Numa operação que revistou dezenas de casas e 152 garagens e depósitos em 16 cidades, a polícia prendeu ontem à noite e na madrugada de hoje 12 suspeitos de terrorismo e interrogou outros 28. Três foram indiciados hoje. Um dos principais alvos foi o bairro de Molenbeek, em Bruxelas.
Vários suspeitos foram vistos ontem no centro de Bruxelas, onde os torcedores se concentram para assistir aos jogos Euro 2016, a copa da UEFA (União Europeia de Futebol Associativo) de seleções. Eles estariam planejando um ataque durante a partida de hoje entre Bélgica e Irlanda. O primeiro-ministro Charles Michel prometeu reforçar a segurança destes eventos.
A polícia belga recebeu um alerta de que milicianos do Estado Islâmico do Iraque e do Levante deixaram a Síria na semana passada através da Turquia para realizar novos ataques na França, onde se realiza a Euro 2016, e na Bélgica.
Ontem, as autoridades belgas prenderam um homem chamado Youssef E A, suspeito de participar do ataque ao aeroporto de Zavantem nos atentados de 22 de março de 2016 contra a capital da Bélgica, que deixaram 32 mortos.
Sob intensa pressão nos campos de batalha do Oriente Médio, inclusive das duas maiores potências militares do planeta, os Estados Unidos e a Rússia, perdendo territórios, o Estado Islâmico recorre cada vez mais ao terrorismo para se reafirmar.
A Europa tenta se adaptar a uma nova era de terrorismo contra alvos fáceis e desprotegidos, como restaurantes, casas noturnas, escolas, estádios e centros comerciais.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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sábado, 18 de junho de 2016
sábado, 9 de abril de 2016
Abrini admite ser o terceiro terrorista do aeroporto de Bruxelas
Um dia depois de ser preso, Mohamed Abrini confessou ser o terceiro suspeito do atentado terrorista de 22 de março de 2016 contra o aeroporto de Zaventem, anunciou hoje a Procuradoria-Geral da Bélgica.
Em imagens das câmeras de segurança, Abrini aparece ao lado dos dois homens-bomba que cometeram o atentado. Ele usava chapéu e uma jaqueta, e empurrava um carrinho com uma mala cheio de explosivos que descartou, assim como a jaqueta.
Exames de DNA revelaram que ele também participou dos atentados de 13 de novembro de 2015 em Paris, quando 130 pessoas morreram. Outras imagens de câmeras de segurança mostram Abrini ao lado de Salah Abdeslam, outro terrorista preso, dois dias antes do ataque à capital da França.
Em imagens das câmeras de segurança, Abrini aparece ao lado dos dois homens-bomba que cometeram o atentado. Ele usava chapéu e uma jaqueta, e empurrava um carrinho com uma mala cheio de explosivos que descartou, assim como a jaqueta.
Exames de DNA revelaram que ele também participou dos atentados de 13 de novembro de 2015 em Paris, quando 130 pessoas morreram. Outras imagens de câmeras de segurança mostram Abrini ao lado de Salah Abdeslam, outro terrorista preso, dois dias antes do ataque à capital da França.
sábado, 26 de março de 2016
Bélgica denuncia suspeito de participar dos atentados em Bruxelas
A Procuradoria-Geral da Bélgica anunciou hoje a denúncia contra Fayçal Cheffou por homicídio terrorista como cúmplice dos atentados de 22 de março de 2016 em Bruxelas, noticiou a televisão pública britânica BBC. O Estado Islâmico do Iraque e do Levante reivindicou a autoria dos ataques.
Ele aparece ao lado dos homens-bomba Najim Laachraoui e Brahim el-Bakraoui em imagens das câmeras de segurança do Aeroporto de Zaventem poucos minutos antes dos dois se detonarem, matando 11 pessoas. Outras 20 morreram no atentado suicida cometido no metrô de Bruxelas por Khalid el-Bakraoui, irmão de Brahim.
Cheffou foi um dos 12 presos ontem a anteontem pelas polícias da Bélgica, da França e da Alemanha na tentativa de desmantelar a célula terrorista responsável pelos atentados de 13 de novembro de 2015 em Paris e de 22 de março de 2016 em Bruxelas.
