quarta-feira, 30 de março de 2016

Assessor de Aung San Suu Kyi assume Presidência de Mianmar

Htin Kyaw, um assessor de Aung San Suu Kyi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 1991, assumiu hoje a Presidência de Mianmar, a antiga Birmânia, noticiou a Agência France Presse (AFP). É o primeiro governo eleito democraticamente depois de mais de 50 anos de ditadura militar.

O general da reserva Myint Swe e Henry Van Thio, da minoria étnica chin, foram empossados como vice-presidentes. Suu Kyi foi nomeada ministro do Exterior, mas deixou claro que será o poder real por trás do trono no país do Sudeste Asiático.

Ela não pode presidir o país por causa de uma lei aprovada pela ditadura barrando pessoas casadas com estrangeiros ou que tenham filhos com estrangeiros possam chefiar o Estado. Suu Kyi é viúva de um britânico, com quem teve filhos.

A Liga Nacional pela Democracia, que domina o novo governo, pretende integrar as diversas minorias étnicas que lutaram contra a ditadura militar, mas os militares devem resistir. Há 17 grupos armados em luta contra o governo. Depois de ficar no poder desde 1962, os militares dominam a burocracia e a economia de Mianmar.

EUA cortam ajuda à Tanzânia por causa de fraude eleitoral

A Corporação Desafio do Milênio, uma agência de ajuda internacional do governo dos Estados Unidos cortou uma ajuda de US$ 472 milhões para um projeto de eletrificação na Tanzânia depois de uma fraude na eleição presidencial do arquipélago semiautônomo de Zanzibar, informou a televisão pública britânica BBC.

O presidente Ali Mohamed Shein foi reeleito com 91% dos votos na contagem oficial. A agência americana alega que as eleições não foram inclusivas nem representativas.

Os EUA também manifestaram preocupação com a Lei de Crimes Cibernéticos da Tanzânia, de 2015. A pretexto de combater o terrorismo, é um instrumento de repressão a dissidentes e à liberdade de expressão.

A Tanzânia é um país do Leste da África ou África Oriental, situado entre a região dos grandes lagos do centro da África e o Oceano Índico. Foi colônia alemã e passou ao Império Britânico depois da Primeira Guerra Mundial.

Depois da independência, Tanganica, a parte continental do país, e o arquipélago de Zanzibar se uniram para formar da República Unida da Tanzânia, em 1964. É hoje um país de 52 milhões de habitantes com renda média por pessoa inferior a mil dólares por ano.

Tribunal de Angola condena presos políticos a até oito anos de prisão

O Tribunal Provincial de Luanda condenou na segunda-feira 17 presos políticos angolanos a penas de dois anos e três meses a oito anos e meio de prisão em regime fechado. Eles foram considerados culpados de conspirar para derrubar o ditador José Eduardo dos Santos, no poder desde 1979, por formar um grupo para lutar pela democracia.

A maior pena foi para o professor Domingos da Cruz: oito anos e seis meses de reclusão. O músico e poeta luso-angolano Luaty Beirão pegou cinco anos e seis meses de cadeia.

Durante o processo político, Luaty Beirão, o "herói insolente", na visão do jornal português Expresso, fez uma greve de fome de 36 dias em protesto contra sua prisão.

Nuno Sala, Sedrik de Carvalho, Nito Alves, Inocêncio de Brito, Laurinda Gouveia, Fernando António Tomás Nicola, Mbamza Hamza, Osvaldo Caholo, Arante Kivuvu, Albano Evaristo Bingo, Nelson Dibango, Hitler Gomes Hata e José Gomes Hata foram sentenciados a quatro anos e seis meses de prisão.

Rosa Conde Jeremias Benedito pegaram dois anos e três meses.

Os advogados de defesa vão recorrer, sem grande esperança, a não ser que haja uma mobilização internacional de protesto contra um julgamento político.

