Sob pressão de um ultimato do governo Donald Trump, o presidente Volodymyr Zelensky esta prestes a anunciar a abertura de inquérito sobre os negócios de Hunter Biden, filho do ex-vice-presidente Joe Biden, na Ucrânia quando estourou o escândalo que pode levar ao impeachment do presidente dos Estados Unidos.
Zelensky faria a revelação bombástica para atingir o favorito para ser o candidato do Partido Democrata à Casa Branca na eleição presidencial de 2020 em entrevista ao jornalista Fareed Zakaria, na rede de televisão CNN.
Para pressionar o novo presidente ucraniano, um comediante sem experiência política, Trump segurou uma ajuda militar de US$ 391 milhões, vital para o país, que enfrenta uma guerra indireta da Rússia nas províncias de Luhansk e Donetsk.
Trump queria que Zelensky anunciasse publicamente a investigação sobre Joe e Hunter Biden e uma suposta interferência da Ucrânia na eleição presidencial de 2016. Trump tenta usar a Ucrânia como contraponto à flagrante interferência da Rússia em apoio à sua candidatura, como comprovou o procurador especial Robert Mueller, sem encontrar provas de conluio da campanha com o Kremlin.
Seria munição para a campanha de 2020, que já começou. Como vice-presidente no governo Barack Obama, Joe Biden participou de um grupo de combate à corrupção na Ucrânia e pressionou para derrubar um procurador-geral leniente com a corrupção.
Numa total inversão da realidade, Trump tenta ligar a queda do procurador-geral corrupto a uma investigação que nunca existiu sobre Hunter Biden. Embora haja um possível conflito de interesses quando o filho do vice-presidente dos EUA sai pelo mundo a fazer negócios, os filhos de Trump fazem isso todo o tempo e não há indícios de irregularidades dos Biden.
Nenhuma Justiça que se preze abre investigação sem um fato com suspeita de crime.
A entrevista estava marcada para 13 de setembro. Pouco antes, a ajuda militar à Ucrânia foi liberada e estourou a notícia de que um soprador de apito, um agente de inteligência dera o alerta de que o presidente havia comprometido a política externa e a segurança nacional dos EUA num telefonema a Zelensky em 25 de julho.
O presidente usou a política externa e a estrutura do governo dos EUA, aliado a uma potência estrangeira, para atacar um adversário político interno. Trump e seus corregilionários querem descobrir a identidade do agente que denunciou o escândalo. Mas já foram revelados trechos da conversa telefônica em que o presidente americano pede "um favor" ao ucraniano.
Há dois dias, no início das audiências públicas na Câmara dos Representantes do processo de impeachment, o embaixador dos EUA na Ucrânia, William Taylor Jr., revelou ter ouvido um telefonema em que Trump perguntou ao embaixador americano na União Europeia, Gordon Sondland, sobre as investigações. Ao desligar, Sondland comentou que o presidente estava mais interessado na investigação do que na Ucrânia.
Ontem, a presidente da Câmara, a deputada democrata Nancy Pelosi, levantou suspeita de que o presidente tenha subornado o presidente ucraniano ao reter a ajuda militar. É um crime de responsabilidade que pode justificar um processo de impeachment.
Sondland, um contribuinte da campanha de Trump que ganhou a embaixada na UE como recompensa, formou com o advogado particular do presidente, o ex-prefeito de Nova York Rudy Giuliani, um grupo que fazia uma política externa paralela em busca de lama para a campanha eleitoral de Trump.
A Ucrânia era uma das repúblicas onde a União Soviética tinha armas nucleares. Quando todas as armas atômicas soviéticas foram transferidas para a Rússia, os EUA, a Rússia e o Reino Unido assinaram o memorando de Budapeste, dando garantias de segurança à Ucrânia. De 1994 a 1996, a Ucrânia entregou o terceiro maior arsenal nuclear do mundo.
Em 2014, depois da revolta popular que derrubou o presidente Viktor Yanukovic, aliado de Moscou, a Rússia anexou a península da Crimeia e fomentou uma guerra civil dos ucranianos de origem russa no Leste da Ucrânia, violando o Memorando de Budapeste.
O primeiro documento da história da Rússia é uma carta de Vladimir, príncipe de Kiev, adotando o cristianismo como religião oficial. A Rússia Kievana é o primeiro Estado russo. Desta forma, para o nacionalismo russo, se a Rússia nasceu em Kiev, a Ucrânia faz parte da Rússia.
Há outra questão importante. Se os dois países são irmãos, uma Ucrânia democrática e voltada para o Ocidente, para a União Europeia - Yanukovich caiu quando suspendeu um acordo de associação à UE sob pressão do Kremlin - é uma ameaça à ditadura de Vladimir Putin.
A Ucrânia tem seu próprio exemplo, a Polônia. Livre da União Soviética e do comunismo, a Polônia entrou para a UE e se tornou um país próspero e moderno, com uma qualidade de vida invejável para os padrões ucranianos.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
sexta-feira, 15 de novembro de 2019
quinta-feira, 14 de novembro de 2019
BRICS é instrumento de política externa da China
O Brasil assinou nove acordos sobre investimentos, transportes, comunicações, saúde, segurança, agricultura e serviços com a China durante a reunião de cúpula do grupo BRICS, do qual também fazem parte a Índia, a Rússia e a África do Sul. Mas o BRICS é cada vez mais um instrumento de política externa da China.
O governo Jair Bolsonaro aproveitou a reunião para consolidar a aproximação, depois da visita do presidente à China no mês passado, quando descobriu que a superpotência ascendente é um país capitalista.
O Brasil se afasta assim do alinhamento automático com os Estados Unidos, que até agora não rendeu frutos para a economia. O ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciou a intenção de iniciar negociações de livre comércio com a China. Sem as devidas salvaguardas, o livre comércio com os chineses pode arruinar a indústria nacional.
O BRICS é a primeira organização internacional criada por inspiração de um analista de investimentos do mercado financeiro. Em 2001, o economista britânico Jim O’Neill escreveu um texto afirmando que o Brasil, a Rússia, a Índia e a China, as grandes economias emergentes, seriam os grandes motores do crescimento da economia mundial no início do século 21.
BRIC, a sigla criada pelas iniciais desses países, significa tijolo em inglês. Seriam os tijolos que construiriam a economia globalizada.Meu comentário:
O governo Jair Bolsonaro aproveitou a reunião para consolidar a aproximação, depois da visita do presidente à China no mês passado, quando descobriu que a superpotência ascendente é um país capitalista.
O Brasil se afasta assim do alinhamento automático com os Estados Unidos, que até agora não rendeu frutos para a economia. O ministro da Economia, Paulo Guedes, anunciou a intenção de iniciar negociações de livre comércio com a China. Sem as devidas salvaguardas, o livre comércio com os chineses pode arruinar a indústria nacional.
O BRICS é a primeira organização internacional criada por inspiração de um analista de investimentos do mercado financeiro. Em 2001, o economista britânico Jim O’Neill escreveu um texto afirmando que o Brasil, a Rússia, a Índia e a China, as grandes economias emergentes, seriam os grandes motores do crescimento da economia mundial no início do século 21.
BRIC, a sigla criada pelas iniciais desses países, significa tijolo em inglês. Seriam os tijolos que construiriam a economia globalizada.Meu comentário:
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quarta-feira, 13 de novembro de 2019
Conflito em Gaza ameaça deflagar nova guerra no Oriente Médio
A morte de um comandante do grupo terrorista Jihad Islâmica para a Libertação da Palestina, Baha Abu al-Hata, deflagra uma nova onda de foguetes contra o Sul de Israel e aumenta o risco de uma nova guerra na Faixa de Gaza.
Um bombardeio aéreo israelense matou ontem Baha Abu al-Ata em sua em Gaza. Em resposta, os grupos armados palestinos baseados no território dispararam pelo menos 360 foguetes contra o território israelense, ferindo pelo menos 63 pessoas, quase todas levemente.
Pela primeira vez desde a guerra contra o Movimento de Resistência Islâmica, o Hamas, na Faixa de Gaza, em 2014, lojas foram fechadas em Telavive, a capital econômica de Israel. A Força Aérea de Israel contra-atacou.
Nos últimos dois dias, Israel lançou 11 ondas de ataque. Pelo menos 24 palestinos foram mortos. As autoridades israelenses devem restringir temporariamente as viagens, os transportes públicos, as escolas e o comércio na região.
Amanhã, todas as escolas numa distância de até 40 quilômetros da Faixa de Gaza vão ficar fechadas. Meu comentário:
Um bombardeio aéreo israelense matou ontem Baha Abu al-Ata em sua em Gaza. Em resposta, os grupos armados palestinos baseados no território dispararam pelo menos 360 foguetes contra o território israelense, ferindo pelo menos 63 pessoas, quase todas levemente.
Pela primeira vez desde a guerra contra o Movimento de Resistência Islâmica, o Hamas, na Faixa de Gaza, em 2014, lojas foram fechadas em Telavive, a capital econômica de Israel. A Força Aérea de Israel contra-atacou.
Nos últimos dois dias, Israel lançou 11 ondas de ataque. Pelo menos 24 palestinos foram mortos. As autoridades israelenses devem restringir temporariamente as viagens, os transportes públicos, as escolas e o comércio na região.
Amanhã, todas as escolas numa distância de até 40 quilômetros da Faixa de Gaza vão ficar fechadas. Meu comentário:
Segunda vice-presidente do Senado assume Presidência da Bolívia
Mesmo sem quórum, a senadora da oposição Jeanine Áñez, vice-presidente do Senado assumiu ontem as presidências do Senado, da Assembleia Legislativa e interina da República da Bolívia, prometendo convocar nova eleição presidencial dentro de três meses para superar a crise que levou à renúncia do presidente Evo Morales depois de quase 14 anos no poder.
A Igreja Católica tenta mediar o conflito, assegura que não haverá perseguições políticas e dá garantias aos deputados e senadores do Movimento ao Socialismo (MaS) para que participem das sessões da Assembleia Legislativa Plurinacional, o parlamento boliviano.
O ex-presidente chegou hoje à Cidade do México com o ex-vice-presidente Álvaro García Linera num voo que se abasteceu no Paraguai depois que o Peru negou acesso e obteve autorização do Brasil e do Peru para passar por seus espaços aéreos.
Como disse ontem à noite antes de sair da Bolívia, Morales prometeu voltar com mais força. Talvez consiga, especialmente por que o próximo governo dificilmente conseguirá manter a média de crescimento econômico, de quase 5 por cento sob Morales. Mas terá de esperar anos.
Em La Paz, a oposição a Morales tentou reunir a Assembleia Legislativa para aceitar oficialmente a renúncia do presidente e indicar um sucessor. Não houve quórum porque deputados e senadores do Movimento ao Socialismo não apareceram. Os partidários de Morales disseram que pretendiam comparecer, mas não tinham condições de segurança.
