quinta-feira, 31 de agosto de 2017

EUA mandam Rússia fechar três instalações diplomáticas

O Departamento de Estado ordenou à Rússia que feche o consulado em São Francisco e outras três instalações diplomáticas nos Estados Unidos, em retaliação à decisão russa de exigir o afastamento de 755 funcionários americanos que trabalham no país até 1º de setembro, noticiou hoje o jornal The Wall Street Journal.

A Rússia tem até sábado para fechar o consulado em São Francisco, escritórios consulares em Nova York e um anexo da chancelaria, em Washington, declarou a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert. Ela justificou a medida "no espírito da paridade invocada pelos russos".

"Acreditamos que esta ação [russa] é imerecida e em detrimento do relacionamento entre os dois países", declarou a porta-voz.

A medida foi tomada pelo presidente Vladimir Putin em reação às sanções impostas pelo então presidente Barack Obama em dezembro de 2016 em resposta à conclusão dos serviços secretos americanos de que a Rússia interveio na eleição presidencial nos EUA para favorecer a candidatura Donald Trump.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

EUA cresceram em ritmo de 3% ao ano no segundo trimestre de 2017

A economia dos Estados Unidos avançou num ritmo de 3% ao ano de abril a junho de 2017, acima dos 2,6% do cálculo inicial, indicou a segunda estimativa do produto interno bruto do período divulgada hoje pelo Departamento do Comércio, noticiou a agência Reuters.

A revisão para cima se deveu principalmente a números mais robustos do consumo privado e forte investimento das empresas. No primeiro trimestre, a maior economia do mundo cresceu num ritmo anual de 1,2%.

Os dados mais recentes de comércio e investimentos indicam que a economia mantém o ritmo neste terceiro trimestre. "O impacto do furacão Harvey deve ser pequeno", previu o economista Gus Faucher, da empresa PNC Financial Services.

Com a boa notícia, a Bolsa de Valores de Nova York fechou em alta de 0,12%. O S&P 500 ganhou 0,46% e a bolsa eletrônica Nasdaq, de empresas de alta tecnologia, subiu 1,1% e está a 1% do seu recorde, estabelecido em julho. As previsões de crescimento para o terceiro trimestre vão até 3,4% ao ano.

No setor privado, as empresas abriram 237 mil vagas de emprego do fecharam, estimou hoje a empresa de consultoria ADP, maior processadora de folhas de pagamento dos EUA. Em julho, o saldo foi de 201 mil empregos.

O relatório oficial de emprego do Departamento do Trabalho será publicado na sexta-feita.

Venezuela culpa Trump pela escassez de alimentos e medicamentos

A presidente da Assembleia Nacional Constituinte ilegal e ilegítima da Venezuela, a ex-chanceler Delcy Rodríguez, declarou no domingo que o regime chavista não tem dinheiro para pagar por alimentos e medicamentos que estariam em navios próximos do litoral do país por causa das sanções econômicas impostas na semana passada pelos Estados Unidos.

"Tendo barcos na costa carregados com medicamentos e alimentos, a Venezuela não tem como pagar por esses bens essenciais para a sociedade venezuelana. Por quê? Porque há um bloqueio financeiro contra o país", afirmou Delcy Rodríguez diante da Comissão da Verdade da Constituinte, que investiga as mortes ocorridas em protestos contra a ditadura de Nicolás Maduro.

Para o regime chavista, a culpa é sempre dos EUA, como se o país não tivesse importado petróleo num valor total estimado em US$ 300 bilhões desde a ascensão de Hugo Chávez ao poder, em 1999, 30% de um total estimado em US$ 1 trilhão. E o país não tem dinheiro para comprar papel higiênico.

Nas palavras da presidente da Constituinte de Maduro, que usurpou os poderes da Assembleia Nacional eleita democraticamente, "se acaba de formalizar o bloqueio financeiro contra a Venezuela" para levar o país a "cessar pagamentos internacionais e agudizar a agressão econômica contra o povo venezuelano".

O governo Donald Trump proibiu na sexta-feira a compra e a negociações de novos bônus da dívida pública da Venezuela de 30 ou mais dias e de novos bônus da companhia estatal Petróleos de Venezuela (PdVSA) de 90 ou mais dias. Os títulos já emitidos, que estão em negociação no mercado secundário, não serão afetados.

A escassez de alimentos é muito anterior às sanções de Trump. É resultado das políticas econômicas equivocadas do "socialismo do século 21" proposto por Chávez e destruído por Maduro, sobretudo dos controles de preços e câmbio.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Ex-procuradora-geral acusa Maduro de roubar milhões de dólares

A ex-procuradora-geral da Venezuela Luisa Ortega Díaz afirmou hoje em São José, na Costa Rica, ter provas de que o ditador Nicolás Maduro desviou entre US$ 8 milhões e US$ 10 milhões dos cofres públicos, informou o jornal Latin American Herald Tribune.

