quarta-feira, 7 de março de 2007

Rei da Jordânia pede ação efetiva dos EUA pela paz entre Israel e palestinos

Em discurso transmitido ao vivo agora do Congresso dos Estados Unidos, o rei Abdullah II, da Jordânia, cobrou maior envolvimento americano na solução definitiva do conflito entre Israel e os palestinos, e defendeu a criação de um Estado Nacional palestino independente.

O rei agradeceu o apoio dos EUA e, em tom emocionado, colocou a questão palestina no centro do quebra-cabeças político do Oriente Médio, afirmando que sua solução é fundamental à paz no mundo e que é urgente negociar a paz ainda neste ano.

Bush quer parcerias mas oferece pouco

O presidente George Walker Bush começa pelo Brasil nesta quinta-feira uma viagem de seis dias pela América Latina fragilizado. Sob intensa pressão por causa do fracasso da guerra no Iraque e da conseqüente derrota nas eleições parlamentares de novembro passado, quer parcerias para o desenvolvimento dos biocombustíveis e para tentar conter a “revolução bolivarista” do presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

Para o Brasil, é uma grande oportunidade de negócios. O país é o maior produtor mundial de açúcar há séculos e tem um programa nacional de álcool combustível há mais de 30 anos. Por isso mesmo, os Estados Unidos não cortarão a sobretaxa de 54 centavos por galão (3,785 litros) de álcool que inviabiliza a exportação do produto brasileiro para o mercado americano.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva protestou para consumo interno. A diplomacia brasileira sabe muito bem que Bush não têm força para reduzir a proteção para o álcool americano.

Nos EUA, a política comercial é prerrogativa do Congresso. O senador republicano Charles Grassley, defensor dos produtores de milho do estado de Iowa, protesta até mesmo com a perspectiva de que o acordo que Bush e Lula vão assinar leve a investimentos para aumentar a produção de álcool no Brasil.

Mas a produção de álcool já consome 20% do milho produzido nos EUA, com rendimento muito menor do que o álcool de cana-de-açúcar, e o preço do grão subiu 80%, abalando o mercado, inclusive no México, onde o preço da tortilha, alimento básico da comida popular mexicana, provocou a maior crise do governo do novo presidente Felipe Calderón.

As exportações americanas, que dominam 70% do mercado internacional, vão despencar e a área plantada vai crescer mais de seis milhões de hectares tomando áreas hoje cultivadas com soja, prevê o professor Marcos Jank, diretor do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais. Os sojicultores brasileiros também ganham.

No discurso anual sobre o Estado da União que o presidente dos EUA faz perante o Congresso, prestando contas e anunciando seus planos para o novo ano, em janeiro deste ano, Bush prometeu substituir em 10 anos 15% da gasolina consumida nos EUA por combustíveis alternativos e renováveis. São 132 bilhões de litros, observa Jank, duas vezes e meia a mais do que a atual produção anual de etanol, de cerca de 50 bilhões de litros.

Este seria também o limite da produção americana de álcool de milho, a ser atingido em 2012. Por isso, os EUA querem desenvolver a produção de álcool de celulose, a partir de capim, restos de colheitas, bagaços e produtos florestais. Mas Jank imagina que sejam necessários pelo menos 10 anos para que se torne economicamente viável.

Juntos, Brasil e EUA produzem 72% do etanol. Hoje os biocombustíveis produzem uma energia equivalente que não chega a 1% da gerada por combustíveis fósseis como carvão e petróleo. O potencial de negócios é enorme em uma parceria em que o Brasil não se sente em posição de inferioridade, como era o caso da Área de Livre Comércio das Américas (ALCA).

BIOCOMBUSTÍVEIS
“A questão dos biocombustíveis cresce rapidamente na agenda de Bush”, declarou o professor I. M. Destler, da Universidade de Maryland e do Instituto de Economia Internacional, ao participar do seminário Política Comercial dos EUA, do Chile e do Brasil, realizado em 6 de março no Rio de Janeiro pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais. “São novas áreas para Bush, e o Brasil está à frente dos EUA nesta área”.

