sábado, 30 de junho de 2007

Jornalistas fazem greve contra Murdoch

Mais de 200 journalistas de The Wall Street Journal, o segundo diário mais vendido nos Estados Unidos, se declararam em greve anteontem em protesto contra a venda do jornal para a News Corporation, do empresário australiano naturalizado americano Rupert Murdoch, um dos maiores magnatas da mídia globalizada. Na sua opinião, o negócio ameaça a independência editorial do Journal, um jornal conservador, porta-voz do centro financeiro de Nova Iorque.

"A longa tradição de independência de The Wall Street Journal está ameaçada hoje. A integridade editorial depende de um proprietário comprometido com a defesa da independência jornalística", afirmaram os jornalistas em nota divulgada à imprensa.

Nesta semana, a família Bancroft, dona do controle acionário do grupo Dow Jones, que edita o WSJ, anunciou um acordo de princípios com Murdoch para manter a independência editorial de um dos jornais diários econômico-financeiros de maior prestígio no mundo, ao lado do Financial Times, de Londres, e do Nihon Keizai Shimbun, de Tóquio.

Além de ser publicado nos EUA, o Journal tem edições na Ásia e na Europa, The Asian Wall Street Journal e The Wall Street Journal Europe. Emprega 600 pessoas nos EUA e outras 700 no resto do mundo. Murdoch ofereceu US$ 5 bilhões. Houve um contato entre a General Eletric e o Financial Times para estudar uma proposta alternativa, mas essas duas empresas desistiram de disputar o WSJ com o magnata da mídia.

Murdoch é dono da Fox News, claramente alinhada com o conservadorismo, o Partido Republicano e a invasão do Iraque, da produtora de cinema Fox, e do tablóide nova-iorquino New York Post, nos EUA; dos jornais News of the World, The Sun, The Sunday Times e The Times, e da TV por assinatura Sky TV, na Grã-Bretanha; da Star TV, Ásia; além de jornais, editoras e outros negócios no mundo inteiro que lhe deram uma fortuna pessoal estimada em US$ 8 bilhões.

Carro pegando fogo atinge aeroporto na Escócia

Um veículo utilitário esportivo pegando fogo foi jogado hoje contra o terminal de passageiros do aeroporto de Glasgow, a maior cidade da Escócia. Testemunhas viram o esquadrão antiterrorista da Scotland Yard lutando contra ocupantes do carro. Dois suspeitos foram presos.

Mais tarde, a polícia informou que o homem que saiu do carro com as roupas em chamas morreu a caminho do hospital.

Como a polícia britânica desativou ontem dois carros-bomba no centro Londres, o Reino Unido está em alerta máximo contra o terrorismo. Explosões coordenadas são a marca registrada dos atentados da rede terrorista Al Caeda.

Há quase dois anos, em 7 de julho de 2005, o sistema de transporte de Londres foi atacado por terroristas, em atentados que provocaram a morte de 52 pessoas e quatro terroristas suicidas. Inicialmente, pensou-se que era uma célula terrorista autônoma constituída por muçulmanos britânicos. Mas as investigações reveleram que eles tinham recebido treinamento terrorista no Paquistão de um grupo ligado a Al Caeda.

Na Espanha, cerca de 3 mil pessoas foram retiradas às pressas hoje do aeroporto de Ibiza, uma das Ilhas Baleares, por causa de uma suposta de bomba depois de uma denúncia anônima de bomba feita ao jornal basco Gara, um dos porta-vozes do movimento separatista basco ETA (Euskadi ta Askatasuna, que significa Pátria Basca e Liberdade).

sexta-feira, 29 de junho de 2007

Diretor-geral do FMI renuncia

O diretor-geral do Fundo Monetário Internacional, o espanhol Rodrigo Rato, anunciou ontem inesperadamente que deixa o cargo no final de outubro, depois da reunião anual do FMI e do Banco Mundial.

Rato alegou razões pessoais. Comenta-se que poderia retomar sua carreira política na Espanha, onde foi ministro das Finanças do governo conservador de José María Aznar, o que foi negado por sua assessoria.

Sua sucessão deve provocar uma forte disputa. Tradicionalmente, desde sua fundação, o Fundo é dirigido por um europeu e o Banco Mundial por um americano. Mas os outros países-membros destas instituições, alguns dele, especialmente os asiáticos, cada vez mais importantes economicamente querem ter uma voz mais forte.

Desde a crise asiática, que faz 10 anos na próxima segunda-feira, há no ar proposta de criação de um Fundo Monetário da Ásia para fugir das políticas de ajuste estrutural monetaristas e ortodoxas impostas pelo FMI a quem necessita de seus empréstimos. Com o bom momento da economia mundial, há menos países em crise.

O Brasil, por exemplo, quitou sua dívida e enviou como representante de um grupo de países latino-americanos o economista Paulo Nogueira Batista Jr., um adversário da ortodoxia liberal, na tentativa de influir na inevitável reforma da instituição.

Na primeira vez em que entrevistei o ministro Pedro Malan, em 1995, em Londres, como correspondente do Jornal do Brasil, perguntei-lhe qual era a proposta brasileira para a reforma da arquitetura das instituições econômicas internacionais. Ele ficou surpreso: "Mas o Sr. quer uma manchete para o seu jornal".

Não queria: estava estudando relações internacionais na London School of Economics e resolvi colocar uma questão mais ampla sobre o sistema internacional criado pela Conferência de Bretton Woods (1944), que lançou as bases da ordem econômica mundial pós-Segunda Guerra Mundial.

Malan ficou na defensiva. Nunca dizia nada que o mercado pudesse interpretar como um sinal de fraqueza, de que o Brasil precisasse recorrer ao Fundo.

Política externa brasileira: do Barão a Lula

O objetivo de qualquer política externa é manter a soberania nacional e a integridade territorial de qualquer país. Isso levou o Brasil a adotar uma política de alinhamento automático com as grandes potências desde a independência, o Império Britânico e os EUA, a grande potência regional. Como não dava para enfrentá-las, era mais prudente ser realista e tentar barganhar o apoio em troca de ajuda nas questões de interesse nacional.

Um dos problemas centrais da política externa do Brasil e dos outros países latino-americanos é a assimetria de poder em relação à potência regional, que no século 20 torna-se uma grande potência no fim da Primeira Guerra Mundial, uma superpotência depois da Segunda Guerra Mundial e a única superpotência, a hiperpotência, com o final da Guerra Fria.

