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quarta-feira, 4 de maio de 2016

Presidente de Portugal fala em repensar o acordo ortográfico

Durante visita de Estado à ex-colônia de Moçambique, o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, declarou que, se este país africano e Angola decidirem não ratificar o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, será o caso de revisar a matéria.

Em entrevista à Rádio e Televisão Portuguesa (RTP) África, o chefe de Estado português admitiu que pessoalmente não segue a nova ortografia.

"Estamos à espera de que Moçambique decida sim ou não ao Acordo Ortográfico", afirmou Rebelo de Sousa. "Se decidir que não, mais Angola, é uma oportunidade para repensar essa matéria."

O acordo foi assinado em 1990 por Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau e São Tomé e Príncipe, da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), fundada em julho de 1996. O Timor Leste aderiu em 2004, depois de sua independência. Todos os países lusófonos ratificaram o acordo, menos Angola e Moçambique.

No Brasil, o acordo ortográfico entrou em vigor em maio de 2009, com um período de transição de três anos. Veja o que mudou no Guia Prático da Nova Ortografia dos Dicionários Michaelis.

quarta-feira, 2 de julho de 2014

OMS faz reunião de emergência sobre surto de ebola

A pedido da Organização Mundial da Saúde, os ministros da Saúde de 11 países da África Ocidental se reuniram hoje em Acra, a capital de Gana para articular o combate a um surto do vírus ebola. De 763 pessoas infectadas na região, 468 morreram.

Já é o pior surto do vírus ebola. A maior parte dos casos foi registrada na Guiné, mas o ebola se espalhou para a Libéria e Serra Leoa. Também participaram do encontro representantes da Costa do Marfim, Gana, Gâmbia, a Guiné-Bissau, o Mali, a República Democrática do Congo, o Senegal e Uganda.

Para a OMS, é necessária uma "ação drástica" para eliminar o vírus e evitar sua propagação. "Precisamos fortalecer a cooperação e as respostas destes países para conter o surto", declarou Daniel Epstein, porta-voz da agência da ONU.

Como medidas para impedir a movimentação de pessoas na área afetada seriam impraticáveis, acrescentou Epstein, "precisamos de uma resposta forte, principalmente nas áreas de fronteira."

O vírus ebola mata em 90% dos casos. É transmitido pelo contato com os fluidos do corpo da pessoa infectada. Não há cura nem vacina. A maneira de conter o surto e evitar que se transforme numa epidemia é isolar os doentes e quem teve contato com eles. No momento, os médicos estão monitorando centenas de pessoas por um prazo de 21 dias.

Ebola é uma febre hemorrágica. Pode começar de repente, com febre alta, diarreia e vômito. Só 10% dos pacientes conseguem vencer o vírus. Os outros sofrem homorragias internas e externas até os órgãos pararem de funcionar.

sábado, 14 de abril de 2012

Lusofonia repudia golpe de Estado na Guiné-Bissau

A Comunidade dos Países de Língua Portuguesa repudiou hoje o golpe de Estado na Guiné-Bissau, na África, e exige o restabelecimento da ordem constitucional. No fim de encontro realizado em Lisboa, os países da Lusofonia divulgaram a seguinte nota:

O Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), reunido em Lisboa, no dia 14 de Abril de 2012, na sua 8ª Reunião Extraordinária, para analisar a situação na República da Guiné-Bissau, na sequência do golpe militar de 12 de Abril de 2012;

Recordando que o primado da paz, da democracia, do Estado de Direito, dos direitos humanos e da justiça social são princípios fundadores da CPLP;

Tendo tomado conhecimento, com consternação, do golpe militar perpetrado na Guiné-Bissau, em flagrante violação daqueles princípios fundamentais;

Tendo em consideração a circunstância agravante do golpe militar ter ocorrido na véspera do início da campanha eleitoral para a 2ª volta que levaria à escolha do Presidente da República, num processo eleitoral cuja transparência foi reconhecida pelas instâncias nacionais e internacionais;

Tendo ouvido a exposição detalhada e informada do Ministro dos Negócios Estrangeiros, Cooperação Internacional e das Comunidades da República da Guiné-Bissau sobre a situação no país;

DECIDE:

1. Condenar, com veemência, todas as ações de subversão ocorridas na Guiné-Bissau, exigindo a imediata reposição da ordem constitucional, da legalidade democrática e a conclusão do processo eleitoral;

2. Instar todos os implicados a cessarem de imediato os atos violentos e ilegais, que são objeto de condenação por parte de toda a comunidade internacional;

3. Exigir o estrito respeito e a preservação da integridade física de todos os titulares de cargos públicos e demais cidadãos que se encontram sob custódia dos militares sublevados, assim como a sua libertação imediata e incondicional, sublinhando que qualquer ato de violência será considerado intolerável e acarretará graves consequências para os seus perpetradores, implicando a responsabilização dos envolvidos, no plano do direito penal internacional;

4. Afirmar, perante o povo guineense e a comunidade internacional que as únicas autoridades reconhecidas pela CPLP na Guiné-Bissau são as que resultam do exercício do voto popular, da legalidade institucional e dos imperativos da Constituição, repudiando quaisquer atos de entidades que possam vir a ser anunciadas na sequência do golpe militar;

