quarta-feira, 4 de abril de 2018

China responde a tarifaço de Trump com sobretaxas de US$ 50 bilhões

A China reagiu rapidamente às novas tarifas anunciadas ontem pelos Estados Unidos sobre 1.333 produtos chineses, taxando 106 categorias de produtos americanos importados dos EUA em 25%, num total de US$ 50 bilhões por ano. Entre os produtos visados, estão automóveis, produtos químicos e soja.

Os alvos principais da China são estados conservadores com grande produção agrícola onde Trump venceu a eleição presidencial. Depois de uma forte queda no primeiro momento, por medo de uma guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo, a Bolsa de Valores de Nova York se recuperou e fechou em alta de 0,96%.

"A China nunca sucumbiu a pressões externas", declarou o vice-ministro das Finanças, Zhu Guangyao. "A pressão externa vai apenas fazer o povo chinês se concentrar mais no desenvolvimento econômico. A postura da China é clara. Não queremos uma guerra comercial porque prejudicaria os interesses dos dois países."

Até agora, os tarifaços são considerados insuficientes para ter um grande impacto no comércio bilateral entre os dois países, de quase US$ 650 bilhões no ano passado, com saldo de US$ 375 bilhões para a China.

"Devemos negociar da maneira profissional", comentou o professor Jie Zhao, pesquisador da Universidade Fudan, em Xangai, "e torná-la menos ideológica e emocional."

O conflito começou quando o presidente Trump decidiu cobrar imposto de importação de 25% sobre importações de aço e de 15% sobre as de alumínio e, em seguida, deu isenções a aliados dos EUA, inclusive o Brasil.

As autoridades chinesas responderam cobrando tarifas sobre 128 produtos importados dos EUA, sobretudo produtos primários. Ontem, Trump anunciou sobretaxas num valor total de US$ 50 bilhões, acusando a China de roubar a propriedade intelectual dos EUA há décadas.

Um dos objetivos de Trump seria travar uma guerra tecnológica surda para impedir a China de superar os EUA em alta tecnologia, parte do projeto chinês para se tornar a maior potência mundial. O regime comunista chinês tem um programa chamado Fabricado na China 2025 para se tornar líder mundial em aeronáutica, robótica e carros elétricos.

terça-feira, 3 de abril de 2018

Panamá divulga lista de suspeitos com altos dirigentes da Venezuela

A Comissão Nacional contra a Lavagem de Capitais do Panamá divulgou uma lista de suspeitos de "lavagem de dinheiro" e "financiamento do terrorismo" com 55 altos funcionários do regime chavista da Venezuela . 

Entre eles, estão o ditador Nicolás Maduro; o vice-presidente do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e número dois do regime, Diosdado Cabello; o presidente do Tribunal Supremo de Justiça, Maikel Moreno; a presidente do Conselho Nacional Eleitoral, Tibisay Lucena; e o procurador-geral da República, Tarek William Saab.

O supremo tribunal venezuelano considerou "grotescas" e "ilegais" as medidas adotadas pelo Panamá e pela Suíça, que na semana passada congelou as contas bancárias de sete altos dirigentes chavistas, inclusive Saab e Moreno.

"As autoridades do Panamá e da Confederação Suíça demonstram à comunidade internacional o descaramento de sua subordinação, convertendo-se assim em cúmplices de uma potência militarista que busca aniquilar a democracia venezuelana e suas instituições", protestou, em nota, o TSJ.

Em resposta, a vice-presidente e ministra do Exterior do Panamá, Isabel Saint Malo, declarou que a lista foi elaborada para "proteger" o sistema financeiro do país porque os dirigentes venezuelanos são considerados de "alto risco" para o crime de lavagem de dinheiro.

"O Panamá considerou, para proteção do nosso sistema financeiro internacional, que era importante pegar a lista da União Europeia, do Canadá e dos Estados Unidos e compartilhar com o setor bancário panamenho quais são as pessoas incluídas nestas listas para que o tomem em conta em suas avaliações de risco", acrescentou a chanceler.

Paraíso fiscal, o Panamá foi incluído na lista de suspeitos do Grupo de Ação Financeira Internacional (GAFI) de combate à evasão fiscal depois da divulgação dos Papéis do Panamá, em fevereiro de 2016. Desde então, passou a colaborar com as autoridades da Europa e dos EUA para manter sua posição de centro financeiro internacional.

EUA impõem tarifa de 25% a 1.333 produtos importados da China

O governo Donald Trump anunciou hoje que dentro de semanas vai começar a cobrar 25% de imposto de importação sobre 1.333 produtos chineses, robôs e máquinas industriais a carros elétricos, motores a jato e locomotivas, em retaliação que o presidente denuncia como décadas de roubo de propriedade intelectual dos Estados Unidos pela China, noticiou o jornal inglês Financial Times.

A lista cobre produtos pelos quais os americanos pagaram à China US$ 50 bilhões no ano passado. É o lance mais ofensivo dos EUA no comércio bilateral desde que a China entrou na Organização Mundial do Comércio (OMC). A China deve responder na mesma medida, alimentando o risco de uma guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.

"Esta ação protecionista unilateral viola seriamente os princípios e os valores fundamentais da OMC. Não serve os interesses da China, nem dos EUA e menos ainda da economia global", declarou em nota a embaixada chinesa em Washington.

O conflito começou com o anúncio de Trump de que imporia tarifas de 25% sobre o aço e de 15% sobre o alumínio importados. Em seguida, os EUA deram isenções a países aliados. A China respondeu aumentando as tarifas de importação de 128 produtos americanos, na maioria do setor agropecuário, visando diretamente estados conservadores que elegeram o atual presidente.