O centro de La Paz está tomado por apoiadores de Morales e também da oposição, especialmente do grupo mais extremista, liderado por Luis Fernando Macho Camacho, presidente do Comitê Cívico pró Santa Cruz. Os dois grupos se enfrentaram durante o dia.Meu comentário:
A Igreja Católica tenta mediar o conflito, assegura que não haverá perseguições políticas e dá garantias aos deputados e senadores do Movimento ao Socialismo (MaS) para que participem das sessões da Assembleia Legislativa Plurinacional, o parlamento boliviano.
O ex-presidente chegou hoje à Cidade do México com o ex-vice-presidente Álvaro García Linera num voo que se abasteceu no Paraguai depois que o Peru negou acesso e obteve autorização do Brasil e do Peru para passar por seus espaços aéreos.
Como disse ontem à noite antes de sair da Bolívia, Morales prometeu voltar com mais força. Talvez consiga, especialmente por que o próximo governo dificilmente conseguirá manter a média de crescimento econômico, de quase 5 por cento sob Morales. Mas terá de esperar anos.
Em La Paz, a oposição a Morales tentou reunir a Assembleia Legislativa para aceitar oficialmente a renúncia do presidente e indicar um sucessor. Não houve quórum porque deputados e senadores do Movimento ao Socialismo não apareceram. Os partidários de Morales disseram que pretendiam comparecer, mas não tinham condições de segurança.
O centro de La Paz está tomado por apoiadores de Morales e também da oposição, especialmente do grupo mais extremista, liderado por Luis Fernando Macho Camacho, presidente do Comitê Cívico pró Santa Cruz. Os dois grupos se enfrentaram durante o dia.Meu comentário:
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segunda-feira, 11 de novembro de 2019
Morales vai para o México deixando vácuo de poder na Bolívia
O presidente Evo Morales aceitou asilo político do México e deixou hoje a Bolívia depois de renunciar ontem, junto com o vice-presidente Álvaro García Linera, o presidente da Câmara, Victor Borda, e a presidente do Senado, Adriana Salvatierra. Esta renúncia coletiva deixou o país acéfalo e um vácuo de poder. Foi uma aposta no caos.
Depois de 13 anos e 10 meses no poder, Juan Evo Morales Ayma, o primeiro presidente indígena da história da Bolívia, um país com maioria de índios e mestiços, renunciou ontem sob pressão de 20 dias de manifestações de protestos contra uma fraude eleitoral e um empurrão final do comandante das Forças Armadas, general Williams Kaliman.
Depois de 13 anos e 10 meses no poder, Juan Evo Morales Ayma, o primeiro presidente indígena da história da Bolívia, um país com maioria de índios e mestiços, renunciou ontem sob pressão de 20 dias de manifestações de protestos contra uma fraude eleitoral e um empurrão final do comandante das Forças Armadas, general Williams Kaliman.
Hoje à
tarde, o ministro das Relações do Exteriores do México, Marcelo Ebrard,
anunciou que o país vai receber Evo Morales como asilado político. O
chanceler mexicano justificou a decisão alegando que a vida e a integridade de
Morales correm perigo e que ele renunciou para evitar uma guerra civil na Bolívia.
Ebrard afirmou que “houve um golpe porque o comandante do Exército pediu a renúncia do presidente.” Meu comentário:
Ebrard afirmou que “houve um golpe porque o comandante do Exército pediu a renúncia do presidente.” Meu comentário:
México anuncia que Evo Morales pediu asilo político
Um dia depois de renunciar à Presidência da Bolívia sob pressão das Forças Armadas em meio a uma revolta popular contra uma fraude eleitoral, o ex-presidente Evo Morales pediu asilo político ao México, anunciou o ministro mexicano das Relações Exteriores, Marcelo Ebrard.
"Informamos que há alguns momentos recebemos uma chamada do presidente Evo Morales em que respondeu a nosso convite e solicitou verbal e formalmente o asilo em nosso país", declarou o chanceler mexicano em entrevista coletiva.
Ebrard justificou a decisão por "razões humanitárias" alegando que sua vida e sua integridade correm perigo" e acrescentou que "houve um golpe de Estado porque o Exército pediu a renúncia do presidente."
Morales e seus aliados, inclusive o ex-presidente Lula, o presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández, sua vice-presidente Cristina Kirchner e o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, denunciam um golpe, enquanto a oposição boliviana fala em revolta popular contra a fraude eleitoral apontada pela Organização dos Estados Americanos (OEA).
A renúncia coletiva do presidente, do vice e dos presidentes da Câmara e do Senado foi uma manobra para criar um vácuo de poder, uma aposta no caos. A segunda vice-presidente do Senado, Jeanine Áñez, deve assumir amanhã a Presidência da Bolívia interinamente até a realização de novas eleições dentro de 90 dias.
O líder rebelde Luis Fernando Macho Camacho, presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz, exige a renúncia de todos os deputados do Movimento ao Socialismo (MaS), o partido de Morales. Como eles ocupam dois terços das cadeiras da Assembleia Legislativa Plurinacional, se renunciarem, n!ao haverá quórum para eleger a presidente interina.
A senadora Jeanine Áñez foi levada hoje de helicóptero até a sede da Assembleia, onde convocou a sessão de amanhã e ofereceu garantias aos representantes do MaS. Em seguida, ela foi retirada do local por medo de que os partidários de Morales tomem o centro de La Paz.
Amanhã, a OEA realiza uma reunião de emergência em Washington para discutir a crise boliviana.
"Informamos que há alguns momentos recebemos uma chamada do presidente Evo Morales em que respondeu a nosso convite e solicitou verbal e formalmente o asilo em nosso país", declarou o chanceler mexicano em entrevista coletiva.
Ebrard justificou a decisão por "razões humanitárias" alegando que sua vida e sua integridade correm perigo" e acrescentou que "houve um golpe de Estado porque o Exército pediu a renúncia do presidente."
Morales e seus aliados, inclusive o ex-presidente Lula, o presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández, sua vice-presidente Cristina Kirchner e o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, denunciam um golpe, enquanto a oposição boliviana fala em revolta popular contra a fraude eleitoral apontada pela Organização dos Estados Americanos (OEA).
A renúncia coletiva do presidente, do vice e dos presidentes da Câmara e do Senado foi uma manobra para criar um vácuo de poder, uma aposta no caos. A segunda vice-presidente do Senado, Jeanine Áñez, deve assumir amanhã a Presidência da Bolívia interinamente até a realização de novas eleições dentro de 90 dias.
O líder rebelde Luis Fernando Macho Camacho, presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz, exige a renúncia de todos os deputados do Movimento ao Socialismo (MaS), o partido de Morales. Como eles ocupam dois terços das cadeiras da Assembleia Legislativa Plurinacional, se renunciarem, n!ao haverá quórum para eleger a presidente interina.
A senadora Jeanine Áñez foi levada hoje de helicóptero até a sede da Assembleia, onde convocou a sessão de amanhã e ofereceu garantias aos representantes do MaS. Em seguida, ela foi retirada do local por medo de que os partidários de Morales tomem o centro de La Paz.
Amanhã, a OEA realiza uma reunião de emergência em Washington para discutir a crise boliviana.
domingo, 10 de novembro de 2019
Novas eleições mantêm impasse político na Espanha
O Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), do primeiro-ministro Pedro Sánchez, venceu as eleições deste domingo na Espanha com 28% dos votos, mas perdeu três cadeiras. Terá 120 deputados no Congresso dos Deputados, de 350 cadeiras, muito abaixo da maioria absoluta. Isto mantém a dificuldade de formar um novo governo.
O Partido Popular, conservador, conquistou 20,8% cresceu de 66 para 88 cadeiras. A grande novidade foi o avanço do partido Vox, de extrema direita. Com 15%, sua bancada passou de 24 para 52 deputados. É o terceiro maior da Espanha. Sua ascensão é atribuída à crise econômica e ao movimento pela independência da Catalunha.
Dois partidos nascidos durante a Grande Recessão, que na Espanha foi de 2008 a 2014 e deixou mais de 25% dos trabalhadores sem emprego, tiveram mau desempenho desta vez.
O Podemos agora faz parte da coalizão Unidas Podemos com o Partido Comunista e outros grupos de esquerda tradicional, da antiga Esquerda Unida. A aliança teve 12,8% dos votos e elegeu 35 deputados. Perdeu sete cadeiras.
A maior queda foi dos Cidadãos, de centro-direita. Com apenas 6,8% dos votos, perdeu 47 cadeiras, elegendo apenas 10 deputados.
Foram as quartas eleições em quatro anos, todas inconclusivas, incapazes de levar à formação de um governo estável na Espanha. Desta vez, houve um colapso do centro e uma ascensão da direita, insuficiente para formar uma coalizão direitista como as que governam a Andaluzia e Madri.
Um bloco de centro-esquerda teria 160 deputados contra 150 para um bloco de direita. O líder do PP, Pablo Casado, pediu a renúncia do primeiro-ministro Sánchez, alegando que "perdeu seu referendo e foi o grande derrotado de hoje".
Depois das eleições de abril, Sánchez negociou longamente com Pablo Iglesias, da coalizão Unidas Podemos, sem chegar a um acordo. As conversas acabaram em 24 de julho, quando Iglesias rejeitou a oferta de um cargo de vice-primeiro-ministro e três ministérios. Nunca foram retomadas.
Assim, não existe a menor garantia de que a Espanha tenha um governo de coalizão de esquerda, o que não acontece desde a Guerra Civil (1936-39), mesmo que seja minoritário.
Na Catalunha, os grupos nacionalistas mais radicais avançaram, mas os partidos secessionistas estão longe dos 50% dos votos de que precisam para vencer um possível plebiscito sobre a independência.
O Partido Popular, conservador, conquistou 20,8% cresceu de 66 para 88 cadeiras. A grande novidade foi o avanço do partido Vox, de extrema direita. Com 15%, sua bancada passou de 24 para 52 deputados. É o terceiro maior da Espanha. Sua ascensão é atribuída à crise econômica e ao movimento pela independência da Catalunha.
Dois partidos nascidos durante a Grande Recessão, que na Espanha foi de 2008 a 2014 e deixou mais de 25% dos trabalhadores sem emprego, tiveram mau desempenho desta vez.
O Podemos agora faz parte da coalizão Unidas Podemos com o Partido Comunista e outros grupos de esquerda tradicional, da antiga Esquerda Unida. A aliança teve 12,8% dos votos e elegeu 35 deputados. Perdeu sete cadeiras.
A maior queda foi dos Cidadãos, de centro-direita. Com apenas 6,8% dos votos, perdeu 47 cadeiras, elegendo apenas 10 deputados.
