terça-feira, 7 de agosto de 2007

Talebã atacam base americana no Afeganistão

Pelo menos 20 guerrilheiros da milícia dos Talebã (Estudantes) foram mortos quando 75 fundamentalistas muçulmanos lançaram um ataque frontal contra uma base militar dos Estados Unidos, nesta terça-feira, no Sul do Afeganistão, anunciou o comando militar americano.

Os talebã lançaram um ataque em três frentes contra a base Anaconda, usando metralhadoras, granadas e foguetes de 107mm. Uma força conjunta afegã-americana respondeu ao ataque com morteiros, metralhadoras e cobertura aérea.

"A incapacidade das forças insurgentes de infligir qualquer dano grave à base Anaconda, enquanto eram simultaneamente dizimadas no processo, deve ser uma indicação clara da ineficácia de seus guerreiros", declarou a capitã Vanessa Bowman, porta-voz da coalizão liderada pelos EUA.

Coréias farão reunião de cúpula este mês

Os presidentes da Coréia do Norte, Kim Jong Il, e da Coréia do Sul, Roh Moo Hyun vão se encontrar entre os dias 28 e 30 deste mês em Pionguiangue, a capital norte-coreana.

Será a segunda reunião de cúpula entre os países, que até hoje não assinaram um tratado de paz para acabar com a Guerra da Coréia (1950-53), a primeira desde que o regime comunista norte-coreano fez um teste nuclear, em 9 de outubro do ano passado.

É a retomada da política de reaproximação da cada vez mais próspera Coréia do Sul da introvertida Coréia do Norte, uma das últimas e certamente a mais autêntica das ditaduras stalinistas sobreviventes.

Anúncios em jornais caem 4,8% nos EUA

O faturamente publicitário dos jornais dos Estados Unidos caiu 4,8% ou US$ 10,6 bilhões no primeiro trimestre do ano. A queda foi acentuada pela redução dos classificados de imóveis residenciais devida à crise no setor habitacional.

Em todo o ano de 2006, a queda fora de 0,6%. A circulação dos jornais americanos cai todo ano desde 1984.

Fed mantém taxa básica de juros em 5,25%

Por unanimidade, o Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve Board (Fed), o banco central dos Estados Unidos, decidiu hoje manter inalterada pelo nono mês consecutivo a taxa básica de juros da maior economia do mundo em 5,25% ao ano, mencionando riscos inflacionários para justificar sua decisão.

Leia aqui a declaração oficial do Fed.

Caminhão-bomba mata 30 no Norte do Iraque

Um terrorista-suicida detonou um caminhão-bomba carregado de explosivos em Al Cuba, uma vila xiita no Norte do Iraque, destruindo pelo menos 20 casas e matando 30 pessoas, inclusive 12 crianças e quatro mulheres. Outras 50 pessoas saíram feridas, 14 em estado grave.

Foi o pior ataque em mais um dia sangrento no Iraque, em que foram anunciadas as mortes de mais cinco soldados dos Estados Unidos, elevando para 3.670 o total de americanos mortos no Iraque desde a invasão de março de 2003. Quatro americanos foram mortos em Bacuba na segunda-feira; o quinto morreu domingo em Bagdá mas sua morte só foi anunciada na segunda.

Em Al Cuba, testemunhas viram o caminhão se aproximando em alta velocidade. O terrorista usou espuma para encobrir os explosivos escondidos embaixo do caminhão. Diversos corpos foram retirados dos escombros das casas da pequena vila. A maioria das 200 casas de Al Cuba é de barro, de pau-a-pique e sapê. Vinte foram arrasadas pela explosão.

China detém jornalistas estrangeiros

A polícia da China deteve por mais de uma hora jornalistas estrangeiros que cobriam uma manifestação pela liberdade de imprensa na segunda-feira em Beijim. Para o jornal inglês Financial Times, é um teste para o regime comunista chinês, que terá de administrar a presença no país de 30 mil repórteres estrangeiros durante os Jogos Olímpicos de Beijim, daqui a um ano.

Ao apresentar a candidatura de Beijim para a Olimpíada de 2008, o governo da China prometeu "total liberdade para reportar" no país.

O protesto da segunda-feira, 6 de agosto, foi realizado pela organização não-governamental Repórteres Sem Fronteiras, que pediu a libertação de 100 jornalistas, dissidentes que usam a internet e ativista da liberdade de expressão. No final da entrevista coletiva, policiais chineses vestidos à paisana barraram a passagem dos correspondentes internacionais, alguns por mais de uma hora.

