Até as sete horas da noite de ontem pelo horário de Washington (20h em Brasília), estava em andamento uma operação militar dos Estados Unidos para bombardear alvos dentro do Irã - instalações nucleares, radares e baterias de defesa antiaérea -, em retaliação ao abate de um drone espião americano no Estreito de Ormuz.
Os aviões bombardeiros estavam no ar e os navios próximos prontos para atacar, mas nenhum míssil havia sido disparado quando o presidente Donald Trump deu a contraordem, noticiou o jornal The New York Times.
Ainda não está claro se o presidente cancelou a operação ou apenas adiou o ataque para um momento mais favorável por uma questão de logística ou estratégia. Mas o simples anúncio é uma ameaça e uma demonstração de força.
Os EUA alegam que o drone foi abatido em águas internacionais no Estreito de Ormuz. A República Islâmica do Irã afirma que o drone invadiu o espaço aéreo iraniano.
Apesar das vulnerabilidades, o Irã tem uma longa experiência em guerras indiretas através de milícias que financia e sustenta como o grupo fundamentalista xiita iraniano Hesbolá (Partido de Deus), a mais notória e supostamente mais poderosa.
Trump aplica uma estratégia de "pressão máxima" contra o Irã na expectativa de forçar o regime teocrático iraniano a voltar à mesa de negociações e abrir mão não só do programa nuclear militar, mas também da tecnologia de mísseis de médio e longo alcances e de interferir politicamente em outros países do Oriente Médio.
Em 8 de maio do ano passado, o presidente americano rompeu o acordo nuclear de 2015, negociado pelo governo Barack Obama para congelar o programa militar nuclear iraniano. Um ano depois, o Irã anunciou que vai acumular urânio enriquecido além do limite estabelecido no acordo.
O governo americano parece totalmente incapaz de entrar num diálogo construtivo com o Irã, demonizado no discurso oficial da Casa Branca e do Departamento de Estado. A República Islâmica, do outro, não acredita que que os EUA negociem de boa fé.
No mês passado, quatro navios petroleiros foram alvo de bombas num porto dos Emirados Árabes Unidos. Na semana passada, outros dois foram atacados quando passavam pelo Golfo de Omã. EUA responsabilizou o Irã.
Com o aumento da tensão, os EUA enviaram mais mil soldados para o Oriente Médio um grupo naval liderado por um porta-aviões rumo ao Golfo Pérsico. Trump afirma não querer a guerra, apenas renegociar o acordo, mas chegou perto.
O secretário de Estado, Mike Pompeo, o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, e a diretora-geral da Agência Central de Inteligência (CIA), Gina Haspel, eram a favor do ataque abortado ontem à noite.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
sexta-feira, 21 de junho de 2019
Trump aprova ataque ao Irã e depois recua
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quinta-feira, 20 de junho de 2019
Johnson e Hunt disputam chefia do partido e do governo britânico
O ex-ministro do Exterior Boris Johnson e o ministro da Defesa, Jeremy Hunt, foram os escolhidos pela bancada para disputar a liderança do Partido Conservador numa votação em que podem participar todos os filiados ao partido. Como os conservadores têm maioria na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico, ele será o próximo primeiro-ministro do Reino Unido.
Na quinta votação da bancada parlamentar conservadora, de 313 deputados, Johnson obteve 160 votos e Hunt 77. O ministro do Meio Ambiente, Michael Gove, recebeu apenas 75 votos. Foi eliminado.
O próximo líder conservador e primeiro-ministro terá um papel decisivo na definição do futuro das relações do país com a União Europeia. Johnson promete retirar o Reino Unido do bloco europeu em 31 de outubro com ou sem acordo. Hunt quer pedir mais tempo para renegociar a saída britânica.
Na quinta votação da bancada parlamentar conservadora, de 313 deputados, Johnson obteve 160 votos e Hunt 77. O ministro do Meio Ambiente, Michael Gove, recebeu apenas 75 votos. Foi eliminado.
O próximo líder conservador e primeiro-ministro terá um papel decisivo na definição do futuro das relações do país com a União Europeia. Johnson promete retirar o Reino Unido do bloco europeu em 31 de outubro com ou sem acordo. Hunt quer pedir mais tempo para renegociar a saída britânica.
quarta-feira, 19 de junho de 2019
Relatório da ONU acusa príncipe saudita pelo assassinato de jornalista
O fantasma do jornalista Jamal Khashoggi assombra o poderoso príncipe-herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed ben Salman. O jornalista foi torturado até a morte e esquartejado em 2 de outubro do ano passado no consulado saudita em Istambul, na Turquia.
Jamal
Khashoggi saiu da Arábia Saudita em setembro de 2017, depois de receber ameaças
por criticar o novo príncipe-herdeiro Mohamed ben Salman, que acumula os cargos
de vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa e é o homem-forte da monarquia
absolutista da Arábia Saudita
Khashoggi
morava em Washington, nos Estados Unidos, onde era colunista do jornal The
Washington Post. Foi ao consulado pegar um documento que precisava para se
casar. Nunca mais saiu.
