quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Mulher-bomba do Boko Haram mata 27 pessoas na Nigéria

Um atentado terrorista suicida cometido por uma mulher-bomba atribuído ao grupo terrorista Boko Haram matou 27 pessoas além dela e deixou 83 feridos num mercado da vila de Konduga, perto da cidade de Maiduguri, no estado de Borno, no Nordeste da Nigéria, noticiou o jornal nigeriano The Daily Post.

Cinco horas antes, o Exército havia lançado uma mega operação de comandos mobilizando 2 mil soldados de elite para caçar o líder da milícia extremista muçulmana Boko Haram, Abubakar Shekau. O comandante do Exército quer capturá-lo vivo ou morto em 40 dias.

Foi o terceiro atentado terrorista deste agosto na Nigéria. A explosão aconteceu às 17h50 pela hora local (13h50 em Brasília), quando o mercado estava cheio. A Agência Nacional de Gerenciamento de Emergências e a Agência Estadual de Gerenciamento de Emergências foram acionadas e ainda não confirmaram o total de mortos e feridos.

Mais de 15 mil pessoas morreram na África Ocidental desde que o Boko Haram, cujo nome significa repúdio à educação ocidental, aderiu à luta armada para impor a lei islâmica à região. Há dois anos, o líder que agora está sendo caçado jurou lealdade à organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

Desde então, o Boko Haram se apresenta como a Província do Estado Islâmico na África Ocidental. Shekau já foi declarado morto. Alimenta o mito da própria invulnerabilidade.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Nigéria mobiliza 2 mil soldados para caçar líder do Boko Haram

Com 2 mil soldados de elite, o Exército da Nigéria começou hoje oficialmente a operação para caçar o líder da milícia terrorista Boko Haram, Abubakar Shekau, 18 dias depois de seu comandante, general Tukur Yusuf Buratai, ordenar sua captura vivo ou morto em 40 dias, informou o jornal nigeriano The Daily Post.

O comandante no teatro de operações, general Ibrahim Attahiru, organizou os 2 mil soldados de elite em comandos de operações especiais capaz de realizar patrulhas e armar emboscada no interior profundo do país.

Ao saudar os soldados designados para a missão, o general Attahiru lembrou que depende deles o sucesso da Operação Lafiya Dole e deu sua receita para a vitória: "disciplina, inteligência, autoconfiança e uma determinação implacável".

Cerca de 15 mil pessoas foram mortas desde que o grupo extremista muçulmano Boko Haram (repúdio à educação ocidental) virou uma milícia e aderiu à luta armada, em 2009, para impor a lei islâmica na África Ocidental.

Em março de 2015, Shekau jurou lealdade à organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Desde então, o Boko Haram se apresenta como a Província do Estado Islâmico na África Ocidental. Depois do Estado Islâmico, é o grupo terrorista que mais mata no mundo.

Trump recua e culpa "ambos os lados" em Charlottesville

Durou pouco mais de 24 horas a condenação explícita do presidente Donald Trump aos grupos neonazistas que entraram em choque com militantes antifascistas no sábado em Charlottesville, no estado da Virgínia. Hoje o presidente dos Estados Unidos voltou a culpar "ambos os lados" pela violência.

Depois de ficar em silêncio durante dois dias, sob intensa pressão dentro de seu próprio partido, Trump responsabilizou ontem grupos de extrema direita e citou nominalmente a organização do Ku Klux Klan e os supremacistas brancos. Voltou atrás hoje para incluir o que chamou de extrema esquerda.

"Penso que há culpa dos dois lados", declarou o presidente em entrevista na Trump Tower, sua residência particular em Nova York. "Você tinha de um lado um grupo que era ruim e do outro lado um grupo que também era violento e ninguém quer dizer isso, mas eu vou dizer agora. Você tinha um grupo do outro lado que não tinha permissão [para protestar] e saiu atacando. Eles foram muito violentos."

Sempre rápido ao atacar inimigos reais ou imaginários e a denunciar terroristas islâmicos, desta vez o presidente justificou a demora de dois dias para culpar os supremacistas brancos com base na cautela: "Antes de fazer uma declaração, preciso saber dos fatos." Ele não chamou o jovem que jogou um carro contra manifestantes antifascistas de terrorista.

No sábado, o presidente afirmou: "Condenamos nos termos mais fortes possíveis esta demonstração escandalosa de ódio, violência e intolerância de muitos lados." E repetiu: "muitos lados".

Desde então, quatro altos dirigentes industriais deixaram o Conselho Manufatureiro Americano, um órgão cosultivo da Casa Branca. Raivoso, Trump disse que eles saíram do governo "porque não estão levando seu trabalho a sério em relação a este país. Estão saindo constrangidos porque fabricam seus produtos no exterior."

Em seguida, o presidente argumentou que muitos manifestantes não eram neonazistas, estavam lá simplesmente protestando contra a remoção da estátua do general Robert Lee, comandante militar dos estados do Sul que lutaram para manter a escravidão e dividir os EUA na Guerra da Secessão (1861-65), o pior conflito armado da história do país, com mais de 600 mil mortes.

"Eu condenei os neonazistas", alegou Trump. "Condenei vários grupos diferentes. Mas nem todas aquelas pessoas eram neonazistas, acreditem em mim. Nem todas aquelas pessoas eram supremacistas brancos, em nenhuma medida. Aquelas pessoas estavam lá porque decidiram protestar contra a retirada da estátua de Robert Lee."

Trump questionou a remoção dos símbolos da Confederação, que lutou contra as forças abolicionistas da União, liderada pelo presidente Abraham Lincoln, dizendo que os presidentes e fundadores dos EUA George Washington e Thomas Jefferon tinham escravos: "George Washington será o próximo? Onde isso vai parar?"

Mais uma vez, o presidente acusou os jornalistas de distorcerem a realidade: "O que dizer da ultraesquerda que chegou atacando o que vocês chamam de ultradireita? O que dizer do fato que eles chegaram atacando com porretes na mão?"

Imediatamente, foi elogiado pelo ex-líder do KKK David Duke, que estava na manifestação neonazista em Charlottesville: "Obrigado, presidente Donald Trump, por sua honestidade e coragem ao dizer a verdade sobre Charlottesville e condenar os terroristas de esquerda."

Macron chega aos 100 dias com impopularidade recorde

Ao completar 100 dias no cargo, o jovem presidente Emmanuel Macron registra a maior queda de popularidade de um chefe da Estado da França. Em junho, quando seu partido República em Marcha conquistou maioria absoluta na Assembleia Nacional, Macron tinha o apoio de 64%. Hoje, só 36% estão satisfeitos com o presidente francês, enquanto 64% o desaprovam.

Na mesma pesquisa do Instituto Francês de Opinião Pública (Ifop), em julho, Macron tinha 54% a favor. Isso indica que a queda mais forte foi recente. Seu antecessor, François Hollande, chegou aos 100 dias com 46% de aprovação e 54% da rejeição.

A lua de mel foi rápida. O mais jovem líder francês desde o imperador Napoleão Bonaparte foi acusado de bonapartismo e perdeu apoio à direita ao discutir publicamente com o comandante-em-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Pierre de Villiers, que criticou os cortes orçamentários e caiu.

Em setembro, depois da volta dos franceses das férias de verão no Hemisfério Norte, Macron terá de enfrentar os protestos dos sindicatos e das ruas contra sua proposta da reforma da Lei do Trabalho, que na França é maior do que a Bíblia. A reforma trabalhista foi uma das promessas de campanha de Macron.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

"China não vai permitir guerra na sua fronteira", diz cônsul no Rio

A China não acredita que o atual tiroteio verbal entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte desande numa guerra. Defende a desnuclearização da Península da Coreia, uma solução pacífica e a estabilidade, afirmou hoje o cônsul geral no Rio de Janeiro, Li Yang.

"Duvido que eles vão à guerra", declarou o cônsul-geral chinês ao participar do seminário A China no Cenário Internacional, realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). "A China não permitir que ninguém faça guerra na sua fronteira", numa clara advertência aos EUA.

O jornal oficial chinês Global Times já avisou: se a Coreia do Norte atacar, a China fica neutra; se os EUA ou a Coreia do Sul agredirem, a China vai defender a Coreia do Norte.

Li lembrou que havia uma negociação em andamento depois da visita do presidente Bill Clinton e seu encontro com o fundador da Coreia do Norte, o Grande Líder Kim Il Sung, em 1994. Com a chegada de George W. Bush à Casa Branca, em 2001, a possibilidade de um acordo acabou.

"Estivemos perto em vários momentos. Quando chegamos perto, os EUA tomam medidas para reescalar", criticou o cônsul chinês.

Em artigo no jornal The Wall Street Journal no sábado passado, o ex-secretário de Estado Henry Kissinger, arquiteto da reaproximação EUA-China em 1971, argumentou que a solução pacífica da crise norte-coreana depende de uma convergência dos interesses estratégicos das duas grandes potências.

Ambas têm interesse na desnuclearização da Península Coreana para evitar uma corrida armamentista nuclear no Leste da Ásia, onde Japão, Coreia do Sul, Vietnã e outros países poderiam desenvolver armas atômicas.

"Se esse foco de conflito desaparecer, não haverá mais necessidade de tropas americanas na Península Coreana", comentou Li. Seria um elemento de barganha da China.

Kissinger teme que a desnuclearização leve ao colapso do regime norte-coreano. Ele entende que EUA e China precisam formular uma visão comum sobre o futuro da Coreia, se serão mantidos dois países ou a península será reunificada.

Outro ponto importante para a China é o desmantelamento do sistema de defesa antimísseis instalado na Coreia do Sul para proteger o país dos mísseis norte-coreanos. No futuro, pode ser usado contra a China em caso de conflito com os EUA.

Sobre a mobilização do Exército da Índia numa região da fronteira entre os dois países disputada desde a guerra civil de 1962, o consul insistiu que a China é a favor da solução pacífica de todos os conflitos. Mas fez uma advertência: "Se nossa terra for invadida ou ocupada, não teremos escolha."

Trump condena neonazistas com dois dias de atraso

Dois dias depois dos acontecimentos em Charlottesville, sob intensa pressão de seu próprio Partido Republicano, visivelmente a contragosto, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, finalmente condenou expressamente os grupos de ultradireita responsáveis pela violência que deixou três mortos, "inclusive o Ku Klux Klan, os neonazistas e supremacistas brancos".

"O racismo é um mal", declarou Trump, "e aqueles que causam violência em seu nome são bandidos e criminosos, inclusive o Ku Klux Klan, neonazistas, supremacistas brancos e outros grupos repugnantes diante do que consideramos mais caro como americanos."

Horas antes de sua declaração conciliatória, onde usou as palavras "amor", "alegria" e "justiça", o presidente havia atacado duramente no Twitter o diretor-geral do grupo Merck, Ken Frasier, que abandonou o Conselho Manufatureiro Americano, órgão consultivo da Casa Branca, em protesto contra "a intolerância e o extremismo".

Isso indica que Trump foi fortemente pressionado para condenar o racismo e os grupos supremacistas brancos explicitamente, depois de fazer uma acusação genérica de intolerância e extremismo de "muitas partes".

Trump relutou porque os grupos racistas de extrema direita fazem parte do núcleo duro de sua base de apoio. O ex-líder do KKK David Duke reclamou do presidente, lembrando que "ele foi eleito pelos americanos brancos, não por radicais de esquerda".

A campanha de Trump resgatou a legitimidade desses grupos e em nenhum momento, pelo menos até agora, ele havia se distanciado claramente desses partidários extremistas.

Líder empresarial negro deixa o governo Trump

Diante da ambiguidade do presidente em relação à passeata neonazista do fim de semana, o diretor-geral do grupo Merck, Kenneth Frasier, saiu hoje do Conselho Manufatureiro Americano do governo Donald Trump, dizendo que estava tomando uma posição contra a intolerância e o extremismo, noticiou a jornal digital The Huffington Post.

A primeira reação do presidente foi atacar o executivo no Twitter, disparando que agora Frasier teria mais tempo para pensar nos preços abusivos dos medicamentos.

