sexta-feira, 20 de dezembro de 2019

Analistas apontam maiores riscos de conflitos internacionais em 2020


Todos os anos o Centro para Ação Preventiva do Conselho de Relações Exteriores pede a especialistas em política externa, segurança e defesa para fazerem uma lista dos piores conflitos armados em andamento ou em potencial, as possibilidades de escalada no próximo ano e o impacto internacional. 

Para 2020, foram citados 13 conflitos, com  destaque para o risco de um grande atentado terrorista contra os Estados Unidos cometido ou inspirado por uma organização estrangeira como Al Caeda ou Estado Islâmico, um ataque cibernético à infraestrutura do país, inclusive ao sistema eleitoral, que pode partir da China, da Rússia, do Irã ou da Coreia do Norte, e um confronto entre os Estados Unidos e o Irã ou seus aliados. Meu comentário:

quinta-feira, 19 de dezembro de 2019

Novo presidente da Argélia enfrenta desafios da economia e da legitimidade

Um novo presidente da Argélia tomou posse hoje, depois que uma onda de protestos forçou a queda do anterior. A oposição ainda discute como reagir.

O presidente Abdelmajid Tebboune assumiu o cargo hoje em Argel. Ele substitui Abdelaziz Bouteflika, que governou o país durante 20 anos e caiu em 2 de abril em meio a uma onda de manifestações de rua contra o continuísmo. 

Mesmo que as Forças Armadas e o governo interino tenham conseguido realizar a eleição presidencial, as manifestações de protesto devem continuar. Imediatamente, Tebboune propôs diálogo à oposição, mas as oposições estão divididas quanto a aceitar ou não. Todas as terças e sextas-feiras, há protestos para exigir uma reforma política e a libertação de todos os prisioneiros políticos.

Tebboune ganhou a eleição da quinta-feira passada, que teve a menor participação da história da Argélia, de menos de 40 por cento. O novo presidente recebeu 58 por cento pelo resultado oficial, visto com suspeita por boa parte do eleitorado. 

Desde a independência da França, em 1962, a Argélia é governada pela Frente de Libertação Nacional e as Forças Armadas. 

Em 1991, o regime suspendeu o segundo turno das eleições parlamentares, que seriam vencidas pela Frente Islâmica de Salvação, deflagrando uma violenta guerra civil que durou mais de dez anos em que cerca de 150 mil pessoas foram mortas. Meu comentário:

Procuradoria da Bolívia pede prisão de Evo Morales por terrorismo e sedição

O  Ministério Público da Bolívia pediu ontem a prisão do ex-presidente Evo Morales por sedição, terrorismo e financiamento do terrorismo. A denúncia cita uma conversa telefônica de Morales com Faustino Yucra, dirigente do sindicato dos produtores de coca processado por tráfico de drogas, para articular manifestações de protesto e cercos a grandes cidades.

Evo Morales renunciou à Presidência da Bolívia em 10 de novembro sob pressão de uma revolta popular e do comandante das Forças Armadas por causa de uma fraude na eleição presidencial de 20 de outubro, denunciada pela missão observadora da Organização dos Estados Americanos (OEA).

A renúncia coletiva, do presidente, do vice-presidente Álvaro García Linera e dos presidentes da Câmara e do Senado deixaram o país sem liderança, no que pareceu mais um golpe de Morales contra as instituições, depois de forçar uma terceira reeleição, quando a Constituição só admite duas, e fraudar a eleição.

Depois de deixar o cargo, Morales foi para sua região de origem, Chapare, no departamento de Cochabamba, e para o exílio no México, a convite do governo Andrés Manuel López Obrador, denunciando ter sido alvo de um golpe de Estado.

Na semana passada, depois da posse do novo presidente Alberto Fernández, Morales chegou a Buenos Aires. O ex-presidente deve ficar como asilado político na Argentina, de onde vai coordenar seu partido Movimento ao Socialismo na campanha para a eleição presidencial.

O novo governo peronista não reconhece a presidente interina da Bolívia, Jeanine Áñez, que era segunda vice-presidente do Senado. Não existe a menor chance de extraditar Morales.

quarta-feira, 18 de dezembro de 2019

Trump é o terceiro presidente dos EUA a sofrer processo de impeachment

Uma Câmara dos Representantes dominada pela oposição e dividida ao longo de linhas partidárias denunciou hoje o presidente Donald Trump por abuso de poder e obstrução do Congresso. O processo segue agora para julgamento no Senado, onde o Partido Republicano tem maioria e deve absolver o presidente.

A acusação de abuso de poder ao reter uma ajuda militar de US$ 391 milhões para pressionar o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, a investigar o ex-vice-presidente Joe Biden foi aprovada por 230 a 197 votos. Só dois democratas votaram contra.

A acusação de obstruir o Congresso por não entregar documentos da Casa Branca e proibir seus assessores de depor teve 229 votos a favor e 198 contra. Três democratas apoiaram o presidente por terem sido eleitos em distritos que costumam votar em republicanos.

No Senado, o líder da maioria governista, Mitch McConnell, anunciou que não será um "juiz imparcial". Ele não quer nem realizar um julgamento como prevê a Constituição. Depois de admitir que fará o que o advogado-geral da Casa Branca quiser, numa violação da independência dos poderes, McConnell deixou claro não ter interesse em ouvir testemunhas e examinar documentos.

Trump adotou a estratégia de não colaborar porque durante a investigação do procurador-especial Robert Mueller sobre a interferência da Rússia nas eleições americanas de 2016 os documentos e testemunhos pioraram sua situação.

O líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, exige a realização de um julgamento. Como a Constituição dos EUA é vaga a respeito do assunto, a bancada republicana pretende acelerar o processo para absolver o presidente antes que sua posição diante da opinião pública seja abalada.

Ao comentar a decisão de hoje, a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, não esclareceu se pretende enviar o processo imediatamente ao Senado. Se McConnell não concordar com a realização de um verdadeiro julgamento, a Câmara pode segurar o processo até negociar os termos de sua tramitação.