Sua morte chama a atenção para a ditadura brutal da monarquia absolutista saudita e tira a máscara de mais um "filho pródigo" que na teoria iria modernizar um país árabe, mas na prática se revelou um desastre. Meu comentário:
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terça-feira, 18 de junho de 2019
Japão oferece aos EUA cortes em tarifas sobre produtos agrícolas
O Japão vai prometer acelerar os cortes nas tarifas de importação de produtos agrícolas nas negociações conduzidas pelo ministro da Revitalização Econômico, Toshimitsu Motegi, e o representante comercial dos Estados Unidos, Robert Lighthizer, noticiou o jornal Japan Today. Eles se encontram amanhã.
A tarifa do Japão sobre carne bovina importada dos EUA cairia imediatamente para 26,6%, como se os EUA tivessem aderido à Parceria Transpacífica, e para 25,8% daqui a um ano. Hoje a tarifa é de 38,5%.
Em troca, o Japão deve pedir a redução das tarifas de importação de veículos, hoje em 2,5% para automóveis e 25% para caminhões.
Um dos primeiros atos do presidente Donald Trump foi rejeitar o acordo comercial com 11 países da orla do Oceano Pacífico (Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Cingapura, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru e Vietnã) negociado no governo Barack Obama (2009-17). Era uma iniciativa para estabelecer as regras do jogo na região sem se submeter ao crescente poderio econômico da China.
Desde então, o Japão busca um acordo bilateral com os EUA. Historicamente, o Japão, um arquipélago com dois terços da área imprópria para a agricultura, subsidia seus agricultores e protege o mercado interno com barreiras tarifárias.
O arroz japonês é várias vezes mais caro do que o preço internacional, mas cada vez que chegava um carregamento de arroz importado ao Japão aparecia algum especialista para torcer o nariz e dizer que o estrangeiro não era igual ao arroz japonês.
Depois de um acerto entre Trump e o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, no fim do ano passado, as negociações começaram no começo deste ano. O Japão tem pressa. Até novembro, as tarifas de importação de veículos japoneses pelos americanos estão suspensas.
A tarifa do Japão sobre carne bovina importada dos EUA cairia imediatamente para 26,6%, como se os EUA tivessem aderido à Parceria Transpacífica, e para 25,8% daqui a um ano. Hoje a tarifa é de 38,5%.
Em troca, o Japão deve pedir a redução das tarifas de importação de veículos, hoje em 2,5% para automóveis e 25% para caminhões.
Um dos primeiros atos do presidente Donald Trump foi rejeitar o acordo comercial com 11 países da orla do Oceano Pacífico (Austrália, Brunei, Canadá, Chile, Cingapura, Japão, Malásia, México, Nova Zelândia, Peru e Vietnã) negociado no governo Barack Obama (2009-17). Era uma iniciativa para estabelecer as regras do jogo na região sem se submeter ao crescente poderio econômico da China.
Desde então, o Japão busca um acordo bilateral com os EUA. Historicamente, o Japão, um arquipélago com dois terços da área imprópria para a agricultura, subsidia seus agricultores e protege o mercado interno com barreiras tarifárias.
O arroz japonês é várias vezes mais caro do que o preço internacional, mas cada vez que chegava um carregamento de arroz importado ao Japão aparecia algum especialista para torcer o nariz e dizer que o estrangeiro não era igual ao arroz japonês.
Depois de um acerto entre Trump e o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, no fim do ano passado, as negociações começaram no começo deste ano. O Japão tem pressa. Até novembro, as tarifas de importação de veículos japoneses pelos americanos estão suspensas.
Encontro Xi-Trump dá esperança de trégua na guerra comercial EUA-China
As bolsas de valores subiram hoje no mundo inteiro depois do anúncio de estímulos ao crescimento da Zona do Euro e de que o presidente Donald Trump vai se encontrar com o ditador Xi Jinping durante a reunião de cúpula do Grupo dos Vinte (G-20) marcada para 28 e 29 de junho, em Osaka, no Japão. Mas a concorrência estratégica entre as grandes potências deve durar décadas.
A economia global está em desaceleração e a guerra comercial EUA-China torna a situação ainda pior. A incerteza pesa sobre o setor industrial e suas cadeias produtivas globais. A geração de empregos nos EUA decepcionou no mês passado e o crescimento do segundo semestre é estimado em 1,5% ao ano.
Se houver um acordo, será mais uma trégua. Os EUA e a China estão envolvidos num conflito econômico, científico, tecnológico e militar pela supremacia mundial que deve se arrastar por muito tempo. Meu comentário:
A economia global está em desaceleração e a guerra comercial EUA-China torna a situação ainda pior. A incerteza pesa sobre o setor industrial e suas cadeias produtivas globais. A geração de empregos nos EUA decepcionou no mês passado e o crescimento do segundo semestre é estimado em 1,5% ao ano.
Se houver um acordo, será mais uma trégua. Os EUA e a China estão envolvidos num conflito econômico, científico, tecnológico e militar pela supremacia mundial que deve se arrastar por muito tempo. Meu comentário:
Trump anuncia encontro longo com Xi no Japão
O presidente Donald Trump anunciou hoje que terá um longo encontro com o ditador Xi Jinping durante a reunião de cúpula do Grupo dos Vinte (G-20) em Osaka, no Japão, nos dias 28 e 29 de junho, para tentar negociar o fim da guerra comercial entre os Estados Unidos e a China.
