Um tribunal da Turquia vetou hoje o projeto de reforma da Praça Taksim, uma das últimas áreas verdes do Centro de Istambul, a maior cidade do país.
A oposição às obras, que incluiriam um centro comercial e a reconstrução de um quartel do Império Otomano para ser um museu, gerou um grande movimento de protesto contra o primeiro-ministro islamita Recep Tayyip Erdogan, acusado de autoritarismo e de querer islamizar a Turquia.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
quarta-feira, 3 de julho de 2013
Irmandade Muçulmana denuncia golpe no Egito
Há um golpe de Estado em marcha no Egito, denunciou hoje o assessor de segurança nacional da Presidência. O prazo-limite dado pelos militares para que governo e oposição se entendam esgotou-se hoje às 11h30 pelo horário de Brasília.
As Forças Armadas ocuparam a televisão estatal e devem fazer um pronunciamento nas próximas horas. O presidente Mohamed Mursi estaria há seis horas em prisão domiciliar. Há notícias de que o ultimato para que os partidos políticos cheguem a um acordo seria prorrogado.
Outras fontes dizem que Mursi estaria no Ministério da Defesa, sob a proteção da guarda presidencial. O jornal francês Le Monde disse que ele foi proibido de sair do Egito.
Em entrevista à rede de televisão americana CNN, o escritor Naguib Abadir negou que se trate de um golpe de Estado, alegando que "é uma revolução contra um presidente que abusou do poder e tentou concentrar todos os poderes legislativos".
Nas ruas do Cairo, há gigantescas manifestações rivais: de um lado, as oposições secularistas; do outro, os partidos islâmicos que apoiam Mursi. Pelo menos 23 pessoas morreram e outras centenas saíram feridas dos confrontos das últimas horas.
Há movimento de tropas e blindados em Suez e no Sinai, onde veículos do Exército teriam sido colocados junto a mesquitas, temendo uma reação violenta dos islamitas.
A Irmandade Muçulmana promete não recuar diante da iniciativa dos militares de remover o primeiro presidente eleito da História do Egito. Um militante islamita disse à CNN que "o Exército não pode atirar contra a multidão".
Na Espanha em 1936, no Irã em 1953, no Sudão em 1989, na Argélia e no Tajiquistão em 1992, golpes militares contra líderes populares levaram a ditaduras e guerras civis. Na Argélia, que também fica no Norte da África, a anulação do segundo turno das eleições parlamentares que seriam vencidas pela Frente Islâmica de Salvação (FIS), em 1992, levou a uma guerra civil com mais de 100 mil mortes.
Os Estados Unidos estão preocupados. Como maior país árabe em população, com 85 milhões de habitantes, o Egito é líder do mundo árabe. O caos no país pode ser contagiado. Um ativista da Irmandade Muçulmana já ameaçou dar aos militares egípcios o "mesmo destino do Exército baathista de Assad", numa referência à guerra civil na Síria.
A derrubada do governo islamita egípcio, considerado moderado, prejudica os esforços internacionais para trazer os partidos muçulmanos radicais para o jogo político, evitando assim o recurso à violência e ao terrorismo. Ao depor Mursi, os militares egípcios deram poder às massas para exigir a queda de outros presidentes no futuro, criando um precedente perigoso.
As Forças Armadas ocuparam a televisão estatal e devem fazer um pronunciamento nas próximas horas. O presidente Mohamed Mursi estaria há seis horas em prisão domiciliar. Há notícias de que o ultimato para que os partidos políticos cheguem a um acordo seria prorrogado.
Outras fontes dizem que Mursi estaria no Ministério da Defesa, sob a proteção da guarda presidencial. O jornal francês Le Monde disse que ele foi proibido de sair do Egito.
Em entrevista à rede de televisão americana CNN, o escritor Naguib Abadir negou que se trate de um golpe de Estado, alegando que "é uma revolução contra um presidente que abusou do poder e tentou concentrar todos os poderes legislativos".
Nas ruas do Cairo, há gigantescas manifestações rivais: de um lado, as oposições secularistas; do outro, os partidos islâmicos que apoiam Mursi. Pelo menos 23 pessoas morreram e outras centenas saíram feridas dos confrontos das últimas horas.
Há movimento de tropas e blindados em Suez e no Sinai, onde veículos do Exército teriam sido colocados junto a mesquitas, temendo uma reação violenta dos islamitas.
A Irmandade Muçulmana promete não recuar diante da iniciativa dos militares de remover o primeiro presidente eleito da História do Egito. Um militante islamita disse à CNN que "o Exército não pode atirar contra a multidão".
Na Espanha em 1936, no Irã em 1953, no Sudão em 1989, na Argélia e no Tajiquistão em 1992, golpes militares contra líderes populares levaram a ditaduras e guerras civis. Na Argélia, que também fica no Norte da África, a anulação do segundo turno das eleições parlamentares que seriam vencidas pela Frente Islâmica de Salvação (FIS), em 1992, levou a uma guerra civil com mais de 100 mil mortes.
Os Estados Unidos estão preocupados. Como maior país árabe em população, com 85 milhões de habitantes, o Egito é líder do mundo árabe. O caos no país pode ser contagiado. Um ativista da Irmandade Muçulmana já ameaçou dar aos militares egípcios o "mesmo destino do Exército baathista de Assad", numa referência à guerra civil na Síria.
A derrubada do governo islamita egípcio, considerado moderado, prejudica os esforços internacionais para trazer os partidos muçulmanos radicais para o jogo político, evitando assim o recurso à violência e ao terrorismo. Ao depor Mursi, os militares egípcios deram poder às massas para exigir a queda de outros presidentes no futuro, criando um precedente perigoso.
terça-feira, 2 de julho de 2013
Mursi rejeita ultimato do Exército do Egito
Em discurso na televisão, o presidente Mohamed Mursi rejeitou a ultimato das Forças Armadas do Egito para chegar a um acordo com a oposição até amanhã para acabar com o impasse político. Ele insistiu que seu governo é legítimo e prometeu dar a vida para defendê-lo.
Pelo menos 23 pessoas foram mortas em confrontos entre oposicionistas e ativistas da Irmandade Muçulmana, de Mursi. Seis ministros pediram demissão, inclusive o porta-voz do presidente.
Os militares estariam prestes a dissolver o Parlamento e convocar novas eleições. Seu objetivo maior seria a formação de um governo de união nacional. Como convencer um país tão dividido? Eis a questão.
A Irmandade Muçulmana decidiu lutar pelo espaço político consultado. Apesar do fracasso do governo, concluiu que tem mais a ganhar se resistir do que se ceder.
Pelo menos 23 pessoas foram mortas em confrontos entre oposicionistas e ativistas da Irmandade Muçulmana, de Mursi. Seis ministros pediram demissão, inclusive o porta-voz do presidente.
Os militares estariam prestes a dissolver o Parlamento e convocar novas eleições. Seu objetivo maior seria a formação de um governo de união nacional. Como convencer um país tão dividido? Eis a questão.
A Irmandade Muçulmana decidiu lutar pelo espaço político consultado. Apesar do fracasso do governo, concluiu que tem mais a ganhar se resistir do que se ceder.
Snowden já pediu asilo a 21 países sem sucesso
A Índia rejeitou o pedido de asilo político do ex-técnico subcontratado pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos Edward Snowden, refugiado na área de trânsito do aeroporto Cheremetievo, em Moscou, depois de denunciar o programa de megaespionagem do governo americano via Internet chamado Prisma. Depois de pedir asilo a 21 países, inclusive o Brasil sem sucesso, Snowden acusa Washington de violar o direito de asilo.
