quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

Israel e Hamas estão mais perto do cessar-fogo, diz agência Reuters

 O Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) quer o fim da guerra, não uma trégua. Rejeitou em princípio a proposta de Israel de dois meses de cessar-fogo para uma troca de reféns israelenses por presos palestino com um salvo-conduto para os líderes do Hamas saírem da Faixa de Gaza. Quer manter o governo do território. Israel quer continua a guerra até destruir o Hamas. Mas, nas últimas horas, a agência de notícias Reuters informou que as duas partes estão mais perto de um cessar-fogo.

Na maior batalha da guerra até agora, o Exército de Israel cercou Khan Yunes, a segunda maior cidade de Gaza e a maior do Sul do território palestino, onde estariam os líderes do Hamas mais procurados. Israel mandou 500 mil civis saírem da cidade e ordenou a evacuação do Centro Médico Nasser, o único grande hospital que ainda funciona em Gaza.

Durante reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas, o secretário-geral da ONU, António Guterres, considerou "inaceitável" a recusa de Israel de aceitar a criação de um Estado palestino, enquanto "a população inteira de Gaza suporta uma destruição numa escala e numa velocidade sem paralelo na história recente."

O Escritório de Coordenação da ONU para Ajuda Humanitária alertou que a violência política na Cisjordânia ocupada é a maior desde 2005, quando começou a registrar o número de mortos e feridos. Desde o início da guerra, 360 palestinos e 5 palestinos foram mortos na Cisjordânia.

No Líbano, a milícia extremista xiita Hesbolá (Partido de Deus) anunciou ter disparado "um grande número de mísseis" contra uma base aérea do Norte de Israel "em resposta aos assassinatos recentes e às agressões a civis inocentes" na Síria e no Líbano.

A Força Aérea dos EUA fez na madrugada desta quarta-feira o nono ataque contra instalações da milícia huti Ansar Alá (Partidários de Deus), que está atacando navios no Mar Vermelho e no Golfo de Áden.

Hoje na História do Mundo: 24 de Janeiro

ASSASSINATO DE CALÍGULA

    Em 41, o imperador romano Calígula é assassinado por Cássio Quereia, Cornélio Sabino e outros membros da guarda pretoriana.

Caio Júlio César Augusto Germânico Calígula nasce em 31 de agosto de 12. É filho mais moço de Germânico, um dos maiores generais da história da Roma Antiga, que era sobrinho e filho adotivo do imperador Tibério. Antes de morrer, Tibério indica Calígula e o neto Tibério Gêmelo como sucessores.

Em 18 de março de 37, torna-se o terceiro imperador romano, depois de Augusto e Tibério. No poder, é despótico e cruel. Entre outros, manda matar Tibério Gêmelo, neto de Tibério, rival na sucessão.

Depois de gastar a grande soma em dinheiro que Tibério deixa no Tesouro, passa a extorquir cidadãos de Roma e confiscar suas propriedades.

Durante seu reinado, o Império Romano conquista a Mauritânia, cujo imperador ele assassina durante uma visita a Roma. Em sua megalomania, manda construir estátua em sua homenagem no Templo de Jerusalém. Quer nomear seu cavalo, Incitatus, para o Senado, mas é morto antes.

Seus assassinos sonhavam em restaurar a República, mas, no dia de sua morte, seu tio Tibério Cláudio César Augusto Germânico é aclamado imperador. Cláudio manda executar os assassinos do sobrinho.

HITLER REJEITA RENDIÇÃO EM STALINGRADO

    Em 1943, durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), com a derrota iminente numa das batalhas mais importantes da história, o general Friedrich Paulus, comandante do 6º Exército da Alemanha, pede licença a Adolf Hitler para se render em Stalingrado, na União Soviética, mas o ditador nazista não aceita.

Antes da guerra, a Alemanha Nazista e a URSS firmam o Pacto Germano-Soviético, um acordo de não agressão. Quando Hitler invade, em 22 de junho de 1941, a URSS entra na guerra. O Exército alemão avança em três frente: no norte, rumo a Leningrado, hoje São Petersburgo; no centro, rumo a Moscou; e no sul rumo à Ucrânia e ao Vale do Rio Volga.

A Batalha de Stalingrado começa em 23 de agosto de 1942 e termina em 2 de fevereiro de 1943 com 2 milhões de baixas. É o momento em que os nazistas param de avançar e o Exército Vermelho inicia sua marcha até a vitória em Berlim em 8 de maio de 1945.

