sexta-feira, 13 de junho de 2014

Espanha moderna e democrática é a campeã do mundo

A campeã mundial Espanha, humilhada pela vice-campeã Holanda hoje em Salvador, é um país de 505 mil quilômetros quadrados e 47,26 milhões de habitantes situado no extremo sudoeste da Europa. Ocupa 85% da Península Ibérica, que divide com Portugal. É banhada pelo Mar Mediterrâneo e pelo Oceano Atlântico, o que a ajudou a se transformar numa potência naval e num império colonial.

É um país com uma história rica, cheio de castelos, monumentos e cidades sofisticadas, diversificado geográfica e culturalmente, o que o tornou o segundo principal destino turístico do mundo, atrás apenas da França, movimentando cerca de 40 bilhões de euros por ano.

No momento, a Espanha enfrenta sua pior crise econômica desde a democratização do país, em 1975, com a morte do ditador Francisco Franco. O desemprego passa de 25% e chegou a 56% entre os jovens.

GEOGRAFIA
No coração da Espanha, fica a Meseta, um grande planalto central com cerca de 800 metros de altitude onde fica Madri. É uma região dedicada historicamente à criação de gado e à produção de grãos. Com os moinhos de vento que existem até hoje, foi o cenário do romance Dom Quixote de la Mancha, de Miguel de Cervantes, considerado a obra-prima da literatura espanhola.

O Nordeste da Espanha é dominado pelo vale do Rio Ebro e a região montanhosa da Catalunha, que já foi independente, onde fica Barcelona, a segunda grande metrópole do país, e a costa montanhosa de Valência.

No Norte, estão o País Basco e os Montes Pirineus, que separam Espanha e França. O principado de Andorra é um enclave entre os dois países.

No Noroeste, fica a Cardilheira da Cantábria, com vales profundos e vegetação densa. A oeste, está Portugal.

No Sul, há o vale do Rio Guadalquivir, celebrado pelos poetas Federico García Lorca e Antonio Machado. Acima deste vale, destacam-se as montanhas da Serra Nevada.

A parte mais ao Sul é desértica, uma extensão do Deserto do Saara. Foi cenário dos filmes de bangue-bangue dos anos 1960s e 1970s conhecidos como western spaghetti.

A costa do Mar Mediterrâneo e as Ilhas Baleares têm um clima agradável que atrai milhares de pessoas a cada verão europeu, além de ser um lugar favorito para a aposentadoria de europeus do Norte, de países de clima mais frio.

A Espanha ainda domina as Ilhas Canárias, no Oceano Atlântico, e mantém dois enclaves coloniais de Ceuta e Melila, no Marrocos, no Norte da África.

POPULAÇÃO
A Espanha tem 47,26 milhões de habitantes. Sua densidade populacional, de 91 hab/km2, está abaixo da média da Europa Ocidental.

Os espanhóis são 88% da população. Os outros 12% são imigrantes, dos quais 39% latino-americanos, 16% norte-africanos e 15% europeus-orientais.

GOVERNO
De 1833 a 1939, no fim da guerra civil, a Espanha viveu sob um regime constitucional parlamentarista, seguido pela ditadura do generalissimo Francisco Franco e suas Leis Fundamentais, decretadas de 1942 a 1967.

Depois da morte do ditador Francisco Franco, em 1975, a Espanha se tornou uma monarquia constitucional. O rei  Juan Carlos I iniciou o processo de transição para a democracia. Em outubro de 1978, foi aprovada a nova Constituição. O rei resistiu a uma tentativa de golpe do coronel Antonio Tejero Molina, em 1981.

As Cortes do Parlamento tem duas câmaras: o Congresso dos Deputados, com 350 cadeiras e mandato de quatro anos, e o Senado. Cada uma das 47 províncias continentais elege quatro senadores e as ilhas de um a quatro, dependendo do tamanho. Ceuta e Melila têm dois senadores cada.

O atual primeiro-ministro é Mariano Rajoy, líder do conservador Partido Popular. Está na chefia de governo desde novembro de 2011.

Em 2 de junho de 2014, depois de uma série de escândalos envolvendo a família real, o rei Juan Carlos abdicou em favor do filho Felipe, príncipe de Astúrias, que subirá ao trono como Felipe VI.

PRÉ-HISTÓRIA
As escavações arqueológicas em Atapuerca revelaram a presença de hominídeos na Península Ibéria há 1,2 milhão de anos.

O homem moderno chegou há cerca de 40 mil anos. A caverna de Altamira, na região da Cantábria, abriga algumas das mais impressionantes obras de arte rupestre. As datações mais recentes indicaram que as pinturas foram feitas num período de 20 mil anos a partir de 36,5 mil AC.

HISTÓRIA
A Espanha sempre foi uma terra de diferentes povos. Os primeiros habitantes vieram da Europa Ocidental e do Norte da Africa, entre eles os ibéricos, os celtas e os bascos.

Em 1100 AC, os fenícios, os gregos e os cartagineses tinham estabelecido colônias e entrepostos comerciais na Península Ibérica para fazer comércio no Mar Mediterrâneo.

IMPÉRIO ROMANO
Entre os séculos 3 AC e 1 DC, a Espanha foi anexada ao Império Romano e abraçou a ideia de corpo e alma, diz o historiador Juan Beneyto Pérez no livro Contribuição à História da Ideia de Império. Para o historiador romano Tácito, o culto ao Império nasceu na Espanha.

Nascia a noção de império em que o país se tornaria, com a contribuição da Igreja Católica, esse império multinacional da fé a que a Espanha se aliou na empreitada colonial.

No início do século 5, antes da queda do Império Romano do Ocidente, em 476, os visigodos conquistaram a Espanha. Eram as invasões bárbaras.

ISLAMISMO
Em 622, a fuga do profeta Maomé de Meca para Medina é o marco de fundação do islamismo. O profeta manda seus seguidores converter os infiéis e conquistar o mundo para sua fé. Na sua guerra santa, os árabes tomam o Norte da Europa, a região que vai da Mauritânia ao Egito.

INVASÃO
Em 711, os árabes invadem a Península Ibérica sob o comando de Tarik ibn Ziad, que faz o seguinte apelo final a suas tropas antes de cruzar o Estreito de Gibraltar: “O que vos espera como prêmio não são os desertos da África, mas os riquíssimos despojos da Europa. Vencidos os godos, quem mais poderá nos enfrentar?”

Por fim, concluiu Ziad: “Trocai os montes ásperos, as Colinas resseguidas pelo grande calor do deserto, as miseráveis choupanas da Africa pelas riquíssimas cidades e campos da Espanha.”

Os mouros avançaram até Poitiers, no Sul da França, onde foram derrotados em 732 por Carlos Martel. Em 750, os cristãos retomam a Galícia, no Noroeste da Espanha, abandonada por tropas bérberes rebelados. Os bérberes eram nativos no Norte da África dominados pelos árabes. Existem até hoje.

REINOS CRISTÃOS
Nos séculos 10 e 11, surgem pequenos reinos cristãos no Norte – Leão, Castela, Navarra e Aragão – que uniriam para criar a Espanha. Em 1085, Afonso VI de Leão e Castela recapturou Toledo.

Nesta guerra, o grande herói foi o cavaleiro Dom Rodrigo Díaz de Bivar, conhecido como Cid, o Campeador, imortalizado no filme El Cid (1961), com Charlton Heston e Sophia Loren.

FEUDALISMO
O regime feudal se baseava numa hierarquia com o rei no topo, com um direito de reinar supostamente divino, e relações de dependência claras entre susseranos ou senhores e seus vassalos, que lhes deviam lealdade e obediência, Essa fidelidade total incluía o serviço militar em tempo de conflito armado, fazendo das relações humanas uma questão de honra e de deveres sagrados.

O rei, chefe ou senhor era o protetor dos humildes. O vassalo aceita a dependência direta a outro indivíduo. Entre todos os deveres, o mais importante era ir à guerra.

“Dentre todas as formas de subordinação, a mais elevada consistia em servir pela espada, pela lança e a cavalo a um mestre para quem solenemente se havia declarado fiel”, comenta Marc Bloch, em A Formação de Laços de Dependência, capítulo de A Sociedade Feudal.

VASSALAGEM
O guerreiro tradicional se transformou num cavaleiro. O código de honra do cavaleiro andante era uma espécie de contrato firmado com a Igreja. Em troca da proteção divina, o cavaleiro deveria ser um defensor dos pobres, combatente da Igreja, exemplo de moralidade e lealdade.

A fidelidade era a base do sistema feudal. O primeiro dever do vassalo era morrer por seu senhor. A Igreja elevou quem morria em combate à condição de mártir. O maior pecado era a traição.

Se o objetivo inicial era a ordem e a paz cristãs, para assegurá-las fez-se a guerra contra os infiéis. A guerra de conquista trouxe um novo costume: a repartição das terras tomadas dos inimigos. Havia tanto doações permanentes como concessões de exploração temporária.

RECONQUISTA
Córdoba caiu em 1236. Com a conquista de Granada em 2 de janeiro de 1492 e o fim do império Andaluz (árabe), e a anexação de Navarra em 1512, a Espanha se fortalecia para construir o império.

Em 1492, o ano em que Cristóvão Colombo descobriu a América, os reis católicos, Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela, expulsaram os mouros e os judeus da Península Ibérica.

Como os muçulmanos com o Islã, a Espanha se considerava designada para a missão evangelizadora de levar a religião cristã aos povos primitivos da Terra e de converter os infiéis.

INQUISIÇÃO
Um dos agentes dessa ofensiva religiosa foi a Santa Inquisição, estabelecida em 1481 pelos reis católicos, que só foi abolida em 1834. No primeiro auto da fé, seis pessoas foram queimadas vivas em Sevilha em 6 de fevereiro de 1481. O Grande Inquisidor era Tomás de Torquemada, confessor da rainha.

Só na Espanha, estima-se que cerca de 150 mil pessoas tenham sido processadas por tribunais do Santo Ofício e de que 3 a 5 mil pessoas tenham sido executadas. Em toda a Europa, a caça às bruxas matou cerca de 60 mil pessoas.

IMPÉRIO
A legitimidade da conquista da América e da dominação dos ameríndios estava num suposto mandato do papa para que espanhóis e portugueses propagassem a fé e o império, como observa o professor Amado Luiz Cervo em Contato entre Civilizações: conquista e colonização espanholas da América. Os conquistadores estavam a serviço do rei e a serviço de Deus.

Em 1516, Carlos I de Habsburgo herda o trono da Espanha e se torna o rei mais poderoso da Europa, senhor da Espanha, Holanda, Áustria, Sardenha, Sicília e Nápoles, e em 1519 se transforma Carlos V, imperador do Sacro Império Romano-Germânico, o império de Carlos Magno, neto de Carlos Martel, que detivera a invasão moura em 711.

É o período de maior riqueza e expansão do império espanhol, enriquecido pela prata de Potosí, na Bolívia, e pelo ouro do México e do Peru. Com a morte do jovem rei Dom Sebastião, de Portugal, na Batalha de Alcácer-Quibir, no Marrocos, 1578, a coroa portuguesa fica sem herdeiros. O rei Felipe II, da Espanha, reivindica a coroa portuguesa.

DOMÍNIO ESPANHOL
De 1580 a 1640, o Império Português é governado pelo rei da Espanha. É o período conhecido na História do Brasil como o Domínio Espanhol. Não houve uma fusão entre as máquinas burocráticas dos dois impérios, mas os portugueses e os bandeirantes aproveitam a oportunidade para ir além do limite fixado no Tratado de Tordesilhas (1494), que dividia o mundo ao meio entre Portugal e Espanha.

O Brasil iria só até Laguna no sul e até a Ilha de Marajó. No Tratado de Madri (1750), o Brasil começaria a ganhar o contorno atual, com exceção do Acre e do Rio Grande do Sul. Portugal alega que a Espanha violara o tratado primeiro ao colonizar as Filipinas, no Sudeste Asiático.

A Espanha sai arrasada da Guerra dos Trinta Anos (1618-48), em que enfrentou os países protestantes apoiados pela França, entre eles a Holanda, uma das razões das invasões holandeses ao Nordeste do Brasil (1624-25 e 1630-54).

Em 30 de março de 1625, há uma batalha em Salvador entre uma esquadra espanhola e portuguesa contra os invasores. Um mês depois, os holandeses se rendem no Convento do Carmo, sede da resistência portuguesa. No fim da guerra, depois da segunda invasão, a Espanha é obrigada a reconhecer a independência da Holanda.

DECLÍNIO
Quando morre o úlimo dos Habsburgos, o rei Carlos II, Luís XIV, da França, reivindica o trono para seu neto e deflagra a Guerra da Sucessão Espanhola (1701-13), quando enfrenta uma aliança formada por Inglaterra e Holanda, à qual se juntam depois a Prússia, outros estados alemães e Portugal. A França tinha o apoio da Baviera, de Colônia e dos ducados de Saboia e de Mântua.

Pelo Tratado de Utrecht (1713), a Espanha perde Gibraltar, o Ducado de Milão, o Reino de Nápoles e a Sardenha. Uma consequência desta guerra é a ascensão do Império Britânico às custas da Espanha e da França.