Então, como explica o embaixador Rubens Ricupero em Visões do Brasil, as relações exteriores no continente se orientam através de dois eixos: o da simetria com os países sem grande diferencial de poder e o da assimetria em relação aos EUA. Assim a relação Brasil-América Latina-EUA é na visão de Ricupero uma relação triangular.

Essa presença hegemônica contribuiu para ser o continente com a menor incidência de guerras entre países no século passado.

A política externa do Brasil republicano foi definida por nosso mais ilustre ministro das Relações Exteriores, o Barão do Rio Branco (1902-12), um personagem carioca e popular, apesar da origem nobre e da complexidade do cargo que desempenhava. Quando o Barão morreu, até o carnaval carioca foi adiado.

O Barão percebeu a emergência dos Estados Unidos como potêncial mundial. Em 1905, criou em Washington a primeira embaixada do Brasil (era a sétima na capital americana e a segunda latino-americana, depois do México).

Uma frase atribuída ao Barão é: “Só temos dois amigos no continente: os Estados Unidos e o Chile”. Resume bem a herança da tradição diplomática do Império, um animal político diferente das repúblicas caudilhescas do subcontinente, para quem a unidade latino-americana poderia ser uma unidade da América espanhola contra o Brasil, uma idéia do ditador argentino Juan Rosas que nunca teve a simpatia de Simón Bolivar.

O Barão criou assim o que Bradford Burns chamou de aliança não-escrita, dando apoio ao pan-americanismo nascente com a vinda ao Brasil do secretário de Estado Elihu Root para a 3ª Conferência Pan-Americana, realizada aqui no Rio em 1906.

Essa aliança tácita visa a aumentar o poder de barganha do Brasil apresentando-o como parceiro dos Estados Unidos. Rio Branco não se opôs às intervenções americanas na América Central: “Se esses países não sabem como governar-se a si mesmos, se não possuem os elementos necessários para evitar revoluções e guerras civis contínuas que se seguem interminantemente umas às outras, não têm o direito de existir e deveriam ceder o lugar a uma nação mais forte, melhor organizada e mais viril”.

Em sua genuína adesão ao pan-americanismo, Rio Branco gostava de fazer a ponte entre os Estados Unidos e a América Espanhola, que naturalmente não concordava com a frase acima. A opção preferencial pelos EUA afasta o Brasil dos países hispano-americanos.

EUA TORNAM-SE PRINCIPAL PARCEIRO
Não era uma prioridade arbitrária ou caprichosa. Derivava de fatores objetivos bem claros, não só de realpolitik como por razões econômicas. Na virada do século, os EUA tinham se tornado o principal parceiro comercial do Brasil. O posição de maior investidor viria mais tarde, com o declínio do Império Britânico, após a Primeira Guerra Mundial.

Os elementos básicos do paradigma de Rio Branco para a política externa brasileira, que a dominaria por mais de meio século, são três:
- uma convergência ideológica: a convicção dos dirigentes brasileiros de que compartilhavam os mesmos valores e aspirações que os americanos, como se vê nas opiniões de Rio Branco sobre pagamento de dívidas e intervenções militares;
- o segundo elemento é um vínculo pragmático ou utilitário: a partir do reconhecimento da total superioridade americana, tentar colocar o poder dos EUA a serviço dos objetivos brasileiros ou ao menos neutralizá-lo, apoiando os EUA nos cenários continental e global em troca do apoio ou da benevolência americana em questões de interesse do Brasil;
- em terceiro, a inevitável subordinação da América Latina diante da opção preferencial pelos EUA.

Além do sucesso nas diferentes questões de limites, o Barão deixou as bases da política externa brasileira.

Cerca de 40 anos depois de sua morte, o chanceler Osvaldo Aranha declarava na Escola Superior de Guerra não poder conceber outra política externa para o país que a consistente em apoiar as posições dos Estados Unidos nos foros mundiais em troca do apoio americano à preeminência política e militar do Brasil no continente sul americano.

A política externa do Barão permanece quase inalterada até os anos 30, quando já havia ocorrido a transição hegemônica do Império Britânico para os EUA e Getúlio Vargas flertou com a Alemanha nazista. Com a chamada barganha nacionalista, Vargas tentou obter vantagens em negociações com a grande potência dominante no continente americano, os EUA, e a grande potência emergente, a Alemanha de Hitler. Ao mesmo tempo em que renova um acordo comercial com os EUA, tenta fechar outro com a Alemanha.

De certa forma, agora, quando negociava paralelamente com os EUA para criar a ALCA e com a União Européia, o Itamaraty procurou tirar lições da barganha nacionalista de Vargas. (Há uma tese feita na Universidade de Oxford pelo diplomata Eugênio Vargas,)

GUERRA CRIA ALIANÇA FORMAL
Quando os japoneses bombardearam Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, e os EUA entraram na Segunda Guerra Mundial, imediatamente Roosevelt enquadrou o Brasil. No início de 1942, foi realizada mais uma reunião de consulta pan-americana no Rio. Coube ao Brasil ajudar a articular o apoio latino-americano ao rompimento com o Eixo e à guerra. A aliança não-escrita vira uma aliança formal.

A aliança político-militar durante a guerra vai gerar o mito da relação especial. Em 1947, é aprovado no Rio o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca (TIAR), um acordo militar assinado no quadro do início da Guerra Fria. No ano seguinte, nasce a Organização dos Estados Americanos (OEA).

Durante a Guerra Fria, a luta ideológica recebe considerável impulso dos problemas da política doméstica, devido ao conservadorismo extremado de parte da elite. Seu desejo de controlar autoritariamente a agitação sindical e o crescimento do Partido Comunista levam à decretação de ilegalidade do PC, em 1947, e ao rompimento com a União Soviética. As visitas de Truman ao Brasil e Dutra aos EUA revelam a aspiração brasileira de manter a relação especial no pós-guerra.

Se o componente ideológico da política externa é reforçado, o vínculo pragmático perde, na medida em que os EUA subordinam todos os seus interesses à lógica da confrontação estratégica na Guerra Fria. A concentração não só do poder estratégico e nuclear mas também financeiro nos EUA reduzia a margem de manobra do Brasil.

Com a Europa em reconstrução, durante muitos anos as únicas fontes de financiamento eram o Banco Mundial e o Tesouro dos EUA.

Preocupados com a ameaça comunista, os americanos davam ênfase ao tema da segurança e da subversão, enquanto os latino-americanos, vendo no subdesenvolvimento a fonte da instabilidade política, estavam mais interessados em crescimento econômico.

