A economia dos Estados Unidos criou 132 mil empregos a mais do que destruiu no mês de junho fora do setor agrícola, revelou nesta sexta-feira, 6 de junho, o Departamento do Trabalho. Uma revisão elevou o total de novos empregos em maio para 190 mil e o de abril para 122 mil. O índice de desemprego ficou estável em 4,5%.
O aumento expressivo do número de postos de trabalho significa que as empresas americanas estão otimistas.
Para o jornal americano The Wall Street Journal, esses dados indicam que o Federal Reserve Board (Fed), o banco central dos Estados Unidos, tende a manter a taxa básica de juros da maior economia do mundo nos atuais 5,25% ao ano pelos próximos meses.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
sábado, 7 de julho de 2007
sexta-feira, 6 de julho de 2007
Venda de música digital cresce 49% nos EUA
Cerca de 230 milhões de discos foram vendidos nos Estados Unidos no primeiro semestre do ano, 15% a menos do que no mesmo período em 2006. Mas a venda de música digital cresceu 49% para 417,3 milhões de músicas.
Kirchner pede a Lula que Brasil aprove ingresso da Venezuela no Mercosul
O presidente da Argentina, Néstor Kirchner, pediu ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva que "aplaine o terreno" para facilitar a aprovação pelo Congresso da entrada da Venezuela no Mercosul.
A aprovação tornou problemática desde que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, acusou o Senado de ser "papagaio dos Estados Unidos" por ter pedido que o governo de Caracas revisasse a decisão de fechar a Radio Caracas Televisión (RCTV), o canal de televisão que tinha a maior audiência no país.
A aprovação tornou problemática desde que o presidente venezuelano, Hugo Chávez, acusou o Senado de ser "papagaio dos Estados Unidos" por ter pedido que o governo de Caracas revisasse a decisão de fechar a Radio Caracas Televisión (RCTV), o canal de televisão que tinha a maior audiência no país.
quinta-feira, 5 de julho de 2007
Hillary e Obama apóiam pressão para valorizar iuã
Os principais candidatos do Partido Democrata à Casa Branca, favoritos para a eleição presidencial de 2008, os senadores Barack Obama e Hillary Clinton, concordaram em apoiar um projeto de lei para impor tarifas punitivas para pressionar a China a desvalorizar o Irã, noticiou hoje o jornal inglês Financial Times, porta-voz do centro financeiro de Londres.
Leia mais no FT.com.
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Bolsa de Xangai abre em queda após baixa de 5,3%
Com a exceção de Seul, as bolsas asiáticas operam em baixa na manhã desta sexta-feira.
A Bolsa de Tóquio está interrompendo uma série de seis pregões consecutivos de alta. Xangai, que caiu 5,3% na quinta-feira, abriu em queda e no momento oscila entre índices positivos e negativos.
Mais tarde, as bolsas asiáticas se recuperaram e fecharam em alta. Só Tóquio teve queda.
A Bolsa de Tóquio está interrompendo uma série de seis pregões consecutivos de alta. Xangai, que caiu 5,3% na quinta-feira, abriu em queda e no momento oscila entre índices positivos e negativos.
Mais tarde, as bolsas asiáticas se recuperaram e fecharam em alta. Só Tóquio teve queda.
Banco da Inglaterra eleva juros para 5,75%
O Comitê de Política Monetária do Banco da Inglaterra aumentou hoje a taxa básica de juros da economia do Reino Unido em 0,25 ponto percentual, para 5,75% ao ano. É a taxa mais alta entre os países mais ricos do mundo. Isto provocou a queda na Bolsa de Valores de Londres.
A inflação britânica está em 3,1% ao mês, bem acima da meta oficial de 2% ao ano, estabelecida pelo atual primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, quando era ministro das Finanças.
A inflação britânica está em 3,1% ao mês, bem acima da meta oficial de 2% ao ano, estabelecida pelo atual primeiro-ministro do Reino Unido, Gordon Brown, quando era ministro das Finanças.
quarta-feira, 4 de julho de 2007
Ministro japonês cai depois de gafe atômica
O primeiro ministro da Defesa do Japão desde a Segunda Guerra Mundial caiu ontem depois de sugerir que os Estados Unidos não podem ser culpados pelos bombardeios atômicos de Hiroxima e Nagasaque, os maiores traumas da História japonesa, que teriam sido inevitáveis.
"Entendo que o bombardeio provocou o fim da guerra. Penso que não poderia ter sido evitado", declarou Fumio Kyuma no sábado. O impacto foi especialmente forte na ilha de Kyushu, normalmente favorável ao PLD, onde fica Nagasaque.
Kyuma é o terceiro ministro a pedir demissão do governo Shinzo Abe, prejudicando sua campanha para as eleições de 29 de julho, que podem derrubar o primeiro-ministro 10 meses depois de chegar ao poder.
O secretário-geral do oposicionista Partido Democrático do Japão, Yukio Hatayama, que espera tomar a maioria no Senado do Partido Liberal-Democrata (PLD), que governa o Japão quase ininterruptamente desde 1955.
O asssessor de segurança nacional de Abe,Yuriko Koike, foi nomeado novo ministro da Defesa.
"Entendo que o bombardeio provocou o fim da guerra. Penso que não poderia ter sido evitado", declarou Fumio Kyuma no sábado. O impacto foi especialmente forte na ilha de Kyushu, normalmente favorável ao PLD, onde fica Nagasaque.
Kyuma é o terceiro ministro a pedir demissão do governo Shinzo Abe, prejudicando sua campanha para as eleições de 29 de julho, que podem derrubar o primeiro-ministro 10 meses depois de chegar ao poder.
O secretário-geral do oposicionista Partido Democrático do Japão, Yukio Hatayama, que espera tomar a maioria no Senado do Partido Liberal-Democrata (PLD), que governa o Japão quase ininterruptamente desde 1955.
O asssessor de segurança nacional de Abe,Yuriko Koike, foi nomeado novo ministro da Defesa.
Brasil pode ser "Arábia Saudita verde"
Os investidores estão apostando que o aumento do consumo mundial de álcool e outros biocombustíveis alternativos aos combustíveis fósseis transformarão o Brasil numa "Arábia Saudita verde", afirma o jornal inglês Financial Times.
A expectativa parece exagerada, já que a Arábia Saudita tem as maiores reservas mundiais de petróleo comprovadas, mais de 260 bilhões de barris. Mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva previu que o Brasil será "a superpotência energética" do século 21.
Isto está gerando grandes negócios no setor sucro-alcooleiro da economia brasileira, registra o FT.com.
A expectativa parece exagerada, já que a Arábia Saudita tem as maiores reservas mundiais de petróleo comprovadas, mais de 260 bilhões de barris. Mas o presidente Luiz Inácio Lula da Silva previu que o Brasil será "a superpotência energética" do século 21.
Isto está gerando grandes negócios no setor sucro-alcooleiro da economia brasileira, registra o FT.com.
"O poder sempre tenta eliminar a sátira"
A sátira é e sempre foi um "potro negro" para os donos do poder, afirma o escritor e artista plástico italiano Dario Fo, ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1997, irônico e provocador como de costume: "O poder tenta eliminar por completo a sátira, pois a considera extremamente perigosa".
Em entrevista ao jornal La Nación, Fo disse que a Argentina "é um país que amo muito, mas aí seguem privilegiando os interesses e os negócios, em lugar de prestar atenção às pessoas. A comunidade argentina está abandonada. O dinheiro, os interesses e os lucros são mais importantes do que a comunidade. O mesmo acontece na Itália".
Aos 81 anos, o dramaturgo, escritor, diretor, ator, cenógrafo, pintor e crítico de arte mostra que não perdeu o espírito rebelde.
Leia a entrevista a La Nación.
Em entrevista ao jornal La Nación, Fo disse que a Argentina "é um país que amo muito, mas aí seguem privilegiando os interesses e os negócios, em lugar de prestar atenção às pessoas. A comunidade argentina está abandonada. O dinheiro, os interesses e os lucros são mais importantes do que a comunidade. O mesmo acontece na Itália".
