sexta-feira, 15 de julho de 2016

Trump confirma Pence como candidato a vice-presidente dos EUA

O magnata imobiliário nova-iorquino Donald Trump, pré-candidato do Partido Republicano à Casa Branca, confirmou hoje que o governador de Indiana, Mike Pence, será seu candidato a vice-presidente na eleição presidencial de 8 de novembro de 2016 nos Estados Unidos.

Depois de adiar o anúncio por causa do atentado terrorista em Nice, na França, Trump usou seu meio de comunicação favorito, o Twitter, para reafirmar sua decisão amplamente antecipada pelos jornalistas americanos.

"Cristão, conservador e republicano" nas suas próprias palavras, Pence vem da ala mais direitista do partido. Sua indicação tenta garantir os votos do eleitorado que desconfia das credenciais conservadoras de Trump, que no passado defendeu o aborto e a cobertura universal de saúde.

Terrorista de Nice não era fanático religioso

A polícia da França identificou o motorista que atropelou e matou 84 pessoas e feriu outras 202 ontem à noite durante a festa da data nacional da França como Mohamed Lahouaiej Bouhlel, de 31 anos nascido na Tunísia. Ele tinha uma condenação por briga no trânsito, não era conhecido dos serviços secretos nem dava sinais de fanatismo religioso.

"O autor do atentado era desconhecido dos serviços de inteligência", observou o procurador de Paris, François Molins, acrescentando que Bouhlel atirou várias vezes contra três policiais.

"Só havia sido condenado uma vez, em 24 de março de 2016, por um tribunal de Nice, por atos de violência numa altercação depois de um acidente de trânsito" em que sacou um revólver, revelou o ministro da Justiça, Jean-Jacques Urvoas.

Sua advogada no caso, Corentin Delobel, declarou hoje que "nada me levaria a pensar que ele cometeria atos tão desumanos". Bouhlel foi condenado a seis meses de prisão com direito a suspensão da pena. Não foi para a cadeia.

Ontem, Bouhlel estava armado com uma pistola de 7,65 milímetros que usou para enfrentar a polícia e dois homens que tentaram pará-lo. Um motociclista tentou pular na cabine do caminhão. Não conseguiu, caiu e foi atropelado. Outro saltou até a porta do veículo, mas foi repelido a tiros.

Dentro do caminhão, a polícia encontrou uma pistola e dois fuzis de plástico e uma granada que estaria desativada.

Como Bouhlel não era visto como um muçulmano, as autoridades francesas se perguntam se era um jihadista ou apenas um desequilibrado mentalmente. Em dezembro de 2014, um motorista atropelou 13 pessoas aos gritos de "Alá é grande!"

O método da ação terrorista se enquadra nas incitações ao terrorismo feitas pela milícia jihadista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que apela a seus simpatizantes para esmagar os "cruzados" de qualquer maneira, inclusive com seu próprio veículo.

Vários atentados deste tipo foram cometidos por palestinos contra israelenses. A rede terrorista Al Caeda usou um método semelhante, transformando aviões em mísseis guiados em 11 de setembro de 2001 e fazendo o mesmo com veículos terrestres. Mas as autoridades franceses mantêm a cautela.

Em dezembro de 2014, um motorista jogou seu veículo e atropelou 13 pessoas na cidade de Dijon aos gritos de "Alá é grande!" Ele tinha 157 passagens por hospitais psiquiátricos. A promotoria inicialmente tratou o caso como terrorismo, mas depois considerou crime comum.

ONU condena ataque "bárbaro e covarde"

Por unanimidade, o Conselho de Segurança das Nações Unidas "condenou com a maior firmeza o ataque terrorista bárbaro e covarde" cometido ontem à noite em Nice, no Sul da França, quando 84 morreram atropeladas por um caminhão de 19 toneladas.

Em declaração conjunta, os 15 países do Conselho de Segurança da ONU manifestaram "profunda simpatia e condolências" às famílias das vítimas e à França.

O Conselho de Segurança reafirmou que "o terrorismo sob todas as suas formas representa uma das ameaças mais graves à paz e à segurança internacionais".

Assim, "todo terrorismo é criminoso e injustificável", declaram os países-membros, defendendo "a necessidade de que todos os países combatam o terrorismo por todos os meios possíveis", com respeito ao direito internacional.

Na realidade, uma das razões da onda de terror atribuída à milícia jihadista Estado Islâmico do Iraque e do Levante é a incapacidade da sociedade internacional de pacificar o Oriente Médio, especialmente a Síria e o Iraque. O terrorismo leva as guerras do Oriente Médio para o território das potências ocidentais.