"A história sugere que é provável que haja negociações, o que vai provocar algum alívio aos investidores no curto prazo", comentou Tai Hui, estrategista do banco J P Morgan para a Ásia e o Pacífico. Mas, ressalva, "a tensão comercial sino-americana pode ter várias rodadas nos próximos anos. Isto pode levar os investidores a focar em setores e mercados asiáticos mais dependentes do consumo doméstico e menos expostos a disputas comerciais."

Por enquanto, "a escala atual da batalha tarifária é pequena para ter impacto material nos crescimentos chinês, americano ou global", previu Greg McKenna, estrategista da corretora AxiTrader.

Procuradoria da Alemanha pede extradição do ex-governador da Catalunha

A Procuradoria-Geral do estado de Schleswig-Holstein, na Alemanha, pediu hoje a extradição para a Espanha do ex-governador da Catalunha Carles Puigdemont por "alta traição" e "malversação de fundos públicos". Também recomendou que ele continue preso "para evitar uma fuga", informou o jornal catalão La Vanguardia, de Barcelona.

Agora, o Tribunal de Justiça de Schleswig-Holstein tem 60 dias de prazo, prorrogável por mais 30 dias, para decidir se a Alemanha deve entregar Puigdemont à Espanha. Seus advogados procuram uma casa para que ele possa responder ao processo em liberdade.

Puigdemont fugiu da Espanha em outubro para escapar da prisão. Ele foi denunciado por rebelião, sedição e malversação de fundos por convocar e organizar o plebiscito de 1º de outubro sobre a independência da Catalunha e proclamar a independência da região com base no resultado.

O ex-governador estava morando na Bélgica e fazia campanha pelos países da União Europeia para denunciar o suposto autoritarismo do governo central espanhol, que se negou a negociar a independência da Catalunha e declarou o plebiscito ilegal. Pela lei espanhola, todo o país deve votar em plebiscitos sobre a independência e não apenas a região interessada.

Como o Código Penal alemão não prevê o delito de rebelião, o Ministério Público fez uma equivalência a "alta traição", alegando "não ser necessário que os delitos sejam totalmente coincidentes". A malversação, pelo uso de fundos públicos para financiar o plebiscito, está na lei da Alemanha.

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Boko Haram mata 18 pessoas e fere 55 em ataque terrorista na Nigéria

Pelo menos 18 pessoas morreram e 55 saíram feridas de um ataque da milícia terrorista Boko Haram no domingo à noite contra a vila de Bale, nos arredores de Maiduguri, capital do estado de Borno, no Nordeste da Nigéria, o país mais populoso da África.

O tiroteio durou horas. Múltiplas explosões foram ouvidas nas proximidades. Os extremistas muçulmanos invadiram dois bairros de Bale. Eles estacionaram seus veículos perto de um posto de polícia e lançaram o ataque com tiros e bombas caseiras. As forças de segurança contra-atacaram.

"Dezenas de pessoas, inclusive mulheres e crianças, foram feridas pelos tiros e bombas", contou um porta-voz militar citado pelo jornal nigeriano The Daily Post. "Com a escuridão, os cadáveres não foram resgatados imediatamente por medo de que houvesse terroristas suicidas entre os agressores."

Em nota, o Exército da Nigéria declarou "o ataque foi repelido e alguns insurgentes do Boko Haram foram mortos por soldados galantes. No entanto, o Boko Haram veio com suicidas que detonaram as bombas escondidas sob suas vestes enquanto fugiam do fogo dos soldados."

Cerca de 20 mil pessoas foram mortas desde 2009, quando o Boko Haram, que significa repúdio à educação ocidental, aderiu à luta armada para impor a lei islâmica na Nigéria e em países vizinhos como Camarões, Chade e Níger.

Em março de 2015, seu líder Abubakar Shekau jurou lealdade à organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante. O Boko Haram passou a se apresentar como a Província do Estado Islâmico na África Ocidental.

Ditador do Egito é reeleito com 97% dos votos

Antes do fim da apuração de três dias, a imprensa governamental havia antecipado o resultado. Agora, é oficial: com 97,08% dos votos válidos, o ditador, marechal Abdel Fattah al-Sissi, responsável pelo golpe de Estado de 3 de julho de 2013, foi reeleito presidente do Egito para um segundo mandato de quatro anos.

Sem qualquer adversário de oposição, o marechal gostaria de superar o índice de comparecimento às urnas de 2014 (47%), mas a eleição sem qualquer disputa desestimulou o eleitorado. Só 41,5% dos eleitores egípcios foram às urnas.

O ditador foi logo cumprimentado pelo Departamento de Estado americano, em mais um sinal do pouco apreço do governo Donald Trump pela democracia. A agora subsecretária de Estado para Diplomacia e Questões Públicas, Heather Nauert, declarou que os Estados Unidos "estão impacientes para continuar a trabalhar com o presidente Abdel Fattah al-Sissi" e manter "sua parceria forte com o Egito".

Depois da queda do ditador Hosni Mubarak, em fevereiro de 2011, nas revoltas da chamada Primavera Árabe, a única oposição organizada do Egito, a Irmandade Muçulmana, venceu as eleições democráticas e tentou consolidar com uma série de manobras denunciadas pelos movimentos que derrubaram Mubarak.

No golpe de 2013, diante de uma série de manifestações de protesto contra o crescente autoritarismo da Irmandade Muçulmana, o então comandante do Exército, general Al-Sissi depôs Mohamed Mursi, o primeiro presidente eleito democraticamente da história do Egito. Em 2014, foi eleito presidente com 96,9% dos votos válidos

Foi a volta do controle absoluto do chamado Estado profundo, uma aliança entre as Forças Armadas, os serviços de segurança e o empresariado, que governa o Egito desde a Revolução dos Coronéis, que depôs o rei Faruk em 1952. Suas forças sempre estiveram prontas para reassumir o controle.