Aos 81 anos, o dramaturgo, escritor, diretor, ator, cenógrafo, pintor e crítico de arte mostra que não perdeu o espírito rebelde.
Leia a entrevista a La Nación.
Brasil é potência agroindustrial, diz La Nación
Com o aumento da produtividade e das exportações, o Brasil se tornou uma potência agroindustrial, reconhece hoje o jornal argentino La Nación, em mais uma reportagem sobre os recentes sucessos da economia brasileira.
O Brasil é hoje o maior produtor e exportador de açúcar, café, etanol e suco de laranja, e maior exportador mundial de carne de boi e de aves, além de colher anualmente 135 milhões de toneladas de grãos, especialmente de arroz, milho e soja, constata o jornal portenho.
Para o autor do artigo, Alberto de las Carreras, da Academia Nacional de Agronomia e Veterinária, o Brasil ainda tem problemas sérios como corrupção, gestão pública e insegurança jurídica. Mas superou a Argentina em estabilidade política, com mudanças de governo sem sobressaltos e o abandono de "políticas econômicas" erráticas.
Leia mais em La Nación.
O Brasil é hoje o maior produtor e exportador de açúcar, café, etanol e suco de laranja, e maior exportador mundial de carne de boi e de aves, além de colher anualmente 135 milhões de toneladas de grãos, especialmente de arroz, milho e soja, constata o jornal portenho.
Para o autor do artigo, Alberto de las Carreras, da Academia Nacional de Agronomia e Veterinária, o Brasil ainda tem problemas sérios como corrupção, gestão pública e insegurança jurídica. Mas superou a Argentina em estabilidade política, com mudanças de governo sem sobressaltos e o abandono de "políticas econômicas" erráticas.
Leia mais em La Nación.
terça-feira, 3 de julho de 2007
Jornalista seqüestrado em Gaza é solto após meses
O correspondente da rede televisão pública britânica BBC na Faixa de Gaza, Alan Johnston, foi libertado hoje depois de ficar mais de 100 dias refém. Ontem, o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) prendeu um dos líderes do grupo que o detinha, auto-intitulado Exército do Islã.
Neste momento, o primeiro-ministro Ismail Haniyeh, do Hamas, destituído pelo presidente Mahmoud Abbas, dá entrevista ao lado de Johnston, tentando faturar politicamente com a libertação.
Desde que o Hamas assumiu o controle de Gaza, depois de uma batalha contra as forças da Fatah (Luta), o partido de Abbas, os Estados Unidos, a União Européia e Israel passaram a apoiar o novo governo nomeado pelo presidente, na esperança de isolar o Hamas.
O Hamas tenta assim mostrar-se como um partido político e um interlocutor válido nas negociações de paz no Oriente Médio, apesar de suas posições linha-dura, como a pregação da luta armada e da destruição de Israel.
Agora Johnston começa a falar: "Foram as piores 16 semanas da minha vida. Sempre com medo. Preso por gente violenta e imprevisível. Depois de duas semanas, me deram um rádio. Pude ouvir a BBC e perceber como criou-se uma rede internacional de solidariedade, e como havia apoio do povo palestino, e especialmente dos jornalistas palestinos, para que eu fosse libertado. O primeiro-ministro Haniyeh, desde o início, disse que eu era um hóspede do povo palestino e que não poderia ser tratado daquela maneira".
"Depois que o Hamas assumiu o controle da Faixa de Gaza, os seqüestradores ficaram mais nervosos. Tive uma esperança e acabou dando certo", contou o repórter da BBC.
Haniyeh disse que "isto prova que há cooperação entre todo o povo palestino, e esta cooperação vai nos levar a grandes conquistas e à libertação da nossa terra".
Várias vezes os seqüestradores foram duros e violentos com Johnston, ameaçando sua vida: "Em um momento, eles ficaram furiosos com o andamento das negociações, me amarraram".
Nas últimas semanas, Johnston diz que passou a ter menos medo de morrer. Um porta-voz do Hamas declara que seus homens estavam "acompanhando Johnston há semanas. Poderíamos atacar mas não atacamos. Nossa preocupação era libertar este homem".
A seguir, ele prometeu trabalhar pela união nacional dos palestinos sem impor condições.
O Hamas queria mostrar também que é capaz de controlar a segurança pública, apresentar-se perante o mundo como uma força política responsável. Desde janeiro de 2006, quando o movimento islamita venceu as eleições parlamentares palestinas, os Estados Unidos, Israel e a União Européia passaram a boicotar economicamente a Autoridade Nacional Palestina, alegando que o Hamas é um grupo terrorista.
Veja a cobertura da BBC sobre a libertação de Alan Johnston.
Neste momento, o primeiro-ministro Ismail Haniyeh, do Hamas, destituído pelo presidente Mahmoud Abbas, dá entrevista ao lado de Johnston, tentando faturar politicamente com a libertação.
Desde que o Hamas assumiu o controle de Gaza, depois de uma batalha contra as forças da Fatah (Luta), o partido de Abbas, os Estados Unidos, a União Européia e Israel passaram a apoiar o novo governo nomeado pelo presidente, na esperança de isolar o Hamas.
O Hamas tenta assim mostrar-se como um partido político e um interlocutor válido nas negociações de paz no Oriente Médio, apesar de suas posições linha-dura, como a pregação da luta armada e da destruição de Israel.
Agora Johnston começa a falar: "Foram as piores 16 semanas da minha vida. Sempre com medo. Preso por gente violenta e imprevisível. Depois de duas semanas, me deram um rádio. Pude ouvir a BBC e perceber como criou-se uma rede internacional de solidariedade, e como havia apoio do povo palestino, e especialmente dos jornalistas palestinos, para que eu fosse libertado. O primeiro-ministro Haniyeh, desde o início, disse que eu era um hóspede do povo palestino e que não poderia ser tratado daquela maneira".
"Depois que o Hamas assumiu o controle da Faixa de Gaza, os seqüestradores ficaram mais nervosos. Tive uma esperança e acabou dando certo", contou o repórter da BBC.
Haniyeh disse que "isto prova que há cooperação entre todo o povo palestino, e esta cooperação vai nos levar a grandes conquistas e à libertação da nossa terra".
Várias vezes os seqüestradores foram duros e violentos com Johnston, ameaçando sua vida: "Em um momento, eles ficaram furiosos com o andamento das negociações, me amarraram".
Nas últimas semanas, Johnston diz que passou a ter menos medo de morrer. Um porta-voz do Hamas declara que seus homens estavam "acompanhando Johnston há semanas. Poderíamos atacar mas não atacamos. Nossa preocupação era libertar este homem".
A seguir, ele prometeu trabalhar pela união nacional dos palestinos sem impor condições.
O Hamas queria mostrar também que é capaz de controlar a segurança pública, apresentar-se perante o mundo como uma força política responsável. Desde janeiro de 2006, quando o movimento islamita venceu as eleições parlamentares palestinas, os Estados Unidos, Israel e a União Européia passaram a boicotar economicamente a Autoridade Nacional Palestina, alegando que o Hamas é um grupo terrorista.
Veja a cobertura da BBC sobre a libertação de Alan Johnston.
Chávez critica Amorim e ameaça deixar Mercosul
O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, considerou hoje "impertinentes" as declarações do ministro das Relações Exteriores do Brasil, embaixador Celso Amorim. O chanceler pediu um "gesto positivo" do caudilho venezuelano em relação ao Senado, que o ex-coronel golpista chamou de "papagaio dos Estados Unidos", depois que os senadores lhe pediram que reconsiderasse o fechamento da Radio Caracas Televisión (RCTV).
Mais uma vez, Chávez ameaçou retirar a proposta de associação da Venezuela como membro pleno do Mercosul se os parlamentos do Brasil e do Paraguai não aprovarem a adesão em três meses. Ele atribuiu as dificuldades a setores de "direita" no Brasil e no Paraguai.