Inicialmente Snowden tentou ir para o Equador, que abriga em sua embaixada em Londres o australiano Julian Assange, fundador do WikiLeaks, que estava com pedido de extradição para a Suécia, onde é suspeito de crimes sexuais. Em mais uma de suas bravatas, o presidente equatoriano, Rafael Correa, rompeu negociações comerciais com os EUA, mas não concedeu asilo, apesar dos apelos da Venezuela.
Na Rússia, o presidente Vladimir Putin advertiu que Snowden teria de parar de divulgar informações sigilosas do governo dos EUA se quiser ficar no país. Ele retirou o pedido de asilo.
Os líderes europeus ficaram furiosos com a revelação de que até mesmo governos aliados foram espionados. Na França, o presidente François Hollande ameaçou suspender o início de negociações para criar uma grande zona de livre comércio transatlântica, mas este é um projeto do interesse de todos.
Inicialmente Snowden tentou ir para o Equador, que abriga em sua embaixada em Londres o australiano Julian Assange, fundador do WikiLeaks, que estava com pedido de extradição para a Suécia, onde é suspeito de crimes sexuais. Em mais uma de suas bravatas, o presidente equatoriano, Rafael Correa, rompeu negociações comerciais com os EUA, mas não concedeu asilo, apesar dos apelos da Venezuela.
Na Rússia, o presidente Vladimir Putin advertiu que Snowden teria de parar de divulgar informações sigilosas do governo dos EUA se quiser ficar no país. Ele retirou o pedido de asilo.
Os líderes europeus ficaram furiosos com a revelação de que até mesmo governos aliados foram espionados. Na França, o presidente François Hollande ameaçou suspender o início de negociações para criar uma grande zona de livre comércio transatlântica, mas este é um projeto do interesse de todos.
Mídia ajuda mas pode atrapalhar processos de paz*
A visão liberal
normalmente pressupõe que o papel dos meios de comunicação de massa é sempre
positivo ao alimentar o debate político em sociedades democráticas. Um dos
pontos que vou defender aqui é que a
mídia ajuda ao criar consensos, mas pode atrapalhar, especialmente nas
negociações de paz em conflitos armados, quando pode cristalizar posições rivais em termos inconciliáveis.
O economista e filósofo indiano Amartya Sen, ganhador do
Prêmio Nobel de Economia em 2008, afirma que não há fome em massa em democracias. Nenhum governo democrático
resiste à imagem de uma criança morta diante do seio murcho de uma mãe
esquálida. Este é o poder da imagem,
uma força positiva.
DEMOCRACIAS NÃO LIBERAIS
Mas uma das
consequências da onda de democratização pós-Guerra Fria foi o surgimento de
democracias não liberais em países sem experiência democrática como os
antigos países comunistas, por exemplo, os que formavam a Iugoslávia ou
surgiram da dissolução da União Soviética, ou mais recentemente no arco andino
da América do Sul e no grande Oriente Médio.
Os meios de
comunicação controlados pelo poder central foram decisivos para manutenção do
poder por antigos hierarcas do regime comunista e pela ascensão de burocratas
convertidos em olicargas pelas privatizações escandalosas da era Boris Yeltsin.
Boris Berezovski foi um exemplo.
Sob Putin, a Rússia regrediu para um regime mais
autoritário. Acabaram as eleições diretas para governador, aumentou o controle
sobre a mídia e agora Putin quer se livrar das ONGs, tenta sufocar a sociedade
civil emergente.
Em Ruanda e na
Bósnia, a mídia foi decisiva para demonizar e desumanizar o inimigo, e assim
justificar massacres. Outro dia recebi um comentário em nome de Siria
Latinoamerica no meu blogue festejando a vitória das forças de Bachar Assad na
Batalha de Kussair. Prometia “exterminar os ratos” até a vitória final.
INTERVENÇÕES HUMANITÁRIAS
No plano global, o mundo pós-Guerra levou a ONU a organizar
várias operações de paz e a realizar intervenções para impor a paz. Surgiu uma
discussão sobre o direito de intervenção
por razões humanitárias, inicialmente chamado de direito de ingerência, hoje substituído pelo conceito de “responsabilidade de proteger”, mais
correto politicamente.
Uma questão central que se coloca aqui está num ensaio de
Peter Viggo JAKOBSEN, da Universidade de Aarhus, na Dinamarca, Interesse
Nacional, Humanitarismo ou a CNN: o que deflagra das operações de imposição da
paz depois da Guerra Fria?, publicado na revista Journal of Peace Research, do Instituto de Pesquisas sobre a Paz
Internacional de Oslo (PRIO), na Noruega.
O autor observa que só
houve uma operação de imposição da paz autorizada entre 1945 e 1990, a Guerra
da Coreia (1950-53), e analisa as intervenções no Kuwait, na Somália, em
Ruanda, no Haiti na primeira metade dos anos 90 com base em cinco critérios.
No momento em que os EUA relutam em intervir na Síria, por receio
do governo Barack Obama de entrar numa guerra sem solução logo depois de sair
do Iraque e enquanto tenta se retirar do Afeganistão, esse debate volta a ser
importante.
CRITÉRIOS DE ANÁLISE
A primeira questão é
a legitimidade e o apoio internacional. A aprovação pelo Conselho de Segurança da ONU indica um alto grau de consenso
que foi possível obter na Líbia, mas se revelou impossível quanto à Síria.
A segunda questão é
obter apoio doméstico, mais difícil no Ocidente pós-Guerra Fria por causa
da ausência de ameaças reais à segurança nacional, o que mudou um pouco depois
do 11 de setembro, mas numa escala muito menor.
Isso remete à terceira
questão: o papel da mídia. O chamado Fator
CNN tem um peso importante. A
televisão mostra imagens de atrocidades, os jornalistas fazem reportagens
dramáticas sobre as tragédias, comentaristas criticam o governo por tolerar
violações de direitos humanos protegidos pelo direito internacional e a opinião
pública pressiona.
Hoje não é só a CNN. Al
Jazira, por exemplo, revolucionou a
cobertura do mundo árabe, passou a mostrar os conflitos como o palestino de
um ponto de vista diferente. Teve um
papel fundamental na catalisação de uma opinião pública liberal e de esquerda
que deflagrou a Primavera Árabe.
A quarta questão se
refere ao interesse nacional, definido aqui como o cojnunto de interesses
estratégicos, econômicos e ideológicos. É sempre mais difícil a intervenção quando não há interesses nacionais
envolvidos. Por isso, o Kuwait foi libertado de Saddam Hussein enquanto
Ruanda foi abandonada à sua própria sorte.
A quinta questão é a probabilidade
de sucesso. Obama não quer colocar os americanos numa nova guerra no
Oriente Médio, uma guerra civil cada vez mais enquadrada no duelo regional
entre sunitas e xiitas.
O sucesso tem
aspectos militares e políticos. Sob o aspecto
militar, avalia-se a chance de
sucesso diante da expectativa de qual seria o custo aceitável em vidas humanas. Do ponto de vista político, além dos custos humano e econômico, interessam os objetivos.
LEGITIMIDADE E SUCESSO
Na Guerra do Golfo,
de 1991, havia uma razão clara que dava legitimidade internacional ao uso
da força. Pela primeira vez desde 1945,
um país-membro das Nações Unidas ocupou e anexou outro, negando-lhe o direito
de existir reconhecido internacionalmente.
O Conselho de Segurança aprovou a ação. Formou-se uma
coalizão de 30 países, inclusive a Argentina. O Brasil optou por não
participar.
Havia o interesse evidente de evitar que Saddam Hussein
atacasse a Arábia Saudita, o que lhe daria o controle sobre 40% das reservas
mundiais de petróleo conhecidas na época.