Foram as quartas eleições em quatro anos, todas inconclusivas, incapazes de levar à formação de um governo estável na Espanha. Desta vez, houve um colapso do centro e uma ascensão da direita, insuficiente para formar uma coalizão direitista como as que governam a Andaluzia e Madri.
Um bloco de centro-esquerda teria 160 deputados contra 150 para um bloco de direita. O líder do PP, Pablo Casado, pediu a renúncia do primeiro-ministro Sánchez, alegando que "perdeu seu referendo e foi o grande derrotado de hoje".
Depois das eleições de abril, Sánchez negociou longamente com Pablo Iglesias, da coalizão Unidas Podemos, sem chegar a um acordo. As conversas acabaram em 24 de julho, quando Iglesias rejeitou a oferta de um cargo de vice-primeiro-ministro e três ministérios. Nunca foram retomadas.
Assim, não existe a menor garantia de que a Espanha tenha um governo de coalizão de esquerda, o que não acontece desde a Guerra Civil (1936-39), mesmo que seja minoritário.
Na Catalunha, os grupos nacionalistas mais radicais avançaram, mas os partidos secessionistas estão longe dos 50% dos votos de que precisam para vencer um possível plebiscito sobre a independência.
Evo Morales renuncia à Presidência da Bolívia
Depois de quase 14 anos no poder, o líder indígena e sindical Juan Evo Morales Ayma, do Movimento ao Socialismo (MAS), renunciou hoje à Presidência da Bolívia, sob pressão do comandante das Forças Armadas, general Williams Kaliman, em meio a uma onda de três semanas de manifestações de protesto contra uma possível fraude na eleição de 20 de outubro.
"Mandei minha carta de renúncia à Assembleia Legislativa Plurinacional", anunciou Morales em pronunciamento na televisão, alegando ter sido vítima de um "golpe cívico, político e policial": "Houve um golpe", denunciou.
O vice-presidente Álvaro García e os presidentes da Câmara, Victor Borda, e do Senado, Adriana Salvatierra, também renunciaram, deixando um vácuo no poder. A Assembleia Legislativa terá de aceitar a renúncia do presidente e indicar um presidente interino até a realização de eleições, que precisam ocorrer em três meses. O nome mais cotado é da segunda vice-presidente do Senado, Jeanine Áñez.
"Meu pecado foi ser indígena, sindicalista e produtor de coca", lamentou Morales. "Vamos cumprir a promessa de Túpac Katari. Voltaramos e seremos milhões", acrescentou García, referindo-se ao líder aimará que liderou uma revolta contra a dominação espanhola no século 18.
"Quero dizer a meus irmãos e irmãs que a luta não termina aqui. Vamos continuar a luta pela paz e pela igualdade", despediu-se o presidente.
Hoje de manhã, Morales havia anunciado a realização de nova eleição presidencial com novas autoridades eleitorais "para baixar a tensão e pacificar" a Bolívia, como exigiu a Organização dos Estados Americanos (OEA) ao antecipar o resultado de uma auditoria sobre o processo eleitoral "por causa da gravidade das denúncias". A oposição exigiu que Morales não fosse candidato.
Depois disso, as Forças Armadas, a Polícia e a poderosa Central Operária Boliviana (COB) pediram a saída de Morales. O Exército havia avisado que não enfrentaria os manifestantes. Em pronunciamento na televisão, o general Kaliman sugeriu a renúncia "para o bem da Bolívia".
"Diante da escalada no conflito por que passa o país, velando pela vida, a segurança da população e a garantia do império da Constituição Política do Estado, em conformidade com o artigo 20 da Lei Orgânica das Forças Armadas e depois de analisar a situação conflituosa interna, sugerimos ao chefe de Estado que renuncie a seu mandato", declarou o general.
A seu lado, estavam outros comandantes militares e o chefe da Polícia, general Yuri Calderón, que apoiou a recomendação "para pacificar o povo da Bolívia". O comunicado do comandante das Forças Armadas terminou com um pedido "ao povo boliviano e aos setores mobilizados para depor as atitudes de violência e a desordem entre irmãos para não manchar nossas famílias com sangue, dor e luto."
Pelo menos três pessoas foram mortas e 300 saíram feridas durante as três semanas de protestos. Uma greve geral iniciada no departamento de Santa Cruz, dominado pela oposição, já dura 20 dias.
Quando o avião presidencial decolou do aeroporto de El Alto, por volta das 17 horas em Brasília, gerou especulações de que Morales poderia fugir do país. O presidente do México, o esquerdista Andrés Manuel López Obrador, lhe ofereceu asilo político. Pelo menos 20 políticos pediram asilo à embaixada mexicana em La Paz, informou na Cidde do México o chanceler Marcelo Ebrard.
O ex-presidente foi para a região do Chapare, um reduto eleitoral no departamento de Cochabamba onde ele iniciou a carreira política como líder dos cocaleros, os agricultores que cultivam a coca.
Evo Morales era o presidente que estava há mais tempo no poder na América, desde 22 de janeiro de 2006. Fora eleito em dezembro de 2005 com quase 54% dos votos depois de um período turbulento da história da Bolívia em que dois presidentes renunciaram, Gonzalo Sánchez de Losada em 2003 e Carlos Mesa Gisbert em 2005, sob pressão das ruas e do movimento indígena liderado por ele.
Sob seu governo, a Bolívia, um dos países mais pobres do continente, cresceu em média quase 5% ao ano. A pobreza caiu de 60% para 34% e a pobreza absoluta de 38% para 15%. Morales convocou uma Assembleia Constituinte que transformou o país num Estado plurinacional, reconhecendo os direitos povos indígenas.
Em 6 de dezembro de 2009, Morales foi reeleito com 64% dos votos válidos. Como a lei só autoriza uma reeleição, para concorrer a um terceiro mandato, o presidente alegou que a primeira eleição havia sido sob a Constituição anterior. Em 12 de outubro de 2014, ganhou de novo, com 63% dos votos válidos.
Para obter um quarto mandato, Morales convocou um referendo constitucional para acabar com limites à reeleição e perdeu. Em 21 de fevereiro de 2016, 51,3% dos eleitores disseram não à reeleição ilimitada.
Mesmo assim, o presidente recorreu à Corte Suprema com base em decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, o Tribunal de São José da Costa Rica, que considerou em outro caso que votar e ser candidato são direitos fundamentais. E tentou um quarto mandato.
Na noite de 20 de outubro, com 83% das urnas escrutinadas, a contagem preliminar indicava que haveria segundo turno. Morales tinha 45% contra 38% do ex-presidente Carlos Mesa. Pela lei boliviana, ganha quem conquistar mais da metade dos votos válidos ou 40% e uma vantagem de dez pontos percentuais sobre o segundo colocado.
Naquele momento, o Tribunal Supremo Eleitoral suspendeu a apuração preliminar. No dia seguinte, quando a apuração manual voto a voto dava 42% a cada candidato, com ligeira vantagem para Mesa, a Justiça parou com a apuração manual, retomou a contagem rápida e anunciou a vitória de Morales, que no final teria recebido 47,01% dos votos contra 36,51% para Mesa.
O oposicionista rejeitou o resultado e convocou seu eleitorado a sair às ruas para impedir a fraude. A interrupção abrupta da contagem e o reinício com um resultado diferente, como aconteceu na eleição de Carlos Salinas de Gortari no México, em 1988, foi um dos pontos centrais do relatório da auditoria da OEA, que apontou "denúncias de irregularidades graves".
Assim que a OEA denunciou a fraude, o Ministério Público abriu inquérito. A presidente do Tribunal Supremo Eleitoral, María Eugenia Choque, e o vice-presidente, Antonio Costas, foram presos.
As acusações da OEA foram decisivas para minar de vez o poder de Morales. O presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández, sua vice, Cristina Kirchner, o ex-presidente Lula e o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, chamam a queda de Morales de golpe de Estado.
A oposição boliviana argumenta que fez apenas uma resistência democrática contra a fraude eleitoral, mas o jornal La Razón noticia de ataques a casas de políticos ligados ao governo socialista, inclusive do ex-presidente.
O presidente da Câmara, Victor Borda, e o ministro das Minas, César Navarro, denunciaram ataques a suas casas e famílias com bombas incendiárias. Eles responsabilizam o ex-presidente Mesa e o presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz, Luis Fernando Macho Camacho, pela violência.
Houve saques, violência e depredação de lojas em várias cidades, inclusive à casa de Morales. Em La Paz, pelo menos 64 ônibus foram incendiados por partidários do ex-presidente.
"Mandei minha carta de renúncia à Assembleia Legislativa Plurinacional", anunciou Morales em pronunciamento na televisão, alegando ter sido vítima de um "golpe cívico, político e policial": "Houve um golpe", denunciou.
O vice-presidente Álvaro García e os presidentes da Câmara, Victor Borda, e do Senado, Adriana Salvatierra, também renunciaram, deixando um vácuo no poder. A Assembleia Legislativa terá de aceitar a renúncia do presidente e indicar um presidente interino até a realização de eleições, que precisam ocorrer em três meses. O nome mais cotado é da segunda vice-presidente do Senado, Jeanine Áñez.
"Meu pecado foi ser indígena, sindicalista e produtor de coca", lamentou Morales. "Vamos cumprir a promessa de Túpac Katari. Voltaramos e seremos milhões", acrescentou García, referindo-se ao líder aimará que liderou uma revolta contra a dominação espanhola no século 18.
"Quero dizer a meus irmãos e irmãs que a luta não termina aqui. Vamos continuar a luta pela paz e pela igualdade", despediu-se o presidente.
Hoje de manhã, Morales havia anunciado a realização de nova eleição presidencial com novas autoridades eleitorais "para baixar a tensão e pacificar" a Bolívia, como exigiu a Organização dos Estados Americanos (OEA) ao antecipar o resultado de uma auditoria sobre o processo eleitoral "por causa da gravidade das denúncias". A oposição exigiu que Morales não fosse candidato.
Depois disso, as Forças Armadas, a Polícia e a poderosa Central Operária Boliviana (COB) pediram a saída de Morales. O Exército havia avisado que não enfrentaria os manifestantes. Em pronunciamento na televisão, o general Kaliman sugeriu a renúncia "para o bem da Bolívia".
"Diante da escalada no conflito por que passa o país, velando pela vida, a segurança da população e a garantia do império da Constituição Política do Estado, em conformidade com o artigo 20 da Lei Orgânica das Forças Armadas e depois de analisar a situação conflituosa interna, sugerimos ao chefe de Estado que renuncie a seu mandato", declarou o general.
A seu lado, estavam outros comandantes militares e o chefe da Polícia, general Yuri Calderón, que apoiou a recomendação "para pacificar o povo da Bolívia". O comunicado do comandante das Forças Armadas terminou com um pedido "ao povo boliviano e aos setores mobilizados para depor as atitudes de violência e a desordem entre irmãos para não manchar nossas famílias com sangue, dor e luto."