MORTE DE CHURCHILL

    Em 1965, morre Winston Churchill, o primeiro-ministro britânico que resiste ao ditador nazista Adolf Hitler e se torna um dos heróis da Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Winston Leonard Spencer Churchill nasce no Palácio de Blenheim, em Woodstock, no Condado de Oxford, na Inglaterra,
em 30 de novembro de 1874 numa família aristocrática. Militar, estadista e escritor, entra para o Exército Real em 1895 e atua na Índia britânica, na Guerra Anglo-Sudanesa e na Segunda Guerra dos Bôeres, na África do Sul. Faz fama como correspondente de guerra.

Eleito para o Parlamento Britânico em 1900 pelo Partido Conservador, vai para o Partido Liberal em 1904. Secretário do Interior do governo Herbert Asquith, defende a reforma do sistema prisional e previdêncial social para os trabalhadores.

Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), como Primeiro Lorde do Almirantado, dirige a desastrosa Campanha de Galípoli. É rebaixado a Chanceler do Ducado de Lancaster, o ministério do funcionalismo público. Renuncia em novembro de 1915 e se junta aos Fuzileiros Reais Escoceses na frente ocidental.

Churchill volta ao governo sob o primeiro-ministro David Lloyd George como secretário de Estado (ministro) da Guerra e depois das Colônias. Supervisiona o Tratado Anglo-Irlandês, que dá independência à Irlanda, e a polícia externa para o Oriente Médio. Para conter o Irã, cria artificialmente o Iraque, juntando as províncias do antigo Império Otomano (turco) de Bagdá e Bássora à província curda de Kirkuk, enterrando o sonho de independência do Curdistão.

Depois de ficar dois anos fora da Câmara dos Comuns, volta e é nomeado Chanceler do Tesouro (ministro das finanças) do governo conservador de Stanley Baldwin, quando reintroduz o padrão-ouro, medida considerada deflacionária que deprime a economia britânica.

Com a ascensão do nazismo na Alemanha, Churchill defende o rearmamento e se opõe ao Acordo de Munique, negociado pelo primeiro-ministro Neville Chamberlain, entregando a região dos Sudetos, na Tcheco-Eslováquia, numa tentativa de apaziguar Adolf Hitler.

No início da Segunda Guerra Mundial, (1939-45) é renomeado Primeiro Lorde do Almirantado. Em maio de 1940, quando a Alemanha Nazista invade a França, vira primeiro-ministro. Com a vitória britânica na Batalha da Inglaterra, em outubro de 1940, passa a liderar a resistência ao nazifascismo na Europa. 

Depois que a União Soviética e os Estados Unidos entram na guerra, em 1941, forma com o presidente norte-americano Franklin Roosevelt e o ditador soviético Josef Stalin o grupo dos três grandes aliados na luta contra as potências do Eixo (Alemanha, Itália e Japão).

Com a derrota dos conservadores depois da guerra, nas eleições de 1945, vira líder da oposição. No início da Guerra Fria, adverte, em discurso no Westminster College, em Fulton, no Mississípi, nos EUA, que, "de Stettin, no Mar Báltico, a Triestre, no Mar Adriático, uma cortina de ferro desce através do continente."

Ele volta ao poder com a vitória nas eleições de outubro de 1951. Com a saúde abalada, renuncia à chefia do governo em 5 de abril de 1955, quando é grande conselheiro da jovem rainha Elizabeth II. Continua como deputado até 1964.

Grande frasista, tinha presença de espírito para tiradas espetaculares. Quando uma deputada lhe disse, "se eu fosse sua mulher, lhe faria um chá de cicuta", o veneno que matou o filósofo grego Sócrates, respondeu: "Se eu fosse seu marido, eu tomaria esse chá."

Para defender a guerra contra a Alemanha Nazista, disse: "Se Hitler invadisse o inferno, eu diria alguma coisa a favor do demônio na Câmara dos Comuns", frase que foi mudada para "eu lutaria ao lado do demônio", o que ele não disse.

Visto como um dos grandes heróis da história da Inglaterra e do Reino Unido pela resistência ao nazifascismo e a liderança na Segunda Guerra Mundial, Churchill é acusado de racismo e de crimes de guerra pelo bombardeio com bombas incendiárias a Dresden, na Alemanha, de 13 a 15 de fevereiro de 1945, quando a guerra estava praticamente ganha, e pela repressão à Revolta dos Mau Mau (1952-60), durante a luta pela independência do Quênia.

terça-feira, 23 de janeiro de 2024

Israel propõe trégua de dois meses para libertar reféns

Numa tentativa de libertar todos os reféns, Israel propôs uma trégua de dois meses e a saída livre dos líderes do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) da Faixa de Gaza. A trégua mais longa oferecida desde o início da guerra é uma tentativa do governo Benjamin Netanyahu de recuperar o apoio interno. O Hamas ainda não respondeu. Estava exigindo o fim da guerra e a libertação de todos os palestinos presos em Israel para soltar os reféns.