Confira no FT.com.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

Bolsa de Nova Iorque reage e sobe 2,18%

Depois de fortes quedas na semana passada que abalaram mercados no mundo inteiro, o Índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais ações negociadas na Bolsa de Valores de Nova Iorque, subiu 286,87 pontos (2,18%), fechando em 13.468,78. Foi o maior ganho percentual desde 16 de junho de 2003. Desde o início do ano, a alta é de 8,1%.

O índice S&P 500 subiu 34,61 pontos (2.4%), para 1.467,67, na maior alta desde 2 de abril de 2003; no ano, o ganho é de 3.5%. Já a bolsa Nasdaq, de ações de empresas de alta tecnologia teve alta de 36,08 pontos (1,4%), chegando a 2.547,33. A alta acumulada no ano é de 5,5%.

A queda da semana passada foi atribuída aos riscos associados à crise de empresas financiadoras de empréstimos para a compra de casa própria por cliente de risco nos Estados Unidos. Essa crise dos empréstimos de segunda linha poderia atingir outros setores da sociedade americana.

Hoje, a reação foi atribuída à busca de barganhas pelos investidores, de ações que teriam caído aquém do que a situação das empresas e da economia internacional recomendaria. A Bolsa de São Paulo, que caíra 3% no início das operações, também reagiu, seguindo a tendência de Wall Street, e fechou em alta de 0,46%.

"Foi um alívio", comentou Larry Peruzzi, corretor de ações da empresa Boston Company Asset Management. "Depois da grande venda de sexta-feira, os investidores estavam em busca de ações com valor real".

O Comitê de Mercado Aberto do Federal Reserve Board (Fed), o banco central dos EUA, reúne-se nesta terça-feira. Deve manter a taxa básica de juros da economia americana inalterada, mais uma vez, em 5,25% ao ano. Mas o mercado espera que o Fed indique um viés de baixa.

A previsão do banco de investimentos Merrill Lynch é que a taxa caia para 4,5% até o final do ano "e talvez até para 3,75% em meados de 2008".

EUA perdem controle de 190 mil armas no Iraque

O comando militar dos Estados Unidos no Iraque perdeu o controle sobre 190 mil pistolas e rifles Kalachnikov entregues às novas forças de segurança iraquianas. Teme-se que muitos tenham caído nas mãos dos rebeldes que lutam contra a ocupação americana.

Esse número equivale a 30% das armas distribuídas pelas forças de ocupação americanas desde 2004. O Pentágono prometeu investigar o assunto.

Olmert faz visita histórica a cidade palestina

Numa visita histórica, o primeiro-ministro Ehud Olmert tornou-se o primeiro chefe de governo de Israel a ir a uma cidade palestina desde o início da Segunda Intifada, em setembro de 2000. Sob forte proteção, ele se encontrou em Jericó com o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, para discutir a criação de um Estado palestino independente.

O encontro faz parte de uma série programada para preparar uma conferência internacional sobre a paz no Oriente Médio a ser realizada em novembro nos Estados Unidos.

As principais questões que impedem um acordo de paz entre israelenses e palestinos são as fronteiras do futuro Estado palestino, a divisão de Jerusalém, a remoção das colônias israelenses implantadas nos territórios árabes ocupados e o direito de retorno dos palestinos refugiados desde a criação do Estado de Israel, em 1948.

EUA torturaram suspeito de armar ataques de 11/9

O suspeito de idealizar os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, Khaled Cheikh Mohammed, foi submetido a diversos métodos de tortura durante os interrogatórios realizados pela CIA (Agência Central de inteligência) em prisões secretas para onde foi levado nos últimos três anos. Esses métodos, descritos como "duros" pelo governo dos Estados unidos, "equivalem a tortura" para o Comitê Internacional da Cruz Vermelha, afirma reportagem publicada neste domingo pela revista The New Yorker.

Na reportagem de 12 páginas, a repórter Jane Mayer examina o desenvolvimento dos métodos de interrogatório do serviço de espionagem dos EUA e um relatório confidencial da Cruz Vermelha que confirma as alegações de Mohammed de que foi torturado pela CIA. Ele foi deixado nu em sua cela, interrogado por mulheres para sentir-se humilhado, atado a uma coleira como um cachorro, jogado contra as paredes e colocado com posições dolorosas enquanto estava amarrado ao chão. Também foi submetido a afogamento, a um calor sufocante e ao frio.