Os EUA contribuíram
com 541 mil dos 795 mil soldados da aliança (Freedman & Karsh, 1993).
Superestimaram a força do Iraque. Encomendaram 16 mil sacos plásticos para
cadáveres. Ainda estavam sob a Síndrome do Vietnã.
LIÇÕES DO VIETNÃ
A grande lição do
Vietnã é que os EUA não podem ir à
guerra sem apoio interno. Este apoio interno cai na medida em que a guerra
se alonga e/ou que comecem a chegar muitos corpos de soldados enrolados na
bandeia.
As lições do Vietnã estão consolidadas na chamada Doutrina Colin Powell. Para encurtar a
guerra e diminuir o número de baixas americanas, os EUA devem usar sua força
máxima, menos o arsenal nuclear, iniciando a guerra com ondas de
bombardeios aéreos devastadores.
Como a Guerra do Golfo de 1991 foi a primeira via CNN, o
governo George Herbert Walker Bush, pai, tentou impor um total controle da
informação. Havia duas coletivas por dia, uma do Pentágono, com seu videogame
da guerra, que mostrava o ataque, mas não a destruição, e a do porta-voz de
Saddam, que parecia totalmente fora da realidade. Quando queriam falar para o
mundo, Bush e Saddam usavam a CNN.
FATOR CNN
“A Guerra do Golfo
(1991) mostrou pela primeira vez na História que a TV pode substituir, com
muitas vantagem, os tradicionais canais diplomáticos, em casos de conflitos
armados”, afirma o jornalista uruguaio Jorge Gestoso, da CNN em espanhol. Tanto George Bush sr. quanto Saddam Hussein
usavam a televisão que inovou transmitindo notícias todo o tempo, quando
queriam falar para o mundo.
Gestoso entende que a guerra, de seis semanas, foi “o
conflito em que mais se tentou manipular a imprensa”. Nunca antes nenhum jornalista independente tinha deixado de entrar no
“teatro de operações”.
Tudo o que os jornalistas obtinham como
informação vinha de uma das partes envolvidas no conflito. E a CNN foi a única
emissora de TV ocidental autorizada a trabalhar no Iraque durante a guerra. Era
um canal de comunicação que Saddam queria para falar ao mundo. Para os
iraquianos, se dirigia através dos jornais do regime. Para falar ao mundo
árabe, usava a Rádio Bagdá.
A CNN transmitia duas
entrevistas coletivas por dia – uma dos iraquianos, outra do Pentágono. Na
guerra da informação, cada parte contava o que lhe interessava.
GUERRA SANITIZADA
Os aliados mostravam seus “bombardeios cirúrgicos”, o chamado videogame da guerra. Víamos que um míssil certeiro havia destruído uma ponte. Não sabíamos qual o destino das pessoas que pudessem ter sido feridas pela explosão. Depois soubemos que os bombardeios não foram tão precisos assim, apesar de sua impressionante precisão, e que os mísseis antimísseis Patriota falharam muito mais do que foi anunciado na época.
Os aliados mostravam seus “bombardeios cirúrgicos”, o chamado videogame da guerra. Víamos que um míssil certeiro havia destruído uma ponte. Não sabíamos qual o destino das pessoas que pudessem ter sido feridas pela explosão. Depois soubemos que os bombardeios não foram tão precisos assim, apesar de sua impressionante precisão, e que os mísseis antimísseis Patriota falharam muito mais do que foi anunciado na época.
Já os iraquianos
mostravam imagens de civis mortos e feridos e de instalações civis destruídas
pelo bombardeio dos EUA e aliados: fábricas, abrigos antiaéreos…
Uma das precauções da
CNN, conta Gestoso, era dizer que as
matérias eram submetidas à censura militar aliada ou iraquiana.
Os jornalistas americanos sofrem ainda com o rancor contra a
política externa dos EUA, especialmente no Oriente Médio, onde existe um forte
ressentimento porque Washington aplica dois pesos e duas medidas em relação ao
conflito árabe-israelense e ocupa militarmente países muçulmanos.
Gestoso se defende alegando que “a filosofia da CNN é que o
jornalista seja eticamente rigoroso com ele mesmo”. O modelo é o do jornalismo
americano, “tentar apresentar as histórias com todas as facetas possíveis. Que
o telespectador tire suas conclusões”.
Na América Latina,
acrescenta o jornalista uruguaio, “quando
alguém leva o jornalismo a fundo e a sério, aparecem as pressões, o risco de
perder o emprego, a família, a vida”.
“Tudo depende da
honestidade e da ética”, declara Gestoso, comentando que muitas vidas e
reputações de pessoas depois absolvidas pela Justiça foram destruídas por
jornalistas.
PAPA EM CUBA
Outro exemplo de manipulação da notícia citado por Gestoso
foi a visita do papa a Cuba: “O povo cubano está sofrendo enormemente com o
embargo econômico imposto pelos Estados Unidos. (…) Os cubanos queriam mostrar
ao mundo não só a visita do papa mas também o cotidiano do país.”(…) …o tiro
saiu pela culatra porque logo no primeiro dia da visita do papa surgiu nos EUA
o escândalo Monica Lewinsky x presidente Clinton”.
Cuba restringe o ingresso de jornalistas americanos na ilha.
De repente, convida todas as grandes redes: “Com a presença do papa em Cuba,
Fidel Castro buscava duas coisas: mostrar aos EUA que Cuba não está tão
isolada. (…) Ter um endosso de algum calibre do papa condenando o embargo era
muito importante para Fidel.”
O papa, por sua vez, aproveitou seus sermãos para divulgar
suas mensagem de respeito aos direitos humanos, de liberdade, direito à
religião, à liberdade de expressão: “Que Cuba se abra ao mundo e que o mundo se
abra a Cuba”, disse João Paulo II, tendo o cuidado de pedir primeiro uma
abertura no regime cubano, o que a rigor não pode desagradar aos EUA.
Gestoso diz ainda que o Exército Zapatista de Libertação
Nacional, dos índios de Chiapas, no Sul do México, usou a imprensa para romper
o cerco imposto pelo Exército convocando uma entrevista coletiva antes da
eleição do presidente Ernesto Zedillo, em 1994. O subcomandante Marcos revelou-se um hábil manipulador da mídia.
CENSURA MILITAR
Quando estourou um conflito de fronteiras entre Peru e
Equador, em 1995, a CNN foi convidada pelo mais fraco Equador para
cobrir o conflito. O Peru, então governado por Alberto Fujimori, negou
autorização. Deve-se cobrir um lado só?,
questiona Gestoso, para concluir que é
melhor a cobertura parcial do que nenhuma porque naturalmente Fujimori
estava querendo esconder algo. É
importante deixar sempre claro ao público que se cobre apenas um lado da guerra
porque o outro não deixa.
Na Guerra do Golfo de 1991, como nem o Iraque nem a coalizão
liderada pelos EUA permitia o trabalho de jornalistas, com algumas exceções e
sob censura militar, até a fase final da guerra a cobertura se baseava em
declarações oficiais.
Aquela guerra foi um bom exemplo de que na guerra o que morre primeiro é a verdade, ou talvez as armas de
destruição em massa que justificaram a segunda guerra do Iraque sejam um
exemplo ainda melhor. Este é o grande
desafio dos jornalistas numa guerra: não servir de porta-vozes de mentiras
estratégicas.