Enquanto oferece uma trégua, Israel trava a batalha mais violenta da guerra, em Khan Yunes, a maior cidade do Sul de Gaza. No dia mais sangrento da guerra neste ano, 21 soldados israelenses morreram quando instalavam explosivos para demolir dois edifícios no Centro do território palestino.

Na frente norte, Israel propôs uma trégua de 48 horas à milícia extremista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus). Se o Hesbolá não aceitar, Israel ameaça intensificar a guerra. Um oficial da milícia disse ao jornal libanês L'Orient Le-Jour que Israel está blefando porque não condições de travar uma guerra de alta intensidade em duas frentes.

Os Estados Unidos e o Reino Unido fizeram um bombardeio com oito ondas de ataque no território do Iêmen à milícia huti Ansar Alá (Partidários de Deus), que ataca navios no Mar Vermelho e no Golfo de Áden.

Hoje na História do Mundo: 23 de Janeiro

    Em 1849, numa cerimônia de formatura realizada numa igreja de Genebra, no estado de Nova York, Elizabeth Blackwell torna-se a primeira mulher a se graduar em medicina nos Estados Unidos.

Seu pai era do movimento abolicionista. O irmão e a mulher dele eram ativistas da luta pelo voto feminino. Boa aluna, Elizabeth decide estudar medicina depois de ouvir de uma amiga que estava morrendo que teria sido mais bem-tratada por uma mulher.

A questão vai para o conselho universitário e é aprovada por estudantes, talvez por troça tão inacreditável é a ideia para a época. Elizabeth recebe sua carta de aceitação e começa a estudar em 1847.

Elizabeth Blackwell monta uma clínica para pobres em Nova York, funda um hospital e uma enfermaria para crianças e mulheres junto com uma irmã mais moça que também se forma em medicina,

Durante a Guerra da Secessão (1861-65), elas treinam enfermeiras para atender os feridos. Em 1868, abrem sua faculdade de medicina. Elizabeth vai então para Londres, onde dá aula de ginecologia na Escola de Medicina para Mulheres.

Blackwell é uma pioneira. Seu exemplo contribui para que as mulheres aos poucos sejam aceitas numa profissão predominantemente masculina. Em 2017, pela primeira vez, há mais mulheres do que homens estudando medicina nos EUA.

MULHER NO PODER

    Em 1997, um dia depois de aprovação unânime no Senado, Madeleine Albright toma posse como a primeira secretária de Estado, a primeira mulher a chefiar a diplomacia dos Estados Unidos.

Albright nasce em 1937 na Tcheco-Eslováquia e é batizada como Madeleine Jana Korbelova. Sua família foge para os EUA em 1948, depois que os comunistas tomam o poder. 

Ela estuda direito e política na Universidade Colúmbia, em Nova York, e vai até o doutorado. Em 1959, casa com Joseph Albright, de uma família de editores. Nos anos 1970, trabalha como funcionária do Conselho de Segurança Nacional nos anos 1970. 

Em janeiro de 1993, no início do governo, o presidente Bill Clinton a nomeia embaixadora junto às Nações Unidas. Em dezembro de 1996, Clinton a indica para secretaria da Estado, tornando-a na primeira mulher a ocupar o cargo e a mais alta funcionária até então do governo dos EUA.

Imigrante da Europa Oriental, fala francês, polonês, russo e tcheco, Madeleine Albright se interessa especialmente pelos países de sua região de origem no mundo pós-Guerra Fria. É uma das principais responsáveis pela intervenção internacional da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Guerra do Kossovo contra o ditador sérvio Slobodan Milosevic, também conhecida como a guerra da Srª Albright.

Madeleine Albright é secretária de Estado até o fim do governo Clinton, em janeiro de 2001. Volta então a lecionar na Universidade Georgetown. Torna-se uma voz importante do antifascismo nos EUA. Ela morre em 23 de março de 2022. Um mês antes, na véspera da invasão da Ucrânia, o jornal The New York Times publica um artigo da ex-secretária advertiu o ditador russo, Vladimir Putin, para o "erro histórico" de ir à guerra. 

segunda-feira, 22 de janeiro de 2024

Secretário-geral da ONU acusa Israel por matança "totalmente inaceitável"

Durante reunião de cúpula do Movimento dos Países Não Alinhados em Kampala, a capital de Uganda, no Centro da África, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, denunciou Israel pela matança “totalmente inaceitável” de civis palestinos na Faixa de Gaza, onde o número de mortos está em 25.105.