China mantém crescimento oficial em 6,7% ao ano

A China, segunda maior economia do mundo, cresceu no segundo trimestre de 2016 num ritmo de 6,7% ao ano, o mesmo do trimestre anterior, com o mercado imobiliário e as obras de infraestrutura compensando a desaceleração industrial.

O resultado está dentro da meta oficial de crescimento para este ano é de 6,5% a 7%. Em 2015, o índice oficial ficou em 6,9%, levantando suspeitas dos analistas econômicos. Se o crescimento estava dentro da expectativa, por que o governo chinês adotou tantas medidas de estímulo, como cortes de juros e nos depósitos compulsórios dos bancos.

As pressões para a desaceleração da economia chinesa persistem. O investimento em capital fixo cresceu 9% no primeiro semestre de 2016, o menor ritmo desde o ano 2000, e está 9,6% abaixo do mesmo período no ano passado.

"O crescimento se estabilizou e qualidade está melhorando", comentou Zhu Haibin, economista sênior do banco J P Morgan Chase em Hong Kong, citado pelo jornal inglês Financial Times.

"O crescimento do investimento está diminuindo, numa correção do excesso de investimento dos últimos sete anos", acrescentou Zhu. "Mas é muito mais forte em novos setores como alta tecnologia e infraestrutura. Em setores com excesso de capacidade como carvão e aço, vemos crescimento negativo", ou seja, desinvestimento.

Depois de três décadas do maior e mais rápido desenvolvimento da história econômica, com taxas acima de 10% ao ano, a China tenta passar de uma economia baseada no investimento, na construção e na industrialização para uma economia de consumo e serviços.

Em junho, as vendas no varejo subiram 10,6% na comparação anual. Foi a maior alta desde dezembro, acima da expectativa do mercado, que era de 10%.

No segundo trimestre, setor de serviços avançou numa taxa de 7,5% ao ano, um pouco abaixo dos 7,6% do primeiro trimestre.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Hollande prorroga estado de emergência por três meses

Em pronunciamento à nação neste momento, pouco antes das 4h em Paris, o presidente François Hollande acaba de anunciar a prorrogação do estado de emergência na França por 90 dias a partir de 26 de julho por causa do atentado terrorista que matou pelo menos 80 pessoas hoje à noite em Nice.

O terrorista, morto pela polícia, seria um homem de 31 anos com dupla nacionalidade, francês e tunisiano, informou o jornal local Nice-Matin. Esses dados são de uma carteira de identidade encontrada no caminhão. Sua autenticidade não foi confirmada. A Tunísia é o país que mais forneceu voluntários para lutar pela milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante nas guerras civis do Iraque e da Síria.

Hollande prometeu um combate sem trégua ao terrorismo e à milícia extremista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, mantendo a mobilização de 10 mil soldados e policiais para garantir a segurança. A França participa dos ataques aéreos contra o grupo na Síria e no Iraque.

"É toda a França que está sob ameaça do terrorismo islamista. Assim, nestas circunstâncias, devemos fazer uma demonstração de vigilância absoluta e de uma determinação sem falha", afirmou Hollande, abrindo o flanco para críticas. Afinal, é mais um desafio à autoridade do Estado francês.

"Nós devemos reforçar ainda mais nosso nível de proteção", declarou o presidente da França. "Assim, decidi, sob proposição do primeiro-ministro e dos ministros da Defesa e do Interior, que vamos manter em nível elevado a Operação Sentinela, que permite mobilizar 10 mil soldados e policiais."

Mais cedo, antes do ataque, o presidente francês revelou que assessores militares vão participar da ofensiva do Exército do Iraque para retomar a cidade de Mossul, em poder do Estado Islâmico desde junho de 2014. Ele também havia anunciado a suspensão do estado de emergência a partir de 26 de julho.

O problema é que o estado de emergência, agora mantido, não tem sido suficiente para evitar ações terroristas na França.

Amanhã, às 9h da manhã (4h em Brasília), o presidente reúne o Conselho de Segurança e Defesa Nacional no Palácio do Eliseu. Depois, vai a Nice com o primeiro-ministro Manuel Valls.

Conselho Muçulmano da França condena o atentado em Nice

Antes de qualquer grupo reivindicar a autoria do ataque terrorista desta noite em Nice, o Conselho Francês do Culto Muçulmano condenou o atentado, que fomenta a intolerância religiosa na França. Pelo menos 84 pessoas foram mortas por um caminhão de 19 toneladas jogado contra a multidão durante a festa de 14 de julho, marco do início da Revolução Francesa de 1789.