5. Apoiar o importante papel desempenhado pela MISSANG, no quadro do acordo celebrado, em prol da estabilização, pacificação e reforma do setor de defesa e segurança da Guiné-Bissau, reconhecido pela sociedade civil e pelas autoridades legítimas guineenses, bem como pela comunidade internacional;

6. Manter uma estreita articulação com os Estados da Sub-Região da África Ocidental e com os seus parceiros regionais e internacionais, nomeadamente a Organização das Nações Unidas, União Africana, CEDEAO e União Europeia, com vista ao estabelecimento de uma parceria efetiva que possa contribuir para a pacificação e a estabilização duradoura da Guiné-Bissau;

7. Tomar a iniciativa de, no quadro das Nações Unidas, em articulação com a CEDEAO, a União Africana e a União Europeia, tendo em conta a experiência da MISSANG no terreno, constituir uma força de interposição para a Guiné-Bissau, com mandato definido pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, visando:

a. A defesa da paz e da segurança;
b. A garantia da ordem constitucional;
c. A proteção das instituições, das autoridades legítimas e das populações;
d. A conclusão do processo eleitoral;
e. A concretização da reforma do setor de defesa e segurança.

8. Advertir todos os implicados na alteração da ordem constitucional na Guiné-Bissau, civis e militares, de que a persistência na ilegalidade conduzirá a que os Estados membros da CPLP proponham a aplicação de sanções individualizadas por parte das organizações internacionais e regionais pertinentes, nomeadamente:

a. proibição de viagens;
b. congelamento de ativos;
c. responsabilização criminal.

9. Reafirmar a necessidade imperiosa de concretizar a reforma do sector de defesa e segurança da Guiné-Bissau, enquanto condição para o estabelecimento da paz e estabilidade duradoura no País;

10. Reiterar que somente o pleno respeito pela ordem constitucional, pelo Estado de Direito, pelas autoridades democraticamente constituídas e pelo processo eleitoral em curso, garantirá que o povo guineense – a principal vítima da presente situação – alcance a paz e o desenvolvimento; 

11. Aprovar um “plano de ação imediata” visando a concretização das decisões enunciadas na presente resolução.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Tentativa de golpe abala Guiné-Bissau

O presidente Malam Bacal Sanhá declarou que a situação está sob controle na Guiné-Bissau, depois de uma tentativa de golpe militar em que o primeiro-ministro Carlos Gomes Júnior e o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, almirante José Zamora Induta. Pelo menos 40 golpistas foram presos.

Em entrevista a uma rádio portuguesa, o presidente afirmou que tudo não passou de uma "confusão entre soldados".

A conspiração teria sido articulada pelo novo comandante do Exército, general António Indjai, com o apoio do ex-chefe do Estado-Maior da Marinha, Bubo Na Tchuto, que tentou um golpe em 2008 contra o então presidente João Bernardo Nino Vieira. Desde então, ele estava exilado em Gâmbia, de onde voltou em dezembro e se refugiou na embaixada das Nações Unidas em Bissau.

Com 1,6 milhão de habitantes e um produto interno bruto de US$ 430 milhões, a Guiné-Bissau, um pequeno país do Oeste da África que fala português é um dos países mais pobres do mundo, dependente de ajuda externa. Até a energia elétrica é escassa.

O atual presidente foi eleito em 2009. Seu antecessor, Nino Vieira, foi morto por militares rebeldes depois que uma explosão matou o então chefe do Estado-Maior.

Hoje, quando os militares prenderam o primeiro-ministro Gomes Jr., uma multidão se concentrou diante da sede do governo para repudiar o golpe militar.

No fim do dia, o general Indjai declarou que "o presidente Malam é um grande presidente da Guiné-Bissau e será um dos melhores presidentes do mundo". Parece um sinal de que o golpe desandou.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Militares matam presidente da Guiné-Bissau

Em um clima de caos e anarquia neste pequeno país da África portuguesa sequestrado por máfias colombianas do tráfico de cocaína, soldados mataram na madrugada de segunda-feira, 2 de março de 2009, o presidente da Guiné-Bissau, João Bernardo Nino Vieira.

Aparentemente foi uma vingança pela morte, horas antes, do comandante do Exército. O general Batista Tagme Na Wai foi morto numa explosão na noite de domingo.

Por volta das 5h, um grupo de soldados atacou a casa do presidente, que morreu ao tentar fugir. Durante algumas horas, houve tiroteio em Bissau, a capital do país.

O Exército negou que esteja em marcha um golpe de Estado, declarando que o assassinato do presidente João Bernardo Vieira foi obra de um "grupo isolado" e que a Presidência deve ser ocupada pelo presidente do Parlamento, nos termos da Constituição.

A mulher de Bernardo Vieira se refugiou na Embaixada de Angola em Bissau.

Pequena e pobre, situada no extremo oeste da África, a Guiné-Bissau se tornou numa rota importante do tráfico de drogas das máfias colombianas para a Europa.

Tanto o presidente quanto o general Tagme Na Wai eram suspeitos de ligações com o tráfico de drogas.

Vieira tinha 69 anos. Foi ditador de 1980 a 1999. Afastado em meio a uma guerra civil, voltou como presidente eleito em 2005.