domingo, 19 de outubro de 2008

Argentina faz plano de obras contra a crise

O governo Cristina Kirchner resolveu lançar um plano de obras públicas para tentar blindar a Argentina contra a crise financeira global, estimulando o crescimento para gerar empregos e garantir apoio político.

Um dos homens-fortes do kirchnerismo, o ministro do Planejamento, Julio de Vido, deu a notícia a empresários que se reuniram na Casa Rosada com Cristina na quinta-feira à noite. Prometeu um plano agressivo.

A idéia é investir até US$ 1 bilhão.

sábado, 18 de outubro de 2008

McCain agora acusa Obama de socialismo

Na reta final da corrida à Casa Branca, o senador republicano John McCain comparou hoje o senador democrata Barack Obama aos socialistas europeus, em mais uma tentativa de pintar o adversário como distante e desligado do verdadeiro povo americano.

Na última pesquisa do instituto Zogby para a agência de notícias Reuters, Obama tem 48% das preferências e 44% para o senador republicano John McCain.

É uma pesquisa bem diferente das outras, que vem dando vantagem maior a Obama. Pode ser um sinal de que a eleição ainda está indefinida.

Os candidados concentram as campanhas nos estados-chaves, que podem virar o jogo. Nos Estados Unidos, o que importa é a vitória num estado inteiro, já que o vencedor ganha todos os delegados daquele estado no Colégio Eleitoral onde 538 grandes eleitores vão escolher o presidente.

Por mais de um século, nenhum presidente dos EUA tinha sido eleito sem ganhar também no voto popular. George Bush ganhou em 2000 graças a uma vitória por cerca de 500 votos na Flórida, que era governada por seu irmão.

Agora, Obama lança uma ofensiva de quatro dias em estados onde Bush venceu em 2004, Virgína, Missouri, Carolina do Norte e Flórida, mas agora o democrata está perto da vitória. Ele foi ontem à Virgínia e hoje fez em Saint-Louis, no Missouri, o maior comício da campanha, só superado pelo discurso de Berlim, que reuniu 200 mil pessoas.

Em Concord, na Carolina do Norte, bateu no argumento que está no centro de sua campanha no momento: tenta amedrontar o eleitorado com a expectativa de que Obama será obrigado a aumentar impostos para financiar os programas que propõe.

Isso tiraria mais dinheiro do bolso do cidadão americano num momento de crise em que o governo acaba de lançar um plano de salvação do sistema financeiro de US$ 700 bilhões. Essa é a atual mensagem de McCain: Obama será um mau gerente da crise.

O senador democrata por Illinois recebeu o apoio de dois jornais importantes: o Los Angeles Times e o Chicago Tribune. É a primeira vez que o Tribune, um jornal conservador, apóia um democrata para a Casa Branca. Obama começou sua carreira política em Chicago.

FMI investiga caso envolvendo diretor-geral

Depois de uma denúncia publicada em The Wall St. Journal, o Fundo Monetário Internacional admitiu que está investigando "uma relação inapropriada" do diretor-geral, Dominique Strauss-Kahn, ex-ministro das Finanças da França.

Strauss-Kahn teria promovido uma funcionária com quem teve um caso amoroso. Ele nega qualquer irregularidade em sua conduta.

Paquistão prende 168 militantes extremistas

O Exército do Paquistão anunciou hoje a prisão de 168 militantes estrangeiros numa ofensiva contra o terrorismo dos fundamentalistas muçulmanos na região tribal junto à fronteira com o Afeganistão, onde se acredita que estejam refugiados os líderes da rede terrorista Al Caeda.

Sob intensa pressão tanto do terrorismo interno quanto dos EUA para combater os talebã paquistaneses, o Paquistão partiu para o ataque com força renovada depois do atentado contra o Hotel Marriot em Islamabad, a capital do país.

Vale lembrar que, diante da vantagem do senador Barack Obama na corrida à Casa Branca, alguns analistas já afirmam que a única chance do senador republicano John McCain seria algo espetacular como a captura ou morte de Ossama Ben Laden.

Os jihadistas estão em guerra contra o Estado paquistanês desde o ataque do Exército ao complexo da Mesquita Vermelha de Islamabad, em julho de 2007, quando pelo menos 154 pessoas morreram. Na propaganda dos extremistas, pelo menos mil companheiros foram mortos.

Desde então, eles cometeram atentados que mataram mais de 700 pessoas, inclusive a ex-primeira-ministra Benazir Bhuto. Contra todas as previsões, o viúvo, Assif Ali Zardari, acabou se tornando presidente do Paquistão. O atentado contra o Marriot seria para matar o presidente e o primeiro-ministro.

Na sua origem, o Paquistão é um país formado por muçulmanos que não queriam viver num país de maioria hindu, quando Índia e Paquistão se tornaram independentes do Império Britânico, em agosto de 1947. Desde então, os dois países travaram três guerras e disputam uma corrida nuclear.

Durante a Guerra Fria, a Índia era um país não-alinhado mas se aproximava mais da União Soviética em política externa, por sua postura antiimperialista. O Paquistão se tornou um aliado dos Estados Unidos, que apoiaram o golpe militar do general Zia ul-Haq.

A ditadura militar executou o ex-presidente e ex-primeiro-ministro Zulfikar Ali Bhutto, pai de Benazir, o líder político mais popular do país. Para se legitimar, o general Zia usou a religião como arma política, criando uma rede de escolas religiosas, as madrassás, onde só se estuda o Corão.

Quando a URSS invadiu o Afeganistão, em 26 de dezembro de 1979, o Paquistão se tornou a base de operações de uma aliança com os EUA, a Arábia Saudita e a China para apoiar a insurreição muçulmana contra a ocupação, armada e treinada pelos americanos.

Foi o Vietnã da URSS, que sairia derrotada 10 anos depois, por iniciativa de Mikhail Gorbachev. Mas desta luta nasceram Al Caeda e as milícias dos talebã, e um exército dos chamados árabes afegãos que levaram sua guerra santa a todos os países onde há conflitos envolvendo muçulmanos.

Em maio de 1998, tanto a Índia e o Paquistão testaram bombas atômicas.

50 mil xiitas protestam contra EUA no Iraque

Cerca de 50 mil partidários do aiatolá xiita rebelde Muktada al-Sader marcharam hoje pelas ruas do Sul de Bagdá protestando contra um acordo que prorroga por mais três anos, até 2010, a presença de forças americanas no Iraque.

A proposta que foi encaminhada ao parlamento iraquiano para aprovação acaba com a imunidade dos soldados americanos quando eles não estiverem de serviço. Na metade do próximo ano, os americanos param de patrulhar as ruas.

"Enganam-se os que pensam que esse acordo significa o fim da ocupação", declararam os porta-vovez de Al-Sader.

EUA e UE convocam reunião sobre finanças

Ao receber os presidente da França, Nicolas Sarkozy, e da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, hoje na casa de campo da Presidência dos Estados Unidos, em Camp David, no estado de Maryland, o presidente George Walker Bush declarou que os Estados Unidos estão dispostos a ser a sede da conferência de cúpula internacional para discutir uma possível reforma do sistema financeiro internacional. Além dos países ricos, as grandes emergentes serão convidados, inclusive o Brasil.

O presidente americano não marcou data. Sarkozy, que ocupa a presidência rotativa da União Européia falou que seria antes do final de novembro.

Bush não parece disposto a abrir mão do liberalismo econômico para aceitar uma regulamentação externa sobre as finanças dos EUA. Ele disse que não se pode abrir mão do livre mercado, da livre empresa e do livre comércio.

Sarkozy alegou que o mercado precisa de regras claras e transparentes para funcionar, enquanto Durão Barroso argumentou que é para uma crise global é necessária uma solução global.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Crise já atinge a China

O fechamento da fábrica de brinquedos da província de Cantão que dependia de exportações fali, deixando 6 mil trabalhadores desempregados, em um sinal de que a crise econômica global está chegando à China. Milhares de fábricas de brinquedos chinesas pararam de exportar.

Totalmente desamparados, alguns trabalharam declararam que na porta da fábrica fechada que não tinham nem para onde ir. Tinham imigrado do interior e dormiam no dormitório da empresa. Os planos de saúde e previdência social na China também são administrados pelas empresas.

Quando uma empresa quebra, o trabalhador chinês pode ficar sem ter onde dormir, sem plano de saúde, sem salário e sem previdência. O governo já entendeu que precisa de uma previdência social pública.

Talvez a crise seja um bom momento para se preparar contra choques econômicos externos, inevitáveis para um país que tem hoje mais da metade do produto interno bruto em comércio exterior.

Bolsa de Nova Iorque tem alta na semana

No final de uma semana errática marcada por oscilações selvagens de 1,6 mil no Índice Dow Jones, a Bolsa de Valores de Nova Iorque caiu 1,41%, mas terminou a semana com uma alta de 4,38%, a maior desde março de 2003.

É um sinal de que mesmo neste momento de profunda crise tem gente ganhando dinheiro no mercado de ações.

Suprema Corte rejeita pedido republicano

A Suprema Corte do Estados Unidos rejeitou um pedido do Partido Republicano para revisar o alistamento eleitoral do estado de Ohio, um dos campos de batalha da eleição de 4 de novembro.

Se a petição republicana fosse aceita, o partido poderia impugnar eleitores e usar isso para tentar evitar uma vitória do senador Barack Obama num estado-chave para a vitória.

Nenhum republicano chegou à Casa Branca na história recente sem ganhar em Ohio. Foi lá, na cidade de Toledo, fazendo campanha, que Obama encontrou um sujeito que se apresentou como Joe o Encanador e questionou sua política de corte de impostos.

A campanha republicana adorou a descoberto, mas logo foi revelado que o nome do cara era Samuel Joseph, ele não é encanador e não ganha nem perto de US$ 250 mil por ano, portanto seria beneficiado pelos cortes de impostos propostos por Obama.

Joe teve seus minutos de glória da mídia e talvez vire candidato. Mas a campanha republicana cometeu mais uma gafe.

Cristina Kirchner acena com protecionismo

Em encontro em que cobrou dos empresários que controlem preços e criem empregos, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, ofereceu em troca maior proteção do mercado argentino.

O país enfrenta uma inflação elevada, estava fora do mercado internacional de crédito antes da crise financeira global e os preços dos produtos primários que exporta, como a soja, andam em queda pela expectativa de redução da procura num mundo com crescimento menor e grandes economias em recessão.

A presidente alega que a economia real vai bem. A Argentina é uma grande produtora de alimentos e as pessoas não vão parar de comer, argumenta o governo. Mas o choque da crise, dependendo do tamanho, vai mostrar mais ou menos as falhas do modelo econômico kirchnerista.

Um economista que assessora o casal Kirchner declarou à imprensa argentina que é hora de aumentar os gastos públicos sem se preocupar com a inflação e o déficit público.

Consumidor americano tem menor confiança

O consumidor americano está mais pessimista do que em qualquer momento dos últimos 56 anos, desde que a Universidade de Michigan criou um índice econômico para avaliar a confiança do consumidor nos Estados Unidos, em 1952.

Com o agravamento da crise, a falência de bancos e o plano de US$ 700 bilhões do governo George W. Bush para salvar o sistema financeiro americano, a confiança do consumidor desabou. Ele tem medo de uma recessão longa e de ter de pagar a conta pela incompetência do governo e os erros do mercado financeiro.

Construção de casas cai nos EUA

A construção de casas novas nos Estados Unidos caiu 6,3% em setembro e 31% nos últimos 12 meses, caindo ao menor nível em 17 anos. E a concessão de alvarás para novas construções de moradia baixou 8,3% no mês passada e 38% nos últimos 12 meses, ficando no menor nível em 27 anos.

