RECIFE - Nestes tempos de recrudescimento das guerras no Oriente Médio, uma visita à primeira sinagoga da América ajuda a refletir sobre conflitos religiosos como a Guerra dos Trinta Anos (1618-48), travada entre católicos e protestantes depois da Reforma da Igreja, que levou às duas invasões holandeses no Nordeste do Brasil, com os judeus no meio desse fogo cruzado.
Os primeiros judeus chegaram ao Brasil com Fernando de Noronha, um cristão novo (judeu convertido) encarregado pelo rei Dom Manuel I de introduzir o cultivo de cana de açúcar na colônia, que trouxe com ele vários cristãos novos.
Mais cristãos novos vieram a convite de Duarte Pereira Coelho, donatário da capitania hereditária de Pernambuco, uma das duas únicas a prosperar, ao lado da capitania de São Vicente, no caso pernambucano, por causa da produção de açúcar, na época uma das mercadorias mais importantes do comércio internacional.
Diogo Fernandes era um dos maiores especialistas na cultura açucareira e Pedro Álvares Madeira, nativo da Ilha da Madeira, até então o maior produtor de açúcar do Ocidente. Ambos eram cristãos novos (judeus convertidos ao cristianismo). Foram os primeiros a receber terras de Duarte Coelho, em 1542.
Pouco antes, em 1536, a Inquisição chegara a Portugal. Nunca houve um Tribunal do Santo Ofício no Brasil. Durante a União Ibérica (1580-1640), quando o mesmo rei governava os dois impérios, espanhol e português, em 1623, Felipe IV mandou instalar um tribunal no Brasil. Desistiu diante da Primeira Invasão Holandesa ao Brasil, na Bahia, no ano seguinte.
Houve duas visitações do Santo Ofício à Bahia (1591-93 e 1618) e uma a Pernambuco (1593-95). Em 1625, os holandeses foram derrotadas por uma esquadra luso-espanhola e expulsos de Salvador. Os judeus foram acusados de colaborar com o invasor.
A Companhia Holandesa das Índias Ocidentais voltou a atacar em 1630 com uma força muito maior para tomar Pernambuco, a mais rica das províncias ultramarinhas portuguesas, iniciando uma ocupação que duraria 24 anos.
Em seu momento de maior expansão, durante o governo do conde João Maurício de Nassau (1637-44), o Brasil Holandês ia da foz do Rio São Francisco até São Luís do Maranhão. Como a Holanda protestante fizera a primeira revolução liberal da história, tinha adotado a liberdade religiosa.
Muitos judeus portugueses fugiram para a Holanda, levando consigo a tecnologia da indústria naval portuguesa. Logo a Holanda se tornaria uma grande potêncial naval e comercial, e ameaçaria a América Portuguesa com o apoio dos judeus.
Foi o cristão novo Antônio Dias Papa-robalos que guiou os holandeses depois que eles desembarcaram ao norte de Olinda, onde hoje fica o Forte de Pau Amarelo, e atacaram a capital da província pelo lado desprotegido. Sob o domínio holandês, a liberdade religiosa chegou ao Brasil Colônia, atraindo os judeus portugueses que haviam fugido para a Holanda.
A Sinagoga do Recife foi construída a partir de 1636 na Rua dos Judeus, rebatizada Rua da Cruz depois da expulsão dos holandeses, em 1654, e de Rua do Bom Jesus, em 1879. Seu primeiro rabino, o cristão novo Isaac Aboab da Fonseca, cuja família emigrara para Amsterdã para voltar a professar o judaísmo, desembarcou no Brasil Holandês em 1641. Portugal tinha recuperado a independência um ano antes e feito as pazes com a Holanda.
Em 1645, havia cerca de 1.450 judeus no Recife, a metade da população branca da cidade. Eram médicos, advogados, calígrafos, atores, músicos, ourives, ceramistas, intérpretes, tradutores e comerciantes de escravos, tecidos, roupas, açúcar, alimentos, vinhos e madeira, entre outros artigos, conta o historiador José Antônio Gonsalves de Mello, um dos grandes historiadores das invasões holandesas.
Um ano antes, Nassau tinha sido demitido pelos acionistas da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, mais interessados em remessa de lucros do que em investimentos na colônia. Começava a decadência do Brasil Holandês.
Também em 1645, 30 católicos brasileiros, 25 homens e 5 mulheres, foram brutalmente assassinados por calvinistas holandeses e índios tapuias em dois massacres no Rio Grande do Norte.
Depois de duas derrotas nas batalhas dos Guararapes, em abril de 1648 e fevereiro de 1649, os holandeses foram finalmente assinaram a rendição em 27 de janeiro de 1654, quando Portugal se aliou à Inglaterra durante a Primeira Guerra Anglo-Holandesa (1652-54) para conseguir enfrentar uma das grandes potências da época.
Como destaca o historiador Evaldo Cabral de Mello em O Negócio do Brasil - Portugal, os Países Baixos e o Nordeste, 1641-1669, "Portugal pagou o equivalente a 63 toneladas de ouro pelo Nordeste".
Com o fim do Brasil Holandês, acabou também a tolerância religiosa com os judeus. Acusados de colaborar com o invasor, eles foram perseguidos e tiveram de escapar às pressas em dois navios. Cerca de 500 foram para Nova Amsterdã. De acordo com o Arquivo Judaico do Recife, que faz parte do projeto de restauração da primeira sinagoga da América, foram os primeiros judeus a chegar à futura Nova York.
O projeto de restauração foi iniciado em 1999, e a sinagoga reaberta ao público em 2001. A lista dos primeiros frequentadores está cheia de cristãos novos. Por toda essa história, o Brasil é o país que mais recebeu cristãos novos. Cerca de 10% dos brasileiros, talvez 20%, sejam descendentes de judeus.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
domingo, 10 de agosto de 2014
Sinagoga do Recife foi um símbolo do Brasil Holandês
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Erdogan é eleito presidente da Turquia
O primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan tornou-se o primeiro presidente da Turquia eleito diretamente. Ele teve cerca de 52% dos votos válidos, indicam projeções dos resultados parciais, informou a TV americana CNN.
No poder desde 2003, Erdogan não poderia se candidatar a um quarto mandato de chefe de governo. Tido como islamita moderado, ele se tornou mais radical nos últimos anos, desagradando a classe média urbana que teme a islamização do país, mas se elege com os votos do eleitorado conservador do interior da Turquia.
Sob seu governo, a Turquia triplicou o produto interno bruto, mas as longas negociações para aderir à União Europeia estagnaram, em parte pela oposição da França, empurrando Erdogan para uma postura mais oriental. Seu sonho é estender a influência da Turquia pelo antigo Turquestão, que inclui as antigas repúblicas de maioria muçulmana da União Soviética.
Em seu projeto de restaurar a glória do Império Otomano, dissolvido no fim da Primeira Guerra Mundial, Erdogan tentou reconstruir um quartel numa das últimas áreas verdes do centro de Istambul, a maior cidade do país, deflagrando uma onda de protestos no ano passado.
Nem isso nem as denúncias de corrupção envolvendo diretamente o presidente eleito e seu filho abalaram a popularidade de Erdogan entre o eleitorado conservador do interior do país. Seu plano agora é reforças os poderes do presidente para mandar autocraticamente na Turquia por mais dez anos.
No poder desde 2003, Erdogan não poderia se candidatar a um quarto mandato de chefe de governo. Tido como islamita moderado, ele se tornou mais radical nos últimos anos, desagradando a classe média urbana que teme a islamização do país, mas se elege com os votos do eleitorado conservador do interior da Turquia.
Sob seu governo, a Turquia triplicou o produto interno bruto, mas as longas negociações para aderir à União Europeia estagnaram, em parte pela oposição da França, empurrando Erdogan para uma postura mais oriental. Seu sonho é estender a influência da Turquia pelo antigo Turquestão, que inclui as antigas repúblicas de maioria muçulmana da União Soviética.
Em seu projeto de restaurar a glória do Império Otomano, dissolvido no fim da Primeira Guerra Mundial, Erdogan tentou reconstruir um quartel numa das últimas áreas verdes do centro de Istambul, a maior cidade do país, deflagrando uma onda de protestos no ano passado.
Nem isso nem as denúncias de corrupção envolvendo diretamente o presidente eleito e seu filho abalaram a popularidade de Erdogan entre o eleitorado conservador do interior do país. Seu plano agora é reforças os poderes do presidente para mandar autocraticamente na Turquia por mais dez anos.
