Há quase 300 milhões de armas nas mãos da população civil nos Estados Unidos: 106 milhões de revólveres, 105 milhões de fuzis e 83 milhões de armas de caça.
É o país com a maior quantidade de armas em poder de civis. Em segundo, vem o ex-inimigo Vietnã, com cerca de uma arma para cada dois habitantes.
O direito de portar armas para defesa própria esta garantido pela Emenda nº 2 à Constituição dos EUA. Em interpretação recente, a atual Suprema Corte, de maioria conservadora, decidiu que se trata de uma garantia constitucional, em prejuízo das legislações para controlar o porte de armas.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
Índia tem míssil capaz de atingir qualquer ponto da China
A Índia testou hoje um míssil de longo alcance, o Agni-5, capaz de levar ogivas nucleares a até 5 mil quilômetros de distância e de atingir qualquer ponto da China.
Há uma corrida armamentista na Ásia, e os indianos não querem ficar para trás da cada vez mais rica e poderosa China, que já tem submarinos, mísseis antiporta-aviões e antissatélites capazes de neutralizar a superioridade militar dos Estados Unidos no Oceano Pacífico.
Durante a primeira Guerra do Golfo, em 1991, quando uma ampla aliança liderada pelos Estados Unidos expulsou as forças iraquianas de Saddam Hussein que tinham invadido o Kuwait, a Índia concluiu que para enfrentar os americanos é preciso ter armas de destruição em massa, de preferência nucleares.
O país começou a fazer sua bomba atômica depois de uma derrota para a China numa guerra de fronteiras, em 1962. Até hoje, a Índia reivindica uma parte da Caxemira chinesa, enquanto o Paquistão reivindica toda a Caxemira indiana.
A primeira bomba atômica indiana teria sido testada secretamente em 1974, no governo Indira Gandhi. Quando o Partido Baratiya Janata (BJP, do inglês), nacionalista hindu, chegou ao poder, em 1998, decidiu assumir abertamente o status de potência nuclear e fez explosões experimentais.
Inimigo histórico, o Paquistão respondeu em seguida, testando suas próprias armas atômicas, desenvolvidas com o apoio de sua aliada, a China, e a espionagem de Abdul Kadir Khan, conhecido como o pai da bomba paquistanesa.
Índia e Paquistão travaram três guerras desde que se separam do Império Britânico e se dividiram, a um custo inicial de 2 milhões de vidas. Mas, desde que se tornaram potências nucleares, houve escaramuças, especialmente em áreas remotas, mas não guerras como as de 1947, 1965 e 1971.
Da última guerra, nasceu Bangladesh, o antigo Paquistão Oriental, um dos países mais pobres do mundo, agora se beneficiando da ascensão econômica da Ásia.
Há uma corrida armamentista na Ásia, e os indianos não querem ficar para trás da cada vez mais rica e poderosa China, que já tem submarinos, mísseis antiporta-aviões e antissatélites capazes de neutralizar a superioridade militar dos Estados Unidos no Oceano Pacífico.
Durante a primeira Guerra do Golfo, em 1991, quando uma ampla aliança liderada pelos Estados Unidos expulsou as forças iraquianas de Saddam Hussein que tinham invadido o Kuwait, a Índia concluiu que para enfrentar os americanos é preciso ter armas de destruição em massa, de preferência nucleares.
O país começou a fazer sua bomba atômica depois de uma derrota para a China numa guerra de fronteiras, em 1962. Até hoje, a Índia reivindica uma parte da Caxemira chinesa, enquanto o Paquistão reivindica toda a Caxemira indiana.
A primeira bomba atômica indiana teria sido testada secretamente em 1974, no governo Indira Gandhi. Quando o Partido Baratiya Janata (BJP, do inglês), nacionalista hindu, chegou ao poder, em 1998, decidiu assumir abertamente o status de potência nuclear e fez explosões experimentais.
Inimigo histórico, o Paquistão respondeu em seguida, testando suas próprias armas atômicas, desenvolvidas com o apoio de sua aliada, a China, e a espionagem de Abdul Kadir Khan, conhecido como o pai da bomba paquistanesa.
Índia e Paquistão travaram três guerras desde que se separam do Império Britânico e se dividiram, a um custo inicial de 2 milhões de vidas. Mas, desde que se tornaram potências nucleares, houve escaramuças, especialmente em áreas remotas, mas não guerras como as de 1947, 1965 e 1971.
Da última guerra, nasceu Bangladesh, o antigo Paquistão Oriental, um dos países mais pobres do mundo, agora se beneficiando da ascensão econômica da Ásia.
quarta-feira, 18 de abril de 2012
Americanos tiraram fotos com restos mortais de afegãos
Para agravar ainda mais a tensão na Guerra do Afeganistão, novas fotos feitas por americanos mostram soldados ao lado de corpos dilacerados de supostos rebeldes da milícia dos Talebã (Estudantes). É mais um escândalo para desmoralizar a estratégia dos Estados Unidos na mais longa guerra de sua história.
Mais uma vez, os EUA foram obrigados a pedir desculpas, desta vez por profanar cadáveres, e não é a primeira vez que isso acontece.
O secretário da Defesa, Leon Panetta, disse que "aquele comportamento é inaceitável". Tentou explicar, alegando que na guerra às vezes os soldados cometem atos irracionais. "É um comportamento que viola as regras e, mais importante, nossos valores", declarou o chefe do Pentágono, citado pela agência Reuters.
As fotos foram enviadas por um soldado americano ao jornal Los Angeles Times.
Mais uma vez, os EUA foram obrigados a pedir desculpas, desta vez por profanar cadáveres, e não é a primeira vez que isso acontece.
