quarta-feira, 1 de abril de 2009

Setor privado fecha mais 742 mil vagas nos EUA

O setor privado fechou mais 742 mil vagas de emprego em março nos Estados Unidos, um recorde, calcula a empresa privada ADP, que faz as folhas de pagamento para empresas de todos os EUA. A expectativa do mercado era de um corte de 656 mil vagas.

Daqui a dois dias, o Departamento do Trabalho divulga as estatísticas oficiais, incluindo também o setor público.

Desde que a maior economia do mundo entrou em declínio, há um ano e três, foram eliminados mais de 5 milhões de postos de trabalho.

Milhares de argentinos se despedem de Alfonsín

Milhares de argentinos foram ao Congresso hoje dar adeus ao ex-presidente Raúl Ricardo Alfonsín, considerado o "pai da redemocratização" do país depois da sangrenta ditadura militar de 1976 a 1983, acusada por 30 mil mortes. Ele morreu ontem às 20h30 de câncer de pulmão aos 82 anos no apartamento da família em Buenos Aires.

Alfonsín, da União Cívica Radical, derrotou o candidato do Partido Justicialista (peronista), Ítalo Argentino Luder, na eleição presidencial de 1983 e recebeu a faixa presidencial do general Reinaldo Bignone. O general assumira o poder depois da humilhante derrota para o Reino Unido na Guerra das Malvinas, que acabou com o reinado macabro das juntas formadas pelos comandantes das três armas (Exército, Marinha e Aeronáutica).

Primeiro presidente civil depois da chamada guerra suja entre a ditadura e grupos armados de esquerda, em que milhares de civis inocentes foram mortos por causa de suas idéias políticas, Alfonsín convocou uma comissão presidida pelo escritor Ernesto Sábato para investigar o desaparecimento de pessoas. A comissão comprovou o desaparecimento de 9 mil inimigos do regime mas grupos de defesa dos direitos humanos elevam o total para 30 mil, inclusive os que tiveram a morte comprovada.

Seu governo foi desafiado por três rebeliões militares dos caras pintadas, lideradas pelos coronéis Aldo Rico e Mohamed Alí Seineldín, hoje aliados do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Cedeu e aprovou as leis Ponto Final e de Obediência Devida, encerrando os processos contra os oficiais subalternos. Mas levou a julgamento todos os comandantes das juntas militares que aterrorizaram a Argentina.

Com o presidente José Sarney, Alfonsín iniciou pelo eixo Brasil-Argentina o processo de integração econômica da América do Sul, que levaria à criação do Mercado Comum do Sul (Mercosul) pelo Tratado de Assunção, em 26 de março de 1991, nos governos Carlos Menem e Fernando Collor. Também aderiram ao bloco o Paraguai e o Uruguai.

Diante da crise da dívida externa da América Latina, provocado por um aumento de taxas de juros para conter a inflação provocada pelas crises do petróleo nos países ricos (não é de hoje que problemas nos países ricos se refletem por aqui), Alfonsín declarou a moratória e enfrentou uma hiperinflação que o derrubou.

A primeira transição democrática entre dois civis eleitos democraticamente na Argentina depois do golpe de 1930, de Alfonsín para Carlos Menem, em 1989, foi antecipada em seis meses.

Com a autoridade moral de pai da democracia argentina, Alfonsín continuou ativo politicamente. Adversário do neoliberalismo de Menem, adotou posições políticas de esquerda nacionalista em questões econômicas. Ficou à esquerda do eleitorado de seu próprio partido, a UCR, apoiada principalmente pela classe média urbana conservadora e antiperonista.

Ele apoiou a candidatura e o governo desastrado de Fernando de la Rúa (1999-2001), que manteve a política de dolarização de Menem, na qual não acreditava, e foi derrubado por ela.

Depois da antecipação do fim do governo Alfonsín, o colapso da economia argentina sob mais um governo radical derrubou as chances eleitorais do partido de recuperar a Casa Rosada por um bom tempo.

Na eleição presidencial de 2006, disputada por três candidatos peronistas e outros menores, Alfonsín apoiou Néstor Kirchner contra Menem.

Assim que a morte de Alfonsín foi anunciada, milhares de pessoas foram para a frente do edifício onde o ex-presidente morava. À noite, ele foi homenageado com uma vigília luminosa.