Antes da independência o Império Espanhol na América estava dividido em quatro vice-reinos, da Nova Espanha, com capital na Cidade do México, incluindo México e América Central; de Nova Granada, com capital em Santa Fé de Bogotá, incluindo Colômbia, Panamá, Venezuela e Equador; do Peru, com sede em Lima, incluindo Chile, que originalmente cobria toda a América do Sul espanhola; e do Prata, com capital em Buenos Aires, incluindo Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia.

INDEPENDÊNCIA DA AMÉRICA
Com a invasão da Península Ibérica por Napoleão Bonaparte, imperador da França, em 1808, a família real portuguesa foge para o Brasil e o Império Espanhol sai enfraquecido.

A Revolução de 25 de Maio de 1810 cria em Buenos Aires o primeiro governo independente da América Espanhola. No México, o padre Miguel Hidalgo deu o primeiro grito de independência em 16 de setembro de 1810. A última batalha para a libertação da América do Sul foi travada em Ayacucho, no Peru, em 9 de dezembro de 1824, com o Exército Libertador sob o comando do marechal José Sucre..

O império colonial espanhol recebeu seu último golpe com a Guerra Hispano-Americana, em 1898, quando perdeu as Filipinas, Porto Rico e a ilha de Guam para os Estados Unidos e foi obrigada a aceitar a independência de Cuba. Era o fim do império.

DECADÊNCIA
A decadência pós-imperial gerou uma crise de identidade e uma série de conflitossociais. Em 1923, um golpe militar do general Miguel Primo de Rivera impõe um governo fascistoide que reprime manifestações de protesto e reivindicações de autonomia regional.

Em 1931, o rei é deposto e é proclamada a república. Quando a Frente Popular, uma aliança de republicanos, socialistas e comunistas, vence as eleições de 1936, o general Francisco Franco, comandante militar no Marrocos, lidera um levante contra o governo com o apoio da Igreja e da oligarquia rural. Começa a guerra civil.

GUERRA CIVIL
A Guerra Civil Espanhola foi um dos acontecimentos marcantes da História do Século 20. Durou até 1939 e teve uma dimensão internacional.

A União Soviética ajudou a mobilizar socialistas e comunistas de 50 países para lutar ao lado dos republicanos, inclusive o escritor inglês George Orwell, o inventor do Big Brother, e toda uma geração de comunistas e socialistas brasileiros. Foram 40 mil combatentes e 20 mil médicos e enfermeiros que serviram em unidades auxiliares.

Os franquistas tiveram o apoio da Alemanha nazista de Adolf Hitler e da Itália fascista de Benito Mussolini, que mandaram homens e armas. A Luftwaffe, a Força Aérea alemã, testou seus aviões e bombas destruindo a cidade basca de Guernica.

GUERNICA
O bombardeio a Guernica inspirou o pintor espanhol Pablo Picasso a criar uma de seus obras mais importantes, um mural em preto, branco e cinza. A pedido do pintor, só foi levado para a Espanha em 1981, depois da morte do ditador em 1975 e do próprio Picasso em 1973.

Guernica foi colocado num anexo ao Museu do Prado especialmente construído. Desde a construção do Museu Guggenheim em Bilbao, os bascos insistem em que o painel seja levado para o País Basco.

FRANQUISMO
Cerca de 1 milhão de pessoas foram mortas na guerra civil, inclusive intelectuais importantes como o filósofo Miguel de Unamuno e o poeta Federico García Lorca. Com a vitória, o generalissimo Francisco Franco Bahamonde, “caudilho da Espanha pela graça de Deus”, impôs uma ditadura acusada pelo desaparecimento e morte de 114 mil pessoas, e se afasta da Europa, mas a ajuda dos EUA na Guerra Fria contribuiu para o desenvolvimento econômico.

No início de fevereiro de 2012, o juiz Baltasar Garzón, aquele que mandou prender o ditador chileno Augusto Pinochet em Londres por crimes contra a humanidade, foi afastado de suas funções pelo Supremo Tribunal da Espanha, entre outras razões, por querer investigar os crimes do franquismo.

DEMOCRATIZAÇÃO
Em 1969, Franco nomeia como sucessor o príncipe Juan Carlos, neto do rei Afonso XIII. Com a morte de Franco, em 1975, Juan Carlos é coroado rei e inicia o processo de redemocratização da Espanha.

As primeiras livres são realizadas em 1977. Vence a União do Centro-Democrático, do primeiro-ministro Adolfo Suárez.

REGIÕES AUTÔNOMAS
A nova Constituição é aprovada em 1978. Ela instituiu e monarquia parlamentarista, restabeleceu as liberdades públicas e criou 17 regiões autônomas para acomodar as forças separatistas, especialmente os nacionalismos basco e catalão: Andaluzia, Aragão, Astúrias, Cantábria, Catalunha, Castela e Leão, Castela-Mancha, Ceuta, Extremadura, Galícia, Ilhas Baleares, Ilhas Canárias, Madri, Melila, Múrcia, Navarra, País Basco e La Rioja.

A Catalunha, com capital e Barcelona, é a mais rica e mais industrializada das região autônomas. O idioma catalão é falado por 7 milhões de pessoas.

No País Basco, que fica no Norte, o desejo de independência é maior. As quatro províncias bascas espanholas (Álava, Biscaia, Guipuzcoa e Navarra) gostariam de se reunir às três províncias bascas francesas (Baiona, Baixa Navarra e Sola) para formar um país independente.

ETA
O grupo radical ETA (Euskadi ta Askatasuna = País Basco ou Pátria Basca e Liberdade) nasce em 1959 para lutar pela independência do País Basco. Em 7 de junho de 1968, assumiu pela primeira a vez a responsabilidade por uma ação armada.

Desde então, a ETA foi responsável por atos terroristas que resultaram na morte de 829 pessoas. Desde 1989, o grupo declarou cessar-fogo quatro vezes, a última em 20 de outubro de 2011.

Em 24 de novembro de 2012, foi noticiado que a ETA estaria estudando uma dissolução definitiva, que deixaria a luta pela independência do País Basco nas mãos dos partidos nacionalistas bascos.

ÚLTIMO GOLPE
Em fevereiro de 1981, o coronel Antonio Tejero Molina chegou a dar tiros no plenário do Parlamento na tentativa de dar um golpe de Estado.

O rei Juan Carlos foi à televisão desautorizou os golpistas e a democracia espanhola nunca mais foi ameaçada.

ESQUERDA NO PODER
Em 1982, o Partido Socialista Operário Espanhol vence as eleições parlamentares. O primeiro-ministro Felipe González se torna o primeiro chefe de governo socialista desde 1936.

Sob a liderança de González, a Espanha entra em 1982 para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos EUA, e em 1986 para a Comunidade Europeia, completando a democratização com a integração regional.

DIREITA NO PODER
O desemprego elevado e o desgaste dos socialistas no poder levou à vitória do Partido Popular, de direita, em 1996 e a dois governos do primeiro-ministro conservador José María Aznar. Ele aderiu ao euro e, numa fase de crescimento médio de 2,5%, conseguiu baixar o desemprego para cerca de 8%.

Aznar alinhou a Espanha claramente aos EUA na guerra contra o terror deflagrada pelo presidente George W. Bush depois dos atentados de 11 de setembro de 2001. O envio de tropas à invasão do Iraque contra o desejo da opinião pública espanhola minou sua popularidade.

TERROR
Quando extremistas muçulmanos atacaram o sistema de transportes públicos de Madri, matando 191 pessoas, em 11 de março de 2004, e o governo tentou atribuir o atentado à ETA, em três dias os conservadores perderam eleições que estavam praticamente ganhas por causa da situação econômica favorável.

Ganhou o socialista José Luis Rodríguez Zapatero, que retirou os soldados espanhóis do Iraque, como prometera na campanha eleitoral.

O terrorismo fora um protesto contra o apoio à guerra de George W. Bush contra Saddam Hussein, que não tinha o apoio da opinião pública espanhola.

PROGRESSO
No primeiro mandato, Rodríguez Zapatero aproveitou a estabilidade política e econômica para tomar medidas progressistas como a legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo, a promoção da autonomia pessoaL com atenção às pessoas com deficiências, a lei da igualdade entre homens e mulheres, a criação de tribunais especiais para a violência contra a mulher, a lei antitabaco, a negociação de paz com a ETA e a reforma do estatuto das autonomias regionais.

CRISE
O segundo mandato, depois das eleições gerais de 2008, foi marcado pela crise econômica internacional, que atingiu o setor financeiro e levou ao colapso do mercado imobiliário, grande motor da economia e do emprego nos 15 anos anteriores.

Diante da queda na arrecadação, o governo foi obrigado a fazer cortes nos gastos públicos gerando uma profunda recessão. Rodríguez Zapatero antecipou as eleições para novembro de 2011 e nem concorreu.

Venceu o primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy, do PP, que só em 2014 começa a reequilibrar a economia do país.

ECONOMIA
Com o produto interno bruto de 2013 estimado em US$ 1,359 trilhão pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) e renda média por pessoa de US$ 28.755, a Espanha é a 13ª maior economia do mundo e a 5ª maior da Europa, depois de Alemanha, França, Reino Unido e Itália. Mas enfrenta no momento sua pior crise desde o fim da ditadura do generalissimo Franco, em 1975, e até antes disso.

Depois de um plano de estabilização anunciado por tecnocratas em 1959, a Espanha cresceu em média 6,6% ao ano de 1960 a 1974. Com a liberalização da economia aumentaram os investimentos estrangeiros, o turismo e as remessas de mais de 1 milhão de espanhóis que tinham saído do país de 1959 a 1974 em busca de uma vida melhor.

Com a crise do petróleo de 1973, o desemprego subiu de 4% em 1975 para 11% em 1980 e mais de 20% em 1985.

COMUNIDADE EUROPEIA
A situação voltou a melhorar em 1986, quando o país entrou para a Comunidade Econômica Europeia, hoje União Europeia, e pôde se beneficiar dos fundos de desenvolvimento estrutural do bloco para ajudar as regiões mais atrasadas.

Para aderir ao euro, o governo espanhol tomou as medidas para estabilizar a economia. Com a moeda única, o país teve moeda forte, juros baixos e crédito barato como nunca antes. A especulação imobiliária nas suas praias ensolaradas destruiu aquele longo ciclo de progresso econômico e social.

GRANDE RECESSÃO
A falência do banco de investimentos Lehman Brothers, em setembro de 2008, nos EUA, provocou um colapso de crédito no sistema financeiro internacional. Quem tinha dinheiro em caixa parou de emprestar para quem pudesse não pagar.

Com a desconfiança generalizada, os governos tiveram de bancar os empréstimos e negócios bancários para evitar uma paralisia do sistema financeiro. Os bancos espanhóis, descapitalizados pelo estouro da bolha especulativa do setor imobiliário, ficaram pior ainda.

Em 2012, a Espanha negociou um empréstimo de 100 bilhões de euros, cerca de US$ 125 bilhões, com o FMI e a UE para recapitalizar os bancos.

SETORES
A Espanha tem a maior frota pesqueira da União Europeia.

Com o relativo declínio da agricultura desde os anos 1960s, a população rural diminuiu, mas a produção de alimentos orgânicos cresce desde os anos 1990s. As frutas, os legumes e os cereais representam 75% da produção agrícola.  A criação de animais também é importante, mas agricultura, pecuária e pesca representam apenas 2,3% do PIB e 4,5% do emprego.

A Espanha é dos maiores produtores mundiais de vinho. Outros produtos industriais incluem máquinas, produtos químicos e farmacêuticos, navions, têxteis e alimentos. O setor manufatureiro responde por 11,7% do PIB e a construção civil por 10%. Dois terços da economia espanhola são serviços.

DESEMPREGO
O desemprego chegou a um recorde de 27,16% da população ativa em abril de 2012, com 6,202 milhões de pessoas sem emprego fixo. Hoje, está em 25,1%.

Entre os jovens, a taxa chegou a 56%.

RECESSÃO
A economia da Espanha encolheu mais 0,5% no primeiro trimestre de 2013. Foi o sétimo trimestre consecutivo da contração. Tinha perdido 0,3% no terceiro trimestre de 2012 e 0,8% no quarto. Nos últimos 12 meses, a queda foi de 2%.

Os últimos anos de crescimento expressivo foram 2006 (4,1%) e 2007 (3,5%). Em 2008, a alta no PIB foi de 0.9%. Em 2009, houve queda de 4,6%. Em 2010, o crescimento foi nulo. Em 2011, houve expansão de 2,2%. A recessão voltou com queda de 1,7% no ano passado, e ainda se aprofunda porque nos últimos 12 meses acaba de chegar a 2%..

A Espanha só deve voltar a crescer em 2014. Para este ano, a expectativa do governo é de um recuo de 1%.

RELAÇÕES COM O BRASIL
Além da relação histórica e do contato com a América Espanhola e do período histórico conhecido como Domínio Espanhol, o Brasil recebeu centenas de milhares de imigrantes espanhóis. Nos últimos anos, houve casos de discriminação de brasileiros ao chegar na Espanha que provocaram retaliações do Brasil.

Os espanhóis se tornaram nas últimas décadas importantes investidores na América Latina. A Telefónica de España participou da privatização da telefonia. A empresa de energia Repsol, no setor de energia. O Banco Santander comprou o Banespa e o Real. O mesmo aconteceu em outros países da região.

Hoje, com a crise na Zona do Euro, estas empresas têm resultados melhores na América Latina.

