segunda-feira, 15 de janeiro de 2007

Sarkozy ganha candidatura da direita

O ministro do Interior da Françca, Nicolas Sarkozy, foi confirmado neste domingo como candidato da governista União por um Movimento Popular (UMP), de direita, à Presidência da França nas eleições deste ano.

Sarkozy deve disputar o Palácio do Eliseu, no segundo turno, em maio, com a candidata socialista Ségolène Royal. No momento, as pesquisas dão uma pequena vantagem a Ségolène.

Filho de um imigrantes húngaro, Sarkozy é visto como um liberal em economia e conservador em política, um linha-dura no combate ao crime e à imigração ilegal. Seu liberalismo econômico de inspiração anglo-americana é considerado uma ameaça ao modelo social-democrata francês.

O próprio presidente Jacques Chirac, que se apresenta como um guardião dos valores tradicionais da Europa, da França e do gaullismo, fez recentemente uma crítica aos modelos importados, defendendo a economia social de mercado e a primazia das questões sociais no modelo francês.

Iraque enforca dois cúmplices de Saddam

Dois dos principais assessores do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein foram enforcados hoje pelo mesmo crime que levou Saddam à morte em 30 de dezembro: o massacre de 148 xiitas na cidade de Dujail, em 1982, onde o então ditador fora alvo de um atentado.

Os corpos de Barzan Ibrahim al-Tikriti, meio-irmão de Saddam, e do ex-presidente do supremo Tribunal do Iraque, Awad Hamed al-Bandar, foram entregues a autoridades locais de Auja, a vila onde nasceu Saddam, depois de serem levados para uma base militar americana, informou o vice-governador da província de Saladino, Abdullah Jubara. De acordo com o costume muçulmano, foram enterrados imediatamente.

Várias centenas de pessoas participaram do funeral, no mesmo local onde coroas de flores e imagens de Saddam cobrem o túmulo do ex-ditador.

As novas execuções aumentaram a revolta da comunidade sunita. O vice-presidente sunita Tarik al-Hachimi, atacou o primeiro-ministro xiita Nuri al-Maliki, dizedo que ele tem pouco tempo para cortar seus laços com as milícias xiitas, especialmente com o Exército Mehdi, liderado pelo aiatolá rebelde Muktada al-Sader.

No momento, 200 a 300 sunitas estão fugindo de Bagdá a cada dia.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2007

Déficit comercial dos EUA cai pelo terceiro mês

O déficit comercial dos Estados Unidos caiu pelo terceiro mês seguido em novembro. As exportações de aviões comerciais e outros produtos atingiram um nível recorde, enquanto a conta das importações de petróleo diminuiu.

Com uma contração de 1%, o déficit ficou em US$ 58,2 bilhões em novembro, o valor mais baixo desde julho de 2005.

Cristãos fogem do Oriente Médio

A violência, o terrorismo e a influência cada vez mais maior dos fundamentalistas muçulmanos estão expulsando os cristãos do Oriente Médio. Em alguns países, as minorias cristãs estão lutando pela sobrevivência, afirma a revista alemã Der Spiegel.

FÉRIAS NO SUL

Nas próximas semanas, estarei de férias em Santa Catarina e não terei condições de atualizar este blog como gostaria. Desde já, peço desculpas aos leitores.

terça-feira, 9 de janeiro de 2007

Batalha dura 10 horas em Bagdá

Numa das mais ferozes batalhas na capital do Iraque em meses, cerca de mil soldados iraquianos e americanos enfrentaram rebeldes numa luta de mais de 10 horas pelo coração de Bagdá, na Rua Haifa, um reduto da insurgência sunita. Pelo menos 50 insusrgentes foram mortos na batalha, que começou de madrugada e foi até as quatro da tarde, hora local (11h em Brasília). Outros 21 rebeldes foram presos, inclusive três sírios e dois sudaneses.

Um grupo de americanos ficou sob fogo cruzado no alto de um prédio durante duas horas e precisou de apoio de helicópteros para se safar. Os rebeldes foram descritos pelo comando militar dos Estados Unidos como um misto de partidários de Saddam Hussein e jihadistas d'al Caeda.

Em determinado momento, os disparam granadas e rajadas de metralhadora de uma mesquita.

A violência na Rua Haifa começou no sábado, quando a polícia foi atacada ao tentar resgatar corpos jogados. O Exército do Iraque foi chamado para apoiar a polícia, envolveu-se no tiroteio e pediu ajuda ao Exército dos EUA. Pelo menos 11 rebeldes foram mortos no sábado. A luta continuou no domingo, quando seis soldados iraquianos foram mortos.

Desde 2004, a Rua Haifa tem sido palco de ferozes batalhas de rua.

Dentro de algumas horas, o presidente George Walker Bush deve anunciar sua nova estratégia para o Iraque, que deve incluir o envio de mais 20 mil soldados para tentar criar uma zona de segurança em Bagdá e, a partir daí, tentar expandir este perímetro de segurança. Até novembro, as forças de segurança iraquianas seriam responsáveis por todas as províncias do país.

No ano passado, 22.950 iraquianos foram mortos, informou o Ministério da Saúde do Iraque, 5.640 no primeiro semestre e 17.310 no segundo semestre, o que ilustra bem o aumento da violência nos últimos meses.

Apple promete revolucionar telefonia

A companhia de informática Apple lançou hoje um novo telefone celular que incorpora o gravador digital iPod, conectando o telefone à loja virtual de música da empresa. O iPhone tem tela sensível mas não teclado.

"A Apple vai reinventar o telefone", anunciou o presidente da empresa, Steve Jobs na exposição Macworld, onde são lançados anualmente os novos produtos da companhia.

Jobs também apresentou um novo modelo do iPod com tela larga e a iTV, a televisão da Apple, na verdade um decodificador para transmitir para a TV músicas, filmes e vídeos comprados em lojas virtuais.

Com o anúncio, as ações da Apple subiram 8,3%, atingindo sua cotação recorde até hoje.

Os iPhones devem ser vendidos nos EUA por US$ 499 e US$ 599.

EUA bombardeiam Al Caeda na Somália

O Exército dos Estados Unidos bombardeou na madrugada de hoje uma suposta base de guerrilheiros da rede terrorista Al Caeda na Somália. Autoridades locais disseram que 31 pessoas morreram.

A área atingida fica a 180 quilômetros de Kismayo, um dos últimos redutos da União dos Tribunais Islâmicos, um grupo fundamentalista que dominou a capital, Mogadíscio, e boa parte do Sul da Somália durante seis meses, até o final do ano passado, quando foi contra-atacada pelo governo provisório da Somália, apoiado pelo Exército da Etiópia.

Como os EUA estão preocupados que Al Caeda se instale na região do Chifre da África, apoiaram a ação contra os jihadistas. Entre os alvos do bombardeio, estavam suspeitos de organizar os atentados contra as embaixadas dos EUA no Quênia e na Tanzânia em 1998.

Petróleo cai abaixo de US$ 55 o barril

As temperaturas muito mais altas do que esperado para o inverno no Hemisfério Norte derrubaram hoje os preços do petróleo. Na Bolsa Mercantil de Nova Iorque, a cotação do barril para entrega em fevereiro caiu 3%, chegando a US$ 54,45, a menor desde junho de 2005. Desde o início do ano, o petróleo perdeu 10% do valor.

O calor está diminuindo a demanda por gás natural e óleo para a calefação ao mesmo tempo em que a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) não consegue impor a seus membros os cortes de produção aprovados para sustentar os preços em torno de US$ 60 por barril.

Ontem, o preço ficou em torno de US$ 56 por causa de um conflito entre a Bielorrússia e a Rússia, que ameaça cortar o fornecimento para a Alemanha, a Polônia e a Ucrânia através de um oleoduto que atravessa a Bielorrússia.

ETA afirma que cessar-fogo é permanente

O grupo terrorista ETA (Euskadi ta Askatasuna = Pátria Basca e Liberdade), que luta pela independência do País Basco, que reuniria províncias da Espanha e da França, declarou oficialmente hoje que o cessar-fogo declarado em 22 de março do ano passado é permanente. Mas ao mesmo tempo, assumiu a responsabilidade pelo atentado contra o aeroporto de Barajas, em Madri, e justificou-se: "O objetivo desta ação armada não era causar vítimas".

Pelo menos dois equatorianos morreram e outras vinte pessoas saíram feridas.

Para o ministro do Interior da Espanha, Alfredo Pérez Rubalcaba, que disse depois do atentado que o processo de paz estava encerrado, "só há um caminho: pôr fim à violência".

A Espanha rejeita a independência do País Basco mas o atual governo socialista está disposto a conceder ampla autonomia à região.

Saddam mandou exterminar curdos

O ex-ditador iraquiano Saddam Hussein e seu primo Ali Hassan al-Majid, apelidado de Ali Químico, discutiram o extermíno de milhares de curdos com armas químicas em 1988, antes do ataque contra Halabja, revelou uma gravação apresentada ontem num tribunal do Iraque

Nove dias depois de Saddam ser enforcado pelo massacre de 148 xiitas em 1982, o lugar do ex-ditador no banco dos réus estava vazio. Mas Ali Químico e outros funcionários do partido Baath enfrentam o julgamento pelos crime cometidos na Operação Anfal (Despojos de Guerra), na região curda, no Norte do Iraque.

"Vou atacá-los com armas químicas e matar todos eles", diz uma voz identificada pelo procurador como Majid. "Quem vai dizer alguma coisa: a comunidade internacional? Dane-se a comunidade internacional", continuou.

"Sim, é eficaz, especialmente naqueles que não colocarem uma máscara imediamente, entende", diz outra voz, identificado como de Saddam.

"Extermina milhares?", pergunta Ali.

"Sim, extermina milhares e os força a não beber e nem comer. Eles terão de evacuar suas casas sem levar nada, então finalmente podemos nos livrar deles", acrescentou Saddam.

Os procuradores acreditam que 180 mil curdos foram mortos na Operação Anfal.

Apple pode lançar iPhone hoje

Há meses o mercado especula que a empresa de informática Apple está desenvolvendo um telefone celular com iPod, o aparelho de som da companhia que domina o mercado de gravadores digitais de MP3. O anúncio é esperado para hoje.

A empresa de telefonia celular Cingular Wireless, do grupo AT&T, ofereceria o serviço telefônico, informa o jornal The Wall Street Journal. Isto abriria um novo mercado para a Apple. As vendas mundiais de aparelhos celulares chegam a um bilhão por ano. O iPod, com seu extraordinário sucesso, chegou a 70 milhões de unidades vendidas.

Também há expectativa de que a Apple possa lançar uma televisão interativa, a iTV.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2007

Célula-tronco do líquido amniótico facilita pesquisa

Pesquisadores da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, revelaram no fim de semana terem descoberto células-tronco no líquido amniótico, o fluido que envolve o feto dentro da placenta, num avanço que pode levar os cientistas a driblar a questão ética suscitada pela pesquisa com células-tronco embrionárias.

Sob pressão da direita religiosa, o presidente George Walker Bush limitou o uso de verbas federais na pesquisa com células-tronco. Quem é contra alega que as pesquisas destruiriam óvulos fecundados, o que os ativistas antiaborto consideram um crime, ainda que estes ovos humanos guardados em clínicas de reprodução assistida não fossem mais ser utilizados para gerar seres humano.

Com as células-tronco do líquido amniótico, este problema desaparece porque não haverá destruição de embriões.

As células-tronco são células indiferenciadas que se transformam nos tecidos e órgãos de um ser vivo. Seriam assim uma fonte segura para substituição de tecidos e órgãos doentes ou destruídos por acidente, acabando com a era dos transplantes, que provocam rejeição ou introduzir no organismo genes de outro ser vivo.

Chávez vai nacionalizar energia, água e telecoms

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, pediu poderes especiais ao Congresso e anunciou a estatização das empresas de energia, água e de telecomunicações, chamando-os de "setores estratégicos" que devem ser controlados pelo governo. Ele falou ao dar posse a novos membros do ministério que, segundo os analistas, tornam seu governo mais radical. O caudilho trocou até o vice-presidente, que pela Constituição chavista é nomeado pelo presidente.

Chávez disse ainda que o governo vai substituir o Código Comercial, principal lei regulamentadora da atividade empresarial, para substituí-la por leis mais apropriadas à sua "revolução bolivarista" e ao seu "socialismo do século 21", e tirar o pouco que resta de independência do banco central.

Nesta quarta-feira, Chávez começa seu terceiro mandato como presidente da Venezuela. Já sugeriu que pode ficar até 2031 para consolidar sua "revolução bolivarista" e seu "socialismo do século 21".