Bush quer reduzir a dependência americana do petróleo do Oriente Médio e pelo menos dar a impressão de estar fazendo algo contra o efeito estufa, uma vez que seu governo não assinou o Protocolo de Quioto, que tenta limitar as emissões dos gases que provocam o aquecimento da Terra

O acordo, na verdade um memorando de entendimento, a ser firmado na próxima sexta-feira, inclui:
• pesquisas para produção de álcool a partir da celulose;
• a criação de padrões de referência para que o álcool possa ser vendido como uma ‘commodity’ nas bolsas de mercadorias, o que interessa ao Brasil, já que os EUA dificilmente exportarão álcool;
• e a cooperação para desenvolver a produção de álcool na América Central e na região do Mar do Caribe, o que interessa aos EUA.

Em 31 de março, o presidente Lula vai aos EUA retribuir a visita.

“Queremos investimento e acesso a mercados”, disse Jank no seminário do Cebri. “Mas não teremos isso agora”.

No dia 9, Bush segue para o Uruguai, onde Lula esteve antes para tentar segurar o país vizinho no Mercosul, aparentemente com sucesso. O Uruguai gostaria de negociar um acordo de comércio e investimentos com os EUA mas comprometeu-se a fazer isso dentro das regras do Mercosul.

Para os EUA, dado o tamanho do Uruguai, com PIB de US$ 13 bilhões, o único interesse seria rachar o Mercosul, agora ampliado com a Venezuela de Hugo Chávez, o arquiinimigo de Bush na América do Sul.

De Montevidéu, o presidente americano segue dia 11 para a Colômbia, onde o presidente Álvaro Uribe, seu maior aliado sul-americano, está com problemas pelo envolvimento de membros de seu governo com grupos paramilitares de direita, as Auto-defesas Unidas da Colômbia.

O Congresso dos EUA quer garantias de que o governo linha-dura de Uribe respeita os direitos humanos para renovar a ajuda anual de US$ 700 milhões para o combate às drogas do Plano Colômbia. Com os ‘paras’ a seu lado, é difícil acreditar nisso.

Bush evita a Argentina de Néstor Kirchner, a Bolívia de Evo Morales e a Venezuela de Chávez. Kirchner e Chávez convocaram uma manifestação de protesto para Buenos Aires enquanto Bush estiver em Montevidéu. A presidente das Mães da Praça de Maio convidou Morales.

Nem Lula nem o Itamaraty quer se comprometer com a contenção de Chávez proposta pelos EUA, embora o caudilho venezuelano por vezes seja um aliado incômodo.

CHAVISMO
Com exceção de Chávez, do ponto de vista de Washington, a América Latina é uma região segura e estável, apesar da preocupação americana com focos de contrabando e lavagem de dinheiro com conexões com o terrorismo como a tríplice fronteira Brasil-Argentina-Paraguai.

As outras preocupações americanas com a região são a imigração ilegal e o tráfico de drogas, uma agenda negativa. Mais uma razão para a importância da cooperação em biocombustíveis.

O roteiro de viagem revela claramente a distinção que o governo dos EUA faz entre a esquerda pragmática e moderada representada por Lula e o presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, e populismo de Chávez, Morales e Kirchner. “É a bênção de Bush ao modelo de esquerda que os EUA toleram e respeitam, frente ao neo-socialismo pregado por Chávez”, nota o jornal espanhol El País.

“Ganham as eleições os que oferecem um programa social ou programa que se adapta às necessidades dos eleitores”, reconhece o secretário de Estado adjunto para a América Latina, Tom Shannon, digerindo as últimas vitórias da esquerda. Na sua opinião, o eleitorado latino-americano marcha lentamente para o centro.

Bush vai ainda à Guatemala no dia 11, aliada no Iraque com profundas cicatrizes do tempo da Guerra Fria, quando 150 mil pessoas foram mortas, e sérios problemas de violações dos direitos humanos cometidas por agentes privados ou do Estado. Na pauta, comércio, segurança e narcotráfico.

A viagem termina no México, principal aliado dos EUA na América Latina, por força de sua fronteira comum de milhares de quilômetros, da imigração ilegal e do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta). Será uma visita ao novo presidente Felipe Calderón, que teve sua eleição contestada pelo esquerdista Andrés Manuel López Obrador e que não tem maioria no Congresso.

Lá, a questão central para Bush é a imigração ilegal. O ideal é um governo mexicano que promova o desenvolvimento. Mas Calderón está preocupado com a chamada Batalha da Tortilha, culpa do aumento da demanda por milho para fabricar álcool nos EUA.

