sábado, 16 de dezembro de 2017

Mais de 70% suspeitam de conluio entre Trump e Rússia

Aumenta a pressão sobre o presidente Donald Trump. Uma nova pesquisa divulgada pela agência Associated Press (AP) indica que 72% dos americanos suspeitam das ligações de sua campanha com a Rússia e 63% entendem que o presidente dos Estados Unidos está tentando obstruir a ação da Justiça.

Para 40% dos eleitores entrevistados, o presidente agiu ilegalmente, enquanto 32% acreditam que o que Trump fez é antiético, mas não ilegal, e 25% não veem problema algum.

Quanto à obstrução de justiça, 63% acreditam que o presidente tentou parar as investigações e impedir a ação da Justiça, ao demitir James Comey da direção-geral do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, criticar o procurador especial Robert Mueller e afirmar que é tudo “notícia falsa” porque nada haveria a investigar.

À medida que o inquérito avança e chega a seu entorno, Trump dá sinais de irritação. A história não o absolverá. Talvez o braço longo da lei o pegue antes.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Três palestinos morrem em choques com forças de segurança de Israel

Hoje foi o oitavo dia de fúria contra a decisão do presidente Donald Trump de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel. Pelo menos três palestinos foram mortos e outros 260 saíram feridos de confrontos com as forças de segurança israelense na fronteira da Faixa de Gaza e na Cisjordânia ocupada, inclusive no setor árabe de Jerusalém, noticiou o jornal liberal israelense Haaretz citando como fonte o Ministério da Saúde palestino.

Milhares de palestinos participaram dos protestos. De acordo com as Forças de Defesa de Israel, cerca de 3,5 mil palestinos se manifestaram em nove locais junto à fronteira de casa, onde fizeram barricadas de fogo com pneus e atiraram pedras nos soldados e policiais. Dois palestinos, Yasser Sukar, de 23 anos, e Ibrahim Abu Thuraya, de 29, foram mortos lá.

Outros 2,5 mil protestaram na Cisjordânia, onde morreu Mustafá Bassel, de 29 anos. Milhares de árabes israelenses se manifestaram na cidade de Sakhnin, no Norte de Israel, onde o prefeito árabe "agradeceu a Trump por colocar a questão palestina na agenda internacional. O Leste de Jerusalém é uma cidade árabe e palestina, e será capital do Estado da Palestina."

Em Gaza, ao festejar os 30 anos de fundação do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), seu líder, Ismail Haniya, declarou que "o levante contra a contra a decisão de Trump causou fissuras na posição dos Estados Unidos e isolou seu governo.

"Estamos agindo para revogar a decisão de Trump e vamos derrubá-la de uma vez por todas. A decisão de Trump é mais perigosa do que a Declaração de Balfour", comentou Haniya, lembrando a promessa feita pelo Império Britânico em 1917, durante a Primeira Guerra Mundial, de criar uma pátria para o povo judeu no território histórico da Palestina.

"Estamos agindo com elementos islamistas árabes para transformar toda sexta-feira num dia de fúria por Jerusalém e exacerbar os protestos contra a decisão de Trump", desafiou o líder do Hamas.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Governo Trump acaba com neutralidade da Internet

Por 3 a 2, a Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos revogou uma regra básica de operação da rede mundial de computadores que obrigava os provedores de serviços a tratar todo o tráfego de dados via Internet da mesma maneira, sem dar prioridade, por exemplo, a quem estiver disposto a pagar mais. A partir de agora, poderão acelerar, retardar ou bloquear o tráfego.

É mais uma regulamentação do governo Barack Obama (2009-17) eliminada sob o presidente Donald Trump. Os republicanos afirmam que a medida vai revitalizar a economia da banda larga, beneficiando os consumidores ao oferecer mais opções e preços menores.

A votação seguiu a orientação partidária dos membros da comissão. Para o presidente da CFC, Ajit Pai, idealizador da nova regulamentação, a chave do sucesso será "a transparência - a ideia de que os consumidores saibam exatamente o que estão pagando."

Do lado de fora, ativistas que veem numa Internet neutra e aberta um instrumento poderoso da democracia e da igualdade de oportunidades protestaram. Eles alegam que a nova regulamentação tende a aumentar os preços e balcanizar a rede, criando nichos que não se comunicam.

Os grandes vencedores são empresa como AT&T, Comcast e Verizon, que poderão cobrar mais caro de usuários e empresas de maior poder aquisitivo para acelerar suas mensagens. Perdem companhias como o Google, a Amazon, o Netflix e o Facebook. Temem que os provedores cobrem tarifas elevadas ou deem prioridade a seu próprio conteúdo.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Evangélico pedófilo aliado de Trump perde eleição no Alabama

O candidato democrata Doug Jones foi eleito para o Senado dos Estados Unidos pelo estado do Alabama, vencendo o ex-juiz evangélico Roy Moore, aliado do presidente Donald Trump, acusado pedofilia por várias mulheres durante a campanha eleitoral.

Foi a primeira vitória democrata para o Senado no Alabama desde 1972 e o senador eleito naquele ano aderiu ao Partido Republicano dois anos depois. A derrota reduz a maioria republicana no Senado para dois votos (51-49), dificultando a aprovação das propostas legislativas do governo Trump. O presidente apoiou outro candidato na eleição primária republicana, mas resolveu ficar com Moore, apesar das denúncias de crimes sexuais.

Como o resultado foi apertado, Moore recusou-se a reconhecer a derrota, argumentando que, quando a diferença é de 1%, os votos devem ser recontados. Na realidade, a lei do Alabama prevê a recontagem quando a diferença for de até 0,5% ou quando um candidato pedir e pagar.

Com 99% da apuração concluída, a diferença é de 1,5% dos votos apurados. A vantagem do democrata é menor do que os 22.783 votos, cerca de 1,7%, preenchidos à mão por republicanos que se recusaram a votar em Moore.

Quando Trump nomeou o então senador Jeff Sessions para secretário da Justiça, ninguém poderia imaginar que os republicanos perderiam uma eleição no estado, um dos mais pobres e conservadores dos EUA. Mas o candidato errado ganhou a eleição prévia e se negou a desistir quando foi desmoralizado.

Durante a campanha, uma mulher revelou ter sido molestada sexualmente por Moore quando ela tinha 14 anos e ele 32, em reportagem publicada no jornal The Washington Post. Várias outras mulheres fizeram acusações semelhantes.

O ex-desembargador, afastado duas vezes do Tribunal de Justiça do Alabama por querer colocar os Dez Mandamentos do cristianismo dentro da corte, negou tudo. Alegou se tratar de uma conspiração esquerdista para desmoralizá-lo.

Mesmo assim, o líder republicano no Senado, Mitch McConnell, outros dirigentes do Partido Republicano e até Ivanka Trump, filha do presidente, declararam que acreditavam nas mulheres. Eles não conseguiram convencer Trump a abandonar Moore, o que o pressionaria a desistir da candidatura.

Trump entrou pessoalmente na campanha e insistiu que a eleição de um republicano era fundamental para manter a maioria do partido no Senado. Foi uma derrota pessoal.

Outro grande perdedor foi o ex-chefe de campanha e ex-estrategista de Trump na Casa Branca, Steve Bannon, um guru do ultranacionalismo e antiglobalismo da ultradireita, que apoiou Moore desde a primária.

Trump é acusado de abuso sexual por pelo menos dez mulheres. Anos atrás, nos bastidores de um programa de televisão, ele fez comentários revelados durante a campanha em que se gabava de apalpar os órgãos sexuais de mulheres que não reagiriam negativamente porque ele é rico e famoso.

Apesar do escândalo, Trump foi eleito. Com a onda de denúncias de crimes sexuais cometidos pelo produtor de cinema Harvey Weinstein, magnatas de Hollywood, jornalistas, chefs de cozinha e outras celebridades caíram do pedestal e estão sendo processados por assédio sexual.

Os políticos foram os últimos. Sob pressão das bancadas femininas, o senador Al Franken renunciou ao mandato na semana passada. E agora as mulheres que acusam Trump voltaram as manchetes e insistem que o presidente seja investigado por crimes sexuais.

Portugal investiga Igreja Universal por adoção ilegal de crianças

O Ministério Público de Portugal abriu inquérito sobre o envolvimento da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) numa rede de adoção ilegal de crianças portuguesas, confirmou à Agência Lusa a Procuradoria-Geral da República.

Na série de reportagens O Segredo dos Deuses, que a televisão portuguesa TVI começou a transmitir na segunda-feira depois do Jornal das 8, a Igreja Universal mantinha um lar ilegal de crianças em Lisboa na década de 90 para onde vários menores foram levados à revelia das mães.

Sem conhecimento e muito menos autorização da Justiça, as crianças eram entregues diretamente no Lar Universal, criado em 1994, legalizado em 2001 e fechado em 2011 com a desculpa da crise econômica.

Muitas crianças acabavam no exterior, adotadas por bispos e pastores da igreja de forma irregular, sem que as famílias tivessem direito a uma audiência num tribunal, afirmam as jornalistas Alexandra Borges e Judite França.

De acordo com a reportagem, o bispo Edir Macedo, fundador e dono da IURD, "está envolvido nesta rede internacional de adoções ilegais de crianças e seus próprios 'netos' são crianças roubadas do Lar Universal, uma instituição que à época fazia parte da obra social da igreja."