Pelo menos três pessoas foram mortas e 300 saíram feridas durante as três semanas de protestos. Uma greve geral iniciada no departamento de Santa Cruz, dominado pela oposição, já dura 20 dias.
Quando o avião presidencial decolou do aeroporto de El Alto, por volta das 17 horas em Brasília, gerou especulações de que Morales poderia fugir do país. O presidente do México, o esquerdista Andrés Manuel López Obrador, lhe ofereceu asilo político. Pelo menos 20 políticos pediram asilo à embaixada mexicana em La Paz, informou na Cidde do México o chanceler Marcelo Ebrard.
O ex-presidente foi para a região do Chapare, um reduto eleitoral no departamento de Cochabamba onde ele iniciou a carreira política como líder dos cocaleros, os agricultores que cultivam a coca.
Evo Morales era o presidente que estava há mais tempo no poder na América, desde 22 de janeiro de 2006. Fora eleito em dezembro de 2005 com quase 54% dos votos depois de um período turbulento da história da Bolívia em que dois presidentes renunciaram, Gonzalo Sánchez de Losada em 2003 e Carlos Mesa Gisbert em 2005, sob pressão das ruas e do movimento indígena liderado por ele.
Sob seu governo, a Bolívia, um dos países mais pobres do continente, cresceu em média quase 5% ao ano. A pobreza caiu de 60% para 34% e a pobreza absoluta de 38% para 15%. Morales convocou uma Assembleia Constituinte que transformou o país num Estado plurinacional, reconhecendo os direitos povos indígenas.
Em 6 de dezembro de 2009, Morales foi reeleito com 64% dos votos válidos. Como a lei só autoriza uma reeleição, para concorrer a um terceiro mandato, o presidente alegou que a primeira eleição havia sido sob a Constituição anterior. Em 12 de outubro de 2014, ganhou de novo, com 63% dos votos válidos.
Para obter um quarto mandato, Morales convocou um referendo constitucional para acabar com limites à reeleição e perdeu. Em 21 de fevereiro de 2016, 51,3% dos eleitores disseram não à reeleição ilimitada.
Mesmo assim, o presidente recorreu à Corte Suprema com base em decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, o Tribunal de São José da Costa Rica, que considerou em outro caso que votar e ser candidato são direitos fundamentais. E tentou um quarto mandato.
Na noite de 20 de outubro, com 83% das urnas escrutinadas, a contagem preliminar indicava que haveria segundo turno. Morales tinha 45% contra 38% do ex-presidente Carlos Mesa. Pela lei boliviana, ganha quem conquistar mais da metade dos votos válidos ou 40% e uma vantagem de dez pontos percentuais sobre o segundo colocado.
Naquele momento, o Tribunal Supremo Eleitoral suspendeu a apuração preliminar. No dia seguinte, quando a apuração manual voto a voto dava 42% a cada candidato, com ligeira vantagem para Mesa, a Justiça parou com a apuração manual, retomou a contagem rápida e anunciou a vitória de Morales, que no final teria recebido 47,01% dos votos contra 36,51% para Mesa.
O oposicionista rejeitou o resultado e convocou seu eleitorado a sair às ruas para impedir a fraude. A interrupção abrupta da contagem e o reinício com um resultado diferente, como aconteceu na eleição de Carlos Salinas de Gortari no México, em 1988, foi um dos pontos centrais do relatório da auditoria da OEA, que apontou "denúncias de irregularidades graves".
Assim que a OEA denunciou a fraude, o Ministério Público abriu inquérito. A presidente do Tribunal Supremo Eleitoral, María Eugenia Choque, e o vice-presidente, Antonio Costas, foram presos.
As acusações da OEA foram decisivas para minar de vez o poder de Morales. O presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández, sua vice, Cristina Kirchner, o ex-presidente Lula e o ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, chamam a queda de Morales de golpe de Estado.
A oposição boliviana argumenta que fez apenas uma resistência democrática contra a fraude eleitoral, mas o jornal La Razón noticia de ataques a casas de políticos ligados ao governo socialista, inclusive do ex-presidente.
O presidente da Câmara, Victor Borda, e o ministro das Minas, César Navarro, denunciaram ataques a suas casas e famílias com bombas incendiárias. Eles responsabilizam o ex-presidente Mesa e o presidente do Comitê Cívico de Santa Cruz, Luis Fernando Macho Camacho, pela violência.
Houve saques, violência e depredação de lojas em várias cidades, inclusive à casa de Morales. Em La Paz, pelo menos 64 ônibus foram incendiados por partidários do ex-presidente.
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Morales recua e convoca nova eleição na Bolívia
Depois de três semanas de protestos violentos contra uma suposta fraude eleitoral que deixaram três mortos e mais de 300 feridos, o presidente Evo Morales anunciou hoje a realização de nova eleição presidencial e mudanças na autoridade eleitoral da Bolívia.
Morales vinha denunciando um "golpe de Estado". Recuou diante de um pedido de anulação da eleição feito pelo secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), o ex-ministro do Exterior uruguaio Luis Almagro, com base em uma auditoria.
Até ontem, o presidente boliviano propunha um diálogo à oposição, mas seu principal adversário na eleição de 20 de outubro, o ex-presidente Carlos Mesa, declarou "não ter nada a negociar" com Morales.
No sábado, várias unidades policiais se rebelaram em quatro departamentos do país e o Exército da Bolívia alertou que não iria enfrentar os manifestantes.
As conclusões da auditoria da OEA seriam divulgadas no dia 13. Almagro antecipou o resultado "por conta da gravidade das denúncias" e pediu a realização de novo pleito "assim que existam condições", inclusive "uma nova composição do órgão eleitoral".
Pela lei boliviana, vence a eleição presidencial quem conquistar mais da metade dos votos válidos ou 40% e uma vantagem de dez pontos percentuais sobre o segundo colocado.
Em 20 de outubro, com mais de 80% das urnas apuradas, o resultado indicava um segundo turno entre Morales e Mesa quando a contagem preliminar foi suspensa. No dia seguinte, na apuração voto a voto, os dois estavam praticamente empatados.
Então, a apuração voto a voto foi suspensa e retomada a contagem preliminar e Morales conseguiu a vantagem de 10% necessária para evitar um segundo turno, chegando a 47,08% contra 36,51% para Mesa. A interrupção abrupta da apuração suscitou suspeitas de fraude. Foi citada pela OEA como uma das irregularidades.
Morales tenta um quarto mandato, apesar da restrição constitucional e mais de uma reeleição. Na eleição anterior, o presidente alegou que o primeiro mandato havia sido obtido sob a Constituição anterior. Por isso, ele teria direito a mais um.
Em 2016, Morales perdeu um referendo constitucional para aprovar a reeleição sem limites. Para disputar um quarto mandato, recorreu à Corte Suprema invocando uma decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, o Tribunal de São José da Costa Rica, que considerou o direito à candidatura um direito fundamental.
Primeiro presidente indígena da Bolívia, o aimará Morales chegou ao poder em 2006, depois de uma série de governos que não chegaram ao fim, derrubados por revoltas populares liderados por ele. Sob seu governo, o país cresceu em média 5% ao ano. A pobreza caiu de 60% para 34% da população e a extrema pobreza, de 38% para 15%.
A dúvida agora é se a oposição vai aceitar a solução apresentada pelo presidente ou se vai manter o movimento para forçar sua queda.
Morales vinha denunciando um "golpe de Estado". Recuou diante de um pedido de anulação da eleição feito pelo secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA), o ex-ministro do Exterior uruguaio Luis Almagro, com base em uma auditoria.
Até ontem, o presidente boliviano propunha um diálogo à oposição, mas seu principal adversário na eleição de 20 de outubro, o ex-presidente Carlos Mesa, declarou "não ter nada a negociar" com Morales.
No sábado, várias unidades policiais se rebelaram em quatro departamentos do país e o Exército da Bolívia alertou que não iria enfrentar os manifestantes.
As conclusões da auditoria da OEA seriam divulgadas no dia 13. Almagro antecipou o resultado "por conta da gravidade das denúncias" e pediu a realização de novo pleito "assim que existam condições", inclusive "uma nova composição do órgão eleitoral".
Pela lei boliviana, vence a eleição presidencial quem conquistar mais da metade dos votos válidos ou 40% e uma vantagem de dez pontos percentuais sobre o segundo colocado.
Em 20 de outubro, com mais de 80% das urnas apuradas, o resultado indicava um segundo turno entre Morales e Mesa quando a contagem preliminar foi suspensa. No dia seguinte, na apuração voto a voto, os dois estavam praticamente empatados.
Então, a apuração voto a voto foi suspensa e retomada a contagem preliminar e Morales conseguiu a vantagem de 10% necessária para evitar um segundo turno, chegando a 47,08% contra 36,51% para Mesa. A interrupção abrupta da apuração suscitou suspeitas de fraude. Foi citada pela OEA como uma das irregularidades.
Morales tenta um quarto mandato, apesar da restrição constitucional e mais de uma reeleição. Na eleição anterior, o presidente alegou que o primeiro mandato havia sido obtido sob a Constituição anterior. Por isso, ele teria direito a mais um.
Em 2016, Morales perdeu um referendo constitucional para aprovar a reeleição sem limites. Para disputar um quarto mandato, recorreu à Corte Suprema invocando uma decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, o Tribunal de São José da Costa Rica, que considerou o direito à candidatura um direito fundamental.
Primeiro presidente indígena da Bolívia, o aimará Morales chegou ao poder em 2006, depois de uma série de governos que não chegaram ao fim, derrubados por revoltas populares liderados por ele. Sob seu governo, o país cresceu em média 5% ao ano. A pobreza caiu de 60% para 34% da população e a extrema pobreza, de 38% para 15%.
A dúvida agora é se a oposição vai aceitar a solução apresentada pelo presidente ou se vai manter o movimento para forçar sua queda.
sábado, 9 de novembro de 2019
Oposição rejeita diálogo e unidades policiais se amotinam na Bolívia
Várias unidades policiais de quatro departamentos da Bolívia aderiram hoje à revolta popular contra o presidente Evo Morales, acusado de fraude eleitoral para se reeleger para um quarto mandato, o que a rigor é proibido pela Constituição. A oposição rejeitou a proposta de diálogo do governo e o Exército avisou que não vai enfrentar a população. Quer uma solução pacífica.
"Não tenho nada a negociar com Evo Morales e seu governo", afirmou o ex-vice-presidente Carlos Mesa, candidato derrotado na apuração oficial das eleições de 20 de outubro e líder da oposição. A declaração acirrou ainda mais os ânimos e as manifestações de rua.