Um detalhe que chamou a atenção dos investigadores foi o fato de mais uma vez uma dupla de irmãos participar de uma ação terrorista. Como a comunicação entre irmãos é normal, ajuda a camuflar as atividades da célula terrorista.
O ataque à Maratona de Boston, em 15 de março de 2013, foi cometido pelos irmãos Tamerlan e Djokhar Tsarnaev. Três pessoas morreram e 264 saíram feridas.
Em 7 de janeiro de 2015, os irmãos Chérif e Saïd Kouachi atacaram a sede do jornal humorístico Charlie Hebdo, em Paris, matando 12 pessoas.
Nos atentados de 13 de novembro, o grupo, bem maior, tinha os irmãos Mohamed e Salah Abdeslam. Mohamed morreu no ataque. Salah foi preso dia 18 de março, precipitando os atentados de Bruxelas, que teriam matado muito mais gente se tivessem sido planejados com mais tempo.
Brahim estava na lista de terroristas do Estados Unidos e a Turquia avisou à Bélgica se tratar de um extremista perigoso ao deportá-lo em julho do ano passado. As autoridades belgas não deram a devida importância.
As falhas na segurança belga ficaram evidentes também por não ter sido decretado estado de alerta máxima depois de prisão de Salah Abdeslam. A Bélgica é um país dividido entre as regiões de Flandres, no Norte, que fala flamengo, uma língua parecida com o holandês e luta pela independência; e a Valônia, que fala francês.
O desentendimento entre essas duas metadas é flagrante. Quando as autoridades dos dois lados se encontram, os valões falam francês e os flamengos sua própria língua. Eles se entendem, mas não falam a mesma língua.
NOTA: Faiçal Cheffou foi solto dias depois e todas as acusações contra ele foram retiradas.
Ele aparece ao lado dos homens-bomba Najim Laachraoui e Brahim el-Bakraoui em imagens das câmeras de segurança do Aeroporto de Zaventem poucos minutos antes dos dois se detonarem, matando 11 pessoas. Outras 20 morreram no atentado suicida cometido no metrô de Bruxelas por Khalid el-Bakraoui, irmão de Brahim.
Cheffou foi um dos 12 presos ontem a anteontem pelas polícias da Bélgica, da França e da Alemanha na tentativa de desmantelar a célula terrorista responsável pelos atentados de 13 de novembro de 2015 em Paris e de 22 de março de 2016 em Bruxelas.
Um detalhe que chamou a atenção dos investigadores foi o fato de mais uma vez uma dupla de irmãos participar de uma ação terrorista. Como a comunicação entre irmãos é normal, ajuda a camuflar as atividades da célula terrorista.
O ataque à Maratona de Boston, em 15 de março de 2013, foi cometido pelos irmãos Tamerlan e Djokhar Tsarnaev. Três pessoas morreram e 264 saíram feridas.
Em 7 de janeiro de 2015, os irmãos Chérif e Saïd Kouachi atacaram a sede do jornal humorístico Charlie Hebdo, em Paris, matando 12 pessoas.
Nos atentados de 13 de novembro, o grupo, bem maior, tinha os irmãos Mohamed e Salah Abdeslam. Mohamed morreu no ataque. Salah foi preso dia 18 de março, precipitando os atentados de Bruxelas, que teriam matado muito mais gente se tivessem sido planejados com mais tempo.
Brahim estava na lista de terroristas do Estados Unidos e a Turquia avisou à Bélgica se tratar de um extremista perigoso ao deportá-lo em julho do ano passado. As autoridades belgas não deram a devida importância.
As falhas na segurança belga ficaram evidentes também por não ter sido decretado estado de alerta máxima depois de prisão de Salah Abdeslam. A Bélgica é um país dividido entre as regiões de Flandres, no Norte, que fala flamengo, uma língua parecida com o holandês e luta pela independência; e a Valônia, que fala francês.
O desentendimento entre essas duas metadas é flagrante. Quando as autoridades dos dois lados se encontram, os valões falam francês e os flamengos sua própria língua. Eles se entendem, mas não falam a mesma língua.