Estado Islâmico mata 500 yázidis
A milícia extremista muçulmana Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) matou pelo menos 500 pessoas e escravizou cetenas de mulheres da minoria curda yázidi no Norte do Iraque, denunciou hoje um ministro iraquiano citado pela agência Reuters. Dezenas de milhares de pessoas estão fugindo da região, onde todas as minorias religiosas estão sendo perseguidas.
Nos últimos dias, os Estados Unidos começaram a bombardear posições do EIIL. Hoje, fizeram o maior ataque. O objetivo é apoiar as tropas curdas que enfrentam os jihadistas a cerca de 30 km de Erbil, a capital do Curdistão iraquiano.
Nos últimos dias, os Estados Unidos começaram a bombardear posições do EIIL. Hoje, fizeram o maior ataque. O objetivo é apoiar as tropas curdas que enfrentam os jihadistas a cerca de 30 km de Erbil, a capital do Curdistão iraquiano.
sábado, 9 de agosto de 2014
EUA podem bombardear Iraque durante meses
A Força Aérea dos Estados Unidos pode bombardear a milícia jihadista Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) durante meses, declarou hoje em pronunciamento à nação o presidente Barack Obama, informa o jornal The New York Times.
Obama prometeu manter os ataques enquanto for necessário para proteger os direitos humanos das minorias religiosas perseguidas pelo EIIL e "proteger interesses americanos".
A anarquia e a guerra civil no Iraque são consequências da invasão americana de 2003, ordenada pelo presidente George Walker Bush para derrubar o ditador Saddam Hussein. O país nunca voltou à normalidade, e a minoria sunita, que estava no poder com Saddam, sente-se discriminada. Em algumas cidades, os sunitas, descontentes com o governo do primeiro-ministro xiita Nuri al-Maliki, apoiaram os jihadistas.
Obama prometeu manter os ataques enquanto for necessário para proteger os direitos humanos das minorias religiosas perseguidas pelo EIIL e "proteger interesses americanos".
A anarquia e a guerra civil no Iraque são consequências da invasão americana de 2003, ordenada pelo presidente George Walker Bush para derrubar o ditador Saddam Hussein. O país nunca voltou à normalidade, e a minoria sunita, que estava no poder com Saddam, sente-se discriminada. Em algumas cidades, os sunitas, descontentes com o governo do primeiro-ministro xiita Nuri al-Maliki, apoiaram os jihadistas.
Iraque envia avião com munição para forças curdas
Numa atitude sem precedentes, o governo do Iraque mandou um avião de transporte militar C-130 carregado de munição para armas leves para as forças curdas, os peshmerga que enfrentam a ofensiva do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) no Norte do país.
Em Washington, o governo dos Estados Unidos anunciou estar articulando com o governo federal em Bagdá e com o governo regional do Curdistão iraquiano mais remessas de armas e munições para conter os jihadistas do EIIL, uma dissidência da rede terrorista Al Caeda surgida em 2012 durante a guerra civil na Síria.
Depois de dominar parte do Leste da Síria, os jihadistas lançaram uma ofensiva nas regiões de maioria sunita e curda do Iraque, e estão discriminando todas as minorias religiosas nas áreas sob seu controle.
Em Washington, o governo dos Estados Unidos anunciou estar articulando com o governo federal em Bagdá e com o governo regional do Curdistão iraquiano mais remessas de armas e munições para conter os jihadistas do EIIL, uma dissidência da rede terrorista Al Caeda surgida em 2012 durante a guerra civil na Síria.
Depois de dominar parte do Leste da Síria, os jihadistas lançaram uma ofensiva nas regiões de maioria sunita e curda do Iraque, e estão discriminando todas as minorias religiosas nas áreas sob seu controle.
sexta-feira, 8 de agosto de 2014
Nigéria declara estado de emergência contra ebola
Por recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS), a Nigéria declarou hoje estado de emergência nacional para tentar conter a epidemia da febre hemorrágica ebola que atinge a África Ocidental. A OMS declarou que ebola é uma "emergência global".
O presidente Goodluck Jonathan liberou o equivalente a US$ 11,6 milhões para o combate à doença. Sete nigerianos foram infectados até agora. Dois morreram. Como a Nigéria tem a maior população da África, grandes concentrações humanas e uma infraestrutura de saúde precária, o risco é enorme.
A situação é pior nos três primeiros países atingidos pela doença, Guiné, Libéria e Serra Leoa.
O presidente Goodluck Jonathan liberou o equivalente a US$ 11,6 milhões para o combate à doença. Sete nigerianos foram infectados até agora. Dois morreram. Como a Nigéria tem a maior população da África, grandes concentrações humanas e uma infraestrutura de saúde precária, o risco é enorme.
A situação é pior nos três primeiros países atingidos pela doença, Guiné, Libéria e Serra Leoa.
EUA bombardeiam Estado Islâmico no Iraque
A Força Aérea dos Estados Unidos lançou hoje duas ondas de bombardeio contra os extremistas muçulmanos do Estado Islâmico do Iraque e do Levante (EIIL) perto da cidade de Erbil, a capital do Curdistão iraquiano, onde há um consulado americano.
No primeiro ataque, duas bombas de 500 quilos foram jogadas contra posições de artilharia dos jihadistas, que estao a apenas 30 quilômetros da cidade. No segundo, os alvos foram colunas de rebeldes que marchavam rumo a Erbil. O presidente Barack Obama justificou os bombardeios como necessários para "evitar um genocídio".
Ontem, a Força Aérea dos EUA jogou comida e alimentos para cerca de 40 mil pessoas da povo yazidi, perseguido pelo EIIL, que está atacando todas as minorias religiosas e ameaçando matar quem não se converter ao Islã. Os cristãos foram expulsos de Mossul, e o alvo agora é o povo yazidi, que professa o zoroastrismo, uma antiga religião nascida no Irã considerada diabólica pelos extremistas.
Hoje o EIIL tomou a maior usina hidrelétrica do Norte do Iraque.
No primeiro ataque, duas bombas de 500 quilos foram jogadas contra posições de artilharia dos jihadistas, que estao a apenas 30 quilômetros da cidade. No segundo, os alvos foram colunas de rebeldes que marchavam rumo a Erbil. O presidente Barack Obama justificou os bombardeios como necessários para "evitar um genocídio".
Ontem, a Força Aérea dos EUA jogou comida e alimentos para cerca de 40 mil pessoas da povo yazidi, perseguido pelo EIIL, que está atacando todas as minorias religiosas e ameaçando matar quem não se converter ao Islã. Os cristãos foram expulsos de Mossul, e o alvo agora é o povo yazidi, que professa o zoroastrismo, uma antiga religião nascida no Irã considerada diabólica pelos extremistas.
Hoje o EIIL tomou a maior usina hidrelétrica do Norte do Iraque.
Chile não negocia saída para o mar para Bolívia
Depois de um encontro com o vice-ministro de Relações Exteriores da Bolívia, Juan Carlos Alurralde, o ministro do Exterior do Chile, Heraldo Muñoz, declarou que seu país está pronto a negociar a integração econômica com o país vizinho, mas não disputas marítimas e territoriais, revelou ontem a revista chilena América Economía.
A Bolívia perdeu a saída para o mar para o Chile na Guerra do Pacífico (1879-83). Desde então, tenta romper com a mediterraneidade e recuperar a saída para o mar. O país tem até uma Marinha, estacionada no Lago Titicaca. O presidente Evo Morales recorreu até à Corte Internacional de Justiça das Nações Unidas, com sede em Haia, na Holanda.
A Bolívia perdeu a saída para o mar para o Chile na Guerra do Pacífico (1879-83). Desde então, tenta romper com a mediterraneidade e recuperar a saída para o mar. O país tem até uma Marinha, estacionada no Lago Titicaca. O presidente Evo Morales recorreu até à Corte Internacional de Justiça das Nações Unidas, com sede em Haia, na Holanda.
Obama autoriza ataques aéreos a jihadistas no Iraque
O presidente Barack Obama autorizou hoje a Força Aérea dos Estados Unidos a bombardear o grupo extremista muçulmano Estado Islâmico do Iraque e do Levante, se os jihadistas atacarem os soldados americanos que tentam dar ajuda de emergência ao povo yazidi, isolado nas montanhas e ameaçado pela "guerra santa" e pela sede. Eles também se aproximam de Erbil, a capital do Curdistão iraquiano, onde há um consulado americano.
Desde que assumiu o controle de algumas áreas sunitas do Norte do Iraque, o EIIL faz uma campanha de erradicação das minorais. Os cristãos que não se converteram ao islamismo tiveram de fugir para não serem mortos. O mesmo destino espera os yazidis, um povo que segue o zoroastrismo, uma antigo religião monoteísta surgida no Irã.