IDIOMAS
A rigor, não existe uma língua espanhola. A Espanha tem quatro línguas oficiais: castelhano, basco, catalão e galego. O castelhano, originalmente idioma de Castela, a região central do país, onde fica Madri, conhecido internacionalmente como espanhol.

CULTURA
Como em toda a Europa Ocidental, o Império Romano e o cristianismo foram os elementos básicos da formação cultural. Mas a História da Espanha trouxe outras influências marcantes como os quase 400 anos de invasão moura, além da presença de castelhanos, lusitanos, galegos, bascos, romanos, judeus, gregos, cartagineses, romanos, ciganos e outros povos em seus portos.

Até hoje, os imigrantes ilegais do Norte da África são chamados depreciativamente de moros. No Brasil, a cidade de Goiás Velho, antiga capital de Goiás, é a única que ainda organiza duelos de mouros e cristãos durante a Semana Santa, uma herança cultural espanhola.

LITERATURA
A literatura espanhola tem uma longa tradição que vem de Miguel de Cervantes, Francisco de Quevedo, Lope de Vega e Pedro Calderón de la Barca.

O fim do Império Espanhol, com a derrota para os EUA na Guerra Hispano-Americana (1898), deflagrou um profundo exame de consciência em busca da identidade perdida, com autores como filósofo José Ortega y Gasset e o poeta Antonio Machado. É a Geração de 98.

PRÊMIOS NOBEL
No século 20, cinco espanhóis ganharam o Prêmio Nobel de Literatura: os dramaturgos José Etchegaray e Jacinto Benavente, os poetas Juan Ramón Jiménez e Vicente Alexandre, e o romancista Camilo José Cela. Mas o maior escritor espanhol do século 20 foi Federico García Lorca, o poeta e dramaturgo morto pelos fascistas na guerra civil.

EX-COLÔNIAS
A literatura espanhola também foi enriquecida pela notável contribuição de filhos das ex-colônias, como os argentinos Jorge Luis Borges e Julio Cortázar, os mexicanos Octavio Paz e Juan Rulfo, os peruanos José María Arguedas e Mario Vargas Llosa, o guatemalteco Miguel Ángel Asturias, o colombiano José García Márquez, o nicaraguense Rubén Darío e os uruguaios Eduardo Galeano, Mario Benedetti e Juan Carlos Onetti, entre tantos outros.

PINTURA
De Diego Velázquez, El Greco e Francisco de Goya, da idade de ouro da cultura espanhola (1500-1681), ao andaluz Pablo Picasso, considerado o maior artista plástico do século 20, sem esquecer dos catalães Joan Miró e Salvador Dalí, a Espanha é há séculos um centro cultural.

Se o século 20, com a efervescência da guerra civil e de duas guerras mundiais na Europa, criou uma idade dap rata da cultura espanhola, o fim da censura da ditadura franquista deflagrou uma nova explosão de criatividade.

ARQUITETURA
O catalão Antoni Gaudí, que fez a Igreja Sagrada Família, o Parque Guell e tantos outros prédios de Barcelona, é um dos arquitetos mais originais da História.

Outros nomes importantes são Jospe Lluís Ser, Eduardo Torroja, Sanz de Olza, Ricardo Bofill, José Rafael Moneo, Santiago Calatrava e Oriol Bohigas.

Bohigas liderou a reforma de Barcelona para a Olimpíada de 1992. É uma das poucas cidades que aproveitaram realmente as obras feitas para os Jogos para remodelar sua paisagem urbana, um compromisso que os governos municipal e da Catalunha tinham desde a redemocratização pós-franquismo.

MÚSICA
Há vários compositores clássicos espanhóis importantes, como Fernando Sor, Isaac Albéniz, Enrique Granados, Manuel de Falla e Joaquín Rodrigo.

A fusão de inluências ibéricas, árabes e ciganas resultou no flamenco, uma música tipicamente espanhola, e ao surgimento de mestres como Andrés Segovia e Paco de Lucía. Um movimento de rock andaluz nasceu nos anos 1970s e 1980s em Sevilha.

Com suas festas sem fim, Ibiza, nas Ilhas Baleares, se tornou um centro da música eletrônica, de DJs.

A Espanha também tem excelentes cantores de ópera como Plácido Domingo, Josep Carreras, Alfredo Kraus e Montserrat Caballé. O violoncelista Pablo Casals foi dos melhores do século 20.

CINEMA
A indústria de cinema é pequena e frágil economicamente, mas o país produziu grandes cineastas.

Luis Buñuel, amigo do poeta Federico García Lorca e do pintor Salvador Dalí, filmou O Cão Andaluz, O Anjo Exterminador, O Estranho Caminho de Santiago, Tristana, O Discreto Charme da Burguesia, Esse Obscuro Objeto do Desejo.

Outro nome importante é Carlos Saura, autor de O Jardim das Delícias, Cria Cuervos, Ana e os Lobos, Bodas de Sangue, Carmen e Amor Bruxo.

Nas últimas décadas, o grande sucesso é Pedro Almodóvar, diretor de Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos, Ata-me, Tudo sobre Minha Mãe e Fale com ela.

Entre os grandes atores espanhóis, destaque para Antonio Banderas e Javier Bardén, Carmen Maura e Penélope Cruz.

CULINÁRIA
A cozinha espanhola se insere na chamada dieta mediterrânea, considerada uma das mais saudáveis do mundo por misturar carnes, aves, peixe e frutos do mar com uma ampla variedade de legumes, frutas e cereais temperados com azeite de oliva e saboreados com bons vinhos, que em quantidades moderadas fazem bem à saúde.

O tomate é uma cultura tão especial que há uma festa para celebrar sua colheita anualmente, a tomatina, em Bunhol, perto de Valência, quando as pessoas fazem guerra de tomate nas ruas. É a segunda festa de rua mais popular da Espanha, depois da corrida de touros de Pamplona.

TAPAS
Como é hábito comer lanches rápidos entre as refeições, a Espanha tem os famosos bares de tapas, às vezes bem elaboradas versões pequenas de pratos principais.

Nas regiões costeiras, é sempre grande a oferta de peixe e frutos do mar, bacalhau, anchova, albacora, sopas frias como o gazpacho, a famosa paella valenciana e os omeletes com batata que eles chamam de tortilla.

No interior, as sopas castelhanas de pão e alho e comidas tradicionais como o presunto espanhol. Em Madri, há um museu do presunto, na verdade uma loja comercial com grande variedade de presuntos.

O restaurante El Buli, do chef Ferrán Adrià, situado na Costa Brava da Catalunha, era considerado o melhor do mundo. Fechou em julho de 2011. Deve reabrir em 2014 como um centro de criatividade.

ESPORTE
O esporte é importante na vida do espanhol. Cada região tem suas preferências. Nas montanhas da Catalunha, é possível esquiar e praticar outros esportes de inverno. A costa de Valência é boa para surfe, windsurfe e mergulho. Em Astúrias e na Andaluzia, os esportes equestres são muito populares.

Apesar de politicamente incorretas, as touradas ainda são muito populares na Espanha. Está proibida em Barcelona, mas o grande centro é Madri.

A Espanha entrou para o movimento olímpico em 1924 e organizou os Jogos de 1992 em Barcelona, conquistando 13 medalhas de ouro em futebol, natação e atletismo.

O espanhol Juan Antonio Samaranch foi presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI) de 1980 a 2001.

Além do futebol, são muito populares basquete, tênis, ciclismo, handball, futsal, motociclismo e automobilismo com o sucesso de Fernando Alondo na Fórmula 1. O tenista Rafael Nadal foi número um do mundo por muito tempo, ganhou 11 torneios do Grand Slam, inclusive um recorde de sete vezes o Aberto da França, 23 torneios de Masters.

O basquete ganhou popularidade com o inédito campeonato mundial de 2006, o segundo título de campeão europeu em 2011 e a medalha de prata na Olimpíada de 2012, em Londres. Os irmãos Marc e Pau Gasol, José Calderón e Ricky Rubio jogam na NBA, a Associação Nacional de Basquete dos EUA.

FUTEBOL
O esporte mais popular da Espanha é o futebol. O Campeonato Espanhol é um dos mais caros do mundo. Seus dois grandes times, Barcelona e Real Madrid, estão entre os melhores do mundo. Neste ano, pela primeira vez, dois times da mesma cidade, o Real Madrid e o Atlético de Madri, decidiram a Liga dos Campeões da Europa.

O Real Madrid, recordista de títulos europeus, tem agora dez copas dos campeões.

O Real Madrid e o Barça também tem importância política. Madrilhenho e monarquista, El Madrid era o time do ditador Francisco Franco. O Barcelona, por sua vez, é um dos últimos redutos do nacionalismo catalão.

Franco teria impedido que o Barça comprasse o argentino Alfredo di Stefano, considerado o melhor jogador do mundo na época, e fez com que fosse contratado pelo Real, conta o inglês Gary Linecker, artilheiro da Copa de 1986, um dos muitos astros internacionais do Barcelona, ao lado de Evaristo Macedo, Johan Cruiff, Diego Maradona, Michael Laudrup, Hristo Stoikovich, Romário, Ronaldo, Rivaldo, Figo, Ronaldinho Gaúcho e Lionel Messi.

O Real também tem uma longa lista de estrelas internacionais. Além de Di Stefano, Santamaría, Ferenc Puskas, Raymond Kopa, Hugo Sánchez, Emilio Butragueño, Figo, Zidane, Ronaldo, David Beckham, Roberto Carlos, Cristiano Ronaldo.

SELEÇÃO
A seleção espanhola, historicamente malsucedida em competições internacionais é a atual campeã do mundo e bicampeã europeia. Participou de 13 copas do mundo desde 1930. Foi campeã europeia em 1964, 2008 e 2012.

No confronto direto com o Brasil em copas do mundo, a Espanha costuma jogar melhor e perder.

Em 1962, a Espanha saiu na frente e poderia ter feito 2-0. Gilmar fez grandes defesas e o veterano Nilton Santos avançou saiu da área depois de derrubar o veloz Collar para o juiz não marcar pênalti. Garrincha acabou com o jogo no segundo tempo, Amarildo fez os gols e o Brasil virou o jogo para 2-1, eliminando a Espanha.

Em 1978, na Argentina, Amaral salvou uma bola em cima da linha de gol e o jogo terminou 0-0.

Em 1986, na estreia, o juiz não deu um gol de falta de Michel em que a bola caiu dentro do gol e saiu. A televisão mostrou impedimento no gol brasileiro, marcado por Sócrates.

Quando a Espanha foi campeã do mundo em 2010, alguns jogadores do Barcelona como Xavi, Iniesta e Pujol festejaram com a bandeira da Catalunha. A Espanha campeã europeia e do mundo é a Espanha multinacional e democrática pós-franquista.

EIIL pode ser grupo terrorista mais rico do mundo

Ao tomar Mossul, segunda maior cidade do Iraque e importante centro de produção de petróleo, os terroristas do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) soltaram milhares de prisioneiros, realizaram execuções em massa podem ter saqueado a sede regional do banco central, roubando 500 bilhões de dinares iraquianos lá depositados, noticia o jornal The Washington Post.

São cerca de US$ 425 milhões, dinheiro que tornaria o EIIL no grupo terrorista mais rico do mundo. Com esse dinheiro, a milícia tem condições de pagar US$ 600 por mês para 60 mil guerreiros.

O governador da província de Nínive, Athil al-Nujaifi, confirmou que os jihadistas saquearam outros bancos e também levaram "uma grande quantidade de ouro em barras".

Pelos cálculos do jornal The New York Times, a milícia fundamentalista dos Talebã (Estudantes) tem um orçamento anual de US$ 70 milhões a US$ 400 milhões. A milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) trabalha com US$ 200 milhões a US$ 500 milhões por ano.

As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), aliadas a traficantes de drogas, faturam de US$ 80 milhões a US$ 350 milhões por anos, enquanto o grupo extremista somaliano Al Chababe (Os Jovens ou A Juventude) gasta por ano US$ 70 milhões a US$ 100 milhões.

Só para comparar, quando realizou os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, a rede terrorista Al Caeda operava com um orçamento anual de US$ 30 milhões, pela estimativa do Conselho de Relações Exteriores.

Obama admite que Iraque não consegue se defender

Onze anos depois da invasão ordenada por George W. Bush, outro presidente dos Estados Unidos admite que o Iraque não tem capacidade militar para se defender diante da ofensiva da milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

Em breve pronunciamento nos jardins da Casa Branca ao meio-dia de hoje pela hora de Washington, Obama deixou claro que "os EUA não vão enviar tropas ao Iraque". Todas as outras opções estão em exame, mas um envolvimento de curto prazo não será suficiente, admitiu.

Obama reconheceu que a guerra civil na Síria realimentou o conflito sectário entre árabes sunitas e árabes xiitas no Iraque. Fez um apelo ao primeiro-ministro xiita Nuri al-Maliki para que promova a reconciliação entre as duas correntes do islamismo. Advertiu ainda que os problemas não serão resolvidos sem uma solução de outros conflitos no Oriente Médio, especialmente da guerra civil na Síria.

"Os EUA não serão envolvidos militarmente sem um plano político feito pelos iraquianos para garantir a segurança e a prosperidade do país a longo prazo", concluiu Obama.

Guarda revolucionária do Irã apoia Iraque

Três unidades de elite da Guarda Revolucionária do Irã entraram no Iraque para apoiar a luta do governo majoritariamente xiita contra os terroristas sunitas da milícia Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que luta para unir Iraque, Síria e Líbano num califado islamita.