As promessas que o presidente americano fez diante da Câmara Hispana de Comércio em Washington, em 5 de março, não significam muito.

Diante das críticas sobre o desinteresse do Grande Irmão do Norte com a América Latina, o presidente anunciou uma “agenda de justiça social” para criar empregos e desenvolver os sistemas de saúde e educação. Mas ao todo a ajuda dos EUA à região será de US$ 2 bilhões, menos do que gasta em uma semana no Iraque.

Não basta para concorrer com os bilhões de petrodólares de Chávez.

Ao depor nesta semana na Comissão de Assuntos Militares do Senado, o novo diretor nacional de inteligência dos EUA, Michael Mc Connell, manifestou preocupação com a Venezuela pela “compra de 24 caças-bombardeiros russos Sukhoi-30 e desenvolvimento de sua própria indústria de armas”. Há também 100 mil rifles Kalachnikov que substituirão armas que os americanos temem que caiam no mercado negro, de guerrilheiros, terroristas e traficantes.

McConnell declarou que Chávez está criando um Exército politizado e uma rede de milícias que contrariam a tendência de democratização e reforço das instituições na maioria dos outros países da região, representando um perigo para o futuro.

O problema é que os EUA não têm instrumentos para pressionar Chávez. Enquanto os crônicos problemas sociais não forem atacados e os preços dos petróleo estiverem em torno de US$ 60 o barril, que é a previsão para este ano, se os EUA não atacaram o Irã, o antiamericanismo chavista, que o escritor Mario Vargas Llosa chamou de volta da “idiotia latino-americano”, continuará prosperando aqui e ali mas sem fincar raízes nos países mais modernos e avançados do continente.

Tribunal de Guantânamo será fechado a jornalistas

O julgamento de 14 suspeitos da guerra contra o terrorismo transferidos no ano passado de prisões secretas da CIA (Agência Central de Inteligência dos EUA) começa nesta sexta-feira no tribunal militar especial do centro de detenção da base naval dos Estados Unidos em Guantânamo, em Cuba, sem a presença incômoda de jornalistas.

Entre eles, está Khaled Cheikh Mohammed, supostamente o idealizador dos atentados de 11 de setembro de 2001. Outro nome importante é Abu Zubaida, um palestino criado na Arábia Saudita que era o elo de ligação entre Ossama ben Laden e outras células terroristas da Al Caeda antes de ser preso no Paquistão em 2002.

Nenhuma palavra das audiências será revelada publicamente até que o governo divulge uma transcrição dos procedimentos do tribunal especial editada para censurar material considerado perigoso para a segurança nacional dos EUA, anunciou o porta-voz do Departamento da Defesa (Pentágono), Bryan Whitman.

terça-feira, 6 de março de 2007

Mais de 1.100 jornalistas foram mortos em 10 anos

Jornalismo, profissão perigosa: mais de 1,1 mil jornalistas e auxiliares foram mortos nos últimos 10 anos, revelou hoje um estudo do Instituto Internacional para Segurança da Notícia, uma associação de organizações de mídia, grupos de defesa da liberdade de imprensa e ativistas dos direitos humanos. O total de mortes aumenta desde 2003, quando os Estados Unidos invadiram o Iraque.

Não por acaso, o Iraque tornou-se o lugar mais perigoso do mundo para jornalistas, com 138 mortos, sendo 70% de jornalistas iraquianos, seguido pela Rússia com 88, a Colômbia com 72 e as Filipinas com 55.

O relatório Matando o Mensageiro aponta o ano passado como o pior para os trabalhadores da notícia, com 167 mortes no mundo inteiro, em comparação com 149 em 2005, 131 em 2004, 94 em 2003, 70 em 2002 e 103 em 2001.

Mais da metade dos 1.101 mortos foi baleada e pelo menos 657 jornalistas foram mortos cobrindo notícias em tempo de paz em seus países, especialmente de corrupção, crime organizado e tráfico de drogas. Em dois terços dos casos, os assassinos não foram identificados e apenas 27 terminaram em condenações.