O grupo foi acusado de conspirar para derrubar o governo porque foi encontrado em seu poder uma tradução de um livro, um manual escrito pelo ativista Gene Sharp chamado Da Ditadura à Democracia: uma estrutura conceitual para a libertação. A outra prova é uma lista de nomes de um futuro governo de união nacional que o grupo nega ter elaborado.

terça-feira, 29 de março de 2016

Rússia convida EUA para desminagem de Palmira

A Rússia pretende convidar a coalizão liderada pelos Estados Unidos na luta contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante para desativar as minas deixadas pela milícia terrorista na cidade de Palmira, recentemente recapturada pelo Exército da Síria, noticiou a agência russa Tass, citando fontes militares e diplomáticas não identificadas.

O Ministério da Defesa da Rússia espera que alguns países participem, especialmente os EUA. Na versão da agência russa, tenta usar Palmira para ampliar a cooperação na Síria de modo a facilitar as negociações de paz.

Com a intervenção militar da Força Aérea da Rússia a partir de 30 de setembro, o equilíbrio de forças mudou no campo de batalha a favor da ditadura de Bachar Assad. A Batalha de Palmira mostrou mais uma vez que o Exército da Síria depende de ajuda externa para recuperar seu território.

No momento, o regime sírio não parece disposto a fazer concessões à oposição. O presidente Vladimir Putin deixou claro ao ordenar sua retirada parcial que está disposto a não deixar Assad perder a guerra, mas não quer um envolvimento de longo prazo.

França apreende carregamento de armas na costa da Somália

Um navio de guerra da Marinha da França interceptou um grande carregamento de armas transportado por um barco pequeno no Oceano Índico perto da costa da Somália, no Nordeste da África.

A fragata FS Provence abordou o barco depois que ele foi avistado por helicópteros que patrulhavam o Norte do Oceano Índico. Entre as armas apreendidas, há centenas de metralhadoras, fuzis de assalto e mísseis antitanques.

A França faz parte da Força-Tarefa Combinada 150 das Forças Marítimas Combinadas que patrulham a região para combater a pirataria e o terrorismo. Como a Somália não tem governo desde 1991 e vive em estado de anarquia, forças de outros países precisam patrulhar suas águas e as proximidades.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Homem saca arma e é baleado no Congresso dos EUA

A polícia do Congresso dos Estados Unidos baleou e prendeu hoje um homem que tentou entrar no centro de visitação do Capitólio e sacou uma arma. Uma mulher foi ferida por estilhaços

O motivo ainda não foi esclarecido. Ele teria puxado o revólver quando sua presença foi notada por um detetor de metais. A Casa Branca e o Congresso foram fechados enquanto investigadores procuram descobrir o que está acontecendo.

Mais tarde, a polícia anunciou que o suspeito era conhecido e se trata de um criminoso comum.

Israel desiste de indicar líder colono para embaixador no Brasil

Diante da oposição do governo brasileiro, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu desistiu da nomeação do líder colono Dani Dayan, nascido na Argentina, para embaixador de Israel no Brasil, informou hoje o jornal The Times of Israel. Ele será indicado novo cônsul geral israelense em Nova York.

Netanyahu, que acumula o cargo de ministro do Exterior, nomeou Dayan em 5 de agosto de 2015 sem fazer as consultas diplomáticas de praxe para saber se a indicação seria aceita. O governo Dilma Rousseff rejeitou a indicação porque Dayan presidiu o Conselho Yesha, um comitê que representa os colonos assentados ilegalmente nos territórios árabes ocupados na Guerra dos Seis Dias, em 1967.

Com a guinada para a direita da política israelense nos últimos anos, partidos representantes dos colonos querem anexar a Cisjordânia, negando-se a devolver o território que seria a principal parte de uma Palestina independente. Isso levou a uma total estagnação no processo de paz.

Como o Brasil reconheceu a independência da Palestina, o governo brasileiro entende que aceitar Dayan seria uma contradição para sua política externa. Ele faz parte do grupo que quer simplesmente anexar a Cisjordânia.

Em janeiro, o primeiro-ministro Netanyahu deixou clara a intenção de manter a indicação de Dayan, mas, em 17 de março, o Ministério de Exterior de Israel publicou edital anunciando que procurava embaixadores para o Brasil, a Eritreia e a Hungria. No mesmo dia, declarou que a nomeação de Dayan estava mantida.

