domingo, 7 de janeiro de 2007

Bush quer mais soldados e empregos no Iraque

A nova estratégia para o Iraque a ser anunciada nesta semana pelo presidente George Walker Bush deve incluir o envio de mais 20 mil soldados americanos e a criação de um programa de US$ 1 bilhão para gerar empregos para os iraquianos, revela neste domingo o jornal The New Times. Os empregos seriam em atividades de reconstrução do país.

Em uma longa teleconferência, o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, prometeu a Bush colocar mais três brigadas do Exército do Iraque ao lado das cinco novas brigadas a serem enviadas pelos Estados Unidos para tentar controlar a violência em Bagdá.

Diversos altos funcionários duvidam do novo plano, dizendo que é apenas uma repetição do que foi feito até agora, observou o jornal The Washington Post também neste domingo. O ex-comandante militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), general Wesley Clark, que comandou a guerra do Kossovo, entende que o momento para uma ação militar decisiva dos EUA já passou.

Marines fuzilaram passageiros de táxi

Um esquadrão de fuzileiros navais (marines) dos Estados Unidos que fora atacado com uma bomba de beira de estrada em Haditha, no Iraque, tirou cinco civis desarmados e inocentes de um táxi, e o comandante matou-os a tiros, declarou uma testemunha em depoimento obtido pelo jornal The Washington Post.

O inquérito do Serviço de Investigação Criminal da Marinha revela novas detalhes sobre o massacre, ocorrido em 19 de novembro de 2005. Pouco depois do comboio dos fuzileiros navais ser atingido, o que matou um soldado americano e deixou outros dois feridos, um táxi branco chegou ao local da explosão.

As testemunhas contam que o comandante do esquadrão, sargento Frank Wuterich obrigou os passageiros indefesos a descer do táxi a fuzilou-os um a um enquanto eles ficavam de pé junto a seu veículo, a cerca de três metros de distância do chefe dos fuzileiros navais. Outro marine atirou nos corpos das vítimas quando eles já estavam caídos no chão.

"Eles não tiveram a menor reação. Não tentaram correr", descreveu uma testemunha, um jovem soldados iraquiano que acompanhava a operação dos fuzileiros navais. "Estávamos com medo dos marines. Ele se comportavam como loucos, gritando e berrando".

Quatro fuzileiros navais foram acusados pela morte de 24 civis, inclusive mulheres e crianças, naquele dia em Haditha. Outros quatro oficiais foram denunciados por obstruir a investigação. Foi o pior crime cometido por soldados americanos até agora no Iraque.

Depois de fuzilar os passageiros do táxi, os marines atacaram as casas próximas, atirando indiscriminadamente, usando granadas e fuzis para matar 14 civis desarmados em suas próprias casas em apenas 10 minutos.

Na segunda casa atacada, cinco pessoas morreram. Só sobrou uma menina de 13 anos que perdeu sua mãe, o irmão de 5 anos e a irmãzinha de 3 anos. "O americano atirou e matou todo o mundo", declarou Safah Yunis Salem aos investigadores.

Os quatro fuzileiros navais denunciados são Wuterich, o sargento Sanick de la Cruz, e os cabos Justin Sharratt e Stephen Tatum. Podem ser condenados à prisão perpétua.

Para os advogados de defesa, os tiros não foram vingança pelo companheiro morto. Seus clientes estariam apenas respondendo a uma ameaça. Foram atacados e reagiram.

Os investigadores ouviram centenas de pessoas. Muitos depoimentos são contraditórios, reconhece o Post, mas é evidente que o massacre de Haditha foi uma das matanças deliberadas de civis inocentes desta guerra.

sábado, 6 de janeiro de 2007

Iraque lança megaoperação antiviolência em Bagdá

O primeiro-ministro do Iraque, Nuri al-Maliki, anunciou hoje que uma grande operação de suas forças de segurança, apoiadas pelo Exército dos Estados Unidos, para tentar conter a violência de milícias sunitas e xiitas em Bagdá.

É mais uma indicação de que a nova estratégia do presidente George Walker Bush, a ser revelada na próxima quarta-feira, deve incluir o envio de mais 20 mil soldados americanos para tentar criar uma zona de segurança na capital do Iraque.

"O plano de segurança está pronto", declarou o primeiro-ministro, sinalizando que já está tudo acertado com as forças de ocupação americanas. Maliki afirmou que não vai aceitar pressões políticas para amenizar o impacto da megaoperação: ""Não haverá saída para quem opera fora da lei, independentemente de sua facção política".

Será que ele vai atrás do Exército Mehdi, a maior milícia xiita iraquiana, liderada por seu aliado, o aiatolá Muktada al-Sader, cujo nome foi citado para provocar Saddam Hussein na hora de seu enforcamento? Será um bom teste para a megaoperação.

