segunda-feira, 12 de março de 2018

Primeira-ministra britânica acusa Rússia de tentar matar agente duplo

Em discurso hoje à tarde na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, a primeira-ministra Theresa May considerou "muito provável" que o governo da Rússia seja responsável pela tentativa de assassinato do ex-agente duplo Serguei Skripal. Ele e a filha foram encontrados inconscientes numa praça da cidade de Salisbury, na Inglaterra, em 4 de março, e continuam hospitalizados em estado grave.

"Não podemos tolerar uma tentativa descarada de assassinar civis inocentes em nosso solo", bradou May.

A Rússia nega qualquer participação no ataque, mas restam poucas dúvidas. O governo britânico exigiu explicações da Rússia até amanhã à noite junto à Organização para a Proscrição de Armas Químicas (OPAQ), já que a arma usada foi um agente nervoso proibido. Caso contrário, ameaça impor novas sanções.

Skripal passou nomes de agentes russos aos serviços secretos ocidentais. Preso em 2004, foi condenado a 13 anos de prisão, mas saiu numa troca de espiões realizada com os Estados Unidos, em 2010.

May quer o apoio e a solidariedade dos países da Europa, dos quais o Reino Unido está se afastando ao sair da União Europeia. Ela prometeu medidas duras. Durante o debate, um deputado chegou a sugerir o confisco de bens e propriedades de aliados do presidente Vladimir Putin no país.

Com a Brexit (saída britânica da UE), o Reino Unido fica mais frágil. May sabe que as relações econômicas com a Rússia serão importantes quando o país sair do processo de integração europeia.

Em novembro de 2006, o ex-espião russo Alexander Litvinenko definhou diante das câmeras até morrer depois de ser envenenado por ex-colegas com Polônio-210 num hotel de Londres. O principal acusado, Andrei Lugovoi, é hoje deputado da Duma do Estado, a câmara baixa do Parlamento da Rússia.

domingo, 11 de março de 2018

Congresso da China confirma fim dos limites à reeleição presidencial

Como esperado, o Congresso Nacional do Povo aprovou hoje uma emenda constitucional acabando com os limites à reeleição do presidente da China, em vigor há 35 anos. Na prática, Xi Jinping deve virar presidente perpétuo e ditador vitalício, praticamente um imperador.

A proposta teria sido lançada pelo próprio Xi numa reunião do Comitê Central do Partido Comunista em 29 de setembro, antes mesmo de ser oficialmente reconduzido à liderança do partido, em outubro. Para não parecer um ditador, Xi deixou a iniciativa para dirigentes municipais e provinciais do partido.

Quando o então presidente Hu Jintao propôs reformas constitucionais, os projetos de emenda circularam nos órgãos do partido dois meses antes da sessão anual do Congresso. A proposta de reeleição ilimitada surgiu apenas oito dias antes, deixando pouco tempo para uma possível contestação, que não aconteceu.

Ao que tudo indica, Xi Jinping tem hoje amplo controle da máquina do partido e do governo. Os ex-presidentes Jiang Zemin e Hu Jintao, os únicos capazes de articular alguma reação, poderiam ser atingidos pela campanha anticorrupção usada por Xi para consolidar o poder. Numa ditadura, todos os líderes fazem seus negócios sujos.

Dos 2.964 delegados, 2.958 aprovaram a entronização de Xi como imperador praticamente por unanimidade. Só dois votaram contra. Houve três abstenções e um voto nulo.

Além da reeleição sem limites, o parlamento chinês votou a favor de outras 20 propostas de mudanças na Constituição, inclusive a que coloca o pensamento de Xi em seu preâmbulo.

Com seus superpoderes, o ditador está desmantelando as estruturas de poder criadas pelo dirigente Deng Xiaoping, o grande arquiteto das reformas econômicas, para evitar o culto da personalidade da era Mao Tsé-tung, que levou a grandes erros e catástrofes históricas como o Grande Salto para a Frente (1958-61) e a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76).

A China volta a viver o dilema do bom imperador ou mau imperador, observou o jornal inglês Financial Times. Em comparação, Xi tem hoje muito mais poder. Mao era o líder da um país pobre, uma potência nuclear introvertida com uma turba de fanáticos que carregava seu livrinho vermelho. Xi preside um país que marcha para se tornar a maior economia do mundo sob um regime político cada vez mais totalitário.

sábado, 10 de março de 2018

Total de mortos na ofensiva síria em Guta Oriental passa de mil

A ofensiva do Exército da Síria e aliados contra o reduto rebelde de Guta Oriental, nos arredores de Damasco, lançada em 18 de fevereiro, matou mais de mil civis, anunciou hoje o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização não governamental com sede em Londres que monitora a guerra civil no país.

"Oito civis foram mortos nas cidades de Arbine e Harasta. Outros 17 corpos foram retirados dos escombros da cidade de Duma, elevando o total de mortos na ofensiva para 1.002 civis, inclusive 215 crianças", declarou o Observatório.

Além do incessante bombardeio, com o apoio da Força Aérea da Rússia, as forças leais à ditadura de Bachar Assad, que incluem milícias iranianas e milícias xiitas financiadas pelo Irã como a libanesa Hesbolá, fizeram um grande avanço por terra. Isolaram Duma, a maior cidade do distrito de Guta Oriental, uma região agrícola na periferia da capital síria.

Diante da impotência da sociedade internacional, o regime sírio está determinado a reconquistar Guta Oriental, o último reduto rebelde na região de Damasco, cercado desde 2013, com seus 400 mil habitantes submetidos a intensos bombardeios.

Em 21 de agosto de 2013, um bombardeio com armas químicas causou a morte de 1.729 pessoas. O presidente americano Barack Obama havia prometido represálias, mas aceitou um acordo proposto pela Rússia pelo qual a Síria abriria mão de seu arsenal químico.

Obama hesitou, a Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico negou autorização ao primeiro-ministro britânico, David Cameron, para usar a força e a Rússia acabou intervindo militarmente em 20 de setembro e 2015 para evitar a derrota do aliado Assad, que hoje está perto da vitória.