"As operações militares de Israel causaram destruição em massa e mataram civis numa escala sem precedentes durante o meu tempo como secretário-geral," disse Guterres. "Isso é de partir o coração e totalmente inaceitável. O Oriente Médio é um barril de pólvora, devemos fazer tudo o que pudermos para evitar que o conflito se inflame em toda a região."

Em Israel, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu rejeitou uma proposta de trégua do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), o grupo terrorista responsável pelo ataque de 7 de outubro, que chamou de "total rendição". Também não aceita um plano de paz dos Estados Unidos, do Egito e do Catar por prever a criação de um Estado nacional palestino.

Netanyahu se apresenta como o único líder capaz de evitar o estabelecimento de um país palestino, que descreve como "ameaça existencial a Israel". Ao mesmo tempo, humilha o presidente Joe Biden e aposta na volta do ex-presidente Donald Trump à Casa Branca.

Mais da metade dos israelenses entende que o primeiro-ministro coloca sua preocupação pessoal de não ir para a cadeira em processo que enfrenta por corrupção acima dos interesses nacionais, indica uma pesquisa divulga pelo canal 13 da televisão de Israel. Mais de 70% querem sua queda.

Os EUA confirmaram a morte de dois soldados da tropa de elite da Marinha Seals, a mesma que matou Ossama ben Laden, durante uma abordagem a um veleiro para impedir o envio de mísseis do Irã à milícia xiita zaidita huti, que ataca a navegação do Mar Vermelho.
 

Hoje na História do Mundo: 22 de Janeiro

 MORTE DA RAINHA VITÓRIA

    Em 1901, depois de 63 anos de reinado e de 81 de vida, morre a rainha Vitória, da Inglaterra, imperatriz da Índia, marco do fim de uma era de grande expansão do Império Britânico, onde o Sol nunca se punha.

Vitória nasce em 24 de maio de 1819 e ascende ao trono com 18 anos, em 20 de junho de 1837, com a morte de seu tio Guilherme IV. 

Amiga de seu primeiro primeiro-ministro, Lorde Melbourne, Vitória tenta evitar que seja sucedido pelo conservador Sir Robert Peel em 1839. Dois anos depois, os conservadores vencem a eleição. Ela é obrigada a aceitar Peel. Nunca mais intervém diretamente na política.

Em fevereiro de 1840, ela se casa com o primo Albert, um príncipe alemão. Ele se torna um conselheiro importante e secretário particular da rainha. O casal organiza a primeira exposição internacional, a Grande Exposição, em 1851, para apresentar ao mundo o poder da indústria britânica.

Albert leva Vitória a se afastar dos liberais e se aproximar dos conservadores. A rainha apoia claramente Benjamin Disraeli, líder do Partido Conservador. Quando Disraeli se torna primeiro-ministro, dá a Vitória o título de imperatriz da Índia, em 1876.

DIREITO AO ABORTO

    Em 1973, a Suprema Corte dos Estados Unidos toma uma de suas decisões mais discutidas, criando o direito constitucional ao aborto ao declarar que uma lei do estado do Texas que criminalizava a interrupção da gravidez era inconstitucional por violar o direito da mulher à privacidade com base na Emenda nº 14.

Depois que o então presidente Donald Trump nomeia três juízes conservadores para a Suprema Corte, em 24 de junho de 2022, por 5 a 4, o supremo tribunal dos EUA revoga o direito constitucional ao aborto ao decidir que, como a Constituição não toca no assunto, a questão é de competência dos estados.

Naquele caso, por 6 a 3, a Suprema Corte considera constitucional uma lei do estado do Alabama que proíbe o aborto após 15 semanas de gravidez. O presidente do tribunal, ministro John Roberts, tenta evitar a mudança na jurisprudência firmada em 1973, mas é atropelado pelos outros juízes conservadores.

Desde então, vários estados decidiram em plebiscitos manter o direito ao aborto. A questão favorece os candidatos democratas em eleições recentes, inclusive em 2022, quando os democratas mantiveram a maioria no Senado, mas perderam na Câmara.