NOTA: Faiçal Cheffou foi solto dias depois e todas as acusações contra ele foram retiradas.
quarta-feira, 23 de março de 2016
Atentados em Bruxelas foram menores do que planejado
Talvez a execução tenha sido acelerada pela prisão de Salah Abdeslam em 18 de março e o risco de que mais terroristas do Estado Islâmico do Iraque e do Levante fossem presos ou mortos. Os detalhes do ataque de 22 de março de 2016 a Bruxelas ainda estão sendo investigados. Os analistas observam que o planejamento foi ruim, mas as bombas usadas eram bem feitas.
O motorista de táxi que levou os terroristas para o aeroporto é uma testemunha importante. Ele acredita que a intenção deles era explodir muito mais bombas. Em nenhum momento, os terroristas deixaram o motorista tocar nas bagagens.
O taxista ajudou a polícia a encontrar um artefato que não explodiu. Disse ainda que os terroristas queriam levar cinco malas, mas só três couberam no carro.
Duas bombas foram detonadas no Aeroporto de Zaventem. Uma terceira foi descoberta pela polícia e destruída numa explosão controlada. Um fuzil Kalachnikov foi encontrado perto dos restos mortais de um dos homens-bomba. Isso confirma relatos de tiros antes das explosões.
De acordo com a rede de televisão americana CBS, foram encontrados mais dois artefatos com um total de 14 quilos do explosivo triacetona triperóxido (TATP). Provavelmente não couberam no táxi. Se tivessem explodido, o total de vítimas seria muito maior do que os 31 mortos e 270 feridos, dos quais 61 ainda estão em estado grave.
A TATP é extremamente sensível. A reação necessária para sintetizá-la pode provocar fogo, explosão e fumaça intensa. É uma substância que se degrada rapidamente, às vezes com uma explosão. Por isso, é difícil produzi-la em grande escala sem um bom domínio da técnica de fabricar bombas.
Essa célula terrorista, a mesma responsável pelos atentados que mataram 130 pessoas em 13 de novembro de 2015 em Paris, tem grande capacidade de fabricação de bombas. Os investigadores atribuem a Najim Laachraoui o talento para preparar bombas e coletes suicidas. Como ele morreu no aeroporto, esta célula terrorista terá de encontrar um novo armeiro.
Na busca, a polícia belga também encontrou centenas de litros de acetona e de água oxigenada. Diante destas quantidades, os inspetores suspeitam que os terroristas tenham um fornecedor capaz de entregar grandes volumes destes precursores de explosivos, usados para fabricar bombas.
O motorista de táxi que levou os terroristas para o aeroporto é uma testemunha importante. Ele acredita que a intenção deles era explodir muito mais bombas. Em nenhum momento, os terroristas deixaram o motorista tocar nas bagagens.
O taxista ajudou a polícia a encontrar um artefato que não explodiu. Disse ainda que os terroristas queriam levar cinco malas, mas só três couberam no carro.
Duas bombas foram detonadas no Aeroporto de Zaventem. Uma terceira foi descoberta pela polícia e destruída numa explosão controlada. Um fuzil Kalachnikov foi encontrado perto dos restos mortais de um dos homens-bomba. Isso confirma relatos de tiros antes das explosões.
De acordo com a rede de televisão americana CBS, foram encontrados mais dois artefatos com um total de 14 quilos do explosivo triacetona triperóxido (TATP). Provavelmente não couberam no táxi. Se tivessem explodido, o total de vítimas seria muito maior do que os 31 mortos e 270 feridos, dos quais 61 ainda estão em estado grave.
A TATP é extremamente sensível. A reação necessária para sintetizá-la pode provocar fogo, explosão e fumaça intensa. É uma substância que se degrada rapidamente, às vezes com uma explosão. Por isso, é difícil produzi-la em grande escala sem um bom domínio da técnica de fabricar bombas.
Essa célula terrorista, a mesma responsável pelos atentados que mataram 130 pessoas em 13 de novembro de 2015 em Paris, tem grande capacidade de fabricação de bombas. Os investigadores atribuem a Najim Laachraoui o talento para preparar bombas e coletes suicidas. Como ele morreu no aeroporto, esta célula terrorista terá de encontrar um novo armeiro.
Na busca, a polícia belga também encontrou centenas de litros de acetona e de água oxigenada. Diante destas quantidades, os inspetores suspeitam que os terroristas tenham um fornecedor capaz de entregar grandes volumes destes precursores de explosivos, usados para fabricar bombas.
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