Cerca de 40 mil yazidis estão isolados no alto de uma montanha perto da fronteira com a Síria. Várias crianças já teriam morrido de sede.
Desde que assumiu o controle de algumas áreas sunitas do Norte do Iraque, o EIIL faz uma campanha de erradicação das minorais. Os cristãos que não se converteram ao islamismo tiveram de fugir para não serem mortos. O mesmo destino espera os yazidis, um povo que segue o zoroastrismo, uma antigo religião monoteísta surgida no Irã.
Cerca de 40 mil yazidis estão isolados no alto de uma montanha perto da fronteira com a Síria. Várias crianças já teriam morrido de sede.
Rússia dá três anos de residência a Snowden
O ex-funcionário subcontratado pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos Edward Snowden, que revelou a existência de grandes programas de espionagem via telefone e Internet e se exilou na Rússia, ganhou uma extensão de seu visto de residência por mais três anos a partir de 1º de agosto de 2014, anunciou ontem seu advogado.
Quando a espionagem foi denunciada, Snowden fugiu para Hong Kong e de lá para Moscou, onde ficou alguns dias no aeroporto até receber asilo. Agora, com a pior crise entre a Rússia e os Estados Unidos depois da Guerra Fria, causada pela intervenção militar russa na Ucrânia,
Quando a espionagem foi denunciada, Snowden fugiu para Hong Kong e de lá para Moscou, onde ficou alguns dias no aeroporto até receber asilo. Agora, com a pior crise entre a Rússia e os Estados Unidos depois da Guerra Fria, causada pela intervenção militar russa na Ucrânia,
quinta-feira, 7 de agosto de 2014
Rússia proíbe importações agrícolas dos EUA e UE
O primeiro-ministro Dimitri Medvedev anunciou hoje que a Rússia vai proibir a importação de uma série de produtos agropecuários da Austrália, do Canadá, dos Estados Unidos, da União Europeia e da Noruega pelo período de um ano.
Entre os produtos proibidos, carne de gado, porcos e aves, pescado, frutas, legumes, leite e derivados. O Brasil pode se beneficiar suprindo parte do que deixará de ser comprado pelos países que adotaram sanções contra a Rússia em retaliação contra a intervenção militar russa na Ucrânia.
Entre os produtos proibidos, carne de gado, porcos e aves, pescado, frutas, legumes, leite e derivados. O Brasil pode se beneficiar suprindo parte do que deixará de ser comprado pelos países que adotaram sanções contra a Rússia em retaliação contra a intervenção militar russa na Ucrânia.
Dois líderes do Khmer Vermelho pegam prisão perpétua
Dois líderes do regime comunista do Khmer Vermelho, que aterrorizou o Camboja de 1975 a 1978, Khieu Shamphan e Noun Chea, foram condenados hoje à prisão perpétua por crimes contra a humanidade. A denúncia apresentada a um tribunal cambojano criado pelas Nações Unidas inclui as mortes de 20 mil vietnamitas e 100 a 500 mil muçulmanos da minoria cham.
Noun Chea, hoje com 88 anos, era vice-líder do falecido Pol Pot e ideológo do regime, que adotou políticas de Ano Zero, tentando apagar todo o passado supostamente corrupto. Khieu Shampan era o presidente do Camboja, mas o poder estava concentrado no supremo líder. Eles foram condenados por assassinatos em massa, tortura e perseguição política.
O regime genocida de Pol Pot, de orientação maoísta radical, é acusado pela morte de cerca de 2 milhões de pessoas. Tomou o poder em 16 de abril de 1975, duas semanas antes da queda de Saigon, que unificou o vizinho Vietnã e expulsou as últimas forças dos Estados Unidos da antiga Indochina Francesa.
Uma invasão vietnamita no Natal de 1978 acabou com a ditadura de Pol Pot, que caiu em 7 de janeiro de 1979. Dez anos depois, com o fim da Guerra, houve uma série de negociações de paz pelo mundo inteiro, inclusive no Sudeste Asiático. Em 1989, as forças do Vietnã deixaram o Camboja.
Noun Chea, hoje com 88 anos, era vice-líder do falecido Pol Pot e ideológo do regime, que adotou políticas de Ano Zero, tentando apagar todo o passado supostamente corrupto. Khieu Shampan era o presidente do Camboja, mas o poder estava concentrado no supremo líder. Eles foram condenados por assassinatos em massa, tortura e perseguição política.
O regime genocida de Pol Pot, de orientação maoísta radical, é acusado pela morte de cerca de 2 milhões de pessoas. Tomou o poder em 16 de abril de 1975, duas semanas antes da queda de Saigon, que unificou o vizinho Vietnã e expulsou as últimas forças dos Estados Unidos da antiga Indochina Francesa.
Uma invasão vietnamita no Natal de 1978 acabou com a ditadura de Pol Pot, que caiu em 7 de janeiro de 1979. Dez anos depois, com o fim da Guerra, houve uma série de negociações de paz pelo mundo inteiro, inclusive no Sudeste Asiático. Em 1989, as forças do Vietnã deixaram o Camboja.
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quarta-feira, 6 de agosto de 2014
Máfia russa rouba 1,2 bilhão de senhas
Uma máfia da Rússia roubou a maior quantidade de identidades digitais da história. São 1,2 bilhões de nomes de usuários e respectivas senhas, e mais de 500 mil endereços de correio eletrônico, revelou a empresa de segurança na Internet Hold Security, de Milwaukee, nos Estados Unidos.
Os dados foram pirateados em 420 mil sítios de grandes, médias e pequenas empresas com negócios na rede mundial de computadores.
"Os hackers não visaram só empresas americanas, atacaram todo sítio que puderam, das 500 maiores empresas da lista da revista Forbes até pequenos sítios", declarou Alex Holdon, fundador e diretor de segurança da Hold Security, ao jornal The New York Times.
Os dados foram pirateados em 420 mil sítios de grandes, médias e pequenas empresas com negócios na rede mundial de computadores.
"Os hackers não visaram só empresas americanas, atacaram todo sítio que puderam, das 500 maiores empresas da lista da revista Forbes até pequenos sítios", declarou Alex Holdon, fundador e diretor de segurança da Hold Security, ao jornal The New York Times.
Itália volta a cair em recessão
Com uma queda inesperada de 0,2% no produto interno bruto do segundo trimestre de 2014, depois de uma baixa de 0,1% no primeiro trimestre, a Itália entrou em recessão pela terceira vez desde a Grande Recessão mundial de 2008-9, anunciou hoje o Istat, órgão oficial de estatísticas do país.
O ministro da Economia, Piero Carlo Padoan, negou que a Itália precise fazer ajustes orçamentários para conter o déficit nas contas públicas em no máximo 3% do PIB, como exige o pacto de sustentabilidade da Zona do Euro.
A terceira economia da Eurozona está praticamente estagnada desde que aderiu à união monetária europeia e adotou o euro como moeda, em 1999. O primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, se aliou ao presidente da França, François Hollande, para pressionar a Alemanha a adotar políticas de estímulo ao crescimento.
Enquanto a Alemanha lidera a expansão econômica e a Espanha se recupera, a Itália e a França não conseguem acelerar o crescimento e reduzir o desemprego elevado, especialmente entre jovens.
O ministro da Economia, Piero Carlo Padoan, negou que a Itália precise fazer ajustes orçamentários para conter o déficit nas contas públicas em no máximo 3% do PIB, como exige o pacto de sustentabilidade da Zona do Euro.
A terceira economia da Eurozona está praticamente estagnada desde que aderiu à união monetária europeia e adotou o euro como moeda, em 1999. O primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, se aliou ao presidente da França, François Hollande, para pressionar a Alemanha a adotar políticas de estímulo ao crescimento.
Enquanto a Alemanha lidera a expansão econômica e a Espanha se recupera, a Itália e a França não conseguem acelerar o crescimento e reduzir o desemprego elevado, especialmente entre jovens.