O problema deste socialismo chavista é que ninguém sabe exatamente qual é o modelo econômico. Se o comunismo caiu porque perdeu a guerra econômica com o capitalismo, ou seja, não foi capaz de melhorar a vida dos povos, um novo socialismo precisa de uma proposta econômica que a Venezuela não mostra.

Há uma bonança provocada pelos preços do petróleo, que tendem a continuar altos por causa do aumento do consumo da China e da Índia. Chávez usa o dinheiro do petróleo para aplicar em programas sociais. Mas não há um programa de investimentos para aumentar a produção e desenvolver a economia do país.

Com câmbio controlado, o país exporta petróleo e importa bens de consumo sem que isto promova o desenvolvimento nacional. Ao estatizar a economia, Chávez aumenta seu controle sobre a Venezuela, onde já controla amplamente os três poderes do Estado e a companhia estatal Petroleos de Venezuela.

Arcebispo polonês cai por ter sido espião comunista

A pedido do papa Bento XVI, o novo arcebispo de Varsóvia, Stanislaw Wielgus, renunciou no domingo depois de admitir que colaborou com a polícia política do regime comunista, o que criou grande constrangimento para o Vaticano e para a poderosa Igreja Católica da Polônia. Durante 20 anos, a partir do final dos anos 60, ele passou ao regime comunista informações sobre seus colegas.

Em vez da cerimônia que o consagraria como arcebispo da capital polonesa, Wielgus aproveitou a missa especial na Catedral de Varsóvia para anunciar sua saída: "De acordo com o Direito Canônico, submeto a Sua Santidade minha renuncia como Arcebispo Metropolitano de Varsóvia".

Depois de negar diversas vezes, na sexta-feira, ele admitiu ter sido informante da polícia do regime comunista. Na semana passada, uma comissão especial criada pela Igreja Católica da Polônia conclui que Wielgus colaborou com o regime anterior, durante a Guerra Fria.

Stanislaw Wielgus, de 67 anos, fora nomeado pelo papa arcebispo de Varsóvia em 6 de dezembro, em substituição ao cardeal Josef Glemp, o grande líder moral do catolicismo polonês depois da morte do papa João Paulo II, no ano passado. Glemp, que volta provisoriamente ao cargo, pediu que Wielgus não seja julgado com muita dureza, já que muitos poloneses tiveram de ceder e se acomodar diante da tirania stalinista.

A Polônia continua lutando com os fantasmas do passado.

Durante a Guerra Fria, a Igreja foi um dos focos de resistência na luta contra o comunismo. Mas os pesquisadores que estudam este passado sombrio estimam que pelo menos 10% dos clérigos católicos colaboraram com o regime comunista.

Chávez dá ajuda para ter influência na Nicarágua

A Venezuela deve anunciar nesta semana uma grande ajuda econômica e social à Nicarágua para garantir sua influência na América Central e continuar a 'guerrinha fria' do presidente Hugo Chávez contra os Estados Unidos.

Chávez deve anunciar na quinta-feira um conjunto de medidas para apoiar o governo Daniel Ortega, ex-líder guerrilheiro que está voltando ao poder depois de quase 17 anos. Ortega, de 61 anos, ganhou a eleição presidencial de novembro com 38% com uma série de promessas de ajuda aos pobres. Assume nesta quarta-feira. O presidente Lula é uma das grandes inspirações do dirigente da Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), que adotou o "Lulinha paz e amor" na campanha.

Em entrevista ao Financial Times, principal jornal econômico-financeiro da Europa, o embaixador venezuelano em Manágua, Miguel Gómez, falou em transformar a Nicarágua: "Nos próximos cinco anos, a Nicarágua sentirá os efeitos da verdadeira cooperação baseada na solidariedade, não do comércio e da especulação. Queremos infectar a América Latina com nosso modelo".

O embaixador não revelou o total da ajuda. Disse apenas que será ampla, incluindo os setores de agricultura, energia, construção, saúde e educação, descrevendo-a como "um impulso para o movimento esquerdista na América Latina".

Na parte de energia, a Nicarágua receberá 10 milhões de barris de petróleo em produtos refinados como gás ou gasolina, pagando 60% do preço a vista e os outros 40% em 25 anos, com dois anos de prazo de carência e juro de apenas 1% ao ano. Também haverá investimentos na infra-estrutura energética nicaragüense.

Outros projetos incluem a construção de uma estrada ligando os oceanos Atlântico e Pacífico, e a construção de 200 mil moradias. A Venezuela estuda a possibilidade de construir um oleoduto entre o Atlântico e Pacífico para exportar para a China.

O financiamento virá do Banco de Desenvolvimento Econômico e Social (Bandes) da Venezuela, que deve abrir em breve uma agência na Nicarágua.

Antes das eleições, os EUA temiam que a vitória de Ortega traria o chavismo para a América Central. Mas o ex-guerrilheiro escolheu para vice um ex-comandante da contra-revolução que tentava derrubá-lo com o apoio dos EUA e com o ex-presidente Arnoldo Alemán, condenado por corrupção.

Para voltar ao poder, Ortega fez uma aliança com a direita, com os herdeiros políticos do ditador Anastazio Somoza, que derrubou em 1979. Aprendeu muito com Lula.

A questão é se a ajuda da Venezuela será capaz de influenciar o governo Ortega a ponto de alinhá-lo com o chavismo, que é antiliberal, anticapitalista e antiamericano. Meu palpite é que Ortega está para Lula do que para Chávez. Aceita a ajuda da Venezuela, importante para um país miserável como a Nicarágua. Mas não vai brigar com o mercado nem deve comprar brigas com os EUA.

domingo, 7 de janeiro de 2007

Israel nega que vá atacar programa nuclear do Irã

Israel negou hoje que tenha planos de bombardear as instalações nucleares do Irã, como diz neste domingo o jornal inglês The Sunday Times. O Irã advertiu que um ataque terá "conseqüências terríveis".

Citando fontes israelenses não-identificados, o Sunday Times afirma que dois esquadrões da Força Aérea de Israel estão treinando para destruir a usina de enriquecimento de urânio de Natanz usando pequenas armas nucleares para explodir fortalezas subterrâneas.

Um porta-voz do Ministério do Exterior do Irã, Mohammed Ali Husseini, respondeu que a notícia "deixa claro para a opinião pública mundial que o regime sionista é a principal ameaça à paz global ou regional".

O Conselho de Segurança das Nações Unidas impôs unanimemente sanções contra o Irã porque ele se negou a parar de enriquecer.

Em 1981, Israel destruiu uma usina nuclear do Iraque, em Osirak, para impedir que Saddam Hussein fabricasse a bomba atômica.

Bush quer mais soldados e empregos no Iraque

A nova estratégia para o Iraque a ser anunciada nesta semana pelo presidente George Walker Bush deve incluir o envio de mais 20 mil soldados americanos e a criação de um programa de US$ 1 bilhão para gerar empregos para os iraquianos, revela neste domingo o jornal The New Times. Os empregos seriam em atividades de reconstrução do país.

Em uma longa teleconferência, o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, prometeu a Bush colocar mais três brigadas do Exército do Iraque ao lado das cinco novas brigadas a serem enviadas pelos Estados Unidos para tentar controlar a violência em Bagdá.

Diversos altos funcionários duvidam do novo plano, dizendo que é apenas uma repetição do que foi feito até agora, observou o jornal The Washington Post também neste domingo. O ex-comandante militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), general Wesley Clark, que comandou a guerra do Kossovo, entende que o momento para uma ação militar decisiva dos EUA já passou.

Marines fuzilaram passageiros de táxi

Um esquadrão de fuzileiros navais (marines) dos Estados Unidos que fora atacado com uma bomba de beira de estrada em Haditha, no Iraque, tirou cinco civis desarmados e inocentes de um táxi, e o comandante matou-os a tiros, declarou uma testemunha em depoimento obtido pelo jornal The Washington Post.

O inquérito do Serviço de Investigação Criminal da Marinha revela novas detalhes sobre o massacre, ocorrido em 19 de novembro de 2005. Pouco depois do comboio dos fuzileiros navais ser atingido, o que matou um soldado americano e deixou outros dois feridos, um táxi branco chegou ao local da explosão.

As testemunhas contam que o comandante do esquadrão, sargento Frank Wuterich obrigou os passageiros indefesos a descer do táxi a fuzilou-os um a um enquanto eles ficavam de pé junto a seu veículo, a cerca de três metros de distância do chefe dos fuzileiros navais. Outro marine atirou nos corpos das vítimas quando eles já estavam caídos no chão.

"Eles não tiveram a menor reação. Não tentaram correr", descreveu uma testemunha, um jovem soldados iraquiano que acompanhava a operação dos fuzileiros navais. "Estávamos com medo dos marines. Ele se comportavam como loucos, gritando e berrando".

Quatro fuzileiros navais foram acusados pela morte de 24 civis, inclusive mulheres e crianças, naquele dia em Haditha. Outros quatro oficiais foram denunciados por obstruir a investigação. Foi o pior crime cometido por soldados americanos até agora no Iraque.

Depois de fuzilar os passageiros do táxi, os marines atacaram as casas próximas, atirando indiscriminadamente, usando granadas e fuzis para matar 14 civis desarmados em suas próprias casas em apenas 10 minutos.

Na segunda casa atacada, cinco pessoas morreram. Só sobrou uma menina de 13 anos que perdeu sua mãe, o irmão de 5 anos e a irmãzinha de 3 anos. "O americano atirou e matou todo o mundo", declarou Safah Yunis Salem aos investigadores.

Os quatro fuzileiros navais denunciados são Wuterich, o sargento Sanick de la Cruz, e os cabos Justin Sharratt e Stephen Tatum. Podem ser condenados à prisão perpétua.

Para os advogados de defesa, os tiros não foram vingança pelo companheiro morto. Seus clientes estariam apenas respondendo a uma ameaça. Foram atacados e reagiram.

Os investigadores ouviram centenas de pessoas. Muitos depoimentos são contraditórios, reconhece o Post, mas é evidente que o massacre de Haditha foi uma das matanças deliberadas de civis inocentes desta guerra.

sábado, 6 de janeiro de 2007

Iraque lança megaoperação antiviolência em Bagdá

O primeiro-ministro do Iraque, Nuri al-Maliki, anunciou hoje que uma grande operação de suas forças de segurança, apoiadas pelo Exército dos Estados Unidos, para tentar conter a violência de milícias sunitas e xiitas em Bagdá.

É mais uma indicação de que a nova estratégia do presidente George Walker Bush, a ser revelada na próxima quarta-feira, deve incluir o envio de mais 20 mil soldados americanos para tentar criar uma zona de segurança na capital do Iraque.

"O plano de segurança está pronto", declarou o primeiro-ministro, sinalizando que já está tudo acertado com as forças de ocupação americanas. Maliki afirmou que não vai aceitar pressões políticas para amenizar o impacto da megaoperação: ""Não haverá saída para quem opera fora da lei, independentemente de sua facção política".

Será que ele vai atrás do Exército Mehdi, a maior milícia xiita iraquiana, liderada por seu aliado, o aiatolá Muktada al-Sader, cujo nome foi citado para provocar Saddam Hussein na hora de seu enforcamento? Será um bom teste para a megaoperação.

Ontem, numa reunião do American Enterprise Institute, um dos centros de pesquisa conservadores que defendeu a invasão do Iraque, estrategistas insistiam em que é possível uma solução militar para a insegurança em Bagdá, alegando que basta ter as tropas e recursos necessários.

Brasil cresceu 2,8% no ano passado

A economia brasileira cresceu 2,8% em 2006, com uma inflação de 3,83%. Os dados são da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal) da ONU.

O país que mais cresceu na América do Sul foi a Venezuela de Hugo Chávez, com expansão de 10,3%. Teve também a maior inflação: 17%.

Argentina teve inflação de 9,8% em 2006

Com alta de 1% em dezembro, a inflação terminou o ano na Argentina em 9,8%. Mas produtos e serviços consumidos pela classe média subiram bem acima desta taxa, como educação (19,9%), comer na rua (20%), comida para levar (14,9%), roupas (14,6%) e aluguéis (13,8%).

Os "acordos de preços" impostos pelo governo Néstor Kirchner permitiram um controle relativo de bebidas e alimentos, que subiram 10,5%, pouco acima da taxa de inflação. Mas o jornal argentino La Nación afirma que o governo gastou 4,418 bilhões de pesos em subsídios diretos a atividades que pesam no índice de inflação, como eletricidade e transportes.