Nesta segunda-feira, em entrevista à Rádio do Exército de Israel, Dayan revelou que em agosto manifestara a Netanyahu o interesse em Nova York e tratou a rejeição brasileira com uma declaração triunfalista: "Aqueles que não queriam um líder dos colonos na sua capital agora terão um líder dos colonos na capital do mundo."

Fatah e Hamas anunciam acordo de união nacional

Altos dirigentes das facções palestinas rivais Fatah (Luta) e Hamas (Movimento de Resistência Islâmica) concordaram em formar um governo de união nacional e convocar eleições dentro de seis meses, noticiou hoje o jornal The Times of Israel, citando como fonte um membro da Fatah.

Os dois lados negociam desde fevereiro em Doha, no Catar, em busca de soluções para unificar o movimento nacional palestino, dividido entre seus dois maiores grupos desde uma guerra civil na Faixa de Gaza em 2007.

Com a separação, o Hamas controla a Faixa de Gaza e a Fatah, parte da Cisjordânia ocupada. Diante de governos direitistas israelenses cada vez menos propensos a negociar a paz e devolver os territórios ocupados na Guerra dos Seis Dias, em 1967, o movimento palestino busca uma saída para conquistar a independência da Palestina.

Consumo fica estagnado e inflação cai nos EUA

O consumo pessoal cresceu apenas 0,1% nos Estados Unidos em fevereiro de 2016, a mesma taxa de janeiro, apontando uma estagnação da maior economia do mundo, enquanto o índice de preços ao consumidor caiu de 1,2% em janeiro para 1% em fevereiro, revelou hoje o Departamento de Comércio, citado pela agência Reuters.

Diante da estagnação do consumo, responsável por dois terços do produto interno bruto dos EUA, de cerca de US$ 17,8 trilhões, os analistas reduziram em meio ponto percentual a expectativa de crescimento no primeiro trimestre para a média de 0,9% ao ano. O país cresceu 2,4% no ano passado. No último trimestre, o ritmo foi de 1,4% ao ano.

Assim, apesar do aquecimento do mercado de trabalho, o Comitê de Mercado Aberto da Reserva Federal (Fed), o comitê de política monetária do banco central dos EUA deve manter o gradualismo no aumento de suas taxas básicas de juros.

Como o mercado de trabalho apresentou um saldo positivo de 242 mil vagas de emprego em fevereiro e o índice de desemprego está em 4,9%, os analistas atribuem a queda no consumo à queda nos preços das ações no início do ano, que teria abalado a confiança dos consumidores. A renda pessoal cresceu 0,2% em fevereiro, depois de subir 0,5% em janeiro.

Em outro relatório, o Departamento de Comércio revelou um aumento do déficit comercial pelo quarto mês consecutivo, de US$ 62,2 bilhões em janeiro para US$ 62,9 bilhões em fevereiro, com a aumento nas exportações e queda nas importações.

A inflação anual baixou de 1,2% para 1%. O núcleo da inflação, excluídos os preços mais voláteis de energia e alimento, ficou em 1,7%, abaixo da meta informal perseguida pelo Fed de 2% ao ano. Para o economista Daniel Silver, do banco J P Morgan Chase em Nova York, "a tendência é de alta do núcleo da inflação".

O Fed aumentou em dezembro sua taxa básica pela primeira vez em quase dez anos, depois de mantê-las praticamente zeradas desde dezembro de 2008 para enfrentar a crise, subindo-a de uma faixa de 0 a 0,25% ao ano para 0,25% a 0,50% ao ano.

Com a desaceleração da China e a queda das bolsas no início do ano, o banco central americano foi muito criticado. Talvez fosse cedo demais. O relatório de emprego de fevereiro justificou a alta nos juros, mas a expectativa do mercado foi reduzida de quatro para duas elevações de juros ao longo do ano.