Quando ele foi preso e entregue aos EUA, em março de 2003, os agentes da CIA advertiram: "Não vamos matar você. Mas vamos levá-lo à beira da morte e trazê-lo de volta".

Leia a íntegra da investigação sobre os porões da guerra do governo Bush contra o terrorismo na revista The New Yorker.

domingo, 5 de agosto de 2007

Gates admite iniciar retirada do Iraque este ano

Os Estados Unidos podem começar a retirada das forças que ocupam o Iraque ainda este ano, admitiu o secretário da Defesa, Robert Gates, neste domingo em entrevista ao programa Meet the Press (Encontro com a Imprensa), da rede de televisão americana NBC. Mas ressalvou que tudo depende do sucesso da atual estratégia da reforço das tropas em Bagdá, anunciada no início do ano pelo presidente George Walker Bush.

Em setembro, o general David Petraeus, comandante militar americano no Iraque, e o embaixador americano em Bagdá, Ryan Crocker, apresentarão relatório ao Congresso fazendo uma avaliação dessa estratégia. Gates discorda da sugestão feita no ano passado pelo Grupo de Estudos sobre o Iraque de reduzir substancialmente a ajuda econômica e militar ao governo iraquiano se não houver progressos efetivos rumo à reconciliação nacional.

"Temos observado uma evolução importante nas províncias de Anbar e Diala, e em outras áreas", declarou o secretário da Defesa. Os EUA estão trabalhando com chefes tribais que mudaram de lado e estão colaborando com a nova ordem, "alistando seus jovens nas forças de segurança e cooperando".

Gates considerou inevitável a aproximação a grupos sunitas que se opunham ferozmente à invasão americana: "Se o Iraque se reconciliar, se o Iraque se estabilizar, isto vai exigir que grupos de oposição deixem de ser oposição e passam a colaborar com o governo".

Tanto Gates quanto a secretária de Estado, Condoleezza Rice, aproveitaram as entrevistas deste domingo para negar que os EUA atacariam unilateralmente regiões tribais do Paquistão atrás de guerrilheiros da rede terrorista Al Caeda, como afirmou que faria o pré-candidato à Casa Branca pelo Partido Democrata Barack Obama.

Ambos prometeram consultar o ditador paquistanês, general Pervez Musharraf. Gates declarou estar certo de que "Musharraf teria prazer em participar conosco desta operação".

Economia americana gera menos empregos

A maior economia do mundo gerou apenas 92 mil novos postos de trabalho a menos do que destruiu em julho, abaixo da expectativa do mercado, revelou na sexta-feira do Departamento do Trabalho dos Estados Unidos. O índice de desemprego subiu para 4,6% da população economicamente ativa dos EUA.

Isto indica que a economia americana pode estar entrando em nova desaceleração depois de crescer vigorosamente no segundo trimestre de 2007.

França vende armas à Líbia

A França concordou em vender mísseis antitanque Milan ADT-ER e outras armas e equipamentos militares à Líbia num acordo secreto para permitir a libertação, no mês passado, de enfermeiras búlgaras condenadas à morte pela ditadura do coronel Muamar Kadafi, supostamente por contaminarem crianças com o vírus da aids.

Em entrevista ao jornal francês Le Monde de 2 de agosto, Saif al Islam Kadafi declarou que o negócio de 100 milhões de euros (US$ 136 milhões) será seguido por uma ajuda francesa para fabricação e manutenção de equipamentos militares na Líbia. Os acordos foram negociados pelo novo presidente francês, Nicolas Sarkozy.

Petróleo termina semana em US$ 76,67

O preço do barril de petróleo atingiu cotação recorde de US$ 78,77 na quarta-feira na Bolsa Mercantil de Nova Iorque, diante dos riscos ao suprimento do mercado americano no próximo inverno no Hemisfério Norte, mas fechou a semana em US$ 76,67. Em Londres, o petróleo tipo Brent, do Mar do Norte, terminou a semana em US$ 75,39.

