 26 de novembro, no Equador, com Correa.

Ortega ainda é uma incógnita. Pelos acordos que fez com partidos de direita e com a Igreja, tudo indica que governará mais como Lula do que como Chávez.

Leia a íntegra em minha coluna de política internacional em www.baguete.com.br

Chávez vence na Venezuela com 61% dos votos

Com 78% dos votos da eleição presidencial de domingo na Venezuela apurados, o presidente Hugo Chávez tem uma vantagem de 61% contra 38% do principal candidato da oposição, Manuel Rosales. É a nona vitória consecutiva de Chávez desde 1998, se considerarmos todas as eleições e plebiscitos, inclusive o que poderia revogar seu mandato, em 2004.

O presidente foi reeleito para um terceiro mandato, desta vez de seis anos.

domingo, 3 de dezembro de 2006

Rumsfeld queria mudar plano de guerra no Iraque

Dois dias antes de ser demitido, numa última tentativa de salvar seu cargo, o secretário da Defesa dos Estados Unidos, Donald Rumsfeld, apresentou um memorando ao presidente George Walker Bush reconhecendo o fracasso da estratégia americana e propondo uma mudança de planos. O memorando, de 6 de novembro, revelado sábado à noite no site do jornal The New York Times, enterra de uma vez por todas a pretensão de Bush de manter o atual curso de ação.

"Claramente, o que as forças americanas estão fazendo hoje no Iraque não está indo bem ou com a rapidez necessária", admitiu o chefe do Pentágono.

Entre as suas propostas, Rumsfeld sugeriu que qualquer nova abordagem deve ser adotada de forma experimental: "Isto nos dará a possibilidade de reajustar a ação ou mudar de curso, se houver necessidade, e assim não perder". E, mais adiante: "Redefinam a missão militar e as metas dos EUA - sejam minimalistas".

Ao mesmo tempo, o documento defende o estabelecimento de uma série de metas e testes para obrigar o governo do Iraque a assumir responsabilidade pela segurança pública "para forçá-los a se mexer".

Boca-de-urna confirma vitória de Chávez

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, foi reeleito hoje para um terceiro mandato, desta vez de seis anos. As pesquisas de boca-de-urna lhe dão uma vantagem de quase 20 pontos percentuais sobre o candidato da oposição, Manuel Rosales, ex-governador de Zúlia, o mais rico estado venezuelano, aparentemente a única unidade da federação onde Chávez perdeu.

Pela pesquisa do instituto americano Evans/McDonough, Chávez recebeu 58% dos votos contra 40% para Rosales. A oposição denunciou estes números como falsos.

Arábia Saudita quer conter Irã

A Arábia Saudita está se mobilizando para conter a crescente influência do Irã e do xiismo no mundo árabe, evitando a marginalização dos sunitas em áreas em crise como o Iraque o Líbano. O governo saudita estaria financiando grupos e facções rivais daqueles apoiados pelo Irã.

Na semana passada, um assessor de segurança da monarquia saudita revelou que o reino está armando e financiando grupos sunitas iraquianos para que se defendam das milícias xiitas, o que pode incentivar a guerra civil. Oficialmente, o regime saudita nega.

Analistas sauditas acreditam que o Irã está tentando ocupar o lugar tradicional dos sauditas no Oriente Médio, sobretudo como guardiães da religião. Nas últimas décadas, os sauditas usaram a riqueza do petróleo para fazer proselitismo político-religioso no mundo inteiro.

Mas a Arábia Saudita "não deixará que o Irã ocupe seu lugar como grande potência regional", afirma o jornalista saudit Dawoud al-Shirian. "O Irã está agindo como um país persa e não islâmico. Este conflito não é entre sunitas e xiitas, é o conflito árabe-persa".

A Arábia Saudita convidou o aiatolá xiita rebelde Muktada al-Sader, líder de uma das maiores milícias do Iraque, o Exército Mehdi, e o presidente do influente Comitê Sunita de Estudiosos Muçulmanos do Iraque, Harith al-Dari. No Líbano, apóia o primeiro-ministro Fuad Siniora. Na Palestina, os sauditas estão ao lado do presidente Mahmoud Abbas, da Organização para a Libertação da Palestina, contra o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas).