A CNN chegou a anunciar que depois de um intenso bombardeio
aéreo o plano de ataque previa um assalto anfíbio pelo Golfo Pérsico e numa
terceira fase uma invasão terrestre do Kuwait. A operação de assalto anfíbrio,
que teria custo humano elevado, não foi realizada, mas o anúncio obrigou Saddam
a mobilizar suas forças para defender o litoral do Iraque.
PROCESSO DE PAZ
A ampla aliança, a
vitória sobre Saddam e o papel de Israel, que não reagiu aos ataques de
Scuds de Saddam para não afastar aliados árabes da coalizão, como a Síria, criaram um clima favorável às negociações
sobre a paz no Oriente Médio, lançadas na Conferência de Madri, em 30 e 31
de outubro de 1991.
Bush chegou a suspender garantias de crédito no valor de US$
10 bilhões a Israel para pressionar o primeiro-ministro linha-dura Yitzhak
Shamir a participar. Essa negociação é um bom exemplo de como a diplomacia às vezes exige sigilo até
que se tenha algo concreto capaz de superar desconfianças históricas e o
boicote dos radicais de ambos os lados de um conflito armado.
Logo ficou evidente que os negociadores palestinos
consultavam Yasser Arafat e a cúpula da Organização para a Libertação da
Palestina, que em seguida assumiu o comando da delegação.
No fim das reuniões de negociação, retomadas em Washington, as
diferentes partes, especialmente israelenses e palestinos, já que os sírios se
retiraram no início, davam declarações aos jornalistas voltadas para suas
opiniões públicas nacionais.
As entrevistas
serviam apenas para cristalizar posições consideradas inaceitáveis pelo outro
lado, como o direito de retorno dos palestinos, a devolução do setor
oriental de Jerusalém, o futuro das colônias judaicas nos territórios árabes
ocupados e as garantias à segurança de Israel.
LONGE DA MÍDIA
Como não havia avanço, a
Noruega se ofereceu para mediar negociações secretas. Negociadores
israelenses e palestinos se reuniram na mesma casa. Tomavam café da manhã,
almoçavam, jantavam e tomavam drinques juntos para criarem laços pessoais.
Um mês depois, as negociações para valer começaram. Os
noruegueses saíram de cena e disseram: “Agora, vocês têm de se entender. Evitem
as recriminações sobre o passado. Pensem no futuro da região, no que vocês
querem construir para o futuro. Se vocês brigarem a socos, a gente entra e
aparta a briga. Mas sai de novo porque são vocês que precisam se entender”.
Em agosto de 1993,
foi anunciada a declaração de princípios assinada por Arafat e o
primeiro-ministro israelense trabalhista Yitzhak Rabin nos jardins da Casa
Branca em 13 de setembro do mesmo ano. Sem falar na criação de um Estado
nacional palestino, transferência parcialmente o poder para um governo
palestino na Faixa de Gaza e na cidade bíblica de Jericó, como um primeiro
teste para o entendimento entre árabes e judeus na Palestina.
Por vários motivos, o processo de paz não foi concluído até
hoje. Clinton tentou fazer um segundo
acordo de Camp David, no fim de seu governo, em 2000, mas nenhuma das partes estava disposta a fazer
as concessões necessárias para chegar a um acordo, em parte porque o
desequilíbrio de forças é enorme.
Mas o que eu queria chamar a atenção aqui é que foi necessário negociar longe da mídia,
longe da cobertura diária de jornais em busca de manchetes para fugir dos
clichês da guerra. A diplomacia ainda
exige segredos de Estado, cada vez mais ameaçados no mundo do WikiLeaks.
Talvez os espiões tenham de voltar à era dos papéis escondidos na roupa.
ACORDO SOBRE A BACIA DO PRATA
Outro exemplo foi o acordo entre Brasil e Argentina,
assinado no início do governo João Figueiredo, em 1979, para resolver um
conflito em torno da exploração hidrelétrica da Bacia do Prata. Quando o Brasil
resolveu fazer Itaipu, a Argentina se sentiu ameaçada, alegando que a obra
esgotaria o potencial energético do Rio Paraná.
A jornalista Miriam Leitão, na época setorista do Itamaraty,
soube do acordo dias antes do anúncio oficial e aceitou um apelo do então
porta-voz do Ministério das Relações Exteriores para não dar o furo sob pena de
estragar o acordo, que poderia ser minado por elementos extremistas das
ditaduras dos dois países. Ela usou o
que o sociólogo Max Weber chama de uma ética da responsabilidade, em contraste
com a ética dos valores absolutos que geralmente orienta a atividade
jornalística, sob o princípio de que “a verdade deve ser dita”.
EXCLUSÃO AÉREA
Quando a Guerra do Golfo de 1991 terminou, o primeiro-ministro
britânico John Major e o presidente Bush conclamaram curdos e xiitas a se
rebelar contra Saddam, mas não lhes deram apoio militar até que a CNN os
obrigou.
Diante dos massacres, sob pressão da opinião pública,
impuseram zonas de exclusão aérea no Norte e no Sul do Iraque. Relutaram porque
os interesses nacionais não eram os mesmos com Saddam derrotado e humilhado, e
o restabelecimento da monarquia petroleira no Kuwait.
FOME NA SOMÁLIA
Derrotado por Bill Clinton com a ajuda de Ross Perot e da
crise econômica em novembro de 1992, Bush sr. resolveu fazer uma operação de
ajuda humanitária na Somália, pressionado mais uma vez pelo Fator CNN em meio à
fome em massa.
Talvez até pela falta de notícias na ressaca pós-eleitoral, observou Nik Gowing (1994), hoje âncora da
BBC, em ensaio escrito na JFK School of Government, na Universidade de Harvard,
sobre a cobertura ao vivo de guerras e conflitos diplomáticos, questionando se
distorcem as decisões de política externa, o
noticiário se voltou para a fome na África.
Era uma operação
considerada viável pelo Pentágono. Uma intervenção de baixo custo com amplo apoio
popular fecharia o governo Bush sr. com uma nota positiva e ajudaria o Pentágono a evitar os cortes de
gastos prometidos por Clinton durante a campanha.
Diante de uma crise humanitária evidente num país sem
governo desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em 1991, sob pressão da
mídia liberal, Bush obteve a aprovação unânime do Conselho de Segurança da ONU.
BATALHA DE MOGADÍSCIO
A operação foi um
sucesso enquanto se limitou a distribuir comida. Quando o chefe do clã que
controlava o porto da capital começou a perturbar a operação da ONU para usar a
comida como arma de guerra, o governo Clinton resolveu caçar o senhor da guerra
Mohamed Farah Aidid. Como as forças dos
EUA não tinham o equipamento e o contingente necessários para ações ofensivas,
foram derrotadas e humilhadas na Batalha de Mogadíscio, retratada no filme Falcão Negro em Perigo.
Mais uma vez, os EUA
perdiam a batalha da opinião pública, neste caso diante de imagens
humilhantes de soldados americanos mortos sendo arrastados pela multidão nas
ruas de Mogadíscio.
O trauma da Batalha
de Mogadíscio foi decisivo para que os EUA evitassem uma intervenção capaz de
evitar o genocídio em Ruanda, que Clinton considera hoje seu maior erro.
GENOCÍDIO EM RUANDA
Depois da morte do presidente Juvenal Habyarimana num ataque
de mísseis da Frente Patriótica de Ruanda em 6 de abril de 1994, o governo hutu acuado começou a matar
adversários do regime e a minoria étnica tútsi. A mídia oficial do regime em
queda fomentou os massacres, descrevendo os inimigos como “baratas” que
tinham de ser esmagadas.
Sob ameaça, a ONU
reduziu seu contingente de 2,5 mil para 275 homens e sofreu uma das grandes humilhações de sua história, muito maior
do que a da força de paz holandesa que não conseguiu impedir o massacre de
Srebrenica, na Bósnia, em julho de 1995.