Durante os dias, os argentinos formaram longas filas para passar ao lado do corpo de Alfonsín, que foi velado na capela do Senado, em Buenos Aires. Entre eles, estavam os ex-presidentes Kirchner e Eduardo Duhalde, e o atual vice-presidente Julio Cobos.

De Londres, onde participa da reunião do Grupo dos Vinte (G-20), a presidente Cristina Kirchner mandou uma mensagem de pêsames à família e ao povo argentino.

Vendas de carros voltam a desabar nos EUA

A crise do mercado de automóveis nos Estados Unidos se agravou ainda mais em março.

Hoje, foram divulgados os dados sobre vendas no mês passado:
* General Motors: -45%
* Ford: -41%
* Chrysler: -39%
* Toyota: -39%
* Honda: -36%

No mês de fevereiro, a produção industrial americana caiu pelo quarto mês seguido.

terça-feira, 31 de março de 2009

Conexão Irã-Venezuela ameaça América Latina

Se os Estados Unidos ou Israel atacarem o Irã para tentar destruir o programa nuclear iraniano, a aliança da república islâmica com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, vai aumentar o risco de atentados terroristas na América Latina.

A advertência é do professor Ely Karmon, pesquisador sênior do Instituto Internacional Contra o Terrorismo de Israel, considerado um dos maiores especialistas internacionais em terrorismo. Karmon fez palestra nesta terça-feira no Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), no Rio de Janeiro.

"O maior objetivo da rede terrorista Al Caeda é realizar grandes ataques nos Estados Unidos", raciocina o pesquisador, "mas a maioria dos ataques foi realizada em países muçulmanos. Para desestabilizar o Iraque, al Caeda matou mais xiitas do que americanos. A maioria dos terroristas suicidas era saudita".

Com os ataques a Madri e a Londres, a rede terrorista se vingou de países que apoiaram as guerras do então presidente americano George W. Bush. Na Espanha, o governo conservador perdeu as eleições de março de 2004 e o novo primeiro-ministro, o socialista José Luis Rodríguez Zapatero, retirou as forças espanholas do Iraque.

Para Ely Karmon, "os grupos que atacaram na Arábia Saudita não eram controlados por Ben Laden. Al Caeda não atacou mais nos EUA nem usou armas de destruição em massa. Sua capacidade tecnológica não é muito grande".

AMEAÇAS FUTURAS
1. Radicalização de muçulmanos que veem necessidade de justiça e vingança.

2. Ressurgimento d'al Caeda dos Talebã no Afeganistão e no Paquistão:
- o governo civil paquistanês não controla o vale do Swat nem as regiões tribais da fronteira entre os dois países;
- parte do serviço secreto militar paquistanês coopera com os jihadistas;
- as armas atômicas são controladas por militares e cientistas implicados na proliferação nuclear;
- eles matam sunitas, xiitas, mohajires...

Em todos os ataques terroristas no Reino Unido, havia gente treinada no Paquistão. Na Espanha e até mesmo em Israel, há paquistaneses envolvidos, observa o pesquisador.

Na ideologia de Ben Laden, "é absolutamente necessário libertar os territórios que um dia foram muçulmanos, inclusive El Andaluz, cerca de 90% da Península Ibérica. Na China, há 70 milhões de muçulmanos na província de Xinjiang. O império muçulmano pegaria um terço da China e um quarto da Rússia".

Como no mundo globalizado, a informação não tem fronteiras, ele mostra uma imagem de Ben Laden ao lado de Che Guevara num ônibus na Bolívia.

3. Coalizão Iraniana: há uma aliança hoje entre o Irã, a Síria, a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá e os fundamentalistas palestinos do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas).

Essa aliança começa em 1982, quando Israel invadiu o Líbano. Aí, nasceu o Hesbolá. Para esta milícia xiita, "o único eixo fundamental é Teerã-Damasco".

No Iraque, os sunitas apoiados pelo governo alauíta (xiita) da Síria atacam os xiitas apoiados pelo Irã. O Hamas, sunita, colabora com o Hesbolá, que é xiita. Em 1982, o governo sírio massacrou 20 mil extremistas muçulmanos na cidade de Hama. Por isso, argumenta Karmon, "a aliança entre a Síria e o Irã não é ideológica".