A ação do Irã, que também apoia a ditadura de Bachar Assad na guerra civil da Síria, cria um novo dilema para os Estados Unidos. O presidente Barack Obama declarou que "todas as opções estão em exame".

Para não envolver soldados americanos diretamente em combate, os EUA poderiam usar seu poderio aéreo para atacar os extremistas muçulmanos. Mas isso faria dos EUA a força aérea da guarda iraniana. Obama deve fazer um pronunciamento em minutos para anunciar qual o envolvimento do país na contraofensiva à investida jihadista.

O EIIL entrou hoje na província de Diala, ao norte da capital iraquiana, em sua marcha rumo a Bagdá. Obama faz pronunciamento em breve.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Curdos assumem o controle de Kirkuk

Diante do colapso do Exército do Iraque, milícias curdas assumiram o controle da cidade de Kirkuk, capital da principal província produtora de petróleo do Norte do país.

O Norte do Iraque está sob ataque do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), uma dissidência da rede terrorista Al Caeda que luta para unir Iraque, Síria e Líbano num califado islâmico. Já controla o Leste da Síria e agora ocupa o Noroeste do Iraque.

Com a fuga das forças de segurança diante do avanço dos terroristas sunitas, o primeiro-ministro Nuri al-Maliki pediu ajuda às milícias curdas, sunitas e xiitas, mas o governo está na defensiva. Assim, os peshmergas curdos assumiram a responsabilidade de defender Mossul. Isso pode abrir uma nova frente de combate entre curdos e sunitas, além do conflito sectário entre árabes sunitas e árabes xiitas.

Onze anos depois da invasão americana, o Iraque ainda não reconstruiu a máquina do Estado. Suas forças de segurança não são capazes de garantir a ordem interna nem de defender o país.

A violenta guerra civil na Síria, onde mais de 160 mil pessoas foram mortas nos últimos três anos, reincendiou o conflito sectário no Iraque. Mais uma vez, o país está à beira do abismo e da fragmentação ao longo de suas divisões étnicas e religiosas.

Croácia voltou a ser independente depois de 900 anos

A República da Croácia, que enfrenta o Brasil na abertura da Copa do Mundo, é uma nação forjada em mais de mil anos de guerras e invasões, e ao mesmo tempo um jovem país nascido das guerras que destruíram a antiga Iugoslávia, criada pelo marechal croata Josip broz Tito, líder comunista e da resistência antinazista na Segunda Guerra Mundial.

Com 4,47 milhões de habitantes e produto interno bruto de US$ 58 bilhões, a Croácia é um dos países mais novos do mundo. Se foi campo de batalha para invasores por estar numa fronteira de continentes, culturas e religiões, sua cultura está firmemente ancorada na civilização ocidental, no direito romano, no alfabeto latino e na religião católica, dominante, embora não seja oficial.

Sua independência foi conquistada a ferro e fogo, em 1991. Na época, quando o presidente Franjo Tudjman declarou que era “um sonho de mil anos”, o país estava sob ataque do Exército Federal da Iugoslávia, de um exército de sérvios da Croácia e de vários grupos paramilitares sérvios.

A paz só veio quando os Estados Unidos armaram e treinaram o Exército da Croácia para uma contraofensiva em agosto de 1995 e depois intermediaram os Acordos da Dayton entre Bósnia-Herzogovina, Croácia e Sérvia.

Por isso, o terceiro lugar na Copa de 1998 foi tão festejado. Era uma afirmação da nacionalidade. Mas o nacionalismo croata chegou a ter um caráter fascistoide por causa da guerra e da rivalidade histórica com a Sérvia.

A Croácia entrou para a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) em 2009 e para a União Europeia em 2013.

GEOGRAFIA
O atual território da Croacia tem 56,594 quilômetros quadrados. Fica no Noroeste da península dos Bálcãs. Tem a forma de um arco, boomerangue ou lua crescente que circunda o Oeste e o Norte da Bósnia-Herzegovina. Faz fronteira com a Bósnia, a Hungria, a Sérvia, Montenegro e a Eslovênia. Em nenhum ponto, tem mais do que centenas de quilômetros de largura.

A Croácia é formada pela região da Eslavônia, o braço norte que entra pela continente, pela península da Ístria, no norte da costa do mar Adriático e pela Dalmácia, que ocupa o resto da parte costeira do país.

Com um litoral no mar Adriático recortado por 1,2 mil ilhas, baías e penínsulas, o turismo atrai milhões de turistas e se transformou numa importante fonte de renda na era pós-comunismo.

CLIMA
A Croácia tem duas zonas climáticas:
• uma continental com verões quentes, quando a temperatura pode chegar a 40ºC, e inverno frios, com médias perto de zero em janeiro;
• e outra mediterrânea, na costa da Dalmácia, na península da Ístria e nas ilhas, onde os verões são ensolarados, quentes e secos, e os invernos, chuvosos.

POPULAÇÃO
Cerca de 90,4% dos 4,47 milhões habitantes são croatas, seguidos dos sérvios (4,4%). Há ainda bósnios, húngaros, eslovenos, tchecos e ciganos. Em 2010, 58% viviam em cidades; 0,4% deixam o campo anualmente.

A expectativa para 2014 é que a população da Croácia seja reduzida em 0,12%. Sua taxa de fertilidade é baixíssima, a 201ª do mundo. O desemprego jovem chega a 43,1%.

SAÚDE
A Croácia gastou em 2010 7,8% do PIB com a saúde. Tinha 2,72 médicos e 6 leitos hospitalares para cada mil pessoas. A expectativa de vida é de 76,41 anos.

Quase toda a população (98,5%) têm acesso a água tratada e suas casas estão ligadas à rede de esgotos (98,2%). A obesidade atinge 24,2% dos croatas. A incidência do HIV é de 0,1%.

EDUCAÇÃO
A Croácia gastou 4,3% do PIB em educação em 2010. Os croatas ficam em média 15 anos na escola. O índice de alfabetização é de 98,9%.

RELIGIÃO
86,3% dos croatas são católicos, 4,4% cristãos ortodoxos, 1,5% muçulmanos e 3,8% ateus.

POLÍTICA
A Croácia é uma república democrática e parlamentarista. O presidente é eleito diretamente pelo voto popular para um mandato de cinco anos. O atual presidente é Zoran Milanovic. A próxima eleição presidencial será em dezembro de 2014.

O parlamento é unicameral, a Assembleia Nacional, de 151 deputados eleitos por voto em listas partidárias para mandatos de quatro anos.

ORIGEM
Há duas hipóteses sobre a origem dos croatas. Alguns historiadores citam relatos gregos sobre Horvatos ou Horoatos, uma comunidade iraniana que vivia na foz do rio Don por volta de 200 antes de Cristo.

Outros acreditam que o povo croata nasceu da miscigenação dos eslavos com os ostrogodos, uma das tribos bárbaras que destruíram o Império Romano do Ocidente, em 476.

Os croatas não tiveram contato direto com o Império Romano. A região onde viviam, chamada de Croácia Branca, ficava onde hoje estão a Ucrânia, a Bielorrúsia e a Polônia, a centenas de quilômetros ao norte da província romana da Dácia.

IMPÉRIO ROMANO
Quando o imperador Teodósio dividiu o Império Romano em Império Romano do Ocidente, com capital em Roma, e Império Romano do Oriente, com capital em Constantinopla, em 395, a Dalmácia ficou no Ocidente. Na época, ia da costa do Adriático até os rios Sava e Drina.

Com a queda de Roma, a Dalmácia passou a fazer parte do Império Bizantino, que pouco fez para proteger a província dos invasores avaros e eslavos, inclusive croatas.

MIGRAÇÃO
Os croatas migraram para uma terra arrasada. As cidades romanas tinham sido destruídas pelos bárbaros. A principal era Salona, sede de uma diocese católica desde o século 4, elevada a arquidiocese em 527.

No ano 600, o papa Gregócio escreveu uma carta a Máximo, arcebispo de Solana, lamentando a impotência para defender as cidades romanas. Seus habitantes fugiram para as ilhas do Adriático. Na volta, os refugiados de Salona construíram uma nova cidade nas ruínas do grande palácio do imperador romano Diocleciano, em Spalato, hoje Split.

No séculos 7 e 8, entre 614 e 795, as tribos croatas atravessaram as montanhas dos Cárpatos e cruzaram o rio Danúbio. Numa migração de quase 2 mil quilômetros, se estabeleceram na península dos Bálcãs junto ao mar Adriático, na antiga província romana da Ilíria, dividida nas províncias da Dalmácia e da Panônia.

Depois de extensa pesquisa arqueológica, Huw Evans concluiu no livro Arqueologia Medieval na Croácia: 600-900 (Oxford, 1989) que a migração ou invasão esvala foi “um avanço lento, firme e desordenado, um movimento sem um objetivo específico, mas que seguia em frente continuamente”.

No fim do período migratório dos croatas, os francos estavam em guerra na região com os ávaros, um povo nômade da Eurásia que migrara para a Europa Central no século 6.

DUCADOS
No século 8, formaram-se dois ducados, um sob o domínio dos francos e o outro do Império Bizantino. Em 800, o rei franco Carlos Magno anexa a Dalmácia ao Sacro Império Romano Germânico, o que o Império Bizantino reconheceu no Tratado de Aächen, em 812.

O batismo do rei Vicheslav, por volta do ano 800, é o marco inicial da história da Croácia, já que os croatas mais antigos não sabiam escrever. A unificação dos dois ducados da Dalmácia e da Panônia criou o primeiro reino croata independente.

Sob o rei Tomislav (910-929), a antiga Croácia atingiu o auge. Tomislav uniu a Dalmácia e a Panônia e obteve a permissão do papa para elevar o status de seus domínios de ducado para reino.

Como um país que fica na fronteira entre a Europa e a Ásia, o catolicismo, o cristianismo ortodoxo e o islamismo, a Croácia passou a maior parte de sua história em guerra.

PRAGA REAL
Nos séculos 10 e 11, eram os venezianos que cruzavam o Adriático para saquear a incendiar cidades da costa da Dalmácia, que chegou a pertencer à República Sereníssima de Veneza. O grande herói nacional desse período de independência da Croácia foi Demétrio Zvonimir, rei da Croácia e da Dalmácia de 1075 até sua morte em 1089.

Várias lendas cercam sua morte. A maioria dos historiadores acreditam que ele morreu de causas naturais. Outros dizem que foi morto por seus próprios soldados ou morrer em combate. Antes de morrer, reza a lenda, sentindo-se abandonado por seu próprio povo, rogou a Praga do Rei Zvonimir: durante mil anos os croatas não seriam governados por um croata.

INVASÕES
Depois de uma invasão magiar, a Croácia se une à Hungria em 1102. Essa união não foi suficiente para evitar as invasões dos mongóis, no século 13; do Império Otomano, que aniquilou a nobreza em 1493 e conquistou a Croácia e a Hungria em 1526, quando o papa pediu aos croatas que resistissem como “baluartes da Cristandade”.

A Hungria dominou a Croácia por oito séculos a partir de 1102. O Império Otomano (turco) conquistou a Croácia e a Hungria em 1526. A ocupação otomana foi até 1699, quando as duas nações passaram a fazer parte do Império dos Habsburgo, o antigo Sacro Império Romano-Germânico de Carlos Magno, que a partir de 1868 se chamaria Império Austro-Húngaro.

IUGOSLÁVIA
A Croácia fez parte do Império Austro-Húngaro até o fim da Primeira Guerra Mundial, quando ele foi extinto, permitindo o renascimento de vários países na Europa Central, como Hungria, Polônia e Tcheco-Eslováquia. Em 1918, croatas, sérvios e eslovenos formaram um reino que passou a se chamar Iugoslávia em 1929.

Com sua ação centralizadora, o rei sérvio Alexandre I acabou fomentando o nacionalismo croata, divido entre os ustaches fascistas e o Partido dos Camponeses, de esquerda.

FASCISMO
Quando a Alemanha e a Itália invadiram a Iugoslávia, em 1941, na Segunda Guerra Mundial, o líder ustache Ante Pavelic proclamou a independência de um Estado croata e criou um governo-fantoche das potências do Eixo que exterminou 700 mil sérvios, além de ciganos, judeus e esquerdistas.

COMUNISMO
Depois da ocupação pela Alemanha na Segunda Guerra Mundial, em 1945, a Iugoslávia tornou-se uma república federativa comunista sob a liderança do marechal croata Josip Broz Tito, que liderara a resistência contra o nazismo e seus aliados croatas.

Tito, um croata, conseguiu criar uma federação de seus repúblicas (Sérvia, Croácia, Bósnia-Herzegovina, Eslovênia, Montenegro e Macedônia) reprimindo os nacionalismos em nome do internacionalismo socialista. Desde sua morte, em 1980, esperava-se a desintegração da Iugoslávia.

NACIONALISMO
Ela viria com o colapso do comunismo, que abriu caminho para o ressurgimento do nacionalismo nos Bálcãs com a mesma virulência que deflagara a Primeira Guerra Mundial. O principal responsável foi o ditador sérvio Slobodan Milosevic, que assumiu o controle do Partido Comunista da Iugoslávia em 1986.

Com o declínio da ideologia comunista, já em 1987 Milosevic começou a fomentar o nacionalismo sérvio como forma de consolidar seu poder. Num famoso discurso na província sérvia do Kossovo, de maioria albanesa, ele afirmou que “os sérvios não mais se curvariam”.