Ontem, numa reunião do American Enterprise Institute, um dos centros de pesquisa conservadores que defendeu a invasão do Iraque, estrategistas insistiam em que é possível uma solução militar para a insegurança em Bagdá, alegando que basta ter as tropas e recursos necessários.

Brasil cresceu 2,8% no ano passado

A economia brasileira cresceu 2,8% em 2006, com uma inflação de 3,83%. Os dados são da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal) da ONU.

O país que mais cresceu na América do Sul foi a Venezuela de Hugo Chávez, com expansão de 10,3%. Teve também a maior inflação: 17%.

Argentina teve inflação de 9,8% em 2006

Com alta de 1% em dezembro, a inflação terminou o ano na Argentina em 9,8%. Mas produtos e serviços consumidos pela classe média subiram bem acima desta taxa, como educação (19,9%), comer na rua (20%), comida para levar (14,9%), roupas (14,6%) e aluguéis (13,8%).

Os "acordos de preços" impostos pelo governo Néstor Kirchner permitiram um controle relativo de bebidas e alimentos, que subiram 10,5%, pouco acima da taxa de inflação. Mas o jornal argentino La Nación afirma que o governo gastou 4,418 bilhões de pesos em subsídios diretos a atividades que pesam no índice de inflação, como eletricidade e transportes.

Na América do Sul, só tiveram taxas de inflação maiores a Venezuela (17%) e o Paraguai (12,5%). O Peru teve um crescimento quase igual ao da Argentina (8,7%) com uma inflação de 1,14%, a menor em cinco anos. Já o Chile cresceu 4,4% com 2,6% de inflação, abaixo da expectativa, que era de 3,7% ao ano.

Estes dados são da Comissão Econômica para a América Latina da ONU (Cepal).

Empregos nos EUA derrubam bolsas

O inesperado crescimento do emprego e dos salários nos Estados Unidos em dezembro derrubou a Bolsa da Valores de Nova Iorque e a maioria dos mercados do mundo inteiro, que seguem a orientação de Wall Street, como a Bolsa de Valores de São Paulo, que caiu 4%. No fim do dia, o Índice Dow Jones baixara 82,86 pontos (0,66%), fechando em 12.398,01.

No mês passado, a maior economia do mundo gerou 167 mil empregos fora do setor agrícola, 100 mil acima do previsto pelos analistas, indicando uma recuperação do mercado de trabalho após nove meses. Os dados de outubro e novembro, revisados, revelaram que foram criados 29 mil empregos além das estimativas iniciais.

São sinais de que os EUA estão numa desaceleração suave. Devem voltar a crescer mais, sem entrar em recessão.

A contrapartida é a pressão inflacionária dos aumentos salariais, que deve levar o Federal Reserve Board (Fed), banco central dos EUA, a não reduzir a taxa básica de juros da economia americana, hoje em 5,25% ao ano.

O mercado sempre sonha com juros mais baixos, que reduzem o custo do capital, aumentando o investimento e o consumo, enquanto o banco central, como guardião da moeda, está preocupado com as pressões inflacionárias.

Nos últimos anos, a economia dos EUA dá sinais contraditórios, de fraqueza em questões importantes, como o déficit comercial de US$ 850 bilhões anuais e o déficit orçamentário, que enfraquecem o dólar. Mas o vigor do consumidor americano, os ganhos de produtividades e o desenvolvimento científico e tecnológico mostram que é prematuro falar em decadência americana.

De um lado, há um temor de que o Fed tenha exagerado nas altas de juros e de que a economia americana esteja muito enfraquecida, caminhando para a recessão. O aquecimento do mercado de trabalho elimina esta preocupação. Se estão sendo gerados mais empregos e os salários estão em alta, o país está crescendo.

Por outro lado, como o núcleo da inflação, expurgados os preços de alimentos e energia, está acima de meta informalmente perseguida pelo Fed, de 1% a 2% ao ano, e as minutas manifestaram preocupação com o crescimento dos preços, o mercado concluiu que os juros não vão baixar.

Se os juros sobem nos EUA, pode haver uma fuga de capitais dos mercados emergentes para aplicações mais seguras no mercado americano que, com juros muito baixos, rendem muito pouco. Mas há mercados emergentes que já se firmaram, como a China, e estão prontos a desafiar mais esta velha lógica.

Mubarak: execução "bárbara" fez de Saddam mártir

O presidente do Egito, Hosni Mubarak, um dos maiores aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio, criticou o que chamou de enforcamento "bárbaro" de Saddam Hussein dizendo que transformou o ex-ditador iraquiano num mártir. O martírio é glorificado pelos muçulmanos.