A guerra civil síria completa sete anos neste mês de março com um balanço de mais de 500 mil mortes. Cerca de 12 milhões de pessoas, mais da metade da população do país no início do conflito, de 23 milhões, fugiram de casa; 5 milhões saíram da Síria.

sexta-feira, 9 de março de 2018

EUA criaram mais 313 mil empregos em fevereiro

Acima de todas as expectativas, a economia dos Estados Unidos abriu 313 mil novas vagas a mais do que fechou em fevereiro de 2018, o maior ganho desde julho de 2016, revelou hoje o relatório mensal de emprego do Departamento do Trabalho. 

Com mais de 800 mil pessoas entrando no mercado de trabalho, a taxa de desemprego ficou em 4,1% pelo quinto mês consecutivo. É a menor desde dezembro de 2000. Foi a maior expansão na oferta de mão de obra desde 1983.

Os números dos meses anteriores foram revisados, o de janeiro para 239 mil postos de trabalho e o dezembro para 175 mil, com um ganho de 54 mil empregos. A média dos primeiros dois meses deste ano superou a do ano passado, de 182 mil vagas.

Em princípio, o baixo desemprego aumenta a pressão sobre os salários e a inflação. Apesar da alta anual nos salários de 2,6%, inferior aos 2,8% do mês anterior, o Conselho da Reserva Federal (Fed) deve elevar a taxa básica de juros em ritmo mais agressivo.

O Fed sinalizou em dezembro que faria três altas de juros de 0,25 ponto percentual ao longo deste ano. O mercado já aposta em quatro.

quinta-feira, 8 de março de 2018

Trump aceita convite de Kim Jong Un para ir à Coreia do Norte em maio

Em carta enviada através de uma delegação da Coreia do Sul, o ditador Kim Jong Un convidou o presidente Donald Trump a visitar a Coreia do Norte em maio. Trump aceitou. Os Estados Unidos exigem o fim do programa norte-coreano de armas nucleares. O Norte quer garantias de segurança.

A carta de Kim foi entregue hoje ao assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, Herbert McMaster, por seu colega sul-coreano, Chung Eui Yong. Meia hora depois, o convite foi aceito.

Até agora, os EUA exigiam um compromisso claro de desnuclearização da Coreia do Norte. Há pouco, o secretário de Estado, Rex Tillerson, estimou que seriam necessários meses para organizar um diálogo com o regime comunista de Pyongyang. Mas Trump gosta de surpreender.

O anúncio do encontro de cúpula com o ditador que chamava de "fogueteiro" veio em outro dia de grandes notícias envolvendo o presidente, como a imposição de tarifas sobre as importações de aço e alumínio e o escândalo sexual com a atriz pornô Stormy Daniels, a quem um advogado de Trump pagou US$ 130 mil (R$ 423 mil) para não falar sobre um suposto caso entre os dois.

Mulheres fazem greve por igualdade de direitos na Espanha

As espanholas festejaram o Dia Internacional da Mulher com uma greve e uma mobilização nacional pela igualdade de direitos. Com passeatas em mais de 120 cidades e paralisações, centenas de milhares protestaram contra a discriminação, o assédio e a violência, noticiou o jornal espanhol El País.

Seis milhões de trabalhadoras pararam, de acordo com a estimativa das centrais sindicais que apoiaram o movimento que suscitou todos os debates sobre desigualdade, da corresponsabilidade na administração da casa e da família, da desigualdade de salários e aposentadorias, da discriminação sexual, do assédio e da violência contra a mulher.

A greve feminista coloca a Espanha na vanguarda da luta pela emancipação da mulher e a igualdade de direitos, observa o jornal. "Se nós paramos, o mundo para", era o lema do movimento.

Além de denunciar a violência sexual, as feministas espanholas foram ajudadas na mobilização por uma pesquisa recente que mostra que as mulheres ganham em média 13% a menos por tarefas semelhantes.

Em Madri, o governo estimou em 170 mil o número de manifestantes, enquanto as centrais sindicais inflaram esse número para um milhão. Em Barcelona, a polícia estimou o tamanho da multidão em 200 mil; as organizadoras falaram em 600 mil.

Trump sobretaxa importações e ameaça impor tarifas recíprocas

O presidente Donald Trump deu hoje o primeiro tiro numa guerra comercial de consequências imprevisíveis, capaz de abalar o sistema multilateral de comércio criado pelos Estados Unidos depois da Segunda Mundial (1939-45) para evitar a volta da Grande Depressão (1929-39). 

Além de sobretaxar as importações de aço em 25% e de alumínio em 10%, Trump ameaçou impor tarifas-espelho ou recíprocas no comércio exterior dos EUA. As novas tarifas entram em vigor em 15 dias. O Canadá e o México ficam isentos "por enquanto". Segundo maior exportador de aço para o mercado americano, o Brasil será afetado.

Ao lado de trabalhadores dos setores de aço e alumínio, o presidente se queixou do tratamento injusto que a maior economia da Terra teria recebido de seus rivais menos poderosos nas últimas décadas. Em seu estilo de palanque, mentiu sobre o déficit comercial dos EUA, dizendo ser de US$ 800 bilhões. No ano passado, foi de US$ 566 bilhões.

"Vocês qual a tarifa que carros importados dos EUA pagam na China? 25%. E os carros chineses pagam tarifa de 2,5?% para entrar nos EUA", afirmou Trump. "Isto vai mudar. Se cobram 25%, vamos cobrar 25%, tarifas-espelho, recíprocas."

Trump usou o argumento da segurança nacional, o artigo 232 da Lei de Comércio dos EUA, que não faz sentido porque o país não importa muito aço da China, só 2% do total. Os maiores exportadores de aço para o mercado americano são o Canadá e o Brasil, aliados e não inimigos dos EUA.

"Temos amigos e inimigos que lucraram muito conosco em comércio e defesa", acrescentou o presidente americano. "Se olharmos a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), a Alemanha paga 1% do produto interno bruto e nós pagamos 4,2% de um PIB muito maior. Não é justo."

