No fim da Segunda Guerra Mundial, em maio de 1945, a Alemanha foi ocupada e dividida pelos Estados Unidos, a União Soviética, o Reino Unido e a França. Sua capital, Berlim, ficou no setor soviético e também foi dividida em quatro.
Em 1948, para pressionar os aliados ocidentais no início da Guerra Fria, o ditador soviético Josef Stalin decretou o Bloqueio de Berlim, a segunda crise do conflito entre as superpotências, depois de problemas entre o Irã e a URSS, em 1946. Foi uma reação à aprovação do Plano Marshall, que Stalin chamou de “imperalismo do dólar”.
De 24 de junho de 1948 a 11 de maio de 1949, a passagem por terra da Alemanha Ocidental para Berlim Ocidental foi fechada por ordem do Kremlin. Neste período, mais de 200 mil voos levaram 13 mil toneladas de comida e outros suprimentos para a cidade sitiada.
Quando ficou evidente que o bloqueio não estava funcionando e que a ponte aérea era instrumento de propaganda do Ocidente, a URSS suspendeu o cerco. O aeroporto de Tempelhof, em Berlim Ocidental, foi transformado em museu da ponte aérea montada para furar o bloqueio.
Em 7 de outubro de 1949, a República Democrática da Alemanha, a Alemanha Oriental, nascia oficialmente, reunindo cinco estados da parte central da antiga Alemanha: Meclemburgo-Pomerânia Ocidental, Brandemburgo, Saxônia, Alta Saxônia e Turíngia. Os territórios à margem oriental dos rios Oder e Neisse foram entregues à Polônia para compensá-la pelas terras tomadas pela URSS.
Pelo total de mortos na Segunda Guerra Mundial, 27 milhões de soviéticos e 11 milhões de alemães, foi, acima de tudo, uma guerra entre a Alemanha e a URSS. Stalin aproveitou a ocupação para exigir reparações de guerra.
Em 16 de junho de 1953, o regime comunista alemão-oriental decretou um aumento de 10% na cota de produção dos operarios que construíam uma nova avenida em Berlim Oriental, a Stalinalle, hoje Karl Marx Allee. No dia seguinte, um movimento sindical de protesto se espalhou pelo país levando a uma grave de mais de um milhão de pessoas.
O governo alemão pediu a ajuda da URSS, que usou tanques contra a multidão. Pelo menos 50 pessoas morreram. Cerca de 10 mil foram presas e condenadas pelo Levante de 1953.
Com a ajuda do Plano Marshall, a República Federal da Alemanha, também fundada em 1949, cresceu e se recuperou, atraindo cada vez mais alemães do Leste. Descontentes com a falta de liberdade de oportunidades no regime comunista, cada vez mais eles “votavam com os pés”. Cerca de 3,5 milhões fugiram para o Ocidente.
CONSTRUÇÃO DO MURO
Na noite de 12 para 13 de agosto de 1961, a fronteira com Berlim Ocidental foi fechada. Começava a construção do Muro de Berlim. A cidade se tornava um enclave capitalista.
Durante quase todo o tempo de sua existência, a ordem era atirar para matar em quem tentasse cruzar o Muro de Berlim. Cerca de 200 pessoas morreram tentando fugir (136, segundo um centro de pesquisa de Potsdam que está investigando detalhes dessas mortes). Cerca de 5 mil conseguiram escapar.
A história do Muro está contada no Museu do Check Point Charlie, um dos principais postos de fronteira onde se podia atravessar o Muro. Tem diversos instrumentos usados em tentativas de fuga, inclusive um motor aquático para fugir por baixo da água. Lá, estão as placas do tempo da Guerra Fria, do tipo "Vocé Está Deixando o Setor Americano".
A construção do Muro coincide com um período de elevada tensão na Guerra Fria. Em 15 de abril de 1961, houve a frustrada tentativa de exilados cubanos apoiados pela Agência Central de Inteligência (CIA), a agência de espionagem dos EUA, de invadir a Baía dos Porcos, em Cuba. Isso levaria à tentativa de instalação de mísseis soviéticos em Cuba.
A Crise dos Mísseis (14 a 27 de outubro de 1962) foi o momento de maior tensão da Era Atômica. O mundo nunca esteve tão perto de uma guerra nuclear. Na época, ficou decidido que uma linha telefônica direta ligaria permanentemente a Casa Branca ao Kremlin para desarmar crises mundiais através da comunicação direta. O telefone vermelho começou a funcionar em 30 de agosto de 1963.
No mesmo ano, tanques soviéticos e americanos ficaram frente a frente em posição ameaçadora numa rua de Berlim. Em 26 de junho de 1963, Kennedy fez um famoso discurso Eu Sou um Berlinense diante do Muro: “Todos os homens livres, onde quer que vivam, são cidadãos de Berlim. Portanto, como um homem livre, tenho orgulho das palavras: Ich bin ein Berliner.”
Para aliviar as tensões e evitar que a Alemanha fosse palco da primeira batalha da Guerra Fria, em 1969, o primeiro-ministro social-democrata alemão-ocidental Willy Brandt lançou sua nova Ostpolitik, política para a Alemanha Oriental, numa tentativa de mudar o regime comunista através da reaproximação, do estabelecimento de laços diplomáticos, econômicos e culturais.
Em 1970, Brandt assinou o Tratado de Moscou, renunciando ao uso da força e reconhecendo as fronteiras da Europa, e o Tratado de Varsóvia, reconhecendo a fronteira polonesa nos rios Oder e Neisse. Em 1972, fechou o controvertido Tratado Básico com a Alemanha Oriental, estabelecendo relações diplomáticas entre os dois países.
ERA GORBACHEV
O Muro começou a ruir com a ascensão de Mikhai Gorbachev à liderança do Partido Comunista da União Soviética, em 11 de marco de 1985. Sua abertura democrática (glasnost) e sua reestruturação econômica (perestroika) foram mal recebidas pelos stalinistas da Alemanha Oriental, liderados por Erich Honecker, um entusiasta do Muro.
Dois meses antes do início da construção, o então líder do partido Walter Ulbricht, negou que seria construído, mas aparentemente mudou de ideia ao receber um telefonema do primeiro-ministro soviético, Nikita Kruschev, em 1º de agosto de 1961.
Em discurso diante do muro em 12 de junho de 1987, outro presidente americano, Ronald Reagan, fez um apelo a Gorbachev para derrubar o Muro.
Em 5 de abril de 1989, na Polônia, o sindicato livre Solidariedade fez um acordo com o regime comunista para participar de eleições, que venceu por maioria esmagadora em 4 e 18 de junho, perdendo apenas duas cadeiras das que pôde disputar.
Em 2 de maio, a Hungria rompeu a Cortina de Ferro. Começou a demanchar a cerca eletrificada na fronteira com a Áustria. Em 23 de agosto, em plenas férias de verão na Europa, todas as barreiras nas fronteiras da Hungria tinham caído.
Cidadãos dos países comunistas da Europa Oriental iam para a Hungria e cruzavam para o Ocidente. Cerca de 13 mil alemães-orientais fugiram via Áustria.
Quando começaram a ser mandados de volta da fronteira por pressão da Alemanha Oriental, invadiram embaixadas da Alemanha Oriental em Budapeste e Praga. O ministro do Exterior alemão-ocidental, Hans-Dietrich Genscher, foi pessoalmente a Praga. Os fugitivos foram autorizados a emigrar para a Alemanha Ocidental
O Muro de Berlim, em sua quarta geração, com blocos de concreto de 4 m de altura, resistia à avalanche democrática. Mas, desde setembro, as manifestações de massa de tornaram frequentes.
Em outubro de 1989, a Alemanha Oriental celebrou seus 40 anos com a presença de delegações dos partidos da esquerda brasileira. Mas o veterano líder linha-dura Honecker, que previra em janeiro que o Muro duraria mais cem anos, foi substituído por Egon Krenz, mais tolerante com a fuga dos alemães-orientais através dos países vizinhos.
Em 4 de novembro, um milhão de pessoas se reuniram na Alexanderplatz, no coração de Berlim Oriental, para pedir a abertura do regime.
Estive lá em 1990 e depois em 1998, na primeira eleição do Schröder, quando a praça já estava tomada pelos ex-comunistas do antigo Partido Socialista Unificado, o partido comunista da Alemanha Oriental, que mudou de nome para Partido Democrático Socialista e se fundiu com dissidentes do Partido Social-Democrata para formar um novo partido, A Esquerda.
O pessoal que realmente iniciou o movimento da sociedade civil pelo fim do comunismo formou a Aliança 90, aliada no Leste dOs Verdes. O partido verde alemão é o mais importante do mundo. Esteve no poder em aliança com o Partido Social-Democrata SPD na coligação verde-rosa, sob Schröder.
Sob pressão da fuga em massa que importunava outros países e dos protestos de rua, em 9 de novembro de 1989, o Politburo do partido comunista decidiu permitir que os alemães-orientais saíssem do país para visitar a Alemanha Ocidental através das fronteiras do país.
Com pouco mais do que uma nota em mãos, o encarregado de dar a notícia, o secretário de Propaganda do partido, Günter Schabowski, foi para uma entrevista coletiva fazer o anúncio. Disse que, pelas novas regras, os alemães-orientais poderiam viajar ao exterior. Bastava apresentar o passaporte na fronteira.