Mubarak alegou que muitos especialistas em Direito Internacional consideraram o julgamento ilegal e disse ter feito um apelo ao presidente George W. Bush para adiar a execução. "As imagens da execução são bárbaras e revoltantes","declarou o presidente egípcio.

No vizinho Irã, que é xiita, o influente mulá Ahmad Khatami afirmou na oração de sexta-feira que os EUA usaram a execução para aumentar a tensão entre sunitas e xiitas.

Dois assessores diretos de Saddam condenados à morte no mesmo julgamento sobre o massacre de 148 xiitas em Dujail, em 1982, inclusive um meio-irmão do ex-ditador, tiveram suas execuções adiadas até a próxima semana.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2007

Bush muda equipe antes de anunciar nova estratégia dos EUA na Guerra do Iraque

O presidente George Walker Bush mudou na sexta-feira os comandantes militares americanos no Iraque, preparando o anúncio de sua nova estratégia, que deve enfrentar resistência da maioria democrata no Congresso ao propor um aumento de 20 mil soldados no contingente americano no país ocupado.

Bush começou a mudar sua equipe demitindo o secretário da Defesa Donald Rumsfeld um dia depois da vitória democrata nas eleições parlamentares de 7 de novembro, quando os democratas recuperaram a maioria na Câmara e no Senado.

Já havia indicado o diretor nacional de Inteligência e ex-embaixador no Iraque, John Negroponte, um veterano linha-dura da Guerra Fria na América Central, para subsecretário de Estado. O atual embaixador americano no Iraque, Zalmay Khalilzad, deverá ser o representante dos EUA junto às Nações Unidas.

Hoje, o presidente nomeou o almirante William Fallon para substituir o general John Abizaid como chefe do Comando Central dos Estados Unidos, responsável pelas guerras no Afeganistão e no Iraque, e o general David Petraeus como comandante supremo no Iraque no lugar do general George Casey, que é contra o aumento do número de soldados.

A oposição também é contra. Os dois principais líderes do novo Congresso de maioria democrata, a presidente da Câmara, Nancy Pelosi, e o líder no Senado, Harry Reid, enviaram carta do presidente rejeitando o envio de mais soldados americanos para o Iraque e pedindo que seja estabelecido um cronograma para a retirada das tropas dos EUA: "Mandar mais tropas de combate só vai colocar em perigo mais americanos e sobrecarregar nossos militares até o limite de ruptura sem ganho estratégico".

O senador afro-americano Barack Obama, principal rival da ex-primeira-dama e senadora Hillary Clinton, disse ao presidente Bush na Casa Branca que enviar mais soldados americanos para o Iraque é "uma má idéia".

Outros dois senadores, John Lieberman, candidato a vice-presidente derrotado em 2000, e John McCain, veterano do Vietnã e pré-candidato republicano à Presidência dos EUA em 2008, defenderam o aumento do número de tropas.

Al Caeda quer que Somália vire um novo Iraque

Em gravação divulgada pela Internet, o subcomandante da rede terrorista Al Caeda, o egípcio Ayman al-Zawahiri, incita os guerrilheiros fundamentalistas muçulmanos da Somália a apelar para as táticas usadas no Iraque, como o terrorismo suicida, para atacar o Exército da Etiópia. As forças etíopes invadiram o país em 24 de dezembro para apoiar o governo provisório, expulsando a União dos Tribunais Islâmicos, que controlava a capital somaliana, Mogadíscio, há seis meses.

"Apelo a todos os muçulmanos que respondam à convocação para a 'guerra santa' (jihad) na Somália. A verdadeira guerra começará com ataques contra as forças de agressão etíopes. Recomendo emboscadas, minas e operações suicidas", diz Zawahri, lugar-tenente de Ossama ben Laden.

"Não se deixem impressionar pela força dos Estados Unidos: vocês já os derrotaram no passado e os mujahedins quebraram sua coluna no Afeganistão e no Iraque. Assim como aconteceu nestes dois países, quando a maior potência mundial foi derrotada pelos mujahedins, a mesma derrota deve ocorrer nas terras muçulmanas da Somália", prega o subchefe d'al Caeda.

"Exorto a nação islâmica na Somália a agüentar firmemente neste novo campo de batalha contra a cruzada empreendida pelos EUA, seus aliados e a ONU contra o islã e os muçulmanos."

A Somália vive num estado de anarquia desde a queda do ditador Mohammed Siad Barre, em 1991.

