quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Congresso Partido Comunista da China consagra Xi Jinping

O 19º Congresso do Partido Comunista Chinês começa hoje em Beijim suscitando duas questões: o líder Xi Jinping é o mais poderoso dirigente chinês desde Mao Tsé-tung, o fundador da República Popular da China, ou Deng Xiaoping, o arquiteto das reformas que transformaram o país na segunda maior potência mundial, rumo ao primeiro lugar? 

O todo-poderoso Xi Jinping vai deixar a chefia do partido e do governo em 2022, mantendo uma regra em vigor desde 1992, depois do Massacre na Praça da Paz Celestial, em 1989, ou pretende ficar indefinidamente no cargo como um novo imperador?

No discurso de abertura do congresso do partido mais importante deste século, Xi exaltou o combate à corrupção, no plano interno, e o aumento do poderio internacional do país, no plano internacional. Defendeu a realização do "sonho chinês", expressão que pretende transformar em marca de seu governo.

Xi falou pela primeira vez no "sonho chinês" durante visita ao Museu Nacional em novembro de 2012, logo depois de ser escolhido secretário-geral do PC. Ele declarou que "os jovens devem ousar e sonhar, trabalhar assiduamente para realizar seus sonhos e contribuir para revitalizar da nação".

Os teóricos do partido definiram o "sonho chinês" como prosperidade, esforço coletivo, socialismo e glória nacional. É o nacionalismo chinês da era Xi.

Em cinco anos, o homem-forte da China apelou para o nacionalismo, centralizou poderes, combateu inimigos políticos dentro do partido e do governo com sua campanha anticorrupção, aumentou a repressão aos dissidentes e a censura na Internet, e o controle do Estado sobre a economia.

Sua visão de mundo tem o poder absoluto do partido como centro, como guia da economia, da sociedade e até do comportamento individual. A meta é garantir o papel do PC como pai, fiador e protetor perpétuo da Nova China.

O maior projeto internacional é recriar a Rota da Seda como uma via de comércio ligando a China a seu maior mercado, a União Europeia, criando oportunidades de desenvolvimento ao longo do caminho, inclusive no Grande Oriente Médio, uma das regiões mais conturbadas da Terra, numa diplomacia econômica.

Ao discursar para empresários no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, no início do ano, Xi apresentou-se como defensor do livre comércio e da abertura econômico, no momento em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adota políticas protecionistas.

O recuo internacional e a incompetência de Trump tornam Xi no homem mais poderoso do mundo, como observou o revista inglesa The Economist.

Durante o 19º congresso do PC chinês, não se espera nada muito espetacular. Não se espera uma discussão sobre os problemas do país, o elevado endividamento das empresas, o excesso de capacidade instalada, a poluição, a falta de habitação, a educação e o aumento na desigualdade social. A expectativa é de consolidação do poder de Xi.

Num regime ditatorial como o chinês, as mudanças e alianças são negociadas em encontros secretos a portas fechadas. Mas as posições ideológicas se cristalizam nos congressos. Em 1982, Deng anunciava uma nova era de prosperidade com sua "economia de mercado socialista".

O congresso do partido é realizado a cada cinco anos para escolher os novos dirigentes chineses. De início, os 2.287 delegados vão eleger os 370 membros plenos e substitutos do Comitê Central do PC. Em sua primeira reunião, o novo Comitê Central vai eleger os 25 membros do Politburo, o birô político do partido.

Por fim, o Politburo deve eleger seu Comitê Permanente, os sete imperadores que governam a China, o núcleo central do poder, que vai confirmar Xi Jinping como dirigente supremo do partido e do país.

Como Xi está no fim do primeiro mandato, a seguir a praxe adotada depois do Massacre na Praça da Paz Celestial pelo líder Deng Xiaoping de que cada líder do partido e presidente da República cumpre dois mandatos de cinco anos, seu sucessor deveria ser indicado.

Quem sobe e desce no Comitê Permanente é o maior indicador da luta interna pelo poder no regime comunista. Uma questão importante é se o primeiro-ministro Li Keqiang será mantido no cargo e no Comitê Permanente. Chefe de governo, ele é encarregado principalmente da administração econômica. É considerado mais liberal do que Xi.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Justiça da Espanha considera ilegal plebiscito da Catalunha

Por unanimidade, o Tribunal Constitucional da Espanha julgou ilegal hoje a lei do plebiscito sobre a independência da Catalunha, sustentando que o Parlament cometeu "falhas muito graves no procedimento legislativo". A resposta do governador regional catalão, Carles Puigdemont, foi um novo pedido de abertura de diálogo com o governo central.

A Lei nª 19, de 2017, base para o plebiscito sobre a autodeterminação da Catalunha, foi declarada inconstitucional pelos 12 juízes do supremo tribunal espanhol. Esta lei e a Lei de Transitoriedade Jurídica são as bases legais do movimento pela independência.

O tribunal argumentou que a Constituição da Espanha não admite a possibilidade de secessão unilateral e que as Nações Unidas limitaram o direito de autodeterminação a "casos de subjugação de povos, dominação e exploração estrangeiras".

"Toda tentativa de quebrar total ou parcialmente a unidade nacional e a integridade territorial de um país é incompatível com os propósitos e os princípios da Carta da ONU", acrescentou.

Na sentença, o ministro-relator Andrés Ollero alegou ainda que a lei do plebiscito viola "a soberania nacional do povo espanhol, a unidade da nação constituída em Estado democrático de direito e a própria supremacia da Constituição, a que estão sujeitos todos os poderes públicos e também, portanto, o Parlamento da Catalunha."

Como a Constituição da Espanha exige que todos os espanhóis votem em plebiscitos sobre independência, ao aprovar a Lei do Plebiscito, o Parlament "se situou por completo à margem da lei, entrou numa inaceitável via de fato e deixou declaradamente de atuar no exercício de suas funções constitucionais e estatutárias."

Com base nesta decisão, o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, pode invocar na sexta-feira o artigo 155 da Constituição para suspender a autonomia regional da Catalunha e nomear um interventor. Ele deu prazo até quinta-feira para o governador Puigdemont esclarecer se declarou ou não a independência.

Puigdemont repetiu hoje o pedido de abertura de um diálogo com o governo central de Madri. O problema é que o único resultado que aceita destas negociações é a independência da Catalunha. Rajoy se nega a negociar sob este ultimato.

À noite, cerca de 200 mil pessoas tomaram as ruas de Barcelona, a capital da Catalunha, para defender a independência e exigir a libertação de dois ativistas, Jordi Cuixart e Jordi Sánchez, líder de associação pró-independência, foram presos ontem pela Justiça espanhola por dificultar o trabalho da Guarda Civil para tentar impedir a realização do plebiscito de 1º de outubro.

Juiz federal suspende restrições de Trump a entrada de estrangeiros

O juiz federal Derrick Watson, de Honolulu, no Havaí, suspendeu hoje a aplicação de um decreto do presidente Donald Trump que entraria em vigor amanhã restringindo a entrada nos Estados Unidos de cidadãos de oito países, sob a alegação de ser inconstitucional ao discriminar com base na nacionalidade.

Dois decretos anteriores visavam exclusivamente países muçulmanos. Foram contestados na Justiça. O último seria examinado pela Suprema Corte, quando foi substituído por este. Na versão anterior, foram banidos cidadãos do Iêmen, do Irã, da Líbia, da Síria, da Somália e do Sudão.

Agora, saiu o Sudão, sem que se saiba exatamente por quê. Entraram o Chade, a Coreia do Norte e a Venezuela. As regras variam de acordo com o país. Alguns estrangeiros podem estudar nos EUA, mas não imigrar.

Em um arrazoado de 40 páginas, o juiz Watson, indicado no governo Barack Obama, alegou que o decreto "contém incoerências internas" capazes de comprometer o argumento de Trump de defesa da segurança nacional dos EUA.

A decisão se aplica apenas aos países muçulmanos. Ao contestar o decreto, o estado do Havaí excluiu a Coreia do Norte e a Venezuela.

Em Washington, a Casa Branca considerou a suspensão do decreto "perigosamente falho" e afirmou que "minam os esforços do presidente para manter a segurança do povo americano e aplicar os padrões de segurança mínimos para a entrada nos EUA."

O Departamento da Justiça argumentou que o decreto tem bases legais sólidas, fundamentadas em pesquisa feita nos questionários respondidos por quem pede visto para entrar no país, e não visa apenas países muçulmanos.

Jornalista que denunciava corrupção no governo de Malta é morta

A jornalista Daphne Caruana Galizia, que investigava o envolvimento de altas autoridades de Malta no escândalo dos Papéis do Panamá, foi morta ontem com a explosão de seu carro. Seu filho denunciou que a ilha é um "Estado mafioso" dirigido por "bandidos".

O primeiro-ministro Joseph Muscat, acusado junto com a mulher de ter conta bancária ilegal no exterior, declarou estar indignado com a "barbárie": "O que aconteceu hoje é inaceitável. Hoje é um dia negro para nossa democracia e a liberdade de expressão. Não vou descansar enquanto não for feita justiça."

Daphne Galizia, de 53 anos, foi assassinada por volta das 15h de ontem (11h em Brasília), meia hora depois de publicar em seu blogue denúncias contra o chefe da Casa Civil de Malta, Keith Schembri. Ele é acusado de criar uma empresa de fachada no Panamá logo depois da vitória do Partido Trabalhista nas eleições de 2013.

"Minha mãe foi assassinada porque ficou entre o Estado de Direito e aqueles que tentam violá-la, como tantos jornalistas fortes", escreveu Matthew Caruana Galizia no Facebook. "Mas ela foi alvejada porque era a única pessoa a fazer isso. Isto acontece quando as instituições do Estado não estão capacitadas: a última pessoa geralmente é jornalista. O que a tornou na primeira pessoa a ser morta."

Matthew acrescentou que a morte da mãe "não foi um homicídio comum nem uma tragédia. Trágico é alguém ser atropelado por um ônibus. Quando há sangue e fogo ao redor de você, é uma guerra. Somos um povo em guerra contra o Estado e o crime organizado, que se tornaram indistinguíveis."

Ele concluiu: "Sim, é onde estamos, num Estado mafioso onde você será explodido por exercer suas liberdades fundamentais, apenas para vermos aqueles que deveriam nos proteger estão celebrando."

Aliança liderada pelos EUA toma capital do Estado Islâmico

Depois de quatro meses de batalha, as Forças Democráticas Sírias (FDS), uma milícia árabe-curda armada, financiada e treinada pelos Estados Unidos, anunciaram hoje a retomada de Rakka, na Síria, que nos últimos três anos foi a capital do califado proclamado pela organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante em junho de 2014.

Diante da ofensiva final da aliança liderada pelos EUA, os terroristas se concentraram no estádio de Rakka, seu último reduto. Nesta terça-feira, as FDS tomaram o estádio e anunciaram a vitória final.

"As operações militares dentro da cidade estão completamente encerradas", declarou Talal Silo, porta-voz das FDS. Cerca de 85% de Rakka estão liberados, afirmou o coronel Rob Manning, porta-voz do Departamento da Defesa dos EUA.

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização não governamental de oposição com sede em Londres que monitora a guerra civil na Síria, confirmou que os milicianos do Estado Islâmico deixaram Rakka.

Primeira grande cidade a cair em poder do Estado Islâmico, Rakka virou um símbolo do império do terror que o grupo tentou instalar no coração do Oriente Médio. Foi palco de degolas e crucificações públicas e centro de planejamento de atentados terroristas pelo mundo afora.

Sob o impacto dos bombardeios aéreos dos EUA, Rakka é hoje uma cidade em ruínas. O Estado Islâmico volta a ser apenas um grupo terrorista clandestino, mas deixa uma geração de jovens radicalizados por sua ideologia assassina.