"Tive uma conversa telefônica muito boa com o presidente da China", escreveu Trump no Twitter. "Teremos um longo encontro na próxima semana no G-20 no Japão. Nossas equipes vão iniciar as negociações antes do encontro."
Em maio, Trump aumentou para 25% a tarifa de importação sobre produtos chineses importados pelos EUA no valor de US$ 200 bilhões anuais. A China retaliou impondo tarifas de 25% sobre produtos americanos importados no valor anual de US$ 60 bilhões.
Para pressionar a China, o Tesouro dos EUA iniciou consultas para aumentar para 25% as tarifas sobre outros produtos chineses importados no valor anual de US$ 300 bilhões, o que cobriria todas as exportações para China para os EUA.
Xi confirmou o encontro em entrevista à televisão estatal chinesa: "Como as duas maiores economias do mundo, a China e os EUA devem desempenhar um papel principal na promoção de resultados positivos na Cúpula de Osaka do G-20 e injetar confiança e vitalidade ao mercado global. (...) Gostaria de trocar visões sobre questões fundamentais relacionados ao desenvolvimento das relações EUA-China."
Antes, na quinta e na sexta-feira desta semana, Xi vai a Pyongyang. Será sua primeira visita à Coreia do Norte, num sinal de prestígio ao ditador Kim Jong Un. As negociações para desnuclearizar a Península Coreana estão estagnadas desde o fracasso do encontro de cúpula entre Kim e Trump em 27 e 28 de fevereiro, em Hanói no Vietnã.
As bolsas de valores subiram com a expectativa de uma trégua no conflito comercial entre EUA e China. Mas a médio prazo o risco é de uma nova escalada com a imposição de mais tarifas por Trump.
"Tive uma conversa telefônica muito boa com o presidente da China", escreveu Trump no Twitter. "Teremos um longo encontro na próxima semana no G-20 no Japão. Nossas equipes vão iniciar as negociações antes do encontro."
Em maio, Trump aumentou para 25% a tarifa de importação sobre produtos chineses importados pelos EUA no valor de US$ 200 bilhões anuais. A China retaliou impondo tarifas de 25% sobre produtos americanos importados no valor anual de US$ 60 bilhões.
Para pressionar a China, o Tesouro dos EUA iniciou consultas para aumentar para 25% as tarifas sobre outros produtos chineses importados no valor anual de US$ 300 bilhões, o que cobriria todas as exportações para China para os EUA.
Xi confirmou o encontro em entrevista à televisão estatal chinesa: "Como as duas maiores economias do mundo, a China e os EUA devem desempenhar um papel principal na promoção de resultados positivos na Cúpula de Osaka do G-20 e injetar confiança e vitalidade ao mercado global. (...) Gostaria de trocar visões sobre questões fundamentais relacionados ao desenvolvimento das relações EUA-China."
Antes, na quinta e na sexta-feira desta semana, Xi vai a Pyongyang. Será sua primeira visita à Coreia do Norte, num sinal de prestígio ao ditador Kim Jong Un. As negociações para desnuclearizar a Península Coreana estão estagnadas desde o fracasso do encontro de cúpula entre Kim e Trump em 27 e 28 de fevereiro, em Hanói no Vietnã.
As bolsas de valores subiram com a expectativa de uma trégua no conflito comercial entre EUA e China. Mas a médio prazo o risco é de uma nova escalada com a imposição de mais tarifas por Trump.
Atentado suicida do Boko Haram mata 30 pessoas na Nigéria
O governador do estado de Borno, Babagana Umara, prometeu ontem fortalecer o sistema de saúde pública para melhorar a resposta a emergências, um dia depois que um triplo atentado terrorista suicida matou 30 pessoas e feriu outras 42 em Mandari, na região de Konduga, no Nordeste da Nigéria, o país mais rico e mais populoso da África.
Eram por volta de oito horas da noite pelo hora local (4h10) quando os terroristas se explodiram. Umara visitou o setor de emergência do hospital local, consolou os feridos e famílias - e pediu à direção do hospital para apresentar um plano de expansão do setor de emergência. As obras seriam iniciadas imediatamente.
Umara doou uma quantia não revelada para as vítimas e prometeu ajuda do governo para pagar todas as despesas de tratamento médico dos feridos.
Desde que aderiu à luta armada para impor uma versão extremista e puritana do Alcorão, a guerra ao Boko Haram, cujo nome significa "não à educação ocidental", matou entre 14 e 20 mil pessoas.
À medida que aumenta o radicalismo islâmico na África Subsaariana, especialmente na região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara, aumenta o desafio nesta nova frente da guerra contra o terrorismo dos extremistas muçulmanos.
Eram por volta de oito horas da noite pelo hora local (4h10) quando os terroristas se explodiram. Umara visitou o setor de emergência do hospital local, consolou os feridos e famílias - e pediu à direção do hospital para apresentar um plano de expansão do setor de emergência. As obras seriam iniciadas imediatamente.