A expressão ideológica dessa divergência se expressa na Teoria da Dependência surgida na Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), que defendia a industrialização através da substituição das importações com papel hegemônico do Estado.

Washington se contrapõe com uma abordagem privatizante. O desenvolvimento seria fruto de investimentos privados nacionais e estrangeiros atraídos pela abertura comercial e uma intervenção estatal mínima.

A incapacidade do vínculo pragmático de oferecer resultados práticos enfraquece o componente ideológico. Vargas não manda tropas para a Coréia. Da América do Sul, só a Colômbia manda.

O consenso ideológico anticomunista se fragmenta com o aparecimento de uma coalizão da esquerda com setores conservadores, mesmo das Forças Armadas, defensores do nacionalismo econômico. Isto complica o relacionamento com os EUA e os organismos multilaterais de crédito, levando à crise que provocou o suicídio de Vargas.

Tudo isso levou ao afastamento do paradigma de Rio Branco. Na segunda metade dos anos 50, um relativo degelo na Guerra Fria com a denúncia do stalinismo por Kruschev reintroduz um certo pluralismo e flexibilidade. O elemento pragmático ajuda o desenvolvimentismo de Juscelino Kubitschek.

Na Operação Pan-Americana, JK tenta resgatar o papel do Brasil de mediador das relações entre os EUA e a América Espanhola. Um resultado disto foi a criação do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em 1958.

A POLÍTICA EXTERNA INDEPENDENTE
No início dos anos 60, depois do desenvolvimento juscelinista, nasce a política externa independente do embaixador Afonso Arinos de Mello Franco, chanceler de Jânio Quadros. A expressão foi empregada primeiro pelo chanceler San Tiago Dantas.

A convergência ideológica é substituída pelo desejo de afirmação de um ator médio num espaço onde o interesse brasileiro é estabelecer o máximo de multipolarização.

Essa busca de afirmação e independência não abdica dos valores ideológicos do Ocidente, o que torna o Brasil diferente da maioria dos integrantes do Movimento dos Países Não-Alinhados.

Aquela época, observa Ricupero, “não é das páginas mais gloriosas da diplomacia brasileira, que tentava defender o indefensável com as armas da soberania, da tentativa de contrastar violações de direitos humanos com injustiças da ordem econômica internacional”.

Depois de uma breve tentativa de volta ao paradigma do alinhamento automático com os EUA (1964-73), no governo Geisel, volta a política externa independente, com o reconhecimento da independência das repúblicas socialistas de Angola e Moçambique, o acordo nuclear com a Alemanha, a denúncia do tratado militar com os EUA, questões de direitos humanos.

A latino-americanização da política externa brasileira começa com a normalização das relações com Cuba e a formação do Grupo de Apoio ao Grupo de Contadora, que já negociava a paz na América Central numa iniciativa latino-americana. Eles viriam a se fundir e se ampliar para formar o Grupo do Rio.

INTEGRAÇÃO REGIONAL
Com a democratização da Argentina em 1983 e do Brasil em 1985, começa com Sarney e Alfonsín o processo de integração econômica do Cone Sul. No início do governo Figueiredo, os dois países tinham resolvido o conflito em torno do aproveitamento dos recursos hidrelétricos da Bacia do Prata.

Um acordo sobre bens de capital logo foi seguido por uma série de medidas na área nuclear, acabando com o risco de uma corrida armamentista na região com o acordo tripartite Brasil-Argentina-AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), que abre as instalações nucleares dos dois países a inspeções mútuas e da agência. Os dois países também assinaram o Tratado de Tlatelolco, que torna a América Latina uma zona livre de armas nucleares.

Em questões como a América Central, o embargo a Cuba e as violações dos direitos humanos pelo regime de Fidel Castro, acabou a subordinação às posições americanas.

O vínculo pragmático é abalado pela crise da dívida. A marginalização ante o sistema financeiro internacional levou à dependência dos programas de ajuste do FMI e do Banco Mundial, dando ao Tesouro dos EUA poderes para impor suas condições. A vulnerabilidade econômica leva a pressões comerciais americanas em duas frentes: na Rodada Uruguai (serviços, propriedade intelectual, investimentos) e bilateralmente (Lei de Informática, regime de controle de exportações da Cacex, siderurgia).

Os problemas comerciais se sobrepõem na agenda às antigas questões dos direitos humanos e da não-proliferação nuclear. Aumenta a dependência para obter apoio do governo americano nas negociações com o FMI, o Clube de Paris e os bancos privados, para levantar resistências a empréstimos.

A desintegração da URSS e o fim do comunismo provocam a chamada globalização econômica, a expansão do capitalismo a praticamente todos os países da Terra. A vitória não é só americana, é mais do capitalismo, cujo poder está distribuído em três pólos: EUA, Europa e Ásia. O grande diferencial do poder americano está no seu poderio militar.

Como essa situação não coloca os EUA no que os antigos chamavam de monarquia universal, Ricupero a define como uma “modalidade inovadora de multipolarismo com dois traços característicos”.

O primeiro é a existência de um líder: “o monopólio estratégico nuclear faz com que um atores seja mais igual do que os outros”. Assim, “o líder assume o papel insubstituível de catalisar as coligações e as iniciativas”.

A outra característica é a utilização do processo multilateral para dar às ações legitimidade e recursos adicionais. Ricupero entende que a noção de unipolarismo esconde “as limitações reais do poder dos EUA e as que são auto-impostas por razões de busca de legitimidade.

A essa configuração política, corresponde no plano econômico a tendência de integração regional e global, no processo de globalização, o que leva à uniformização das normas na chamada “convergência sistêmica”.

Da mesma forma que o Movimento dos Não-Alinhados, o Grupo dos 77 sofreu considerável enfraquecimento em função da desagregação do socialismo e do desaparecimento de modelos econômicos alternativos.

Na América Latina, a reestruturação econômica foi precipitada pela dívida e balizada pelos programas de ajuste do FMI e do Banco Mundial. Através dos planos Baker e Brady, o Tesouro dos EUA comandou o processo, coordenando os credores, ditando a política dos EUA para a região. As tentativas esporádicas de dar uma resposta conjunta coerente e as moratórias unilaterais não tiveram força para contrabalançar a unidade dos credores.

Com a onda neoconservadora da era Reagan e Thatcher, os EUA conseguiram o que tentavam há décadas: substituir na prática as teses da Cepal e da UNCTAD pelo Consenso de Washington: redução do tamanho e das funções do Estado, privatização, abertura comercial, liberalização da economia, eliminação do déficit público, saneamento antiinflacionário. Tudo isso geraria o clima favorável aos investimentos privados nacionais e estrangeiros.