Com seu desaparecimento, em breve as forças aliadas aos EUA vão se encontrar com o Exército da Síria e as milícias aliadas ao regime de Bachar Assad, apoiadas pela Rússia.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Forças do Iraque tomam Kirkuk de guerrilheiros curdos

Com a queda da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, os aliados de ocasião começam a lutar entre si. Por ordem do primeiro-ministro Haider al-Abadi, o Exército do Iraque e milícias xiitas aliadas entraram hoje na cidade de Kirkuk, que estava em poder de guerrilheiros curdos.

A operação militar é uma resposta ao plebiscito de 25 de setembro, que aprovou a independência do Curdistão iraquiano. Desde o fim da ditadura de Saddam Hussein com a invasão americana de 2003, os curdos têm autonomia regional no Iraque. Depois de desempenhar um papel importante na guerra contra o Estado Islâmico, ampliando em 40% o território sob seu controle, resolveram dar mais um passo rumo à independência.

Os peshmerga foram totalmente surpreendidos e não tiveram reação diante dos tanques iraquianos. Ficaram especialmente revoltados com a participação das Unidades de Mobilização Popular, milícias xiitas sustentadas pelo Irã. O governo regional curdo acusou o Irã de estar por trás da ofensiva.

Houve alguma resistência no quartel K1, no aeroporto, na refinaria de Kirkuk e no campo de petróleo de Baba Gurgur. Milhares de curdos fugiram rumo à região autônoma.

Enquanto suas milícias atacavam em Kirkuk, o general Kassem Suleimani, comandante da Guarda Revolucionária do Irã, ia ao enterro de Jalal Talabani, líder da União Patriótica do Curdistão, rival do Partido Democrático do Curdistão, chefiado por Massoud Barzani, que controla o governo regional.

Responsável por 6% da produção mundial de petróleo, a província de Kirkuk é uma joia cobiçada tanto pelo governo central do Iraque quando pelo Curdistão independente. Era uma província curda onde Saddam Hussein infiltrou árabes sunitas leais a seu regime numa estratégia de arabização.

Quando a França e o Reino Unido redesenharam o mapa do Oriente Médio depois da derrota do Império Otomano na Primeira Guerra Mundial, o então subsecretário de Oriente Médio do Ministério do Exterior e da Comunidade Britânica, Winston Churchill, juntou Kirkuk às províncias de Bagdá e Bássora para formar o Iraque. Queria um país suficientemente grande e rico para se contrapor ao vizinho Irã.

Assim, enterrou o sonho do Curdistão independente, uma promessa não honrada dos vencedores da guerra.

Puigdemont pede dois meses para diálogo com a Espanha

Mais uma vez, o governador regional Carles Puigdemont foi ambíguo sobre a independência da Catalunha. Sob pressão da Espanha para definir até quinta-feira se declarou ou não a independência, ele pediu dois meses para negociar.

Em cartas trocadas hoje, o líder catalão e o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, propõem o diálogo, mas nenhum parece disposto a ceder, informou o jornal El País, de Madri.

Rajoy está disposto a receber Puigdemont para discutir dentro dos marcos legais existentes hoje, a Constituição da Espanha e o Estatuto de Autonomia da Catalunha. Antes, quer saber se o líder catalão declarou independência ou não.

Por outro lado, Puigdemont se equilibra entre um movimento pela independência minoritário que tem pressa e a impossibilidade de entrar em choque frontal com o governo central espanhol. Em sua carta, ele fala em nome da "maioria dos catalães", que teriam se manifestado a favor de "um país independente".

Para Rajoy, o plebiscito foi ilegal. Além do mais, só votaram 42,3%. Então, do total de eleitores catalães, apenas 38% aprovaram a independência. Isso reforça o argumento de que o movimento é minoritário.

Sem disposição para ceder, o primeiro-ministro está pronto para acionar o artigo 155 da Constituição para suspender a autonomia da Catalunha a partir de sexta-feira.

Diante da ordem de prisão de dois ativistas do movimento pela independência, Jordi Cuixart, da Assembleia Nacional Catalã, e Jordi Sánchez, da Òmnium, Puigdemont declarou à noite que "agora a Espanha tem presos políticos".

Juíza manda prender dois ativistas da independência da Catalunha

A juíza espanhola Carmen Lamela decretou hoje a prisão preventiva e sem fiança dos líderes da Assembleia Nacional Catalã (ANC), Jordi Sánchez, e da Òmnium, Jordi Cuixart, as principais organizações por trás do movimento pela independência da região, noticiou o jornal La Vanguardia, de Barcelona. 

Eles são acusados de sedição por incitar as massas a boicotar a operação para impedir a realização do plebiscito sobre a independência em 1º de outubro, crime continuado e obstrução de justiça. O chefe da polícia autônoma los Mossos d'Esquadra, Josep Lluís Trapero, recebeu apenas medidas cautelares.

Ao justificar sua decisão, a juíza responsabilizou os dois pelas concentrações de populares em 20 e 21 de setembro em determinados pontos de Barcelona para evitar a ação da Guarda Civil da Espanha, que pretendia realizar várias prisões, buscas e apreensões.

"Uma multidão se concentrou diante dos prédios a serem revistados" a pedido de várias associações soberanistas, "sendo as mais destacadas por sua capacidade de mobilização as realizadas pelos líderes das organizações independentistas ANC e Òmnium", acrescentou Lamela.

Mais de 40 mil pessoas convocadas pelas redes sociais se reuniram diante do Departamento de Economia da Generalitat da Catalunha, para protestar contra a prisão de 11 altos funcionários supostamente responsáveis pela logística do plebiscito. Alguns manifestantes furaram pneus e depredaram veículos "para parar a Guarda Civil", reportou o jornal El País, de Madri.

"A finalidade imediata das pessoas que protagonizaram os atos de 20 e 21 de setembro estava orientada a impedir que funcionários da Justiça e e as Forças e Corpos de Segurança pudessem desenvolver suas funções de cumprimento da lei e das resoluções ditadas por uma autoridade no seio do procedimento judicial", escreveu a juíza.

Cuixart e Sánchez ficaram o dia inteiro à frente do protesto e quiseram "negociar" a liberdade dos suspeitos: "Tentaram negociar durante pelo menos cinco vezes com as forças de segurança, propondo diferente opções que convinham exclusivamente a seus fins políticos, mas nunca aceitaram as opções que os especialistas em segurança cidadã propunham para evitar ou diminuir os riscos."

A secretária da 13ª Vara de Instrução de Barcelona teve de deixar o Departamento de Economia da Generalitat por um terraço e se misturar ao público que saía de um teatro próximo, enquanto manifestantes mais exaltados depredavam três veículos da Guarda Civil, num prejuízo estimado em 135 mil euros.

Na parte relativa à "continuidade delitiva", a juíza argumenta que os dois "vêm operando dentro de um grupo organizado de pessoas, levando a cabo de forma contínua e reiterada atividades de colaboração ativa e necessária em relação com a atuação de pessoas, organizações e movimentos dirigida a lograr fora das vias legais a independência da Catalunha do resto da Espanha, num processo que ainda se encontra em marcha.""

Por fim, Carmen Lamela considera alta a possibilidade de que os acusados tentam "ocultar, alterar ou destruir provas".

O Código Penal da Espanha pune com até 15 anos de prisão quem "se organizar publicamente e em tumulto" para "impedir pela força ou fora das vias legais a aplicação das leis, ou para impedir qualquer autoridade, corporação oficial ou funcionário público, no exercício legítimo de suas funções ou em cumprimento de acordos, ou de resoluções administrativas ou judiciais".

Intervenção na Catalunha vai focar na polícia e nas finanças

Se decidir suspender a autonomia regional e intervir para evitar a independência da Catalunha, o primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, dará prioridade ao controle da polícia, los Mossos d'Esquadra, e das finanças da Generalitat, noticia hoje o jornal espanhol El País.

As primeiras medidas seriam aprovadas pelo governo espanhol nesta sexta-feira, dependendo da resposta do governador da Catalunha, Carles Puigdemont, se declarou ou não a independência. Como Puigdemont não deve responder nem sim nem não, a intervenção pode ser adiada.

O próximo passo seria a nomeação de um delegado do governo central para governar temporariamente a Catalunha, dissolver o govern e o Parlament, e convocar eleições gerais na província.

Até agora, nenhuma das partes dá sinal de ceder. Quando chegar a hora do diálogo, Rajoy poderá oferecer uma reforma do estatuto de autonomia para dar mais controle ao governo regional sobre suas finanças e infraestrutra.

O argumento econômico a favor da independência é que a Catalunha é a região mais próspera da Espanha depois de Castela, a região de Madri, e sofreu desnecessariamente com as políticas de austeridade adotadas para enfrentar a crise do euro desde 2011 pelo governo conservador de Rajoy.

Sem a Espanha, com a fuga de várias empresas e a necessidade de negociar a adesão à União Europeia a partir de zero, a economia da Catalunha, uma região com 7,5 milhões de habitantes e produto regional bruto de US$ 255 bilhões.

domingo, 15 de outubro de 2017

EUA e Coreia do Sul iniciam manobras aeronavais conjuntas

Diante do início nesta segunda-feira de manobras militares conjuntas dos Estados Unidos e da Coreia do Sul, a Coreia do Norte reiterou no fim de semana a ameaça de disparar mísseis contra a ilha de Guam, um território americano no Oceano Pacífico onde há uma base aérea e uma base naval, noticiou o jornal The New York Times.

Durante dez dias, o treinamento militar conjunto vai testar "as comunicações, a interoperacionalidade e a parceria" entre os dois países, declarou em nota a 7ª Frota dos EUA. As forças americanas são lideradas pelo grupo naval do porta-aviões Ronald Reagan. O submarino nuclear Michigan chegou sexta-feira ao porto de Busan para participar do exercício aeronaval.

As manobras começam no momento de maior tensão com a Coreia do Norte, que realizou seis testes nucleares desde 2006 e 16 testes de mísseis balísticos só neste ano, aumentando a ameaça de atacar diretamente o território dos EUA com armas atômicas.

Embora os EUA e a Coreia do Sul afirmem que são manobras meramente defensivas, a Coreia do Norte as encara como um ensaio para a invasão do país, especialmente depois das ameaças do presidente Donald Trump.

Em resposta, o regime norte-coreano estaria preparando um novo teste de mísseis, que pode ser realizado durante as manobras militares.

Para o pesquisador Kim Kwang Hak, do Instituto de Estudos Americanos do Ministério do Exterior da Coreia do Norte, os exercícios militares e os voos de bombardeiros estratégicos B-1 B na Península Coreana são atos de guerra que exigem "contramedidas".

"Já advertimos várias vezes que tomaremos medidas de autodefesa, inclusive um salvo de mísseis nas águas próximas ao território americano de Guam", relembrou o pesquisador, em entrevista à agência oficial de notícias norte-coreana. "As ações militares dos EUA fortalecem nossa determinação de que os EUA devem ser domados com fogo e deixam nossa mão perto do gatilho para disparar a mais dura das contramedidas."

Nos últimos meses, Trump trocou insultos com o ditador norte-coreano, Kim Jong Un, chegando até mesmo a desprezar os esforços diplomáticos do secretário de Estado, Rex Tillerson, que pressiona a China a enquadrar o regime comunista de Pionguiangue.

Se os EUA ou países aliados forem atacados, Trump ameaça reagir com "fogo e fúria" e "destruir totalmente" a Coreia do Norte. Seus assessores militares estimam que uma nova guerra da Coreia mataria pelo menos 1 milhão de pessoas.

Em meio a esse tiroteio verbal, a Coreia do Norte recrutou um exército de 6 mil hackers para a guerra cibernética. Os piratas cibernéticos norte-coreanos já fizeram ataques importantes e estão roubando centenas de milhões de dólares.

