sábado, 10 de maio de 2014

Alemanha e França advertem Rússia sobre Ucrânia

Em declaração conjunta, os principais líderes da União Europeia, o presidente da França, François Hollande, e a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, advertiram o presidente Vladimir Putin que os referendos sobre a independência de partes da Ucrânia são "ilegais". Eles ameaçaram impor novas sanções à Rússia se os aliados do Kremlin impedirem a realização de eleições parlamentares e presidencial em 25 de maio de 2014.

Na autoproclamada República Popular de Donetsk, os preparativos para o referendo continuam, apesar de terem sido desautorizados por Putin, num recuo tático do homem-forte da Rússia.

Romênia fecha espaço aéreo para vice-primeiro-ministro da Rússia

A pedido dos Estados Unidos, a Romênia fechou seu espaço aéreo, negando passagem a um avião que transportava o vice-primeiro-ministro da Rússia, Dimitri Rogozin, de volta de uma viagem à região das Transnístria, parte da ex-república soviética da Moldova onde os russos são maioria e querem se unir a Moscou. A Ucrânia também impediu a passagem do avião.

Durante a Guerra Fria, a Romênia pertencia ao Bloco Soviético. Hoje, faz parte da União Europeia e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), duas organizações que o presidente russo, Vladimir Putin, considera associadas e hostis.

O governo romeno teme que a revolta insuflada pelo Kremlin na Ucrânia atinja a Transnístria, onde a comunidade russa local pede a separação da Ucrânia e a união com a Rússia.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

CNA vence eleições na África do Sul com 62%

Com 97% das urnas apuradas, o Congresso Nacional Africano venceu as eleições parlamentares na África do Sul como faz desde o fim da ditadura da minoria em branca, em 1994. Desta vez, na quinta vitória consecutiva obteve 62% dos votos.

Este resultado garante a reeleição pelo Parlamento do presidente Jacob Zuma, acusado em vários casos de corrupção e abuso de poder, para um segundo mandato de cinco anos.

Em segundo, ficou a Aliança Democrática, com 22%. Os Lutadores pela Liberdade Econômica, liderados pelo ex-chefe da ala jovem do CNA Julius Malema, expulso do partido de Nelson Mandela,

Putin apela ao triunfalismo na festa do Dia da Vitória

Ao presidir hoje em Moscou o desfile militar comemorativo da vitória da União Soviética sobre a Alemanha na Segunda Guerra Mundial, o presidente Vladimir Putin destacou a "força triunfal do patriotismo russo", lembrando o papel decisivo do Exército Vermelho.

Putin afirmou que a Rússia salvou a Europa do nazismo. Cerca de 27 milhões de soviéticos morreram na guerra, mas o apoio dos Estados Unidos e do Reino Unido foi determinante para garantir suprimentos, armas e munições à URSS.

Em seguida, Putin fez sua primeira visita à Crimeia desde que a península foi anexada à Rússia, em 17 de março de 2014. Lá, fez mais um de seus pronunciamentos ficcionistas afirmando que "tratamos todos os povos e países com respeito. Respeitamos seus interesses e direitos legais. Mas pedimos que todos tratem nossos interesses legais, inclusive a restauração de injustiças históricas e o direito à autodeterminação da mesma maneira".

Mesmo que a Crimeia tenha pertencido historicamente à Rússia desde que foi conquistada por Catarina a Grande, em 1783, foi doada pelo líder comunista soviético Nikita Kruschev à Ucrânia em 1954. Putin atropelou as regras básicas do sistema internacional ao ignorar a independência ucraniana e o Memorial de Budapeste, assinado em 1994, para que a Rússia ficasse com todas as armas nucleares da extinta URSS.

Em artigo nO Globo de sábado, Monica Herz e João Nogueira, diretores do Instituto de Relações Internacionais da PUC-RJ, consideraram inaceitável a violação de fronteiras internacionalmente reconhecidas, da soberania nacional da Ucrânia e do princípio da Carta das Nações Unidas que proíbe a guerra de conquista.

É uma vergonha o silêncio do governo brasileiro sobre a atuação abusiva da Rússia, que desrespeitou pontos-chaves da política externa do Brasil, como a solução pacífica dos conflitos, a soberania nacional e a não interferência nos assuntos internos de outros países.