O Hamas é filho da Irmandade Muçulmana, o primeiro grupo do chamado islamismo político, fundado em 1928 no Egito por Hassan al-Bana. É o maior grupo de oposição à ditadura militar do presidente Hosni Mubarak, ex-comandante da Força Aérea, que está no poder há 27 anos, superando seus antecessores famosos, Gamal Abdel Nasser e Anwar Sadat.

Motor da coalizão, o Irã tem o Exército, a Guarda Revolucionária e uma ideologia mito clara:
• reunificar e reislamizar a umma, o conjunto de todos os muçulmanos;
• reimpor a charia, a lei ou direito islâmico;
• e libertar os territórios muçulmanos.

Karmon cita três conceitos do líder da Revolução Iraniana de 1979, o aiatolá Ruhollah Khomeini:
1. Os clérigos governam: jamais havia sido aplicado e não é totalmente um governo de religiosos. A Guarda Revolucionária tem cada vez mais influência.
2. Os sunitas e os xiitas devem se unificar: Karmon considera inaplicável. Em Teerã, cita como exemplo, "não há mesquitas sunitas".
3. A revolução deve ser exportada: é dever de todo o muçulmano usar todas as armas possíveis para impor o islamismo.

Ao permitir a ocupação da Embaixada dos EUA em Teerã durante 444 dias, de 4 de novembro de 1979 a 20 de janeiro de 1981, mantendo 52 diplomatas americanos como reféns, algo inédito na história diplomática, o aiatolá Khomeini influenciou e estimulou os muçulmanos radicais.

A aliança Irã-Síria-Hesbolá-Hamas é o que o pesquisador chama de "eixo da desestabilização".

Ele nota que "a maior parte do Iraque está sob o controle de dois partidos xiitas. Bagdá era a capital do Califado", o poderoso império muçulmano da Idade Média, que surge em 632, com a morte do profeta Maomé, até 1258, quando cai o Califado de Bagdá.

"Quando os EUA saírem, vai aumentar a influência do Irã", prevê o pesquisador.

Já o Hesbolá é "um Estado dentro do Estado", descreve Ely Karmon. "Depois de 10 anos de terror, se tornou em em 1992 um partido político aliado à Síria. Desde 2000, virou um exército com 30 mil mísseis fornecidos pelo Irã e pela Síria. Elegeu deputados e tem ministros com poder de veto no governo supostamente pró-ocidental do primeiro-ministro Fouad Siniora."

O processo de paz no Oriente Médio é paralisado por essa coalizão liderada pelo Irã. Karmon alega que o Irã tomou a decisão em 1991, quando foi realizada a Conferência de Madri para lançar o processo de paz no Oriente Médio, depois que uma grande aliança liderada pelos EUA expulsara as forças iraquianas do Kuwait.

"Dois meses depois dos acordos de Oslo, começou o terrorismo suicida palestino", afirma o analista. Quando o primeiro-ministro Yitzhak Rabin foi assassinado, em 5 de novembro de 1995, assumiu o primeiro-ministro Shimon Peres. Uma onda de atentados do Hamas e uma invasão ao Sul do Líbano levaram à vitória, em 1996, do linha dura Benjamin Netanyahu, que acaba com o processo de paz.

Em 2000, o primeiro-ministro Ehud Barak ainda tentou fazer um acordo definitivo com Yasser Arafat, sob mediação do presidente americano, Bill Clinton, em Camp David, nos EUA. O fracasso levou à segunda intifada, a Intifada Al-Acsa, o que Karmon vê como uma vitória do Hamas e dos rejeicionistas.

O Hamas venceu as eleições legislativas de 25 de janeiro de 2006 e chegou a formar o governo, mas acabou entrando em conflito com a Fatah, do presidente palestino, Mahmoud Abbas, e tomando o poder pela força na Faixa de Gaza.

Para o professor israelense, "tudo não passa da ambição hegemônica do Irã, que sonha em se tornar potência mundial". Ele acusa o presidente Ahmadinejad de pertencer a um grupo religioso xiita que espera o "retorno de Mahdi", o 12º Imã do xiismo. "O apocalipse é necessário para a volta do Messias".