Tillerson: negociação com Coreia do Norte vai "até primeira bomba"

Por orientação do presidente Donald Trump, os esforços diplomáticos para neutralizar o programa nuclear da Coreia do Norte vão continuar "até cair a primeira bomba", afirmou neste domingo em entrevista à televisão americana CNN, o secretário de Estado americano, Rex Tillerson.

O secretário não deu importância a uma declaração de Trump dias atrás no Twitter aconselhando Tillerson a não perder tempo com o "pequeno fogueteiro", expressão derrogatória que usa para falar do ditador norte-coreano, Kim Jong Un.

Tillerson insistiu em que "o presidente deixou claro que é preciso continuar meus esforços diplomáticos". Ele estava na China, onde anunciou ter estabelecido canais de comunicação com o regime stalinista de Pionguiangue e foi desautorizado por Trump. Mesmo assim, ele acredita que "a China não está confusa com a posição dos EUA".

A ditadura comunista da Coreia do Norte fez seis testes nucleares e, só neste ano, 16 testes de mísseis. Nos dois últimos disparou mísseis que sobrevoaram o Japão.

Pior atentado da história da Somália deixa mais de 300 mortos

Dois caminhões-bomba explodiram ontem perto de um hotel e de ministério no centro de Mogadíscio. Mais de 300 pessoas morreram e outras 300 saíram feridas, noticiou a televisão pública britânica BBC. Foi o pior atentado da história da Somália. O país da região do Chifre da África vive em estado de anarquia desde 1991.

As maiores suspeitas recaem sobre a milícia extremista muçulmana Al Chababe (A Juventude), ligada à rede terrorista Al Caeda. "Eles não se preocupam com as vidas dos somalianos, mães, pais e filhos. Alvejaram a área mais povoada de Mogadíscio e só mataram civis", lamentou o primeiro-ministro Hassan ali Khayre.

O presidente interino Mohamed Abdullahi Mohamed decretou três dias de luto e fez um apelo desesperado por doações de sangue. Ele lidera um governo provisório que não controla nem a capital do país. Sobrevive sob a proteção de uma força de paz de 20 mil soldados da União Africana.

Durante a noite, equipes de resgate procuraram sobreviventes nas ruínas do Hotel Safari, bastante destruído. "É um dia triste. Isto mostra como eles são brutais e impiedosos e por que temos de nos unir contra eles", declarou o ministro da Informação, Abdirahman Omar, em entrevista a uma rádio local.

"Estes ataques covardes revigoram o compromisso dos Estados Unidos com a ajuda a nossos aliados da Somália e da UA no combate ao flagelo do terrorismo", declarou em nota o governo americano, somando-se à condenação ao ato terrorista.

O atentado aconteceu dois dias depois da visita do comandante militar dos EUA na África ao presidente da Somália e da queda do ministro da Defesa e do comandante do Exército por razões não reveladas.

Jovem conservador da Áustria será o líder mais jovem da Europa

Depois de um presidente da França com 39 anos, a Áustria elegeu hoje um chanceler (primeiro-ministro) de apenas 31 anos, o líder mais jovem da Europa. Ministro do Exterior, Sebastian Kurz lidera o Partido Popular Austríaco (ÖVP), conservador e democrata-cristão, que obteve 30,2% dos votos, bem acima dos 24% de 2013, de acordo com as projeções da televisão austríaca.

O maior avanço foi do Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ), de extrema direita, que passou de 20,5% para 26,8% dos votos, um pouco à frente do Partido Social-Democrata da Áustria (SPÖ), que caiu de 26,8% para 26,3%. Essa pequena vantagem da ultradireita pode não se confirmar quando terminar a contagem dos votos.

A ultradireita liderava as pesquisas até a ascensão de Kurz à liderança conservadora, em maio de 2017. A Áustria foi um dos países europeus mais afetados pela onda de refugiados das guerras no Oriente Médio. Em 2015, proporcionalmente à população, recebeu mais refugiados do que a Alemanha.

Assim, a imigração foi o tema dominante da campanha, como tinha sido na eleição presidencial do ano passado, quando o candidato independente Alexander Van der Bellen derrotou o ultradireitista Norbert Hofer no segundo turno, realizado duas vezes por ordem da Justiça

Hoje cerca de 6,4 milhões de austríacos foram às urnas eleger os 183 deputados do Conselho Nacional, a câmara baixa do parlamento do país. O dilema do jovem chanceler será com quem formar o governo, com a extrema direita ou com a social-democracia.

Estados vão à Justiça contra fim do subsídio à saúde nos EUA

Dezoito estados e o distrito federal recorreram a um tribunal federal da Califórnia, nos Estados Unidos, para barrar o decreto do presidente Donald Trump que cortou os subsídios federais ao programa do governo Barack Obama para garantir cobertura universal de saúde a todos americanos, noticiou o boletim de notícias PoliticusUSA.

Os subsídios reduzem o preço do seguro-saúde para os mais pobres. Chegariam a US$ 7 bilhões em 2017 e US$ 10 bilhões por ano nos próximos dez anos.

Trump também permitiu que as empresas vendam planos de saúde com cobertura apenas parcial para cobrar menos de pessoas jovens e sadias. Essas duas medidas devem aumentar muito os preços para idosos e pessoas com doenças graves, deixando-as fora do mercado.

Em sua estratégia de desmontar a Lei de Cobertura de Saúde a Preços Acessíveis, do governo Obama, o presidente já havia autorizado as empresas e os planos de saúde a não pagar anticoncepcionais por "objeção religiosa". Agora, tira os subsídios e permite oferecer coberturas parciais, com exclusões de doenças.

Pelos cálculos do Escritório de Orçamento do Congresso (CBO), um órgão bipartidário, mais de 20 milhões correm o risco de perder seus seguros-saúde nos próximos anos. O impacto sobre as camadas mais pobres será enorme.

"No que concerne aos subsídios, eu não quero enriquecer as companhias de seguro-saúde", justificou Trump. "Elas estão ganhando uma fortuna com esse dinheiro."

O presidente tenta assim minas o Obamacare, um programa bastante popular. Por isso, 18 estados ameaçados de perder subsídios que permitem oferecer um serviço de saúde melhor recorreram à Justiça: Califórnia, Carolina do Norte, Connecticut, Delaware, Kentucky, Illinois, Iowa, Maryland, Massachusetts, Minnesota, Nova York, Novo México, Oregon, Pensilvânia, Rhode Island, Vermont, Virgínia, Washington e o Distrito de Colúmbia.

Últimos terroristas sírios deixam a capital do Estado Islâmico

É o colapso total do califado. Com base num acordo fechado no sábado, cerca de 200 milicianos sírios abandonaram Rakka. A capital da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante caiu. Uns 300 voluntários estrangeiros aguardam ansiosamente seu destino. Restam ainda na cidade cerca de 400 civis usados como escudos humanos, noticiou a Agência France Presse (AFP).

O Conselho Civil de Rakka promete retirar os civis da cidade. Mais de 90% da cidade arrasada estão em poder das Forças Democráticas Sírias (FDS), uma milícia árabe-curda financiada, armada e treinada pelos Estados Unidos, que deram cobertura aérea na batalha com sua coalizão de 68 países.

Como os jihadistas estrangeiros não foram autorizados a deixar a cidade pela aliança liderada pelos EUA, o diretor do conselho civil, Omar Allouche, prevê "combates difíceis nos próximos dias". Os estrangeiros têm a opção de se render, mas querem ir para redutos do Estado Islâmico na província de Deir el-Zur. Seus países de origem não os querem de volta com medo de ações terroristas.

Pouco mais de três anos depois de junho de 2014, quando o Estado Islâmico tomou Mossul, a segunda maior cidade do Iraque, e proclamou a fundação de um califado com jurisdição universal, seu projeto de Estado morre com a queda de sua capital, Rakka.

O califado chegou a ter uma população estimada em 8 a 10 milhões de pessoas, uma área do tamanho da Grã-Bretanha e uma arrecadação mensal de US$ 90 milhões. Sua violência sem limites provocou reações das grandes potências.

Diante do genocídio do povo yazidi e da degola de americanos, em agosto de 2014, o presidente Barack Obama colocou os EUA na guerra contra o Estado Islâmico no Iraque e na Síria.

Em 30 de setembro de 2015, a Força Aérea da Rússia entrou na guerra civil da Síria. A pretexto de combater o terrorismo, Moscou evitou a queda da ditadura da Bachar Assad, bombardeando o Estado Islâmico onde ele enfrenta o regime sírio.

Sob bombardeio das duas mais poderosas forças aéreas do planeta, o Estado Islâmico não poderia resistir. Volta a ser apenas um grupo terrorista clandestino.

sábado, 14 de outubro de 2017

Odebrecht deu US$ 35 milhões à campanha de Maduro

Em vídeo divulgado pela ex-procuradora-geral da Venezuela Luisa Ortega Díaz, o ex-diretor-presidente da construtora Odebrecht no país, Euzenando Azevedo, afirma ter entregue US$ 35 milhões (R$ 112 milhões) à campanha eleitoral do presidente Nicolás Maduro em abril de 2013, um mês depois da morte do caudilho Hugo Chávez, noticiou o jornal espanhol El País.

Maduro teria enviado América Mata como intermediaria para negociar a entrega. Desde o início do ano, a imprensa venezuelana revela como a Odebrecht subornou políticos locais para conseguir obras e aditivos para aumentar o preço das obras. Azevedo confessou os crimes numa delação premiada no Brasil.

Sob ameaça do regime chavista depois de denunciar a fraudulenta Assembleia Nacional Constituinte convocada por Maduro, Luisa Ortega fugiu de lancha da Venezuela e esteve no Brasil, onde acusou o número dois do regime, o ex-presidente da Assembleia Nacional Diosdado Cabello, de receber US$ 100 milhões (R$ 319 milhões) em propina através de uma empresa espanhola em nome de dois primos.

As obras da Odebrecht no exterior eram financiadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

Ditadura de Maduro muda local de votação de 700 mil eleitores

Em mais uma manobra da ditadura de Nicolás Maduro para fraudar o resultado das urnas, dias antes das eleições estaduais de 15 de outubro de 2017, o Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela mudou, sem prévia notificação, os locais de votação de 700 mil eleitores. O processo foi acelerado na quarta e na quinta-feira, quando 400 mil eleitores foram realocados.

A oposição está oferecendo transporte para evitar a abstenção. O Departamento de Estado americano advertiu Maduro: "Os Estados Unidos e a comunidade internacional estão prestando a atenção nestas eleições", alertou a porta-voz Heather Nauert.

"Os EUA pedem ao regime que realize eleições livres e limpas", mas "estão preocupados com uma série de ações do CNE que põem em questão a limpeza do processo eleitoral", acrescentou a porta-voz.

No estado de Miranda, mais de 200 mil eleitores, cerca de 9% do total, foram realizados entre terça e quinta-feira. Em Caracas, quem votava desde 1989 na Metropolitana, uma universidade privada, agora terá de votar a quilômetros de distância, no alto de uma favela em Petare. Talvez não queira esperar horas na fila num local perigoso.

Apesar da manobra da ditadura, as pesquisas preveem a vitória da oposição em 21 dos 23 estados.

Irã promete respeitar acordo nuclear

Em discurso na televisão para responder ao presidente Donald Trump, o presidente Hassan Rouhani afirmou há pouco que o Irã vai manter a cooperação com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e cumprir o acordo para desarmar seu programa nuclear, assinado em 2015 com as cinco grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido, e Rússia) e a Alemanha.

O aiatolá apresentou uma longa lista de reclamações sobre interferência dos Estados Unidos nos assuntos internos do Irã, do golpe militar de 1953 e apoio à ditadura do xá Reza Pahlevi (1953-79) ao fornecimento de armas químicas a Saddam Hussein na Guerra Irã-Iraque (1980-88) e o abate de um avião de passageiros iraniano com 290 pessoas a bordo.