"Como a margem entre oferta e procura é muito estreita e os participantes do mercado estão interessados em pagar para ver, a tendência não é de uma queda prolongada nos preços", comentou um analista. "Vem aí a temporada de furacões nos Estados Unidos. Basta uma tempestade para colocar o mercado em polvorosa."

sábado, 4 de agosto de 2007

Museu conta história da imigração alemã

Mais de cinco milhões de pessoas saíram do porto de Hamburgo em busca de uma vida melhor na América de 1850 a 1934. Em julho, a cidade, que é hoje o maior centro comercial da Alemanha, inaugurou o Museu Ballinstadt para ajudar a contar as histórias dessas vidas. O acervo inclui a lista completa de todos os imigrantes que partiram do porto de Hamburgo, hoje o maior da Alemanha.

O Museu Ballinstadt custou 12 milhões de euros. Seu acervo tem desde reproduções de ambientes da época, filmes, fotografias, documentos originais, elementos multimídia e manequins para contar a história dos imigrantes. Foi construído em pavilhões que reproduzem a vila dos emigrantes, que de 1901 a 1934 foi alojamento, refeitório, posto médico e centro de identificação, com lojas, igrejas e uma sinagoga, com todos os serviços necessários para quem embarcaria atrás do sonho americano.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

“Segurança pública é tragédia nacional"

A segurança pública é hoje uma tragédia nacional, reconhece o ex-secretário nacional de Segurança Luiz Eduardo Soares, hoje secretário mumicipal em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense.

“Em Florianópolis, as gangues do tráfico estão crescendo e usando a linguagem dos traficantes cariocas. As cidades médias e pequenas já sofrem os problemas das megalópoles”, disse Luiz Eduardo, ao participar da mesa redonda Lições da Segurança Internacional para a Segurança Pública: Missões de Paz, Garantia da Lei e da Ordem e o Emprego das Forças Armadas, realizada na segunda-feira, 30 de julho, no Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), no Rio.

“No Rio de Janeiro, a disponibilização de recursos é orientada pela mídia e pressões políticas. Há um festival de crimes contra o patrimônio em Madureira.

Temos 550 mil policiais e 300 mil soldados no Brasil. Mas há uma crise profunda nas instituições policiais. No Rio de Janeiro, não há crime sem polícia. Precisamos reformular as polícias. Elas têm uma estrutura organizacional que impede a eficiência.

Pablo Dreyfus lembrou que as Forças Armadas recrutam 80 mil pessoas por ano para fazer o serviço militar: “Hoje os jovens voltam para as favelas com treinamento militar sofisticado mas sem emprego.”

O ex-secretário nacional de Segurança Luiz Eduardo Soares trouxe sua experiência nos três níveis de governo: municipal, estadual e federal. No Brasil, revelou, são cometidos 45 mil assassinatos por ano, 23,7 para cada 100 mil, em contraste com oito para 100 mil nos EUA, menos de três na Europa e um no Japão.

Na Venezuela, na Guatemala, no México, a situação é ainda pior. A América Latina é responsável por 42% das mortes por armas de fogo no mundo, salientou Luiz Eduardo.

Para o ex-secretário, o problema é institucional. São 150 mil policiais em todo o país, com deficiências dramáticas. O Rio é uma referência para essas deficiências.

Em primeiro lugar, só 1,5% dos homicídios dolosos é resolvido. Em segundo lugar, houve o fechamento de várias criminais diante da impotência, da incapacidade de investigação.

Há 170 mil solicitações de laudos periciais esperando. Seriam necessários 10 anos de trégua da criminalidade só para concluir esses laudos. Assim, somente crimes com atenção pública recebem tratamento adequado.

Em terceiro lugar, são notórios os casos de corrupção. O Rio de Janeiro paga os piores salários do Brasil. Então os policiais têm um segundo emprego, que chamam de ‘bico’, na segurança privada.

Os gestores das polícias sabem disso mas não podem fiscalizar. Os policiais querem sobreviver legitimamente e isso é tolerado em nome da crise no orçamento.

"Quem não fiscaliza a informalidade benigna também não fiscaliza a maligna", raciocina Luiz Eduardo Soares. "Há um desrespeito às empresas privadas de segurança constituídas legalmente e a formação de ligações perigosas entre policiais e criminosos.

"Se o chefe e o subordinado se encontram neste universo paralelo, como fica a relação funcional? Os turnos de 12h-24h são inviáveis, assim como é irracional suspender o trabalho por 24h-72h. Não podemos mudar isso sem impedir o segundo emprego.