Partidários do governo bloquearam o acesso à cidade de El Alto para impedir que manifestantes de oposição fossem até La Paz, onde fica a sede do governo. Os policiais exigem os mesmos salários e regime de aposentadoria que os militares.
Como a polícia de La Paz aderiu à revolta, o regime militar Colorados de Bolívia estão garantindo a segurança do presidente. Sem acesso ao Palácio Queimado, Morales despacha no aeroporto da cidade vizinha de El Alto.
Milhares de camponeses produtores de coca estão marchando de Cochabamba em direção a La Paz. Eles atendem à convocação de Morales, que denuncia um "golpe de Estado" com o apoio do exterior, que ele não identificou. O presidente iniciou sua carreira política como líder do sindicato dos produtores de coca.
Pela lei boliviana, ganha no primeiro turno quem receber mais de metade dos votos válidos ou mais de 40% e uma vantagem de dez pontos percentuais sobre o segundo colocado. Uma apuração preliminar realizada na noite do dia da eleição indicava que haveria segundo quando foi suspensa sem maiores explicações.
No dia seguinte, a apuração manual voto a voto dava mais ou menos o mesmo percentual aos dois principais candidatos quando foi suspensa. Recomeçou então a contagem preliminar e o presidente obteve a vantagem de dez pontos percentuais, confirmada dias depois pela contagem mais lenta.
A interrupção abrupta da contagem despertou suspeitas, inclusive da missão observadora da Organização dos Estados Americanos (OEA), que defendeu uma recontagem e revisão geral dos votos. Desde o início, Morales alegou que as acusações eram parte de um golpe de Estado. Sua situação é cada vez mais difícil.
Proibido pela Constituição de se reeleger pela segunda vez, o presidente argumentou que o primeiro mandato havia sido sob a Constituição anterior. Depois de perder em 2016 um plebiscito que autorizaria a reeleição sem limites, apelou à Corte Suprema tendo por base uma decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, o Tribunal de São José da Costa Rica, que entende que ser candidato é um direito fundamental.
"Não tenho nada a negociar com Evo Morales e seu governo", afirmou o ex-vice-presidente Carlos Mesa, candidato derrotado na apuração oficial das eleições de 20 de outubro e líder da oposição. A declaração acirrou ainda mais os ânimos e as manifestações de rua.
Partidários do governo bloquearam o acesso à cidade de El Alto para impedir que manifestantes de oposição fossem até La Paz, onde fica a sede do governo. Os policiais exigem os mesmos salários e regime de aposentadoria que os militares.
Como a polícia de La Paz aderiu à revolta, o regime militar Colorados de Bolívia estão garantindo a segurança do presidente. Sem acesso ao Palácio Queimado, Morales despacha no aeroporto da cidade vizinha de El Alto.
Milhares de camponeses produtores de coca estão marchando de Cochabamba em direção a La Paz. Eles atendem à convocação de Morales, que denuncia um "golpe de Estado" com o apoio do exterior, que ele não identificou. O presidente iniciou sua carreira política como líder do sindicato dos produtores de coca.
Pela lei boliviana, ganha no primeiro turno quem receber mais de metade dos votos válidos ou mais de 40% e uma vantagem de dez pontos percentuais sobre o segundo colocado. Uma apuração preliminar realizada na noite do dia da eleição indicava que haveria segundo quando foi suspensa sem maiores explicações.
No dia seguinte, a apuração manual voto a voto dava mais ou menos o mesmo percentual aos dois principais candidatos quando foi suspensa. Recomeçou então a contagem preliminar e o presidente obteve a vantagem de dez pontos percentuais, confirmada dias depois pela contagem mais lenta.
A interrupção abrupta da contagem despertou suspeitas, inclusive da missão observadora da Organização dos Estados Americanos (OEA), que defendeu uma recontagem e revisão geral dos votos. Desde o início, Morales alegou que as acusações eram parte de um golpe de Estado. Sua situação é cada vez mais difícil.
Proibido pela Constituição de se reeleger pela segunda vez, o presidente argumentou que o primeiro mandato havia sido sob a Constituição anterior. Depois de perder em 2016 um plebiscito que autorizaria a reeleição sem limites, apelou à Corte Suprema tendo por base uma decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, o Tribunal de São José da Costa Rica, que entende que ser candidato é um direito fundamental.
Justiça da Índia autoriza construção de templo onde havia mesquita
Numa decisão capaz de deflagrar uma onda de violência, por unanimidade, a Suprema Corte da Índia autorizou a construção de um templo hindu no local onde havia uma mesquita do século 16 destruída em 6 de dezembro de 1992, na cidade de Ayodhya, no estado de Uttar Predesh, reverenciada como lugar de nascimento do deus Rama.
A destruição da Mesquita de Babri por uma multidão, em 1992, provocou uma onda de violência em que cerca de 2 mil pessoas foram mortas. Agora, o tribunal autorizou a construção da mesquita em outro local da cidade. Para garantir a calma, 4 mil policiais foram enviados à região.
Foi mais uma vitória para o primeiro-ministro Narendra Modi e seu projeto de reconstruir a Índia com base no nacionalismo hindu, minando o secularismo dos líderes da independência do país, Mohandas Gandhi e Jawaharlal Nehru.
Modi e o Partido Bharatiya Janata (BJP) venceram as eleições parlamentares de abril e maio com uma plataforma nacionalista hindu. Reeleito para um segundo mandato, Modi acabou com a autonomia regional que a região da Caxemira, de maioria muçulmana, tinha desde a independência da Índia do Império Britânico e da divisão do país entre Índia e Paquistão, em 1947.
O fim da autonomia da Caxemira provocou grandes protestos do Paquistão, que defende a realização de um plebiscito para que a população local decida se quer ficar na Índia ou aderir ao Paquistão. A questão da Caxemira é a mais explosiva entre os dois inimigos históricos, que possuem armas nucleares e já travaram quatro guerras, três delas pela Caxemira.
A ala mais extremista do movimento nacionalista hindu considera a construção do templo no local de nascimento do deus Rama uma etapa fundamental da conversão da Índia num país hindu depois do que descrevem como séculos de opressão do Império Mughal e do Império Britânico. O Império Mughal destruiu um templo que havia no local para construir a Mesquita de Babri em 1528-29.
O processo judicial estava em andamento desde os anos 1950. Em 2010, chegou à Suprema Corte.
Para a minoria de mais de 200 milhões de muçulmanos (14%), a mudança de status da Caxemira e a decisão da Suprema Corte indicam que eles estão sendo rebaixados a cidadãos de segunda classe na Índia. Os indus são 80% da população do país, que tem 1,371 milhões de habitantes.
"Hoje é mensagem é unir, se associar e viver junto", declarou o primeiro-ministro, tentando acalmar a situação. "Na nova Índia, o medo, a animosidade e a negatividade não têm lugar."
A destruição da Mesquita de Babri por uma multidão, em 1992, provocou uma onda de violência em que cerca de 2 mil pessoas foram mortas. Agora, o tribunal autorizou a construção da mesquita em outro local da cidade. Para garantir a calma, 4 mil policiais foram enviados à região.
Foi mais uma vitória para o primeiro-ministro Narendra Modi e seu projeto de reconstruir a Índia com base no nacionalismo hindu, minando o secularismo dos líderes da independência do país, Mohandas Gandhi e Jawaharlal Nehru.
Modi e o Partido Bharatiya Janata (BJP) venceram as eleições parlamentares de abril e maio com uma plataforma nacionalista hindu. Reeleito para um segundo mandato, Modi acabou com a autonomia regional que a região da Caxemira, de maioria muçulmana, tinha desde a independência da Índia do Império Britânico e da divisão do país entre Índia e Paquistão, em 1947.
O fim da autonomia da Caxemira provocou grandes protestos do Paquistão, que defende a realização de um plebiscito para que a população local decida se quer ficar na Índia ou aderir ao Paquistão. A questão da Caxemira é a mais explosiva entre os dois inimigos históricos, que possuem armas nucleares e já travaram quatro guerras, três delas pela Caxemira.
A ala mais extremista do movimento nacionalista hindu considera a construção do templo no local de nascimento do deus Rama uma etapa fundamental da conversão da Índia num país hindu depois do que descrevem como séculos de opressão do Império Mughal e do Império Britânico. O Império Mughal destruiu um templo que havia no local para construir a Mesquita de Babri em 1528-29.
O processo judicial estava em andamento desde os anos 1950. Em 2010, chegou à Suprema Corte.
Para a minoria de mais de 200 milhões de muçulmanos (14%), a mudança de status da Caxemira e a decisão da Suprema Corte indicam que eles estão sendo rebaixados a cidadãos de segunda classe na Índia. Os indus são 80% da população do país, que tem 1,371 milhões de habitantes.
"Hoje é mensagem é unir, se associar e viver junto", declarou o primeiro-ministro, tentando acalmar a situação. "Na nova Índia, o medo, a animosidade e a negatividade não têm lugar."
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sexta-feira, 8 de novembro de 2019
Queda do Muro de Berlim há 30 anos trouxe esperança de paz
Amanhã faz 30 anos que o mundo mudou. Em 9 de novembro de 1989, era aberto o Muro de Berlim, símbolo da divisão do planeta durante a Guerra Fria entre Ocidente e Oriente, capitalismo e comunismo, liberdade e tirania. Mas a promessa de paz e prosperidade se desfez com o tempo.
Em junho de 1989, o regime comunista da China massacrou o movimento pela liberdade e democracia na Praça da Paz Celestial em Beijim, matando centenas, talvez milhares de pessoas. Mas uma onda de revoluções democráticas derrubou os regimes comunistas dos países da Europa Oriental dominados pela União Soviética.
Por ironia da história, a revolução liberal começou no seio do Partido Comunista da União Soviética, que em 11 de março de 1985 elegeu o reformista Mikhail Gorbachov como secretário-geral. Gorbachov estava convencido de que a estagnação econômica comprometida o futuro da pátria do comunista.
Com sua abertura política, a glasnost, que significa transparência, e uma reforma econômica, a perestroika, que significa reestruturação, Gorbachov tentou modernizar o sistema. A burocracia comunista se mostrou irreformável. Mas os outros países do Bloco Soviético aproveitaram a liberalização do comunismo para se livrar do jugo de Moscou.Meu comentário:
Em junho de 1989, o regime comunista da China massacrou o movimento pela liberdade e democracia na Praça da Paz Celestial em Beijim, matando centenas, talvez milhares de pessoas. Mas uma onda de revoluções democráticas derrubou os regimes comunistas dos países da Europa Oriental dominados pela União Soviética.
Por ironia da história, a revolução liberal começou no seio do Partido Comunista da União Soviética, que em 11 de março de 1985 elegeu o reformista Mikhail Gorbachov como secretário-geral. Gorbachov estava convencido de que a estagnação econômica comprometida o futuro da pátria do comunista.
