Mais de 20 mil pessoas doaram pelo menos US$ 840 mil ao artista plástico e dissidente Ai Weiwei desde quinta-feira passada, quando ele foi multado em US$ 2,4 milhões pelo regime comunista da China, sob a acusação de sonegar impostos.
Ai, o artista chinês mais importante de sua geração, foi detido no aeroporto de Beijim em abril e ficou 81 dias preso em local ignorado. Saiu com o compromisso de ficar calado, mas denunciou seu julgamento como político.
Durante os sucessivos interrogatórios a que foi submetido, concluiu que o grande temor da ditadura militar chinesa é com a possibilidade de uma "revolução de jasmim" como as do mundo árabe.
As doações começaram a chegar na quinta-feira, acompanhadas de mensagens como: "Você os ajudou a desenhar o Ninho do Pássaro, mas eles o colocaram numa gaiola", disse um doador, referindo-se à participação de Ai no projeto do magnífico estádio construído para a Olimpíada de 2008.
Nesta segunda-feira, o jornal Global Times, um dos mais nacionalistas do regime comunista chinês, acusou Ai de "levantar fundos ilegalmente". Em um editorial rancoroso, no pior estilo das ditaduras, o jornal alegou que "essas pessoas representam um número extremamente pequeno quando comparado com o total da população chinesa", de 1,4 bilhão de habitantes, "que se opõe a posições políticas radicais e de confrontação".
No domingo, depois que o blogue de Ai foi bloqueado pelo Estado policial chinês, várias pessoas foram até sua casa, na periferia de Beijim, e jogaram aviões de papel feitos com notas de cem renminbis, a moeda chinesa, conta o jornal The New York Times.
"Durante os últimos três anos, me senti como se estivesse chorando sozinho no meio de um túnel escuro", comentou o artista e dissidente. "Mas agora as pessoas acharam uma maneira de expressar seus sentimentos. Isto é maravilhoso."
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Nenhum comentário:
Postar um comentário