Candidato governista é eleito presidente da Costa Rica

Com pouco mais de 60% dos votos, o candidato de centro-esquerda Carlos Alvarado Quesada foi eleito ontem presidente da Costa Rica, a mais antiga democracia da América Latina, vencendo no segundo turno o pastor evangélico Fabricio Alvarado, que fez campanha contra o casamento gay.

A ampla maioria na região central do país e na província de Guanacaste, no Norte, garantiram a vitória expressiva de Carlos Alvarado. Pouco depois das 21h pela hora local (meia-noite em Brasília), o presidente eleito fez o discurso da vitória diante de centenas de seguidores reunidos na Praça Roosevelt, em São Pedro, depois de receber um telefonema do adversário reconhecendo a derrota.

"A proeza democrática que se ergueu hoje é uma proeza de toda a Costa Rica. Meu dever é unir esta República", afirmou Alvarado, citado pelo jornal costa-riquenho La Nación, convocando outros partidos para formar a aliança governista. "Não será um governo só do PAC", o Partido Ação Cidadã, social-democrata.

O novo presidente da Costa Rica toma posse em 8 de maio para cumprir um mandato de quatro anos. Carlos Alvarado nasceu em 1980. É jornalista e escritor, com Mestrado em Ciências Políticas pela Universidade da Costa Rica. Casado, tem um filho de quatro anos. Era ministro do Trabalho do governo Guillermo Solís quando seu nome foi lançado.

Exército da Índia enfrenta rebeldes da Caxemira em confronto mortal

Pelo menos 13 militantes islamistas, três soldados e quatro civis morreram numa operação do Exército da Índia no Vale da Caxemira contra grupos que lutam para que a região seja integrada ao Paquistão por ter maioria muçulmana. Foi o maior número de mortos no conflito num dia nos últimos anos.

Outras 70 pessoas saíram feridas na ação militar no distrito de Shopian. O Exército declarou que foi um sucesso: "É um dia especial para nossas forças", festejou o general A. K. Bhatt.

A Caxemira é uma região disputada entre a Índia e o Paquistão, inimigos históricos. Quando os dois países se tornaram independentes do Império Britânico, em agosto de 1947, os líderes das diversas regiões tiveram o direito de escolher onde ficariam.

Com uma exceção, as regiões de maioria muçulmana formaram o Paquistão e as de maioria hindu ficaram na Índia. O marajá Hari Singh, príncipe do estado de Jamu e Caxemira, preferiu se integrar à Índia.

Desde a independência, o Paquistão defende a realização de um plebiscito para que a população legal decida se gostaria de sair da Índia. Hoje uma parte da população defende a independência total da Caxemira. A Índia considera uma questão interna. Nega-se a internacionalizar o problema e levar para foros internacionais como a ONU.

Duas das três guerras indo-paquistanesas, em 1947 e 1965, foram causadas pela disputa pela Caxemira. A terceira, em 1971, foi a Guerra da Independência de Bangladesh ou República de Bengala.

Os dois inimigos históricos são potências nucleares assumidas oficialmente desde maio de 1998, mas fizeram seus primeiros testes nucleares décadas antes, a Índia em 1974, com ajuda da União Soviética, e o Paquistão em 1975, com apoio da aliada China.

As armas nucleares tiveram um efeito dissuasório. Desde que dominaram a bomba atômica, Índia e Paquistão não entraram mais em guerra, mas também não chegaram a um acordo de paz. A partir de 1989, grupos armados muçulmanos entraram na luta contra o que chamam de "ocupação indiana".

Quando começa o degelo, na primavera no Hemisfério Norte, os dois países se enfrentam ao longo de sua fronteira disputada. O conflito mais sério foi em 1999 em Kargil, situada a 205 quilômetros de Srinagar, a capital da Caxemira. É uma região gelada de 160 km de extensão, com postos militares a altitudes de até 5.485 metros. Pelo menos 1,2 mil pessoas morreram.

Em  2016, a insurgência se inflamou com a morte de Burhan Muzaffar Wani, um líder carismático. No domingo, houve um tiroteio na vila de Draged-Sugan. Sete milicianos foram mortos. Uma multidão saiu às ruas para protestar e dar cobertura à fuga dos rebeldes, pertencentes aos grupos Hizbul Mujahedin (Partido dos Guerreiros Santos) e Lashkar e-Taiba (Exército dos Puros).

O Exército da Índia atirou contra a multidão com balas de borracha, munição letal e gás lacrimogênio. A Internet foi desligada para impedir maior articulação dos manifestantes. Também houve um tiroteio ao redor da vila de Kachdora.

"Enquanto um caxemira estiver vivo, vamos apoiar os militantes", afirmou no hospital o estudante Numaan Ahmad Malik, de 27 anos, ferido no protesto.

No ano passado, de acordo com as autoridades indianas, 213 milicianos foram mortos, o maior número em sete anos.

"Para cada dez mortos, mais 20 pessoas vão aderir à luta até que esta terra seja libertada da ocupação indiana", desafiou Imtiyaz Ahmad, um manifestante de Kachdora.

domingo, 1 de abril de 2018

China impõe novas tarifas a 128 produtos dos EUA

Mais uma salva de tiros na guerra comercial entre as duas maiores potências econômicas do mundo. Em resposta às tarifas impostas pelo governo Donald Trump, a China anunciou hoje em Beijim que vai sobretaxar 128 produtos fabricados nos Estados Unidos, inclusive carnes, frutas e vinho, informou o canal americano de notícias econômicas CNBC.

As novas tarifas entram em vigor nesta segunda-feira, comunicou em nota o Ministério das Finanças da China. A Comissão de Tarifas Alfandegárias vai aplicar imediatamente tarifas de 25% sobre carne de porco e derivados e sucata de alumínio.