A TVI acusa até mesmo que "um importante membro desta rede chegou mesmo a roubar um recém-nascido e registrá-lo diretamente como seu filho biológico".

"Isto aconteceu debaixo dos nossos olhos e retrata o esquema que estava montado num lar ilegal", declarou o diretor de jornalismo da TVI, Sérgio Figueiredo, depois do primeiro programa. "O Estado não esteve completamente bem aqui, mas nunca é tarde para repor a verdade."

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Trump quer voos tripulados dos EUA à Lua e Marte

Para revigorar a indústria espacial dos Estados Unidos, 45 anos depois que o homem pisou na Lua pela última vez, o presidente Donald Trump anunciou ontem em Washington a intenção de voltar ao satélite da Terra e usar a Lua como base para chegar a Marte e além.

A Diretriz nº 1 de Política Espacial é a primeira recomendação do Conselho Nacional Espacial. "É o primeiro passo para o retorno dos astronautas americanos à Lua pela primeira vez desde 1972, para exploração e uso", declarou Trump em cerimônia na Casa Branca.

"Desta vez, não vamos apenas hastear a bandeira e deixar nossas pegadas", acrescentou o presidente dos EUA, citado pelo jornal The New York Times. "Vamos estabelecer uma base para uma futura viagem a Marte e talvez um dia para outros mundos além de Marte."

O objetivo é atrair empresas interessadas em desenvolver tecnologia para viabilizar o projeto e dar um novo impulso à exploração espacial.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Atentado terrorista na Times Square fracassa

Duas estações muito movimentadas do metrô de Nova York foram fechadas hoje depois que um homem de nacionalidade bengalesa tentou realizar um atentando com uma bomba caseira que não explodiu direito perto da Times Square. Quatro pessoas saíram feridas, inclusive o terrorista, que foi preso em seguida.

O atentado foi às 7h20 numa passagem subterrânea que dá acesso a linhas de metrô na 8ª e 9ª avenidas e na Broadway.

As autoridades nova-iorquinas suspeitam que terrorista foi inspirado pela propaganda da milícia Estado Islâmico do Iraque e do Levante na Internet. Akayed Ullah, de 27 anos, levava os explosivos presos ao corpo e alegou que o ataque era uma resposta aos ataques de Israel à Faixa de Gaza.

Na Internet, a agência de propaganda do Estado Islâmico declarou que o ataque foi uma resposta à decisão do presidente Donald Trump de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel.

Duas horas depois, a vida tinha voltado do normal no ponto mais movimentado da maior cidade dos Estados Unidos. Trump declarou estar satisfeito porque a bomba não explodiu e elogiou a pronta reação das equipes de socorro.

domingo, 10 de dezembro de 2017

Palestino esfaqueia segurança israelense em Jerusalém

Um guarda de segurança de 35 anos está em estado grave depois de ser esfaqueado no peito hoje perto da Estação Central de Ônibus de Jerusalém. Eram cerca de duas horas da tarde pela hora local (10h em Brasília) quando um palestino de 24 anos foi interpelado, puxou uma faca, atacou o guarda e fugiu, noticiou o jornal The Jerusalem Post.

O terrorista fugiu pela Rua Jaffa, onde foi detido por um civil e outro policial. Ele reside em Nablus, na Cisjordânia ocupada, e não tem permissão para trabalhar em Israel. Logo depois do ataque, uma multidão se reuniu no local para pedir "pena de morte para terroristas".

A melhor resposta é fortalecer a soberania sobre a cidade, declarou o prefeito de Jerusalém, Nir Barkat: "Nossos inimigos não precisam de desculpas para nos atacar. Não há justificativa para o terrorismo e a violência. A resposta ao terror é fortalecer a soberania e construir em toda a Jerusalém unificada."

A tensão aumentou muito na cidade sagrada para três religiões, judaísmo, cristianismo e islamismo, depois que o presidente Donald Trump reconheceu, na semana passada, Jerusalém como a capital de Israel. Os palestinos declararam três dias de raiva e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) convocou uma nova intifada (revolta).

A primeira intifada estourou em 8 de dezembro de 1987, em resposta à repressão israelense nos territórios árabes ocupados 20 anos antes. Durou até o anúncio de um cessar-fogo e dos acordos de paz negociados em Oslo, em 13 de setembro de 1993, nos jardins da Casa Branca, quando o líder histórico da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat, apertou as mãos do primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin. Pelo menos 160 soldados (60 soldados e 100 civis) e 2.162 israelenses.

A segunda intifada começou em 28 de setembro de 2000, depois do fracasso das negociações intermediadas pelo presidente americano Bill Clinton em Camp David, nos Estados Unidos, quando o líder da oposição israelense, Ariel Sharon, visitou a Esplanada das Mesquitas e o Monte do Templo, lugares sagrados para judeus e muçulmanos. Foi até 2006. Pelo menos 215 soldados e 664 civis israelenses, e 3.858 palestinos.

Quando a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou a divisão da Palestina e a criação de Israel, em 1947, decidiu que Jerusalém seria uma cidade universal. Mas os países árabes rejeitaram a independência de Israel e iniciaram uma guerra em que Israel ocupou o Oeste de Jerusalém e a Jordânia o Leste.

Na Guerra dos Seis Dias, em 1967, Israel ocupou a outra metade da cidade, o setor árabe, onde os palestinos sonham em instalar a capital de seu futuro Estado nacional. Israel anexou o setor oriental, unificou a cidade e a declarou sua eterna capital, mas isso nunca foi reconhecido pela sociedade internacional.

Como a Carta da ONU veda a guerra de conquista, a ocupação e a anexação são ilegais à luz do direito internacional e de várias resoluções do Conselho de Segurança da ONU. Por isso, nenhum país do mundo, à exceção dos EUA de Trump, reconhece Jerusalém como capital de Israel.

O gesto de Trump é mais um jogo de cena para sua plateia, para a direita evangélica, que acredita na versão bíblica de que Deus deu Israel e Jerusalém ao povo judeu, para os bilionários judeus que financiam campanhas eleitorais nos EUA, com quem se comprometeu a transferir a embaixada americana de Telavive para Jerusalém.

Trump agrada à direita israelense e ao primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu, mas, na prática, seu gesto não muda a situação atual, desqualifica dos EUA como mediadores no processo de paz e alimenta uma nova onda de violência.

sábado, 9 de dezembro de 2017

Primeiro-ministro do Iraque anuncia fim da guerra contra o Estado Islâmico

Depois de três anos e meio, o primeiro-ministro iraquiano, Haider al-Abadi, anunciou hoje em Bagdá o fim da guerra contra a milícia jihadista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que chegou a dominar Mossul, a segunda maior cidade do país.

"Nossas forças controlam completamente a fronteira sírio-iraquiana, e eu anuncio o fim da guerra contra Daech", declarou Abadi, usando o nome derrogatório para o grupo extremista muçulmano. "Nosso inimigo queria matar nossa civilização, mas ganhamos, graças à nossa unidade e nossa determinação."

Durante a ofensiva de 2014, o Estado Islâmico chegou a controlar cerca de um terço do território iraquiano. Junto com os territórios ocupados na Síria, o Califado proclamado em junho daquele ano cobria uma área do tamanho da Grã-Bretanha com 8 a 10 milhões de habitantes.

Com a reconquista de Mossul, em julho de 2017, o braço iraquiano do Estado Islâmico começou a ser decepado. Em 22 de novembro, as forças iraquianas lançaram a última operação contra o grupo jihadista no deserto junto à fronteira com a Síria.

Apesar do anúncio, o Exército do Iraque ainda faz operações de busca no deserto atrás dos últimos esconderijos dos jihadistas.

Apoio a Trump cai entre a direita evangélica

A aprovação do presidente Donald Trump entre o eleitorado evangélico, uma das suas principais bases de apoio, caiu 17 pontos percentuais desde a posse, de 78% para 61%, indica uma pesquisa do Centro de Pesquisas Pew. Mais de 80% dos evangélicos votaram no candidato republicano na eleição presidencial de 2016 nos Estados Unidos.

O apoio a Trump também caiu entre os adultos de 50 anos ou mais, de 47% para 38%, e no eleitorado branco, de 49% para 41%.

A pesquisa ouviu 1.503 eleitores de todo o país de 29 de novembro a 4 de dezembro, sob o impacto da notícia de que o ex-assessor de Segurança Nacional general Michael Flynn fez um acordo e passou a colaborar com o procurador especial Robert Mueller, que investiga um possível conluio da campanha de Trump com a Rússia para manipular as eleições nos EUA.

Outra pesquisa, do instituto YouGov para o jornal digital The Huffington Post, revela que a metade dos americanos considera legítima a investigação sobre o conluio com o Kremlin, enquanto 28% a veem como uma jogada política como alega Trump.

Esses números são parecidos com os registrados em maio, quando demitiu o diretor-geral do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, James Comey porque este não encerrou o inquérito sob o general Flynn, como o presidente queria.