Bolsa de Nova Iorque tem maior alta do ano

Depois de uma forte de forte oscilações nos mercados financeiros do mundo inteiro, a Bolsa de Valores de Nova Iorque fechou hoje em 12.207,59, com alta recorde para o ano de 157,18 pontos (1,3%). A Nasdaq, bolsa das ações de empresas de alta tecnologia, subiu 44,46 pontos (1,9%) para 2.385,14. Também teve sua maior alta em 2007.

As bolsas dos Estados Unidos seguiram a onda de alta no resto do mundo, já que as bolsas da Ásia e da Europa também tiveram ganhos no dia de hoje, sinalizando o fim da turbulência provocada inicialmente pela queda de 8,84% na Bolsa de Xangai, na China.

Filósofo Jean Baudrillard morre aos 77 anos

O filósofo e cientista social francês Jean Baudrillad, descrito pelo jornal Le Monde como um "observador crítico da sociedade de consumo e do mundo", morreu hoje em Paris aos 77 anos.

Autor de mais de 50 livros, foi também um grande crítico da mídia e da sociedade do espetáculo onde a simulação ou simulacro substitui a experiência real.

Crítico implacável da sociedade de consumo e da vida cotidiana da sociedade industrial, Baudrillard não se enquadrou nem no marxismo ortodoxo nem no da Escola de Frankfurt, onde se destacaram Theodor Adorno, Horkheimer e Walter Benjamin. Era abertamente contra o stalinismo mas também desconfiava do trotskismo e do maoísmo.

Na sua opinião, diz Le Monde, as ideologias, assim como as modas se reduzem a sistemas de signos. E os signos, sejam quais forem, não são mais do que simulacros.

Pessimista, niilista, Baudrillard acreditava que, por causa disso, o ser humano está condenado a viver num mundo de fantasia, na sociedade do espetáculo, onde tudo é simulação. Falta a essência última da realidade. Tentar criar uma nova política ou uma nova teoria social não passa de uma ilusão.

Encomendas à indústria caem 5,6% nos EUA

A maior economia do mundo dá mais sinais contraditórios. Em janeiro, as encomendas à indústria de bens de consumo diminuíram em 5,6% e as de bens de capital em 6,3%, informou hoje o Departamento de Comércio dos Estados Unidos. É a maior queda desde 2000, bem mais do que esperavam os analistas, algo em torno de 4,5%, num sinal de desaquecimento da economia.

Também hoje foi anunciado que os custos trabalhistas unitários (por trabalhador) aumentaram 6,6%, num sinal de aquecimento do mercado de trabalho que pode pressionar a inflação e contribuir para o aumento das taxas de juros.

A boa notícia é que, com a recuperação dos mercados na Ásia e na Europa, a Bolsa de Valores de Nova Iorque está em alta de 120 pontos (1,02%).

Outras informações do relatório sobre encomendas à indústria:
• As encomendas subiram 0,2% em relação a janeiro de 2006.
• Tirando os bens de transporte, normalmente bastante voláteis, as ordens caíram 2,9%.
• Excluindo as encomendas para o setor de defesa, as ordens de compra caíram 5,5%, no maior declínio desde que os dados começaram a ser coletados, em 1992.
• A entrega de bens caiu 1,2%, incluindo uma baixa de 0,5% nas entregas de bens duráveis.
• As entregas caíram 0,3% em comparação com janeiro de 2006.
• As entregas de bens de capital caíram 2,8% e estão em baixa de 0,1% nos últimos 12 meses.
• As ordens no setor de transportes baixaram 19%, com queda de 6,7% nas encomendas de veículos.
• As ordens de computadores e produtos eletroeletrônicos caíram 9,9%.
• As ordens de máquinas de produção caíram 9,9%, com uma redução de 41% nos equipamentos de construção.
• As ordens de equipamentos elétricos subiram 9,1%.
• As ordens de produtos químicos cresceram 0,2%.
• As ordens para a indústria de papel caíram 6,4%.
• As ordens de produtos alimentícios subiram 0,5%.

Para os analistas, como as empresas têm de adaptar seus estoques à demanda, o que vai reduzir qualquer retomada da atividade industrial.

Ataques matam 149 xiitas e ferem 200 no Iraque

Uma onda de ataques rebeldes contra peregrinos xiitas matou pelo menos 149 mortos e feriu outras 200 nesta terça-feira, no Iraque, superando o total de mortos em 3 de fevereiro, quando 127 pessoas morreram e 305 ficaram feridas num atentado suicida com um caminhão-bomba, em Bagdá.