São sinais de que a recessão no setor habitacional se aprofunda. Essa queda na construção vai ajudar a diminuir o estoque de casas para venda, estimulando a recuperação da construção civil.

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Bolsa de Nova Iorque sobe em dia errático

As bolsas de valores caíram hoje no mundo inteiro, com a exceção de Nova Iorque, que subiu 400 pontos na última hora de negócios depois de oscilar o dia inteiro.

Com o mercado de olho na economia real, a Bolsa de Valores de Tóquio teve hoje o segundo pior dia de sua história. Foi a pior queda desde outubro de 1987. A Toyota, que disputa com a General Motors a liderança mundial na produção de automóveis, admitiu que o mercado piorou muito além do esperado.

Diante do colapso do mercado, o novo primeiro-ministro do Japão, Taro Aso, anunciou um plano de US$ 18 bilhões para retomar o crescimento da segunda maior economia do mundo.

Outras bolsas asiáticas também sofreram. Em Seul, na Coréia do Sul, a bolsa caiu 9,4% e a moeda, o uom, 9,7%.

Na China, Xangai e Hong Kong também fecharam com perdas.

Quando o governo dos EUA anunciou a queda na produção industrial, os mercados da Ásia estavam fechados. A notícia aprofundou a queda na Europa, que também enfrenta problemas na economia real. Na Espanha, os operários da Nissan protestaram contra 1.680 demissões na fábrica de Barcelona, que tinha 4,5 mil funcionários.

No final dos negócios do dia, Londres registrava queda de 5,6%, enquanto Frankfurt tinha baixa de 4,9% e Paris de 5,9%.

A Bolsa de Nova Iorque viveu um dos dias de maiores volatilidade de sua história. O Índice Dow Jones oscilou mais de 800 pontos, fechando com alta de 401 pontos (4,7%).

Na última hora e meia, houve uma alta espetacular movida pela especulação provocada pela queda dos preços do barril de petróleo para baixo de US$ 70 pela primeira vez em um ano e dois meses. A bolsa Nasdaq, de ações de empresas de alta tecnologia, subiu 5,5%.

O raciocínio é que, gastando menos com combustível, o consumidor americano terá mais dinheiro para comprar outras coisas.

Como a inflação de setembro foi zero, o mercado também espera um corte na taxa básica de juros, que já está em 1,5%. O problema é que juros a este nível foram a principal causa da bolha no mercado imobiliário. Uma nova bolha está em gestação.

FMI oferece US$ 14 bilhões à Ucrânia

A primeira-ministra Yulia Timochenko afirmou hoje que o Fundo Monetário Internacional (FMI) está pronto para oferecer um empréstimo de emergência para a Ucrânia enfrentar a crise financeira global, desde que o presidente Victor Iuvchenko desista de convocar eleições antecipadas.

Os dois foram aliados na Revolução Laranja, que contestou uma eleição fraudulenta em novembro de 2004. Depois, começaram a divergir e disputar o poder. A última ruptura foi conseqüência da invasão russa à ex-república soviética da Geórgia. Yushenko denunciou energicamente a agressão da Rússia, enquanto a primeira-ministra alegou que provocar Moscou seria contraproducente.

Suíça ajuda seus maiores bancos

O governo da Suíça anunciou hoje um investimento de 6 milhões de francos suíços, cerca de US$ 5,2 bilhões, em troca de 9,3% de participação acionária na União de Bancos Suíços (UBS). Também vai ajudar o banco Credit Suisse. São os dois maiores bancos do país.

"A confiança no banco UBS estava seriamente abalada" pela crise de crédito hipotecário iniciada nos Estados Unidos, justificou o presidente da Comissão Bancária da Suíça, Eugen Haltiner.

No último trimestre, os clientes sacaram US$ 72,8 bilhões da UBS, que negociou com o Banco Central da Suíça para retirar de seu balanço US$ 60 bilhões em títulos incobráveis.

Famintos do mundo são quase um bilhão

Os países ricos que colocaram mais de US$ 3 trilhões à disposição dos bancos para evitar um colapso do sistema financeiro internacional não são capazes de dar os US$ 30 bilhões pedidos pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentos (FAO).

Desde o início do ano, o total de pessoas ameaçada pela fome no mundo subiu 119 milhões por causa da inflação mundial nos preços dos alimentos nos últimos anos, que já começam a baixar por causa da crise econômica global. Mas o total de necessitados de ajuda de emergência chegou a 967 milhões, alerta a organização não-governamental britânica Oxfam (Comitê de Oxford para Alívio da Fome).

A crise de alimentos "força as pessoas a comerem menos e alimentos de menos qualidade, tira crianças da escola e obriga agricultores a migrarem do campo para a cidade, onde vão morar em favelas", adverte o relatório divulgado hoje, Dia Mundial da Alimentação.

Na Somália, os preços do trigo aumentaram 300% nos 15 meses até abril deste ano.

Em Nova Iorque, o relator especial da ONU sobre direito à alimentação, Oliver de Schutter, propôs a adoção de regras internacionais para a produção de biocombustíveis e o congelamento de investimentos para produção de biocombustíveis em grande escala para exportação, alegando que ameaça alguns dos países mais frágeis do mundo.

Schutter defendeu ainda a formação de estoques reguladores nacionais e internacionais para combater a especulação com os preços dos alimentos em função de problemas climáticos e quebras de safras. Assim, os países não precisariam recorrer ao mercado para alimentar suas populações necessitadas.

A Oxfam pede que a mesma determinação usada para resolver a crise financeira global seja aplicada no combate à fome.

Na reunião de cúpula sobre a crise de alimentos, realizada de 3 a 5 de junho deste ano na sede da FAO, em Roma, esta organização pediu US$ 30 bilhões para acabar com a fome. Ouviu promessas de US$ 12 bilhões. Até agora, só recebeu US$ 1 bilhão.

Sarkozy quer refundar o capitalismo

No final de uma reunião de cúpula de dois dias da União Européia, o presidente da França, Nicolas Sarkozy, anunciou que vai aos Estados Unidos para se encontrar com o presidente George Walker Bush na Casa Branca sábado. Seu objetivo é convocar uma conferência de cúpula mundial para realizar uma reforma profunda do sistema financeiro internacional.

Não é exatamente o que Bush vem dizendo. Ele afirmou que "o governo não quer substituir o mercado". Sarkozy, liberal demais para a oposição francesa, é considerado um estatista pelos conservadores da turma de Bush.

Os líderes europeus pediram ainda à Comissão Européia, órgão executivo da UE, que prepare até o final do ano planos para estimular a retomada do crescimento econômico.

Produção industrial dos EUA cai 2,8%

Em mais um indicador que aponta para uma recessão na maior economia do mundo, a produção industrial dos Estados Unidos caiu 2,8% em setembrou, depois de baixar 1% em agosto.

Além da crise econômica, contribuíram para a queda os furacões e uma greve na fábrica de aviões da Boeing, em Seattle.

CNN já prevê vitória de Obama

Se a eleição presidencial nos Estados Unidos fosse disputada hoje, o senador democrata Barack Obama estaria eleito, afirma a rede de televisão americana CNN com base nas pesquisas realizadas em estados-chaves.

Pela lei eleitoral dos EUA, depois da votação popular, o candidato mais votado em cada estado ganha um número de delegados proporcional ao eleitorado do estado. São esses grandes eleitores que escolhem o presidente num Colégio Eleitoral formado por 538 delegados. O vencedor precisa de 270 votos para conquistar a Casa Branca.

As últimas pesquisas dão uma vantagem de mais de dez pontos a Obama na Virgínia, que há 40 anos não dá vitória a um democrata, e no Colorado, que preferiu o candidato republicano nos últimos 16 anos.

O democrata também lidera na Flórida, onde a eleição de 2000 foi decidida a favor de George Walker Bush, em meio a fortes suspeitas de fraude porque Jeb Bush, irmão do então candidato republicano, era governador. Sem a Flórida, McCain não tem a menor chance.

McCain defende fim da sobretaxa ao álcool

Na única referência ao Brasil no último debate entre os candidatos à Presidência dos Estados Unidos, o senador republicano John McCain defendeu o fim do subsídio aos produtores de álcool de milho e da sobretaxa ao etanol de cana-de-açúcar importado do Brasil.

Seu rival, o senador democrata Barack Obama, é a favor do subsídio, que beneficia os produtores de milho do Meio-Oeste dos EUA.

Só falta agora o governo brasileiro torcer por uma vitória republicana, como fez com George W. Bush, com conseqüências catastróficas para o mundo inteiro.

De resto, sobre a América Latina, o debate apresentou um pequeno duelo em torno dos acordos de livre comércio negociados pelo governo Bush. McCain criticou Obama por ser contra o acordo firmado com a Colômbia, "nosso maior aliado na região". Pelos seus cálculos, poderia render US$ 1 bilhão a mais por ano em exportações para a Colômbia.

Obama alegou que há uma política de extermínio sistemático de sindicalista, por isso o acordo com o governo Álvaro Uribe, que não toma providências porque é aliado dos grupos paramilitares de direita, seria negativo para os direitos humanos. Ele defendeu o acordo firmado com o Peru, que teria cláusulas sociais e ambientais, como quer o Partido Democrata, que deve ampliar suas maiorias na Câmara e no Senado.

McCain parte para o ataque contra Obama

Com uma postura muito mais agressiva, o senador John McCain acusou agora há pouco seu adversário na corrida à Casa Branca, o senador democrata Barack Obama, de fazer uma campanha baseada na luta de classes para "distribuir a riqueza" que conseguir tomar do povo americano com mais impostos.

No terceiro e último debate desta reta final da campanha para a eleição de 4 de novembro, realizado na Universidade Hofstra, em Hempstead, no estado de Nova Iorque, Obama foi mais racional e ponderado, acusando McCain de querer cortar impostos só para os ricos e de não coibir as agressões de seus partidários.

McCain saiu-se melhor na primeira meia hora do debate, que durou uma hora e meia, mas se mostrou raivoso e irritado a partir do momento em que o democrata questionou-o por causa dos ataques pessoais contra si. Na última meia hora, Obama foi melhor, além de parecer mais presidenciável.

Em pesquisa da rede de televisão americana CNN, 58% deram a vitória a Obama e apenas 31% a McCain, que perde assim a última grande chance de reverter a vantagem do candidato democrata.

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Bolsa de Tóquio cai mais 11%

Depois das fortes quedas de ontem na Europa e nos Estados Unidos, por causa da ameaça de uma recessão prolongada, o Índice Nikkei, que mede o desempenho das 225 principais ações da Bolsa de Valores de Tóquio registrou queda de 9,6% na manhã de hoje.

No final do pregão, a queda foi a 11%.

Petróleo cai ao menor preço em 13 meses

Diante da expectativa de queda do consumo com a recessão nos países ricos, o preço do barril de petróleo caiu para US$ 73,60.

Fed admite fraqueza econômica em todos os EUA

O último relatório da Reserva Federal (Fed), o banco central dos Estados Unidos, constata que a atividade econômica é fraca em todas as regiões do país.

Em palestra no Clube de Economia de Nova Iorque, o presidente do Fed, Ben Bernanke, admitiu que a estabilização do mercado é apenas o primeiro passo. A recuperação econômica vai exigir muito mais tempo.

Bolsas voltam a desabar no mundo inteiro

Duas más notícias - a queda do consumo nos Estados Unidos e da importação de aço pela China - deflagaram nova queda forte nas bolsas de valores do mundo inteiro.