Em dois meses, cerca
de um milhão de pessoas foram mortas. Em maio, o ministro do Exterior
conservador francês, Alan Juppé, declarou que “a comunidade internacional não
pode agir como polícia, mandando forças de paz para todo lugar onde houver
conflito”.
Só em meados de
junho, sob pressão do noticiário sobre as matanças, com o presidente socialista
François Mitterrand preocupado com seu lugar na história, a França se ofereceu
para intervir, mas sua ação foi
vista mais como o exercício de um poder pós-colonial sobre a África
francófona para preservar sua área de influência.
A FPR acusou a Operação Turquesa de proteger a fuga do
governo hutu e da milícia Interahamwe,
responsável pelo genocídio.
Mais uma vez, foi a
opinião pública, neste caso especialmente da França, que forçou a intervenção, tardiamente.
LONGE DAS CÂMARAS
O genocídio em Ruanda
e a fuga dos hutus desestabilizou o Zaire, que virou a República Democrática do
Congo com a queda do ditador Joseph Mobutu e foi palco da chamada Primeira
Guerra Mundial Africana, que não terminou até hoje e já matou mais de 5 milhões de pessoas.
É uma guerra brutal,
especialmente para as mulheres, submetidas sistematicamente à violência sexual,
e relativamente esquecida porque é
travada longe da mídia internacional. A guerra virou parte da vida
cotidiana. Não é notícia. Então é claro que a atenção da mídia é fundamental para revelar e denunciar os crimes cometidos.
AJUDA AO HAITI
No caso do Haiti, as intervenções em 1994 para derrubar o
general golpista Raoul Cédras e restaurar a presidência de Jean-Bertrand
Aristide, deposto em 1991, e de 2004 para evitar uma guerra civil com a queda
de Aristide, foram movidas mais pelo interesse nacional dos EUA de evitar uma fuga em massa de refugiados pelo
Mar do Caribe rumo ao território americano.
Nos dois casos, o
custo era baixo e a chance de sucesso, elevada. Ambas podem ser enquadradas
como operações de ajuda para evitar crises humanitárias, mas o motivo central
foi o interesse nacional americano de evitar uma crise no seu litoral.
O Brasil comanda e fornece a maior parte da tropa da Missão
das Nações Unidas para Estabilização do Haiti (Minustah). Uma de suas principais
tarefas foi pacificar as favelas de Porto Príncipe, a capital do país.
Com o trágico
terremoto de 12 de janeiro de 2010, a atenção da mídia internacional se voltou
para o Haiti, chocada por cerca de 200 mil mortes e 1,5 milhão de
desabrigados. As Forças Armadas dos EUA participaram da operação de resgate, a
exemplo do que tinham feito no maremoto na Indonésia. Através da ONU, foram
prometidos US$ 10 bilhões para reconstruir o país.
MÍDIA NÃO BASTA
Na guerra da
Bósnia-Herzegovina (1992-95), o pior conflito armado em território europeu
depois de 1945, o Fator CNN estava
presente, mas não foi suficiente para mobilizar a opinião pública a
pressionar o governo dos EUA a intervir.
Para o presidente Bush, pai, no mundo pós-Guerra Fria, as questões europeias onde não houvesse
interesses americanos envolvidos deveriam
ser resolvidas pelos europeus. Os europeus não estavam dispostos a usar a
força sem a liderança dos EUA.
Quando Bill Clinton
decidiu intervir, foi contra a opinião pública, que era contra, mesmo
diante do massacre de 8 mil homens Srebrenica. Além de não haver interesses dos EUA em jogo, a chance de sucesso
escassa desestimulava a intervenção.
A conclusão é que a
mídia não é fundamental quando há interesses nacionais dos EUA em jogo,
embora os governos a usem e manipulem para justificar a ação. Não havendo interesses nacionais em jogo,
o Fator CNN é importante para mobilizar a opinião pública e pressionar os
governos a agir.
A televisão e a mídia divulgam as imagens da tragédia da
guerra. É um fator necessário para criar uma opinião pública favorável à
intervenção, mas não suficiente. Precisa haver uma expectativa razoável de
sucesso. Na Bósnia, as potências
ocidentais foram dragadas para o conflito e obrigadas a usar a força para não
serem obrigadas a fazer uma retirada humilhante.
MENOS INTERVENÇÕES
A expectativa de JAKOBSEN, nos anos 90, era de que não
haveria tantas intervenções militares no futuro próximo. Elas seriam realizadas pelas grandes
potências nas suas áreas de influência, como a intervenção do Reino Unido em
Serra Leoa e da França na Costa do Marfim ou no Mali.
Os atentados de 11 de
setembro de 2001 mudaram a realidade da primeira década pós-Guerra Fria,
com a chamada “guerra contra o terror”, que não era guerra nem contra o terror.
Isso ajudou a destruir o frágil consenso possível no Conselho de Segurança da
ONU.
Diante da ameaça de
massacre em Trípoli, a segunda maior cidade líbia, em março de 2011, o Conselho de Segurança da ONU autorizou o
uso da força para proteger civis na Líbia.
A operação realizada
pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) foi criticada por
supostamente ter ido além de seu mandato
de proteger civis para derrubar o ditador Muamar Kadafi e mudar o regime. Os EUA, a França e o Reino Unido alegaram
que seria impossível proteger os civis com Kadafi no poder.
A presidente Dilma
Rousseff defendeu o conceito de “responsabilidade ao proteger”, mas esse
debate não evoluiu. Houve mortes injustificadas de civis nos bombardeios da
OTAN, mas a morte do ditador e o fim do regime suscitaram reações.
REVOLUÇÕES SEM LÍDERES
O papel revolucionário das novas mídias no Oriente Médio é examinado desde a queda do Xá no Irã na revolução islâmica de 1979. Se as guerras civis e revoluções são rupturas na ordem sociopolítica, as comunicações certamente têm um papel central, observa Jerrold GREEN, do Centro de Políticas Públicas do Oriente Médio da Rand Corporation, nos EUA, no artigo A Revolução da Informação e a Oposição Política no Oriente Médio, publicado no Middle East Studies Association Bulletin, em 1999.
Por muito tempo, os líderes do Oriente Médio relutaram em permitir a difusão de qualquer tecnologia que pudesse ser usada por oposicionistas. Na virada do século, a região tinha os menores índices de acesso à rede mundial de computadores, abaixo da África.
Já naquela época, GREEN observava que "a revolução da informação está mudando a política do Oriente Médio", com "incontáveis sítios de Internet dedicados a temas da Oriente Médio", "centenas de antenas de satélite, mesmo onde eles são ilegais", os boletins divulgados por fax, "a proliferação dos telefones celulares" e "o crescente acesso à Internet". Ele notou que muita gente "associa estas tecnologias à pornografia e à decadência moral" e também à violência que veem nos filmes de Hollywood. O cinema é uma mídia fundamental para formar a imagem de um país no exterior.
Como estas tecnologias são essenciais ao funcionamento de uma economia moderna, a censura oficial não conseguiu resistir totalmente . A exposição a essas novas ondas de informação levou a um maior pluralismo. Sob pressão da recessão econômica mundial de 2008-9, o caldeirão explodiu.
Tanto a Tunísia como o Egito, observa Jean-Pierre FILIU em A Revolução Árabe – dez lições dos levantes democráticos, foram capazes de derrubar ditaduras entrincheiradas com protestos pacíficos, organizados com a ajuda das novas mídias. Uma combinação de pressão das ruas, agitação trabalhista e ativismo pela liberdade abriram o caminho para a transição democrática e reformas constitucionais.