Outros 120 produtos primários americanos comprados pela China, de frutas silvestres e maçãs a amêndoas, nozes e castanhas, vão pagar 15% de imposto de importação.

Trump começou taxando todas as importações de aço em 25% e as de alumínio em 15%. Em seguida, passou a excluir países aliados dos EUA, inclusive o Brasil, mas manteve as tarifas para negócios com a China.

Há dez dias, Trump revelou planos para taxas as importações chinesas num valor total de US$ 60 bilhões por ano, numa tentativa de reduzir o déficit comercial dos EUA no comércio bilateral, que no ano passado foi de US$ 375,2 bilhões (R$ 1,24 trilhão).

Depois de fortes quedas pela ameaça de uma guerra comercial, a Bolsa de Nova York voltou a subir, com notícias de que os EUA estariam negociando secretamente para evitar os prejuízos de um conflito. O contra-ataque chinês indica que um acordo ainda está longe.

A retaliação chinesa se concentrou em produtos agropecuários. Os fazendeiros americanos exportaram US$ 20 bilhões para a China em 2017. O setor de carne suína e derivados vendeu US$ 1,1 bilhão aos chineses. A carne de porco é tradicionalmente a principal fonte de proteína animal na China. É o terceiro mercado mais importante para as exportações da suinocultura dos EUA.

O impacto total fica muito abaixo dos US$ 60 bilhões de Trump, sinal de que a China ainda está aberta a negociar. Mas não significa que vá ceder. O economista Robert Shiller, ganhador do Prêmio Nobel de Economia em 2013, adverte para o risco de que sucessivas imposições de tarifas bilaterais de lado a lado levem à "crise econômica" ao "caos" e à "desaceleração do desenvolvimento".

sábado, 31 de março de 2018

Dez palestinos mortos na fronteira de Gaza com Israel eram terroristas

Dez dos 18 palestinos mortos ontem durante um protesto na fronteira da Faixa de Gaza com Israel eram militantes de grupos terroristas. Oito pertenciam ao braço armado do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), o maior partido extremista muçulmano palestino, que convocou a manifestação, afirma o Exército de Israel.

Cerca de 30 mil palestinos participaram ontem da Marcha do Retorno, iniciando uma onda de protestos programada para durar até a aniversário de 70 anos da fundação do Estado de Israel, em 14 de maio de 1948. Eles reivindicavam o "direito de retorno" às casas e terras onde moravam antes da criação e da Guerra da Independência de Israel (1948-49).

Alguns jovens extremistas foram até a cerca de segurança erguida por Israel e jogaram pedras e coquetéis molotov nos soldados israelenses do outro lado da fronteira. As Forças de Defesa de Israel declararam que só foram alvejados com munição letal os palestinos que atacaram os soldados ou a cerca de segurança.

Oito seriam ativistas do Hamas, acusou Israel. O grupo fundamentalista palestino só reconheceu cinco como milicianos das Brigadas Izzadin al-Cassam e alegou que participavam pacificamente da manifestação.

Pelo menos um, Sari Abu Odeh, era da tropa de elite do Hamas, chamada Nukhba. Muhammad Abu Amro trabalhava no setor do Hamas dedicado à construção de túneis para furar o bloqueio israelense. Mussab al-Saloul, de 23 anos, morreu quando tentava romper a cerca.

O mais velho era Jihad Farina, de 35 anos, comandante de uma companhia da ala militar do Hamas. O mais jovem era Ahmad Odeh, de 19 anos, do grupo terrorista Batalha Shati

Outro miliciano morto era das Brigadas dos Martires de Al-Aqsa, braço armado da Fatah (Luta), maior partido da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), que domina a Autoridade Nacional Palestina (ANP), que governa os territórios sob controle palestino na Cisjordânia. O décimo palestino morto era militante da "guerra santa global", membro de algum dos grupos salafistas de Gaza.

sexta-feira, 30 de março de 2018

Marcha do Retorno deixa 18 palestinos mortos e mais de mil feridos

Pelo menos 18 palestinos morreram e mais de 1,4 mil saíram feridos de confrontos com as forças de segurança de Israel quando se manifestavam perto da fronteira da Faixa de Gaza na chamada Marcha do Retorno.

Cerca de 30 mil palestinos participaram da marcha convocada pelo Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), o maior partido islamista palestino, para a marcha, parte das manifestações de protesto pelos 70 anos da criação do Estado de Israel, que serão completados em 14 de maio.

O protesto se tornou violento quando jovens palestinos jogaram pedras nos soldados israelenses e tocaram fogo em pneus junto à cerca que marca a fronteira. Ontem, o comandante do Exército de Israel, general Gadi Eisenkot, advertira que mais de 100 atiradores seriam colocados para defender a fronteira com balas de borracha e munição letal.

Israel responsabilizou o Hamas por "explorar cinicamente mulheres e crianças, mandando-os para a cerca de segurança e colocando suas vidas em perigo". O grupo radical controla Gaza desde uma guerra civil palestina contra a Fatah, principal partido da Organização para a Libertação da Palestina, em 2007.

O líder do Hamas, o ex-primeiro-ministro Ismail Haniya, declarou que o movimento visa a fortalecer o "direito de retorno" dos palestinos expulsos desde a criação de Israel, em maio de 1948. Israel rejeita o "direito de retorno", um dos problemas centrais das negociações de paz árabe-israelenses. Se todos os palestinos e descendentes voltassem, seriam maioria no país.

Em qualquer acordo de paz, o direito de retorno terá de ser resolvido com compensação financeira pelas propriedades deixadas para trás pelos palestinos quando da fundação de Israel.