Na América do Sul, só tiveram taxas de inflação maiores a Venezuela (17%) e o Paraguai (12,5%). O Peru teve um crescimento quase igual ao da Argentina (8,7%) com uma inflação de 1,14%, a menor em cinco anos. Já o Chile cresceu 4,4% com 2,6% de inflação, abaixo da expectativa, que era de 3,7% ao ano.

Estes dados são da Comissão Econômica para a América Latina da ONU (Cepal).

Empregos nos EUA derrubam bolsas

O inesperado crescimento do emprego e dos salários nos Estados Unidos em dezembro derrubou a Bolsa da Valores de Nova Iorque e a maioria dos mercados do mundo inteiro, que seguem a orientação de Wall Street, como a Bolsa de Valores de São Paulo, que caiu 4%. No fim do dia, o Índice Dow Jones baixara 82,86 pontos (0,66%), fechando em 12.398,01.

No mês passado, a maior economia do mundo gerou 167 mil empregos fora do setor agrícola, 100 mil acima do previsto pelos analistas, indicando uma recuperação do mercado de trabalho após nove meses. Os dados de outubro e novembro, revisados, revelaram que foram criados 29 mil empregos além das estimativas iniciais.

São sinais de que os EUA estão numa desaceleração suave. Devem voltar a crescer mais, sem entrar em recessão.

A contrapartida é a pressão inflacionária dos aumentos salariais, que deve levar o Federal Reserve Board (Fed), banco central dos EUA, a não reduzir a taxa básica de juros da economia americana, hoje em 5,25% ao ano.

O mercado sempre sonha com juros mais baixos, que reduzem o custo do capital, aumentando o investimento e o consumo, enquanto o banco central, como guardião da moeda, está preocupado com as pressões inflacionárias.

Nos últimos anos, a economia dos EUA dá sinais contraditórios, de fraqueza em questões importantes, como o déficit comercial de US$ 850 bilhões anuais e o déficit orçamentário, que enfraquecem o dólar. Mas o vigor do consumidor americano, os ganhos de produtividades e o desenvolvimento científico e tecnológico mostram que é prematuro falar em decadência americana.

De um lado, há um temor de que o Fed tenha exagerado nas altas de juros e de que a economia americana esteja muito enfraquecida, caminhando para a recessão. O aquecimento do mercado de trabalho elimina esta preocupação. Se estão sendo gerados mais empregos e os salários estão em alta, o país está crescendo.

Por outro lado, como o núcleo da inflação, expurgados os preços de alimentos e energia, está acima de meta informalmente perseguida pelo Fed, de 1% a 2% ao ano, e as minutas manifestaram preocupação com o crescimento dos preços, o mercado concluiu que os juros não vão baixar.

Se os juros sobem nos EUA, pode haver uma fuga de capitais dos mercados emergentes para aplicações mais seguras no mercado americano que, com juros muito baixos, rendem muito pouco. Mas há mercados emergentes que já se firmaram, como a China, e estão prontos a desafiar mais esta velha lógica.

Mubarak: execução "bárbara" fez de Saddam mártir

O presidente do Egito, Hosni Mubarak, um dos maiores aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio, criticou o que chamou de enforcamento "bárbaro" de Saddam Hussein dizendo que transformou o ex-ditador iraquiano num mártir. O martírio é glorificado pelos muçulmanos.

Mubarak alegou que muitos especialistas em Direito Internacional consideraram o julgamento ilegal e disse ter feito um apelo ao presidente George W. Bush para adiar a execução. "As imagens da execução são bárbaras e revoltantes","declarou o presidente egípcio.

No vizinho Irã, que é xiita, o influente mulá Ahmad Khatami afirmou na oração de sexta-feira que os EUA usaram a execução para aumentar a tensão entre sunitas e xiitas.

Dois assessores diretos de Saddam condenados à morte no mesmo julgamento sobre o massacre de 148 xiitas em Dujail, em 1982, inclusive um meio-irmão do ex-ditador, tiveram suas execuções adiadas até a próxima semana.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

Bush muda equipe antes de anunciar nova estratégia dos EUA na Guerra do Iraque

O presidente George Walker Bush mudou na sexta-feira os comandantes militares americanos no Iraque, preparando o anúncio de sua nova estratégia, que deve enfrentar resistência da maioria democrata no Congresso ao propor um aumento de 20 mil soldados no contingente americano no país ocupado.

Bush começou a mudar sua equipe demitindo o secretário da Defesa Donald Rumsfeld um dia depois da vitória democrata nas eleições parlamentares de 7 de novembro, quando os democratas recuperaram a maioria na Câmara e no Senado.

Já havia indicado o diretor nacional de Inteligência e ex-embaixador no Iraque, John Negroponte, um veterano linha-dura da Guerra Fria na América Central, para subsecretário de Estado. O atual embaixador americano no Iraque, Zalmay Khalilzad, deverá ser o representante dos EUA junto às Nações Unidas.

Hoje, o presidente nomeou o almirante William Fallon para substituir o general John Abizaid como chefe do Comando Central dos Estados Unidos, responsável pelas guerras no Afeganistão e no Iraque, e o general David Petraeus como comandante supremo no Iraque no lugar do general George Casey, que é contra o aumento do número de soldados.

A oposição também é contra. Os dois principais líderes do novo Congresso de maioria democrata, a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, e o líder no Senado, Harry Reid, enviaram carta do presidente rejeitando o envio de mais soldados americanos para o Iraque e pedindo que seja estabelecido um cronograma para a retirada das tropas dos EUA: "Mandar mais tropas de combate só vai colocar em perigo mais americanos e sobrecarregar nossos militares até o limite de ruptura sem ganho estratégico".

O senador afro-americano Barack Obama, principal rival da ex-primeira-dama e senadora Hillary Clinton, disse ao presidente Bush na Casa Branca que enviar mais soldados americanos para o Iraque é "uma má idéia".

Outros dois senadores, John Lieberman, candidato a vice-presidente derrotado em 2000, e John McCain, veterano do Vietnã e pré-candidato republicano à Presidência dos EUA em 2008, defenderam o aumento do número de tropas.

Al Caeda quer que Somália vire um novo Iraque

Em gravação divulgada pela Internet, o subcomandante da rede terrorista Al Caeda, o egípcio Ayman al-Zawahiri, incita os guerrilheiros fundamentalistas muçulmanos da Somália a apelar para as táticas usadas no Iraque, como o terrorismo suicida, para atacar o Exército da Etiópia. As forças etíopes invadiram o país em 24 de dezembro para apoiar o governo provisório, expulsando a União dos Tribunais Islâmicos, que controlava a capital somaliana, Mogadíscio, há seis meses.

"Apelo a todos os muçulmanos que respondam à convocação para a 'guerra santa' (jihad) na Somália. A verdadeira guerra começará com ataques contra as forças de agressão etíopes. Recomendo emboscadas, minas e operações suicidas", diz Zawahri, lugar-tenente de Ossama ben Laden.

"Não se deixem impressionar pela força dos Estados Unidos: vocês já os derrotaram no passado e os mujahedins quebraram sua coluna no Afeganistão e no Iraque. Assim como aconteceu nestes dois países, quando a maior potência mundial foi derrotada pelos mujahedins, a mesma derrota deve ocorrer nas terras muçulmanas da Somália", prega o subchefe d'al Caeda.

"Exorto a nação islâmica na Somália a agüentar firmemente neste novo campo de batalha contra a cruzada empreendida pelos EUA, seus aliados e a ONU contra o islã e os muçulmanos."

A Somália vive num estado de anarquia desde a queda do ditador Mohammed Siad Barre, em 1991.

Dólar sobe com aumento do emprego nos EUA

O dólar subiu hoje nos mercados internacionais por causa de um crescimento acima do esperado do emprego nos Estados Unidos, uma indicação de que a desaceleração não deve levar a maior economia do mundo à recessão. Em dezembro, foram criados 167 mil empregos fora do setor agrícola. A expectativa média do mercado era de geração de 100 mil postos de trabalho.

A cotação do euro caiu de US$ 1,3080 para US$ 1,3008, enquanto uma libra esterlina passou de US$ 1,94 para US$ 1,931 e o dólar subia de 118,10 para 118,61 ienes.

Emergentes sustentam crescimento em 2007

Se as economias mais ricas – Estados Unidos, Europa e Japão – tendem a manter baixas taxas de crescimento em 2007, em torno de 2% ou pouco acima disso, os países emergentes, com crescimento médio de 7% ou mais, como neste ano, devem sustentar a expansão da economia mundial, que foi de cerca de 5% em 2006. Portanto, 2007 será mais um ano em que a globalização criará grandes oportunidades.

Com sua economia de US$ 13,3 trilhões anuais, os EUA surpreendem, apesar das previsões catastrofistas. O déficit comercial deve bater recorde em 2006. Mas não haverá colapso da moeda americana enquanto a China, que terminou o ano com US$ 1 trilhão de reservas, continuar comprando dólares.

“A queda do dólar deve aliviar um pouco o déficit comercial, os juros estão estabilizados, talvez entrem num ciclo de queda, e os preços do petróleo estão mais estáveis”, observa o economista e doutor em relações internacionais Paulo Wrobel, assessor de ciência e tecnologia da Embaixada Brasileira no Reino Unido.

“A economia européia está razoavelmente bem, apesar do fortalecimento do euro. Passou a fase mais recessiva”, comenta Wrobel.

O Japão, que parecia ter vencido a estagdeflação dos anos 90, voltou a patinar. No terceiro trimestre, a taxa de crescimento anual foi de 0,8% devido às exportações, com consumo doméstico fraco.

Pelo segundo ano seguido serão os países emergentes, sobretudo a China e a Índia, com taxas de crescimento em torno de 10%, e também a Rússia, com seus vastos recursos energéticos, que manterão a economia mundial numa expansão em torno de 5%. Com o aumento da demanda provocado pelo extraordinário crescimento asiático, é improvável que o preço do petróleo, que chegou a US$ 78 em agosto de 2006, caia para US$ 50.

Há uma mudança no equilíbrio de poder na economia internacional, nota The World in 2007 (O Mundo em 2007), a edição especial da revista inglesa The Economist com previsões para o ano que começa.

O poder está se deslocando com a crescente importância da Ásia, uma região muito menos institucionalizada que a Europa, sem acordos de segurança coletiva, onde a proliferação nuclear coloca novos riscos. Por enquanto, o crescimento econômico parece a cura para todos os males.

A revolução econômica provocada pela globalização vai muito mais longe. Com a liberalização comercial, o avanço tecnológico, o desenvolvimento dos mercados de capitais e as mudanças demográficas, a atividade econômica passa por um enorme rearranjo, observa a consultora McKinsey em suas Tendências Macroeconômicas.

Hoje a Ásia, excluindo o Japão, é responsável por 13% do produto mundial bruto, enquanto a Europa tem mais de 30%. Em 20 anos, estes dois continentes devem convergir. A China fará 20% da produção manufatureira até 2020 ou 2030.

No setor de serviços de informática, a mudança será igualmente dramática. O grande destaque deve ser a Índia. Como líder das revoluções tecnológicas de informática e biotecnologia, os EUA provavelmente continuarão tendo a maior economia do mundo.

Quanto ao Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu anunciar um conjunto de medidas para acelerar o crescimento, que no primeiro governo ficou na média fraca de 2,7% ao ano, pouco acima de Fernando Henrique Cardoso, que enfrentou diversas turbulências na economia internacional.

MAIS UM BILHÃO DE CONSUMIDORES
Com o crescimento dos emergentes, um bilhão de novos consumidores entrarão no mercado global na próxima década. Até 2015, o poder de compra dos países emergentes deve mais do que dobrar, de US$ 4 trilhões para US$ 9 trilhões.

Também haverá mudanças dentro dos países. Em 2015, a população hispânica dos EUA terá o poder de compra de 60% da China.

A contrapartida do crescimento dos emergentes é um aumento do protecionismo nos países ricos, ou pelo menos uma redução do ímpeto liberalizante, como se vê na estagnação das negociações da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio.

Em julho, vence a Autoridade de Promoção Comercial dada pelo Congresso ao presidente Bush. É improvável um acordo até lá. A rodada deve se estender por mais alguns anos, empurrada pela dinâmica do comércio internacional, que cresce 9% ao ano.

No meio desta revolução tecnológica, surgem novos modelos de negócios. Diversos setores, nota a McKinsey, apresentam uma estrutura com poucos gigantes no topo, poucas empresas médias e uma grande variedade de pequenas e microempresas extremamente ágeis na base.

Há também uma aproximação de produtores, fornecedores e distribuidores que cria um novo “ecossistema” de negócios.

A participação cada vez maior de pequenos investidores nos mercados financeiros aumenta a oferta de capital, muda os padrões de propriedade das empresas e seus ciclos de vida.