"Há muitos altos funcionários comprometidos com a corrupção envolvendo a [companhia brasileira] Odebrecht, além do fato de que o presidente Maduro tirou de US$ 8 milhões a US$ 10 milhões do Tesouro em dinheiro e entregou-o a uma empresa importante", declarou Luisa Ortega. Ela fugiu da Venezuela de lancha depois da decretação da prisão de seu marido, o deputado Germán Ferrer, também dissidente do chavismo.

De acordo com a acusação, "a Contextus Comunicación Corporativa foi usada como uma empresa de fachada" para dissimular a corrupção. Esta companhia é de Monika Ortigosa, mulher de Alejandro Escarra, sobrinho de Hermann Escarra, deputado da Assembleia Nacional Constituinte criada por Maduro para tirar os poderes da Assembleia Nacional eleita democraticamente, onde a oposição tem maioria de dois terços.

Ortega Díaz rompeu com o regime chavista ao denunciar a Constituinte de Maduro como ilegal e ilegítima. Foi demitida pela Constituinte em 5 de agosto. Teve seu passaporte cassado e foi acusada pelas 127 mortes ocorridas em confrontos entre manifestantes, a polícia e milicianos chavistas desde o íncio de abril

A ex-procuradora-geral citou nominalmente como envolvidos em casos de corrupção o ex-vice-presidente Elías Jaua, Jorge Rodríguez, Jesse Chacón, Maximilian Sánchez e o ex-presidente da Assembleia Nacional Diosdado Cabello, considerado o número dois da ditadura venezuelana. As provas foram entregues ao Departamento da Justiça dos Estados Unidos e ao procurador-geral da Costa Rica, Jorge Chavarría, presidente da Associação Ibero-Americana de Ministérios Públicos.

Ao justificar sua decisão, Ortega alegou que, "na Venezuela, não é possível fazer justiça, então estou entregando as provas a diferentes países". Ela não pretende voltar a seu país para não ser presa. Prometeu lutar "pelo retorno da democracia e da liberdade".

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Aliados dos EUA já lutam no centro da capital do Estado Islâmico

As Forças Democráticas da Síria (FDS), uma milícia árabe-curda apoiada pelos Estados Unidos, anunciaram hoje ter chegado ao centro da cidade de Rakka, capital do califado proclamado pouco mais de três anos pela organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Na cidade antiga, capturaram um dos últimos bairros ainda em poder dos jihadistas, informou o boletim de notícias Syria direct.

Na tarde de ontem, guerrilheiros das FDS chegaram a avistar a torre do relógio, no centro histórico de Rakka, depois de tomar o distrito de Mansur numa batalha que durou uma semana, declarou Mustafá Bali, porta-voz das FDS.

"Nossas tropas ainda estão fazendo uma varredura no bairro em busca de células escondidas do Estado Islâmico e de minas", acrescentou o porta-voz.

A Batalha de Rakka começou em 6 de junho. Esta última ofensiva começou no domingo, com a captura do Hospital da Criança num combate quarto a quarto, como descreveu no Twitter o enviado especial da Presidência dos EUA junto à coalizão global para derrotar o Estado Islâmico, Brett McGurk.

Só nos últimos dois dias, a coalizão liderada pelos EUA fez 133 bombardeios aéreos. Apesar dos apelos internacionais, inclusive das Nações Unidas, não houve a trégua para evacuar 25 mil civis presos no fogo cruzado. Em dois meses e meio de batalha, foram mortos cerca de 800 civis. O Estado Islâmico impede a fuga para usar civis como escudos humanos.

Com a tomada do distrito de Mansur, as FDS controlam agora cerca de 70% da cidade, numa ofensiva rumo aos últimos bairros centrais em poder do Estado Islâmico.

No Iraque, o Exército anunciou a vitória na Batalha de Tal Afar, a última cidade importante em poder do Estado Islâmico no país. Quando Rakka cair, o califado proclamado em junho de 2014 estará praticamente destruído. O Estado Islâmico deve voltar a ser apenas um grupo terrorista clandestino.

Japão protesta contra míssil norte-coreano que invadiu espaço aéreo

Em mais um desafio aos Estados Unidos e aliados no Leste da Ásia, a ditadura comunista da Coreia do Norte testou hoje um míssil balístico de médio alcance que passou por cima do Japão, invadindo seu espaço aéreo. O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, condenou o teste, descrevendo-o com uma "grave ameaça".