Foi o sinal para desatar os nacionalismos longamente reprimidos. A Sérvia, a mais forte das repúblicas iugoslavas, começava a mostrar suas garras. Ivan Stambolic, o líder comunista que Milosevic derrubara, diz que naquele dia a Iugoslávia acabou.

Milosevic presidiu a Sérvia de 1989 a 1997 e o que restou da Iugoslávia de 1997 a 5 de outubro de 2000, quando foi derrubado por uma revolução. Neste período, foi o anti-Tito, presidindo à dissolução sangrenta da Iugoslávia.

GUERRA
Em março de 1991, quando a população sérvia saiu às ruas para protestar contra a falta de democracia e de liberdade de expressão, Milosevic fomentou uma revolta da maioria sérvia na província croata da Krajina. Lá começaram as guerras que destruíram a Iugoslávia e terminou a luta pela independência da Croácia.

Os sérvios eram maioria na Krajina, onde se refugiaram depois de sua histórica derrota para o Império Otomano na Batalha do Kossovo, em 28 de junho de 1389, que eles comemoram até hoje, como um marco da nacionalidade e um símbolo da vitimização histórica.
 

Nesta mesma data, em 1914, um estudante radical sérvio, Gavrilo Princip, matou o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do trono do Império Austro-Húngaro, nas ruas de Sarajevo, deflagrando a Primeira Guerra Mundial.

INDEPENDÊNCIA
A Croácia e a Eslovênia foram as duas primeiras repúblicas iugoslavas a proclamar sua independência, em 25 de junho de 1991, com base na Constituição da Iugoslávia de 1974, que lhes garantia este direito. Se o Exército Federal da Iugoslávia reagiu primeiro na Eslovênia, a guerra foi rápida porque não havia uma população sérvia significativa.

Na Croácia, além da maioria sérvia na Krajina, havia uma presença sérvia na Eslavônia Oriental, junto à fronteira Leste, com a Sérvia. A guerra foi particularmente brutal na cidade de Vukovar, com atuação de esquadrões da morte sérvios e do notório terrorista Zeljko Raznatovic, conhecido como Arkan.

Em dezembro de 1991, depois da reunião de cúpula que criou a União Européia em Maastricht, na Holanda, a Alemanha, tradicional aliada da Croácia, rompeu com a recém-criada política externa comum européia. Decidiu reconhecer as independências da Croácia e da Eslovênia. Isto transformaria a guerra na Croácia numa questão internacional e não numa guerra civil, permitindo a intervenção de organizações internacionais.

GUERRA DA BÓSNIA-HERZEGOVINA
Ao mesmo tempo, provocou a realização de um plebiscito na vizinha Bósnia-Herzegovina, a mais multiétnica das repúblicas iugoslavas, com 44% de muçulmanos, 31% de sérvios e 25% de croatas. A guerra da Bósnia foi a mais sangrenta na Europa desde 1945. O conflito começou logo depois da independência, aprovada em 1º de março de 1992.

Com a superioridade militar sérvia, Sarajevo foi sitiada e bombardeada durante anos. A política externa européia mostrou-se impotente e o presidente dos Estados Unidos, George Bush, pai, não queria se envolver em guerras na Europa no ano em que disputava a reeleição. Na geopolítica pós-Guerra Fria, a solução de conflitos na Europa cabia à UE.

Mas a UE se mostrou impotente e o presidente Bill Clinton percebeu que só os EUA poderiam acabar com o conflito. Os EUA armaram e treinaram o Exército da Croácia, violando o embargo das Nações Unidas que proibia a venda de armas para as ex-repúblicas iugoslavas, o que na verdade cristalizava a supremacia sérvia.

RECONQUISTA
Foi uma ofensiva croata para retomar a Krajina, em agosto de 1995, que quebrou o mito da invencibilidade sérvia e criou um equilíbrio de forças no campo de batalha que levou os presidentes da Sérvia, Milosevic; da Croácia, Franjo Tudjman; e da Bósnia-Herzegovina, Alija Izetbegovic, a negociar o acordo de paz de Dayton, Ohio, em novembro de 1995, sob pressão dos EUA, da UE e da Rússia.

Uma nova guerra se iniciaria com o surgimento, em junho de 1996, do Exército de Libertação do Kossovo para lutar contra a dominação sérvia sobre a maioria albanesa. A violenta repressão ordenada por Milosevic levou à Guerra do Kossovo.
 

GUERRA DO KOSSOVO
Por 78 dias, a partir de 24 de março de 1999, a Organização do Tratado do Atlântico Norte, que interviera na Guerra da Bósnia, bombardeou a Iugoslávia (agora formada apenas pela Sérvia e Montenegro), até a rendição de Milosevic, que seria deposto no ano seguinte e entregue ao Tribunal de Crimes de Guerra para a Iugoslávia, em Haia, na Holanda, onde morreu em 11 de março de 2006.

TRIBUNAL DE HAIA
Dos 161 réus processados pelo tribunal, a grande maioria é sérvia. Mas há também diversos croatas. A Sérvia reclama que a retomada da Krajina, onde viviam cerca de 200 mil sérvios, foi a maior operação de “limpeza” étnica das guerras que destruíram a Iugoslávia. Em quatro dias, atesta o tribunal de Haia, 150 a 200 mil sérvios fugiram da Croácia.

ORGANIZAÇÕES INTERNACIONAIS
Em 2000, a vitória do Partido Social-Democrata nas eleições parlamentares e do moderado Stjepan Mesic para presidente, a Croácia entrou para a Organização Mundial do Comércio.

As negociações para entrar na União Europeia começaram em 2003. O país aderiu ao bloco em 1º de janeiro de 2013.

ECONOMIA
Embora fosse a mais rica república da antiga Iugoslávia, a economia da Croácia sofreu duramente com a guerra da independência (1991-95). De 1989 a 1993, o produto interno bruto caiu 40,5%. A situação melhorou entre 2000 e 2007, quando cresceu de 4% a 6%, com aumento do turismo e do consumo interno.

A Croácia foi duramente atingida pela crise mundial de 2008 e ainda não se recuperou. A economia encolheu 0,2% em 2011, 1,9% em 2012 e 1% em 2013. O desemprego chegou a 21,6% em 2013.

RENDA MÉDIA
Com PIB nominal de US$ 58 bilhões em 2013 pelos cálculos do Fundo Monetário Internacional (FMI) e renda média por habitante de US$ 12.975, a Croácia é uma economia de mercado e um país de renda média, com 21,1% de pobres em 2011.

SETORES
Em 2013, os serviços respondiam por 69,2% do PIB, a indústria por 25,8% e a agricultura por 5%. Graças às praias da costa da Dalmácia, o turismo é um dos setores mais importantes, responsável por 20% da economia do país. O consumo doméstico corresponde a 60% da economia croata.

A taxa de poupança estava em 19,9% do PIB em 2013. A carga fiscal em 2013 foi de 36,9% do PIB. A dívida pública equivalia no ano passado a 66,2%. A inflação ficou em 2,2% e a taxa básica de juros em 7% ao ano.

COMÉRCIO EXTERIOR
As exportações somaram US$ 12,36 bilhões em 2013, com destaque para equipamentos de transportes, máquinas, têxteis, químicos, alimentos e combustíveis. Os maiores compradores de produtos croatas são Itália (14,1%), Bósnia-Herzegovina (13,1%), Alemanha (11,1%), Eslovênia (10,1%) e Áustria (6,3%).

As importações totalizaram US$ 21,74 bilhões em 2013, com destaque para máquinas, equipamentos elétricos e de transportes, produtos químicos, combustíveis, lubrificantes e alimentos. Os maiores fornecedores da Croácia são Alemanha (13,7%), Itália (12,5%), Eslovênia (11,5%), Áustria (9,1%), Hungria (6,2%) e Rússia (5,4%).

ENERGIA
Quase 46% da energia elétrica é gerada por combustíveis fósseis e 44,7% por hidrelétricas.

TELECOMUNICAÇÕES
Em 2013, havia 1,64 milhão de linhas de telefone fixo instaladas e 4,97 milhões de celulares ativos, mais de um por habitante.

Em 2009, 2,234 milhões de croatas estavam ligados à Internet.

TRANSPORTES

A Croácia tem 69 aeroportos, sendo 24 com pistas de pouso pavimentadas. Em 2011, havia 2.722 km de estradas de ferro e as rodovias se estendiam por 29.410 km.

quarta-feira, 11 de junho de 2014

Turquia quer reunião de emergência da OTAN

A Turquia pediu a realização de uma reunião de emergência da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) depois que terroristas do Estado Islâmico do Iraque e do Levante tomaram seu consulado em Mossul, no Norte do Iraque, e fizeram 48 reféns, inclusive o cônsul-geral, três menores e membros das forças especiais que protegiam a representação diplomática.

Outros 28 turcos, motoristas de caminhão, foram detidos pelos militantes extremistas nas ruas de Mossul, a segunda maior cidade do Iraque.

O primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, ameaçou usar a força se cidadãos e funcionários turcos foram feridos. Pede ajuda à OTAN, a aliança militar liderada pelos Estados Unidos, que tem como base o princípio de que um ataque contra qualquer de seus países-membros é um ataque contra todos.

As embaixadas e consulados são consideradas territórios de seus países, tanto que podem ser usadas por refugiados em busca de asilo diplomático. O ataque viola o princípio da imunidade diplomática, que protege os representantes oficiais de outros países.

Milícia islâmica usbeque reivindica ataque a aeroporto

O Movimento Islâmico do Usbequistão (MIU), uma milícia fundamentalista ligada à rede terrorista Al Caeda, reivindicou a autoria do ataque contra o aeroporto de Caráchi, a maior cidade do Paquistão, em que 37 pessoas foram mortas, inclusive 10 terroristas descritos como "mártires" em sítios jihadistas na Internet.

"À meia-noite de segunda-feira, dez bravos mujahedin do Movimento Islâmico do Usbequistão em busca do martírio vestidos com roupas carregadas de explosivos atacaram uma área muito especial do aeroporto internacional de Caráchi, no Paquistão", diz uma nota escrita em inglês, transcrita pela agência de notícias France Presse em reportagem publicada no jornal paquistanês Dawn.

Na mesma página, há uma foto de 10 homens com fuzis de assalto e rostos cobertos. Seriam os mártires do aeroporto. A nota acrescenta que o ataque foi uma resposta aos bombardeios da Força Aérea do Paquistão às zonas tribais onde ficam as bases de diferentes milícias fundamentalistas muçulmanas ligadas aos Talebã do Paquistão (TP).

Desde a invasão dos Estados Unidos ao Afeganistão, o MIU se transferiu para o Paquistão. Um porta-voz dos Talebã paquistaneses, Shahidullah Shahid, confirmou que "o ataque ao aeroporto de Caráchi foi uma ação conjunta dos TP e do MIU. Os estrangeiros também são irmãos muçulmanos e mujahedin, então não podemos especificar quanto usbeques e quantos paquistaneses participaram dessa ação."

O governo do primeiro-ministro Nawaz Sharif suspendeu as negociações de paz com os Talebã e ordenou ao Exército que lance uma operação contra as bases dos jihadistas no Noroeste do Paquistão.

EUA enviam armas e mísseis ao Iraque

Os Estados Unidos vão enviar ao Iraque 300 mísseis Hellfire (Fogo do Inferno), helicópteros de combate e milhões de armas leves e médias para o combate ao terrorismo, anunciou hoje a Casa Branca, diante da ofensiva da milícia extremista Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL), que luta para unir Iraque, Síria e Líbano num califado fundamentalista muçulmano.

Na declaração, o governo americano faz um apelo a todos os líderes iraquianos para que busquem soluções conjuntas para os problemas do país, ignorando que o colapso do Estado e das Forças Armadas do Iraque é resultado da invasão ordenada pelo então presidente George W. Bush, em 2003.

Como não houve acordo para dar imunidade aos militares americanos depois da retirada das forças de combate no fim de 2011, os EUA treinam as forças especiais do Iraque na Jordânia e devem entregar os primeiros caças-bombardeiros F-16 ainda em 2014.

O EIIL tomou hoje Tikrit, terra natal de Saddam Hussein, o ditador deposto e executado na invasão americana. Está a apenas 150 km de Bagdá.

Terroristas tomam reféns no consulado turco em Mossul

Os milicianos do grupo terrorista muçulmano Estado Islâmico do Iraque e do Levante ocupou hoje o Consulado da Turquia em Mossul, segunda maior cidade iraquiana, e fez 48 reféns, inclusive o cônsul-geral, ignorando o princípio da imunidade diplomática.

Todos os reféns foram levados sem resistência para uma base dos jihadistas. Ninguém teria se ferido na invasão do consulado.

Em Ancara, o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, prometeu punir qualquer agressão contra seus funcionários e cidadãos.

Meio milhão de iraquianos foge de Mossul

Pelo menos 500 mil iraquianos fugiram de Mossul, segunda maior cidade do Iraque, tomada por terroristas muçulmanos do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que lutam para criar um emirado extremista unindo Iraque, Síria e Líbano, depois de quatro dias de combate. As forças de segurança iraquianas abandonaram a cidade.