"A Venezuela não tem nada de que se desculpar. É o Congresso do Brasil que tem que se desculpar por imiscuir-se nos assuntos internos da Venezuela. O chanceler Amorim via o mundo ao contrário", disse Chávez num discurso. "Se o governo ou o Congresso do Brasil insistem em que a Venezuela tem de apresentar uma desculpa, então não entraríamos no Mercosul", ameaçou Chávez.
Ao dar um ultimato ao Congresso Nacional, o caudilho torna praticamente impossível um recuo do Senado: "Se dentro de uns três meses [a adesão da Venezuela] não for aprovada, nos retiraremos por dignidade porque consideramos isso uma falta de respeito. Não há nenhuma razão para que o Congresso do Brasil bloqueie", argumentou Chávez. Ele não conhece o Congresso Nacional.
A diplomacia brasileira certamente sabia que Chávez não é de pedir desculpas. O governo Lula mudou o tom em relação ao líder venezuelano: de companheiro a caudilho. Se o chanceler Celso Amorim falou grosso, deveria esperar uma resposta dura de Chávez.
Uma explicação dos analistas é que a Venezuela estaria relutando em adotar a tarifa externa comum da união aduaneira imperfeita do Mercosul. Numa união aduaneira, os países-membros cobram as mesmas tarifas sobre importações de fora do bloco.
Os industriais venezuelanos, temendo a concorrência do Brasil e da Argentina, que têm economias muito mais desenvolvida, estariam pressionando Chávez. No mesmo discurso em que atacou o Brasil, o presidente da Venezuela prometeu proteger a economia de seu país.
Em comentário na manhã desta quarta-feira na rádio CBN, a jornalista Míriam Leitão assinalou que o maior problema hoje é que a Venezuela não cumpre mais a cláusula democrática do Mercosul. Na sua opinião, esta é uma questão muito mais séria do que o bate-boca entre Chávez e o Senado.
Apesar de ter vencido todas as eleições desde 1998, Chávez domina todas as instituições venezuelas, está reescrevendo a Constituição da República Bolivarista da Venezuela e violou a liberdade de expressão, ao não renovar a licença da principal televisão venezuelana, a RCTV.
Como diz a máxima do filósofo liberal francês do século 18 Jean-Baptiste Voltaire - "Discordo de tudo o que dizes, mas defenderei até a morte o direito de que o digas" -, a liberdade de expressão é uma pedra fundamental da democracia liberal. E já que Chávez se declara socialista, deve conhecer a máxima da militante comunista polonesa Rosa de Luxemburgo: "Liberdade é o direito que damos aos outros de fazer aquilo com o que não concordamos". Caso contrário, não é liberdade. Mas o caudilho venezuelano não gosta de ser contrariado.
Há também uma competição evidente entre Lula, o retirante e operário que chegou ao poder no maior país da América do Sul, e Chávez, o coronel golpista com idéias nacionalistas e e agora socialistas, pela liderança da esquerda na América Latina. Os projetos são incompatíveis.
O Brasil de Lula busca uma inserção competitiva na economia globalizada; Chávez quer construir o "socialismo do século 21. Sua pregação antiliberal, antiamericana e anticapitalista é um peso para o Mercosul, capaz de ofuscar a importância da Venezuela na América do Sul.
A União Européia sinalizou claramente, ao propor uma "parceria estratégica" com o Brasil, que a negociação bloco a bloco com o Mercosul de Chávez não avança.
Mais uma vez, Chávez ameaçou retirar a proposta de associação da Venezuela como membro pleno do Mercosul se os parlamentos do Brasil e do Paraguai não aprovarem a adesão em três meses. Ele atribuiu as dificuldades a setores de "direita" no Brasil e no Paraguai.
"A Venezuela não tem nada de que se desculpar. É o Congresso do Brasil que tem que se desculpar por imiscuir-se nos assuntos internos da Venezuela. O chanceler Amorim via o mundo ao contrário", disse Chávez num discurso. "Se o governo ou o Congresso do Brasil insistem em que a Venezuela tem de apresentar uma desculpa, então não entraríamos no Mercosul", ameaçou Chávez.
Ao dar um ultimato ao Congresso Nacional, o caudilho torna praticamente impossível um recuo do Senado: "Se dentro de uns três meses [a adesão da Venezuela] não for aprovada, nos retiraremos por dignidade porque consideramos isso uma falta de respeito. Não há nenhuma razão para que o Congresso do Brasil bloqueie", argumentou Chávez. Ele não conhece o Congresso Nacional.
A diplomacia brasileira certamente sabia que Chávez não é de pedir desculpas. O governo Lula mudou o tom em relação ao líder venezuelano: de companheiro a caudilho. Se o chanceler Celso Amorim falou grosso, deveria esperar uma resposta dura de Chávez.
Uma explicação dos analistas é que a Venezuela estaria relutando em adotar a tarifa externa comum da união aduaneira imperfeita do Mercosul. Numa união aduaneira, os países-membros cobram as mesmas tarifas sobre importações de fora do bloco.
Os industriais venezuelanos, temendo a concorrência do Brasil e da Argentina, que têm economias muito mais desenvolvida, estariam pressionando Chávez. No mesmo discurso em que atacou o Brasil, o presidente da Venezuela prometeu proteger a economia de seu país.
Em comentário na manhã desta quarta-feira na rádio CBN, a jornalista Míriam Leitão assinalou que o maior problema hoje é que a Venezuela não cumpre mais a cláusula democrática do Mercosul. Na sua opinião, esta é uma questão muito mais séria do que o bate-boca entre Chávez e o Senado.
Apesar de ter vencido todas as eleições desde 1998, Chávez domina todas as instituições venezuelas, está reescrevendo a Constituição da República Bolivarista da Venezuela e violou a liberdade de expressão, ao não renovar a licença da principal televisão venezuelana, a RCTV.
Como diz a máxima do filósofo liberal francês do século 18 Jean-Baptiste Voltaire - "Discordo de tudo o que dizes, mas defenderei até a morte o direito de que o digas" -, a liberdade de expressão é uma pedra fundamental da democracia liberal. E já que Chávez se declara socialista, deve conhecer a máxima da militante comunista polonesa Rosa de Luxemburgo: "Liberdade é o direito que damos aos outros de fazer aquilo com o que não concordamos". Caso contrário, não é liberdade. Mas o caudilho venezuelano não gosta de ser contrariado.
Há também uma competição evidente entre Lula, o retirante e operário que chegou ao poder no maior país da América do Sul, e Chávez, o coronel golpista com idéias nacionalistas e e agora socialistas, pela liderança da esquerda na América Latina. Os projetos são incompatíveis.
O Brasil de Lula busca uma inserção competitiva na economia globalizada; Chávez quer construir o "socialismo do século 21. Sua pregação antiliberal, antiamericana e anticapitalista é um peso para o Mercosul, capaz de ofuscar a importância da Venezuela na América do Sul.
A União Européia sinalizou claramente, ao propor uma "parceria estratégica" com o Brasil, que a negociação bloco a bloco com o Mercosul de Chávez não avança.
EUA acusam Irã de treinar Hesbolá
O Exército dos Estados Unidos acusa a Guarda Revolucionária do Irã, tropa de choque do regime dos aiatolá de treinar e equipar a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus). Um alto comandante do Hesbolá, Ali Mussa Dakduk, detido em março passado em Bássora, no Sul do Iraque, seria o oficial de ligação.
América Latina vive melhor momento em 30 anos
A economia latino-americana está no melhor momento em 30 anos, com inflação e contas públicas razoavelmente sob controle na maioria dos países, afirma relatório do Banco Santander, da Espanha.
Leia os detalhes no jornal argentino La Nación.