O secretário da Defesa, Leon Panetta, disse que "aquele comportamento é inaceitável". Tentou explicar, alegando que na guerra às vezes os soldados cometem atos irracionais. "É um comportamento que viola as regras e, mais importante, nossos valores", declarou o chefe do Pentágono, citado pela agência Reuters.
As fotos foram enviadas por um soldado americano ao jornal Los Angeles Times.
Rei da Espanha pede desculpas por caçar na África
Pela primeira vez desde que resistiu ao golpe do coronel Antonio Tejero Molina, em 1981, e assumiu o papel de defensor da democracia, o rei Juan Carlos II tem sua autoridade de chefe de Estado questionada na Espanha.
Em meio à pior crise econômica enfrentada pelos espanhóis depois da democratização do país, a partir de 1975, com a morte do generalíssimo Francisco Franco, Juan Carlos foi à África caçar elefantes a um custo de 30 mil euros.
O povo espanhol, que sofre com um desemprego de 23%, que chega a 50% entre os jovens, só ficou sabendo porque Sua Majestade levou um tombo e fraturou uma costela. Pegou mal.
Além da crise, a caça é considerada hoje um esporte anacrônico e antiecológico, um passatempo fútil de reis e aristocratas que não têm muito respeito pela natureza. Juan Carlos preside hoje o Fundo Mundial pela Natureza (WWF), onde matar elefantes não é tido exatamente como um esporte.
Em meio à pior crise econômica enfrentada pelos espanhóis depois da democratização do país, a partir de 1975, com a morte do generalíssimo Francisco Franco, Juan Carlos foi à África caçar elefantes a um custo de 30 mil euros.
O povo espanhol, que sofre com um desemprego de 23%, que chega a 50% entre os jovens, só ficou sabendo porque Sua Majestade levou um tombo e fraturou uma costela. Pegou mal.
Além da crise, a caça é considerada hoje um esporte anacrônico e antiecológico, um passatempo fútil de reis e aristocratas que não têm muito respeito pela natureza. Juan Carlos preside hoje o Fundo Mundial pela Natureza (WWF), onde matar elefantes não é tido exatamente como um esporte.
terça-feira, 17 de abril de 2012
Embaixador alemão: "UE não aceita fracasso da Rio+20"
A Europa ainda sonha em salvar a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), que será realizada no Rio de Janeiro de 20 a 22 de junho de 2012: "A União Europeia (UE) não aceita o fracasso da Rio+20. Queremos resultados concretos. Precisamos de mudanças estruturais", afirmou hoje o embaixador da Alemanha no Brasil, Wilfried Grolig.
No encerramento da conferência No Caminho da Rio+20, organizada pela Fundação Konrad Adenauer e o jornal O Estado de São Paulo, o embaixador alemão defendeu uma transição para "uma economia verde, com crescimento verde, com metas de desenvolvimento verde, como as Metas do Milênio" para reduzir a pobreza.
Uma proposta central da Europa é transformar o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) numa agência como a Organização Mundial da Saúde (OMS). É uma tentativa de salvar a Rio+20. Mas há pouco interesse no meio ambiente em meio à pior crise econômica internacional dos últimos 70 anos.
Os Estados Unidos e a China, as duas maiores economias, estão em ano eleitoral. Em plena campanha, dificilmente o presidente Barack Obama virá ao Rio para ser criticado pela total falta de compromisso do governo federal americano em adotar metas de redução das emissões dos gases que agravam o efeito estufa e ser acusado pela direita americana de fazer concessões.
A China é hoje um dos países que mais investem em energias limpas e renováveis, mas construiu seu modelo de desenvolvimento sem prestar a atenção ao meio ambiente. Foi um crescimento rápido e sujo. Seis das dez cidades mais poluídas do mundo ficam na China.
Como é o crescimento que legitima o poder absoluto do Partido Comunista, o governo chinês quer manter total controle sobre seu processo de desenvolvimento, sem concessões a acordos e organizações internacionais. As mudanças chinesas serão ditadas pelos chineses.
Já o Brasil mantém historicamente uma posição defensiva. Tenta destacar o aspecto social do desenvolvimento. Não quer se comprometer em acordos internacionais que impliquem qualquer cessão de soberania, por exemplo, uma convenção sobre florestas para preservar a Amazônia, prestes a enfrentar uma nova de devastação com o novo Código (Anti)Florestal em fase final de aprovação.
Para o embaixador aposentado Luiz Augusto Castro Neves, presidente do Conselho Curador do Centro Brasileiros de Relações Internacionais (Cebri), a Rio+20 será apenas uma revisão dos resultados da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio 92), quando mais de cem chefes de Estado e de governo se encontraram no Rio.
Na sua opinião, o mundo vive seu momento de maior instabilidade na era pós-Guerra Fria: "Uma década de unipolaridade foi prolífica na discussão de temas globais. A Rio 92 tornou a questão ambiental tema das relações internacionais. Houve a revisão do Tratado de Não Proliferação Nuclear. Os atentados de 2001 marcam o fim da unipolaridade inconteste dos EUA, revelam sua fragilidade".
Com o declínio da hiperpotência hegemônica, a emergência de novos grandes atores, como China, Índia e Brasil, a integração das cadeias produtivas pela globalização econômica e a migração do centro de gravidade da economia mundial para a Ásia, raciocina o embaixador Castro Neves, há uma indefinição de parâmetros: "Tudo isso torna a Rio+20 mais crítica".
