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segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Iraque pede que EUA falem com Irã e Síria

O Irã e a Síria tem tomado medidas para combater a violência política no Iraque, afirmou ontem o assessor de segurança nacional do governo iraquiano, Mowaffak al-Rubaie. Ele fez um apelo aos Estados Unidos para que iniciem um diálogo com seus maiores inimigos estatais no Oriente Médio.

Ao participar de uma conferrência sobre segurança no Golfo Pérsico, Al-Rubaie alertou que a segurança dos países da região é interligada: "Você não pode estabilizar o Iraque e desestabilizar o Irã. Enquanto os EUA não dialogarem com a Síria, continuaremos sendo campo de batalha para um duelo entre Arábia Saudita e Irã.

A república dos aiatolás teria reforçado o patrulhamento de fronteiras para impedir o fluxo de armas para as mílicias xiitas iranianas. E a Síria estaria parando os jihadistas na fronteira e aumentado o controle no aeroporto de Damasco.

Oficiais americanos admitem que a situação na fronteira da Síria mudou, mas ainda não estão convencidos de que o Irã esteja colaborando.

domingo, 25 de fevereiro de 2007

Ataque a universidade mata 40 em Bagdá

Pelo menos 40 pessoas morreram e outras dezenas saíram feridas hoje de um atentado suicida na entrada da Faculdade de Economia e Administração da Universidade Mustansaria, na capital do Iraque. O terrorista tentava entrar na faculdade. Quando foi parado, explodiu a bomba. A maior parte das vítimas era estudante.

O atentado aconteceu um dia depois que o primeiro-ministro Nuri al-Maliki afirmou que a operação para controlar a segurança em Bagdá está tendo sucesso. Para o assessor de Segurança Nacional iraquiano, Mowaffak al-Rubaie, serão necessários meses para se poder fazer uma avaliação correta sobre a operação. Ela faz parte do novo plano estratégico do presidente dos Estados Unidos, George Walker Bush, para preparar a retirada das forças americanas que invadiram o país em 20 de março de 2003.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2007

Homem que gravou execução de Saddam é preso

O governo do Iraque anunciou hoje que o homem que gravou o enforcamento do ex-ditador Saddam Hussein com um telefone celular foi preso. "Era um funcionário que supervisionava a execução e que agora está sendo investigado", disse um assessor do primeiro-ministro Nuri al-Maliki.

Pelo menos mais dois suspeitos devem ser presos.

Saddam foi insultado antes da execução. O procurador Munkith al-Farun, que acompanhava a aplicação da pena de morte imposta pela Justiça pelo massacre de 148 xiitas em Dujail em 1982, declarou que não foram os carrascos, que usavam máscaras, que provocaram o ex-ditador. Foram pessoas que estavam fora da câmara de execução. Eram altos funcionários que não tiveram de deixar seus telefones celulares para trás.

"Não sei seus nomes mas me lembraria do rosto deles", afirmou o procurador. Ele negou que a voz fosse do assessor de segurança nacional do Iraque, Mowaffak al-Rubaie. Ouve-se Farun pedindo ordem mas ele não é atendido.

O episódio abalou ainda mais a imagem de Maliki, que declarou hoje que não tentará um segundo mandato como primeiro-ministro. Ele fracassou ao tentar promover a reconciliação nacional. Foi ativo na desbaathificação do Iraque, o expurgo dos aliados do governo Saddam Hussein, que teria atingido sunitas inocentes, aumentando a revolta nesta comunidade. Também é considerado muito próximo do aiatolá rebelde Muktada al-Sader, cujo nome foi gritado para provocar Saddam na hora da morte.

Sader comanda o Exército Mehdi, a maior milícia xiita do Iraque, responsável por grande parte da violência sectária que deixou o país num estado de guerra civil.

MAIS DE 16 MIL MORTOS EM 2006
O governo iraquiano anunciou ontem que 16.245 pessoas foram mortas em 2006, sendo 12.371 civis.

Da invasão, em 20 de março de 2003, até o final de 2005, morreram cerca de 19,5 mil civis. Estes números são bem inferiores aos computados no site Iraq Body Count, que se aproximam de 60 mil civis mortos.

domingo, 31 de dezembro de 2006

Saddam Hussein é enterrado junto aos filhos

Menos de 24 horas depois de sua execução na forca, o ex-ditador iraquiano Saddam Hussein al-Tikrit (1979-2003) foi enterrado na vila onde nasceu, Auja, perto da cidade de Tikrit, ao lado de seus filhos Uday e Kusay, mortos em 2003 pelas forças invasoras dos Estados Unidos.

Um avião militar americano levou o corpo de Saddam até Tikrit. Lá, ele foi entregue ao líder tribal, xeque Ali al-Nida, e ao governador de Saladino. Cerca de 100 pessoas estavam presentes ao sepultamento, realizado às quatro da manhã deste domingo, hora local, 23h de sábado em Brasília.

Pela maneira como foram conduzidos, o julgamento rápido e a execução provocaram protestos ao redor do mundo, especialmente depois da divulgação de um vídeo gravado clandestinamente revelando uma discussão entre Saddam e alguns algozes xiitas, que citaram o aiatolá Muktada al-Sader e seu pai, assassinado a mando do ex-ditador.

Hoje, soube-se ainda que alguns carrascos e testemunhas dançaram ao redor do cadáver para festejar a morte de Saddam.

Se o presidente George Walker Bush afirma que Saddam Hussein teve um julgamento justo, a Milícia dos Talebã, no Afeganistão, declara que a execução só vai incentivar a "guerra santa" contra os EUA e seus aliados.

Para o assessor de Segurança Nacional do governo do Iraque, Mowaffak al-Rubaie, a execução seguiu "todos os padrões internacionais e islâmicos". Ele revelou que o enforcamento ocorreu na sede da 5ª Divisão de Inteligência, no bairro Cadímia, e admitiu que algumas testemunhas e carrascos festejaram sua morte, o que considerou uma "reação natural" porque "eles perderam entes queridos" durante a ditadura de Saddam.

Já o assessor de Segurança Nacional dos EUA no governo Jimmy Carter (1977-81), Zbigniew Brzezinski, entende que a execução foi "um tiro pela culatra". Terá conseqüências negativas para os EUA. Mesmo que a execução tenha sido realizada por iraquianos, alegou, "tínhamos Saddam sob custódia até uma hora antes e invadimos o país".

Mas Brzezinski vê duas oportunidades. Acredita que os EUA devem pressionar o governo do Iraque a conceder uma anista ampla para tentar pacificar o país, sob o argumento de que é preciso enterrar também o passado, junto com Saddam. Defende ainda a fixação de uma data, em comum acordo entre os EUA e o Iraque, para a retirada das tropas americanas do país.

Isto significa que o ex-assessor de Carter é contra o aumento do número de soldados americanos numa primeira etapa, como o presidente Bush pode anunciar nos primeiros dias de 2007, na revisão de sua estratégia para o Iraque: "Seriam necessários 300 mil soldados e não há apoio do povo americano para isso".

Saddam foi condenado à morte pelo massacre de 148 xiitas em Dujail, em 1982, durante a Guerra Irã-Iraque (1980-88), quando foi apoiado pelos EUA, a União Soviética, a Europa e os países árabes, que viam um mal maior na revolução islâmica liderada pelo aiatolá Ruhollah Khomeini no Irã.