Horas depois, finalmente, dois dias depois da manifestação de supremacistas brancos em Charlottesville, uma cidade universitária do estado da Virgínia, Trump denunciou nominalmente a organização racista Ku Klux Klan, os neonazistas e os supremacistas brancos, responsabilizando-os pela violência. Logo após os acontecimentos, o presidente havia condenado o "fanatismo e a violência" de "muitas partes" - e repetido "muitas partes".

domingo, 13 de agosto de 2017

Prefeito critica Trump por não condenar neonazistas

Um dia depois do conflito entre neonazistas e antifascistas em Charlottesville, na Virgínia, o prefeito democrata Michael Signer criticou hoje as "repetidas falhas" do presidente Donald Trump ao não condenar explicitamente os supremacistas brancos que invadiram a cidade.

"Vejam a campanha que ele fez. Vejam a aproximação a grupos supremacistas brancos, nacionalistas brancos", declarou o prefeito de Charlottesville em entrevista à televisão americana CNN.

O movimento Una a Direita convocou uma manifestação de protesto contra a remoção de uma estátua do general Robert Lee, comandante militar dos Estados Confederados do Sul, que lutaram para manter a escravidão e dividir os Estados Unidos na Guerra da Secessão (1861-65).

Quando viram símbolos nazistas, da organização racista Ku Klux Klan e da campanha de Trump no coração de uma cidade universitária americana, ativistas liberais, esquerdistas e antifascistas decidiram reagir.

Houve confronto e confusão. Um homem jogou um carro contra um grupo de manifestantes antifascistas, matando uma mulher de 32 anos e ferindo outras 19 pessoas.

Ao comentar o caso, Trump condenou a violência, o fanatismo e a intolerância de "muitas partes", generalizando, sem responsabilizar explicitamente os neonazistas.

sábado, 12 de agosto de 2017

Manifestação neonazista termina com três mortes nos EUA

O governador Terry McAuliffe decretou estado de emergência no estado da Virgínia, nos Estados Unidos, depois que uma manifestação neonazista provocou em conflito com ativistas antifascistas na cidade universitária de Charlottesville. Pelo menos três pessoas morreram e dezenove saíram feridas, informou o boletim de notícias The Hill.

"Vão embora para casa e não voltem", declarou o governador dirigindo-se aos "nazistas e supremacistas brancos": "Parem de atacar os outros. Este país é forte por sua diversidade e precisa de união."

Com símbolos nazistas, do Ku Klux Klan, da Confederação e da campanha de Donald Trump, os supremacistas brancos se reuniram em Charlottesville para protestar contra a remoção de uma estátua do general Robert Lee, comandante militar dos estados confederados do Sul, que lutavam na Guerra da Secessão para dividir o país e manter a escravidão.

Os radicais de direita se reuniram na sexta-feira à noite no campus da Universidade da Virgínia em Charlottesville. Eles gritaram palavras de ordem contra negros, gays, judeus e latino-americanos, e brandiram tochas como as usadas pelo KKK para queimar negros em fogueiras.

As imagens de neonazistas brancos com tochas, símbolos neonazistas e do KKK, e armas no centro de uma cidade universitária dos EUA logo se espalharam nas redes sociais e provocaram a mobilização de ativistas antifascistas que decidiram enfrentar os extremistas de direita.

Hoje, os extremistas de direita marchavam rumo ao Parque da Emancipação (dos escravos), antes conhecido como Parque Lee quando foram confrontados pelos antifascistas e a violência explodiu.

Quando os ativistas antirracistas festejavam, depois de dispersar a manifestação dos supremacistas brancos, um carro acelerou sobre a multidão. Uma mulher de 32 foi atropelada e morta. Dezenove pessoas saíram feridas. A polícia prendeu James Alex Fields Jr., de 20 anos.

O líder supremacista branco Richard Spencer prometeu voltar a Charlottesville, enquanto o ex-líder do Klan David Duke desafiou o presidente Trump, alegando que ele foi eleito por "americanos brancos e não por radicais de esquerda".

Os outros dois mortos eram policiais que estavam num helicóptero que caiu quando acompanhava os protestos.

Trump fez uma declaração genérica condenando a violência. Está sendo criticado por não apontar claramente de onde partiu a violência, de equiparar os neonazistas aos ativistas liberais que decidiram enfrentá-los.

China toma posição no conflito EUA-Coreia do Norte

Através de um de seus porta-vozes mais radicais, o jornal Global Times, o regime comunista da China anunciou sua posição no conflito entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte. Se a ditadura stalinista norte-coreana atacar, a China ficará neutra. Se os EUA ou a Coreia do Sul iniciarem a guerra, a China vai defender a Coreia do Norte.

Assim, uma ação unilateral, um ataque preventivo, vai colocar os EUA em conflito com a China. O regime comunista chinês não vai aceitar que os americanos imponham uma solução para um problema estratégico na sua fronteira.

Pelo mesmo motivo, para não ter uma Coreia unificada com tropas americanas na sua fronteira, a recém-criada República Popular da China entrou na Guerra da Coreia (1950-53), em setembro de 1950, e conseguiu seu objetivo estratégico de empurrar as forças lideradas pelos EUA para o sul do paralelo 38º Norte.

A China é o país-chave para uma solução pacífica da questão norte-coreana. Em artigo no jornal The Wall Street Journal, o ex-secretário de Estado Henry Kissinger, arquiteto da reaproximação dos dois países em 1971, afirmou que uma saída diplomática depende de uma fusão dos objetivos da China e dos EUA num "consenso operacional".

Há mais de 20 anos, os EUA relutam em usar a força, mas não conseguem impedir a Coreia do Norte de fabricar bombas atômicas. Em 1994, no governo Bill Clinton, o Departamento de Estado estimou em 1 milhão o total de mortos numa nova guerra da Coreia. Agora, o secretário da Defesa, James Mattis, descreveu a possibilidade de guerra na Península Coreana como "catastrófica".

No fim do governo Clinton, Washington e Pionguiangue estiveram perto de um acordo de paz para acabar com a primeira Guerra da Coreia, declarou ao jornal The New York Times um diplomata americano envolvido nas negociações.

A denúncia a um "eixo do mal" formado por Irã, Iraque e Coreia do Norte, feita no Discurso sobre o Estado da União do presidente George W. Bush, em 29 de janeiro de 2002, acabou com a negociação.

Ao atacar o Iraque de Saddam Hussein, que não tinha armas de destruição em massa, a Coreia do Norte e o Irã aceleraram seus programas nucleares. Com a queda, em 2011, do ditador Muamar Kadafi, na Líbia, que abrira mão de seu programa nuclear, o novo ditador norte-coreano, Kim Jong Un, decidiu fazer armas atômicas como garantia de sobrevivência do regime.

Como uma guerra com os EUA, nuclear ou não, seria o fim do regime, a esperança de paz está na racionalidade do terceiro Kim a governar a República Popular Democrática da Coreia desde sua fundação, em 1948.

O país mais afetado além das duas Coreias seria a China, que tem interesse direto no desarmamento nuclear da Coreia do Norte para evitar uma onda de proliferação no Leste da Ásia, onde Japão, Coreia do Sul e o Vietnã podem entender que sua defesa depende de armas atômicas.

A ditadura norte-coreana investiu tanto no programa nuclear, enquanto seu povo vive na miséria e na fome, que abandonar ou cortar substancialmente o investimento em armas atômicas pode gerar a queda do regime stalinista de Pionguiangue.

Por temor de colapso do regime, a China mantém o status quo. É responsável por 85% do comércio exterior norte-coreano. O governo de Beijim teme tanto o caos e a desintegração da Coreia do Norte, e seu impacto sobre a crise social chinesa, quanto a segurança da fronteira nordeste.

Deste modo, a China tem interesse não apenas na desnuclearização da Coreia do Norte, mas no futuro do país. O regime comunista vai cair? Como será a reunificação com a Coreia do Sul? Em que termos? As tropas dos EUA, hoje 28 mil, ficam?

Sem um acordo entre China e EUA, não haverá desnuclearização da Coreia do Norte, advertiu Kissinger, acrescentando que a Coreia do Sul e o Japão também precisam participar do processo.

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Trump adverte Coreia do Norte: armas estão "carregadas e engatilhadas"

Em sua escalada verbal com a ditadura comunista da Coreia do Norte, o presidente Donald Trump afirmou hoje de manhã no Twitter que as Forças Armadas dos Estados Unidos estão prontas para a guerra e à tarde esperar que os norte-coreanos entendam a gravidade da advertência.

"As soluções militares estão totalmente preparadas, carregadas e engatilhadas, se a Coreia do Norte agir insensatamente", disparou Trump no Twitter ao amanhecer. "Espero que Kim Jong Un encontre outro caminho.

Durante entrevista no seu clube de golfe em Bedminster, no estado de Nova Jérsei, Trump visou diretamente o ditador Kim Jong Un: "Este cara não vai escapar depois do que está fazendo. Se fizer uma ameaça clara ou qualquer ação contra a ilha de Guam, território dos EUA, ele vai lamentar e lamentar rapidamente."

Apesar da retórica inflamada do presidente, os militares americanos não dão sinais de que estejam se preparando para uma guerra. Trump tenta ganhar no grito. Com um discurso inflamado, acredita estar agindo mais com firmeza do que seus antecessores, que não conseguiram parar o programa nuclear militar norte-coreano.

Desde 2006, a Coreia do Norte fez cinco testes nucleares e dezenas de testes de mísseis. Os últimos, de mísseis de longo alcance, indicariam capacidade de atingir o território continental dos EUA. Isso provocou o tiroteio verbal de Trump.

Uma guerra não interessa a ninguém. Para a ditadura stalinista de Pionguiangue, seria uma derrota certa e o fim. Numa simulação feita pelo Departamento da Defesa dos EUA em 1994 a pedido do então presidente, Bill Clinton, a estimativa seria de mais de um milhão de mortes.

Só com o arsenal convencional, o regime comunista norte-coreano tem condições de arrasar Seul, a capital da Coreia do Sul, uma cidade de 10 milhões de habitantes. Mesmo em caso de vitória, o custo de reconstrução e de reunificação da Coreia seria tremendo para o Sul abalando o extraordinário desenvolvimento econômico das últimas décadas e o atual nível de riqueza.

Para a China, além do risco de uma guerra nuclear em sua fronteira, poderia haver uma onda de refugiados norte-coreanos e a reunificação da Península Coreana sob o controle da Coreia do Sul, onde há 28 mil soldados americanos, uma presença militar que vem desde a Guerra da Coreia (1950-53).

Os EUA lutaram a Guerra da Coreia com um mandato do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que a União Soviética boicotava por causa da exclusão da China comunista, para reunificar o país. Quando as tropas americanas e aliados cruzaram o paralelo 38º Norte, o Exército Popular de Libertação da China atravessou o rio Yalu e entrou na guerra.

Dentro da Guerra da Coreia, houve uma guerra entre os EUA e a China, vencida pela China, que conseguiu empurrar os americanos de volta para baixo do paralelo 38º Norte, restaurando o status quo anterior à guerra, iniciada quando o avô de Kim Jong Un, o Grande Líder Kim Il Sung, invadiu o Sul.

Desde então, não houve mais guerras entre os EUA e a China. Com a ascensão da China a superpotência, seria uma guerra hoje de consequências catastróficas, tema de A Armadilha de Tucídides, último livro do professor Graham Allison, da Universidade de Harvard, autor do clássico The Essence of Decision, sobre a Crise dos Mísseis em Cuba, em 1962.

Trump não descarta intervenção militar na Venezuela

Em uma declaração que ajuda mais o ditador Nicolás Maduro do que a oposição, o presidente Donald Trump admitiu hoje a possibilidade de uma intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela.

Ao falar sobre a crise com a Coreia do Norte em seu clube de golfe em Bedminster, no estado de Nova Jérsei, o presidente americano ameaçou mais uma vez usar a força contra a ditadura comunista norte-coreano e, provocado pelos repórteres, não descartou uma ação militar contra o regime chavista.