Até hoje, nenhum presidente americano foi afastado do cargo num processo de impeachment. Em 1868, faltou um voto para tirar Andrew Johnson por 11 acusações de abuso de poder e ignorar decisões do Congresso.

Depois do Escândalo de Watergate, o presidente Richard Nixon renunciou em 1974 antes da votação na Câmara para evitar o impeachment por obstrução de justiça quando a bancada republicana no Senado retirou o apoio.

Em 1998, o presidente Bill Clinton foi absolvido no Senado das acusações de perjúrio (mentir sob juramento) e de obstrução de justiça.

Para afastar o presidente, são necessários dois terços dos votos ou 67 senadores. Como o Partido  Republicano têm maioria no Senado, é preciso pelo menos 20 senadores governistas abandonem Trump, que tem o apoio de 95% do eleitorado republicano.

Se a opinião pública não virar, o que é altamente improvável, Trump deve ser absolvido e vai se apresentar na campanha como vítima de uma "caça às bruxas". Neste caso, só nas urnas será possível saber se a decisão da deputada Nancy Pelosi de abrir o processo de impeachment terá o resultado pretendido.

EUA estão perdendo a guerra comercial com a China

O diagnóstico é do economista Paul Krugman, ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 2008. Ele entende que raramente as guerras comerciais têm vencedores, mas às vezes há perdedores e o presidente Donald Trump é um bom exemplo.

Krugman observa que o governo Trump não atingiu nenhum de seus objetivos e declara vitória enquanto bate em retirada. A China sabe disso. A linha dura do regime comunista chinês, que assumiu o controle das negociações depois de vetar um acordo em abril, está “jubilante e incrédula”, nas palavras do jornal The New York Times. 

Até agora, o que se sabe do acordo preliminar a ser assinado provavelmente no início de 2020 é que os Estados Unidos suspenderam o tarifaço de 15 de dezembro em troca da promessa chinesa de comprar mais produtos americanos, sobretudo do setor agrícola.

Meses atrás, Trump lamentou que os Estados Unidos vendam trigo ao Japão, mas é exatamente o que vão vender à China, produtos agrícolas de baixo valor agregado como a soja, que os chineses podem comprar de países como o Brasil e a Argentina, enquanto os Estados Unidos compram da China produtos cada vez mais sofisticados, inclusive da Apple, a maior empresa privada do mundo, que é americana, mas fabrica seus produtos na China. 

Depois de um ano e meio de guerra comercial, o que o presidente americano conseguiu foi vender mais produtos agrícolas. Meu comentário:

Agitação social tende a aumentar na América Latina em 2020

A expectativa para 2020 é mais protestos e manifestações nos países da América Latina. Com a desaceleração da economia mundial e o impacto sobre os preços dos produtos primários, a desigualdade social e a corrupção, estão criadas as condições para mais revoltas nas ruas.

Desde 21 de novembro, as grandes manifestações de protestos que atingiram vários países da América Latina neste ano, como Venezuela, Equador, Peru, Chile e Bolívia, chegaram à Colômbia.

Como o presidente conservador Iván Duque não mostra a menor intenção de ceder, a expectativa para 2020 é de mais protestos populares e de um aumento da violência política em zonas rurais, uma vez que o atual governo linha-dura não implementa o acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, as FARC, e abandou as negociações com o Exército de Libertação Nacional, o ELN, enquanto os antigos grupos paramilitares de direita aderiram ao crime organizado, mas atacam sindicalistas e ativistas de esquerda. Meu comentário:

terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Exército do Líbano enfrenta milícias xiitas que atacariam manifestantes

O Exército do Líbano impediu as milícias xiitas Hesbolá (Partido de Deus) e Amal (Esperança) de atacar um acampamento no centro de Beirute de manifestantes que protestam contra o governo, o desemprego e a desigualdade social.

A milícia fundamentalista xiita Hesbolá ameaça os manifestantes para manter sua influência sobre o governo. Vai precisar usar mais força para intimidar seus adversários ou terá de aceitar um peso menor dentro do sistema político do país.

Os protestos paralisam o país e o governo desde outubro, quando renunciou o primeiro-ministro sunita Saad al-Hariri. Desde então, os partidos não conseguiram formar um novo governo para fazer as reformas necessárias para enfrentar a crise econômica.

Com dívida pública equivalente a 150% do produto interno bruto, o Líbano está à beira de um calote capaz de agravar ainda mais a crise.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Eleições nos EUA vão dominar política internacional em 2020

A incerteza em torno das eleições para a Presidência e o Congresso dos Estados Unidos, em 3 de novembro, vai influenciar as ações e decisões do resto do mundo, observa a perspectiva para o próximo ano da empresa americana de consultoria e analise estratégica Stratfor. 

Ao enfrentar seus problemas domésticos, regionais e globais, governos, empresas e investidores vão pesar os riscos e oportunidades derivadas das eleições americanas.

De países párias como a Coreia do Norte e o Irã a grupos não governamentais como as organizações terroristas como o Estado Islâmico e os Talebã vão tentar explorar as fraquezas da política externa dos Estados Unidos e as possíveis vantagens de negociar acordos com o governo Donald Trump ou de aguardar o resultado para ver se será eleito outro presidente. Se tiverem pressa em acelerar as negociações, devem aumentar as ações, inclusive armadas, e as provocações.

Todos já perceberam que Trump não pretende envolver os Estados Unidos em novas guerras capazes de prejudicar as chances de reeleição. Como o Irã também não quer uma guerra que não tem como vencer, a escalada nas tensões entre os dois países deve ir até um limite, embora sempre haja o risco de sair de controle. Meu comentário:

Zimbábue prende mulher do vice-presidente por lavagem de dinheiro

Marry Mubaiwa, mulher do atual vice-presidente do Zimbábue, Constantino Chiwenga, de quem estaria se divorciando, foi presa no domingo sob acusações de lavagem de dinheiro, fraude e violação das normas de controle do câmbio ao enviar US$ 919 mil à África do Sul para uma suposta importação que nunca aconteceu.