Das 1195 mortes cometidas por policiais no Rio, 777 foram execuções sumárias. Nos EUA, os policiais matam cerca de 200 pessoas por ano. Em Minas Gerais, foram 71 as mortes de responsabilidade de policiais em 2005.

"Os municípios não participam do debate", protesta o secretário municipal de Nova Iguaçu. "As Guardas Muncipais não são policiais, Não temos perícia, Não temos controle externo. Não temos possibilidade de gestão. As polícias são inadministráveis. Faltam informações para fazer um diagnóstico. Preciamos aprender com os eros. Nas polícias brasileiras, não há diagnóstico. Não há um planejamento efetivo."

"Civis ainda têm preconceito com militares"

Os civis ainda não sabem o que querem e têm preconceito em relação aos militares, afirmou o professor Antônio Jorge Ramalho, da Universidade de Brasília, assessor do Ministério da Defesa ao participar da mesa redonda Lições da Segurança Internacional para a Segurança Pública: Missões de Paz, Garantia da Lei e da Ordem e o Emprego das Forças Armadas, realizada na segunda-feira, 30 de julho, no Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), no Rio.

Na sua opinião, a experiência da missão de paz das Nações Unidas no Haiti, onde o Brasil tem o comando e o maior contingente, está sendo extremamente instrutiva. Mas “na questão conceitual, ainda há uma zona cinzenta entre a segurança nacional e a segurança pública”.

Essa definição não se faz no vácuo, destacou Antônio Jorge. A confusão vem dos Estados Unidos, onde o Departamento de Segurança Interna está enviando agentes para o exterior para, por exemplo, inspecionar as cargas despachadas para o território americano. Caso contrário, o navio tem o direito de atracar em portos dos EUA.

Diante da nova realidade criada pela guerra dos EUA contra o terrorismo, admite o professor, “há uma necessidade de revisar conceitos como instituições, fronteiras, segurança juridical, direitos humanos. As violações dos direitos humanos em Darfur, no Sudão, são consideradas uma ameaça à paz e à segurança internacionais. O narcotráfico e o tráfico de seres humanos exigem coordenação internacional”.

Antônio Jorge entende que as Forças Armadas devem ser empregadas somente em situações extremas, o que em alguns casos pode incluir a segurança interna. Mas “falta regulamentação: quem assume o comando? Falta um arcabouço legal, uma cadeia de comando e controle”, argumenta o professor.

Em princípio, ele reluta em ver as Forças Armadas fazendo papel de polícia: “As Forças Armadas foram feitas para dissuadir e fazer a guerra, para atirar primeiro e perguntar depois. Sabem que o tempo não se recupera; o espaço se recupera. Visam a destruir mais do que a normalizar”.

Na guerra, uma situação extrema em que as normas da convivência civilizada são suspensas, há uma desumanização do inimigo, um fortalecimento do espírito de corpo e uma série de comportamentos inaceitáveis na sociedade civilizada.

“Para as Forças Armadas e os guerrilheiros, havia uma guerra no Brasil. A sociedade ainda não virou a página 1964-85. É um problema sobretudo para os civis.”

“Hoje, entre as hipóteses de guerra, o Exército treina guerra de guerrilhas estudando casos como o Vietnã. Não temos armas e homens para defender o território nacional. Ninguém pensa que irá acontecer mas é uma hipótese. A guerrilha exige apoio local. O Exército acha importante ocupar a Amazônia.”

Como o afastamento dos militares da política no fim da ditadura, “o Exército se afastou dos grandes debates nacionais”.

No Haiti, Antônio Jorge acredita que os resultados da missão de paz da ONU liderada pelo Brasil são positivos. A única baixa foi o suicídio do general-de-divisão Urano Teixeira da Matta Bacellar, em 7 de janeiro de 2006, por problemas pessoais.

“Há uma doutrina de troca e relacionamento, uma ação cívico-social do Exército. A população percebe o soldado brasileiro como um primo. Em poucos dias, o soldado brasileiro se entende com os haitianos, em parte por causa da diversidade e da tolerância em relação ao próximo da cultura brasileira.”

“Não é um emprego da tropa para fazer papel de polícia. O Exército está lá num exercício de projeção de poder”, concluiu o professor Antônio Jorge em sua apresentação inicial.

O professor Antônio Jorge negou que haja uma ociosidade das Forças Armadas: “No terceiro dia no Haiti, em pleno Natal, os militares brasileiros estavam atirando”.