A chamada revolução silenciosa na América Latina ultrapassou uma barreira quando o presidente Carlos Salinas decide completar a reforma do México pela associação do seu país aos EUA e Canadá no Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, da sigla em inglês).

O governo George H. W. Bush dá mais um passo à frente lançando, em 1990, a Iniciativa para as Américas, com objetivo de criar uma zona de livre comércio integrando todo o continente, a única região econômica importante com a qual os EUA tinham saldo comercial na época.

Esse novo desafio de se acomodar diante da iniciativa da potência hegemônica no continente soma-se à “crise sistêmica e permanente do próprio Brasil”, visto na época por si mesmo, pelos vizinhos e pelo resto do mundo como “parte da América Latina que não está dando certo”. Ricupero sugere que “o país precisa mais de conserto e reforma do que sua política exterior”, criticando a pretensão do governo Collor de realinhar o Brasil com os EUA na busca de uma via direta para chegar ao Primeiro Mundo.

“O colapso da União Soviética e do comunismo desmoralizou de vez a pregação do alinhamento automático e a repressão das reformas sociais internas”.

Ao organizar a Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio 92), o Brasil mostrou ter condições de contribuir para as muitas coalizões necessárias para enfrentar os problemas globais. O país transformou uma vulnerabilidade, as críticas internacionais ao desmatamento da Amazônia, numa demonstração de criatividade diplomática, capacidade de organização e disposição para articular aproximações e acordos.

Na pacificação de conflitos regionais e na promoção da democracia, o Brasil tem uma atuação consistente.

POR UMA ORDEM INTERNACIONAL DEMOCRÁTICA
A estrutura diversificada do comércio exterior brasileiro e a ampla liberalização do regime de importações tornam uma exigência para o Brasil lutar pelo aperfeiçoamento do sistema multilateral de comércio: “Não há compulsão de coincidir nem de discordar da nação mais poderosa do sistema. Para o Brasil, a nova ordem só será duradoura se for baseada na participação e do consenso. Uma ordem internacional democrática não é compatível com o alinhamento automático para evitar punições ou receber recompensa”.

Claramente Ricupero teme as conseqüências da ALCA: “Resta ver como, havendo superado a fase em que subordinava a América Latina aos EUA, a diplomacia brasileira poderá evitar agora que a América Latina subordine o Brasil aos EUA. (…) Cria-se assim para o Brasil um duplo desafio. De um lado, evitar que as preferências do Nafta ao México e sua extensão a outros países proporcionem a esses competidores condições mais vantajosas de ingresso no mercado do principal parceiro nosso e deles. Do outro lado, impedir que a multiplicação de acordos entre Washington e essas nações acabe por erodir as margens de preferência dos manufaturados brasileiros nesses mercados”.

Infelizmente o Brasil não tem poder para tanto. O PIB brasileiro chegou a ser superado pelo do México (e de outros países) mas agora o país parece ter retomado um ritmo de crescimento sustentado, embora ainda abaixo de média histórica do pós-guerra, de 7%.

Diante do endurecimento da posição do Brasil nas negociações da ALCA e na OMC, os EUA acenaram com a possibilidade de realizar uma série de acordos multilaterais capazes de isolar o Brasil dentro do continente. Mas se aproximaram do Brasil por causa

Voltando a olhar para os governos brasileiros, Sarney decretou a moratória isolando o país ainda mais economicamente e partiu para a integração regional com a Argentina de Raúl Alfonsín.

Collor tentou um realinhamento com os EUA e Menem tentou criar uma “relação carnal” com os EUA, mas ambos acabaram se rendendo às limitações de suas pretensões primeiro-mundistas ao assinar, em 1991, o Tratado de Assunção, que criou o Mercado Comum do Sul (Mercosul), uma tentativa de reinserção competitiva das economias do Cone Sul no mercado internacional depois da década perdida com a crise da dívida.

Itamar Franco retomou com força total o paradigma da política externa independente, propondo a criação de uma zona de livre comércio sul-americana (Safta, em oposição ao Nafta) para fortalecer o poder de barganha do subcontinente nas negociações da ALCA. Isto não impediu que a Cúpula de Miami, no final de 1994, lançasse oficialmente as negociações da ALCA, com o apoio de dois presidentes, Itamar e o recém-eleito Fernando Henrique Cardoso.

DE FHC E LULA
Como as maiores preocupações de FHC eram a estabilidade econômica e a reinserção internacional do Brasil, sua política externa tinha como foco principal mostrar-se um parceiro confiável dos países ricos e desenvolvidos, de onde viria o capital para a retomada do desenvolvimento. Isso levou a um alinhamento em alguns temas e ao silêncio em outros para não desagradar aos países centrais, sobretudo os EUA. Quando o real foi abalado pelas crises asiática e russa, os EUA coordenaram a ajuda do FMI.

Lula assume tentando reafirmar a política externa independente. Sem margem de manobra ou criatividade para mudar a política econômica, como prometeu durante a campanha, Lula usa a política externa como uma espécie de última praia do esquerdismo.

Mas a política externa de Lula vai muito além da retórica. Primeiro, tenta junto com o novo presidente argentino, Néstor Kirchner, relançar o Mercosul e fazer um acordo, fechado em abril, embora ainda falte acertar detalhes, com a Comunidade Andina das Nações (Bolívia, Peru, Equador, Colômbia e Venezuela) para criar a zona de livre comércio sul-americana proposta por Itamar. A dúvida é se haverá tempo para consolidar esta nova aliança ou se ela será atropelada pelas negociações da ALCA.

Ao mesmo tempo, sob a orientação do chanceler Celso Amorim, ex-embaixador na ONU e na OMC, aproxima-se grandes países em desenvolvimento com status de potência regional como a China, a Índia e a África do Sul e articula a criação do Grupo dos 20 para lutar contra o protecionismo agrícola dos países ricos na Organização Mundial do Comércio, numa política agressiva de abertura de novos mercados, especialmente no setor agrícola.

O grande desafio continua sendo acomodar as relações com os EUA. No momento, as negociações da ALCA estão estagnadas. O Brasil, co-presidente das negociações ao lado dos EUA, nega-se a marcar a próxima reunião enquanto não houver um avanço concreto na proposta americana sobre agricultura.