A prisão foi confirmada pelo porta-voz da Comissão Anticorrupção do Zimbábue, John Nakamure, que não deu maiores detalhes. Entre outubro de 2018 e maio de 2019, Marry Mubaiwa, hoje com 38 anos, teria enviado o dinheiro à vizinha África do Sul. Ela também é acusada de obter uma certidão de casamento sem consentimento do marido.

Como a prisão ocorreu no momento do divórcio com o vice-presidente, ficou no ar a suspeita de uma vingança pessoal que ao mesmo daria a impressão de que o governo está realmente interessado no combate à corrupção.

No dia seguinte, Mubaiwa foi acusada de tentativa de assassinato do marido. Ela teria retirado tubos quando Chiwenga se tratava de um problema de saúde num hospital.

O vice-presidente foi um dos líderes do golpe que derrubou o ditador Robert Mugabe, em 21 de novembro de 2017. Ele foi à China pedir o aval do regime comunista chinês para a queda de Mugabe.

domingo, 15 de dezembro de 2019

Conferência do Clima termina sem avanços por obstrução do Brasil

A 25ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (CoP-25)terminou hoje em Madri, dois dias depois do previsto, sem avanços. Não houve acordo para criar um mercado de negociação de créditos de carbono. O secretário-geral da ONU, António Guterres, lamentou a oportunidade perdida.

O Brasil foi apontado como um dos maiores responsáveis pelo fracasso. O patético ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, aproveitou encontros bilaterais com os países ricos para pedir dinheiro para a preservação da Amazônia, no que foi definido por negociadores estrangeiros como uma "chantagem imatura".

Numa atitude sem precedentes, o Brasil tentou excluir do documento final as últimas conclusões científicas do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC), que publicou dois novos relatórios neste ano, mas acabou cedendo. Saiu acusando os países ricos. Diplomatas brasileiros descreveram a situação como mais uma perda do capital político do Brasil em negociações ambientais.

O mercado de créditos de carbono serviria para os países com baixas emissões venderem parte de suas cotas de poluição para outros países. Salles e sua equipe foram acusados de atacar o Acordo de Paris ao tentar descontar duplamente a contagem das reduções de emissões, pelo comprador e pelo vendedor.

Assim, o Brasil sai da conferência como um dos vilões do meio ambiente, ao lado dos Estados Unidos, da Arábia Saudita e da Austrália. O governo Jair Bolsonaro abre mãe da liderança internacional do Brasil, que vinha desde a Conferência da ONU sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio-92, reafirmada pela Rio+20.

A CoP-25 deveria ter sido realizada no Brasil, mas Bolsonaro não quis organizar a conferência alegando que seria um custo para o país em meio à crise econômica. A meta do IPCC é manter o aumento da temperatura média do planeta em 1,5ºC, no máximo 2ºC, para evitar consequências catastróficas, como fenômenos climáticos mais violentos, com secas, enchentes, furacões, tornados, destruição de solos e queda na produção de alimentos.

sábado, 14 de dezembro de 2019

Enviado dos EUA tenta salvar negociações com a Coreia do Norte

O enviado especial dos Estados Unidos para a Coreia do Norte, Stephen Biegun, chega amanhã a Seul, a capital da Coreia do Sul, para uma visita de três dias que pode incluir um encontro com altos funcionários norte-coreanos na zona desmilitarizada entre as duas Coreias.

Diante da estagnação das negociações sobre o programa nuclear, o regime comunista da Coreia do Norte ameaçou abandonar o diálogo se não houver avanços significativos até o fim do ano. Assim, é provável que uma sessão plenária do partido decida romper o diálogo.

Se o enviado especial conseguir se reunir com representantes norte-coreanos, poderá fazer uma proposta de última hora do presidente Donald Trump, inclusive um convite para novo encontro de cúpula com o ditador Kim Jong Un.

Desde o primeiro encontro dos dois, em 12 de junho do ano passado, em Cingapura, as negociações não avançaram. Os EUA exigem a elaboração de um cronograma de desarmamento para a Coreia do Norte entregar 60% a 70% de seu arsenal nuclear dentro de seis a nove meses, enquanto o regime stalinista de Pyongyang quer uma suspensão ao menos parcial das sanções econômicas.

Sem uma solução para este impasse, a Coreia do Norte pode retomar as provocações com testes de mísseis e armas atômicas.

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Novo presidente da Argélia carece de legitimidade

Com 58% dos votos pela contagem oficial, o ex-primeiro-ministro Abdelmajid Tebboune foi eleito ontem presidente da Argélia numa eleição com participação de apenas 41% dos eleitores, a menor da história do maior país da África. Milhares de pessoas saíram às ruas para protestar por desconfiar do resultado oficial.

A Argélia é o país mais rico do Norte da África em renda média por habitante. Rica em petróleo, tem um sistema político controlado até hoje pela Frente de Libertação Nacional (FLN), que liderou a guerra da independência, de 1954 a 1962.

Esta eleição presidencial, realizada sob a pressão das ruas, não muda o equilíbrio de forças dentro do regime nem resolve os problemas econômicos. A Argélia enfrenta uma insatisfação sem precedentes dos jovens, oposicionistas e ativistas, que vão se unir para desafiar o novo governo.

Qualquer dos cinco candidatos autorizados a concorrer seria rejeitado pelo movimento de protesto Hirak, criado em 16 de fevereiro deste ano para lutar contra um quinto mandato para o presidente Abdelaziz Bouteflika, por causa de suas ligações com o regime. O movimento exige um novo processo eleitoral e medidas concretas de combate à corrupção.

Se os argelianos continuarem saindo às ruas, os militares e o governo interino terão de decidir se usam a força para dispersar as manifestações, o que evitaram nos últimos dez meses.

Tebboune cita a prisão de seu filho meses atrás para se apresentar como adversário do sistema político, mas é considerado próximo do comandante das Forças Armadas e homem-forte do regime, general Ahmed Gaid Salah.

Outro desafio do novo governo será recuperar a economia, abalada desde a forte baixa nos preços do petróleo a partir de junho de 2014. As exportações de gás e petróleo caíram 12,5% neste ano.