Rouhani também acusou Washington de apoiar uma ditadura tribalista na Arábia Saudita, responsabilizando o reino e aliados implicitamente pelo terrorismo sunita, e prometeu "continuar combatendo terroristas". É uma referência à guerra civil na Síria, onde o Irã apoia a ditadura de Bachar Assad, que alega estar enfrentando terroristas.

Trump corta subsídios ao programa de saúde do governo Obama

Em novos ataques ao programa do governo Obama para garantir cobertura universal de saúde aos americanos, o presidente Donald Trump cortou ontem os subsídios federais aos pobres e autorizou os planos de saúde a oferecerem coberturas parciais para reduzir o preço do seguro-saúde para jovens sadios. A contrapartida será um aumento para quem tiver doenças preexistentes graves.

Ao justificar sua decisão, Trump alegou há pouco que "os subsídios favorecem as empresas" e não os americanos mais pobres, que não têm dinheiro para pagar o seguro-saúde.

As duas medidas desmontam a Lei de Cobertura de Saúde a Preços Acessíveis, a grande conquista de política interna de Obama, para garantir acesso a tratamento médico para todos os americanos. Revogar o Obamacare é uma antiga aspiração do Partido Republicano. Trump tentar fazer por decreto o que o partido não conseguiu no voto no Congresso, observou o jornal The New York Times.

Com os subsídios federais, Obama criou mercados estaduais onde quem não tem seguro-saúde através do emprego pode comprar seu próprio plano. A lógica é que jovens sadios ajudem a compensar o custo da cobertura de idosos e pessoas com doenças graves.

Sem os subsídios, estes mercados devem entrar em colapso. As chamadas "reduções de pagamento para dividir custos" chegariam a US$ 9 bilhões em 2018 e a US$ 100 bilhões em uma década.

Ao todo, os republicanos pretendem cortar o orçamento do Medicaid, o programa de saúde para os pobres, em US$ 900 bilhões em dez anos. Em troca, Trump vai cortar impostos para os mais ricos e as grandes empresas.

"O governo não pode legalmente fazer estes pagamentos para dividir os custos", declarou a Casa Branca, acrescentando que "o Congresso precisa revogar e substituir a desastrosa lei do Obamacare e oferecer alívio real ao povo americano." O argumento aqui é que o orçamento para pagar os subsídios nunca foi aprovado.

Até agora, os republicanos não apresentaram uma alternativa ao Obamacare. Suas propostas tiram em dez anos a cobertura de saúde de pelo menos 20 milhões de americanos, de acordo com estimativa do Escritório de Orçamento do Congresso (CBO), um órgão bipartidário.

Como mostram os estudos de economia comportamental que deram o Prêmio Nobel de Economia de 2017 ao americano Richard Thaler, a sensação de perda é muito maior do que a de carência porque a pessoa deixa de ter algo com que contava.

O impacto político do fim do Obamacare pode abalar seriamente a popularidade da direita republicana nas eleições de 2018. Se Trump perder a maioria no Congresso, diante dos erros e desatinos do presidente, o impeachment passa a ser uma possibilidade real.

Trump nega que Irã esteja cumprindo acordo nuclear

Em mais um pronunciamento que isola os Estados Unidos do resto do mundo, com a exceção de Israel e da Arábia Saudita e aliados, o presidente Donald Trump anunciou há pouco na Casa Branca que não certificará que o Irã está cumprindo o acordo firmado em 2015 com todas as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas e a Alemanha para desarmar seu programa nuclear.

Trump acusou a república islâmica de desonrar o acordo, contrariando as posições de seus próprios secretário de Estado e da Defesa, da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e dos demais países signatários do acordo (Alemanha, China, França, Reino Unido e Rússia), mas não retirou os EUA. Ele pediu ao Congresso a adoção de novas sanções ao Irã, que chamou de "maior patrocinador do terrorismo internacional", o que não é verdade.

A grande ameaça terrorista hoje vem de grupos extremistas muçulmanos sunitas como a rede Al Caeda e o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, enquanto o Irã é xiita. Apoia grupos como a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus), mas muito menos e com impacto internacional muito menor do que as monarquias petroleiras sunitas.

Nos últimos dias, o secretário da Defesa, general James Mattis; o secretário de Estado, Rex Tillerson; e o comandante do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, general Joseph Dunford; declararam ao Congresso que o Irã está cumprindo o acordo.

O presidente também denunciou a Guarda Revolucionária do Irã, a tropa de choque da ditadura teocrática iraniana, de ser um grupo terrorista. Isso autoriza os EUA a retaliar quaisquer empresas que façam negócios com companhias ligadas à guarda.

A rejeição do acordo dificulta outras negociações internacionais dos EUA, especialmente com a Coreia do Norte. Qual o sentido de negociar com os EUA, se o próximo governo americano romper o acordo?

Até mesmo o ex-primeiro-ministro israelense Ehud Barak, que descreve o acordo como ruim, é a favor de mantê-lo por entender que é preciso respeitar acordos internacionais.

O acordo nuclear com o Irã e a Parceria Transpacífica para criar uma zona de livre comércio, as duas grandes realizações de política externa do governo Barack Obama, estão sendo descartadas por Trump. O fim do acordo do Pacífico foi um dos primeiros atos de Trump. O acordo com o Irã não foi abandonado, mas o presidente deixa clara a intenção de fazer grandes mudanças, o que não parece negociável.

Alto comando do Estado Islâmico foge para enclave perto de Israel

Com a destruição do califado no Norte da Síria e no Iraque, vários altos comandantes da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante se reagruparam no Sul da Síria, perto da fronteira de Israel nas Colinas do Golã, ocupadas na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e anexadas em 1981, noticiou o Canal 2 da televisão israelense.

O Estado Islâmico montou um centro de treinamento com cerca de 300 jovens recrutados entre a população local. Entre os comandantes, está Abu Hamam Jazrawi, um dos principais responsáveis pelo recrutamento de novos voluntários para a "guerra santa" e o martírio.

A base também está sendo usada para as campanhas de propaganda do Estado Islâmico na Internet, antes centralizadas em Rakka, na Síria, o capital do califado, praticamente tomada pelas Forças Democráticas Sírias (FDS), uma milícia árabe-curda financiada, armada e treinada pelos Estados Unidos.

Desde o início da guerra civil na Síria, em março de 2011, Israel promete impedir grupos extremistas muçulmanos de montar bases perto de suas fronteiras.

Em novembro do ano passado, o primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu reafirmou que "Israel não vai permitir que o Estado Islâmico ou qualquer outro inimigo, sob a cobertura da guerra na Síria, se estabeleça perto das nossas fronteiras."

Naquela época, houve o primeiro confronto direto entre o Estado Islâmico e as Forças de Defesa de Israel, uma troca de tiros ao longo das Colinas do Golã seguida de um bombardeio aéreo que matou quatro milicianos.

Duas milícias extremistas muçulmanas tem há anos bases na Síria perto da fronteira com Israel: o Exército de Khaled ibn al-Walid, ligado do Estado Islâmico; e Jabhat Fatah al-Sham (Frente de Combate do Levante), a antiga Frente al-Nusra, afiliada à rede terrorista al Caeda.

Apesar da relativa tolerância, Israel está atento. Respondeu a todos os ataques que extravazaram as fronteiras sírias durante a guerra civil. Está preparado para reagir a quaisquer ataques através das fronteiras.

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Trump ameaça retirar ajuda federal dos EUA a Porto Rico

Em mais uma de suas tiradas no Twitter, o presidente Donald Trump ameaçou retirar a ajuda federal dos Estados Unidos a Porto Rico, um Estado livre associado e uma ilha arrasada por dois furacões de categoria 5 semanas atrás.

"Não podemos manter a Agência Federal de Gestão de Emergências (FEMA), os militares e a Defesa Civil, que tem feito um trabalho surpreendente (sob as circunstâncias mais difíceis), em Porto Rico para sempre", atacou o presidente, falando também da falência do governo da ilha.

Apesar da ajuda, três semanas depois do furacão Maria, cerca de 80% dos porto-riquenhos continuam sem energia elétrica e telecomunicações. A FEMA está distribuindo 200 mil refeições por dia. Mas, como 2 milhões de pessoas precisam de ajuda alimentar, são necessárias de 2 a 3 milhões de refeições por dia.

A jornalista Rachel Maddow, do canal de notícias a cabo MSNBC, resumiu assim a história: "Há uma semana, o presidente foi a Porto Rico, jogou toalhas de papel para as pessoas e congratulou Porto Rico pelo fato de que o total de mortos era de apenas 16.

"Bem, o total de mortos agora é 48", acrescentou Maddow, "e não por que o furacão tenha continuado a atingir a ilha. É 48 e continua a subir, inclusive com as primeiras mortes causada por doenças tratáveis transmitidas por água contaminada. No momento, sabemos que cidades inteiras estão há semanas subsistindo com água de riachos e fontes.

"Esse foi um grande furacão, causou danos enormes, mas estes são os EUA e as mortes que estão acontecendo agora não são resultado do furacão. As mortes que estão acontecendo agora são resultado da resposta ao furacão, que foi um desastre operacional", concluiu a jornalista.

As recentes declarações de Trump se eximindo de responsabilidade revoltaram mais uma vez a prefeita de São João, a capital de Porto Rico. "É impossível imaginar que o país mais poderoso da Terra não possa levar água a uma ilha pequena como Porto Rico", lamentou a prefeita Carmen Yulín Cruz. Se na discussão anterior, ela dissera não ter tempo para a "pequena política", hoje chamou Trump de "odiador-chefe da República", incapaz de mandar uma mensagem de paz e tranquilidade na hora da tragédia.

Guerra contra as drogas mina popularidade de Duterte nas Filipinas

Depois de mais de 12,6 mil mortes em sua guerra contra o tráfico e o uso de drogas em ano e quatro meses de governo nas Filipinas, a popularidade do presidente populista Rodrigo Duterte caiu pela primeira vez abaixo de 50%. Há uma fadiga com seu estilo arbitrário, autoritário e violento e estagnação da economia.

Em pesquisa do instituto Social Weather Stations realizada em 8 de outubro, só 48% dos filipinos se declararam satisfeitos com o presidente filipino, contra 66% no segundo trimestre do ano. Foi a primeira queda de popularidade significativa desde a posse de Duterte, em junho de 2016.

"O ambiente negativo ao redor da guerra às drogas e a falta de resultados positivos em outras áreas aumentam a frustração popular com o governo", explicou Eufrasia Taylor, analista da empresa de consultoria Varisk Maplecroft. "O que está acontecendo com o emprego, a infraestrutura e a corrupção? Essas coisas estão sendo negligenciadas em meio à guerra às drogas e o custo está chegando."

Uma grande marcha contra a imposição da lei marcial na cidade de Marawi reuniu dezenas de milhares de pessoas em 21 de setembro. Se a popularidade de Duterte continuar em queda, vai afetar outros planos do governo, como a reforma do sistema de impostos.

O investimento externo direto caiu 90,3% no primeiro semestre de 2017. A União Europeia está revisando seus acordos com as Filipinas por causa do desrespeito aos direitos humanos pelo governo Duterte. Se a UE retirar as preferências tarifárias "será um golpe nas Filipinas que vai mostrar as consequências reais da deterioração dos direitos humanos no país", acrescentou Eufrasia Taylor.

EUA e Israel abandonam a Unesco citando viés anti-israelense

O governo Donald Trump anunciou hoje a decisão de retirar os Estados Unidos da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco) por causa de seu suposto "contínuo viés anti-israelense". Israel vai seguir o exemplo.