"A França é atingida mais uma vez mais por um atentado de extrema gravidade", declarou em comunicado oficial o Conselho Muçulmano, condenando o ataque "odioso e abjeto que visa nosso país no dia da festa nacional para celebrar os valores da liberdade, igualdade e fraternidade".

A nota acrescenta: "O CFCM transmite sua total solidariedade com os habitantes de Nice, exprime sua profunda compaixão às famílias das numerosas vítimas e deseja um pronto restabelecimento dos feridos." No fim, o texto pede a todos os muçulmanos da França que rezem nesta sexta-feira "em memória das vítimas deste ataque bárbaro".

O conselho que representa os cerca de 5 milhões de muçulmanos da França denuncia o extremismo em nome de sua religião, que certamente será explorado pela ultradireita antiestrangeiros e anti-imigrantes.

Caminhão investe contra multidão que festejava Revolução Francesa

Pelo menos 84 pessoas foram mortas e centenas feridas por um caminhão de 19 toneladas jogado contra uma multidão hoje à noite no Sul da França, noticiou o jornal francês Le Figaro.

Dezoito feridos estão em estado gravíssimo. Milhares de pessoas participavam das festividades do Dia da Bastilha, 14 de julho, marco do início da Revolução Francesa de 1789, no Passeio dos Ingleses, na cidade de Nice. 

A maior suspeita é de ataque terrorista. O motorista foi morto pela polícia. A TV BFM fala em mais de 80 mortos, citando como fonte o Ministério Público. O promotor Jean-Michel Prêtre avisou que o balanço é provisório.

Logo depois do espetáculo de fogos de artifício para celebrar a data nacional da França, o caminhão avançou contra a multidão, atropelando pessoas por uma distância de cerca de dois quilômetros. Quando o caminhão parou, o terrorista ainda atacou a multidão a tiros. A polícia encontrou pistolas, bombas e granadas dentro do veículo, mas disse que algumas eram falsas e não representavam perigo.

O jornalista Damien Allemand, editor da versão digital do jornal local Nice-Matin, estava no local: "Quando o show terminou, todos se levantaram ao mesmo tempo. Em direção às escadas, espremidos como sardinhas. Eu ziguezagueiei entre as pessoas atrás do meu scooter, que estava a poucos passos de distância. Ao longe, um ruído. Gritos. Meu primeiro pensamento: alguma pessoa maligna trouxe seus próprios fogos e não os controlou...

"Mas, não", acrescentou o jornalista. "Uma fração de segundo mais tarde, um enorme caminhão branco avançava numa velocidade louca contra as pessoas com golpes de direção para para ceifar o maior número de vidas. Esse caminhão da morte passou a metros de mim e não me dei conta. Vi corpos voarem como peças de boliche, os ruídos, os uivos que não esquecerei jamais. Fiquei paralisado. Não me mexi nem disse nada. Segui com os olhos aquele cortejo fúnebre. Ao redor de mim, o pânico. As pessoas corriam, gritavam, choravam. Aí me dei conta. E corri junto com elas."

Em entrevista à televisão, o vice-governador do departamento dos Alpes Marítimos, Sébastian Humbert, declarou que "o balanço é muito pesado", com "dezenas de mortos", provavelmente "uma trintena", na estimativa inicial. Ele acrescentou que "o motorista foi abatido" porque foi "um ataque criminoso".

O presidente François Hollande estava no Festival de Teatro de Avignon, no Sul do país. Voltou às pressas para Paris, onde participa daqui a pouco de uma reunião de emergência do gabinete de crise no Ministério do Interior. Amanhã, às 9h, o presidente vai reunir o Conselho de Segurança e Defesa no Palácio do Eliseu.

Horas antes, ao discursar na cerimônia oficial em Paris desde 14 de julho, o presidente havia anunciado a suspensão a partir de 26 de julho do estado de emergência decretado depois dos atentados que mataram 132 pessoas na capital francesa em 13 de novembro de 2015. Em janeiro do ano passado, a capital francesa também foi aterrorizada pelo ataque ao jornal humorístico Charlie Hebdo e outras ações nos dias seguintes, que deixaram um total de 17 mortos.