O presidente eleito prometeu na campanha aumentar os salários baixos e diminuir a carga de impostos para os mais pobres. Para recuperar a economia, vai precisar atrair investimentos e reformar o setor de energia. A abertura ao capital estrangeiro e a promessa de cortar 9% dos gastos públicos em 2020 devem provocar reações negativas.

Vitória conservadora não tira incerteza sobre futuro do Reino Unido

O primeiro-ministro conservador Boris Johnson obteve uma grande vitória nas eleições de ontem para retirar o Reino Unido da União Europeia em 31 de janeiro, mas o futuro do país é incerto e perigoso. O Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte terá de se reinventar e pode perder a Escócia.

Triunfante, o primeiro-ministro Boris Johnson declarou diante da residência oficial que o resultado deve encerrar o debate em torno da saída britânica do bloco europeu e que é hora de curar as feridas causadas pela profunda divisão do país nos últimos anos.

Johnson prometeu restaurar o passado de glória. Mas pode ser uma vitória de Pirro, um general que derrotou o Império Romano duas vezes, mas sofreu tantas perdas que declarou: “Mais uma vitória dessas e estou perdido.” Na terceira batalha, foi derrotado.

O desafio de Johnson é reacomodar o país que um dia comandou o maior império da história num mundo globalizado, definir seu futuro a partir de uma negociação com a União Europeia que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fará tudo para boicotar.

A Escócia já manifestou a intenção de convocar um novo plebiscito sobre a independência para sair do Reino Unido e voltar à União Europeia. O país pode ficar reduzido à pequena Inglaterra e ao País de Gales. Meu comentário:

quinta-feira, 12 de dezembro de 2019

Terror mata 71 soldados em ataque a base militar no Níger

Pelo menos 71 soldados do Exército do Níger, um país muito pobre do Leste da África, foram mortos num ataque terrorista atribuído a um grupo ligado à organização terrorista Estado Islâmico. É mais um sinal de que a região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara, se tornou o principal foco da guerra contra o terrorismo dos extremistas muçulmanos.

Outros 12 soldados saíram feridos. Até agora, nenhum grupo reivindicou a responsabilidade pelo ataque. Milícias ligadas à rede terrorista Al Caeda e ao Estado Islâmico se beneficiaram do tráfico de armas na guerra civil da Líbia e são muito ativas na região do Sahel.

A insurgência em Burkina Fasso, no Mali e no Níger, países miseráveis, cresceu muito nos últimos anos. O ministro da Defesa do Níger, Issoufou Katambe, declarou à televisão pública britânica BBC que "um grande número de terroristas" morreu na ação.

A França, antiga potência colonial, e os Estados Unidos ajudam os governos locais a combater o terrorismo.

Pesquisa de boca de urna indica vitória conservadora no Reino Unido

A julgar pela pesquisa de boca de urna, o Partido Conservador obteve uma ampla vitória nas eleições gerais de hoje, dando um mandato ao primeiro-ministro Boris Johnson para retirar o Reino Unido da União Europeia em 31 de janeiro.

De acordo com a pesquisa feita com 22 mil eleitores em 144 dos 650 distritos eleitorais do país, os conservadores ganharam 50 cadeiras e devem eleger 368 deputados contra 191 da oposição trabalhista, que perdeu 71 cadeiras sob a liderança de Jeremy Corbyn, um radical de esquerda.

Se as pesquisas forem confirmadas, será o pior resultado dos trabalhistas desde 1935, superando a derrota de outro radical de esquerda, Michael Foot, para a primeira-ministra conservadora Margaret Thatcher em 1983 e a maior vitória conservadora desde as últimas eleições sob a liderança de Thatcher, em 1987.

Com 55 deputados, 20 a mais do que nas últimas eleições, o Partido Nacional Escocês consolida seu domínio sobre a Escócia e se prepara para convocar um novo plebiscito sobre a independência com grandes chances de ser aprovada.

Reino Unido vota para romper impasse em torno da saída da UE

Três anos e cinco meses depois do plebiscito que aprovou um divórcio com a Europa, os eleitores britânicos vão às urnas para quarta vez em menos de cinco anos em busca de uma solução para a crise do sistema político do país.

A saída da União Europeia está marcada agora para 31 de janeiro depois de ter sido adiada três vezes porque a Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico não aprovou o acordo negociado pela ex-primeira-ministra Theresa May com os sócios europeus nem propôs qualquer alternativa viável.

Apesar do frio e da chuva, a expectativa é de uma participação elevada mesmo que o voto não seja obrigatório. Estas são as eleições mais importantes em uma geração. Em jogo, o futuro do país que um dia liderou o maior império que o mundo jamais viu e hoje se encolhe para ficar reduzido provavelmente à pequena Inglaterra e ao País de Gales.

Se o Reino Unido sair mesma da União Europeia, é provável que a Escócia convoque um novo plebiscito sobre a independência e saia do reino para ficar na Europa.Meu comentário:

quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

Índia aprova nova lei de nacionalidade de caráter fascistoide

Em mais uma jogada do governo nacionalista hindu para acabar com a Índia pluralista, secular e multicultural criada pelos heróis da independência, até agora um exemplo de democracia para o mundo, o Parlamento indiano aprovou hoje uma lei de nacionalidade que facilita a naturalização de estrangeiros de seis religiões, mas exclui os muçulmanos.

O primeiro-ministro Narendra Modi leva adiante o projeto de transformar a Índia na pátria dos hindus, no Hindustão contrariando a proposta original dos fundadores do país, Mohandas Gandhi, o Mahatma, e Jawaharlal Nehru.

É a primeira vez que a Índia estabelece critérios religiosos para cidadania. O processo de naturalização dará preferência a hindus e a outros religiões do chamado Sul da Ásia. É um claro sinal de marginalização dos muçulmanos, uma minoria de 201 milhões de pessoas.