Leia os detalhes no jornal argentino La Nación.
segunda-feira, 2 de julho de 2007
À Sombra de Perón e Evita
(Reproduzo abaixo um artigo que escrevi em 24 de outubro de 2005, quando Cristina Kirchner foi eleita senadora pela província de Buenos Aires. A comparação com Perón e Evita é inevitável. É um dos capítulos do meu livro Bush 2: A Missão)
Só na província de Buenos Aires, 56 partidos e movimentos diferentes disputaram as eleições parlamentares de domingo, 23 de outubro de 2005, na Argentina. Foram eleitos 127 dos 257 deputados na Câmara Federal, 24 senadores, um terço do Senado, 400 parlamentares das assembléias provinciais e 1.957 vereadores. Mas o que estava em jogo mesmo é a legitimação do presidente Néstor Kirchner e sua luta para controlar a força política dominante na Argentina: o peronismo.
Kirchner sai fortalecido.
Nesta batalha decisiva para controlar o partido e o Congresso, preparando a reeleição em 2007, Kirchner convocou sua mulher, a já senadora Cristina Fernández de Kirchner. Ela foi a candidata da Frente para a Vitória ao Senado na província de Buenos Aires, onde se concentram 40% da população e 35% do produto nacional bruto argentinos. Sua principal adversária na campanha foi a ex-primeira-dama Hilda Chiche Duhalde, mulher do ex-presidente Eduardo Duhalde, que controla o Partido Justicialista na província.
Como a luta é pela herança do general Juan Domingo Perón e inclui uma guerra de primeiras-damas, a onipresença dos fantasmas del Viejo e de Evita revela uma característica peculiar da política da Argentina, um país ainda hoje fascinado pelo carisma do casal que é também símbolo de um passado de opulência. Entre 1946 e 1949, os salários reais para o operário da indústria argentina cresceram em média 53% e a participação da massa salarial no PIB passou de 40,1% para 49%.
Estavam aptos a votar no domingo 26.098.099 argentinos. O voto é obrigatório mas houve abstenção de 35%.
Primeira-dama vencedora
A grande vitoriosa foi Cristina Kirchner. Com 90% das urnas apuradas ela tinha 46% dos votos na disputa pelo Senado na província de Buenos Aires. Em segundo, Chiche Duhalde tinha 19,5%. Na briga pela terceira vaga, Marta Maffei, da Afirmação por uma República Igualitária (ARI), batia o ex-ministro da Economia Ricardo López Murphy, da Proposta Republicana, e Luis Brandoni, da União Cívica Radical.
Na capital federal, com 99% das urnas apuradas, a lista de Mauricio Macri, empresário e presidente do Boca Juniors, clube mais popular do país, aliado de López Murphy, tinha 34% dos votos. Era seguida pela ARI, da deputada esquerdista Elisa Carrió, com 22%. Os candidatos de Kirchner, com o ministro das Relações Exteriores, Rafael Bielsa, abrindo a lista, estavam em terceiro lugar com 20,3%.
Eleito em abril de 2003 com apenas 22% dos votos no primeiro turno, porque seu principal adversário, o ex-presidente Carlos Saúl Menem, um peronista de direita, desistiu de disputar o segundo turno, Kirchner ficou com o estigma de não ter sido consagrado nas urnas.
Nesta luta pela legitimidade, Kirchner transformou uma eleição parlamentar de meio de mandato num plebiscito sobre seu governo. Ele chegou à Casa Rosada depois da pior crise econômica da história argentina.
Em dezembro de 2001, houve o colapso da paridade cambial entre o dólar e o peso e o fim da conversibilidade introduzida na era Menem (1989-99). O país decretou moratória de uma dívida de US$ 100 bilhões e a poupança depositada nos bancos ficou presa no corralito, jogando 58% dos argentinos abaixo da linha pobreza, contra 24% em 1999 e 38% hoje.
Tudo isso levou à renúncia do presidente Fernando de la Rúa (1999-2001), da União Cívica Radical, partido do ex-presidente Raúl Alfonsín. Depois de alguns interinos, o peronista derrotado por De la Rúa em 1999, Eduardo Alberto Duhalde Maldonado assumiu para completar o mandato evitando a convocação de eleições presidenciais antecipadas em meio à pior crise econômica da história do país.
Duhalde fora vice-presidente de Menem. Eles romperam por causa das políticas econômicas liberais do menemismo. Apesar da rejeição nas urnas, Duhalde chegou ao poder como cacique da máquina partidária do peronismo na província de Buenos Aires. Para impedir a volta de Menem ao poder, lançou Kirchner para sucedê-lo em 2003.
Kirchner x Duhalde
Assim que assumiu a presidência, com o estigma de não ter sido consagrado nas ruas, Kirchner procurou consolidar a sua própria base de poder, usando a máquina do Estado para cooptar os chamados peronistas e radicais do K. Foi duro nas negociações com o FMI e obteve um desconto de até 75% na renegociação da dívida. A Argentina está crescendo a uma taxa de 8,9% ao ano, com inflação hoje em 11% anuais. Já atingiu o nível de 1998 mas tem problemas para negociar os empréstimos e investimentos necessários à recuperação em bases permanentes.
O conflito entre criador e criatura era inevitável. Desde setembro do ano passado, os dois estão oficialmente rompidos e as eleições de 23 de outubro foram uma batalha importante nesta guerra. Kirchner pretende eleger 60 a 65 deputados leais, o que lhe permitiria criar um bloco de 100 a 110 deputados. Os deputados peronistas leais a Duhalde seriam cerca de 30 e a UCR teria uns 40.
Com uma ampla vitória sobre o duhaldismo, Kirchner é o grande vencedor desta eleição. Deve tentar atrair os rivais duhaldistas para o oficialismo. Afinal, pertencem aos setores mais à esquerda do peronismo. Não há uma incompatibilidade ideológica, como no caso do menemismo.
O Pingüim, como é chamado pelo nariz adunco e sua origem na Patagônia, é um presidente caracterizado pelo estilo agressivo. Já comprou brigas com o Fundo Monetário Internacional, empresas estrangeiras, os credores da dívida argentina, a Igreja Católica, o presidente Lula, o embaixador da França, a Federação das Indústrias de S. Paulo (Fiesp), os supermercadistas argentinos e quem se atravesse no caminho de suas ambições.
De olho na reeleição em 2007, Kirchner quer facilidade para aprovar suas propostas no Congresso para poder se dedicar de corpo e alma a uma campanha presidencial que promete ser dura como reza a tradição argentina.
A maior disputa mais uma vez será pela alma do general Perón. Depois dos fracassos econômicos dos governos radicais de Alfonsín e De la Rúa, a grande batalha deve ser travada dentro das hostes peronistas. O duelo entre Chiche e Cristina é apenas um trêiler.
O General Perón
Juan Domingo Perón era um oficial do Grupo de Oficiais Unidos, simpatizantes do nazifascismo que derrubaram o presidente civil Ramón Castillo no golpe de 4 de junho de 1943. De secretário do Trabalho e Bem-Estar Social, ele passou a ministro da Guerra e vice-presidente. Preso em 9 de outubro de 1945, foi solto por força grandes manifestações de massa em 17 de outubro do mesmo ano, data comemorada com entusiasmo por Kirchner durante a campanha. Ele lançou, na data, um programa educacional “para que os argentinos do futuro possam ter a mesma educação de qualidade que tínhamos no passado”.
O peronismo é um fenômeno típico do que se chama de populismo latino-americano, na definição do cientista político argentino Torcuatto di Tella, “uma aliança de parte da elite, incluindo industriais e militares nacionalistas, e trabalhadores, para enfrentar outro segmento da elite”, o mais conservador.
Para os militares argentinos, que alimentavam um sonho de hegemonia na América do Sul, o inimigo era o Brasil. Eles sabiam que a potência realmente hegemônica no continente, os Estados Unidos, não armaria a Argentina para atacar o Brasil, que adotava uma política de aliança automática com Washington. A Argentina precisava então do seu desenvolvimento industrial autônomo.
Daí nasce uma aliança entre militares, industriais, trabalhadores e setores da Igreja Católica contra uma elite fundiária que teria de pagar pelo protecionismo necessário ao nascimento de uma indústria nacional. Inspirado pelo ditador italiano Benito Mussolini e por Getúlio Vargas, a partir do golpe de 1943, Perón promoveu reformas sociais e fortaleceu os sindicatos como sua base de poder.