A Associação Nacional das Empresas do Mercado Imobiliário observou um aumento de 3,5% no número de contratos de compra e venda de imóveis residenciais usados em fevereiro, o melhor resultado em sete meses.

domingo, 27 de março de 2016

Polícia de Bélgica dispersa neofascistas que ameaçavam muçulmanas

Com jatos d'água, a polícia de choque da Bélgica dispersou hoje uma manifestação de neofascistas. Eles invadiram a Praça da Bolsa de Bruxelas para confrontar mulheres muçulmanas que prestavam homenagem aos 28 mortos nos atentados de 22 de março de 2016.

A Marcha contra o Medo, convocada para hoje, foi adiada a pedido do ministro do Interior e do prefeito da capital para permitir que a polícia se concentre na caçada aos terroristas. A organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante reivindicou a autoria dos atentados.

Hoje foram realizadas mais 13 operações policiais de busca e apreensão. Um homem preso na Bélgica foi denunciado por ligação com os atentados de 13 de março do ano passado em Paris. No Sul da Itália, a policia prendeu um argeliano suspeito de falsificar documentos para os terroristas envolvidos nos ataques.

Exército da Síria anuncia reconquista de Palmira

Com o apoio da Força Aérea da Rússia, que só ontem fez mais de 140 ataques, o Exército da Síria e milícias aliadas venceram a Batalha de Palmira, uma cidade situada no centro do país que estava em poder do Estado Islâmico do Iraque e do Levante desde maio de 2015.

Ainda há combates no leste da cidade, ao redor de uma prisão e na área do aeroporto, mas a maioria dos milicianos do Estado Islâmico fugiu na direção leste, informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização não governamental de oposição que monitora a guerra civil na Síria.

A intervenção militar da Rússia a partir de 30 de setembro de 2015 mudou o equilíbrio de forças no campo de batalha, fortalecendo a ditadura do aliado Bachar Assad, principal responsável pela guerra civil síria.

Com a queda de Palmira, está aberto o caminho em meio ao deserto que leva a Deir el-Zur e Rakka, considerada a capital do autoproclamado califado do Estado Islâmico. No Iraque, o Estado Islâmico perdeu no ano passado das cidades de Tikrit e Ramadi. Na semana passada, o Exército anunciou o início da ofensiva para retomar Mossul, a cidade maior cidade iraquiana.

Assim, o Estado Islâmico está sendo pressionado em várias frentes. Está sob bombardeio das duas forças aéreas mais poderosas do mundo. O secretário de Estado americano, Ashton Carter, afirmou que a organização terrorista perdeu 40% dos territórios que ocupava no Iraque.

Se Rakka e Mossul caíram, o califado estará liquidado. Por isso, o Estado Islâmico tenta se estabelecer na Líbia e cometer atentados terroristas no resto do mundo que o legitimem diante dos extremistas muçulmanos que pretende atrair para a guerra.

Os atentados terroristas de 13 de novembro de 2015 já pareciam um sinal de desespero. Outros virão para o Estado Islâmico provar que ainda está vivo.

Atentado suicida em parque mata 72 pessoas no Paquistão

Pelo menos 72 pessoas morreram e outras 300 saíram feridas hoje quando um homem-bomba se detonou num parque de diversões onde crianças brincavam de balanço na cidade de Lahore, no Paquistão, no fim do Domingo de Páscoa. Um grupo dissidente dos Talebã do Paquistão chamado Jamaatul Ahrar assumiu a autoria do atentado.

Os alvos seriam famílias cristãs que festejavam a Páscoa. Os cristãos são apenas 2% da população paquistanesa, de 182 milhões de habitantes.

"Parece que estamos numa guerra", descreveu o porta-voz da polícia local, Haider Ashraf. "Este era um alvo fácil, inocentes, mulheres e crianças foram atingidos."

Lahore, terra natal do primeiro-ministro islamita moderado Nawaz Sharif, é a capital da província do Punjab, a região mais populosa do Paquistão. Vinha sendo poupada dos ataques terroristas.

O Exército do Paquistão estimulou a proliferação de milícias extremistas muçulmanas para usá-las na guerra indireta contra a Índia, inimiga histórica, e também para intervir no vizinho Afeganistão. A milícia dos Talebã (Estudantes), que governou o Afeganistão de 1996 a 2001, foi criada com o apoio do serviço secreto militar paquistanês.