O Brasil defende desenvolvimento sustentável que inclua os aspectos econômico, social e ambiental, disse o embaixador. Esse é o conceito lançado em 1987 pelo Relatório Brundtland. Refletindo a tradicional posição defensiva do Itamaraty em questão ambiental, chegou a falar que, no passado "queriam transformar países em desenvolvimento em grandes jardins botânicos e zoológicos".
Castro Neves entende que o sucesso da Rio+20 depende de um foco bem definido. Ele acredita que poderia ser a evolução rumo a uma economia com menor queima de carbono. É contra a transformação do Pnuma numa agência: "A criação de um órgão em si não é suficiente".
No encerramento da conferência No Caminho da Rio+20, organizada pela Fundação Konrad Adenauer e o jornal O Estado de São Paulo, o embaixador alemão defendeu uma transição para "uma economia verde, com crescimento verde, com metas de desenvolvimento verde, como as Metas do Milênio" para reduzir a pobreza.
Uma proposta central da Europa é transformar o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) numa agência como a Organização Mundial da Saúde (OMS). É uma tentativa de salvar a Rio+20. Mas há pouco interesse no meio ambiente em meio à pior crise econômica internacional dos últimos 70 anos.
Os Estados Unidos e a China, as duas maiores economias, estão em ano eleitoral. Em plena campanha, dificilmente o presidente Barack Obama virá ao Rio para ser criticado pela total falta de compromisso do governo federal americano em adotar metas de redução das emissões dos gases que agravam o efeito estufa e ser acusado pela direita americana de fazer concessões.
A China é hoje um dos países que mais investem em energias limpas e renováveis, mas construiu seu modelo de desenvolvimento sem prestar a atenção ao meio ambiente. Foi um crescimento rápido e sujo. Seis das dez cidades mais poluídas do mundo ficam na China.
Como é o crescimento que legitima o poder absoluto do Partido Comunista, o governo chinês quer manter total controle sobre seu processo de desenvolvimento, sem concessões a acordos e organizações internacionais. As mudanças chinesas serão ditadas pelos chineses.
Já o Brasil mantém historicamente uma posição defensiva. Tenta destacar o aspecto social do desenvolvimento. Não quer se comprometer em acordos internacionais que impliquem qualquer cessão de soberania, por exemplo, uma convenção sobre florestas para preservar a Amazônia, prestes a enfrentar uma nova de devastação com o novo Código (Anti)Florestal em fase final de aprovação.
Para o embaixador aposentado Luiz Augusto Castro Neves, presidente do Conselho Curador do Centro Brasileiros de Relações Internacionais (Cebri), a Rio+20 será apenas uma revisão dos resultados da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio 92), quando mais de cem chefes de Estado e de governo se encontraram no Rio.
Na sua opinião, o mundo vive seu momento de maior instabilidade na era pós-Guerra Fria: "Uma década de unipolaridade foi prolífica na discussão de temas globais. A Rio 92 tornou a questão ambiental tema das relações internacionais. Houve a revisão do Tratado de Não Proliferação Nuclear. Os atentados de 2001 marcam o fim da unipolaridade inconteste dos EUA, revelam sua fragilidade".
Com o declínio da hiperpotência hegemônica, a emergência de novos grandes atores, como China, Índia e Brasil, a integração das cadeias produtivas pela globalização econômica e a migração do centro de gravidade da economia mundial para a Ásia, raciocina o embaixador Castro Neves, há uma indefinição de parâmetros: "Tudo isso torna a Rio+20 mais crítica".
O Brasil defende desenvolvimento sustentável que inclua os aspectos econômico, social e ambiental, disse o embaixador. Esse é o conceito lançado em 1987 pelo Relatório Brundtland. Refletindo a tradicional posição defensiva do Itamaraty em questão ambiental, chegou a falar que, no passado "queriam transformar países em desenvolvimento em grandes jardins botânicos e zoológicos".
Castro Neves entende que o sucesso da Rio+20 depende de um foco bem definido. Ele acredita que poderia ser a evolução rumo a uma economia com menor queima de carbono. É contra a transformação do Pnuma numa agência: "A criação de um órgão em si não é suficiente".
FMI melhora previsão de crescimento mundial
Na sua Perspectiva Econômica Mundial, lançada hoje em Washington, o Fundo Monetário Internacional aumentou de 3,3% para 3,5% sua previsão para o crescimento da economia mundial em 2012, mas advertiu que a crise das dívidas públicas da Zona do Euro e a alta nos preços do petróleo podem atrapalhar a recuperação. Para 2013, a expectativa é de expansão de 4,1%.
O Brasil deve avançar 3% em 2012 e 4,1% em 2013. Neste ano, fica atrás das médias da América Latina (3,7%) e dos países emergentes em geral (4,7%).
Das maiores economias do mundo, a previsão é de crescimento de 2,1% neste ano e de 2,4% em 2013 para os Estados Unidos, e de 8,2% e 8,8% para a China.
Quanto à Europa, o FMI propôs a adoção de medidas para estimular o crescimento como lmelhor saída para a crise das dívidas.
O Brasil deve avançar 3% em 2012 e 4,1% em 2013. Neste ano, fica atrás das médias da América Latina (3,7%) e dos países emergentes em geral (4,7%).
Das maiores economias do mundo, a previsão é de crescimento de 2,1% neste ano e de 2,4% em 2013 para os Estados Unidos, e de 8,2% e 8,8% para a China.
Quanto à Europa, o FMI propôs a adoção de medidas para estimular o crescimento como lmelhor saída para a crise das dívidas.
