Uma flotilha de cinco barcos e lanchas da Guarda Revolucionária Iraniana tentou tomar um navio-tanque britânico que atravessava o Estreito de Ormuz para entrar no Golfo Pérsico, noticiou a agência Reuters citando fontes militares dos Estados Unidos, que monitoraram o incidente.
O navio britânico era escoltado pela fragata da Marinha Real HMS Montrose, que advertiu os iranianos pelo rádio e disparou tiros de advertência.
Antes, o presidente do Irã, Hassan Rouhani, criticou o Reino Unido por ter apreendido um petroleiro iraniano que levava petróleo bruto pela Síria através do Estreito de Gibraltar, um enclave britânico no Sul da Espanha, violando sanções internacionais contra o regime sírio.
"Vocês iniciaram esta situação de insegurança e vão ver as consequências mais tarde", advertiu o aiatolá, sabendo da operação.
Ontem, a revista Foreign Policy noticiou que o Reino Unido e a França manifestaram interesse em participar com os EUA da Operação Sentinela para proteger a navegação no Estreito de Ormuz diante das ameaças iranianas. O incidente de hoje só reforça o interesse britânico.
Dois ataques contra petroleiros em junho no Estreito de Ormuz e o abate de um avião não tripulado dos EUA são sinais da crescente revolta do Irã em face da guerra econômica deflagrada pelo presidente Donald Trump depois de retirar, em 8 de maio de 2018, os EUA do acordo nuclear assinado em 2015 pelo governo Barack Obama para congelar por dez anos o programa nuclear militar iraniano.
Esta campanha de "pressão máxima" está sufocando a economia iraniana. O objetivo de Trump é renegociar o acordo para incluir a proibição do Irã de desenvolver mísseis de médio e longo alcances e de interferir em outros países do Oriente Médio.
A República Islâmica considera estas exigências equivalem a uma rendição. No mês passado, um ano depois da retirada dos EUA do acordo, o Irã anunciou a intenção de retomar o enriquecimento de urânio. Já ultrapassou o limite de 300 quilos previsto no acordo e, desde segunda-feira, aumentou o teor do urânio enriquecido de 3,67% para 4,5%. Ainda está longe dos 90% necessários para uma bomba atômica, mas está no caminho.
O presidente Emmanuel Macron tentou convencer o regime teocrático iraniano a não abandonar totalmente o acordo. O Irã agradeceu à França pela iniciativa, mas a Europa não consegue romper o cerco econômico dos EUA. As empresas europeias não querem correr o risco de serem excluídas do mercado americano e dos negócios em dólares.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
quinta-feira, 11 de julho de 2019
Irã tenta interceptar petroleiro britânico no Estreito de Ormuz
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quarta-feira, 10 de julho de 2019
Oposição britânica defende segunda consulta popular sobre saída da UE
Depois de muita hesitação, o líder do Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, finalmente abraçou a proposta de convocação de uma segunda consulta popular sobre a saída do Reino Unido da União Europeia. Talvez seja tarde demais.
Os dois candidatos à liderança do Partido Conservador e à chefia do governo britânico realizaram ontem o primeiro debate ao vivo na televisão. Ambos são a favor da Brexit, a saída britânica. O favorito é o ex-ministro do Exterior e ex-prefeito de Londres, Boris Johnson, que promete retirar o país da União Europeia com ou sem acordo, em 31 de outubro. Seu adversário, o ministro da Defesa, Jeremy Hunt, o desafiou a renunciar se não cumprir a promessa.
Os dois candidatos à liderança do Partido Conservador e à chefia do governo britânico realizaram ontem o primeiro debate ao vivo na televisão. Ambos são a favor da Brexit, a saída britânica. O favorito é o ex-ministro do Exterior e ex-prefeito de Londres, Boris Johnson, que promete retirar o país da União Europeia com ou sem acordo, em 31 de outubro. Seu adversário, o ministro da Defesa, Jeremy Hunt, o desafiou a renunciar se não cumprir a promessa.
O novo líder conservador
será conhecido em 23 de julho, depois de uma eleição direta com a participação
de todos os cerca de 160 mil filiados ao partido, que estão votando pelo
correio. No dia seguinte, deve ser eleito primeiro-ministro. Imediatamente, a
oposição trabalhista deve propor um voto de desconfiança que não tem chance de
dar certo.