Durante a Guerra Irã-Iraque (1980-88), os sauditas e as demais monarquias petroleiras árabes apoiaram Saddam Hussein contra o fundamentalismo muçulmano do aiatolá Khomeini. Depois da morte de Khomeini, em 1989, as relações melhoraram, levando a um reatamento diplomático em 1991.

Pinochet sofre ataque cardíaco

O ex-ditador chileno Augusto Pinochet (1973-90), de 91 anos, sofreu um ataque cardíaco neste domingo, foi submetido a uma cirurgia de emergência para desobstruir artérias esclerosadas mas sua situação ainda é grave. Ele deveria ser operado outra vez mas os médicos consideraram nova cirurgia muito difícil diante do estado de saúde do paciente, que já recebeu a extrema-unção.

Eram 2h da madrugada, hora de Santiago, quando Pinochet, acusado de violações dos direitos humanos, inclusive da morte ou do desaparecimento de mais de 3,1 mil pessoas, e de corrupção, foi levado para o setor de emergência de um hospital da capital chilena.

Pinochet era considerado um general medíocre, e portanto inofensivo, quando foi nomeado comandante do Exército pelo presidente socialista Salvador Allende, logo derrubado por um golpe militar, em 11 de setembro de 1973.

O general governou o Chile com mão de ferro. Foi o único ditador durante todo o regime militar chileno. Impôs reformas neoliberais que impulsionaram o crescimento econômico, dando uma sobrevida à ditadura chilena.

Em 1988, Pinochet submeteu seu regime a um plebiscito, pedindo um mandato para continuar na presidência. Perdeu mas teve cerca de 40% dos sufrágios, um resultado impressionante para um ditador sanguinário.

No ano seguinte, Patricio Aylwin se tornava o primeiro presidente eleito democraticamente no Chile desde Allende, em 1970. Na época, não havia segundo turno. Allende teve cerca de 36% dos votos. Não tinha maioria no Congresso e enfrentou uma dura oposição de direita até o golpe de 1973.

Havia muitos brasileiros e outros militantes de esquerda latino-americanos refugiados no Chile ou trabalhando no governo socialista quando veio o golpe. Já ouvi histórias de quem foi levado para o Estádio Nacional de Santiago, onde houve tortura e assassinato em massa, inclusive do cantor e compositor popular Victor Jara.

A repressão foi brutal. Como a ditadura militar argentina de 1976-83, o regime de Pinochet é culpado de politicídio, tentou exterminar toda uma corrente de pensamento político. Este delito só não consta das convenções sobre genocídio e outros crimes contra a humanidade porque o ditador soviético Josef Stalin vetou. Afinal, o comunismo prega a destruição do modo de vida liberal burguês.

Grupos radicais aderiram à luta armada contra a ditadura. A Frente Patriótica Manuel Rodríguez quase matou Pinochet num atentado, provocando uma nova onda repressiva. O Chile terminou sendo o último país sul-americano a voltar à democracia.

No acordo para a transição, Pinochet manteve o comando do Exército até 1998. Quando fez uma visita a Londres sem imunidade, foi preso em 16 de outubro de 1998 por força de um mandado internacional a pedido do juiz espanhol Baltasar Garzón, que o denunciou por crimes contra a humanidade.

A prisão de Pinochet criou um problema para o governo britânico, preocupado ao mesmo tempo em não dar imunidade a um ditador e em não criar problemas em suas relações tanto com o Chile quanto com o governo direitista espanhol.

O caso Pinochet só foi resolvido numa negociação tripartite realizada durante uma reunião de cúpula da União Européia com a América Latina, no Rio de Janeiro, em 1999. Quando o ministro do Exterior espanhol afirmou que a Espanha não queria receber o general para julgamento, a despeito da insistência do juiz Garzón, a Grã-Bretanha usou supostos problemas de saúde do ex-ditador como pretexto para alegar insanidade mental e assim incapacidade de entender o julgamento.

