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quarta-feira, 1 de abril de 2009

Milhares de argentinos se despedem de Alfonsín

Milhares de argentinos foram ao Congresso hoje dar adeus ao ex-presidente Raúl Ricardo Alfonsín, considerado o "pai da redemocratização" do país depois da sangrenta ditadura militar de 1976 a 1983, acusada por 30 mil mortes. Ele morreu ontem às 20h30 de câncer de pulmão aos 82 anos no apartamento da família em Buenos Aires.

Alfonsín, da União Cívica Radical, derrotou o candidato do Partido Justicialista (peronista), Ítalo Argentino Luder, na eleição presidencial de 1983 e recebeu a faixa presidencial do general Reinaldo Bignone. O general assumira o poder depois da humilhante derrota para o Reino Unido na Guerra das Malvinas, que acabou com o reinado macabro das juntas formadas pelos comandantes das três armas (Exército, Marinha e Aeronáutica).

Primeiro presidente civil depois da chamada guerra suja entre a ditadura e grupos armados de esquerda, em que milhares de civis inocentes foram mortos por causa de suas idéias políticas, Alfonsín convocou uma comissão presidida pelo escritor Ernesto Sábato para investigar o desaparecimento de pessoas. A comissão comprovou o desaparecimento de 9 mil inimigos do regime mas grupos de defesa dos direitos humanos elevam o total para 30 mil, inclusive os que tiveram a morte comprovada.

Seu governo foi desafiado por três rebeliões militares dos caras pintadas, lideradas pelos coronéis Aldo Rico e Mohamed Alí Seineldín, hoje aliados do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Cedeu e aprovou as leis Ponto Final e de Obediência Devida, encerrando os processos contra os oficiais subalternos. Mas levou a julgamento todos os comandantes das juntas militares que aterrorizaram a Argentina.

Com o presidente José Sarney, Alfonsín iniciou pelo eixo Brasil-Argentina o processo de integração econômica da América do Sul, que levaria à criação do Mercado Comum do Sul (Mercosul) pelo Tratado de Assunção, em 26 de março de 1991, nos governos Carlos Menem e Fernando Collor. Também aderiram ao bloco o Paraguai e o Uruguai.

Diante da crise da dívida externa da América Latina, provocado por um aumento de taxas de juros para conter a inflação provocada pelas crises do petróleo nos países ricos (não é de hoje que problemas nos países ricos se refletem por aqui), Alfonsín declarou a moratória e enfrentou uma hiperinflação que o derrubou.

A primeira transição democrática entre dois civis eleitos democraticamente na Argentina depois do golpe de 1930, de Alfonsín para Carlos Menem, em 1989, foi antecipada em seis meses.

Com a autoridade moral de pai da democracia argentina, Alfonsín continuou ativo politicamente. Adversário do neoliberalismo de Menem, adotou posições políticas de esquerda nacionalista em questões econômicas. Ficou à esquerda do eleitorado de seu próprio partido, a UCR, apoiada principalmente pela classe média urbana conservadora e antiperonista.

Ele apoiou a candidatura e o governo desastrado de Fernando de la Rúa (1999-2001), que manteve a política de dolarização de Menem, na qual não acreditava, e foi derrubado por ela.

Depois da antecipação do fim do governo Alfonsín, o colapso da economia argentina sob mais um governo radical derrubou as chances eleitorais do partido de recuperar a Casa Rosada por um bom tempo.

Na eleição presidencial de 2006, disputada por três candidatos peronistas e outros menores, Alfonsín apoiou Néstor Kirchner contra Menem.

Assim que a morte de Alfonsín foi anunciada, milhares de pessoas foram para a frente do edifício onde o ex-presidente morava. À noite, ele foi homenageado com uma vigília luminosa.

Durante os dias, os argentinos formaram longas filas para passar ao lado do corpo de Alfonsín, que foi velado na capela do Senado, em Buenos Aires. Entre eles, estavam os ex-presidentes Kirchner e Eduardo Duhalde, e o atual vice-presidente Julio Cobos.