Os maiores parceiros comerciais dos EUA, a China, a União Europeia e o Canadá, ameaçaram impor tarifas retaliatórias às exportações americanas, numa guerra comercial. A UE exporta aço no valor de cerca de 5 milhões de euros por ano e outro milhão de euros em alumínio para os EUA. A comissária de Comércio Exterior, Cecilia Malmström, preparou uma lista de produtos tradicionais americanos a serem sobretaxados, inclusive manteiga de amendoin e whiskey bourbon.

A decisão de excluir o Canadá e o México aumenta a pressão sobre esses países na renegociação do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta).

Em protesto, depois de perder o debate com a ala protecionista, o principal assessor econômico da Casa Branca, Gary Cohn, um democrata, anunciou sua saída. A maioria dos economista prevê um aumento nos preços do aço e do alumínio com reflexos na fabricação de todos os produtos industriais dependentes destas matérias-primas.

Uma guerra comercial pode ter consequências arrasadoras. A última guerra comercial em escala global levou à Grande Depressão, principal causa econômica da Segunda Guerra Mundial.

Dentro do próprio Partido Republicano, os defensores do liberalismo econômico criticaram a decisão de Trump. O presidente da Câmara, deputado Paul Ryan, foi claro: "Estou em desacordo com estas decisão e creio que as consequências são imprevisíveis."

Enquanto os EUA adotavam o protecionismo econômico, 11 países (Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Cingapura, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru e Vietnã) assinaram hoje em Santiago, no Chile, a Parceria Transpacífica (TPP).

O acordo comercial negociado pelo governo Barack Obama foi repudiado por Trump assim que chegou à Casa Branca, em janeiro de 2017. Os outros países decidiram tocar a frente a TTP mesmo sem os EUA.

Rússia ataca ex-espião na Inglaterra como no tempo da Guerra Fria

O stalinismo acabou como doutrina econômica, mas não como modo de governar. O ex-agente duplo Serguei Skripal, sua filha Yulia Skripal e o policial britânico que os socorreu estão hospitalizados em estado grave desde domingo, quando foram encontrados caídos numa praça próxima a um centro comercial da cidade de Salisbury. Suspeita-se que tenham sido envenenados pelo serviço secreto da Rússia com um agente neurotóxico.

Ao todo, 21 pessoas contaminadas estão em tratamento. Em discurso na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, a ministra do Interior, Amber Rudd, descreveu o ataque como "descarado, deplorável e cruel", comprometendo-se a "agir sem hesitação quando os fatos se tornarem claros". Ela informou ainda que a situação do detetive Nick Bailey é estável. O policial consegue "falar e se engajar numa conversa", declarou a ministra, citada pela televisão pública britânica BBC.

A Rússia, como de costume nestes casos, nega tudo. O ministro do Exterior do Reino Unido, Boris Johnson, prometeu não deixar impune. Com seu estilo de bufão, fez uma ameaça que soa ridículo diante da gravidade da situação: autoridades britânicas podem boicotar a Copa do Mundo na Rússia.

Durante a Guerra Fria, em 11 de setembro de 1978, o escritor dissidente búlgaro Georgi Markov foi morto o com veneno colocado na ponta de um guarda-chuva quando esperava um ônibus na Ponte de Waterloo, no centro de Londres.

Com o fim do comunismo, 26 anos depois o jornalista búlgaro Hristo Hristov descobriu nos arquivos do serviço secreto da Bulgária que o assassino foi o dinamarquês de origem italiana Francesco Gullino.

Em 1º de novembro de 2006, outro ex-espião russo, Alexander Litvinenko passou mal depois de um encontro com dois ex-colegas no Hotel Millennium. Andrei Lugovoi e Dimitri Kovtun haviam prometido informações sobre o assassinato em Moscou da jornalista russa Anna Politkovskaya, crítica do Kremlin e de Vladimir Putin.

Litvinenko se transfigurou diante das câmeras até morrer 23 dias depois, envenenado pelo elemento radioativo Polônio-210. Lugovoi é hoje deputado da Duma do Estado, a câmara baixa do Parlamento da Rússia.

Skripal foi condenado a 13 anos de prisão na Rússia em 2006 sob a acusação de revelar a identidade de agentes russos ao serviço secreto britânico MI6. Em 2010, ele foi um dos quatro apenados entregues aos Estados Unidos em troca da libertação de 10 espiões russos presos pelo FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal americana.

quarta-feira, 7 de março de 2018

Meio-irmão de Kim Jong Un foi morto por arma química proibida

O  ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Un, mandou matar seu meio-irmão Kim Jong Nam com o agente neurotóxico VX, uma arma química proibida, acusaram ontem os Estados Unidos. Pela lei americana, isso obriga o governo a impor novas sanções econômicas à ditadura comunista de Pyongyang no momento em que o regime norte-coreano admite negociar a desnuclearização com Washington.

"Os EUA condenam com firmeza o uso de armas químicas para cometer um assassinato", declarou a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert, com base em investigação dos serviços secretos do país.

Kim Jong Nam esperava um voo para Macau, na China, no aeroporto de Kuala Lumpur, na Malásia,  quando duas mulheres se aproximaram e jogaram a substância em seu rosto com uma seringa de injeção. Ele chegou a ser hospitalizado, mas morrem em seguida. Presas, as duas assassinas alegaram ter sido enganadas. Elas estariam apenas participando de uma gravação inocente de TV.

"Esta demonstração pública de desprezo em relação às normas universais contra o uso de armas químicas é uma prova suplementar da natureza perigosa da Coreia do Norte e sublinha que não podemos permitir e tolerar um programa de armas de destruição em massa norte-coreano, sejam quais forem", acrescentou a nota do Departamento de Estado.

A Coreia do Norte é alvo de uma série de sanções dos EUA e do Conselho de Segurança das Nações Unidas por causa de seus programas de mísseis e armas nucleares. O impacto de novas sanções seria limitado e poderia atrapalhar as possíveis negociações diretas EUA-Coreia do Norte.