Hollande revelou que assessores militares da França estarão ao lado das forças do Iraque na ofensiva para retomar a segunda maior cidade do país, Mossul, em poder da milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante desde 10 de junho de 2014. O Estado Islâmico foi responsável pelos atentados de Paris e é o maior suspeito agora em Nice.

O departamento dos Alpes Marítimos é um dos principais focos do jihadismo na França, observaram vários meios de comunicação regionais. Grande parte do contingente de extremistas muçulmanos franceses que lutam voluntariamente nas guerras civis do Iraque e do Iraque saiu de Nice.

Durante a Euro 2016, a copa europeia de seleções de futebol, encerrada no domingo passado, o ex-prefeito de Nice, Christian Estrosi, atual governador da região da Provença-Alpes-Costa Azul (Paca), instalou detetores de bombas e metais na entrada do chamada zona dos fãs, onde as pessoas assistiram aos jogos em telões. Nice foi a única cidade-sede a fazer isso.

Estado Islâmico derruba avião de guerra da Síria

A milícia terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante derrubou hoje um avião de guerra da Síria perto da cidade de Deir el-Zur, noticiou a agência Reuters citando como fontes o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, que monitora a guerra civil no país, e a agência de notícias dos jihadistas.

O avião foi abatido a cerca de cinco quilômetros do aeroporto militar de Deir el-Zur.  Um vídeo da Amaq, a agência de notícias do Estado Islâmico na Internet mostra os destroços de um avião pegando fogo e um cadáver que seria do piloto.

Ainda não se sabe como o avião foi derrubado. O Estado Islâmico controla a maioria da província de Deir el-Zur. Embora esteja perdendo territórios na Síria e no Iraque, a milícia ainda é muito perigosa.

Em três anos, o Estado Islâmico passou de braço da rede Al Caeda na guerra civil do Iraque à maior organização terrorista não estatal da história. Depois de tomar Mossul, a segunda maior cidade iraquiana, em 10 de junho de 2014, seu líder Abu Baker al-Baghdadi proclamou um califado de jurisdição universal em 29 de junho daquele ano.

Naquela época, o califado tinha uma área do tamanho da Grã-Bretanha onde viviam cerca de 8 milhões de pessoas. Ia da província de Diala, no Leste do Iraque, à província de de Alepo, no Norte da Síria, ignorando as fronteiras estabelecidas pelas potências ocidentais no Oriente Médio depois da derrocada do Império Otomano (turco) no fim da Primeira Guerra Mundial.

Essa rápida expansão, a perseguição às minorias e as execuções de reféns ocidentais diante das câmeras, logo divulgadas pela Internet, levaram a uma nova intervenção militar dos Estados Unidos e seus aliados ocidentais e árabes no Iraque e depois na Síria.

Desde 30 de setembro do ano passado, a Rússia intervém militarmente na guerra civil síria a pretexto de combater o Estado Islâmico, embora na prática ataque muito mais os grupos rebeldes apoiados pelo Ocidente.

A Turquia também entrou na guerra contra o Estado Islâmico por ser alvo de vários atentados terroristas depois de ser tolerante a conivente com o tráfico de armas, a passagem de voluntários e o contrabando de petróleo através de sua fronteira.

Hoje o Estado Islâmico controla apenas enclaves isolados na Síria, na província de Alepo, em Deir el-Zur e em Rakka, considerada a capital do califado, e áreas desérticas. Sem condições de sustentar os territórios conquistas, recorre cada vez mais a táticas de guerrilha e ao terrorismo.

Governador de Indiana deve ser vice de Trump

A quatro dias da convenção nacional do Partido Republicano para oficializar sua candidatura à Presidência dos Estados Unidos, o pré-candidato Donald Trump disse a colegas do partido que o governador de Indiana, Mike Pence, será seu candidato a vice-presidente. O anúncio oficial deve ser feito amanhã, noticiou o jornal The Wall Street Journal.

"Não estamos confirmando nada", declarou o gerente da campanha de Trump, Paul Manafort, em mensagem de texto, enquanto o porta-voz oficial do magnata imobiliário, Jason Miller, insistia no Twitter que a decisão final não foi tomada ainda.

A expectativa é que Pence seja anunciado oficialmente como vice de Trump nesta sexta-feira. Aos 57 anos, ele faz parte da ala mais direitista e mais linha-dura do Partido Republicano. O governador de Indiana se define como "cristão, conservador e republicano".

Outros nomes cotados são o governador de Nova Jérsei, Chris Christie, e o ex-presidente da Câmara Newt Gingrich.