De Londres, onde participa da reunião do Grupo dos Vinte (G-20), a presidente Cristina Kirchner mandou uma mensagem de pêsames à família e ao povo argentino.

quarta-feira, 18 de junho de 2008

Cristina manda projeto sobre imposto ao Congresso

Para reconquistar a credibilidade abalada pela longa crise com os produtores rurais, a presidente Cristina Kirchner prometeu enviar ao Congresso da Argentina um projeto de lei com a escala móvel do imposto sobre exportações agrícolas, que faz as alíquotas subirem junto com a alta no mercado internacional.

Mas o governo tem ampla maioria no Congresso. Os ruralistas ainda não sabem se terão algo a ganhar com isso. O governo quer transformar o protesto nas ruas e estradas em debate parlamentar. Quer retomar seu direito de governar.

Em cinco anos de governo Kirchner - primeiro de Néstor Kirchner e, desde dezembro do ano passado, de sua mulher Cristina Kirchner - raramente o Executivo recorreu ao Congresso para aprovar as medidas, observam analistas como Jorge Castro, do grupo mais liberal da direita peronista ligada ao ex-presidente Carlos Menem.

Castro, que sria ministro das Relações Exteriores se Menem derrotasse Kirchner em 2003, vê no recurso ao Congresso um primeiro sinal de fraqueza política do casal.

A realidade é que caciques peronistas, especialmente o ex-presidente Eduardo Duhalde, que indicou Kirchner e foi atropelado por ele, estão gostando do desgaste do casal Kirchner depois de 98 dias de crise no campo.

Duhalde foi vice no primeiro governo Menem (1989-95) mas rompeu com Carlitos. Foi o candidato peronista em 1999 e perdeu para Fernando de la Rúa, derrubado pela revolta popular com o colapso, em 2001, da dolarização que De la Rúa herdara de Menem.

Na convulsão em que a Argentina teve vários presidentes em poucos dias, o nome de Duhalde surgiu como o mais indicado para governar por um mandato-tampão, na verdade, para concluir o mandato interrompido de De la Rúa. Duhalde iniciou o processo de estabilização da Argentina.

Em plena crise, seria impossível organizar eleições. Duhalde foi o homem da transição e indicou ao Partido Justicialista o então governador da província de Santa Cruz, na Patagônia, Néstor Kirchner como candidato à Casa Rosa para impedir a volta de Menem.

Com o colapso da União Cívica Radical depois dos governos incompletos de Raúl Alfonsín (1983-89) e De la Rúa (1999-2001), o peronismo voltou a ter a hegemonia da política argentina.

A luta é entre peronistas de diversas correntes, como Kirchner x Menem. Mas na briga Duhalde x Kirchner, aí a luta já é pelo controle da ala mais à esquerda do movimento peronista, um quer ocupar o lugar do outro. Não há um debate ideológico. É uma luta pelo controle da máquina do partido.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Catorze candidatos disputam a Casa Rosada

A favorita para vencer a eleição presidencial de 28 de outubro na Argentina é a senadora e primeira-dama Cristina Fernández de Kirchner. Com mais de 40% das preferências, ela pode ganhar no primeiro turno se tiver 45% dos votos válidos ou 40% e nenhum outro candidato chegar a 30%.

Dos outros 13 candidatos, no momento a melhor colocada é a líder esquerdista Elisa Carrió, da Aliança por uma República Independente, com 12%, seguida pelos ex-ministros da Economia Roberto Lavagna, que renegociou a dívida argentina depois do calote de 2001, e Ricardo López Murphy, que não conseguiu resolver o problema do governo De la Rúa (1999-2001) e foi substituído por Domingo Cavallo, que criara a paridade dólar-peso no governo Carlos Menem (1989-99) mas não soube se livrar dela.