"Os EUA têm soldados no mundo inteiro, mas a Venezuela fica perto. É um país vizinho", acrescentou, como quem considera fácil invadir um país da América Latina.

Com sua declaração inconsequente, já que ninguém, a não ser os esquerdistas mais delirantes, imagina uma intervenção militar americana na Venezuela, Trump dá uma força para o Maduro, que culpa o imperialismo pela situação econômica desastrosa criada pelas políticas econômicas do regime chavista e seu "socialismo do século 21", inspirado por Cuba.

Índice de desemprego em Portugal cai para 8,8%

A taxa de desemprego em Portugal manteve a trajetória descendente iniciada no ano passado e caiu para 8,8% no segundo trimestre de 2017, dois pontos abaixo do índice registrado um ano antes, informou ontem o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Cerca de 62,5 mil pessoas conseguiram emprego de abril a junho deste ano, reduzindo o total de desempregados em 11,9% para 461,4 mil pessoas. Em um ano, 97,9 mil trabalhadores conseguiram emprego.

A população empregada, de 4,76 milhões de pessoas, cresceu 2,2% no trimestre. Na comparação anual, o avanço foi de 3,4%, o maior desde o quarto trimestre de 2013.

Entre os jovens de 15 a 24 anos, a taxa de desemprego ficou em 22,7%, 4,2 pontos percentuais a menos do que um ano antes. Na faixa de 15 a 34 anos, 10,8% estão desempregados e não estudam estudam, 1,9 ponto a menos do que em junho de 2016.

A proporção de desempregados há mais de um ano está em 59,2% do total, 4,9 pontos a menos do que no fim do primeiro semestre do ano passado.

No auge da crise econômica, no início de 2013, o índice de desemprego em Portugal atingiu um pico de 17,8%. Em fevereiro de 2017, depois de oito anos, caiu abaixo de 10%.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Trump declara não ter sido suficientemente duro com a Coreia do Norte

Depois de ameaçar reagir às provocações da Coreia do Norte com "fogo e fúria" e uma força "jamais vistos", o presidente Donald Trump declarou hoje que "talvez não tenha sido suficientemente duro" com o ditador Kim Jong Un e o regime comunista de Pionguiangue, noticiou o jornal The New York Times.

Apesar das críticas de estar entrando na guerra verbal da ditadura stalinista norte-coreana, Trump se recusou a recuar para uma postura mais moderada. "Francamente, as pessoas estão questionando aquela declaração. Foi dura demais? Talvez não tenha sido suficientemente dura."

A seguir, o presidente dos Estados Unidos se justificou: "Eles estão fazendo isso com nosso país há anos, há muitos anos, e é hora de alguém se levantar pelo povo deste país e pelos povos de outros países. Então, talvez aquela declaração não tenha sido suficientemente dura."

Trump advertiu: "É bom a Coreia do Norte andar na linha, se não vai ter problemas como poucos países tiveram até hoje." Há dois dias, ele falou em "fogo e fúria", quando foi revelado que o programa nuclear norte-coreano conseguiu miniaturizar uma bomba atômica num tamanho que permite instalá-la num míssil e assim atingir um alvo distante como o território dos EUA.

Em resposta, a ditadura comunista de Pionguiangue anunciou a preparação de um ataque contra a ilha de Guam, uma possessão americana no Ocidente Pacífico onde os EUA bem uma base aérea e uma base naval.

Com tantas provocações e esta escalada retórica, sempre há o risco de um disparo acidental deflagrar um conflito armado, mas a guerra não interessa a ninguém. Seria o fim do regime comunista da Coreia do Norte e sua elite dirigente.

Se forem usadas armas nucleares, o total de mortos é estimado em mais de um milhão. A Coreia do Sul seria arrasada. Os EUA poderiam entrar em conflito com a China, que não quer uma guerra nuclear no seu quintal nem uma onda de refugiados ou uma Coreia unificada com tropas americanas junto à sua fronteira.

A Coreia do Sul, por sua vez, também não quer assumir o ônus da reunificação com o Norte miserável, tendo em vista o que aconteceu com a muito mais rica Alemanha. O governo de Seul prefere uma reforma econômica gradual que prepare o regime comunista para uma reunificação no futuro.

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Trump afirma que arsenal nuclear dos EUA nunca foi tão poderoso

Um dia depois de ameaçar reagir com "fogo e fúria" e uma força "jamais vista" às provocações da Coreia do Norte, o presidente Donald Trump advertiu a ditadura comunista de Pionguiangue de que o arsenal nuclear dos Estados Unidos nunca foi tão poderoso.

"Jamais vai haver uma era em que não sejamos a nação mais poderosa do mundo", vangloriou-se o presidente americano, no que parece ser um recado à China. "Minha primeira ordem como presidente foi renovar e modernizar nosso arsenal nuclear. É hoje mais poderoso e mais forte do que nunca antes", gabou-se Trump no Twitter.

É mais uma mentira do presidente narcisista. A modernização do arsenal nuclear dos EUA em andamento é um projeto de US$ 1 trilhão do governo Barack Obama. Não seria realizável em seis meses de governo e está longe de terminar.

"Espero que nunca tenhamos de usar esse poderio, mas jamais vai haver uma era em que não sejamos a nação mais poderosa do mundo", acrescentou o presidente em outro tuíte.

Ontem, depois que o jornal The Washington Post revelou que o regime stalinista norte-coreano já tem capacidade de instalar uma bomba atômica na cabeça de um míssil de longo alcance, Trump interrompeu as férias em seu clube de golfe em Bedminster, em Nova Jérsei. Ele alertou o ditador Kim Jong Un de que suas ameaças foram "além do normal" e seriam respondidas com "fogo e fúria, e francamente com uma força como o mundo jamais viu".

Em resposta, a Coreia do Norte ameaçou atacar a ilha de Guam, no Oceano Pacífico, onde os EUA têm duas bases militares. Desde 2006, a ditadura de Pionguiangue fez seis testes nucleares. Só neste ano, mais de dez testes de mísseis balísticos.

Hoje fez 72 anos do segundo e último ataque nuclear da história, dos EUA contra a cidade de Nagasaki, no Japão, onde pelo menos 60 mil pessoas morreram na hora.

ONU denuncia tortura e abuso da força na Venezuela

O Alto Comissariado das Nações Unidas denunciou ontem o regime chavista da Venezuela por uso "generalizado e sistemático" de força excessiva contra manifestantes. Das 124 mortes registradas em manifestações de protesto e saques desde o início da abril, 46 foram atribuídas às forças de segurança e 27 às milícias chavistas conhecidas como coletivos.

Quase 2 mil pessoas saíram feridas e mais de 5 mil foram presas ilegalmente de abril a julho. A Procuradoria-Geral da Venezuela iniciou 450 investigações por violações dos direitos humanos cometidas por autoridades na repressão aos protestos de rua diários nas grandes cidades.

Nestes inquéritos, as forças policiais ou militares são acusadas de 23 mortes e 853 casos de lesões corporais graves. A tortura inclui choques elétricos, golpes com capacetes e cassetetes, ser pendurado pelas mãos amarradas por longos períodos, asfixia com gases, violência sexual e ameaças de morte.

"A responsabilidade por estas violações está nos mais altos níveis do governo", acusou o alto comissário Zeid Raad al-Hussein, "em meio ao colapso do Estado de Direito, com ataques constantes do governo contra a Assembleia Nacional e a Procuradoria-Geral".

Principal voz dissidente do chavismo, a procuradora-geral Luisa Ortega Díaz considerou a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte por Maduro inconstitucional, porque deveria haver um plebiscito sobre o tema, e uma traição à memória de Hugo Chávez, grande articulador da atual Constituição da República Bolivarista da Venezuela.

O Alto Comissariado também manifestou "séria preocupação" com as batidas policiais violentas em residências, muitas vezes sem ordem judicial, e denunciou as ameaças e pressões a jornalistas. "Exorto todas as partes a que renunciem ao uso da violência e tomem medidas para a estabelecer um diálogo político significativo", apelou o secretário-geral da ONU, o português António Guterres, sem esconder o temor de uma "escalada na tensão".

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Trump ameaça responder à Coreia do Norte com "fogo e fúria"

Diante da notícia de que a Coreia do Norte já tem capacidade de fabricar um míssil nuclear de longo alcance capaz de atingir o território continental dos Estados Unidos, o presidente Donald Trump ameaçou reagir a um ataque com "fogo e fúria, francamente, com uma força como o mundo nunca viu antes", noticiou o jornal The Washington Post.

Isso significa que Trump está pronto a travar uma guerra nuclear com o ditador norte-coreano Kim Jong Un, como sugere a capa desta semana da revista inglesa The Economist.

"É melhor que a Coreia do Norte não faça mais ameaças", disparou Trump num clube de golfe em Bedminster, no estado de Nova Jérsei, onde está em férias. O presidente americano advertiu que as ameaças do regime comunista de Pionguiangue foram "além do normal".

Hoje, a ditadura norte-coreana ameaçou atacar a base militar americana na ilha de Guam, no Oceano Pacífico, como uma ação preventiva se houver sinais de preparação militar dos EUA.

O senador John McCain, veterano da Guerra do Vietnã, considerado um dos falcões do Partido Republicano no Congresso, criticou Trump: "Os grandes líderes que eu vi não ameaçam, a não ser que estejam prontos para agir, e eu não tenho certeza de que o presidente Trump esteja pronto para agir", afirmou McCain em entrevista a uma rádio da cidade de Phoenix, no estado do Arizona, que ele representa no Senado.

Para o senador democrata Benjamin Cardin, o ultimato de Trump "não ajuda e mostra mais uma vez que ele não tem temperamento nem capacidade de julgamento" para lidar com uma crise grave. "Não podemos entrar no mesmo jogo de provocações e declarações tempestuosas sobre uma guerra nuclear como a Coreia do Norte."

"A estratégia é bem clara", disse um alto funcionário do governo Trump, "aumentar a pressão econômica e o isolamento diplomático para que os norte-coreanos caiam na realidade e reduzam a ameaça para que possamos ter um diálogo significativo. No momento, não há nada que a Coreia do Norte esteja fazendo que sugira que eles queiram manter um diálogo sério conosco."

Presidente da África do Sul sobrevive a voto de desconfiança

Por 198 a 177 votos, a maioria do Congresso Nacional Africano (CNA) na Assembleia Nacional da África do Sul garantiu a sobrevivência do arquicorrupto presidente Jacob Zuma, mas 34 deputados do partido do governo, no poder desde a democratização do país, em 1994, votaram com a oposição.

Zuma foi condenado pela Suprema Corte sul-africana a devolver aos cofres públicos US$ 23 milhões gastos ilegalmente em sua mansão. Como o CNA tem maioria absoluta no Parlamento, ele sobreviveu no ano passado a uma tentativa de abertura de um processo de impeachment.

Dentro do CNA, o partido de Nelson Mandela, uma ala quer afastar Zuma do poder, mas não vai fazer isso na Assembleia Nacional porque entende que seria abrir o flanco para a oposicionista Aliança Democrática.

O presidente sul-africano venceu mais uma batalha, mas a guerra está longe do fim.

Coreia do Norte conseguiu miniaturizar arma nuclear

A Coreia do Norte já é capaz de produzir uma ogiva atômica pequena que cabe dentro de seus mísseis, ultrapassando um limite decisivo para se tornar uma potência nuclear, concluíram analistas dos serviços secretos dos Estados Unidos em um relatório confidencial divulgado pelo jornal The Washington Post.

Mais de uma década depois do primeiro de seus cinco testes nucleares, realizado em 2006, o programa nuclear militar avança rapidamente, acelerado desde a ascensão ao poder do jovem ditador Kim Jong Un, em 2011.

A última explosão, em 9 de setembro de 2016, seria de uma bomba de 20 a 30 quilotons (mil toneladas de dinamite), duas vezes mais poderosa do que a que destruiu Hiroxima, no Japão, em 6 de agosto de 1945, no fim da Segunda Guerra Mundial.