"Não foi uma decisão tomada facilmente", declarou o Departamento de Estado, citando, além da questão israelense, "a necessidade de reformas profundas" e "as dívidas crescentes" da Unesco.

A retirada será no fim de 2018. Como observador não membro, os EUA poderão dar ajuda e assistência técnica à organização.

"É uma decisão moral corajosa", afirmou o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, aplaudindo e aderindo à decisão americana. "A Unesco virou um teatro do absurdo. Em vez de preservar a história, a distorce."

Mais conhecida por designar os lugares considerados patrimônio histórico, artístico e cultural da humanidade, a Unesco fez campanhas para erradicar o analfabetismo e promover a educação, a educação sexual e a igualdade da mulher, informa a revista americana National Geographic.

Em declaração escrita, a diretora-geral da Unesco, a ex-ministra búlgura Irina Bokova, lamentou a saída dos EUA: "A universalidade é crítica para a missão da Unesco de fortalecer a paz e a segurança internacionais em face do ódio e da violência, defender os direitos e a dignidade humanas."

Não é a primeira vez que os EUA deixam a Unesco. Em dezembro de 1984, o então presidente Ronald Reagan retirou o país sob a alegação de que a entidade era contra Israel e contra o capitalismo liberal. Os EUA voltaram em 2002, depois da comoção internacional e das manifestações de solidariedade por causa dos atentados terroristas de 11 de setembro e 2001.

Desde 2011, em protesto contra a admissão da Palestina, os EUA não dão sua contribuição financeira à Unesco. A dívida está em US$ 600 milhões.

A saída da Unesco é parte de uma visão de mundo isolacionista da ultradireita americana. O governo Trump trabalha ativamente para minar o sistema multilateral criado pelos EUA sob a inspiração do presidente Franklin Roosevelt e as organizações, vistas sob como empecilhos à atuação do país no mundo.

Outro exemplo é a Organização Mundial do Comércio (OMC), onde os EUA bloqueiam a indicação de juízes para o painel de solução de conflitos, o tribunal do sistema multilateral de comércio, porque não poder vetar suas decisões.

O mecanismo de solução de conflitos foi o grande avanço da OMC, criada em 1994. Era uma reivindicação de longo prazo dos EUA.

Trump vai contra as organizações internacionais partindo do pressuposto de que os EUA têm mais a ganhar em negociações bilaterais diretas com cada país. É uma visão estreita das relações internacionais como se fosse o mundo dos negócios.

Bombardeiros estratégicos dos EUA sobrevoam Península da Coreia

Em uma demonstração de força, dois aviões bombardeiros estratégicos B-1B da Força Aérea dos Estados Unidos sobrevoaram ontem a Península da Coreia e simularam ataques de mísseis no Mar do Japão, perto da costa leste, antes de se juntar a dois jatos da Coreia do Sul para fazer o mesmo treinamento no Mar Amarelo, perto da costa oeste.

Os dois bombardeiros supersônicos, B-1B saíram da base aérea da ilha de Guam, um território americano no Oceano Pacífico ameaçado, pelo ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Un, de ser alvo de uma chuva de mísseis nucleares.

Depois do treinamento na Coreia do Sul, os bombardeiros dos EUA fizeram outro exercício, com caças-bombardeiros do Japão. Foi a primeira vez em que bombardeiros americanos treinaram na mesma noite com as forças aéreas da Coreia do Sul e do Japão.

Esses dois países são os maiores aliados dos EUA na região. Estão sob a ameaça direta das armas nucleares e dos mísseis do regime stalinista de Pionguiangue.

A demonstração de força veio no momento em que um deputado sul-coreano revelou que a pirataria cibernética da ditadura comunista norte-coreana permitiu roubar os planos dos EUA e da Coreia do Sul para uma possível guerra contra a Coreia do Norte.

O jornal Global Times, principal porta-voz do regime comunista chinês para questões internacionais, manifestou grande preocupação com o risco de  um "erro de julgamento fatal", capaz de deflagrar uma guerra, dado o tiroteio verbal permanente entre Trump e Kim. A China é a maior aliada da ditadura norte-coreana.

"A comunidade internacional não vai aceitar a Coreia do Norte como potência nuclear. A Coreia do Norte precisa de tempo e de garantias para acreditar que abandonar seu programa nuclear vai contribuir para seu próprio avanço político e econômico", aconselhou o jornal chinês.

"A guerra", acrescentou, "seria um pesadelo para a Península Coreana e arredores. Fazemos um forte apelo aos EUA e à Coreia do Norte para parar com a postura belicosa e pensar seriamente nuam solução pacífica."

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Trump ameaça cassar licença de rádios e televisões

Em mais uma ameaça às liberdades democráticas, o presidente Donald Trump sugeriu hoje que o governo federal dos Estados Unidos poderia revisar e até revogar as licenças de operação das emissoras de rádio e televisão por divulgar "notícias falsas".

"As redes de notícias se tornaram tão partidárias, distorcidas e falsas que as licenças deveriam ser revisadas e, se apropriado, revogadas. Não é justo com o público", escreveu Trump no Twitter.

Durante um breve encontro com os repórteres ao receber na Casa Branca o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, o presidente comentou que é "desagradável que a imprensa seja capaz de escrever o que quiser".

O presidente dos EUA não tem poder para revogar licenças de funcionamento de emissoras de rádio e televisão. Elas são dadas pela Comissão Federal de Comunicações, que autoriza o funcionamento de emissoras locais, não de redes nacionais. Depois, as emissoras se associam às redes.

A Emenda nº1 à Constituição dos EUA garante ampla liberdade de expressão, de religião, de associação para fins pacíficos e de processar o governo para garantir os direitos individuais. O Congresso dos EUA está proibido de legislar sobre liberdade de imprensa.

Rajoy dá cinco dias a Catalunha para dizer se declarou independência

O primeiro-ministro conservador da Espanha, Mariano Rajoy, deu hoje um prazo de cinco dias ao governador regional da Catalunha, Carles Puigdemont, para que "confirme se ontem declarou ou não a independência". Se a independência for confirmada, Rajoy pode aplicar o artigo 155 da Constituição da Espanha e cancelar a autonomia regional da Catalunha no dia 19.

"Se Puigdemont voltar à legalidade, se porá fim a esta época de incerteza e voltará o sossego", afirmou o chefe de governo espanhol, citado pelo jornal La Vanguardia, de Barcelona. "Puigdemont tem também a oportunidade de atender ao clamor que chega de tantos lugares para recuperar a convivência na Catalunha."

Foi uma das declarações de independência mais calhordas da história. O governador catalão anunciou a independência, mas suspendeu seus efeitos temporariamente para dar um prazo à negociação com o governo central espanhol.

Na prática, Puigdemont declarou a independência e propôs negociações em que só aceita um resultado, sem dar qualquer margem de negociação a Madri. Rajoy, por sua vez, não parece disposto a fazer qualquer concessão.

Uma solução negociada exigiria a reforma do estatuto de autonomia para dar autonomia financeira à Catalunha, aplacando as causas econômicas da independência. Isso parece distante. Se acabar com a autonomia e impuser o controle central de Madri, Rajoy pode convocar eleições antecipadas para dissolver o atual governo catalão.

O Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), o maior da oposição, apoiou o governo conservador.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Trump volta a insultar o secretário de Estado

Em mais uma declaração ultrajante, o presidente Donald Trump afirmou ser mais inteligente do que o secretário de Estado, Rex Tillerson, que o teria chamado de "idiota" e pensado seriamente em abandonar o cargo.

Do alto de sua arrogância, depois de dizer várias vezes que era uma notícia falsa, o presidente sem limites decidiu responder assim mesmo, em entrevista à revista Forbes: "Penso que é uma notícia falsa, mas, se ele disse isso, temos de comparar os testes de quociente intelectual. E posso dizer quem vai ganhar."

Com a habitual autossuficiência, Trump anunciou para breve "um projeto de lei de desenvolvimento econômico que eu acredito que será fantástico que ninguém sabe a respeito, que você está ouvindo falar pela primeira vez."

A fórmula mágica: "São incentivos de desenvolvimento econômico para empresas, incentivos para as empresas ficarem aqui" e "punições severas" para as que deixarem os Estados Unidos. "É um incentivo para que fiquem. Mas talvez seja mais do que isso - se você sair, será muito difícil vender seus produtos no país."

O primeiro presidente vindo diretamente do setor empresarial, representante de um partido que durante décadas defendeu o capitalismo e o livre comércio, quer punir ou recompensar empresas com base no local onde instalam suas fábricas, comenta a Forbes com surpresa.

Trump é um reciprocitário simplista: "Se alguém está cobrando 50%, você tem de cobrar 50%", uma lógica rejeitada por defensores do liberalismo econômico.

Governador da Catalunha declara independência

Depois de dizer que as instituições da Espanha estão fechadas ao diálogo e que suas relações com a Catalunha não funcionam mais, o governador regional Carles Puigdemont afirmou há pouco que é preciso respeitar o resultado do plebiscito de 1º de outubro e declarou a independência da região, mas pediu a suspensão temporária de seus efeitos para negociar com o governo espanhol.

"Quero seguir a vontade do povo da Catalunha de se tornar um Estado independente", declarou Puigdemont. "Propomos a suspensão dos feitos da declaração de independência para trabalhar de modo a pôr em prática o resultado do plebiscito. Hoje, estamos fazendo um gesto de responsabilidade em favor do diálogo", acrescentou.

"Apelo à responsabilidade de todos. Ao governo espanhol, peço que aceite a mediação", argumentou Puigdemont, propondo uma suspensão temporária das medidas da independência para permitir uma negociação com o governo central de Madri.

Puigdemont voltou a pedir à União Europeia que seja mediadora das negociações, mas a Europa trata a crise como um problema interno da Espanha e não quer estimular mais movimentos de independência no continente.

Ele trocou o catalão pelo espanhol para alegar que "não somos criminosos, não somos loucos. Nós somos gente normal, só queremos votar. Estamos prontos para conversar e dialogar. Não temos nada contra a Espanha. Queremos um melhor entendimento com a Espanha. A relação não funciona há anos e agora é insustentável."

Pela Constituição de 1978, a Espanha é um Estado unitário com regiões autônomas e plebiscitos sobre independência devem ser votados por todo o país. Por isso, o governo central e o Tribunal Constitucional consideraram inválido o plebiscito de 1º de outubro.

FARC se registram como partido para disputar eleições de 2018

Altos dirigentes das agora desmobilizadas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) registraram o grupo oficialmente ontem no Conselho Nacional Eleitoral, em Bogotá, como partido político, um dos pontos centrais do acordo de paz para acabar com quase 70 anos de guerra civil no país. O novo partido, as Forças Alternativas Revolucionárias do Comum, mantém a sigla FARC.

"Entregamos toda a documentação, inclusive o certificado de entrega das armas do Mecanismo de Monitoramento das Nações Unidas e os outros documentos exigidos pela legislação", declarou o dirigente Jairo Estrada.

Os ex-guerrilheiros preparam agora lista de candidatos do partido à Câmara e ao Senado. Ainda não decidiram se lançam candidato à Presidência. O subcomandante Iván Márquez, principal negociador das FARC, disse que o grupo está pronto a trabalhar com outros partidos para "superar a ordem social antiga e injusta".

Mais de 500 mil pessoas morreram desde que o assassinato do candidato liberal à Presidência da Colômbia Jorge Eliécer Gaitán foi morto em Bogotá, em 9 de abril de 1948. Mais de 2 mil pessoas foram mortas nos dias seguintes, no chamado Bogotazo, e entra 200 e 300 mil na década seguinte, conhecida na Colômbia como o período de La Violencia.

Naquela época, as oposições liberais e de esquerda foram para a clandestinidade para lutar contra o conservadorismo colombiano. No meio da guerra civil, em 1964, nasceram as FARC, como braço armado do Partido Comunista Colombiano, alinhado à União Soviética.