Vice-presidente retira tropas da capital do Sudão do Sul

Depois de um fim de semana sangrento, com mais de 300 mortes, o vice-presidente Riek Machar retirou suas forças de Juba, a capital do país mais jovem do mundo, o Sudão do Sul, criado em 2011, no fim de uma longa guerra civil no antigo Sudão, noticiou a agência Reuters.

O cessar-fogo acertado em agosto de 2015 foi reinstaurado depois dos violentos conflitos do fim de semana entre facções leais ao presidente Salva Kiir Mayardit e o vice. As tropas de Machar devem ficar fora da capital até a trégua ser consolidada.

A explosão do último fim de semana acontece num país arrasado, com a economia deprimida pela queda nos preços internacionais do petróleo. Não há recursos para sustentar uma guerra civil, mas o acordo de paz foi seriamente abalado pelos combates dos últimos dias.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

EUA reforçam embaixada no Sudão do Sul

Os Estados Unidos enviaram ontem mais 47 soldados para reforçar a segurança da embaixada do país em Juba, a capital do Sudão do Sul, anunciou hoje o presidente Barack Obama em carta ao Congresso, informou a agência Associated Press (AP).

Mais de 300 pessoas foram mortas no fim de semana em Juba em confrontos entre facções rivais ligadas ao presidente Salva Kiir Mayardit e ao vice-presidente Riek Machar, reiniciando a guerra civil que divide o país mais novo do mundo desde 15 de dezembro de 2013.

As tropas americanas estão equipadas para o combate e vão ficar no Sudão do Sul até as condições de segurança melhorem, informou Obama. Outros 130 soldados dos EUA estão de prontidão no vizinho Djibúti para intervir no Sudão do Sul se for necessário.

No momento, a trégua iniciada em 26 de agosto de 2015 foi reinstaurada, mas a paz ainda é um sonho distante. Entre 50 e 300 mil pessoas morreram em combate, de fome ou doenças provocadas pela guerra civil sul-sudanesa.

Um dos pontos centrais da discórdia é a iniciativa do governo para criar 28 novos estados, uma manobra denunciada pela oposição como uma tentativa de dividir e enfraquecer suas bases de poder.

Os dois líderes são reféns de suas origens e a lealdades tribos. As disputas internas dentro das duas facções impedem Kiir e Machar de adotar qualquer posição contrária a suas bases étnicas. A radicalização exacerbada pela guerra civil conspira contra a paz.

A maior preocupação dos aliados de Machar é que um acordo para reconduzi-lo à vice-presidência leve à divisão de suas terras e seus povos, que seriam governados por partidários de Kiir. Uma oposição enfraquecida seria incapaz de cumprir seu papel.

Com o país arrasado e empobrecido ainda mais pela queda nos preços internacionais do petróleo, nenhum dos dois lados tem interesse no recomeço da guerra civil.

Obrigado a pagar altas taxas de trânsito pelos oleodutos do Sudão, Kiir está sem dinheiro. Os funcionários públicos civis não recebem há meses. O Exército falta de equipamentos e suprimentos.

O presidente chegou a pedir ajuda ao ditador de Uganda, Yoweri Museveni, para defender a capital.

Theresa May assume e nomeia ministros do governo britânico

Quase 26 anos depois da queda de Margaret Thatcher, o Reino Unido tem sua segunda primeira-ministra. Theresa May, ministra do Interior há seis anos, foi convidada hoje pela rainha Elizabeth II para formar o novo governo britânico. 

O ex-ministro do Exterior Philip Hammond vai para as Finanças e o ex-prefeito de Londres Boris Johnson, líder da campanha para sair da União Europeia, será o ministro do Exterior, noticia o jornal britânico The Independent.

A nomeação de Johnson já é motivo de piada na Internet. Durante a campanha para a eleição da líder conservadora, May levantou dúvidas sobre as habilidades negociadoras do ex-prefeito e agora o indica para a equipe que vai discutir a saída da UE.

Outro eurocético, David Davis, será o encarregado das negociações com a UE e Liam Fox, também antieuropeu, será o ministro do Comércio Internacional. Ambos foram aprovados pelo neofascista Nigel Farage, líder do Partido da Independência do Reino Unido (UKIP) e grande vencedor do plebiscito de 23 de junho.

Antes de entrar na residência oficial da 10 Downing Street, no centro de Londres, a nova chefe de governo prometeu governar para todos os britânicos e não apenas para os privilegiados. É difícil de acreditar. O Partido Conservador sempre foi o partido do privilégio e do poder. Com o declínio econômico inevitável devido à saída da UE, de onde vai sair o dinheiro para investimentos sociais.

