O terrorista que matou 84 pessoas e feriu outras 202 com um caminhão frigorífico em Nice em 14 de junho, a data nacional da França, planejou o atentado durante meses e não agiu sozinho, afirmou há pouco o procurador François Molins. Cinco pessoas foram presas hoje de manhã, um casal albanês, um tunisiano e dois francos-tunisianos.
"As investigações realizadas desde a noite de 14 de julho não param de avançar e permitem não só confirmar ainda mais o caráter premeditado da passagem e ato mortífero de Mohamed Lahouaiej Bouhlel, mas igualmente estabelecer que este último pôde se beneficiar do apoio e da cumplicidade na preparação e realização de seu ato criminoso", declarou Molins procurador da República junto aos tribunais superiores em Paris.
Quatro homens e uma mulher foram presos hoje. Ramzi A. tem seis condenações por crime comum. Os outros quatro não tinham antecedentes criminais. Nenhum estava na lista de suspeitos de extremismo muçulmano dos serviços secretos franceses.
Um dos suspeitos detidos falou 1.278 vezes por telefone num ano com Bouhlel. Outro foi fotografado na cabine do caminhão em 12 de julho. Nas operações de busca nas casas deles, foi encontrado um fuzil Kalachnikov.
Entre as mensagens interceptadas pela polícia está um elogio ao ataque ao jornal satírico Charlie Hebdo em 7 de janeiro de 2015: "Eu não sou Charlie, estou contente que eles trouxeram de volta os soldados de Alá para concluir o trabalho."
A organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante reivindicou a autoria do atentado, alegando que Bouhlel era um dos "soldados do califado". Até agora, tudo indica que o ataque foi cometido por uma célula autônoma, sem ligação direta com a cúpula do movimento jihadista.
Ontem, o jornal esquerdista Libération acusou o governo nacional de mentir sobre o atentado. Ao contrário do que disse o governo do primeiro-ministro Manuel Valls, não havia agentes da polícia nacional na barreira que fechava o acesso de veículos à área reservada para pedestres no Passeio dos Ingleses. Só havia guardas municipais.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quinta-feira, 21 de julho de 2016
sábado, 16 de julho de 2016
Estado Islâmico reivindica atentado em Nice
Através de sua agência de notícias Amaq, a milícia jihadista Estado Islâmico do Iraque e do Levante reivindicou a responsabilidade pelo atentado terrorista que matou 84 pessoas no dia 14 de julho em Nice, no Sul da França, atropelando-as com um caminhão frigorífico.
O ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve, revelou que o terrorista tunisiano virou extremista rapidamente, noticiou o jornal Libération.
"Parece que o terrorista radicalizou suas visões rapidamente", afirmou Cazeneuve, sem revelar muitos detalhes. "Estes são os primeiros resultados de nossa investigação através de entrevistas com seus conhecidos."
Até agora, cinco pessoas foram detidas para interrogatório. Uma falou com o terrorista momentos antes do atentado.
A grande dúvida das autoridades francesas é se Bouhlel agiu sozinho ou em contato direto com a milícia terrorista. Ele morava há seis anos em Nice, um dos focos do extremismo muçulmano na França.
É improvável que o Estado Islâmico tenha organizado o ataque. Mais parece ter inspirado, mas também pode estar apenas fazendo propaganda em cima do atentado.
"Estamos enfrentando agora indivíduos que respondem positivamente às mensagens do Estado Islâmico sem ter acesso a nenhum treinamento especial nem acesso a armas que permitam cometer assassinatos em massa", observou o ministro do Interior.
A agência Amaq afirmou que Bouhlel "era um soldado do Estado Islâmico" citando "fontes internas" da organização. "Ele executou a operação em resposta aos apelos para alvejar cidadãos da coalizão de nações que luta contra o Estado Islâmico", alegou genericamente, sem fornecer qualquer prova.
A rádio oficial do grupo, al-Bayan, exaltou a "nova tática" usada pelo terrorista tunisiano: "Os países cruzados sabem que não importa quanto aplicarem procedimentos e medidas de segurança não vão conseguir impedir os mujahedin de atacar."
O ministro do Interior francês, Bernard Cazeneuve, revelou que o terrorista tunisiano virou extremista rapidamente, noticiou o jornal Libération.
"Parece que o terrorista radicalizou suas visões rapidamente", afirmou Cazeneuve, sem revelar muitos detalhes. "Estes são os primeiros resultados de nossa investigação através de entrevistas com seus conhecidos."
Até agora, cinco pessoas foram detidas para interrogatório. Uma falou com o terrorista momentos antes do atentado.
A grande dúvida das autoridades francesas é se Bouhlel agiu sozinho ou em contato direto com a milícia terrorista. Ele morava há seis anos em Nice, um dos focos do extremismo muçulmano na França.
É improvável que o Estado Islâmico tenha organizado o ataque. Mais parece ter inspirado, mas também pode estar apenas fazendo propaganda em cima do atentado.
"Estamos enfrentando agora indivíduos que respondem positivamente às mensagens do Estado Islâmico sem ter acesso a nenhum treinamento especial nem acesso a armas que permitam cometer assassinatos em massa", observou o ministro do Interior.