EUA criam mais 228 mil empregos e desemprego fica em 4,1%

A economia dos Estados Unidos abriu 228 mil postos de trabalho a mais do que fechou em novembro, revelou ontem o relatório mensal de emprego do Departamento do Trabalho. O mercado de trabalho cresce sem parar há sete anos e dois meses, um recorde. O índice de desemprego ficou estável em 4,1%, a menor taxa desde 2000.

Dez anos depois do início da Grande Recessão, a maior economia do mundo dá sinais de vitalidade. A Bolsa de Valores de Nova York bate sucessivos recordes. A geração de empregos chegou ao pico em 2014, mas se mantém firme.

Uma ameaça é o corte de impostos de US$1,5 trilhão que o Congresso pode aprovar ainda este mês, capaz de aumentar a dívida em US$1 trilhão em dez anos. Ele deve produzir um estímulo inicial, mas aumentar o desequilíbrio fiscal e pressionar a inflação para cima.

"É um estímulo fiscal que vem numa hora muito ruim", declarou Joseph Song, economista do Bank of Americana. "Aumenta o risco de um ciclo de euforia e depressão."

O presidente Donald Trump não para de reivindicar a glória pelo desempenho da economia, mas os economistas lhe dão pouco crédito. A recuperação começou muito antes dele ser eleito, no governo Barack Obama, que Trump descreve como catastrófico, e não acelerou significativamente desde a posse.

Com mais um relatório de emprego positivo, é praticamente certo que o Conselho da Reserva Federal (Fed), o banco central dos EUA, aumente sua taxa básica de juros na próxima quarta-feira em 0,25 ponto percentual, de uma faixa de 1%-1,25% para 1,25%-1,5%.

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Ataque a base da ONU no Congo mata 14 soldados da força de paz

Pelo menos 14 soldados da maior missão de paz das Nações Unidas foram mortos e 53 saíram feridos de um ataque contra sua base na província de Kivu do Norte, na República Democrática do Congo, revelou hoje a ONU. Foi o pior massacre de soldados da ONU desde a morte de 23 capacetes azuis na Batalha de Mogadíscio, na Somália, em 1993, retratada no filme Falcão Negro em Perigo.

Com armas pesadas e granadas de foguetes, os rebeldes atacaram o quartel. A batalha durou três horas. Um blindado de transporte de tropas foi destruído. A maioria dos mortos era da Tanzânia, noticiou a televisão pública britânica BBC.

"Este é o pior ataque a forças de paz da ONU na história recente", lamentou o ex-primeiro-ministro português (1995-2002) António Guterres, secretário-geral da organização internacional. Ele descreveu a ação rebelde como "crime de guerra" e cobrou a punição dos responsáveis pelas autoridades do Congo.

A Missão da Organização das Nações Unidas para a Estabilização da República Democrática do Congo (Monusco) é a maior e mais cara operação de paz em andamento no mundo, com 19 mil soldados. Tem um mandato para realizar ações ofensivas contra grupos armados. Isso tornou os capacetes azuis em alvos frequentes dos rebeldes.

O principal suspeito é o grupo chamado Forças Democráticas Aliadas (FDA), considerado terrorista pela vizinha Uganda. As FDA, criadas em 1995, teriam entre 1.200 a 1.500 homens em armas refugiam-se nas montanhas entre o Norte da RDC e Uganda.

Diante da ofensiva do Exército do Congo e a Monusco, em 2013, o grupo se dispersou. Depois de sérias violações do direito internacional, em 2014, as FDA foram incluídas na lista de alvos de sanções da ONU. Seu líder e fundador, Jamil Mukulu, preso em Dar es Salam, a capital da Tanzânia, em 2015, e extraditado para Uganda.

A RDC era o antigo Congo Belga, rebatizado como Zaire pelo ditador Joseph Mobutu. Sua queda deflagrou uma guerra civil que ficou conhecida como a Primeira Guerra Mundial Africana. De 1997 a 2002, nove exércitos nacionais e centenas de grupos irregulares disputaram o território e as riquezas da RDC, o segundo maior país da África desde a divisão do Sudão, em 2011.

Mais de 5 milhões de pessoas morreram em combate, de fome ou doenças causadas pela guerra civil congolesa.

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Justiça argentina pede fim do foro especial e prisão de Cristina Kirchner

O juiz federal Claudio Bonadio pediu hoje a prisão preventiva e o fim do foro especial para a ex-presidente e atual senadora Cristina Kirchner, acusada de obstrução de justiça no inquérito sobre a participação do Irã no pior atentado terrorista da história da América Latina, em junho de 1994, quando 85 pessoas morreram e outras 200 saíram feridas de um ataque à Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA).

Também foi decretada a prisão do ex-ministro do Exterior Héctor Timerman, o ex-secretário Legal e Técnico da Presidência Carlos Zannini, o sindicalista Luis D'Elia, Jorge Yussuf Khalil, intermediário da comunidade muçulmana argentina, e Fernando Esteche, líder da organização política Quebracho.

Cristina Kirchner também responde a vários processos por corrupção. Ela foi eleita senadora pela província de Buenos Aires em 22 de outubro e diplomada em 29 de novembro, o que lhe garante foro especial. O juiz pediu ao Senado que suspenda a imunidade parlamentar da ex-presidente, mas é improvável que seja aprovada sem a bancada peronista, informou o jornal La Nación.

Timerman está em prisão domiciliar. Zannini foi preso na madrugada de hoje em Río Gallegos, capital da província patagônica de Santa Cruz, o reduto eleitoral dos Kirchner, e D'Elia em Laferrere, na Grande Buenos Aires. Esteche se entregou numa delegacia de polícia do bairro do Retiro, no centro da capital, revelou o jornal Clarín. Serão processados por traição à pátria e obstrução de justiça. Leia a íntegra do despacho no jornal Perfil.

A prisão preventiva de Cristina foi pedida sob o argumento de que a ex-presidente poderia tentar impedir a ação da Justiça, pressionar testemunhas e destruir provas no processo aberto pelo promotor Alberto Nisman, assassinado em 19 de janeiro de 2015 em circunstâncias misteriosas, num caso inicialmente apresentado pelo governo como suicídio.

Nisman denunciou Cristina Kirchner alegando que um acordo firmado com a República Islâmica do Irã em 2013 para investigar conjuntamente o atentado foi na verdade uma manobra para encobrir a participação iraniana e a culpa do ex-presidente Ali Akbar Hachemi Rafsanjani, do ex-ministro do Exterior Ali Akbar Velayati e do ex-ministro da Defesa Ahmad Vahidi, entre outros réus denunciados pela Justiça da Argentina.

O caso foi reaberto no ano passado e juntado a outro por traição à pátria.

"Não tivemos nenhum outro propósito ao assinar o memorando de entendimento do que conseguir um avanço na tomada de declarações dos imputados iranianos, única forma de que a investigação em curso saia do ponto morto em que se encontra", afirmou a ex-presidente em sua defesa, denunciando uma perseguição política à oposição.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Trump reconhece Jerusalém como capital de Israel

Depois de lembrar que o Congresso aprovou em 1995 a transferência da Embaixada dos Estados Unidos, o presidente Donald Trump acaba de reconhecer Jerusalém como capital de Israel, dizendo que é uma realidade que precisa ser reconhecida para que o processo de paz possa avançar. 

Vários líderes árabes e ocidentais o advertiram para o risco de inflamar ainda mais a situação. Os palestinos convocaram três dias de raiva.

"Não estamos decidindo onde serão as fronteiras de Israel em Jerusalém. Isso é para as partes do conflito decidirem. (...) Sabemos que haverá protestos, mas creio que vamos ultrapassar esta fase", admitiu Trump. "Peço moderação. O futuro incrível que espera esta região está travado pela guerra, o ódio e o terrorismo. É hora de paz, de expelir os extremistas. É hora de todas as nações civilizadas de responder aos desacordos com paz e não violência para que o Oriente Médio tenha um futuro brilhante."

O presidente anunciou que a obra da Embaixada dos EUA em Jerusalém já está contratada. Será o primeiro país do mundo a ter sua embaixada na cidade sagrada. Hoje todos os países têm embaixadas em Telavive. O setor árabe (oriental) de Jerusalém pertencia à Jordânia e foi ocupado na Guerra dos Seis Dias, em 1967. Com a ocupação, Israel anexou o setor oriental e declarou Jerusalém como sua eterna capital.

No fim, Trump pediu aos líderes de todas as religiões para que se unam num esforço pela paz na região. No momento, sua ação parece jogar gasolina na fogueira.

O primeiro-ministro linha-dura israelense, Benjamin Netanyahu, imediatamente aplaudiu a medida.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Trump avisa que vai reconhecer Jerusalém como capital de Israel

Em mais uma ruptura em relação à política externa dos governos anteriores, o presidente Donald Trump avisou aos líderes do Egito, da Jordânia e da Autoridade Nacional Palestina que vai reconhecer Jerusalém como a capital de Israel e transferir para lá a Embaixada dos Estados Unidos. O anúncio será feito amanhã.

O rei Abdullah II, da Jordânia, e o presidente da ANP Mahmoud Abbas, advertiram que a medida pode aumentar a tensão e prejudicar o processo de paz entre israelenses e palestinos, noticiou o jornal The Washington Post.