Primeiro, o Itamaraty apostou no adiamento das negociações para depois das eleições presidenciais nos EUA, em 2004. Não esperava que os EUA fizessem qualquer concessão significativa às vésperas das eleições, que incluíram a renovação da Câmara dos Representantes e de parte do Senado Federal, além de governadores e parlamentos estaduais.

A relutância do Itamaraty provocou duras críticas do setor empresarial, inclusive dos ministros-empresários, Amaral Furlan (Desenvolvimento) e Roberto Rodrigues (Agricultura). Eles viam um viés ideológico antiamericano com origens na diplomacia brasileira, sobretudo no secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães, de posições nitidamente esquerdistas, de agrado do PT e daqueles que viam na ALCA uma rendição ao imperalismo econômico americano.

A ALCA foi praticamente enterrada na Conferência de Cúpula das Américas em Mar del Plata, na Argentina, em novembro de 2005. Desde então, os EUA negociaram acordos de livre comércio com a Colômbia e o Peru, e o Paraguai e o Uruguai, os dois sócios menores do Mercosul, manifestaram interesse em negociar com os americanos.

O Uruguai está irritado com a indiferença do bloco regional para resolver o conflito com a Argentina em torno da instalação de duas fábricas de celulose na margem oriental do Rio Uruguai, a chamada 'guerra das papeleiras'. Os argentinos têm bloqueado sistematicamente as pontes que ligam os dois países.

Em abril do ano passado, o presidente uruguaio, Tabaré Vázquez, recorreu ao Mercosul. Lula chegou a discutir a questão com a presidente da Finlândia, onde fica a sede da Botnia, empresa que está construindo uma das fábricas, mas o presidente argentino, Néstor Kirchner, reagiu com dureza, insistindo em que se trata de uma questão bilateral.

No momento, a intermediação está sendo feita pelo rei Juan Carlos, da Espanha, a antiga potência colonial. Se o Mercosul tivesse regras comuns para instalação desse tipo de fábrica na região, o problema estaria resolvido. Mas o bloco tem um sério déficit institucional.

Outra questão importante é a entrada da Venezuela como membro pleno do Mercosul antes de negociar a adesão às normas preexistentes. O projeto político do presidente Hugo Chávez, antiliberal, anticapitalista e antiamericano, entre em conflito com o projeto original do Mercosul de ser um instrumento de inserção na economia globalizada.

A Venezuela é importante, mas o personalismo de Chávez não ajuda na institucionalização do bloco nem nas suas negociações externas. A recente proposta da União Européia propondo uma “parceria estratégica” ao Brasil indica o desinteresse europeu nas negociações bloco a bloco.

Além dos debates em torno das reformas previdenciária e tributária, da política econômica e do salário mínimo, da corrupção e da reforma política, a política externa tornou-se um elemento importante do governo Lula, que brilha no cenário internacional com seus programas sociais e o sucesso da economia brasileira.

(Este texto foi preparado inicialmente para a cadeira de Jornalismo Internacional do curso de Jornalismo da UniverCidade)

Polícia desarma bombas no centro de Londres

A polícia britânica desarmou esta manhã, depois de isolar toda a área, uma bomba deixada na rua Haymarket, no Centro de Londres, durante a madrugada. O "objeto potencialmente explosivo" foi encontrado dentro de um carro.

Mais tarde, o Esquadrão Antiterrorismo da Scotland Yard fechou a Park Lane, avenida paralela ao lado leste do Hyde Park, onde descobriu outro carro-bomba.

Os carros estavam carregados de material explosivo: gasolina, gás engarrafado e pregos, usados para causar o maior dano possível no maior número de pessoas. Ambulâncias que passaram pelo local viram fumaça saindo do carro na rua Haymarket. Quando os bombeiros chegaram, pediram a intervenção do esquadrão antiterrorista.

Foi um duro alerta ao novo primeiro-ministro, Gordon Brown, que assumiu a chefia do governo do Reino Unido há dois dias.

Em 7 de julho de 2005, o sistema de transporte de Londres foi atacado por terroristas, em atentados que provocaram a morte de 52 pessoas e quatro terroristas suicidas. Inicialmente, pensou-se que era uma célula terrorista autônoma constituída por muçulmanos britânicos. Mas as investigações reveleram que eles tinham recebido treinamento terrorista no Paquistão de um grupo ligado a Al Caeda.

Candidatos democratas criticam Suprema Corte

Os senadores Barack Obama e Hillary Clinton, aspirantes à candidatura democrata à Presidência dos Estados Unidos em 2008, rejeitaram com veemência a decisão da Suprema Corte de proibir o uso da raça como critério para discriminação positiva quando as escolas escolhem seus alunos. Os ministros alegaram que toda discriminação é ilegal nos EUA.

Hillary, que disputa com Obama o voto dos afro-americanos, que um dia foi quase cativo de seu marido, tratou logo de atacar o supremo tribunal americano, tornado mais conservador com a nomeação de dois novos juízes pelo presidente George W. Bush.

Leia a matéria do New York Times sobre o tema.

Suprema Corte rejeita discriminação positiva

Por 5 a 4, a Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu hoje que são anticonstitucionais a discriminação positiva nos programas de ação afirmativa usados, por exemplo, para aumentar a participação de negros nas escolas, nas universidades e no mercado de trabalho.

Os ministros do supremo tribunal americano, onde os conservadores são hoje maioria de 6-3, depois de duas nomeações feitas pelo presidente George Walker Bush, consideraram ilegal toda discriminação com base na cor da pele.

Para o comentarista jurídico Jerry Toobin, da rede de televisão CNN, é claramente um reflexo do conservadorismo da atual Suprema Corte.

A questão está em debate no Brasil, onde estão sendo introduzidas cotas nas universidade para negros e índios. Na minha opinião, seria mais conveniente promover as camadas de renda mais baixa do que usar como critério a cor da pele.

O Brasil tem cerca de 45% de afrodescendentes mas é um país altamente miscigenado. Como não há definição científica de raça, todos os seres humanos são da mesma raça, fica difícil, num país como o Brasil, decidir até onde se é negro.

A renda familiar me parece um critério mais justo, embora deva reconhecer que, nos EUA, os programas de ação afirmativa tenham dado uma contribuição para a emancipação e integração dos negros americanos depois do fim das leis segregacionistas, nos anos 60.

Quando coloquei a questão para meus alunos, todos os afrodescendentes foram a favor das cotas, com uma ou outra exceção de quem já está bem colocado profissionalmente e não quer que seus méritos sejam colocados em dúvida.