Mesmo depois da morte da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto num atentado terrorista em 27 de dezembro de 2007, quando ela fazia campanha para voltar ao poder, e da tentativa de matar seu marido, o então presidente Assif Ali Zardari, em outro, contra o Hotel Marriott, em 20 de setembro de 2008, o Exército do Paquistão reluta em atacar os jihadistas de frente.

Em 16 de dezembro de 2014, sete terroristas dos Talebã do Paquistão atacaram uma escola frequentada por filhos de militares, matando 141 pessoas, sendo 132 estudantes. Todos os terroristas foram mortos e outros quatro condenados por pertencer ao grupo foram enforcados.

sábado, 26 de março de 2016

Ban Ki Moon pede união entre sunitas e xiitas contra Estado Islâmico

Ao chegar hoje a Bagdá, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki Moon fez, ao lado do primeiro-ministro do Iraque, Haider al-Abadi, um apelo às comunidades sunitas e xiitas para que se unam no combate à organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, informou a agência Reuters.

Do lado de fora da Zona Verde, onde estão os prédios governamentais na capital iraquiana, partidários do aiatolá radical xiita Muktada al-Sader protestam sentados para exigir a queda de todos os ministros do atual governo. As manifestações começaram em 18 de março na cidade de Samarra.

O primeiro-ministro anunciou em fevereiro a intenção de mudar nove ministros, mas ainda não revelou quem pretende nomear. Hoje a Aliança Nacional Iraquiana, um bloco parlamentar xiita, ameaçou exigir a mudança de todo o ministério.

Amanhã, Abadi deve se reunir com os líderes de cinco bancadas parlamentares. Os atuais protestos liderados por Muktada devem acabar em 28 de março, mas não devem parar por aí. Ele vai continuar exigindo uma reformulação total no governo iraquiano.

Ban Ki Moon viaja acompanhado dos presidentes do Banco Mundial, Jim Yong Kim, e do Banco de Desenvolvimento Islâmico, Ahmad Mohamed Ali al-Madani. Hoje mesmo eles seguiram para Erbil, capital do governo semitautônomo do Curdistão iraquiano.

Bélgica suspende Marcha contra o Medo

A pedido do ministro do Interior da Bélgica, Jan Jambon, e do prefeito de Bruxelas, Yvan Mayeur, uma grande manifestação antiterrorista convocada para amanhã na capital belga foi adiada. As autoridades alegaram que a polícia precisa concentrar esforços na caçada ao terrorista e a Marcha contra o Medo exigiria um grande contingente policial para prevenir atentados contra os manifestantes.

"Tendo em vista a capacidade da polícia e a prioridade à investigação judicial, apelamos a não se manifestarem amanhã", disseram as autoridades durante uma entrevista coletiva. "Nós compartilhamos evidentemente a emoção da população. Mas queremos que as manifestações sejam adiadas por algumas semanas."

Os organizadores da Macha contra o Medo, liderados por Emmanuel Foulon concordaram plenamente: "A segurança dos cidadãos é uma prioridade absoluta. Por isso, nos unimos totalmente à proposta das autoridades de adiar para uma data posterior. Pedimos de nossa aos cidadãos que não venham a Bruxelas neste domingo."

No ano passado, depois dos atentados de 13 de novembro que mataram 130 pessoas em Paris houve uma grande manifestação com um milhão de pessoas nas ruas da capital francesa. A Bélgica terá de esperar um pouco para fazer a sua, que sempre estará ameaçada. O distrito de Molenbeek, na periferia de Bruxelas, é considerado o maior antro de jihadistas da Europa.

O total de vítimas fatais dos atentados de Bruxelas foi reduzido de 31 para 28. Os outros três mortos eram terroristas suicidas.

Morte de guarda de centro nuclear gera suspeita de terrorismo

Na madrugada de hoje, um segurança do centro de pesquisas atômicas de Fleurus foi encontrado morto em sua casa, na cidade de Charleroi, revelou na madrugada de hoje o jornal belga Dernière Heure.