Nenhum país do mundo reconhece Jerusalém como capital de Israel porque o setor árabe, no Leste da cidade, era parte do território da Jordânia. Foi ocupado na Guerra dos Seis Dias, em 1967, que na prática não terminou até hoje.

Jerusalém era a capital da Palestina, durante o mandato concedido pela Liga das Nações ao Império Britânico para administrar  região. Pela decisão da Assembleia Geral das Nações Unidas que dividiu a Palestina há 70 anos, Jerusalém seria uma cidade internacional.

Mas, na Guerra de Independência de Israel (1948-49), os israelenses tomaram o lado ocidental e a Jordânia ficou com a parte oriental, onde ficam o Muro das Lamentações, a parede que resta do Templo de Jerusalém, o lugar mais sagrado para os judeus, e a Esplanada das Mesquitas, de onde o profeta Maomé teria ascendido aos céus. É o lugar mais sagrado para os muçulmanos depois das cidades de Meca e Medina.

Vários líderes mundiais, inclusive o presidente da França, Emmanuel Macron, e a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May, fizeram um apelo ao presidente americano para que mude de ideia e deixe a decisão sobre o futuro de Jerusalém para as negociações de paz árabe-israelenses.

No telefonema a Abbas, Trump prometeu tomar medidas para promover a paz. O líder palestino respondeu: "Não há nada que você possa oferecer que vá compensar a perda de Jerusalém. Definitivamente, não vamos aceitar."

Abbas e o ministro do Exterior da Turquia alertaram que o presidente americano está fazendo o jogo dos extremistas, mas Trump insistiu que tinha de reconhecer Jerusalém como capital de Israel, uma promessa de campanha. Há anos, a direita evangélica dos EUA adotou a causa israelense. É contra a divisão da Palestina e mais ainda de Jerusalém, uma cidade sagrada para cristãos, judeus e muçulmanos.

Trump estaria disposto a bancar uma proposta de paz em que toda Jerusalém ficaria com Israel e teria o apoio do novo príncipe herdeiro saudita, Mohamed ben Salman, interessado em formar uma grande aliança contra o Irã.

O que é o fascismo?, na visão de Umberto Eco

O termo fascista pode ser usado genericamente nas mais diferentes situações porque é possível eliminar um ou mais aspectos de um regime fascista e ainda assim caracterizá-lo como tal, afirmou o escritor e filósofo italiano Umberto Eco (1932-2016). 

Os regimes totalitários que dominaram a Europa antes da Segunda Guerra Mundial não devem reaparecer com a mesma forma em circunstâncias históricas diferentes, entende Eco. Mas, com as crises econômica e de refugiados, e o ressurgimento do ultranacionalismo, o fantasma do neofascismo assombra a Europa, os Estados Unidos sob Donald Trump e os debates políticos nas redes sociais no mundo inteiro.

“O fascismo de Benito Mussolini era baseado no líder carismático, no corporativismo e na ideia do ‘destino fatídico de Roma’, na vontade imperialista de conquistar novas terras, no nacionalismo inflamatório, no ideal de uma nação inteira da camisas pretas mobilizados, na rejeição da democracia parlamentar e no antissemitismo”, descreveu o pensador italiano.

Em Cinco Escritos Morais, publicado no Brasil em 2002, Eco considera os partidos sucessores do fascismo na Itália muito diferentes do Fascismo original: “Admito que a Aliança Nacional, que surgiu do Movimento Social Italiano (MSI), é um partido de direita, mas tem pouco a ver com o velho Fascismo”, comparou o intelectual.

“Da mesma forma, muito embora eu esteja preocupado com os vários movimentos pró-nazistas ativos aqui e ali na Europa, inclusive na Rússia, não penso que o Nazismo, em sua forma original, esteja para reaparecer como um movimento envolvendo uma nação inteira”, observa o escritor, autor de clássicos como O Nome da Rosa e O Pêndulo de Foucault.

Esses regimes desapareceram com a derrota na Segunda Guerra Mundial. Suas ideologias foram "criticadas e deslegitimadas”. Mas “atrás de um regime e sua ideologia, há uma maneira de pensar e de sentir, uma série de hábitos culturais, uma nebulosa de instintos obscuros e impulsos insondáveis”.

O escritor romeno Eugène Ionescu, mestre do teatro do absurdo, dizia que só as palavras contam e o resto é conversa fiada. “Os hábitos linguísticos com frequência são sintomas de sentimentos não expressados”, ponderou o autor.

Eco foi educado na Juventude Fascista. Conheceu o fascismo antes da liberdade. Aos dez anos, em 1942, ganhou um prêmio por escrever uma redação sob o tema Devemos Morrer pela Glória de Mussolini e o Destino Imortal da Itália? Sua resposta foi sim, em estilo exaltação.

No ano seguinte, ele descobriu o sentido da palavra liberdade. O regime fascista caiu em 1943, mas foi restaurado pelos nazistas. “Passei dois anos da minha juventude cercado pelas tropas de elite nazistas das SS, por fascistas e por guerrilheiros da resistência atirando uns nos outros - e aprendi a evitar as balas.”

A vitória na Segunda Guerra Mundial foi definida pelo presidente americano, Franklin Delano Roosevelt, como a derrota do Fascismo e do totalitarismo que encarnava.

Na opinião de Eco, o livro de Hitler, “Mein Kampf (Minha Luta) é um manifesto completo e um programa político. O Nazismo tinha uma teoria da raça e do arianismo, uma noção precisa de arte degenerada, uma filosofia da vontade de poder e do Super-Homem.

“O Nazismo era decididamente anticristão e neopagão, assim como o materialismo dialético de Stalin (a ideologia oficial do marxismo soviético) era claramente materialista e ateísta”, acrescentou o pensador.

“Mussolini não tinha filosofia: tudo o que tinha era retórica. Começou como um militante ateísta para depois fazer um acordo com a Igreja e um consórcio com os bispos que benziam bandeiras nazistas", recordou. “O fascismo italiano foi a primeira ditadura de direita a dominar um país europeu, o primeiro a criar uma liturgia militar, um folclore e até um estilo de vestuário .”

Além da Itália e da Alemanha, nos anos 1930s o movimento fascista chegou a Inglaterra, Estônia, Lituânia, Letônia, Polônia, Hungria, Romênia, Bulgária, Grécia, Iugoslávia, Portugal, Espanha, Noruega e à America Latina. O fascismo prometeu mudanças sociais capazes de neutralizar a ameaça comunista.

“O fascismo não tem quintessência, não tem mesmo uma simples essência. É uma forma de totalitarismo difusa. Não é uma ideologia monolítica, mas mais uma colagem de diversas ideias políticas e filosóficas, um emaranhado de contradições”, argumentou Eco.

“É possível conceber um movimento totalitário que consiga reconciliar monarquia e revolução, o Exército Real e a milícia privada de Mussolini, os privilégios concedidos à Igreja e um sistema estatal de educação que exaltava a violência, o controle total e o livre mercado?”, pergunta o filósofo. E arremata: “O Partido Fascista nasceu proclamando uma nova ordem revolucionária, mas era financiado pelos proprietários de terras mais conservadores”, temerosos do comunismo.

Na Itália, até uma corrente artística de vanguarda, o futurismo, apoiou o Fascismo e seu culto da juventude. “Isso não significa que o Fascismo italiano fosse tolerante”, ressalva Umberto Eco. O filósofo e intelectual comunista Antonio “Gramsci ficou na prisão até sua morte”. O deputado Giacomo “Matteotti e os irmãos Rosselli foram assassinados, a imprensa livre suprimida, os sindicatos dissolvidos e os presos políticos confinados em ilhas distantes.”

Apesar desta confusão, Eco considera possível fazer uma lista das características do que chama de “fascismo eterno”. Muitas são exclusivas e são típicas de outras formas de despotismo e fanatismo.

1.     A primeira característica do fascismo eterno é o culto da tradição. O tradicionalismo é anterior ao fascismo. Foi típico na reação do catolicismo à Revolução Francesa. A verdade já foi divulgada de uma vez por todas. Só cabe aos homens reinterpretar sua mensagem obscura.

2.     O tradicionalismo implica a rejeição ao modernismo. Tanto Nazistas quanto Fascistas cultuavam a tecnologia, mas o Nazismo é baseado em “sangue e solo”. O Iluminismo e a Idade da Razão era vistos como a origem da depravação do mundo moderno.

3.     O irracionalismo leva ao culto da ação pela ação. A ação é bonita em si mesma. Deve ser implementada antes de qualquer reflexão. O pensamento emascula. A cultura é suspeita. “Quando ouço falar em cultura, puxo meu revólver”, diz uma frase atribuída ao ministro da Propaganda nazista, Joseph Goebbels. Outras expressões derrogatórias são “malditos intelectuais”, “cabeças de ovo”, “radicais esnobes”, “as universidades são um antro de comunistas”. A suspeição sobre a vida intelectual sempre foi um sintoma do fascismo eterno. Os intelectuais oficiais fascistas acusavam a cultura moderna e a intelligentsia liberal de abandonar os valores tradicionais.

4.     Nenhum autoritarismo pode aceitar a crítica. O espírito crítico faz distinções, um sinal da modernidade. Na cultura moderna, a comunidade científica vê o dissenso como uma maneira de promover o avanço do conhecimento. Para o fascismo, o dissenso é uma traição.