Argentina rejeita pedido de indenização da Repsol
Um dia depois de anunciar a desapropriação da antiga companhia estatal de petróleo da Argentina, Yacimientos Petrolíferos Fiscales (YPF), o governo Cristina Kirchner rejeitou a avaliação da empresa espanhola Repsol de que sua participação de 51% no capital da YPF-Repsol valeria US$ 10,5 bilhões.
O ministro do Planejamento, Julio De Vido, um dos homens-fortes do kirchnerismo, avisou que o governo argentino pretende descontar o valor dos danos ambientais supostamente causados pela empresa.
No Senado, De Vido discutiu com o senador Luis Naydenoff, da oposicionista União Cívica Radical (UCR), que lembrou que o casal Kirchner apoiou a privatização realizada em 1991 pelo então presidente Carlos Menem, ganhando US$ 600 mil com a venda de sua participação acionária.
Aqui no Brasil, peleguisticamente, o ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, afirmou não ter informações sobre um possível interesse argentino em assumir as operações da Petrobrás. Ele disse que seria uma decisão soberana do país vizinho à qual o Brasil não teria como se opor, como se os dois países não fossem sócios no Mercosul e não tivessem de respeitar os acordos assinados.
Na semana passada, a Petrobrás perdeu a licença para explorar petróleo na província de Neuquén. Cristina passaria a área para a YPF estatizada.
O ministro do Planejamento, Julio De Vido, um dos homens-fortes do kirchnerismo, avisou que o governo argentino pretende descontar o valor dos danos ambientais supostamente causados pela empresa.
No Senado, De Vido discutiu com o senador Luis Naydenoff, da oposicionista União Cívica Radical (UCR), que lembrou que o casal Kirchner apoiou a privatização realizada em 1991 pelo então presidente Carlos Menem, ganhando US$ 600 mil com a venda de sua participação acionária.
Aqui no Brasil, peleguisticamente, o ministro de Minas e Energia, Edson Lobão, afirmou não ter informações sobre um possível interesse argentino em assumir as operações da Petrobrás. Ele disse que seria uma decisão soberana do país vizinho à qual o Brasil não teria como se opor, como se os dois países não fossem sócios no Mercosul e não tivessem de respeitar os acordos assinados.
Na semana passada, a Petrobrás perdeu a licença para explorar petróleo na província de Neuquén. Cristina passaria a área para a YPF estatizada.
Índia corta taxa básica de juros para 8% ao ano
Para estimular o crescimento da terceira maior economia da Ásia, o Banco da Reserva da Índia anunciou hoje a primeira redução na sua taxa básica de juros em três anos. A taxa que o banco central indiano cobra para emprestar dinheiro aos bancos caiu meio ponto percentual para 8% ao ano.
No último trimestre de 2011, a Índia crescia num ritmo anual de 6,1%, abaixo do nível dos trimestres anteriores, numa curva descendente de desaceleração do crescimento. Agora, as autoridades monetárias resolveram reagir.
A Índia avança em ritmo inferior ao da China, mas também apresenta taxas de crescimento elevadas, acima do que é considerado possível para a economia brasileira.
O Brasil, a China e a Indonésia, os três outros grandes países emergentes, já tinham cortado seus juros.
No último trimestre de 2011, a Índia crescia num ritmo anual de 6,1%, abaixo do nível dos trimestres anteriores, numa curva descendente de desaceleração do crescimento. Agora, as autoridades monetárias resolveram reagir.
A Índia avança em ritmo inferior ao da China, mas também apresenta taxas de crescimento elevadas, acima do que é considerado possível para a economia brasileira.
O Brasil, a China e a Indonésia, os três outros grandes países emergentes, já tinham cortado seus juros.
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Candidato dos EUA é eleito para Banco Mundial
O sul-coreano naturalizado americano Jim Yong Kim, indicado pelo presidente Barack Obama, foi eleito hoje para presidir o Banco Mundial por cinco anos a partir de 1º de julho de 2012. Ele venceu a ministra das Finanças da Nigéria, Ngozi Okonjo-Iweala, que tinha o apoio do Brasil e dos países em desenvolvimento.
Jim Yong Kim sucede outro americano, Robert Zoellick. Desde que as grandes instituições econômicas internacionais foram criadas, na Conferência de Bretton Woods, em 1944, e instaladas em 1947, um europeu dirige o Fundo Monetário Internacional (FMI) e um americano o Banco Mundial.
Agora, os países em desenvolvimento, liderados por China, Brasil e Índia, querem mudar essa regra anacrônica, mas os países ricos resistem. É algo que se conquista.
Ao nomear um médico, antropólogo e diretor de faculdade que não nasceu nos Estados Unidos, Obama já aceitou uma mudança moderada. É o primeiro profissional com experiência prática em desenvolvimento, como médico e professor, com campanhas de combate à aids a presidir o Bando Mundial.
"Não há comparação entre ele e os presidentes anteriores do banco", declarou à TV britânica BBC Mark Weisbrot, do Centro de Pesquisas Políticas e Econômicas de Washington. "Os outros eram políticos ou empresários. Passaram a maior parte de suas acumulando dinheiro e poder. Em contraste, Kim passou a maior parte de sua vida tentando melhorar a vida dos pobres".
A instituição nasceu como Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento, destinado a financiar a recuperação dos países arrasados pela Segunda Guerra Mundial. Com a descolonização da África e da Ásia, tornou-se um grande banco de desenvolvimento, sempre orientado pelo Tesouro dos Estados Unidos, seu maior cotista, que junto com os votos da Europa ainda elegem o presidente.
Jim Yong Kim sucede outro americano, Robert Zoellick. Desde que as grandes instituições econômicas internacionais foram criadas, na Conferência de Bretton Woods, em 1944, e instaladas em 1947, um europeu dirige o Fundo Monetário Internacional (FMI) e um americano o Banco Mundial.