A presidente Dilma Rousseff não quer melindrar o presidente russo para que Putin venha à Copa do Mundo e participe de uma reunião do grupo BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) marcada para Fortaleza em 15 e 16 de julho de 2014, logo depois do mundial de futebol. É um preço alto demais a pagar por uma aliança incerta.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Quem fala pela Europa?

Quando estava no poder, ironizando a desunião europeia, o secretário de Estado americano Henry Kissinger costumava dizer: "Quando eu quiser falar com a Europa, para que número ligo?" O problema não foi resolvido até hoje.

"Cada vez que a UE resolve criar indicar um representante cria um novo cargo. Hoje, são quatro", comentou a professora Vivian Schmidt, diretora do Centro de Estudos de Europa da Universidade de Boston: o presidente do Conselho Europeu (de líderes), no momento o primeiro-ministro da Grécia, Antonis Samaras; o presidente da Comissão Europeia, o português José Manuel Durão Barroso; o presidente executivo, o belga Herman van Rompuy; e a supercomissária de Comércio Exterior, a baronesa britânica Catherine Ashton.

Além desses quatro, há os 28 líderes dos governos nacionais, dificultando o processo de tomada de decisão e a expressão de uma voz comum, o que se explica porque a UE não é um Estado nacional. "Quando apresentou sua solução para a crise, [a primeira-ministra] Angela Merkel disse que era uma "solução alemã".

Há boas notícias, como a sobrevivência do euro e da UE à crise, a reforma da comissão, o aumento de poderes do Parlamento Europeu. Por outro lado, não foi aprovada uma nova regulamentação capaz de evitar futuras crises financeiras, os mercados podem entrar em pânico de novo, o crescimento é fraco e o desemprego está em 11,9%; "na Espanha, chega a 67% para mulheres jovens",  acrescentou Vivian Schmidt.

"O Sul da Europa continua em crise. O Norte da Europa acredita que a crise acabou. Além da crise da Ucrânia, o processo de tomada de decisões está em crise. Há um crescente intergovernamentalismo. Os líderes nacionais tomam a maioria das decisões", criticou a professora da Universidade de Boston ao participar da 3ª Conferência do Dia da Europa, realizada hoje no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro, pelas fundações Getúlio Vargas (FGV) e Konrad Adenauer (KAS).

Na sua opinião, a crise das dívidas públicas de países da periferia da Zona do Euro (Grécia, Irlanda, Portugal, Espanha e Itália) "não precisava ter acontecido". A crise das hipotecas de segunda linha começou em 2007 nos EUA.

"Até 2010, nada foi feito pela Grécia. Em julho de 2012, quando os mercados entraram em pânico, o presidente do Banco Central Europeu (BCE), Mario Draghi, interveio" prometendo comprar os títulos que o mercado rejeitava. "A Alemanha, potência hegemônica relutante, deveria ter assumido a liderança", lamentou Schmidt.

Além disso, a União virou uma espécie de bode expiatório dos governos nacionais: "A UE tem um problema terrível para se vender", constatou o professor Kai Enno Lehman, da Universidade de São Paulo. Sob pressão, torna-se reativa.

Ele também vê uma clara divisão Norte-Sul, problemas econômicos causadas pela receita de austeridade usada contra a crise, preconceitos contra imigrantes e avanço dos partidos de extrema direita.

"O Reino Unido tem uma economia diabolicamente desequilibrada. Oito de cada dez empregos gerados desde o ínicio da crise são em Londres e arredores, o que está agravando a crise habitacional. A Itália precisa reformar o sistema de impostos. A França precisa discutir a reforma da Previdência Social", notou Lehman.

Ele concluiu que é preciso ir além da crise e democratizar a UE, evitando "a tomada de decisões de cima para baixo todo o tempo".

"Crise da Ucrânia é um choque tremendo na UE"

A crise da Ucrânia foi um "choque externo tremendo" na União Europeia. Seus países deveriam aproveitar a oportunidade para perceber que têm "mais convergências do divergências", argumentou hoje professor Jolyon Howorth, do Jackson Institute for Global Affairs da Universidade de Yale, nos Estados Unidos.