Depois de uma visita a Kim Jong Un, uma delegação liderada pelo conselheiro de Segurança Nacional da Coreia do Sul anunciou que o regime stalinista norte-coreano marcou uma reunião de cúpula com o presidente sul-coreano, Moon Jae In, está disposto a negociar um acordo de paz com os EUA e a congelar seus testes de mísseis e armas atômicas durante as negociações.

É uma rara oportunidade, ainda que as exigências de segurança da Coreia do Norte, como a retirada total das forças americanas da Península Coreana, sejam inaceitáveis para os EUA. As bases militares americanas na Ásia, na Coreia do Sul e no Japão, estão lá mais para conter a China do que para proteger os aliados.

terça-feira, 6 de março de 2018

Principal assessor econômico de Trump sai por guerra comercial

A guerra comercial do presidente Donald Trump faz sua primeira vítima, na frente interna. O principal assessor econômico da Casa Branca, Gary Cohn, pediu demissão hoje por discordar da imposição de sobretaxas às importações de aço e alumínio. Cohn, ex-diretor do banco Goldman Sachs, é um defensor do liberalismo econômico.

É 21º alto funcionário da Casa Branca que cai fora do caótico governo Trump em pouco mais de um ano e um peso-pesado. Cohn presidia o Conselho Econômico Nacional e é considerado o maior responsável pela maior realização do atual governo, os cortes de impostos acusados de favorecerem os ricos e muito ricos.

"Gary era meu principal assessor econômico e fez um trabalho soberbo por nosso programa, especialmente na aprovação de um corte de impostos histórico e de reformas para a economia americana deslanchar uma vez mais", declarou Trump. "É um talento raro. Eu o agradeço pelo serviço dedicado ao povo americano."

Só no mês passado, saíram o secretário Rob Porter, acusado de espancamento por duas ex-mulheres, numa falha na verificação de seus antecedentes criminais, e a diretora de comunicações, Hope Kicks, que admitiu em depoimento ao Congresso dos Estados Unidos ter dito "pequenas mentiras" em defesa do presidente.

Cohn avisou na semana passada. Não ficaria se Trump insistisse em taxar o aço importado em 25% e o alumínio importado em 10%. Várias vozes dissidentes se insurgiram dentro do Partido Republicano, defensor do livre mercado.

Hoje o presidente da Câmara, deputado Paul Ryan, declarou que as tarifas deveriam ser aplicadas apenas a alguns países e citou a China.

Desde o anúncio, os maiores parceiros comerciais dos EUA, a China, a União Europeia e o Canadá, indicaram que pretendem retaliar. No fim de semana, Trump alegou no Twitter que "guerras comerciais são fáceis de ganhar". A maioria dos economistas aposta que todos perdem, a começar pelos EUA.

Os preços internos vão ficar mais altos e os ganhos na produção local serão muito menores do que as perdas, além do risco maior de uma guerra comercial capaz de destroçar o sistema multilateral de comércio construído pelos EUA no pós-guerra.

Coreia do Norte admite desarmar o programa nuclear

Em mais um gesto de reaproximação, o ditador da Coreia do Norte, Kim Jong Un, recebeu uma delegação da Coreia do Sul, marcou um encontro de cúpula para o fim de abril, admitiu congelar seu programa nuclear e discutir a desnuclearização com os Estados Unidos.

Todo diálogo parecia impossível poucos meses atrás com a guerrinha fria verbal entre Kim e o presidente Donald Trump. Na mensagem de Ano Novo, Kim manifestou a intenção de retomar as conversas com o Sul e de enviar atletas norte-coreanos para a Olimpíada de Inverno de Pyeongchang.

Sua irmã Kim Yo Jong foi aos Jogos. Esteve com o presidente sul-coreano, Moon Jae In. Um encontro com o vice-presidente dos EUA, Mike Pence, foi desmarcado na última hora por iniciativa norte-coreana.

A manobra de Kim foi vista como uma tentativa de abalar a aliança EUA-Coreia do Sul. Estes dois países adiaram manobras militares conjuntas por causa dos Jogos de Inverno. A Paraolimpíada de Pyeongchang será realizada de 8 a 18 de março.

Há sempre o risco de que o ditador norte-coreano retome a linguagem guerreira quando começar o treinamento militar conjunto dos seus inimigos históricos. Ao receber ontem a delegação de mais alto nível da Coreia do Sul em uma década, Kim revela uma disposição para o diálogo.

Antes do encontro de cúpula, Kim e Moon vão falar pessoalmente pelo telefone através de uma linha direta entre os governos dos dois países, instalado pela primeira vez em setembro de 1971 para evitar crises bilaterais. Quando o telefone foi religado pelo Norte, em 3 de janeiro, diálogo recomeçou.

A delegação sul-coreana foi chefiada pelo conselheiro de Segurança Nacional, Chung Eui Yong. Foi recebida na sede do Partido dos Trabalhadores, o nome oficial do partido comunista norte-coreano, numa área de acesso restrito de Pyongyang.

Na versão sul-coreana, as duas Coreias concordaram que "a parte norte-coreana expôs claramente sua disposição para a desnuclearização".

Em troca, o regime stalinista de Pyongyang exige garantias de segurança: "deixou claro que não haveria razão para manter armas nucleares se a ameaça militar contra o Norte fosse eliminada", acrescentou o comunicado da delegação sul-coreana.

"O Norte expressou sua disposição para manter um diálogo sincero com os EUA sobre desnuclearização e normalização de relações", disse a nota. "Enquanto continuar o diálogo, não realizará provocações estratégicas tais como testes nucleares e de mísseis balísticos."

Uma delegação da Coreia do Sul vai a Washington nos próximos dias fazer um relato detalhado sobre o encontro.

Trump admitiu negociar sem precondições. Até agora, o governo americano exigia medidas concretas para desarmar o programa nuclear norte-coreano para dar início a um diálogo direto.