Nesta linha revolucionária, o regime iraniano trabalha pela radicalização e islamização do Iraque, do Líbano e da Palestina, com forte impacto no Egito e na Jordânia, os dois únicos países árabes que assinaram acordos de paz com Israel, e risco de subversão das monarquias petroleiras do Golfo Pérsico. O Yêmen é 50% xiita e o Kuwait, 30%."

Com os mísseis de médio alcance já testados, o Irã é capaz de atingir a Europa.

"Em 2006", afirma o pesquisador, "Ahmadinejad decidiu ampliar a expansão da política externa da África para a América Latina, com o objetivo de combater a influência dos EUA na região".

Isso levou à aliança com o presidente da Venezuela e à abertura de 11 novas embaixadas no subcontinente. "Na Nicarágua, há 65 diplomatas iranianos". O presidente Evo Morales "reorientou o eixo da política de Oriente Médio da Bolívia do Cairo para Teerã".

O terrorista dos fundamentalistas muçulmanos ou jihadismo só cometeu dois atentados terroristas na América, em 1992 e 1994, contra a embaixada de Israel e uma associação cultural israelita, em Buenos Aires. Nos dois casos, as investigações apontaram para o Hesbolá e o Irã, levando a Justiça da Argentina a denunciar altos dirigentes iranianos, como o então presidente Ali Akbar Hachemi Rafsanjani.

"Quando um comandante do Hesbolá morreu, o governo Chávez fez declarações de apoio", acrescenta Karmon. "Há voos semanais regulares entre Caracas e Teerã. Já há campos de treinamento do Hesbolá em Guajira, na Venezuela, e venezuelanos sendo treinados no Líbano. O comandante Darnott, do Movimento Guaicapurano de Libertação Nacional, adotou uma ideologia islamo-cristã de libertação nacional."

Na Argentina, a aliança reúne o Movimento Patriótico Revolucionário Quebracho, bolivarista de esquerda, os árabes xiitas e militares de extrema direita como os ex-coronéis Aldo Rico e Mohamed Alí Seineldín, líderes dos caraspintadas que tentaram derrubar o presidente Raúl Alfonsín. Em 2006, o Quebracho impediu uma manifestação contra o Irã.

"A decisão estratégica do Irã seria política e economicamente legítima", pondera o professor israelense. "Mas esta infraestrutura pode ser usada contra os EUA e outros países da região."

Ex-presidente Alfonsín morre na Argentina

O ex-presidente argentino Raúl Ricardo Alfonsín morreu às 20h30 de hoje na sua casa em Buenos Aires. Ele tinha 82 anos e sofria de câncer de pulmão há mais de um ano.

Primeiro presidente depois da última ditadura militar (1976-83), Alfonsín governou a Argentina de 1983 a 1989 e enfrentou várias rebeliões de oficiais que não queriam ser processados pelos 30 mil desaparecimentos de pessoas atribuídos ao regime.

Seu governo foi marcado por essas rebeliões, que o levaram a aprovar as Leis de Obediência Devida e Ponto Final, garantindo a impunidade dos militares, com a exceção dos altos comandantes. Em 2005, o então presidente Néstor Kirchner revogou as duas leis, reabrindo os processos por violações dos direitos humanos.

Sob pressão de uma hiperinflação de 200% ao mês, Alfonsín foi forçado a deixar o cargo seis meses antes do fim do mandato, transferindo o poder ao sucessor eleito, Carlos Menem.

Netanyahu assume sem apoio popular

Por 69 a 45, a Knesset, o Parlamento de Israel, aprovou agora há pouco o novo governo formado pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Mas a nova administração já começa sem apoio popular.

Uma pesquisa publicada pelo jornal liberal israelense Haaretz indica que 54% dos israelenses não confiam que o novo governo seja capaz de resolver os problemas do país.

Em discurso no parlamento, Netanyahu disse que Israel tem dois grandes desafios: a crise econômica global e o programa nuclear do Irã, que estaria desenvolvendo armas atômicas. Na sua opinião, a questão iraniana é muito mais grave.

Preço de casas cai 19% nos EUA em um ano

O preço médio das casas em 20 regiões metropolitanas dos Estados Unidos registrava em janeiro uma queda de 19% na comparação com o mesmo mês no ano passado, revelou ontem o índice Case-Schiller, que estuda o mercado imobiliário.