Pinochet voltou ao Chile mas sua impunidade estava abalada. Diversos processos foram abertos contra o general, sempre defendido pela direita e pelos que enriqueceram sob seu regime. Quando foi descoberto, em 2004, que Pinochet tinha US$ 27 milhões no exterior, seu prestígio foi definitivamente atingido mesmo entre os que sempre o apoiaram por combater o socialismo e o comunismo no Chile.

sábado, 2 de dezembro de 2006

Nova onda de atentados mata 60 no Iraque

Um triplo atentado com carros-bomba numa feira de Bagdá matou pelo menos 51 pessoas. Outras 90 saíram feridas. Uma das bombas atingiu uma patrulha do Exército.

Três policiais foram mortos em ataques em outras áreas da capital iraquiana. Outras sete pessoas, senco cinco policiais, foram mortas na província de Diala, no Norte do Iraque.

Há dois dias, o presidente George Walker Bush reafirmou o apoio dos Estados Unidos ao primeiro-ministro Nuri al-Maliki, que havia sido considerado fraco, incapaz ou incompentente em memorando secreto do assessor de Segurança Nacional da Casa Branca que vazou para a imprensa americana.

Na quarta-feira, o Grupo de Estudos sobre o Iraque, co-presidido pelo ex-secretário de Estado James Baker e pelo ex-deputado democrata Lee Hamilton, apresenta suas conclusões. Deve recomendar o diálogo com inimigos como o Irã e a Síria, e talvez o aumento temporário do número de soldados americanos no Iraque, preparando uma retirada gradual. No final de 2007, não haveria mais tropas de combate dos EUA no Iraque.

O aiatolá Abdel Aziz al-Hakim, líder do Conselho Supremo para a Revolução Islâmica no Iraque, um partido fundado no Irã, convocou hoje os religiosos sunitas e xiitas a se unirem. Ele rejeitou a convocação de uma conferência internacional alegando que o Iraque "tem um governo democraticamente eleito" que deve resolver seus problemas em Bagdá.

Al-Hakim foi procurado pelos EUA para dar apoio ao primeiro-ministro e tentar isolar o aiatolá xiita radical Muktada al-Sader.

Produção de ópio é recorde no Afeganistão

Em mais um sinal do fracasso da ocupação do Afeganistão de criar um país estável, a produção de ópio no país que fornece mais de 90% da heroína consumida no mundo cresceu 26% nos últimos 12 meses, chegando a 5,644 toneladas, admitiu ontem o governo dos Estados Unidos.

A área cultivada com papoula aumentou 61%. Nas províncias de Helmand e Oruzgan, o crescimento foi de 132%.

Chávez promete mais socialismo na Venezuela

Ao encerrar a campanha para a eleição presidencial de amanhã, em que é franco favorito, o presidente Hugo Chávez afirmou que não existe proposta alternativa à sua "revolução bolivarista" na Venezuela e que "o socialismo do século 21 está apenas começando. Ele deve ser eleito pela terceira vez e já fala em emendar a Constituição para permitir a reeleição indefinidamente, o que pode deixar o caudilho venezuelano no poder até 2031.

As pesquisas lhe dão ampla vantagem, de pelo menos 20 pontos percentuais, sobre o principal candidato da oposição, Manuel Rosales. Chávez promete arrasar o adversário como um "furacão".

Depois de liderar uma frustrada tentativa de golpe militar em 1992, quando era coronel de uma tropa de elite de pára-quedistas, Chávez chegou ao poder em 1998, num momento de profunda crise, quando, abalados pela crise asiática, os preços do petróleo, principal riqueza venezuelana, caíram para cerca de US$ 10.

Chávez sobreviveu a uma tentativa de golpe em 12 de abril de 2002, a uma greve geral, inclusive no setor petrolífero, à oposição da mídia, da Igreja Católica e da maioria das elites e do empresariado venezuelano, usando a riqueza do petróleo para criar diversos programas sociais.