A lei reabre as feridas e os traumas da independência da Índia do Império Britânico, em 1947, quando o país se dividiu em dois, a Índia, de maioria hindu, e o Paquistão, de maioria muçulmana. Na época, mais de 10 milhões migraram e cerca de dois milhões de pessoas foram mortas. Meu comentário:

terça-feira, 10 de dezembro de 2019

Fernández assume pedindo unidade e mais prazo para pagar dívida

Ao tomar posse hoje como presidente de uma Argentina profundamente abalada por mais uma crise econômica, o peronista Alberto Fernández fez um apelo à união nacional e pediu mais prazo aos credores para saldar as dívidas do país, alegando não ter condições de fazê-lo sem a retomada do crescimento.

"Venho convocar à unidade de toda a Argentina em prol da construção de um novo contrato social cidadão", declarou o novo presidente no início do discurso de posse, esclarecendo que este contrato social deve ser "fraterno e solidário": "Fraterno porque chegou a hora de abraçar o diferente. Solidário porque nessa emergência social é tempo de começar pelos últimos para depois chegar a todos. Este é o espírito do tempo que hoje inauguramos...para pôr a Argentina de pé."

Para isto, acrescentou, é preciso "recuperar uma série de equilíbrios sociais, econômicos e produtivos que hoje não temos."

Uma prioridade será um programa de combate à fome. "Sem pão, na vida só se padece. Sem pão, não há democracia nem liberdade." Outra será recuperar as economias familiares, as pequenas empresas e as fábricas endividadas.

A inflação de mais de 50% ao ano é a maior desde 1991. O índice de desemprego passa de 10%. É o maior desde 2006. Há mais de 1,2 milhão de jovens que não estudam nem trabalham. O desemprego entre os jovens é de 30%. O dólar passou de 9,60 a 63 pesos nos quatro anos do governo Mauricio Macri. E a economia não para de encolher e 40,8% dos moradores de cidades estão na pobreza.

"Vamos encarar o problema da dívida externa. Não há pagamentos de dívida sustentáveis se o país não cresce, é simples assim. Para poder pagar, é preciso crescer primeiro", discursou Fernández. Durante a campanha, o ministro da Economia, Daniel Martínez, acenou com a expectativa de pedir uma moratória de dois anos para pagar a dívida.

"Buscaremos uma relação construtiva e cooperativa com o FMI (Fundo Monetário Internacional) e com nossos credores. Resolver o problema da dívida insustentável que a Argentina tem hoje não é uma questão de ganhar uma disputa. O país tem vontade de pagar, mas carece de capacidade para fazê-lo. O governo que sai tomou uma enorme dívida sem gerar mais produção para obter os dólares para pagá-la", criticou o novo líder argentino.

Fernández também prometeu uma ação de emergência na saúde pública.

O Índice Merval, da Bolsa de Valores de Buenos Aires, terminou o dia em queda de 4,81%.

Câmara dos EUA denuncia Trump por abuso de poder e obstrução do Congresso

Os líderes do Partido Democrata na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos formalizaram hoje duas acusações ao presidente Donald Trump num processo de impeachment por "ignorar e ferir os interesses da nação. A votação final na Câmara deve acontecer antes do Natal.

A denúncia tem nove páginas. Acusa Trump de corrupção ao pedir ao governo da Ucrânia que iniciasse investigações para atingir adversários políticos, especialmente o ex-vice-presidente Joe Biden, favorito no momento para ser o principal candidato da oposição na eleição presidencial de novembro de 2020. 

Para pressionar o novo presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, Trump usou dois instrumentos de seu poder como presidente dos Estados Unidos: segurou uma ajuda militar de 391 milhões de dólares, mais de 1 bilhão 621 milhões de reais, e barganhou com uma visita oficial de Zelensky à Casa Branca.

“Em tudo isto”, diz a denúncia, “o presidente Trump abusou dos poderes da Presidência ignorando e ferindo a segurança nacional e outros interesses nacionais vitais para obter benefício político pessoal impróprio". Ele também é acusado de trair a nação ao "aliciar uma potência estrangeira a corromper eleições democráticas.” Meu comentário:

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Presidente argentino aposta em diálogo com credores sem abandonar política social

O peronista de esquerda toma posse amanhã, 10 de dezembro, como presidente da Argentina para um mandato de quatro anos com a ex-presidente Cristina Kirchner como vice. Assim, as duas perguntas que os argentinos, os economistas e os analistas internacionais se fizeram nos últimos meses foram: quem vai mandar e qual será a política econômica?


A Argentina vai voltar ao populismo demagógico e fiscal de Cristina ou Fernández será mais pragmático? Terá de ser para enfrentar a crise econômica legada pelo governo Maurício Macri, quando o índice de pobreza entre os argentinos urbanos subiu de 30 para 40,8 por cento. 

O país está em recessão, a inflação anual ronda 70% e os juros, a pedido de Fernández foram reduzidos para 68% ao ano. Meu comentário:

domingo, 8 de dezembro de 2019

Hong Kong faz maior manifestação em meses

Centenas de milhares de pessoas marcharam pacificamente neste domingo pelas ruas do centro de Hong Kong. Foi o segundo maior protesto dos últimos seis meses e a a primeira manifestação autorizada pela polícia no centro da cidade desde meados de agosto.

A onda de protestos começou em 9 de junho contra um projeto de lei para autorizar a extradição de residentes no território para responder a processos criminais na República Popular da China, onde a Justiça não é independente, está subordinada ao regime comunista.

Apesar do recuo da governadora Carrie Lam, indicada por Beijim, as manifestações cresceram e passaram a exigir eleições diretas para governador e para o Conselho Legislativo de Hong Kong, o parlamento do território, que é uma região administrativa especial dentro da China.

Na maior manifestação, 2 milhões de pessoas saíram às ruas de Hong Kong. Houve uma série de confrontos violentos e pedidos da linha dura do Partido Comunista de uma repressão maior. A esmagadora vitória dos partidos que não apoiam a interferência de Beijim no território nas eleições locais confirmou o apoio popular ao movimento pela liberdade e a democracia.

Hoje os organizadores falaram em 800 mil pessoas. Seria a segunda maior de 900 manifestações realizadas desde junho. A estimativa da polícia ficou em menos de 200 mil. Pelo menos 11 pessoas foram presas. A polícia anunciou a apreensão de "grande quantidade de armas", inclusive uma pistola e 100 balas. Desde o início dos protestos, cerca de 6 mil pessoas foram presas.