SAKHAVOV PRESO 

    Em 1980, o físico Andrei Sakharov, o pai da bomba de hidrogênio da União Soviética, é preso por criticar a invasão do Afeganistão, se torna o mais importante dissidente do regime comunista, perde todas as honrarias e é enviado para o exílio interno na cidade de Gorki.

Sakharov nasce em Moscou em 1921 e estuda física na Universidade de Moscou. Em 1948, é recrutado pelo programa nuclear soviético.

Depois de detonar sua primeira bomba atômica, em 29 de agosto de 1949, a URSS entra na corrida nuclear com os Estados Unidos para desenvolver a bomba H. Os EUA conseguem primeiro, em 31 de outubro de 1952. Três anos depois, em 22 de novembro de 1955, a URSS explode sua bomba H.

Diante da potência da nova bomba, milhares de vezes maior do que a das bombas atômicas de urânio e plutônio, Sakharov se arrependeu. Num artigo sobre os males da radioatividade, em 1957, pediu o fim dos testes nucleares.

A URSS tolera as críticas até 1969, quando o jornal The New York Times publica um artigo de Sakharov atacando a corrida armamentista e o regime comunista soviético, e defende "uma sociedade democrática e pluralista livre da intolerância e do dogmatismo, uma sociedade humanitária que cuide da Terra e de seu futuro."

Afastado do programa nuclear soviético, ele se torna um ativista em defesa dos direitos humanos. Em 1975, ganha o Prêmio Nobel da Paz. Quando denuncia a invasão do Afeganistão, vai para o exílio interno em Gorki.

Com a liberalização do regime promovida por Mikhail Gorbachev a partir de 1985, Sakharov é reabilitado em dezembro de 1986 e é eleito para o Congresso dos Deputados do Povo. Morre de ataque cardíaco em 1989, aos 68 anos.

MAIOR MINORIA

    Em 2003, o Birô do Censo nos Estados Unidos revela que os hispânicos (latino-americanos) se tornam a maior minoria racial do país ultrapassando os negros.

Hoje os hispânicos são 19,1% da população dos EUA e os negros 13,6%. Os brancos não latinos e não hispânicos são 58,9%. Os brancos, considerando todos, são 75,5%.

PRESIDENTE INDÍGENA

    Em 2006, Evo Morales, da tribo aimara, toma posse como o primeiro presidente indígena da história da Bolívia e o segundo da América Latina, depois do mexicano Benito Juárez (1858-72). Durante seus três governos, o produto interno bruto boliviano cresce 344% e a pobreza extrema cai de 38% para 15%.

Morales nasce em Orinoca em 26 de outubro de 1959. Entra na política como sindicalista dos agricultores produtores da folha de coca, sagrada para os índios da região dos Andes, e se opõe firmemente às tentativas dos Estados Unidos de erradicar as plantações de coca, matéria-prima para fabricação de cocaína.

Depois de ficar em segundo lugar na eleição de 2002, Evo se elege no primeiro turno em 18 de dezembro de 2005, com 54% dos votos, nacionaliza o petróleo e o gás, ocupando militarmente instalações da Petrobrás no país e consegue aprova uma nova Constituição que declara que a Bolívia é um Estado plurinacional e reconhece os direitos dos povos indígenas, inclusive a seu próprio sistema de justiça.

Reeleito em 6 de dezembro de 2009 no primeiro turno com 64% dos votos, Evo declara que o limite constitucional de dois mandatos só vale após a aprovação da nova Constituição e concorre a uma segunda reeleição em 12 de outubro de 2014. Vence com 61%.

Como a Constituição só permite uma reeleição, Evo convoca um referendo constitucional para mudar a regra e perde, em 21 de fevereiro de 2016 por 51% a 49%, mas ignora o resultado. Recorre ao Tribunal Constitucional Pluriancional.

Em 28 de novembro de 2017, o supremo tribunal boliviano autoriza nova reeleição com base em decisão Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), o Tribunal de São José da Costa Rica que considera o direito de ser candidato um direito humano fundamental. 

Evo sai na frente no primeiro turno da eleição de 20 de outubro de 2019, mas denúncias de fraude confirmadas em relatório da missão da Organização dos Estados Americanos (OEA) deflaglaram uma onda de protestos populares com mortes. Em 10 de novembro, o presidente cede e admite convocar nova eleição. Horas depois, renuncia sob pressão das Forças Armadas, da Polícia Nacional e da Central Operária Boliviana (COB) para evitar mais mortes.