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Giuliani acusa Bill Clinton pelo 11 de setembro

O ex-prefeito de Nova Iorque Rudolph Giuliani, líder na disputa pela candidatura do Partido Republicano à eleição presidencial de 2008 nos Estados Unidos, acusa o ex-presidente Bill Clinton de não ter reagido com a força necessária depois do primeiro atentado contra o World Trade Center, em 1993.

Seu tema repetia uma velha jogada republicana para amedrontar o eleitorado: os democratas dão fracos e ingênuos para conduzir a guerra. Ao atacar Bill, ele também atinge Hillary Clinton, até o momento a favorita para conquistar a Casa Branca em 2008.

"Terroristas muçulmanos mataram mais de 500 americanos antes de 11 de setembro. Muitas pessoas pensam que o primeiro ataque contra os EUA foi em 11 de setembro de 2001. Não foi. Foi em 1993", declarou Giuliani.

Como prefeito de Nova Iorque no dia dos atentados, ele posou como presidente dos EUA, enquanto George W. Bush sumiu, protegido pelo serviço secreto, por medo de novos ataques.

Mas o Corpo de Bombeiros e a Polícia de Nova Iorque não ficaram com uma imagem tão favorável de Giuliani. Ele é acusado de não ter modernizado o sistema de radiocomunicação depois do primeiro atentado, em 1993. Os bombeiros e policiais que entraram nas Torres Gêmeas logo após os atentados de 2001, usavam equipamentos da mesma geração tecnológicas que seus colegas tinham em 1993. Só que as torres desabaram sobre eles.

Para as famílias dos policiais e bombeiros soterrados pelas torres, a culpa foi de Giuliani. Ele poderia ter equipado os bombeiros e policiais nova-iorquinos com equipamentos de última geração. Mas os republicanos achavam que o Estado não deve gastar dinheiro.

Por isso, Giuliani tem um ponto fraco para empanar a glória do que em que posou como presidente dos EUA. Jogar a culpa nos outros é uma boa maneira de desviar a atenção da sua.

Em ocasiões anteriores, Giuliani não quis responsabilizar Clinton nem Bush pelos atentados de 11/9. Disse que a culpa foi dos terroristas.

Depois dos atentados contra as embaixadas dos EUA no Quênia e na Tanzânia, em 1998, Clinton mandou bombardear uma fábrica no Sudão e bases da rede terrorista Al Caeda no Afeganistão. Mas foi apenas um bombardeio aéreo. Faltou consistência à ação. Parecia que Clinton estava apenas dando uma satisfação ao povo americano para dizer que tinha reagido.

A realidade é que ninguém dava importância a um inimigo não-governamental com recursos supostamente limitados. Ossama ben Laden declarou guerra aos EUA e ao Ocidente mas não foi levado a sério.

Presidência alemã recoloca UE em marcha

A Alemanha faz um balanço positivo de seus seis meses na presidência da União Européia, por causa do acordo para aprovar um minitratado constitucional em substituição à Constituição da Europa rejeitada por franceses e holandeses em 2005 e o lançamento das negociações de um acordo pós-Quioto para controlar a emissão dos gases que agravam o efeito estuda, provocando o aquecimento da Terra.

O processo de integração da Europa saiu de uma fase de estagnação em que estava desde que a França e a Holanda, dois membros fundadores da Comunidade Econômica Européia, em 1957, rejeitaram a Constituição da Europa, em plebiscitos, em 2005.

Na reunião de cúpula da semana passada em Bruxelas, na Bélgica, o Conselho Europeu convocou uma nova conferência intergovernamental e aprovou um minitratado constitucional que melhore a governabilidade de uma União Européia que nasceu com seis e hoje tem 27 países-membros: Alemanha, Áustria, Bélgica, Bulgária, Chipre, Dinamarca, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Estônia, Finlândia, França, Grécia, Holanda, Hungria, Irlanda, Itália, Letônia, Lituânia, Luxemburgo, Malta, Polônia, Portugal, Reino Unido, República Tcheca, Romênia e Suécia.

A Constituição foi substituída por um tratado que reforma a UE para impedir a paralisia do processo de tomada de decisões, que seria inevitável numa organização de 27 países, se fosse mantida a regra inicial que exigia unanimidade para todas as decisões.

Entre os destaques do novo tratado, estão:
• a criação do cargo de presidente do Conselho da Europa com mandato de dois anos e meio;
• um superministro para Relações Exteriores e Política de Segurança;
• uma mudança no sistema de votação no Conselho de Ministros a partir de 2014;
• uma redução de 27 para 15 no número de comissários da Comissão Européia;
• o fortalecimento do Parlamento Europeu, que passará a participar do processo legislativo;
• o direito natural dos parlamentos nacionais de participar no processo legislativo europeu; e
• tornar obrigatória em todos os países, menos no Reino Unido, a Carta dos Direitos Fundamentais do cidadão europeu.

Durante a presidência alemã, a chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel esforçou para promover avanços na área ambiental, com destaque para a política de energia e mudança do clima, incluída pela primeira vez num tratado constitutivo da UE.

A meta da UE é limitar o aumento da temperatura média do planeta em apenas dois graus centígrados em comparação com a era pré-industrial. Isto exige a redução até 2050 das emissões dos gases que agravam o efeito estufa em até 50%, o que depende da adesão de outras potências industriais.

Concretamente, os países europeus se comprometeram em reduzir suas emissões em 20% até 2020. Este percentual pode subir para 30% se outras potências industriais se submeterem a sacrifício semelhante,

Nas relações exteriores da UE, a presidência alemã:
• tentou resgatar o Quarteto (EUA, ONU, UE e Rússia) que negocia a paz no Oriente Médio, que terá ímpeto renovado com a indicação de Tony Blair como enviado especial;
• retomou a proposta de uma parceria econômica transatlântica com os EUA, diante da estagnação das negociações da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio;
• encaminhou o processo, no Conselho de Segurança das Nações Unidas, de definição do futuro status do Kossovo, cuja independência enfrenta resistência da Rússia e da Sérvia.

EUA cresceram a taxa de 0,7% ao ano no primeiro trimestre

A maior economia do mundo cresceu apenas 0,7% no primeiro trimestre do ano, um pouco acima do 0,6% estimado no mês passado, mas o núcleo a inflação, excluídos os preços de energia e alimentos, registrou ligeira alta passando na revisão de 2,2% para 2,4% ao ano. O Federal Reserve Board, o banco central dos Estados Unidos trabalha com uma meta informal de inflação 1% a 2% ao ano.