No Egito, foi fundamental a mobilização via redes sociais, com destaque para Wael GHONIM, diretor do Google para o Oriente Médio. Ele criou no Facebook a página Todos Nós Somos Khaled Said, em homenagem a um estudante morto pelo governo, foi preso e deu uma entrevista pedindo desculpas pelas mortes, das quais não era responsável. Há um livro dele, Revolução 2.0: o poder do povo é maior do que o das pessoas no poder, contando essa história.
O papel revolucionário das novas mídias no Oriente Médio é examinado desde a queda do Xá no Irã na revolução islâmica de 1979. Se as guerras civis e revoluções são rupturas na ordem sociopolítica, as comunicações certamente têm um papel central, observa Jerrold GREEN, do Centro de Políticas Públicas do Oriente Médio da Rand Corporation, nos EUA, no artigo A Revolução da Informação e a Oposição Política no Oriente Médio, publicado no Middle East Studies Association Bulletin, em 1999.
Por muito tempo, os líderes do Oriente Médio relutaram em permitir a difusão de qualquer tecnologia que pudesse ser usada por oposicionistas. Na virada do século, a região tinha os menores índices de acesso à rede mundial de computadores, abaixo da África.
Já naquela época, GREEN observava que "a revolução da informação está mudando a política do Oriente Médio", com "incontáveis sítios de Internet dedicados a temas da Oriente Médio", "centenas de antenas de satélite, mesmo onde eles são ilegais", os boletins divulgados por fax, "a proliferação dos telefones celulares" e "o crescente acesso à Internet". Ele notou que muita gente "associa estas tecnologias à pornografia e à decadência moral" e também à violência que veem nos filmes de Hollywood. O cinema é uma mídia fundamental para formar a imagem de um país no exterior.
Como estas tecnologias são essenciais ao funcionamento de uma economia moderna, a censura oficial não conseguiu resistir totalmente . A exposição a essas novas ondas de informação levou a um maior pluralismo. Sob pressão da recessão econômica mundial de 2008-9, o caldeirão explodiu.
Tanto a Tunísia como o Egito, observa Jean-Pierre FILIU em A Revolução Árabe – dez lições dos levantes democráticos, foram capazes de derrubar ditaduras entrincheiradas com protestos pacíficos, organizados com a ajuda das novas mídias. Uma combinação de pressão das ruas, agitação trabalhista e ativismo pela liberdade abriram o caminho para a transição democrática e reformas constitucionais.
No Egito, foi fundamental a mobilização via redes sociais, com destaque para Wael GHONIM, diretor do Google para o Oriente Médio. Ele criou no Facebook a página Todos Nós Somos Khaled Said, em homenagem a um estudante morto pelo governo, foi preso e deu uma entrevista pedindo desculpas pelas mortes, das quais não era responsável. Há um livro dele, Revolução 2.0: o poder do povo é maior do que o das pessoas no poder, contando essa história.
No caso da Líbia, a heterogeneidade da coalizão anti-Kadafi
se tornou sua maior fraqueza. A situação ainda é extremamente instável.
Na Síria, o conflito degenerou na mais sangrenta guerra
civil em andamento hoje no mundo. Espero que essas observações tenham ajudado a
compreender a incapacidade da sociedade internacional de articular uma solução
pacífica e o às vezes contraditório papel da mídia em negociações de conflitos internacionais.
* (Texto preparado para apresentação no Ciclo de Palestras Mídia e Relações Internacionais, organizado pelo Núcleo de Estudos Internacionais Brasil-Argentina da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, em 2 de julho de 2013)
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Militares do Egito podem dissolver Parlamento
Em meio a uma onda de protestos e boatos de que os militares vão dissolver o Parlamento, o presidente Mohamed Mursi reuniu-se hoje com o comando das Forças Armadas do Egito. Ontem os militares deram um ultimato de 48 para que os políticos se entendam e acabem com a atual crise. Caso contrário, vão impor seu próprio plano.
Mais uma vez, centenas de milhares de pessoas ocupam hoje a Praça da Libertação, no Centro do Cairo, por convocação do movimento oposicionista Tamarod (Rebelde), que pretende manter os protestos até a renúncia do presidente.
Mursi, da Irmandade Muçulmana, é acusado de autoritarismo e de tentar impor um regime islamita. As oposições aparentemente preferem os militares.
O Canadá fechou hoje sua embaixada no Egito e citou como causa a falta de segurança para seus funcionários.
A economia egípcia só se deteriorou desde a queda do ditador Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011. Frequentemente faltam água, energia elétrica e outros serviços básicos. O Egito pediu ajuda de emergência ao Fundo Monetário Internacional, mas, sem estabilidade política interna, o país não se reconstrói.
Mais uma vez, centenas de milhares de pessoas ocupam hoje a Praça da Libertação, no Centro do Cairo, por convocação do movimento oposicionista Tamarod (Rebelde), que pretende manter os protestos até a renúncia do presidente.
Mursi, da Irmandade Muçulmana, é acusado de autoritarismo e de tentar impor um regime islamita. As oposições aparentemente preferem os militares.
O Canadá fechou hoje sua embaixada no Egito e citou como causa a falta de segurança para seus funcionários.
A economia egípcia só se deteriorou desde a queda do ditador Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011. Frequentemente faltam água, energia elétrica e outros serviços básicos. O Egito pediu ajuda de emergência ao Fundo Monetário Internacional, mas, sem estabilidade política interna, o país não se reconstrói.
segunda-feira, 1 de julho de 2013
Croácia torna-se 28º país da União Europeia
A ex-república iugoslava da Croácia entrou hoje oficialmente para a União Europeia (UE). É o 28º país-membro do maior bloco comercial do mundo, com produto regional bruto de mais de US$ 18 trilhões, que enfrenta o pior momento de sua história com a crise das dívidas públicas dos países do Sul da Zona do Euro.
Ao mesmo tempo, sua inimiga histórica, a ex-república iugoslava da Sérvia, está iniciando negociações de adesão. São sinais de que, apesar da crise, o projeto de integração regional da Europa ainda atrai interesse.
Para ser membro da UE, o candidato precisa respeitar suas regras, a começar pela cláusula democrática. Não pode ter pena de morte nem ingerência dos militares em assuntos políticos. Depois da repressão à onda de protestos contra o autoritarismo do primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, por iniciativa da primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, as negociações com a Turquia foram suspensas.
Ao mesmo tempo, sua inimiga histórica, a ex-república iugoslava da Sérvia, está iniciando negociações de adesão. São sinais de que, apesar da crise, o projeto de integração regional da Europa ainda atrai interesse.
Para ser membro da UE, o candidato precisa respeitar suas regras, a começar pela cláusula democrática. Não pode ter pena de morte nem ingerência dos militares em assuntos políticos. Depois da repressão à onda de protestos contra o autoritarismo do primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, por iniciativa da primeira-ministra da Alemanha, Angela Merkel, as negociações com a Turquia foram suspensas.
Exército do Egito dá 48 horas a partidos
Os militares, que governaram o Egito da queda da monarquia, em 1952, até a eleição do presidente Mohamed Morsi, há um ano, deram hoje um prazo de 48 horas aos partidos políticos para que resolvam a crise política do país. A Irmandade Muçulmana rejeitou o ultimato.
Milhões de egípcios saíram às ruas ontem para exigir a renúncia de Mursi, da Irmandade Muçulmana. Pelo menos 16 pessoas foram mortas e centenas saíram feridas. A sede do Partido da Liberdade e Justiça, da Irmandande, foi atacada e incendiada. Quatro ministros pediram demissão.