5.     O dissenso é acima de tudo um sinal de diversidade. O fascismo busca um consenso explorando e exacerbando o medo natural do diferente. Seu primeiro movimento é contra supostos invasores e traidores da tradição. O fascismo é portanto essencialmente racista.

6.     O fascismo nasceu da frustração social e individual. Apela às classes médias frustradas, inquietas por causa de alguma crise econômica, da humilhação política e da ameaça vinda de baixo. “Nos nossos dias, quando os velhos proletários se tornam pequenos burgueses, o fascismo vai encontrar audiência nesta nova maioria.”

7.     Para quem não tem uma identidade social, o fascismo vai dizer que único privilégio é ter nascido naquele país. O ultranacionalismo é um elemento central do fascismo. Em muitos casos, a identidade nacional é construída em oposição a um inimigo. Na raiz da psicologia do fascismo, está a obsessão com conspirações, de preferência internacionais. Os militantes devem se sentir como se estivessem cercados. Os judeus foram os bodes expiatórios durante séculos. Hoje, com o terrorismo, os muçulmanos viraram o alvo predileto dos neofascistas.

8.     Os militantes devem se sentir humilhados pela riqueza e o poder do inimigo. O inimigo é alternadamente muito forte ou muito fraco. Eco acreditava que “os regimes fascistas estão condenados a perder suas guerra porque são constitucionalmente incapazes de avaliar objetivamente a força do inimigo.”

9.     O fascismo não é uma luta pela vida é “uma vida para a luta”. A vida é uma guerra permanente. Assim, o pacifismo é visto como uma rendição ao inimigo. Como o inimigo precisa ser derrotado, tem de haver uma última batalha ou solução final, o nome que os nazistas deram ao genocídio dos judeus. Depois, viria uma época de paz e prosperidade, o que contradiz o princípio da guerra permanente. Nenhum líder fascista foi capaz de resolver esta contradição e a era dourada nunca chegou.

10.  O elitismo é típico de todas as ideologias reacionárias, constatou Umberto Eco. É aristocrático, o que implica um desprezo pelos fracos. O fascismo criou um “elitismo popular”: cada indivíduo pertence ao melhor povo do mundo, os membros do partido são os melhores cidadãos deste povo e todo cidadão pode se tornar membro do partido. Como não pode haver patrícios sem plebeus e o poder foi conquistado a força, o poder do líder depende da fraqueza das massas, que merecem um “dominador”, argumentou o filósofo. Como o regime e o partido são organizados por hierarquia de inspiração militar, cada subordinado olha de cima para baixo para seus inferiores.

11.  Todos são treinados para virar heróis. Na mitologia, os heróis são seres excepcionais. No fascismo, o heroísmo é a norma. O culto do heroísmo leva ao culto da morte. “Viva a morte!”, como bradavam os falangistas espanhóis liderados por Francisco Franco. A morte é a maior recompensa para uma vida heroica.

12.  Como a guerra permanente e o heroísmo são tarefas difíceis demais, os fascistas reorientam sua vontade política para outras questões, como o comportamento sexual. O fascista é intrinsecamente machista. Despreza as mulheres e condena sem qualquer tolerância relações não heterossexuais, da castidade à homossexualidade.

13.  O fascismo se baseia no “populismo quantitativo”. Numa democracia, os cidadãos têm direitos individuais, mas o conjunto dos cidadãos organizados tem um impacto muito maior. No fascismo, os indivíduos não têm direitos. O povo é uma entidade monolítica que expressa uma “vontade coletiva”. Como em grandes coletividades, as opiniões divergem e não há uma vontade comum, cabe ao líder “interpretrar” os desejos do povo, que tem uma presença meramente teatral. Eco advertiu para o risco de “pesquisas qualitativas de TV” e do “populismo via Internet”, em que a reação emocional de um grupo seleto seja apresentada como a “voz do povo”. O Fascismo era contra os “governos parlamentares corruptos”. Toda vez que se coloca em dúvida a legitimidade do Parlamento porque não reflete mais a “voz do povo” há um viés autoritário e antidemocrático do líder que procura o contato direto com as massas.

14.  O fascismo usa a novilíngua. A palavra foi inventada pelo escritor britânico George Orwell no livro 1984. Era a língua oficial de uma ditadura instalada através da televisão, que espionava as casas de todos e mudava o sentido das palavras no "duplipensar", de acordo com a vontade do supremo líder, o Grande Irmão, que inspirou o programa de TV BBB. “Todos os textos acadêmicos fascistas e nazistas são baseados num vocabulário pobre e numa sintaxe elementar, com o objetivo de limitar os instrumentos disponíveis para um raciocínio crítico complexo.” A novilíngua, alertou o pensador italiano, também está em outras linguagens, inclusive na TV.

Quando o fascismo caiu e Mussolini foi preso, em 27 de julho de 1943, Eco começou a descobrir que a Itália tinha vários partidos políticos e voltaram direitos fundamentais: as liberdades de expressão, de imprensa e de associação para fins pacíficos.

“Renasci como um homem livre ocidental”, lembrava Umberto Eco. Mas, advertiu, “o fascismo eterno ainda ronda, às vezes em trajes civis” e “pode voltar sob os mais inocentes disfarces”. “Não podemos esquecer.”

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Rebeldes hutis matam ex-ditador do Iêmen

O ex-ditador Ali Abdullah Saleh, que mandou no Iêmen de 1978 até cair na Primavera Árabe, em fevereiro de 2012, foi morto hoje em Saná, a capital do país, pelos rebeldes hutis, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã, que dias atrás eram seus aliados.

Saleh foi eleito presidente do antigo Iêmen do Norte, em 1978, e foi o principal responsável unificação do mais pobre entre os países árabes, em 1990, unindo o Iêmen do Norte, tribal, ligado à Arábia Saudita, ao Iêmen do Sul, que foi a única república socialista árabe.. Depois de sua queda, os hutis aproveitaram a situação caótica e ocuparam a capital iemenita em setembro de 2014.

Em 21 de janeiro de 2015, o presidente Abed Rabbo Mansur Hadi foi o obrigado a renunciar pelos hutis. Ele conseguiu fugir da prisão domiciliar no mês seguinte e foi para o porto de Áden, a antiga capital do Iêmen do Sul, onde chegou em 21 de fevereiro, para organizar a resistência.

Quando o Supremo Comitê Revolucionário dos hutis consolidou o poder em Saná, em 21 de março de 2015, convocou uma mobilização geral para derrubar Hadi e tomar as outras províncias que não estavam sob seu controle. As forças de Saleh atacaram Áden.

Hadi fugiu para a Arábia Saudita, que intervém militarmente na guerra civil do Iêmen desde 25 de março de 2015, principalmente com bombardeios aéreos, mas também com forças terrestres, junto com outros países árabes.

Entre os aliados na coalizão saudita, estão Egito, Marrocos, Jordânia, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Sudão. A Eritreia, Djibúti e a Somália abriram seu espaço aéreo à aliança, apoiada pelos Estados Unidos, que faziam ataque de drones no país contra a rede terrorista Al Caeda na Península Arábica até sair por razões de segurança. O grupo Estado Islâmico do Iraque e do Levante também se infiltrou no caos do Iêmen.

A intervenção faz parte da estratégia da Arábia Saudita e seus aliados majoritariamente sunitas para conter a expansão do Irã, xiita, reforçada com a ascensão do príncipe herdeiro Mohamed ben Salman a homem-forte do reino. Com a queda do ditador sunita Saddam Hussein e a ascensão da maioria xiita ao poder no Iraque, e a intervenção militar iraniana em apoio ao ditador Bachar Assad na Síria, consolida-se um crescente xiita, que vai ao Irã até o Mar Mediterrâneo.

Em 2 de dezembro, Saleh anunciou a ruptura da aliança com os hutis e aderiu à coalizão saudita que tenta reinstalar Hadi no poder em Saná. Até ontem, pelo menos cem pessoas haviam sido mortas em combates entre as forças leais a Saleh e os hutis. Sua casa estava cercada. Ele foi morto quando tentava fugir em meio à batalha.

"Saleh calculou mal sua jogada? Os sauditas e os EAU cantaram a vitória cedo demais?", perguntava ontem um analista da televisão catarina especializada em notícias Al Jazira. "Os hutis sabiam que mais cedo ou mais tarde Saleh iria se voltar contra eles. Estavam bem preparados para este momento e prontos a reagir", observou o sociólogo iemenita Baki Chamsan, professor da Universidade de Áden.

Nas redes sociais, circulam fotos de Saleh ao lado dos outros ditadores derrubados na Primavera Árabe: Zine Abidine ben Ali, da Tunísia; Hosni Mubarak, do Egito; e Muamar Kadafi, da Líbia. A maioria não lamentou: "Ele morreu como reinou durante quase 40 anos no Iêmen, na base da astúcia e da traição permanente", criticou o comentarista iemenita Khaled al-Ansi, na Al Jazira.

"Morte de Saleh, caos, ameaças na região, ingerência iraniana, tudo por causa da recusa em seguir o curso da história, de rejeitar a Primavera Árabe, de negar o direito dos povos à liberdade. Se a Arábia Saudita houve apoiado a Primavera Árabe, em 2011...", analisou o jornalista saudita exilado Khaled Kashoggi.