Com sua abertura política, a glasnost, que significa transparência, e uma reforma econômica, a perestroika, que significa reestruturação, Gorbachov tentou modernizar o sistema. A burocracia comunista se mostrou irreformável. Mas os outros países do Bloco Soviético aproveitaram a liberalização do comunismo para se livrar do jugo de Moscou.Meu comentário:
quinta-feira, 7 de novembro de 2019
Crise das redes sociais ameaça futuro da liberdade na Internet
A desinformação, a censura, a manipulação e a perseguição política nas redes sociais ameaçam o futuro da liberdade de expressão na Internet, adverte um relatório divulgado ontem pela organização não governamental americana Freedom House. Pelo nono ano consecutivo, houve declínio da liberdade na rede mundial de computadores.
Dos 65 países onde a pesquisa foi realizada, em 33 houve declínio da liberdade na Internet. O recuo foi maior no Brasil, em Bangladesh, no Casaquistão e no Zimbábue.
A revolução tecnológica gerou um autoritarismo digital. Governos autoritários vigiam os cidadãos nas redes sociais.
Em 47 dos 65 países examinados, houve prisões por divulgar “conteúdo político, social ou religioso” que desagradou aos donos do poder.
O mundo tem hoje 7 bilhões 742 milhões de pessoas. Quase metade, 3 bilhões e 800 milhões, tem acesso à Internet. Mas isto não as torna mais livres. Do universo da pesquisa:
Dos 65 países onde a pesquisa foi realizada, em 33 houve declínio da liberdade na Internet. O recuo foi maior no Brasil, em Bangladesh, no Casaquistão e no Zimbábue.
A revolução tecnológica gerou um autoritarismo digital. Governos autoritários vigiam os cidadãos nas redes sociais.
Em 47 dos 65 países examinados, houve prisões por divulgar “conteúdo político, social ou religioso” que desagradou aos donos do poder.
O mundo tem hoje 7 bilhões 742 milhões de pessoas. Quase metade, 3 bilhões e 800 milhões, tem acesso à Internet. Mas isto não as torna mais livres. Do universo da pesquisa:
• 71% vivem
em países onde pessoas foram presas por divulgar conteúdo político, social ou
religioso;
• 65% vivem
em países onde pessoas foram atacadas e até mortas por suas atividades on-line;
• 59% vivem
em países onde autoridades usaram comentaristas a favor do governo para manipular
as discussões;
• 56% vivem
em países onde existe censura na rede;
• 46% vivem
em países onde governos desligaram a Internet e cortaram as telecomunicações
por telefone por motivos políticos; e
• 46% vivem
em países onde o acesso às redes sociais é restrito temporária ou
permanentemente.
A desinformação
sempre foi uma arma da luta política, mas o impacto hoje é muitíssimo maior. Em
38 dos 65 países estudados, líderes políticos empregam indivíduos para formar sub-repticiamente
a opinião na rede.
Em muitos países, a ascensão do populismo e do extremismo de extrema direita coincidiu com o surgimento de matilhas virtuais hiperpartidárias que incluem tanto usuários autênticos quando contas falsas e robôs, constata o relatório intitulado A Crise das Redes Sociais. Meu comentário:
Em muitos países, a ascensão do populismo e do extremismo de extrema direita coincidiu com o surgimento de matilhas virtuais hiperpartidárias que incluem tanto usuários autênticos quando contas falsas e robôs, constata o relatório intitulado A Crise das Redes Sociais. Meu comentário:
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quarta-feira, 6 de novembro de 2019
Liberdade está em declínio na Internet
De 65 países examinados, em 33 houve um declínio da liberdade na Internet desde junho de 2018, constatou um estudo da organização americana Freedom House. Entre os países com maior recuo citados no relatório A Crise das Redes Sociais, estão o Brasil, Bangladesh, o Casaquistão e o Zimbábue.
Com o autoritarismo digital e a vigilância aos cidadãos, em 47 dos 65 países houve prisões por "conteúdo político, religioso ou social" na rede mundial de computadores.
Dos 7,742 bilhões de seres humanos, 3,8 bilhões têm acesso à Internet.
• 71% vivem em países onde pessoas foram presas por divulgarem conteúdo político, social ou religioso;
• 65% vivem em países onde pessoas foram atacadas e até mortas por suas atividades on-line;
• 59% vivem em países onde autoridades usaram comentaristas a favor do governo para manipular as discussões;
• 56% vivem em países onde conteúdo político, social ou religioso on-line é censurado;
• 46% vivem em países onde as autoridades desligaram a internet ou as telecomunicações por telefone por motivos políticos;
• 46% vivem em países onde o acesso às plataformas das redes sociais é temporária ou permanentemente restrito.
A desinformação está em alta: "Líderes políticos empregam indivíduos para formar subrepticiamente a opinião na rede em 38 dos 65 países estudados neste relatório. (...) Em muitos países, a ascensão do populismo e do extremismo de ultradireita coincidiu com o crescimento de matilhas virtuais hiperpartidárias que incluem tanto usuários autênticos quanto fradulentos e contas automáticas", de robôs.
É a crise das redes sociais, nome do estudo. As plataformas que prometiam abertura e liberdade de expressão estão sendo usadas para vigiar, reprimir e confundir.
"A liberdade na Internet é crescentemente ameaçada pelos instrumentos e táticas do autoritarismo digital, que se espalhou rapidamente pelo globo. Regimes repressivos, governantes eleitos com ambições autoritárias e operadores partidários inescrupulosos exploram espaços não regulamentados das plataformas das redes sociais, convertendo-as em instrumentos para a distorção da política e o controle da sociedade", advertem os autories, Adrian Shahbaz e Allie Funk.
"Embora as redes sociais tenham às vezes servido de campo nivelado para a discussão cívica, elas estão agora se inclinando perigosamente para o iliberalismo, expondo os cidadãos a uma repressão sem precedentes de suas liberdades fundamentais. Pior ainda, uma alarmante variedade de governos está instalando instrumentos avançados para identificar e monitorar usuários numa escala imensa. Como resultado desta tendência, a liberdade na Internet global caiu pelo nono ano consecutivo em 2019", afirma o relatório.
O estudo acrescenta que "as redes sociais permitem que pessoas comuns, grupos sociais e jornalistas tenham acesso a uma vasta audiência a baixo ou nenhum custo, mas também oferecem uma plataforma útil e barata para operações de influência maligna de agentes do país ou do exterior."
"Além de facilitar a disseminação de propaganda e desinformação durante campanhas eleitorais, as redes sociais permitem a coleta e a análise de vasta quantidade de dados sobre populações inteiras. A vigilância sofisticada em massa, antes possível apenas para as agências de inteligência das grandes potências, agora é acessível a ampla variedade de países", alerta a Freedom House.
"Agentes estatais e não estatais empregaram técnicas informacionais para distorcer o ambiente da mídia durante eleições em 24 países no ano passado, tornando-a de longe a tática mais popular. A Freedom House lista cinco grandes métodos de manipulação: notícias que são propagandas, notícias totalmente falsas, comentaristas pagos, robôs e o sequestro de contas reais nas redes sociais.
"Neste ano, populistas e líderes de extrema direita se tornaram não só adeptos de criar uma desinformação viral, mas também de cultivar redes que as disseminem. Algumas destas redes são explicitamente dirigidas pelo Estado ou por funcionários do partido, enquanto outras são semiautônomas, dão apoio a seus ídolos políticos e recebem em troca encorajamento e aprovação", comenta o estudo, ao tentar explicar a redução da liberdade em 2019.
"Estas redes trabalham em conjunto com personalidades da mídia e magnatas do mundo dos negócios aliados ao governo. Estas matilhas virtuais amplificam teorias conspiratórias, visões inflamatórias e memes enganosos de pequenas câmaras de eco digital para a realidade política", argumentam os autores.
"Grupos de extrema-direita podem ter mais sucesso porque - como mostram estudos - conteúdos falsos, chocantes, negativos, exagerados e emocionalmente carregados tendem a se propagar mais depressa e mais amplamente em plataformas de redes sociais do que outros tipos de conteúdo", nota o relatório, acrescentando que as autoridades eleitorais da maioria dos países não estão preparadas para controlar este tipo de campanha eleitoral.
A pesquisa indica que "governos repressivos estão adquirindo instrumentos de vigilância nas redes sociais que empregam inteligência artificial para identificar possíveis ameaças e silenciar manifestações indesejadas. Mesmo nas democracias esta vigilância em massa está se espalhando pelas agências governamentais e sendo usada para outros propósitos sem as salvaguardas adequadas.
Se a China isola sua Internet para evitar a entrada de ideias indesejáveis para o regime comunista e a Rússia marcha na mesma direção, as grandes plataformas das redes sociais estão nos Estados Unidos e "sua exploração por forças antidemocráticas é em parte produto da negligência americana", continua o relatório.
"A vitória de Jair Bolsonaro na eleição presidencial de outubro de 2018 no Brasil provou ser um divisor de águas para a interferência digital nas eleições do país. Atores não identificados montaram ataques contra jornalistas, entidades governamentais e usuários politicamente engajados, enquanto a manipulação das redes sociais atingia novos picos. Partidários de Bolsonaro e de sua coalizão de extrema direita Brasil acima de Todos, Deus acima de Tudo divulgaram rumores homofóbicos e imagens manipuladas no YouTube e no WhatsApp. No governo, Bolsonaro contratou consultores de comunicação a quem se credita uma campanha sofisticada de desinformação", diz o parágrafo sobre o Brasil.
"O futuro da liberdade na Internet depende de corrigir as redes sociais", propõem os autores. "Não há tempo a perder. Novas tecnologias como biométrica, inteligência artificial e redes de telecomunicações de quinta geração (5G) vão oferecer novas oportunidades para o desenvolvimento humano, mas também apresentam, sem dúvida, uma nova série de desafios aos direitos humanos.
"São necessárias proteções fortes às liberdades democráticas para garantir que a Internet não se transforme num Cavalo de Troia da tirania e da opressão. O futuro da privacidade, da liberdade de expressão e da governança democrática está nas decisões que tomamos hoje."
Com o autoritarismo digital e a vigilância aos cidadãos, em 47 dos 65 países houve prisões por "conteúdo político, religioso ou social" na rede mundial de computadores.
Dos 7,742 bilhões de seres humanos, 3,8 bilhões têm acesso à Internet.
• 71% vivem em países onde pessoas foram presas por divulgarem conteúdo político, social ou religioso;
• 65% vivem em países onde pessoas foram atacadas e até mortas por suas atividades on-line;
• 59% vivem em países onde autoridades usaram comentaristas a favor do governo para manipular as discussões;
• 56% vivem em países onde conteúdo político, social ou religioso on-line é censurado;
• 46% vivem em países onde as autoridades desligaram a internet ou as telecomunicações por telefone por motivos políticos;
• 46% vivem em países onde o acesso às plataformas das redes sociais é temporária ou permanentemente restrito.