Na Ásia, a Bolsa de Tóquio subiu 1,15, mas Hong Kong caiu 5% e Xangai 0,9%. Quando os mercados da Europa já estavam abertos, veio a informação de que os consumidores americanos gastaram 1,2% menos em setembro, mais um sintoma da recessão inevitável nos países ricos.

Era o que faltava para o mercado desabar. No encerramento dos negócios do dia na Europa, a Bolsa de Londres baixou 7,1%, Frankfurt 6,5% e Paris 6,8%.

A situação foi ainda pior em Nova Iorque, que teve a segunda pior queda em pontos de sua História: 733. A maior tinha sido na sexta-feira: 936 pontos.

Em São Paulo, a bolsa brasileira perdeu 11,39%.

Responsável por um terço do crescimento mundial neste ano, a China é a grande esperança de que a economia mundial não caia em recessão. Mas um diretor da mineradora Rio Tinto, a maior do mundo, enregelou ainda mais os investidores ao prever que o mercado chinês ficará parado neste final de ano.

Krugman quer plano de estímulo econômico

Em seu blog no site do jornal The New York Times, o economista Paul Krugman, ganhador do Prêmio Nobel de Economia deste ano, colocou hoje um gráfico sobre a queda do consumo nos Estados Unidos e previu uma recessão prolongada, se os governos dos países ricos não adotarem planos de estímulo ao crescimento.

A simples estabilização dos mercados financeiros não basta, adverte Krugman. Sem um forte incentivo, os Estados Unidos e a Europa caminham para uma recessão longa e profunda.

Queda de consumo nos EUA indica recessão

As vendas no varejo nos Estados Unidos caíram 1,2% em setembro, mais uma indicação de que a maior economia do mundo entrou em recessão. Também houve queda da inflação no atacado, atribuída à redução dos preços do petróleo.

Obama dispara em nova pesquisa

Em pesquisa do jornal The New York Times e da rede de televisão CBS, o senador democrata Barack Obama disparou na corrida à Casa Branca, atingindo 53% das preferências dos eleitores contra 39% para o senador republicano John McCain.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Bolsa de Nova Iorque volta a cair

O plano do governo dos Estados Unidos para comprar ações de bancos e instituições financeiras no valor de US$ 250 bilhões não animou os investidores americanos. A Bolsa de Valores de Nova Iorque voltou a cair hoje, ainda que apenas 0,8%.

Antes da abertura do mercado, o presidente George Walker Bush anunciou mais uma mudança no plano de combate à crise: "Primeiro, o governo federal vai usar parte dos US$ 700 bilhões do plano de resgate financeiro para injetar capital nos bancos através da compra de ações. Este capital novo vai ajudar os bancos saudáveis a continuarem fazendo empréstimos a empresas e consumidores e os bancos com problemas a cobrir as perdas que tiveram durante a crise, para que possam voltar a dar empréstimos que gerem empregos e crescimento econômico".

Bush admitiu que será necessário esperar algum tempo para que o plano de salvação do setor financeiro dê resultado.

O secretário do Tesouro, Henry Paulson, pediu desculpas ao povo americano por romper com a ideologia neoconservadora que domina o pensamento do Partido Republicano desde os governos de Ronald Reagan (1981-89), fazendo a maior intervenção econômica da História dos EUA desde a Grande Depressão (1929-39): "Hoje, estamos tomando medidas decisivas para proteger a economia dos EUA. Lamentamos ter de adotar estas ações. Não é o que queríamos fazer mas o que devemos fazer para restaurar a confiança em nosso sistema financeiro".

Em uma reunião de emergência segunda-feira à noite, o governo forçou os bancos a aceitarem o remédio amargo. Imediatamente, nove bancos vão receber US$ 125 bilhões em investimentos públicos. O Citigroup, o J P Morgan Chase, o Bank of America e o Wells Fargo terão US$ 25 bilhões cada. O Goldman Sachs e o Morgan Stanley, os dois únicos bancos de investimento sobreviventes na Wall Street, terão US$ 10 bilhões cada.

Já o presidente da Reserva Federal (Fed), o banco central dos EUA, Ben Bernanke, informou que o Fed vai logo começar a comprar títulos da dívida das empresas financeiras em dificuldades.

A Bolsa de Valores de Nova Iorque abriu em alta de 300 pontos, depois de fortes altas na Ásia e na Europa. Mas logo o mercado começou a desviar sua atenção para o gigantesco desequilíbrio macroeconômico que os planos trilionários vão provocar nas contas públicas dos países ricos, e nos danos para a economia real.

Os setores ligados ao consumo e a alta tecnologia lideraram a queda da bolsa, que terminou o dia em queda de 0,8% porque os investidores estão convencidos de que, se o plano parece capaz de evitar um desastre, não será capaz de evitar uma profunda recessão, com queda de produção e consumo, falência de empresas e desemprego.

Milionário dos games vai ao espaço

A crise não abateu a ousadia dos milionários americanos. Hoje, a nave soviética Soyuz se acoplou à estação espacial internacional levando o milionário americano Richard Garriott, um filho de astronauta que fez fortuna com videogames e pagou US$ 30 milhões pela viagem.

Obama amplia vantagem em estados-chaves

A 21 dias da eleição presidencial nos Estados Unidos, o senador Barack Obama abriu vantagens confortáveis, de mais de 10 pontos percentuais, em quatro estados-chaves para a vitória no Colégio Eleitoral, onde votam representantes dos estados, sendo que o vencedor leva todos os delegados de cada estado.

Em Michigan, Colorado, Minnesotta e Wisconsin, Obama praticamente garantiu a vitória, a não ser que haja algo excepcional até 4 de novembro. O senador republicano John McCain abandonou a campanha em Michigan, entregando os pontos.

EUA têm US$ 250 bilhões para comprar ações

Em uma reunião de emergência no Departamento do Tesouro dos Estados Unidos com os maiores bancos do país, ficou definido que o governo vai comprar ações preferenciais para salvar as empresas do setor financeiro.

Dos US$ 700 bilhões autorizados pelo Congresso na Lei de Estabilização Financeira, US$ 250 bilhões devem ser usados no modelo do plano adotado na Europa sob influência do primeiro-ministro britânico, Gordon Brown.

Bolsa de Tóquio sobe 13%

Na onda da recuperação das bolsas no mundo inteiro, Tóquio, onde o mercado ficara fechado ontem por ser feriado no Japão, operou em alta de mais de 13%.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Saldo comercial da China bate novo recorde

Apesar da crise financeira global, o saldo comercial da China bateu recorde no mês de setembro, chegando a US$ 29,3 bilhões.

Ignorando a crise, tanto as exportações quanto as importações chinesas subiram mais de 21%. O saldo total acumulado este ano já passa de US$ 180 bilhões.

Trilhões da Europa levantam bolsas de valores

Depois de uma reunião de cúpula ontem em Paris entre os 15 países que adotam o euro como moeda, hoje os países europeus anunciaram um a um os detalhes de seu plano para sustentar o sistema financeiro, num total estimado pelo jornal inglês Financial Times em 1,873 trilhão de euros (US$ 2,546 trilhões).

O governo britânico, que mantém a libra, começou hoje a investir nos quatro maiores bancos do país - Lloyds, Royal Bank of Scotland, Halifax Bank of Scotland e Barclays - US$ 60 bilhões e vai passar a ter votos na direção de todos.

Em discurso para executivos no centro financeiro de Londres, o primeiro-ministro Gordon Brown defendeu a reforma do sistema financeiro internacional para criar uma supervisão global baseada nos princípios de transparência, integridade, responsabilidade e colaboração além das fronteiras nacionais.

Brown propôs a convocação de uma conferência mundial como a de 1944 em Bretton Woods, nos Estados Unidos, que criou a ordem econômica mundial pós-1945, fundando o Fundo Monetário Internacional e o Banco Mundial. É hora de redefinir a ordem econômica internacional no mundo globalizado

A Alemanha, maior economia da Europa, vai aplicar 80 bilhões de euros, cerca de US$ 110 bilhões e dar garantias e empréstimos no valor de mais US$ 545 bilhões para restaurar a confiança nos mercados, anunciou a primeira-ministra Angela Merkel.

"Esse meio trilhão não será necessariamente usado", observou o ministro das Finanças alemão, Peer Steinbrück, "só em caso de problemas no mercado interbancário".

Merkel declarou que "é papel do Estado numa economia social de mercado garantir a ordem e combater os abusos do mercado".

Na França, o presidente Nicolas Sarkozy revelou que o governo vai investir diretamente o equivalente a US$ 55 bilhões para recapitalizar os bancos franceses, além de dar garantias e linhas especiais de crédito no valor equivalente em euros e US$ 435 bilhões.

Sarkozy explicou que é uma crise sem precedentes, onde só os governos e bancos centrais têm poder para acalmar o mercado.

Nos Estados Unidos, o presidente George Bush recebeu o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, na Casa Branca. Bush agradeceu à Europa por "tomar medidas ousadas para capitalizar os bancos, fortalecer os sistemas financeiros e descongelar os mercados de crédito.

O teste será nesta terça-feira. Hoje era feriado nos EUA, o Dia de Colombo, uma homenagem à Descoberta da América pelo europeus. O mercado estará de olho no setor de crédito interbancário.

Paul Krugman ganha Nobel de Economia 2008

Um dos maiores críticos do governo George W. Bush, o economista americano Paul Krugman, professor da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, foi agraciado hoje com o Prêmio Nobel de Economia 2008. Autor de vários livros importantes de economia,

Sua reação inicial foi: "Estou um pouco menos aterrorizado hoje do que estava na sexta-feira", referindo-se à crise mundial. Mais tarde, em Princeton, Krugman disse que realmente acreditava que este dia chegaria, mas não hoje.

Colunista do jornal The New York Times, Krugman sugeriu hoje que o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, salvou o mundo, ao aplicar um plano anticrise baseado na compra pelo Estado de participação acionária nas empresas que vai ajudar. Neste caso, poderá vender as ações no futuro, caso essas empresas se recuperem, e assim recuperar o dinheiro público.

Na verdade, é uma nova versão do plano que tirou a Suécia de uma crise financeira no início dos anos 90.

Krugman critica a proposta do secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, que pretendia comprar ativos podres para limpar as instituições financeiras sem que o Estado assumisse a responsabilidade por elas. Mas só a garantia do Estado é capaz de restaurar a confiança nos bancos.

Por preconceito ideológico, o governo Bush não queria intervir diretamente no mercado comprando ações de empresas. Mas é uma solução muito melhor do que comprar títulos que não valem nada, o que equivaleria a dar dinheiro de graça a bancos e financeiras.

O governo compra uma participaçãp para reforçar o capital das empresas, entra com o dinheiro comprando ações que depois pode vender para sair do mercado e recuperar o dinheiro público. A proposta é essa e já funcionou na Suécia.

Brown encontrou o caminho e foi reconhecido pelo Nobel de Economia. Ressuscitou seu governo.

A propósito, depois de ver Pedro Bial comentando no Jornal da Globo que Krugman é um keynesiano, da corrente de economistas que seguem o pensamento de Lorde John Maynard Keynes, que antes de morrer lamentou não ter tomado mais champanhe, me lembrei que já tomei champanha com Paul Krugman.

No final de 1998, no auge das crises da Ásia e da Rússia, o real ameaçava desabar e o governo Fernando Henrique Cardoso temia a volta da inflação. Krugman, cotadíssimo porque fora o único a prever a crise asiática, falou na Lancaster House. Fui assisti-lo para tentar fazer pelo menos uma pergunta sobre a situação brasileira. Sabia que ele era um observador atento do plano de estabilização econômica".