Durante a 3ª Conferência do Dia da Europa, realizada no Itamaraty, no Rio de Janeiro, pela Fundação Konrad Adenauer (KAS) e a Fundação Getúlio Vargas (FGV), Howorth observou que a Primavera Árabe e a atual crise na Ucrânia foram alertas para levar adiante do projeto de integração da Europa.

Ao anexar a Crimeia, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, desafiou alguns princípios básicos da UE, como a solução pacífica dos conflitos na Europa, provocando reações distintas em vez de uma voz unida falando em nome do bloco. Também tentou violar as regras do mercado comum ao propor negociações diferentes para países distintos.

O conflito na Ucrânia também representa um desafio à segurança da Europa, que gasta com US$ 200 bihões por ano com defesa, mas desde 1945 vive sob o guarda-chuva nuclear dos EUA.

"A Rússia", comentou no mesmo painel o professor Taras Kuzio, do Centro de Estudos Políticos e Regionais da Universidade de Alberta, no Canadá, "se vê como equivalente à OTAN", a Organização do Tratado do Atlântico Norte, a aliança militar liderada pelos EUA.

Se a Rússia intervém militarmente na Ucrânia para impedir um acordo de associação com a UE, a Europa deve estar preparada para dar uma resposta.

"UE precisa de um Plano Marshall para emprego jovem"

Crescimento e emprego serão as prioridades da Itália ao assumir a presidência rotativa da União Europeia a partir de 1º de julho de 2014, afirmou hoje o professor Mario Telò, da Universidade Livre de Bruxelas, ao participar da 3ª Conferência do Dia da Europa, realizada no Palácio do Itamaraty, no Rio de Janeiro. Ele defendeu a "criação de um Plano Marshall para o emprego jovem".

O desemprego atinge 23% dos jovens europeus, mas as diferenças entre os países são enormes. A situação é pior na Grécia (58,3%), na Espanha (53,6%) e na Croácia (48,8%) e melhor na Alemanha (7,7%), na Áustria (9,4%) e Holanda (11,5%).

No encontro organizado pela Fundação Getúlio Vargas e a Fundação Konrad Adenauer, com apoio da Delegação da UE no Brasil, o professor Telò observou que não se pode esperar que haja como um país, já que não é um Estado nacional. Assim, com situações tão distintas, é difícil formular uma proposta comum.

Os nacionalismos falam mais alto, especialmente em tempos de crise, quando os cidadãos dos países mais ricos não querem pagar a conta, como se esquecessem que 8 de maio, o Dia da Europa, lembra a vitória dos aliados contra a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial.

Mais do que nunca, a UE corre o risco de desintegração por causa da iniciativa do primeiro-ministro britânico, David Cameron, de convocar um referendo inédito para decidir se o Reino Unido deve deixar o bloco europeu.

A mesma proposta é defendida por partidos de extrema direita que proliferaram com a crise. "Eles não gostam da Europa, mas gostam do dinheiro da UE", comentou o professor Telò, lembrando que eles participam do Parlamento Europeu, para o qual ganham mais votos do que nas eleições nacionais. Recebem seus salários e verbas.

Em artigo nesta semana no jornal Le Monde, o presidente da França, François Hollande, advertiu que "abandonar a Europa é abandonar a história".

Grande explosão destrói hotel em Alepo

Uma grande explosão em Alepo, a maior cidade da Síria, destruiu o Hotel Carlton Citadel, onde estavam acantonadas forças da ditadura de Bachar Assad. Pelo menos 14 soldados foram mortos.

Com a retirada dos rebeldes de Homs, a terceira maior cidade síria, Alepo passa a ser o principal campo de batalha. Os rebeldes têm sido duramente bombardeados desde dezembro, mas ainda tentam penetrar em áreas dominadas pelo governo.

Líder rebelde sírio pede armas aos EUA

O líder da Coalizão Nacional Síria, o grupo de oposição reconhecido pelas potências ocidentais, Ahmed Jarba, pediu armas hoje aos Estados Unidos para derrotar a ditadura de Bachar Assad, apoiada pela Rússia, o Irã e a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus).

Sem armas, alegou Jarba, os rebeldes não têm como mudar a correlação de forças no campo de batalha e forçar uma solução política. Mas, com a retirada de Homs, que era chamada de capital dos rebeldes, a questão é se a guerra está perdida.