A desinformação está em alta: "Líderes políticos empregam indivíduos para formar subrepticiamente a opinião na rede em 38 dos 65 países estudados neste relatório. (...) Em muitos países, a ascensão do populismo e do extremismo de ultradireita coincidiu com o crescimento de matilhas virtuais hiperpartidárias que incluem tanto usuários autênticos quanto fradulentos e contas automáticas", de robôs.
É a crise das redes sociais, nome do estudo. As plataformas que prometiam abertura e liberdade de expressão estão sendo usadas para vigiar, reprimir e confundir.
"A liberdade na Internet é crescentemente ameaçada pelos instrumentos e táticas do autoritarismo digital, que se espalhou rapidamente pelo globo. Regimes repressivos, governantes eleitos com ambições autoritárias e operadores partidários inescrupulosos exploram espaços não regulamentados das plataformas das redes sociais, convertendo-as em instrumentos para a distorção da política e o controle da sociedade", advertem os autories, Adrian Shahbaz e Allie Funk.
"Embora as redes sociais tenham às vezes servido de campo nivelado para a discussão cívica, elas estão agora se inclinando perigosamente para o iliberalismo, expondo os cidadãos a uma repressão sem precedentes de suas liberdades fundamentais. Pior ainda, uma alarmante variedade de governos está instalando instrumentos avançados para identificar e monitorar usuários numa escala imensa. Como resultado desta tendência, a liberdade na Internet global caiu pelo nono ano consecutivo em 2019", afirma o relatório.
O estudo acrescenta que "as redes sociais permitem que pessoas comuns, grupos sociais e jornalistas tenham acesso a uma vasta audiência a baixo ou nenhum custo, mas também oferecem uma plataforma útil e barata para operações de influência maligna de agentes do país ou do exterior."
"Além de facilitar a disseminação de propaganda e desinformação durante campanhas eleitorais, as redes sociais permitem a coleta e a análise de vasta quantidade de dados sobre populações inteiras. A vigilância sofisticada em massa, antes possível apenas para as agências de inteligência das grandes potências, agora é acessível a ampla variedade de países", alerta a Freedom House.
"Agentes estatais e não estatais empregaram técnicas informacionais para distorcer o ambiente da mídia durante eleições em 24 países no ano passado, tornando-a de longe a tática mais popular. A Freedom House lista cinco grandes métodos de manipulação: notícias que são propagandas, notícias totalmente falsas, comentaristas pagos, robôs e o sequestro de contas reais nas redes sociais.
"Neste ano, populistas e líderes de extrema direita se tornaram não só adeptos de criar uma desinformação viral, mas também de cultivar redes que as disseminem. Algumas destas redes são explicitamente dirigidas pelo Estado ou por funcionários do partido, enquanto outras são semiautônomas, dão apoio a seus ídolos políticos e recebem em troca encorajamento e aprovação", comenta o estudo, ao tentar explicar a redução da liberdade em 2019.
"Estas redes trabalham em conjunto com personalidades da mídia e magnatas do mundo dos negócios aliados ao governo. Estas matilhas virtuais amplificam teorias conspiratórias, visões inflamatórias e memes enganosos de pequenas câmaras de eco digital para a realidade política", argumentam os autores.
"Grupos de extrema-direita podem ter mais sucesso porque - como mostram estudos - conteúdos falsos, chocantes, negativos, exagerados e emocionalmente carregados tendem a se propagar mais depressa e mais amplamente em plataformas de redes sociais do que outros tipos de conteúdo", nota o relatório, acrescentando que as autoridades eleitorais da maioria dos países não estão preparadas para controlar este tipo de campanha eleitoral.
A pesquisa indica que "governos repressivos estão adquirindo instrumentos de vigilância nas redes sociais que empregam inteligência artificial para identificar possíveis ameaças e silenciar manifestações indesejadas. Mesmo nas democracias esta vigilância em massa está se espalhando pelas agências governamentais e sendo usada para outros propósitos sem as salvaguardas adequadas.
Se a China isola sua Internet para evitar a entrada de ideias indesejáveis para o regime comunista e a Rússia marcha na mesma direção, as grandes plataformas das redes sociais estão nos Estados Unidos e "sua exploração por forças antidemocráticas é em parte produto da negligência americana", continua o relatório.
"A vitória de Jair Bolsonaro na eleição presidencial de outubro de 2018 no Brasil provou ser um divisor de águas para a interferência digital nas eleições do país. Atores não identificados montaram ataques contra jornalistas, entidades governamentais e usuários politicamente engajados, enquanto a manipulação das redes sociais atingia novos picos. Partidários de Bolsonaro e de sua coalizão de extrema direita Brasil acima de Todos, Deus acima de Tudo divulgaram rumores homofóbicos e imagens manipuladas no YouTube e no WhatsApp. No governo, Bolsonaro contratou consultores de comunicação a quem se credita uma campanha sofisticada de desinformação", diz o parágrafo sobre o Brasil.
"O futuro da liberdade na Internet depende de corrigir as redes sociais", propõem os autores. "Não há tempo a perder. Novas tecnologias como biométrica, inteligência artificial e redes de telecomunicações de quinta geração (5G) vão oferecer novas oportunidades para o desenvolvimento humano, mas também apresentam, sem dúvida, uma nova série de desafios aos direitos humanos.
"São necessárias proteções fortes às liberdades democráticas para garantir que a Internet não se transforme num Cavalo de Troia da tirania e da opressão. O futuro da privacidade, da liberdade de expressão e da governança democrática está nas decisões que tomamos hoje."
Mundo entra em era de espionagem sem precedentes
Foi-se o tempo em que os espiões se encontravam no Parque Gorki, em Moscou, ou deixavam dossiês em insuspeitas latas de lixo. Depois de uma trégua no fim da Guerra Fria, a competição estratégica está de volta e é cada vez maior entre os Estados Unidos, a China e a Rússia.
Com a proliferação de instrumentos como a Internet e os aparelhos móveis, a espionagem cresce na mesma medida e a ameaça não vem apenas das grandes potências. Entre os principais alvos, estão as grandes empresas ocidentais e seus segredos industriais.
Com a proliferação de instrumentos como a Internet e os aparelhos móveis, a espionagem cresce na mesma medida e a ameaça não vem apenas das grandes potências. Entre os principais alvos, estão as grandes empresas ocidentais e seus segredos industriais.
As novas
tecnologias permitem invadir à distância os sistemas de computadores de
empresas e piratear quantidades de dados formidáveis. Os avanços tecnológicos
deixaram as empresas muito mais vulneráveis.
Mesmo funcionários de baixo escalão podem ter motivos e acesso a meios capazes de roubar informações em grande escala. Hoje em dia, se um agente estiver interessado em obter dados específicos, deve-se presumir que pode ter condições de fazer isso. Meu comentário:
Mesmo funcionários de baixo escalão podem ter motivos e acesso a meios capazes de roubar informações em grande escala. Hoje em dia, se um agente estiver interessado em obter dados específicos, deve-se presumir que pode ter condições de fazer isso. Meu comentário:
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terça-feira, 5 de novembro de 2019
Onze mil cientistas advertem que crise do clima virou emergência
Um dia depois que o presidente Donald Trump formalizou a retirada dos Estados Unidos do Acordo de Paris sobre Mudança do Clima, cerca de 11 mil cientistas de 153 países divulgaram um relatório. Eles advertem que o aquecimento global virou uma situação de emergência capaz de provocar um "sofrimento humano inimaginável", noticiou a televisão pública britânica BBC.
Ao analisar dados de 40 anos, os cientistas acusaram os governos de fracassarem ao enfrentar a crise do clima, deixando que a situação se transformasse em emergência, mas observam o surgimento de um forte movimento cidadão, da sociedade civil, com manifestações públicas, greves de estudantes secundaristas, passeatas e ações judiciais.
Os dados coletados indicam que o mês passado foi o mais quente da história, e os pesquisadores entendem que simplesmente medir a temperatura da superfície da Terra não basta para avaliar os riscos do agravamento do efeito estufa.
Para examinar os sinais vitais da mudança do clima, é importante, dizem os cientistas, observar o crescimento das populações humanas e de animais, o desflorestamento, o consumo de combustíveis fósseis como carvão e petróleo, e o consumo de carne por pessoa.Meu comentário:
Ao analisar dados de 40 anos, os cientistas acusaram os governos de fracassarem ao enfrentar a crise do clima, deixando que a situação se transformasse em emergência, mas observam o surgimento de um forte movimento cidadão, da sociedade civil, com manifestações públicas, greves de estudantes secundaristas, passeatas e ações judiciais.
Os dados coletados indicam que o mês passado foi o mais quente da história, e os pesquisadores entendem que simplesmente medir a temperatura da superfície da Terra não basta para avaliar os riscos do agravamento do efeito estufa.
Para examinar os sinais vitais da mudança do clima, é importante, dizem os cientistas, observar o crescimento das populações humanas e de animais, o desflorestamento, o consumo de combustíveis fósseis como carvão e petróleo, e o consumo de carne por pessoa.Meu comentário:
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Irã inaugura centrífugas no aniversário da tomada da embaixada dos EUA
A República Islâmica do Irã acionou ontem uma cadeia de 30 centrífugas avançadas capazes de enriquecer urânio numa velocidade dez vezes maior do que antes, anunciou o chefe da Organização de Energia Atômica do Irã, Ali Akbar Salehi.
É mais um desafio iraniano ao acordo assinado em 2015 com todas as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações (Estados Unidos, China, França, Reino Unido e Rússia) e mais a Alemanha para congelar a parte militar do programa nuclear do Irã por dez anos.
É mais um desafio iraniano ao acordo assinado em 2015 com todas as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações (Estados Unidos, China, França, Reino Unido e Rússia) e mais a Alemanha para congelar a parte militar do programa nuclear do Irã por dez anos.
O presidente Donald Trump abandonou o acordo em 8 de maio
de 2018 e declarou uma guerra econômica tentando sufocar a economia iraniana e
impedir o país de exportar petróleo. As exportações de petróleo iranianas caíram
de 3 milhões para 600 mil barris por dia. A moeda iraniana, o rial, perdeu
metade do valor.
Para pressionar os outros países a aliviar de alguma forma a
pressão sobre a economia do Irã, o regime fundamentalista iraniano voltou a
enriquecer urânio além dos limites previstos no acordo.
Desde maio, a Guarda
Revolucionária atacou pelo menos seis navios no Golfo Pérsico, uma milícia do Iêmen
financiada pelo Irã assumiu a responsabilidade por um ataque contra instalações
de petróleo da Arábia Saudita. O objetivo é romper o cerco da guerra econômica
de Trump.