Foi o primeiro míssil que o regime norte-coreano disparou sobre o Japão desde 2009. Este passou por cima da ilha de Hokkaido, a segunda maior do arquipélago japonês, muito menos povoada do que a ilha de Honshu, e caiu no Oceano Pacífico 14 minutos depois do lançamento a cerca de mi quilômetros da costa japonesa.

"Esta ação ultrajante de disparar um míssil sobre nosso país é uma ameaça séria, grave e sem precedentes que danifica seriamente a paz e a segurança na região", afirmou o primeiro-ministro do Japão. Ele pediu a convocação da uma reunião de emergência do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Durante conversa telefônica de 40 minutos, o presidente Donald Trump reafirmou o "forte compromisso" dos EUA com a segurança do Japão. Os dois concordaram em aumentar a pressão sobre a ditadura stalinista de Pionguiangue.

Desde o fim de sua patrocinadora, a União Soviética, em 1991, a Coreia do Norte, última fronteira da Guerra Fria, faz uma chantagem nuclear com o Ocidente, ameaçando desenvolver armas nucleares. Primeiro, o objetivo era barganhar ajuda de energia e alimentos para manter seu regime falido.

Quando o então presidente americano George Walker Bush colocou a Coreia do Norte num "eixo do mal" ao lado do Irã e do Iraque, em 2002, e atacou o Iraque, em 2003, a Coreia do Norte e o Irã aceleraram seu programas de armas atômicas.

Em 2006, a Coreia do Norte fez o primeiro de cinco testes nucleares. O segundo foi em 2009.

O atual ditador norte-coreano, Kim Jong Un, ascendeu ao poder com a morte do pai, em 2011, pouco depois da queda do ditador da Líbia, Muamar Kadafi, numa revolução apoiada por uma intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e de países árabes, e acelerou ainda mais o programa nuclear militar. Houve um teste nuclear em 2013 e dois no ano passado.

Na análise do regime da Coreia do Norte, Kadafi abriu mão de suas armas de destruição em massa para se aproximar do Ocidente e, quando foi atacado, não teve como se defender. Sob Kim Jong Un, o arsenal nuclear deixou de ser um instrumento de barganha política para se tornar a última garantia de segurança do regime.

O terceiro Kim ameaçou disparar mísseis contra a ilha de Guam, uma possessão americana no Pacífico com duas bases militares dos EUA. Sabe que não pode atacar porque seu regime seria destruído, mas fica fazendo sua dança de guerra e apresentando armas para pressionar os EUA a cederem diplomaticamente.

domingo, 27 de agosto de 2017

Maior jornal do Arizona condena perdão de Trump a xerife linha-dura

Para o maior jornal do estado do Arizona, Arizona Republic, o perdão do presidente Donald Trump ao xerife Joseph Arpaio "foi um tapa na cara dos latinos e de todos os outros". O jornal vê uma prova de que "o racismo institucional é claramente um objetivo de Trump".

Em editorial, o jornal observa que "o perdão de Joe Arpaio eleva o ex-xerife do condado de Maricopa ao status de monumento entre a linha-dura anti-imigração e os nacionalistas da base de Trump. Isso elimina qualquer dúvida de que Trump quis lhes dar poder depois da violência em Charlottesville. Arpaio é seu queridinho. Está de volta agora no seu pedestal graças ao presidente."

A decisão, acrescenta o editorial, agride todos os americanos que acreditam em "justiça, dignidade humana e Estado de Direito": "A ampla maioria dos latinos do Arizona não são indocumentados, mas todos se sentiram sob escrutínio enquanto Arpaio cultivava sua imagem. O perdão é um tapa na cara de quem trabalhou no sistema judicial para fazer Arpaio ser responsabilizado. Tirou a justiça dos que foram atingidos por suas políticas antes mesmo que ele fosse sentenciado."

O jornal concluiu que fica evidente que Trump não tem interesse em ser o presidente de todos os americanos e regride a uma era onde era tolerável discriminar minorias: "Isto deve preocupar todo americano que acredita que nosso dever como nação é continuar trabalhando em favor de uma justiça igual para todos."

Senadora acusa Trump de violar a lei ao perdoar o xerife Arpaio

A senadora democrata Dianne Feinstein, da Comissão de Justiça do Senado dos Estados Unidos, criticou duramente o presidente Donald Trump por dar indulto ao xerife Joseph Arpaio, condenado por desacato à Justiça ao perseguir imigrantes latino-americanos.