Diante de uma pergunta inesperada de um jornalista italiano, acrescentou que a medida entraria em vigor imediatamente.
Dezenas de milhares de alemães-orientais foram para os postos de fronteira em Berlim para cruzar o Muro. Os guardas não sabiam o que fazer. Ligaram para seus superiores, que não tinham sido informados da decisão confusa do Politburo. Cederam para evitar um banho de sangue como o que acontecera na Praça da Paz Celestial, em Pequim.
Os alemães cruzaram e pularam o Muro em diversos pontos. Tenho amigos que me disseram que, quando voltaram, no meio da madrugada, havia soldados postados ao longo de todo o lado oriental, o que foi interpretado como sinal de que o regime ainda estava em dúvida quanto à abertura total.
No dia seguinte, foi anunciada a abertura de mais 10 pontos de passagem. Antes do Natal, cidadãos das duas Alemanhas podiam viajar livremente entre os dois países.
Em 22 de dezembro, foi aberta a Porta de Brandemburgo, um dos principais pontos de Berlim, local das grandes celebrações de Ano Novo. Do lado oriental, leva à Unter den Linden (Avenida das Tílias), um dos lugares bonitos da antiga Berlim Oriental, onde as paredes dos prédios históricos ainda estava cravejadas pelas balas da Segunda Guerra Mundial.
LOCAIS HISTÓRICOS
Ao lado do Reichtstag, sede do Parlamento Alemão, a Porta de Brandemburgo é o principal símbolo de Berlim, Tem também a igreja da avenida Kurfurtensdam, que foi bombardeada e é mantida em ruínas como memória histórica, e a Coluna da Vitória.
O Mitte (Centro) da antiga Berlim Oriental se tornou um dos bairros mais agitados da festiva noite berlinense, para onde foram os artistas plásticos em busca de aluguéis mais baratos e espaço.
Um dos grandes marcos da reunificação da cidade é a Potzdamerplatz, onde em 1928, foi instalado o primeiro sinal de trânsito na Europa. Durante a Guerra Fria, a Potzdamer Platz sumiu. Ficava na terra de ninguém entre os dois lados do Muro. Ali, foi construído um grande centro comercial, com lojas, cinemas, teatros, restaurantes e galerais de arte para celebrar a Alemanha moderna.
REUNIFICAÇÃO
A queda do Muro foi uma bênção para o chanceler (primeiro-ministro) conservador Helmut Kohl, que governava a Alemanha Ocidental desde 1982, depois de romper uma longa hegemonia do SPD que vinha desde 1969.
Kohl estava mal nas pesquisas, mas o trem da História passou e ele pegou uma carona.
Em 1990, as potências ocupantes renunciaram a todos os seus direitos sobre o território alemão. A URSS saiu fora, e os ocidentais ficaram por causa da OTAN.
Em 3 de outubro de 1990, a Alemanha estava reunificada sob a liderança de Kohl que venceu mais uma eleição. A atual chanceler, Angela Merkel, é do Leste e lidera o partido de Kohl, a União Democrata-Cristã (CDU), que venceu as eleições de 27 de setembro deste ano.
Para conquistar o apoio politico dos alemães-orientais, Kohl cometeu o que é considerado o grande erro econômico da reunificação. No mercado, o marco oriental valia seis vezes menos do que o marco alemão-ocidental.
Numa decisão política, Kohl resolveu converter poupanças, salários e pensões na cotação de um por um. Isso aumentou artificialmente os custos e preços do lado oriental e acabou sendo um obstáculo à absorção do Leste pela Alemanha Ocidental.
A nova Alemanha investiu até hoje 1,3 trilhão de euros na antiga Alemanha Oriental. A taxa de juros subiu para financiar tudo isso, pressionando moedas europeias mais fracas, como a lira e a libra, que sofreram fortes desvalorizações em 1992.
ÚLTIMAS ELEIÇÕES
Kohl ainda se reelegeu em 1994 e completou 16 anos no poder. A esquerda só voltou ao poder com Gerhard Schröder, cujo slogan de campanha era Neue Mitte (Novo Centro). Ele se apresentava como uma espécie de Tony Blair alemão, um modernizador que traria a social-democracia mais para o centro para ganhar eleições.
Schröder era um politico pragmático que fechou diversos acordos de bastidores. Nunca teve uma visão programática e ideológica capaz de relançar o SPD a seus momentos de glória. Na verdade, os grandes partidos, o SPD e a CDU, perderam muito espaço para partidos menores nas últimas décadas.
Com algumas reformas liberalizantes, Schröder conseguiu acelerar o crescimento da estagnada economia alemã e reduzir o desemprego, que atingia 4 milhões quando ele se elegeu, em setembro de 1998.
O crescimento e a oposição à invasão do Iraque lhe valeram a reeleição em 2002. Em 2005, ele perdeu por pequena margem para a atual chanceler Angela Merkel, que passou a governar numa grande aliança com o SPD até vencer as eleições de setembro de 2009.
Schröder governou em aliança com Os Verdes, com Joschka Fischer, um ex-líder estudantil e radical dos anos 60 que virou estadista, como ministro do Exterior. Fischer desafiou o então secretário da Defesa dos EUA, Donald Rumsfeld, quando a Alemanha, como membro temporário do Conselho de Segurança, foi contra a invasão do Iraque, provocando um grande racha na aliança transatlântica, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).
No Kossovo, a Alemanha voltou a entrar em guerra pela primeira vez desde o fim da Segunda Guerra Mundial. Em uma convenção dOs Verdes, militantes e Fischer, na mesa, se acusavam de Hitler porque a Alemanha voltaria a entrar em combate na Guerra do Kossovo, em 1999.
A Alemanha quer mudar, mas é um pais maior e mais desigual, mais desequilibrado depois da reunificação, maior do que a aliada França. Isso abalou o eixo central da integração europeia, sob tremendas pressões da globalização,
O modelo social-democrata, símbolo da estabilidade, da paz e da prosperidade do pós-guerra, está ameaçado.
Uma crise que a Alemanha não esperava e acredita que não criou abalou inclusive o sistema financeiro alemão, que tinha excesso de poupança para aplicar, então investiu nos papéis que micaram.
As exportações desabaram. No primeiro semestre, a China superou a Alemanha e se tornou a maior exportadora mundial de produtos industriais.
A Alemanha compete com sua engenharia de ponta, mas seus custos são muito superiores aos da China, Índia, Sudeste Asiático, América Latina e Europa Oriental. A maior cidade industrial da Alemanha hoje é São Paulo, onde as empresas alemães criam mais valor.
Nas eleições de 2005, nenhum partido ganhou um mandato claro. Merkel governou com o SPD do ministro do Exterior, Frank-Walter Steinmeier.
Só agora pôde fazer aliança com os liberais-democratas do FDP, partido que tradicionalmente era o fiel da balança, fazia alianças com a CDU e o SPD para formar o governo.
Longe do poder, o FDP se tornou um partido mais liberal economicamente, a favor de desburocratização, desregulamentação, corte de impostos e subsídios, e reforma das leis de negociação coletiva de salários. Seu líder é Guido Westerwelle, novo ministro do Exterior alemão.
Merkel teme a volta da inflação com o aumento do endividamento público e gostaria de impor mais disciplina ao mercado financeiro. Steinmeier prometia pleno emprego dentro de alguns anos, o que parece impossível.
Resultado: o SPD sofreu sua maior derrota desde as eleições que levaram Hitler ao poder, em 1932.
A Alemanha é uma sociedade complexa, em larga medida introvertida e insegura quanto ao futuro, em crise de identidade, com dificuldades para manter a estabilidade, a harmonia e a paz social conquistadas com a economia social de mercado do modelo social-demcrata. Sua saída é a Europa, mas a UE dos 27 se tornou grande demais e também vive sua crise de identidade.
De qualquer maneira, é um país rico, moderno e bem-sucedido, que está na vanguarda da ciência, da cultura e das artes, berço de poetas e filósofos - e vai continuar sendo um dos mais importantes do mundo.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Chávez prepara guerra contra a Colômbia
Em mais uma de suas corriqueiras bravatas, o presidente Hugo Chávez mandou as Forças Armadas da Venezuela se prepararem para a guerra contra a Colômbia.
No seu programa dominical Alô Presidente, o caudilho venezuelano afirmou que "o governo da Colômbia não está em Bogotá, está nos Estados Unidos", numa referência ao acordo em que o governo colombiano autorizou o uso de sete bases militares do país pelos americanos.
No seu programa dominical Alô Presidente, o caudilho venezuelano afirmou que "o governo da Colômbia não está em Bogotá, está nos Estados Unidos", numa referência ao acordo em que o governo colombiano autorizou o uso de sete bases militares do país pelos americanos.
domingo, 8 de novembro de 2009
Iraque aprova lei para eleições de 16 de janeiro
Depois de uma série de negociações de última hora, a Assembleia Nacional do Iraque aprovou a lei para as eleições parlamentares de 16 de janeiro.