Nesta terça-feira, o pior aconteceu em Hila, a 100 quilômetros ao sul da capital iraquiana. Duas explosões suicidas deixaram 115 mortos e outros 200 feridos. Os peregrinos iam para Carbalá, 80 quilômetros ao sul de Bagdá, no final dos 40 dias de comemorações do aniversário da morte do imã Hussein, morto em 680, numa batalha decisiva para a divisão do islamismo entre sunitas e xiitas.

No pior ataque em meses contra as forças dos Estados Unidos que invadiram o país há quatro anos, seis soldados americanos morreram numa explosão na província de Saladino. Outros três americanos foram mortos por uma bomba na província de Diala.
Pelo menos 3.185 soldados americanos foram mortos desde o início da guerra.

Assessor do vice-presidente dos EUA é condenado

Lewis Libby, ex-assessor do vice-presidente Dick Cheney, foi condenado em quatro das cinco acusações, no processo sobre a revelação do nome de uma agente secreta dos Estados Unidos em retaliação porque seu marido fizera um relatório em 2002 negando que o então ditador iraquiano Saddam Hussein tivesse tentado comprar urânio no Níger. É o mais alto funcionário do governo George W. Bush condenado até hoje.

A sentença será proferida em 5 de junho. Libby foi condenado por obstrução de Justiça, declaração falsa e duas acusações de perjúrio. Pode pegar até 25 anos de prisão. O jornal The Washington Post prevê que ele fique de um ano e meio a três anos na cadeia. Os advogados de defesa vão correr.

Mais do que Libby, está em julgamento a Guerra do Iraque. A denúncia criminal contra o principal assessor de Cheney, o mais poderoso vice-presidente da História dos EUA, coloca em julgamento a cúpula que tomou o poder na Casa Branca e as mentiras sobre as armas de destruição em massa de Saddam Hussein que justificaram a invasão anglo-americana do Iraque.

Em outubro de 2001, o serviço secreto da Itália disse ter obtido informações de que Saddam estaria tentando comprar urânio no Níger. Para investigar o caso, o governo dos EUA mandou à África o embaixador Joseph Wilson, que produziu um relatório me março de 2002 dizendo que a alegação era falsa.

Mesmo assim, no discurso sobre o Estado da União, em 28 de janeiro de 2003, Bush voltou a insistir na denúncia, citando como fonte um memorando do serviço secreto britânico de setembro de 2002.

Em 7 de março de 2003, ao depor no Conselho de Segurança das Nações Unidas, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, Mohamed ElBaradei, descreveu os documentos sobre a suposta compra de urânio no Níger como "falsificações grosseiras".

Dois meses depois, Bush ordenou a invasão do Iraque, onde não foram encontradas as armas de destruição em massa (químicas, biológicas e nucleares) que serviram como pretexto para a guerra. O ataque começou em 20 de março de 2003. Saddam caiu em 9 de abril. Em 1º de maio, Bush anunciou o fim das "grandes operações de combate", como se a guerra estivesse acabando.

Quando ficou claro que não havia armas de destruição em massa no Iraque, em 6 de julho de 2003, o embaixador Wilson publicou artigo no NYTimes argumentando que suas informações tinham sido “distorcidas” para exagerar a “ameaça” iraquiana.

Dois dias depois, discutindo a questão com repórteres, o marqueteiro de Bush, Carl Rove, e Libby teriam deixado escapar a informação confidencial ao comentar que Valerie Plame poderia ter influenciado a indicação do marido para a missão já que era “uma agente secreta que operava na área de armas de destruição em massa”. A notícia foi publicada pelo colunista conservador Robert Novak em 14 de julho, deflagrando o Plamegate. A identidade de um espião é um segredo de Estado garantido em nome da segurança nacional dos EUA.

Irritado, o então diretor-geral da CIA, George Tenet, que revelara ao vice-presidente a identidade de Plame, pediu a abertura de inquérito. Durante as investigações, depuseram diversos altos funcionários do governo. Dois anos depois, o procurador Fitzgerald apresentou a primeira queixa-crime, contra Libby, por tentar encobrir o caso com mentiras e falso testemunho, e
assim obstruir a justiça.

Em 10 de junho de 2004, o presidente prometeu demitir quem quer que tivesse deixado vazar para a imprensa a identidade da agente da CIA.