Dólar sobe com aumento do emprego nos EUA

O dólar subiu hoje nos mercados internacionais por causa de um crescimento acima do esperado do emprego nos Estados Unidos, uma indicação de que a desaceleração não deve levar a maior economia do mundo à recessão. Em dezembro, foram criados 167 mil empregos fora do setor agrícola. A expectativa média do mercado era de geração de 100 mil postos de trabalho.

A cotação do euro caiu de US$ 1,3080 para US$ 1,3008, enquanto uma libra esterlina passou de US$ 1,94 para US$ 1,931 e o dólar subia de 118,10 para 118,61 ienes.

Emergentes sustentam crescimento em 2007

Se as economias mais ricas – Estados Unidos, Europa e Japão – tendem a manter baixas taxas de crescimento em 2007, em torno de 2% ou pouco acima disso, os países emergentes, com crescimento médio de 7% ou mais, como neste ano, devem sustentar a expansão da economia mundial, que foi de cerca de 5% em 2006. Portanto, 2007 será mais um ano em que a globalização criará grandes oportunidades.

Com sua economia de US$ 13,3 trilhões anuais, os EUA surpreendem, apesar das previsões catastrofistas. O déficit comercial deve bater recorde em 2006. Mas não haverá colapso da moeda americana enquanto a China, que terminou o ano com US$ 1 trilhão de reservas, continuar comprando dólares.

“A queda do dólar deve aliviar um pouco o déficit comercial, os juros estão estabilizados, talvez entrem num ciclo de queda, e os preços do petróleo estão mais estáveis”, observa o economista e doutor em relações internacionais Paulo Wrobel, assessor de ciência e tecnologia da Embaixada Brasileira no Reino Unido.

“A economia européia está razoavelmente bem, apesar do fortalecimento do euro. Passou a fase mais recessiva”, comenta Wrobel.

O Japão, que parecia ter vencido a estagdeflação dos anos 90, voltou a patinar. No terceiro trimestre, a taxa de crescimento anual foi de 0,8% devido às exportações, com consumo doméstico fraco.

Pelo segundo ano seguido serão os países emergentes, sobretudo a China e a Índia, com taxas de crescimento em torno de 10%, e também a Rússia, com seus vastos recursos energéticos, que manterão a economia mundial numa expansão em torno de 5%. Com o aumento da demanda provocado pelo extraordinário crescimento asiático, é improvável que o preço do petróleo, que chegou a US$ 78 em agosto de 2006, caia para US$ 50.

Há uma mudança no equilíbrio de poder na economia internacional, nota The World in 2007 (O Mundo em 2007), a edição especial da revista inglesa The Economist com previsões para o ano que começa.

O poder está se deslocando com a crescente importância da Ásia, uma região muito menos institucionalizada que a Europa, sem acordos de segurança coletiva, onde a proliferação nuclear coloca novos riscos. Por enquanto, o crescimento econômico parece a cura para todos os males.

A revolução econômica provocada pela globalização vai muito mais longe. Com a liberalização comercial, o avanço tecnológico, o desenvolvimento dos mercados de capitais e as mudanças demográficas, a atividade econômica passa por um enorme rearranjo, observa a consultora McKinsey em suas Tendências Macroeconômicas.

Hoje a Ásia, excluindo o Japão, é responsável por 13% do produto mundial bruto, enquanto a Europa tem mais de 30%. Em 20 anos, estes dois continentes devem convergir. A China fará 20% da produção manufatureira até 2020 ou 2030.

No setor de serviços de informática, a mudança será igualmente dramática. O grande destaque deve ser a Índia. Como líder das revoluções tecnológicas de informática e biotecnologia, os EUA provavelmente continuarão tendo a maior economia do mundo.

Quanto ao Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva prometeu anunciar um conjunto de medidas para acelerar o crescimento, que no primeiro governo ficou na média fraca de 2,7% ao ano, pouco acima de Fernando Henrique Cardoso, que enfrentou diversas turbulências na economia internacional.

MAIS UM BILHÃO DE CONSUMIDORES
Com o crescimento dos emergentes, um bilhão de novos consumidores entrarão no mercado global na próxima década. Até 2015, o poder de compra dos países emergentes deve mais do que dobrar, de US$ 4 trilhões para US$ 9 trilhões.

Também haverá mudanças dentro dos países. Em 2015, a população hispânica dos EUA terá o poder de compra de 60% da China.

A contrapartida do crescimento dos emergentes é um aumento do protecionismo nos países ricos, ou pelo menos uma redução do ímpeto liberalizante, como se vê na estagnação das negociações da Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio.

Em julho, vence a Autoridade de Promoção Comercial dada pelo Congresso ao presidente Bush. É improvável um acordo até lá. A rodada deve se estender por mais alguns anos, empurrada pela dinâmica do comércio internacional, que cresce 9% ao ano.