A Comissão Eleitoral considera o tempo escasso para organizar o pleito, mas os políticos estão decididos a manter a data de votação. Será mais um teste para a ordem criada pelos Estados Unidos no Iraque depois da invasão do país para derrubar o ditador Saddam Hussein, em março de 2003.
A Comissão Eleitoral considera o tempo escasso para organizar o pleito, mas os políticos estão decididos a manter a data de votação. Será mais um teste para a ordem criada pelos Estados Unidos no Iraque depois da invasão do país para derrubar o ditador Saddam Hussein, em março de 2003.
EUA dificultam ajuda à Somália
As Nações Unidas acusaram hoje os Estados Unidos de retardarem a ajuda de alimentos à Somália por medo de que os suprimentos caiam nas mãos de milícias fundamentalistas ligadas à rede terrorista Al Caeda.
Desde o mês passado, o Programa Mundial de Alimentos da ONU reduziu pela metade a ração para certas áreas do país, que vive em estado de anarquia há 18 anos, sem governo nem Estado que funcionem. Em dezembro, pode ficar sem comida.
Desde o mês passado, o Programa Mundial de Alimentos da ONU reduziu pela metade a ração para certas áreas do país, que vive em estado de anarquia há 18 anos, sem governo nem Estado que funcionem. Em dezembro, pode ficar sem comida.
China sobretaxa importação dos EUA, UE e Coreia do Sul
Em mais um conflito comercial em meio à maior queda no comércio internacional das últimas décadas, a China aplicou tarifas antidumping de 5% a 35,4% às importações de ácido adípico dos Estados Unidos, da União Europeia e da Coreia do Sul, uma substância essencial à fabricação de nylon.
A medida foi anunciada hoje pelo Ministério do Comércio da China e entra em vigor nesta segunda-feira, 9 de novembro de 2009. O governo chinês acredita que a substância está sendo vendida abaixo do preço de custo, o que caracteriza o dumping.
É mais uma fricção entre as grandes potências. Na semana passada, os EUA e a China anunciaram um acordo para reduzir barreiras comerciais numa série de setores, como agricultura, alta tecnologia e turismo.
Mas, em setembro, o governo Barack Obama sobretaxou as importações de pneus chineses. A China retaliou aumentando as tarifas de importação de frango, automóveis e autopeças americanas.
No mês passado, o governo chinês aplicou tarifas antidumping de até 36% sobre importações de nylon dos EUA, da UE, da Rússia e de Taiwan.
A medida foi anunciada hoje pelo Ministério do Comércio da China e entra em vigor nesta segunda-feira, 9 de novembro de 2009. O governo chinês acredita que a substância está sendo vendida abaixo do preço de custo, o que caracteriza o dumping.
É mais uma fricção entre as grandes potências. Na semana passada, os EUA e a China anunciaram um acordo para reduzir barreiras comerciais numa série de setores, como agricultura, alta tecnologia e turismo.
Mas, em setembro, o governo Barack Obama sobretaxou as importações de pneus chineses. A China retaliou aumentando as tarifas de importação de frango, automóveis e autopeças americanas.
No mês passado, o governo chinês aplicou tarifas antidumping de até 36% sobre importações de nylon dos EUA, da UE, da Rússia e de Taiwan.
Câmara aprova reforma da saúde nos EUA
Por 220 a 215, com o voto contrário de 31 deputados, a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou agora à noite uma proposta para a reforma do sistema de saúde do país que garante a cobertura para todos os americanos, uma das promessas de campanha do presidente Barack Obama.
O projeto foi aprovado depois de uma mudança de última hora feita pelos líderes do Partido Democrata para impedir a realização de abortos financiados pelo plano de saúde governamental.
A proposta prevê que todos os americanos tenham algum tipo de seguro de saúde. Obama foi pessoalmente ao Capitólio para pressionar pela aprovação da medida.
O custo da reforma está estimado em US$ 1,1 trilhão em 10 anos. A proposta segue agora para o Senado.
O projeto foi aprovado depois de uma mudança de última hora feita pelos líderes do Partido Democrata para impedir a realização de abortos financiados pelo plano de saúde governamental.
A proposta prevê que todos os americanos tenham algum tipo de seguro de saúde. Obama foi pessoalmente ao Capitólio para pressionar pela aprovação da medida.
O custo da reforma está estimado em US$ 1,1 trilhão em 10 anos. A proposta segue agora para o Senado.
Blogueira rebelde é sequestrada em Cuba
A blogueira Yoani Sánchez, que não pôde vir ao Brasil e a outros países da América Latina para o lançamento de seu livro De Cuba, com Carinho, denuncia ter sido sequestrada e agredida por agentes do regime comunista cubano quando ia com amigos para uma manifestação pela paz e contra a violência. No ano passado, ela ganhou o Prêmio de Jornalismo Ortega y Gasset.
Em seu blog Generación Y, a jornalista denunciou o fato como um ataque no estilo da Camorra, a máfia napolitana.
Pelo relato, Yoani foi abordada por três agentes da ditadura dos irmãos Castro que andavam num carro chinês. A China é a nova aliada que ajuda a sustentar o falido regime cubano.
Ela pediu documentos, a identificação dos agentes ou um mandado de prisão. Nada. Então, gritou por ajuda, denunciando o sequestro. A reação dos bandidos governamentais foi direta: "Não se metam. Eles são contrarrevolucionários."
Depois de uma consulta aos chefes por telefone, conta Yoani, os agentes partiram para a agressão para obrigá-los a entrar no carro. Ela pegou um papel do bolso de um deles e mastigou. Foi o suficiente para que, já dentro do carro, a pegassem pelos cabelos e imobilizassem com um joelho no peito enquanto a espancavam nos rins e na cabeça para que soltasse o papel.
Não houve interrogatório nem ela e seu amigo Orlando foram conduzidos a uma delegacia. Simplesmente, foram espancados e jogados na rua.
Pela descrição, a ação tem todas as características de um ato de terrorismo de Estado de um governo cujos países latino-americanos querem ver de volta na Organização dos Estados Americanos (OEA), ignorando a cláusula democrática aprovada em Santiago do Chile em 2001.
É estranho que o governo Lula lute pela democracia em Honduras ao mesmo tempo em que defende a ditadura cubana.
Vinte anos depois da queda do Muro de Berlim, Cuba continua sendo uma prisão, como era a extinta Alemanha Oriental.
Em seu blog Generación Y, a jornalista denunciou o fato como um ataque no estilo da Camorra, a máfia napolitana.
Pelo relato, Yoani foi abordada por três agentes da ditadura dos irmãos Castro que andavam num carro chinês. A China é a nova aliada que ajuda a sustentar o falido regime cubano.
Ela pediu documentos, a identificação dos agentes ou um mandado de prisão. Nada. Então, gritou por ajuda, denunciando o sequestro. A reação dos bandidos governamentais foi direta: "Não se metam. Eles são contrarrevolucionários."
Depois de uma consulta aos chefes por telefone, conta Yoani, os agentes partiram para a agressão para obrigá-los a entrar no carro. Ela pegou um papel do bolso de um deles e mastigou. Foi o suficiente para que, já dentro do carro, a pegassem pelos cabelos e imobilizassem com um joelho no peito enquanto a espancavam nos rins e na cabeça para que soltasse o papel.
Não houve interrogatório nem ela e seu amigo Orlando foram conduzidos a uma delegacia. Simplesmente, foram espancados e jogados na rua.
Pela descrição, a ação tem todas as características de um ato de terrorismo de Estado de um governo cujos países latino-americanos querem ver de volta na Organização dos Estados Americanos (OEA), ignorando a cláusula democrática aprovada em Santiago do Chile em 2001.
É estranho que o governo Lula lute pela democracia em Honduras ao mesmo tempo em que defende a ditadura cubana.
Vinte anos depois da queda do Muro de Berlim, Cuba continua sendo uma prisão, como era a extinta Alemanha Oriental.
Alemanha renasce como líder da Europa unida
Desde que os Estados Unidos entraram na Segunda Guerra Mundial, depois do bombardeio japonês a Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, o presidente Franklin Delano Roosevelt preparava a ordem mundial do pós-guerra. Na Europa, mais uma vez, o desafio era impedir a remilitarização da Alemanha.
É melhor uma Alemanha europeia do que uma Europa alemã.
A maneira de evitar novas guerras na Europa era integrar os povos europeus numa comunidade de modo que eles pudessem resolver pacificamente seus conflitos. Em larga medida, a União das Comunidades Europeias conseguiu transcender à guerra.
Os europeus vão à guerra ocasionalmente, como no Golfo, no Kossovo, no Afeganistão e no Iraque, geralmente com os EUA. Mas não há apoio popular para isso, e os orçamentos militares são pequenos.
Na OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte, criada em 1949 para defender a Europa Ocidental e a América do Norte de uma invasão soviética), as decisões são tomadas por consenso mas 90% das armas de ponta são americanas.
A aliança ficou desequilibrada e pesada. É usada hoje pelos EUA muito mais como um instrumento político do que militar, ou como força subsidiária, de apoio. Mas essa é outra história.
O importante aqui é a paz eterna, sonhada pelo filósofo alemão Immanuel Kant em 1795 no ensaio Paz Perpétua e antes dele pelo Abade St.-Pierre, talvez o primeiro a propor a criação de uma organização internacional para proteger a paz mundial. Para nós, brasileiros e latino-americanos, a guerra é uma realidade distante.