Umara doou uma quantia não revelada para as vítimas e prometeu ajuda do governo para pagar todas as despesas de tratamento médico dos feridos.
Desde que aderiu à luta armada para impor uma versão extremista e puritana do Alcorão, a guerra ao Boko Haram, cujo nome significa "não à educação ocidental", matou entre 14 e 20 mil pessoas.
À medida que aumenta o radicalismo islâmico na África Subsaariana, especialmente na região do Sahel, ao sul do Deserto do Saara, aumenta o desafio nesta nova frente da guerra contra o terrorismo dos extremistas muçulmanos.
segunda-feira, 17 de junho de 2019
Morte na prisão de presidente eleito do Egito é sinal do fracasso da Primavera Árabe
O ex-presidente Mohamed Mursi, o único eleito democraticamente na história do Egito morreu hoje num tribunal onde era processado por espionagem. Ele foi eleito em 2012 e deposto em 3 de junho de 2013, depois de pouco mais de um ano no cargo.
A Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista islâmico, ao qual Mursi pertencia, acusou a ditadura do marechal Abdel Fattah al-Sissi pela morte.
Sua morte é um bom momento para fazer um balanço da Primavera Árabe, uma tentativa frustrada de democratizar os países árabes que enfrentou forte resistência das monarquias absolutistas como a Arábia Saudita. Meu comentário:
A Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista islâmico, ao qual Mursi pertencia, acusou a ditadura do marechal Abdel Fattah al-Sissi pela morte.
Sua morte é um bom momento para fazer um balanço da Primavera Árabe, uma tentativa frustrada de democratizar os países árabes que enfrentou forte resistência das monarquias absolutistas como a Arábia Saudita. Meu comentário:
Morre na prisão o único presidente eleito da história do Egito
O ex-presidente do Egito Mohamed Mursi, derrubado por um golpe militar em 3 de julho de 2013, morreu aos 67 hoje num tribunal do Cairo. Mursi, da Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista islâmico, foi eleito em 2012, depois da queda do ditador Hosni Mubarak na Primavera Árabe, em 11 de fevereiro de 2011. Sua morte deve provocar protestos dos islamistas.
Mursi sofria de diabetes e teve um colapso cardíaco depois de uma audiência no tribunal, onde respondia a processos. Sua deposição pelo atual ditador, marechal Abdel Fattah al-Sissi, marcou o fim da breve experiência democrática do Egito.
Depois da queda, o ex-presidente foi condenado a 45 anos de prisão, a 20 anos por incitar as forças de segurança a atacar manifestantes em 2012 e a 25 anos por espionagem a favor do Catar, aliado da Irmandade Muçulmana, declarada grupo terrorista pelo novo governo egípcio.
Um de seus maiores aliados, o ditador da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, o chamou de mártir: "Que Alá dê a nosso mártir, nosso irmão Mursi, sua misericórdia. Outro aliado importante, o emir do Catar, xeque Tamin ben Hamad al-Thani, manifestou "profunda tristeza".
Com o golpe, mais de 1,4 mil manifestantes da Irmandade Muçulmana foram mortos e 15 mil presos. Centenas de islamistas foram condenados nos últimos anos sob acusação de terrorismo. Os mesmos ativistas que derrubaram Mubarak na esperança de democratizar o país saíram às ruas para denunciar o autoritarismo de Mursi e da Irmandade Muçulmana, convidando os militares a dar o golpe de 2013.
O regime hoje é ainda mais repressivo do que no tempo de Mubarak. A Primavera Árabe só democratizou a Tunísia. A Líbia, a Síria e o Iêmen estão até hoje em guerra civil.
Mursi sofria de diabetes e teve um colapso cardíaco depois de uma audiência no tribunal, onde respondia a processos. Sua deposição pelo atual ditador, marechal Abdel Fattah al-Sissi, marcou o fim da breve experiência democrática do Egito.
Depois da queda, o ex-presidente foi condenado a 45 anos de prisão, a 20 anos por incitar as forças de segurança a atacar manifestantes em 2012 e a 25 anos por espionagem a favor do Catar, aliado da Irmandade Muçulmana, declarada grupo terrorista pelo novo governo egípcio.
Um de seus maiores aliados, o ditador da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, o chamou de mártir: "Que Alá dê a nosso mártir, nosso irmão Mursi, sua misericórdia. Outro aliado importante, o emir do Catar, xeque Tamin ben Hamad al-Thani, manifestou "profunda tristeza".
Com o golpe, mais de 1,4 mil manifestantes da Irmandade Muçulmana foram mortos e 15 mil presos. Centenas de islamistas foram condenados nos últimos anos sob acusação de terrorismo. Os mesmos ativistas que derrubaram Mubarak na esperança de democratizar o país saíram às ruas para denunciar o autoritarismo de Mursi e da Irmandade Muçulmana, convidando os militares a dar o golpe de 2013.
O regime hoje é ainda mais repressivo do que no tempo de Mubarak. A Primavera Árabe só democratizou a Tunísia. A Líbia, a Síria e o Iêmen estão até hoje em guerra civil.