"A comunidade de inteligência avalia que a Coreia do Norte produziu armas nucleares que podem ser instaladas em mísseis, inclusive em mísseis balísticos intercontinentais", capazes de atingir o território dos EUA, diz o memorando secreto.

O presidente Donald Trump ameaça realizar um ataque preventivo, se a ditadura norte-coreana desenvolvesse a capacidade de atacar o território continental dos EUA. O desafio está lançado. Se houver uma guerra nuclear, a estimativa é de milhões de mortes, especialmente na Coreia do Sul, que seria o alvo imediato da reação norte-coreana.

A avaliação da Agência de Inteligência de Defesa dos EUA é revelada no momento em que outros informes indicam que arsenal nuclear do regime comunista norte-coreano tem mais bombas atômicas do que estimado anteriormente, num total de até 60.

Outra análise, feita nesta semana pelo Ministério da Defesa do Japão, também concluiu que a ditadura stalinista de Pionguiangue adquiriu capacidade nuclear.

No sábado, por unanimidade, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou sanções duras contra a Coreia do Norte, que devem reduzir as exportações do país em um terço. O voto favorável da China indica que a paciência do regime comunista chinês está se esgotando.

Curdistão iraquiano deve aprovar independência em setembro

Os curdos do Iraque devem votar maciçamente pela independência num plebiscito convocado para 25 de setembro de 2017. A questão é como o presidente do governo regional autônomo do Curdistão iraquiano, Massoud Barzani, vai enfrentar a oposição dos árabes do Iraque e dos outros países do Oriente Médio.

A consulta popular não obriga Barzani a declarar independência. Ele deve usar o resultado para pressionar o governo central do Iraque, com sede em Bagdá, a transferir mais poderes aos curdos. Com uma população estimada entre 30 e 45 milhões de pessoas, os curdos são o maior povo do mundo sem um Estado nacional.

Até agora, Barzani conseguiu equilibrar as aspirações dos curdos pela independência com a geopolítica do Oriente Médio. Como os curdos estão distribuídos entre Turquia, Síria, Irã e Iraque, estes países têm um interesse comum contra a independência do Curdistão. O novo país tenderia a reivindicar soberania sobre as regiões dos países vizinhos onde os curdos são maioria.

O plebiscito complica as relações do governo curdo iraquiano com a Turquia, onde vive a maioria dos curdos. A prioridade turca na Síria é desmantelar as Unidades de Proteção Popular (YPG), braço armado dos separatistas curdos ligado ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), considerado terrorista pela Turquia.

Os guerrilheiros curdos do YPG formam o grosso das Forças Democráticas Sírias (FDS), uma aliança árabe-curda que luta contra a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante na Síria com o apoio da Força Aérea dos Estados Unidos.

Chavistas arrombam plenário da Assembleia Nacional da Venezuela

Com a cobertura de um grande contingente da Guarda Nacional, Delcy Rodríguez, sob o comando do coronel Bladimir Lugo, a presidente da Assembleia Nacional Constituinte convocada pelo ditador Nicolás Maduro, arrombaram nesta noite o plenário da Assembleia Nacional, dominada pela oposição desde o início de 2016, noticiou o jornal venezuelano El Nacional.

Em nota de protesto, o presidente da Assembleia Nacional, Julio Borges, declarou que, "aproveitando a noite, estes altos funcionários do governo, apoiado por um já conhecido coronel, cometeram este atropelo contra a sede do Poder Legislativo."

O objetivo seria preparar uma reunião às 10h desta terça-feira da Assembleia Nacional Constituinte convocada por Maduro, ilegal e ilegítima, por violar a atual Constituição da República Bolivarista da Venezuela, que exige a realização de um plebiscito para convocar a Constituinte.

Sua eleição violou a regra básica da democracia de que todos os adultos tenham direito ao voto e que todos os votos tenham o mesmo peso. Na Constituinte de Maduro, dois terços dos deputados foram eleitos "territorialmente".

Cada cidade teve direito a um deputado e as capitais de estados, a dois. Isso deu um peso enorme a pequenas comunidades rurais com populações muitos menores do que as grandes cidades.

O outro terço foi eleito por "entidades" da sociedade civil, na verdade, atreladas ao regime chavista. Como a oposição boicotou sua eleição, o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) tem controle absoluto da Constituinte.

Assim, Maduro pretende usurpar o poder legislativo da Assembleia Nacional eleita democraticamente em 6 de dezembro de 2015 e implantar uma ditadura governando com entidades pelegas.

Para dar uma aparência de legitimidade à Constituinte, o Conselho Nacional Eleitoral, subserviente ao regime, anunciou que mais de 8 milhões de pessoas votaram. Duas semanas antes, em consulta popular organizada pela oposição, 7,5 milhões rejeitaram a Constituinte de Maduro e o ditador queria bater esse número.

No fim de semana, um grupo de militares e civis rebelados atacou um quartel na cidade de Valência. Duas pessoas morreram no confronto. O governo chamou os rebeldes de "terroristas". Há poucas semanas, houve um suposto ataque de helicóptero jamais esclarecido.

Esses dois ataques não significam uma divisão na alta cúpula das Forças Armadas, hoje o principal sustentáculo do regime chavista, mas podem indicar uma insatisfação em escalões inferiores. Soldados e oficiais de baixa patente não têm os privilégios da cúpula e sofrem o impacto da crise econômica brutal, com queda de 30% do produto interno bruto nos últimos quatro anos, inflação de 1.200% ao ano e desabastecimento generalizado, com emagrecimento da população.

A Constituinte deve aumentar o controle do Estado sobre a economia, no modelo cubano, que, como dizia Fidel Castro, não funciona nem em Cuba. Maduro não tem saída para a pior crise econômica da história da Venezuela, que não pode ser atribuída aos Estados Unidos.

Afinal, desde que o coronel Hugo Chávez foi eleito presidente, em 1998, a Venezuela vendeu US$ 1 trilhão em petróleo e o maior comprador foi os EUA.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Núcleo do Sol completa rotação em uma semana

Se a Terra dá uma volta completa ao redor de seu eixo em 24 horas, o núcleo do Sol precisa de uma semana, concluíram cientistas que calcularam pela primeira vez o tempo de rotação da estrela do nosso sistema solar. A pesquisa foi publicada na revista acadêmica Astronomy & Astrophysics.

O Sol tem se mantido com impressionante instabilidade nos últimos 4,6 bilhões de anos por causa do equilíbrio entre a força da gravidade e a pressão das explosões termonucleares no seu núcleo. Agora, pela primeira vez, os astrônomos do Laboratório Lagrange mediram o tempo da rotação desse núcleo.

A equipe é formada por especialistas do Centro Nacional de Pesquisas Científicas da França (CNRS), do Observatório da Costa Azul e da Universidade de Nice Sophia Antipolis. Eles usaram um instrumento chamado GOLF (Oscilações Globais de Baixas Frequências), instalado no observatório espacial SOHO (Observatório Solar e Heliosférico dos Estados Unidos), que orbita ao redor do Sol.

A cada dez segundos, o GOLF mede as oscilações da superfície do Sol. Faz isso há 20 anos a bordo do SOHO. Os dados são analisados pelo Laboratório Lagrange, o Instituto de Astrofísica Espacial da Universidade do Sul de Paris, do Laboratório de Astrofísica, Interpretação e Modelagem da Universidade de Paris Diderot, do Laboratório de Astrofísica de Bordeaux, do Instituto de Astrofísica das Canárias e da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA).

Eles concluíram que o núcleo do Sol completa a rotação em torno do seu eixo em uma semana, uma velocidade 3,8 vezes maior do as camadas intermediária e exterior. A descoberta deve levar a novas pesquisas de física solar sobre a origem, evolução, estrutura e composição química do Sol.

domingo, 6 de agosto de 2017

ONU aprova novas sanções à Coreia do Norte

As bolsas de valores da Ásia abrem hoje em ambiente de incerteza à espera da reação da Coreia da Norte às novas sanções aprovadas ontem por unanimidade pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas por causa de seus repetidos testes nucleares e de mísseis.

Todas as exportações norte-coreanas de carvão, chumbo, minério de chumbo, ferro, minério de ferro e frutos do mar serão proibidas, assim como o envio de mais trabalhadores ao exterior. O Banco de Comércio Exterior da Coreia do Norte sofrerá novas restrições internacionais.

A previsão é que as sanções reduzam as exportações norte-coreanas de US$ 3 bilhões para US$ 2 bilhões, uma redução de um terço, isolando ainda mais a ditadura stalinista de Pionguiangue, que tem 85% do seu comércio exterior com a China.

Ao comentar a aprovação, a embaixadora dos Estados Unidos na ONU, Nikki Haley, comentou que a resolução é "um passo forte e unido para tornar a Coreia do Norte responsável pelos seus atos". Antes da votação, ela havia dito: "Toda essa irresponsabilidade nuclear e com mísseis balísticos intercontinentais tem de parar."

A unanimidade reflete a insatisfação do regime comunista chinês com o regime comunista norte-coreano. A China não adota medidas mais duras por temer o colapso da ditadura de Pionguiangue, uma fuga em massa de refugiados, instabilidade na sua fronteira e a unificação da Península Coreana sob a liderança da Coreia do Sul, onde os EUA mantém 28 mil soldados.

O embaixador chinês na ONU, Liu Jieyi, fez um apelo à Coreia do Norte para que "pare de fazer ações que possam escalar a tensão". Ele criticou os EUA e pediu o desmantelamento de um sistema de defesa antimísseis que começou a ser instalado na Coreia do Sul.

Desde o colapso da União Soviética, em 1991, o regime comunista norte-coreano perdeu sua grande patrocinadora e faz uma chantagem atômica com o Ocidente em busca de ajuda de energia e alimentos. Em 1994, no governo Bill Clinton, os EUA fizeram um acordo.

Vários acordos foram violados por Pionguiangue. Desde 2006, quando fez o primeiro de seus cinco testes nucleares, a Coreia do Norte ignorou seis resoluções do Conselho de Segurança da ONU proibindo o desenvolvimento de armas atômicas e de tecnologia de mísseis.

Com a ascensão ao poder do jovem ditador Kim Jong Un depois da morte do pai, em 2011, o neto do Grande Líder Kim Il Sung, fundador da Coreia do Norte, acelerou os programas nuclear militar e de tecnologia de mísseis.

Depois da Guerra do Golfo de 1991, para expulsar os iraquianos do Kuwait, a Índia concluiu que para enfrentar os EUA um país precisa de armas nucleares. A Índia testou uma bomba atômica em 1998, assumindo publicamente um status nuclear que tinha desde 1974.

Quando o então presidente George Walker Bush citou um "eixo do mal" formado por Irã, Iraque e Coreia do Norte e atacou o Iraque para derrubar Saddam Hussein, em 2003, a Coreia do Norte e o Irã intensificaram seus programas nucleares.

Kim Jong Un teria decidido que a bomba atômica é a única defesa segura para seu governo depois da intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar do Ocidente, liderada pelos EUA, para derrubar o ditador da Líbia, Muamar Kadafi, em 2011.

Kadafi abriu mão de seu programa nuclear para se aproximar do Ocidente e colaborou na perseguição a jihadistas na "guerra contra o terrorismo", mas na hora em que precisou se defender estava desarmado.

É difícil que Kim Jong Un tenha qualquer incentivo para abrir mão do arsenal nuclear. Esta última resolução foi adotada depois de dois testes de mísseis balísticos intercontinentais com potencial para atingir o território americano.

O secretário de Estado, Rex Tillerson, afirmou na semana passada que os EUA não são uma ameaça à Coreia do Norte e não querem mudança de regime no país, mas alertou que a ameaça dos mísseis nucleares norte-coreanos é inaceitável. Se acreditar que a ditadura de Pionguiangue adquiriu capacidade nuclear para atingir os EUA, o presidente Donald Trump está disposto a atacar.