Num país de 27 milhões de habitantes onde 34% sobrevivem com apenas R$ 200/mês, 16 milhões de eleitores estão aptos a votar. O voto não é obrigatório.

A maior parte da votação do presidente vem dos pobres e trabalhadores de baixa renda. A classe média está dividida e a elite é basicamente anti-Chávez, acusado de corrupção e de fazer um capitalismo de compadres, favorecendo os amigos do regime.

Em política externa, aproximou-se de Fidel Castro, radicalizou o discurso antiamericano, especialmente depois da tentativa de golpe, apoiada pelos Estados Unidos, e passou a interferir ativamente nas eleições em outros países da América Latina, apoiando os vitoriosos Evo Morales, na Bolívia; Daniel Ortega, na Nicarágua; e Rafael Correa, no Equador. Mas perdeu com Ollanta Humala, no Peru; e Andrés Manuel López Obrador, no México.

Com a desmoralização dos partidos políticos tradicionais, Chávez conseguiu eleger, há um ano, uma Assembléia Nacional formada apenas por deputados aliados. Como reforçou o controle sobre as Forças Armadas depois do golpe e da companhia estatal Petroleos de Venezuela (PdVSA) depois da greve, e mudou a composição do Tribunal Supremo, tem hoje um domínio quase total sobre a máquina do Estado venezuelana.

Talvez a grande notícia desta eleição seja o surgimento de uma oposição, encarnada por Rosales, que promete manter os programas sociais financiados pelo petróleo mas somente na Venezuela, cortando o envio de petróleo subsidiado para Cuba e a ajuda a outros governos latino-americanos. Ele foi prefeito de Maracaibo e governador de Zulia, o estado mais rico da Venezuela.

O desafio da oposição é impor controles democráticos a Chávez, impedindo que ele se torne cada vez mais um caudilho autoritário.

Inglaterra proíbe fumar em locais de trabalho e ambientes públicos fechados

A partir de 1º de julho de 2007, será proibido fumar em todos os locais de trabalho e ambientes públicos fechados da Grã-Bretanha, anunciou ontem a ministra da Saúde da Grã-Bretanha, Patricia Hewitt. A Inglaterra vai adotar medidas já aprovadas na Escócia e na Irlanda. A Irlanda do Norte e o País de Gales devem banir o fumo em locais públicos fechados em abril.

"Milhares de vidas serão salvas e a saúde de milhares de pessoas será protegida", afirmou a ministra. "Esta lei ajudará a evitar mortes desnecessárias provocadas todos os anos pelo fumo indireto e criará um ambiente mais favorável para os fumantes que desejam se livrar do vício."

Não será mais permitido fumar em escritórios, fábricas, lojas, pubs, restaurantes, clubes privativos, veículos de transporte público e veículos de trabalho utilizados por mais de uma pessoa.

As áreas criadas em locais fechados para abrigar fumantes, comuns em muitos ambientes de trabalho, deixarão de existir. Os fumantes terão de ficar a céu aberto para acenderam um cigarro.

Os pubs preparam-se para a nova lei desde que o governo apresentou seus planos, dois anos atrás. Muitos construíram abrigos para os fumantes em seus jardins e áreas de entrada.

Irmão de Fidel quer negociar com EUA

O comandante Fidel Castro não compareceu à parada militar para comemorar seus 80 anos, completados em 13 de agosto, reforçando a suposição de que seu estado de saúde é grave e que dificilmente voltará ao poder em Cuba. Ele foi submetido a uma cirurgia de emergência em 31 de julho e não foi visto mais em público.

Seu irmão, o ministro da Defesa, Raúl Castro, que o substitui como presidente, primeiro-ministro, comandante das Forças Armadas e líder do Partido Comunista, propôs um diálogo para resolver as divergências com os Estados Unidos, outro sinal de que a transição está em andamento.

Com a proposta, Raúl tenta afirmar sua liderança, dizendo que está realmente no comando.