De 1930-35 a 1945-49, a produção industrial dobrou. Em 1944, as importações, que em 1925 consumiam 30% do PIB argentina, representavam apenas 6%. O número de fábricas passou de 38 mil em 1935 para 86 mil em 1946. No mesmo período, o operariado industrial passou de 436 mil para mais de 1 milhão de trabalhadores. Até 1947, chegaram à Grande Buenos Aires 1,368 milhão de migrantes vindos do campo atraídos pela rápida expansão industrial. Eram os descamisados que se tornariam massa de manobra para o peronismo. Seu discurso prometia plena cidadania para todos.
Isso levou Perón à sua primeira vitória eleitoral nas eleições presidenciais de 24 de fevereiro de 1946, com 56% dos votos, contra a União Democrática, que reunia desde os radicais, representantes da classe média antiperonista, até socialistas e comunistas, que na época, não sem alguma razão, descreviam Perón como fascista. Mas as massas argentinas já estavam seduzidas por este oficial e por sua segunda mulher, Maria Eva Duarte de Perón, com quem ele se casara quatro dias depois da libertação e da consagradora reaparição nos balcões da Casa Rosa, de onde pronunciaria seus discursos para empolgar a Argentina.
Filha ilegítima de uma cozinheira, cantora e atriz de radioteatro, Evita já era amante do general Perón. Eles formaram um casal sem paralelo na História nem no imaginário político latino-americano. Sua morte prematura, aos 33 anos, de câncer, em 1952, a transformou numa semideusa amada e odiada, uma personagem perene e insuperável da política argentina, mesmo que as primeiras-damas de hoje busquem a legitimidade no voto.
A ‘terceira via’
Defensor de uma “terceira via” entre o capitalismo e o comunismo, uma idéia originalmente mussolinista, Perón adotou uma atitude antiimperialista, nacionalizando empresas americanas e européias. Promoveu o tango como autêntica cultura popular argentina e legalizou a prostituição. Incentivou os sindicatos mas os manteve atrelados à máquina do Estado e do partido, esmagando quaisquer competidores interessados na luta dos trabalhadores.
Uma década de governos peronistas (1946-55) traria profundas mudanças para a classe trabalhadora argentina. Houve uma grande expansão do movimento sindical. O índice de sindicalização cresceu de 30,5% em 1948 para 42,5% em 1954, chegando a 70% na maioria dos setores industriais. O total de sindicalizados passou entre 1946 e 1951 de 520 mil para 2,333 milhões.
Pela primeira vez, foi introduzido em mecanismo de negociação coletiva, com escala móvel de salários, auxílio-doença, licença-maternidade, férias e outros direitos sociais. A Lei das Associações Profissionais, de outubro de 1945, estabeleceu a unidade, a imunidade dos dirigentes e o imposto sindical, garantindo uma arrecadação compulsória. Ao mesmo tempo em que garantia o financiamento dos benefícios previdenciários o Estado tentava assegurar seu controle sobre o movimento.
Havia sindicalistas no Congresso. Eles eram consultados oficialmente em decisões de governo. Operavam o sistema de previdência e assistência social através do Ministério do Trabalho e Bem-Estar Social e da Fundação Eva Perón. Logo as noções de autonomia política e organizacional do movimento operário começaram a se chocar com as ambições de Perón e dos outros participantes da aliança corporativista e nacionalista que as sustentava.
Perón foi reeleito em 1951, com ajuda importante do voto feminino pelo qual Evita lutara. Mas o autoritarismo, a corrupção e o conflito interno das diferentes forças componentes do peronismo, alinhadas à direita e à esquerda, inclusive uma ruptura com a Igreja Católica, levaram à chamada Revolução Libertadora ou, dependendo do ponto de vista, ao golpe de 16 de setembro de 1955. Desde então, todos os golpes de Estado na Argentina foram marcados pelo confronto entre peronistas de direita e de esquerda.
Amargo regresso
Perón ficou 18 anos no exílio. Quando voltou, em 20 de junho de 1973, foi recebido com a Batalha de Ezeiza, uma briga entre a direita peronista, que incluía a Aliança Anticomunista Argentina, liderada por José López Rega, que seria ministro do Bem-Estar Social do último governo Perón, e a extrema esquerda, onde estavam os Montoneros.
Em 23 de setembro de 1973, o velho caudilho é eleito presidente da Argentina pela terceira vez, com 62% dos votos, agora com sua nova mulher, María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, como vice. Só que Isabelita não era Evita. Com a morte do general em 1º de julho de 1974, a crise do peronismo vai se agravando até o golpe de 24 de março de 1976 e a violenta ditadura que o seguiu, responsável por cerca de 30 mil mortes.
A democracia só voltou à Argentina em 1983, um ano depois da derrota para a Grã-Bretanha na Guerra das Malvinas, que desmoralizou as juntas militares. Desde então, dois mandatos foram encurtados por crises agudas, a hiperinflação de 1989 sob Alfonsín e o colapso do peso com De la Rúa em 2001. Desde 1930, Menem foi o único civil a ser eleito democraticamente a concluir o mandato.
Como o peronismo é aparentemente a única força política capaz de governar a Argentina, a grande batalha é mais uma vez pela hegemonia interna no Partido Justicialista. Para alguns argentinos, o peronismo é o “fenômeno incorrigível”, definição do escritor Jorge Luis Borges. Nesta visão, o golpe de 1943 marca o início de uma guerra civil que arrasou a Argentina, comprometendo uma situação econômica que a colocava entre os países mais ricos do mundo no início do século passado.
Para o professor Di Tella, “a guerra civil argentina termina em 1989, quando Carlos Menem, um peronista, convida o maior grupo empresarial do país a indicar o ministro da Economia”. Menem já era da direita peronista. Deu naquela época sua guinada definitiva para um liberalismo e um pró-americanismo que nada tem a ver com as idéias nacionalistas e antiimperialistas do caudilho.
Um dos países mais férteis do mundo, com população relativamente pequena, de 36 milhões de habitantes, uma renda média por habitante bem acima da brasileira e, apesar da crise, 34º melhor país do mundo no Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas, não há razões para a Argentina ter dificuldades econômicas. Foi o país que mais se subdesenvolveu no século 20, deixando de ser um dos mais ricos do mundo, em grande parte por causa de seus conflitos políticos.
Só na província de Buenos Aires, 56 partidos e movimentos diferentes disputaram as eleições parlamentares de domingo, 23 de outubro de 2005, na Argentina. Foram eleitos 127 dos 257 deputados na Câmara Federal, 24 senadores, um terço do Senado, 400 parlamentares das assembléias provinciais e 1.957 vereadores. Mas o que estava em jogo mesmo é a legitimação do presidente Néstor Kirchner e sua luta para controlar a força política dominante na Argentina: o peronismo.
Kirchner sai fortalecido.
Nesta batalha decisiva para controlar o partido e o Congresso, preparando a reeleição em 2007, Kirchner convocou sua mulher, a já senadora Cristina Fernández de Kirchner. Ela foi a candidata da Frente para a Vitória ao Senado na província de Buenos Aires, onde se concentram 40% da população e 35% do produto nacional bruto argentinos. Sua principal adversária na campanha foi a ex-primeira-dama Hilda Chiche Duhalde, mulher do ex-presidente Eduardo Duhalde, que controla o Partido Justicialista na província.
Como a luta é pela herança do general Juan Domingo Perón e inclui uma guerra de primeiras-damas, a onipresença dos fantasmas del Viejo e de Evita revela uma característica peculiar da política da Argentina, um país ainda hoje fascinado pelo carisma do casal que é também símbolo de um passado de opulência. Entre 1946 e 1949, os salários reais para o operário da indústria argentina cresceram em média 53% e a participação da massa salarial no PIB passou de 40,1% para 49%.