No ano passado, o núcleo da inflação americana ficou em 2,3%, um pouco acima dos 2,2% da estimativa anterior.

Para os analistas, o problema é que a inflação sobe mesmo com o crescimento baixo. "Os riscos inflacionários deram um grande passo na direção errada", observou o economista Drew Matus, do banco de investimentos Lehman Brothers.

quarta-feira, 27 de junho de 2007

CIA revela suas ações mafiosas

Para dar uma imagem de transparência nas atividades secretas da Agência Central de Inteligência (CIA), o serviço de contra-espionagem dos Estados Unidos, seu novo diretor, general-brigadeiro Michael Hayden, decidiu abrir arquivos antigos e revelar operações sinistras do tempo da Guerra Fria, como a contratação do mafioso Sam Giancana para matar o presidente cubano, Fidel Castro.

Republicanos viram contra a guerra no Iraque

Quando o mais importante senador republicano na Comissão das Forças Armadas do Senado dos Estados Unidos, Richard Lugar, afirmou que a nova estratégia lançada pelo presidente George Walker Bush no início do ano não está funcionando e que já está na hora de começar a retirar as tropas americanas do Iraque.

As últimas pesquisas indicam que 63% dos americanos são contra a guerra. Entre os eleitores republicanos, 42% são contra a guerra.

Em seu discurso, na segunda-feira à noite, Lugar declarou que "os custos e riscos de continuar no caminho atual superam os benefícios potenciais que podem ser alcançados". Ele é um conservador moderado, com grande experiência em política externa.

O senador fez um apelo a Bush para que busque apoio bipartidário para uma nova estratégia no Iraque neste ano. No próximo, haverá eleições presidenciais nos EUA. Se não for possível uma aliança bipartidária para enfrentar os problemas da ocupação do iraque neste ano, a campanha para a Casa Branca impedirá a articulação de um consenso em 2008.

Gordon Brown já é primeiro-ministro britânico

Depois de dez anos de espera e de uma luta surda pelo poder com primeiro-ministro que sai, Tony Blair, Gordon Brown assumiu hoje a chefia do governo do Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte. Depois de pedir autorização oficial à rainha Elizabeth II para formar o próximo Governo de Sua Majestade, entrou na residência oficial de 10e Downing Street prometendo "trabalhar pela mudança".

Não foi uma entrada triunfal como a de Blair chegou em 2 de maio de 1997, com o povo nas ruas festejando a derrota dos conservadores. Com apenas 43 anos, levava o Partido Trabalhista à vitória depois de 18 anos de thatcherismo. Era o mais jovem primeiro-ministro britânico desde Lorde Liverpool, em 1812, na época das guerras napoleônicas.

Blair deixa como legado uma economia estável e em crescimento sustentado, graças ao ex-ministro das Finanças e agora primeiro-ministro Gordon Brown, uma certa recuperação dos serviços públicos e a paz na Irlanda do Norte, acabando com um conflito de 800 anos entre Inglaterra e Irlanda.

Em 11 de setembro de 2001, percebendo a importância dos atentados terroristas contra Nova Iorque e Washington, tratou de consolidar a "relação especial" com os Estados Unidos, dando apoio incondicional ao presidente George W. Bush. Sua "herança maldita" será a guerra no Iraque, causa de sua queda prematura.

Na sua terceira vitória eleitoral consecutiva, algo inédito para um líder trabalhista britânico, Blair perdeu mais de 100 deputados na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico por causa da rejeição da opinião pública à intervenção no Iraque. Desde então, sua queda está anunciada. Ele teve o direito de marcar a data.

Brown, preterido na disputa pela liderança do partido depois da morte de John Smith, em 1994, é mais sizudo e mais carruncudo, menos midiático. Sorri pouco. Fala pouco. É frio e calculista. Como ministro das Finanças de Blair, foi um excelente gestor do mais longo período de expansão da história econômica da Grã-Bretanha. Agora, é a sua vez.

A exemplo da ex-primeira-ministra Margaret Thatcher (1979-90), Blair adotou um estilo de governo quase presidencialista, centralizado nele. Sempre tomou decisões com um pequeno grupo do qual participavam assessores sem mandato eletivo, como seu diretor de comunicações, Alastair Campbell, a "face antipática" do governo Blair.

Campbell era tão influente que caiu depois do suicídio de um cientista do Ministério da Defesa que dissera em sigilo à BBC que a alegação de que Saddam Hussein poderia contra-atacar com armas de destruição em massa em 45 minutos era uma fabricada pelo governo. Nenhum cientista previra essa possibilidade.

Se era responsável, em primeiro lugar, o primeiro-ministro sabia e concordou com a mentira apresentada ao Parlamento e à opinião pública; em segundo lugar, Campbell tinha poder demais. Desde o início, o governo Blair notabilizou-se por manipular as notícias, dando um 'efeito especial' (spin), a tal ponto que no dia 11 de setembro de 2001 uma assessora do Ministério do Meio Ambiente, Transportes e Cidades sugeriu que era "um bom dia para divulgarmos notícias que quisermos enterrar", debaixo das Torres Gêmeas do World Trade Center, com quase mil cadáveres. Pegou mal.

No fim, o governo Blair foi vítima do seu próprio veneno.

Gordon Brown prometeu governar com todo o gabinete e o Parlamento, fortalecer as instituições e fazer um governo menos personalista. Blair virou uma celebridade midiática internacional ao chamar Lady Diana, a Princesa de Gales, de "princesa do povo", no dia de sua morte. Teria sido uma idéia de Campbell. Brown sabe que não tem a mesma naturalidade e desenvoltura diante das câmeras.

Sintomaticamente, o último encontro de Blair como primeiro-ministro foi com o governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger, um astro de Hollywood. Os repórteres brincaram que Blair poderia dizer "Hasta la vista, baby!" (Até a vista, baby!), uma das frases do Exterminador do Futuro, papel que celebrizou Arnie no cinema, mas não "I'll be back!" (Eu voltarei!)

Sua carreira de deputado do Parlamento Britânico também chegou ao fim. Blair renunciou ao mandato para se dedicar à função de enviado especial do Quarteto (EUA, Nações Unidas, União Européia e Rússia) para negociar a paz no Oriente Médio.

Já há comentaristas árabes protestando, por causa da participação de Blair na ocupação do Iraque. Mas se houvesse um mínimo de concordância no Oriente Médio, a paz não estaria tão distante.