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domingo, 16 de junho de 2019
Super-ricos ganharam mais de US$ 21 trilhões em 30 anos nos EUA
O 1% mais rico da população dos Estados Unidos ganhou mais de US$ 21 trilhões desde 1989, enquanto a metade mais pobre perdeu US$ 900 bilhões, revelou a Contabilidade Financeira Distributiva, uma nova série de dados divulgada pela Reserva Federal (Fed), o banco central do país.
Junto com as Contas Financeiras e a Sondagem das Finanças do Consumo, estes dados estimam a distribuição da riqueza e revelam uma brutal concentração da renda nas últimas três décadas.
No mundo, havia 226.560 super-ricos, em 2017, definidos como quem tem uma riqueza de US$ 30 milhões ou mais. Eles têm juntos US$ 27 trilhões.
O Brasil é o 14º país em número de super-ricos. Eram 3.570 em 2017, quando foi registrada uma queda de 9,6% na sua renda por causa da recessão econômica.
Junto com as Contas Financeiras e a Sondagem das Finanças do Consumo, estes dados estimam a distribuição da riqueza e revelam uma brutal concentração da renda nas últimas três décadas.
No mundo, havia 226.560 super-ricos, em 2017, definidos como quem tem uma riqueza de US$ 30 milhões ou mais. Eles têm juntos US$ 27 trilhões.
O Brasil é o 14º país em número de super-ricos. Eram 3.570 em 2017, quando foi registrada uma queda de 9,6% na sua renda por causa da recessão econômica.
sábado, 15 de junho de 2019
Governadora de Hong Kong suspende tramitação da lei de extradição
Sob pressão de uma onda de manifestações populares, a governadora Carrie Lam suspendeu hoje a tramitação de um projeto de lei que autorizaria a extradição para a China de pessoas detidas no território. A governadora declarou que a proposta não havia sido apresentada de maneira "adequada".
Mais de um milhão de pessoas marcharam pelas ruas de Hong Kong e enfrentaram a polícia em 9 de junho para repudiar a lei, que acabaria com a independência judiciária do território, que tem o status de uma região administrativa especial.
Horas depois do anúncio de hoje, já no domingo pela hora local centenas de milhares de chineses de Hong Kong festejaram a vitória e marcharam pelas ruas da cidade em protesto contra a interferência cada vez maior de Beijim nos assuntos do território. Os cartazes diziam "Não à extradição para a China" e exigiam a renúncia da governadora aliada ao regime comunista.
Quando negociou a devolução da colônia tomada pelo Império Britânico nas Guerras do Ópio, no século 19, o regime comunista chinês prometeu manter o sistema capitalista e as liberdades democráticas em Hong Kong durante 50 anos.
Mais de um milhão de pessoas marcharam pelas ruas de Hong Kong e enfrentaram a polícia em 9 de junho para repudiar a lei, que acabaria com a independência judiciária do território, que tem o status de uma região administrativa especial.
Horas depois do anúncio de hoje, já no domingo pela hora local centenas de milhares de chineses de Hong Kong festejaram a vitória e marcharam pelas ruas da cidade em protesto contra a interferência cada vez maior de Beijim nos assuntos do território. Os cartazes diziam "Não à extradição para a China" e exigiam a renúncia da governadora aliada ao regime comunista.
Quando negociou a devolução da colônia tomada pelo Império Britânico nas Guerras do Ópio, no século 19, o regime comunista chinês prometeu manter o sistema capitalista e as liberdades democráticas em Hong Kong durante 50 anos.
sexta-feira, 14 de junho de 2019
Boris Johnson é favorito para primeiro-ministro do Reino Unido
O ex-prefeito de Londres e ex-ministro do Exterior Boris Johnson, ganhou com ampla vantagem a primeira votação para escolha do próximo líder do Partido Conservador e futuro primeiro-ministro britânico. Aumenta o risco de uma saída dura da União Europeia, sem qualquer acordo.
Na primeira votação, Johnson teve 114 votos, mais do que os dois outros fortes candidatos somados. O ministro da Defesa, Jeremy Hunt, foi o segundo, com 43, seguido pelo ministro do Meio Ambiente, abalado pela confissão de que cheirou cocaína quando jovem, com 37.
A segunda votação será realizada na próxima terça-feira, 18 de junho, uma terceira na quarta-feira e depois na quinta-feira. Os dois mais votados serão submetidos a uma eleição em que todos os filiados do Partido Conservador podem participar votando pelo correio. O resultado sai no dia 22.
Dos dez candidatos, oito estão defendendo uma ruptura total com a UE, especialmente Johnson, que não admite novo adiamento além do prazo atual, 31 de outubro. Até lá, não haveria tempo para renegociar o acordo.
Os outros 27 países da UE já rejeitaram a renegociação do acordo negociado pela ex-primeira-ministra Theresa May, derrotado três vezes em votações na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico.