Com armas leves montadas em picapes que dão alta mobilidade, os jihadistas avançam. Tomaram Tikrit, terra natal do ditador Saddam Hussein, derrubado e executado depois de uma intervenção militar dos Estados Unidos, há dez anos, e já controlam cerca de metade do território iraquiano, afirmou há pouco em entrevista à televisão pública britânica BBC o professor Fawaz Gerges, especialista em Oriente Médio da London School of Economics.

O caos e a guerra sem fim no Iraque são consequências da invasão americana de 2003 para depor o ditador Saddam Hussein. Ao assumir o controle do país, os Estados Unidos destruíram a máquina do Estado. Dissolveram o Exército e a polícia, jogando milhares de pessoas com treinamento militar, na maioria sunitas, que compunham o núcleo central do regime, na clandestinidade e na luta armada.

A discriminação às pessoas ligadas ao antigo regime e a ascensão ao poder da maioria xiita (60% da população) marginalizaram os sunitas, estimulando a dissidência armada. O colapso da ordem estabelecida gerou anarquia, facilitando a infiltração de extremistas muçulmanos inspirados pela rede terrorista Al Caeda.

Depois de um ataque contra uma mesquita e santuário xiita na cidade de Samarra, em 22 de fevereiro de 2006, o conflito sectário entre sunitas e xiitas quase virou uma guerra civil total. Isso levou o então presidente americano George W. Bush a reforçar as tropas dos EUA, que conseguiram controlar a situação com o apoio de líderes tribais sunitas que não queriam ser governados pelo islamismo fundamentalista pregado pela Caeda.

Em 2008, Barack Obama, que foi contra a invasão do Iraque desde o início, elegeu-se presidente dos EUA prometendo acabar com as guerras no Iraque e no Afeganistão. Sem um acordo com o governo Maliki para garantir a imunidade dos soldados americanos, Obama retirou no fim de 2011 todos os militares americanos do Iraque, com a exceção de um contingente de 160 encarregados que garantir a segurança da embaixada em Bagdá.

Assim, se alguém é culpado pela situação no Iraque, não é mais culpado do que os EUA, que destruíram um Estado nacional e não o reconstruíram, deixando para trás um país arrasado, caótico e anárquico, à beira da guerra civil e da autodestruição.

A guerra civil na vizinha Síria, onde mais de 160 mil pessoas foram mortas nos últimos três anos, fomentou ainda mais a atuação de jihadistas em busca de uma "guerra santa", atraindo muçulmanos radicais do mundo inteiro, inclusive da Europa e dos EUA, que ao voltar para casa vão criar problemas. Com a relutância das potências ocidentais de apoiar os rebeldes moderados, os terroristas ganharam preeminência e passaram a ser as forças mais efetivas na guerra contra a ditadura de Bachar Assad.

Uma das desculpas furadas de Bush para invadir o Iraque, além das armas de destruição em massa nunca encontradas, foi uma suposta ligação entre Saddam e a rede terrorista Al Caeda, que havia atacado Nova York e o Pentágono em 11 de setembro de 2001. Saddam pode ter ajudado grupos terroristas palestinos, mas sempre perseguiu o fundamentalismo muçulmano.

Al Caeda e os outros grupos jihadistas nascidos em seu rastro não tinham nenhuma atuação no Iraque. Hoje, controlam a metade do território nacional e se aproximam de Bagdá. No momento, os jihadistas são os defensores dos sunitas no Iraque. Uma guerra civil entre sunitas e xiitas se alastra do Líbano, no Mar Mediterrâneo, até as cercanias da capital iraquiana. A invasão de Bush acabou tendo o resultado oposto ao pretendido.

terça-feira, 10 de junho de 2014

Escravos processam camarões exportados pela Tailândia

Milhares de trabalhadores migrantes, a maioria do Camboja e de Mianmar, procuram emprego anualmente na vizinha Tailândia, às vezes pagando intermediários para conseguir passagens e trabalho. Capitães de navios-fantasmas compram essas pessoas por valores a partir de cerca de R$ 900 e os escravizam para que trabalhem de graça na cadeia de criação e exportação de camarões, denuncia uma investigação exclusiva do jornal inglês The Guardian.

"Se você compra camarões da Tailândia, está comprando um produto de trabalho escravo", acusa Aidan McQuade, diretor da organização internacional Anti-Slavery International (Antiescravidão Internacional).

Alguns desses escravos trabalham anos sem receber nada, sob pressão da extrema violência praticada por seus algozes. O produto da exploração é vendido em grandes redes de supermercados da Europa e dos Estados Unidos, acrescenta a reportagem investigativa.

A maior fazenda de camarões no mundo inteiro, a Charoen Pokphand, com sede na Tailândia, compra alimentos desses navios para sua criação. Um escravo que conseguiu se libertar descreveu as terríveis condições de trabalho, com turnos de 20 horas seguidas, espancamento, tortura e execuções sumárias.

Outra vítima contou ter assistido pessoalmente a pelo menos 20 execuções, inclusive de um homem que teve pernas e braços amarrados a quatro botes diferentes que arrancaram em alta velocidade, esquartejando-o.

A empresa CP Foods, que se apresenta como "a cozinha do mundo" tem um faturamento anual de US$ 20 bilhões. O diretor da empresa no Reino Unido, Bob Miller, alegou não ter "visibilidade" da origem das matérias-primas.

Maior exportador mundial de camarões, a Tailândia vende ao exterior 50 mil toneladas por ano. A Anti-Slavery estima que haja 500 mil escravos no país.

Produção industrial da Itália avança 0,7%

A produção das fábricas da Itália cresceu 0,7% em abril de 2014 em relação ao mês anterior e 1,6% em 12 meses, anunciou hoje o Istat, instituto oficial de estatísticas do país.

Terceira maior economia da Zona do Euro, a Itália ficou estagnada desde o início do século. Por ter a maior dívida pública do mundo depois dos Estados Unidos, Japão e Alemanha, foi atingida pela crise das dívidas da periferia da Eurozona.

Com a crise, acabou a carreira política do arquicorrupto ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi. O atual chefe de governo, Matteo Renzi, tenta convencer os aliados da União Europeia a adotar políticas de estímulo ao crescimento.

Até o momento, só quem ouviu foi o presidente do Banco Central Europeu (BCE), o italiano Mario Draghi, que na semana passada anunciou taxas de juros negativas sobre os depósitos feitos por bancos privados ao BCE na expectativa de aumentar a oferta de crédito.

Banco da França prevê crescimento fraco no trimestre

Na segunda estimativa, o Banco da França previu hoje que a segunda maior economia da Zona do Euro avance apenas 0,2% no segundo trimestre de 2014, enquanto o Insee (Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos) espera 0,3%.

Pela análise conjuntural do banco central francês, a produção industrial é estável, com recuo nos setores de equipamento de transportes e metal-mecânico compensado pelo crescimento nos setores químico e farmacêutico. Mas o uso da capacidade instalada caiu de 76,4% em abril para 75,9% em maio.

Para o Insee, a produção industrial teve uma pequena recuperação em abril, crescendo 0,3% depois de cair 0,4% em março.

Desemprego cai para 3% na Suíça

Pouco mais de 130 mil pessoas estavam registradas oficialmente como desempregadas no fim de maio na Suíça. A taxa de desemprego caiu de 3,2% para 3% em maio, quando mais 6.777 conseguiram emprego fixo, informou hoje o Ministério da Economia suíço.

O desemprego também caiu entre os jovens. O número de pessoas à procura de emprego caiu 0,3% para 184 mil.

Separatistas russos prendem prefeito de Sloviansk

Os separatistas russos que lutam para anexar mais uma parte da Ucrânia à Federação Russa prenderam no Leste da Ucrânia o autoproclamado "prefeito popular" da cidade de Sloviansk, Viacheslav Ponomariov, anunciou hoje a Rádio Europa Livre citando como fontes meios de comunicação da Rússia.

A prisão não foi confirmada nem desmentida pelo líder da autoproclamada República Popular de Donetsk, Denis Puchilin.

Em 3 de junho, o novo presidente da Ucrânia, anunciou uma ofensiva para retomar as regiões do país tomadas por ucrianianos de origem russa com o apoio de mercenários da Chechênia e de outras partes da Federação Russa.

'Fogo amigo' mata cinco americanos no Afeganistão

Cinco soldados americanos e um oficial afegão foram mortos por um bombardeio aéreo das forças internacionais lideradas pelos Estados Unidos, na província de Zabul, no Sul do Afeganistão. Foi o pior caso de fogo amigo em quase 13 anos de guerra.

O ataque aconteceu durante uma operação em que os americanos enfrentavam forças inimigas. Quando o combate parecia terminado, a milícia jihadista dos Talebã (Estudantes) atacou de novo e os americanos pediram apoio aéreo.

As mortes elevam para 36 o total do número de soldados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) mortos desde o início do ano na Guerra do Afeganistão, a mais longa de história dos EUA. Só neste mês, foram oito mortes.

Aeroporto de Caráchi é alvo de novo ataque terrorista

Uma academia da polícia situada perto do aeroporto international Mohamed Jinnah, o mais importante do Paquistão, foi alvo de ataque hoje de terroristas muçulmanos dois dias depois de uma tentativa de assalto ao terminal que acabou com pelo menos 29 mortes.

Depois que a milícia fundamentalista dos Talebã do Paquistão assumiu a responsabilidade pela tentativa de tomar o aeroporto de Caráchi, a maior cidade do país, o governo do primeiro-ministro Nawaz Sharif suspendeu as negociações de paz e pediu que os terroristas sejam "eliminados". O Exército paquistanês prepara uma nova ofensiva contra as regiões tribais do Noroeste do país onde os jihadistas têm suas bases.

Essas operações militares e os ataques com aviões não tripulados dos Estados Unidos são as principais razões do ataque ao aeroporto, que mostra mais uma vez que o Paquistão é refém de guerrilheiros muçulmanos.

Jihadistas tomam segunda maior cidade do Iraque

Centenas de extremistas muçulmanos do grupo Estado Islâmico do Iraque e do Levante (ISIS, do inglês) tomaram durante a noite a cidade de Mossul, na provícia de Nínive, no Norte do Iraque, ocupando o aeroporto, bases militares, prisões, outros prédios públicos, e estações de rádio e televisão. Cerca de 1,4 mil presos foram soltos. Soldados e policiais abandonaram suas armas e fugiram, assim como mais de 4,8 mil famílias.

Dez anos depois da invasão americana ordenada pelo presidente George W. Bush para derrubar o ditador Saddam Hussein, o Iraque se afunda na anarquia e no conflito sectário entre sunitas e xiitas.

O presidente do Parlamento, Ossama Nujaifi, admitiu que o governo perdeu o controle da cidade para "terroristas", enquanto o primeiro-ministro Nuri al-Maliki decretou estado de emergência e pediu ajuda aos Estados Unidos, aos líderes tribais sunitas e às milícias curdas.

As milícias sunitas inspiradas pela rede terrorista Al Caeda ganharam força no Oriente Médio com a guerra civil na vizinha Síria, onde mais de 160 mil pessoas foram mortas nos últimos três anos. O líder global d'al Caeda, Ayman al-Zawahiri, já declarou que a Frente al-Nusra é a representante da rede no conflito sírio.

Analistas temem que a disputa entre as duas facções pela liderança do movimento jihadista leve a novos atentados contra alvos ocidentais. O ISIS quer criar um regime fundamentalista muçulmano unindo Síria, Líbano e Iraque.

Pelo menos 3.577 pessoas foram mortas pela violência política no Iraque desde o início de 2014, sendo 534 até ontem neste mês. O sítio americano Iraq Body Count (Contagem de Corpos no Iraque) estima que o total esteja em torno de 5,5 mil mortes.

O ISIS é uma dissidência da rede Al Caeda. Virou um grupo independente em abril de 2013. Seus ataques contra Faluja e Ramadi, na província da Ambar, meses atrás tinham os mesmos objetivos: diminuir a capacidade de resistência das forças de segurança iraquianas, misturar-se à população local, especialmente aos simpatizantes do islamismo radical, e reduzir a confiança na polícia e no Exército, que parecem estar sempre na defensiva, reagindo em vez de tomar a iniciativa do combate contra os jihadistas.

As eleições parlamentares realizadas no fim de abril polarizaram ainda mais o Iraque em torno do conflito sectário entre sunitas e xiitas. Com o baixo comparecimento às urnas dos sunitas nas províncias mais conflagradas, a maioria xiita ampliou sua bancada parlamentar para 181 dos 328 deputados da Assembleia Nacional. A coalizão entre árabes sunitas e xiitas moderados liderada pelo ex-primeiro-ministro Ayad Allawi recuou de 101 para 91 cadeiras. O bancada curda ganhou mais cinco deputados e agora tem 72.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Sul-coreanos ganharão mais do que franceses e japoneses

O crescimento das últimas décadas e o bom desempenho da economia da Coreia do Sul durante a Grande Recessão de 2008-9 vão elevar até 2018 a renda de seus cidadãos acima das médias da França e do Japão, previu a agência de classificação de risco Moody's num estudo divulgado ontem.

Nos últimos cinco anos, a Coreia do Sul teve um crescimento superior à média dos 32 países do mundo onde a renda média por habitante supera os US$ 30 mil por ano pelo critério de paridade do poder de compra. Essa tendência deve se manter nos próximos anos.

Pelos cálculos da Moody's, a renda média dos sul-coreanos era de US$ 31.950 em 2012. Vai chegar a US$ 38.451 em 2018, superando os franceses (US$ 37.647) e os japoneses (US$ 37.826).