Estavam aptos a votar no domingo 26.098.099 argentinos. O voto é obrigatório mas houve abstenção de 35%.
Primeira-dama vencedora
A grande vitoriosa foi Cristina Kirchner. Com 90% das urnas apuradas ela tinha 46% dos votos na disputa pelo Senado na província de Buenos Aires. Em segundo, Chiche Duhalde tinha 19,5%. Na briga pela terceira vaga, Marta Maffei, da Afirmação por uma República Igualitária (ARI), batia o ex-ministro da Economia Ricardo López Murphy, da Proposta Republicana, e Luis Brandoni, da União Cívica Radical.
Na capital federal, com 99% das urnas apuradas, a lista de Mauricio Macri, empresário e presidente do Boca Juniors, clube mais popular do país, aliado de López Murphy, tinha 34% dos votos. Era seguida pela ARI, da deputada esquerdista Elisa Carrió, com 22%. Os candidatos de Kirchner, com o ministro das Relações Exteriores, Rafael Bielsa, abrindo a lista, estavam em terceiro lugar com 20,3%.
Eleito em abril de 2003 com apenas 22% dos votos no primeiro turno, porque seu principal adversário, o ex-presidente Carlos Saúl Menem, um peronista de direita, desistiu de disputar o segundo turno, Kirchner ficou com o estigma de não ter sido consagrado nas urnas.
Nesta luta pela legitimidade, Kirchner transformou uma eleição parlamentar de meio de mandato num plebiscito sobre seu governo. Ele chegou à Casa Rosada depois da pior crise econômica da história argentina.
Em dezembro de 2001, houve o colapso da paridade cambial entre o dólar e o peso e o fim da conversibilidade introduzida na era Menem (1989-99). O país decretou moratória de uma dívida de US$ 100 bilhões e a poupança depositada nos bancos ficou presa no corralito, jogando 58% dos argentinos abaixo da linha pobreza, contra 24% em 1999 e 38% hoje.
Tudo isso levou à renúncia do presidente Fernando de la Rúa (1999-2001), da União Cívica Radical, partido do ex-presidente Raúl Alfonsín. Depois de alguns interinos, o peronista derrotado por De la Rúa em 1999, Eduardo Alberto Duhalde Maldonado assumiu para completar o mandato evitando a convocação de eleições presidenciais antecipadas em meio à pior crise econômica da história do país.
Duhalde fora vice-presidente de Menem. Eles romperam por causa das políticas econômicas liberais do menemismo. Apesar da rejeição nas urnas, Duhalde chegou ao poder como cacique da máquina partidária do peronismo na província de Buenos Aires. Para impedir a volta de Menem ao poder, lançou Kirchner para sucedê-lo em 2003.
Kirchner x Duhalde
Assim que assumiu a presidência, com o estigma de não ter sido consagrado nas ruas, Kirchner procurou consolidar a sua própria base de poder, usando a máquina do Estado para cooptar os chamados peronistas e radicais do K. Foi duro nas negociações com o FMI e obteve um desconto de até 75% na renegociação da dívida. A Argentina está crescendo a uma taxa de 8,9% ao ano, com inflação hoje em 11% anuais. Já atingiu o nível de 1998 mas tem problemas para negociar os empréstimos e investimentos necessários à recuperação em bases permanentes.
O conflito entre criador e criatura era inevitável. Desde setembro do ano passado, os dois estão oficialmente rompidos e as eleições de 23 de outubro foram uma batalha importante nesta guerra. Kirchner pretende eleger 60 a 65 deputados leais, o que lhe permitiria criar um bloco de 100 a 110 deputados. Os deputados peronistas leais a Duhalde seriam cerca de 30 e a UCR teria uns 40.
Com uma ampla vitória sobre o duhaldismo, Kirchner é o grande vencedor desta eleição. Deve tentar atrair os rivais duhaldistas para o oficialismo. Afinal, pertencem aos setores mais à esquerda do peronismo. Não há uma incompatibilidade ideológica, como no caso do menemismo.
O Pingüim, como é chamado pelo nariz adunco e sua origem na Patagônia, é um presidente caracterizado pelo estilo agressivo. Já comprou brigas com o Fundo Monetário Internacional, empresas estrangeiras, os credores da dívida argentina, a Igreja Católica, o presidente Lula, o embaixador da França, a Federação das Indústrias de S. Paulo (Fiesp), os supermercadistas argentinos e quem se atravesse no caminho de suas ambições.
De olho na reeleição em 2007, Kirchner quer facilidade para aprovar suas propostas no Congresso para poder se dedicar de corpo e alma a uma campanha presidencial que promete ser dura como reza a tradição argentina.
A maior disputa mais uma vez será pela alma do general Perón. Depois dos fracassos econômicos dos governos radicais de Alfonsín e De la Rúa, a grande batalha deve ser travada dentro das hostes peronistas. O duelo entre Chiche e Cristina é apenas um trêiler.
O General Perón
Juan Domingo Perón era um oficial do Grupo de Oficiais Unidos, simpatizantes do nazifascismo que derrubaram o presidente civil Ramón Castillo no golpe de 4 de junho de 1943. De secretário do Trabalho e Bem-Estar Social, ele passou a ministro da Guerra e vice-presidente. Preso em 9 de outubro de 1945, foi solto por força grandes manifestações de massa em 17 de outubro do mesmo ano, data comemorada com entusiasmo por Kirchner durante a campanha. Ele lançou, na data, um programa educacional “para que os argentinos do futuro possam ter a mesma educação de qualidade que tínhamos no passado”.
O peronismo é um fenômeno típico do que se chama de populismo latino-americano, na definição do cientista político argentino Torcuatto di Tella, “uma aliança de parte da elite, incluindo industriais e militares nacionalistas, e trabalhadores, para enfrentar outro segmento da elite”, o mais conservador.
Para os militares argentinos, que alimentavam um sonho de hegemonia na América do Sul, o inimigo era o Brasil. Eles sabiam que a potência realmente hegemônica no continente, os Estados Unidos, não armaria a Argentina para atacar o Brasil, que adotava uma política de aliança automática com Washington. A Argentina precisava então do seu desenvolvimento industrial autônomo.
Daí nasce uma aliança entre militares, industriais, trabalhadores e setores da Igreja Católica contra uma elite fundiária que teria de pagar pelo protecionismo necessário ao nascimento de uma indústria nacional. Inspirado pelo ditador italiano Benito Mussolini e por Getúlio Vargas, a partir do golpe de 1943, Perón promoveu reformas sociais e fortaleceu os sindicatos como sua base de poder.
De 1930-35 a 1945-49, a produção industrial dobrou. Em 1944, as importações, que em 1925 consumiam 30% do PIB argentina, representavam apenas 6%. O número de fábricas passou de 38 mil em 1935 para 86 mil em 1946. No mesmo período, o operariado industrial passou de 436 mil para mais de 1 milhão de trabalhadores. Até 1947, chegaram à Grande Buenos Aires 1,368 milhão de migrantes vindos do campo atraídos pela rápida expansão industrial. Eram os descamisados que se tornariam massa de manobra para o peronismo. Seu discurso prometia plena cidadania para todos.
Isso levou Perón à sua primeira vitória eleitoral nas eleições presidenciais de 24 de fevereiro de 1946, com 56% dos votos, contra a União Democrática, que reunia desde os radicais, representantes da classe média antiperonista, até socialistas e comunistas, que na época, não sem alguma razão, descreviam Perón como fascista. Mas as massas argentinas já estavam seduzidas por este oficial e por sua segunda mulher, Maria Eva Duarte de Perón, com quem ele se casara quatro dias depois da libertação e da consagradora reaparição nos balcões da Casa Rosa, de onde pronunciaria seus discursos para empolgar a Argentina.
Filha ilegítima de uma cozinheira, cantora e atriz de radioteatro, Evita já era amante do general Perón. Eles formaram um casal sem paralelo na História nem no imaginário político latino-americano. Sua morte prematura, aos 33 anos, de câncer, em 1952, a transformou numa semideusa amada e odiada, uma personagem perene e insuperável da política argentina, mesmo que as primeiras-damas de hoje busquem a legitimidade no voto.