Uma ruptura total pode ser catastrófica para a quinta maior economia do mundo. De acordo com o Banco da Inglaterra, o produto interno bruto pode cair até 10% em cinco anos. Meu comentário:
Na primeira votação, Johnson teve 114 votos, mais do que os dois outros fortes candidatos somados. O ministro da Defesa, Jeremy Hunt, foi o segundo, com 43, seguido pelo ministro do Meio Ambiente, abalado pela confissão de que cheirou cocaína quando jovem, com 37.
A segunda votação será realizada na próxima terça-feira, 18 de junho, uma terceira na quarta-feira e depois na quinta-feira. Os dois mais votados serão submetidos a uma eleição em que todos os filiados do Partido Conservador podem participar votando pelo correio. O resultado sai no dia 22.
Dos dez candidatos, oito estão defendendo uma ruptura total com a UE, especialmente Johnson, que não admite novo adiamento além do prazo atual, 31 de outubro. Até lá, não haveria tempo para renegociar o acordo.
Os outros 27 países da UE já rejeitaram a renegociação do acordo negociado pela ex-primeira-ministra Theresa May, derrotado três vezes em votações na Câmara dos Comuns do Parlamento Britânico.
Uma ruptura total pode ser catastrófica para a quinta maior economia do mundo. De acordo com o Banco da Inglaterra, o produto interno bruto pode cair até 10% em cinco anos. Meu comentário:
Crescimento industrial da China é o menor em 17 anos
Sob o impacto da guerra comercial deflagrada pelos Estados Unidos, a produção industrial da China registrou em maio o menor ritmo de crescimento em 17 anos, de 5% ao ano. Setores importantes como automóveis, produtos médicos e equipamentos de informáticas tiveram fortes desacelerações, noticiou o jornal inglês Financial Times.
As negociações com os EUA se estagnaram em maio, quando o presidente Donald Trump aumentou para 25% as tarifas sobre produtos importados da China com valor anual de US$ 200 bilhões e colocou a maior fabricante mundial de equipamentos de telecomunicações, a Huawei, numa lista de empresas que ameaçam a segurança nacional.
Há uma esperança de que o impasse seja superado num encontro de Trump com o ditador Xi Jinping durante a reunião de cúpula do Grupo dos 20 em Osaka, no Japão, em 28 e 29 de junho.
As negociações com os EUA se estagnaram em maio, quando o presidente Donald Trump aumentou para 25% as tarifas sobre produtos importados da China com valor anual de US$ 200 bilhões e colocou a maior fabricante mundial de equipamentos de telecomunicações, a Huawei, numa lista de empresas que ameaçam a segurança nacional.
Há uma esperança de que o impasse seja superado num encontro de Trump com o ditador Xi Jinping durante a reunião de cúpula do Grupo dos 20 em Osaka, no Japão, em 28 e 29 de junho.
quinta-feira, 13 de junho de 2019
EUA acusam Irã por ataques a petroleiros no Golfo de Omã
O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, responsabilizou o Irã pelos ataques contra dois petroleiros hoje no Golfo de Omã, depois de ataques contra quatro navios-tanques num porto dos Emirados Árabes Unidos no mês passado.
Há duas semanas, em visita aos Emirados Árabes Unidos, o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, o linha-dura John Bolton, declarou estar “quase certo” de que foi o Irã ou aliados.
Pompeo afirmou hoje que esses
ataques não provocados são uma clara ameaça à paz e à segurança internacionais
e um assalto à liberdade de navegação. Meu comentário:
Ataque a dois navios petroleiros aumenta tensão no Oriente Médio
Dois navios-tanque foram alvo de bombas hoje no Golfo de Omã perto do Estreito de Ormuz, na entrada do Golfo Pérsico, forçando suas tripulações a abandoná-los, um mês depois de ataques a quatro petroleiros num porto dos Emirados Árabes Unidos.
Aumenta a tensão entre Estados Unidos e Arábia Saudita, de um lado, e do Irã, do outro, que já estava em alta com um ataque de míssil de rebeldes apoiados pelo Irã contra um aeroporto saudita, e o risco de guerra no Oriente Médio, adverte o jornal The New York Times.
Ainda não se sabe quem foram os responsáveis pelos ataques de hoje e do mês passado. Há duas semanas, em visita aos Emirados Árabes Unidos, aliados da Arábia Saudita, o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, afirmou estar "quase certo" de que foi o Irã ou aliados.
Um dos navios atacados pertence à empresa norueguesa Frontline e estava fretado pela companhia estatal de petróleo de Taiwan para transportar nafta. Todos os 23 tripulantes foram resgatados.
O outro navio era do Panamá e transportava metanol do porto de Jubail, na Arábia Saudita, para Cingapura. Os 21 tripulantes eram filipinos. Eles deixaram o navio e foram resgatados por um barco que passava.
Ontem, o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, foi a Teerã, onde se reuniu com o presidente Hassan Rouhani. Hoje, encontra-se com o Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, para tentar intermediar um alívio de tensão entre EUA e Irã - e reduzir o risco de guerra.
Khamenei, o homem-forte da ditadura teocrática iraniana, rejeitou qualquer possibilidade de diálogo com o governo Donald Trump. O ministro do Exterior do Irã, Mohamed Javad Zarif, declarou que os ataques são uma jogada para impedir o diálogo e provocar uma agressão.