Até 31 de outubro, não
haverá tempo para renegociar o acordo com a Europa. De qualquer maneira, os
outros líderes europeus avisaram que a renegociação não será reaberta.
Johnson é um bufão, um
palhaço. É considerado pelo jornal Financial
Times o candidato a primeiro-ministro mais despreparado das últimas décadas.
As relações com os sócios europeus são péssimas. Uma saída dura da União
Europeia será catastrófica para a economia britânica, com sério risco de divisão
do país com a independência da Escócia. Meu comentário:
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terça-feira, 9 de julho de 2019
Ministro da Fazenda do México sai citando diferenças com presidente
O ministro da Fazenda e Crédito Público do México, Carlos Manuel Urzúa Macías, pediu demissão citando diferenças de posição em relação ao presidente Andrés Manuel López Obrador, "muitos" conflitos dentro do governo e a "imposição de funcionários que não entendem de finanças públicas", noticiou o jornal inglês Financial Times.
Professor de economia com mestrado e doutorado nos Estados Unidos, Urzúa era visto como uma espécie de avalista da prudência fiscal do governo esquerdista junto ao empresariado e o mercado financeiro.
É o maior golpe em sete meses de governo López Obrador, um populista de esquerda que adotou políticas como cancelar o projeto do novo aeroporto da Cidade do México, de US$ 13 bilhões, que estava em construção.
O peso mexicano caiu 1,4% para 19,17 por dólar e a Bolsa da Cidade do México perdeu 1,5%.
Ao aceitar a demissão, o presidente declarou: "Ele não concorda com decisões que estamos tomando. Temos o compromisso de mudar a política econômica imposta nos últimos 36 anos." A seu lado, estava o segundo do ministério, Arturo Herrera, que vai substituir Carlos Urzúa.
Em entrevista, Herrera descartou a possibilidade de recessão e prometeu um superávit primário de 1% do produto interno bruto, informou o jornal El Economista. O superávit primário é um saldo positivo nas contas públicas, sem considerar o pagamento de juros da dívida do governo.
O novo ministro afirmou que o baixo crescimento das economias desenvolvidas e os conflitos comerciais podem impactar a economia mexicana.
"É um economista com credenciais para o cargo. Tem boa interlocução", comentou o presidente da Câmara Nacional da Indústria de Transformação (Canacintra), Enoch Castellanos. "Esperamos que o presidente lhe dê autonomia de gestão e respaldo para não contradizer decisões macroeconômicas responsáveis."
Professor de economia com mestrado e doutorado nos Estados Unidos, Urzúa era visto como uma espécie de avalista da prudência fiscal do governo esquerdista junto ao empresariado e o mercado financeiro.
É o maior golpe em sete meses de governo López Obrador, um populista de esquerda que adotou políticas como cancelar o projeto do novo aeroporto da Cidade do México, de US$ 13 bilhões, que estava em construção.
O peso mexicano caiu 1,4% para 19,17 por dólar e a Bolsa da Cidade do México perdeu 1,5%.
Ao aceitar a demissão, o presidente declarou: "Ele não concorda com decisões que estamos tomando. Temos o compromisso de mudar a política econômica imposta nos últimos 36 anos." A seu lado, estava o segundo do ministério, Arturo Herrera, que vai substituir Carlos Urzúa.
Em entrevista, Herrera descartou a possibilidade de recessão e prometeu um superávit primário de 1% do produto interno bruto, informou o jornal El Economista. O superávit primário é um saldo positivo nas contas públicas, sem considerar o pagamento de juros da dívida do governo.
O novo ministro afirmou que o baixo crescimento das economias desenvolvidas e os conflitos comerciais podem impactar a economia mexicana.
"É um economista com credenciais para o cargo. Tem boa interlocução", comentou o presidente da Câmara Nacional da Indústria de Transformação (Canacintra), Enoch Castellanos. "Esperamos que o presidente lhe dê autonomia de gestão e respaldo para não contradizer decisões macroeconômicas responsáveis."
Hong Kong luta pela democracia na China
Em meio a uma onda de manifestações de protesto, a governadora de Hong Kong, Carrie Lam, anunciou hoje a retirada do projeto de lei para permitir a extradição de residentes no território para a China e Taiwan. Ele havia suspendido a tramitação. Agora, aparentemente, enterrou a proposta de vez.