"O xerife Arpaio não deveria ter sido perdoado", afirmou Feinstein no Twitter. "Um perdão por sua conduta demonstra um desrespeito flagrante pelo Estado de Direito neste país. "Durante anos, o xerife Arpaio violou os direitos civis. Com este perdão, o presidente Trump indica que aprova seu comportamento."

Arpaio foi condenado por desacato ao não cumprir decisão judicial proibindo medidas discriminatórias contra os imigrantes latino-americanos.

Trump tentou aproveitar a comoção nacional causada pelo furacão Harvey para tentar que a notícia virasse a principal manchete. Na terça-feira, o presidente vai ao Texas inspecionar pessoalmente a destruição e visitar feridos.

sábado, 26 de agosto de 2017

Trump ameaça fechar governo para conseguir dinheiro para o muro

Em outra atitude personalista e narcisista, o presidente Donald Trump ameaça paralisar as atividades não essenciais do governo dos EUA, se o Congresso não aprovar verba para a construção de um muro na fronteira com o México no orçamento do ano fiscal que começa em 1º de outubro.

A bancada democrata promete não dar nenhum voto para financiar o muro, observa o jornal The New York Times. Também há relutância entre os republicanos.

Durante a campanha eleitoral e em comícios mesmo depois da posse, Trump afirmou que o México iria pagar pelo muro. Agora, insiste em colocar a conta no orçamento federal dos EUA.

Trump também precisa convencer o Congresso a aprovar um aumento do limite do teto de gastos do governo federal. Para a direita republicana, autorizar mais despesas públicas é um anátema.

Nas últimas semanas, o presidente pressionou os republicanos no Capitólio e ameaçou vários diretamente, como os senadores do Arizona. O senador John McCain votou contra a revogação do programa de saúde do governo Barack Obama. Foi o voto que faltou.

A animosidade do presidente com os deputados e senadores de seu próprio partido dificulta a aprovação de matérias consideradas importantes por Trump. Alguns analistas políticos entendem que ele age como um presidente independente, sem vínculos com partidos.

ONU pede trégua na Batalha de Rakka para resgatar 25 mil civis

A Organização das Nações Unidas pediu à coalizão de 68 países liderada pelos Estados Unidos um cessar-fogo na Batalha de Rakka, a capital da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, na Síria, para resgatar cerca de 25 mil civis que estariam encurralados na cidade, alvo de 250 ataques aéreos em uma semana.

"Não consigo pensar num lugar pior hoje na Terra", declarou em Genebra, na Suíça, o diplomata norueguês Jan Egeland, ex-secretário-geral adjunto da ONU para ajuda humanitária. "As pessoas não podem fugir por causa do risco de bombardeios aéreos. É hora de pensar nas possibilidades de uma trégua que possa facilitar a saída dos civis."

Desde que a batalha começou, em junho de 2017, centenas de civis foram mortos, estima a organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional. O Estado Islâmico tenta impedir a fuga dos civis para usá-los como escudos humanos.

Os sobreviventes enfrentaram minas e armadilhas do Estado Islâmico, além de atiradores alvejando quem tentava escapar, uma barragem de artilharia e bombardeios aéreos. Ao sul do Rio Eufrates, vilas e campos de refugiados foram atacados por forças leais à ditadura de Bachar Assad

A oposição síria fala em dezenas de mortos nos bombardeios desta semana. O comandante militar americano, general Stephen Townsend, declarou em Bagdá "não ter visto informações concretas de que o número de vítimas civis em Rakka tenha aumentado em algum grau significativo.""

Além da coalizão aérea, as Forças Democráticas Sírias (FDS), uma milícia árabe-curda apoiada pelos EUA, estão bombardeando Rakka. As FDS são a força terrestre da coalizão. Mais da metade de Rakka já estaria em seu poder.

No Iraque, o Estado Islâmico também está sendo derrotado, na Batalha de Tal Afar, última cidade importante em seu poder. É o fim do califado proclamado pela milícia terrorista em junho de 2014, semanas depois da conquista de Mossul, a segunda maior cidade iraquiana, retomada pelo governo em julho.

Com o fim de seu protoestado, o Estado Islâmico volta a ser apenas um grupo terrorista clandestino. Isso não o torna menos perigoso, como mostram os atentados contra grandes cidades europeias nos últimos anos.

Só no Iraque e na Síria, foram mais de 1,5 mil ataques nos últimos meses em áreas antes dominadas pela milícia. Mas é o terrorismo contra o Ocidente que dá maior visibilidade aos jihadistas e permite recrutar novos voluntários para o martírio.