Agora, os países em desenvolvimento, liderados por China, Brasil e Índia, querem mudar essa regra anacrônica, mas os países ricos resistem. É algo que se conquista.
Ao nomear um médico, antropólogo e diretor de faculdade que não nasceu nos Estados Unidos, Obama já aceitou uma mudança moderada. É o primeiro profissional com experiência prática em desenvolvimento, como médico e professor, com campanhas de combate à aids a presidir o Bando Mundial.
"Não há comparação entre ele e os presidentes anteriores do banco", declarou à TV britânica BBC Mark Weisbrot, do Centro de Pesquisas Políticas e Econômicas de Washington. "Os outros eram políticos ou empresários. Passaram a maior parte de suas acumulando dinheiro e poder. Em contraste, Kim passou a maior parte de sua vida tentando melhorar a vida dos pobres".
A instituição nasceu como Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento, destinado a financiar a recuperação dos países arrasados pela Segunda Guerra Mundial. Com a descolonização da África e da Ásia, tornou-se um grande banco de desenvolvimento, sempre orientado pelo Tesouro dos Estados Unidos, seu maior cotista, que junto com os votos da Europa ainda elegem o presidente.
Argentina desapropria antiga estatal do petróleo
A presidente Cristina Kirchner enviou projeto de lei ao Congresso da Argentina declarando de utilidade pública para fins de desapropriação a companhia de petróleo Yacimientos Petrolíferos Fiscales-Repsol, a antiga estatal de petróleo do país, privatizada no governo de Carlos Menem (1989-99).
A YPF foi comprada pelo grupo espanhol Repsol. Vinha sendo acusada de não fazer os investimentos necessários para aumentar a produção, mesma acusação feita por sinal à Petrobrás.
O governo da Espanha ameaça retaliar.
A YPF foi comprada pelo grupo espanhol Repsol. Vinha sendo acusada de não fazer os investimentos necessários para aumentar a produção, mesma acusação feita por sinal à Petrobrás.
O governo da Espanha ameaça retaliar.
Filho de Bo Xilai deixa apartamento nos EUA
O filho do alto dirigente do regime comunista da China Bo Xilai, que caiu em desgraça e foi expurgado no mês passado, deixou o apartamento onde morava em Cambridge, Massachusetts, nos Estados Unidos, sob escolta de seguranças particulares. Seu destino é ignorado, informa o jornal The Wall St. Journal.
Bo Guagua faz pós-graduação na John Fitzgerald Kennedy School of Government, a faculdade de ciências políticas da Universidade de Harvard, a mais prestigiada do mundo, onde deveria se formar neste ano.
Com a queda do pai e a prisão da mãe, Gu Kailai, acusada pelo assassinato do empresário britânico Neil Heywood, em novembro de 2011, o jovem Bo enfrenta um futuro difícil na China.
A Universidade de Harvard não comentou, alegando que sua política de privacidade a impede de falar sobre a situação particular de alunos. A polícia de Cambridge disse não ter nenhuma ordem de prisão contra o jovem Bo.
O jornal inglês The Daily Telegraph, citado pelo jornal taiwanês China Times, noticia que ele pode pedir asilo aos EUA. Seria mais um escândalo, em meio à queda mais espetacular de um membro do Politburo, da cúpula do Partido Comunista, de um dos 25 homens mais poderosos da China, desde que Zhao Ziyang foi destituído da Secretaria Geral do partido por não concordar com o uso da força contra os estudantes acampados na Praça da Paz Celestial, em Beijim, em 1989.
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| Bo Guagua com o pai |
Com a queda do pai e a prisão da mãe, Gu Kailai, acusada pelo assassinato do empresário britânico Neil Heywood, em novembro de 2011, o jovem Bo enfrenta um futuro difícil na China.
A Universidade de Harvard não comentou, alegando que sua política de privacidade a impede de falar sobre a situação particular de alunos. A polícia de Cambridge disse não ter nenhuma ordem de prisão contra o jovem Bo.
O jornal inglês The Daily Telegraph, citado pelo jornal taiwanês China Times, noticia que ele pode pedir asilo aos EUA. Seria mais um escândalo, em meio à queda mais espetacular de um membro do Politburo, da cúpula do Partido Comunista, de um dos 25 homens mais poderosos da China, desde que Zhao Ziyang foi destituído da Secretaria Geral do partido por não concordar com o uso da força contra os estudantes acampados na Praça da Paz Celestial, em Beijim, em 1989.
Espanha paga juros acima de 6% para rolar dívida
Um novo alerta vermelho foi aceso hoje na crise das dívidas públicas da Zona do Euro. A Espanha foi obrigada a pagar juros de mais de 6% ao ano para rolar sua dívida.
Como o país está em recessão, esse nível de juros é considerado insustentável. Para pagar juros tão altos, o país teria de aumentar a arrecadação de impostos, o que depende da volta do crescimento. Sem investimento, não vai haver crescimento.
É uma espiral descendente que se autoalimenta. Com 23% de desemprego, que chega a 50% entre os jovens, o futuro de uma geração está parcialmente comprometido. Vai haver uma fuga de mão de obra, inclusive de cérebros que farão falta.
Como o país está em recessão, esse nível de juros é considerado insustentável. Para pagar juros tão altos, o país teria de aumentar a arrecadação de impostos, o que depende da volta do crescimento. Sem investimento, não vai haver crescimento.
É uma espiral descendente que se autoalimenta. Com 23% de desemprego, que chega a 50% entre os jovens, o futuro de uma geração está parcialmente comprometido. Vai haver uma fuga de mão de obra, inclusive de cérebros que farão falta.