Dois jornalistas foram pressionados a revelar suas fontes. A Suprema Corte decidiu que os jornalistas não têm privilégios. Se intimados, são obrigados a depor sob juramento de dizer a verdade, como todo cidadão americano.

Para não pegar um ano e meio de cadeia, Matthew Cooper, da revista Time, entregou à Justiça seu caderno de notas indicando Rove como sua fonte. Judith Miller, do NYTimes, ficou 80 dias presa por se negar adepor para não revelar sua fonte antes de receber autorização expressa. Acabou revelando que recebera a notícia de Libby.

Bolsas da Ásia operam em alta

As principais bolsas da Ásia estão em alta hoje, anunciando aparentemente o fim da correção que tirou US$ 2 trilhões do valor das ações do mundo inteiro.

Tóquio está em alta de 1,27% e Hong Kong de 1,58%. Nas cinco sessões anteriores, a Bolsa de Tóquio caíra 8,6%.

Popularidade de Bachelet cai

A menos de uma semana de completar um ano como presidente do Chile, a médica Michelle Bachelet enfrenta uma forte queda de popularidade. Hoje ela conta com o apoio de 47,6% dos chilenos, 17,8 pontos abaixo da aprovação que tinha ao tomar posse, indica pesquisa publicada no jornal chileno El Mercurio.

Para o jornal, a principal causa da queda foi o caos gerado pelo novo sistema de transporte público iniciado há três semanas, que colocou 5 mil ônibus em circulação.

Em outra pesquisa, do jornal La Tercera, metade dos chilenos aprovou o governo Bachelet mas 64% a consideram uma presidente sem autoridade, que não inspira confiança para resolver uma crise séria: 87% acreditam que a coligação de governo não colabora com ela.

A queda de popularidade de Bachelet contrasta com a ascensão de seu antecessor, o também socialista Ricardo Lagos, no mesmo período de governo. Na opinião do senador democrata-cristão Jorge Pizarro, há falta de liderança e incapacidade da grande coalizão de governo, a Concertação, a mesma que derrotou pela primeira vez o general Pinochet em 1988, de chegar a um acordo para fazer um programa comum,

Além dos atuais problemas com os transportes públicos, Michelle Bachelet enfrentou no primeiro trimestre de governo grandes manifestações de protesto de estudantes secundários que exigiram e conseguiram maiores recursos públicos para a educação. Também houve greves de funcionários da saúde, promotores de Justiça e professores, todos lutando por melhores salários.

A situação piorou em outubro e novembro, quando estourou o escândalo da Chiledeportes, entidade estatal que financia atividades esportivas. Depois, houve denúncias de que o dinheiro público foi usado para criar empregos de emergência em apoio a campanhas eleitorais de deputados governistas.

segunda-feira, 5 de março de 2007

Tortura no Iraque levanta dúvidas sobre Maliki

Uma operação de busca e apreensão em escritórios do serviço secreto do Iraque em Bássora, cidade de maioria xiita, revelou o emprego de tortura contra sunitas. Isso estimula o sectarismo, aumentando o risco de guerra civil. Mas, em vez de discutir a tortura, observa o jornal The Wall Street Journal, o primeiro-ministro Nuri al-Maliki preferiu criticar a operação, realizada por forças britânicas, o que suscita dúvidas sobre a capacidade do chefe de governo de pacificar o país.

Foi uma operação de assalto de soldados britânicos e forças especiais iraquianas contra o quartel-general do serviço secreto do Iraque em Bássora, a principal cidade do Sul do país, majoritariamente xiita. Lá, eles encontraram 30 presos, inclusive uma mulher e duas crianças, alguns com marcas de tortura.

Em comunicado oficial, as forças britânicas alegaram estar procurando o "conhecido líder de um esquadrão da morte", informou a TV pública BBC. Para o jornal The New York Times, é mais uma operação como as realizdas em delegacias de polícia da capital e no Ministério do Interior.

Um porta-voz do Ministério do Interior declarou ao jornal USA Today que mais de 10 mil funcionários foram demitidos ou realocados por tortura, corrupção ou ligação com milícias. Quase todas as alegações são de agressões de policiais xiitas contra sunitas.

Maliki promete acabar com suas práticas mas sua polícia é considerada muito ligada às milícias xiitas.