A ‘terceira via’
Defensor de uma “terceira via” entre o capitalismo e o comunismo, uma idéia originalmente mussolinista, Perón adotou uma atitude antiimperialista, nacionalizando empresas americanas e européias. Promoveu o tango como autêntica cultura popular argentina e legalizou a prostituição. Incentivou os sindicatos mas os manteve atrelados à máquina do Estado e do partido, esmagando quaisquer competidores interessados na luta dos trabalhadores.
Uma década de governos peronistas (1946-55) traria profundas mudanças para a classe trabalhadora argentina. Houve uma grande expansão do movimento sindical. O índice de sindicalização cresceu de 30,5% em 1948 para 42,5% em 1954, chegando a 70% na maioria dos setores industriais. O total de sindicalizados passou entre 1946 e 1951 de 520 mil para 2,333 milhões.
Pela primeira vez, foi introduzido em mecanismo de negociação coletiva, com escala móvel de salários, auxílio-doença, licença-maternidade, férias e outros direitos sociais. A Lei das Associações Profissionais, de outubro de 1945, estabeleceu a unidade, a imunidade dos dirigentes e o imposto sindical, garantindo uma arrecadação compulsória. Ao mesmo tempo em que garantia o financiamento dos benefícios previdenciários o Estado tentava assegurar seu controle sobre o movimento.
Havia sindicalistas no Congresso. Eles eram consultados oficialmente em decisões de governo. Operavam o sistema de previdência e assistência social através do Ministério do Trabalho e Bem-Estar Social e da Fundação Eva Perón. Logo as noções de autonomia política e organizacional do movimento operário começaram a se chocar com as ambições de Perón e dos outros participantes da aliança corporativista e nacionalista que as sustentava.
Perón foi reeleito em 1951, com ajuda importante do voto feminino pelo qual Evita lutara. Mas o autoritarismo, a corrupção e o conflito interno das diferentes forças componentes do peronismo, alinhadas à direita e à esquerda, inclusive uma ruptura com a Igreja Católica, levaram à chamada Revolução Libertadora ou, dependendo do ponto de vista, ao golpe de 16 de setembro de 1955. Desde então, todos os golpes de Estado na Argentina foram marcados pelo confronto entre peronistas de direita e de esquerda.
Amargo regresso
Perón ficou 18 anos no exílio. Quando voltou, em 20 de junho de 1973, foi recebido com a Batalha de Ezeiza, uma briga entre a direita peronista, que incluía a Aliança Anticomunista Argentina, liderada por José López Rega, que seria ministro do Bem-Estar Social do último governo Perón, e a extrema esquerda, onde estavam os Montoneros.
Em 23 de setembro de 1973, o velho caudilho é eleito presidente da Argentina pela terceira vez, com 62% dos votos, agora com sua nova mulher, María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, como vice. Só que Isabelita não era Evita. Com a morte do general em 1º de julho de 1974, a crise do peronismo vai se agravando até o golpe de 24 de março de 1976 e a violenta ditadura que o seguiu, responsável por cerca de 30 mil mortes.
A democracia só voltou à Argentina em 1983, um ano depois da derrota para a Grã-Bretanha na Guerra das Malvinas, que desmoralizou as juntas militares. Desde então, dois mandatos foram encurtados por crises agudas, a hiperinflação de 1989 sob Alfonsín e o colapso do peso com De la Rúa em 2001. Desde 1930, Menem foi o único civil a ser eleito democraticamente a concluir o mandato.
Como o peronismo é aparentemente a única força política capaz de governar a Argentina, a grande batalha é mais uma vez pela hegemonia interna no Partido Justicialista. Para alguns argentinos, o peronismo é o “fenômeno incorrigível”, definição do escritor Jorge Luis Borges. Nesta visão, o golpe de 1943 marca o início de uma guerra civil que arrasou a Argentina, comprometendo uma situação econômica que a colocava entre os países mais ricos do mundo no início do século passado.
Para o professor Di Tella, “a guerra civil argentina termina em 1989, quando Carlos Menem, um peronista, convida o maior grupo empresarial do país a indicar o ministro da Economia”. Menem já era da direita peronista. Deu naquela época sua guinada definitiva para um liberalismo e um pró-americanismo que nada tem a ver com as idéias nacionalistas e antiimperialistas do caudilho.
Um dos países mais férteis do mundo, com população relativamente pequena, de 36 milhões de habitantes, uma renda média por habitante bem acima da brasileira e, apesar da crise, 34º melhor país do mundo no Índice de Desenvolvimento Humano das Nações Unidas, não há razões para a Argentina ter dificuldades econômicas. Foi o país que mais se subdesenvolveu no século 20, deixando de ser um dos mais ricos do mundo, em grande parte por causa de seus conflitos políticos.
Bush livra ex-assessor de Cheney da cadeia
O presidente George Walker Bush provocou a ira da oposição democrata hoje, ao perdoar o ex-chefe de gabinete do vice-presidente Dick Cheney, Lewis Libby.
Libby foi condenado a dois anos e meio de prisão por falso testemunho e obstrução de Justiça, no processo sobre o vazamento para a imprensa do nome de uma agente da CIA (Agência Central de Inteligência), Valerie Plame, cujo marido, o embaixador Joseph Wilson, fizera um relatório negando que Saddam Hussein tivesse tentado comprar urânio no Níger.
Dois meses e meio depois da invasão do Iraque, em junho de 2003, quando ficou evidente que não havia armas de destruição em massa no Iraque, como alegara o governo Bush para justificar a guerra, Wilson escreveu artigo no jornal The New York Times dizendo que seu relatório havia sido manipulado.
Para fugir da responsabilidade, Bush citou a suposta compra de urânio no Níger na discurso sobre o Estado da União, em janeiro de 2003, atribuindo a informação ao serviço secreto do Reino Unido e seu leal aliado Tony Blair encampou a mentira.
Revoltados, os democratas denunciaram a manobra como abuso de poder. Para o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, foi uma "desgraça". Já o presidente da Comissão de Justiça do Senado, Patrick Leahy, considerou-a "emblemática de uma Casa Branca que se vê acima da lei".
Mas o perdão não foi total. Libby não vai para a cadeia mas ainda deve pagar multa de US$ 250 mil e ficará em liberdade condicional por dois anos.
A expectativa era que Bush esperava até o último recurso ou deixasse o indulto para depois das eleições presidenciais de novembro de 2008. Mas Libby deveria para a prisão nos próximos dias. Depois das eleições, teria cumprido metade da pena. Bush foi leal a um dos cães de guarda de Cheney, reforçando o manto de sigilo que protege as ações de guerra deste governo.
Libby foi condenado a dois anos e meio de prisão por falso testemunho e obstrução de Justiça, no processo sobre o vazamento para a imprensa do nome de uma agente da CIA (Agência Central de Inteligência), Valerie Plame, cujo marido, o embaixador Joseph Wilson, fizera um relatório negando que Saddam Hussein tivesse tentado comprar urânio no Níger.
Dois meses e meio depois da invasão do Iraque, em junho de 2003, quando ficou evidente que não havia armas de destruição em massa no Iraque, como alegara o governo Bush para justificar a guerra, Wilson escreveu artigo no jornal The New York Times dizendo que seu relatório havia sido manipulado.
Para fugir da responsabilidade, Bush citou a suposta compra de urânio no Níger na discurso sobre o Estado da União, em janeiro de 2003, atribuindo a informação ao serviço secreto do Reino Unido e seu leal aliado Tony Blair encampou a mentira.
Revoltados, os democratas denunciaram a manobra como abuso de poder. Para o líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, foi uma "desgraça". Já o presidente da Comissão de Justiça do Senado, Patrick Leahy, considerou-a "emblemática de uma Casa Branca que se vê acima da lei".