Desde o início do conflito, há três anos e dois meses, os EUA relutam em armar os rebeldes temendo que as armas caiam nas mãos de grupos terroristas muçulmanos.

No ano passado, o presidente Barack Obama ameaçou bombardear alvos do governo sírio em retaliação pelo uso de armas químicas, mas recuou diante de um acordo mediado pela Rússia para que a Síria entregasse todo o arsenal químico, o que só fez parcialmente.

Novos pedidos de seguro-desemprego caem nos EUA

O número de novos pedidos de seguro-desemprego caiu em 26 mil no mês passado nos Estados Unidos para 319 mil na semana passada, um sinal de vitalidade do mercado de trabalho. As previsões de 52 economistas ouvidos pela agência de notícias Bloomberg eram de 325 mil.

Menos demissões indicam mais vagas e melhores salários. Embora a forte onda de contratações de abril, com saldo de 288 mil empregos, tenha sido atribuída ao fim do inverno rigoroso, "a melhora do mercado de trabalho continua a ser gradual", observou o economista americano Omair Sharif, da corretora RBS Securities.

Em depoimento ao Congresso na segunda-feira, a presidente da Reserva Federal (Fed), o banco central dos EUA, Janet Yellen, confirmou que a recuperação é firme e estável. Mas muitas empresas ainda aguardam um crescimento sustentado do consumo pessoal, responsável por 70% da economia do país.

Rebeldes sírios soltam presos e entregam Homs

Cerca de 400 rebeldes abandonaram ontem Homs, a terceira maior cidade da Síria, que já foi o principal foco da guerra civil contra a ditadura de Bachar Assad, e libertaram prisioneiros nas províncias de Alepo e Latakia como parte de um acordo com o regime.

A Frente al-Nusra, um grupo jihadista, estaria violando o acordo ao bloquear o acesso de comboios de ajuda humanitária em Alepo.

Mais de 150 mil pessoas foram mortas desde o início da guerra civil na Síria, em 15 de março de 2011, em meio à onda de revoltas chamada de Primavera Árabe.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

Boko Haram realiza novo massacre na Nigéria

Pelo menos 150 pessoas foram mortas num ataque do grupo extremista muçulmano Boko Haram contra a vila que servia de base para as operações de busca do Exército da Nigéria pelas 284 estudantes secundaristas raptadas pelos rebeldes. A ação levanta mais dúvidas sobre a capacidade do governo de enfrentar os terroristas ligados à rede Al Caeda.

O ataque começou por volta de 13h30 numa feira livre em Gamboru Ngala. Aos gritos de "Alá é grande!", os jihadistas desceram de veículos blindados, explodiram bombas e abriram fogo com granadas disparadas por morteiro, revólveres, fuzis de assalto e metralhadoras.

Algumas pessoas tentaram se refugiar em lojas, mas os terroristas tocaram fogo. Soldados nigerianos que não tinham como resistir fugiram para Camarões. Os rebeldes também cercaram uma delegacia durante 12 horas até explodirem o teto do prédio. Ao todo, 14 policiais foram mortos.

Um senador nigeriano disse à TV americana CNN que o total de mortos pode chegar a 300.

China faz planos para o colapso da Coreia do Norte

A República Popular da China fez planos de contingência para o colapso do regime comunista da Coreia do Norte, inclusive medidas para conter a entrada de refugiados e evitar que a agitação social se propague através da fronteira.

O Exército Popular de Libertação (EPL) elaborou os planos em meados de 2013, quando a situação do presidente Kim Jong Un parecia instável, depois que seu tio e preceptor foi expurgado e executado. Eles preveem a detenção dos líderes norte-coreanos e a instalação de campos de refugiados com no máximo 1,5 mil pessoas junto à fronteira.

Isso não quer dizer que o regime da Coreia do Norte esteja prestes a cair. "O EPL está fazendo o que todos os Exércitos fazem, planos de contingência" a serem acionados em caso de necessidade, declarou John Delury, especialista em Coreia do Norte da Universidade Yonsei, em Seul.

Muitos analistas acreditam que a China fará tudo para manter o regime stalinista de Pionguiangue e evitar a unificação da Península Coreana por causa da presença de forças dos Estados Unidos na Coreia do Sul. A retirada poderia ser uma precondição para a China aceitar a reunificação da Coreia.