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Trump indulta xerife que perseguia imigrantes no Arizona

Três dias depois do patético discurso de Phoenix, em que reafirmou sua tolerância com grupos de extrema direita, o presidente Donald Trump perdoou um dos policiais mais polêmicos e linha-dura dos Estados Unidos, o xerife Jo Arpaio, do condado de Maricopa, no estado do Arizona, informou o jornal The New York Times.

Em julho, Arpaio foi condenado criminalmente por desacatar uma ordem judicial contra barreiras nas estradas tendo como alvo imigrantes e outras medidas arbitrárias, discriminatórias e inconstitucionais para capturar ilegais.

Nas palavras de Trump, "o xerife Jo foi punido por fazer o seu trabalho". Se o presidente começar a indultar policiais acusados de violar os direitos humanos, corre o risco de criar um caos jurídico, adverte o jornal.

Trump indica que agentes públicos que desrespeitarem decisões judiciais terão cobertura do presidente. Ele já sugeriu que perdoaria a si mesmo no escândalo sobre conluio com o Kremlim durante a campanha eleitoral.

EUA impõem novas sanções à ditadura de Maduro na Venezuela

Para pressionar a ditadura de Nicolás Maduro, os Estados Unidos anunciaram hoje a adoção de sanções que proíbem a compra de novos bônus lançados pelo governo da Venezuela e pela companhia estatal Petroleos de Venezuela (PdVSA). As medidas não atingem o setor de petróleo nem os títulos já emitidos que estão em negociação no mercado.

Com as sanções, cai drasticamente a capacidade da Venezuela e da PdVSA de captar recursos no mercado para refinanciar suas dívidas, aumentando o risco de calote. Até agora, apesar da crise econômica brutal, com queda de 30% no produto interno bruto, inflação prevista para 1.200% neste ano, desabastecimento de mais de 80% dos produtos básicos e 81% vivendo na pobreza, o governo não caloteou suas dívidas.

São as primeiras medidas contra a economia da Venezuela. Desde o início do ano, 30 altos funcionários venezuelanos foram alvo de sanções. Agora, ficaram fora das sanções os bônus de menos de 30 dias da dívida pública e os de menos de 90 dias da PdVSA, que assim poderá comercializar seus produtos.

"Estas medidas são cuidadosamente calibradas para negar à ditadura de Maduro uma fonte crítica de financiamento para manter o poder ilegítimo, proteger o sistema financeiro dos EUA de cumplicidade com a corrupção e o empobrecimento do povo venezuelano e permitir a assistência humanitária", declarou a Casa Branca.

Herdeiro da Samsung pega cinco anos de cadeia por corrupção

O herdeiro, vice-presidente e ex-diretor-executivo da Samsung, a maior fabricante mundial de produtos eletroeletrônicos, Lee Jae Yong, foi condenado hoje a cinco anos de prisão no escândalo de corrupção que causou o impeachment da presidente Park Geun Hye, em março de 2017.

No processo, que durou seis meses, Lee foi acusado de pagar milhões de dólares em suborno, entre outros motivos, para obter aprovação das autoridades regulatórias para aquisições feitas pelo megaconglomerado, desvio de dinheiro, esconder bens no exterior, mentir sob juramento e obstrução de justiça.

O modelo capitalista sul-coreano criou megaempresas familiares, conhecidas como chaebol, que têm forte poder de pressão sobre o governo. A Samsung é uma empresa de US$ 300 bilhões.

Além de eletroeletrônicos, construção civil, estaleiros e indústria pesada, a Samsung tem hospitais, universidades e até parques de diversões na Coreia do Sul. É uma companhia intimamente ligada ao processo de desenvolvimento do país, um dos pouquíssimos a conseguir superar o subdesenvolvimento no século 20.

Maioria dos americanos vê Trump dividindo o país

Cerca de 62% dos eleitores americanos entendem que o presidente Donald Trump está dividindo os Estados Unidos, enquanto 31% acreditam que ele está unindo o país, indica uma pesquisa nacional divulgada ontem pela Universidade Quinnipiac.

A aprovação de Trump caiu de 39,57% em 17 de agosto para 35,59%. Eleitores de todos os partidos, gêneros, níveis educacionais, idades e grupos raciais desaprovam o presidente, à exceção dos republicanos. Entre os eleitores do seu partido, Trump tem 77,14% de apoio.

O presidente consegue maiorias escassas no eleitorado branco sem curso superior (52,4%) e entre os homens brancos (50,46%).

Depois dos conflitos racistas provocados por neonazistas em Charlottesville, na Virgínia, quando Trump culpou primeiro "muitos lados" e "ambos os lados", 60,32% não gostaram da reação do presidente.