Um movimento reunindo as oposições chamado Tamarod (Rebelde) alega ter coletado 22 milhões de assinaturas pedindo a renúncia do presidente. Deu prazo de 24 horas para o presidente renunciar, ameaçando realizar uma onda de protestos até a queda de Mursi. Em meio ao caos revolucionário, a economia egípcia se afunda ainda mais.
Em 2011, foram necessários 18 dias de protestos, em que mais de 800 pessoas morreram, para derrubar o ditador Hosni Mubarak, que estava no poder há quase 30 anos. Mursi se reuniu hoje com o Comando das Forças Armadas.
Milhões de egípcios saíram às ruas ontem para exigir a renúncia de Mursi, da Irmandade Muçulmana. Pelo menos 16 pessoas foram mortas e centenas saíram feridas. A sede do Partido da Liberdade e Justiça, da Irmandande, foi atacada e incendiada. Quatro ministros pediram demissão.
Um movimento reunindo as oposições chamado Tamarod (Rebelde) alega ter coletado 22 milhões de assinaturas pedindo a renúncia do presidente. Deu prazo de 24 horas para o presidente renunciar, ameaçando realizar uma onda de protestos até a queda de Mursi. Em meio ao caos revolucionário, a economia egípcia se afunda ainda mais.
Em 2011, foram necessários 18 dias de protestos, em que mais de 800 pessoas morreram, para derrubar o ditador Hosni Mubarak, que estava no poder há quase 30 anos. Mursi se reuniu hoje com o Comando das Forças Armadas.
domingo, 30 de junho de 2013
Bachelet tem ampla vitória em prévia no Chile
Com 73,11% dos votos, a ex-presidente socialista Michelle Bachelet conquistou hoje uma vitória expressiva na prévia para sua escolha como candidata da coalizão Nova Maioria à eleição presidencial de 17 de novembro de 2013 no Chile. Seu principal adversário será o candidato da direita, o ex-ministro da Economia Pablo Longueira.
Mais de 13 milhões de chilenos estavam habilitados a votar hoje. Pela primeira vez, as eleições primárias foram realizadas no mesmo dia.
Bachelet bateu três aspirantes de sua coalizão, onde se destacam a Democracia Cristã e o Partido Socialista.
À direita, Longueira, da conversadora União Democrática Independente (UDI), venceu o ex-ministro da Defesa Andrés Allemand, da Renovação Nacional, partido do presidente Sebastián Piñera, por 51,34% a 48,65%.
Mais de 13 milhões de chilenos estavam habilitados a votar hoje. Pela primeira vez, as eleições primárias foram realizadas no mesmo dia.
Bachelet bateu três aspirantes de sua coalizão, onde se destacam a Democracia Cristã e o Partido Socialista.
À direita, Longueira, da conversadora União Democrática Independente (UDI), venceu o ex-ministro da Defesa Andrés Allemand, da Renovação Nacional, partido do presidente Sebastián Piñera, por 51,34% a 48,65%.
Multidão retoma praça e pede queda de Mursi
Um ano depois de sua eleição, o presidente Mohamed Mursi foi hoje o alvo principal de uma gigantesca manifestação na Praça da Libertação, no Centro do Cairo, a maior desde a queda de Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011. A oposição exige sua renúncia sob o argumento de que a revolução no Egito não derrubou uma ditadura militar para aceitar outra da Irmandade Muçulmana.
Pelo menos uma pessoa morreu e outras saíram feridas em confrontos entre governistas e oposicionistas.
O mais antigo grupo fundamentalista islâmico, fundado em 1928 no Egito por Hassan al-Bana, beneficiou-se de sua organização para vencer as eleições da chamada Primavera Árabe. No momento, controla a Presidência e o Parlamento do país com o beneplácito das Forças Armadas.
As manifestações são organizadas por um novo movimento chamado Tamarod (Rebelde, em árabe), que alega ter coletado 15 milhões de assinaturas pedindo a saída de Mursi e a antecipação das eleições presidenciais. O presidente e a Irmandade Muçulmana alegam que sua legitimidade vêm das urnas.
Se não conseguir pacificamente, o Tamarod pretende criar um clima de confrontação e violência política para provocar uma ruptura na aliança tácita entre islamitas e militares e uma nova intervenção das Forças Armadas na política egípcia.
Com o caos e o desgoverno resultantes da revolução que derrubou Mubarak, os turistas fugiram e a economia, um dos motivos da revolta popular em 2011, está numa crise cada vez pior. A Irmandade Muçulmana perde popularidade por não conseguir administrar um país ainda em estado revolucionário, e as multidões frustradas pelo sequestro de sua revolução retomam as ruas na esperança de fazer valer seus ideais.
Pelo menos uma pessoa morreu e outras saíram feridas em confrontos entre governistas e oposicionistas.
O mais antigo grupo fundamentalista islâmico, fundado em 1928 no Egito por Hassan al-Bana, beneficiou-se de sua organização para vencer as eleições da chamada Primavera Árabe. No momento, controla a Presidência e o Parlamento do país com o beneplácito das Forças Armadas.
As manifestações são organizadas por um novo movimento chamado Tamarod (Rebelde, em árabe), que alega ter coletado 15 milhões de assinaturas pedindo a saída de Mursi e a antecipação das eleições presidenciais. O presidente e a Irmandade Muçulmana alegam que sua legitimidade vêm das urnas.
Se não conseguir pacificamente, o Tamarod pretende criar um clima de confrontação e violência política para provocar uma ruptura na aliança tácita entre islamitas e militares e uma nova intervenção das Forças Armadas na política egípcia.
Com o caos e o desgoverno resultantes da revolução que derrubou Mubarak, os turistas fugiram e a economia, um dos motivos da revolta popular em 2011, está numa crise cada vez pior. A Irmandade Muçulmana perde popularidade por não conseguir administrar um país ainda em estado revolucionário, e as multidões frustradas pelo sequestro de sua revolução retomam as ruas na esperança de fazer valer seus ideais.
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sábado, 29 de junho de 2013
Programa Prisma dos EUA espionou a União Europeia
Dentro do programa Prisma, o governo dos Estados Unidos espionou via Internet vários órgãos da União Europeia (UE) penetrando em suas redes de computadores, revelou hoje a revista alemã Der Spiegel, que teve acesso a documentos secretos.
O programa foi denunciado por Edward Snowden, que está há dias refugiado na área de trânsito do Aeroporto Cheremetievo, em Moscou, e já pediu asilo político ao Equador. Os EUA querem processá-lo pelo roubo e divulgação dos documentos.
O programa foi denunciado por Edward Snowden, que está há dias refugiado na área de trânsito do Aeroporto Cheremetievo, em Moscou, e já pediu asilo político ao Equador. Os EUA querem processá-lo pelo roubo e divulgação dos documentos.
Uigures atacam delegacia no Noroeste da China
De moto, com facas e canivetes, cerca de 200 pessoas atacaram hoje a delegacia de polícia de Hotã, na província de Xinjiang, no Noroeste da China, onde a polícia matou 35 manifestantes de minoria étnica uigur há poucos dias.
Em outros incidente, cerca de 200 pessoas foram acusadas pelo jornal estatal publicado em inglês The Global Times, de orientação comunista linha-dura, de "tentar criar problemas" numa zona comercial importante de Hotã.
Há um grupo rebelde na região, o Movimento pela Independênia do Turquestão Oriental, denunciado pelo governo central de Beijim como islamita e extremista.
Em outros incidente, cerca de 200 pessoas foram acusadas pelo jornal estatal publicado em inglês The Global Times, de orientação comunista linha-dura, de "tentar criar problemas" numa zona comercial importante de Hotã.