No mês passado, o ministro da Defesa do Reino Unido, Jeremy Hunt, candidato a líder do Partido Conservador e próximo primeiro-ministro britânico, declarou estar "preocupado com o risco de um conflito deflagrado por acidente".
Os rebeldes hutis, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã na guerra civil do Iêmen fizeram ataques recentes a alvos sauditas, inclusive oleodutos. Ontem, bombardearam o aeroporto de Abba, no Sudoeste da Arábia Saudita, com um míssil de cruzeiro, ferindo 26 pessoas.
Em 8 de maio de 2018, o presidente Trump retirou os EUA de um acordo negociado pelas cinco grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas, a Alemanha e o Irã para congelar por dez anos o programa nuclear militar iraniano.
Meses depois, o governo Trump reimpôs duras sanções econômicas para tentar impedir o Irã de exportar petróleo. No mês passado, os EUA enviaram um grupo naval liderado por um porta-aviões e mais 1,5 mil soldados para a região do Golfo Pérsico.
Trump alega não querer guerra com o Irã, mas sua estratégia de "pressão máxima" cria uma situação de altíssimo risco.
Um terço do petróleo exportado no mundo passa pelo Estreito de Ormuz. Os preços do petróleo subiram hoje mais de 3%.
Aumenta a tensão entre Estados Unidos e Arábia Saudita, de um lado, e do Irã, do outro, que já estava em alta com um ataque de míssil de rebeldes apoiados pelo Irã contra um aeroporto saudita, e o risco de guerra no Oriente Médio, adverte o jornal The New York Times.
Ainda não se sabe quem foram os responsáveis pelos ataques de hoje e do mês passado. Há duas semanas, em visita aos Emirados Árabes Unidos, aliados da Arábia Saudita, o assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, John Bolton, afirmou estar "quase certo" de que foi o Irã ou aliados.
Um dos navios atacados pertence à empresa norueguesa Frontline e estava fretado pela companhia estatal de petróleo de Taiwan para transportar nafta. Todos os 23 tripulantes foram resgatados.
O outro navio era do Panamá e transportava metanol do porto de Jubail, na Arábia Saudita, para Cingapura. Os 21 tripulantes eram filipinos. Eles deixaram o navio e foram resgatados por um barco que passava.
Ontem, o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, foi a Teerã, onde se reuniu com o presidente Hassan Rouhani. Hoje, encontra-se com o Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, para tentar intermediar um alívio de tensão entre EUA e Irã - e reduzir o risco de guerra.
Khamenei, o homem-forte da ditadura teocrática iraniana, rejeitou qualquer possibilidade de diálogo com o governo Donald Trump. O ministro do Exterior do Irã, Mohamed Javad Zarif, declarou que os ataques são uma jogada para impedir o diálogo e provocar uma agressão.
No mês passado, o ministro da Defesa do Reino Unido, Jeremy Hunt, candidato a líder do Partido Conservador e próximo primeiro-ministro britânico, declarou estar "preocupado com o risco de um conflito deflagrado por acidente".
Os rebeldes hutis, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã na guerra civil do Iêmen fizeram ataques recentes a alvos sauditas, inclusive oleodutos. Ontem, bombardearam o aeroporto de Abba, no Sudoeste da Arábia Saudita, com um míssil de cruzeiro, ferindo 26 pessoas.
Em 8 de maio de 2018, o presidente Trump retirou os EUA de um acordo negociado pelas cinco grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas, a Alemanha e o Irã para congelar por dez anos o programa nuclear militar iraniano.
Meses depois, o governo Trump reimpôs duras sanções econômicas para tentar impedir o Irã de exportar petróleo. No mês passado, os EUA enviaram um grupo naval liderado por um porta-aviões e mais 1,5 mil soldados para a região do Golfo Pérsico.
Trump alega não querer guerra com o Irã, mas sua estratégia de "pressão máxima" cria uma situação de altíssimo risco.
Um terço do petróleo exportado no mundo passa pelo Estreito de Ormuz. Os preços do petróleo subiram hoje mais de 3%.
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quarta-feira, 12 de junho de 2019
Epidemia de ebola no Congo se alastra para Uganda
A avó e um irmão de uma criança de cinco anos morta pelo vírus ebola em Uganda foram contaminados pela doença, confirmando a propagação da epidemia que começou na República Democrática do Congo, noticiou hoje a televisão pública britânica BBC.
Os conflitos no Congo, que causaram ataques contra clínicas e equipes de combate à doença, impediram o controle da epidemia até agora, ao contrário do que aconteceu na Nigéria no surto epidêmico anterior na África, que deixou milhares de mortos na Guiné, na Libéria e em Serra Leoa.
Aquela epidemia começou na Guiné em dezembro de 2013 e só foi declarada extinta pela Organização Mundial da Saúde em janeiro de 2016, depois de contaminar 26.683 pessoas e matar 11.022.