Os outros pontos fundamentais são a criação de um Estado nacional palestino nos territórios ocupados por Israel na Guerra dos Seis Dias, em 1967, o reconhecimento de Israel, o futuro das colônias israelenses na Cisjordânia e do setor oriental (árabe) de Jerusalém.

quinta-feira, 29 de março de 2018

Ex-presidente Sarkozy é denunciado na França por corrupção

O ex-presidente francês Nicolas Sarkozy será processado por corrupção ativa e tráfico de influência por ter feito favores para influenciar um alto magistrado a revelar detalhes de uma investigação e assim obter uma decisão favorável num tribunal superior, revelou hoje o jornal francês Le Monde.

Sarkozy é acusado de tentar obter informações de um processo sigiloso do então ministro Gilbert Azibert, da Corte de Cassação, equivalente no sistema judiciário da França ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) do Brasil.

O advogado de Sarkozy, Thierry Herzog, e o ex-magistrado foram denunciados por corrupção ativa, tráfico de influência e violação do sigilo profissional.

Este processo é do caso Liliane Bettencourt, a mulher mais rica da França, dona da empresa de produtos de beleza L'Oréal. Em 2010, quando estava sendo investigada por evasão fiscal por manter dinheiro em contas secretas na Suíça, ela teria feito pagamento a membros do governo Sarkozy.

Com o telefone de Bettencourt sob escuta judicial, o então ministro do Orçamento, Éric Woerth, pediu um emprego para a mulher dele gerenciar a fortuna da dona de L'Oréal, quando movia uma campanha contra a sonegação fiscal. Bettencourt recebeu uma restituição de imposto de renda no valor de 30 milhões de euros (R$ 120 milhões pelo câmbio atual).

Um mês depois, em julho de 2010, a ex-contadora de Liliane Bettencourt, Claire Thibout revelou que a bilionária dava envelopes de dinheiro a políticos do partido conservador União por um Movimento Popular (UMP), liderado por Sarkozy. Em março de 2007, Woerth, tesoureiro do partido, teria recebido da contadora 150 mil euros para a campanha eleitoral do UMP.

Pela lei francesa, as contribuições individuais são limitadas a 6,4 mil euros. Doações acima de 150 euros precisam ser feitas em cheque com identificação clara contra do doador.

Em outubro de 2010, as redações do jornal Le Monde, da revista Le Point e da empresa jornalística digital Mediapart foram invadidas e os computadores arquivos sobre o Caso Bettencourt foram roubados. Sarkozy e Woerth foram indiciados em 2013, mas o ex-presidente foi excluído do caso em 2014

Quando abriu inquérito a respeito, o Ministério Público de Paris obteve uma autorização de escuta telefônica. Os telefonemas revelaram que Sarkozy e Herzog gozaram da cumplicidade do ministro Azibert. Em 2016, a Corte de Cassação confirmou a legalidade das gravações.

Há nove dias, Sarkozy foi indiciado em outro caso, sobre uma doação ilegal de 50 milhões euros (R$ 200 milhões) que teria recebido clandestinamente do ditador da Líbia, coronel Muamar Kadafi, para a campanha de 2007.

Rússia expulsa 150 diplomatas e fecha consulado dos EUA

Em resposta à expulsão em massa de diplomatas russos suspeitos da espionagem de 25 países ocidentais e aliados, a Rússia anunciou hoje que vai mandar embora pelo menos 150 diplomatas estrangeiros, inclusive 60 americanos, e fechar em dois dias o consulado dos Estados Unidos em São Petersburgo.

A nova guerra de espiões é resultado do envenenamento, em 4 de março, no interior da Inglaterra, de um ex-agente duplo russo, Serguei Skripal, e sua filha por um agente nervoso, uma arma química proibida. O Reino Unido acusou o governo da Rússia e recebeu uma solidariedade sem precedentes dos aliados.

"Nossas medidas de retaliação serão recíprocas ou mais", declarou o ministro do Exterior russo, Serguei Lavrov.

Hoje, o hospital onde Serguei Skripal e a filha estão hospitalizado revelou que Yulia melhorou, mas sua situação ainda é crítica. A polícia britânica, a Scotland Yard, descobriu que eles foram envenenados em casa. O agente tóxico foi detectado na maçaneta da porta, causando pânico na vizinhança.

Na segunda-feira, os EUA expulsaram 60 diplomatas russos e anunciaram o fechamento do consulado em Seattle, no estado de Washington, alegando estar perto de uma base de submarinos. Também há na cidade um polo de alta tecnologia com a Amazon e a Microsoft, e a fábrica da Boeing, que produz aviões civis e de guerra.

Incêndio em prisão deixa 68 mortos na Venezuela

Pelo menos 68 pessoas morreram, inclusive 10 mulheres, num incêndio durante uma rebelião de presos numa cadeia da cidade de Valência, no estado de Carabobo, na região central da Venezuela. Foi a segunda pior tragédia no sistema penal da história do país, atrás apenas de outro motim de presos com incêndio, em Sabaneta, há mais de 20 anos.

"Antes os terríveis atos acontecidos na Comando da Polícia do Estado de Carabobo, designamos quatro procuradores para esclarecer os fatos dramáticos", declarou o procurador-geral da ditadura de Nicolás Maduro, Tarek William Saab, citado pelo jornal espanhol El País.

Era de visitas íntimas. O cárcere da Polícia de Carabobo estava superlotado como todas as prisões da Venezuela, um dos países mais violentos do mundo. Com uma navalha, os réus atacaram um agente penitenciário, fazendo-o refém. Um líder da rebelião impôs condições para soltar o agente e ameaçou explodir uma granada.

Como as autoridades não cederam, os presos começaram a queimar colchões, desencadeando a tragédia. Os bombeiros de duas cidades combatem o fogo. Além dos 68 mortos, a maior parte por asfixia, há um número indeterminado de feridos, entre eles dois agentes penitenciários.