Numa manobra golpista, o presidente, o vice-presidente e os presidentes da Câmara e do Senado, todos do Movimento ao Socialismo (MAS), o partido de Morales, renunciam coletivamente, deixando o Estado boliviano acéfalo para tentar voltar ao poder. Evo foge para o México. A segunda vice-presidente do Senado, Jeanine Ágnez, assume a Presidência. Hoje, está presa sob a acusação de liderar um golpe de Estado.

O MAS volta ao poder com a vitória de Luis Arce, ministro da Economia de Morales, em 18 de outubro de 2020. Evo se comporta como oposição a seu próprio partido e trama a volta ao poder em 2025, mas é barrado pelo Tribunal Constitucional de 30 de dezembro de 2023, que revoga a decisão de 2017 a favor de Morales.

Em 16 de agosto de 2021, a CIDH decide que "a proibição da reeleição indefinida é compatível com a Convenção Americana de Direitos Humanos", revogando a medida que beneficiara Morales. 

domingo, 21 de janeiro de 2024

Israel mata na Síria comandantes da Guarda Revolucionária do Irã

Um bombardeio de Israel a Damasco, a capital da Síria, matou no sábado cinco membros da Guarda Revolucionária do Irã, inclusive o chefe e o subchefe de inteligência para ações no exterior. Israel não negou nem confirmou, como costuma fazer nestes casos.

O presidente iraniano, Ebrahim Raïsi, prometeu vingança e ela veio logo. Um ataque de mísseis contra uma base aérea em Faluja, no Iraque, feriu levemente dois soldados norte-americanos e um iraquiano.

Além da Síria, onde apoia a ditadura de Bachar Assad, comandantes Guarda Revolucionária Iraniana, braço armado da ditadura dos aiatolás, estão no Iêmen apoiando e supervisionando os ataques a navios da milícia huti no Mar Vermelho, capazes de abalar a economia mundial.

Um ataque de drones israelenses matou dois oficiais da milícia extremista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus). Mais de 200 pessoas morreram no Sul do Líbano desde o início da guerra. Pelo menos 160 eram combatentes do Hesbolá, que por sua vez matou 15 pessoas no Norte de Israel.

Durante a noite, Israel voltou a bombardear as cidades de Rafá e Khan Yunes, no Sul da Faixa de Gaza, e os campos de refugiados de Jabália, no Norte, e El Bureij, no Centro do território palestino, Com 165 mortes em 24 horas, o total de palestinos mortos em Gaza na guerra chegou a 24.927.

Em uma reunião de cúpula do Movimento dos Países Não Alinhados, em Kampala, em Uganda, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, declarou que "o direito do povo palestino de construir seu próprio Estado deve ser reconhecido por todos." Mas o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, desmentiu o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, para reafirmar a determinação de impedir a criação de uma Palestina independente.

Milhares de pessoas protestaram desde quinta-feira em Telavive e Haifa pedindo o fim da guerra, a libertação de todos os reféns e a realização de novas eleições para substituir Netanyahu.

Hoje na História do Mundo: 21 de Janeiro

LUÍS XVI É GUILHOTINADO

    Em 1793, um dia depois de ser condenado à morte pela Convenção Nacional por traição e conspiracão com potências estrangeiras, o rei Luís XVI é executado na Praça da Revolução, em Paris.

É o período do terror da Revolução Francesa, em que milhares de pessoas foram guilhotinadas, inclusive o rei, a rainha e os líderes revolucionários Georges Jacques Danton e Maximiliano Robespierre.

MORTE DE LENIN

    Em 1924, o líder da Revolução Comunista e primeiro líder da União Soviética, Vladimir Ilich Ulianov, mais conhecido como Lenin, morre aos 54 anos, deflagrando uma luta pelo poder entre Leon Trotsky, criador do Exército Vermelho e ministro do Exterior, e o secretário-geral do partido, Josef Stalin, que vence e governa durante três décadas com um regime de terror. 

O corpo de Lenin embalsamado está em exposição num mausoléu na Praça Vermelha. Ele nasce numa família de classe média alta e entra na luta pelo socialismo revolucionário depois da execução, em 1887, do irmão mais velho, Alexander, condenado à morte sob acusação de conspirar para matar o czar e derrubar o regime.

Condenado por ativismo comunista, Lenin fica três anos no exílio interno na Sibéria, onde se casa com Nádia Krupskaya, e depois vai para a Europa Ocidental. Quando estoura a Primeira Guerra Mundial, Lenin se refugia na neutra Suíça.