O cartão de segurança de Didier Prospero para entrar nas instalações nucleares foi roubado, levantando a suspeita de que o crime possa ter sido cometido por terroristas interessados em roubar material nuclear para fabricar uma bomba de radiação.

A polícia nega ter encontrado qualquer ligação com terrorismo, mas ainda não esclareceu o crime. A Bélgica está em estado de alerta máxima desde os atentados de 22 de março de 2016, que mataram 31 pessoas e deixaram 270 feridas.

O Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que assumiu a autoria dos ataques, está tentando obter combustível nuclear para fabricar uma bomba radioativa.

Bélgica denuncia suspeito de participar dos atentados em Bruxelas

A Procuradoria-Geral da Bélgica anunciou hoje a denúncia contra Fayçal Cheffou por homicídio terrorista como cúmplice dos atentados de 22 de março de 2016 em Bruxelas, noticiou a televisão pública britânica BBC. O Estado Islâmico do Iraque e do Levante reivindicou a autoria dos ataques.

Ele aparece ao lado dos homens-bomba Najim Laachraoui e Brahim el-Bakraoui em imagens das câmeras de segurança do Aeroporto de Zaventem poucos minutos antes dos dois se detonarem, matando 11 pessoas. Outras 20 morreram no atentado suicida cometido no metrô de Bruxelas por Khalid el-Bakraoui, irmão de Brahim.

Cheffou foi um dos 12 presos ontem a anteontem pelas polícias da Bélgica, da França e da Alemanha na tentativa de desmantelar a célula terrorista responsável pelos atentados de 13 de novembro de 2015 em Paris e de 22 de março de 2016 em Bruxelas.

Um detalhe que chamou a atenção dos investigadores foi o fato de mais uma vez uma dupla de irmãos participar de uma ação terrorista. Como a comunicação entre irmãos é normal, ajuda a camuflar as atividades da célula terrorista.

O ataque à Maratona de Boston, em 15 de março de 2013, foi cometido pelos irmãos Tamerlan e Djokhar Tsarnaev. Três pessoas morreram e 264 saíram feridas.

Em 7 de janeiro de 2015, os irmãos Chérif e Saïd Kouachi atacaram a sede do jornal humorístico Charlie Hebdo, em Paris, matando 12 pessoas.

Nos atentados de 13 de novembro, o grupo, bem maior, tinha os irmãos Mohamed e Salah Abdeslam. Mohamed morreu no ataque. Salah foi preso dia 18 de março, precipitando os atentados de Bruxelas, que teriam matado muito mais gente se tivessem sido planejados com mais tempo.

Brahim estava na lista de terroristas do Estados Unidos e a Turquia avisou à Bélgica se tratar de um extremista perigoso ao deportá-lo em julho do ano passado. As autoridades belgas não deram a devida importância.

As falhas na segurança belga ficaram evidentes também por não ter sido decretado estado de alerta máxima depois de prisão de Salah Abdeslam. A Bélgica é um país dividido entre as regiões de Flandres, no Norte, que fala flamengo, uma língua parecida com o holandês e luta pela independência; e a Valônia, que fala francês.

O desentendimento entre essas duas metadas é flagrante. Quando as autoridades dos dois lados se encontram, os valões falam francês e os flamengos sua própria língua. Eles se entendem, mas não falam a mesma língua.

NOTA: Faiçal Cheffou foi solto dias depois e todas as acusações contra ele foram retiradas.

Nigéria anuncia libertação mais de 800 reféns do Boko Haram

O Exército da Nigéria resgatou mais de 800 reféns mantidos pela milícia extremista muçulmana Boko Haram, que há mais de um ano se apresenta como a Província do Estado Islâmico na África Ocidental, noticiou a televisão árabe Al Jazira.

Só na vila de Kussuma foram soltos 520 reféns e mais de 300 em outras aldeias do Nordeste da Nigéria, declarou o porta-voz do Exército, coronel Sani Kukasheka Usman. Pelo menos 25 jihadistas foram mortos.