Se a Coreia do Norte exigir a retirada das forças dos EUA da Coreia do Sul, onde estão desde a Segunda Guerra Mundial, a proposta de paz de Kim será recusada. Como os EUA não costumam revelar por onde andam suas armas atômicas, a desnuclearização total da Península Coreana também não está nos planos de Washington.

Mais do que proteger a Coreia do Sul e o Japão, a presença militar dos EUA no Leste da Ásia é uma peça central da estratégia para conter a China, a superpotência emergente e único rival capaz de ameaçar e suplantar o poderio americano.

Nestas condições, o regime comunista norte-coreano vai se declarar ameaçado. Será necessário negociar um acordo de paz definitivo para a Guerra da Coreia (1950-53). Historicamente, a Coreia do Norte sempre exigiu negociações diretas com os EUA, alegando que a Coreia do Sul e o Japão têm governos-fantoches de Washington.

Desde o fim da União Soviética, em 1991, a Coreia do Norte enfrentou sérias crises energéticas e de escassez de alimentos, com uma estimativa de milhões de mortes. Sem a patrocinadora histórica, partiu para uma chantagem atômica com os EUA e seus aliados na Ásia, ameaçando desenvolver armas nucleares.

Em 1994, o ex-presidente americano Jimmy Carter foi a Pyongyang, esteve com o ditador Kim Il Sung, fundador do pai e avô do atual líder, e abriu caminho para o então presidente Bill Clinton negociar um acordo para dar ajuda em troca da desnuclearização.

Houve vários acordos frustrados. A Coreia do Norte chegou a destruir um reator na central atômica de Yongbyon, a principal instalação nuclear militar do país. Quando o então presidente George W. Bush colocou o país no "eixo do mal", ao lado do Irã e do Iraque, em 29 de janeiro de 2002, e invadiu o Iraque em 2003, o Irã e a Coreia do Norte aceleraram seus projetos para fabricar a bomba atômica.

O regime comunista norte-coreano fez seu primeiro teste nuclear em 2006 e o segundo em 2009, sob a liderança de Kim Jong Il, pai do atual ditador. Kim Jong Un ascendeu ao poder com a morte do pai, em dezembro de 2011, meses após a queda e morte do ditador da Líbia Muamar Kadafi.

Kadafi abrira mão de suas armas de destruição em massa em um acordo com o Ocidente. Foi derrubado por uma intervenção militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas para evitar um massacre de rebeldes em Bengázi, a segunda maior cidade líbia.

Desde a ascensão de Kim, a Coreia do Norte fez mais quatro testes nucleares e dezenas de testes de mísseis. No fim de 2017, o ditador afirmou que o país dominava o ciclo completo da tecnologia nuclear. Trump ameaçou responder com "fogo e fúria", com uma "força jamais vista", o que significa guerra atômica.

Assim, está é uma oportunidade que não pode ser desprezada para evitar o risco de uma guerra nuclear. Vamos aguardar a proposta de paz concreta do ditador que matou o tio e o irmão para se firmar no poder - e três meses atrás ameaçava incendiar o mundo.

segunda-feira, 5 de março de 2018

Músicos têm mais facilidade para tomar decisões

Os músicos desenvolvem conexões neurais que os não músicos não têm. Isso facilita a tomada de decisões e a solução de problemas cotidianos. A conclusão é de investigadores da Universidade de Granada, na Espanha.

Os cientistas do Centro de Pesquisas sobre Mente, Cérebro e Comportamento e do Departamento de História e Ciências da Música decidiram investigar as mudança na conectividade cerebral dos músicos.

A pesquisa examinou 142 músicos do Real Conservatório Superior de Música Victoria Eugenia, de Granada, do Real Conservatório Superior de Música, de Málaga, da graduação em História e Ciências da Música da Universidade de Granada e de outros setores da universidade.

Todos os músicos tinham pelo menos dez anos de formação musical e tocavam instrumentos. Eles e os não músicos foram submetidos a exames de ressonância magnética e a uma série de testes neuropsicológicos.

A conclusão é que os músicos desenvolvem conexões neurais que facilitam a solução de problemas difíceis: "Tratam-se das tarefas mais complexas que um sujeito pode realizar a nível cerebral, resultados de múltiplas interrelações cerebrais", declarou a principal autora do relatório, Miriam Albusac Jorge, da Universidade de Granada.

domingo, 4 de março de 2018

Populistas e ultradireita vencem eleições na Itália

Como previsto, as eleições parlamentares deste domingo na Itália apresentaram um resultado inconclusivo. Nenhum bloco deve ter maioria absoluta no Congresso. O partido mais votado foi o Movimento 5 Estrelas (M5E). Com 226 deputados, está longe dos 316 necessários para a maioria absoluta. 

A maior bancada será da centro-direita, com 236 cadeiras. A neofascista Liga (antiga Liga Norte) teve 18,8% dos votos, superando sua aliada Força Itália, que ficou em 13,3%.

A expectativa é de um governo mais eurocético, que deve aumentar os gastos públicos, ignorando as restrições orçamentárias impostas pela União Europeia para reduzir a dívida pública italiana, de 130% do produto interno bruto.

O M5E obteve 30,5% dos votos, seguido pelo Partido Democrático, de centro-esquerda, liderado pelo ex-primeiro-ministro Matteo Renzi. Com 20,2%, o partido que estava no governo desde a queda de Berlusconi, em 2011, no auge da Crise do Euro, foi o grande derrotado, por causa da estagnação econômica, do crescimento da pobreza e da onda de refugiados.

Com a centro-direita como maior força política, o líder por trás do trono será o ex-primeiro-ministro Silvio Berlusconi, do partido Força Itália. No momento, ele é inelegível por causa de condenações por corrupção e fraude fiscal. Deve indicar o atual presidente do Parlamento Europeu, Antonio Tajani, como próximo chefe de governo. Mas o líder da Liga Norte, Matteo Salvini, quer o cargo, assim como o candidato do M5E, Luigi di Maio.