A operação acontece no momento em que as forças dos Estados Unidos e do Iraque começam a entrar na Cidade de Sader, o bairro xiita de Bagdá dominado pelo Exército Mehdi, a milícia leal ao aiatolá rebelde Muktada al-Sader, que teria fugido para o Irã.

Bolsas da Ásia começam a semana em queda

A onda de venda de ações iniciada terça-feira passada com a queda de 8,84% na Bolsa de Valores de Xangai, na China, não dá trégua. Em Tóquio, no Japão, o índice Nikkei, teve uma baixa de 3,34%. Na China, Hong Kong caiu 4% e Hong Kong, 1,63%.

Para os analistas, o mercado japonês reage à valorização do iene frente ao dólar, que reduz a competitividade dos exportadores japoneses, e não vem sinais do fim da queda.

Na abertura da sessão do Congresso Nacional do Povo, o primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, anunciou que a meta oficial de crescimento para este ano é de 8%. A meta tem sido essa mas a economia chinesa se expande a taxas de 10% ao ano - no ano passado, foram 10,7% -, atropelando a meta do governo, com riscos de superaquecimento e inflação.

Diante da continuação dos problemas nos mercados financeiros asiáticos, as bolsas européias abriram em baixa. Um analista de Londres disse agora há pouco na BBC não ver motivo para pânico, considerando uma queda de 10% no valor das ações "uma correção saudável" e benéfica no médio prazo, depois da grande valorização do ano passado.

domingo, 4 de março de 2007

Americanos matam civis no Afeganistão

Ao reagir a uma emboscada e um ataque terrorista suicida, forças dos Estados Unidos mataram 16 civis e feriram outros 25 na província de Nangarhar, perto de Jalalabad, no Leste do Afeganistão, hoje às 8h45, hora local.

"Lamentamos a morte de civis afegãos inocentes como resultado da ação de extremista talebã", declarou o coronel David Accetta. "Mais uma vez os terroristas mostraram seu desrespeito flagrante pela vida humana, atacando as forças da coalizão numa área povoada, sabendo que civis afegãos inocentes seriam mortos e feridos no ataque".

Os soldados americanos ficaram sob fogo cruzado vindo de três pontos diferentes, afirmou o major William Mitchell, porta-voz militar dos EUA.

Em outro combate, dois soldados britânicos foram mortos por um ataque com foguetes na província de Helmand, no Sul do Afeganistão. Desde o início da guerra para punir a rede terrorista Al Caeda e o governo dos Talebã, que a abrigava, pelos atentados de 11 de setembro de 2001 contra os EUA, 50 militares britânicos foram mortos.

Orçamento militar da China cresce 18%

O orçamento das Forças Armadas da China vai aumentar 18%, chegando a US$ 45,3 bilhões, 7,5% do orçamento nacional. A questão começa a ser discutida amanhã, no primeiro dia de reunião este ano do Congresso Nacional do Povo, o parlamento chinês. Os Estados Unidos acusam o regime comunista chinês de gastar com defesa pelo menos três vezes mais do anuncia oficialmente. Seja como for, é muito menos do que os cerca de meio trilhão gastos pelos EUA.

Outros temas importantes estão na pauta do Congresso, como uma nova lei de propriedade e mais instrumentos jurídicos para controlar o florescente capitalismo chinês.

Polícia enfrenta jovens rebeldes na Dinamarca

O pau está quebrando na Dinamarca, um país de altíssimo nível de vida geralmente associado à paz social do modelo social-democrata europeu. Mas há três noites a polícia enfrenta jovens rebeldes que se negam a deixar um Centro de Juventude que invadiram. É um lugar histórico que foi visitado por Lenin, o líder da Revolução Bolchevique.

Cerca de 30 pessoas foram presas ontem à noite, quando jovens anarquistas fizeram barricadas de fogo ao redor do prédio. Ao todo, 643 jovens foram presos, entre eles anarquistas da outras países da Europa e dos Estados Unidos.

Por trás de tudo, está o destino do Christiania, o bairro hippie de Copenhague, que o governo conservador dinamarquês tenta acabar.

sábado, 3 de março de 2007

Rei saudita discute Oriente Médio com Ahmadinejad

O rei Abdullah, da Arábia Saudita, recebeu hoje em Riad o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, para discutir a paz no Oriente Médio, onde os dois países estão de lados opostos no Iraque e no Líbano, o que fomenta o conflito entre xiitas e sunitas, ameaçando engolfar toda a região.