Contra a guerra, faz campanha para convencer os partidos socialistas e os trabalhadores dos exércitos em luta a se revoltar contra a burguesia e a aristocracia dominantes de seus países. A guerra só interessa às elites. Lenin escreve seu único livro sobre relações internacionais, Imperialismo: a fase superior do capitalismo. 

Depois da queda do czar Nicolau II na Revolução de Fevereiro de 1917, Lenin recebe um salvo-conduto para atravessar a Alemanha e chega a Petrogrado, hoje São Petersburgo, depois de ter sido Leningrado. Ele lança as Teses de Abril e lidera a Revolução de Outubro, quando os comunistas tomam o poder.

Lenin é o chefe de Estado na Rússia Comunista e da URSS de 1917 até sua morte. Em reação à revolução, começa uma guerra civil. Os comunistas vencem em 1922 e criam a URSS para acomodar as diferentes nacionalidades do antigo império czarista. Para justificar a invasão da Ucrânia, o ditador russo, Vladimir Putin, alega que a Ucrânia é uma invenção de Lenin e Stalin.

Um dos líderes mais influentes do século 20, Lenin deixa sua marca em toda uma corrente política, o marxismo-leninismo. É acusado de ter aberto o caminho para o stalinismo com o chamado centralismo democrático e de criar um regime totalitário com execuções em massa, inclusive da família imperial czarista, política política e perseguição aos dissidentes.

PRIMEIRO VOO COMERCIAL DO CONCORDE

    Em 1976, o Concorde, o primeiro avião de passageiros supersônico, um projeto financiado pelos governos da França e do Reino Unido, faz seus primeiros voos comerciais. Com a companhia aérea British Airways, vai de Londres ao Bahrein, enquanto pela Air France voa de Paris ao Rio de Janeiro.

O Concorde é o primeiro projeto conjunto de países europeus para desenhar e construir uma aeronave. Em 29 de novembro de 1962, a França e o Reino Unido assinam um tratado para realizar o projeto. A British Aerospace e a Aérospatiale são encarregadas de fabricar a estrutura metálica, e a Rolls-Royce e a Société Nationale de Étude et de Construction de Moteurs d'Aviation (SNECMA) fazem os motores. 

O primeiro voo é em 2 de março de 1969. O Concorde atinge uma velocidade máxima de 2.179 quilômetros por hora ou Mach 2,04, mais de duas vezes a velocidade do som. A primeira travessia do Oceano Atlântico é em 26 de setembro de 1973. O jato supersônico reduz o tempo de viagem entre Londres e Nova York para três horas.

Em maio de 1976, as duas companhias aéreas passam a voar regularmente para Washington e, em novembro de 1977, para Nova York. Mas o custo operacional é tão grande que o Concorde sempre dá prejuízo. Só 14 Concordes entram em operação. As únicas rotas mantidas são para Nova York.

Em 25 de julho de 2000, o pneu de um Concorde que ia de Paris para Nova York estoura logo após a decolagem, rompe um tanque de combustível e provoca um incêndio que derruba o avião. Todas as 109 pessoas a bordo, 100 passageiros e 9 tripulantes, morrem no acidente, além de quatro pessoas atingidas no solo.

A Air France suspendeu as operações com o Concorde em maio de 2003 e a British Airways em outubro de 2003.

CARTER PERDOA DESERTORES

    Em 1977, no segundo dia de governo, o presidente Jimmy Carter perdoa centenas de milhares de homens que se negaram a lutar na Guerra do Vietnã (1955-75), uma promessa de campanha.

Cerca de 100 mil norte-americanos saem do país no fim dos anos 1960 e início dos 1970 para não ter de servir no Vietnã. Cerca de 30 mil vão para o Canadá, onde são recebidos como imigrantes. Outros ficam escondidos, vivendo clandestinamente nos Estados Unidos.

Ao todo 209.517 homens são acusados de violar as leis de recrutamento militar, de um total de mais de 300 mil que rejeitam a convocação.

Os ex-presidentes Bill Clinton, George W. Bush e Donald Trump, e os ex-vice-presidentes Dan Quayle e Dick Cheney não lutam no Vietnã. Trump consegue cinco adiamentos.

sábado, 20 de janeiro de 2024

Ex-comandante militar acusa Netanyahu e pede eleições em Israel

 Ao responsabilizar o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu pelo fracasso em defender Israel do ataque terrorista de 7 de outubro, o general Gadi Eisenkot, ex-comandante em chefe das Forças de Defesa de Israel e membro do gabinete de guerra, pediu a convocação de eleições antecipadas para formar um governo que tenha a confiança da população. Só 15% dos israelenses apoiam Netanyahu.