Durante a Guerra da Coreia (1950-53), os EUA e a China travaram sua guerra particular, quando as forças internacionais lideradas pelos americanos cruzaram o paralelo 38º N com a intenção da reunificar a Península Coreana. Em setembro de 1950, as tropas chineses atravessaram o Rio Yalu e empurraram as forças dos EUA para o Sul, restaurando o status quo anterior à guerra.

Entre as várias hipóteses para explicar a intervenção militar chinesa naquela época, é considerada mais plausível a determinação de não ter forças dos EUA junto à sua fronteira. Nada indica que o EPL esteja disposta a aceitar isso agora que a China está se transformando numa superpotência.

Putin agora quer adiar referendos no Leste da Ucrânia

Depois de levar a Ucrânia à beira da guerra, o presidente Vladimir Putin recuou hoje: defendeu o adiamento dos plebiscito convocado para 11 de maio de 2014 sobre a independência da autoproclamada República Popular de Donetsk e outras cidades rebeladas, diminuiu os ataques à eleição presidencial de 25 de maio e afirmou que as tropas russas foram retiradas da fronteira entre os dois países. Os rebeldes prometem manter a consulta popular.

Dezenas de pessoas morreram nas revoltas insufladas pelo Kremlin há um mês no Leste e no Sul da ex-república soviética da Ucrânia, que Moscou insiste em manter sob seu controle. Os Estados Unidos disseram não ter evidências de que as forças russas estejam mesmo se desmobilizando.

Putin mudou de tática, mas não de objetivo estratégico: manter a influência da Rússia sobre toda a Ucrânia, sobre Kiev, que ele chamou de "mãe de todas as cidades russas" no discurso de anexação da Crimeia, em 17 de março de 2014.

O primeiro documento oficial da história russa é uma carta de Vladimir, príncipe de Kiev, adotando o cristianismo como religião oficial do que hoje se chama de Rússia Kievana. A Rússia nasceu em Kiev.

Assim, é pouco provável que Putin esteja interessado em partes da Ucrânia além da Crimeia, que pertencia à Rússia até 1954, quando foi doada pelo então secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética, o ucraniano Nikita Kruschev, porque isso não teria a menor importância. Na época, o fim da URSS era inimaginável.

Ao adiar os referendos, Putin ganha munição para retardar também as eleições parlamentares e presidencial marcadas para 25 de maio. Seu instrumento para manter a influência é uma federalização da Ucrânia, uma descentralização administrativa que esvaziaria o poder central.

Supremo Tribunal condena primeira-ministra da Tailândia

O Supremo Tribunal da Tailândia condenou hoje e suspendeu de suas funções a primeira-ministra Yingluck Shinawatra, acusada de violar a Constituição e abusar do poder ao demitir em 2011 o então chefe da Polícia Nacional, Thawil Pleansri, para nomear um primo em seu lugar.

Depois de meses de protesto da oposição exigindo sua queda, a decisão judicial volta a jogar o país numa grave crise política.

Yingluck é irmã do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, que foi derrubado e fugiu da Tailândia em 2006, sob denúncias de corrupção. Os oposicionistas sempre a acusaram de ser apenas um fantoche do irmão.

A classe média urbana monarquista de Bangkok os rejeita, mas eles ganham as eleições com os votos do interior, agrário e mais atrasado.

O chefe de governo interino será o ministro do Comércio, Niwatthamrong Boonsongphaisan. Depois da anulação das eleições de 2 de fevereiro de 2014, boicotadas pela oposição, foram convocadas novas eleições para 20 de julho.

Maior sítio de compras chinês lança ações nos EUA

A Alibaba, maior empresa de comércio eletrônico da China entrou ontem com pedido para fazer uma oferta inicial de ações nos Estados Unidos. Espera levantar pelo menos US$ 15 bilhões. Seu valor de mercado pode chegar a US$ 200 bilhões, ultrapassando de longe o Facebook.

Com 231 milhões de consumidores cadastrados, 30 mil funcionários e um faturamento anual de US$ 248 bilhões em 2013, Alibaba tem 80% do comércio eletrônico chinês, superando Amazon.com e eBay juntos.

O Yahoo tem uma participação acionária de 25% na Alibaba. Será um dos grandes beneficiários do lançamento em bolsa.