A oposição e organizações não governamentais responsabilizaram a ministra de Assuntos Penitenciários, Iris Varela, um dos quadros mais extremistas do chavismo.

França marcha contra o antissemitismo

Milhares de pessoas marcharam ontem da Praça da Nação, em Paris, até o edifício onde vivia Mireille Knoll, uma sobrevivente do Holocausto de 85 anos, brutalmente assassinada a facadas na semana passada. Os líderes da extrema direita, Marine Le Pen, e da extrema esquerda, Jean-Luc Mélenchon, foram vaiados e obrigados a deixar a manifestação de protesto contra o antissemitismo.

A morte reabriu o debate sobre o renitente antissemitismo francês, "um antissemitismo que permanece, que se transforma, que reaparece, que é mutante", deplorou o primeiro-ministro Edouard Philippe.

O presidente Emmanuel Macron foi ao enterro e comparou o "terrorista de Trèbes", que matou quatro pessoas, e com quem "assassinou uma mulher inocente e vulnerável porque era judia." Ontem, o policial morto por um muçulmano fanático em Trèbes, Arnaud Beltrame, foi homenageado como herói nacional no Hotel dos Inválidos, onde fica o túmulo de Napoleão Bonaparte.

Mireille escapou por pouco de ir para o Velódromo de Inverno de Paris, para onde foram levadas mais de 13 mil pessoas, em 16 e 17 de julho de 1942, enviadas depois para campos de concentração pelo regime colaboracionista de Vichy, o governo-fantoche da França durante a ocupação pela Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Durante a campanha eleitoral do ano passado, Marine Le Pen, da Frente Nacional, tentou negar a responsabilidade dos franceses pelo caso do Velódromo de Inverno, botando a culpa nos alemães nazistas. A aliança França Insubmissa, de Mélenchon, apoia o movimento BDS (boicote, desinvestimento e sanções), acusado de ser contra a existência de Israel e não apenas da ocupação de territórios árabes.

Por isso, o Conselho Representativo das Instituições Judaicas da França (CRIF) não convidou os dois líderes extremistas para a Marcha Branca, alegando que difundem um discurso de ódio. O pai de Marine, Jean-Marie Le Pen, foi alvo do CRIF no passado, quando tentou negar a importância das câmaras de gás no genocídio dos judeus na guerra

"Ela sobreviveu ao Holocausto no século passado e penso que teve uma vida feliz, mas foi morta dentro de casa em 2018, frágil, sem defesa", contou a acompanhante Leila Dessante. "Que mundo é esse em que estamos vivendo?"

Seu corpo estava parcialmente queimado depois de receber 12 facadas. Os assassinos tentaram tocar fogo no apartamento. Dois suspeitos, Yacine M., de 27 anos, e Alex C., de 21, foram detidos, interrogados e soltos pela polícia. Yacine era um vizinho que frequentava o apartamento de Mireille. Alex, um amigo dele sem teto.

Yacine foi condenado em março de 2017 a dois anos de prisão por agressão sexual contra a filha da acompanhante da vítima. Saiu da cadeia em setembro graças a uma suspensão da pena. Ele estava em liberdade condicional, proibido de se aproximar do edifício de Mireille Knoll.

Alex saiu da cadeia em janeiro depois de ficar quase um ano preso por pequenos furtos e danos a propriedade alheia. O sem-teto declarou que o vizinho teria dito "Alá é grande!" na hora do ataque, num sinal de que seria terrorista muçulmano, mas os depoimentos foram contraditórios.

quarta-feira, 28 de março de 2018

EUA cresceram mais no fim de 2017 do que estimado anteriormente

Na terceira estimativa, o crescimento do produto interno bruto dos Estados Unidos no quarto trimestre de 2017 foi revisado para cima. Ficou em 2,9% ao ano. Os cálculos anterior deram 2,6% e 2,5%. Hoje os analistas de mercado esperavam, na média, 2,7%.

Com o novo dado, a maior economia do mundo cresceu 2,3% em 2017.

"O aumento no PIB do quarto trimestre reflete principalmente contribuições positivas do consumo pessoal, investimento em capital fixo residencial e não residencial, despesas dos governos federal, estaduais e municipais e exportações", declarou o relatório do governo americano.

A maior taxa de expansão foi divulgada uma semana depois de uma alta de 0,25 na taxa básica de juros para uma faixa de 1,5%-1,75% e de um aviso do Conselho da Receita Federal (Fed), o banco central dos EUA, de que deve haver três aumentos nos juros básicos em 2019.

Neste ano, deve haver mais três altas. O mercado não descarta a possibilidade de quatro aumentos rumo à normalização da política monetária. No momento, a expectativa é que a taxa básica de juros chegue a 3% ao ano até 2020.

Antes da Grande Recessão, a taxa básica de juros da economia dos EUA estava em 5,25% ao ano.

terça-feira, 27 de março de 2018

Kim Jong Un vai à China antes do encontro com Trump

Em sua primeira viagem ao exterior desde que virou ditador da Coreia do Norte, em 2011, Kim Jong Un foi ontem a Beijim, deixando claro que a China terá um peso importante nas negociações de sua aliada com os Estados Unidos. Kim deve receber o presidente Donald Trump até o fim de maio.

A presença de um trem blindado norte-coreano na estação central da capital da China suscitou especulações ontem. O regime comunista chinês confirmou a visita de Estado de dois dias, parte da preparação para a reunião de cúpula EUA-Coreia do Norte. Pelo esquema de segurança, Kim deve ter se encontrado com o ditador chinês, Xi Jinping.