Derrotar a rebelião muçulmana do Boko Haram, cujo nome significa repúdio à educação ocidental, é uma prioridade do presidente Muhammadu Buhari, no poder há 10 meses. Desde então, o Boko Haram perdeu territórios, mas ainda é capaz de fazer ações terroristas, principalmente no Nordeste da Nigéria. Também atacou países vizinhos como Camarões, Chade e Níger.

Sudão do Sul acusa Sudão de bombardeio aéreo

A Força Aérea do Sudão bombardeou na quinta-feira o estado do Nilo Oriental, no Sudão do Sul, acusou ontem o porta-voz do Exército sul-sudanês, general Lul Ruai Koang, citado pela Agência France Presse (AFP).

Koang afirmou que mais de 12 bombas foram jogadas em posições do Exército do Sudão do Sul. Em 17 de março, o Sudão ameaçou fechar a fronteira entre os dois países, reaberta em janeiro.

A violência na fronteira marca as relações entre os dois países. O Sudão do Sul é o mais jovem país do mundo. Tornou-se independente em 9 de julho de 2011 depois de décadas da mais longa guerra civil da história da África independente.

Quando o Sudão conquistou a independência do Império Britânico, em 1956, os estados do Sul, majoritariamente cristãos ou animistas, se rebeleram contra o Norte, de maioria muçulmana. O conflito durou até 1972 e recomeçou em 1983, terminando em 2005 com o acordo de paz que levou à independência do Sudão do Sul.

Em 2013, começou uma guerra civil no Sudão do Sul entre forças leais ao presidente Salva Kiir Mayardit e rebeldes ligados ao vice-presidente Riek Machar.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Governo da Síria obtém vitória estratégica em Palmira

Com apoio aéreo da Rússia e em terra de milícias aliadas, o Exército da Síria retomou hoje Palmira, no centro do país. É a última grande cidade a caminho de Rakka, a capital da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, noticiou a Agência France Presse (AFP).

A reconquista de Palmira, uma cidade histórica com construções neolíticas e do Império Romano, reduz consideravelmente a área do autoproclamado califado do Estado Islâmico. É a maior vitória da ditadura de Bachar Assad desde que a intervenção militar da Rússia, em 30 de setembro de 2015, mudou o equilíbrio de forças no campo de batalha a favor do governo.

Houve 56 ataques aéreos e bombardeio de artilharia na batalha de Palmira. O Estado Islâmico tentou resistir explodindo dois carros-bomba, informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização não governamental que monitora a guerra civil síria.

Em cinco anos, mais de 270 mil pessoas foram mortas na guerra civil da Síria e 5 milhões fugiram do país.

Estado Islâmico mata 41 pessoas em atentado no Iraque

Um atentado terrorista suicida matou 41 pessoas e deixou mais de 100 feridas numa explosão na arquibancada durante um jogo de futebol amador na cidade de Iskandaria, nos arredores de Bagdá, a capital do Iraque, noticiou a agência Reuters. O Estado Islâmico do Iraque e do Levante assumiu a responsabilidade pelo ataque.

Sob intensa pressão nos campos de batalha do Oriente Médio, sem vitória importantes em combates abertos desde maio de 2015, o Estado Islâmico recorre cada vez mais ao terrorismo, como vimos em 22 de março em Bruxelas, na Bélgica.

Serão necessários anos para derrotar o grupo militarmente no Oriente Médio, prevê a empresa de consultoria e análises estratégicas Stratfor, sem falar nos aliados no Oriente Médio, na África e na Ásia. Para se manter vivo como líder do movimento jihadista o EI precisa realizar mais ataques espetaculares contra grandes capitais do mundo.

Os ataques terroristas contra estádios haviam sido tentados anteriormente, inclusive nos atentados de 13 de novembro de 2015 em Paris, quando o Estádio da França, na cidade-satélite de Saint-Denis, onde estava o presidente François Hollande, era um dos alvos. Quando não conseguiram entrar no estádio, os terroristas se explodiram do lado de fora.

É um alerta importante para a Olimpíada do Rio de Janeiro. O Brasil não é alvo, mas várias delegações estrangeiras podem ser.