No meio desta revolução tecnológica, surgem novos modelos de negócios. Diversos setores, nota a McKinsey, apresentam uma estrutura com poucos gigantes no topo, poucas empresas médias e uma grande variedade de pequenas e microempresas extremamente ágeis na base.

Há também uma aproximação de produtores, fornecedores e distribuidores que cria um novo “ecossistema” de negócios.

A participação cada vez maior de pequenos investidores nos mercados financeiros aumenta a oferta de capital, muda os padrões de propriedade das empresas e seus ciclos de vida.

As bolsas de valores tiveram seu melhor resultado desde 2003. O Financial Times prevê queda em 2007 mas ressalva que as taxas de crescimento e as operações de fusão e incorporação podem esquentar o mercado.

Neste ambiente ultracompetitivo, a gestão passou de arte à ciência. Não pode prescindir dos métodos mais modernos de administração – e isto vale tanto para o setor público quanto para o privado.

Outra constatação importante da McKinsey é um crescimento da demanda por ações efetivas do setor público em saúde, educação e previdência social que exige um aumento de produtividade. Nos EUA, por exemplo, o economista Paul Krugman, um dos maiores críticos do presidente George Walker Bush, acredita que chegou a hora de oferecer cobertura de saúde universal à população americana.

O acesso cada vez maior à informação está moldando a chamada economia do conhecimento. Sites de busca na Internet como o Google oferecem quantidades praticamente infinitas de informações. Mas a transformação é muito mais profunda. Estão surgindo novos modelos de produção, acesso, difusão e propriedade do conhecimento.

A cada ano desde 1990, o número de patentes registradas aumenta 20%.

O risco, tanto para empresas quanto indivíduos, é como se orientar nesta selva da informação.

FALTA DE LIDERANÇA
“Do ponto de vista político, o quadro é meio dramático. Há uma ausência de liderança política”, lamenta o professor Wrobel. “O momento unipolar americano está chegando ao fim. Bush é um problema. É ruim sob todos os ângulos.”

Os democratas estão assumindo o controle do Senado e da Câmara. A derrota republicana em novembro deu a largada para a eleição presidencial de 2008. O senador de origem queniana Barack Obama, considerado a mais carismática opção de centro-esquerda desde Bob Kennedy, em 1968, vai desafiar Hillary Clinton pela candidatura democrata? É uma das questões do ano em Washington.

Com o fracasso da invasão do Iraque pelos EUA e da estratégia militarista de Bush, o jornal inglês Financial Times aposta que os americanos não atacarão o Irã mas não considera um ataque totalmente impossível. Já o jornal espanhol El País acredita que haverá maior espaço para a diplomacia e o poder suave da União Européia. Mas o bloco se debate com seus problemas internos.

A UE completa 50 anos em março. Está em sua crise de meia idade. Acaba de aceitar a Bulgária e a Romênia como novos sócios, mas vai parar a expansão até rediscutir o projeto de Constituição da Europa derrubado em 2005 por um plebiscito na França.

A chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel, da Alemanha, que acaba de assumir a presidência rotativa da UE por seis meses, promete “injetar vida nova no processo constitucional”.

No Reino Unido, o primeiro-ministro Tony Blair deve passar o cargo e a liderança do Partido Trabalhista para o ministro das Finanças, Gordon Brown.

Na França, serão realizadas eleições presidenciais. Os favoritos são a socialista Ségolène Royal pela esquerda e o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, à direita. Nas pesquisas, estão praticamente empatados e certamente haverá segundo turno.

O Financial Times aposta em Sarkozy como “um político intuitivo, debatedor formidável e feroz em campanhas eleitorais. Mas Ségolène não deve ser desprezada. Pode ser a primeira mulher a presidir a França.

GUERRA CIVIL MUÇULMANA
No Oriente Médio, a situação é trágica, opina Wrobel: “O Iraque está muito mal. O crescimento regional do Irã é complicado. Não há nada de novo na Palestina. É um cenário muito pessimista”.

Há uma guerra civil no mundo árabe e muçulmano em torno da verdadeira interpretação do Corão e dos desafios da modernidade. Os atentados de 11 de setembro de 2001 e subseqüentes apenas levam esta guerra para as grandes potências que os fundamentalistas responsabilizam pelo seu atraso e subdesenvolvimento.

A ela se soma um conflito crescente entre xiitas e sunitas deflagrado pela disputa de poder no novo Iraque depois da invasão americana. Os sons e imagens do ex-ditador Saddam Hussein sendo insultado por carrascos xiitas antes de ser enforcado em 30 de dezembro só alimentam a guerra civil iraquiana, que ameaça envolver o Irã e a Arábia Saudita numa megaconflagração de conseqüências imprevisíveis.