Os manifestantes, que
inicialmente pediam apenas a retirada do projeto, passaram a exigir a renúncia
da governadora, nomeada pelo governo central em Beijim. Os protestos são um
desafio à autoridade do Partido Comunista e do ditador Xi Jinping, que nos últimos
anos tornou o regime ainda mais autoritário e opressivo.
Os residentes de Hong
Kong não têm a menor intenção de viver numa ditadura de partido único como a da
China. O regime comunista, por sua vez, teme que o movimento pela democracia em
Hong Kong atravesse a fronteira e atinja o país como um todo.
Como observou nesta
semana o colunista Gideon Rachman, do jornal inglês Financial Times, tudo o que
se sabe sobre Xi Jinping indica que ele está mais disposto a usar a força para
esmagar os dissidentes do território do que aceitar um desafio permanente ao
poder absoluto do partido.
“Um fantasma ronda a
China, o espectro da democracia”, disse o colunista reescrevendo a frase de
Karl Marx e Friedrich Engels na abertura do Manifesto Comunista, em 1848.
Se Xi enviar tropas para
Hong Kong, vai acabar com a autonomia relativa do território e a promessa feita
ao Reino Unido de manter o sistema capitalista liberal em Hong Kong por 50 anos
a partir da devolução da colônia, em 1997. Meu comentário:
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segunda-feira, 8 de julho de 2019
Trump quer usar o censo dos EUA para intimidar e perseguir imigrantes
A Suprema Corte disse não, mas deixou em aberto a possibilidade de incluir uma questão sobre nacionalidade no Censo de 2020, se houver uma justificativa razoável. Até o momento, o secretário do Comércio, Wilbur Ross, alegou que a informação seria útil do Departamento da Justiça, encarregado de deportar os imigrantes ilegais, mas o Departamento da Justiça não confirmou.
Os formulários do censo
já estão sendo impressos, mas Trump pediu aos advogados da Casa Branca que
arrumem um jeito de reintroduzir a questão: você é cidadão?
A pergunta vai intimidar
imigrantes ilegais, que podem não responder ao Censo. Os imigrantes tendem a
morar em cidades e bairros onde a maioria vota no Partido Democrata. Assim,
quando os mapas dos distritos eleitorais forem refeitos com base nos dados do Censo,
muita gente não seria contada e estas populações seriam sub-representadas nas
assembleias legislativas estaduais e na Câmara dos Representantes.
Trump anunciou no ano
passado que pretendia acrescentar a questão. Advogados especializados em imigração
recorreram à Justiça.
Por 5 a 4, duas semanas
atrás, a Suprema Corte decidiu que, embora o Poder Executivo tenha autoridade
para perguntar o que quiser no censo, não havia uma razão para esta pergunta. O
voto de minerva foi do presidente da Suprema Corte, ministro John Roberts. Meu comentário:
domingo, 7 de julho de 2019
Irã volta a enriquecer urânio acima do limite do acordo de 2015
O Irã anunciou hoje que está regulando suas centrífugas para aumentar a partir de amanhã o teor do urânio enriquecido acima do limite de 3,67% previsto no acordo nuclear assinado em 2015 com as cinco grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e Alemanha.
É uma tentativa de pressionar a Europa, a China e a Rússia a ajudar o Irã a aliviar o impacto das sanções impostas pelos Estados Unidos desde que o presidente Donald Trump retirou seu país do acordo, em 8 de maio de 2018.
Hoje era o fim do prazo de 60 dias que a República Islâmica deu aos europeus para contornar o problema criado pelas sanções americanas. Extremamente preocupada, a supercomissária europeia para política externa, a ex-chanceler italiana Federica Mogherini, prometeu discutir a questão com a China e a Rússia.
"Apelamos ao Irã para que não tome mais medidas que minem o acordo nuclerar", declarou a porta-voz europeia Maja Kocijancic. "Pedimos encarecidamente ao Irã que pare e reverta todas as atividades inconsistentes com o acordo nuclear."
"É melhor o Irã tomar cuidado", advertiu o presidente Trump.