O primeiro caso no Congo foi registrado em 24 de agosto de 2014. O surto atual, na região central da África, não tem relação com o anterior, ocorrido na África Ocidental, e já é o segundo maior da história, com 1.931 casos e 1.263 mortes confirmadas.
A região atingida em Uganda é remota, mas perto há áreas densamente povoadas. Se forem afetadas, a epidemia se alastra e vai exigir mais tempo e mais recursos para ser controlada.
Os conflitos no Congo, que causaram ataques contra clínicas e equipes de combate à doença, impediram o controle da epidemia até agora, ao contrário do que aconteceu na Nigéria no surto epidêmico anterior na África, que deixou milhares de mortos na Guiné, na Libéria e em Serra Leoa.
Aquela epidemia começou na Guiné em dezembro de 2013 e só foi declarada extinta pela Organização Mundial da Saúde em janeiro de 2016, depois de contaminar 26.683 pessoas e matar 11.022.
O primeiro caso no Congo foi registrado em 24 de agosto de 2014. O surto atual, na região central da África, não tem relação com o anterior, ocorrido na África Ocidental, e já é o segundo maior da história, com 1.931 casos e 1.263 mortes confirmadas.
A região atingida em Uganda é remota, mas perto há áreas densamente povoadas. Se forem afetadas, a epidemia se alastra e vai exigir mais tempo e mais recursos para ser controlada.
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Hong Kong adia debate sobre lei de extradição para a China
Diante de uma onda de protestos populares, o Conselho Legislativo de Hong Kong adiou hoje o debate sobre um projeto de lei que permite a extradição para a República Popular da China, onde a Justiça é controlada pelo regime comunista.
Centenas de milhares de pessoas saíram às ruas da ex-colônia britânica e enfrentaram a polícia hoje, depois de uma manifestação de cerca de 1 milhão no domingo passado, 9 de junho, quando também houve protestos na Alemanha, na Austrália, no Canadá, nos Estados Unidos e no Reino Unido.
Apesar das manifestações, o governo regional pretende retomar a tramitação do projeto e realizar a votação nas próximas semanas. Mas os protestos devem continuar. Desta vez, não são apenas estudantes. Empresários e profissionais liberais também não querem o fim da independência do Judiciário de Hong Kong.
Como o regime comunista chinês se nega a ceder sob pressão, já acusou estrangeiros pela onda de protestos e tem maioria no parlamento local, a lei deve ser aprovada, mesmo contrariando o acordo assinado com o Reino Unido em 1984 para a devolução da colônia à China, em 1997.
A governadora Carrie Lam, subserviente a Beijim, quer marcar a votação para quinta-feira da próxima semana. O projeto amplia a lei de extradição, que hoje tem 20 países, para incluir a República Popular da China, Macau e Taiwan.
A partir de 1º de julho de 1997, Hong Kong passou a ser uma região administrativa especial em que a China prometeu manter o sistema capitalista e as liberdades democráticas por 50 anos, na fórmula "um país, dois sistemas", que gostaria de aplicar também a Taiwan. Está ignorando o acordo.
Centenas de milhares de pessoas saíram às ruas da ex-colônia britânica e enfrentaram a polícia hoje, depois de uma manifestação de cerca de 1 milhão no domingo passado, 9 de junho, quando também houve protestos na Alemanha, na Austrália, no Canadá, nos Estados Unidos e no Reino Unido.
Apesar das manifestações, o governo regional pretende retomar a tramitação do projeto e realizar a votação nas próximas semanas. Mas os protestos devem continuar. Desta vez, não são apenas estudantes. Empresários e profissionais liberais também não querem o fim da independência do Judiciário de Hong Kong.
Como o regime comunista chinês se nega a ceder sob pressão, já acusou estrangeiros pela onda de protestos e tem maioria no parlamento local, a lei deve ser aprovada, mesmo contrariando o acordo assinado com o Reino Unido em 1984 para a devolução da colônia à China, em 1997.
A governadora Carrie Lam, subserviente a Beijim, quer marcar a votação para quinta-feira da próxima semana. O projeto amplia a lei de extradição, que hoje tem 20 países, para incluir a República Popular da China, Macau e Taiwan.
A partir de 1º de julho de 1997, Hong Kong passou a ser uma região administrativa especial em que a China prometeu manter o sistema capitalista e as liberdades democráticas por 50 anos, na fórmula "um país, dois sistemas", que gostaria de aplicar também a Taiwan. Está ignorando o acordo.
Rebeldes do Iêmen apoiados pelo Irã atacam aeroporto saudita com míssil
O ataque com míssil de cruzeiro hoje ao aeroporto internacional de Abba, no Sudoeste da Arábia Saudita, mostra o aumento da capacidade ofensiva dos rebeldes hutis, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã na guerra civil do Iêmen. Mísseis de cruzeiro são mais precisos do que mísseis balísticos e os sistema de lançamento têm maior mobilidade.
Vai
aumentar a tensão entre a Arábia Saudita e o Irã e entre os Estados Unidos e o
Irã, que é grande desde que o presidente Trump rompeu o acordo nuclear com o
regime fundamentalista iraniano e reimpôs duras sanções econômicas para
pressionar os aiatolás a negociar. Meu comentário:
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