As bolsas de valores tiveram seu melhor resultado desde 2003. O Financial Times prevê queda em 2007 mas ressalva que as taxas de crescimento e as operações de fusão e incorporação podem esquentar o mercado.

Neste ambiente ultracompetitivo, a gestão passou de arte à ciência. Não pode prescindir dos métodos mais modernos de administração – e isto vale tanto para o setor público quanto para o privado.

Outra constatação importante da McKinsey é um crescimento da demanda por ações efetivas do setor público em saúde, educação e previdência social que exige um aumento de produtividade. Nos EUA, por exemplo, o economista Paul Krugman, um dos maiores críticos do presidente George Walker Bush, acredita que chegou a hora de oferecer cobertura de saúde universal à população americana.

O acesso cada vez maior à informação está moldando a chamada economia do conhecimento. Sites de busca na Internet como o Google oferecem quantidades praticamente infinitas de informações. Mas a transformação é muito mais profunda. Estão surgindo novos modelos de produção, acesso, difusão e propriedade do conhecimento.

A cada ano desde 1990, o número de patentes registradas aumenta 20%.

O risco, tanto para empresas quanto indivíduos, é como se orientar nesta selva da informação.

FALTA DE LIDERANÇA
“Do ponto de vista político, o quadro é meio dramático. Há uma ausência de liderança política”, lamenta o professor Wrobel. “O momento unipolar americano está chegando ao fim. Bush é um problema. É ruim sob todos os ângulos.”

Os democratas estão assumindo o controle do Senado e da Câmara. A derrota republicana em novembro deu a largada para a eleição presidencial de 2008. O senador de origem queniana Barack Obama, considerado a mais carismática opção de centro-esquerda desde Bob Kennedy, em 1968, vai desafiar Hillary Clinton pela candidatura democrata? É uma das questões do ano em Washington.

Com o fracasso da invasão do Iraque pelos EUA e da estratégia militarista de Bush, o jornal inglês Financial Times aposta que os americanos não atacarão o Irã mas não considera um ataque totalmente impossível. Já o jornal espanhol El País acredita que haverá maior espaço para a diplomacia e o poder suave da União Européia. Mas o bloco se debate com seus problemas internos.

A UE completa 50 anos em março. Está em sua crise de meia idade. Acaba de aceitar a Bulgária e a Romênia como novos sócios, mas vai parar a expansão até rediscutir o projeto de Constituição da Europa derrubado em 2005 por um plebiscito na França.

A chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel, da Alemanha, que acaba de assumir a presidência rotativa da UE por seis meses, promete “injetar vida nova no processo constitucional”.

No Reino Unido, o primeiro-ministro Tony Blair deve passar o cargo e a liderança do Partido Trabalhista para o ministro das Finanças, Gordon Brown.

Na França, serão realizadas eleições presidenciais. Os favoritos são a socialista Ségolène Royal pela esquerda e o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, à direita. Nas pesquisas, estão praticamente empatados e certamente haverá segundo turno.

O Financial Times aposta em Sarkozy como “um político intuitivo, debatedor formidável e feroz em campanhas eleitorais. Mas Ségolène não deve ser desprezada. Pode ser a primeira mulher a presidir a França.

GUERRA CIVIL MUÇULMANA
No Oriente Médio, a situação é trágica, opina Wrobel: “O Iraque está muito mal. O crescimento regional do Irã é complicado. Não há nada de novo na Palestina. É um cenário muito pessimista”.

Há uma guerra civil no mundo árabe e muçulmano em torno da verdadeira interpretação do Corão e dos desafios da modernidade. Os atentados de 11 de setembro de 2001 e subseqüentes apenas levam esta guerra para as grandes potências que os fundamentalistas responsabilizam pelo seu atraso e subdesenvolvimento.

A ela se soma um conflito crescente entre xiitas e sunitas deflagrado pela disputa de poder no novo Iraque depois da invasão americana. Os sons e imagens do ex-ditador Saddam Hussein sendo insultado por carrascos xiitas antes de ser enforcado em 30 de dezembro só alimentam a guerra civil iraquiana, que ameaça envolver o Irã e a Arábia Saudita numa megaconflagração de conseqüências imprevisíveis.

Com o acordo nuclear entre os EUA e a Índia, o regime de não-proliferação sofre mais um abalo. “A Índia nunca aceitou o regime e foi beneficiada”, constata o assessor de ciência e tecnologia. “Os EUA reconheceram o status nuclear da Índia. Com o Irã e a Coréia do Norte buscando ativamente fabricar a bomba atômica, pode ser um tiro fatal no Tratado de Não-Poliferação Nuclear (TNP)”.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) se gaba de ter vencido a União Soviética sem dar um tiro. Sobreviverá ao Afeganistão? Enfrenta uma guerrilha fundamentalista que já esteve no poder, os Talebã, financiados pelo tráfico de heroína e com apoio em áreas tribais junto à fronteira do Paquistão, além da ajuda de setores das Forças Armadas paquistanesas.

A Rússia continuará usando e abusando do nacionalismo energético para submeter as antigas repúblicas da URSS, o “império interior” soviético. Mas não deve atacar a Geórgia. Em 2008, haverá eleição presidencial. Então 2007 será o ano para Putin preparar seu candidato.

A China manterá sua ofensiva para ter acesso aos recursos naturais necessários para manter seu extraordinário ritmo de desenvolvimento. É uma superpotência econômica. Em certa medida, reconhece o FT, a África já é uma província chinesa.

Na América Latina, Paulo Wrobel vê as eleições do ano passado como mais uma etapa da consolidação democrática: “Talvez a maior surpresa tenha sido Rafael Correa, no Equador. Em termos de política econômica, mesmo o Morales não tem muito fazer: é equilíbrio fiscal e abertura comercial”.

Wrobel entende que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, apenas repete políticas de expansão dos gastos públicos que se mostraram irresponsáveis nos últimos 30 anos e vê problemas na inserção internacional do bloco: “Quanto mais países, mais difíceis a união aduaneira e o mercado”.

Em Cuba, com câncer ou sem câncer, é improvável que Fidel Castro volte a assumir os plenos poderes que tinha desde 1º de janeiro de 1959, raciocina Wrobel: “O presidente interino Raúl Castro e [o secretário executivo do Conselho de Ministros] Carlos Lage vão segurar o sistema? Não será fácil manter o castrismo sem Fidel. Não será fácil uma transição para um regime de livre mercado. Talvez o melhor cenário seja uma abertura gradual”.

Na Argentina, o presidente Néstor Kirchner deve se candidatar à reeleição como favorito, embora venha acenando com a possibilidade de lançar sua mulher, a senadora Cristina Fernández de Kirchner, que poderá concorrer ao governo da província de Buenos Aires. Isto tornaria esta versão moderna de Perón e Evita num dos casais mais poderosos da História da Argentina.

Mas o maior desafio para a política externa brasileira será integrar a Venezuela de Chávez sem alterar o objetivo original do Mercosul de ser um instrumento político de reinserção econômica internacional dos países do Cone Sul.

British Sky TV vai oferecer vídeo à la carte

A empresa de televisão por assinatura British Sky Broadcasting, do magnata da mídia Rupert Murdoch, vai oferecer uma série de programas a seus 2 milhões de usuários, que poderão escolher através de um menu e assistirem ao que quiserem, quando quiserem.

Os técnicos da Sky explicaram que a empresa vai aproveitar a capacidade ociosa de seus decodificadores de alta definição do sistema Sky +. A Sky tem hoje 8,26 milhões de assinantes, sendo quase 2 milhões do serviço digital. A meta é chegar a 2010 com 10 milhões de assinantes.

Normalmente, os operadores de TV por satélite têm problemas para oferecer serviços à la carte para seus consumidores em relação às TVs a cabo, onde o cliente pode enviar ordens para o sistema com facilidade. A Sky tenta agora superar esta desvantagem.

Senador Obama admite uso de cocaína

O senador afro-americano Barack Obama, principal adversário da ex-primeira-dama Hillary Clinton na disputa pela candidatura democrata à Presidência dos Estados Unidos em 2008, admite que, em memórias escritas mais de dez anos atrás, confessou ter usado drogas na juventude. É o primeiro aspirante à Casa Branca que reconhece ter cheirado cocaína.

Quando escreveu as memórias, tinha pouco mais de 30 anos e acabara de se formar em Direito. Agora, aos 45, Obama tornou-se uma sensação depois das eleições legislativas de 7 de novembro passado.

Em 1992, o então candidato Bill Clinton admitiu ter fumado maconha "mas não tragado" quando era um estudante de intercâmbio na Universidade de Oxford, na Inglaterra, eximindo-se de ter cometido o delito em território americano.

O presidente George W. Bush também confessou ter sido alcoólatra e atribuiu sua recuperação a Deus.

China aumenta gastos militares em 15%

A China deve gastar US$ 36,4 bilhões neste ano, 15% a mais do que em 2006, informou o governo comunista chinês. O objetivo é modernizar o Exército Popular de Libertação, de 2,3 milhões de soldados, tornando-o mais ágil e mais avançado tecnologicamente, diz um Livro Branco divulgado no final do ano passado.

Um dos objetivos é desenvolver uma Marinha poderosa capaz de defender a segurança nacional, declarou nesta semana o presidente e líder do Partido Comunista, Hu Jintao, que acumula a presidência da Comissão Militar do Comitê Central do partido. Os novos recursos serão investidos em novas armas, treinamento de pessoal, projetos de cooperação internacional, aumento do soldo e da habitação.

O aumento de gastos militares da China, que já é uma superpotência econômica, alarma os Estados Unidos, que acusa o regime comunista chinês de esconder suas despesas reais com defesa, que seriam até três vezes maiores do que o divulgado oficialmente. Mesmo assim, se chegassem a US$ 100 bilhões, ainda seriam um quinto do orçamento militar dos EUA, que se aproxima de US$ 500 bilhões, equivalentes aos gastos militares de todo o resto do mundo.

Também preocupa Taiwan, que o governo chinês considera uma província rebelde, e o Japão, rival histórico e inimigo na Segunda Guerra Mundial.

Ao mesmo tempo, o novo primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, fala em melhorar as relações com a China e em abolir a cláusula pacifista da Constituição de 1947, imposta pelos EUA, que proíbe o Japão de enviar suas Forças Armadas ao exterior. Abe afirmou que seu país tem por princípio a eliminação de todas as armas atômicas e que por isso não pretende desenvolver armas nucleares.

A questão tornou-se mais sensível com o teste nuclear da Coréia do Norte no ano passado.

O Livro Branco é importante na medida em que raramente o governo chinês divulga detalhes sobre as Forças Armadas, base do regime comunista, que tecnicamente é uma ditadura militar. Ele estima que os gastos com defesa cresceram em média 15,4% anualmente nos últimos 15 anos.

"A China segue uma política de defesa nacional de caráter puramente defensivo", afirma o Livro Branco, o quinto desde 1998. "A China não vai entrar numa corrida armamentista nem ameaçar militarmente qualquer país". Mas adverte que Taiwan continua sendo uma séria ameaça à estabilidade regional por causa de "forças separatistas".

Também cita o agravamento das tensões na península coreana desde que a Coréia do Norte fez uma experiência nuclear.

A China travou guerras de fronteira com a Índia, a extinta União Soviética e o Vietnã. Além disso, disputa ilhas do Mar da China com o Japão, o Vietnã, Taiwan, a Malásia, o Brunei e as Filipinas. Todos estes países têm hoje boas relações com o governo de Beijim, mais interessado em estabilidade política para não atrapalhar seu extraordinário desenvolvimento econômico.

Para o regime chinês, a única coisa inaceitável seria a independência de Taiwan.

Segundo guarda é preso por vídeo de Saddam

O governo do Iraque anunciou que um segundo guarda envolvido na filmagem do enforcamento do ex-ditador Saddam Hussein (1979-2003), em 30 de dezembro, foi preso.

Tanto o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, quanto o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, insistiram que Saddam foi submetido a um julgamento justo, oportunidade que suas centenas de milhares de vítimas não tiveram. Bush disse que a execução poderia ter sido feita com maior dignidade mas que "houve Justiça, o que não aconteceu com suas vítimas".

Na realidade, o que se viu foi uma amostra da Justiça iraquiana. As vítimas da ditadura de Saddam Hussein eram provocadas até a morte por seus carrascos. O vídeo clandestino só mostrou que isto não mudou, mesmo que o julgamento tenha sido justo. Um tirano como Saddam estava condenado mesmo antes de sentar no banco dos réus.