Em algumas regiões, como em São Francisco da Califórnia, a desvalorização supera os 30%. Em Phoenix, no Arizona, chegou a 35%; em Las Vegas, a 32%; e em Miami a 29%.

OCDE prevê contração mundial de 2,75%

A Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) prevê uma retração de 2,75% este ano para a economia mundial e de 13,2% para o comércio internacional - a previsão mais pessimista até agora feita por uma instituição internacional.

O desemprego deve passar de 10% em quase todos os países ricos, com o total de novos desempregados passando de 25 milhões nos 30 países-membros do grupo. Os EUA e a zona do euro devem encolher 4% e o Japão, 6%.

Para o Brasil, a expectativa é de contração de 0,3%.

Desemprego sobe para 4% e Japão faz novo plano

O desemprego no Japão subiu de 4,1% em janeiro para 4,4% em fevereiro.

Com uma queda pela metade das exportações em um ano, o primeiro-ministro Taro Aso deve anunciar um plano extra de estímulo econômico antes de seguir para a reunião de cúpula do Grupo dos Vinte países mais ricos do mundo a ser realizada quinta-feira, 2 de abril, em Londres. A promessa é gerar 2 milhões de empregos.

Será o terceiro plano de estímulo do governo japonês para combater a crise, que atingiu severamente o país, algo em torno de 30 trilhões de ienes, equivalentes a US$ 200 bilhões, na expectativa de tirar a segunda maior economia do mundo da mais severa recessão em 35 anos.

Médicos recontam a colonização da Ásia

Mais de 3 mil médicos contratados pela Companhia Holandesa das Índias Orientais trabalharam da África do Sul ao Japão. Acabaram com má reputação porque enfrentaram doenças tropicais incuráveis na época.

Apesar da imagem negativa, um livro publicado no dia 26 de março pela Universidade de Amsterdã resgata o lado heróico da saga daqueles pioneiros, concluindo que faziam um trabalho com a qualidade da melhor medicina da época. Não eram médicos de segunda classe que não conseguiam trabalho na Europa.

Para escrever Médicos dos Navios da Companhia Holandesa das Índias Orientais: comércio e progresso da medicina no século 18 (Amsterdam: University of Amsterdam Press, 2009), a pesquisadora Iris Bruijn examinou os registros dos trabalhos de 3 mil médicos contratados pela empresa.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Cheney é acusado de dirigir esquadrão da morte

Durante o governo George W. Bush, os Estados Unidos criaram um esquadrão da morte para atuar no exterior sem o conhecimento do Congresso, denunciou o jornalista investigativo Seymour Hersh, da revista The New Yorker, em palestra na Universidade de Minnesota na semana passada.

"Depois de 11 de setembro de 2001, a Agência Central de Inteligência (CIA) esteve profundamente envolvida com atividades domésticas contra pessoas que acreditava serem inimigos do Estado, sem qualquer autoridade legal para isso", acusou o jornalista.

Hersh descreveu a Unidade Conjunta de Operações Especiais como "uma ala especial de nossa comunidade de operações especiais estabelecida independentemente. Ela não presta contas a ninguém. Na era Bush-Cheney, estava diretamente ligada ao gabinete do vice-presidente Dick Cheney... O Congresso não tem nenhum controle sobre ela."

Obama dá ultimato a GM e Chrysler

Reestruturem-se ou peçam concordata: este foi o ultimato que o presidente Barack Obama deu hoje à General Motors e à Chrysler. As duas empresas tinham prazo até amanhã para apresentar planos de recuperação viáveis.

O presidente reafirmou o compromisso de ajudar uma indústria que é um símbolo do "espírito americano", mas disse que as montadoras de automóveis precisam fazer muito mais.

Sob pressão da Casa Branca, o presidente da GM, Rick Wagoner, pediu demissão. Agora, a empresa terá mais dois meses para apresentar um projeto de retorno à lucratividade.

No ano passado, a GM recebeu US$ 13,4 bilhões em empréstimos de emergência para fechar suas contas.

A Chrysler, que recebeu US$ 4 bilhões e está pedindo mais US$ 6 bilhões, tem um mês para acertar uma fusão com a italiana Fiat. Depois do ultimato de Obama, a Chrysler declarou ter chegado a um acordo prévio, mas depois recuou e admitiu que ainda falta acertar muitos detalhes.