Com o declínio do comunismo como ideologia e o fim da URSS, em 1991, as FARC acabaram se aliando a máfias do tráfico de drogas para financiar a luta armada. Isso permitiu sua sobrevivência muito além dos outros grupos guerrilheiros de esquerda que tentaram tomar o poder na América Latina.

Governo Trump acaba com Plano de Energia Limpa de Obama

O governo Donald Trump toma medidas hoje para acabar com o Plano de Energia Limpa do presidente Barack Obama para reduzir as emissões de gases carbônicos para geração de energia elétrica em 32% até 2030 em relação a 2005, anunciou ontem o diretor da Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos Estados Unidos, Scott Pruitt.

"A guerra ao carvão acabou", afirmou Pruitt. "Amanhã [hoje], em Washington, vou assinar uma proposta para rever o Plano de Energia Limpa. Não há melhor lugar para fazer este anúncio do que em Hazard, no Kentucky."

Era a grande aposta do governo Obama para cumprir o Acordo do Clima assinado em Paris em 2015.  Em 1º de junho deste ano, Trump anunciou nos jardins da Casa Branca a retirada dos EUA do Acordo de Paris, que prevê a adoção de metas voluntárias por todos os países signatários para reduzir as emissões de gases carbônicos e assim conter o aquecimento do planeta. O processo de retirada leva quatro anos.

É mais uma tentativa de Trump de destruir o legado de seu antecessor sem propor nada construtivo em troca, numa política de terra arrasada, e um triunfo pessoal de Pruitt. Como procurador-geral de Oklahoma, ele liderou mais de 20 estados numa ação contra o governo federal.

Pruitt alegava desde aquela época que o governo Obama e seus antecessores na EPA extrapolaram seus poderes para impor regras que limitem a emissão dos gases que agravam o efeito estufa. A agência só teria o direito de fiscalizar a eficiência das usinas e não de induzir uma transição para fontes não poluentes.

O governo Trump afirma que o fim do Plano de Energia Limpa vai representar uma economia de US$ 33 bilhões.

As usinas termelétricas de carvão e gás natural são responsáveis por um terço das emissões de dióxido de carbono dos EUA. Com o plano, Obama tentava acelerar a transição para fontes renováveis como as energias do sol e do vento.

Um estudo da empresa de consultoria e pesquisa Rhodium Group estimou a queda na emissão de gases de efeito estufa para geração de energia nos EUA entre 2005 a 2030 em 27% a 35%. Se o Plano de Energia Limpa fosse mantido, 21 estados teriam de fazer um esforço maior - inclusive o Texas, a Geórgia, a Pensilvânia e a Virgínia Ocidental. Neste caso, a queda iria além da meta de 32%.

"As usinas de energia elétrica que queimam combustíveis são uma das maiores fontes de poluição e mudança do clima no país. A ciência, o senso comum e a lei ditam que a EPA deve tomar medidas para reduzir estas emissões", declarou o procurador-geral de Nova York, Eric Schneiderman. "Vou usar todos os instrumentos legais para combater esta proposta perigosa."

Trump cobra caro para proteger "sonhadores"

O governo Donald Trump enviou domingo ao Congresso uma proposta de política anti-imigração ilegal com medidas duras em troca de qualquer acordo para proteger os chamados "sonhadores", crianças e jovens que eram menores de idade quando entraram ilegalmente com suas famílias nos Estados Unidos.

Em 5 de setembro, o secretário da Justiça, Jeff Session, anunciou a revogação da Ação Diferida para Chegadas na Infância (DACA), um programa do governo Barack Obama para proteger 800 mil jovens ilegais. Muitos passaram a maior parte de suas vidas nos EUA e não têm grande ligação com seu país de origem.

Entre as exigências de Trump, estão dinheiro para construir um muro na fronteira com o México, verba para contratar mais 10 mil guardas de fronteira, regras mais duras para concessão de asilo político e o fim da ajuda federal para "cidades santuários", que não colaboram com as autoridades federais na caçada aos imigrantes ilegais. O México não vai pagar pelo muro como o presidente prometeu na campanha.

A Casa Branca também exige que as empresas usem o sistema de verificação E-Verify para não contratar imigrantes ilegais, impedir o acesso aos EUA da família extensa (avós, tios e primos) dos imigrantes que regularizaram a situação e fechar a fronteira para centenas de milhares que menores que fugiram da violência na América Central nos últimos anos.

Com a guerra do México contra as drogas, vários cartéis do tráfico transferiram parte de suas atividades para a América Central, onde países muito menores não tem recursos para enfrentar o seu poder financeiro e seu poder de fogo.

Honduras e El Salvador estão hoje entre os países mais violentos do mundo fora de zonas de guerra. Isso gerou uma migração de menores centro-americanos para os EUA.

Pelas regras atuais, se entrarem em território americano, esses menores têm o direito a uma audiência na Justiça para contar sua história e pedir asilo, num processo que pode durar até dois anos. Trump quer o direito de bloquear a entrada ou deportar sumariamente essas crianças.

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Economia comportamental dá Nobel a americano Richard Thaler

Se alguém prometer uma maçã hoje e duas amanhã, o lógico seria esperar até amanhã para ter o dobro da recompensa. Mas sempre existe o risco de que amanhã não haja coisa alguma. A ciência econômica parte do princípio de que as decisões humanas são racionais. Nem sempre é assim. Os seres humanos geralmente preferem a gratificação imediata.

A relação entre economia e psicologia, a economia comportamental, deu hoje o Prêmio Nobel da Paz ao americano Richard Thaler, de 72 anos professor da Universidade de Chicago, nos Estados Unidos.

"Richard Thaler incorporou hipóteses psicologicamente realistas na análise das tomadas de decisões", declarou a Academia Real de Ciências da Suécia ao anunciar a premiação. Seus estudos "permitiram construir uma ponte entre a economia e a análise psicológica das decisões dos indivíduos".

Às vezes, basta um empurrãozinho. Na Áustria, por lei, todos são doadores de órgãos, a não ser que expressem claramente a intenção de não doar; 99% dos austríacos são doadores de órgãos. Na Alemanha, onde as pessoas têm de declarar se pretendem ser doadores, só 23% fazem isso.

Nos livros Nudge, publicado no Brasil como Nudge: o empurrão para a escolha cerca, e Comportando-se Mal, Thaler defende uma intervenção sutil em mercados ineficientes, contrariando a doutrina neoliberal, que argumenta que os mercados são eficientes em si mesmos e devem ser deixados livres da ação governamental. Sua conclusão: o mercado é tão irracional quanto o homem.

Em entrevista ao jornal The New York Times, Thaler afirmou que, "para fazer boa economia, é preciso ter em mente que as pessoas são humanas. A lição mais importante é que os agentes econômicos são seres humanos e os modelos econômicos têm de incluir isso".

À Academia da Suécia, quando perguntaram o que faria com o US$ 1,1 milhão do prêmio (R$ 3,45 milhões), ele disse: "Tentarei gastar da maneira mais irracional possível."

O Nobel de Economia não fazia parte do grupo original de prêmios em homenagem a Alfred Nobel. Oficialmente, chama-se Prêmio do Banco da Suécia em Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel.

Vice-presidente dos EUA se retira de jogo de futebol americano

Foi um protesto contra o protesto, uma jogada de marketing político. O vice-presidente Mike Pence se retirou ontem de um jogo da Liga Nacional de Futebol dos Estados Unidos (NFL) entre o Indianapolis Colts e o San Francisco 49ers. Saiu quando vários jogadores do 49ers se ajoelharam na hora da execução do hino nacional, em protesto contra a discriminação racial e a brutalidade policial contra os negros nos EUA.

Na temporada passada, o quarto-zagueiro Colin Kaepernick, do 49ers, se ajoelhou na hora do hino. Seu contrato não foi renovado.

A polêmica voltou quando o melhor jogador do campeonato da Associação Nacional de Basquete dos EUA (NBA) deste ano, Stephen Curry, do Golden State Warriors, declarou não saber se aceitaria o convite para a recepção tradicional dos campeões nacionais na Casa Branca. Tudo por causa das declarações de Trump, especialmente depois das manifestações de neonazistas em Charlottesville, na Virgínia, quando o presidente acusam "os dois lados".

Indignado, o presidente Donald Trump retirou o convite aos campeões da NBA e criticou os donos dos clubes de futebol americano por não demitir imediatamente os "filhos da puta" que se ajoelhem na hora do hino. Nos dias seguintes, mais de 100 jogadores da NFL se ajoelharam ou enlaçaram os braços em solidariedade e em desafio ao presidente.

No Twitter, Trump acusou a NFL de estar falida, perdendo audiência. Criticou até mesmo regras para proibir determinados tipos de choques e assim proteger os atletas por orientação médica.

A segunda maior estrela da NBA, Lebron James, do Cleveland Cavaliers, atacou o presidente, dizendo que "era uma honra ser recebido na Casa Branca até você chegar lá."

Agora, o vice-presidente arquiconservador Mike Pence entra na briga, jogando para a plateia ultranacionalista que elegeu Trump. Pelo Twitter, o presidente revelou ter pedido a seu vice que saísse do estádio, ou seja, tudo não passou de uma jogada de marketing do governo.

"Deixei o jogo do Colts hoje porque o presidente dos EUA e eu não vamos dignificar nenhum evento que desrespeite nossos soldados, nossa bandeira e nosso hino nacional", afirmou Pence no Twitter, o meio de comunicação favorito do governo Trump.

O custo da viagem foi de US$ 250 mil, quase R$ 800 mil.

domingo, 8 de outubro de 2017

Ditador Kim Jong Un nomeia irmã para o Politburo da Coreia do Norte

Num gesto que reforça a ditadura familiar, o líder Kim Jong Un nomeou sua irmã mais moça, Kim Yo Jong, para o Politburo, o escritório político do Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia do Norte, o pequeno grupo que dirige o país mais fechado do mundo. A promoção foi anunciada ontem pelo ditador numa reunião da cúpula do regime comunista, noticiou a televisão pública britânica BBC.

A família Kim governa a Coreia do Norte desde o fim da ocupação japonesa da Península Coreana com a derrota do Japão para os Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, em 1945. O Grande Líder Kim Il Sung comandava uma guerra de guerrilhas contra o Exército Imperial do Japão.

Em 9 de agosto de 1945, quando os EUA jogaram a segunda bomba atômica, em Nagasaque, o ditador soviético Josef Stalin declarou guerra ao Japão. A União Soviética invadiu quatro ilhas do Norte do Japão e o Norte da Coreia, onde instalou os comunistas no poder.

Quando a divisão foi sacramentada com a criação da Coreia do Norte e da Coreia do Sul, em 1948, Kim Il Sung se tornou fundador, ditador e pai da pátria, cultuado até hoje como um deus. Os nomes oficiais dos dois países, República da Coreia (Sul) e República Popular Democrática da Coreia (Norte), não refletem a divisão do país. Ambos reivindicam a soberania sobre toda a Península Coreana.

Esse impasse levou à guerra em 25 de junho de 1950, quando a Coreia do Norte invadiu o Sul. Com o apoio dos EUA, que até hoje tem um mandato do Conselho de Segurança das Nações Unidas para reunificar a Coreia, Seul foi reconquistada. Quando os EUA, invadiram o Norte, a China interveio e empurrou os americanos de volta para baixo do paralelo 38º Norte, restabelecendo a situação anterior à guerra.

O armistício foi assinado em 27 de julho pelo Comando da ONU na Coreia, o Exército Popular da Coreia e o Exército de Voluntários da China. Mas nunca foi firmado um acordo de paz definitivo. Por isso, até hoje, a ditadura stalinista norte-coreana chama o governo de Seul de "fantoche dos EUA". É o último conflito inacabado da Guerra Fria.