A oportunidade veio na hora do champanhe. "Eles têm de se aferrar a suas armas", disse Krugman ("They have to stick to their guns"). Ou seja: o governo deveria insistir na estratégia adotada até então, de defesa de moeda, mesmo que isso terminasse torrando metade das reservas e se revelando inútil.

Reino Unido assume controle de bancos

Os quatro grandes bancos britânicos - Lloyds, Royal Bank of Scotland, Halifax Bank of Scotland e Barclays - devem anunciar hoje de manhã, antes da abertura da Bolsa de Valores de Londres que vão aceitar a ajuda do governo, que vai investir 50 bilhões de libras, cerca de US$ 87 bilhões, para salvar o sistema bancário do país.

Em dois destes bancos - o RBS e o HBoS -, o governo britânico terá o controle acionário. As ações do RBS caíram 80% com a crise financeira global.

UE quer conferência mundial sobre finanças

Depois da estabilização do mercado, a União Européia quer convocar os Estados Unidos para uma grande conferência internacional destinada a regulamentar o sistema financeiro em escala global para prevenir crises como a atual.

Os 15 países da zona do euro decidiram ontem garantir os depósitos bancários e a liquidez dos seus sistemas financeiros para combater a crise financeira global. Hoje cada país deve apresentar seu próprio plano.

domingo, 12 de outubro de 2008

Ofensiva talebã causa morte de 100 rebeldes

Uma ofensiva da Milícia dos Estudantes (Talebã), para tomar a cidade de Lachkar Gah, na província de Helmand, no Sul do Afeganistão foi duramente repelida pelo Exército afegão, com o apoio de forças britânicas. Os primeiros relatos dão conta de que cerca de 100 rebeldes foram mortos.

Estado volta ao comando da economia

Depois de quase três décadas de idolatria do mercado, o Estado está de volta ao controle das decisões econômicas.

As principais bolsas de valores do mundo podem cair mais 20% nas próximas semanas, levando a uma quebradeira generalizada de empresas e ao "derretimento" do mercado financeiro, advertiu no sábado, 11 de outubro, em Washington, o diretor-geral do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Kahn.

O FMI já alertou que mundo está à beira de uma recessão. Strauss-Kahn, ex-ministro das Finanças da França, reconhece que são necessárias rapidez, força e cooperação para superar a crise financeira global. Pela estimativa do FMI, o prejuízo da crise já chega a US$ 1,4 trilhão. Os bancos precisam de US$ 685 bilhões para se recapitalizar.

Se a crise se agravar nas próximas semanas ou meses, as falências serão inevitáveis e com isso haverá demissões em massa e a crise vai realimentar, com risco de uma depressão mundial.

Os líderes politicos têm pouco tempo para encontrar uma solução. Foi um fim de semana marcado por reuniões do Grupo dos Sete (países mais ricos do mundo, menos a China) e do Grupo dos Vinte, que reúne as 20 maiores economias do mundo, e da União Européia.

No domingo, os 15 países da UE que adotam o euro concordaram em garantir os depósitos bancários até o final de 2009, numa tentativa de ancorar o sistema financeiro. O primeiro-ministro da Austrália, Kevin Rudd, deu garantia semelhante por três anos.

Já na sexta-feira, quando as bolsas da Ásia, da Europa e dos EUA terminavam a pior semana de sua história, com perdas de US$ 6 trilhões, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, anunciara que o G-7 (EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá) se compromete a adotar "todas as medidas necessárias para desbloquear o crédito e o mercado de dinheiro".

Durante reunião em Washington, antes da reunião anual do FMI e do Banco Mundial, o G-7 também destacou a necessidade de desbloquear o crédito hipotecário (para compra de casa própria), origem da pior crise financeira desde a Grande Depressão (1929-39), e de restaurar a confiança nos bancos.

Paulson revelou ainda que o governo americano vai comprar ações para estabilizar o mercado financeiro. Vai se tornar sócio das empresas em dificuldades para que elas tenham uma garantia extra.

Em entrevista em Washington , o secretário do Tesouro explicou que o objetivo não é aumentar a participação do governo na economia mas encorajar o capital privado a acreditar nas instituições financeiras e contribuir para sua recapitalização.

No momento, o mercado não tem muito estômago para bancos.

O mercado de crédito está paralisado porque os bancos não emprestam entre si porque desconfiam da saúde financeira dos outros bancos. Em meio a uma crise de tais proporções, ninguém vai tirar o dinheiro do seu caixa para emprestar para alguém que pode quebrar amanhã e não pagar a dívida.

Sem crédito, quem tem pagar dívidas e cobrir prejuízos é forçado a vender ações por qualquer preço, já que quase ninguém quer comprar.

A única maneira dos bancos voltarem a emprestar dinheiro é com a garantia do Estado. Na prática, o sistema financeiro dos países ricos está sendo estatizado. Foi o modelo adotado na Suécia nos anos 90 contra uma crise financeira iniciada, como nos EUA, no setor imobiliário.

No Reino Unido, é a formula adotada pelo governo Gordon Brown para tentar salvar o centro financeiro de Londres, um dos maiores do mundo. O governo britânico vai investir diretamente US$ 87 bilhões nos bancos, além de gar garantias de crédito e linhas de crédito especiais no valor total de US$ 700 bilhões.

O valor é o mesmo do pacotão americano. Mas tem uma grande diferença. Nos EUA, o governo poderia gastar US$ 700 bilhões sem resolver o problema nem ter condições de se pagar. Desde sexta-feira, o plano mudou e o Estado entrou diretamente como sócio das empresas a serem beneficiadas. Na proposta britânica, a maior parte do dinheiro é empréstimo ou garantia. Não será necessariamente desembolsado.

É mais um tabu do capitalismo liberal derrubado pelo pragmatismo exigido pela crise. Sem o Estado, o mercado não funciona. Está sujeito a colapsos de conseqüências catastróficas.

FMI alerta para "derretimento" do setor financeiro

As principais bolsas de valores do mundo podem cair mais 20% nas próximas semanas, levando a uma quebradeira generalizada de empresas e ao "derretimento" do mercado financeiro, alertou ontem em Washington o diretor-geral do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Kahn.

sábado, 11 de outubro de 2008

GM negocia fusão com a Chrysler

Depois de se aproximar da Ford sem sucesso, a General Motors admitiu esta semana ter se aproximado da Chrysler para examinar a possibilidade de uma fusão entre duas das chamadas três irmãs de Detroit.

A antes toda-poderosa indústria automobilística dos Estados Unidos enfrenta séria crise e acaba de ganhar uma ajuda de US$ 25 bilhões do governo para modernização tecnológica.

EUA tiram Coréia do Norte de lista de terrorismo

Em um gesto para tentar resgatar o acordo de desnuclearização da Coréia do Norte, os Estados Unidos retiraram o regime comunista norte-coreano da lista do Departamento de Estado de países que apóiam o terrorismo.

Em troca, o governo de Pionguiangue vai permitir inspeções de suas instalações nucleares.

Líder neonazista austríaco morre em acidente

O líder neonazista austríaco Jörg Haider morreu esta noite em um acidente de automóvel no estado que governava, a Caríntia.

Haider tinha 58 anos. Morreu de lesões na cabeça e no peito quando seu carro capotou várias vezes depois de sair da estrada perto da cidade de Klagenfurt, no sul da Áustria. A polícia informou que ele viajava sozinho.

No ano 2000, ele levou o ultra-direitista Partido da Liberdade ao poder. Depois de conseguir 27% da votação com um discurso racista contra imigrantes, formou uma coligação com o conservador Partido Liberal, provocando indignação generalizada, especialmente na União Européia, que impõs um bloqueio parcial à Áustria.

Uma derrota do partido de Haider em 2002 resolveu o problema.

Em 2005, Haider rompeu com o Partido da Liberdade para criar a Aliança para o Futuro da Áustria, que obteve 11% dos votos nas eleições recentes, enquanto o Partido da Liberdade teve 18%. Isso significa que a ultradireita chegou a quase 30%.

Os partidos ainda estão negociando a formação do próximo governo. É mais provável que continue no poder uma grande aliança entre o conservador Partido Liberal e o Partido Social-Democrata. Mas o avanço da extrema direita é assustador e a morte de Haider não altera muito esse quadro.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Sarah Palin é acusada de abuso de poder

Uma comissão de inquérito da Assembléia Legislativa do Alasca conclui que a governadora Sarah Palin, candidata a vice-presidente pelo Partido Republicano, abusou de poder para demitir o ex-genro, que trabalhava na polícia estadual.

O relatório de 263 páginas reconhece que, como governadora, Palin tinha o direito de demitir o comissário de segurança pública Walt Monegan, afastado por se negar a demitir o patrulheiro estadual Michael Wooten. Mas denuncia a vice da chapa republicana por abuso de poder e violação do código de ética do Alasca por fazer pressão e permitir que seu marido e outros subordinados forçassem a demissão do ex-marido de sua irmã, de quem Wooten se divorciara em 2005.

"Esses contatos inadmissíveis repetidos criaram conflitos de interesses para subordinados que teriam de escolher entre agradar a um superior ou correr o risco de enfrentar a insatisfaçãodo chefe com todas as suas conseqüências", acusa o relator.

Imediatamente a campanha do senador John McCain à Casa Branca declarou em nota que a investigação foi manipulada por motivos partidários.

Escândalo derruba ministério no Peru

O presidente Alan García aceitou hoje a demissão coletiva do ministério para tentar conter o escândalo de suborno de altos funcionários do governo Peru por uma empresa norueguesa que ganhou concessões para exploração de petróleo.

No domingo passado, a televisão peruana divulgou uma gravação telefônica entre um agente da empresa e o então ministro da Energia, Romulo León, em que este sugeria que o primeiro-ministro demissionário Jorge del Castillo sabia da propina.

Com a popularidade em queda livre, García anulou o contrato, demitiu Romulo León e o presidente da empresa estral PetroPerú e ordenou a prisão dos dois. Mas o presidente e o partido do governo, a Aliança Popular Revolucionária Americana (Apra), saíram chamuscados desse escândalo de corrupção.

Paulson anuncia plano do G-7 contra crise

O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Henry Paulson, anunciou agora à noite que o Grupo dos Sete (EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá) se comprometeu a adotar "todas as medidas necessárias para desbloquear o crédito e o mercado de dinheiro".

Durante reunião em Washington, antes da reunião anual do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial, o G-7 também destacou a necessidade de desbloquear o crédito hipotecário (para compra de casa própria), a origem da pior crise financeira desde a Grande Depressão (1929-39), e de restaurar a confiança nos bancos.

Paulson revelou ainda que o governo americano vai comprar ações para estabilizar o mercado financeiro.

Em entrevista em Washington no início da noite, o secretário do Tesouro explicou que o objetivo não é aumentar a participação do governo na economia mas encorajar o capital privado a acreditar nas instituições financeiras e contribuir para sua recapitalização.

No momento, o mercado não tem muito estômago para bancos.

Índice Dow Jones tem pior semana da história

Foi um pregão errático. Depois das fortes baixas na Ásia e na Europa, a Bolsa de Valores de Nova Iorque caiu 700 pontos na abertura para depois subir até 300 pontos positivos. No final do dia, o Índice Dow Jones perdeu 128 pontos ou 1,4%, fechando a pior semana em 112 anos, desde que o índice foi criado, com queda de 18%.

A explicação é que, diante do colapso do mercado de crédito, paralisado para falta de confiança entre os bancos, os investidores são obrigados a vender ações para cobrir suas posições e dívidas em outros negócios.