A agência Amaq afirmou que Bouhlel "era um soldado do Estado Islâmico" citando "fontes internas" da organização. "Ele executou a operação em resposta aos apelos para alvejar cidadãos da coalizão de nações que luta contra o Estado Islâmico", alegou genericamente, sem fornecer qualquer prova.
A rádio oficial do grupo, al-Bayan, exaltou a "nova tática" usada pelo terrorista tunisiano: "Os países cruzados sabem que não importa quanto aplicarem procedimentos e medidas de segurança não vão conseguir impedir os mujahedin de atacar."
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sexta-feira, 15 de julho de 2016
Terrorista de Nice não era fanático religioso
A polícia da França identificou o motorista que atropelou e matou 84 pessoas e feriu outras 202 ontem à noite durante a festa da data nacional da França como Mohamed Lahouaiej Bouhlel, de 31 anos nascido na Tunísia. Ele tinha uma condenação por briga no trânsito, não era conhecido dos serviços secretos nem dava sinais de fanatismo religioso.
"O autor do atentado era desconhecido dos serviços de inteligência", observou o procurador de Paris, François Molins, acrescentando que Bouhlel atirou várias vezes contra três policiais.
"Só havia sido condenado uma vez, em 24 de março de 2016, por um tribunal de Nice, por atos de violência numa altercação depois de um acidente de trânsito" em que sacou um revólver, revelou o ministro da Justiça, Jean-Jacques Urvoas.
Sua advogada no caso, Corentin Delobel, declarou hoje que "nada me levaria a pensar que ele cometeria atos tão desumanos". Bouhlel foi condenado a seis meses de prisão com direito a suspensão da pena. Não foi para a cadeia.
Ontem, Bouhlel estava armado com uma pistola de 7,65 milímetros que usou para enfrentar a polícia e dois homens que tentaram pará-lo. Um motociclista tentou pular na cabine do caminhão. Não conseguiu, caiu e foi atropelado. Outro saltou até a porta do veículo, mas foi repelido a tiros.
Dentro do caminhão, a polícia encontrou uma pistola e dois fuzis de plástico e uma granada que estaria desativada.
Como Bouhlel não era visto como um muçulmano, as autoridades francesas se perguntam se era um jihadista ou apenas um desequilibrado mentalmente. Em dezembro de 2014, um motorista atropelou 13 pessoas aos gritos de "Alá é grande!"
O método da ação terrorista se enquadra nas incitações ao terrorismo feitas pela milícia jihadista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que apela a seus simpatizantes para esmagar os "cruzados" de qualquer maneira, inclusive com seu próprio veículo.
Vários atentados deste tipo foram cometidos por palestinos contra israelenses. A rede terrorista Al Caeda usou um método semelhante, transformando aviões em mísseis guiados em 11 de setembro de 2001 e fazendo o mesmo com veículos terrestres. Mas as autoridades franceses mantêm a cautela.
Em dezembro de 2014, um motorista jogou seu veículo e atropelou 13 pessoas na cidade de Dijon aos gritos de "Alá é grande!" Ele tinha 157 passagens por hospitais psiquiátricos. A promotoria inicialmente tratou o caso como terrorismo, mas depois considerou crime comum.
"O autor do atentado era desconhecido dos serviços de inteligência", observou o procurador de Paris, François Molins, acrescentando que Bouhlel atirou várias vezes contra três policiais.
"Só havia sido condenado uma vez, em 24 de março de 2016, por um tribunal de Nice, por atos de violência numa altercação depois de um acidente de trânsito" em que sacou um revólver, revelou o ministro da Justiça, Jean-Jacques Urvoas.
Sua advogada no caso, Corentin Delobel, declarou hoje que "nada me levaria a pensar que ele cometeria atos tão desumanos". Bouhlel foi condenado a seis meses de prisão com direito a suspensão da pena. Não foi para a cadeia.
Ontem, Bouhlel estava armado com uma pistola de 7,65 milímetros que usou para enfrentar a polícia e dois homens que tentaram pará-lo. Um motociclista tentou pular na cabine do caminhão. Não conseguiu, caiu e foi atropelado. Outro saltou até a porta do veículo, mas foi repelido a tiros.
Dentro do caminhão, a polícia encontrou uma pistola e dois fuzis de plástico e uma granada que estaria desativada.
Como Bouhlel não era visto como um muçulmano, as autoridades francesas se perguntam se era um jihadista ou apenas um desequilibrado mentalmente. Em dezembro de 2014, um motorista atropelou 13 pessoas aos gritos de "Alá é grande!"
O método da ação terrorista se enquadra nas incitações ao terrorismo feitas pela milícia jihadista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, que apela a seus simpatizantes para esmagar os "cruzados" de qualquer maneira, inclusive com seu próprio veículo.
Vários atentados deste tipo foram cometidos por palestinos contra israelenses. A rede terrorista Al Caeda usou um método semelhante, transformando aviões em mísseis guiados em 11 de setembro de 2001 e fazendo o mesmo com veículos terrestres. Mas as autoridades franceses mantêm a cautela.
Em dezembro de 2014, um motorista jogou seu veículo e atropelou 13 pessoas na cidade de Dijon aos gritos de "Alá é grande!" Ele tinha 157 passagens por hospitais psiquiátricos. A promotoria inicialmente tratou o caso como terrorismo, mas depois considerou crime comum.
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