"Com todas as minhas desculpas aos mártires da revolução, não nos consola o fato de que ele fosse morto desta maneira, assassinado pelos hutis", lamentou no Twitter o jornalista iemenita Wassim al-Querchi. "Ele prestou um serviço ao país antes de morrer, ao corrigir o erro de sua aliança com os hutis."

Mais radical e esperançoso, o intelectual Mohamed Mokhtar al-Chinguiti, da Mauritânia, vê "um novo capítulo da Primavera Árabe. Saleh morreu seis anos depois de Kadafi. O livro da Primavera Árabe continua a surpreender o mundo. Ele continuará a ser escrito com letras vermelhas até que os povos árabes tenham liberdade e dignidade."

Mais de 10 mil pessoas foram mortas na guerra civil do Iêmen, talvez o conflito mais brutal hoje no mundo à medida que a guerra civil na Síria parece mais perto do fim, estima o Conselho de Relações Exteriores dos EUA. Cerca de 2,9 milhões fugiram de casa e 17 milhões sofrem de insegurança alimentar. O cerco saudita a áreas dominadas pelos rebeldes está causando fome em massa.

Afinal, o que é o fascismo?

Um dos insultos mais disparados nas discussões redes sociais é a pecha de fascista, esgrimida tanto à direita quanto à esquerda para desqualificar o oponente e vencer o debate com um ataque letal.

A grosso modo, no conceito genérico, o fascismo é o uso da força para fazer política, atropelando os princípios da democracia liberal. Neste sentido, pode ser aplicado aos autoritarismos de direita e de esquerda.

No Dicionário de Política (Brasília: UnB, 1986), Norberto Bobbio, Nicola Matteucci e Gianfranco Pasquino identificam “três usos ou significados principais do termo”.

O primeiro é o Fascismo italiano, o movimento liderado por Benito Mussolini, que tomou o poder na Itália em 1922 e levou o país à Segunda Guerra Mundial.

O segundo é a dimensão internacional que o Fascismo alcançou com a ascensão do nacional-socialismo de Adolf Hitler ao poder na Alemanha em 1933. A guerra iniciada pelo ditador nazista matou mais de 70 milhões de pessoas.

O terceiro “estende o termo a todos os movimentos e regimes que compartilham com aquele 'Fascismo histórico' um certo núcleo de características ideológicas e/ou critérios de organização e/ou finalidades políticas”.

Esta última acepção se tornou tão ampla que os autores consideram difícil de usar cientificamente. Assim, os dicionaristas chamam de Fascismo o movimento de Mussolini, de Nazismo o de Hitler e de neofascismo todas as suas derivações mais recentes, pós-Segunda Guerra Mundial.

Em geral, observam os dicionaristas, se entende por Fascismo um sistema autoritário de dominação caracterizado por:
- monopólio da representação política por um grande partido único de massas, hierarquicamente organizado;
- uma ideologia fundada no culto ao líder, na exaltação da coletividade nacional, no desprezo aos valores do individualismo liberal e no ideal da colaboração de classes, em oposição frontal ao socialismo e ao comunismo, dentro de um sistema corporativista;
- objetivos imperialistas em nome da luta dos países pobres contra as grandes potências;
- mobilização das massas e seu enquadramento em organizações controladas pelo regime, pelo partido e pelo governo;
- aniquilamento das oposições através da violência e do terror;
- um aparelho de propaganda que controla as informações e os meios de comunicação de massa;
- um dirigismo estatal na economia, que permanece em mãos do capital privado; e
- integração das estruturas de controle do partido e do Estado, dentro de uma lógica totalitária de dominar todas as relações econômicas, políticas, sociais e culturais.

Para o pensador italiano Umberto Eco, o que banalizou a palavra fascismo é o fato de que bastam algumas dessas características para determinado regime ser declarado fascista. Como um movimento ultranacionalista, o fascismo adquiriu particularidades de acordo com a realidade de cada país.

Assim, o fascismo é, ao mesmo tempo, um fenômeno nacional e supranacional, ao se propagar além das fronteiras. “Na realidade, o Fascismo, como evento histórico, é um fenômeno mais amplo que engloba o autoritarismo na sociedade moderna”, observam Nobbio Matteucci e Pasquino.

Quando Mussolini tomou o poder e transformou o Estado liberal num Estado totalitário, “poucos souberam ver no Fascismo a antecipação de uma crise mais geral que revolucionaria a Europa e, com a catástrofe da Segunda Guerra Mundial, viria a produzir profundas mudanças na organização interna dos Estados nacionais e na ordem internacional.”

“O atraso do país, a falta de uma autêntica revolução liberal, a incapacidade e a mesquinhez das classes dirigentes, unidas à arrogância de uma pequena burguesia parasitária com a doença da retórica... foram terreno para o cultivo do Fascismo” na Itália, diz o Dicionário de Política.

“Como expressão das aspirações de uma classe média emergente a um papel político autônomo, tanto em confronto com a burguesia quanto com o proletariado, o movimento fascista teria representado um momento de ruptura em relação ao passado, uma proposta de modernização das estruturas da sociedade italiana, com certa carga revolucionária”, notam os autores.

O Fascismo teve origem no Partido Socialista, com que Mussolini rompeu para apoiar a participação da Itália na Primeira Guerra Mundial, e tinha um aspecto revolucionário, em contraste com o Nazismo, que sempre foi essencialmente um movimento radical de direita reacionário.

Ao tomar o poder, o Fascismo fez um acordo com as classes dominantes que freou o impulso subversivo original e manteve as relações tradicionais de poder entre as classes sociais.

Na visão marxista, o fascismo não passa de uma ditadura escancarada da burguesia. “As origens do fascismo como fenômeno internacional estão relacionadas com a crise histórica do capitalismo em seu estádio final, o imperialismo, e com a necessidade que a burguesia tem, em face do agravamento das crises econômicas e da exacerbação dos conflitos de classes, de manter o seu domínio intensificando a exploração das classes subalternas.”

O Estado capitalista se torna uma ditadura aberta da burguesia, sem a intermediação das instituições da democracia parlamentar.

De acordo com esta análise, os partidos e os regimes fascistas são expressões diretas dos interesses do grande capital e sua função é essencialmente contrarrevolucionária. Atacam o proletariado e tentam frear o curso da história.

Essa análise marxista rejeita a descrição do “Fascismo como uma forma de bonapartismo, com a cessão temporária do poder a uma terceira força com relativa autonomia do Executivo em relação às classes dominantes.” Apesar da convergência de interesses, há “uma autonomia relativa dos Estados fascistas em face do grande capital”.

Outra perspectiva situa o Fascismo como totalitarismo, uma vertente que inclui na mesma categoria, do Estado totalitário, regimes fascistas e comunistas.

As características centrais do Estado totalitário são, de acordo com o livro Ditadura Totalitária e Autocracia, de Carl-Joaquim Friedrich e Zbigniew Brzezinski, que seria assessor de Segurança Nacional dos EUA no governo Jimmy Carter (1977-81):
- uma ideologia oficial tendente a cobrir todos os aspectos da existência humana à qual todos devem aderir, ao menos passivamente;
- um partido de massas único, conduzido por um homem só;
- um sistema de controle policial baseado no terror;
- o monopólio quase total dos meios de comunicação de massa;
- o controle quase total do complexo industrial-militar; e
- o controle central da economia.

Os regimes fascistas foram também tentativas de modernização (como processo de transformação global) distintas de democracia liberal e do socialismo, fundadas numa tentativa de acordo entre os setores tradicional e moderno, argumenta outra interpretação do fenômeno.

Os traços econômicos dessa modernização foram:
- “na esfera econômica, uma industrialização atrasada, mas intensa, promovida a partir de cima, com notável interferência do Estado a favor da acumulação de capital;
- na esfera política, o desenvolvimento de regimes autoritários e repressivos, expressão da coligação conservadora das elites agrárias e industriais que querem avançar pelo caminho da modernização econômica, mantendo as estruturais sociais tradicionais;
- na esfera social, a tentativa de evitar a desagregação dessas estruturas, impedindo ou reprimindo a mobilização posta em marcha pela industrialização e os movimentos operários.

Ao acentuar o peso do componente tradicional, o conceito do fascismo como força modernizadora “tende a subestimar a importância do embate entre a burguesia e o proletariado, o papel das classes médias, a crise do sistema liberal e das instituições representativas”.

A questão aqui é se o fascismo é apenas uma resposta a crises do capitalismo ou uma terceira via diferente do capitalismo e do socialismo.

O Fascismo também pode ser visto como uma revolta da pequena burguesia, que forneceu os quadros e as massas para sua ascensão.

“Para a teoria liberal, a pequena burguesia era uma das bases do sistema democrático e a garantia do desenvolvimento social pacífico. Para o marxismo, estava impossibilitada de exercer um papel político autônomo por causa de sua posição na estrutura das classes sociais, subalterna no conflito fundamental entre a grande burguesia e o proletariado”.

Assim, a pequena burguesia seria apenas massa de manobra da ditadura das classes dominantes. Estas exploraram a “revolta da pequena burguesia urbana e rural ameaçada em seu status pelos processos de transformação socioeconômica”, de um lado pela concentração do grande capital industrial e do outro pelo fantasma do comunismo depois da Revolução Bolchevique, na Rússia, em outubro de 1917.