O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, prometeu novas medidas de pressão: "A
última expansão do programa nuclear do Irã vai levar a mais isolamento e mais sanções. Armado com bombas atômicas, o regime iraniano seria um perigo ainda maior para o mundo."
É uma tentativa de pressionar a Europa, a China e a Rússia a ajudar o Irã a aliviar o impacto das sanções impostas pelos Estados Unidos desde que o presidente Donald Trump retirou seu país do acordo, em 8 de maio de 2018.
Hoje era o fim do prazo de 60 dias que a República Islâmica deu aos europeus para contornar o problema criado pelas sanções americanas. Extremamente preocupada, a supercomissária europeia para política externa, a ex-chanceler italiana Federica Mogherini, prometeu discutir a questão com a China e a Rússia.
"Apelamos ao Irã para que não tome mais medidas que minem o acordo nuclerar", declarou a porta-voz europeia Maja Kocijancic. "Pedimos encarecidamente ao Irã que pare e reverta todas as atividades inconsistentes com o acordo nuclear."
"É melhor o Irã tomar cuidado", advertiu o presidente Trump.
O secretário de Estado americano, Mike Pompeo, prometeu novas medidas de pressão: "A
última expansão do programa nuclear do Irã vai levar a mais isolamento e mais sanções. Armado com bombas atômicas, o regime iraniano seria um perigo ainda maior para o mundo."
Conservadores vencem eleições pós-crise na Grécia
Com a promessa de cortar impostos e estimular o crescimento econômico, o partido conservador Nova Democracia venceu hoje as primeiras eleições pós-crise na Grécia. O novo primeiro-ministro será Kyriakos Mitsotakis.
De acordo com a pesquisa de boca de urna, os conservadores receberam entre 38% e 42% dos votos, superando o partido Syriza (Coligação da Esquerda Radical), do primeiro-ministro Alexis Tsipras, que ficou com 26,5% a 30,5% dos votos.
Tsipas chegou ao poder em 2015 com uma proposta radical de enfrentar os credores e a chama troika formada pelo Grupo do Euro, o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), que impuseram um duríssimo programa de ajuste fiscal à Grécia.
A crise grega estourou em 2009, durante a Grande Recessão, quando foi revelado que o governo havia mentido sobre os verdadeiros dados sobre déficit e a dívida pública, e o país não teve mais condições de renegociar seus títulos da dívida no mercado. A dívida, de quase 300 bilhões de euros, era 11% maior do que admitira o governo.
Entre 2004 e 2009, o produto interno bruto cresceu cerca de 40% e a arrecadação de impostos 31%, enquanto as despesas públicas aumentaram 87%, gerando o problema fiscal que explodiu com a crise internacional. De 2010 a 2016, a Grécia aumentou impostos e cortou gastos públicos 12 vezes e renegociou um corte de 50% na dívida em mãos de bancos privados.
O PIB da Grécia caiu 26% de 2008 a 2014 e a renda média por habitante, 24%. A dívida pública chegou a 177% do PIB. O desemprego subiu de 10% para 25%, jogando 44% da população na miséria.
De acordo com a pesquisa de boca de urna, os conservadores receberam entre 38% e 42% dos votos, superando o partido Syriza (Coligação da Esquerda Radical), do primeiro-ministro Alexis Tsipras, que ficou com 26,5% a 30,5% dos votos.
Tsipas chegou ao poder em 2015 com uma proposta radical de enfrentar os credores e a chama troika formada pelo Grupo do Euro, o Banco Central Europeu (BCE) e o Fundo Monetário Internacional (FMI), que impuseram um duríssimo programa de ajuste fiscal à Grécia.
A crise grega estourou em 2009, durante a Grande Recessão, quando foi revelado que o governo havia mentido sobre os verdadeiros dados sobre déficit e a dívida pública, e o país não teve mais condições de renegociar seus títulos da dívida no mercado. A dívida, de quase 300 bilhões de euros, era 11% maior do que admitira o governo.
Entre 2004 e 2009, o produto interno bruto cresceu cerca de 40% e a arrecadação de impostos 31%, enquanto as despesas públicas aumentaram 87%, gerando o problema fiscal que explodiu com a crise internacional. De 2010 a 2016, a Grécia aumentou impostos e cortou gastos públicos 12 vezes e renegociou um corte de 50% na dívida em mãos de bancos privados.