Uma guerra seria potencialmente devastadora, especialmente para a Coreia do Sul, alvo imediato de uma retaliação norte-coreana. Também não interessa à China, preocupada em manter a estabilidade que garantiu seu extraordinário crescimento econômico. Mas não pode ser descartada.

sábado, 5 de agosto de 2017

Mercosul suspende Venezuela por "ruptura da ordem democrática"

Em reunião de chanceleres realizada hoje em São Paulo, o Mercado Comum do Sul (Mercosul) decidiu por unanimidade suspender a participação da Venezuela por violar a cláusula democrática do bloco comercial.

A medida tem poucas consequências práticas. A Venezuela estava excluída do Mercosul desde o fim do ano passado por não ter internalizado as regras do bloco onde entrou pela janela em 2012.

Na época, numa manobra oportunista, as então presidentes do Brasil, Dilma Rousseff, e da Argentina, Cristina Kirchner, aproveitaram a suspensão do Paraguai por causa do impeachment do presidente Fernando Lugo sem direito de defesa para colocar a Venezuela no Mercosul.

A Venezuela tinha pedido associação em 2006, mas o Congresso do Paraguai nunca ratificou o ingresso. Ao contrário do que acontece em blocos regionais de sucesso como a União Europeia, a Venezuela não negociou previamente a adesão às regras do bloco comercial. Isso foi usado pelos governos direitistas de Mauricio Macri, na Argentina, e Michel Temer, no Brasil, para suspender a Venezuela em 2016.

Agora, houve "ruptura da ordem democrática". A Venezuela só volta ao bloco quando acabar a ditadura imposta pela Assembleia Nacional Constituinte ilegal e ilegítima convocada pelo ditador Nicolás Maduro.

"Na Venezuela, não há democracia e sem democracia não se faz parte do Mercosul", declarou o chanceler argentino, Jorge Faurie. "É uma sanção grave, de natureza política", comentou o ministro brasileiro, Aloysio Nunes Ferreira. "O objetivo é ter uma transição pacífica e a libertação de todos os presos políticos. Queremos que a Venezuela reencontre a democracia."

Aparentemente, o bloco perdeu a capacidade de mediar a crise venezuelana.

Constituinte de Maduro demite procuradora-geral da Venezuela

Em um de seus primeiros atos, a Assembleia Nacional Constituinte convocada pelo ditador Nicolás Maduro demitiu hoje a procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega Díaz, que denunciou sua eleição como ilegal e ilegítima. As forças de segurança do regime cercaram a sede do Ministério Público, em Caracas.

Maduro convocou a Constituinte para usurpar os poderes da Assembleia Nacional eleita em 6 de dezembro de 2015 com maioria de dois terços da oposição. Ortega, chavista histórica, rejeitou a manobra alegando não haver necessidade de mudar a Constituição da República Bolivarista da Venezuela, inspirada pelo então presidente Hugo Chávez.

Depois que a empresa que organizou a apuração denunciou fraude, com a adição de pelo menos um milhão de votos falsos, Ortega pediu a dissolução da Constituinte. Ela acusou de "terrorismo de Estado" e de transformar a Venezuela num "Estado policial".

A procuradora-geral investigava violações dos direitos humanos cometidas pelas forças de segurança na repressão às manifestações de protestos realizadas diariamente nas ruas de Caracas e das principais cidades desde o início de abril. Nesse período, pelo menos 121 mortes, 2 mil pessoas saíram feridas e mais de 5 mil foram presas.

Na época, a oposição reagiu à decisão do Tribunal Supremo de Justiça de assumir o Poder Legislativo, negando legitimidade à Assembleia Nacional eleita democraticamente. Sob pressão, o Supremo recuou.

Sem saída legal para revogar os poderes do Parlamento, Maduro inventou a ideia de uma Constituinte eleita "territorialmente" e por "entidades". Nesta fórmula para violar o princípio do voto direto, secreto e universal que é a base da democracia, cada cidade elegeu um deputado e as capitais de estado dois, aumentando desproporcionalmente a representação de pequenas comunidades rurais em detrimento das grandes cidades.

Dois terços foram eleitos em "bases territoriais" e o outro terço por entidades pelegas ligadas ao regime chavista. Como a oposição boicotou as eleições, o Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) domina totalmente a Constituinte, que deve implantar uma ditadura comunista semelhante às de Cuba e da Coreia do Norte.

O problema é que a Venezuela enfrenta a pior crise econômica de sua história independência, com depressão de mais de 30% do PIB desde a morte de Chávez, em 2013, inflação de 1.200% ao ano, desabastecimento generalizado e emagrecimento da população, com mais de 80% vivendo na miséria.

A Constituinte de Maduro não tem a menor chance de fazer as reformas necessárias para levar a Venezuela de volta à economia de mercado, com o fim dos controles sobre preços e câmbio. Os riscos são de um colapso econômico total, agravamento da crise humanitária que já levou centenas de milhares de venezuelanos a fugir para a Colômbia e o Brasil, e guerra civil.

Cotação do dólar dá novo salto na Venezuela

O dólar foi cotado a 18.982,93 bolívares e o euro a 22.589,69 bolívares no mercado paralelo na Venezuela ontem, quando o regime chavista deu posse a uma Assembleia Nacional Constituinte não reconhecida internacionalmente, numa manobra do ditador Nicolás Maduro para ter poderes absolutos, informou o boletim de notícias Dolar Today. 

No domingo, dia da eleição da Constituinte de Maduro, a moeda americana valia 10.389,79 bolívares e a europeia, 12.156,05. A oposição boicotou as eleições manipuladas pelo regime chavista, que assim tem controle total sobre a Constituinte, eleita para usurpar os poderes da Assembleia Nacional, onde a oposição conquistou maioria de dois terços nas eleições de 6 de dezembro de 2015.

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

EUA tiveram saldo de 209 mil novos empregos em julho

A economia dos Estados Unidos gerou, em julho de 2017, 209 mil postos de trabalho a mais do que fechou, revelou hoje o Relatório de Emprego do Departamento do Trabalho. O índice de desemprego, medido em outra pesquisa, caiu de 4,4% para 4,3%. É o menor em 16 anos.

Nos primeiros sete meses do ano, o mercado de trabalho americano criou cerca de 1,3 milhão de empregos, mantendo o ritmo iniciado sete anos atrás, no governo Barack Obama. O emprego não cai desde outubro de 2010. São seis anos e dez meses de expansão.

A média dos últimos três meses foi de 195 mil novos empregos. Os dados de maio e junho foram revisados para cima, com mais 2 mil vagas. Os salários mantiveram a alta anual de 2,5%.

O índice de participação no mercado de trabalho de pessoas entre 25 e 54 anos subiu para 78,5%, aproximando-se dos 80,3% de janeiro de 2007, antes do início da Grande Recessão.

Durante a campanha eleitoral, o presidente Donald Trump havia acusado o relatório de fraudulento, feito sob medida para ajudar sua adversária, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton. Agora, festejou o resultado e tentou reivindicar a glória, alegando que seu governo está aumentando o crescimento, mas os números não confirmam isso.

Trump também se vangloria da alta da Bolsa de Valores de Nova York desde sua posse. Nos primeiros seis meses de governo, o Índice Dow Jones subiu 9%, bem menos do que sob Obama (22,6%) e George Herbert Walker Bush, o pai (20,1%).

Trump culpa Congresso por problema nas relações com a Rússia

Em sua metralhadora giratória no Twitter, um dia depois de sancionar uma lei impondo novas sanções à Rússia, o presidente Donald Trump culpou o Congresso dos Estados Unidos pela deterioração nas relações entre os dois países.

Mais uma vez, Trump ignorou a história e a realidade atual: "Nosso relacionamento com a Rússia está no pior momento em todos os tempos, muito perigoso", afirmou o presidente. Esqueceu que os dois países quase foram à guerra nuclear durante a Guerra Fria e que há várias investigações sobre a interferência indevida do Kremlin na eleição presidencial americana do ano passado.

"Vocês podem agradecer ao Congresso, as mesmas pessoas que não são capazes de nos dar uma reforma da saúde", disparou o presidente, criticando o Senado, que não aprovou várias tentativas do governo Trump para acabar com o programa de universalização da saúde do governo Barack Obama.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Popularidade de Trump atinge novo recorde negativo

A popularidade do presidente Donald Trump caiu para apenas 33%. Cerca de 61% dos americanos, indica uma nova pesquisa divulgada ontem pela Universidade Quinnipiac. São os piores índices desde a posse, em 20 de janeiro.

No fim de junho, a mesma pesquisa registrou 40% de apoio a Trump e 55% de desaprovação. Nessa última pesquisa, 71% disseram que não consideram o presidente equilibrado e 62% não acreditam que ele seja honesto.

A maioria dos eleitores pensa que Trump não tem as habilidades para uma liderança positiva e não se preocupa com os americanos médios.

EUA multam Halliburton por corrupção em Angola

A Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) multou a companhia de serviços do setor de petróleo Halliburton em US$ 29 milhões por corrupção e tráfico de influência num caso envolvendo a empresa estatal de petróleo de Angola, a Sonangol, e outra companhia angolana. O ex-vice-presidente da Halliburton Jeannot Lorenz vai pagar multa de US$ 75 mil.

De acordo com as investigações, a Halliburton lucrou US$ 14 milhões em negócios nos campos petrolíferos angolanos depois de pagar propinas pesadas.

A Sonangol avisou a Halliburton que para operar em Angola teria de se associar a empresas angolanas. Lorenz escolheu uma companhia angolana chefiada por um antigo funcionário da Halliburton que tinha relações com o setor da Sonangol encarregado de aprovar contratos.

Em uma reunião na sede na estatal angolana, em Luanda, em 19 de abril de 2009, Lorenz ofereceu uma propina equivalente a 2% dos rendimentos da Halliburton em Angola. Isso daria US$ 4 milhões no segundo semestre de 2009 e US$ 15 milhões em 2013. O departamento jurídico da Halliburton vetou.

Lorenz passou então a pagar a uma empresa angolana não identificada, primeiro US$ 30 mil e depois até US$ 45 mil. Sob pressão para assinar um contrato maior, encarregou os angolanos da manutenção de habitações, viagens e serviços de transporte.

O dono da empresa angolana pediu US$ 250 mil mensais acima do custo, recusando-se a negociar qualquer redução. Na assinatura do contrato, a empresa ganhou US$ 405 mil para serviços supostamente realizados entre setembro de 2009 e maio de 2010, quando nada fez.

A Halliburton concordou em pagar US$ 275 mil mensais. Até o contrato ser rompido, em abril de 2011, a companhia angolana recebeu US$ 3,7 milhões e a Sonangol aprovou sete contratos com a Halliburton que renderam os US$ 14 milhões.

Segundo maior produtor de petróleo da África, disputando a liderança com a Nigéria, Angola é um dos países mais corruptos do mundo. A filha do presidente José Eduardo dos Santos, no poder desde 1979, Isabel dos Santos, é a mulher mais rica da África, com fortuna estimada em US$ 2,3 bilhões.

O Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), originalmente um grupo guerrilheiro marxista-leninista, está no poder desde a independência do país. É o favorito na eleição presidencial de 23 de agosto com a candidatura do atual ministro da Defesa, general João Lourenço.

No poder desde 1979, quando sucedeu ao líder da independência, Agostinho Neto, Santos travou uma longa guerra contra a União Nacional pela Independência Total de Angola (UNITA). Deixa o país como um dos maiores produtores de petróleo da África, mas marcado pela corrupção e o nepotismo.

Mesmo formalmente fora do governo, Santos deve manter o poder e a imunidade para si e a família, observa a agência Bloomberg em reportagem publicada no Diário de Notícias de Portugal.

"Dos Santos não tem a menor intenção de deixar o poder", comentou o analista Gary van Staden, da NKC African Economics. "Vai se assegurar de que seus amigos nas forças de segurança fiquem nos seus postos e o protejam."