Kim Il Sung governou o Norte como um ditador até sua morte, em 8 de julho de 1994, quando a URSS havia acabado e o regime começava sua chantagem atômica para barganhar ajuda em energia e alimentos para sua econômica falida. A juche (autossuficiência), a pedra fundamental da ideologia do comunismo norte-coreano, entrava em colapso.

O Grande Líder Kim Il Sung foi sucedido pelo Querido Líder Kim Jong Il, que também governou até a morte, em dezembro de 2011.

No governo do segundo Kim, por iniciativa do ex-presidente Jimmy Carter encampada pelo governo Bill Clinton, os EUA começaram a negociar o desarmamento do regime stalinista de Pionguiangue.

Essa negociação foi rompida em 2003, depois que o então presidente George W. Bush colocou a Coreia do Norte num "eixo do mal" ao lado do Iraque e do Irã - e invadiu o Iraque. A Coreia do Norte e o Irã aceleraram seus programas de armas atômicas.

Em 2006, a Coreia do Norte fez seu primeiro teste nuclear. O segundo foi em 2009. Ao assumir o poder meses depois da queda do ditador Muamar Kadafi, que negociara o fim de seus programas de destruição em massa, o atual ditador decidiu acelerar o programa nuclear e o desenvolvimento de mísseis balísticos. Desde então, houve quatro testes nucleares e só neste ano 11 testes de mísseis.

As armas atômicas são hoje a garantia de sobrevivência do regime. Kim Yo Jong foi promovida alta funcionária do partido há 3 anos. Com 30 anos, a irmã do ditador chega ao núcleo do poder no lugar de uma tia. Até agora, ela era subdiretora do Departamento de Propaganda e Agitação, responsável pela imagem pública de Kim Jong Un.

O parentesco não é garantia de sobrevivência na ditadura de Kim Jong Un. Ele é acusado de mandar matar o irmão Kim Jong Nam, assassinado com veneno no aeroporto de Kuala Lumpur, na Malásia, e o tio Jang Song Thaek, que era considerado o segundo homem mais poderoso da Coreia do Norte até ser denunciado por traição e brutalmente executado em 2013.

Também foi promovido a membro pleno do Politburo, com direito a voto, o ministro do Exterior, Ri Yong Ho. Ele fez o pronunciamento da Coreia do Norte no mês passado na Assembleia Geral da ONU, quando chamou Donald Trump de "presidente diabólico" e o acusou de declarar guerra à Coreia do Norte.

Cerca de 350 mil marcham em Barcelona pela unidade da Espanha

Pelo menos 350 mil pessoas se manifestaram hoje nas ruas de Barcelona para defender a unidade da Espanha contra a independência da Catalunha, estimou a Guarda Urbana. Pelos cálculos da Sociedade Civil Catalã, entidade que convocou o protesto, foram 950 mil, noticiou o jornal La Vanguardia, de Barcelona.

A marcha começou por volta do meio-dia (7h em Brasília) aos gritos de "Viva Espanha e viva Catalunha!" e "Não somos fachas [fascistas], somos espanhóis!"

No fim do percurso, houve um comício com a participação do escritor Mario Vargas Llosa, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura. Ele foi candidato liberal à Presidência do Peru, derrotado por Alberto Fujimori no segundo turno, em 1990. Hoje, Fujimori está preso e condenado por corrupção e violação dos direitos humanos. Vargas Llosa virou um paladino em defesa da democracia liberal.

"Nenhuma conspiração independentista destruirá a democracia", bradou Vargas Llosa do alto do palanque, num discurso publicado na íntegra pelo jornal espanhol El País. O ex-presidente do Parlamento Europeu Josep Borrell, do Partido Socialista da Catalunha (PSC), defendeu a unidade da Espanha e os ideais da integração da Europa.

Borrell foi a exceção entre os socialistas. Nem o Podemos nem o PS participaram da marcha, que teve o apoio explícito do Partido Popular, do primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy, e do Cidadãos, liberal de centro-direita.

Depois do plebiscito do domingo passado, duramente reprimido pelo governo central espanhol, o governador regional da Catalunha, Carles Puigdemont, prometeu apresentar nesta terça-feira os resultados oficiais ao Parlamento, que  então proclamaria a independência.

Em resposta, o governo central de Madri pode revogar a autonomia da Catalunha, aplicando o artigo 155 da Constituição da Espanha.

sábado, 7 de outubro de 2017

Exército da Síria toma um dos últimos redutos do Estado Islâmico

Depois de dias de combates ferozes, com o apoio da Força Aérea da Rússia, o Exército da Síria e milícias aliadas entraram ontem na cidade de Mayadin, um dos últimos redutos urbanos da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante no Leste do país.

A queda de Mayadin será mais um duro golpe no Estado Islâmico, que desde o ano passado sofre uma derrota atrás da outra e vê o colapso do califado proclamado pelo líder Abu Baker al-Baghdadi. Os jihadistas resistem furiosamente. Pelo menos 15 civis morreram nos bombardeios aéreos russos.

De acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização não governamental de oposição com sede em Londres que monitora a guerra civil síria, os soldados e milicianos aliados entraram nos bairros do Oeste de Mayadin, onde tomaram um complexo de silos de armazenamento de trigo e o mercado da ovelhas.

Enquanto o Estado Islâmico perde territórios no Leste da Síria, no Centro do país, a vila de Abu Dali, na província de Hama, controlada pela ditadura de Bachar Assad, está sob ataque da milícia Tahrir al-Sham (Organização ou Comitê pela Liberdade do Levante), um grupo salafista jihadista ligado à rede terrorista Al Caeda.

Na sexta-feira, o Ministério da Defesa da Rússia acusou os Estados Unidos de ignorar a ação do Estado Islâmico na cidade de Tanfe, perto da fronteira com a Jordânia, acobertando na prática as atividades. A região teria se tornado um "buraco negro" de onde os jihadistas bombardearam a ofensiva síria na província de Deir el-Zur.

A tensão entre Rússia e EUA aumenta à medida que o Estado Islâmico vai sendo derrotado. O regime sírio, apoiado por Moscou, está de olho nas reservas de gás e petróleo da região, as maiores do país, enquanto Washington financia, treina e arma uma milícia árabe-curda, as Forças Democráticas Sírias.

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Trump autoriza planos a negar anticoncepcionais em nome da religião

Em mais um ataque às conquistas sociais do governo Barack Obama, o presidente Donald Trump autorizou as empresas e os planos de saúde a negarem o fornecimento de pílulas anticoncepcionais por motivos religiosos. Mais de 55 milhões de mulheres serão afetadas.

As novas diretrizes podem atingir os direitos da comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros). São o compromisso de uma promessa feita pelo presidente cinco meses atrás nos jardins da Casa Branca: "Não vamos deixar as pessoas de fé serem alvo, serem coagidas ou silenciadas", lembrou hoje o secretário da Justiça, Jeff Session.

Através de uma portaria, o Departamento da Saúde e Serviços Humanos revogou a obrigação de empresas de fornecer anticoncepcionais a suas funcionárias dentro de seus planos de saúde. Os empregados e planos podem alegar uma objeção religiosa.

Os procuradores-gerais da Califórnia, Xavier Becerra, e de Massachusetts, Martha Healey, dois estados tradicionalmente liberais, recorreram à Justiça tentando bloquear as medidas de Trump, que entraram em vigor imediatamente. Eles alegam que a Emenda nº 1 à Constituição dos EUA proíbe o governo de agir "em relação a uma religião estabelecida".

As estatísticas mostram que o número de abortos nos EUA diminuiu a partir de 2014 para o menor nível desde que foi legalizado pela Suprema Corte, em 1973.

Mercado de trabalho recua pela primeira vez em sete anos nos EUA

Pela primeira vez em sete anos, o número de empregos diminuiu nos Estados Unidos. Pode ser consequência dos furacões na Flórida e no Texas. O total de postos de trabalho diminuiu em 33 mil, revelou hoje o relatório oficial de emprego sobre o mês de setembro de 2017.

Nos 12 meses anteriores, a média havia sido de um saldo positivo 172 mil vagas abertas a mais do que fechadas. O índice de desemprego, medido em outra pesquisa, caiu de 4,4% para 4,2%. É a menor taxa desde o início de 2001.

A pesquisa por amostra de domicílios indica que 1,5 milhão de pessoas não se apresentaram no trabalho no mês passado por causa do mau tempo. Um dos setores mais afetados foi o de restaurantes, que fechou 105 mil vagas em setembro depois de registrar alta média de 29 mil vagas nos seis meses anteriores.

Os furacões e outras catástrofes naturais destroem riquezas, propriedades e o aparato produtivo, mas o esforço de reconstrução costuma ter um efeito positivo sobre a economia. Os grandes danos causados pelas tempestades deste ano devem acentuar esse impacto.

A venda de carros atingiu em setembro o maior nível do ano, com consumidores trocando os carros danificados.

É a primeira vez em décadas em que as grandes economias do mundo crescem em sincronia, observa o jornal americano The Wall Street Journal.

Talvez a melhor notícia do relatório de hoje seja a alta de 2,9% nos salários na comparação anual. Os analistas do centro financeiro de Nova York apostam numa alta de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros na reunião de dezembro do Comitê de Mercado Aberto da Reserva Federal (Fed). A taxa está hoje numa faixa de 1% a 1,25% ao ano.

Campanha para abolir armas nucleares ganha Prêmio Nobel da Paz

Para mandar um recado claro, especialmente ao ditador norte-coreano Kim Jong Un, mas também às grandes potências, o Prêmio Nobel da Paz 2017 foi para a organização não governamental Campanha Internacional para Abolir as Armas Nucleares (ICAN, do inglês), anunciou hoje em Oslo o Comitê Norueguês do Nobel.

O ministro do Exterior do Irã e os negociadores dos Estados Unidos que fecharam o acordo de 2015 para desarmar o programa nuclear iraniano estavam entre os favoritos, assim como o papa Francisco. Mas o Irã está envolvido nas guerras civis da Síria e do Iêmen, e o presidente Donald Trump ameaça declarar que Teerã não está cumprindo o acordo.

"As armas nucleares são uma ameaça constante à humanidade", declarou Berit Reiss Andersen, presidente do comitê, lembrando que as potências nucleares "também têm de trabalhar por um mundo livre de armas nucleares", o que me parece altamente improvável.

Mais de cem organizações fazem parte da ICAN. O Nobel "manda uma mensagem aos países com armas nucleares e a todos os países que dependem de armas nucleares para sua segurança de que é um comportamento inaceitável", declarou Beatrice Fihn, diretora-executiva da ICAN.

"Estamos tentando enviar indicações muito fortes a todos os estados com armas nucleares - Coreia do Norte, EUA, Rússia, China, França, Reino Unido, Israel, Índia e Paquistão - de que é inaceitável matar civis", acrescentou ela.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Iraque toma última base importante do Estado Islâmico no país

O governo do Iraque anunciou hoje a libertação da última cidade importante do país que ainda estava em poder da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Durante visita oficial a Paris, o primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, descreveu a "libertação" de Hawija como "uma vitória não apenas do Iraque, mas do mundo inteiro".

A coalizão liderada pelos Estados Unidos descreveu a vitória como "rápida e decisiva". De acordo com a inteligência curda, os comandantes do Estado Islâmico estão orientando seus milicianos a abandonar as armas e tentar fugir com suas famílias.

Ainda há combates na periferia de Hawija, mas a presença do Estado Islâmico no Iraque se limita a algumas posições no deserto e a cidade de Kaim, na fronteira com a Síria. Pouco mais de três anos depois da proclamação do califado, o poder da milícia se esvai na poeira do deserto.