"Alibaba é a empresa de Internet que mais cresce numa das economias que mais crescem no mundo", comentou Samit Sinha, analista do B. Riley & Co., citado pelo jornal The New York Times.

Em maio de 2012, o Facebook levantou US$ 16 bilhões, mas logo as ações caíram. Só voltaram a subir quando os anúncios e o faturamento aumentaram. A maioria das pessoas não entra em redes sociais para ver propaganda.

Como Alibaba é uma empresa comercial numa economia prestes a se tornar a maior do mundo, sua escala e possibilidades de expansão são enormes.

terça-feira, 6 de maio de 2014

EUA já sentem impacto do aquecimento global

A nova Avaliação Nacional da Mudança do Clima, divulgada hoje pelo governo dos Estados Unidos, afirma que os americanos já estão sentindo os efeitos do aquecimento global em fenômenos climáticos radicais como a supertempestade Sandy, o rigoroso inverno, os tornados no Meio-Oeste, a seca e o número recorde de incêndios florestais em estados do Oeste, e a elevação do nível do mar no Leste de Norfolk a Miami.

"O relatório confirma um número de coisas quejá sabíamos", declarou a professora Katharine Hayhoe, da Universidade Politécnica do Texas, coautora de um dos capítulos. "Mas há novos aspectos. Por muito tempo, vimos a questão da mudança do clima como algo distante que afeta ursos polares e talvez seja uma preocupação para nossos filhos e netos. Isto mostra que não é apenas uma questão futura. É importante hoje. Muita gente está sentindo os efeitos."

Em 1896, a tese de que o aumento da concentração de gás carbônico na atmosfera por causa da Revolução Industrial levaria ao aquecimento global foi apresentada pela primeira vez pelo sueco Svante Arrhenius, um dos pais da química moderna, formulador da teoria sobre ácidos e bases e ganhador do Prêmio Nobel de Química de 1903.

 Nos EUA, a década iniciada em 2000 foi a mais quente da história, e 2012, ano de uma prolongada seca no verão e da supertempestade Sandy, o ano mais quente até hoje no país. A temperatura média é hoje 1,3ºC a 1,9ºC maior do que em 1895. A maior parte do aumento (80%) ocorreu nos últimos 44 anos.

EUA e Reino Unido ajudam Nigéria a encontrar meninas

Mais oito meninas foram sequestradas hoje no Nordeste da Nigéria, elevando para 284 o total de reféns tomadas pelo grupo terrorista muçulmano Boko Haram, que luta para implantar a lei islâmica na região. A Nigéria aceitou ajuda tecnológica dos Estados Unidos e do Reino Unido para tentar localizar as estudantes.

Sob intensa pressão, o governo nigeriano alega estar fazendo todo o possível, mas só ontem pediu ajuda internacional. As primeiras estudantes foram sequestradas à noite de uma escola em regime de internato da cidade de Chibok em 14 de abril de 2014.

Ontem, um líder do grupo divulgou um vídeo na Internet ameaçando vender as meninas como escravas. Boko Haram significa "a educação ocidental é pecaminosa". Pela ideologia do grupo, mulher deve casar e não estudar.

Em entrevista à televisão americana CNN, o escritor nigeriano Wole Soyinka, ganhar do Prêmio Nobel de Literatura, lamentou o atraso, o subdesenvolvimento e a ignorância dos militantes do Boko Haram, que comparou com o Exército de Libertação do Senhor, cristão, liderado pelo criminoso de guerra procurado vivo ou morto Joseph Kony: "A estupidez é fruto da ignorância, não da religião."

OCDE prevê aceleração do crescimento só em 2015

A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), um clube de países industrializados, reduziu hoje sua previsão de crescimento mundial para 2014 feita em novembro passado de 3,6% para 3,4%. Para 2015, foi mantida uma expectativa de aceleração para 3,9%. A expectativa para o Brasil foi rebaixada de 2,2% para 1,8% em 2014 e de 2,5% para 2,2% em 2015.

Na última edição de sua Perspectiva Econômica Mundial, divulgada hoje, a OCDE observa que a recuperação "ganhou dinamismo" nos países ricos, mas "persistem riscos significativos", no momento "mais equilibrados", distribuídos mais equitativamente entre países desenvolvidos, que voltam a crescer, e em desenvolvimento, que enfrentam uma desaceleração, como Brasil, China e Índia.