Se a GM e a Chyrsler não cumprirem os prazos estipulados por Obama, só lhes restará a alternativa de pedir concordata, que é um pedido de proteção à Justiça contra credores interessados em canibalizar os ativos da empresa.

Terror ataca academia de polícia no Paquistão

Com tiros e granadas, extremistas muçulmanos atacaram hoje uma academia da polícia do Paquistão na cidade de Lahore, considerada capital cultural do país. Pelo menos 12pessoas morreram, sendo oito cadetes e quatro atacantes. Outras 50 saíram feridas. Os terroristas ainda estão atirando dentro do prédio.

A principal suspeita recai sobre os diferentes grupos de jihadistas que proliferam no Paquistão, onde a seleção de críquete do Sri Lanka foi atacada recentemente, entre outros inúmeros ataques cometidos por fundamentalistas islâmicos em que cerca de mil pessoas foram mortas nos últimos dois anos.

O grupo acusado pelo ataque de 26, 27 e 28 de novembro do ano passado contra Mumbai, na Índia, Lashkar-e-Taiba, o Exército dos Puros, acaba de invadir a Caxemira indiana, matando oito soldados do país vizinho e inimigo histórico.

Esses grupos e os talebãs do Paquistão e do Afeganistão tem o apoio do serviço secreto militar paquistanês, afirmou na semana passada o New York Times citando como fonte agentes secretos americanos (leia mais abaixo).

Os EUA estão convencidos de que setores da cúpula militar do Paquistão usam esses grupos irregulares para atacar a Índia e, no caso dos Talebã, manter a influência paquistanesa no vizinho Afeganistão, dilacerado por décadas de guerra. Para Washington, mais problemática é sua aliança com a rede terrorista Al Caeda.

Por isso, a estratégia do presidente Barack Obama para a guerra no Afeganistão muda o foco para o Paquistão. Sem acabar com essa ajuda em dinheiro, armas, munição, suprimentos militares e planejamento estratégico dada pelos militares paquistaneses a radicais muçulmanos, será impossível derrotar o jihadismo na região que Obama considera a "mais perigosa do mundo".

Está em teste a lealdade e a obediência dos militares às autoridades civis paquistanesas.

O Exército, que é quem manda de fato no Paquistão, vai acomodar o radicalismo muçulmano em suas fileiras, fechando-se para preservar o poder das Forças Armadas? Ou vai dar prioridade à aliança com os EUA e colaborar com o governo civil no desmantelamento dos grupos terroristas?

Único país muçulmano com armas nucleares, o Paquistão está à beira do abismo.

Presidente da GM cai sob pressão de Obama

Sob pressão da Casa Branca, o presidente da General Motors, Rick Wagoner, vai deixar o cargo.

O presidente Barack Obama concordou em dar mais ajuda à indústria automobilística dos EUA. Mas deixou claro que a GM e a Chrysler precisam fazer muito mais.

As duas empresas sobrevivem com uma ajuda de US$ 17,4 bilhões do Tesouro. Até 31 de março, deveriam apresentar planos de reestruturação de longo prazo para provar sua viabilidade econômica. A GM perdeu o prazo.

domingo, 29 de março de 2009

Guerra cibernética chinesa espiona 100 países

Uma ampla rede de espionagem supostamente articulada pelos serviços secretos da China obteve dados sigilosos de centenas de computadores dos governos de mais de 100 países, revelaram pesquisadores]s da Universidade de Toronto, no Canadá.

Os investigadores descobriram 1.295 computadores invadidos e infectados no mundo inteiro. Eles acompanharam o roubo de documentos e acompanharam os usuários com câmeras e microfones.

É provável que o relatório, rejeitado pelas autoridades chinesas, aumente o alerta internacional sobre a guerra cibernética e a ação dos hackers a serviço do governo comunista da China. A proporção de alvos de grande valor indicam se tratar de uma operação de espionagem e não de atuação de criminosos.

Dos 1.295 computadores infectados, 397 "eram significativos para as relações entre a China e o Tibete, Taiwan ou a Índia, ou pertenciam a embaixadas, missões diplomáticas, ministérios ou organizações internacionais".