Holandeses dominam Nordeste e Nassau é aplaudido
Prestes a embarcar mais uma vez para o Recife, transcrevo aqui este texto escrito na primeira viagem a Pernambuco, publicado no Correio do Povo, de Porto Alegre, em 10 dezembro de 1978:
Por volta de 1530, Dom João III, rei de Portugal, percebe que colonizar é a melhor maneira para garantir o domínio sobre suas possessões na América. Institui, então, o sistema de capitanias hereditárias e recomenda aos donatários que introduzam a agricultura como forma de fixar o homem à terra. O açúcar é um produto em ascensão no mercado internacional e a cana, já plantada com sucesso nas ilhas da Madeira e dos Açores, logo se adapta aos solo fértil da Zona da Mata nordestina. O Brasil lidera a produção mundial e Pernambuco se torna a capitania mais florescente da colônia no século 16. Cem anos mais tarde, quando o Brasil está sob o domínio espanhol, esse mesmo açúcar atrai a cobiça dos holandeses, que invadem o Nordeste em 1624-25 e 1630-54. Nesse período, o conde Maurício de Nassau, mais mercenário do que príncipe, inicia o desenvolvimento do Recife, como governador dos territórios ocupados. As relíquias desse passado histórico em que o açúcar foi a mercadoria mais importante do comércio marítimo mundial estão em Olinda e Recife.
À época do descobrimento do Brasil, todas as atenções de Portugal se voltam para o Oriente, onde o comércio das especiarias atinge o apogeu. Ninguém quer saber do Brasil, a não ser os traficantes de madeira. Pelo sistema de capitanias, o rei cede alguns direitos ao mesmo tempo em que passa os encargos financeiros com transporte e povoação aos donatários.
Poucos se candidatam. Segundo a História Econômica do Brasil, de Caio Prado Jr., entre os 12 pretendentes não figura nenhum nome da grande nobreza e do alto comércio - são todos indivíduos de pequena expressão econômica e social.
AÇÚCAR
O açúcar é o grande negócio. Em 1440, uma arroba (15 quilos) vale 18,30 gramas de ouro em Londres. Como não existe o hábito de consumi-lo, o desenvolvimento da produção logo traz a queda nos preços. Portugal já é o maior produtor e o Brasil assume essa condição entre suas colônias.
Duarte Pereira Coelho, donatário de Pernambuco, é homem de armas com experiência em navegações. Jovem, em 1519, vai à Índia. Em 1516-17, desempenha missão diplomática no distante e desconhecido reino do Sião. Navega o mar da China e percorre as costas da África, passando a comandar a frota guarda-costas do Brasil, quando conhece a futura capitania de Pernambuco, em 1530, durante lutas contra índios em Igaraçu.
Cinco anos depois, Duarte Coelho recebe a Fortaleza de Pernambuco, que tem esse nome porque um extenso recife passa rente à praia, com uma abertura para dar vazão às aguas dos rios Capibaribe e Beberibe (em tupi, parana puca significa mar furado).
TRADIÇÃO
Mais preocupado com a defesa militar do que com o comércio (homem de armas, confiava nelas), o donatário transfere a feitoria para uma colina na margem esquerda do Beberibe, lugar de bela paisagem. Surge a primeira capital de Pernambuco, Olinda, assim batizada porque um colonizador teria se maravilhado com a vista e exclamado: "Ó linda!" - segunda a versão do Frei Vicente Salvador, consagrada pela tradição oral.
Junto ao porto natural, existe uma povoação desde 1927, mas o Recife é fundado oficialmente em 12 de março de 1537 com o nome de Arrecife dos Navios, espremido entre os rios e o mar, com seus armazéns, suas tendas vagabundas e a vulgaridade de seus comerciantes - contrastando com a aristocrática Olinda dos nobres senhores de engenho.
A cana assume seu papel. Lentamenta a agroindústria dá seus primeiros passos na planície do Beberibe. Os engenhos passam de 23 em 1576 para 50 dez anos depois e na virada do século são mais de 100. Em 1583, foram exportadas 3 mil arrobas de açúcar.
INVASÃO
Com a morte de Dom Sebastião, rei de Portugal, em 1580, sem deixar sucessor, Felipe II, da Espanha, reivindica e leva a coroa portuguesa, disse se aproveitando a Holanda, inimiga da Espanha, para invadir o Brasil com a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, empresa colonizadora e exploradora. O primeiro alvo é Salvador, que como capital da colônia era bem fortificada, reage e repele o invasor em um ano com o apoio de uma esquadra luso-espanhola.
Com 3.780 marinheiros e 3.500 homens bem armados em 35 naus, 15 iates, 35 chalupas e duas embarcações capturadas, os holandeses atacam Pernambuco, "a mais rica das províncias ultramarinas portuguesas". Em 13 de fevereiro de 1630, o almirante Lonch avista Olinda, mas o governador Matias de Albuquerque protege o porto. Enquanto Lonch visa os fortes do Recife de longe, Wardenburch desembarca 3 mil homens ao norte, onde hoje fica o Forte Pau Amarelo, guiado por um cristão novo (judeu convertido), Antônio Dias Papa-robalos.
Explica-se: O fantasma da Inquisição apavora a Espanha e suas colônias, e o Brasil há havia recebido a Visitação do Santo Ofício em 1591-5. Para os judeus, a presença holandesa seria tranquilizadora. Atacando violentamente pelo lado norte, desguarnecido, os holandeses incendeiam e destroem Olinda.
PRÍNCIPE
O Recife é escolhido para capital da Nova Holanda em função da importância do porto para o comércio, principal interesses dos acionistas da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, uma multinacional da época. As capitanias de Itamaracá, Paraíba e Rio Grande são dominadas. Para consolidar suas posições, a empresa nomeia governador-geral o conde João Maurício de Nassau-Siegen.
Segundo o historiador Hélio Vianna, Nassau não passa de um fidalgo alemão que recebe honrarias de príncipe do Principado de Nassau-Siegen, parte do Sacro Império Romano-Germânico, em 1674, muito depois de deixar o Brasil, sem no entanto jamais ter reinado sobre terra alguma. Não é, portanto, da família real holandesa, mas, sim, "um ex-combatente da Guerra dos Trinta Anos, como outros mercenários que a Cia. das Índias Ocidentais enviou para a América".
O mesmo Hélio Vianna entende que não foi o administrador extraordinário que alguns pretendem: inteligente, procura desempenhar bem sua missão, embora sempre atendendo às conveniências meramente utilitárias da empresa.
Talvez pensando em viver na América, Nassau constroi um palácio, planta 700 coqueiros e outras árvores frutíferas, parreirais para fazer vinho na Ilha de Itamaracá. Dá liberdade religiosa aos judeus e a outras minorias perseguidas para atrair migrantes. Sua obra mestra é a Ponte dos Arcos, que custa 100 mil florins e liga as ilhas do Recife e de Santo Antônio, onde cria a Cidade Maurícia. Além disso constroi o porto, antes natural.
Mas os acionistas da Companhia das Índias Ocidentais queriam remessas de lucros e não despesas com colônias distantes. Em 1644, Nassau é chamado para prestar contas. Antes de partir, é carregado em triunfo nos braços do povo, que soube reconhecer sua preocupação com o desenvolvimento e não apenas com a exploração. Durante seu governo (1937-44), houve florescimento das artes, mas os engenhos nunca funcionaram como antes de 1630.
INSURREIÇÃO
A volta de Nassau deteriora a ocupação holandesa. Portugal, independente da Espanha desde 1640, apoiava decisivamente a expulsão do invasor. Organiza-se a Insurreição Pernambucana, fato histórico apontado como primeira manifestação do sentimento nacionalista no Brasil.
Os pretos de Henrique Dias, os índios de Felipe Camarão, os portugueses liderados pelo poderoso senhor de engenho João Fernandes Vieira e os brasileiros de André Vidal de Negreiros se unem sob a chefia do mestre de campo e marechal Francisco Barreto, nomeado pelo rei Dom João IV.
A vitória decorre de duas derrotas sofridas pelos holandeses em batalhas nos Montes Guararapes, a primeira em 18 de abril de 1648 e a segunda em 18 de fevereiro de 1649. Debilitados, os invadores ainda resistem cinco anos até a rendição final, assinada na Campina da Taborda, atrás do Forte das Cinco Pontas, no centro do Recife, em 1654.
Por volta de 1530, Dom João III, rei de Portugal, percebe que colonizar é a melhor maneira para garantir o domínio sobre suas possessões na América. Institui, então, o sistema de capitanias hereditárias e recomenda aos donatários que introduzam a agricultura como forma de fixar o homem à terra. O açúcar é um produto em ascensão no mercado internacional e a cana, já plantada com sucesso nas ilhas da Madeira e dos Açores, logo se adapta aos solo fértil da Zona da Mata nordestina. O Brasil lidera a produção mundial e Pernambuco se torna a capitania mais florescente da colônia no século 16. Cem anos mais tarde, quando o Brasil está sob o domínio espanhol, esse mesmo açúcar atrai a cobiça dos holandeses, que invadem o Nordeste em 1624-25 e 1630-54. Nesse período, o conde Maurício de Nassau, mais mercenário do que príncipe, inicia o desenvolvimento do Recife, como governador dos territórios ocupados. As relíquias desse passado histórico em que o açúcar foi a mercadoria mais importante do comércio marítimo mundial estão em Olinda e Recife.