Na tradição de Margaret Thatcher, os conservadores trabalham há mais de 30 anos para reduzir a máquina do Estado. Isso implica cortes nos gastos sociais.

Durante a campanha para o plebiscito, os defensores da Brexit (saída britânica) acenaram com a possibilidade de investir no Serviço Nacional de Saúde (SNS) os 350 milhões de libras enviados semanalmente para a UE. Na prática, com o dinheiro recebido da UE, o valor real da contribuição britânica cai para 150 milhões por semana.

Logo depois da vitória, os partidários da saída da UE deixaram claro que era uma falsa promessa. Aparentemente, eles não esperavam ganhar e não tinham feito o planejamento necessário para a transição.

A grande questão agora é como serão as relações econômicas entre o Reino Unido e a UE. Em entrevista à televisão pública britânica BBC, um economista ligado à Brexit disse que só há duas alternativas: ou o país continua fazendo parte do mercado comum europeu e assim precisa seguir todas as regras do bloco, inclusive a livre circulação de pessoas, contrariando a promessa de reassumir o controle sobre a imigração; ou adota uma política de livre comércio, abrindo totalmente seu mercado interno.

Nos dois casos, o eleitorado britânico foi enganado. Sair da Europa e continuar seguindo as regras do bloco significa se submeter a decisões das quais não vai participar e a aceitar a política europeia de imigração rejeitada no plebiscito. Já uma política de comércio totalmente livre vai agravar a situação de regiões e trabalhadores não competitivos na economia globalizada.

A análise dos resultados do plebiscito indica que a saída da UE ganhou nas regiões menos cosmopolitas, onde a economia está deprimida e há menos imigrantes.

Ministro da Guerra do Estado Islâmico pode ter sido morto

Um alto comandante militar considerado ministro da Guerra da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Tarkhan Batirachvili, teria sido morto no Iraque, noticiou o jornal britânico The Independent.

Batirachvili, mais conhecido pelo nome de guerra de Omar al-Chichani, Omar o Checheno, teria morrido perto de Charkate, ao sul de Mossul, a segunda maior cidade iraquiana, informou a Amaq, agência de notícias do Estado Islâmico na Internet.

Não é a primeira vez que a morte de Al-Chichani, natural da ex-república soviética da Geórgia, é noticiada. Em março, foi dito que ele teria sido morto num bombardeio aéreo dos Estados Unidos na Síria. Agora, por ser divulgada pela agência do EI, a notícia ganha credibilidade.

Sob intensa pressão nos campos de batalha do Oriente Médio, o Estado Islâmico perde territórios no Iraque e na Síria. Por isso, apela cada vez mais ao terrorismo.

Hoje, o jornal francês Libération revelou que o chefe do serviço secreto militar da França mencionou numa comissão parlamentar de inquérito sobre os atentatos terroristas em Paris que um brasileiro ligado ao Estado Islâmico estaria preparando um ataque contra a delegação francesa durante a Olimpíada do Rio de Janeiro.

O governo brasileiro nega ter qualquer informação concreta sobre essa ameaça.

Estado Islâmico planeja atentado no Rio, diz serviço secreto francês

Um brasileiro ligado à organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante estaria planejando um atentado contra a delegação da França na Olimpíada do Rio de Janeiro, revelou o chefe do serviço secreto militar francês em depoimento na comissão parlamentar de inquérito que investiga os atentados terroristas de 13 de novembro de 2015 em Paris e Saint-Denis.

O depoimento foi prestado em 26 de maio. O trecho referente à ameaça terrorista no Rio foi considerado um vazamento de informação e retirado das notas oficiais da CPI, mas foi publicado ontem no sítio da Assembleia Nacional da França na Internet e reproduzido pelo jornal francês Libération.

O general Christophe Gomart citou vários exemplos concretos de ameaças terroristas à França, como "sinais de que sete franceses de retorno do Iêmen em trânsito por Djibúti e de estrangeiros suscetíveis de realizar atos terroristas em territórios nacional", assim como "um certo indivíduo visto na Líbia que foi considerado um combate estrangeiro prestes a entrar em território francês".

A referência aos Jogos do Rio está num diálogo entre o general Gomert e o deputado Georges Fenech, que declarou: "Eu não tinha ouvido falar desse cidadão brasileiro que estaria se preparando para atacar a delegação francesa nos Jogos Olímpicos. Como você pode saber?"