O Exército do Iraque, destruído pela invasão americana de 2003 e mal reconstruído desde então, reimpõe seu controle sobre áreas do Norte do país ocupadas pelo Estado Islâmico em junho de 2014, quando os soldados iraquianos abandonaram armas de última geração fabricadas nos EUA e fugiram, numa desmoralização total.

Muitos milicianos do Estado Islâmico eram militares das Forças Armadas do ditador Saddam Hussein, derrubado pelos EUA em 2003.

Na Síria, o Estado Islâmico ainda domina uma grande região da fronteira com o Iraque no vale do Rio Eufrates, onde enquanto as Forças Democráticas Sírias (FDS), uma aliança árabe-curda financiada, armada e treinada pelos EUA, travam a Batalha de Rakka, a capital do califado, com o apoio de uma coalizão aérea de 68 países liderada pelos americanos.

Com a maior parte de Rakka tomada pelas FDS e o Exército da Síria e aliados, inclusive a milícia jihadista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus), pressionando pelo outro lado, o moral dos milicianos do Estado Islâmico em Hawija, no Iraque, entrou em colapso.

Pelo menos 600 milicianos do Estado Islâmico se renderam às forças curdas em Dibis, na província de Kirkuk. Outros 400 a 500 suspeitos estão sendo interrogados. Antes do início da Batalha de Hawija, em 21 de setembro, havia entre 2 e 3 mil homens do Estado Islâmico na região.

Tribunal da Espanha suspende sessão do Parlamento da Catalunha

Por unanimidade, a pedido do Partido Socialista da Catalunha (PSC), o Tribunal Constitucional da Espanha ordenou hoje a suspensão da sessão plenária do Parlament convocada para segunda-feira, 9 de outubro, para declarar a independência da região. Os socialistas alegam que seria uma ruptura da ordem constitucional, noticiou o jornal La Vanguardia, de Barcelona.

Nesta quinta-feira, o primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy fez um apelo ameaçador ao governador regional da Catalunha, Carles Puigdemont, para que desista "com a maior brevidade possível" de seu projeto de fazer uma declaração unilateral de independência porque "seria a melhor solução" e "evitaria males maiores".

Sob o amparo do Tribunal Constitucional, como a Constituição da Espanha exige que todo o país vote em plebiscitos sobre independência, Rajoy reprimiu com violência o plebiscito realizado domingo passado pelo govern da Generalitat e não dá sinais de que esteja disposto a recuar nem um centímetro.

"A melhor solução, e creio que nisso concordamos todos, é a volta à legalidade, que é que todas aquelas pessoas e governantes que decidiram por sua conta e risco rasgar a lei e situar-se fora dela voltem à legalidade", declarou o primeiro-ministro hoje de manhã em entrevista à agência de notícias espanhola Efe no Palácio da Moncloa.

Na segunda-feira, o governador catalão vai ao Parlament apresentar os resultados oficiais do plebiscito. Votaram 42,3% dos eleitores. Destes, 92% aprovaram a independência. São menos de 38% do total. Mesmo assim, o Parlament deve declarar a independência da Catalunha.

Num caso extremo, Rajoy pode aplicar o artigo 155 da Constituição, suspender a autonomia regional da Catalunha, afastar o govern e substituí-lo por um imposto pelo governo central de Madri. Seria quase uma declaração de guerra.

Em pronunciamento ontem à noite na televisão em repúdio ao discurso do rei Felipe VI no dia anterior, Puigdemont pediu mediação internacional para resolver a crise. A União Europeia reluta em se envolver numa questão de independência e soberania nacional para não estimular movimentos separatistas. Só pode intervir a pedido do governo espanhol.

A UE apela ao diálogo, mas o voluntarismo do movimento pela independência e a linha dura adotada por Madri criaram um clima de radicalização sem precedentes na Catalunha desde a ditadura de Francisco Franco (1936-75).

Japonês naturalizado britânico ganha Prêmio Nobel de Literatura

O escritor nipo-britânico Kazuo Ishiguro ganhou o Prêmio Nobel de Literatura de 2017 porque, "em seus romances de grande força emocional, revelou o abismo sob nossa noção ilusória de conexão com o mundo", anunciou hoje em Estocolmo a Academia Real da Suécia.

"Se você misturar Jane Austen e Franz Kafka, adicionar um pouco de Marcel Proust e então misturar, mas não muito, pode-se ter uma ideia do trabalho de Ishiguro", declarou a secretária da academia, Sara Danius.

Ishiguro nasceu em Nagasaque, a segunda cidade e última cidade atacada por uma bomba atômica, em 8 de novembro de 1954. Aos cinco anos, mudou-se com a família para o Reino Unido. Só voltaria ao Japão como adulto.

O segundo de seus sete romances, Vestígios do Dia, ganhou o Booker Prize, o maior prêmio literário britânico em 1989 e virou filme de sucesso com Anthony Hopkins como protagonista.

Não me Abandone Jamais, de 2005, também foi para o cinema. Conta a história de três clones criados para fornecer órgãos para transplantes que sofrem com as angústias de seres humanos como abandono.

Seu último romance, O Gigante Enterrado, passado na Inglaterra medieval, trata de traumas, memória e esquecimento: "Toda a sociedade tem algo enterrado na memória graças à ação da força bruta", explicou.

"No meu romance", acrescentou, "questiono se essas lembranças não estão de fato enterradas e se, ao ressurgirem, não podem gerar um novo ciclo de violência. Isso leva a um novo dilema, se é melhor provocar um novo conflito ou manter essa memória enterrada e esquecida."

Ele também publicou um livro de contos e escreveu roteiros para o cinema e a televisão.

Ao receber a notícia, Ishiguro comentou que "o mundo está num momento muito incerto e espero que os prêmios Nobel sejam uma força positiva. Vou ficar muito emocionado se puder contribuir para uma atmosfera positiva nestes tempos bastante incertos."

No ano passado, o Nobel de Literatura premiou o roqueiro Bob Dylan, considerado o maior poeta da história do rock, provocando reações negativas de quem acredita que a homenagem deveria estar reservada para escritores de livros. Neste ano, reconcilia-se com a literatura clássica.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Comissão da Câmara aprova US$ 10 bilhões para o muro de Trump

Por 18 a 12 votos, a Comissão de Segurança Interna da Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou hoje um projeto que inclui US$ 10 bilhões para a construção do muro na fronteira com o México que o presidente Donald Trump prometeu erguer durante a campanha para combater a imigração ilegal.

A Lei de Segurança das Fronteiras, proposta pelo deputado federal republicano pelo Texas Michael McCaul, segue agora para a votação em plenário. O Partido Democrata quer incluir proteção aos jovens que entraram ilegalmente nos EUA quando eram menores de idade.

Há um mês, o presidente Trump recebeu na Casa Branca os líderes democrata na Câmara, Nancy Pelosi, e no Senado, Chuck Schumer, para negociar uma proteção a crianças e jovens que não têm culpa se os pais entraram ilegalmente no país.

Durante a campanha e mesmo depois da posse, Trump afirmava que o México iria pagar pelo muro. Ele ameaçou paralisar o governo federal dos EUA por falta de orçamento, se não houvesse verba para o muro.

Por ironia, o deputado democrata Filemon Vela tentou incluir no projeto uma descrição do muro como "grande e bonito", "real", "incluindo uma porta" e "pago pelo governo mexicano", nos termos da propaganda eleitoral de Trump.

Além do dinheiro para o muro, a lei destinou US$ 5 bilhões para melhorar os pontos de entrada no país e prevê a contratação de mais 5 mil guardas de fronteira.

O projeto tem boas chances de ser aprovado no plenário da Câmara, mas o governo terá de fazer concessões aos democratas para conseguir os 60 votos necessários no Senado, provavelmente na questão dos imigrantes ilegais que chegaram quando menores.

Secretário de Estado de Trump nega ter pensado em pedir demissão

Ao desmentir uma notícia da rede de televisão NBC, o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, negou ter pensado em deixar o cargo durante o verão no Hemisfério Norte, diante do esvaziamento do Departamento de Estado no governo Donald Trump e de seu desapontamento com o presidente, que teria chamado de "idiota" após uma reunião ministerial em 20 de julho, noticiou o jornal The New York Times.

O vice-presidente Mike Pence teria convencido o secretário de Estado a ficar no cargo. Furioso, o presidente dos Estados Unidos comentou que era "uma notícia totalmente falsa".

"Nunca pensei em deixar este cargo", declarou Tillerson numa entrevista coletiva na manhã de hoje em que elogiou a política externa de Trump, dizendo fazer parte da equipe para "tornar a América grande de novo", o principal slogan da campanha eleitoral do presidente.

Tillerson se recusou a comentar a alegação de que teria chamado Trump de idiota. "O secretário não usa este tipo de linguagem para falar do presidente dos EUA", afirmou a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert. "Ele não disse isso", insistiu.

Há apenas três dias, Trump desautorizou seu próprio secretário de Estado. Durante visita à China, Tillerson anunciou haver aberto canais de comunicação direta com o regime comunista da Coreia do Norte.

Pelo Twitter, Trump chamou de "perda de tempo" e voltou a ameaçar o ditador Kim Jong Un com o uso da força. Todos os assessores militares do presidente sabem que uma guerra seria arrasadora para as duas Coreias, com centenas de milhares, talvez milhões, de mortos.

Além de minar a ação do secretário no problema de segurança internacional mais grave de seu governo, Trump cercou-se de generais, como o chefe da Casa Civil, John Kelly; o secretário da Defesa, James Mattis; e o conselheiro de Segurança Nacional, Herbert McMaster. É o chamado "núcleo racional" da Casa Branca.

O secretário de Estado teve várias desavenças com o presidente. Tillerson pediu a Trump que certifique que o Irã está cumprindo o acordo nuclear assinado em 2015 entre as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia), a Alemanha e a República Islâmica para desarmar o programa nuclear iraniano. Trump flerta com o primeiro-ministro linha-dura de Israel, Benjamin Netanyahu, a favor de um repúdio dos EUA ao acordo.

Tillerson tenta usar o contrato de venda de armas à Arábia Saudita, de US$ 110 bilhões, para acabar com o boicote das monarquias petroleiras do Golfo Pérsico ao Catar, adotado por orientação saudita por causa da hostilidade de Trump ao Irã, com quem o Catar mantém boas relações.

A paciência do secretário se esgotou depois de uma reunião ultrassecreta no Departamento da Defesa em que Trump ameaçou demitir o alto comando militar americano na Guerra do Afeganistão e comparou a estimativa da quantidade de soldados necessários à reforma de um restaurante de alto luxo em Nova York. Aí teria sido chamado de "idiota".

Em agosto, Tillerson voltou a ter problemas quando se afastou das declarações de Trump a respeito das manifestações neonazistas em Charlottesville: "O presidente fala por si mesmo", comentou o secretário no programa jornalístico dominical Fox News Sunday. Trump não gostou.

Numa reunião no dia seguinte, Trump elogiou o assessor de Segurança Interna, Tom Bossert, que havia defendido no domingo a decisão de dar indulto ao xerife Joe Arpaio, condenado por discriminação contra latino-americanos e imigrantes ilegais no estado do Arizona.

Só depois de rever duas vezes a gravação, Trump concordou com o argumento de Tillerson de que cabe ao presidente defender suas próprias ideias.

Ao mesmo tempo, o presidente esvaziou o Departamento de Estado, que vê como um feudo de sua adversária, a ex-secretária Hillary Clinton. Afastou vários diplomatas e não nomeou subsecretários e funcionários do segundo e terceiro escalões.

Na prática, Trump paralisou a atividade da diplomacia americana, levada à frente, no caso norte-coreano, com forte empenho pessoal do secretário de Estado. Kelly e Mattis foram decisivos para a permanência de Tillerson no governo evitando uma situação ainda mais caótica em Washington. Eles entendem a importância da diplomacia e do Departamento de Estado.