O protesto de massa é um desafio ao ditador chinês, Xi Jinping, que "indicou decididamente que não haverá qualquer liberdade política, ao contrário", comentou o cientista político Willy Lam, professor da Universidade Chinesa de Hong Kong. "O cenário para a confrontação está armado."

Quando o Reino Unido devolveu Hong Kong à China, em 1º de julho de 1997, havia o compromisso de manter as liberdades democráticas no território por 50 anos, dentro da fórmula um país dois sistemas, formulada pelo líder Deng Xiaoping pensando também na reintegração de Taiwan.

Se o regime comunista chinês reprimir com violência o movimento pela democracia em Hong Kong, estará não só comprometendo a autonomia do território, um dos principais centros financeiros da Ásia. Será o fracasso da fórmula um país, dois sistemas. A reunificação com Taiwan fica ainda mais difícil.

sábado, 7 de dezembro de 2019

Ex-presidente Evo Morales viaja a Cuba e deve morar na Argentina

O ex-presidente da Bolívia Evo Morales viajou ontem para Cuba e pode deixar o México, onde recebeu asilo político depois de renunciar em 10 de novembro sob pressão de uma revolta popular e das forças de segurança em razão de uma fraude na eleição presidencial de 20 de outubro de 2019, e se instalar na Argentina, noticiou hoje o jornal espanhol El País.

Morales se declara vítima de um golpe de Estado. Ele deixou a Cidade do México num voo comercial e disse ao governo mexicano se tratar de uma viagem temporária. A ex-ministra da Saúde Gabriela Montaño, que acompanha o ex-presidente, informou que Morales vai consultar médicos cubanos que o atenderam na Bolívia.

Com a nova eleição presidencial ainda sem data marcada na Bolívia, Morales pretende ir para a vizinha Argentina, onde terá melhores condições de articular a candidatura do Movimento ao Socialismo (MAS).

Seu plano seria ir para Buenos Aires a tempo de assistir à posse do presidente peronista Alberto Fernández e da vice-presidente Cristina Kirchner em 10 de dezembro. O próprio Fernández teria recomendado a Evo Morales que espere a posse do novo governo para poder lhe dar garantias de segurança.

O ex-vice-presidente Álvaro García Linera, que também obteve asilo do governo esquerdista mexicano de Andrés Manuel López Obrador, recebeu vários convites para dar aulas em universidades. Pode ficar no México.

EUA e Irã trocam prisioneiros

Em um momento de alta tensão entre os dois países, o Irã libertou hoje o acadêmico americano Xiyue Wang, preso há mais de três anos na República Islâmica sob acusação de espionagem. Em troca, os Estados Unidos soltaram o respeitado cientista iraniano Massoud Soleimani, denunciado por violar o embargo econômico ao Irã.

Wang, de 38 anos, fazia doutorado na Universidade de Princeton. Foi preso em agosto de 2016, quando estudava a língua persa e pesquisava documentos históricos para sua tese. Os EUA sempre negaram que fosse um espião.

Mesmo assim, Wang foi condenado a dez anos de prisão. Um avião do governo da Suíça o levou de Teerã para Zurique, onde ele foi entregue ao representante especial para o Irã do Departamento de Estado americano, Brian Hook.

Nos EUA, o Departamento da Justiça retirou a denúncia contra o professor Soleimani, preso no ano passado no aeroporto de Chicago por tentar entrar no país com "material biológico" numa violação das sanções impostas pelo governo Donald Trump contra o programa nuclear do Irã. Ele seria libertado em janeiro de 2020 depois de fazer um acordo com a Justiça.

Ao comentar a troca de prisioneiros, o presidente Trump declarou ser um sinal de que os dois países podem negociar. Não há nada concreto a indicar uma ampliação do diálogo, mas fica uma esperança.

Em 8 de maio de 2018, o presidente americano rompeu o acordo nuclear com o Irã negociado pelo governo Barack Obama e as outras grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Seis meses depois, reimpôs duras sanções econômicas numa verdadeira guerra econômica contra o Irã.

Trump quer renegociar um acordo mais amplo, que inclua, além das armas nucleares, os mísseis de médio e longo alcances e a interferência política do regime fundamentalista iraniano em outros países do Oriente Médio, onde Teerã se apresenta como líder das populações muçulmanas xiitas.

No momento, a ditadura dos aiatolás está diante de grandes pressão das ruas. Desde 15 de novembro, os iranianos protestam nas grandes cidades contra um aumento de 300% no preço da gasolina. A repressão violenta matou pelo menos 300 pessoas.

sexta-feira, 6 de dezembro de 2019

China isenta parte das importações de soja e carne de porco dos EUA

Num gesto de trégua na guerra comercial, a China decidiu isentar de tarifas parte das importações de soja e de carne de porco dos Estados Unidos. A medida é anunciada a pouco mais de uma semana da entrada em vigor de tarifas de 15% impostas pelo governo Donald Trump a exportações anuais no valor de US$ 160 bilhões, mais de R$ 660 bilhões.

O anúncio foi feito na manhã desta sexta-feira na China com o objetivo de acelerar as negociações de um acordo preliminar depois de Trump falar que talvez só haja acordo entre as duas maiores economias do mundo depois das eleições americanas de 2020.

A Comissão de Tarifas de Importação do Conselho de Estado comunicou numa pequena nota que parte das compras dos dois produtos não estarão sujeitas às tarifas punitivas adotadas em retaliação aos tarifaços de Donald Trump que deflagraram a guerra comercial. O tarifaço de 15 por cento anunciado por Trump deveria entrar em vigor em 15 de dezembro.

Em entrevista coletiva ontem em Beijim, o porta-voz do Ministério do Comércio da China, Gao Feng, declarou que, se os dois países chegarem a um acordo preliminar, as tarifas devem ser reduzidas apropriadamente.” Meu comentário:

EUA criam mais 266 mil empregos e desemprego cai para 3,5%

Em mais uma grande notícia econômica para o presidente Donald Trump, a economia dos Estados Unidos gerou 266 mil empregos a mais do fechou em novembro, superando a expectativa dos analistas, que era de um ganho de 180 mil vagas, revelou hoje o relatório mensal de emprego do Departamento do Trabalho. A taxa de desemprego, medida em outra pesquisa, caiu para um mínimo histórico de 3,5%.