Egito veta candidatos à Presidência
A comissão eleitoral do Egito vetou no sábado dez candidaturas à Presidência da República nas eleições do próximo mês, inclusive o ex-vice-presidente Omar Suleiman, que foi chefe da temida polícia política do governo Hosni Mubarak; o vice-líder da Irmandade Muçulmana, Kharait al-Chater, um grupo islamita moderado; e o representante dos salafistas, os fundamentalistas radicais, Hazem Abu Ismail.
Varejo supera expectativa nos EUA
Apesar do aumento na gasolina, as vendas no varejo avançaram 0,8% em março nos Estados Unidos, acima da expectativa dos economistas.
O aumento nos gastos com automóveis e reformas de casa indica um aumento na confiança na recuperação da economia, observa o jornal The Wall St. Journal.
O aumento nos gastos com automóveis e reformas de casa indica um aumento na confiança na recuperação da economia, observa o jornal The Wall St. Journal.
Terrorista norueguês pretexta legítima defesa
O terrorista de extrema direita Anders Behring Breivik, que matou 77 pessoas em julho de 2011, pretextou hoje ser inocente, alegando ter agido em legítima defesa. Além de um atentado a bomba contra prédios públicos no centro de Oslo, ele atacou a tiros um encontro do setor jovem do governante Partido Trabalhista.
No primeiro dia do processo, Breivik declarou não reconhecer a competência do tribunal por ser parte de um governo formado por partidos que aceitam o multiculturalismo.
A única dúvida é se ele será condenado à prisão perpétua ou será internado em uma instituição psiquiátrica forense.
No primeiro exame de sanidade mental, realizado no ano passado, os médicos concluíram que Breivik era mentalmente incapaz. Um segundo exame, divulgado há poucos dias, o considerou capaz de entender a gravidade de seus atos, sendo portanto criminalmente responsável.
No primeiro dia do processo, Breivik declarou não reconhecer a competência do tribunal por ser parte de um governo formado por partidos que aceitam o multiculturalismo.
A única dúvida é se ele será condenado à prisão perpétua ou será internado em uma instituição psiquiátrica forense.
No primeiro exame de sanidade mental, realizado no ano passado, os médicos concluíram que Breivik era mentalmente incapaz. Um segundo exame, divulgado há poucos dias, o considerou capaz de entender a gravidade de seus atos, sendo portanto criminalmente responsável.
China amplia banda de flutuação do iuã
Sob intensa pressão de seus maiores parceiros comerciais - União Europeia, Estados Unidos e Japão - para deixar sua moeda flutuar livremente, a China anunciou hoje a ampliação do limite da margem de flutuação diária do iuã em relação ao dólar de 0,5% para 1%.
Há décadas, a China adota políticas de desvalorização competitiva. Mantém a moeda fraca para melhorar o preço de suas exportações no mercado internacional. Essa foi uma das bases do desenvolvimento chinês das últimas três décadas, o mais extraordinário da história da humanidade, e uma das causas da crise da Ásia, em 1997, que acabou contaminando todos os mercados emergentes, a Rússia e a América Latina, especialmente Brasil e Argentina, mas poupou a China.
Como o anúncio do Banco Popular da China foi feito em inglês, os analistas entendem que o principal alvo foi o mercado internacional, informou a TV pública britânica BBC.
O Tesouro dos EUA elogiou a medida, dizendo que "uma flutuação que permita que o câmbio reflita as forças do mercado pode contribuir para o reequilíbrio da economia mundial, o que seria positivo para a China, os EUA e a economia mundial".
Há décadas, a China adota políticas de desvalorização competitiva. Mantém a moeda fraca para melhorar o preço de suas exportações no mercado internacional. Essa foi uma das bases do desenvolvimento chinês das últimas três décadas, o mais extraordinário da história da humanidade, e uma das causas da crise da Ásia, em 1997, que acabou contaminando todos os mercados emergentes, a Rússia e a América Latina, especialmente Brasil e Argentina, mas poupou a China.
Como o anúncio do Banco Popular da China foi feito em inglês, os analistas entendem que o principal alvo foi o mercado internacional, informou a TV pública britânica BBC.
O Tesouro dos EUA elogiou a medida, dizendo que "uma flutuação que permita que o câmbio reflita as forças do mercado pode contribuir para o reequilíbrio da economia mundial, o que seria positivo para a China, os EUA e a economia mundial".
domingo, 15 de abril de 2012
Síria tenta impor limites a observadores da ONU
A ditadura de Bachar Assad quer controlar a missão autorizada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas para fiscalizar a frágil trégua em vigor desde quinta-feira passada na guerra civil da Síria.
O governo sírio insiste em que os monitores só vão onde forem autorizados e em companhia de agentes governamentais. É mais um sinal evidente de que o ditador não pretende fazer qualquer concessão aos rebeldes que lutam há um ano e um mês num conflito que matou quase 10 mil pessoas.
O governo sírio insiste em que os monitores só vão onde forem autorizados e em companhia de agentes governamentais. É mais um sinal evidente de que o ditador não pretende fazer qualquer concessão aos rebeldes que lutam há um ano e um mês num conflito que matou quase 10 mil pessoas.
Talebã lançam ofensiva de primavera
Com o fim do rigoroso inverno no Afeganistão, a milícia fundamentalista dos Talebã (Estudantes) lançou neste fim de semana sua ofensiva de primavera em uma série de ataques coordenados realizados por terroristas suicidas e atiradores na capital e em três províncias. Pelo menos 19 rebeldes foram mortos, informou o governo afegão.