Em alguns lugares de Berlim, a destruição foi preservada, como na Anhalter Banhof, uma estação de trem onde só sobrou a fachada.
COMUNIDADE EUROPEIA
A integração européia nasce com o Plano Schuman, numa referência ao ministro das Relações Exteriores da França na época, Robert Schuman. Foi lançado em 9 de maio de 1950, cinco anos depois do fim da guerra, com o objetivo central de acabar com o conflito franco-alemão. O projeto era de seu assessor Jean Monnet. Eles são considerados os pais da UE, que é o modelo de integração para o Mercosul e a Unasul.
É o marco do início da cooperação entre a França e a Alemanha. O primeiro resultado prático é a criação, em 18 de abril de 1951, da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço. Controlando a produção de carvão e aço, seria possível evitar uma nova corrida armamentista no continente.
A Alemanha se reconstroi com a ajuda do Plano Marshall e volta a ser uma economia importante. Há um filme do Rainer Werner Fassbinder, O Casamento de Maria Braun, que apresenta a recuperação como uma prostituição do país ao capitalismo americano, uma alegoria da Alemanha dos anos 50. A vitória na Copa de 54 é apresentada ironicamente como um marco do renascimento, do milagre econômico alemão, que segue pelos anos 60 e vai até a crise do petróleo de 1973.
Ao mesmo tempo, os EUA saíam da guerra como superpotência econômica do mundo capitalista, com quase metade da produção industrial e da riqueza.
A nova ordem econômica mundial proposta por Roosevelt na Conferência de Bretton Woods, que criou o Fundo Monetário Internacional e o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), depois Banco Mundial, visava primeiramente evitar a volta da Grande Depressão nos EUA.
Para isso, seria necessário um comércio internacional aberto. Os EUA boicotavam assim todas as tentativas de integração regional porque elas sempre implicariam o surgimento de barreiras aos produtos americanos - e hegemonia é isso, impor sua vontade.
No caso da Europa, era diferente. O Exército Vermelho tinha se mostrado o melhor do mundo. Mais de 80% das tropas alemãs foram derrotadas na frente russa, e a União Soviética ocupou os países que libertou do nazismo na Europa Oriental. Na Guerra Fria, o Ocidente temia que o Exército Vermelho tomasse o resto da Europa.
As diferentes doutrinas de geopolítica sempre discutiram se o mais importante era ter o domínio dos mares ou de grandes massas continentais. Os EUA, com dois oceanos e sem inimigos na vizinhança, são uma potência aeronaval.
Uma tese é que quem domina a Ilha do Mundo (Eurásia e África) domina o mundo. A URSS só precisaria tomar a Europa Ocidental.
Os EUA precisavam de uma Europa capitalista unida e próspera para encarar o desafio comunista. A Europa – e sobretudo a Alemanha – era a primeira fronteira da Guerra Fria. Ali ia começar a guerra para acabar com o mundo.
A Comunidade Econômica Europeia nasce em 1957, quando seis países assinaram o Tratado de Roma: Alemanha, França, Itália, Bélgica, Holanda e Luxemburgo. Nos anos 70, entrariam Dinamarca, Irlanda e Reino Unido. Nos anos 80, Grécia, Espanha e Portugal. Nos anos 90, Áustria, Finlândia e Suécia.
Em 1991, o Tratado de Maastricht, que demorou algum tempo a ser ratificado porque chegou a ser rejeitado na Dinamarca por causa da moeda única, cria a União das Comunidades Europeias, a União Europeia, com a proposta de união econômica, monetária e política.
A queda do Muro de Berlim trouxe novos candidatos, ampliou a UE e retardou o aprofundamento da integração. Entraram muitos países pobres, com níveis de desenvolvimento muito abaixo da média comunitária.
Em 2004, entraram Hungria, Polônia, República Tcheca, Estônia, Letônia, Lituânia, Chipre, Malta, Eslováquia e Eslovênia. Acabava a divisão da Europa feita por Roosevelt, Stalin e Churchill na Conferência da Yalta.
Ainda entraram, em 2007, a Bulgária e a Romênia. Estão na fila a Croácia, a Sérvia (que depende da prisão de Ratko Mladic, general sérvio-bósnio) e a Turquia, que negocia há pelo menos 15 anos.
O euro surge como moeda contábil em 1999 e passa a circular em 2002 como moeda ancorado na rígida disciplina do Bundesbank, o banco central alemão, ainda traumatizado pela hiperinflação de 1923.
A chanceler (primeira-ministra, o cargo de chefe de governo na Alemanha chama-se Kanzler, Bundeskanzler, Chanceler Federal) Angela Merkel se apavora com o envididamento público dos EUA e do Reino Unido para combater a crise. Considera irresponsáveis, assim como a própria cultura dos centros financeiros de Nova York e Londres, onde começou a crise, na visão da Alemanha e da França.
Esses países são aliados do Brasil no G-20, na tentativa de regulamentar o sistema financeiro internacional. O presidente francês, Nicolas Sarkozy insiste em impor limites ao pagamento de bônus para que remunerem o sucesso a longo prazo e quer punir quem causar prejuízo. Nos centros financeiros, será difícil acabar com a cultura dos bônus, vistos como parte inalienável da remuneração dos grandes executivos do setor.
A França e a Alemanha são o eixo central ao redor do qual foi construída a integração. Mas a queda do Muro de Berlim, ao criar uma Alemanha maior, mais populosa e mais poderosa, criou uma assimetria de poder e de interesses que abala esse eixo.
Reunificada, a Alemanha partiu para conquistar o Leste Europeu. Investiu pesadamente na Polônia, na República Tcheca, na Hungria e na Rússia. Os alemães são os maiores investidores estrangeiros na Rússia.
Em todos os países do Leste, invadidos pelos nazistas e ocupados por Stalin, há ressentimento contra a Alemanha e contra a Rússia. Eles viveram espremidos por dois gigantes cruéis. Não é à toa que são aliados fiéis dos EUA.
É melhor uma Alemanha europeia do que uma Europa alemã.
A maneira de evitar novas guerras na Europa era integrar os povos europeus numa comunidade de modo que eles pudessem resolver pacificamente seus conflitos. Em larga medida, a União das Comunidades Europeias conseguiu transcender à guerra.
Os europeus vão à guerra ocasionalmente, como no Golfo, no Kossovo, no Afeganistão e no Iraque, geralmente com os EUA. Mas não há apoio popular para isso, e os orçamentos militares são pequenos.
Na OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte, criada em 1949 para defender a Europa Ocidental e a América do Norte de uma invasão soviética), as decisões são tomadas por consenso mas 90% das armas de ponta são americanas.
A aliança ficou desequilibrada e pesada. É usada hoje pelos EUA muito mais como um instrumento político do que militar, ou como força subsidiária, de apoio. Mas essa é outra história.
O importante aqui é a paz eterna, sonhada pelo filósofo alemão Immanuel Kant em 1795 no ensaio Paz Perpétua e antes dele pelo Abade St.-Pierre, talvez o primeiro a propor a criação de uma organização internacional para proteger a paz mundial. Para nós, brasileiros e latino-americanos, a guerra é uma realidade distante.
Em alguns lugares de Berlim, a destruição foi preservada, como na Anhalter Banhof, uma estação de trem onde só sobrou a fachada.
COMUNIDADE EUROPEIA
A integração européia nasce com o Plano Schuman, numa referência ao ministro das Relações Exteriores da França na época, Robert Schuman. Foi lançado em 9 de maio de 1950, cinco anos depois do fim da guerra, com o objetivo central de acabar com o conflito franco-alemão. O projeto era de seu assessor Jean Monnet. Eles são considerados os pais da UE, que é o modelo de integração para o Mercosul e a Unasul.
É o marco do início da cooperação entre a França e a Alemanha. O primeiro resultado prático é a criação, em 18 de abril de 1951, da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço. Controlando a produção de carvão e aço, seria possível evitar uma nova corrida armamentista no continente.
A Alemanha se reconstroi com a ajuda do Plano Marshall e volta a ser uma economia importante. Há um filme do Rainer Werner Fassbinder, O Casamento de Maria Braun, que apresenta a recuperação como uma prostituição do país ao capitalismo americano, uma alegoria da Alemanha dos anos 50. A vitória na Copa de 54 é apresentada ironicamente como um marco do renascimento, do milagre econômico alemão, que segue pelos anos 60 e vai até a crise do petróleo de 1973.
Ao mesmo tempo, os EUA saíam da guerra como superpotência econômica do mundo capitalista, com quase metade da produção industrial e da riqueza.
A nova ordem econômica mundial proposta por Roosevelt na Conferência de Bretton Woods, que criou o Fundo Monetário Internacional e o Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD), depois Banco Mundial, visava primeiramente evitar a volta da Grande Depressão nos EUA.
Para isso, seria necessário um comércio internacional aberto. Os EUA boicotavam assim todas as tentativas de integração regional porque elas sempre implicariam o surgimento de barreiras aos produtos americanos - e hegemonia é isso, impor sua vontade.