Como ninguém quer comprar porque há uma sensação de que ainda não chegou a crise ainda não chegou ao fundo do poço, quem quer vender é obrigado a aceitar qualquer preço. Isso explicaria a queda das ações, além do medo generalizado de uma recessão na América do Norte e na Europa, que parece cada vez mais inevitável com a crise de crédito e a paralisia econômica que ela provoca.

Esses fatores se alimentam e a crise vai piorando. No momento, os governos dos países do Grupo dos Sete (EUA, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá) procuram uma solução a ser anunciada neste fim de semana, na reunião anual do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial, em Washington.

Os governos estão assumindo o controle do sistema financeiro para fazerem empréstimos com total garantia e assim voltar a movimentar o mercado de crédito, essencial para a produção, circulação e venda de produtos e serviços. Terão participação acionária e tudo mais.

É a volta do keynesianismo do pós-guerra.

Ex-presidente finlandês ganha Nobel da Paz

O ex-presidente da Finlândia Martti Ahtisaari ganhou hoje o Prêmio Nobel da Paz 2008 por seus esforços como mediador de negociações de paz na Namíbia, Bósnia-Herzegovina, Kossovo, Irlanda do Norte e na província indonésia de Ace.

Ahtisaari fez "grandes esforços pela paz em três continentes durante três décadas", declarou o Comitê Norueguês do Prêmio Nobel, ao justificar a premiação.

Em sua casa, em Helsinque, Ahtisaari declarou ser uma honra receber o prêmio que já foi dado a ídolos dele como o ex-presidente sul-africano Nelson Mandela.

Bolsas da Europa abrem em forte queda

Depois das fortes baixas de ontem em Nova Iorque e de hoje na Ásia, as bolsas de valores da Europa iniciaram suas operações em queda acentuada.

A explicação dos analistas é que agentes econômicos endividados precisam vender suas ações para pagar dívidas, diante da paralisia do mercado de crédito. Oferecem suas ações a qualquer preço porque precisam do dinheiro. Como do outro lado não há compradores interessados, já que há o medo de que as ações caiam ainda mais, o preço baixa mais ainda.

Bolsa de Tóquio teve pior semana da história

A Bolsa de Valores de Tóquio abriu em queda de mais de 10%, passou de 11% e fechou em -9,6%. Teve a pior semana de sua história, com queda acumulada de 24%. Outros mercados da Ásia também tiveram pesadas perdas.

Cingapura tornou-se a segunda economia da região da Ásia e do Pacífico a entrar em recessão, depois da Nova Zelândia.

Só o ouro, a prata e o iene japonês subiram hoje na Ásia, sinal de que os japoneses estão botando o dinheiro debaixo do colchão.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Ministério do Peru pede demissão coletiva

Todo o ministério do Peru colocou seus cargos à disposição do presidente Alan García em meio a um escândalo de corrupcão envolvendo o primeiro-ministro Jorge del Castillo com suborno dado por uma empresa da Noruega interessada em concessão para explorar petróleo no país.

O país está em crise desde que foram divulgadas gravações comprometendo agentes públicos e do partido do presidente, a Aliança Popular Revolucionária Americana (Apra).

Milhares de trabalhadores protestaram marchando pelo centro de Lima para manifestar sua indignação com o governo García, que está no seu nível de popularidade mais baixo.

Bolsas voltam a desabar no mundo inteiro

Diante do temor cada vez maior de uma recessão mundial, as bolsas de valores voltaram a cair nos principais mercados nesta quinta-feira. Em Nova Iorque, o Índice Dow Jones perdeu 7%. Foi a maior queda desde 1987.

Na Ásia, as bolsas abriram em alta por causa do corte coordenado de juros feito na véspera pelos bancos centrais mais importantes do mundo. Mas a notícia de que as encomendas de máquinas industriais no Japão caíram ao nível mais baixo em dois anos reforçou a sensação de que as fábricas se preparam para produzir menos.

A Bolsa de Tóquio virou para o território negativo, com o Índice Nikkei das 225 ações mais importantes registrando queda de 0,5% no final do pregão. Hong Kong teve alta de 3,3%.

Na Europa, as principais bolsas seguiram a onda vinda da Ásia. Abriram em alta e fecharam em baixa.

O mesmo se repetiu em Wall Street. Só que nos EUA o mercado passou a olhar para a economia real. Um de cada seis compradores de casas tem uma dívida maior do que o valor atual do imóvel por causa da desvalorização provocada pela crise. O volume das dívidas incobráveis dobrou.

Com grandes perdas das fábricas de automóveis, a Bolsa de Nova Iorque caiu 678,91 pontos, um resultado pior do que depois dos atentados de 11 de setembro de 2001.

Francês ganha Prêmio Nobel de Literatura

O escritor francês Jean-Marie Gustave Le Clezio ganhou hoje o Prêmio Nobel de Literatura 2008 e uma quantia equivalente a US$ 1,4 milhão.

Ao fazer o anúncio, em Estocolmo, a Academia Sueca descreveu Le Clezio como um "nômade" pelas obras escritas com base em suas viagens pelo mundo: "Ele é um grande escritor que atravessou diferentes estágios de desenvolvimento e incluiu em sua obra outras civilizações, outras maneiras de pensar, outros modos de vida além dos ocidentais", declarou o secretário geral da academia, horace Engdhal.

Le Clezio é o primeiro francês a ganhar o Nobel de Literatura desde Claude Simon, em 1985. Ele nasceu em 1940 e lançou seu primeiro livro, O Processo Verbal, em 1963.

Em uma entrevista na Editora Gallimard, em Paris, onde falou em francês, inglês e espanhol, o escritor declarou estar "muito feliz. Sinto uma grande emoção porque realmente não esperava".

Ele negou que haja um declínio da língua francesa: "Não vejo esse declínio. Gosto muito da literatura francesa. O francês é uma língua muito bonita e a literatura francesa é muito rica, então nunca tive nenhuma sensação de declínio. Não penso que só possa falar em declínio com uma história tão rica, com tantas correntes. Hoje eu vejo uma grande renovação em todos os países francófonos, inclusive na própria França".

FMI vê mundo à beira de recessão

O mundo está à beira de uma recessão, reconheceu hoje em Washington o diretor-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), Dominique Strauss-Kahn, ex-ministro das Finanças da França. Ele disse que é preciso rapidez, força e cooperação para superar a crise financeira global.

Strauss-Kahn advertiu que ninguém está imune à crise: "Nossa visão é que esta é uma situação muito séria. Todos os países devem estar envolvidos na solução porque todos estão sendo atingidos pelos problemas, não apenas os países desenvolvidos".

Na sua opinião, pior será sair da crise acreditando que tudo poderá voltar ao que era antes, sem uma profunda reforma do sistema financeiro internacional.

Pela estimativa do FMI, o prejuízo da crise já chega a US$ 1,4 trilhão. Os bancos precisam de US$ 685 bilhões para se recapitalizar.

Economistas dizem que EUA estão em recessão

Em pesquisa realizada pelo jornal americano The Wall Street Journal, porta-voz do centro financeiro de Nova Iorque, os 52 economistas ouvidos concordaram que a maior economia do mundo encolheu no trimestre passado e vai continuar diminuindo nos próximos dois.

A recuperação nos Estados Unidos só recomeçaria no segundo trimestre do próximo ano.

BCE dá crédito sem limite para salvar bancos

O Banco Central da Europa decidiu hoje oferecer crédito ilimitado aos bancos para impedir o agravamento da crise financeira global.

Como os bancos estão com medo de emprestar dinheiro para outros bancos, a taxa para operações interbancárias conhecida como Euribor chegou hoje a 5,512%. Isto anulou o efeito do corte de meio por cento na taxa básica de juros dos 15 países que adotam o euro como moeda de 4,25% para 3,75% ao ano.

Além do colapso do sistema bancário da Islândia, o primeiro país a afundar na crise financeira global, os governos da Bélgica, França e Luxemburgo se uniram hoje para garantir a sobrevivência do banco Dexia.

No Congresso da Itália, o ministro das Finanças garantiu que o governo Silvio Berlusconi não vai permitir a falência de nenhum banco.

Ainda há uma expectativa do mercado de que a Alemanha e a França adotem medidas de proteção do sistema financeiro como fizeram o Reino Unido e a Itália. Mas agora todos se voltam para a reunião anual do Fundo Monetário Internacional neste fim de semana em Washington de onde se esperam medidas coletivas para vencer a crise financeira global.

Islândia afunda em meio a crise

Uma pequena ilha perdida no topo da Cordilheira Interoceânica ameaça afundar na crise financeira global que engolfa o planeta.

A Islândia foi obrigada a nacionalizar o maior banco do país, depois de ter estatizado o segundo e o terceiro. Assumiu assim amplo controle do sistema financeiro para evitar um colapso da economia desta ilha que não faz parte da União Européia e assim está perdida ao jogo de forças maiores que sacodem grandes economias atlânticas na Europa e nos Estados Unidos.

O colapso do banco Laupthing foi causado pela abertura de um processo pelo governo britânico para recuperar US$ 35 bilhões que cidadãos do Reino Unido teriam depositado via internet em agências de bancos islandeses no país.

A pedido do primeiro-ministro Gordon Brown, o governo congelou bens de empresas finlandesas no Reino Unido para devolver o dinheiro de cidadãos, governos municipais, departamentos de polícia e até da Autoridade de Transportes da Grande Londres, que tinha US$ 69 milhões.

Só que a diminuta Islândia, uma ilha de 300 mil habitantes, não tem como pagar a dívida de um sistema bancário inflacionado, com atividades muito além das suas fronteiras e possibilidades.

Nos últimos anos, o país teve grande prosperidade. Agora, está falido. Já pediu ajuda à Rússia e à Suécia. Mas o credor Gordon Brown bate na porta nesta sexta-feira.

Reino Unido investe US$ 87 bilhões em bancos

O governo britânico lançou ontem seu pacote anticrise, que inclui US$ 87 bilhões em investimentos diretos no sistema financeiro, garantias de crédito e linhas de financiamento especial, num total estimado em cerca de US$ 700 bilhões.

Ao fazer o anúncio ontem na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, em Londres, o primeiro-ministro Gordon Brown revelou ainda que o Banco da Inglaterra acabara de cortar sua taxa básica de juros de 5% para 4,5% ao ano, em ação coordenada com os principais bancos centrais do mundo.

É um plano ao estilo americano, muito importante porque Londres é o principal centro financeiro da Europa. Sua posição estaria ameaçada.

O Reino Unido, assim como os Estados Unidos, também teve uma bolha no mercado imobiliário, o que acentuou o impacto da crise.

Escândalo do leite atinge 94 mil crianças chinesas

Cerca de 10,7 mil crianças chinesas estão hospitalizadas com pedras nos rins e outros problemas depois de terem tomado leite contaminado com melamina. Essa substância é usada na fabricação de plásticos e, neste escândalo, para fraudar exames de qualidade do leite.

Os últimos números divulgados pelo governo da China elevam para 94 mil o total de crianças doentas por causa do leite adulterado. Oito estão em estado grave. Quatro morreram.

BB: "Palin é mais perigosa que qualquer animal"

Um mito do cinema investe contra a pitbull de batom.

Em carta aberta, a ex-atriz francesa Brigitte Bardot, musa dos anos 60, hoje presidente de uma associação de defesa dos direitos dos animais, atacou a governadora Sarah Palin, candidata a vice-presidente dos Estados Unidos, chamando-a de "uma desgraça para as mulheres".

BB saiu atirando: "Espero que você perca esta eleição porque será uma vitória para o mundo".