Anistia denuncia tortura em mais de 100 países

Em mais de 100 países, a polícia, as forças de segurança ou outras autoridades públicas usam de tortura e maus-tratos, denunciou a organização de defesa dos direitos humanos Anistia Internacional, ao lançar ontem em Londres seu Relatório anual sobre Tortura. Era o 20º aniversário da Convenção das Nações Unidas contra a Tortura e a Punição ou Tratamento Cruel, Desumano ou Degradante, assinada por 144 países.

De 157 países estudados pela Anistia na seu Relatório Anual sobre Direitos Humanos de 2007, 102 empregavam a tortura.

"É preocupante o fato de que nem todos os países tomem medidas para erradicar todas as formas de tortura patrocinadas pelo Estado, e que alguns inclusive a estejam fomentando, enquanto outros fecham os olhos ou permitem que outros países torturem em seu nome", afirma a AI.

Os Estados Unidos são diretamente acusados: "A tendência, no contexto da 'guerra contra o terrorismo' (travada pelos EUA), de legitimar e inclusive legalizar o uso da tortura não faz senão acentuar esta preocupação".

A Anistia acusa os EUA e seus aliados de "abusos sistemáticos" cometidos luta antiterrorista, como "prisões secretas, desaparecimentos forçados, tortura e outros tratamentos cruéis, desumanos e degradantes".

Leia a declaração da Anistia na íntegra.

terça-feira, 26 de junho de 2007

Produção de cocaína cresce 17,5% nos Andes

A produção de cocaína nos países andinos cresceu 17,5% no ano passado, atingindo uma área de 156,9 mil hectares, sendo 50% na Colômbia, 33% no Peru e 18% na Bolívia, informa hoje, Dia Mundial de Luta contra as Drogas Ilícitas, o Escritório das Nações Unidas para Drogas e Crime. O consumo de maconha é relativamente maior na Argentina, onde 6% admitem fumá-la regularmente.

Na Bolívia, onde o presidente Evo Morales começou sua carreira política como líder do sindicato dos produtores de coca, rebelando-se contra as política de erradicação propostas pelos Estados Unidos, o aumento da área cultivada no ano passado foi de 8%.

Macri: "É possível vencer Kirchner"

Com a euforia da vitória por 61%-39% contra o candidato governista, o prefeito eleito de Buenos Aires, Mauricio Macri, presidente do Boca Juniors, declarou hoje que é possível derrotar do presidente Néstor Kirchner nas eleições presidenciais de outubro na Argentina.

Kirchner, por sua vez, acusou a imprensa de "esquizofrenia" e "ação persecutória", alegando não ter perdido nada.

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Zoellick é o novo presidente do Banco Mundial

A Junta de Governadores do Banco Mundial aprovou hoje a candidatura do ex-representante comercial dos Estados Unidos e ex-subsecretário de Estado Robert Zoellick para substituir na presidência da instituição o ex-subsecretário da Defesa Paul Wolfowitz, acusado de tráfico de influência para beneficiar a namorada e amigos.

Zoellick assume em 1º de julho por um período de cinco anos.

Al Caeda declara apoio ao Hamas

A rede terrorista Al Caeda anunciou seu apoio ao Movimento de Resistência Islâmica (Hamas). Em gravação divulgada hoje na Internet, o médico egípcio Ayman al-Zawahiri, lugar-tenente de Ossama ben Laden, advertiu que está sendo preparada uma "ofensiva" contra o partido fundamentalista palestino, com a participação do Egito e da Arábia Saudita, os dois maiores aliados dos Estados Unidos no mundo árabe.

O alerta coincide com uma reunião de cúpula árabe-israelense em Charm al-Cheik, um balneário egípcio no Mar Vermelho, para dar apoio ao presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, da Fatah, derrotada pelo Hamas na Faixa de Gaza em combates que deixaram 115 mortos.

Israel prometeu liberar os impostos arrecadados de palestinos, retidos desde a vitória eleitoral do Hamas nas eleições legislativas palestinas de 25 de janeiro de 2006, sob o argumento de que o dinheiro seria usado em atividades terroristas, e os militantes da Fatah presos não-acusados por crimes de sangue.

"Temos de apoiar hoje os mujahedin da Palestina, inclusive os mujahedin do Hamas, apesar dos erros de sua direção", afirmou Zawahiri, conhecido por criticar a participação do movimento islamita nas eleições do ano passado.

"Dizemos a nossos irmãos, os mujahedin do Hamas, que ficaremos, como toda a nação muçulmana, a seu lado, mas devem retificar sua linha política", prosseguiu o segundo homem na hierarquia d'al Caeda, dizendo que "chegar ao poder não é um fim em si, é para fazer valer a lei divina na Terra, e, segundo, o que foi conquistado não está garantido porque prepara-se o terreno para uma invasão de Gaza".

"Tenemos que apoyar hoy a los muyahidín en Palestina, incluidos los muyahidín de Hamas a pesar de todos los errores de su dirección", declaró Zawahiri, conocido por sus vivas críticas contra Hamas desde su participación en las elecciones de enero 2006 que lo llevaron al poder.

"Unam-se a vossos irmãos, os mujahedin da Palestina. Não criem problemas com eles e unam suas filas com todos os mujahedin do mundo diante de uma ofensiva que se preparar, na qual os egípcios e sauditas jogarão, como de costume, um papel grave e ingrato".

Kirchner recebe quarta prefeito eleito de Buenos Aires

O presidente da Argentina, Néstor Kirchner, recebe nesta quarta-feira na Casa Rosada o prefeito eleito de Buenos Aires, o empresário Mauricio Macri, presidente do Boca Juniors, time mais popular do país.

Eleito ontem, em segundo turno, com 61% dos votos válidos, contra 39% para o ministro da Educação, David Filmus, candidato de Kirchner, Macri foi logo dizendo: "Trabalharemos para construir uma alternativa em outubro", quando serão realizadas eleições presidenciais na Argentina.

Leia mais no jornal argentino La Nación.

Blair será enviado especial ao Oriente Médio

Mal entregou a liderança do Partido Trabalhista para o futuro primeiro-ministro Gordon Brown, que deve assumir a chefia do governo britânico na quarta-feira, o primeiro-ministro Tony Blair deve ser nomeado enviado especial do Quarteto (EUA, ONU, UE e Rússia) para negociar a paz no Oriente Médio.

Representantes dos Estados Unidos, das Nações Unidas, da Rússia e da União Européia reúnem-se nesta terça-feira em Jerusalém e devem confirmar a indicação de Blair.