Enquanto investiga o escândalo do enforcamento, o Iraque suspendeu a execução de dois outros altos dirigentes do governo Saddam Hussein condenados à morte pelo mesmo massacre de 148 xiitas na cidade de Dujail, em 1982, um meio-irmão do ditador e um juiz.

Polícia encontra 47 corpos quinta em Bagdá

Ao todo, a polícia encontrou 47 cadáveres crivados de bala e com sinais de tortura ontem na capital do Iraque. Quatro tinham sido degolados. Carros-bombas e ataques com morteiros mataram mais 20 pessoas em Bagdá e seus arredores.

Os quatro corpos decapitados estavam em Gazalia, no Oeste da capital iraquiana.

Dois carros-bomba estacionados atrás de um posto de gasolina de Mansur, na zona oeste de Bagdá, explodiu na manhã de quinta-feira, quando civis faziam fila para comprar combustível, matando 13 pessoas e ferindo outras 22. Um terceiro carro-bomba no mesmo bairro matou um civil e feriu um soldado iraquiano. O terrorista suicida detonou a bomba quando passava um comboio do Exército do Iraque.

Além das bombas, um ataque com foguete matou um civil e feriu outros seis no Noroeste de Bagdá.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

Queda do desemprego mostrar vigor da Alemanha

O desemprego na Alemanha registrou no mês passado a maior queda desde a reunificação, em outubro de 1990, mostrando o vigor da recuperação da maior economia européia. Com os dados corrigidos para compensar as variações sazonais, a Agência Federal do Trabalho anunciou que o total de desempregados caiu em 108 mil em dezembro, chegando a 4,1 milhões, ou 9,8% da força de trabalho.

Em novembro, o número de desempregados caiu em 94 mil, mais do que os 86 mil da primeira estimativa. Isto significa que a queda total em 2006 foi de 597 mil.

Democratas assumem controle do Congresso

O Partido Democrata assume hoje o controle da Câmara e do Senado dos Estados Unidos, depois de 12 anos de maioria republicana. A deputada federal californiana Nancy Pelosi será a primeira mulher a presidir a Câmara de Representantes.

De olho na eleição presidencial de 2008, os democratas querem impressionar aprovando uma série de medidas nas suas primeiras 100 horas legislativas, inclusive um aumento do salário mínimo federal nos próximos dois anos de US$ 5,15 para US$ 7,25 por hora. Mas não devem ser esperadas grandes mudanças. As maiorias são escassas, não permitindo iniciativas mais radicais, e muitos dos novos deputados democratas são conservadores.

A política externa continua sob o controle do presidente George W. Bush. Embora a guerra no Iraque tenha dominado a campanha para as eleições de 7 de novembro do ano passado, o Congresso pode pressionar politicamente e negar a verba para a nova estratégia do presidente. Mas é improvável que faça isso no meio de uma guerra. Seria acusado de prejudicar os soldados americanos no campo de batalha.

Mais de 3 mil americanos morreram no Iraque desde a invasão de 20 de março de 2003.

Clima acabou com apogeu maia e dinastia Tang

As decadências da civilização maia, na América Central pré-colombiana, e da dinastia Tang, na China, podem estar associadas a mudanças climáticas. Com a seca provocada por uma mudança no ciclo das chuvas, houve catastróficas reduções nas colheitas e um empobrecimento generalizado que levaram à queda das duas civilizações, concluíram cientistas do Centro de Pesquisas sobre a Terra de Potsdam, na Alemanha.

Os pesquisadores analisaram os sedimentos do lago Huguang Maar, no Sudeste da China, constatando que nos últimos 16 mil anos houve três períodos em que as monções de inverno foram fortes, provocando secas.

As variações no regime de chuvas tropicais na América Central e no Sul do México seriam responsáveis, pelo menos em parte, pelo fim do período clássico da civilização maia (250-900), quando ela estava em pleno apogeu, com sua escrita hieroglífica e seu grande conhecimento de matemática, que lhes permitiu calcular o ano solar de 365 dias.

Hoje há grande preocupação com a mudança de clima provocada pelo aquecimento da atmosfera devido à concentração de gases produzidos pelo homem como o gás carbônico. O chamado efeito estufa está provocando o degelo das calotas polares, aumentando o nível d'água dos oceanos e causando tempestades violentos.

Pesquisa dá vantagem a Ségolène na França

Se a votação fosse agora, a candidata socialista Ségolène Royal venceria o candidato da direita, o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, por 52% a 48%, no segundo turno da eleição presidencial, em maio deste ano, indica uma pesquisa divulgada hoje.

No primeiro turno, Ségolène teria 34% das preferências contra 32% para Sarkozy, com o candidato da extrema direita, Jean-Marie Le Pen, da Frente Nacional, em terceiro lugar, com 15%. Seguem alguns candidatos nanicos sem a menor chance.

Em 21 de abril de 2002, Le Pen bateu o então primeiro-ministro socialista Lionel Jospin e foi para o segundo turno contra o presidente Jacques Chirac, num terremoto que abalou para sempre a política francesa. Agora a pesquisa indica que pode aumentar o "voto útil" para evitar uma repetição do pesadelo.

A soma dos votos na direita chega a 55%, no primeiro turno, contra 45% na esquerda. Mesmo assim, Ségolène aparece com uma pequena vantagem no segundo turno para se tornar a primeira mulher a presidir a França.

Merkel quer restaurar relações Europa-EUA

A chanceler (primeira-ministra) alemã, Angela Merkel, que acaba de assumir a presidência rotativa da União Européia por seis meses, vai lançar neste mês uma iniciativa para harmonizar as legislações da Europa e dos Estados Unidos, de modo a estimular os fluxos de comércio e investimento entre os dois maiores blocos comerciais do mundo - a UE e o Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, do inglês).

O objetivo maior é restaurar as relações EUA-Europa, abaladas pela decisão do presidente George W. Bush de invadir o Iraque contra a vontade do Conselho de Segurança das Nações Unidas, criando uma "parceria econômica transatlântica", que no futuro poderiam formar uma área de livre comércio transatlântica, revelou a chanceler alemã em entrevista ao jornal Financial Times, de Londres.

Merkel, que também preside este ano o Grupo dos Oito (G-8), que reúne a Rússia e as maiores potências industriais (EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá), com a exceção da China, dá importância especial às relações com os EUA. Por isso, viaja hoje para Washington.

Primeiro, serão discutidas a regulamentação dos mercados financeiros, especialmente as regras para empresas venderem ações em bolsas de valores, assim como as questões de propriedade intelectual. Merkel luta pelo reconhecimento mútuo dos padrões técnicos adotados na Europa e nos EUA para produtos industriais como automóveis.

Sua ambição é criar um mercado únido transatlântico para investidores. Deve enfrentar resistências de outros países europeus e dos EUA, mais protecionistas com o Partido Democrata assumindo o controle da Câmara e do Senado neste dia 4 de janeiro.

"Nossos sistemas econômicos se baseiam nos mesmos valores", argumentou a chanceler alemã. "Precisamos estar atentos para que não se afastem e que se aproximem onde houver claras vantagens para ambos os lados. Temos uma experiência acumulada sobre mercados únicos na Europa. Aprendemos a combinar o sistema legal anglo-saxônico com o da Europa continental, que são diferentes".

As negociações formais começam numa reunião de cúpula EUA-UE em maio. O deputado Mathias Wissmann, da Comissão de Europa da Câmara Federal da Alemanha, acredita que até 2015 seja possível integrar os mercados financeiros, o que reduziria o custo das transações transatlânticas em 60%.

Angela Merkel também pretende negociar uma parceria estratégica com a Rússia na base da reciprocidade. Se a Rússia proteger suas empresas estratégicas, os países da UE podem impor restrições semelhantes aos investidores russos.

Outro tema importante em sua ambiciosa agenda para a UE é a tentativa de ressuscitar a Constituição da Europa, derrotada em plebiscitos na França e na Holanda, em 2005.

George Michael ganha US$ 3 milhões por show privado de Ano Novo para bilionário russo

Um ano tumultuado em que foi detido por posse de drogas terminou bem para o cantor George Michael. Ele foi contratado por um bilionário russo para cantar uma hora numa festa de Ano Novo por US$ 3 milhões, revelou o jornal russo Komsomolskaya Pravda. O magnata, de identidade não-revelada, recebeu 300 convidados para o réveillon na sua dacha (casa de campo) a cerca de 30 quilômetros de Moscou.

Daqui a uma semana, George Michael terá de depor na Justiça para se defender. Em 2 de outubro, ele foi encontrado desacordado dentro de seu carro, que estaria prejudicando o trânsito, sob efeito de álcool e drogas. Foi acusado por posse de maconha.

Ainda em outubro, foi filmado acendendo um cigarro de maconha em Madri, o que foi considerado apologia do delito, irritando as instituições que lutam contra o abuso de álcool e outras drogas.

Os chamados 'oligarcas' russos fizeram fortuna com as privatizações depois do fim da União Soviética, tornaram-se obscenamente ricos e continuam tão truculentos quanto na era soviética.

De acordo com o Komsomolskaya Pravda, outras estrelas participaram de festas de Ano Novo na Rússia. O ex-James Bond Pierce Brosnan teria exigido US$ 2,5 milhões e Danny deVito a mesma fortuna, enquanto Beyoncé faturou US$ 1,5 milhão e Natalie Imbruglia aceitou um terço disso, US$ 500 mil. Nada mau para uma noite de trabalho.

Na manhã seguinte, George Michael estava de volta em Londres.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

John Negroponte será subsecretário de Estado

O diretor nacional de Inteligência dos Estados Unidos, John Negroponte, vai pedir demissão para se tornar subsecretário de Estado, informou o governo George Walker Bush nesta quarta-feira à noite. Negroponte assumiu o cargo de supervisor dos 16 serviços secretos americanos em 2005. Volta à sua função original de diplomata para ser o segundo de Condoleezza Rice.

Aos 67 anos, John Negroponte é um antigo expoente da linha-dira no Partido Republicano. Em 1981, foi nomeado pelo presidente Ronald Reagan embaixador em Honduras, com a missão de organizar os rebeldes contra-revolucionário que lutam contra a revolução sandinista na Nicarágua. Como assessor de Segurança Nacional adjunto, participou da campanha para derrubar o ditador Manuel Noriega, do Panamá, destituído por uma invasão ordenada por George Bush sr.

Em 2001, o presidente George W. Bush o nomeou embaixador nas Nações Unidas, onde Negroponte conseguiu a aprovação unânime da Resolução 1.441, em 8 de novembro de 2002, que obrigou o Iraque a aceitar a volta das inspeções da ONU.

Um ano após a queda de Saddam Hussein, em 9 de abril de 2003, Negroponte tornou-se, em 2004, embaixador americano em Bagdá, substituindo o governador militar americano, Lewis Paul Bremer, no momento em que o Iraque tinha seu primeiro governo provisório pós-Saddam.

No início de 2005, Bush resolveu colocá-lo no comando dos serviços de inteligência dos EUA, seguindo uma recomendação da Comissão sobre 11 de Setembro, apontou falhas na falta de integração entre as diferentes agências de espionagem americanas.

Negroponte chega ao Departamento de Estado num momento em que sua titular, Condi Rice, está um tanto desaparecida do noticiário, diante do fracasso da invasão americana no Iraque. Ela tem sido extremamente discreta nos debates sobre a revisão estratégica a ser anunciada por Bush na próxima semana.

Microchip de plástico pode custar 90% menos

A empresa Plastic Logic, do Reino Unido, anunciou hoje planos para investir US$ 100 milhões para construir a primeira fábrica do mundo de microchips de plástico em vez de silício, revelou o jornal inglês Financial Times. Esta nova tecnologia pode reduzir em 90% o custo dos circuitos integrados, além de permitir que bens como latas de alimentos e roupas sejam feitos de materiais "inteligentes".

O empresário e financista Hermann Hauser, diretor da Plastic Logic, acredita numa verdadeira revolução: "Pode ser uma era de eletroeletrônicos baratos no qual circuitos inteligentes fariam parte das roupas para, por exemplo, dizer quais são os compromissos agendados para o dia enquanto você se veste".

Embora o FT não acredite que o microchip plástico venha a desbancar os atuais semicondutores, pode surgir todo um novo setor.

A empresa espera ter um faturamento de US$ 1 bilhão dentro de 5 a 10 anos. Seu primeiro produto deve ser uma tela leve, firme e flexível, da espessura de um cartão de crédito.

Telefone celular vira estrela da notícia

A gravação clandestina do enforcamento do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein, com três minutos de imagens tremidas, tornou-se um dos vídeos mais assistidos do mundo na Internet, realçando a importância do telefone celular com filmadora como um dos mais poderosos instrumentos de coleta de notícias exclusivas.