Em seguida, atacou de militante ecológica: "Ao negar a responsabilidade do homem pela mudança climática, ao concordar com o direito de usar armas e usar argumentos desconcertantemente estúpidos, você se converte em uma desgraça para as mulheres e representa uma ameaça terrível, uma verdadeira catástrofe ambiental."

Ela também criticou a proposta da governadora de explorar petróleo no Alasca, ameaçando a reserva natural do Ártico, habitat natural do urso polar. "Isto mostra sua absoluta falta de responsabilidade e incapacidade para proteger ou simplesmente respeitar a vida animal".

Finalmente protestou contra a comparação que o Furacão Sarah fez de si mesma com uma pitbull de batom: "Imploro que não se compare com cachorros. Eu os conheço bem e posso dizer com certeza que nem um pitbull nem nenhuma outra espécie animal é tão perigosa quanto a senhora".

Bardot, hoje com 74 anos, tornou-se depois que deixou o cinema uma mulher reclusa, cercada de seus bichos e simpatizante da extrema direita francesa. Este ano foi multada em 19 mil euros por um tribunal por escrito que estava "farta dos muçulmanos que destroem a França".

Mercado abre em alta na Ásia

Depois de seis dias de grande tensão, hoje todas as bolsas de valores da Ásia operavam em alta no final da manhã. É a volta da racionalidade à região

A Ásia depende das importações dos Estados Unidos. Mas é também a grande esperança de que seja possível manter pelo menos um pólo de crescimento da economia mundial, caso os EUA e a Europa entrem em recessão, como parece provável, diante da crise de seus sistemas financeiros.

Bolsas têm mais um dia de pânico

Pelo sexto dia consecutivo, o mercado financeiro global operou em queda ontem, 8 de outubro de 2008, apesar da queda de juros coordenada dos principais bancos centrais do mundo, com a exceção do japonês, pratica uma taxa de juros de 0,5% e não tem como cortar mais.

Antes do corte de juros, as bolsas da Ásia desabaram. A Bolsa de Tóquio perdeu 9,36%, caindo ao nível mais baixo em cinco anos, com grandes perdas para fábricas de automóveis e outras empresas que dependem do mercado americano. Hong Kong teve perdas de 8,4%, enquanto a Bolsa de Jacarta, na Indonésia, interrompeu os negócios depois de cair 11%.

As duas bolsas de Moscou, na Rússia, também foram fechadas depois de quedas de mais de 10%. Só voltam a abrir na sexta-feira.

Na Europa, houve uma euforia inicial com o corte de juros. "Ele tem dois efeitos positivos", comentou Heike Jöbges, analista do Instituto de Política Macroeconômica de Düsseldord, na Alemanha: estimula a recuperação econômica e ajuda os bancos ao baixar o custo do dinheiro.

Logo as bolsas européis voltaram a cair, fechando com baixas entre 5% e 7,5%. Nova Iorque abriu em alta e ficou subindo e descendo durante todo o dia para, no final do pregão, ter uma forte queda e fechar com desvalorização média das 30 principais ações em 2%.

O problema central, observa o estrategista americano David Reilly, é que "os bancos não estão emprestando dinheiro uns aos outros. O mercado de dinheiro não está funcionando. Por isso, o banco central dos EUA começou a dar empréstimos diretamente a empresas, e sem garantias, o que nunca se tinha ouvido falar".

Ainda é fundamental sanear os balanços das instituições financeiras para que os mercados de crédito voltem a operar, acrescenta Reilly: "Quando os mercados de crédito voltarem a operar, em tese, o mercado de ações deve se estabilizar. Aí, vamos em frente".

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Fundos de pensão já perderam US$ 2 trilhões

Em um ano e três meses de crise financeira, os fundos de pensão dos Estados Unidos perderam US$ 2 trilhões.

É o dinheiro da aposentadoria da chamada geração baby boom, quem nasceu entre 1946 e 1964, um período de prosperidade sem precedentes na história do país. Vai fazer falta para quem se acostumou com uma vida farta e acima dos seus próprios meios graças a financiamentos baratos.

Nova pesquisa dá Obama 11 pontos na frente

Uma nova pesquisa do Instituto Gallup amplia a vantagem do senador democrata Barack Obama na corrida à Casa Branca. O candidato democrata tem 52% das preferências contra 41% para o senador republicano John McCain.

Americanos e japonês ganham Nobel de Química

Dois pesquisadores americanos, Martin Chalfie e Roger Tsien, e um japonês, Osamu Shimomura, foram agraciados hoje por identificarem a proteína flurorescente verde de uma espécie de água-viva que brilha.

Agora é usada para iluminar células, tecidos e órgãos. Ajuda, por exemplo, a identificar e atacar tumores.

Sete bancos centrais cortam taxas de juros

Em uma ação coordenada sem precedentes, sete bancos centrais cortaram hoje suas taxas básicas de juros numa tentativa de acalmar o mercado financeiro internacional e evitar uma recessão mundial. Nos Estados Unidos, na Europa, na Grã-Bretanha, Suécia e Suíça, o corte foi de 0,5 pontos percentual; na China, de 0,27 ponto percentual.

A iniciativa partiu da Reserva Federal (Fed), o banco central americano, que baixou sua taxa básica de 2% para 1,5%, um gesto mais simbólico, já que vem cortando as taxas de juros há meses sem conseguir vencer a pior crise econômica do país desde a Grande Depressão (1929-39).

Já o Banco Central da Europa cortou a taxa básica de juros dos 15 países que adotam o euro como moeda única de 4,25% para 3,75%. É um dos poucos instrumentos que a União Européia tem para atacar a crise financeira global, que atingiu seus bancos.

Como não há uma estrutura política para governar o euro nem um orçamento comunitário suficientemente grande para enfrentar crises, as decisões políticas têm de partir do Conselho de Ministros. No caso atual, a Alemanha, maior economia da Europa, resiste a um plano como o americano porque, como sócio mais rico, teria de pagar a maior parte da conta.

Em Londres, o presidente do Banco da Inglaterra, Mervyn King, anunciou o corte na taxa básica de juros de 5% para 4,5%. O país tem os juros mais altos entre os países do Grupo dos Sete (maiores potências industriais, tirando a China).

Obama vence segundo debate com McCain

Mais sereno e equilibrado, o senador Barack Obama venceu mais um debate com o senador John McCain na reta final da corrida à Casa Branca.

Em pesquisa da rede de televisão americana CNN divulgada logo depois do debate, 54% disseram que Obama ganhou e apenas 30% preferiram McCain.

Sete razões para não votar em Eduardo Paes

1- Ele vai aplicar uma política de segregação social nas áreas valorizadas.
Como subprefeito da Barra e Jacarepaguá e como Secretário de Meio Ambiente promoveu a perseguição e a remoção de pomunidades pobres para abrir caminho para a especulação imobiliária.
Exemplo Prático: Barra da Tijuca, orla da lagoa da Barra. Removeu a comunidade de pescadores (ele mesmo dirigiu um trator) para fazer uma área de preservação ambiental. Resultado: retirou os pobres e no local surgiram o Shopping Barra Point e a sede da Unimed. Seu lema deveria ser: 'Preservar para as Elites'.

2- Ele vai mudar o discurso quando alcançar o poder. Vai trair o eleitor.
Mudou de partido seis vezes. A última, às vésperas da eleição. Traiu os amigos.
Em 14 anos de vida política, é a sexta troca de partido. Em 1993, ainda subprefeito da Barra da Tijuca, era filiado ao PV. Em 1996, foi para o PFL, onde se elegeu vereador e deputado federal. Em 1999, se filiou ao PTB. Em 2001, volta ao PFL. Em 2003, vai para o PSDB, por onde se candidata a governador e faz jogo sujo para o Cabralzinho ao atacar sua ex-companheira de partido Denise Frossard, com quem deveria ter afinidade ideológica. Em 2007, vai para o PMDB, vira secretário de Esportes, Lazer e Turismo, e entrega em tempo recorde as obras feitas para os Jogos Pan-Americanos, que mereciam uma CPI.

3- Ele é o candidato da especulação imobiliária.
Quem sabe por isso sua campanha já tem cinco vezes o custo de todas as demais campanhas?
Exemplo prático: no PMDB, queria vender o quartel da PM do Leblon. Queria vender o parquinho da Cedae do Posto 6. Queria vender a delegacia do Leblon. E outras mais. A Prefeitura bloqueou tudo. Agora o que ele quer é acabar com as APACs e escancarar as portas à especulação imobiliária em toda a Zona Sul. Mas ele tem antecedentes. Aplicou o 'cone de sombras sobre as praias' e gerou uma estranha troca em São Conrado.

4- Ele apóia e é apoiado pelas milícias.
A identificação com os políticos ligados às milícias é flagrante.
Exemplo prático: declarou no RJTV que as milícias levaram paz e segurança às comunidades de Jacarepaguá. É só checar no YouTube.
Por coincidência, todas as áreas de milicianos estão fechadas com ele.
Na Favela do Gouveia, em Paciência, o centro social do vereador Jerônimo Guimarães Filho (Jerominho) montou tendas para oferecer serviços gratuitos como escovação de dentes e aplicação de flúor, verificação de pressão arterial, manicure e até emissão de carteira de identidade com funcionários cedidos pelo Detran.
Segundo moradores, junto com as tendas para a prestação dos serviços, chegaram à favela cerca de cinqüenta homens em um caminhão. Eles colocavam placas de CARMINHA Jerominho e do candidato a prefeito EDUARDO PAES nas casas.

5- Ele discrimina e desdenha as minorias e os movimentos sociais.
Está sendo processado pelos índios por ofensa moral. Não compareceu a nenhuma convocação para debate com os movimentos sociais.
Exemplo prático: Quando secretário de Esportes do Rio, Eduardo Paes, desdenhou das aspirações indígenas, quanto ao prédio do antigo Museu do Índio, ocupado pelos tamoios, que querem ali estabelecer um Centro de Referência da Cultura Indígena. Prevendo ali um estacionamento, disse: "Gostaríamos muito de ter a área para que o terreno fosse agregado à área do Maracanã. O Instituto Tamoio está na Justiça contra uma declaração ofensiva do secretário desqualificando o movimento. Veja no site do tamoio.

6- É oportunista. Posiciona-se sempre ao lado dos que, momentaneamente, estão em vantagem. Não respeita princípios éticos, acordos, nem linha de conduta. Não tem ideologia, nem coerência política.
Exemplo: perseguiu incansavelmente o presidente Lula, o chamou de ladrão e chefe de quadrilha na CPI dos Correios em rede nacional de TV e nos jornais. Agora, tenta pegar carona na popularidade do presidente.

7- Ele usa a Máquina Pública para benefício eleitoreiro.
Ele é acusado de Improbidade Administrativa, compra de votos e obras públicas em praça fantasma. Além de gravar programa eleitoral dentro de uma UPA, o que é proibido por lei.
Exemplo: a juíza da 8ª Vara de Fazenda Pública, Alessandra Cristina Tufvesson Peixoto, mandou notificar Eduardo Paes. O MP descobriu que a licitação da Fundação Parques e Jardins, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, dizia que seriam realizadas "obras de melhorias e tratamento paisagístico na praça situada na Avenida Marechal Rondon com Rua Nazário", na Zona Norte.
Ao visitar o local, a perícia do MP constatou que não existe qualquer praça. As melhorias foram feitas, na verdade, dentro do Conjunto Bairro Novo, que tem uma das entradas pela Rua Nazário. A área é propriedade privada e tem guaritas para o controle de entrada e saída de pessoas e veículos.
Para o MP, o trabalho visou a benefício eleitoral. Depoimento de uma testemunha e panfletos apreendidos pelos promotores indicam que Eduardo Paes e o servidor público Nelson Curvelano estiveram no condomínio e prometeram aos moradores que fariam melhorias na praça. Naquele ano, Paes foi candidato a deputado federal. Curvelano concorreu para deputado estadual, mas não foi eleito. O panfleto, com fotos e o número de campanha de Paes e Curvelano, dizia que "as obras da quadra e da área de lazer estão sendo realizadas (...). Vamos juntos, agora no dia 6, eleger quem realmente se comprometeu e faz". Segundo os promotores, "eles (Paes e Curvelano) induziram os agentes públicos competentes para a prática de ato de improbidade e dele se beneficiaram indiretamente, com nítido propósito eleitoreiro".