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Só 3,7 milhões de venezuelanos tinham votado até 17h30

Só 3,7 milhões de venezuelanos tinham votado até as 17h30 de domingo nas eleições da Assembleia Nacional Constituinte convocada pelo ditador Nicolas Maduro, indicam os registros do Conselho Nacional Eleitoral vistos pela agência Reuters. Isso levanta suspeitas sobre o total de 8,1 milhões de eleitores que o regime anunciou terem votado.

A oposição denuncia a Constituinte de Maduro como uma manobra para usurpar os poderes da Assembleia Nacional eleita em 6 de dezembro de 2015, onde tem maioria de dois terços, e impor uma ditadura na Venezuela.

Em 16 de julho, numa consulta popular organizada pela oposição, 7,5 milhões de venezuelanos repudiaram a Constituinte de Maduro. Assim, o regime chavista decidiu apresentar um número superior para defender a legitimidade da manobra.

Os documentos vistos pela Reuters indicam que 3.720.465 votaram até 17h30 nas 14.515 seções eleitorais. Seria praticamente impossível que mais do dobro desse número votassem na última hora e meia de abertura das urnas.

Faturamento da Apple cresce 7,2% num ano

Com fortes vendas de iPads e Macs, a Apple anunciou ontem um faturamento de US$ 45,4 no segundo trimestre, um aumento de 7,2% na comparação anual. O lucro no período subiu 12% para US$ 8,72 bilhões. Foi o segundo trimestre consecutivo de alta depois de um ano de queda. As ações da maior empresa privada do mundo subiram 6% na negociação eletrônica, depois do fechamento das bolsas de Nova York.

As vendas do iPhone, principal produto da empresa, cresceram apenas 1,6%, para 41,03 milhões, à espera do iPhone 8, que deve ser lançado em setembro para festejar 10 anos do telefone inteligente que mudou o mundo. O mercado está retraído à espera do iPhone 8.

Em meio a uma queda de 4% no mercado de computadores pessoais, as vendas de Macs aumentaram 6,7%, no terceiro trimestre consecutivo da alta.

As encomendas de iPads cresceram pela primeira vez em três anos e meio, em 15%, para 11,42 milhões de unidas, com forte alta nas vendas para escolas e empresas, depois do lançamento em março de um novo iPad básico e em junho de um novo iPad Pro.

Além do novo iPhone, com recarga sem fio e reconhecimento facial, o diretor-presidente da Apple, Tim Cook, aposta no novo sistema operacional para aparelhos móveis iOS 11 para aumentar as vendas.

terça-feira, 1 de agosto de 2017

China propõe plano de paz a Israel e palestinos

O embaixador da China nas Nações Unidas, Liu Jieyi, pediu hoje o apoio internacional ao plano de quatro pontos proposto pelo presidente Xi Jinping para um acordo de paz entre Israel e os palestinos que acabe com décadas de conflito e crie uma Palestina independente, noticiou o jornal The Times of Israel.

A proposta de paz chinesa foi elaborada depois da visita à Beijim do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.

Seus quatro pontos são:
• avançar rumo a uma solução com dois estados com base nas fronteiras anteriores à guerra de 1967, com Jerusalém Oriental como capital do Estado palestino;
• aplicar "o conceito de uma segurança comum, ampla, cooperativa e sustentável", acabar imediatamente com a ampliação das colônias judaicas, tomar medidas imediatas para prevenir a violência contra civis e reiniciar as conversações de paz;
• coordenar os esforços internacional para por em prática "medidas conjuntas de promoção da paz";
• promover a paz através da cooperação e do desenvolvimento de Israel e dos palestinos.

O representante chinês afirmou que Israel e a Palestina são parceiros importantes no projeto do Novo Caminho da Seda, uma série de obras de infraestrutura para com portos, rodoviais e ferrovias na Ásia, na África e na Europa.

Dólar sobe mais 7,7% com prisão de oposicionistas na Venezuela

Com a prisão dos líderes oposicionistas Antonio Ledezma e Leopoldo López e o agravamento da crise política na Venezuela, a cotação do dólar no mercado paralelo chegou hoje a 11.185,95 bolívares. O euro vale 13.087,54.

Ontem, depois das eleições de uma Assembleia Nacional Constituinte convocada para usurpar o poder da Assembleia Nacional eleita democraticamente, onde a oposição tem maioria de dois terços, e consolidar o poder do ditador Nicolás Maduro, a moeda americana valia 10.389,79 bolívares e o euro, 12.156,05 bolívares.

A Venezuela vive a pior crise econômica de sua história, com queda de 30% do produto interno bruto desde 2013 e 82% da população caindo na probreza. O desabastecimento é generalizado e a inflação deve chegar a 1.200% ao ano em 2017.

Venezuela bota na cadeia dois líderes da oposição

Dois líderes da oposição na Venezuela, os ex-prefeitos Antonio Ledezma e Leopoldo López, que estavam em prisão domiciliar, foram presos na madrugada de hoje pelo Serviço Bolivarista de Inteligência Nacional (Sebin), o serviço secreto do regime chavista, denunciaram parentes e oposicionistas.

As prisões acontecem dois dias depois das eleições para uma Assembleia Nacional Constituinte convocada sob medida pelo ditador Nicolás Maduro para usurpar os poderes da Assembleia Nacional eleita democraticamente, hoje dominada pela oposição.

"Acabam de levar Leopoldo de casa", escreveu no Twitter Lilian Tintori, a mulher de López. "Não sabemos onde está nem para onde o levaram. Maduro é responsável se algo lhe acontecer."

As famílias divulgaram na Internet vídeos do momento das prisões. López, líder do partido direitista Vontade Popular, foi preso em 2014 sob a acusação de fomentar a violência em manifestações de rua nas quais 43 pessoas morreram. Em 2015, ele foi condenado a 13 anos e nove meses de prisão.

Ledezma, da Aliança Bravo Povo (ABP) foi preso em fevereiro de 2015 so a acusação de conspiração e formação de quadrilha. Depois de ficar dois meses na prisão militar de Ramo Verde, por motivos de saúde, foi mandado para prisão domiciliar.

Na semana passada, ambos divulgaram mensagens pedindo ao eleitorado venezuelano que não votasse na Constituinte e participasse dos protestos de rua, e à sociedade internacional para que não reconheça a manobra ditatorial de Maduro.

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Trump escreveu resposta mentirosa do filho sobre encontro com russa

O presidente Donald Trump interferiu pessoalmente na elaboração da nota mentirosa de seu filho Donald Trump Jr. para explicar um encontro com uma advogada e espiã russa durante a campanha eleitoral do ano passado, revelou hoje o jornal The Washington Post. A participação direta de Trump aumenta o risco de que seja acusado de obstrução de justiça no inquérito sobre a interferência indevida da Rússia na eleição de 2016.

A resposta de Trump Jr. começou a ser preparada por assessores do presidente durante a reunião de cúpula do Grupo dos Vinte (G-20) em Hamburgo, na Alemanha, em 7 e 8 de julho, diz o Post. O objetivo era se antecipar a notícia, divulgando uma nota que não pudesse ser desmentida por revelações futuras. Mas o presidente mudou de ideia.

Dentro do avião presidencial Air Force One, na volta para casa, Trump ditou pessoalmente a primeira versão, dizendo que o filho e a advogada russa tinham "discutido principalmente um programa de adoção de crianças russas" quando se encontraram, em junho de 2016.

A nota foi divulgada quando o jornal The New York Times preparava uma reportagem sobre a reunião, da qual também participaram o genro de Trump, Jared Kushner, e o chefe da campanha, Paul Manafort. Afirmava que o assunto discutido no encontro "não era tema da campanha".

Com a multiplicidade de versões circulando, três dias depois Trump Jr. admitiu ter recebido mensagens de correio eletrônico com promessa de um intermediário britânico de que os russos teriam informações comprometedoras sobre a adversária de Trump, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton. Mais ainda: as informações estavam sendo passadas como sinal do apoio do Kremlin à candidatura Trump.

O presidente fica assim mais vulnerável a uma acusação de obstrução de justiça no inquérito presidido pelo procurador especial Robert Mueller, ex-diretor-geral do FBI (Federal Bureau of Investigation ), a polícia federal dos EUA.

Em maio, Trump demitiu o então diretor-geral do FBI, James Comey. Recentemente, criticou o ministro da Justiça e procurador-geral Jeff Sessions, que se declarou impedido de presidir o inquérito por ter se encontrado com o embaixador russo.

Trump estaria interessado em se livrar de Sessions para afastar Mueller, mas está sob pressão dos deputados e senadores do Partido Republicano para respeitar a regra do jogo. Até indultar a si mesmo Trump admitiu em seus tuítes delirantes. O cerco se fecha.

Tesouro dos EUA impõe sanções a Maduro

O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos impôs hoje sanções ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, por violações dos direitos humanos e por considerar ilegítimas as eleições de ontem para uma Assembleia Nacional Constituinte usada para criar um regime autoritário.

A medida congela todos os bens e valores de Maduro em território dos EUA. Não se sabe se existe algum. Ele entra numa lista negra de chefes de Estado e de governo e altos funcionários feita pelo Tesouro americano.

"As eleições ilegítimas de ontem confirmam que Maduro é um ditador que despreza a vontade do povo venezuelano", afirmou o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, ao anunciar a decisão do governo Donald Trump. "Ao sancionar Maduro, os EUA deixaram clara nossa oposição às políticas do regime e nosso apoio ao povo da Venezuela que quer a volta de uma democracia plena e próspera."

O secretário do Tesouro advertiu que todos os funcionários públicos ligados à Assembleia Constituinte de Maduro pode ser alvo de sanções. Não falou em petróleo. Dentro do governo Trump, altos funcionários ameaçam cortar a importação de petróleo venezuelano se Maduro levar adiante a Constituinte.

Procuradora-geral denuncia ilegitimidade da Constituinte na Venezuela

A procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega Díaz, repudiou hoje o resultado das eleições convocadas ilegalmente pelo ditador Nicolás Maduro para formar uma Assembleia Nacional Constituinte a assim usurpar os poderes da Assembleia Nacional eleita democraticamente, dominada pela oposição, informou o jornal venezuelano El Nacional.

"Dirijo-me ao país na condição de procuradora-geral e membro do Conselho Moral Republicano para desconhecer os supostos resultados desta Constituinte presidencial", declarou Luisa Ortega em entrevista coletiva. "O que anunciaram foi uma burla ao povo e sua soberania, enquanto dão muito poder a uma minoria."

Ela afirmou que os resultados oficiais divulgados ontem pelo Conselho Nacional Eleitoral, dominado pelo regime chavista, só beneficiam o governo para que se mantenha no poder. Também previu que a Constituinte de Maduro só vai agravar a crise política, econômica e social.

Luisa Ortega foi contra a convocação de uma Constituinte desde que Maduro apresentou a ideia. Um dos argumentos para denunciar a ilegalidade e ilegitimidade da manobra é a exigência de um plebiscito, de uma consulta popular. Sem apoio popular, Maduro atropelou a Constituição e convocou a Constituinte assim mesmo.

A procuradora-geral alegou ainda que a Constituição da República Bolivarista da Venezuela, aprovada em 1999 sob a inspiração do então presidente Hugo Chávez, é uma conquista da "revolução" e deve ser preservada em homenagem ao finado caudilho.

Em resposta, o governo usurpou seus poderes, congelou seus bens e propriedades, e a proibiu de deixar a Venezuela.

Mais de 120 pessoas foram mortas nas manifestações de rua realizadas todos os dias desde o começo de abril. A Venezuela está à beira de uma guerra civil.

Diretor da comunicações da Casa Branca cai após 10 dias no cargo

Durou apenas 10 dias o reinado do magnata financeiro Anthony Scaramucci como diretor de comunicações da Presidência dos Estados Unidos. Ele caiu hoje depois de atacar violentamente com palavrões o chefe da Casa Civil da Casa Branca, Reince Priebus, que pediu demissão.

Scaramucci tinha a missão de acabar com o vazamento de informações na Casa Branca. Quando seus dados financeiros foram revelados pelo boletim Politico, o financista reagiu furiosamente e atacou Priebus em entrevista à revista The New Yorker, chamando-o de "esquizofrênico paranoide fudido, um paranoico". As informações haviam sido obtidas de fontes públicas.