Os celulares começaram a ter câmeras no ano 2000. Registraram o impacto devastador das ondas gigantes provocadas pelo maremoto de 26 de dezembro de 2004 no Oceano Índico. Testemunharam a fuga dos passageiros do metrô de Londres depois dos atentados terroristas de 7 de julho de 2005. Agora, entram definitivamente para a História ao gravar os últimos momentos da vida do ex-ditador.

Dezenas de milhões de pessoas andam pelo mundo hoje com telefones celulares com câmeras fotográficas e cinematográficas, o que as torna repórteres em potencial.

Homem que gravou execução de Saddam é preso

O governo do Iraque anunciou hoje que o homem que gravou o enforcamento do ex-ditador Saddam Hussein com um telefone celular foi preso. "Era um funcionário que supervisionava a execução e que agora está sendo investigado", disse um assessor do primeiro-ministro Nuri al-Maliki.

Pelo menos mais dois suspeitos devem ser presos.

Saddam foi insultado antes da execução. O procurador Munkith al-Farun, que acompanhava a aplicação da pena de morte imposta pela Justiça pelo massacre de 148 xiitas em Dujail em 1982, declarou que não foram os carrascos, que usavam máscaras, que provocaram o ex-ditador. Foram pessoas que estavam fora da câmara de execução. Eram altos funcionários que não tiveram de deixar seus telefones celulares para trás.

"Não sei seus nomes mas me lembraria do rosto deles", afirmou o procurador. Ele negou que a voz fosse do assessor de segurança nacional do Iraque, Mowaffak al-Rubaie. Ouve-se Farun pedindo ordem mas ele não é atendido.

O episódio abalou ainda mais a imagem de Maliki, que declarou hoje que não tentará um segundo mandato como primeiro-ministro. Ele fracassou ao tentar promover a reconciliação nacional. Foi ativo na desbaathificação do Iraque, o expurgo dos aliados do governo Saddam Hussein, que teria atingido sunitas inocentes, aumentando a revolta nesta comunidade. Também é considerado muito próximo do aiatolá rebelde Muktada al-Sader, cujo nome foi gritado para provocar Saddam na hora da morte.

Sader comanda o Exército Mehdi, a maior milícia xiita do Iraque, responsável por grande parte da violência sectária que deixou o país num estado de guerra civil.

MAIS DE 16 MIL MORTOS EM 2006
O governo iraquiano anunciou ontem que 16.245 pessoas foram mortas em 2006, sendo 12.371 civis.

Da invasão, em 20 de março de 2003, até o final de 2005, morreram cerca de 19,5 mil civis. Estes números são bem inferiores aos computados no site Iraq Body Count, que se aproximam de 60 mil civis mortos.

Funcionários do FBI viram tortura em Guantânamo

Pelo menos 26 funcionários do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos Estados Unidos, viram tratamento agressivo e métodos de interrogatório duros a que foram submetidos os prisioneiros da guerra do governo George W. Bush contra os fundamentalistas muçulmanos levados para o centro de detenção na base naval de Guantânamo, um enclave americano na ilha de Cuba.

"Em diversas ocasiões, testemunhas viram os detidos em salas de interrogatório com os pés e as mãos algemados, em posição fetal, jogados no chão, sem água comida ou uma cadeira; a maioria urinava ou defecava nas suas roupas e ficava ali 18, 24 horas", diz um dos relatórios divulgados ontem."

Um funcionário do FBI viu um prisioneiro "tremendo de frio".

Entre as técnicas de interrogatório que podem ser caracterizadas como tortura, estão:
- levar um detento para uma cela escura para interrogá-lo 24 horas sem parar;
- manter os presos acordados por vários dias com lâmpadas estroboscópicas e música em alto volume;
- vestir-se de padre e "batizar" o preso;
- submeter o prisioneiro a um show de dança do ventre de uma guarda de topless;
- e bater num preso que alegou ter sido operado recentemente.

No início de 2002, o governo americano começou a transferir presos na guerra do Afeganistão para Guantânamo. Sob o argumento de que eram "combatentes ilegais", que não pertenciam a um Exército regular, não obedeciam a uma cadeia de comando e não usavam uniforme, Bush lhes negou os direitos garantidos pelas Convenções de Genebra sobre Prisioneiros de Guerra.

Guantânamo é um dos escândalos da guerra contra o terrorismo. A Suprema Corte já negou autorização para os tribunais militares de exceção em que Bush queriam julgar os suspeitos. O procurador-geral do Reino Unido pediu o fechamento da prisão. Bush alega que primeiro precisa processar quem está lá.

Mercado de arte está mais quente do que nunca

Os preços das obras de arte subiram em média 27% no ano passado nos Estados Unidos, na maior alta de todos os tempos.

Quando 'O Garoto com um Cachimbo', do espanhol Pablo Picasso, atingiu o recorde de US$ 104 milhões num leilão da Sotheby's, em Nova Iorque, em 2004, pela primeira vez um quadro superava a marca de US$ 100 milhões.

Em 2006, o magnata do entretenimento David Geffen vendeu mais de meio bilhão de dólares em quadros em poucos meses, com 'No.5, 1948', de Jackson Pollock, por US$140m. Ronald Lauder, herdeiro da empresa de produtos de beleza, pagou US$ 135 milhões por 'Adele Bloch-Bauer 1', do austríaco Gustav Klimt. Steve Wynn, dono de cassino, venderia 'O Sonho', de Picasso, por US$ 140 milhões, se não tivesse furado o quatro acidentalmente.

Em dezembro, 50 mil pessoas participaram de uma feira de arte em Miami com cinco dias de leilões que atraíram uma frota de jatinhos fretados maior do que o Super Bowl, a grande final do campeonato de futebol americano.

Se um colecionador experiente vê a formação de uma bolha como aconteceu nos anos 1985-90, para o professor Michael Moses, da Stern School of Business da Universidade de Nova Iorque, "estamos crescendo a uma taxa que talvez não seja sustentável. No entanto, os preços não estão crescendo tão rapidamente quanto de 1985 a 1990, o pico da última alta do mercado de arte. Isto indica que ainda não estamos numa bolha. Teremos pelo menos mais um ano em alta".

Japão dá prioridade a relações com a China

Em sua mensagem de Ano Novo, o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, citou como prioridade construir "uma relação estratégica e mutuamente benéfica" com a China, rival histórico e inimigo na Segunda Guerra Mundial. Abe também prometeu reescrever a Constituição de 1947, imposta pelos Estados Unidos, para remover as cláusulas pacifistas que impedem o Japão de mandar suas Forças Armadas para o exterior, o que pode ser uma fonte de atrito com os países vizinhos.

Abe quer criar relações com a China baseadas na "confiança". Depois de sua visita a Beijim em outubro, representantes dos dois países começaram a discutir questões das histórias oficiais ensinadas nas escolas sobre a Segunda Guerra Mundial consideradas ofensivas pelos países invadidos pelo Japão, e a cooperar em energia e meio ambiente.

O Japão está convidando líderes chineses para visitar Tóquio num sinal de que as tensões dos cinco anos de governo Junichiro Koizumi (2001-06) estão superadas. Koizumi visitava anualmente o santuário de Yasukuni, em Tóquio, onde são homenageados os 2,5 milhões de japoneses mortos na Segunda Guerra Mundial, inclusive 14 criminosos de guerra.

Um museu instalado junto ao santuário ainda afirma que o Japão relutou para entrar na guerra contra a China e os aliados. Na verdade, o Exército Imperial japonês invadiu a Manchúria em 1931 e o resto da China em 1937, e bombardeou sem declarar guerra a frota dos EUA estacionada em Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, matando 2.403 americanos entre civis e militares.

Ocidente quer pressão financeira sobre o Irã

Os Estados Unidos e seus aliados europeus querem convencer outros governos e instituições financeiras a cortar relações com empresas e indivíduos ligados ao programa nuclear do Irã, suspeito de desenvolver armas atômicas. Para o jornal The New York Times, esta nova estratégia é um reconhecimento de que as sanções aprovadas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas são insuficientes para obrigar Teerã a parar de enriquecer urânios e abrir suas instalações nucleares a inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Um dos alvos principais é a Guarda Revolucionária do Irã, considerada base de poder do presidente Mahmoud Ahmadinejag, que desafiou o novo secretário-geral da ONU, o sul-coreano Ban Ki Moon, declarando que as sanções contra o Irã são ilegais.

Em 2006, dois bancos europeus pararam de fazer negócios com o Irã: o Credit Suisse First Boston e o Union Bank of Switzerland. O Departamento do Tesouro dos EUA gostaria de convencer os outros bancos internacionais a fazer o mesmo.

No mês passado, o Banco do Japão para a Cooperação Internacional anunciou que não fará novos empréstimos à república islâmica até que a questão nuclear seja resolvida. O tema é muito sensível para o Japão, único país atacado até hoje com armas atômicas, pelos EUA, em Hiroxima e Nagasaque, no final da Segunda Guerra Mundial.

Bush vai mandar mais soldados para o Iraque

Os Estados Unidos devem mandar mais soldados para o Iraque. Esta será uma das medidas a ser anunciada na próxima semana pelo presidente George Walker Bush dentro de sua nova estratégia para o Iraque, antecipou esta noite a rede de televisão pública britânica BBC.

Enquanto Bush homenageia o ex-presidente Gerald Ford, falecido na semana passada, que retirou as últimas forças americanas do Vietnã, prepara-se para aumentar o contingente americano no Iraque.

Ford será enterrado nesta quarta-feira. Na solidão do pódio em que louvou Ford, comentou o repórter da BBC, Bush deve ter pensado: "O que vão dizer de mim?"

Com mais soldados numa primeira etapa, os americanos pretendem criar uma zona de segurança na capital iraquiana, Bagdá, principal foco da violência sectária entre sunitas e xiitas nos últimos meses. A partir daí, acelerariam o processo de transferência das ações de policiamento para as novas forças de segurança do Iraque.

Se a situação do país se acalmar, começaria a retirada americana. Até março de 2008, ficariam no Iraque cerca de 60 mil soldados americanos envolvidos no treinamento do Exército e da Polícia. Não haveria mais tropas de combate dos EUA no Iraque.

terça-feira, 2 de janeiro de 2007

Enforcamento de Saddam quase foi suspenso

Um procurador da Justiça do Iraque que acompanhou a execução do ex-ditador Saddam Hussein ameaçou suspender o enforcamento quando partidários do aiatolá e líder de milícia xiita Muktada al-Sader provocaram Saddam. A voz do procurador Munkith al-Farun pode ser ouvida no meio da confusão, pedindo ordem.

"Ameacei ir embora", contou Al-Farun. "Eles sabiam que, sem a minha presença, a execução não poderia ser realizada".

A minoria sunita e mesmo xiitas e curdos moderados ficaram chocados com os gritos de "Muktada! Muktada!", líder da maior milícia xiita, o Exército Mehdi, responsável por muitas atrocidades contra os sunitas.

O governo iraquiano abriu uma investigação sobre como foi feita a gravação clandestina divulgada pela Internet, que passa a imagem de que o julgamento de Saddam foi um processo viciado, uma justiça dos vitoriosos que mais parece vingança.

Ministro do Interior da Espanha rompe com ETA

O processo de paz que o governo espanhol começou oficialmente em 29 de junho com o grupo terrorista ETA, que luta pela independência do País Basco, está "rompido, liquidado e terminado", depois do atentado de 30 de dezembro contra o aeroporto de Madri, afirmou hoje o ministro do Interior da Espanha, Alfredo Perez Rubalcaba.

A ETA (Pátria Basca e Liberdade) declarou um cessar-fogo "permanente" em 22 de março do ano passado, depois de 38 anos de luta armada em que matou cerca de 900 pessoas.

Analistas observaram que o Exército Republicano Irlandês (IRA), que lutava contra o domínio britânico sobre a Irlanda do Norte, violou duas vezes o cessar-fogo permanente declarado para entrar nas negociações de paz, em 1994, antes de assinar o Acordo de Paz da Sexta-Feira Santa, em 1998. Só entregou as armas em 2005 e agora prepara-se para aceitar a nova Polícia da Irlanda do Norte.

Saddam não ajuda luta contra a pena de morte

A execução do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein provocou revolta entre os adversários da pena de morte no mundo inteiro, especialmente na Europa, onde ela é proibida. Muita gente acredita que o presidente dos Estados Unidos, George Walker Bush, merecia o mesmo destino. Outros argumentam que o enforcamento não melhora a situação do Iraque. Ao contrário, pode agravar a violência entre sunitas e xiitas, que já caracteriza uma guerra civil.