Há um grupo rebelde na região, o Movimento pela Independênia do Turquestão Oriental, denunciado pelo governo central de Beijim como islamita e extremista.
sexta-feira, 28 de junho de 2013
Produção industrial do Japão cresce 2%
A produção industrial do Japão aumentou 2% em maio, informou hoje o Ministério da Economia, Comércio e Indústria com base em dados preliminares. Foi o quarto mês seguido de alta, mas, em 12 meses, houve queda de 1%.
Pelo terceiro mês consecutivo, o índice de desemprego se manteve inalterado em 4,1%.
Pelo terceiro mês consecutivo, o índice de desemprego se manteve inalterado em 4,1%.
China suspende veto a fotos do Dalai Lama
O regime comunista da China acabou com a proibição à exibição de fotos de Tenzin Gyatso, o 14º Dalai Lama no mosteiro budista de Ganden, em Lhaça, a capital do Tibete, ocupado pelo Exército Popular de Libertação em 1951.
É um sinal de que o governo chinês está flexibilizando sua política de linha dura, agravada depois de uma onda de protestos em 2009. Desde então, mais de cem tibetanos se autoimolaram em público para protestar.
Beijim teme que a morte do Dalai Lama, exilado desde 1959, deflagre uma nova onda de protestos. Também há o risco de que os tibetanos e os chineses apontem pessoas diferentes como a reencarnação do líder espiritual do Tibete.
É um sinal de que o governo chinês está flexibilizando sua política de linha dura, agravada depois de uma onda de protestos em 2009. Desde então, mais de cem tibetanos se autoimolaram em público para protestar.
Beijim teme que a morte do Dalai Lama, exilado desde 1959, deflagre uma nova onda de protestos. Também há o risco de que os tibetanos e os chineses apontem pessoas diferentes como a reencarnação do líder espiritual do Tibete.
quinta-feira, 27 de junho de 2013
Suspeito do ataque a Boston recebe 30 acusações
Um júri federal dos Estados Unidos aceitou hoje a denúncia com 30 acusações contra Djokhar Tsarnaev, o suspeito sobrevivente do atentado à Maratona de Boston em 15 de abril de 2013, inclusive por uso de armas de destruição e quatro mortes, três na chegada da corrida e um guarda do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT).
Dezessete dessas acusações podem ser punidas com prisão perpétua ou a morte. O outro suspeito, Tamerlan Tsarnaev, irmão mais velho de Djokhar, considerado o idealizador da ação terrorista, morreu no cerco policial.
Ambos eram de família da Chechênia, uma república muçulmana da Federação Russa situado no Norte do Cáucaso que foi alvo de duas guerras brutais do governo central desde os anos 1990s, onde Tamerlan teria sido seduzido por pregadores extremistas muçulmanos.
Dezessete dessas acusações podem ser punidas com prisão perpétua ou a morte. O outro suspeito, Tamerlan Tsarnaev, irmão mais velho de Djokhar, considerado o idealizador da ação terrorista, morreu no cerco policial.
Ambos eram de família da Chechênia, uma república muçulmana da Federação Russa situado no Norte do Cáucaso que foi alvo de duas guerras brutais do governo central desde os anos 1990s, onde Tamerlan teria sido seduzido por pregadores extremistas muçulmanos.
Senado dos EUA aprova reforma da imigração
Por 68 a 32, o Senado dos Estados Unidos aprovou hoje à tarde uma lei para reformar o sistema de imigração que vai destinar bilhões de dólares para reforçar a segurança na fronteira com o México e criar um caminho para resolver a situação de quem vive ilegalmente no país.
Há um projeto semelhante em tramitação na Câmara, onde enfrenta forte resistência da maioria oposicionista.
Ao todo, estima-se que haja 11 milhões de imigrantes ilegais nos EUA. A reforma era uma promessa eleitoral de Barack Obama, que não conseguiu realizá-la no primeiro mandato. Como mais de 70% dos eleitores de origem latino-americana votaram no presidente em 2012, o tema voltou à pauta.
Há um projeto semelhante em tramitação na Câmara, onde enfrenta forte resistência da maioria oposicionista.
Ao todo, estima-se que haja 11 milhões de imigrantes ilegais nos EUA. A reforma era uma promessa eleitoral de Barack Obama, que não conseguiu realizá-la no primeiro mandato. Como mais de 70% dos eleitores de origem latino-americana votaram no presidente em 2012, o tema voltou à pauta.
quarta-feira, 26 de junho de 2013
Mortos na guerra civil síria passam de 100 mil
O total de mortes na guerra civil na Síria, que começou como uma revolta pacífica contra a ditadura de Bachar Assad em 15 de março de 2011, chegou a 100 mil, afirmou hoje o Observatório Sírio dos Direitos Humanos, com sede em Londres.
Ao receber ontem a visita do secretário de Estado americano, John Kerry, a Arábia Saudita pediu aos Estados Unidos que tome atitudes mais decisivas em defesa dos rebeldes.
Em agosto do ano passado, o presidente Barack Obama prometeu intervir militarmente se o regime sírio usasse armas químicas. Desde que isso foi comprovado, está relutante.
Ao receber ontem a visita do secretário de Estado americano, John Kerry, a Arábia Saudita pediu aos Estados Unidos que tome atitudes mais decisivas em defesa dos rebeldes.
Em agosto do ano passado, o presidente Barack Obama prometeu intervir militarmente se o regime sírio usasse armas químicas. Desde que isso foi comprovado, está relutante.
Suprema Corte derruba Lei de Defesa do Casamento
Por 5 a 4, o supremo tribunal dos Estados Unidos considerou ilegais os dispositivos da Lei de Defesa do Casamento, de 1996, que negam aos casais homossexuais os direitos garantidos aos casais heterossexuais.
Na mesma ocasião, mas em outro caso, a Suprema Corte resolveu não julgar a legalidade da Proposição nº 8, contra o casamento gay na Califórnia, aprovada em referendo, deixando a cargo dos estados a decisão dar aos casais de pessoas do mesmo sexo o direito de se casar formalmente. Na prática, reinstituiu o casamento gay no estado.
Na mesma ocasião, mas em outro caso, a Suprema Corte resolveu não julgar a legalidade da Proposição nº 8, contra o casamento gay na Califórnia, aprovada em referendo, deixando a cargo dos estados a decisão dar aos casais de pessoas do mesmo sexo o direito de se casar formalmente. Na prática, reinstituiu o casamento gay no estado.
Rússia esvazia base naval na Síria
A Rússia retirou todo seu pessoal militar da Síria, deixando a base naval de Tartus, sua única no Mar Mediterrâneo sem ninguém por causa das ameaças à segurança decorrentes da guerra civil que assola o país há dois anos e três meses.
China mata 35 em distúrbios em Xinjiang
Pelo menos 35 pessoas foram mortas quando a polícia da China abriu fogo contra uma multidão que atacou uma delegacia de polícia e outros prédios públicos com facas, pedras e outras armas brancas a 100 quilômetros da cidade de Turpã, na província de Xinjiang, informou hoje a agência oficial de notícias Xinhua (Nova China).
A província de Xinjiang fica no Noroeste da China. É habitada por minorias étnicas como os uigures, que são muçulmanos e seguidamente entram em conflito com o regime comunista chinês, baseado em Beijim, a milhares de quilômetros de distância.
A província de Xinjiang fica no Noroeste da China. É habitada por minorias étnicas como os uigures, que são muçulmanos e seguidamente entram em conflito com o regime comunista chinês, baseado em Beijim, a milhares de quilômetros de distância.
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