“A capacidade de mobilizar a pequena burguesia, com base numa ideologia onde confluíam o irracionalismo e o voluntarismo, o anticapitalismo e o antissocialismo, e vagas aspirações a uma democracia radical com tons fortemente nacionalistas”, é um elemento central do fascismo desde suas origens na Itália.

É aí que a histeria nas redes sociais assusta, com a perspectiva de uma saída irracional de apoio a candidatos populistas e salvadores da pátria na próxima eleição presidencial. Vou reler outros textos sobre o fascismo e voltar ao assunto.

domingo, 3 de dezembro de 2017

Ideólogo da ditadura militar da China defende censura à Internet

Ele é o cérebro por trás do trono. Sem nunca ter sido líder regional do partido, nem prefeito, nem governador, nem ministro, um obscuro professor virou membro do Comitê Permanente do Politburo do Comitê Central do Partido Comunista da China, um dos sete imperadores que governam o país de fato. Em seu primeiro discurso público, Wang Huning defendeu hoje o rígido controle da informação pela ditadura militar chinesa.

Ao falar na Conferência Mundial da Internet, organizada pela Administração do Ciberespaço da China, em Wuzhen, a 120 quilômetros de Xangai, na China, defendeu cinco princípios para manter a "ordem e a segurança", suas preocupações fundamentais, na rede mundial de computadores, informou o jornal The New York Times.

Diante dos diretores-gerais da Apple, Tim Cook, e do Google Sundar Pixai, e do chinês Jack Ma, dono da maior empresa de comércio eletrônico do mundo, a chinesa Ali Baba, Wang destacou o desenvolvimento tecnológico da China e pediu mais investimentos em setores de ponta como inteligência artificial e computação quântica. O regime ditatorial quer a China na vanguarda tecnológica sem ampliar as liberdades públicas.

Conselheiro dos dois presidentes anteriores, Jiang Zemin e Hu Jintao, e do atual, Xi Jinping, Wang chegou ao Comitê Permanente aos 62 anos. Suas ideias começaram a ser conhecidas nos anos 1990s, quando ele era professor da Universidade Fudan, em Xangai, a maior e mais vibrante cidade chinesa.

Como a China é um país grande e pobre, argumenta Wang, precisa de um governo central forte para promover o desenvolvimento econômico. Sem um regime autoritário, a China não conseguiria superar o século de humilhação diante das potências ocidentais e do Japão, que começa com as Guerras do Ópio, em 1839, e vai até a vitória da Revolução Comunista liderada por Mao Tsé-tung, em 1949.

Seu pensamento segue a tendência de aumento do autoritarismo sob a liderança personalista de Xi Jinping, considerado o dirigente mais forte do PC chinês depois de Mao Tsé-tung e Deng Xiaoping. Xi resgata o culto da personalidade de Mao, que Deng suprimiu impondo uma liderança coletiva e um limite para o exercício dos cargos mais importantes do regime, a Secretaria Geral do PC, a presidência da China e a presidência da Comissão Militar Central.

Neste domingo, Wang exaltou Xi por seu "conhecimento profundo" da governança da Internet, afirmando que as ideias do ditador chinês sobre a Internet foram "recebidas calorosamente" pela sociedade internacional, em especial o conceito de "soberania cibernética" - a expressão usada pelo regime comunista para justificar a censura rígida à rede mundial de computadores.

A China é o único país onde andei em que não pude escrever neste blog. A censura é implacável. Na visão chinesa, comum a ditaduras, cada país tem o direito de criar sua própria rede e censurar tudo, especialmente o que vem de fora, com a chamada Grande Muralha de Fogo da China (Great Firewall of China), praticamente isolando o país.

Nas regiões onde há problemas com minorias étnicas, como no Tibete e na província de Xinjiang, a rede não funciona, para impedir a articulação de oposições ao regime comunista. Na conferência, conexão de altíssima velocidade.

"A governança global do ciberespaço não tem espectadores. Somos todos participantes", argumentou o alto dirigente chinês para alegar que "todas as partes" devem ter direito a dizer como a Internet deve ser administrada.

Suas cinco propostas seguem a orientação ditada por Xi Jinping ao participar da 2ª Conferência Mundial da Internet, em dezembro de 2015:

1. Acelerar a construção da infraestrutura global da rede para aumentar a interconectividade: até 2020, a Internet deve chegar a quase todas as aldeias chinesas.

2. Construir plataforma on-line para intercâmbio cultural e promoção da comunicação mútua: a China quer exportar sua cultura mantendo o controle estatal sobre o fluxo de ideias vindas do exterior.
3. Promover o desenvolvimento inovador da economia da Internet: maior beneficiária hoje da globalização e do comércio internacional, a China quer estar na vanguarda de todos os setores, especial da economia da Internet.

4. Salvaguardar a segurança da Internet para garantir o desenvolvimento de maneira ordena: ao mesmo tempo em que se dá o direito de censurar a rede, o regime chinês quer fortalecer o combate internacional ao terrorismo e ao crime organizado via Internet.

5. Estabelecer um sistema de governança da Internet que promova equidade e justiça: a proposta é criar regras globais de administração da rede. Vindo de uma ditadura, dá para pressupor que seja para aumentar o controle da informação.

A China não quer perder o trem-bala da corrida tecnológica. Quer usar o poder econômico da Internet sem liberar o fluxo de informações para impedir a disseminação de ideias liberais e democráticas capazes de minar o poder absoluto do partido.

sábado, 2 de dezembro de 2017

Israel bombardeia base militar iraniana na Síria

Com caças-bombardeiros e mísseis terra-terra, as Forças de Defesa de Israel atacaram na noite de sexta-feira para sábado um quartel do Exército da Síria próximo à cidade de Al-Kissua, situada a 13 quilômetros de Damasco. Seria uma base militar do Irã a apenas 50 quilômetros da fronteira sírio-israelense, noticiou o jornal israelense Haaretz citando fontes sírias.

Fortes explosões foram ouvidas em Damasco. Várias áreas da capital síria ficaram sem eletricidade, de acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização não governamental de oposição baseada em Londres que monitora a guerra civil na Síria.

O sistema de defesa antiaérea da Síria contra-atacou os aviões israelenses, que lançaram o bombardeio do espaço aéreo do Líbano, informou o canal de notícias Sky News Arabia. A mídia estatal da ditadura de Bachar Assad confirmou o ataque, dizendo que dois mísseis de Israel foram abatidos por mísseis antimísseis da Síria. O regime sírio não comentou oficialmente.

Em 11 de novembro, a televisão pública britânica BBC revelou a instalação de uma base militar do Irã em território sírio, a cerca de 50km da fronteira com Israel. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, advertiu que seu país não iria tolerar a presença militar iraniana no país vizinho.

O Irã e milícias aliadas intervém na guerra civil da Síria em apoio à ditadura de Assad, um alauíta (ramo do xiismo) e antigo aliado da república islâmica, que na verdade é uma ditadura teocrática dos aiatolás. Seu silêncio diante do ataque pode indicar uma intenção de não responder abertamente.

Durante uma visita recente do ditador sírio, Bachar Assad, a Sóchi, na Rússia, o presidente russo, Vladimir Putin, intermediou uma negociação entre Síria e Israel. Foi a intervenção militar russa, a partir de 30 de setembro de 2015, que garantiu a vitória ainda incompleta de Assad na guerra civil síria. Desde março de 2011, mais de 450 mil pessoas foram mortas, 5 milhões fugiram da Síria e 7 milhões fugiram de casa mas não do país. Putin tenta, então, articular negociações de paz.

Através do líder russo, Assad prometeu criar uma zona desmilitarizada de 50km do lado sírio da fronteira em troca do apoio ou da indiferença israelense à sua continuidade no poder.

Netanyahu concordou, com uma ressalva: Israel vai continuar combatendo a presença do Irã e da milícia extremista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) na Síria. E hoje reiterou a ameaça, noticou o jornal The Jerusalem Post.

Em entrevista à imprensa saudita em novembro, o comandante das Forças de Defesa de Israel, general Gadi Eizenkot, deixou clara a posição israelense: "Nossa exigência é de uma retirada total do Irã e de suas milícias da Síria. Temos dito abertamente, e também discreta e secretamente, que não aceitaremos a consolidação da posição do Irã na Síria. Não vamos tolerar a presença iraniana. Advertimos a não construir fábricas nem bases militares e não vamos permitir isso."

sexta-feira, 1 de dezembro de 2017

Ex-assessor de Segurança Nacional de Trump admite que mentiu ao FBI

O general Michael Flynn, ex-assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, confessou hoje ser culpado por ter mentido ao FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos Estados Unidos, sobre seus contatos com o então embaixador da Rússia em Washington, Serguei Kislyak, durante o período de transição entre a eleição e a posse do presidente Donald Trump.

Quando foi entrevistado pelo FBI, em janeiro, antes de assumir o cargo, Flynn negou ter pedido ao embaixador russo para não reagir às sanções impostas pelo ainda presidente Barack Obama em 29 de dezembro de 2016, em retaliação à interferência do Kremlin nas eleições americanas. O governo Trump trataria a questão de outra maneira. No dia seguinte, o presidente Vladimir Putin anunciou que a Rússia não reagiria.