À época do descobrimento do Brasil, todas as atenções de Portugal se voltam para o Oriente, onde o comércio das especiarias atinge o apogeu. Ninguém quer saber do Brasil, a não ser os traficantes de madeira. Pelo sistema de capitanias, o rei cede alguns direitos ao mesmo tempo em que passa os encargos financeiros com transporte e povoação aos donatários.
Poucos se candidatam. Segundo a História Econômica do Brasil, de Caio Prado Jr., entre os 12 pretendentes não figura nenhum nome da grande nobreza e do alto comércio - são todos indivíduos de pequena expressão econômica e social.
AÇÚCAR
O açúcar é o grande negócio. Em 1440, uma arroba (15 quilos) vale 18,30 gramas de ouro em Londres. Como não existe o hábito de consumi-lo, o desenvolvimento da produção logo traz a queda nos preços. Portugal já é o maior produtor e o Brasil assume essa condição entre suas colônias.
Duarte Pereira Coelho, donatário de Pernambuco, é homem de armas com experiência em navegações. Jovem, em 1519, vai à Índia. Em 1516-17, desempenha missão diplomática no distante e desconhecido reino do Sião. Navega o mar da China e percorre as costas da África, passando a comandar a frota guarda-costas do Brasil, quando conhece a futura capitania de Pernambuco, em 1530, durante lutas contra índios em Igaraçu.
Cinco anos depois, Duarte Coelho recebe a Fortaleza de Pernambuco, que tem esse nome porque um extenso recife passa rente à praia, com uma abertura para dar vazão às aguas dos rios Capibaribe e Beberibe (em tupi, parana puca significa mar furado).
TRADIÇÃO
Mais preocupado com a defesa militar do que com o comércio (homem de armas, confiava nelas), o donatário transfere a feitoria para uma colina na margem esquerda do Beberibe, lugar de bela paisagem. Surge a primeira capital de Pernambuco, Olinda, assim batizada porque um colonizador teria se maravilhado com a vista e exclamado: "Ó linda!" - segunda a versão do Frei Vicente Salvador, consagrada pela tradição oral.
Junto ao porto natural, existe uma povoação desde 1927, mas o Recife é fundado oficialmente em 12 de março de 1537 com o nome de Arrecife dos Navios, espremido entre os rios e o mar, com seus armazéns, suas tendas vagabundas e a vulgaridade de seus comerciantes - contrastando com a aristocrática Olinda dos nobres senhores de engenho.
A cana assume seu papel. Lentamenta a agroindústria dá seus primeiros passos na planície do Beberibe. Os engenhos passam de 23 em 1576 para 50 dez anos depois e na virada do século são mais de 100. Em 1583, foram exportadas 3 mil arrobas de açúcar.
INVASÃO
Com a morte de Dom Sebastião, rei de Portugal, em 1580, sem deixar sucessor, Felipe II, da Espanha, reivindica e leva a coroa portuguesa, disse se aproveitando a Holanda, inimiga da Espanha, para invadir o Brasil com a Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, empresa colonizadora e exploradora. O primeiro alvo é Salvador, que como capital da colônia era bem fortificada, reage e repele o invasor em um ano com o apoio de uma esquadra luso-espanhola.
Com 3.780 marinheiros e 3.500 homens bem armados em 35 naus, 15 iates, 35 chalupas e duas embarcações capturadas, os holandeses atacam Pernambuco, "a mais rica das províncias ultramarinas portuguesas". Em 13 de fevereiro de 1630, o almirante Lonch avista Olinda, mas o governador Matias de Albuquerque protege o porto. Enquanto Lonch visa os fortes do Recife de longe, Wardenburch desembarca 3 mil homens ao norte, onde hoje fica o Forte Pau Amarelo, guiado por um cristão novo (judeu convertido), Antônio Dias Papa-robalos.
Explica-se: O fantasma da Inquisição apavora a Espanha e suas colônias, e o Brasil há havia recebido a Visitação do Santo Ofício em 1591-5. Para os judeus, a presença holandesa seria tranquilizadora. Atacando violentamente pelo lado norte, desguarnecido, os holandeses incendeiam e destroem Olinda.
PRÍNCIPE
O Recife é escolhido para capital da Nova Holanda em função da importância do porto para o comércio, principal interesses dos acionistas da Companhia Holandesa das Índias Ocidentais, uma multinacional da época. As capitanias de Itamaracá, Paraíba e Rio Grande são dominadas. Para consolidar suas posições, a empresa nomeia governador-geral o conde João Maurício de Nassau-Siegen.
Segundo o historiador Hélio Vianna, Nassau não passa de um fidalgo alemão que recebe honrarias de príncipe do Principado de Nassau-Siegen, parte do Sacro Império Romano-Germânico, em 1674, muito depois de deixar o Brasil, sem no entanto jamais ter reinado sobre terra alguma. Não é, portanto, da família real holandesa, mas, sim, "um ex-combatente da Guerra dos Trinta Anos, como outros mercenários que a Cia. das Índias Ocidentais enviou para a América".
O mesmo Hélio Vianna entende que não foi o administrador extraordinário que alguns pretendem: inteligente, procura desempenhar bem sua missão, embora sempre atendendo às conveniências meramente utilitárias da empresa.
Talvez pensando em viver na América, Nassau constroi um palácio, planta 700 coqueiros e outras árvores frutíferas, parreirais para fazer vinho na Ilha de Itamaracá. Dá liberdade religiosa aos judeus e a outras minorias perseguidas para atrair migrantes. Sua obra mestra é a Ponte dos Arcos, que custa 100 mil florins e liga as ilhas do Recife e de Santo Antônio, onde cria a Cidade Maurícia. Além disso constroi o porto, antes natural.
Mas os acionistas da Companhia das Índias Ocidentais queriam remessas de lucros e não despesas com colônias distantes. Em 1644, Nassau é chamado para prestar contas. Antes de partir, é carregado em triunfo nos braços do povo, que soube reconhecer sua preocupação com o desenvolvimento e não apenas com a exploração. Durante seu governo (1937-44), houve florescimento das artes, mas os engenhos nunca funcionaram como antes de 1630.
INSURREIÇÃO
A volta de Nassau deteriora a ocupação holandesa. Portugal, independente da Espanha desde 1640, apoiava decisivamente a expulsão do invasor. Organiza-se a Insurreição Pernambucana, fato histórico apontado como primeira manifestação do sentimento nacionalista no Brasil.
Os pretos de Henrique Dias, os índios de Felipe Camarão, os portugueses liderados pelo poderoso senhor de engenho João Fernandes Vieira e os brasileiros de André Vidal de Negreiros se unem sob a chefia do mestre de campo e marechal Francisco Barreto, nomeado pelo rei Dom João IV.
A vitória decorre de duas derrotas sofridas pelos holandeses em batalhas nos Montes Guararapes, a primeira em 18 de abril de 1648 e a segunda em 18 de fevereiro de 1649. Debilitados, os invadores ainda resistem cinco anos até a rendição final, assinada na Campina da Taborda, atrás do Forte das Cinco Pontas, no centro do Recife, em 1654.
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Minhas primeiras impressões do Recife
Esta reportagem, feita na minha primeira viagem ao Recife, foi publicada no Correio do Povo, de Porto Alegre, em 10 de dezembro de 1978:
RECIFE - É no Parque Nacional dos Guararapes, que diversas placas assinalam ser o local onde nasceu o Exército Brasileiro e o sentimento nacionalista, o desejo de integração nacional, que começa o roteiro histórico da visita a Recife e Olinda.
Do alto daquelas colinas cobertas por coqueiros, no município de Jaboatão, no Grande Recife, se tem um amplo panorama da capital pernambucana e cidades vizinhas. De um lado, fica a colonial Olinda e do outro o distrito industrial de Jaboatão, ao fundo o mar o no meio a concentração urbana do Recife.
A Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres, de 1782, substitui uma capela mandada construir em 1656 pelo mestre-de-campo e general Francisco Barreto em homenagem à padroeira do dia em que foi conquistada a vitória final contra os holandeses, 27 de janeiro de 1654. Seu estilo é barroco, com o altar-mor todo trabalhado em madeira entalhada.