Com o acordo nuclear entre os EUA e a Índia, o regime de não-proliferação sofre mais um abalo. “A Índia nunca aceitou o regime e foi beneficiada”, constata o assessor de ciência e tecnologia. “Os EUA reconheceram o status nuclear da Índia. Com o Irã e a Coréia do Norte buscando ativamente fabricar a bomba atômica, pode ser um tiro fatal no Tratado de Não-Poliferação Nuclear (TNP)”.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) se gaba de ter vencido a União Soviética sem dar um tiro. Sobreviverá ao Afeganistão? Enfrenta uma guerrilha fundamentalista que já esteve no poder, os Talebã, financiados pelo tráfico de heroína e com apoio em áreas tribais junto à fronteira do Paquistão, além da ajuda de setores das Forças Armadas paquistanesas.

A Rússia continuará usando e abusando do nacionalismo energético para submeter as antigas repúblicas da URSS, o “império interior” soviético. Mas não deve atacar a Geórgia. Em 2008, haverá eleição presidencial. Então 2007 será o ano para Putin preparar seu candidato.

A China manterá sua ofensiva para ter acesso aos recursos naturais necessários para manter seu extraordinário ritmo de desenvolvimento. É uma superpotência econômica. Em certa medida, reconhece o FT, a África já é uma província chinesa.

Na América Latina, Paulo Wrobel vê as eleições do ano passado como mais uma etapa da consolidação democrática: “Talvez a maior surpresa tenha sido Rafael Correa, no Equador. Em termos de política econômica, mesmo o Morales não tem muito fazer: é equilíbrio fiscal e abertura comercial”.

Wrobel entende que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, apenas repete políticas de expansão dos gastos públicos que se mostraram irresponsáveis nos últimos 30 anos e vê problemas na inserção internacional do bloco: “Quanto mais países, mais difíceis a união aduaneira e o mercado”.

Em Cuba, com câncer ou sem câncer, é improvável que Fidel Castro volte a assumir os plenos poderes que tinha desde 1º de janeiro de 1959, raciocina Wrobel: “O presidente interino Raúl Castro e [o secretário executivo do Conselho de Ministros] Carlos Lage vão segurar o sistema? Não será fácil manter o castrismo sem Fidel. Não será fácil uma transição para um regime de livre mercado. Talvez o melhor cenário seja uma abertura gradual”.

Na Argentina, o presidente Néstor Kirchner deve se candidatar à reeleição como favorito, embora venha acenando com a possibilidade de lançar sua mulher, a senadora Cristina Fernández de Kirchner, que poderá concorrer ao governo da província de Buenos Aires. Isto tornaria esta versão moderna de Perón e Evita num dos casais mais poderosos da História da Argentina.

Mas o maior desafio para a política externa brasileira será integrar a Venezuela de Chávez sem alterar o objetivo original do Mercosul de ser um instrumento político de reinserção econômica internacional dos países do Cone Sul.

British Sky TV vai oferecer vídeo à la carte

A empresa de televisão por assinatura British Sky Broadcasting, do magnata da mídia Rupert Murdoch, vai oferecer uma série de programas a seus 2 milhões de usuários, que poderão escolher através de um menu e assistirem ao que quiserem, quando quiserem.

Os técnicos da Sky explicaram que a empresa vai aproveitar a capacidade ociosa de seus decodificadores de alta definição do sistema Sky +. A Sky tem hoje 8,26 milhões de assinantes, sendo quase 2 milhões do serviço digital. A meta é chegar a 2010 com 10 milhões de assinantes.

Normalmente, os operadores de TV por satélite têm problemas para oferecer serviços à la carte para seus consumidores em relação às TVs a cabo, onde o cliente pode enviar ordens para o sistema com facilidade. A Sky tenta agora superar esta desvantagem.

Senador Obama admite uso de cocaína

O senador afro-americano Barack Obama, principal adversário da ex-primeira-dama Hillary Clinton na disputa pela candidatura democrata à Presidência dos Estados Unidos em 2008, admite que, em memórias escritas mais de dez anos atrás, confessou ter usado drogas na juventude. É o primeiro aspirante à Casa Branca que reconhece ter cheirado cocaína.

Quando escreveu as memórias, tinha pouco mais de 30 anos e acabara de se formar em Direito. Agora, aos 45, Obama tornou-se uma sensação depois das eleições legislativas de 7 de novembro passado.

Em 1992, o então candidato Bill Clinton admitiu ter fumado maconha "mas não tragado" quando era um estudante de intercâmbio na Universidade de Oxford, na Inglaterra, eximindo-se de ter cometido o delito em território americano.