No caso da Europa, era diferente. O Exército Vermelho tinha se mostrado o melhor do mundo. Mais de 80% das tropas alemãs foram derrotadas na frente russa, e a União Soviética ocupou os países que libertou do nazismo na Europa Oriental. Na Guerra Fria, o Ocidente temia que o Exército Vermelho tomasse o resto da Europa.
As diferentes doutrinas de geopolítica sempre discutiram se o mais importante era ter o domínio dos mares ou de grandes massas continentais. Os EUA, com dois oceanos e sem inimigos na vizinhança, são uma potência aeronaval.
Uma tese é que quem domina a Ilha do Mundo (Eurásia e África) domina o mundo. A URSS só precisaria tomar a Europa Ocidental.
Os EUA precisavam de uma Europa capitalista unida e próspera para encarar o desafio comunista. A Europa – e sobretudo a Alemanha – era a primeira fronteira da Guerra Fria. Ali ia começar a guerra para acabar com o mundo.
A Comunidade Econômica Europeia nasce em 1957, quando seis países assinaram o Tratado de Roma: Alemanha, França, Itália, Bélgica, Holanda e Luxemburgo. Nos anos 70, entrariam Dinamarca, Irlanda e Reino Unido. Nos anos 80, Grécia, Espanha e Portugal. Nos anos 90, Áustria, Finlândia e Suécia.
Em 1991, o Tratado de Maastricht, que demorou algum tempo a ser ratificado porque chegou a ser rejeitado na Dinamarca por causa da moeda única, cria a União das Comunidades Europeias, a União Europeia, com a proposta de união econômica, monetária e política.
A queda do Muro de Berlim trouxe novos candidatos, ampliou a UE e retardou o aprofundamento da integração. Entraram muitos países pobres, com níveis de desenvolvimento muito abaixo da média comunitária.
Em 2004, entraram Hungria, Polônia, República Tcheca, Estônia, Letônia, Lituânia, Chipre, Malta, Eslováquia e Eslovênia. Acabava a divisão da Europa feita por Roosevelt, Stalin e Churchill na Conferência da Yalta.
Ainda entraram, em 2007, a Bulgária e a Romênia. Estão na fila a Croácia, a Sérvia (que depende da prisão de Ratko Mladic, general sérvio-bósnio) e a Turquia, que negocia há pelo menos 15 anos.
O euro surge como moeda contábil em 1999 e passa a circular em 2002 como moeda ancorado na rígida disciplina do Bundesbank, o banco central alemão, ainda traumatizado pela hiperinflação de 1923.
A chanceler (primeira-ministra, o cargo de chefe de governo na Alemanha chama-se Kanzler, Bundeskanzler, Chanceler Federal) Angela Merkel se apavora com o envididamento público dos EUA e do Reino Unido para combater a crise. Considera irresponsáveis, assim como a própria cultura dos centros financeiros de Nova York e Londres, onde começou a crise, na visão da Alemanha e da França.
Esses países são aliados do Brasil no G-20, na tentativa de regulamentar o sistema financeiro internacional. O presidente francês, Nicolas Sarkozy insiste em impor limites ao pagamento de bônus para que remunerem o sucesso a longo prazo e quer punir quem causar prejuízo. Nos centros financeiros, será difícil acabar com a cultura dos bônus, vistos como parte inalienável da remuneração dos grandes executivos do setor.
A França e a Alemanha são o eixo central ao redor do qual foi construída a integração. Mas a queda do Muro de Berlim, ao criar uma Alemanha maior, mais populosa e mais poderosa, criou uma assimetria de poder e de interesses que abala esse eixo.
Reunificada, a Alemanha partiu para conquistar o Leste Europeu. Investiu pesadamente na Polônia, na República Tcheca, na Hungria e na Rússia. Os alemães são os maiores investidores estrangeiros na Rússia.
Em todos os países do Leste, invadidos pelos nazistas e ocupados por Stalin, há ressentimento contra a Alemanha e contra a Rússia. Eles viveram espremidos por dois gigantes cruéis. Não é à toa que são aliados fiéis dos EUA.
sábado, 7 de novembro de 2009
Sindicalistas impedem distribuição de jornais
Em mais uma tentativa de censurar a imprensa, pelo segundo dia seguido, ativistas do Sindicato dos Caminhoneiros mobilizados pelo secretário-geral da Confederação Geral do Trabalho (CGT) da Argentina, Hugo Moyano, bloquearam na madrugada de hoje as oficinas dos jornais Clarín e La Nación, e da revista Noticias, críticos do governo Cristina Kirchner.
Moyano é um dos principais aliados do ex-presidente Néstor Kirchner dentro do Partido Justicialista ou peronista.
"É preciso contextualizar esta ação no clima de agressão e hostilidade contra a imprensa na Argentina, do qual não têm sido alheios setores ligados ao poder político", protestou, em nota, a Associação das Entidades Jornalísticas Argentinas.
O casal Kirchner discrimina os jornais de oposição na distribuição das verbas da publicidade oficial, enviou mais de 200 fiscais do imposto de renda para uma operação no Clarín e conseguiu aprovar às pressas uma nova lei de telerradiodifusão, enquanto ainda tem maioria no Congresso.
Mesmo antecipando as eleições de meio de mandato para 28 de junho, por medo de que a profunda crise econômica interna se agravasse, os Kirchner perderam, mas os novos deputados e senadores só assumem em dezembro. Antes disso, o governo usou seu rolo compressor para aprovar a nova legislação sobre meios audiovisuais, que vai obrigar o Clarín e a empresa que edita o jornal espanhol El País a devolverem centenas de licenças de operação.
Moyano é um dos principais aliados do ex-presidente Néstor Kirchner dentro do Partido Justicialista ou peronista.
"É preciso contextualizar esta ação no clima de agressão e hostilidade contra a imprensa na Argentina, do qual não têm sido alheios setores ligados ao poder político", protestou, em nota, a Associação das Entidades Jornalísticas Argentinas.
O casal Kirchner discrimina os jornais de oposição na distribuição das verbas da publicidade oficial, enviou mais de 200 fiscais do imposto de renda para uma operação no Clarín e conseguiu aprovar às pressas uma nova lei de telerradiodifusão, enquanto ainda tem maioria no Congresso.
Mesmo antecipando as eleições de meio de mandato para 28 de junho, por medo de que a profunda crise econômica interna se agravasse, os Kirchner perderam, mas os novos deputados e senadores só assumem em dezembro. Antes disso, o governo usou seu rolo compressor para aprovar a nova legislação sobre meios audiovisuais, que vai obrigar o Clarín e a empresa que edita o jornal espanhol El País a devolverem centenas de licenças de operação.
Brasil põe desequilíbrio cambial na agenda do G-20
Por iniciativa do Brasil, a reunião ministerial do Grupo dos 20 (19 países mais ricos do mundo e a União Europeia) realizada neste fim de semana na Escócia incluiu a questão cambial na agenda das discussões sobre como superar a crise econômica mundial.
O real é uma das moedas que mais se valorizaram diante do dólar, minando a competitividade das exportações brasileiras de produtos manufaturados, que se tornaram mais caros diante da concorrência. Quem mais se beneficia é a China, que vem ganhando mercado da indústria brasileira no mercado latino-americano.
Diante do colapso das exportações com a Grande Recessão, a China voltou a colar, na prática, a moeda chinesa, o iuã, no dólar. Há alguns anos, o iuã flutuava com base numa cesta de moedas. Desde o ano passado, passou a acompanhar o dólar, aumentando a competitividade das exportações em todos os países cujas moedas se desvalorizaram.
Com o câmbio flutuante, a lógica econômica indica que a moeda chinesa deveria se valorizar por causa do expressivo saldo comercial chinês e do grande influxo de investimentos externos no país. Ao manter a moeda subvalorizada, a China faz com que outras moedas, como o euro, paguem o custo da desvalorização do dólar.
Essa desvalorização traz um sério risco para o equilíbrio da economia global. Os investidores estão tomando dinheiro emprestado em dólares no momento em que a taxa básica de juros da economia dos Estados Unidos está em praticamente zero. Vendem esses dólares para aplicar em países com taxas de retorno maior, como o Brasil, onde a taxa básica está em 8,75%.
Ao fazerem isso, jogam o dólar ainda mais para baixo e valorizam moedas como o real.
Para o Brasil, chegou a hora de enfrentar a China, maior rival na disputa pelo mercado latino-americano, o único para onde o Brasil tem vendas externas significativas de produtos manufaturados.
Não se trata (ainda) de abrir uma guerra comercial, mas de não aceitar uma posição subalterna em relação à superpotência emergente, que não hesita em usar seu poderio, pressionar mercados e países fracos, e manipular o câmbio em defesa de seus interesses nacionais.
Apesar do governo Lula ver uma aliança ideológica com a China e uma possibilidade de reduzir a influência internacional dos EUA, inclusive substituindo o dólar por outra moeda internacional, neste caso específico do desequilíbrio cambial o Brasil está mais perto dos EUA.
Num globalizado e multipolar, é preciso negociar com todos os países, especialmente com os grandes, inclusive para evitar o surgimento de novas hegemonias.