Japão cresceu 1,6% no início do ano

Antes de um aumento de 5% para 8% no imposto sobre vendas no varejo, os japoneses foram às compras. O consumo doméstico avançou 2,3% no primeiro trimestre de 2014, e a economia do Japão cresceu 1,6%, projetando uma expansão anual de 6,7%.

Diante do aumento nas vendas de bens duráveis (automóveis, eletrodomésticos e eletroeletrônicos de pelo menos três anos de uso), as empresas do Japão investiram mais 7,6%. Por outro lado, o consumo maior piorou em 10% o déficit comercial, que foi de US$ 7,57 bilhões.

No esforço para combater a deflação e a estagnação crônicas da economia japonesa, o primeiro-ministro Shinzo Abe promete um novo plano para retomar o dinamismo da economia do país estimado em US$ 55 bilhões.

Economia de Portugal recuou 0,6% no 1º trimestre

Com a perda de impulso da recuperação econômica da Zona do Euro no início de 2014, o produto interno bruto de Portugal recuou 0,6% no primeiro trimestre do ano em relação ao fim de 2013, mas registrou alta de 1,3% na comparação anual, informou hoje o Instituto Nacional de Estatísticas.

A contração da economia portuguesa foi atribuída ao comércio exterior. Enquanto as exportações avançaram 4,3%, as importações cresceram 8,5% de janeiro a março de 2014.

Portugal foi um dos países mais atingidos pela crise das dívidas públicas da periferia da Eurozona. O governo conservador português já avisou que não vai mais precisar de ajuda de emergência da União Europeia (UE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI), mas sofreu uma derrota no Tribunal Constitucional.

O supremo tribunal português rejeitou os cortes de aposentadorias, pensões e salários do programa de austeridade econômica, declarando-os ilegais e inconstitucionais.

domingo, 8 de junho de 2014

Terror ataca aeroporto da maior cidade do Paquistão

Pelo menos 29 pessoas, sendo 11 funcionários do aeroporto de Caráchi, a capital econômica do Paquistão, e 10 terroristas muçulmanos, morreram num ataque de extremistas no domingo à noite. A televisão paquistanesa mostrou imagens de um terminal em chamas.

Mais de dez terroristas entraram no aeroporto por volta das 23h pela horal local e jogaram granadas no saguão. Com uniforme das forças de segurança do Paquistão, eles tomaram posições perto da pista e do terminal internacional.

Todos os voos foram desviados para outros aeroportos. Às 2h da madrugada de segunda-feira pelo horário local, um porta-voz das Forças Armadas anunciou que os terroristas sobreviventes estavam encurralados. Há pouco, o Exército do Paquistão confirmou que todos os terroristas foram mortos e a situação está controlada, noticiou o jornal paquistanês Dawn.

Mais tarde, a milícia fundamentalista dos Talebã do Paquistão reivindicou a autoria do ataque. O grupo está dividido entre os que aceitam negociar a paz com o governo e os que permanecem irredutíveis.

Papa ora com presidentes de Israel e da Palestina

O papa Francisco recebe hoje no Vaticano os presidentes de Israel, Shimon Peres, e da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, para os três fazerem uma oração pela paz no Oriente Médio. O convite, feito durante a primeira visita de Francisco à Terra Santa como papa, em maio de 2014, é uma tentativa de relançar o diálogo. Peres e Abbas vão plantar uma oliveira nas jardins da Santa Sé.

As negociações de paz foram suspensas pelo primeiro-ministro linha-dura israelense, Benjamin Netanyahu, em protesto contra a formação de um governo de união nacional palestino reunindo o partido Fatah (Luta), de Abbas, e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), que Israel e os Estados Unidos consideram um grupo terrorista.

Qualquer acordo de paz sem o Hamas seria um acordo pela metade, mas o governo israelense insiste que Abbas desarme o Hamas como precondição para retomar o diálogo. Nesse meio tempo, aproveitou a crise no processo de paz e autorizou a construção de mais 1,7 mil casas e apartamentos na Cisjordânia ocupada, inclusive no setor árabe de Jerusalém.

O presidente israelense, Shimon Peres, tem origem no Partido Trabalhista, de esquerda. Foi o principal negociador israelenses dos acordos de Oslo, de 1993, que levaram à criação da ANP e à transferência parcial do poder aos palestinos na Faixa de Gaza e em algumas áreas da Cisjordânia.

Marechal Al-Sissi toma posse no Egito

Eleito com 96% dos votos numa votação altamente suspeita de 26 a 28 de maio de 2014, o ex-comandante supremo das Forças Armadas do Egito, marechal Abel Fattah al-Sissi, tomou posse hoje como novo presidente do país, encerrando o ciclo de reformas iniciado com a Primavera Árabe e a queda do ditador Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011.

Em todos os sentidos, a posse do marechal representa a volta ao poder dos militares, que governaram o Egito desde que a Revolução dos Coronéis depôs a monarquia, em 1952, com breve interrupção nos últimos anos.

Com a queda de Mubarak, a Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista muçulmano do mundo, ganhou as eleições legislativas e a única eleição presidencial democrática da história egípcia, vencida por Mohamed Mursi no segundo turno, em junho de 2012.

Um golpe liderado por Al-Sissi derrubou Mursi em 3 de julho de 2013. Desde então, a Irmandade foi colocada na ilegalidade e mais de mil pessoas foram mortas em choques entre os islamitas e as forças de segurança do Egito.

sábado, 7 de junho de 2014

Novo presidente da Ucrânia pede paz

Ao tomar posse hoje, o novo presidente da Ucrânia, Petro Porochenko, o rei do chocolate, pediu paz a reconciliação no país, onde separatistas russos tentam anexar regiões do Leste à Federação Russa, que tomou conta da região da Crimeia em 17 de março de 2014, depois de um referendo condenado internacionalmente.

O novo presidente rejeitou a anexação da Crimeia, dizendo que a península "é, sempre foi e sempre será território da Ucrânia", e declarou que a aproximação com a Europa é "irreversível", noticiou o jornal The Washington Post.

Primeiro, Porochenko pediu um minuto de silêncio em homenagem aos cem mortos na revolução de fevereiro. Em seguida, propôs negociações de paz aos separatistas do Leste da Ucrânia.

"Não quero guerra. Não quero vingança", afirmou o bilionário conhecido como rei do chocolate. Ele ofereceu anistia para "quem não tiver as mãos sujas de sangue" e salvo-conduto para os russos que entraram na Ucrânia para apoiar os separatistas, mas disse que não vai negociar com "pistoleiros".

Porochenko chega ao poder num momento crítico para a independência da ex-república soviética da Ucrânia, um país de 45 milhões de habitantes pressionado pela vizinha Rússia com suas ambições imperialistas. A queda do presidente Viktor Yanukovich em meio a uma revolta popular, em fevereiro de 2014, provocou a maior crise entre a Rússia e o Ocidente depois da Guerra Fria.

A Rússia negou legitimidade ao governo provisório surgido da revolução ucraniana, repudiando até mesmo o Memorando de Budapeste, de 1994, pelo qual a Ucrânia entregou a Moscou as armas nucleares herdadas. Fez uma intervenção militar velada, com soldados sem insígnia usando armamento russo.

Ataque mata 37 pessoas no Leste do Congo

Dezenas de pessoas foram mortas num conflito tribal por gado na província de Sivu do Sul, no Leste da República Democrática do Congo, um dos países mais instáveis e violentos do mundo.

O governador regional declarou que pelo menos 27 pessoas foram mortas, inclusive mulheres grávidas e crianças. Um cinegrafista da agência de notícias Reuters contou 37 cadáveres.

As vítimas foram mortas a tiros, facadas ou queimadas dentro de suas próprias casas, que foram incendiadas.

sexta-feira, 6 de junho de 2014

Favorito escapa de atentado no Afeganistão

Pelo menos quatro pessoas morreram e várias outras saíram feridas hoje de um atentado terrorista contra o ex-ministro do Exterior Abdullah Abdullah, favorito para vencer o segundo turno da eleição presidencial no Afeganistão, marcado para 15 de junho. O candidato escapou sem ferimentos.

O presidente Hamid Karzai e o outro candidato que vai disputar o segundo turno, Achraf Ghani Ahmadzai, condenaram o atentado, atribuído à milícia fundamentalista dos Talebã.

Confederação sindical acusa Catar de "escravidão"

A Confederação Sindical Internacional denunciou ontem o tratamento dispensado aos trabalhadores estrangeiros no Catar, país-sede da Copa do Mundo de 2022, como "escravagista".

O jornal inglês The Guardian afirmou que pelo menos 185 operários nepaleses morreram no ano passado nas obras da Copa no Catar.

Uma denúncia de suborno de US$ 5 milhões para conquistar o direito de sediar o Mundial está sob investigação da Fifa (Federação Internacional de Futebol Associativo), que admitiu até mudar de lugar a Copa, embora seja improvável que isto aconteça.

EUA tiveram saldo de 217 mil empregos em maio

Os Estados Unidos criaram 217 mil empregos a mais do fecharam em maio de 2014, acima da expectativa do mercado, que girava em torno de 200 mil, anunciou hoje o Departamento do Trabalho. Com esse ganho, o total de trabalhadores empregados nos EUA superou o pico de janeiro de 2008, antes da Grande Recessão, chegando a 138,4 milhões.

O resultado de abril foi revisado para baixo, de 288 mil para 282 mil, o melhor desempenho do mercado de trabalho em mais de dois anos. O ganho de março não mudou, ficou em 203 mil.

A taxa de desemprego, medida em outra pesquisa, de amostra de domicílios, também ficou estável, em 6,3%.

Obama reafirma compromisso dos EUA com liberdade

Ao participar das comemorações do 70º aniversário da Invasão da Normandia pelos aliados na Segunda Guerra Mundial em Colville-sur-Mer, perto de onde estão enterrados 9,3 mil soldados americanos, o presidente Barack Obama reafirmou o compromisso dos Estados Unidos com a liberdade.

Voltando para os veteranos presentes, todos na faixa de 80 anos, ao lado do presidente francês, François Hollande, da rainha Elizabeth II, da Inglaterra, e o presidente da Rússia, Vladimir Putin, Obama disse que, "se hoje vivemos em paz, devemos a eles. A liberdade depende de homens dispostos a morrer por ela."

Putin se encontrou pela primeira vez com o novo presidente da Ucrânia, Petro Porochenko, com quem prometeu negociar a paz.

A Invasão da Normandia, no Dia D, 6 de junho de 1944, abriu uma nova frente ocidental na guerra contra o nazismo e o caminho para a libertação de Paris em 24 de agosto do mesmo ano. Durante anos, o esforço de guerra se concentrara na frente oriental, onde o Exército da Alemanha e seus aliados enfrentavam a União Soviética.

quinta-feira, 5 de junho de 2014

BCE coloca juros abaixo de zero

Para estimular a retomada do crescimento na União Europeia, que perdeu força neste primeiro semestre de 2014, o Banco Central Europeu baixou de 0,25% para 0,15% a taxa de juros que cobra para refinanciar os bancos da Zona do Euro e de zero para -0,10% a taxa sobre depósitos dos bancos no BCE.

É a primeira vez que "um grande banco central se aventura em território negativo", observa o jornal inglês Financial Times. Em vez de estacionar o dinheiro no BCE, os bancos são incentivados a dar empréstimos que movimentem a economia.

O objetivo é evitar uma deflação na Eurozona no momento em que a atividade privada declina ou está estagnada na maioria dos países, com a exceção da Alemanha, e a inflação cai de 0,7% para 0,5% ao ano, abaixo da meta do BCE, que é de 1% a 2% ao ano.

Boko Haram mata mais 45 no Nordeste da Nigéria

Um novo ataque da milícia terrorista muçulmana Boko Haram matou pelo menos 45 pessoas na cidade de Gwoza, no Nordeste da Nigéria, revelou hoje um deputado da região. Ele admitiu que o total de mortos pode chegar a centenas.

Só neste ano, o grupo jihadista matou cerca de 3,3 mil pessoas.

Primeiro-ministro de Portugal cancela vinda à Copa

Uma decisão do Tribunal Constitucional que obriga o governo de Portugal a pagar salários, pensões e aposentadorias integrais, sem os cortes impostos pelos programas de austeridade econômica para enfrentar a crise, provocou uma crise política e levou o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho a cancelar uma viagem ao Brasil, noticiou a rádio e televisão estatal RTP.

Passos Coelho deveria assistir à estreia de Portugal na Copa do Mundo, contra a Alemanha, na Arena Fonte Nova, em Salvador, em 16 de junho, às 16h.

Em suas primeiras declarações, o chefe de governo afirmou que os juízes da suprema corte portuguesa "devem ser melhor escolhidos". Sugeriu que os ministros haviam ignorado a lei.

Lituânia deve aderir ao euro em 2015

A Comissão Europeia, órgão executivo da União Europeia (UE), e o Banco Cenral Europeu (BCE) autorizaram ontem a ex-república soviética da Lituânia de adotar o euro como moeda a partir de janeiro de 2015.

O país da região do Mar Báltico se enquadrou em "todos os critérios de convergência". Será o 19º membro da Zona do Euro.

Eurozona cresce pouco e está à beira da deflação

A revisão dos dados do produto interno bruto do primeiro trimestre de 2014 confirmou o fraco crescimento dos 18 países da Zona do Euro, que avançou apenas 0,2%, o mesmo resultado da estimativa anterior, informou ontem o Eurostat, escritório oficial de estatísticas da União Europeia.