Priebus saiu sem responder diretamente a Scaramucci, alegando não querer chafurdar na lama. Foi substituído pelo general reformado John Kelly, do Corpo de Fuzileiros Navais, encarregado de pôr ordem no caos em que se transformou a Presidência dos EUA no governo Donald Trump.

Brasil, EUA e outros países não reconhecem Constituinte de Maduro

O Brasil, os Estados Unidos, a Argentina, a Colômbia, o México, o Uruguai e a Espanha não vão reconhecer a Assembleia Nacional Constituinte eleita indiretamente ontem na Venezuela numa jogada do ditador Nicolás Maduro para tirar poder da Assembleia Nacional, dominada pela oposição.

Pelo menos 10 pessoas foram mortas pela violência política associada a essas eleições, elevando para mais de 120 o total de mortos desde o início de uma onda de manifestações de rua diárias, em abril. Os oposicionistas saíram às ruas para boicotar o pleito. Enfrentaram a Guarda Nacional e as milícias chavistas.

Mais de 8 milhões de venezuelanos participaram da votação de ontem, boicotada pela oposição, anunciou a presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Tibisay Lucena. A oposição contesta este número e acusa o regime chavista de manipulação.

Duas semanas antes, mais de 7,6 milhões de venezuelanos participaram de uma consulta popular realizada pela oposição e 98% votaram contra a Constituinte de Maduro, que vai transformar a Venezuela numa ditadura escancarada.

Pela Constituição da República Bolivarista da Venezuela, aprovada em 1999 sob a inspiração do então presidente Hugo Chávez, a convocação de uma Constituinte precisa ser aprovada pelo voto popular em plebiscito. Maduro ignorou a Constituição de Chávez e pretende reescrevê-la para acabar com qualquer vestígio de democracia na Venezuela.

Vários governos repudiaram a Constituinte e fizeram apelos a Maduro para suspender a assembleia e retomar o diálogo com a oposição. O diálogo é difícil em meio à pior crise econômica desde a independência do país.

Para ficar no cargo até as próximas eleições, Maduro teria de mudar totalmente a política econômica, acabando com os controles de preços e câmbio. Parece inacreditável.                                          

domingo, 30 de julho de 2017

Maioria dos americanos apoia programa de saúde de Obama

Quase dois terços dos Estados Unidos são contra as tentativas do Partido Republicano de acabar com o programa de saúde do governo Barack Obama e acreditam que o Congresso deve se dedicar a outras questões, indica uma pesquisa do instituto Ipsos para a agência Reuters.

Cerca de 64% dos mais de 1.130 americanos ouvidos em 28 e 29 de julho, depois do colapso das propostas republicanas no Senado, querem manter o Obamacare "inteiramente como está" ou mudando apenas "áreas problemáticas". Em janeiro, 54% eram a favor.

Ao todo, 71% esperam que o Congresso passe a atacar outros problemas do país. Apenas 29% querem que os republicanos "continuem trabalhando numa nova lei de saúde". É mais uma derrota para o presidente Donald Trump, que insiste na rejeição do programa de Obama para garantir cobertura universal de saúde.

sábado, 29 de julho de 2017

Dólar passa de 10 mil bolívares com crise na Venezuela

Com o agravamento da crise política na véspera de eleições para escolher uma Assembleia Constituinte servil ao ditador Nicolás Maduro, a cotação do dólar no mercado paralelo da Venezuela chegou hoje a 10.389,79 bolívares e o euro a 12.156,05 bolívares, noticiou o boletim Dolar Today.

Os principais líderes da oposição, Henrique Capriles e Leopoldo López, convocaram a população a sair às ruas e tentar bloquear a votação. Pela Constituição da República Bolivarista da Venezuela, do governo Hugo Chávez, é necessário um plebiscito para o eleitorado autorizar a convocação de uma Assembleia Nacional Constituinte.

Sob pressão da Assembleia Nacional, onde a oposição tem maioria de dois terços desde 5 de janeiro de 2016, Maduro usa a Constituinte para desautorizar o atual Legislativo e governar com o apoio de entidades pelegas subservientes ao regime chavista. É a consolidação da ditadura. O Executivo controla o Judiciário e passará a dominar também o Legislativo, anulando a vitória eleitoral da oposição.

Dos 545 deputados da Constituinte de Maduro, 364 serão eleitos territorialmente, um em cada município e dois para as capitais de estado. Os demais 181 constituintes serão eleitos por setor, por entidades dominadas pelo chavismo, 79 trabalhadores, 28 aposentados, 8 camponeses e pescadores, 8 indígenas, 5 empresários e 4 deficientes.

Cerca de 20 mil candidatos se inscreveram para as eleições territoriais e 35 mil para as eleições setoriais, revelou o Conselho Nacional Eleitoral, controlado pelo regime.

A Venezuela vive a pior crise econômica de sua história independente, com queda de 30% do produto interno bruto desde 2013, ano da morte de Hugo Chávez, o que caracteriza uma depressão econômica. Isso jogou 82% da população na miséria.

Desde a ascensão de Chávez ao poder, em 1999, a Venezuela exportou US$ 1 trilhão em petróleo, mas não tem dinheiro para importar papel higiênico. A inflação deve chegar a 1.200% neste ano e o desabastecimento de produtos básicos é generalizado. Três quartos dos venezuelanos perderam peso por falta de comida.

Para agravar ainda mais a situação, pelo menos 117 pessoas foram mortas na repressão governamental contra as manifestações de protestos que tomam as ruas da Venezuela todos os dias desde o início de abril.

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Trump demite chefe da Casa Civil da Casa Branca

O presidente Donald Trump demitiu hoje Reince Priebus da chefia da Casa Civil da Presidência dos Estados Unidos e anunciou no Twitter sua substituição pelo até agora secretário da Segurança Interna, general John Kelly, da reserva do Corpo de Fuzileiros Navais.

Priebus havia sido violentamente atacado pelo novo diretor de comunicações da Casa Branca, Anthony Scaramucci. Em telefonema ao correspondente em Washington da revista The New Yorker, Ryan Lizza, Scaramucci chamou Preibus de "esquizofrênico paranoide fudido, um paranoico" e acusou-o pelo vazamento de notícias para os meios de comunicação.

Quando Trump não reagiu desautorizando seu diretor de comunicações, ficou evidente que os dias de Preibus estavam contados. Foi o não interino que ficou menos tempo no cargo.

O ex-ministro-chefe da Casa Civil era presidência do comitê executivo nacional do Partido Republicano. Foi uma indicação que veio do partido e não do círculo íntimo dos favoritos de Trump.

"Tenho prazer em informou que acabei de nome o secretário e general John Kelly para chefe da Casa Civil da Casa Branca. Ele é um grande americano e um grande líder", anunciou Trump no Twitter no início da tarde.

Em discurso fascistou em que avalizou a violência policial diante de policiais dos estados de Nova Jérsei e Nova York e culpou os imigrantes pela criminalidade e a violência nos EUA, Trump elogiou seu secretário da Segurança Interna dizendo que Kelly reduziu sensivelmente a entrada de imigrantes ilegais.

O novo desafio do ex-fuzileiro naval é pôr ordem na caótica Casa Branca do governo Trump, que claramente prefere militares a políticos.

Coreia do Norte faz novo teste de mísseis

O regime comunista da Coreia do Norte fez hoje um novo teste do que pode ser um míssil balístico intercontinental, alimentando o temor de que no próximo ano tenha capacidade de lançar um ataque nuclear contra o território dos Estados Unidos, revelou o Pentágono, citado pela televisão americana CNN.

O míssil subiu a uma altitude de 3,7 mil quilômetros até cair no mar entre a Península Coreana e o Japão a cerca de mil quilômetros do ponto de lançamento. A Coreia do Sul, o Japão e o Departamento da Defesa dos EUA estão examinando o teste para identificar o tipo de míssil.

A Coreia do Norte havia testado um míssil balístico intercontinental em 4 de julho, Dia da Independência dos EUA, considerado uma provocação. O presidente sul-coreano, Moon Jae In, que tenta inutilmente retomar o diálogo com o Norte, convocou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança Nacional.

Nos EUA, o presidente Donald Trump ameaça atacar o programa nuclear norte-coreano para impedir que o país desenvolva capacidade nuclear de atacar o território americano, mas a guerra seria inevitável e o principal alvo do Norte seria a região de Seul, a capital da Coreia do Sul, com risco de milhões de mortes, se forem usadas armas nucleares.

Senado dos EUA derrota mais uma vez rejeição ao Obamacare

Por 51 a 49, com voto decisivo do senador John McCain, o Senado dos Estados Unidos rejeitou mais uma vez a proposta do Partido Republicano e do presidente Donald Trump para revogar a Lei de Cobertura de Saúde Acessível, a principal conquista de política interna do governo Barack Obama.

"É hora de olhar para os colegas do outro lado do plenário e ouvir o que tem a dizer", admitiu o líder da maioria republicana, senador Mitch McConnell, reconhecendo a derrota e pedindo à bancada do Partido Democrata que apresente suas propostas para melhorar o sistema de saúde.

Estava em votação hoje a chamada "rejeição magrinha", limitada ao fim da obrigação de ter seguro-saúde, de empresas de certo porte financiarem a cobertura de seus funcionários e de planos de saúde não poderem excluir doenças preexistentes.

Se os planos de saúde puderem excluir doenças preexistentes, quem tiver essas doenças terá prêmios de seguro-saúde altíssimos e provavelmente deixará de ter cobertura. O programa de Obama visava a dar cobertura universal de saúde. A proposta rejeitada deixaria 15 milhões sem seguro-saúde em dez anos, alertou o Escritório de Orçamento do Congresso (CBO, um órgão bipartidário.

O projeto volta agora para uma comissão, onde poderá ser reescrito. "Vamos virar a página e trabalhar juntos para melhorar nosso sistema de saúde", diz agora o líder da minoria, senador Charles Schumer.

McCain deu o voto decisivo. Veterano da Guerra do Vietnã, onde ficou preso durante cinco anos e meio, ele foi candidato à Casa Branca derrotado por Obama em 2008 e enfrenta uma nova batalha contra um câncer de cérebro agressivo diagnosticado há pouco.

Durante a campanha, Trump o atacou pessoalmente, afirmando que "verdadeiros heróis não vão presos". Devem vir aí novos disparos no Twitter.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Estado-Maior reage a veto de Trump a transgêneros nas Forças Armadas

O Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas dos Estados Unidos declarou hoje que a política em relação a transgêneros não vai mudar enquanto o presidente Donald Trump não enviar ordens diretamente ao Departamento da Defesa, o Pentágono.

"Não haverá mudanças na atual política até que a ordem do presidente seja recebida pelo secretário da Defesa e que o secretário dê as orientações para implementá-la", afirmou o comandante do Estado-Maior, general Joseph Dunford. "Vamos continuar a tratar todo o nosso pessoal com respeito."

Ontem, o presidente Trump anunciou no Twitter o veto à participação de transgêneros nas Forças Armadas, rompendo uma promessa de campanha de proteger a comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) da discriminação e do preconceito.

Trump alegou que a medida tem alto custo e afeta a disciplina dos militares. Não há nenhum estudo que corrobore essa ideia. O presidente disse ter consultado assessores e generais, mas o secretário da Defesa, James Mattis, foi informado depois do tuíte.

É mais uma iniciativa de Trump para destruir o legado do governo Barack Obama, que acabou com uma política hipócrita conhecida como "não pergunte, não conte". Ela permitia a presença de LGBTs nas Forças Armadas dos EUA desde que não assumissem publicamente sua homossexualidade ou bissexualidade.

Assim, se um militar voltando de uma frente de guerra fosse recebido na volta por seu parceiro, não poderia abraçar nem fazer gestos efusivos de carinho e afeto. Obama acabou com isso.

Sob pressão de sua base conservadora, contrária ao uso de dinheiro público para financiar cirurgias de mudança de sexo, Trump foi muito além do esperado.