O real é uma das moedas que mais se valorizaram diante do dólar, minando a competitividade das exportações brasileiras de produtos manufaturados, que se tornaram mais caros diante da concorrência. Quem mais se beneficia é a China, que vem ganhando mercado da indústria brasileira no mercado latino-americano.
Diante do colapso das exportações com a Grande Recessão, a China voltou a colar, na prática, a moeda chinesa, o iuã, no dólar. Há alguns anos, o iuã flutuava com base numa cesta de moedas. Desde o ano passado, passou a acompanhar o dólar, aumentando a competitividade das exportações em todos os países cujas moedas se desvalorizaram.
Com o câmbio flutuante, a lógica econômica indica que a moeda chinesa deveria se valorizar por causa do expressivo saldo comercial chinês e do grande influxo de investimentos externos no país. Ao manter a moeda subvalorizada, a China faz com que outras moedas, como o euro, paguem o custo da desvalorização do dólar.
Essa desvalorização traz um sério risco para o equilíbrio da economia global. Os investidores estão tomando dinheiro emprestado em dólares no momento em que a taxa básica de juros da economia dos Estados Unidos está em praticamente zero. Vendem esses dólares para aplicar em países com taxas de retorno maior, como o Brasil, onde a taxa básica está em 8,75%.
Ao fazerem isso, jogam o dólar ainda mais para baixo e valorizam moedas como o real.
Para o Brasil, chegou a hora de enfrentar a China, maior rival na disputa pelo mercado latino-americano, o único para onde o Brasil tem vendas externas significativas de produtos manufaturados.
Não se trata (ainda) de abrir uma guerra comercial, mas de não aceitar uma posição subalterna em relação à superpotência emergente, que não hesita em usar seu poderio, pressionar mercados e países fracos, e manipular o câmbio em defesa de seus interesses nacionais.
Apesar do governo Lula ver uma aliança ideológica com a China e uma possibilidade de reduzir a influência internacional dos EUA, inclusive substituindo o dólar por outra moeda internacional, neste caso específico do desequilíbrio cambial o Brasil está mais perto dos EUA.
Num globalizado e multipolar, é preciso negociar com todos os países, especialmente com os grandes, inclusive para evitar o surgimento de novas hegemonias.
Obama deve enviar mais 34 mil ao Afeganistão
O presidente Barack Obama já teria decidido enviar mais 34 mil soldados dos Estados Unidos para a guerra no Afeganistão, mas só fará o anúncio depois de consultar aliados na viagem que fará à Ásia ainda neste mês.
Pelos planos, Obama mandaria mais três brigadas do Exército da 101º Divisão Aerotransportada do Forte Campbell, no Kentucky, e da 10ª Divisão de Montanha do Forte Drum, em Nova York, e uma brigada do Corpo de Fuzileiros Navais, num total de mais 23 mil tropas de combate e de apoio.
As brigadas do Exército tem de 3,5 mil a 5 mil soldados; a dos fuzileiros navais, 8 mil.
Outros 7 mil soldados e tropas de apoio iriam para um novo quartel-regional do Comando Regional Sul da força internacional, com sede em Kandahar, o berço da Milícia dos Talebã.
As primeiras forças de combate deste novo contingente chegaria ao Afeganistão em março, e as outras três brigadas em intervalos de três meses. Todos os reforços entrariam em ação até o fim de 2010.
Pelos planos, Obama mandaria mais três brigadas do Exército da 101º Divisão Aerotransportada do Forte Campbell, no Kentucky, e da 10ª Divisão de Montanha do Forte Drum, em Nova York, e uma brigada do Corpo de Fuzileiros Navais, num total de mais 23 mil tropas de combate e de apoio.
As brigadas do Exército tem de 3,5 mil a 5 mil soldados; a dos fuzileiros navais, 8 mil.
Outros 7 mil soldados e tropas de apoio iriam para um novo quartel-regional do Comando Regional Sul da força internacional, com sede em Kandahar, o berço da Milícia dos Talebã.
As primeiras forças de combate deste novo contingente chegaria ao Afeganistão em março, e as outras três brigadas em intervalos de três meses. Todos os reforços entrariam em ação até o fim de 2010.
Alemanha, mãe pálida*
A Alemanha é hoje a maior economia europeia e quarta do mundo, segunda maior exportadora de produtos industriais, recentemente superada pela China por causa da crise. É um país moderno, pacífico e desenvolvido. A excelência de sua engenharia compensa os altos custos de produção.
A Alemanha reunificada (a Alemanha foi unificada por Bismarck em 1871, no fim da Guerra Franco-Prussiana) é a primeira filha do mundo pós-Guerra Fria, que dividiu a Alemanha.
Toda ascensão de grandes potências provoca tensões e guerras. A China promete não seguir o exemplo da Alemanha e da União Soviética.
A ascensão da Alemanha provocou duas guerras mundiais (1914-18 e 1939-45). Claro que os outros europeus não foram santos na grande guerra civil europeia, mas a Alemanha esteve no centro de tudo desde a unificação promovida pelo marechal de ferro original, Otto von Bismarck, em 1871, no fim da Guerra Franco-Prussiana.
Bismarck observou que estar no centro do continente e não ter fronteiras naturais era a vantagem e a desvantagem da Alemanha, um país vulnerável (não esqueçam que a Inglaterra é um navio que Deus na Mancha ancorou, como disse Castro Alves) e expansionista.
A Guerra Franco-Prussiana (1870-71) unifica uma série de reinos e principados como a Prússia, a Renânia e a Baviera, criando a Alemanha, sob hegemonia da autoritária Prússia , tomado as regiões francesas da Alsácia e da Lorena, que estão na origem da Primeira Guerra Mundial (1914-18).
Como se industrializou depois da Grã-Bretanha, a Alemanha adota o nacionalismo econômico, pregado por pensadores como Johann Fichte. Bismarck introduz a social-democracia, os direitos sociais e trabalhistas que estão até hoje no centro da economia social de mercado, o modelo econômico da União Europeia.
O Partido Social Democrata (SPD), um dos grandes do país, nasce do movimento operário e da social democracia alemã. Seu líder, Frank-Walter Steinmeier, era ministro do Exterior até ser derrotado nas eleições de setembro pela União Democrata Cristã (CDU) da primeira-ministra Angela Merkel. Foi a pior derrota do SPD desde as eleições de 1932, em plena Grande Depressão, que levaram os nazistas ao poder
Antes do final do século 19, a Alemanha já era a segunda maior economia do mundo, atrás apenas dos EUA, maiores e mais ricos em recursos naturais.
Mas os alemães eram os grandes pensadores, os grandes filósofos (Imanuel Kant, Josef Hegel, Karl Marx, Friedrich Nietzche, entre outros), desprezavam os americanos. O século 20 seria o século da Alemanha. Seria, se a Alemanha não tivesse se autodestruído em duas guerras mundiais.
A ascensão da Alemanha, inclusive como potência colonial, a partir da Conferência de Berlim (1884-85), quando os europeus fizeram a partilha da África, leva ao aumento da tensão e à formação da Tríplice Aliança (Alemanha, Império Austro-Húngaro e Itália), em 1882, e da Tríplice Entente (França, Grã-Bretanha e Rússia), em 1907.
Essas foram as alianças que travaram a Primeira Guerra Mundial de 28 de julho de 1918 a 11 de novembro de 1918. Esta guerra moldou o século 20. Foi responsável pela entrada dos EUA na cena internacional, a partir de 1917, e pela Revolução Russa, no mesmo ano.
Até março de 1918, a Alemanha tinha chance de ganhar, mas a entrada dos EUA e de seus recursos numa Europa arrasada decidiu a guerra.
Derrotada, a Alemanha foi submetida a dívidas de guerra e condições extremamente desfavoráveis na Conferência de Paz de Versalhes.
Para convencer o povo americano da necessidade de intervenção militar na Europa o presidente americano Woodrow Wilson dizia que era “a guerra para acabar com todas as guerras”.
Versalhes foi a paz para acabar com todas as pazes. Como o Congresso dos EUA rejeitou a Convenção da Liga das Nações, uma proposta de Wilson, os EUA retomaram sua posição isolacionista.
Humilhada e arrasada, a Alemanha deixa de ser um império (Wilson achava que a culpa da guerra era dos impérios e da aristocracia, da falta de democracia) e tenta uma breve experiência liberal na República de Weimar. Ela fracassa sob o peso de conflitos entre extremistas de direita e de esquerda depois de uma fracassada insurreição comunista, uma hiperinflação histórica de 30 mil por cento em 1923 e finalmente a Grande Depressão (1929-39).
Neste clima de anarquia e instalabilidade social, com o fantasma da revolução bolchevique, hiperinflação e depois a Grande Depressão, cria-se o cenário para a ascensão de um certo partido fundado numa cervejaria de Munique em 1919.
Em 27 de fevereiro de 1933, os nazistas incendiaram o Reichstag, o parlamento alemão (hoje aberto com uma cúpula projetada pelo Norman Foster para dar transparência), e botaram a culpa nos comunistas. Hitler, que havia sido nomeado chanceler (primeiro-ministro) em 30 de janeiro de 1933, pediu poderes especiais ao presidente, marechal Hindenburg, e iniciou uma caçada aos comunistas e depois aos outros partidos, aos judeus, aos homossexuais.