Os salários subiram 3,1% em 12 meses, ligeiramente acima da previsão dos economistas, que ficou na média de 3%. Esses números tranquilizam o Conselho de Reserva Federal (Fed), o banco central dos EUA, que baixou a taxa de juros três neste ano sob pressão de Trump.

Sob pressão de um processo de impeachment, o presidente festejou no Twitter: "Grande relatório de emprego!"

Com a volta ao trabalho dos funcionários da General Motors que estavam em greve, a indústria acrescentou 54 mil empregos. O setor de lazer e hospitalidade criou mais 45 mil empregos, num sinal de que os americanos estão confiantes para gastar dinheiro em bares e restaurantes.

De acordo com uma pesquisa da Universidade de Michigan, a confiança do consumidor está no nível mais alto em sete meses. Mais empregos no setor de transporte e armazenamento confirmam isso.

"A não desaceleração do mercado de trabalho é surpreendente, dadas as preocupações e todas as conversas sobre recessão", comentou o analista Ethan Harris, diretor de pesquisas sobre a economia global do Bank of America Merrill Lynch. "Mesmo olhando para a média em três meses, são dados excelentes."

Harris admite que a "a economia está em dois ritmos. Temos uma recessão suave no setor manufatureiro, os investimentos das empresas numa recessão suave e o comércio exterior está fraco, mas o resto está ótimo. O mercado de trabalho está forte, o setor de serviços está forte e o comércio está forte."

quinta-feira, 5 de dezembro de 2019

Pobreza atinge mais de 40% da população urbana na Argentina

Com a brutal crise econômica legada pelo governo Mauricio Macri, a pobreza aumentou na Argentina. Atinge hoje 40,8% da população urbana, cerca de 16 milhões de pessoas. Ao todo, são 18 milhões os argentinos pobres, noticiou o jornal Clarín. 

Os indigentes são 8,9% dos moradores de cidade, cerca de 3,6 milhões. Somando aos miseráveis do campo, 4 milhões de argentinos sobrevivem na pobreza absoluta. Os dados são do Observatório da Dívida Social da Universidade Católica Argentina (UCA).

Quase 60% dos menores de 17 anos vivem em lares pobres. Em dezembro de 2015, quando Macri se tornou presidente, a pobreza atingia 30% dos argentinos. Cresceu 10,8 pontos percentuais em seu governo. São 4,5 milhões os novos pobres urbanos. Na Grande Buenos Aires, a pobreza chega a 51,1%.

O relatório da pesquisa concluiu que "há uma persistente pobreza estrutural que atinge 10 milhões de pessoas", um quarto da população argentina. Mais de 30% dos lares recebem ajuda de algum programa social.

A UCA propõe transferência direta de renda, no modelo do Bolsa-Família, e ajuda alimentar para combater a pobreza aguda, mas ressalva que estas medidas de emergência não vão resolver os problemas estruturais.

França faz greve contra a reforma da previdência de Emmanuel Macron

Em mais um enorme desafio às propostas de modernização do presidente Emmanuel Macron, a França parou hoje contra a reforma da previdência. Em todo o país, cerca de 840 mil saíram às ruas, de acordo com o Ministério do Interior, um milhão e meio, segundo a Confederação Geral do Trabalho (CGT), enfrentaram o frio e participaram de 250 manifestações de protesto.

Em Paris, 65 mil estudantes, professores, bombeiros, policiais, enfermeiros e outros trabalhadores marcharam até a Praça da Nação. Uma greve nacional que continua amanhã parou as escolas, os transportes públicos, parte da aviação comercial e as refinarias de petróleo francesas. 

Hoje, 10 por cento dos trens funcionaram. Onze linhas do metrô de Paris ficaram paradas. Nesta sexta-feira, 90 por cento dos trens de alta velocidade e 70 por cento dos trens expressos regionais não devem circular. Em Paris, a expectativa é que 15% dos trens funcionem. Dez linhas do metrô da capital francesa devem ficar paradas. 

Tudo isso é a reação contra a reforma da previdência proposta pelo governo Macron e o primeiro-ministro Edouard Philippe, uma promessa de campanha do presidente. A França tem 42 regimes diferentes de aposentadoria. Meu comentário:

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Coreia do Norte deve ameaçar de novo sair das negociações com os EUA

O Partido dos Trabalhadores da Coreia, que chefia a ditadura comunista da Coreia do Norte, fará uma sessão plenária no fim de dezembro para definir seu programa político para 2020, inclusive a política externa. Deve fazer nova ameaça de abandonar as negociações de paz com os Estados Unidos, se não houver avanços significativos.

Será a primeira reunião do partido desde abril, quando o ditador Kim Jong Un estabeleceu o fim de 2019 como prazo-limite para obter avanços nas negociações.

A Coreia do Norte quer a suspensão pelo menos parcial das sanções impostas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. O governo Trump exige a criação de um cronograma de desarmamento para entrega de 60% a 70% do arsenal nuclear norte-coreano dentro de seis a nove meses. Só admite levantar as sanções depois disso. Kim rejeita o "desarmamento unilateral".

Assim, a expectativa é de uma declaração oficial do regime stalinista de Pyongyang suspendendo os contatos com os EUA, se não houver progressos significativos até o fim do ano, o que é altamente improvável.

Depois de três encontros de cúpula com Trump que elevaram seu status internacional, Kim parece decidido a entrar numa fase de contestação e desafio, de enfrentamento.

Desde que perdeu o patrocínio com o fim da União Soviética, em 1991, o regime comunista da Coreia do Norte faz uma chantagem atômica, ameaçando fabricar armas nucleares. Usava isso para barganhar ajuda internacional em energia e alimentos para sua economia falida.