O novo
desafio é lançado em 4 de novembro, quando faz 40 anos da ocupação da embaixada
dos Estados Unidos em Teerã por guardas revolucionários, que tomaram 52
americanos como reféns por 444 dias.
O então presidente americano, Jimmy
Carter, autorizou uma operação de resgate. A Operação Garra de Águia fracassou
com areia do deserto entrando em helicópteros dos Estados Unidos e a morte de
oito soldados americanos e um civil iraniano.
A crise dos reféns no Irã foi um
fator importante para a derrota de Carter para Ronald Reagan, em novembro de 1980.
Eles foram libertados minutos depois da posse de Reagan. Meu comentário:
domingo, 3 de novembro de 2019
Estatal de petróleo saudita anuncia primeira venda de ações
Depois de três anos de expectativa, a maior empresa do mundo, a companhia estatal de petróleo saudita Saudi Aramco, anunciou hoje a abertura do capital. A monarquia absolutista da Arábia Saudita pretende vender 5% das ações e levantar US$ 100 bilhões, o que deixaria o valor total da empresa em US$ 2 trilhões.
O preço final de lançamento deve ser definido em 4 de dezembro. A Saudi Aramco estreia na Tadawul, a bolsa de valores saudita, em 11 de dezembro. A empresa é responsável por toda a produção de petróleo da Arábia Saudita, cerca de 10 milhões de barris por dia, e por 11% da produção mundial.
Hoje a maior empresa cotada em bolsa é a Apple, que vale cerca de US$ 1 trilhão. No ano passado, a Saudi Aramco teve um lucro líquido de US$ 111 bilhões, mais do que o dobro da Apple. Neste ano, lucrou US$ 86 bilhões nos primeiros nove meses do ano.
Assim, a expectativa é que seja a maior oferta inicial de ações da história e supere os US$ 22 bilhões levantados pela Alibaba, a gigante chinesa de comércio eletrônico. O dinheiro levantado pela monarquia saudita vai para o Fundo de Investimento Público (FIP). A meta é preparar o país para a era pós-petróleo com o programa Arábia Saudita 2030.
Além de investir em empresas como o serviço de motoristas Uber, o FIP aplica seus fundos em energias alternativas e grandes projetos habitacionais para gerar empregos no reino. Só em Neom, uma cidade futurística a ser erguida no Noroeste do país, será gasto meio trilhão de dólares.
Os projetos faraônicos, o lançamento de ações e o programa de modernização são propostas do príncipe-herdeiro, Mohamed ben Salman, o ditador de fato, o homem-forte do regime saudita. Ele é acusado pelo assassinato brutal do jornalista Jamal Khashoggi, e por crimes de guerra cometidos durante a intervenção militar da Arábia Saudita e aliados na guerra civil do Iêmen, em apoio ao presidente deposto, Abed Rabbo Mansur Hadi, contra os rebeldes hutis, apoiados pelo Irã.
Em 14 de setembro, mísseis e bombas atingiram campos de petróleo sauditas, reduzindo temporariamente a capacidade de produção da Saudi Aramco. Pior do que isso foi a demonstração de fraqueza e vulnerabilidade das instalações de petróleo sauditas.
Os hutis reivindicaram a autoria do ataque, mas também há suspeitas sobre outras milícias aliadas ao Irã no Iraque e a Guarda Revolucionária Iraniana, tropa de choque do regime dos aiatolás. A Arábia Saudita, Israel e os Estados Unidos acusaram o Irã, mas não houve retaliação direta por medo de novos ataques à indústria do petróleo saudita.
O preço final de lançamento deve ser definido em 4 de dezembro. A Saudi Aramco estreia na Tadawul, a bolsa de valores saudita, em 11 de dezembro. A empresa é responsável por toda a produção de petróleo da Arábia Saudita, cerca de 10 milhões de barris por dia, e por 11% da produção mundial.
Hoje a maior empresa cotada em bolsa é a Apple, que vale cerca de US$ 1 trilhão. No ano passado, a Saudi Aramco teve um lucro líquido de US$ 111 bilhões, mais do que o dobro da Apple. Neste ano, lucrou US$ 86 bilhões nos primeiros nove meses do ano.
Assim, a expectativa é que seja a maior oferta inicial de ações da história e supere os US$ 22 bilhões levantados pela Alibaba, a gigante chinesa de comércio eletrônico. O dinheiro levantado pela monarquia saudita vai para o Fundo de Investimento Público (FIP). A meta é preparar o país para a era pós-petróleo com o programa Arábia Saudita 2030.
Além de investir em empresas como o serviço de motoristas Uber, o FIP aplica seus fundos em energias alternativas e grandes projetos habitacionais para gerar empregos no reino. Só em Neom, uma cidade futurística a ser erguida no Noroeste do país, será gasto meio trilhão de dólares.
Os projetos faraônicos, o lançamento de ações e o programa de modernização são propostas do príncipe-herdeiro, Mohamed ben Salman, o ditador de fato, o homem-forte do regime saudita. Ele é acusado pelo assassinato brutal do jornalista Jamal Khashoggi, e por crimes de guerra cometidos durante a intervenção militar da Arábia Saudita e aliados na guerra civil do Iêmen, em apoio ao presidente deposto, Abed Rabbo Mansur Hadi, contra os rebeldes hutis, apoiados pelo Irã.
Em 14 de setembro, mísseis e bombas atingiram campos de petróleo sauditas, reduzindo temporariamente a capacidade de produção da Saudi Aramco. Pior do que isso foi a demonstração de fraqueza e vulnerabilidade das instalações de petróleo sauditas.
Os hutis reivindicaram a autoria do ataque, mas também há suspeitas sobre outras milícias aliadas ao Irã no Iraque e a Guarda Revolucionária Iraniana, tropa de choque do regime dos aiatolás. A Arábia Saudita, Israel e os Estados Unidos acusaram o Irã, mas não houve retaliação direta por medo de novos ataques à indústria do petróleo saudita.
sábado, 2 de novembro de 2019
Jihadistas matam 53 soldados do Exército do Mali
Pelo menos 53 soldados e um civil foram mortos num ataque de terroristas muçulmanos na sexta-feira à noite a um posto militar no Nordeste do Mali, um país da África Ocidental sem saída para o mar onde atuam várias milícias jihadistas, especialmente na região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara.
"A situação agora está sob controle", declarou o ministro da Comunicação, Yaya Sangare. Os jihadistas, armados com armas pesadas, chegaram em motocicletas e caminhonetes, divididos em três grupos que iniciaram o ataque de três pontos diferentes.
O Exército do Mali precisou de várias horas para retomar o controle do posto militar depois da chegada de reforços. Este tipo de ataque tem sido comum no país. Os milicianos tomam instalações militares em operações de guerrilha e recuam horas depois.
Com as derrotas da rede Al Caeda e do Estado Islâmico, o jihadismo tenta se estabelecer em outras regiões do planeta como o Sahel, onde ficam países pobres com milhões de miseráveis que podem ser recrutados para sua "guerra santa".
O ataque foi atribuído à Província do Estado Islâmico na África Ocidental, uma dissidência do grupo terrorista nigeriano Boko Haram.
"A situação agora está sob controle", declarou o ministro da Comunicação, Yaya Sangare. Os jihadistas, armados com armas pesadas, chegaram em motocicletas e caminhonetes, divididos em três grupos que iniciaram o ataque de três pontos diferentes.
O Exército do Mali precisou de várias horas para retomar o controle do posto militar depois da chegada de reforços. Este tipo de ataque tem sido comum no país. Os milicianos tomam instalações militares em operações de guerrilha e recuam horas depois.
Com as derrotas da rede Al Caeda e do Estado Islâmico, o jihadismo tenta se estabelecer em outras regiões do planeta como o Sahel, onde ficam países pobres com milhões de miseráveis que podem ser recrutados para sua "guerra santa".
O ataque foi atribuído à Província do Estado Islâmico na África Ocidental, uma dissidência do grupo terrorista nigeriano Boko Haram.
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sexta-feira, 1 de novembro de 2019
Segurança nacional e direitos humanos complicam negociação EUA-China
O governo Donald Trump inclui a segurança nacional e direitos humanos nas negociações para acabar com a guerra comercial com a China. Mas estas questões podem acirrar ainda mais o conflito, parte de uma competição estratégica pela supremacia mundial, observa a empresa de consultoria e análise estratégica Stratfor.
Os Estados Unidos e China procuram um novo lugar para o presidente Donald Trump e o ditador Xi Jinping assinarem um acordo preliminar, depois que o Chile desistiu de realizar a reunião de cúpula do fórum de Cooperação da Ásia e do Pacífico, a APEC, antes marcada para 16 e 17 de novembro. Uma das principais dúvidas é se o governo Trump vai incluir questões não econômicas na barganha.
O caso mais notório é o da companhia chinesa Huawei, a maior fabricante mundial de equipamentos de telecomunicações, acusada pela Casa Branca de fazer espionagem para o regime comunista chinês. Há uma concorrência tecnológica no meio da guerra comercial e acusações de que empresas chinesas e ocidentais colaboram com o autoritarismo digital da ditadura militar da China.
De Hong Kong, onde há cinco meses manifestações de rua defendem a liberdade e a democracia, à província de Xinjiang, onde o regime comunista mantém um milhão de muçulmanos em campos de reeducação, as questões políticas reduzem a margem de manobra dos negociadores e alimentam os falcões das duas partes.
Com esta politização do comércio entre as duas maiores economias do mundo, pode aumentar a lista negra de companhias chinesas de alta tecnologia proibidas de fazer negócios com os EUA. Meu comentário:
Os Estados Unidos e China procuram um novo lugar para o presidente Donald Trump e o ditador Xi Jinping assinarem um acordo preliminar, depois que o Chile desistiu de realizar a reunião de cúpula do fórum de Cooperação da Ásia e do Pacífico, a APEC, antes marcada para 16 e 17 de novembro. Uma das principais dúvidas é se o governo Trump vai incluir questões não econômicas na barganha.
O caso mais notório é o da companhia chinesa Huawei, a maior fabricante mundial de equipamentos de telecomunicações, acusada pela Casa Branca de fazer espionagem para o regime comunista chinês. Há uma concorrência tecnológica no meio da guerra comercial e acusações de que empresas chinesas e ocidentais colaboram com o autoritarismo digital da ditadura militar da China.
De Hong Kong, onde há cinco meses manifestações de rua defendem a liberdade e a democracia, à província de Xinjiang, onde o regime comunista mantém um milhão de muçulmanos em campos de reeducação, as questões políticas reduzem a margem de manobra dos negociadores e alimentam os falcões das duas partes.
Com esta politização do comércio entre as duas maiores economias do mundo, pode aumentar a lista negra de companhias chinesas de alta tecnologia proibidas de fazer negócios com os EUA. Meu comentário:
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