A Arábia Saudita, sunita, e o Irã, xiita, são as duas potências regionais do Golfo Pérsico. Juntos, detêm 35% das reserva mundiais comprovadas de petróleo. A monarquia saudita é aliada dos Estados Unidos, enquanto para a república islâmica o governo americano é a encarnação do mal.

Ahmadinejad pediu apoio ao sultão para negociar o conflito com os EUA em torno do programa nuclear iraniano, suspeito de desenvolver armas atômicas.

Política ambiental de Bush aumenta emissões

Enquanto a Europa promete reduzir em 20% a emissão dos gases que provocam o aquecimento da Terra, a política ambiental do presidente George Walker Bush, que até há pouco negava a influência humana sobre o chamado efeito estufa, provocará um aumento de 11% de 2002 a 2012, afirma um documento a ser encaminhado às Nações Unidas revelado hoje pelo jornal The New York Times.

O Relatório de Ação sobre o Clima afirma que os Estados Unidos estão a caminho de atingir o objetivo proposto por Bush num discurso em 2002: o aumento das emissões será inferior ao crescimento da economia americana. Mas para especialistas em clima e política ambiental, o aumento projetado para as emissões é inaceitável, diante das ameaçadas associadas ao aquecimento da Terra, como tempestades mais violentas, secas e inundações, quebra de safras, falta d'água e elevação do nível dos mares.

"Como governador do Texas e candidato à Casa Branca, o presidente apoiou limites obrigatórios para emissões de dióxido de carbono", o maior vilão do efeito estufa, lembra David Conover, ex-diretor do Programa de Tecnologia de Mudança do Clima até fevereiro de 2006, é hoje conselheiro da Comissão Nacional de Política de Energia, um grupo de pesquisas bipartidário.

"Quando ele anunciou a meta de seu programa voluntário de redução dos gases que provocam o efeito estufa, em 2002, disse que seria reavaliada à luz do desenvolvimento da ciência. Agora", acrescenta Conover, "a ciência pede claramente medidas obrigatórias que estabeleçam um preço pela emissão dos gases que provocam o efeito estufa".

O documento é revelado no momento em que aumenta a pressão da opinião pública por uma ação efetiva contra o aquecimento da Terra. O ex-vice-presidente Al Gore, derrotado por Bush em 2000, acaba de ganhar um Oscar pelo filme documentário Uma Verdade Inconveniente, que discute a questão.

Uruguai impõe condições para negociar papeleiras

O presidente do Uruguai, Tabaré Vázquez, impõe condições para negociar com a Argentina o conflito conhecido como 'guerra das papeleiras', envolvendo a construção de duas fábricas de papel e celulose na margem oriental do Rio Uruguai. Exige o fim dos bloqueios às fronteiras entre os dois países e nega-se a relocalizar a fábrica construída pela empresa finlandesa Botnia, em Fray Bentos, no Uruguai.

A Argentina acusa a fábrica de ser poluente e o Uruguai de violar o tratado bilateral sobre o aproveitamento compartilhado do Rio Uruguai. Os investimentos representam cerca de 14% do PIB uruguaio, de US$ 13 bilhões.

No momento, a ponte entre Fray Bentos e Gualeguaychú, cidade argentina do outro lado do rio, está permanentemente bloqueada. As outras duas, de Colón, na Argentina, a Paysandu, no Uruguai, e de Concordia, na Argentina, a Salto, no Uruguai, sofrem interrupções temporárias. Hoje, estarão fechadas de 10h às 22h.

sexta-feira, 2 de março de 2007

Queda semanal do Dow Jones é maior em quatro anos

O Índice Dow Jones, que mede o desempenho das grandes empresas da Bolsa de Valores de Nova Iorque, nos Estados Unidos, fechou a semana em queda de 4,3%. Foi a pior semana desde março de 2003. A Nasdaq caiu 5,8% e o índice S&P 500, 4,4%.

Hoje, a Bolsa de Nova Iorque caiu 120 pontos (0,98%).

Para os mercados da Ásia, da Europa e da América Latina, foi a pior semana desde os atentados de 11 de setembro de 2001.