Mas o perdão não foi total. Libby não vai para a cadeia mas ainda deve pagar multa de US$ 250 mil e ficará em liberdade condicional por dois anos.
A expectativa era que Bush esperava até o último recurso ou deixasse o indulto para depois das eleições presidenciais de novembro de 2008. Mas Libby deveria para a prisão nos próximos dias. Depois das eleições, teria cumprido metade da pena. Bush foi leal a um dos cães de guarda de Cheney, reforçando o manto de sigilo que protege as ações de guerra deste governo.
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Néstor Kirchner pede ajuda energética a Lula
O presidente da Argentina, Néstor Kirchner, aproveitou a reunião de cúpula do Mercosul na semana passada, no Paraguai, para pedir ajuda energética de emergência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Quando assumiu, em 2003, em meio à pior crise econômica da História argentina, depois do colapso da dolarização do peso, em 2001, Kirchner decretou o congelamento de preços e tarifas de serviços públicos, comprando briga com as empresas privatizadas. Isso desestimulou os investimentos.
Como a economia argentina tem crescido a taxas de 8% a 9% ao ano com a retomada pós-crise, está faltando energia neste inverno, o que abala a popularidade do presidente, que lança oficialmente no dia 19 de julho sua mulher, a senadora Cristina Fernández de Kirchner, à eleição presidencial de outubro.
Quando assumiu, em 2003, em meio à pior crise econômica da História argentina, depois do colapso da dolarização do peso, em 2001, Kirchner decretou o congelamento de preços e tarifas de serviços públicos, comprando briga com as empresas privatizadas. Isso desestimulou os investimentos.
Como a economia argentina tem crescido a taxas de 8% a 9% ao ano com a retomada pós-crise, está faltando energia neste inverno, o que abala a popularidade do presidente, que lança oficialmente no dia 19 de julho sua mulher, a senadora Cristina Fernández de Kirchner, à eleição presidencial de outubro.
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Cristina Kirchner será candidata a presidente
Como este blog antecipou em 9 de maio, a senadora e primeira-dama Cristina Fernández de Kirchner será a candidata do governo na eleição presidencial de outubro na Argentina. O presidente Néstor Kirchner ainda tem mais pontos nas pesquisas, mas está desgastado por escândalos de corrupção, derrotas eleitorais nas províncias e na recente disputa da Prefeitura de Buenos Aires, e seu estilo agressivo e turrão.
O mercado financeiro gostou. Acredita que Cristina Kirchner será mais moderada, vai querer atrair capital estrangeiros e comprar menos brigas com o setor empresarial e com outros países.
No momento, a Argentina enfrenta uma crise energética porque sua economia vem crescendo a taxas de 8%, 9% ao ano, depois da depressão provocada pelo colapso da dolarização do peso, no final de 2001. Quando assumiu, em 2003, Néstor Kirchner congelou os preços, desencorajando novos investimentos.
Cristina tem 46% das preferências do eleitorado; nenhum dos três principais candidatos de oposição passa de 12%.
O mercado financeiro gostou. Acredita que Cristina Kirchner será mais moderada, vai querer atrair capital estrangeiros e comprar menos brigas com o setor empresarial e com outros países.
No momento, a Argentina enfrenta uma crise energética porque sua economia vem crescendo a taxas de 8%, 9% ao ano, depois da depressão provocada pelo colapso da dolarização do peso, no final de 2001. Quando assumiu, em 2003, Néstor Kirchner congelou os preços, desencorajando novos investimentos.
Cristina tem 46% das preferências do eleitorado; nenhum dos três principais candidatos de oposição passa de 12%.
domingo, 1 de julho de 2007
China arma-se para projetar seu poderio
A China está modernizando contínua e sistematicamente suas Forças Armadas, afirma um relatório produzido pelo Gabinete do Secretário da Defesa para o Congresso dos Estados Unidos, "está perseguindo uma ampla transformação de suas forças militarres a longo prazo para aumentar sua capacidade de projetar seu poderio, impedir acesso e dominar áreas".
O documento Poderio Militar da República Popular da China 2007 foi divulgado em 25 de maio e não está classificado. Traz, por exemplo, dos novos navios de guerra que a China está desenvolvendo para ter uma Marinha de águas profundas.
Tudo isso revela um desejo de ter um poderio militar à altura do crescente poder econômico da China e uma possível numa doutrina militar que sempre defensiva para quem sabe defender os interesses chineses longe de seu território,
O documento Poderio Militar da República Popular da China 2007 foi divulgado em 25 de maio e não está classificado. Traz, por exemplo, dos novos navios de guerra que a China está desenvolvendo para ter uma Marinha de águas profundas.
Tudo isso revela um desejo de ter um poderio militar à altura do crescente poder econômico da China e uma possível numa doutrina militar que sempre defensiva para quem sabe defender os interesses chineses longe de seu território,
Rússia esfria visita de Chávez
Para não prejudicar a viagem do presidente Vladimir Putin aos Estados Unidos, para onde ele foi neste domingo, o Kremlin esfriou a visita que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, armou para não participar da reunião de cúpula do Mercosul, em retaliação ao Senado do Brasil. Os senadores ameaçaram não aprovar a entrada da Venezuela no bloco, depois do fechamento do canal de televisão da Radio Caracas Televisión (RCTV) e da acusação de Chávez de que o Senado do Brasil era papagaio do americano.
As reuniões de Putin e Chávez não tiveram caráter oficial. Chávez não foi convidado para discursar no plenário do parlamento russo. Falou numa sala menor, com capacidade para apenas um terço dos deputados da Duma do Estado.
Ao inaugurar na quinta-feira o Centro Cultural Latino-Americano Simón Bolívar, na Biblioteca de Línguas Estrangeiras, em Moscou, Chávez atacou os EUA: "Ou quebramos o imperalismo norte-americano ou o imperialismo norte-americano quebra definitivamente o mundo", desafiou o caudilho venezuelano, declarando que luta "por um mundo de iguais e de paz onde reine o respeito à vida, à soberania dos povos, à verdadeira liberdade, e não à liberdade do Super-Homem".
O verdadeiro objetivo da viagem de Chávez a Moscou é comprar armas. Quer comprar de cinco a nove submarinos convencionais para patrulhar sua plataforma continental, rica em petróleo. Também está interessado em sistema de defesa antiaérea, mísseis portáteis, lançadores de granadas e de minas, aviões de transporte e sistemas de espionagem eletrônica.
No sábado, Chávez visitou uma fábrica de helicópteros militares em Rostov e foi a corridas de cavalos com Putin, antes de seguir para a Bielorrússia, onde apóia o último ditador da Europa, Alexander Lukachenko, representante de um stalinismo tardio.
As reuniões de Putin e Chávez não tiveram caráter oficial. Chávez não foi convidado para discursar no plenário do parlamento russo. Falou numa sala menor, com capacidade para apenas um terço dos deputados da Duma do Estado.
Ao inaugurar na quinta-feira o Centro Cultural Latino-Americano Simón Bolívar, na Biblioteca de Línguas Estrangeiras, em Moscou, Chávez atacou os EUA: "Ou quebramos o imperalismo norte-americano ou o imperialismo norte-americano quebra definitivamente o mundo", desafiou o caudilho venezuelano, declarando que luta "por um mundo de iguais e de paz onde reine o respeito à vida, à soberania dos povos, à verdadeira liberdade, e não à liberdade do Super-Homem".
O verdadeiro objetivo da viagem de Chávez a Moscou é comprar armas. Quer comprar de cinco a nove submarinos convencionais para patrulhar sua plataforma continental, rica em petróleo. Também está interessado em sistema de defesa antiaérea, mísseis portáteis, lançadores de granadas e de minas, aviões de transporte e sistemas de espionagem eletrônica.
No sábado, Chávez visitou uma fábrica de helicópteros militares em Rostov e foi a corridas de cavalos com Putin, antes de seguir para a Bielorrússia, onde apóia o último ditador da Europa, Alexander Lukachenko, representante de um stalinismo tardio.
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