A resposta foi curta e direta: "Através de nossos parceiros."

Embora o Brasil não seja alvo de terroristas, várias delegações estrangeiras podem ser. Em ataques a civis, os terroristas sempre escolhem alvos fáceis. Isso significa que pode ser em qualquer lugar.

Para garantir a segurança da Olimpíada, o Brasil montou um centro antiterrorismo com especialistas dos Estados Unidos, da Espanha, da França, de Israel e do Reino Unido.

Na minha opinião, a maior ameaça à segurança dos países democráticos hoje em dia é o surgimento de uma subclasse social de inempregáveis, sem uma educação mínima para fazer um trabalho digno, deserdados pelo processo de globalização da economia.

Se a rede terrorista Al Caeda foi fundada por um magnata saudita como Ossama ben Laden e formada por pessoas qualificadas como o atual líder, o médico egípcio Ayman al-Zawahiri, os criadores e líderes do Estado Islâmico, Abu Mussab al-Zarkaui, Abu Omar al-Baghdadi e Abu Baker al-Baghdadi, eram marginais com passagem pela prisão.

Os terroristas dos atentados em Paris eram marginaizinhos que haviam cometido pequenos delitos como furto e tráfico de pequenas quantidades de drogas para sustentar o próprio vício. Viraram extremistas muçulmanos na prisão. As cadeias da França, onde dois terços dos presos são muçulmanos, são hoje as grandes universidades do terror no país.

O Brasil tem uma enorme população marginalizada com características semelhantes, recrutas em potencial para todo tipo de organização criminosa.

terça-feira, 12 de julho de 2016

EUA devem ter crescido em ritmo de 2,3% ao ano no segundo trimestre

A economia dos Estados Unidos deve ter avançado num ritmo de 2,3% ao ano no segundo trimestre de 2016, estimou hoje a delegacia regional da Reserva Federal (Fed), o banco central americano, na cidade de Atlanta, com base nos últimos dados sobre o comércio no atacado.

Na previsão anterior, o crescimento foi estimado em 2,4% ao ano. O saldo de 287 mil empregos registrado em junho, o maior em oito meses, afastou o temor de queda na atividade e recessão.

A alta das bolsas de Nova York nos últimos dias indica confiança do investidor na estabilidade da recuperação americana num mundo em desaceleração com crises variadas.

Tribunal internacional nega direito da China sobre Mar do Sul da China

Por unanimidade, a Corte Permanente de Arbitragem das Nações Unidas, um tribunal internacional com sede em Haia, na Holanda, rejeitou hoje a reivindicação de soberania do regime comunista chinês sobre 90% do Mar do Sul da China, alegando que não tem base histórica. 

O caso é visto como um teste sobre o compromisso da China com o direito internacional. A decisão, repudiada pelo regime comunista, pode aumentar a tensão e a confrontação no Sudeste Asiático. Os Estados Unidos pediram calma.

Por iniciativa das Filipinas, o tribunal declarou que as pretensões chinesas violam a Convenção da ONU sobre o Direito do Mar. A China violou a soberania das Filipinas ao construir ilhas artificiais e não tem direito a uma zona econômica exclusiva ao redor de uma ilha do arquipélago das Ilhas Spratlys reivindicada por Beijim mas controlada por Taiwan. O regime comunista chinês considera Taiwan uma província rebelde.

O tribunal declarou ainda que a China não impede pescadores chineses de caçar tartarugas marinhas e explorar corais ameaçados, além de impedir as Filipinas de pescar e a extrair petróleo da região.

"É um golpe direto na mais importante reivindicação da China no Mar do Sul da China", comentou Shi Yinhong, professor de relações internacionais na Universidade do Povo, em Beijim. "A decisão é esmagadoramente a favor das Filipinas, mais do que esperado."

Cinco países da região têm disputas territoriais com Beijim no Mar do Sul da China: Brunei, Filipinas, Malásia, Taiwan e o Vietnã. O regime comunista da China construiu sete ilhas artificiais na área disputada e pistas de pouso para aviões militares.

A China tem interesse em manter a liberdade de navegação no Mar do Sul da China, por onde passam por ano mais de US$ 5 trilhões em mercadorias negociadas internacionalmente. Seu maior objetivo parece ser o controle dos recursos naturais das águas disputadas.

Bernie Sanders endossa candidatura de Hillary à Casa Branca

Em um discurso em que apontou a desigualdade social como principal tema da campanha e acusou o pré-candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos, o senador socialista Bernie Sanders apoiou oficialmente a candidatura da ex-secretária de Estado Hillary Clinton.