É esse o Prefeito de que o Rio precisa?

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Japoneses levam Prêmio Nobel de Física

Três pesquisadores japoneses, um deles nacionalizado americano, ganharam hoje o Prêmio Nobel da Física por pesquisas sobre a assimetria do universo e a descoberta da partícula subatômica quark.

Obama abre oito pontos de vantagem

O senador democrata Barack Obama está se beneficiando da crise econômica nos Estados Unidos. As duas últimas pesquisas, divulgadas antes do debate desta noite, dão oito pontos de vantagem do senador por Illinois sobre o candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, senador John McCain.

Bolsa de Nova Iorque volta a desabar

Hoje foi mais um dia de pânico nos mercados internacionais.

A queda começou na Ásia, onde a Bolsa de Tóquio caiu mais de 3%, com forte baixa nas ações da indústria automobilística, por causa da dependência das exportações do Japão para os Estados Unidos. É outro sinal de que a crise chegou à economia real.

Na Austrália, a Bolsa de Sídnei voltou a subir depois que o banco central reduziu sua taxa básica de juros em um ponto percentual. As bolsas de Seul, na Coréia do Sul, e Hong Kong e Xangai, na China, subiram um pouco.

As bolsas européias viveram um dia de gangorra, subindo e descendo repetidamente. Londres e Paris tiveram pequenas altas, mas Frankfurt caiu.

FMI eleva prejuízo da crise para US$ 1,4 trilhão

O Fundo Monetário Internacional aumentou o cálculo do prejuízo causada pela crise financeira global para US$ 1,4 trilhão. Há duas semanas, o diretor-geral do Fundo, Dominique Strauss-Kahn, tinha elevado a estimativa para US$ 1,3 trilhão.

Em abril, quando o FMI divulgou uma estimativa de US$ 945 bilhões, foi criticado.

Obama mantém vantagem em nova pesquisa

Em pesquisa divulgada ontem à noite pela TV NBC e o jornal The Wall St. Journal, o senador democrata Barack Obama vence o senador republicano John McCain por 49% a 42%.

O resultado consolida uma tendência de crescimento de Obama, beneficiado pela crise econômica.

Com os Estados Unidos vivendo sua pior crise econômica desde a Grande Depressão (1929-39), quando o desemprego chegou a 25%, o candidato de oposição tem uma vantagem considerável.

A pesquisa indica que o eleitorado independente, de centro, está optando por Obama. Este é um sinal claro de vitória.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Diálogo na Bolívia termina em fracasso

Depois de mais de 10 horas de diálogo ontem, no final de 17 dias de negociações, a oposição e o governo da Bolívia não conseguiram chegar a um acordo sobre a autonomia regional reivindicada pela oposição e a nova Constituição aprovada pelo Movimento ao Socialismo (Mas), do presidente Evo Morales.

A disputa agora se volta para o referendo constitucional que Morales convocou para 7 de dezembro através de um "decreto supremo". Como a Justiça já declarou que o referendo precisa ser convocado pelo Congresso e a oposição tem maioria no Senado, novo impasse está criado no país mais pobre da América do Sul.

Os partidários do Mas tentam convencer os senadores oposicionistas a apoiar o referendo, mas não admitem que o Congresso emende a Constituição, preparada por uma Assembléia Constituinte. A oposição resiste sobretudo às propostas socializantes da nova Carta e exige autonomia para se blindar do governo central.

Europeus ganham Prêmio Nobel de Medicina

Os pesquisadores alemão Harald zur Hausen e franceses Françoise Barré-Sinoussi e Luc Montagnier ganharam hoje o Prêmio Nobel de Medicina 2008.

Hausen demonstrou que o vírus do papiloma humano (HPV) causa câncer no colo do útero e os outros dois isolaram o vírus da imunodeficiência humana (HIV), que causa a Síndrome de Deficiência Imunológica Adquirida (aids, da sigla em inglës).

Bolsas desabam com crise bancária

As bolsas do mundo inteiro registram fortes quedas por medo de uma crise bancária global, diante das sucessivas crises de bancos, que agora atingem sobretudo a Europa.

Na Ásia, Tóquio perdeu 4,7% e Hong Kong 5%. Na Europa, a desvalorização das principais bolsas varia entre 5% e 8%. Nos Estados Unidos, o Índice Dow Jones cai no momento mais de 400 pontos.

O banco francês BNP-Paribas assumiu o controle das operações financeiras do banco Fortis na Bélgica e em Luxemburgo.

Pela primeira vez em oito meses, o petróleo caiu abaixo de US$ 90, em outra baixa generalizada de preços de commodities (produtos primários), que são a base da economia brasileira.

As operações na Bolsa de São Paulo foram suspensas depois de uma queda de 15%. Foi a segunda vez que o mecanismo para interromper os negócios foi usado duas vezes no mesmo. A primeira foi em janeiro de 1999, logo após a desvalorização do real no início do segundo governo Fernando Henrique Cardoso.

Sauditas negociam paz com Talebã

O rei Abdullah, sultão da Arábia Saudita, realizou recentemente negociações secretas entre o governo do Afeganistão e a milícia fundamentalista dos Talebã (Estudantes), criada nos anos 90 com forte apoio saudita.

domingo, 5 de outubro de 2008

Trabalhistas britânicos marcham para derrota

Sob a desastrosa liderança do primeiro-ministro Gordon Brown, o Partido Trabalhista pode perder 164 dos seus 349 deputados na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico e entregar o poder ao Partido Conservador, indica uma pesquisa divulgada hoje pelo jornal popular News of the World.

No ano passado, uma pesquisa feita com a mesma metodologia previa uma perda de 49 cadeiras. Desta vez, foram entrevistados 1.004 eleitores em 192 distritos onde hoje o deputado é trabalhista.

Como o sistema eleitoral britânico adota o voto distrital em turno único, ganha o candidato mais votado, às vezes com pouco mais de 30% dos votos. Nestes distritos, uma variação de 10% a 15% daria a vitória ao candidato conservador.

Brown cogitou convocar eleições antecipadas há um ano, pouco depois de suceder Tony Blair sem passar pelo julgamento das urnas. Desistiu da idéia porque as pesquisas não eram favoráveis. Desde então, só pioraram.

Depois de 11 anos no poder, o neotrabalhismo está desgastado e Brown não tem o charme de Blair. As eleições precisam ser realizadas até junho de 2010.

No Reino Unido, os mandatos dos deputados na Câmara dos Comuns são de cinco anos, mas o primeiro-ministro tem a prerrogativa de convocar eleições antecipadas a qualquer momento. Os primeiros-ministros tendem a realizar eleições até o quarto ano de governo, num momento que lhes pareça mais conveniente politicamente.

Reino Unido estuda capitalização dos bancos

O ministro das Finanças do Reino Unido, Alastair Darling, admitiu neste domingo, 5 de outubro de 2008, que o governo britânico pode comprar ações para capitalizar os bancos.

Agora que o governo da Alemanha se comprometeu a garantir todos os depósitos populares em bancos, no valor de US$ 800 bilhões, é difícil que os outros grandes países da União Européia não tomem a mesma medida, adotada inicialmente na Irlanda e depois na Grécia, dois países européis periféricos e portanto mais fracos.

Caso contrário, pode haver uma fuga de depósitos para a Alemanha. O problema é que, como Londres é o centro financeiro da Europa, o total de depósitos nos bancos britânicos chega a 2 trilhões de libras esterlinas (US$ 3,51 trilhões).

Nem o Tesouro de Sua Majestade banca essa aí. É mais um pepino para o impopular primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, que aposta seu futuro na luta contra a crise financeira global.

Diálogo na Bolívia não chega a solução

Mais de dez horas de reunião não foram suficientes hoje para romper o impasse entre o presidente da Bolívia, Evo Morales, e os governadores de oposição, que exigem autonomia regional para seus departamentos e não aceitam a nova Constituição proposta por Morales para implantar o socialismo no país.

A próxima batalha será travada em torno do referendo para aprovar uma nova Constituição. Sem maioria no Senado, Morales precisa barganhar para garantir a aprovação no Congresso. Mas seus partidários do Movimento ao Socialismo rejeitam a possibilidade de deputados e senadores emendarem a Constituição.

Alemanha garante depósitos bancários

Diante do risco de uma corrida aos bancos, a primeira-ministra Angela Merkel decidiu hoje garantir os depósitos e poupanças bancárias na Alemanha, num valor total estimado em US$ 800 bilhões.

O governo alemão também salvou a segunda maior instituição alemã de financiamento da casa própria, Hypo Real Estate, com uma ajuda de 80 bilhões de euros (US$ 110 bilhões) articulada no mercado.

Uma medida deste impacto tomada pela maior economia européia pressiona os outros grandes a fazerem o mesmo. Primeiro, foi a Irlanda; depois, a Grécia. Ambas são países periféricos. A Alemanha é a maior potência européia. Pode haver uma fuga de depósitos bancários para os bancos alemães.

O segundo maior banco da Itália, Unicredit, está atrás de um comprador que o salve.

Nos Estados Unidos, o Citigroup conseguiu um mandado judicial para impedir a venda do banco Wachovia para o Wells Fargo, que apresentou uma proposta melhor, de US$ 15,1 bilhão.

sábado, 4 de outubro de 2008

O J Simpson é finalmente condenado

O ex-jogador de futebol americano O J Simpson foi condenado por roubo e seqüestro, e pode ser sentenciado a prisão perpétua.

Em 1995, Simpson foi absolvido da morte da sua ex-mulher e do amante, depois de um dos processos mais rumorosos da história recente dos Estados Unidos.

A defesa de Simpson alegou racismo para desqualificar a principal prova contra ele, que havia sido coletada por um policial flagrado fazendo declarações preconceituosas contra negros.

Europeus prometem ação contra crise

Sob intensa pressão para evitar uma contaminação ainda maior de seus mercados pela crise financeira americana, os líderes das quatro maiores economias da Europa (Alemanha, Reino Unido, França e Itália) prometeram proteger com "seus próprios meios" os bancos e instituições financeiras ameaçadas.

Ou seja: haverá alguma coordenação mas nenhum país deve contar antecipadamente com os recursos dos outros pela via comunitária.

Greve do campo começa devagar na Argentina

O reinício do protesto do campo foi modesto na Argentina. A maioria dos produtores suspendeu as vendas, mas não houve grandes piquetes nas estradas.

Neste momento de agravamento da crise financeira global, pressionar o governo pode acabar com a popularidade conquistada pelo movimento ruralista no primeiro semestre do ano, em protesto contra o aumento do imposto sobre exportações de produtos agropecuários.

Produtores de leite chineses alegam ser vítimas

Sob intensa pressão por causa do escândalo do leite contaminado que matou quatro crianças, os granjeiros chineses alegam ser a parte mais fraca na cadeia produtiva. Eles atribuem a adulteração do leite com melamina, uma substância usada na fabricação de plásticos, aos intermediários e à indústria.