CANHÕES
Ao redor da igreja, árvores de frutas da terra - abacate, manga, sapoti, banana - realçam a beleza do lugar. Durante as obras para a abertura das pistas asfaltadas que levam ao Parque dos Guararapes, foram encontrados canhões provavelmente usados nas batalhas. Foram restaurados e estão ali para mostrar que a área foi um campo de batalha. Também foram encontrados cadáveres com medalhas penduradas no pescoço, mas estas foram para museus em São Paulo.
O Recife é uma cidade pobre que recebe milhares de migrantes afugentados do interior pelas secas nordestinas e não tem emprego para eles. Então, garotos rondam os pontos turísticos na tentativa de ganhar alguns trocados. O Parque dos Guararapes está cheio deles. Decoram meia dúzia de informações históricas e as reproduzem apressadamente, em tom de voz mecânico. Confusos, se repetem e atropelam modinhas - mas de qualquer forma espelham uma realidade social, ainda que incômoda para os que pretendem apresentar o Nordeste de hoje como uma região progressista que abandona os problemas do passado.
Pelas ruas e avenidas que se percorre até chegar ao centro, as visões da pobreza se reproduzem casa por casa. São os mocambos do Recife, moradia dos severinos que o sertão repeliu.
No Centro, passsa-se pelo Forte das Cinco Pontas e pela Campina da Taborda a caminho da Igreja de São Pedro dos Clérigos, a mais rica em barroco no Brasil e também a mais alta. Seu teto conserva as pinturas originais de João de Deus Sepúlveda.
PONTE
As grandes obras de Maurício de Nassau estão na Ilha de Santo Antônio, onde hoje se situa o comércio popular do Recife. Destacam-se o Palácio das Torres e a Ponte dos Arcos. Esta última foi uma obra milionária, concluída em 1643. Entretanto, os recifenses contam que ninguém queria atravessá-la porque Nassau instituiu uma espécie de pegádio.
Mas o representante holandês era inteligente e sabia manobrar a vontade popular. Espalhou a notícia de que um boi voava do outro lado da ponte. Para alimentar as ilusões, fez um boi de cortiça e pano, e levantou-o com cordas. Resultado: todos passavam e pagavam a taxa com satisfação.
Além disso, Nassau colocou pedras sobre os arrecifes naturais para fortalecer o porto. Canhões fincados em pé serviam para amarrar os navios.
Para o guia turístico, Pernambuco é pioneiro em tudo no Brasil. Teve o primeiro parlamento, a primeira faculdade de direito e a primeira televisão educativa, agora também a primeira em cores. Só não se iludam se ele disser que foi o Diário de Pernambuco foi o primeiro jornal impresso no Brasil, pois foi a Gazeta do Rio de Janeiro, na época de Dom João VI, em 1808. O Diário de Pernambuco é apenas o mais antigo em atividade.
Como não poderia deixar de ser, o ufanismo pernambucano se manifesta também na voz dos locutores de rádio. A Rádio Jornal do Comércio dá o prefixo e anuncia estar transmitindo em quatro diferentes frequências de ondas curtas: "Não há distância que nos separe."
Talvez as maiores relíquias históricas do Recife estejam no Museu e Convento da Ordem Terceira de São Francisco, na Rua do Imperador. Ali fica a Capela Dourada, toda resplandescente de tanto ouro que reveste as formas barrocas em estilo rococó esculpidas em cedro. Do século 18, é a obra máxima do período em que o açúcar concedeu aos senhores de engenho a supremacia econômica dentro do Brasil Colônia.
Ao lado, existe o Museu Franciscano de Arte Sacra, rico em esculturas, paramentos e peças de igrejas, com castiças e cálices em ouro e prata.
PATRIMÔNIO
A parte antiga de Olinda está totalmente tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (e hoje também pela ONU como patrimônio da humanidade).
As casas grudadas umas às outras, as ruas aladeiradas e estreita constituem uma paisagem que dá ares de Salvador. Na Rua Bernardo Vieira de Melo, o antigo Mercado da Ribeira, onde eram negociados os escravos, agora é usado por artesãos. As ruínas do antigo Senado resistem, embora só reste um paredão.
O casarão colonial onde viveu João Fernandes Vieira, na Rua de São Bento, com dois andares, varanda e jardim ao lado, também merece uma parada. A Igreja de São Pedro dos Clérigos de Olinda (1590) é mais antiga do que a do Recife; entretanto, sua arquitetura sofreu diversas alterações com o tempo, As portas esculpidas em madeira mantêm o aspecto original.
Mas é na frente do Mosteiro de São Bento e da Igreja de Nossa Senhora da Misericórdia (1540) que se abre um panorama que justifica a exclamação "Ó linda!", que teria sido, segundo a tradição oral, a origem do nome da cidade. O aspecto de cidade grande e moderna do Recife se contrapõe à quietude colonial das igrejas que emergem por entre os coqueiros das colinas de Olinda.
INCÊNDIO
A parede frontal da Igreja da Misericórdia foi enegrecida pelas chamas quando os holandeses incendiaram Olinda, testemunha até hoje aquela agressão. Mas o prédio resistiu e foi reconstruído por Nassau.
Já o Mosteiro de São Bento (1599) foi erguido onde antes havia uma ermida a São Roque. Obra-prima do barroco brasileiro, sediou o primeiro curso de Direito do país e hoje abriga a Faculdade de Ciências Humanas de Olinda.
A Rua de São Francisco é uma ladeira íngreme que leva até o primeiro convento franciscano do Brasil, em estilo barroco rococó, com claustro decorado com azulejos portugueses. Dentro dele, está a Igreja de Nossa Senhora das Neves, muito antiga, do tempo dos holandeses. A pintura original ainda não foi restaurada.
Outro prédio histórico que vale a pena conhecer em Olinda é o seminário, antigo colégio jesuíta situado na parte norte da cidade velha, por onde os holandeses atacaram por ser o flanco menos protegido. Seu estilo é clássico, quinhentista.
Descendo para a parte plana, chega-se à Nova Olinda, que antigamente seria submersa e hoje está seriamente ameaçada pelas ressacas. Os bares, restaurantes e boates limitam-se uns aos outros na beira-mar. É uma zona residencial e de veraneio, com os edifícios disputando os espaços palmo a palmo como em Copacabana.
Alguns quilômetros mais ao norte, quando as construções de alvenaria dão lugar às choupanas de pau-a-pique e sapê cobertas por palha de coqueiros, no local onde os holandeses desembarcaram em 1630, fica o Forte Pau Amarelo, já no município vizinho de Paulista. Construção portuguesa de 1719, é um excelente local para terminar o passeio dando uma caminhada pela areia, por entre jangadas e coqueiros, observandoo pôr-do-sol.
RECIFE - É no Parque Nacional dos Guararapes, que diversas placas assinalam ser o local onde nasceu o Exército Brasileiro e o sentimento nacionalista, o desejo de integração nacional, que começa o roteiro histórico da visita a Recife e Olinda.
Do alto daquelas colinas cobertas por coqueiros, no município de Jaboatão, no Grande Recife, se tem um amplo panorama da capital pernambucana e cidades vizinhas. De um lado, fica a colonial Olinda e do outro o distrito industrial de Jaboatão, ao fundo o mar o no meio a concentração urbana do Recife.
A Igreja de Nossa Senhora dos Prazeres, de 1782, substitui uma capela mandada construir em 1656 pelo mestre-de-campo e general Francisco Barreto em homenagem à padroeira do dia em que foi conquistada a vitória final contra os holandeses, 27 de janeiro de 1654. Seu estilo é barroco, com o altar-mor todo trabalhado em madeira entalhada.
CANHÕES
Ao redor da igreja, árvores de frutas da terra - abacate, manga, sapoti, banana - realçam a beleza do lugar. Durante as obras para a abertura das pistas asfaltadas que levam ao Parque dos Guararapes, foram encontrados canhões provavelmente usados nas batalhas. Foram restaurados e estão ali para mostrar que a área foi um campo de batalha. Também foram encontrados cadáveres com medalhas penduradas no pescoço, mas estas foram para museus em São Paulo.
O Recife é uma cidade pobre que recebe milhares de migrantes afugentados do interior pelas secas nordestinas e não tem emprego para eles. Então, garotos rondam os pontos turísticos na tentativa de ganhar alguns trocados. O Parque dos Guararapes está cheio deles. Decoram meia dúzia de informações históricas e as reproduzem apressadamente, em tom de voz mecânico. Confusos, se repetem e atropelam modinhas - mas de qualquer forma espelham uma realidade social, ainda que incômoda para os que pretendem apresentar o Nordeste de hoje como uma região progressista que abandona os problemas do passado.