O presidente George W. Bush também confessou ter sido alcoólatra e atribuiu sua recuperação a Deus.

China aumenta gastos militares em 15%

A China deve gastar US$ 36,4 bilhões neste ano, 15% a mais do que em 2006, informou o governo comunista chinês. O objetivo é modernizar o Exército Popular de Libertação, de 2,3 milhões de soldados, tornando-o mais ágil e mais avançado tecnologicamente, diz um Livro Branco divulgado no final do ano passado.

Um dos objetivos é desenvolver uma Marinha poderosa capaz de defender a segurança nacional, declarou nesta semana o presidente e líder do Partido Comunista, Hu Jintao, que acumula a presidência da Comissão Militar do Comitê Central do partido. Os novos recursos serão investidos em novas armas, treinamento de pessoal, projetos de cooperação internacional, aumento do soldo e da habitação.

O aumento de gastos militares da China, que já é uma superpotência econômica, alarma os Estados Unidos, que acusa o regime comunista chinês de esconder suas despesas reais com defesa, que seriam até três vezes maiores do que o divulgado oficialmente. Mesmo assim, se chegassem a US$ 100 bilhões, ainda seriam um quinto do orçamento militar dos EUA, que se aproxima de US$ 500 bilhões, equivalentes aos gastos militares de todo o resto do mundo.

Também preocupa Taiwan, que o governo chinês considera uma província rebelde, e o Japão, rival histórico e inimigo na Segunda Guerra Mundial.

Ao mesmo tempo, o novo primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, fala em melhorar as relações com a China e em abolir a cláusula pacifista da Constituição de 1947, imposta pelos EUA, que proíbe o Japão de enviar suas Forças Armadas ao exterior. Abe afirmou que seu país tem por princípio a eliminação de todas as armas atômicas e que por isso não pretende desenvolver armas nucleares.

A questão tornou-se mais sensível com o teste nuclear da Coréia do Norte no ano passado.

O Livro Branco é importante na medida em que raramente o governo chinês divulga detalhes sobre as Forças Armadas, base do regime comunista, que tecnicamente é uma ditadura militar. Ele estima que os gastos com defesa cresceram em média 15,4% anualmente nos últimos 15 anos.

"A China segue uma política de defesa nacional de caráter puramente defensivo", afirma o Livro Branco, o quinto desde 1998. "A China não vai entrar numa corrida armamentista nem ameaçar militarmente qualquer país". Mas adverte que Taiwan continua sendo uma séria ameaça à estabilidade regional por causa de "forças separatistas".

Também cita o agravamento das tensões na península coreana desde que a Coréia do Norte fez uma experiência nuclear.

A China travou guerras de fronteira com a Índia, a extinta União Soviética e o Vietnã. Além disso, disputa ilhas do Mar da China com o Japão, o Vietnã, Taiwan, a Malásia, o Brunei e as Filipinas. Todos estes países têm hoje boas relações com o governo de Beijim, mais interessado em estabilidade política para não atrapalhar seu extraordinário desenvolvimento econômico.

Para o regime chinês, a única coisa inaceitável seria a independência de Taiwan.

Segundo guarda é preso por vídeo de Saddam

O governo do Iraque anunciou que um segundo guarda envolvido na filmagem do enforcamento do ex-ditador Saddam Hussein (1979-2003), em 30 de dezembro, foi preso.

Tanto o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, quanto o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, insistiram que Saddam foi submetido a um julgamento justo, oportunidade que suas centenas de milhares de vítimas não tiveram. Bush disse que a execução poderia ter sido feita com maior dignidade mas que "houve Justiça, o que não aconteceu com suas vítimas".

Na realidade, o que se viu foi uma amostra da Justiça iraquiana. As vítimas da ditadura de Saddam Hussein eram provocadas até a morte por seus carrascos. O vídeo clandestino só mostrou que isto não mudou, mesmo que o julgamento tenha sido justo. Um tirano como Saddam estava condenado mesmo antes de sentar no banco dos réus.

Enquanto investiga o escândalo do enforcamento, o Iraque suspendeu a execução de dois outros altos dirigentes do governo Saddam Hussein condenados à morte pelo mesmo massacre de 148 xiitas na cidade de Dujail, em 1982, um meio-irmão do ditador e um juiz.

Polícia encontra 47 corpos quinta em Bagdá

Ao todo, a polícia encontrou 47 cadáveres crivados de bala e com sinais de tortura ontem na capital do Iraque. Quatro tinham sido degolados. Carros-bombas e ataques com morteiros mataram mais 20 pessoas em Bagdá e seus arredores.

Os quatro corpos decapitados estavam em Gazalia, no Oeste da capital iraquiana.