A investigação durou 10 meses e foi realizada a pedido do governo tibetano no exílio, liderado pelo 14º Dalai Lama, Tenzin Gyatso. Vários computadores do escritório do Dalai Lama foram infiltrados.

O centro das operações de espionagem chinesas é a ilha de Hainã, sede do serviço secreto militar chinês Lingshui.

Para o diretor nacional de inteligência dos Estados Unidos, Dennis Blair, grandes potências como a China e a Rússia representam uma ameaça muito maior de guerra cibernética do que grupos extremistas muçulmanos: "Partem da China a maioria dos ataques do exterior contra organizações americanas. Ficam em segundo lugar, depois dos ataques originados nos EUA".

Em 2007, hackers chineses entraram no computador do secretário da Defesa, Robert Gates, mas não tiveram acesso a dados confidenciais do Pentágono. No ano passado, invadiram computadores da Casa Branca.

G-20 acha linguagem comum contra protecionismo

O Grupo dos 20 (G-20) países mais ricos chegou a um acordo para rejeitar o protecionismo econômico mas não se entendeu quanto à necessidade de gastos públicos adicionais coordenados para retomar o crescimento da economia mundial.

É o que revela um anteprojeto de documento final da reunião de cúpula do G-20 marcada para quinta-feira, 2 de abril, em Londres, para buscar soluções para a crise econômica global.

A União Europeia, especialmente a Alemanha e a França, resistem à proposta americana de um estímulo fiscal coordenado vigoroso para aumentar o consumo com dinheiro público neste momento de forte retração no setor privado.

Leia mais no Financial Times e veja o anteprojeto da Declaração de Londres.

Colunista do NY Times compara Lula ao papa

Depois do papa Bento XVI dizer na África que o uso da camisinha pode até agravar a epidemia de aids, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva entra no festival da besteira que assola o planeta (reutilizando a idéia de Stanislaw Ponte Preta) ao acusar "o comportamento irracional de brancos de olhos azuis" pela crise financeira global.

Neste domingo, Maureen Dowd, do jornal The New York Times, chamou-os de "lunáticos internacionais".

Ela observa que a chegada de Barack Obama e sua família à Casa Branca ajuda a dar também aos olhos castanhos a imagem de vencedores.

Restam US$ 134 bilhões do plano anticrise de Bush

Sobram apenas US$ 134,5 bilhões do Programa de Remoção de Ativos Tóxicos (TARP, do inglês) do Plano de Estabilização Financeira de US$ 700 bilhões do governo George W. Bush, admite o Tesouro dos Estados Unidos.

Cerca de 81% dos recursos foram entregues a instituições financeiras em risco ou estão comprometidos. Mas o novo secretário do Tesouro, Timothy Geithner, acaba de lançar um novo plano para que uma parceria público-privada compre até US$ 1 trilhão em papéis pobres em poder de bancos e instituições financeiras.

Isso significa que o programa inicial foi inútil? Confira no Wall Street Journal essa confusa e obscura matemática financeira.

Ruptura de barragem mata ao menos 91 na Indonésia

Subiu para 91 hoje o total de mortos pela explosão de uma barragem na sexta-feira perto de Jacarta, a capital da Indonésia. Mais de cem pessoas continuam desaparecidas e presumivelmente estão mortas.

A barragem se rompeu depois de chuvas torrenciais, provocando uma verdadeira tsuname que arrastou casas, causou uma inundação-relâmpago, e abriu uma cratera profunda e longa no meio de uma das regiões de maior densidade populacional do mundo.

Embora as cheias sejam comuns nesta época do ano que é a estação chuvosa na Indonésia, o colapso da barragem indica negligência, falta da manutenção e incompetência administrativa. Junto com a corrupção, elas compõem o quadro político que leva a uma tragédia desta magnitude.

sábado, 28 de março de 2009

Protestos contra G-20 começam em Londres

O movimento antiglobalização, seus aliados anarquistas e outros grupos iniciaram hoje os protestos contra a reunião de cúpula do Grupo dos 20 (G-20) países mais ricos do mundo, entre eles o Brasil, marcada para 2 de abril em Londres.

Cerca de 35 mil pessoas marcharam pelo centro da capital britânica sob forte vigilância polícial para impedir violência e distúrbios. A multidão pediu "emprego, justiça e combate à mudança do clima".