Pelas ruas e avenidas que se percorre até chegar ao centro, as visões da pobreza se reproduzem casa por casa. São os mocambos do Recife, moradia dos severinos que o sertão repeliu.
No Centro, passsa-se pelo Forte das Cinco Pontas e pela Campina da Taborda a caminho da Igreja de São Pedro dos Clérigos, a mais rica em barroco no Brasil e também a mais alta. Seu teto conserva as pinturas originais de João de Deus Sepúlveda.
PONTE
As grandes obras de Maurício de Nassau estão na Ilha de Santo Antônio, onde hoje se situa o comércio popular do Recife. Destacam-se o Palácio das Torres e a Ponte dos Arcos. Esta última foi uma obra milionária, concluída em 1643. Entretanto, os recifenses contam que ninguém queria atravessá-la porque Nassau instituiu uma espécie de pegádio.
Mas o representante holandês era inteligente e sabia manobrar a vontade popular. Espalhou a notícia de que um boi voava do outro lado da ponte. Para alimentar as ilusões, fez um boi de cortiça e pano, e levantou-o com cordas. Resultado: todos passavam e pagavam a taxa com satisfação.
Além disso, Nassau colocou pedras sobre os arrecifes naturais para fortalecer o porto. Canhões fincados em pé serviam para amarrar os navios.
Para o guia turístico, Pernambuco é pioneiro em tudo no Brasil. Teve o primeiro parlamento, a primeira faculdade de direito e a primeira televisão educativa, agora também a primeira em cores. Só não se iludam se ele disser que foi o Diário de Pernambuco foi o primeiro jornal impresso no Brasil, pois foi a Gazeta do Rio de Janeiro, na época de Dom João VI, em 1808. O Diário de Pernambuco é apenas o mais antigo em atividade.
Como não poderia deixar de ser, o ufanismo pernambucano se manifesta também na voz dos locutores de rádio. A Rádio Jornal do Comércio dá o prefixo e anuncia estar transmitindo em quatro diferentes frequências de ondas curtas: "Não há distância que nos separe."
Talvez as maiores relíquias históricas do Recife estejam no Museu e Convento da Ordem Terceira de São Francisco, na Rua do Imperador. Ali fica a Capela Dourada, toda resplandescente de tanto ouro que reveste as formas barrocas em estilo rococó esculpidas em cedro. Do século 18, é a obra máxima do período em que o açúcar concedeu aos senhores de engenho a supremacia econômica dentro do Brasil Colônia.
Ao lado, existe o Museu Franciscano de Arte Sacra, rico em esculturas, paramentos e peças de igrejas, com castiças e cálices em ouro e prata.
PATRIMÔNIO
A parte antiga de Olinda está totalmente tombada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (e hoje também pela ONU como patrimônio da humanidade).
As casas grudadas umas às outras, as ruas aladeiradas e estreita constituem uma paisagem que dá ares de Salvador. Na Rua Bernardo Vieira de Melo, o antigo Mercado da Ribeira, onde eram negociados os escravos, agora é usado por artesãos. As ruínas do antigo Senado resistem, embora só reste um paredão.
O casarão colonial onde viveu João Fernandes Vieira, na Rua de São Bento, com dois andares, varanda e jardim ao lado, também merece uma parada. A Igreja de São Pedro dos Clérigos de Olinda (1590) é mais antiga do que a do Recife; entretanto, sua arquitetura sofreu diversas alterações com o tempo, As portas esculpidas em madeira mantêm o aspecto original.
Mas é na frente do Mosteiro de São Bento e da Igreja de Nossa Senhora da Misericórdia (1540) que se abre um panorama que justifica a exclamação "Ó linda!", que teria sido, segundo a tradição oral, a origem do nome da cidade. O aspecto de cidade grande e moderna do Recife se contrapõe à quietude colonial das igrejas que emergem por entre os coqueiros das colinas de Olinda.
INCÊNDIO
A parede frontal da Igreja da Misericórdia foi enegrecida pelas chamas quando os holandeses incendiaram Olinda, testemunha até hoje aquela agressão. Mas o prédio resistiu e foi reconstruído por Nassau.
Já o Mosteiro de São Bento (1599) foi erguido onde antes havia uma ermida a São Roque. Obra-prima do barroco brasileiro, sediou o primeiro curso de Direito do país e hoje abriga a Faculdade de Ciências Humanas de Olinda.
A Rua de São Francisco é uma ladeira íngreme que leva até o primeiro convento franciscano do Brasil, em estilo barroco rococó, com claustro decorado com azulejos portugueses. Dentro dele, está a Igreja de Nossa Senhora das Neves, muito antiga, do tempo dos holandeses. A pintura original ainda não foi restaurada.
Outro prédio histórico que vale a pena conhecer em Olinda é o seminário, antigo colégio jesuíta situado na parte norte da cidade velha, por onde os holandeses atacaram por ser o flanco menos protegido. Seu estilo é clássico, quinhentista.
Descendo para a parte plana, chega-se à Nova Olinda, que antigamente seria submersa e hoje está seriamente ameaçada pelas ressacas. Os bares, restaurantes e boates limitam-se uns aos outros na beira-mar. É uma zona residencial e de veraneio, com os edifícios disputando os espaços palmo a palmo como em Copacabana.
Alguns quilômetros mais ao norte, quando as construções de alvenaria dão lugar às choupanas de pau-a-pique e sapê cobertas por palha de coqueiros, no local onde os holandeses desembarcaram em 1630, fica o Forte Pau Amarelo, já no município vizinho de Paulista. Construção portuguesa de 1719, é um excelente local para terminar o passeio dando uma caminhada pela areia, por entre jangadas e coqueiros, observandoo pôr-do-sol.
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terça-feira, 5 de agosto de 2014
Presidente das Avós da Praça de Maio encontra neto
Depois de 36 anos, a presidente da organização de defesa dos direitos humanos Avós da Praça de Maio, Estela de Carlotto, encontrou seu neto. Sua filha, Laura Carlotto, morreu na prisão durante a guerra suja da ditadura militar da Argentina contra as esquerdas, em junho de 1978, dois meses depois do nascimento de Guido.
"O resultado é positivo. Encontramos o meu sobrinho", festejou hoje Kivo Carlotto, irmão de Laura e secretário de Direitos Humanos da província de Buenos Aires. "Ele se apresentou voluntariamente, fez o teste de DNA e deu 99,9% de compatibilidade. É uma emoção enorme", acrescentou o tio em entrevista ao canal de televisão Todo Noticias.
Guido foi batizado pela família que o adotou como Ignacio Hurban. É músico, noticia o jornal argentino Clarín.
Sem alternativa para reencontrar seus filhos, em 1977, as mães dos sequestrados e desaparecidos pela ditadura militar argentina passaram a se encontrar e circular toda quinta-feira pela Praça de Maio, diante da Casa Rosada, sede do governo, com lenços brancos na cabeça com o nome dos filhos. Como os filhos desses filhos também desapareceram, em outubro de 1977, surgia o movimento das Avós da Praça de Maio.
Guido Carlotto é o 111º neto resgatado pelas Avós da Praça de Maio de um total de mais de 500 bebês e crianças raptados pela última ditadura militar argentina.
"O resultado é positivo. Encontramos o meu sobrinho", festejou hoje Kivo Carlotto, irmão de Laura e secretário de Direitos Humanos da província de Buenos Aires. "Ele se apresentou voluntariamente, fez o teste de DNA e deu 99,9% de compatibilidade. É uma emoção enorme", acrescentou o tio em entrevista ao canal de televisão Todo Noticias.
Guido foi batizado pela família que o adotou como Ignacio Hurban. É músico, noticia o jornal argentino Clarín.
Sem alternativa para reencontrar seus filhos, em 1977, as mães dos sequestrados e desaparecidos pela ditadura militar argentina passaram a se encontrar e circular toda quinta-feira pela Praça de Maio, diante da Casa Rosada, sede do governo, com lenços brancos na cabeça com o nome dos filhos. Como os filhos desses filhos também desapareceram, em outubro de 1977, surgia o movimento das Avós da Praça de Maio.
Guido Carlotto é o 111º neto resgatado pelas Avós da Praça de Maio de um total de mais de 500 bebês e crianças raptados pela última ditadura militar argentina.
África pede extensão de comércio preferencial aos EUA
Os dirigentes africanos que participam de 4 a 6 de agosto de 2014, em Washington, da conferência de Cúpula dos Líderes dos Estados Unidos e da África pediram ontem ao presidente Barack Obama a extensão de um programa que isenta certas importações de impostos para entrar no mercado americano.
"Perto de 95% das exportações sul-africanas para os EUA se beneficiam do regime de preferências", observou o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, em reunião na Câmara Americana de Comércio.