Os dois países são antigos aliados. Durante a Guerra da Coreia (1950-53), quando a aliança liderada pelos EUA cruzou o paralelo 38º Norte na linha que divide as duas Coreias, a China entrou no conflito. Queria e conseguiu impedir a reunificação da Península Coreana sob o controle dos EUA, que ocupavam militarmente o Sul desde o fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945.

Dentro da Guerra da Coreia, houve uma guerra particular entre a China e os EUA - e a China ganhou. Conquistou o objetivo estratégico de empurrar os americanos e aliados para baixo do paralelo 38º N, restaurando a situação anterior à guerra. Nunca mais os EUA e a China estiveram em guerra.

Depois dos testes nucleares e de mísseis da Coreia do Norte, que aumentaram o risco de guerra, a China concordou com as sanções propostas pelos EUA dentro do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Maior parceira comercial de Pyongyang, a China é decisiva para a aplicação das sanções.

Sob pressão das sanções e das ameaças de guerra de Trump, no discurso de Ano Novo, Kim abandonou o discurso belicista, enviou uma delegação à Olimpíada de Inverno de Pyeongchang, na Coreia do Sul, marcou um encontro de cúpula com o presidente sul-coreano, Moon Jae In, e finalmente convidou Trump a ir à Coreia do Norte.

Ao mesmo tempo em que pressiona a China a enquadrar Kim, Trump anunciou a imposição de tarifas de US$ 60 bilhões sobre os produtos chineses. As duas maiores potências econômicas do planeta já estão negociando em sigilo, mas a ameaça de guerra comercial deteriorou as relações EUA-China.

Kim pode usar o encontro com Trump para alegar que está pronto para negociar a paz e assim pedir à China para aliviar as sanções. Na carta-convite, ele acenou com a possibilidade de abandonar as armas nucleares em troca de garantias de segurança.

Se Kim exigir a retirada das forças dos EUA da Coreia do Sul, hoje cerca de 28 mil soldados, a resposta certamente será não. Durante a Guerra Fria, as forças americanas estavam no Leste da Ásia para proteger seus aliados do Japão e da Coreia do Norte. Hoje, fazem parte da estratégia para conter a China. Uma retirada dos EUA deixaria o controle estratégico da região nas mãos da China.

"A visita de Kim a Beijim mostra a todos os países interessados que a China é um ator central na geopolítica do Nordeste da Ásia e que qualquer solução sobre a Coreia do Norte vai precisar da aprovação chinesa", declarou Dennis Wilder, ex-assessor do governo George W. Bush (2001-9) para a Ásia.

Há muito tempo, a China defende negociações diretas entre os EUA e a Coreia do Sul. Quando a hora chegou, não quer ficar de fora. "A China quer voltar ao jogo. Beijim não gosta a ideia de ficar nas laterais", comentou Paul Haenle, diretor do Centro Carnegie-Tsinghua para a Política Global, com sede em Beijim.

"Os chineses devem andar aliviados porque, pelo menos por enquanto, o governo Trump não numa ação militar contra a Coreia do Norte e a diplomacia está de volta", observou Bonnie Glaser, do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS), com sede em Washington. "Por outro lado, entendem que não podem proteger seus interesses se não estiverem envolvidos."

Beijim viu um Kim sorridente, mais autoconfiante com suas armas nucleares e sua nova estratégia diplomática.

De outra parte, o novo assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, o linha-dura John Bolton, ex-embaixador do governo George W. Bush na ONU, deixou claro seu conselho ao presidente Trump sobre o encontro com Kim: "Vamos entrar e perguntar a ele se está realmente disposto a abrir mão das armas nucleares. Em cinco minutos, o problema estará resolvido ou a reunião será encerrada."

segunda-feira, 26 de março de 2018

Puigdemont fica preso até julgamento do pedido de extradição

Um juiz da cidade de Neumünster, na Alemanha, decidiu manter na prisão o ex-governador catalão Carles Puigdemont e passar o caso ao Tribunal de Justiça do Estado de Schleswig-Holstein, que vai examinar o pedido de extradição feito pela Espanha. 

Puigdemont, acusado de rebelião, sedição e malversação de fundos por causa do plebiscito e da declaração de independência da Catalunha, fugiu da Espanha em outubro do ano passado. Em sua primeira declaração após a prisão, pediu calma depois dos protestos que deixaram cem feridos ontem em Barcelona.

A polícia espanhola instalou um GPS no carro de Puigdemont. Ele foi detido ontem em Schaby, na Alemanha, depois de cruzar a fronteira com a Dinamarca, com base num mandado de prisão pan-europeu, que parte do princípio de que todo o mundo terá um julgamento justo em qualquer país da União Europeia. Pretendia chegar à Bélgica, onde um dos delitos de que é acusado não é considerado crime, o que impediria a extradição.

 O depoimento do ex-governador ainda não foi marcado. Embora seus advogados aleguem que sua prisão é "provisoríssima", ele só pode ser solto se o Ministério Público da Alemanha der parecer favorável. A procuradoria teme sua fuga.

"A decisão de hoje não significa que Puigdemont será extraditado, apenas que agora começa o processo", declarou o promotor distrital Georg-Friedrich Güntge.

Se Puigdemont aceitar a extradição, tudo será resolvido em dez dias. Caso contrário, a procuradoria de Schleswig-Holstein vai examinar se o pedido da Espanha está tecnicamente correto. O processo deve durar 60 dias e pode ser prorrogado por mais 30 dias.

Uma delegação de partidos defensores da independência da Catalunha foi a Neumünster acompanhar o caso.

Na Bélgica, a Procuradoria-Geral declarou que não vê risco de fuga dos ex-secretários do governo regional catalão Toni Comín, Meritxell Serret e Lluís Puig.