Para 59% dos entrevistados na pesquisa, 59% concordaram que as declarações, as decisões e o comportamento de Trump encorajam os supremacistas brancos, enquanto 3% disseram que desencoraja e 35% que não têm maior impacto.

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Catar restabelece relações plenas com o Irã

Numa medida que deve irritar ainda mais a Arábia Saudita e as outras monarquias petroleiras do Oriente Médio, o Catar restabeleceu hoje relações diplomáticas plenas com o Irã. O Ministério do Exterior catarino anunciou o envio de um embaixador a Teerã depois de um ano e dez meses.

O Catar havia retirado seu embaixador de Teerã em janeiro de 2016 em resposta a ataques contra instalações diplomáticas sauditas no Irã. A retirada do embaixador é o último passo antes do rompimento total

Não houve explicação oficial para o reatamento. É uma retaliação ao boicote ao Catar declarado em junho pela Arábia Saudita, o Egito, os Emirados Árabes Unidos e o Bahrein, sob a alegação de que o Catar apoia o terrorismo e é próximo do Irã, o arqui-inimigo das monarquias petroleiras sunitas do Golfo Pérsico.

Esses países cortaram as ligações com o Catar por terra, mar e ar. A Alemanha, os Estados Unidos e o Kuwait tentaram intermediar um acordo, sem sucesso. O Catar rejeitou as 13 exigências dos vizinhos, que incluíam uma ruptura total com o Irã e o fechamento do canal de telejornalismo Al Jazira.

A crise se agravou com a visita de um membro do ramo da família real do Catar derrubado num golpe de Estado em 1972 à mansão do sultão da Arábia Saudita perto de Tânger, no Marrocos. O encontro foi visto como um possível desafio aos atuais governantes catarinos.

China repudia sanções a empresas com negócios na Coreia do Norte

A China protestou ontem contra sanções unilaterais adotadas pelos Estados Unidos contra empresas chinesas e russas que fazem negócios com a Coreia do Norte supostamente relacionados aos programas de mísseis e de armas nucleares norte-coreanos.

O regime comunista chinês declarou que segue as resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas e denunciou o "longo braço da lei" americana, a extraterritorialidade que se dá o direito de intervir em outras jurisdições. Beijim exige o fim imediato das sanções a empresas e indivíduos da China, sob pena de abalar as relações entre os dois países.

"A China se opõe especialmente a qualquer país que aplique uma "jurisdição de braço longo" a indivíduos e entidades chinesas", declarou a porta-voz do Ministério do Exterior, Hua Chunying, em entrevista coletiva de rotina. "As medidas tomadas pelos EUA não ajudam a a resolver o problema e não ajudam a cooperação e a confiança mútuas. Pedimos aos EUA para parar com as prática relevantes imediatamente."

Apesar de se declarar contra sanções unilaterais, a China usa o comércio para punir países que contrariam seus objetivos. É o caso da Coreia do Sul, por causa do sistema antimísseis que está sendo instalado no país pelos EUA. A China teme que possa ser usado contra ela.

Entre as empresas atingidas está a Dandong Zhicheng, uma das maiores importadoras de carvão norte-coreano, responsável por 9,2% das exportações da Coreia do Norte à China no ano passado. Os EUA estão cobrando US$ 4 milhões desta empresa, que também vende vários produtos à Coreia do Norte, de telefones celulares e artigos de luxo a borracha e açúcar.

Outras duas companhias chinesas, Dandong Tianfu Trade e Jinhou International Holdings, também foram atingidas por causa das importações de carvão norte-coreano.

O total das importações chinesas da Coreia do Norte caiu 13% para US$ 880 bilhões no primeiro semestre de 2017. As exportações chinesas para o país vizinho cresceram 29% para US$ 1,67 bilhão.

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Quatro presos são denunciados por terrorismo na Catalunha

Os quatro suspeitos presos depois dos atentados em Barcelona e no balneário de Cambrils foram denunciados criminalmente hoje por "pertencer a uma organização terrorista, assassinatos terroristas e posse de explosivos", noticiou a Agência France Presse (AFP). A Justiça decide à tarde se continuam presos. A promotoria exige que fiquem na cadeia.

Em seu depoimento, um dos presos, Mohamed Houli Chemlal, confessou que a célula terrorista planejava um atentado muito maior contra a igreja da Sagrada Família, um dos principais símbolos de Barcelona. Os atentados causaram 15 mortes e deixaram mais de 120 feridos.

Três suspeitos foram ouvidos num tribunal em Ripoll, onde moravam, e um em Alcanar, onde a explosão de uma casa na quarta-feira passada indica que o local era usado para preparar bombas.