A Lei de Oportunidades de Crescimento na África, de 2000, expira em 2015. "Estamos certos de que, ao aprovar uma extensão da lei, os EUA apoiarão a integração, a industrialização e o desenvolvimento da infraestrutura no continente", acrescentou Zuma.
Filho de pai queniano, o presidente Barack Obama afirmou: "Não vejo os povos e países da África como um mundo à parte. Vejo a África como uma parte fundamental do nosso mundo interconectado - um parceiro dos EUA em prol do futuro que todos desejamos para todos os nossos. Esta parceria deve estar baseada na responsabilidade e no respeito mútuos."
Uma das maiores preocupações dos EUA é consolidar sua presença na África diante do rápido avanço dos interesses da China, ávida pelas matérias-primas do continente.
Em seu discurso, Obama observou que o volume de comércio dos EUA com toda a África é equivalente ao comércio do país com o Brasil, de pouco mais de US$ 60 bilhões no ano passado.
Para contrabalançar o impacto da Cúpula EUA-África, o presidente chinês, Xi Jinping, propôs hoje que as duas maiores economias do mundo se associem para desenvolver projetos de infraestrutura no continente africano.
"Perto de 95% das exportações sul-africanas para os EUA se beneficiam do regime de preferências", observou o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, em reunião na Câmara Americana de Comércio.
A Lei de Oportunidades de Crescimento na África, de 2000, expira em 2015. "Estamos certos de que, ao aprovar uma extensão da lei, os EUA apoiarão a integração, a industrialização e o desenvolvimento da infraestrutura no continente", acrescentou Zuma.
Filho de pai queniano, o presidente Barack Obama afirmou: "Não vejo os povos e países da África como um mundo à parte. Vejo a África como uma parte fundamental do nosso mundo interconectado - um parceiro dos EUA em prol do futuro que todos desejamos para todos os nossos. Esta parceria deve estar baseada na responsabilidade e no respeito mútuos."
Uma das maiores preocupações dos EUA é consolidar sua presença na África diante do rápido avanço dos interesses da China, ávida pelas matérias-primas do continente.
Em seu discurso, Obama observou que o volume de comércio dos EUA com toda a África é equivalente ao comércio do país com o Brasil, de pouco mais de US$ 60 bilhões no ano passado.
Para contrabalançar o impacto da Cúpula EUA-África, o presidente chinês, Xi Jinping, propôs hoje que as duas maiores economias do mundo se associem para desenvolver projetos de infraestrutura no continente africano.
Hamas inicia negociações indiretas com Israel
Um alto dirigente do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) anunciou hoje no Cairo que a delegação palestina vai começar negociações indiretas com Israel para transformar a trégua humanitária de 72 horas num cessar-fogo permanente. O governo israelense confirmou sua participação.
Israel não negocia diretamente como Hamas, que considera um grupo terrorista, a exemplo dos Estados Unidos e da União Europeia. Nos últimos dias, as forças israelenses saíram da Faixa de Gaza. Estão estacionadas do outro lado da fronteira, prontas para entrar em combate, se necessário.
Desde 8 de julho de 2014, pelo menos 1.834 palestinos, 64 soldados e três civis israelenses foram mortos nesta guerra. Pela estimativa da ONU, 80% dos palestinos mortos eram civis. Israel afirma que cerca de 900 eram militantes de grupos armados.
Na operação terrestre, o Exército de Israel destruiu 32 túneis clandestinos. O Hamas disparou mais de 3,3 mil foguetes contra território israelense, a maioria neutralizada pelo sistema de defesa antimísseis Domo de Ferro.
Com a trégua, os palestinos voltaram para procurar suas casas. Mais de 9 mil foram destruídas nas últimas semanas. Cerca de 70% dos poços de água e a única usina de energia elétrica do território foram destruídos.
Israel não negocia diretamente como Hamas, que considera um grupo terrorista, a exemplo dos Estados Unidos e da União Europeia. Nos últimos dias, as forças israelenses saíram da Faixa de Gaza. Estão estacionadas do outro lado da fronteira, prontas para entrar em combate, se necessário.
Desde 8 de julho de 2014, pelo menos 1.834 palestinos, 64 soldados e três civis israelenses foram mortos nesta guerra. Pela estimativa da ONU, 80% dos palestinos mortos eram civis. Israel afirma que cerca de 900 eram militantes de grupos armados.
Na operação terrestre, o Exército de Israel destruiu 32 túneis clandestinos. O Hamas disparou mais de 3,3 mil foguetes contra território israelense, a maioria neutralizada pelo sistema de defesa antimísseis Domo de Ferro.
Com a trégua, os palestinos voltaram para procurar suas casas. Mais de 9 mil foram destruídas nas últimas semanas. Cerca de 70% dos poços de água e a única usina de energia elétrica do território foram destruídos.
Chefão da F1 paga US$ 100 mi para não ser preso
Para escapar de um processo em que poderia ser condenado a até 10 anos de prisão, o poderoso-chefão da Fórmula 1, o empresário britânico Bernie Ecclestone, concordou em pagar uma multa da US$ 100 milhões à Justiça da Alemanha, a maior já aplicada no país num processo penal. O acordo causou protestos e acusações de que Ecclestone comprou sua inocência.
"A multa é numa quantia apropriada para satisfazer o interesse público no caso. A gravidade da possível culpa do réu não impede um acordo", defendeu-se o tribunal, que citou sua idade, 83 anos, e condições de saúde como atenuantes. Mas nem todo o mundo ficou satisfeito, observa o jornal americano The Wall St. Journal.
"Encerrar o caso em troca da maior multa jamais paga num processo criminal atinge o Estado de Direito e o senso de justiça", protestou Sabine Leutheusser-Schnarrenberger, que era ministra da Justiça da Alemanha até dezembro de 2013. "O sentido e o propósito de um processo penal não é poupar um rico de julgamento."
O valor da multa aponta a gravidade do crime, argumentou a ex-ministra: "O delito não pode ser menor se a multa é de US$ 100 milhões."
Para Silvia Schenk, chefe do grupo que examina os esportes na organização não governamental anticorrupção Transparência Internacional, "é um sinal arrasador para o público sobre como o sistema jurídico funciona se a F1 voltar a operar normalmente, um sinal desastroso."
Ecclestone tem uma fortuna estimada pela revista Forbes em US$ 4,2 bilhões. Era acusado de pagar US$ 44 milhões de propina a Gerhard Gribkowsky, que era membro do conselho administrativo do banco estadual alemão BayernLB. O diretor foi condenado a oito anos e meio de prisão em 2012 por aceitar o suborno para facilitar a venda de uma participação do banco de 47% nos negócios da F1, em 2006.
Com o arquivamento do processo, o chefão da F1 fica sem antecedentes criminais na Alemanha e pode continuar dirigindo o campeonato mundial de automobilismo. Ele tem uma semana para pagar a multa.
"A multa é numa quantia apropriada para satisfazer o interesse público no caso. A gravidade da possível culpa do réu não impede um acordo", defendeu-se o tribunal, que citou sua idade, 83 anos, e condições de saúde como atenuantes. Mas nem todo o mundo ficou satisfeito, observa o jornal americano The Wall St. Journal.
"Encerrar o caso em troca da maior multa jamais paga num processo criminal atinge o Estado de Direito e o senso de justiça", protestou Sabine Leutheusser-Schnarrenberger, que era ministra da Justiça da Alemanha até dezembro de 2013. "O sentido e o propósito de um processo penal não é poupar um rico de julgamento."
O valor da multa aponta a gravidade do crime, argumentou a ex-ministra: "O delito não pode ser menor se a multa é de US$ 100 milhões."
Para Silvia Schenk, chefe do grupo que examina os esportes na organização não governamental anticorrupção Transparência Internacional, "é um sinal arrasador para o público sobre como o sistema jurídico funciona se a F1 voltar a operar normalmente, um sinal desastroso."
Ecclestone tem uma fortuna estimada pela revista Forbes em US$ 4,2 bilhões. Era acusado de pagar US$ 44 milhões de propina a Gerhard Gribkowsky, que era membro do conselho administrativo do banco estadual alemão BayernLB. O diretor foi condenado a oito anos e meio de prisão em 2012 por aceitar o suborno para facilitar a venda de uma participação do banco de 47% nos negócios da F1, em 2006.
Com o arquivamento do processo, o chefão da F1 fica sem antecedentes criminais na Alemanha e pode continuar dirigindo o campeonato mundial de automobilismo. Ele tem uma semana para pagar a multa.
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