Painel propõe retirada de tropas de combate do Iraque

O Grupo de Estudos sobre o Iraque, criado para analisar alternativas para a ação dos Estados Unidos diante do fracasso da ocupação, planeja recomendar a retirada de todas as forças de combate até o início de 2008, revelou ontem o jornal The Washington Post. Ficariam no Iraque unidades para treinar, assessorar e apoiar as novas forças de segurança iraquianas.

Esta seria a primeira data marcada para a saída dos americanos do Iraque.

Morte de ex-espião russo deixa pistas radioativas

O assassinato do ex-espião russo Alexander Litvinenko, envenenado em Londres com Polônio-210, um elemento radioativo, como no tempo da Guerra Fria (1945-89), deixou uma trilha de contaminação que inclui 12 lugares em Londres, um avião que voou na rota para Moscou e duas pessoas.

Para a polícia britânica, estas pistas leverão ao assassino. Mas já há quem diga que o assassino ou o mandante do crime queriam mesmo que Litvinenko deixasse um rastro para saber por onde ele andava e talvez contaminar seus contatos.

A maior suspeita recai sobre o Serviço Federal de Segurança (FSB, do inglês) da Rússia, sucessor do antigo KGB (Comitê de Defesa do Estado), a polícia política da extinta União Soviética. O presidente Vladimir Putin dirigia o FSB antes de ser indicado primeiro-ministro e depois presidente por Boris Yeltsin, em 1999.

Naquele ano, houve uma série de atentados contra edifícios de apartamentos em Moscou atribuídos a terroristas chechenos. Os rebeldes chechenos liderados por Chamil Bassaiev tinham atacado em agosto a república vizinha da Inguchétia.

Os atentados de Moscou serviram de pretexto para uma nova e violenta guerra na Chechência. Desta vez, a Rússia ganhou, com uma política de terra arrasada. Putin, o homem-forte que vinha para restaurar o poder imperial russo, foi eleito presidente em março de 2000.

Litvinenko, que foram designado guarda-costas do bilionário Boris Berezovski, inimigo de Putin, disse que na verdade recebeu ordens para matá-lo. Em livro, acusou o serviço secreto russo pelos atentados de Moscou e fugiu para a Inglaterra.

No dia 1º de novembro, Litvinenko tinha um encontro com um contato que prometia lhe passar informações incriminando o governo russo pela morte, em outubro, da jornalista Anna Politkovskaya.

O assassino teria errado na dose, que não matou rapidamente, provocando uma agonia de 23 dias em que o caso foi exposto ao mundo, ou teria mesmo a intenção de rastrear as atividades do ex-espião assassinado.

Em carta divulgada após sua morte, Litvinenko acusou o presidente Putin por sua morte.

Além da viúva de Litvinenko pelo menos um amigo do espião, o acadêmico italiano Mario Scaramella, foi contaminado pelo polônio-210, um material fácil de contrabandear porque é difícil detectá-lo, a não ser que se esteja procurando especificamente por ele.

O ex-primeiro-ministro russo Yegor Gaidar (1991-91) também foi contaminado, durante uma viagem à Irlanda.

Analistas suspeitam que estes ataques faça parte do pesado jogo político para as próximas eleições parlamentares e presidenciais na Rússia.

sexta-feira, 1 de dezembro de 2006

Japão está à beira de nova deflação

O índice de preços ao consumidor na segunda maior economia do mundo aumentou apenas 0,1% em outubro. Depois de três meses consecutivos de redução na alta de preços, o Japão sob risco de nova deflação como a que provocou uma estagnação econômica nos últimos 15 anos.

Em junho, o Banco do Japão aumentou sua taxa básica de juros para 0,25% ao ano, sinalizando o fim da política de juro real zero ou negativo, por entender que a deflação estava superada.

A expectativa do mercado era de nova alta em dezembro ou no início de 2007, especialmente depois que a produção industral registrou uma alta de 1,6% em outubro. Mas a queda no consumo doméstico, que caiu pelo décimo mês consecutivo, numa redução de 2,4% nos últimos 12 meses, provocou uma queda no investimento.