Os dois prometeram unir esforços para impedir a vitória de Donald Trump, descrito por Sanders como um candidato que explora o medo e o preconceito numa campanha marcada por insultos contra negros, mulheres, latinos e imigrantes. Para ganhar em 8 de novembro, a ex-secretária precisa especialmente dos votos dos jovens mobilizados pela campanha de Sanders.

Hillary está estudando com Sanders meios de tornar a universidade mais acessível ao americano de classe média. Ela defendeu uma nova polícia comunitária para acabar com o racismo institucionalizado responsável pelas mortes de tantos negros registradas nas últimos anos por câmeras.

"A situação muda quando as pessoas respeitam a lei e são respeitadas pelos agentes da lei", declarou Hillary, citando como exemplo a polícia de Dallas, que enfrentou Micah Johnson no fim de semana mesmo depois dele afirmar que queria matar brancos, especialmente policiais brancos.

Em outra questão polêmica, a pré-candidata democrata insistiu que "não deve haver armas de guerra nas ruas dos EUA" para que a polícia não tenha de enfrentá-las quando caírem nas mãos de algum desequilibrado.

A ex-secretária de Estado e ex-primeira-dama acenou ainda com a maior geração de bons empregos desde a Grande Depressão (1929-39). "O senador Sanders e eu acreditamos que todas as pessoas que trabalham duro merecem um salário justo", alegando que "US$ 7,50 são um salário de fome que não permite alimentar uma família". Ela também defendeu o direito à livre organização sindical.

Outro tema em que propôs uma ação decidida foi o aquecimento global para tornar os EUA uma economia de baixo carbono.

"Vamos garantir que o centro financeiro de Wall Street e os bilionários paguem sua parte nos impostos", acrescentou Hillary, acusando Trump de reduzir a arrecadação em US$ 1 trilhão com cortes de impostos para as grandes empresas e os super-ricos numa "economia vudu".

As mulheres devem ganhar salários iguais aos homens e os EUA devem oferecer licença-maternidade e licença-paternidade como os demais países ricos, argumentou a ex-secretária de Estado.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

Regime chavista toma fábrica da Kimberly-Clark na Venezuela

O regime chavista da Venezuela ocupou ontem uma fábrica da companhia americana Kimberly-Clark, informou o ministro do Trabalho, Oswaldo Vera, citado pela agência Associated Press (AP).

A empresa suspendeu a produção no sábado alegando falta de matérias-primas por causa da crise econômica do país. A Kimberly-Clark fabricava fraldas descartáveis, papel higiênico e lenços de papel, que se tornaram extremamente escassos em meio ao desabastecimento generalizado, que atinge 80% dos produtos essenciais.

O governo Nicolás Maduro acusou a empresa de não ter anunciado o fechamento da fábrica com antecedência. Ameaça desapropriar e reativar todas as fábricas que pararem a produção.

Candidato libertário à Casa Branca supera Trump entre os jovens

Os jovens americanos de 18 a 29 anos preferem o candidato libertário Gary Johnson ao magnata imobiliário Donald Trump, pré-candidato do Partido Republicano à Presidência dos Estados Unidos em 8 de novembro de 2016.

Em uma sondagem do Centro de Pesquisas Pew, 47% dos jovens declararam apoio à pré-candidata democrata, Hillary Clinton, seguida por Johnson com 22% e Trump com 21%.

Entre todos os eleitores, Hillary lidera com 45% contra 36% para Trump e 11% para Johnson.

EUA enviam mais 560 soldados para guerra contra o Estado Islâmico

Os Estados Unidos vão mandar mais 560 soldados ao Iraque para a campanha contra a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, anunciou hoje o secretário de Estado, Ash Carter, citado pela agência Associated Press (AP).

A maioria dos novos soldados vai apoiar as tropas iraquianas na criação de um centro de operações na base aérea de Kayara, recapturada em 9 de julho. Os militares americanos inspecionaram ontem a base, que será importante na ofensiva para retomar Mossul, a segunda maior cidade do Iraque, ocupada pelo Estado Islâmico desde 10 de junho de 2014.

Carter acrescentou que assessores dos EUA poderão acompanhar as forças iraquianas na ofensiva sobre Mossul, mas não revelou mais detalhes. A retomada de Mossul será a batalha decisiva para expulsar o Estado Islâmico do país, negando-lhe uma base territorial.