Para os BRIICS (Brasil, Rússia, Índia, Indonésia, China e África do Sul), a estimativa é de 5,3% em 2014 e 5,7% em 2015.

"A economia brasileira perdeu impulso, apesar da inflação permenecer renitentemente acima do centro da meta. A política monetária mais apertada, a menor demanda externa e as incertezas geradas pela eleição presidencial devem pesar sobre a atividade em 2014", entende a OCDE.

"Em 2015, o crescimento brasileiro deverá aumentar um pouco, mas com restrições persistentes de oferta, inclusive um mercado de trabalho apertado e a necessidade de políticas macroeconômicas para segurar a demanda doméstica", prevê o estudo.

O "grande desafio" da China, prestes a se tornar a maior economia do mundo pelas projeções do Banco Mundial, é administrar a desaceleração do crescimento espetacular das últimas décadas.

"A retomada da atividade deverá ser menos marcada na Zona do Euro, onde o desemprego vai continuar elevado e as pressões deflacionistas vão se dissipar lentamente", diz o relatório. "O reforço do saneamento orçamentário trará dinamismo ai crescimento do Japão", previsto para 1,2% neste ano e no próximo, mas a luta contra a deflação terá de continuar. A inflação deve chegar a 2,6% em 2014, mas baixar para 2% em 2015.

ONG denuncia tortura e repressão na Venezuela

Com brutalidade policial, tortura e ataques de milícias aliadas, o governo da Venezuela está atropelando os direitos humanos para reprimir a onda de manifestações contra o regime chavista do presidente Nicolás Maduro, denunciou ontem a organização não governamental Human Rights Watch (Observatório dos Direitos Humanos).

Pelo menos 40 pessoas foram mortas pela violência política desde 12 de fevereiro de 2014. A ONG cobra uma atuação mais decisiva da União das Nações Sul-Americanas (Unasul)

Ao combater os protestos da oposição, a polícia e a Guarda Nacional Bolivariana usam tanto armas letais quanto de efeito moral indiscriminadamente, além de espancar os manifestantes, diz o relatório Punidos por protestar: violações de direitos nas ruas, centros de detenção e no sistema judicial da Venezuela. Há prisões sem provas, justificativas ou mandado judicial. Os detidos são submetidos a torturas com choques e queimaduras.

"Chamam a atenção a virulência e a brutalidade da repressão, o fato de ser prolongada, o uso de civis armados, a negação do que está ocorrendo e a conivência da Justiça, especialmente do Ministério Público", declarou José Miguel Vivanco, diretor da HRW para a América. "É uma anomalia. Há comentários do presidente amplamente documentados que podem ser identificados como incitação à violência. Não é possível que ele não saiba o que está acontecendo."

As milícias chavistas agem com total liberdade e impunidade, acrescenta o relatório. Há pelo menos 13 casos de jornalistas perseguidos e agredidos, e suas fotos e vídeos, destruídas. O Poder Judiciário, dominado pelo regime, realiza julgamentos de madrugada. Não respeita prazos nem o direito à ampla defesa.

"Não são raras as manifestações por melhores condições de vida na região, como aconteceu no ano passado no Brasil, no Chile e no México. Também não é raro o uso excessivo da força pela polícia como aconteceu no Brasil, no Chile, no México e na Colômbia. Mas, quando houve excessos, presidente democráticos como Dilma Rousseff condenaram claramente a violação dos direitos humanos, uma situação bem distinta dos governantes da Venezuela", observou Vivanco.

Com a hiperinflação, o desabastecimento, um dos maiores índices de homicídio do mundo e agora também a violência política quotidiana, oito em cada vez venezuelanos consideram ruim a situação do país. A aprovação a Maduro caiu de 47% no início de fevereiro, antes do início da onda de protestos, para 37% em abril.

Para a HRW, o apoio do ex-presidente Lula à eleição de Maduro, em 2013, e o entusiasmo do assessor especial da Presidência da República para questões internacionais, Marco Aurélio Garcia, com os governos bolivaristas do subcontinente criam "sérios problemas de crebilidade" para a política externa brasileira.