O PIB da Grécia caiu 26% de 2008 a 2014 e a renda média por habitante, 24%. A dívida pública chegou a 177% do PIB. O desemprego subiu de 10% para 25%, jogando 44% da população na miséria.
sábado, 6 de julho de 2019
Ditador demite presidente do Banco Central da Turquia
O ditador Recep Tayyip Erdogan demitiu hoje o presidente do Banco Central da Turquia, Murat Cetinkaya, minando a independência da autoridade monetária encarregada de estabelecer a taxa básica de juros da economia do país.
Um decreto divulgado nas primeiras horas deste sábado afastou Cetinkaya um ano antes do fim de seu mandato de quatro anos. Ele será substituído pelo economista Murat Uysal, que fez carreira no banco estatal Halk antes de se tornar um dos vice-presidentes do Banco Central.
Num momento de fraqueza da economia turca, Erdogan havia se queixado das taxas básicas de juros, que estariam prejudicando a atividade empresarial. A taxa básica de juros de curto prazo está em 8,5% ao ano, depois de chegar em 24% em setembro de 2018 para combater a inflação.
O índice de crescimento de preços caiu do pico de 25% ao ano em outubro do ano passado para 15,7% no mês passado.
A lira turca perdeu 30% do valor desde o ano passado. A expectativa é de forte queda da moeda turca na segunda-feira.
Um decreto divulgado nas primeiras horas deste sábado afastou Cetinkaya um ano antes do fim de seu mandato de quatro anos. Ele será substituído pelo economista Murat Uysal, que fez carreira no banco estatal Halk antes de se tornar um dos vice-presidentes do Banco Central.
Num momento de fraqueza da economia turca, Erdogan havia se queixado das taxas básicas de juros, que estariam prejudicando a atividade empresarial. A taxa básica de juros de curto prazo está em 8,5% ao ano, depois de chegar em 24% em setembro de 2018 para combater a inflação.
O índice de crescimento de preços caiu do pico de 25% ao ano em outubro do ano passado para 15,7% no mês passado.
A lira turca perdeu 30% do valor desde o ano passado. A expectativa é de forte queda da moeda turca na segunda-feira.
sexta-feira, 5 de julho de 2019
ONU acusa ditadura da Venezuela por mais de 5 mil mortes em 2018
Em relatório divulgado hoje pela alta comissária para direitos humanos, a ex-presidente chilena Michelle Bachelet, as Nações Unidas denunciam a trágica situação política, econômica e humanitária da Venezuela.
No ano passado, o governo venezuelano registrou 5.287 mortos como "autos de resistência", quando as vítimas supostamente teriam resistido à prisão, aliás argumento usado amplamente pelas polícias no Brasil. Neste ano, até 19 de maio, houve 1.569 mortos em "atos de resistência". Em 31 de maio, havia 793 presos políticos no país. Em resposta ao relatório, a ditadura soltou hoje cerca de 20 presos.
De janeiro a maio deste ano, 66 pessoas foram mortas em protestos contra o regime chavista e o ditador Nicolás Maduro. Pelo menos 52 dessas mortes foram atribuídas às forças de segurança e aos colectivos, as milícias criadas pelo finado caudilho Hugo Chávez para defender o regime. Meu comentário:
A Venezuela é hoje um dos países mais violentos do mundo. Caracas é a terceira cidade mais violenta do mundo. Além das milícias e dos grupos mafiosos, cerca de metade do país teria se tornado território livre para a ação de guerrilheiros e grupos paramilitares da Colômbia, que traficam drogas, fazem contrabando e mineração ilegal. Restabelecer a ordem pública será mais um grande desafio do futuro governo venezuelano.
No ano passado, o governo venezuelano registrou 5.287 mortos como "autos de resistência", quando as vítimas supostamente teriam resistido à prisão, aliás argumento usado amplamente pelas polícias no Brasil. Neste ano, até 19 de maio, houve 1.569 mortos em "atos de resistência". Em 31 de maio, havia 793 presos políticos no país. Em resposta ao relatório, a ditadura soltou hoje cerca de 20 presos.