Partido Social-Democrata da Alemanha aprova aliança com Merkel

Por uma maioria de 66%, os 643 mil membros do Partido Social-Democrata (SPD) aprovaram hoje a aliança com a União Democrata-Cristã (CDU), da chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel, e sua aliada União Social-Cristã (CSU) para formar o governo da Alemanha cinco meses depois das eleições parlamentares que marcaram a volta da extrema direita ao Parlamento alemão depois da Segunda Guerra Mundial. Será o quarto governo Merkel, o terceiro com a grande coalizão dos partidos tradicionais que governaram o país no pós-guerra.

Com o avanço da ultradireitista Alternativa para a Alemanha (AfD), que criticou Merkel por acolher um milhão de refugiados, a chanceler perdeu o brilho e a aura de líder do mundo ocidental e defensora da democracia liberal na era Donald Trump, um presidente dos Estados Unidos autoritário e antidemocrático.

Se não houvesse acordo, as alternativas seriam um governo fraco de centro-direita sem maioria no Bundestag (Câmara Federal) ou a realização de novas eleições em que os partidos tradicionais deveriam perder ainda mais deputados.

Merkel governou de 2005-9 e 2013-17 com o SPD e em aliança com o Partido Liberal-Democrata (FDP) de 2009-13. Mesmo fraco, o quarto governo Merkel é uma boa notícia para a economia da Europa e para a tentativa do presidente da França, Emmanuel Macron, de reformar e revigorar a União Europeia.

sábado, 3 de março de 2018

Negociador palestino acusa plano de paz de Trump de criar 'apartheid'

A proposta do governo Donald Trump para a paz no Oriente Médio vai manter a situação atual, legitimando a colonização dos territórios árabes ocupados na guerra de 1967. Vai criar um regime de apartheid em que israelenses e palestinos viveriam no Estado de Israel com direitos diferentes, liquidando o sonho de uma Palestina independente, denunciou o principal negociador palestino, Saeb Erekat.

Em informe apresentado ontem ao Conselho Revolucionário da Fatah (Luta), o partido dominante na Organização para a Libertação da Palestina, sob o título Ditados do Presidente Trump para uma nova fase: impondo uma solução, Erekat argumenta que o plano de paz dos Estados Unidos vai "levar à criação de um Estado com dois sistemas, legitimando o apartheid e as colônias de acordo com os critérios americanos".

O plano de paz de Trump não foi concluído oficialmente. Erekat afirmou ter recebido informações e advertiu que o movimento nacional palestino não deve perder tempo: "Não precisamos esperar até que as linhas gerais e o conteúdo deste ditado e desta liquidação sejam anunciados", alegou.

"De acordo com esta nova fase para os americanos, quem quiser a paz precisa concordar com o ditado dos EUA e quem se opuser ao plano será considerado parte das forças do terrorismo e do extremismo, que devem ser combatidas e expulsas", analisou o negociador palestino. "Para os EUA, moderação significa aceitar um ditado que endossa as posições de sucessivos governos israelenses.""

A previsão do dirigente palestino é que o plano de paz de Trump tenha os seguintes pontos:

• Reconhecimento de Jerusalém como capital de Israel e transferência para lá da Embaixada dos EUA, o que está previsto para maio. Na visão de Erekat, isso significa aceitar a anexação por Israel do setor oriental de Jerusalém.

• O governo Trump vai "inventar" uma capital para o Estado palestino nos subúrbios de Jerusalém, foram dos limites atuais do município.

• Num período de dois a três, Trump reconheceria a anexação das colônias israelenses situadas nos territórios ocupados, cerca de 10% da Cisjordânia. O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, quer anexar 15% da Cisjordânia.

• O próximo passo seria um acordo regional de segurança com a participação do Egito e da Jordânia para criar um Estado Nacional palestino desmilitarizado, apenas com forças policiais. Israel manteria sua presença militar no Rio Jordão e nas montanhas centrais da Cisjordânia.

• Israel faria uma retirada gradual do resto da Cisjordânia, sem data marcada. No fim deste processo, seria anunciada a criação do Estado palestino, que incluiria a Faixa de Gaza.

• O Estado de Israel seria reconhecido internacionalmente como a pátria do povo judeu e a Palestina como a pátria do povo palestino.

• Israel garantiria a liberdade religiosa em todos os lugares sagrados de Jerusalém.

• Os palestinos poderiam usar parte dos portos de Ashdod e Haifa e o Aeroporto Internacional Ben Gurion, mas a segurança ficaria a cargo de Israel.

• Os palestinos teriam presença nas fronteiras internacionais, mas a responsabilidade pela segurança continuaria com Israel.

• As águas territoriais, o espaço aéreo e o espectro eletromagnético ficariam sob o controle de Israel, sem prejuízo, em tese, para a Palestina.

• Um canal de tráfego seguro seria aberto entre a Cisjordânia e a Faixa de Gaza, sob a soberania israelense.

• O direito de retorno dos refugiados palestinos desde a criação de Israel, em 1948, teria uma solução justa no contexto da criação de um país para os palestinos.

Estas são as linhas gerais do acordo com Erekat considera inaceitável. O apartheid era o regime segregacionista imposto à maioria negra pela ditadura da minoria branca na África do Sul até 1994. Os palestinos alegam que a anexação dos territórios ocupados, como prega a ultradireita israelense, os tornaria cidadãos de segundo classe.

sexta-feira, 2 de março de 2018

Ação terrorista deixa pelo menos 28 mortos em Burkina Fasso

Um ataque contra a Embaixada da França e o Estado-Maior das Forças Armadas na manhã de hoje terminou com a morte de pelo menos 28 pessoas em Uagadugu, a capital de Burkina Fasso, um país da África Ocidental sem saída para o mar, noticiaram agências internacionais.

Entre os mortos, oito eram membros das forças de segurança e outros oito eram terroristas que participaram do ataque, revelou o Serviço de Informações do Governo. O ministro da Defesa, Jean-Claude Bouda, afirmou ao boletim de notícias Jeune Afrique que foi "um ataque terrorista".