"Resposta a erro estratégico de Putin isola ainda mais a Rússia", diz professor

A expulsão de mais de cem diplomatas da Rússia de países ocidentais e de ex-repúblicas soviéticas "é uma resposta a um erro estratégico do governo Vladimir Putin". A longo prazo, vai levar a um isolamento maior e enfraquecimento, com consequências perigosas para o mundo inteiro, analisa o professor Paulo Wrobel, do Instituto de Relações Internacionais (IRI) da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ).

Duas semanas antes de Putin ser "reapontado como novo presidente da Rússia, porque eleição não houve, não tem oposição", um ex-agente duplo e sua filha foram envenenados com um agente neurotóxico em Salisbury, no interior da Inglaterra, e não foi o único caso, comentou o professor.

"Houve pelo menos 15 tentativas de assassinato de russos num Estado Nacional soberano, um atentado a soberania nacional com o uso de armas químicas. O Reino Unido reagiu moderadamente, expulsando 23 diplomatas russos, e a Rússia não escalou o conflito, admitindo a culpa. Todo o mundo sabe que foi a Rússia. Mais de 20 países reagiram em solidariedade ao Reino Unido", acrescentou Wrobel.

Uma conclusão é que, "mesmo com a saída britânica da União Europeia, a coesão anti-Rússia vai permanecer. A expulsão de diplomatas baseados nas Nações Unidas é significativa. A sede da ONU fica em território americano, mas é uma organização internacional. É uma pancada diplomática séria", entende o pesquisador.

O governo Barack Obama (2009-17) "fechou o consulado em São Francisco", base da espionagem russa no Vale do Silício, o grande centro da indústria de alta tecnologia nos EUA, lembra Wrobel. Hoje, "o governo Donald Trump fecha o consulado em Seattle, no estado de Washington, porque fica perto de uma base naval de submarinos, da Boeing e de outras empresas de alta tecnologia", como a Microsoft.

"A Guerra Fria acabou em 1991. Agora, é outro contexto. Estamos vendo uma solidariedade da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e de países que têm uma agenda pró-ocidental", a favor de uma ordem internacional liberal, argumentou o professor da PUC-RJ. "É uma união anti-Putin, resposta a uma ação excessiva e equivocada."

A violência política é uma marca do governo russo no plano interno. No exterior, tem consequências, nota Paulo Wrobel: "Putin pode matar quem quiser. O governo russo faz isso todo o tempo. Num país soberano, é diferente."

Hoje o número de espiões russos no Reino Unido é maior do que durante a Guerra Fria. Londres tornou-se um centro financeiro importante para os investimentos russos no exterior. "Há oligarcas amigos e inimigos de Putin no Reino Unido", observa o professor.

"A Rússia é um país com serviços secretos muito bem preparados, melhores do que os dos EUA durante a Guerra Fria. Putin vem do sistema de inteligência, que é quem manda no país. São profissionais de inteligência", afirma Wrobel.

Outra consequência da guerrinha fria de Putin: "O governo Trump se realinha com a OTAN, que sobrevive para conter a Rússia, especialmente depois da intervenção militar na Ucrânia em 2014. Talvez reflita as mudanças na equipe de política externa. Não há ninguém mais identificado com a linha dura do que o novo assessor de Segurança Nacional, John Bolton. O novo secretário de Estado, Mike Pompeo, também vem da direita republicana."

Putin tem fama de ser um bom tático, que conquista pequenas vitórias, mas um mau estrategista. Seu objetivo é restaurar o poder imperial da era soviética: "O Ministério do Exterior da Rússia iniciou uma pesquisa na Internet para decidir que consulado americano será fechado. É uma postura irônica, sarcástica, infantil e antidiplomática", criticou o professor.

"A médio e longo prazos, vai haver um maior isolamento russo", prevê Wrobel, que não acredita numa reaproximação consistente entre a Rússia e a China. "A Rússia foi o primeiro país europeu a invadir o Império Chinês, no século 17. Toda a costa do pacífico russa foi um dia parte do Império Chinês, inclusive sua maior cidade, Vladivostok."

Eles se aproximaram com as revoluções comunistas, mas tiveram "um sério conflito de fronteiras em que a União Soviética ameaçou usar armas nucleares, em 1969, e levou à reaproximação entre os EUA e a China".

Mais uma vez, o regime comunista da China deve aproveitar a fraqueza e o isolamento da Rússia para extrair mais concessões econômicas nas áreas de energia e matérias-primas.

França cresceu 2% e reduziu déficit público em 2017

O governo Emmanuel Macron festeja: a França teve uma pequena aceleração do crescimento no último trimestre do ano passado, quando a economia avançou 0,7% e fechou o ano com expansão de 2%, anunciou hoje o Instituto Nacional de Estatística e Estudos Econômicos (Insee). 

Pela primeira vez em uma década, o déficit orçamentário caiu abaixo do limite de 3% do produto interno bruto fixado pela União Europeia, noticiou o jornal inglês Financial Times, citando o Insee.

O crescimento de 2,5% nas exportações no fim do ano passado foi responsável pela aceleração do crescimento, elevando o PIB de 2017 para 2%, quase o dobro do 1,1% de 2016. A alta no consumo caiu de 0,5% para 0,2% e os últimos indicadores apontam uma desaceleração no início de 2018.

De acordo com o Insee, o déficit fiscal do ano passado ficou em 2,6% do PIB, abaixo da meta oficial do governo, de 2,9%. Em 2016, antes da eleição de Macron, o déficit foi de 3,4%. Desde 2007, o déficit não ficava abaixo dos 3%, a meta fixada pelo pacto de estabilidade para sustentar o euro, moeda comum de 19 dos 28 países da UE.

A dívida pública subiu um pouco, de 96,6% para 97% do PIB, bem acima do limite fixado no pacto de sustentabilidade, de 60% do PIB. Ficou em 2,218 trilhões de euros no fim de 2017.