Nas eleições antecipadas de 5 de março de 1933, o Partido Trabalhista Nacional-Socialista Alemão conquistava 44% das cadeiras e, em aliança com outro partido nacionalista, maioria absoluta de 52%.
Os nazistas rejeitaram as restrições impostas por Versalhes e remilitarizaram na Alemanha, transformando-a mais uma vez numa poderosíssima máquina de guerra que enfrentou a União Soviética na frente oriental e a aliança atlântica no Ocidente. Para um país do tamanho da Alemanha, um feito e um custo terrível.
A Alemanha foi ocupada e dividida e assim foi seu status até a queda do Muro, quando finalmente as potências abriram mão de todos os seus direitos sobre território alemão, com a retirada das tropas soviéticas e a manutenção das forças dos aliados ocidentais da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte).
64 anos depois do fim da guerra, ainda há bases militares dos EUA na Alemanha. Mas quase ninguém parece se incomodar com isso.
* Este é o primeiro de uma série de artigos sobre a queda do Muro de Berlim e a reunificação da Alemanha. O título é de um filme sobre o nazismo.
A Alemanha reunificada (a Alemanha foi unificada por Bismarck em 1871, no fim da Guerra Franco-Prussiana) é a primeira filha do mundo pós-Guerra Fria, que dividiu a Alemanha.
Toda ascensão de grandes potências provoca tensões e guerras. A China promete não seguir o exemplo da Alemanha e da União Soviética.
A ascensão da Alemanha provocou duas guerras mundiais (1914-18 e 1939-45). Claro que os outros europeus não foram santos na grande guerra civil europeia, mas a Alemanha esteve no centro de tudo desde a unificação promovida pelo marechal de ferro original, Otto von Bismarck, em 1871, no fim da Guerra Franco-Prussiana.
Bismarck observou que estar no centro do continente e não ter fronteiras naturais era a vantagem e a desvantagem da Alemanha, um país vulnerável (não esqueçam que a Inglaterra é um navio que Deus na Mancha ancorou, como disse Castro Alves) e expansionista.
A Guerra Franco-Prussiana (1870-71) unifica uma série de reinos e principados como a Prússia, a Renânia e a Baviera, criando a Alemanha, sob hegemonia da autoritária Prússia , tomado as regiões francesas da Alsácia e da Lorena, que estão na origem da Primeira Guerra Mundial (1914-18).
Como se industrializou depois da Grã-Bretanha, a Alemanha adota o nacionalismo econômico, pregado por pensadores como Johann Fichte. Bismarck introduz a social-democracia, os direitos sociais e trabalhistas que estão até hoje no centro da economia social de mercado, o modelo econômico da União Europeia.
O Partido Social Democrata (SPD), um dos grandes do país, nasce do movimento operário e da social democracia alemã. Seu líder, Frank-Walter Steinmeier, era ministro do Exterior até ser derrotado nas eleições de setembro pela União Democrata Cristã (CDU) da primeira-ministra Angela Merkel. Foi a pior derrota do SPD desde as eleições de 1932, em plena Grande Depressão, que levaram os nazistas ao poder
Antes do final do século 19, a Alemanha já era a segunda maior economia do mundo, atrás apenas dos EUA, maiores e mais ricos em recursos naturais.
Mas os alemães eram os grandes pensadores, os grandes filósofos (Imanuel Kant, Josef Hegel, Karl Marx, Friedrich Nietzche, entre outros), desprezavam os americanos. O século 20 seria o século da Alemanha. Seria, se a Alemanha não tivesse se autodestruído em duas guerras mundiais.
A ascensão da Alemanha, inclusive como potência colonial, a partir da Conferência de Berlim (1884-85), quando os europeus fizeram a partilha da África, leva ao aumento da tensão e à formação da Tríplice Aliança (Alemanha, Império Austro-Húngaro e Itália), em 1882, e da Tríplice Entente (França, Grã-Bretanha e Rússia), em 1907.
Essas foram as alianças que travaram a Primeira Guerra Mundial de 28 de julho de 1918 a 11 de novembro de 1918. Esta guerra moldou o século 20. Foi responsável pela entrada dos EUA na cena internacional, a partir de 1917, e pela Revolução Russa, no mesmo ano.
Até março de 1918, a Alemanha tinha chance de ganhar, mas a entrada dos EUA e de seus recursos numa Europa arrasada decidiu a guerra.
Derrotada, a Alemanha foi submetida a dívidas de guerra e condições extremamente desfavoráveis na Conferência de Paz de Versalhes.
Para convencer o povo americano da necessidade de intervenção militar na Europa o presidente americano Woodrow Wilson dizia que era “a guerra para acabar com todas as guerras”.
Versalhes foi a paz para acabar com todas as pazes. Como o Congresso dos EUA rejeitou a Convenção da Liga das Nações, uma proposta de Wilson, os EUA retomaram sua posição isolacionista.
Humilhada e arrasada, a Alemanha deixa de ser um império (Wilson achava que a culpa da guerra era dos impérios e da aristocracia, da falta de democracia) e tenta uma breve experiência liberal na República de Weimar. Ela fracassa sob o peso de conflitos entre extremistas de direita e de esquerda depois de uma fracassada insurreição comunista, uma hiperinflação histórica de 30 mil por cento em 1923 e finalmente a Grande Depressão (1929-39).
Neste clima de anarquia e instalabilidade social, com o fantasma da revolução bolchevique, hiperinflação e depois a Grande Depressão, cria-se o cenário para a ascensão de um certo partido fundado numa cervejaria de Munique em 1919.
Em 27 de fevereiro de 1933, os nazistas incendiaram o Reichstag, o parlamento alemão (hoje aberto com uma cúpula projetada pelo Norman Foster para dar transparência), e botaram a culpa nos comunistas. Hitler, que havia sido nomeado chanceler (primeiro-ministro) em 30 de janeiro de 1933, pediu poderes especiais ao presidente, marechal Hindenburg, e iniciou uma caçada aos comunistas e depois aos outros partidos, aos judeus, aos homossexuais.
Nas eleições antecipadas de 5 de março de 1933, o Partido Trabalhista Nacional-Socialista Alemão conquistava 44% das cadeiras e, em aliança com outro partido nacionalista, maioria absoluta de 52%.
Os nazistas rejeitaram as restrições impostas por Versalhes e remilitarizaram na Alemanha, transformando-a mais uma vez numa poderosíssima máquina de guerra que enfrentou a União Soviética na frente oriental e a aliança atlântica no Ocidente. Para um país do tamanho da Alemanha, um feito e um custo terrível.
A Alemanha foi ocupada e dividida e assim foi seu status até a queda do Muro, quando finalmente as potências abriram mão de todos os seus direitos sobre território alemão, com a retirada das tropas soviéticas e a manutenção das forças dos aliados ocidentais da OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte).
64 anos depois do fim da guerra, ainda há bases militares dos EUA na Alemanha. Mas quase ninguém parece se incomodar com isso.
* Este é o primeiro de uma série de artigos sobre a queda do Muro de Berlim e a reunificação da Alemanha. O título é de um filme sobre o nazismo.
El Salvador admite culpa pela morte de Dom Romero
Numa reviravolta histórica, o governo do presidente Mauricio Funes reconheceu a responsabilidade do Estado no assassinato do arcebispo de San Salvador, Dom Oscar Arnulfo Romero, por esquadrãos da morte durante a missa de domingo, em 24 de março de 1980.
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos recomendou ao governo salvadorenho que faça uma investigação policial completa, imparcial e efetiva para identificar, julgar e punir os responsáveis.
Na época, o principal suspeito era o grupo terrorista do major Roberto D'Abuisson, o principal líder dos grupos paramilitares e esquadrões da morte antes e durante a guerra civil salvadorenha.
Dom Romero fazia sermões em defesa dos direitos humanos quando aumentava a ação de grupos paramilitares de direita. Seu assassinato foi o estopim da guerra civil salvadorenha.
Até o acordo de paz patrocinado pelas Nações Unidas no fim da Guerra Fria, em 1992, cerca de 75 mil salvadorenhos foram mortos.
O atual presidente, Mauricio Funes, é o primeiro eleito pela Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN). Esse grupo guerrilheiro desafiou o Exército de El Salvador, que tinha o apoio dos Estados Unidos, na época sob a presidência de Ronald Reagan (1981-89).
Funes era jornalista, nunca pegou em armas e entrou para o partido há poucos anos, depois do acordo de paz.
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos recomendou ao governo salvadorenho que faça uma investigação policial completa, imparcial e efetiva para identificar, julgar e punir os responsáveis.
Na época, o principal suspeito era o grupo terrorista do major Roberto D'Abuisson, o principal líder dos grupos paramilitares e esquadrões da morte antes e durante a guerra civil salvadorenha.
Dom Romero fazia sermões em defesa dos direitos humanos quando aumentava a ação de grupos paramilitares de direita. Seu assassinato foi o estopim da guerra civil salvadorenha.
Até o acordo de paz patrocinado pelas Nações Unidas no fim da Guerra Fria, em 1992, cerca de 75 mil salvadorenhos foram mortos.
O atual presidente, Mauricio Funes, é o primeiro eleito pela Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN). Esse grupo guerrilheiro desafiou o Exército de El Salvador, que tinha o apoio dos Estados Unidos, na época sob a presidência de Ronald Reagan (1981-89).