Em Paris, a Justiça da França abriu inquérito por "tentativa de assassinato terrorista". O ministro do Exterior francês, Jean-Yves Le Drian, declarou que "os ataques hoje de manhã visaram vários locais de Uagadugu, inclusive a Embaixada da França. As forças de segurança burquinenses se mobilizaram contra os atacantes, com o apoio das forças de segurança de nossa embaixada."

Nenhum francês saiu ferido, mas todos foram alertados a redobrar a vigilância em Burkina Fasso. Toda a região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara, da Mauritânia à Somália, é palco da ação de jihadistas.

A França interveio militarmente no vizinho Mali, em janeiro de 2013, para ajudar o governo local a enfrentar rebeldes jihadistas ligados à rede terrorista Al Caeda. A intervenção acabou oficialmente em 2014, mas a França mantém forças na região.

No momento do ataque, havia uma reunião na sede do Estado-Maior burquinense do Grupo dos Cinco do Sahel (G5 Sahel), formado por Burkina Fasso, Chade, Mali, Mauritânia e Níger, para discutir o combate ao terrorismo dos extremistas muçulmanos na região.

NOTA: No dia seguinte, o Grupo de Apoio a Islamitas e Muçulmanos (GSIM, do francês), ligado à rede terrorista Al Caeda, reivindicou a autoria do atentado.

Boko Haram mata um comandante do Exército da Nigéria

O coronel A E Mamudu, um dos comandantes da Força de Ataque do Exército da Nigéria, e um jovem oficial da Marinha morreram ontem quando uma bomba explodiu na passagem de seu carro durante uma operação na Floresta de Sambissa, principal refúgio da milícia extremista muçulmana Boko Haram, informou o boletim Sahara Reporters.

Mamudu veio do estado de Kogi e servia pela segunda vez no Nordeste da Nigéria, na guerra contra o Boko Haram. Havia sido enviado para o estado de Borno em 2015.

É a segunda derrota do Exército diante do grupo que repudia a educação ocidental e luta para impor a lei islâmica na região. Nesta semana, o governo admitiu que 110 meninas foram sequestradas de uma escola pelos rebeldes do Boko Haram na cidade de Dapchi.

Mais 15 mil pessoas morreram desde que o Boko Haram aderiu à luta armada, em 2009. Em março de 2015, seu líder Abubakar Shekau jurou lealdade à organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante. O grupo se apresenta agora também como a Província do Estado Islâmico na África Ocidental.

Trump inicia guerra comercial

Ao impor tarifas de 25% sobre as importações de aço e de 10% sobre as importações de alumínio, o presidente Donald Trump deflagrou uma guerra comercial em escala global. Os maiores parceiros comerciais dos Estados Unidos, a China, a União Europeia e o Canadá ameaçam impor tarifas retaliatórias sobre exportações americanas.

Diante da ameaça de um grande conflito comercial, o Índice Dow Jones, da Bolsa de Valores de Nova York, caiu 586 pontos. Teve uma recuperação, mas terminou o dia em queda de 380 pontos (1,5%). O índice amplo Standard & Poor's 500 e a bolsa de ações de alta tecnologia Nasdaq fecharam em queda de 1,3%.

O dia começou com boas notícias. O número de novos pedidos de seguro-desemprego caiu na semana encerrada em 24 de fevereiro em 10 mil para 210 mil. É o menor desde 1969. O índice dos gerentes de compras do Institute for Supply Management chegou a 60,8, a maior leitura desde maio de 2004.

Com o anúncio inesperado de Trump impondo tarifas pesadas em nome da "segurança nacional" e da proteção de empregos nos EUA, repudiadas pelos deputados e senadores liberais economicamente do Partido Republicano e pelas grandes empresas transnacionais americanas, o mercado desandou.

Em consequência, o Índice Dow Jones voltou a ficar negativo para o ano. A Nasdaq registra alta de 4%. "Os comerciantes estão focando na questão das tarifas, enquanto os investidores estão olhando para o aumento dos lucros, a inflação baixa e as taxas de juros bastante baixas."

O Brasil, onde o aço representa 3% das exportações, ameaça recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) junto com outros países prejudicados. Mas Trump pode rejeitar a decisão e romper com a OMC, uma criação americana para promover o livre comércio e resolver conflitos comerciais, como ameaçou fazer tantas vezes, sob a alegação de que diminui a soberania dos EUA para negociar acordos internacionais.

quinta-feira, 1 de março de 2018

Putin ameaça os EUA em sua campanha eleitoral

A 17 dias da eleição presidencial na Rússia, em que é franco favorito, o protoditador Vladimir Putin aproveitou o Discurso sobre o Estado da União para ameaçar o Ocidente, advertindo que o país tem uma nova geração de armas nucleares capaz de furar quaisquer defesas.

"Os esforços para conter a Rússia fracassaram", vangloriou-se Putin num discurso de duas horas em que apresentou videoclipes das novas armas, inclusive drones submarinos, mísseis intercontinentais e um sistema hipersônico que "voa para o alvo como um meteorito".

Putin chegou ao poder em 1999 como primeiro-ministro de Boris Yeltsin, afastado em seguida por motivo de saúde. Esta será sua quarta eleição presidencial. Depois de dois mandatos, de 2008 a 2012, ele trocou de lugar com o primeiro-ministro Dimitri Medvedev. Mas sempre mandou na Rússia.

O atual czar de todas as Rússias trabalhava no escritório da polícia política soviética, o KGB (Comitê de Defesa do Estado), em Dresden, na Alemanha Oriental, quando sentiu a força do poder popular, como revela este perfil da televisão pública britânica BBC.

Em 5 de novembro de 1989, quatro dias antes da abertura do Muro de Berlim, a multidão tomou as ruas de Dresden, atacou o Ministério de Segurança do Estado (Stasi), a polícia política da Alemanha Oriental. O escritório do KGB, do outro lado da rua, logo se tornou alvo.

Quando o ataque parecia inevitável, Putin avisou os manifestantes que seus homens estavam armados e reagiriam a bala. Ele ligou para a guarnição mais próxima do Exército Vermelho pedindo apoio.