O crescimento do fim de 2013 foi elevado de 0,2% para 0,3%, Como um todo, a UE avançou 0,3%, depois de crescer 0,4% no fim do ano passado. Nos últimos 12 meses, a Eurozona acumulou alta de 0,9% no PIB, enquanto toda a UE crescia 1,4%.

Enquanto o consumo das famílias e o o investimento sustentaram o crescimento débil da Eurozona, o comércio exterior deu uma contribuição negativa de 0,2%. As exportações avançaram 0,3%, mas as importações cresceram mais, 0,8%.

Entre os países-membros, só a Alemanha apresentou uma expansão robusta, de 0,8% de janeiro a março, reafirmando-se como locomotiva da Europa. As maiores quedas foram na Holanda (-1,4%), Estônia (-1,2%) e Portugal (-0,7%).

Na França, onde o PIB encolheu 0,2%, os últimos números da empresa de consultoria e pesquisas Markit indicam uma contração da atividade privada no mês de maio. "Depois da estagnação do PIB no primeiro trimestre, a economia francesa não parece por ora ter entrado no caminho da retomada no segundo trimestre", observou Jack Kennedy, economista da Markit.

Os preços dos produtos industriais na Eurozona recuaram 0,1% em abril depois de uma baixa de 0,2% em março de 2014. Em um ano, a deflação no setor industrial é de 1,2%. Com a queda da inflação de 0,7% para 0,5% em abril, uma luz de alerta vermelho se acendeu no Banco Central Europeu, que pode adotar políticas de estímulo ao crescimento e à geração de emprego.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Desemprego tem leve queda na Eurozona

A taxa de desemprego na Zona do Euro teve uma pequena baixa de 11,8% em março para 11,7% em abril, anunciou ontem o Eurostat, escritório oficial de estatísticas da União Europeia. São 76 mil desempregados a menos no mês e 487 mil num ano.

Na UE como um todo, de 28 países, a queda foi de 10,5% para 10,4%

O desemprego é menor na Áustria (4,9%), na Alemanha (5,2%) e em Luxemburgo (6,1%). As taxas mais elevadas estão na Grécia, onde caiu de 26,7% para 26,5% em 12 meses; na Espanha, onde baixou de 26,3% para 25,1% no mesmo período; e em Portugal, onde a redução foi de 17,3% para 14,6%.

Na Espanha, o mês passado foi o melhor maio desde 1999 para o mercado de trabalho: 111.916 pessoas conseguiram emprego. Mas ainda há 5 milhões na fila, admite o Ministério do Trabalho.

Com a queda da inflação de 0,7% para 0,5% ao ano, o Banco Central da Europa está sob pressão para tomar medidas de estímulo econômico como os programas de alívio quantitativo feito pelos bancos centrais dos Estados Unidos e do Reino Unido, comprando títulos para aumentar a quantidade de dinheiro em circulação.

Ônibus de Londres não aceitarão mais dinheiro

A partir de 6 de julho de 2014, um domingo, os ônibus da capital do Reino Unido vão parar de aceitar dinheiro. O pagamento terá de ser feito através de cartões de viagem ou de pagamento emitidos pelo sistema de transportes de Londres.

O preço mínimo da viagem, com cartões de pagamento, será de 1,45 libra esterlina, cerca de R$ 5,53.

General chinês: EUA sofrem de disfunção erétil

Ao comentar as críticas de Washington à agressividade chinesa nas disputas territoriais com países vizinhos no Mar da China Meridional, durante o Diálogo de Xangrilá, realizado em Cingapura no último fim de semana, o general Zhu Chenghu, professor da Universidade da Defesa Nacional, disse em tom provocativo que os Estados Unidos sofrem de "disfunção erétil".

"À medida que o poder dos EUA declina, Washington precisa confiar nos aliados para conter o desenvolvimento da China", declarou o general a uma televisão de língua chinesa. "Mas se vão se envolver ou intervir militarmente numa disputa territorial entre a China e seus vizinhos é outra história."

Em seguida, disparou: "Podemos ver na situação da Ucrânia uma espécie de disfunção erétil."

A Síria é um exemplo melhor da hesitação do governo Obama de usar a força. Os EUA não entrariam em guerra com uma potência nuclear como a Rússia por causa da Ucrânia. A mesma lógica se aplica aos vizinhos da China, com a exceção do Japão e da Coreia do Sul.

Na corrida tecnológica, ataques de saturação com mísseis de cruzeiro podem se tornar a maior ameaça a grupos navais dos EUA liderados por porta-aviões, adverte um ensaio do Centro Chinês para Estudo de Assuntos Militares da Universidade da Defesa Nacional.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Colômbia retoma negociações de paz com as FARC

O governo colombiano reiniciou hoje em Havana, a capital de Cuba, as negociações com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) para acabar com uma guerra civil em que cerca 300 mil pessoas foram mortas nos últimos 50 anos.

A guerra civil na Colômbia começa com o assassinato em 9 de abril de 1948 de Jorge Eliecer Gaitán, franco favorito para a próxima eleição presidencial. Sua morte provoca uma explosão de violência na capital conhecida como Bogotaço, com 2 mil mortes em dois dias. O conflito se alastra por uma década sangrenta conhecida na história da Colômbia como o período de La Violencia, com total de mortes estimado em 300 mil.

Durante aquele período, liberais e esquerdistas foram para a clandestinidade e formaram grupos guerrilheiros. As FARC, braço armado do Partido Comunista Colombiano, entram em ação em 1964. Com o declínio da ideologia comunista e o fim da União Soviética, sob pressão dos grupos paramilitares de direita conhecidos como autodefesas da Colômbia, nos anos 1990s, as FARC se aliaram a máfias do tráfico de drogas. Isso lhes deu uma sobrevida, mas tirou legitimidade.

Quando a guerrilha controlava 20% do território colombiano, depois de duas tentativas fracassadas de negociar a paz por seus antecessores Andrés Pastrana e Ernesto Samper, em 2002, Álvaro Uribe foi eleito presidente com a promessa de derrotar as FARC militarmente.

Oito anos depois, tendo reduzido significativamente a capacidade de luta das FARC com o apoio dos Estados Unidos, Uribe foi sucedido por seu ministro da Defesa, Juan Manuel Santos, que reiniciou as negociações e passou a ser atacado pelo ex-presidente por causa disso.

No mês passado, o candidato de Uribe, Óscar Zuluaga, ficou em primeiro lugar no primeiro turno da eleição presidencial com 29% dos votos prometendo não negociar com a guerrilha se ela não parar com todos os ataques. Santos, que disputa a reeleição, ficou com 25%. Já recebeu o apoio de vários partidos moderados.

As negociações são, portanto, o grande tema da campanha. O segundo turno será realizado em 15 de junho. A retomada indica que Santos confia na bandeira da paz para ser reeleito.

Comissão eleitoral do Egito dá vitória a Al-Sissi com 97%

A Comissão Eleitoral do Egito anunciou hoje o resultado oficial da eleição presidencial realizada na segunda, terça e quarta-feira da semana passada. O marechal Abdel Fattah al Sissi, responsável pelo golpe militar de 3 de julho de 2013, foi declarado vencedor com 97% dos votos.

Com a vitória do marechal, são anuladas as conquistas da revolução que derrubou o ditador Hosni Mubarak em 11 de fevereiro de 2011. A ditadura militar que governou o Egito desde o fim da monarquia, em 1952, está de volta.

Síria faz eleição de cartas marcadas

A comissão eleitoral da Síria anunciou há pouco que o período de votação na eleição presidencial de hoje será prorrogado por mais cinco horas sob a alegação de que o grande comparecimento às urnas o exige, mas é difícil acreditar nisso tendo em vista que o país está em guerra civil há desde março de 2011, com mais de 162 mil mortes.

Dois outros candidatos concorrem com o ditador Bachar Assad, principal responsável pela guerra civil síria, mais para legitimar a reeleição do presidente do que para disputar o poder realmente.

Renamo suspende cessar-fogo em Moçambique

A Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), principal grupo de oposição do país, anunciou hoje o fim da trégua com o governo da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), no poder desde a independência nacional, em 1975.

O partido oposicionista pretende participar das eleições de outubro, mas advertiu que não pode garantir a segurança de quem trafega na Rodovia Nacional 1, especialmente entre Muxungue e Save, onde veículos de transporte de carga e de passageiros têm sido escoltados pelo Exército.

A Renamo crescentou que as hostilidades só vão cessar quando mediadores internacionais foram incluídas nas negociações. A guerrilha nascida na vizinha Rodésia, hoje Zimbábue, na época dominada por uma ditadura da minoria branca, desafiou o regime comunista até 1992. Recentemente, realizou ataques isolados às forças de segurança, em estradas e para roubar suprimentos. Esses ataques devem ser retomados.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

Atiradores atacam casa do primeiro-ministro do Iêmen

Pistoleiros não identificados atacaram hoje a casa do primeiro-ministro do Iêmen, Mohamed Basindawa, informou a representação iemenita nas Nações Unidas.

O Iêmen é hoje o principal reduto da rede terrorista Al Caeda na Península Arábica, alvo de frequentes bombardeios de aviões não tripulados dos Estados Unidos, aliados do governo do país.

Rei da Espanha abdica em favor do príncipe Felipe

Depois de 39 anos no trono, o rei Juan Carlos I anunciou hoje que vai abdicar em favor do filho mais velho, o príncipe Felipe, citando razões de idade: "É hora de passar o cetro à nova geração para que faça as reformas necessárias."

Juan Carlos ascendeu ao trono em 22 de novembro de 1975, dois dias depois da morte do generalíssimo Francisco Franco, ditador desde sua vitória na Guerra Civil Espanhola (1936-39). A Constituição democrática de 1978 o reconheceu oficialmente como rei da Espanha e herdeiro da dinastia Bourbon.

O apoio à transição democrática e a resistência à tentativa de golpe do tenente-coronel Antonio Tejero Molina, em 23 de fevereiro de 1981, lhe deram legitimidade. Foi descrito pela revista americana Time como "um dos heróis mais improváveis e inspiradores da liberdade no século 20.

Em 2007, durante uma discussão entre o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, e o então primeiro-ministro espanhol José Luis Rodríguez Zapatero, numa reunião de cúpula ibero-americana realizada no Chile, Juan Carlos interpelou o caudilho venezuelano: "Por que não te calas?"

Chávez interrompera Rodríguez Zapatero para acusar o ex-primeiro-ministro José María Aznar de apoiar o golpe de 11 de abril de 2002 na Venezuela, mas desrespeitou o protocolo ao não esperar sua vez de falar.

Nos últimos, vários escândalos atingiram a família real espanhola. Em 12 de dezembro de 2011, os jornais espanhóis acusaram Iñaki Urdangarin, duque consorte de Palma de Mallorca, casado com a princesa Cristina, de fraude, malversação de fundos, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro.

Em 14 de abril de 2012, durante a pior crise econômica na era pós-Franco, com mais de um quarto dos trabalhadores espanhóis desempregados, dias de pedir "rigor" e "sacrifícios" à nação, o rei sofreu um acidente e fraturou a bacia quando caçava elefantes em Botsuana, na África.

Ao sair do hospital, Juan Carlos pediu desculpas, mas sua imagem estava arranhada definitivamente.

Agência dos EUA pede corte de 30% nas emissões de termelétricas

A Agência de Proteção Ambiental (EPA, do inglês) dos Estados Unidos vai propor hoje uma redução de 30% até 2030 nas emissões de dióxido de carbono de usinas termelétricas em comparação com 2005, dando início ao principal programa do governo Barack Obama para combater o aquecimento global.

Há cerca de 600 usinas térmicas de carvão para gerar de energia elétrica nos EUA. A regulamentação será completada em um ano, dando flexibilidade aos estados para apresentaram seus próprios planos. A meta nacional será um corte de 25% até 2020 e de 30% até 2030.

Índia cresce em ritmo anual de 4,7%

A economia da Índia avançou 4,7% no ano fiscal encerrado em 31 de março de 2014. Foi o segundo ano seguido de crescimento abaixo de 5% ao ano. A expectativa era de uma expansão de 4,9%. Antes da Grande Depressão, a Índia vinha crescendo a taxas de 9% ao ano.

O setor mais dinâmico da economia indiana é o de serviços, que cresceu 12,4% no ano fiscal passado, seguido pelas empresas de utilidade pública (água, energia elétrica, gás) com 7,2% e a agricultura com 6,3%. A indústria recuou 1,4% e a mineração 0,4%.

domingo, 1 de junho de 2014

Preso suspeito de atacar Museu Judaico de Bruxelas

Um cidadão francês de 29 anos chamado Mehdi Nemmouch foi preso na sexta-feira em Marselha sob suspeita de ser o atirador que matou quatro pessoas no Museu Judaico, em Bruxelas, na Bélgica, em 24 de maio de 2014, inclusive dois israelenses, noticiou hoje o jornal conservador israelense The Times of Israel.

Nemmouche é da cidade de Roubaix, no Norte da França. Quando foi preso, tinha um revólver e um fuzil Kalachnikov como o usado no ataque. Ele esteve na Síria em 2013. É suspeito de ter ligações com os grupos jihadistas em ação na guerra civil síria.

Mais tarde, Nemmouche admitiu ter sido o autor dos disparos no museu de Bruxelas.