A organização terrorismo Estado Islâmico do Iraque e do Levante reivindicou a autoria dos ataques. Como sempre faz isso, fica a suspeita de que se trata de uma declaração oportunista para levar a glória e mostrar força diante de seus seguidores.

A grande dúvida é se a célula terrorista foi inspirada pelo Estado Islâmico ou se tem algum contato direto com a organização no Oriente Médio. O imã da mesquita de Ripoll, Abdel Baki es-Satti, suspeito de ser o idealizador dos atentados, pode ter morrido na casa de Alcanar.

Se havia uma célula terrorista, pode ser uma indicação de uma nova estratégia do Estado Islâmico. Com a perda de quase todos os territórios conquistados no Iraque e na Síria, o Estado Islâmico estaria instalando células junto às grandes cidades da Europa, onde seus atentados têm maior visibilidade. Mostram que o grupo está vivo e ativo, pronto para recrutar novos voluntários para a "guerra santa" e o martírio.

Trump amplia intervenção militar dos EUA no Afeganistão

Depois de admitir que seu "instinto" era cair fora, cedendo à pressão generais, o presidente Donald Trump anunciou ontem à noite que vai intensificar a participação dos Estados Unidos na Guerra do Afeganistão, a mais longa da história americana, e aumentar a pressão sobre o Paquistão. Mas não deu detalhes importantes como número de soldados.

"Meu instinto original era cair fora", declarou Trump em pronunciamento diante da tropa perfilada em Forte Myers, no estado da Virgínia. Antes de chegar à Casa Branca, ele descreveu a intervenção no Afeganistão como um "total desperdício".

Os EUA começaram a atacar o Afeganistão em 7 de outubro de 2001 para vingar os atentados de 11 de setembro daquele ano em Nova York e no Pentágono, cometidos pela rede terrorista Al Caeda, que vivia sob a proteção do regime islamita da milícia extremista muçulmana dos Talebã (Estudantes).

Quando o saudita Ossama ben Laden e parte da cúpula d'al Caeda escaparam na Batalha de Tora Bora, em dezembro de 2001, o então presidente George Walker Bush desviou os esforços e recursos dos EUA para invadir o Iraque de Saddam Hussein em março de 2003.

Com a negligência americana, os Talebã sempre incomodaram o governo sustentado pelos EUA. O presidente Barack Obama fez campanha prometer retirar as tropas americanas do Iraque e do Afeganistão. Acabou saindo do Iraque por não chegar a um acordo com o então primeiro-ministro Nuri al-Maliki para garantir imunidade aos soldados americanos.

Diante do surgimento e do crescimento da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Obama decidiu enviar mais forças ao Iraque e manter no Afeganistão um contingente capaz de entrar em combate, ainda que sua missão principal fosse até agora assessorar as forças de segurança afegãs.

Trump está decidido a se mostrar capaz de usar a força. Prometeu a vitória sem definir o que considerará vitória. Para o ex-comandante militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), general Wesley Clark, a "nova estratégia" do presidente mais parece uma jogada para sair por cima.

Ao analisar a situação na televisão americana CNN, o comentarista Fareed Zakaria observou que a estratégia de Trump implica em ocupar o Afeganistão durante um longo tempo. Os Talebã controlam hoje quase a metade do território afegão, uma das razões do presidente para intensificar a guerra.

A ajuda militar dos EUA ao Afeganistão equivale a 40% do produto interno bruto do país. Se levar em conta toda a ajuda americana, deve superar o PIB afegão. Sem os EUA e sua ajuda econômica, o governo fatalmente cairia. Os Talebã estão certo disso. Esperam retomar o poder com a saída dos americanos.

Quando ao Paquistão, comentou Zakaria, "todo o suprimento das forças americanas passa pelo Paquistão. Como vamos pressionar o Paquistão? Dependemos do Paquistão para fazer a guerra no Afeganistão."

O que disse Trump? "Não podemos mais ficar em silêncio enquanto o Paquistão for um refúgio para organizações terroristas como os Talebã e outros grupos que são uma ameaça para a região e além dela. O Paquistão tem muito a ganhar como parceiro de nossos esforços no Afeganistão. Tem muito a perder se continuar abrigando terroristas."

Os EUA não esquecem que o líder supremo da Caeda, Ossama ben Laden, estava escondido numa mansão em Abotabade, perto da principal academia militar do Paquistão, um país dominado pelas Forças Armadas desde a independência do Império Britânico e da divisão da Índia, há 70 anos.

As Forças Armadas paquistanesas negaram que o país seja usado como base para terroristas atacarem outros países. É uma grande mentira.