A sociedade precisa saber o que quer das Forças Armadas, insistiu o assessor do Ministério da Defesa. “O Exército não é necessário para fazer estradas e realizar campanhas de vacinação. A Força Nacional de Segurança é uma força intermediária. Precisa de doutrina e formação. A força armada foi feita para a guerra. É um elemento de dissuasão. Deve ser preservada da atuação cotidiana.”

Forças armadas na segurança: da separação total argentina à promiscuidade venezuelana

O professor Pablo Dreyfus, coordenador de pesquisas da organização não-governamental Viva Rio, faz uma análise comparativa do uso das Forças Armadas na segurança interna na América Latina, da separação total no caso da Argentina, a um caso médio no Brasil e à “promiscuidade extrema” na Venezuela, Defesa ao participar da mesa redonda Lições da Segurança Internacional para a Segurança Pública: Missões de Paz, Garantia da Lei e da Ordem e o Emprego das Forças Armadas, realizada na segunda-feira, 30 de julho, no Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), no Rio.

Na Argentina, a brutalidade da ditadura mesmo depois da derrota dos grupos guerrilheiros e o fiasco na Guerra das Malvinas desmoralizaram as Forças Armadas.

A Lei de Defesa Nacional, de 1987, época das tentativas de golpe contra o presidente Raúl Alfonsín (1983-89), só prevê a atuação das Forças Armadas da Argentina “contra agressões externas das Forças Armadas de outro país”, nos termos da Carta das Nações Unidas.

No Brasil, segurança significa preservar a integridade territorial do país, enquanto defesa é a expressão militar contra ameaças externas, conforme definido nos artigos 142 e 144 da Constituição de 1988.

"A função das Forças Armadas é aniquilar o inimigo. Quem determina se as Forças Armadas serão empregadas na segurança interna é o presidente, quando as forças policiais tiverem sido atropeladas. Mas deve ser algo provisório, numa área demilitada e por tempo limitado", observa Dreyfus.

"É preciso também dar ao Exército o direito de agir nas fronteiras. A Argentina tem a Gendarmeria, o Chile tem os Carabineiros, mas o Brasil não tem uma força intermediária."

Na Venezuela, há uma forte promiscuidade: "O país não vive sob ditadura desde 1959. A guerrilha foi reprimida por um Estado democrático. A doutrina de segurança nacional não é palavrão. O conceito de segurança nacional está ligado ao desenvolvimento. O Exército está em todas as áreas, na manutenção da ordem pública, tem participação ativa no desenvolvimento nacional e isso não é regulamentado", o que aumenta a margem de manobra de um líder autoritário como Chávez.

A Venezuela tem a Guarda Nacional e, desde 2005, a Reserva Nacional e a Guarda Territorial (baseada na co-responsabilidade do cidadão na defesa nacional).

Com a atual polarização política, há um sério risco de intervenção politizada.

Na Argentina, "a participação das Forças Armadas é mínima. Há uma zona cinzenta onde estão a gendarmería e os guarda-costas. Não são claras as circunstâncias em que as Forças Armadas podem participar. E se houver uma guerra civil na Bolívia?"

No Brasil, a vantagem está na flexibilidade. A intervenção é negociada às vezes pela mídia. Quem determina a gravidade da crise?

No México, a intervenção direta na guerra contra as drogas aprofundou a corrupção nas Forças Armadas.

No Peru, "as Forças Armadas foram para a região do Alto Huallaga para combater o Sendero Luminoso. Adotaram uma estratégia de contra-insurgência. Depois, passaram a fazer o papel de polícia e se enlamearam na corrupção. Esse é o risco de envolver o Exército diretamente na guerra contra as drogas."

Missão no Haiti cria doutrina para intervenção

O Brasil não está no Haiti para treinar as Forças Armadas para atuar na segurança interna. Mas será um ponto positivo se desenvolver a doutrina para uma possível intervenção interna, observou o professor Pablo Dreyfus, coordenador de pesquisas da organização não-governamental Viva Rio, ao participar da mesa redonda Lições da Segurança Internacional para a Segurança Pública: Missões de Paz, Garantia da Lei e da Ordem e o Emprego das Forças Armadas, realizada na segunda-feira, 30 de julho, no Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), no Rio.

Rubem César Fernandes, coordenador do Viva Rio, esteve várias vezes no Haiti acompanhando a missão da força de paz da ONU liderada pelo Brasil. Na primeira vez, em 2004, um oficial brasileiro desabafou: “Todos mentem. Não consigo trabalhar neste ambiente”.