Vinte e quatro horas depois do início dos combates, as autoridades anunciaram agora há pouco que a situação está sob controle. Oficialmente, só o Exército do Afeganistão enfrentou os Talebã, deixando as forcas internacionais lideradas pelos Estados Unidos num papel de aconselhamento e proteção de suas próprias instalações .
Em Cabul, os principais alvos eram as embaixadas dos EUA, do Reino Unido e da Alemanha, e o quartel-general da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Isso mostra a capacidade e a ousadia dos rebeldes.
A Guerra do Afeganistão já é a mais longa da história americana. Começou em 7 de outubro de 2001 para destruir as bases e os centros de treinamento da rede terrorista Al Caeda e derrubar o governo da milícia dos Talebã, que a acobertava. Mas, depois da Batalha de Tora Bora, em dezembro daquele ano, quando Ossama ben Laden e a liderança da Al Caeda fugiram para o Paquistão, o então presidente George W. Bush desviou a maior parte dos recursos para invadir o Iraque e derrubar Saddam Hussein.
Ao ordenar um reforço de tropas que elevou o contingente americano no Afeganistão para cerca de 100 mil soldados, o presidente Barack Obama pretendia reassumir o controle da situação, treinar o Exército afegão e forçar os Talebã ou pelo menos parte dos inimigos a negociar numa posição mais fraca, preparando assim a retirada dos EUA.
Apesar do primitivismo, inclusive militar, dos Talebã, eles têm o fervor ideológico e o apoio dos serviços secretos do Paquistão. Como os EUA e as outras potências ocidentais manifestaram claramente a intenção de sair do Afeganistão, quem vai ficar prepara-se para testar as forças de segurança treinadas pela OTAN para sustentar o governo atualmente presidido por Hamid Karzai, alvo de inúmeras denúncias da corrupção.
Como a maior parte do Exército do Paquistão se concentra na outra fronteira, com a Índia, inimiga histórica com que começou uma nova reaproximação, no Oeste, os serviços secretos paquistaneses usam a maioria pachtum dos dois lados de uma fronteira incerta traçada pelo Império Britânico, a Linha Durand, para criar uma zona de segurança povoada de extremistas muçulmanos.
Outros vizinhos poderosos como a Rússia e o Irã também tem interesses nesta encruzilhada do mundo antigo que se tornou um campo de batalha de interesses externos.
Vinte e quatro horas depois do início dos combates, as autoridades anunciaram agora há pouco que a situação está sob controle. Oficialmente, só o Exército do Afeganistão enfrentou os Talebã, deixando as forcas internacionais lideradas pelos Estados Unidos num papel de aconselhamento e proteção de suas próprias instalações .
Em Cabul, os principais alvos eram as embaixadas dos EUA, do Reino Unido e da Alemanha, e o quartel-general da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Isso mostra a capacidade e a ousadia dos rebeldes.
A Guerra do Afeganistão já é a mais longa da história americana. Começou em 7 de outubro de 2001 para destruir as bases e os centros de treinamento da rede terrorista Al Caeda e derrubar o governo da milícia dos Talebã, que a acobertava. Mas, depois da Batalha de Tora Bora, em dezembro daquele ano, quando Ossama ben Laden e a liderança da Al Caeda fugiram para o Paquistão, o então presidente George W. Bush desviou a maior parte dos recursos para invadir o Iraque e derrubar Saddam Hussein.
Ao ordenar um reforço de tropas que elevou o contingente americano no Afeganistão para cerca de 100 mil soldados, o presidente Barack Obama pretendia reassumir o controle da situação, treinar o Exército afegão e forçar os Talebã ou pelo menos parte dos inimigos a negociar numa posição mais fraca, preparando assim a retirada dos EUA.
Apesar do primitivismo, inclusive militar, dos Talebã, eles têm o fervor ideológico e o apoio dos serviços secretos do Paquistão. Como os EUA e as outras potências ocidentais manifestaram claramente a intenção de sair do Afeganistão, quem vai ficar prepara-se para testar as forças de segurança treinadas pela OTAN para sustentar o governo atualmente presidido por Hamid Karzai, alvo de inúmeras denúncias da corrupção.
Como a maior parte do Exército do Paquistão se concentra na outra fronteira, com a Índia, inimiga histórica com que começou uma nova reaproximação, no Oeste, os serviços secretos paquistaneses usam a maioria pachtum dos dois lados de uma fronteira incerta traçada pelo Império Britânico, a Linha Durand, para criar uma zona de segurança povoada de extremistas muçulmanos.
Outros vizinhos poderosos como a Rússia e o Irã também tem interesses nesta encruzilhada do mundo antigo que se tornou um campo de batalha de interesses externos.
Escândalo sexual marca Cúpula das Américas
Onze seguranças do presidente Barack Obama foram acusados ontem de levar prostitutas para seus quartos no hotel onde a delegação dos Estados Unidos está hospedada para a Conferência de Cúpula das Américas em Cartagena, na Colômbia. Todos foram suspensos e estão ameaçados de demissão. Cinco militares também estão sendo investigados.
Pelo menos 21 mulheres participaram da festinha, que teria acontecido antes da chegada de Obama. Uma teria deixado o hotel depois das sete da manhã, violando as regras da empresa. Por isso, o escândalo veio à tona.
A Cúpula das Américas terminou em fracasso, sem declaração final e sob ameaça de não ser mais realizada. Os EUA e o Canadá se negaram a apoiar a decisão dos países latino-americanos de convidar Cuba para o próximo encontro nem de defender a soberania da Argentina sobre as Ilhas Malvinas.