Os militares paquistaneses usam grupos extremistas muçulmanos para fustigar a Índia, inimiga histórica, e fomentam a instabilidade do Afeganistão, apoiando a milícia dos Talebã e a Rede Hakkani, uma espécie de braço armado do Exército do Paquistão na guerra civil afegã.

Aliado da China, ambos são inimigos da Índia, o Paquistão pode resistir tranquilamente a sanções dos EUA.

"Não vamos construir nações, vamos matar terroristas", afirmou o presidente. "Se sairmos rapidamente, as consequências são previsíveis e inaceitáveis." Ele prometeu dar carta branca aos generais para que empreguem a força necessária para a vitória.

Mas, sem um governo e uma economia que funcionem, será impossível vencer a guerra e conquistar a paz. Trump disse que levou tempo estudando o Afeganistão "sob todos os ângulos". Não aprendeu muito.

O Afeganistão é chamado de "cemitério dos impérios". Desde Alexandre, o Grande, considerado um dos maiores generais de todos os tempos, que morreu em 323 antes de Cristo, foi campo de batalha para vários impérios que não conseguiram subjugá-lo, nem os mongóis, nem os britânicos, nem os russos e nem a União Soviética.

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Catalunha anuncia morte do terrorista de Barcelona

O principal suspeito de dirigir a caminhonete que matou 13 pessoas e deixou mais de 100 feridas em Barcelona na quinta-feira passada, Younes Abouyaaqoub, foi morto hoje na cidade de Subirats, informou a polícia da Catalunha, uma região autônoma da Espanha.

Na hora da morte, Abouyaaqoub tinha um falso cinturão de explosivos. Depois de abandonar a caminhonete e fugir da Rambla, ele teria esfaqueado mortalmente uma pessoa, elevando o total de mortos no ataque à capital da Catalunha para 14.

A organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante reivindicou a autoria do atentado. Não se sabe se apenas inspirou o atentado ou se a célula terrorista tinha contato com a liderança do grupo no Oriente Médio.

O inquérito se volta agora para o imã da mesquita da cidade de Ripoll, onde vivia a maioria dos terroristas envolvidos nas ações em Barcelona e Cambrils. Abdel Baki es-Satti é suspeito da ser o responsável pela radicalização dos jovens jihadistas. Ele pode ter morrido na explosão da casa em Alcanar onde o grupo preparava explosivos para um grande ataque em Barcelona, provalvemente contra a igreja da Sagrada Família.

Venezuela proíbe lojas de dar dinheiro

Com a hiperinflação e a escassez de papel-moeda, a Superintendência das Instituições do Setor Bancário (Sudeban) anunciou no sábado a proibição de que as lojas da Venezuela deem dinheiro aos consumidores. O objetivo é combater uma suposta fuga de dinheiro rumo à fronteira da Colômbia, onde o contrabando é intenso já que falta quase tudo na Venezuela por causa da depressão econômica.

Em vez de admitir que a falta de notas é resultado da hiperinflação, que deve chegar a 1.200% em 2017, o regime chavista alega que 30% do dinheiro saem do país através da fronteira coma Colômbia.

Mais de 300 mil venezuelanos cruzaram a fronteira com a Colômbia nos últimos meses para escapar da crise. O ditador Nicolás Maduro insiste nas políticas fracassadas de expropriações e controles de câmbio e de preços que causaram um desabastecimento sem precedentes.

Desde a morte de Hugo Chávez, em 2013, o produto interno bruto venezuelano perdeu 40% e a renda média por pessoa caiu pela metade, neutralizando os ganhos sociais e revertendo a redução da pobreza. Hoje, mais de 80% dos venezuelanos são pobres e o desabastecimento é generalizado.

Sem diálogo com a oposição, libertação dos 676 presos políticos e reformas econômicas liberalizantes, a Venezuela não vai sair do buraco em que se meteu com o "socialismo do século 21" pregado por Chávez. Mas nada indica que o regime esteja disposto a ceder.

A convocação por Maduro de uma Assembleia Nacional Constituinte para usurpar os poderes da Assembleia Nacional eleita democraticamente em 6 de dezembro de 2015 consolida a ditadura. A Constituinte de Maduro tem plenos poderes e se deu dois anos de prazo para concluir o trabalho.

Os manifestantes que protestam diariamente desde o início de abril ficaram atônitos com a facilidade com que os constituintes tomaram o lugar dos deputados eleitos de acordo com a Constituição, que exige um plebiscito para convocar uma Constituinte.

Por isso, a oposição nega legitimidade à Constituinte. A Venezuela tem hoje instituições paralelas disputando o poder.