Palin acusa Obama de ligação com terroristas

Em mais um golpe baixo típico de quem está atrás nas pesquisas, a governadora Sarah Palin, candidata à vice-presidência dos Estados Unidos pelo Partido Republicano, acusou o senador Barack Obama de ter ligações com um radical que nos anos 60 e 70 fez parte de um grupo terrorista chamado Weatherman (Meteorologista).

O jornal The New York Times, que deu a noticia originalmente, deixou claro que o contato entre os dois foi passageiro e superficial.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Bolsa de Nova Iorque cai com o desemprego

Apesar da aprovação do Plano Paulson, o Índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais ações da Bolsa de Valores de Nova Iorque caiu 1,5%. A bolsa Nasdaq, de empresas de alta tecnologia, baixou 1,48%.

Os analistas atribuíram a queda ao desemprego, explicando que a aprovação do plano já era prevista. Assim, eles se voltaram para os fundamentos da economia americana, que perdeu 760 mil empregos só este ano.

Câmara dos EUA aprova pacotão de Bush

Por 263 a 171, a Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou hoje à tarde o plano de salvação do setor financeiro, apesar do voto contrário da maioria dos republicanos. O presidente George W. Bush sancionou o projeto imediatamente.

Agora, o Tesouro americano tem US$ 700 bilhões para criar um fundo que vai comprar as dívidas incobráveis e os papéis podres que estão engasgando o mercado e bloqueando as operações de crédito.

EUA perdem mais 159 mil empregos

Em mais um indicador de que a maior economia do mundo está entrando em recessão, os Estados Unidos perderam mais 159 mil postos de trabalho em outubro. É o nono mês consecutivo em que isso acontece, elevando o total de empregos destruídos para cerca de 760 mil desde o início do ano.

A taxa de desemprego subiu para 6,1%. Os economistas previam uma queda de 100 mil vagas.

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Biden leva vantagem no debate dos vices

A governadora do Alasca, Sarah Palin, sobreviveu ao debate dos candidatos à vice-presidência dos Estados Unidos.

O senador democrata Joe Biden foi mais consistente nas respostas, mostrando mais preparo para o cargo, mas Palin não perdeu feio. Essa era a maior preocupação do Partido Republicano.

Palin começou bem, sorrindo, falando uma linguagem acessível e dirigindo-se ao povo americano. Na segunda parte, quando o tema central passou da economia para política externa, ela mostrou a fragilidade de suas posições e de seu conhecimento.

Nem nas questões da crise econômica nem da guerra Palin deu qualquer resposta específica. Limitou-se a repetir clichês bem ensaiados sobre cortar impostos e gastos para criar empregos, além de ganhar as guerras.

Inevitavelmente a discussão começou com a crise econômica. A mediadora, Gwen Iffil, do Public Broadcasting System (PBS), a TV pública americana, quis saber o que seus governos fariam de diferente para atacar o problema.

Biden fez então o que foi uma característica deste debate: invocou o nome do candidato a presidente. Palin faria o mesmo. Isso afastou os dois candidatos de um confronto direto.

"O senador Obama", disse o candidato a vice-presidente na chapa democrata, "acredita que precisamos de outras medidas, de proteger o dinheiro do contribuinte, não deixando que os diretores-presidentes ganhem com o plano".

A vice de McCain apelou para seu aspecto mais forte, que é a capacidade de comunicação direta com o americano de classe média, branco, religioso e conservador: "Nossos investimentos e poupanças podem ser afetados".

Em seguida, partiu para a conhecida estratégia dos políticos para enganar os desinformados. Chegou a dizer que, "há dois anos, foi John McCain que tentou regulamentar Fannie Mae e Freddie Mac".

O democrata reagiu atirando não em Palin, mas no candidato republicano: "John McCain declarou às nove da manhã que os fundamentos da nossa economia eram sólidos e às 11h que estamos em crise econômica", ironizou Biden, insinuando que o multimilionário McCain está distante dos problemas do cidadão comum.

Sem perder a chance, Palin argumentou que "ele estava falando sobre os trabalhadores americanos". Em outra jogada dos republicanos, pretendendo se colocar acima das baixarias políticas, ela falou que McCain comportou-se como um estadista durante a crise, "deixando a política de lado, suspendendo a política e indo para Washington liderar um diálogo. É algo novo, diferente, uma nova energia".

Quem foi o responsável pela crise? "Nunca mais", respondeu Palin, tentando de descolar do passado e dos governos de George W. Bush. "Precisamos de uma fiscalização rigorosa. Não podemos viver além das nossas possibilidades", generalizou, fugindo da pergunta. Caindo em si, emendou: "Mas esta crise não é culpa do povo americano."

Também há o problema do endividamento pessoal, o déficit triplo (comercial, orçamentário e pessoal), uma das causas mais profundas e estruturais do pesadelo econômico americano. Mas isso não é assunto para um debate de campanha presidencial.

"McCain era a favor da desregulamentação e não de maior controle sobre Fannie e Freddy", retrucou Biden, insistindo em que o candidato republicano vive longe da realidade do americano médio.

Palin atacou outro tema predileto dos republicanos: o conservadorismo fiscal. "Obama votou 92 vezes contra cortes de impostos", alegou. "Isso prejudica a geração de empregos. Nos precisamos de menos impostos."

"Não é verdade", reagiu Biden. "John McCain votou 477 por aumentos de impostos no Senado e queria desregulamentar toda a economia".

"O senador McCain quer fortalecer a regulamentação", atalhou Palin, logo cortada pela apresentadora.

Joe Biden tentou então fazer seu discurso ao povo americano: "A classe média está lutando, e esse governo deu US$ 300 bilhões em cortes de impostos às grandes empresas e aos americanos muito ricos. Nós temos valores diferentes".

A vice republicana repetiu seu mantra: menos impostos, mais negócios e mais empregos.

Biden jogou sua experiência: "Noventa e cinco por cento das pequenas empresas americanas ganham menos de US$ 250 mil por anos. Não vão ganhar com nenhum corte de impostos de John McCain".

Onde cortar gastos numa época de aumento colossal do endividamento público em que os candidatos ainda prometem cortes de impostos? "Não em energia, educação e saúde. Temos de ir atrás dos sonegadores e tapar os furos na lei". Ou seja, cortar mesmo, nada. A esperança é aumentar a arrecadação pegando sonegadores.

Sarah Palin não respondeu a essa pergunta. Preferiu seguir com seu próprio discurso: "Precisamos de cortes de impostos que não afetem às pessoas. Obama cortou impostos das companhias de petróleo... Nossa tarefa é colocar o governo ao lado do povo. O senador McCain não faz nenhuma promessa que não possa cumprir... Precisamos combater a corrupção e a ganância em Wall Street."

"Mc Cain quer dar mais US$ 4 bilhões para as companhias de petróleo", contra-atacou Biden.

A mulher que já se autodefiniu com "um pitbull de batom" prosseguiu em seu discurso sobre generalidades, como um boxeador que quer ganhar tempo para ganhar o combate por pontos e não por nocaute.

Índia proíbe fumar em locais públicos

O governo da Índia aproveitou uma data nacional, o aniversário do pai da pátria, o Mahatma Gandhi, para impor uma ampla proibição de fumar em lugares públicos. Alguns comentaristas observaram que só será possível fumar em casas e estradas.

A previsão das autoridades médicas é que em 2010 cerca de 10% das mortes no país terão como causa o fumo.

BCE mantém taxa básica de juros em 4,25%

O Banco Central da Europa decidiu hoje manter inalterada a taxa básica de juros dos 15 países que adotam o euro como moeda comum em 4,25% ao ano, mas seu presidente, Jean-Claude Trichet, admitiu que a diretoria do banco examinou a possibilidade de cortar a taxa por causa da debilidade da economia européia.

Trichet observou que "o longo e profundo tumulto nos mercados financeiros" e a queda nos preços do petróleo desde o pico de quase US$ 150 em julho reduziram as pressões inflacionárias. O risco agora é de recessão.

Bolsas caem no mundo à espera da Câmara

A incerteza quanto à aprovação do plano de resgate do mercado financeiro amanhã, na Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, a deterioração na economia real e nas condições de crédito derrubaram hoje as bolsas de valores do mundo inteiro, com algumas exceções como na China e na Bélgica.

Em São Paulo, a bolsa brasileira teve uma das maiores baixas, de mais de 7%.

Chefe de polícia de Londres pede demissão

O comandante da Polícia Metropolitana da Grande Londres, comissário Ian Blair, pediu demissão hoje depois de uma longa pressão por causa da morte, em 22 de julho de 2005, do brasileiro Jean Charles de Menezes, confundido com um terrorista por um comando de elite que o matou com sete tiros na cabeça.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Senado aprova plano de salvação dos EUA

Por 74 votos a favor e 25 contra, o Senado aprovou agora há pouco uma nova versão do plano de US$ 700 bilhões para sanear os mercados financeiros e imobiliário dos Estados Unidos, e evitar assim uma crise econômica internacional ainda mais grave.

O novo projeto aumenta de US$ 100 mil para US$ 250 mil a garantia do governo federal para contas bancárias de pessoas e pequenas empresas corta impostos de pequenas empresas. Inicialmente, o plano proposta pelo secretário do Tesouro, Henry Paulson, contemplava apenas a salvação do mercado financeiro.

Analistas estimam que isso pode elevar o preço total do resgate para US$ 800 bilhões.

Obama abre vantagem em estados-chaves

O senador democrata Barack Obama está se beneficiando da crise financeira nos Estados Unidos. Em pesquisa da CNN e da revista Time, Obama ampliou sua vantagem sobre o senador republicano John McCain para 11 pontos (54% a 43%) entre os eleitores que provavelmente votem em 4 de novembro.

Talvez seja mais importante ainda seja a vantagem nos estados da Flórida, Ohio e Pensilvânia, que podem ser decisivos na corrida à Casa Branca, como indicam sondagens da Universidade de Quinniapiac.

Na Pensilvânia, a pesquisa apontam para um avanço de Obama. Antes do primeiro debate presidencial, ele batia McCain por 49% a 43%. Agora, lidera por 54% a 39%.

Na Flórida, que decidiu a eleição de 2000 no Colégio Eleitoral a favor do atual presidente, George Walker Bush, McCain perdia por 49% a 43% antes do debate. Desde então, Obama avançou para 51%, enquanto o republicano ficou parado.

Em Ohio, que garantiu a vitória de Bush contra o senador John Kerry em 2004, o senador por Illinois avançou um ponto, chegando a 50% ao passo que seu adversário republicano, senador pelo Arizona, se mantém com 42% das preferências.

Desde a eleição de John Kennedy, em 1960, nenhum candidato chegou à Presidência dos Estados Unidos sem ganhar em pelo menos dois destes três estados.

Espanha prende 121 suspeitos de pedofilia

A polícia da Espanha prendeu 121 suspeitos de pertencer a uma gangue de pedófilos e apreendeu milhões de imagens pornográficas de crianças, inclusive de parentes dos presos.

Vargas Llosa critica Chávez e Morales

O presidente Evo Morales está destruindo a Bolívia, mas a atuação do presidente Hugo Chávez é pior porque "está levando para a Venezuela uma cultura autoritária e caudilhesca", afirma o escritor peruano Mario Vargas Llosa, que disputou e perdeu a eleição presidente de 1990 para Alberto Fujimori

Ruralistas fazem nova greve na Argentina

Os produtores rurais da Argentina anunciam nova paralisação, a quinta do ano, contra a política agrícola da presidente Cristina Kirchner.

A partir de depois de amanhã, não venderão nem mais um grão nem animal. Haverá piquetes nas estradas.