"Não podemos fazer nada sem a autorização de Moscou", respondeu o oficial do outro lado da linha, e Moscou está em silêncio."

Essa frase assombrou Putin. Mais tarde, quando era vice-prefeito de São Petersburgo, declarou num debate público que o fim da União Soviética foi "a maior catástrofe geopolítica do século 20". Antes de virar primeiro-ministro, ele foi chefe do Serviço Federal de Segurança, sucessor do KGB.

Sua obsessão desde que chegou ao poder é restaurar o poder imperial da Rússia czarista e da URSS. Putin acabou com as eleições diretas para governador das 85 unidades administrativas da Federação Russa, a pretexto de evitar o surgimento de movimentos nacionalistas como na Chechênia.

Sob Putin, o Kremlin voltou a intervir diretamente nos assuntos internos dos países que considera parte de sua esfera de influência. Isso inclui tanto das ex-repúblicas soviéticas, o antigo império interior soviético, chamado hoje na Rússia de "exterior próximo", quanto os países do antigo Bloco Soviético, como a Hungria e a Polônia, onde Putin apoia governos de ultradireita contrários à União Europeia e à democracia liberal.

Depois do liberalismo caótico da era Yeltsin, Putin aproveitou a bonança dos anos de petróleo caro para recuperar a economia e recolocar o Estado no centro de tudo. A prosperidade econômica lhe valeu popularidade. Com o fracasso de Yeltsin, os russos queriam um líder autoritário e linha dura.

A Rússia que ameaça o Ocidente é governada por um ex-oficial do KGB ressentido com a perda de poder e prestígio de seu império decadente. Com uma população de 145 milhões de habitantes e uma economia baseada em produtos primários, a Rússia só é superpotência hoje no plano militar.

Na sua visão estreita e autoritária do mundo, Putin considera as revoluções Rosa, na ex-república soviética da Geórgia, em 2003, e Laranja, na ex-república soviética da Ucrânia, em 2004, como conspirações do Ocidente para enfraquecer a Rússia.

Por isso, a Rússia atacou a Geórgia em agosto de 2008, aproveitando uma tentativa do presidente Mikheil Saakachvili de tentar retomar o controle de regiões controladas por rebeldes fantoches do Kremlin.

Em 2011, quando, em plena Primavera Árabe, multidões protestaram contra as eleições parlamentares da Rússia, Putin viu a influência maligna do Ocidente, em especial da então secretária de Estado americano, Hillary Clinton. Isso ajudaria a explicar, em parte, a campanha russa para sabotar a candidatura democrata na última eleição presidencial nos EUA.

Diante da nova revoltar popular na Ucrânia, Putin interveio militarmente e anexou a região da Crimeia em março de 2014. Em seguida, fomentou uma rebelião de russos étnicos no Leste da Ucrânia, provocando uma guerra civil que se arrasta até hoje.

A reação ocidental, com a imposição de sanções à Rússia, rebaixou as relações do Kremlin com os EUA e a Europa ao pior nível desde o fim da URSS e da Guerra Fria, em 1991. Bombardeiros russos voltaram a fazer voos provocadores no espaço aéreo de países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos EUA. E a Rússia interveio decisivamente na guerra civil da Síria, a partir de setembro de 2015.

Com a modernização das Forças Armadas depois da vergonhosa derrota na Primeira Guerra da Chechência (1994-96), Putin não só ganhou a Segunda Guerra da Chechênia (1999-2000), que consolidou seu poder. Recolocou a indústria bélica da Rússia entre as maiores exportadoras de armas do mundo.

O único setor industrial em que a Rússia compete no mercado internacional é o de armas. Como ninguém vai testar em curto prazo a eficácia dos novos mísseis e drones, Putin pode marchar tranquilo para mais uma reeleição.

A investigação sobre um possível conluio do Kremlin com a candidatura do presidente Donald Trump para derrubar Hillary Clinton rendeu a maior propaganda que Putin poderia esperar. Os meios de comunicação dos EUA não param de falar em como a Rússia usou as redes sociais para manipular a democracia americana, apresentando Putin como o super-homem de seus sonhos.

quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

Partido aprova candidatura à reeleição do presidente da Nigéria

A comissão executiva nacional do partido Congresso de Todos os Progressistas (APC) endossou a candidatura do ex-ditador e atual presidente Muhammadu Buhari à reeleição na Nigéria, o mais rico e mais populoso país da África, noticiou hoje a agência Reuters.

Buhari, de 76 anos, ficou cinco meses afastado no ano passado para tratamento de saúde no Reino Unido, suscitando dúvidas sobre sua capacidade de governar a Nigéria. O ex-presidente Olusegun Obasanjo fez um apelo para que ele não se candidate.

As eleições presidencial e parlamentares estão marcadas para 16 de fevereiro de 2019, com posse em 29 de maio. Será a quarta eleição presidencial desde o fim da última ditadura militar, em 1999. O presidente nigeriano governa por um mandato de quatro anos, com direito a uma reeleição.

Em dezembro de 1983, Buhari liderou um golpe de Estado e governou o país como um ditador até agosto de 1985. Hoje, apresenta-se como um "democrata convertido" que não pode mudar o passado.

Muçulmano do Norte de Nigéria, a região mais pobre do país, Buhari sucedeu a Goodluck Jonathan, um cristão sulista, num revezamento adotado para manter o equilíbrio interno do país.

Uma de suas maiores promessas de campanha era derrotar a milícia extremista muçulmana Boko Haram, que acaba de sequestrar mais 110 meninas em mais um ataque a uma escola secundária, em sua campanha contra a "educação ocidental".

Durante seu governo, houve um reinício da violência política na região do Delta do Rio Níger, principal zona de produção de petróleo do país, e um fortalecimento do movimento do povo ibo pela independência de Biafra, causa de uma das maiores guerras civis da África pós-independência, de 1967 a 1970, quando um milhão de pessoas morreram, muitas de fome, no cerco ao território dominado pelos rebeldes.