Como observam jornais alemães citados pela revista alemã Der Spiegel, Saddam Hussein, um ditador responsável por guerras e perseguições políticas que resultaram em mais de um milhão de mortes, não é um exemplo para a luta contra a pena de morte. Seria melhor a China, país que mais aplica a pena de morte, ou a Arábia Saudita ou o Irã, que executam por homossexualismo e adultério.

"As imagens tremidas da execução de Saddam Hussein difundidas via Internet e na TV árabe Al Jazira nos últimos dias dizem mais sobre a tragédia no Iraque em menos de três minutos do que todas as declarações públicas a respeito", comenta o jornal alemão Die Tageszeitung. "Vendo como a execução do ex-ditador foi realizada como um ato de vingança de uma milícia xiita radical com o endosso do governo, como pode alguém acreditar que o governo iraquiano esteja interessado na reconciliação e que o Iraque esteja perto do caminho rumo a uma verdadeira democratização?"

E acrescentou: "Mesmo quem estiver preparado para aceitar execuções como parte de um processo legal e mesmo quem ignore todas as falhas do julgamento de Saddam apontadas por organizações de defesa dos direitos humanos, deve reconhecer neste momento que a morte de Saddam é na melhor das hipóteses um 'marco' (nas palavras de George W. Bush) na estrada para a guerra civil. De modo algum, é um passo rumo a mais Justiça. É mais do que apenas uma oportunidade perdida - é um crime. O carniceiro Saddam Hussein está morto. Poderia ser uma boa notícia. Hoje é apenas precursora de mais mortes."

O Financial Times Deutschland tem outra visão: "A indignação deflagrada pela execução do ex-ditador iraquiano é totalmente sem sentido. É quase cinismo quando uma pessoa como o ministro do Exterior da Itália, Massimo d'Alema, por exemplo, anuncia que vai governo vai aproveitar a oportunidade da execução em Bagdá para marcar sua oposição à pena capital. Será difícil encontrar uma 'causa nobre' menos apropriada na batalha contra a pena de morte do que Saddam Hussein".

Para o FTD, não há risco de que tenha havido erro judicial na condenação de Saddam e seu enforcamento elimina a possibilidade de que seus seguidores mais fanáticos tentassem libertá-lo: "Também é enganoso falar em 'Justiça dos vitoriosos' americanos", entende a edição alemã do FT. "As autoridades de ocupação americanas suspenderam a pena de morte no Iraque em 2003. Ela foi reintroduzida pelo governo provisório iraquiano. Foram os iraquianos que quiserem realizar o julgamento do tirano em seu próprio país."

"Quem quiser realmente colocar o debate sobre a pena de morte na agenda global não deve lamentar o destino de Saddam mas ver as estatísticas da Anistia Internacional, que mostram que a maioria das execuções ocorrem na China, onde mesmo crimes comuns são punidos com a morte", insta o FTD.

E conclui: "A pena de morte é aplicada em todo o mundo muçulmano e citada como uma exigência da religião. No Irã e na Arábia Saudita, 'crimes' como homossexualismo e adultério são punidos com a morte. Comparado com a Justiça destes países, o julgamento de Saddam Hussein foi respeitável."

Na opinião do jornal conservador alemão Die Welt, "havia um grande desejo de um final rápido. Não houve revolta nem agitação, só as filhas de Saddam falaram de seu pai como 'mártir'."

Já o jornal de esquerda Berliner Zeitung criticou o enforcamento: "Mesmo Saddam Hussein tem direito à dignidade humana, apesar de seus crimes. Fazer de sua morte um espetáculo de mídia o privou deste direito, e é evidente que o fez deliberadamente. O objetivo era mostrar ao mundo como o carrasco colocou a corda ao redor do seu pescoço e abriu o alçapão.

"É uma noção bizarra que este espetáculo desumano possa ajudar no desenvolvimento da democracia e da ordem no Iraque."

Para o BZ, o problema vem da criação do Iraque pelo Império Britânico depois da Primeira Guerra Mundial, o que superestima as barreiras religiosas e nacionalistas, insinuando que o país é inviável: "O dilema básico do Iraque continua sendo que as potências coloniais forçaram sunitas, curdos e xiitas num só Estado, lançando os alicerces de batalhas contínuas por dinheiro e poder. O proclamação de George Bush de que o Iraque está no caminho da democracia soa cada vez mais como otimismo exagerado sem qualquer perspectiva realista. Uma execução realizada daquela maneira dificilmente pode contribuir para criar um sistema político justo. Na realidade, o problema básico continua."

EUA queriam adiar enforcamento do ex-ditador

Os Estados Unidos tentaram adiar por 15 dias a execução do ex-ditador iraquiano Saddam Hussein para evitar que coincidisse com o início da festa religiosa muçulmana xiita de Eid al-Adha. Um alto funcionário do Iraque revelou que o embaixador americano, Zalmay Khalilzad, apelou ao primeiro-ministro Nuri al-Maliki e insistiu para que o enforcamento seguisse todos os procedimentos legais, inclusive a aprovação pelo presidente Jalal Talabani, que é curdo.

"Os americanos queriam mais 15 dias porque não queriam que ele fosse executado imediatamente", contou o alto funcionário. "Mas o gabinete do primeiro-ministro providenciou todos os documentos e, diante da insistência do chefe de governo, os americanos mudaram de idéia".

Para o primeiro juiz do processo, Rizgar Mohammed Amin, a execução foi ilegal: "O artigo 27 da lei processual diz que ninguém, nem mesmo o presidente, pode mudar as regras do tribunal e que a sentença não pode ser aplicada num prazo de até 30 dias depois da publicação da decisão do tribunal de apelações confirmando o veredito".

Outro problema é que "o Código de Processo Penal de 1971 estabelece que nenhum veredito será implementado durante feriados oficiais ou festas religiosas", acrescentou o juiz.

Saddam foi condenado à morte pelo massacre de 148 xiitas em 1982 na cidade de Dujail, onde fora alvo de um atentado. Diversas manifestações têm sido realizadas em cidades e bairros de maioria sunita em protesto contra o enforcamento.

Iraque investiga vídeo da execução de Saddam

O governo do Iraque abriu inquérito sobre a origem da gravação que mostrou o ex-ditador Saddam Hussein (1979-2003) sendo insultado por seus carrascos antes do enforcamento. Um assessor do primeiro-ministro Nuri al-Maliki afirmou que o governo também ficou surpreso com a divulgação via Internet dos sons e imagens que provocaram revolta entre os sunitas ao mostrar a execução com uma vingança xiita.

A gravação clandestina alimenta a violência sectária entre sunitas e xiitas, que muitos já consideram uma guerra civil. O governo distribuíra uma gravação oficial sem som e sem a imagem do ditador pendurado na forca.

"Alguns guardas gritaram slogans inapropriados e isto está sendo investigado pelo governo", declarou Sami al-Askari, assessor de Maliki. Eles gritaram "Vá para o inferno!" e deram vivas ao aiatolá Muktada al-Sader, inimigo do ex-ditador.

Como Sader apóia o governo Maliki, o vídeo-pirata reforçou a idéia entre os sunitas de que o novo governo do Iraque representa e defende apenas os xiitas, e não todos os iraquianos. O próprio Maliki atuou decisivamente na desbaathificação do Iraque, o expurgo dos aliados de Saddam após a queda do ditador, em 9 de abril de 2003.

Muitos sunitas sem culpa pelos crimes do ex-ditador teriam sido afastados, criando ressentimentos em relação ao primeiro-ministro e prejudicando seus planos de reconciliação nacional. Ele assinou a ordem de execução horas antes do enforcamento de Saddam.

Emergentes sustentam crescimento em 2007

Se as economias mais ricas – Estados Unidos, Europa e Japão – tendem a manter baixas taxas de crescimento em 2007, em torno de 2% ou pouco acima disso, os países emergentes, com crescimento médio de 7% ou mais, como neste ano, devem sustentar a expansão da economia mundial, de cerca de 5% em 2006. Portanto, 2007 será mais um ano em que a globalização criará grandes oportunidades.

Com sua economia de US$ 13,3 trilhões anuais, os EUA surpreendem, apesar das previsões catastrofistas. O déficit comercial deve bater recorde em 2006. Mas não haverá colapso da moeda americana enquanto a China, que terminou o ano com US$ 1 trilhão de reservas, continuar comprando dólares.

“A queda do dólar deve aliviar um pouco o déficit comercial, os juros estão estabilizados, talvez entrem num ciclo de queda, e os preços do petróleo estão mais estáveis”, observa o economista e doutor em relações internacionais Paulo Wrobel, assessor de ciência e tecnologia da Embaixada Brasileira no Reino Unido.

“A economia européia está razoavelmente bem, apesar do fortalecimento do euro. Passou a fase mais recessiva”, comenta Wrobel.

O Japão, que parecia ter vencido a estagdeflação dos anos 90, voltou a patinar. No terceiro trimestre, a taxa de crescimento anual foi de 0,8% devido às exportações, com consumo doméstico fraco.

Pelo segundo ano seguido serão os países emergentes, sobretudo a China e a Índia, com taxas de crescimento em torno de 10%, e também a Rússia, com seus vastos recursos energéticos, que manterão a economia mundial numa expansão em torno de 5%. Com o aumento da demanda provocado pelo extraordinário crescimento asiático, é improvável que o preço do petróleo, que chegou a US$ 78 em agosto de 2006, caia para US$ 50.

Há uma mudança no equilíbrio de poder na economia internacional, nota The World in 2007 (O Mundo em 2007), a edição especial da revista inglesa The Economist com previsões para o ano que começa.

O poder está se deslocando com a crescente importância da Ásia, uma região muito menos institucionalizada que a Europa, sem acordos de segurança coletiva, onde a proliferação nuclear coloca novos riscos. Por enquanto, o crescimento econômico parece a cura para todos os males.

A revolução econômica provocada pela globalização vai muito mais longe. Com a liberalização comercial, o avanço tecnológico, o desenvolvimento dos mercados de capitais e as mudanças demográficas, a atividade econômica passa por um enorme rearranjo, observa a consultora McKinsey em suas Tendências Macroeconômicas.

Hoje a Ásia, excluindo o Japão, é responsável por 13% do produto mundial bruto, enquanto a Europa tem mais de 30%. Em 20 anos, estes dois continentes devem convergir. A China fará 20% da produção manufatureira até 2020 ou 2030.

No setor de serviços de informática, a mudança será igualmente dramática. O grande destaque deve ser a Índia. Como líder das revoluções tecnológicas de informática e biotecnologia, os EUA provavelmente continuarão tendo a maior economia do mundo.

Quanto ao Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu anunciar um conjunto de medidas para acelerar o crescimento, que no primeiro governo ficou na média fraca de 2,7% ao ano, pouco acima de Fernando Henrique Cardoso, que enfrentou diversas turbulências na economia internacional.

MAIS UM BILHÃO DE CONSUMIDORES
Com o crescimento dos emergentes, um bilhão de novos consumidores entrarão no mercado global na próxima década. Até 2015, o poder de compra dos países emergentes deve mais do que dobrar, de US$ 4 trilhões para US$ 9 trilhões.

Também haverá mudanças dentro dos países. Em 2015, a população hispânica dos EUA terá o poder de compra de 60% da China.

A contrapartida do crescimento dos emergentes é um aumento do protecionismo nos países ricos, ou pelo menos uma redução do ímpeto liberalizante, como se vê na estagnação das negociações da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio.

Em julho, vence a Autoridade de Promoção Comercial dada pelo Congresso ao presidente Bush. É improvável um acordo até lá. A rodada deve se estender por mais alguns anos, empurrada pela dinâmica do comércio internacional, que cresce 9% ao ano.

No meio desta revolução tecnológica, surgem novos modelos de negócios. Diversos setores, nota a McKinsey, apresentam uma estrutura com poucos gigantes no topo, poucas empresas médias e uma grande variedade de pequenas e microempresas extremamente ágeis na base.

Há também uma aproximação de produtores, fornecedores e distribuidores que cria um novo “ecossistema” de negócios.

A participação cada vez maior de pequenos investidores nos mercados financeiros aumenta a oferta de capital, muda os padrões de propriedade das empresas e seus ciclos de vida.

As bolsas de valores tiveram seu melhor resultado desde 2003. O Financial Times prevê queda em 2007 mas ressalva que as taxas de crescimento e as operações de fusão e incorporação podem esquentar o mercado.

Neste ambiente ultracompetitivo, a gestão passou de arte à ciência. Não pode prescindir dos métodos mais modernos de administração – e isto vale tanto para o setor público quanto para o privado.