Se o objetivo da América Latina era se afastar dos dois grandes países da América do Norte, até pode-se falar em sucesso, mas a margem para se chegar a consensos é mínima.
O presidente Obama afirma que o regime comunista de Cuba não respondeu a nenhuma de suas medidas para melhorar o relacionamento bilateral.
Pelo menos 21 mulheres participaram da festinha, que teria acontecido antes da chegada de Obama. Uma teria deixado o hotel depois das sete da manhã, violando as regras da empresa. Por isso, o escândalo veio à tona.
A Cúpula das Américas terminou em fracasso, sem declaração final e sob ameaça de não ser mais realizada. Os EUA e o Canadá se negaram a apoiar a decisão dos países latino-americanos de convidar Cuba para o próximo encontro nem de defender a soberania da Argentina sobre as Ilhas Malvinas.
Se o objetivo da América Latina era se afastar dos dois grandes países da América do Norte, até pode-se falar em sucesso, mas a margem para se chegar a consensos é mínima.
O presidente Obama afirma que o regime comunista de Cuba não respondeu a nenhuma de suas medidas para melhorar o relacionamento bilateral.
sábado, 14 de abril de 2012
Lusofonia repudia golpe de Estado na Guiné-Bissau
A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa repudiou hoje o golpe de Estado na Guiné-Bissau, na África, e exige o restabelecimento da ordem constitucional. No fim de encontro realizado em Lisboa, os países da Lusofonia divulgaram a seguinte nota:
O Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), reunido em Lisboa, no dia 14 de Abril de 2012, na sua 8ª Reunião Extraordinária, para analisar a situação na República da Guiné-Bissau, na sequência do golpe militar de 12 de Abril de 2012;
Recordando que o primado da paz, da democracia, do Estado de Direito, dos direitos humanos e da justiça social são princípios fundadores da CPLP;
Tendo tomado conhecimento, com consternação, do golpe militar perpetrado na Guiné-Bissau, em flagrante violação daqueles princípios fundamentais;
Tendo em consideração a circunstância agravante do golpe militar ter ocorrido na véspera do início da campanha eleitoral para a 2ª volta que levaria à escolha do Presidente da República, num processo eleitoral cuja transparência foi reconhecida pelas instâncias nacionais e internacionais;
Tendo ouvido a exposição detalhada e informada do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Cooperação Internacional e das Comunidades da República da Guiné-Bissau sobre a situação no país;
DECIDE:
1. Condenar, com veemência, todas as ações de subversão ocorridas na Guiné-Bissau, exigindo a imediata reposição da ordem constitucional, da legalidade democrática e a conclusão do processo eleitoral;
2. Instar todos os implicados a cessarem de imediato os atos violentos e ilegais, que são objeto de condenação por parte de toda a comunidade internacional;
3. Exigir o estrito respeito e a preservação da integridade física de todos os titulares de cargos públicos e demais cidadãos que se encontram sob custódia dos militares sublevados, assim como a sua libertação imediata e incondicional, sublinhando que qualquer ato de violência será considerado intolerável e acarretará graves consequências para os seus perpetradores, implicando a responsabilização dos envolvidos, no plano do direito penal internacional;
4. Afirmar, perante o povo guineense e a comunidade internacional que as únicas autoridades reconhecidas pela CPLP na Guiné-Bissau são as que resultam do exercício do voto popular, da legalidade institucional e dos imperativos da Constituição, repudiando quaisquer atos de entidades que possam vir a ser anunciadas na sequência do golpe militar;
5. Apoiar o importante papel desempenhado pela MISSANG, no quadro do acordo celebrado, em prol da estabilização, pacificação e reforma do setor de defesa e segurança da Guiné-Bissau, reconhecido pela sociedade civil e pelas autoridades legítimas guineenses, bem como pela comunidade internacional;
6. Manter uma estreita articulação com os Estados da Sub-Região da África Ocidental e com os seus parceiros regionais e internacionais, nomeadamente a Organização das Nações Unidas, União Africana, CEDEAO e União Europeia, com vista ao estabelecimento de uma parceria efetiva que possa contribuir para a pacificação e a estabilização duradoura da Guiné-Bissau;
7. Tomar a iniciativa de, no quadro das Nações Unidas, em articulação com a CEDEAO, a União Africana e a União Europeia, tendo em conta a experiência da MISSANG no terreno, constituir uma força de interposição para a Guiné-Bissau, com mandato definido pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, visando:
a. A defesa da paz e da segurança;
b. A garantia da ordem constitucional;
c. A proteção das instituições, das autoridades legítimas e das populações;
d. A conclusão do processo eleitoral;
e. A concretização da reforma do setor de defesa e segurança.
8. Advertir todos os implicados na alteração da ordem constitucional na Guiné-Bissau, civis e militares, de que a persistência na ilegalidade conduzirá a que os Estados membros da CPLP proponham a aplicação de sanções individualizadas por parte das organizações internacionais e regionais pertinentes, nomeadamente:
a. proibição de viagens;
b. congelamento de ativos;
c. responsabilização criminal.
9. Reafirmar a necessidade imperiosa de concretizar a reforma do sector de defesa e segurança da Guiné-Bissau, enquanto condição para o estabelecimento da paz e estabilidade duradoura no País;
10. Reiterar que somente o pleno respeito pela ordem constitucional, pelo Estado de Direito, pelas autoridades democraticamente constituídas e pelo processo eleitoral em curso, garantirá que o povo guineense – a principal vítima da presente situação – alcance a paz e o desenvolvimento;
11. Aprovar um “plano de ação imediata” visando a concretização das decisões enunciadas na presente resolução.
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