Funes era jornalista, nunca pegou em armas e entrou para o partido há poucos anos, depois do acordo de paz.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Gripe suína pode matar 40 mil europeus
A gripe suína ou gripe A, causada pelo vírus H1N1, pode matar 40 mil pessoas no continente no inverno que se aproxima, adverte o Centro Europeu para Prevenção e Controle de Doenças.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) aconselha a vigiar a transmissão da doença entre animais domésticos. Mais de 5 mil pessoas morreram até agora por causa da gripe A.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) aconselha a vigiar a transmissão da doença entre animais domésticos. Mais de 5 mil pessoas morreram até agora por causa da gripe A.
EUA perdem mais 190 mil empregos
A economia dos Estados Unidos destruiu mais 190 mil empregos no mês passado, e a taxa de desemprego subiu de 9,8% para 10,2%. Considerando-se quem desistiu de procurar emprego, a taxa real seria de 17,5%.
Desde o início da crise, mais de 8,2 milhões de postos de trabalho desapareceram. O total oficial de desempregados passa de 15 milhões. Em média, os desempregados estão ficando seis meses sem trabalho.
O presidente Barack Obama disse "este é o retrato do desafio econômico que o país enfrenta".
Outras notícias econômicas do dia:
• A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) vê fortes sinais de recuperação na China, na França, na Itália e no Reino Unido.
• A 10 dias da visita de Obama, a China critica os EUA pela imposição de tarifas antidumping sobre importações e retalia sobretaxando carros americanos.
• O ministro das Finanças britânico, Alistair Darling, anuncia que o G-20 decidiu pela manutenção dos planos de estímulo.
• Os estoques no atacado caíram 0,9% em setembro nos EUA, sinal de que as lojas terão de aumentar as encomendas à indústria.
• A AIG, empresa que mais recebeu dinheiro público para não quebrar, num total de US$ 182 bilhões, teve lucro pelo segundo trimestre seguido, de US$ 455 milhões.
• Em crise, a companhia aérea British Airways tem prejuízo recorde e anuncia mais 3 mil demissões.
• As bolsas da Ásia subiram. O aumento do desemprego nos EUA derruba as bolsas na Europa. Nova York reagiu com uma forte alta nas ações da General Eletric.
• A onça do ouro passou de US$ 1,1 mil, novo recorde, com a saída de dinheiro das bolsas de valores para outras aplicações como o ouro.
Desde o início da crise, mais de 8,2 milhões de postos de trabalho desapareceram. O total oficial de desempregados passa de 15 milhões. Em média, os desempregados estão ficando seis meses sem trabalho.
O presidente Barack Obama disse "este é o retrato do desafio econômico que o país enfrenta".
Outras notícias econômicas do dia:
• A Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) vê fortes sinais de recuperação na China, na França, na Itália e no Reino Unido.
• A 10 dias da visita de Obama, a China critica os EUA pela imposição de tarifas antidumping sobre importações e retalia sobretaxando carros americanos.
• O ministro das Finanças britânico, Alistair Darling, anuncia que o G-20 decidiu pela manutenção dos planos de estímulo.
• Os estoques no atacado caíram 0,9% em setembro nos EUA, sinal de que as lojas terão de aumentar as encomendas à indústria.
• A AIG, empresa que mais recebeu dinheiro público para não quebrar, num total de US$ 182 bilhões, teve lucro pelo segundo trimestre seguido, de US$ 455 milhões.
• Em crise, a companhia aérea British Airways tem prejuízo recorde e anuncia mais 3 mil demissões.
• As bolsas da Ásia subiram. O aumento do desemprego nos EUA derruba as bolsas na Europa. Nova York reagiu com uma forte alta nas ações da General Eletric.
• A onça do ouro passou de US$ 1,1 mil, novo recorde, com a saída de dinheiro das bolsas de valores para outras aplicações como o ouro.
Major mata 11 na maior base dos EUA
O major Nidal Malek Hassan matou 13 pessoas, 12 militares e um civil, ontem à tarde no Forte Hood, no Texas, a maior base militar dos Estados Unidos e do mundo. Ele trabalhava como psiquiatra e estaria revoltado porque ia para o Iraque.
Por volta de 16h30, pelo horário de Brasília, o major atacou perto do Centro de Prontidão, por onde os soldados americanos fazem checkups antes de irem para as guerras no Iraque e no Afeganistão e quando voltam.
As primeiras informações eram de que Hassan tinha sido morto pela Polícia do Exército. Agora há pouco, um porta-voz militar americano disse que ele foi ferido mas está no hospital em situação estável.
Assim que o atirador foi identificado, o Conselho de Relações Islâmico-Americanas divulgou uma declaração repudiando o massacre.
Em entrevista à rede de televisão Fox News, o coronel Terry Lee, que trabalhou no Forte Hood com o major Hassan, declarou que o atirador era contra as guerras no Iraque e no Afeganistão, "dizia que os EUA não deveriam estar lá e que os muçulmanos tinham o direito de se defender".
Cerca de 50 mil soldados servem no Forte Hood. Na hora do ataque, havia uns 35 mil. Era um dia de formatura e de festa.
Por volta de 16h30, pelo horário de Brasília, o major atacou perto do Centro de Prontidão, por onde os soldados americanos fazem checkups antes de irem para as guerras no Iraque e no Afeganistão e quando voltam.
As primeiras informações eram de que Hassan tinha sido morto pela Polícia do Exército. Agora há pouco, um porta-voz militar americano disse que ele foi ferido mas está no hospital em situação estável.
Assim que o atirador foi identificado, o Conselho de Relações Islâmico-Americanas divulgou uma declaração repudiando o massacre.
Em entrevista à rede de televisão Fox News, o coronel Terry Lee, que trabalhou no Forte Hood com o major Hassan, declarou que o atirador era contra as guerras no Iraque e no Afeganistão, "dizia que os EUA não deveriam estar lá e que os muçulmanos tinham o direito de se defender".
Cerca de 50 mil soldados servem no Forte Hood. Na hora do ataque, havia uns 35 mil. Era um dia de formatura e de festa.
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Presidente palestino desiste da reeleição
O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, anuncia hoje que não vai concorrer a reeleição e culpa Israel e os Estados Unidos pela paralisia no processo de paz no Oriente Médio. Ele é considerado por ambos um parceiro confiável para negociar.
Lugo demite comandantes das Forças Armadas
Depois de negar a ameaça de um golpe de Estado, o presidente Fernando Lugo demitiu ontem os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica do Paraguai.
Novos comandantes devem ser empossados hoje.
Novos comandantes devem ser empossados hoje.
EUA dizem que hondurenhos devem se entender
A crise política em Honduras depende de uma solução interna, afirmou na quarta-feira, 4 de novembro de 2009, o porta-voz do Departamento de Estado americano, Ian Kelly. Foi uma resposta a uma carta enviada pelo presidente deposto, José Manuel Zelaya, à secretária Hillary Clinton pedindo esclarecimentos sobre a posição dos Estados Unidos.
Zelaya quer uma posição oficial do governo americano, que já deplorou o golpe de 28 de junho e condenou a expulsão do presidente do país com o uso da força, declarando o atual governo ilegítimo, ao lado dos outros países-membros da Organização dos Estados Americanos (OEA).
"Já esclarecemos nossa posição sobre o presidente Zelaya: pensamos que ele deve ser reconduzido ao caro", declarou o porta-voz americano. "Mas esse é um processo hondurenho que começou com o acordo feito na semana passada. Estamos comprometidos com o acordo e com seu cumprimento".
Zelaya quer uma posição oficial do governo americano, que já deplorou o golpe de 28 de junho e condenou a expulsão do presidente do país com o uso da força, declarando o atual governo ilegítimo, ao lado dos outros países-membros da Organização dos Estados Americanos (OEA).
"Já esclarecemos nossa posição sobre o presidente Zelaya: pensamos que ele deve ser reconduzido ao caro", declarou o porta-voz americano. "Mas esse é um processo hondurenho que começou com o acordo feito na semana passada. Estamos comprometidos com o acordo e com seu cumprimento".
Itália condena 23 americanos por voos da CIA
A Justiça da Itália condenou ontem a penas de até oito anos de prisão 22 agentes da Agência Central de Inteligência (CIA) e um coronel da Força Aérea dos Estados Unidos pelo sequestro do líder extremista muçulmano egípcio Hassan Mustafá Ossama Nasser.
Abu Omar, como ele era mais conhecido, foi detido em plena luz do dia, em Milão, em fevereiro de 2003, e levado para o Egito, onde foi torturado.
Esse foi o primeiro julgamento dos voos clandestinos da CIA, usados pelo serviço de espionagem dos EUA para levar suspeitos na guerra contra o terrorismo para países que toleram a tortura.
Abu Omar, como ele era mais conhecido, foi detido em plena luz do dia, em Milão, em fevereiro de 2003, e levado para o Egito, onde foi torturado.
Esse foi o primeiro julgamento dos voos clandestinos da CIA, usados pelo serviço de espionagem dos EUA para levar suspeitos na guerra contra o terrorismo para países que toleram a tortura.
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