Como negou ter discutido as sanções com o embaixador, o general Flynn também não revelou ao FBI que Kislyak prometeu moderação na resposta russa para não prejudicar a reaproximação com a Rússia defendida por Trump durante a campanha eleitoral. Ambas as declarações são comprovadamente falsas e foram feitas "voluntária e conscientemente", acusa a denúncia.

Flynn é o funcionário mais alto do governo Trump incriminado na investigação sobre um possível conluio da campanha de Trump com o governo russo. Ele fez um acordo com o procurador especial Robert Mueller e deve revelar de quem partiu a ordem para manter contato com a Rússia. Sua confissão aperta o cerco a Trump.

Hoje, o jornal The New York Times revelou que Trump pressionou três líderes do Partido Republicano a encerrar a comissão parlamentar de inquérito do Senado sobre o mesmo assunto. Em 9 de maio de 2017, o presidente demitiu o diretor-geral do FBI, James Comey, depois de pressioná-lo sem sucesso a encerrar a investigação sobre o general Flynn.

Com a demissão de Comey, que chefiava a investigação do FBI, houve pressão e outro ex-diretor-geral do FBI, Robert Mueller, o antecessor de Comey, foi nomeado procurador especial para investigar o caso.

Trump já cogitou afastar Mueller. Isso o colocaria na posição de Richard Nixon quando demitiu o procurador especial do Escândalo de Watergate, Archibald Cox, no Massacre de Sábado à Noite, em 20 de outubro de 1973. Nixon renunciou no ano seguinte para escapar de um processo de impeachment.

A equipe de transição era chefiada pelo vice-presidente Mike Pence e seus principais assessores eram o genro e Trump, Jared Kushner; o futuro chefe da Casa Civil da Casa Branca, Reince Priebus; e Kathleen McFarland, que era assessora adjunta de Flynn e hoje é embaixadora em Cingapura. Daí partiram as ordens para o contato com Moscou e seus agentes. Kushner seria o responsável.

Em 29 de dezembro, quando Obama impôs sanções, Flynn ligou para um membro do primeiro time da equipe de transição, reunida no clube de golfe de Trump em Mar-a-Lago, na Flórida, "para discutir o que dizer ao embaixador russo sobre as sanções dos EUA".

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

Assassinos da ditadura militar pegam prisão perpétua na Argentina

O Tribunal Federal Oral da Argentina condenou há dois dias à prisão perpétua por "crimes contra a humanidade" 29 acusados por sequestros, torturas, assassinatos e os "voos de morte" durante a última ditadura militar (1976-83) a desgraçar o país, entre eles os capitães Alfredo Astiz, o Anjo da Morte, e Jorge Tigre Acosta, noticiaram os jornais Clarín e La Nación.

Foi o terceiro grande processo sobre os crimes cometidos na Escola Superior de Mecânica da Armada (ESMA), a academia militar da Marinha argentina, que se tornou no principal centro de detenção, tortura e desaparecimento de presos políticos durante a guerra suja contra a esquerda. E o mais importante julgamento sobre direitos humanos na Argentina desde a condenação, há 32 anos, das juntas militares que desgovernaram o país de 1976 a 1982 e caíram com a derrota na Guerra das Malvinas.

No processo conhecido como ESMA III ou ESMA unificada, iniciado em 2012, 68 réus foram denunciados por crimes cometidos contra 789 pessoas; 14 morreram neste últimos cinco anos. Além dos 29 condenados à prisão perpétua, seis foram absolvidos e 19 pegaram de 8 a 25 anos de reclusão.

Durante a leitura da sentença, o tribunal situado no bairro do Retiro, no centro histórico de Buenos Aires, ficou dividido entre parentes das vítimas e defensores dos direitos humanos, de um lado, e partidários da ditadura, do outro, cantando o hino argentino e ofendendo jornalistas e ativistas.

O juiz David Obligado pediu aos manifestantes que baixassem faixas e cartas. Chegou a ameaçar evacuar a sala. Eram tantos os delitos que a leitura da sentença levou cinco horas. Só foram lidos os nomes dos réus, as acusações e os vereditos. As razões dos três desembargadores serão apresentadas noutro dia.

Mais de 5 mil presos políticos passaram pela ESMA e apenas centenas saíram com vida. Muitos foram drogados e jogados no mar nos sinistros voos da morte. Entre os sentenciados a passar a vida na cadeia, está o ex-piloto Mario Arru, responsável por alguns daqueles voos. Sua condenação foi das mais festejadas.

Arru estava no voo que jogou no Rio da Prata os sequestrados na Igreja de Santa Cruz, em que estavam a primeira presidente da organização das Mães da Praça de Maio, Azucena Villaflor, e as freiras francesas Alice Dumont e Leonis Duquet. Causou indignação a absolvição de Julio Poch, que morava na Holanda e foi extraditado depois de se gabar de ter participado dos voos da morte.

Talvez a figura mais odiada internacionalmente seja o capitão Alfredo Astiz, mais conhecido como Anjo da Morte, porque era jovem, louro e bonito na época da ditadura. Ele fico tristemente famoso por ter matado com um tiro pelas costas uma jovem sueca-argentina de apenas 17 anos, Dagmar Hagelin. Também foi acusado, entre muitos outros crimes, pelo sequestro e morte das freiras argentinas.

Durante a Guerra das Malvinas (1982), Astiz foi nomeado governador das Ilhas Geórgias do Sul, e se rendeu aos britânicos sem disparar um tiro. Preso, teve pedidos de extradição feitos pela França e a Suécia, mas a primeira-ministra conservadora Margaret Thatcher o entregou à ditadura militar argentina. Amiga do ditador chileno Augusto Pinochet, Thatcher era conivente com caçadores de comunistas.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Trump tuíta vídeos anti-islâmicos falsos da extrema direita britânica

Em mais um gesto ultrajante que provocou repúdio internacionalmente, o presidente Donald Trump divulgou hoje de manhã vídeos anti-islâmicos falsos difundidos pelo movimento de extrema direita Grã-Bretanha Primeiro. A oposição pede cancelamento da visita dos Estados Unidos ao país marcada para 2018.

Trump tem 44 milhões de seguidores no Twitter. Logo vieram as respostas e comentários. Um muçulmano britânico acusou o mesmo movimento de radicalizar o assassino da deputada britânica Jo Cox, morta durante a campanha eleitoral do ano passado.

Num dos vídeos, supostos extremistas muçulmanos destruíam uma estátua da Virgem Maria. Em outro, atacavam um garoto holandês de muletas. No mais terrível, um jovem é jogado de um telhado e espancado até a morte.

O viúvo da deputada, Brendan Cox, também reagiu negativamente: "Trump legitimou a ultradireita em seu próprio país, agora está tentando fazer o mesmo no nosso. Espalhar o ódio tem consequências e o presidente deveria ter vergonha de si mesmo."

Mais duro ainda foi o deputado negro David Lammy, da Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico: "O presidente dos EUA está promovendo um grupo extremista odioso, fascista e racista com líderes presos e condenados. Ele é um aliado ou amigo deles. Donald Trump, você não é bem-vindo no meu país e na minha cidade."

A porta-voz da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, defendeu Trump alegando que ele "quer fronteiras seguras e fortalecer a segurança nacional. Se o vídeo é ou não real, a ameaça é real e é disso que o presidente está falando."

Kim Jong Un afirma que programa nuclear da Coreia do Norte está completo

Horas depois de testar um míssil capaz de atingir qualquer parte do território dos Estados Unidos, o ditador Kim Jong Un hoje anunciou que o programa nuclear da Coreia do Norte está completo, noticiou a agência de notícias Bloomberg.

A Coreia do Norte lançou com sucesso um míssil Hwasong-14 com nova tecnologia, informou a Agência Central de Notícias Coreana. O ditador assistiu ao lançamento e "declarou com orgulho que agora finalmente realizamos o grande feito histórico de completar o ciclo da força nuclear e construir um poderio de foguetes", disse a agência.

O míssil chegou a uma altitude de 4,45 mil quilômetros e caiu na zona econômica do Japão no Oceano Atlântico depois de percorrer quase mil quilômetros. Com uma trajetória orientada para atingir a distância máxima, poderia viajar a uma distância de 13 mil km.

"É o mais poderoso míssil balístico intercontinental, que atinge a meta de completar o desenvolvimento de um sistema de defesa baseado em foguetes estabelecida pela República Popular Democrática da Coreia", o nome oficial do regime comunista, que reivindica a soberania sobre toda a Península Coreia.

Foi o 23º teste de mísseis da Coreia do Norte neste ano. O país também realizou em 2017 seu sexto teste nuclear, com uma explosão de 140 quilotons (milhares de toneladas de dinamite), 10 vezes mais do que a bomba de Hiroxima.

O regime stalinista de Pionguiangue afirmou que desenvolveu armas atômicas para conter os EUA Assim, não seria uma ameaça a nenhum país que não prejudique os interesses norte-coreanos.

Nesta quarta-feira, o Conselho de Segurança das Nações Unidas discute, em Nova York, a ameaça nuclear da Coreia do Norte.