O general Augusto Heleno Ribeiro Pereira manteve um estilo muito criticado, muito carioca, ao rejeitar a ação militar clássica, entende Rubem César: "Em Porto Príncipe, a situação é muito delicada. As favelas estão à beira-mar; a ONU, a classe média e as elites estão lá em cima.

"Não há praias na capital. Cite Soleuil fica à beira-mar. O Exército entrou primeiro no centro, em Bel Air, perto do Palácio Nacional. Até 2004, era cercada por barricadas de lixo. O Brasil levou um ano para tomar Bel Air, o que conseguiu em agosto de 2005.

"Os jordanianos fracassaram em Cité Soleuil, mas o Brasil conseguiu abrir um corredor de segurança Bel Air-Cité Soleuil. O trabalho do Exército Brasileiro levou três anos. No final de 2006, houve uma onda de seqüestros. O último batalhão que entrou resolveu o problema de Cite Soleuil", conta o coordenador do Viva Rio.

O Haiti é um país de 8 milhões de habitantes, com 2,5 milhões a 3 milhões na capital. É um favelão com as classes média e alta refugiadas nas montanhas.

"Houve uma progressividade. As conquistas são graduais, baseadas em uma estratégia de redução de risco evitando tiroteios prolongados em lugares labirínticos. Não houve nenhuma baixa brasileira na missão de paz no Haiti", lembrou Rubem César Fernandes. "O Exército identifica os bolsões de resistência, cerca e anuncia que vai entrar. Provoca uma correria e ocupa pacificamente."

A idéia é realizar ações civis e militares para a pacificação, sob comando militar. Ao lado dos militares, há organizações não-governamentais do mundo inteiro: Cruz Vermelha, Médicos sem Fronteiras, serviços de saúde, hospitais de campanha, grupos de defesa dos direitos humanos.

O lado civil da missão de paz é lento. Ser guerreiro todo dia é desgastante. O contingente é trocado há cada seis meses.

"Bel Air é uma cidade totalmente informal. São 11 localidades e quatro comandos. Demos apoio aos grupos de carnaval e aí percebemos a relação entre cultura e criminalidade", prossegue o coordenador do Viva Rio.

Em 16 de maio, foi firmado o acordo de paz entre as gangues. Se houvesse 30 dias sem violência, seriam dadas bolsas de estudos para todas as criança. Se a trégua fosse de 60 dias, seriam distribuídas bolsas para milicianos.

"Os bandidos de Bel Air querem estudar inglês, francês e atividades criativas: música, poesia e artesanato. O líder é um poeta, um samba", revela Rubem César.

“É preciso refletir, pensar criativamente. Vivemos situações muito diferentes: informal, terrorismo, criminalidade... O maior problema do Haiti é consolidação institucional.”

Do ponto de vista militar, não há mais nada a conquistar, só a consolidar. A missão militar passou. Começa o trabalho de polícia.

Pelo artigo 144 da Constituição, quando o Exército entra em ação todos se submetem à hierarquia militar. "Na crise da febre aftosa no Paraguai, rapidamente o Exército fechou todas as fronteiras. Foi uma reação rápida. Não passava uma vaca."

É preciso repensar as relações civis-militares, diz Rubem Cesar. Há o argumento do governador Sérgio Cabral: é um absurdo que um quartel numa comunidade só cuide dos muros para dentro.

O almirante Mário César Flores citou exemplos em que a Marinha foi chamada para aprender navios e precisou levar junto policiais federais porque não poderia fazer a apreensão.

Rússia põe bandeira no leito do Oceano Ártico

Dois minissubmarinos russos desceram até o leito do Oceano Ártico e plantaram uma bandeira da Rússia especialmente feita de titânio para não enferrujar, a uma profundidade de 4.261 metros, sob as geleiras do Pólo Norte, num gesto simbólico de reinvindicação sobre os recursos naturais do Ártico.

"É tão lindo lá em baixo", declarou Artur Chilingarov, líder do grupo que desceu com dois minissubs para águas profundas. "Se daqui a 100 ou mil anos alguém descer até lá, verá a bandeira da Rússia".

É um gesto mais simbólico do que prático. Agora é preciso pesquisar para descobrir se existem jazidas de gás e petróleo no Pólo Norte em quantidade suficiente para justificar o investimento necessário.