O senador republicano John McCain, veterano da Guerra do Vietnã, onde foi prisioneiro de guerra, criticou o presidente dizendo que todo cidadão americano que quiser servir às Forças Armadas e for considerado apto nos testes deve ter esse direito e ser considerado um patriota.

Há estimativas do total de transgêneros militares que vão de 2,5 mil a 16 mil. O dinheiro gasto pelo Pentágono com cirurgias para mudar de sexo é cinco vezes menos do que a despesa com medicamentos contra a impotência sexual.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

Senado rejeita revogar programa de saúde de Obama sem substituição

Em mais uma derrota do presidente Donald Trump, o Senado dos Estados Unidos rejeitou uma proposta para acabar com o programa de universalização da cobertura de saúde do governo Barack Obama sem substituí-lo por outro, noticiou o jornal The New York Times.

Sete senadores do Partido Republicano se uniram aos 48 da bancada do Partido Democrata para votar contra a "rejeição limpa" defendida pelo senador libertário Rand Paul, que é contra a participação do Estado na cobertura de saúde.

O fracasso da proposta reflete a divisão na bancada republicana. Enquanto a maioria quer reduzir a participação do Estado no sistema de saúde, alguns senadores temem a reação popular ao fim da Lei de Atendimento de Saúde a Preços Acessíveis, o que pode deixar 20 milhões de americanos sem cobertura.

A reforma da saúde continuará em debate até o fim da semana. Os republicanos cogitam rejeitar apenas partes do programa de Obama, como a obrigação de ter seguro-saúde e de que as grandes empresas ofereçam cobertura a seus empregados.

Mesmo assim, o impacto no sistema de saúde seria enorme, advertiu o Escritório de Orçamento do Congresso (CBO), bipartidário, com risco de deixar mais 15 milhões de pessoas sem seguro-saúde.

O chamado Obamacare impôs a obrigação de ter plano de saúde, obrigou empresas a financiar a cobertura de seus funcionários, proibiu os planos de saúde de excluir doenças preexistentes, criou um imposto sobre lucros financeiros para aumentar o orçamento do Medicaid, o programa de saúde para os pobres.

Ao cortar o orçamento do Medicaid em US$ 900 bilhões e reduzir impostos sobre aplicações financeiras que beneficiam os ricos, e especialmente os muito ricos, o Partido Republicano corre o risco de perder a maioria na Câmara e no Senado nas eleições intermediárias de 2018.

Se com maioria o governo Donald Trump não conseguiu fazer nada além de aprovar a nomeação do juiz conservador Neil Gorsuch para a Suprema Corte, sem maioria o risco de impeachment de Trump seria muito maior.

terça-feira, 25 de julho de 2017

Trump frita ministro da Justiça e procurador-geral dos EUA

Insatisfeito com a investigação sobre um possível conluio de sua campanha com o governo da Rússia, o presidente Donald Trump está hostilizando publicamente o ministro da Justiça e procurador-geral dos Estados Unidos, Jeff Sessions.

Sessions foi o primeiro senador a apoiar a candidatura Trump. Se for demitido, as relações do presidente com a bancada do Partido Republicano no Senado serão sensivelmente abaladas. O presidente o humilha publicamente para forçar a demissão

O problema de Sessions é que ele admitiu ter se encontrado com o embaixador russo em Washington, depois de ter omitido isso no primeiro momento. Por essa razão, ele se declarou impedido de presidir o inquérito sobre a interferência indevida da Rússia na eleição presidencial americana.

Trump quer se livrar não apenas de Sessions, mas principalmente do procurador especial Robert Mueller, ex-diretor-geral do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA. Quando demitiu o procurador independente Archibald Cox, em 1973, o então presidente Richard Nixon deixou clara sua culpabilidade no escândalo de Watergate, que o levou a renunciar em 1974.

Em 9 de maio, Trump demitiu o diretor-geral  James Comey, depois que este se recusou a encerrar o inquérito. Só um diretor-geral do FBI fora demitido no meio do mandato, por corrupção. Comey foi o primeiro afastado por investigar um presidente. Mas demitir o ministro da Justiça e procurador-geral é um desafio muito maior para um presidente que não respeita a liturgia do cargo e se considera melhor do que seus antecessores.

Nesta semana, Trump chegou a tuitar sobre seu "poder total" para perdoar, como se pudesse indultar a si mesmo. Hoje, acusou Sessions de ser "fraco" por não reabrir a investigação sobre o uso de correio eletrônico privado por Hillary Clinton quando secretária de Estado. O FBI encerrou o inquérito.

Três desafios aguardam Trump: o fracasso de mais uma votação da reforma de saúde para acabar com a cobertura universal do governo Obama; o inquérito sobre a Rússia, que se aproxima da família dele, nesta semana um filho e o genro depõe no Congresso; e a aprovação pelo Congresso de novas sanções à Rússia, que vão testar as relações de Trump com o Kremlin.

Senado rejeita proposta republicana para reformar sistema de saúde

Por 57 a 43 votos, o Senado dos Estados Unidos derrubou há pouco a proposta do Partido Republicano para revogar e substituir o programa de universalização da cobertura de saúde do governo Obama. O debate continua e novas votações devem ser realizadas ainda nesta semana.

Todos os senadores democratas e nove republicanos votaram contra o plano apresentado pelo líder da maioria, Mitch McConnell, o que dificulta a rejeição do programa de saúde de Obama.

O vice-presidente Mike Pence, que no sistema constitucional americano preside o Senado, deu o voto de minerva para que a questão fosse colocada em debate. Mais uma vez, é possível que o governo Donald Trump fracasse em sua tentativa de destruir o legado de Obama.

Hesbolá toma vale estratégico na fronteira da Síria com o Líbano

A milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá anunciou ontem a retomada de um vale estratégico que era o último reduto da Frente pela Conquista do Levante, braço da rede terrorista Al Caeda, na fronteira da Síria com o Líbano, informou o jornal conservador israelense The Jerusalem Post.

Ao lado do Exército da Síria, o Hesbolá reconquistou o vale de Wadi al-Kheil, em Juroud Arsal, uma zona de fronteira montanhosa que foi esconderijo para jihadistas da rede Al Caeda e da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

Pelo menos 19 milicianos do Hesbolá e 130 jihadistas sunitas morreram na batalha. O Hesbolá, financiado e treinado pelo Irã, é a principal força terrestre de apoio do Exército na guerra civil da Síria.

Como os xiitas dominam hoje o governo de Bagdá e milícias xiitas, inclusive iranianas, participam da guerra contra o Estado Islâmico no Iraque, o Irã está criando um Crescente Xiita, um arco que vai do território iraniano até o Mar Mediterrâneo passando pelo Iraque, a Síria e o Líbano.

Carro-bomba dos Talebã mata 35 pessoas em Cabul

Pelo menos 35 pessoas foram mortas e outras 40 feridas na explosão de um carro-bomba detonado por um terrorista suicida na Zona Oeste de Cabul, a capital do Afeganistão, noticiou a agência Reuters. A polícia cercou a área, próxima à residência do vice-governador Mohammad Mohakik, onde a maioria da população é xiita hazara.

Três veículos civis e 15 lojas foram destruídos. "Estava na minha loja quando se repente ouvi um barulho horrível e as janelas se quebraram", declarou Ali Ahmed, um comerciante do bairro.

Mais de 1,7 mil civis foram mortos desde o início do ano pela violência da guerra civil afegã, onde a milícia fundamentalista dos Talebã (Estudantes) enfrenta o governo instaurado depois da invasão americana de outubro de 2001 para vingar os atentados terroristas de 11 de setembro daquele ano. A organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante também tenta instalar uma base no país.

segunda-feira, 24 de julho de 2017

Genro e assessor de Trump nega conluio com a Rússia

Em depoimento na Comissão de Inteligência do Senado dos Estados Unidos, o genro e assessor especial do presidente Donald Trump, Jared Kushner, negou hoje ter participado de um conluio com o governo da Rússia para ajudar o candidato republicano a vencer a eleição presidencial do ano passado.

Kushner admitiu ter mantido contato com funcionários russos em quatro ocasiões durante a campanha, mas negou que tenha havido algo impróprio nesses encontros: "Não participei de nenhum conluio e não sei de ninguém na campanha que tenha feito isso com algum governo estrangeiro."

Ele também negou ter recebido financiamento da Rússia para seus negócios privados: "Não tive nenhum contato impróprio. Não dependi de fundos russos para financiar minha atividades empresariais no setor privado."

O genro do presidente comprou parte do antigo prédio do jornal The New York Times do oligarca russo Lev Leviev, magnata imobiliário e do mercado de diamantes, acusado de lavagem de dinheiro.

Um ponto central de sua defesa foi negar a tentativa de abrir um canal de comunicação direto e clandestino com o Kremlin.

A interferência indevida da Rússia na eleição presidencial americana está sendo investigada pelo Congresso e pelo FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA. O inquérito policial é presidido por Roberto Mueller, ex-diretor do FBI.

domingo, 23 de julho de 2017

Popularidade de Macron cai 10 pontos para 54%

Com uma queda de 10 pontos percentuais em julho, a popularidade do presidente da França, Emmanuel Macron, baixou para 54%, indica uma pesquisa do Instituto Francês de Opinião Pública (Ifop) publicada hoje no Journal de Dimanche.

Desde maio a julho de 1995, quando Jacques Chirac caiu 15 pontos, um presidente francês não sofria uma perda de popularidade tão forte nos primeiros três meses de governo.

"Não é o fim do estado de graça, mas um primeiro alerta muito sério",  advertiu o JDD. Quando foi eleito, no segundo turno, em 7 de maio, Macron tinha o apoio de 62% dos franceses. Em junho, 64% estavam satisfeitos com o presidente.

O general Charles de Gaulle perdeu cinco pontos em três meses em 1966, de 61% para 56%. François Mitterrand recuou sete pontos em 1981, depois de sua primeira eleição, de 54% a 47%.

Entre as razões para a queda na popularidade do jovem presidente da França estão o bate-boca com o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Pierre de Villiers, que reclamava dos cortes orçamentários e pediu demissão. Macron passou uma imagem de arrogância e foi comparado a Napoleão Bonaparte.

O aumento da contribuição previdenciária e a expectativa de reformas que aumentem a idade da aposentadoria e simplifiquem a legislação trabalhista preocupam boa parte do eleitorado, além das esperadas demissões e cortes de vagas no serviço público.

Macron perdeu 11 pontos percentuais entre os maiores de 65 anos e 14 pontos na faixa de 50 a 64 anos. Caiu 12 pontos entre os eleitores do Partido Socialista e 18 pontos entre os funcionários públicos.

sábado, 22 de julho de 2017

Estado Islâmico teve acesso a material para fazer bomba radioativa

Quando tomou Mossul, há pouco mais de três anos, diante do colapso do Exército do Iraque, a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante teve acesso a uma série de armas americanas de última geração e até mesmo de material radioativo que permite fazer uma bomba nuclear suja, revelou o jornal The Washington Post.

Num campus da Universidade de Mossul, a segunda maior cidade iraquiana, estavam guardadas duas caixas de cobalto-60, um elemento altamente radioativo. Em medicina nuclear, o cobalto-60 é usado para tratamentos de radioterapia contra o câncer.  Nas mãos dos terroristas, pode ser uma arma perigosa.

A chamada bomba suja não explode como a verdadeira bomba atômica. Espalha no ambiente um material radioativo para matar a causar pânico. Os serviços secretos ocidentais sabiam do cobalto-60. Nos últimos três anos, observaram ansiosamente à espera de sinais de que o Estado Islâmico tentasse usar o material para fabricar armas.

Durante a Batalha de Mossul, no início deste ano, o governo iraquiano conseguiu entrar no campus. As caixas de cobalto-60 estavam no mesmo lugar de antes da invasão. Os especialistas dos Estados Unidos acreditam que os milicianos temeram contaminar a si mesmos ao manipular o cobalto-60. Não tiveram capacidade técnica para produzir um artefato nuclear.