De janeiro a maio deste ano, 66 pessoas foram mortas em protestos contra o regime chavista e o ditador Nicolás Maduro. Pelo menos 52 dessas mortes foram atribuídas às forças de segurança e aos colectivos, as milícias criadas pelo finado caudilho Hugo Chávez para defender o regime. Meu comentário:
A Venezuela é hoje um dos países mais violentos do mundo. Caracas é a terceira cidade mais violenta do mundo. Além das milícias e dos grupos mafiosos, cerca de metade do país teria se tornado território livre para a ação de guerrilheiros e grupos paramilitares da Colômbia, que traficam drogas, fazem contrabando e mineração ilegal. Restabelecer a ordem pública será mais um grande desafio do futuro governo venezuelano.
Desde o início do ano,
22 deputados da oposição na Assembleia Nacional perderam a imunidade
parlamentar.
Além desses crimes e
abusos, o relatório da ONU observa que “amplos setores da população não têm
acesso à distribuição de comida” feita pela ditadura de Nicolás Maduro. Algumas
pessoas “passam em média dez horas por dia na fila para conseguir comida.”
A situação dos hospitais
da Venezuela também é trágica, com “falta de funcionários, suprimentos,
medicamentos e eletricidade”. Entre novembro de 2018 e fevereiro de 2019, mil
557 morreram por causa dessas carências.
Nos últimos anos, 4 milhões
de pessoas fugiram da Venezuela, 12,5% da população do país. A previsão é que
este êxodo chegue a 8 milhões até o fim de 2020, se a situação econômica não
melhorar – e não tem a menor chance de melhorar enquanto Maduro, seu regime
chavista e o chamado socialismo do século 21 estiverem no poder.
O produto interno bruto
caiu pela metade desde a posse de Maduro, em 2013, e a inflação deve chegar a
10 milhões por cento.
A ditadura chavista também
oprime os povos indígenas, com perda de terras para forças militares, máfias do
crime organizado e grupos armados. A mineração ilegal, especialmente nos
estados do Amazonas e Bolívar, é outra ameaça, “com violação de vários direitos
coletivos, inclusive o direito de manter seus costumes e estilo de vida
profissional, e a relação espiritual com a terra”.
Ao apresentar o relatório,
Michelle Bachelet declarou que “a única saída para esta crise é se reunir e
dialogar”. Apesar da tragédia, a alta comissária da ONU disse ter esperança.
Bachelet visitou a Venezuela, onde esteve com o ditador Maduro e com líderes da
oposição.
Depois do fracasso de três
manobras do autoproclamado presidente interino Juan Guaidó, o governo e a oposição
da Venezuela iniciaram um diálogo em Oslo, na Noruega, com mediação do México,
da Noruega e do Uruguai. Mas as negociações não avançaram.
Maduro propôs antecipar
as eleições para a Assembleia Nacional, onde a oposição elegeu uma maioria de
dois terços em dezembro de 2015, mas não a realização de uma nova eleição
presidencial. Como o regime controla a máquina pública e os meios de comunicação,
a oposição viu uma tentativa de tomar o pouco poder que lhe resta.
O representante da
Venezuela no Conselho de Direitos Humanos da ONU repudiou as conclusões do
relatório, alegando que é “incompreensível”, sem “rigor científico” e que omite
o “boicote imoral” que o país enfrenta com as sanções impostas pelo presidente
dos Estados Unidos, Donald Trump.
Como a ditadura ainda
conta com o apoio das Forças Armadas, é provável que o atual impasse se
arraste, com a deterioração da situação política e econômica da Venezuela. As
outras possibilidades são um golpe militar dentro do regime com a tomada do
poder pelos militares ou uma transição para a democracia ou o colapso total do
Estado, com anarquia e guerra civil.
O Brasil, os Estados
Unidos e os outros 50 países que apoiam o governo paralelo da oposição devem
oferecer acordos de leniência para os altos dirigentes chavistas que
abandonarem o regime.
A transição pós-ditadura será árdua e longa. O Fundo Monetário Internacional, o FMI, estima que a Venezuela vai precisar de 30 milhões de dólares por ano durante dez anos para recuperar a economia. Antes, Maduro e seu regime precisam cair.
A transição pós-ditadura será árdua e longa. O Fundo Monetário Internacional, o FMI, estima que a Venezuela vai precisar de 30 milhões de dólares por ano durante dez anos para recuperar a economia. Antes, Maduro e seu regime precisam cair.
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