Kim Jong Un chegou ao poder em dezembro de 2011, com a morte do pai, meses depois da queda e morte do ditador Muamar Kadafi, que fizera um acordo com as potências ocidentais para entregar suas armas de destruição em massa e foi derrubado por uma intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), com a autorização do Conselho de Segurança da ONU.

De instrumento de barganha, as armas nucleares se tornaram na garantia de sobrevivência da ditadura norte-coreana. Ninguém acredita que o último regime stalinista do planeta, ao lado de Cuba, pretenda entregar todo o arsenal nuclear desenvolvido a um custo altíssimo.

Iraniana ganhadora do Nobel de Paz prevê fim da República Islâmica

A advogada e defensora dos direitos humanos iraniana Shirin Ebadi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz de 2003, vê o início do fim da ditadura teocrática do Irã nas manifestações de protesto, no momento em que os Estados Unidos cogitam enviar mais 14 mil soldados para o Oriente Médio tendo em vista a República Islâmica.

Em entrevista à televisão francesa France 24, Shirin Ebadi descreveu a repressão às atuais manifestações de protesto contra o regime dos aiatolás como a mais violenta desde a vitória da Revolução Islâmica, em 1979.

Os protestos começaram em 15 de novembro, depois de um aumento de 300% no preço da gasolina. O número de mortos é estimado entre 300 e 500 pessoas. Mais mil pessoas foram feridas e 7 mil presas. A ditadura cortou a Internet para dificultar a mobilização popular. 

Para Shirin Ebadi, quanto mais fraco é um regime mais violenta é a repressão: “Estamos assistindo ao início do fim do regime fundamentalista islâmico. É claro que isto é um processo que vai durar anos, mas a hora vai chegar. O povo está revoltado, a corrupção é enorme e a desigualdade também. 90 por cento vivem mal, enquanto 10 por cento são muito ricos”, disse ela. “A censura é muito forte. O regime não tolera qualquer contestação.” Meu comentário: 

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Trump é um aliado inconfiável para o Brasil e o resto do mundo

Sob pressão de um processo de impeachment com inquérito em andamento na Câmara dos Representantes dos Estados Unidos e de baixa cotação nas pesquisas de opinião sobre a eleição presidencial de 2020, o presidente Donald Trump aumenta a agressividade do discurso e atira para vários lados, abrindo novas frentes em suas guerras comerciais. Mais uma vez, despreza aliados e aprofunda o protecionismo e o isolacionismo de uma superpotência em declínio.

Desde a campanha eleitoral, o presidente Jair Bolsonaro revelou a intenção de adotar uma política externa de alinhamento automático não com os EUA, mas com o governo Donald Trump.

O Brasil acabou com a exigência de visto para americanos e cidadãos de outros países ricos e abriu mão das preferências comerciais que tinha na Organização Mundial do Comércio, a OMC, como país em desenvolvimento.

Em troca, esperava o apoio dos Estados Unidos para ingressar na Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, a OCDE, um clube de países ricos e em desenvolvimento. Mas, em agosto, os Estados Unidos apoiaram a entrada da Argentina e da Romênia.

O Brasil também autorizou o uso da base espacial de Alcântara pelos americanos para lançamento de foguetes e satélites. Em setembro, o Brasil aumentou a cota de importação de álcool combustível dos Estados Unidos sem cobrar a tarifa de importação de 20 por cento. Em troca, queria que os americanos comprassem mais açúcar brasileiro, mas a contrapartida não aconteceu. Meu comentário:

segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

Conferência do Clima tenta acelerar redução de emissões de gases

Mais uma conferência das Nações Unidas sobre mudança do clima tenta ampliar as metas de redução de emissões de gases carbônicos no combate ao aquecimento global.

Ao abrir hoje a vigésima-quinta Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, o secretário-geral da ONU, o ex-primeiro-ministro português António Guterres, elogiou a liderança da juventude na luta contra o agravamento do efeito estufa. Porque os 193 países que assinaram o Acordo de Paris em 2015 não estão cumprindo metas voluntárias que anunciaram desde então.

Se todos os países atingirem suas metas, a temperatura média do planeta deve subir 3 graus e 2 décimos em relação à era pré-industrial. Os cientistas recomendam um grau e meio, no máximo dois, para evitar consequências catastróficas, como fenômenos climáticos mais radicais, furacões, tornados, secas, enchentes, incêndios florestais mais violentos, a destruição de habitats e a extinção de espécies.

O mundo já está um grau e um décimo mais quente do que na metade do século 18 e o impacto é evidente. Por isso, os jovens organizaram “greves do clima”, escolhida como expressão do ano pelo Dicionário Inglês de Oxford, o mais completo do mundo. Meu comentário:

Mais seis países aderem ao sistema para fazer negócios com o Irã

A Bélgica, a Dinamarca, a Finlândia, a Holanda, a Noruega e a Suécia aderiram no fim de semana ao sistema de pagamentos Intex, criado por países da Europa para contornar as sanções impostas pelos Estados Unidos ao Irã, que impede negócios com dólar com a República Islâmica.

Em nota, os países fundadores, Alemanha, França e Reino Unido, deram as boas vindas aos novos "sócios acionistas". O Instex, com sede em Paris, substitui o sistema Swift, que funciona como um centro de processamento e compensação das transações realizadas em dólar.

O presidente Donald Trump retirou os EUA do acordo nuclear negociado por todas as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha para congelar por dez anos a parte militar do programa nuclear do Irã para impedir o país de fabricar armas atômicas, em 8 de maio de 2018.

Seis meses depois, reimpôs duras sanções econômicas com o objetivo de zerar as exportações de petróleo do Irã para forçar o país a renegociar o acordo incluindo renúncia ao desenvolvimento de mísseis de médio e longo alcances e parar de interferir politicamente em outros países do Oriente Médio.

Desde então, as exportações de petróleo do Irã caíram de 3 milhões para cerca de 500 mil barris por dia. A República Islâmica voltou a enriquecer urânio além do teor autorizado pelo acordo e instalou mais milhares de centrífugas, numa provocação para causar uma reação dos países europeus que tentam manter o acordo nuclear.

O sistema de pagamentos é uma resposta europeia para manter o compromisso do Irã com o acordo.