Outra constatação importante da McKinsey é um crescimento da demanda por ações efetivas do setor público em saúde, educação e previdência social que exige um aumento de produtividade. Nos EUA, por exemplo, o economista Paul Krugman, um dos maiores críticos do presidente George Walker Bush, acredita que chegou a hora de oferecer cobertura de saúde universal à população americana.

O acesso cada vez maior à informação está moldando a chamada economia do conhecimento. Sites de busca na Internet como o Google oferecem quantidades praticamente infinitas de informações. Mas a transformação é muito mais profunda. Estão surgindo novos modelos de produção, acesso, difusão e propriedade do conhecimento.

A cada ano desde 1990, o número de patentes registradas aumenta 20%.

O risco, tanto para empresas quanto indivíduos, é como se orientar nesta selva da informação.

Leia a íntegra em minha coluna em www.baguete.com.br

Rússia e Bielorrússia fazem acordo sobre gás

O governo da ex-república soviética da Bielorrússia concordou com um aumento de mais de 100% no gás que importa da Rússia, fechando um acordo de cinco anos que evita uma "guerra do gás" e a interrupção no fornecimento para a União Européia.

A Bielorrússia passa a pagar, em 2007, US$ 100 por mil metros cúbidos de gás vendido pela empresa estatal russa Gazprom. É mais do dobro do preço que pagava mas menos do que os US$ 105 que a Gazprom exigiu como preço mínimo.

No ano passado, um desacerto entre a Rússia e a Ucrânia, outra ex-república soviética, ameaçou o fornecimento de gás à Europa Ocidental, suscitando dúvidas sobre a confiabilidade da Rússia como fornecedora de energia. Com seu nacionalismo energético, a Rússia também obrigou a ex-república soviética da Geórgia a pagar duas vezes mais pelo gás.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2007

Venezuela de Chávez mergulha na corrupção

A falta de controle sobre o orçamento público, a existência de orçamentos públicos paralelos, as malas de petrodólares e a obscuridade até mesmo das contas do Banco Central tornam a Venezuela o segundo país mais corrupto da América Latina, depois do Haiti, na avaliação da organização não-governamental de combate à corrupção Transparência Internacional (TI).

Na Venezuela, constata reportagem do jornal francês Le Monde, economia informal não significa apenas uma relação de trabalho precária, camelotagem ou microempresas que não se registram para não pagar impostos. Nos últimos quatro anos, Chávez multiplicou os orçamentos paralelos que se nutrem dos petrodólares da companhia estatal Petroleos de Venezuela (PdVSA), que financiou até a escola campeã do carnaval carioca do ano passado.

"O Fonden (Fundo de Desenvolvimento Nacional) é um objeto financeiro não-identificado, um OFNI, um cofre enorme cujo uso depende exclusivamente do presidente e do ministro das Finanças", observa um diplomata estrangeiro.

De um orçamento público nacional de cerca de US$ 60 bilhões, o Fonden e outros fundos semelhantes ficam com US$ 22 bilhões, admite o ministro das Finanças, Nelson Merentes.

"O Fonden não tem regras conhecidas nem a obrigação de publicar balanços", assinala o economista Fernando Vivancos. "Isso provoca corrupção". Os pagamentos de diversos programas sociais são feitos em espécie, com dinheiro vivo.

Para o jornalista Eleazar Diaz Rangel, diretor do jornal Ultimas Noticias, que apóia Chávez, "um organismo como o Fonden estimula a corrupção".

Quando Chávez chegou ao poder, em 1999, "a Venezuela estava entre os países mais corruptos da América Latina, ao nível do Paraguai, da Nicarágua e do Paraguai", afirma Mercedes de Freitas, diretora da Transparência na Venezuela. "Agora, a barômetro da corrupção da TI a coloca abaixo apenas do Haiti".

"A corrupção atingiu níveis sem precedentes", declara ao Monde o ex-deputado Felipe Mujica, do Movimento ao Socialismo (MAS), que apoiou Chávez na primeira eleição, em 1998. "O favoritismo generalizado e o enriquecimento dos altos funcionários criou uma nova elite chavista. A corrupção vem da maneira de governar de Chávez. A execução do orçamento e a administração não são controlados. Ele dispõe de maneira discricionária dos recursos da PdVSA, que transformou na sua caixa preta. As reservas do Banco Central foram arbitrariamente limitadas a US$ 30 bilhões. O excedente, de US$ 7 bilhões a US$ 10 bilhões, foi colocado à disposição do presidente".

Neste ambiente rico em petrodólares sem controles nem oposição parlamentar - os aliados do presidente conquistaram todas as cadeiras da Assembléia Nacional nas eleições de 2005, boicotadas pela oposição -, os gastos públicos batem recordes, assim como a importação de bens de consumo de luxo.

Como piada, fala-se em Caracas na construção de um 'uisqueduto' para facilitar as importações da bebida da Escócia, ironizando a proposta chavista de fazer um gasoduto de US$ 30 bilhões ligando Venezuela-Brasil-Argentina.

"A corrupção era endêmica antes de Chávez", reconhece o ex-guerrilheiro e ex-ministro Teodoro Petkoff, hoje diretor do jornal de oposição Tal Cual. "A Venezuela é um petro-estado como a Nigéria ou a Arábia Saudita. Mas Chávez duplicou o número de ministérios, que seguido se superpõe, e multiplicou o número de órgãos públicos fora de qualquer controle. O orçamento dos programas sociais e opaco e sua execução clientelista".

Na opinião do Monde, a corrupção atinge todos escalões da máquina do Estado e todos os setores da sociedade venezuelana. Tirar um passaporte em 24 horas pode custar US$ 300 de propina. Os subornos pagos por debaixo da mesa são chamados de "sobrepreço".

Mercedes de Freitas, diretora da Transparência, ressalva que "a corrupção um traço congênito dos venezuelanos. O problema é a fraqueza das instituições. Cooperamos na prevenção com prefeituras de todas as tendências políticas. Acima delas, as portas estão fechadas. Apenas 15% dos contratos públicos são registrados. Entre eles, 95% são feitos sem licitação, sob o pretexto de urgência. As possibilidades de concussão [extorsão ou peculado cometido por funcionários público no exercício de sua função] se multiplicam."

Este mar de lama atinge diretamente a PdVSA. Pela primeira vez desde a nacionalização do petróleo em 1976, a estatal não divulga seus resultados nem balanços trimestrais, semestrais e anuais. O ministro da Energia, Rafael Ramírez, um chavista, acumula a presidência da PdVSA, que perdeu toda a autonomia depois de desafiar Chávez com uma greve no final de 2002 e início de 2003.

O vice-presidente José Vicente Rangel, outro ex-guerrilheiro, alega que "a corrupção começou com Colombo. Nunca foi tão combatida quanto hoje", afirmou, chamando as denúncias de "fogos de artifício da oposição": "Como o candidato da oposição, Manuel Rosales, governador do estado de Zulia, enriqueceu? Por que ninguém fala da corrupção no setor privado? Há muita hipocrisia nas denúncias da imprensa."

"Atacar a reputação de funcionários" pode dar até três anos de cadeia. A jornalista Ibeyise Pacheco foi condenada a nove meses por difamar um coronel. Mas, conclui Le Monde, ninguém foi condenado pela campanha anticorrupção prometida por Chávez.

Somália oferece anistia a guerrilheiros muçulmanos

O governo provisório da Somália ofereceu anistia aos guerrilheiros muçulmanos que dominavam a capital, Mogadíscio, e que agora estão em retirada, diante de uma ofensiva liderada pela vizinha Etiópia em apoio ao frágil primeiro-ministro somaliano, Mohamed Ali Gedi. Mas é improvável que eles aceitem a proposta e entreguem as armas.

Primeiro, a União dos Tribunais Islâmicos prometeu lutar até a morte. A Somália vive sob um regime de anarquia desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em 1991. As armas são a única garantia de segurança e o governo provisório é fraco. Só retomou a capital do país com o apoio da Etiópia, estimulada pelos Estados Unidos, que tentam conter a expansão do fundamentalismo muçulmano.

A maioria dos somalianos é contra a presença de tropas da Etiópia no país. Não há garantia de que a guerra civil recomece quando os etíopes forem embora. Pior ainda, seria uma guerra envolvendo toda a região do Chifre da África na guerra dos Estados Unidos contra o terrorismo dos fundamentalistas muçulmanos ou jihadistas

Chirac propõe temas para campanha presidencial

Em sua mensagem de Ano Novo, o presidente Jacques Chirac lançou as questões que considera mais importantes para os debates da campanha eleitoral para a Presidência da França:
- os valores republicanos,
- o progresso econômico e social,
- a ajuda ao desenvolvimento,
- a Europa
- e o meio ambiente.

Entre os sucessos do seu governo, citou a queda no desemprego, que caiu 10% no ano passado, a reforma da Previdência Social, "a duplicação do número de habitações de caráter social desde 2002", o aumento da segurança nas estradas e avanços no combate ao câncer.

Chirac defendeu uma campanha com "debates abertos, democráticos e responsáveis". Prometeu se engajar "plenamente". E pediu atenção aos franceses: "Não dêem ouvido aos aprendizes de feiticeiro do extremismo", advertiu o presidente da França. "Projetam-se das ideologias, das ilusões e das receitas que não funcionam".

Ao defender o modelo francês, disse que "não basta imitar. São o trabalho, a formação e a pesquisa que fazem a forças das economias modernas.

O candidato do partido de Chirac, a União por um Movimento Popular (UMP), é o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, acusado de ser direita e liberal demais. Quando falou de imigração, um dos temas favoritos de Sarkozy, filho de um imigrante húngaro, o presidente defendeu a ajuda ao desenvolvimento como "uma exigência moral" e também para "prevenir o afluxo a nossas fronteiras de todos os que deixam seus países porque não têm mais esperança".

À esquerda, a principal candidata será a socialista Ségolène Royal, nova sensação da política francesa. Como Sarkozy, ele representa uma renovação. Mais do que isso, tem chance real de ser a primeira mulher a presidir a França, depois do fiasco socialista em 2002, quando o primeiro-ministro Lionel Jospin ficou atrás do líder neofascista Jean-Marie Le Pen, da Frente Nacional, deixando a esquerda fora do segundo turno.

A questão é saber se Chirac falou como magistrado ou como candidato. O Palácio do Eliseu nega qualquer possibilidade de candidatura à reeleição. Mas ainda há tempo até abril, quando será realizado o primeiro turno da eleição presidencial.

Bulgária e Romênia entram na União Européia

Dezessete anos depois da queda do Muro de Berlim e do fim do comunismo na Europa Oriental, mais dois países que pertenciam ao bloco soviético - a Bulgária e a Romênia - entram hoje para a União Européia (UE), que passa a ter 27 países-membros (os outros são: Alemanha, Áustria, Bélgica, Chipre, Dinamarca, Eslovênia, Eslováquia, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Hungria, Irlanda, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Polônia, Portugal, Reino Unido, República Tcheca e Suécia).

A Eslovênia adota o euro a partir de hoje, tornando-se o 13º país a aderir à união monetária européia (os demais são: Alemanha, Áustria, Bélgica, Espanha, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Irlanda, Itália, Luxemburgo e Portugal).

Hoje faz cinco anos que as moedas e notas de euro entraram em circulação. Pelos cálculos do jornal Financial Times, de Londres, no final do ano passado o valor de euros em circulação no mundo inteiro deve ter superado o valor dos dólares.

É um marco significativo. Mas um grande número de cidadãos europeus ainda tem dúvidas. Muitos atribuem à moeda única o crescimento fraco da economia européia. No momento, a Europa cresce mais do que os Estados Unidos. A valorização do euro diante do dólar e das moedas asiáticas - em parte, provocada pelas recentes altas da taxa básica de juros do Banco Central da Europa - ameaça este crescimento incipiente.

A Bulgária e a Romênia se livraram do comunismo em 1989, pediram adesão à UE em 1995 e começaram a negociar em 2000. São dois países dos Bálcãs, a região mais pobre da Europa, onde há vários candidatos que nem começaram a negociar. Serão os primos pobres do clube europeu, o que já assusta países como o Reino Unido, que recebeu mais de um milhão de imigrantes poloneses.

Depois de anos de recessão, a Bulgária, uma economia de US$ 15 bilhões, deve ter crescido 5,5% em 2006, enquanto a Romênia, com um PIB de US$ 45 bilhões, deve ser crescido 7%. Seus salários médios, de US$ 235 mensais na Bulgária e US$ 400 na Romênia, estão bem abaixo da média européia.