Dois carros-bomba estacionados atrás de um posto de gasolina de Mansur, na zona oeste de Bagdá, explodiu na manhã de quinta-feira, quando civis faziam fila para comprar combustível, matando 13 pessoas e ferindo outras 22. Um terceiro carro-bomba no mesmo bairro matou um civil e feriu um soldado iraquiano. O terrorista suicida detonou a bomba quando passava um comboio do Exército do Iraque.

Além das bombas, um ataque com foguete matou um civil e feriu outros seis no Noroeste de Bagdá.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2007

Queda do desemprego mostrar vigor da Alemanha

O desemprego na Alemanha registrou no mês passado a maior queda desde a reunificação, em outubro de 1990, mostrando o vigor da recuperação da maior economia européia. Com os dados corrigidos para compensar as variações sazonais, a Agência Federal do Trabalho anunciou que o total de desempregados caiu em 108 mil em dezembro, chegando a 4,1 milhões, ou 9,8% da força de trabalho.

Em novembro, o número de desempregados caiu em 94 mil, mais do que os 86 mil da primeira estimativa. Isto significa que a queda total em 2006 foi de 597 mil.

Democratas assumem controle do Congresso

O Partido Democrata assume hoje o controle da Câmara e do Senado dos Estados Unidos, depois de 12 anos de maioria republicana. A deputada federal californiana Nancy Pelosi será a primeira mulher a presidir a Câmara de Representantes.

De olho na eleição presidencial de 2008, os democratas querem impressionar aprovando uma série de medidas nas suas primeiras 100 horas legislativas, inclusive um aumento do salário mínimo federal nos próximos dois anos de US$ 5,15 para US$ 7,25 por hora. Mas não devem ser esperadas grandes mudanças. As maiorias são escassas, não permitindo iniciativas mais radicais, e muitos dos novos deputados democratas são conservadores.

A política externa continua sob o controle do presidente George W. Bush. Embora a guerra no Iraque tenha dominado a campanha para as eleições de 7 de novembro do ano passado, o Congresso pode pressionar politicamente e negar a verba para a nova estratégia do presidente. Mas é improvável que faça isso no meio de uma guerra. Seria acusado de prejudicar os soldados americanos no campo de batalha.

Mais de 3 mil americanos morreram no Iraque desde a invasão de 20 de março de 2003.

Clima acabou com apogeu maia e dinastia Tang

As decadências da civilização maia, na América Central pré-colombiana, e da dinastia Tang, na China, podem estar associadas a mudanças climáticas. Com a seca provocada por uma mudança no ciclo das chuvas, houve catastróficas reduções nas colheitas e um empobrecimento generalizado que levaram à queda das duas civilizações, concluíram cientistas do Centro de Pesquisas sobre a Terra de Potsdam, na Alemanha.

Os pesquisadores analisaram os sedimentos do lago Huguang Maar, no Sudeste da China, constatando que nos últimos 16 mil anos houve três períodos em que as monções de inverno foram fortes, provocando secas.

As variações no regime de chuvas tropicais na América Central e no Sul do México seriam responsáveis, pelo menos em parte, pelo fim do período clássico da civilização maia (250-900), quando ela estava em pleno apogeu, com sua escrita hieroglífica e seu grande conhecimento de matemática, que lhes permitiu calcular o ano solar de 365 dias.

Hoje há grande preocupação com a mudança de clima provocada pelo aquecimento da atmosfera devido à concentração de gases produzidos pelo homem como o gás carbônico. O chamado efeito estufa está provocando o degelo das calotas polares, aumentando o nível d'água dos oceanos e causando tempestades violentos.

Pesquisa dá vantagem a Ségolène na França

Se a votação fosse agora, a candidata socialista Ségolène Royal venceria o candidato da direita, o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, por 52% a 48%, no segundo turno da eleição presidencial, em maio deste ano, indica uma pesquisa divulgada hoje.

No primeiro turno, Ségolène teria 34% das preferências contra 32% para Sarkozy, com o candidato da extrema direita, Jean-Marie Le Pen, da Frente Nacional, em terceiro lugar, com 15%. Seguem alguns candidatos nanicos sem a menor chance.

Em 21 de abril de 2002, Le Pen bateu o então primeiro-ministro socialista Lionel Jospin e foi para o segundo turno contra o presidente Jacques Chirac, num terremoto que abalou para sempre a política francesa. Agora a pesquisa indica que pode aumentar o "voto útil" para evitar uma repetição do pesadelo.

A soma dos votos na direita chega a 55%, no primeiro turno, contra 45% na esquerda. Mesmo assim, Ségolène aparece com uma pequena vantagem no segundo turno para se tornar a primeira mulher a presidir a França.