Eisenkot, que perdeu um filho na invasão da Faixa de Gaza, acrescentou que quem quer que fale numa "derrota total" do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) "não está dizendo a verdade".

O primeiro-ministro tenta se apresentar como o único líder capaz de evitar a criação de uma pátria para o povo palestino, alienando assim o apoio dos Estados Unidos, da Europa e do mundo árabe, necessário para administrar o futuro da Faixa de Gaza e enfrentar as ameaças a Israel. Na opinião do jornalista Thomas Friedman, do jornal The New York Times, Netanyahu só está interessando em salvar a si mesmo dos processos a que responde por corrupção.

Como a estratégia de terra arrasada de Israel ameaça o futuro dos reféns sequestrados em 7 de outubro, há manifestações diante da casa do chefe de governo em Telavive para exigir que o governo volte a negociar.

Um acordo com a Autoridade Nacional Palestina com base no plano de paz dos EUA e dos países árabes permitiria libertar os reféns criar uma Palestina independente, acabando com 56 anos de ocupação e 75 anos de guerra, e isolaria o Irã e milícias aliadas

Ao atacar três países – Iraque, Síria e Paquistão – nesta semana, o Irã provou que tem capacidade ofensiva para atacar em todo o Grande Oriente Médio, e atingir Israel, que considera o arqui-inimigo da Revolução Islâmica, ao lado dos EUA. 

NOTA: Depois da gravação, entrou a notícia que Israel matou quatro comandantes da Guarda Revolucionária Iraniana em bombardeio a Damasco, a capital da Síria.

Hoje na História do Mundo: 20 de Janeiro

PRIMEIRO EUROPEU NO HAVAÍ

    Em 1778, o navegador britânico James Cook chega a Waimea, na ilha de Kauai, e se torna o primeiro europeu a visitar o Havaí.

Cook nasce em 27 de outubro de 1728, em Marton-in-Cleveland, no Condado de York, na Inglaterra, filho de um agricultor que emigrou da Escócia. Ao perceber que o menino é inteligente, o patrão do pai paga os estudos até 12 anos. Um estágio numa cidade costeira de Whitby o põe em contato com o mar.

Aos 18 anos, Cook começa como aprendiz de marinheiro. Aos 21 anos, está pronto para grandes viagens. De início, trabalha nas águas perigosas do Mar do Norte, em navios de 300 a 400 toneladas. Ganha experiência para grandes viagens. Promovido a piloto, entra para a Marinha Real.

Ele vai duas vezes ao Canadá, em 1759 e 1763-67. Como capitão, faz três viagens ao Oceano Pacífico, em 1768-71, 1772-75 e 1776-79. Vai da Antártida ao Estreito de Bering, das costas da América do Norte à Austrália, à Nova Zelândia e ao Havaí. Com uma dieta de agrião, chucrute e um extrato de laranja, seus marinheiros não morrem de escorbuto, uma doença causada por falta de vitamina C.

REFÉNS NO IRÃ SOLTOS

    Em 1981, minutos depois da posse de Ronald Reagan como presidente dos Estados Unidos, ativistas revolucionários iranianos libertam 52 reféns detidos há 444 dias, desde 4 de novembro de 1979, na embaixada norte-americana em Teerã.

O conflito entre EUA e Irã tem origem no golpe militar de 19 de agosto de 1953, o primeiro articulado pela CIA (Agência Central de Inteligência) durante a Guerra Fria com o apoio do Reino Unido e a aprovação do presidente Dwight Eisenhower e primeiro-ministro Winston Churchill. Cai o primeiro-ministro nacionalista Mohammed Mossadegh, que estatizou o petróleo da Anglo Iranian Oil, e ascende ao poder o xá Reza Pahlevi.

Com o apoio dos EUA, o xá impõe uma ditadura secularista e anticomunista aliada do Ocidente na Guerra Fria, com uma polícia política, a Savak, acusada de prender e torturar adversários do regime, além de milhares de mortes.

A Revolução Iraniana começa com uma onda de greves no setor de petróleo que abala a economia do país em 1978. O clero conservador dominado pelo aiatolá Ruhollah Khomeini era a instituição com força para tomar o poder.

Khomeini volta do exílio em Paris em 2 de fevereiro de 1979. O xá cai em 11 de fevereiro. Para o regime dos aiatolás, os EUA são o Grande Satã que sustentou a ditadura durante décadas.

O radicalismo e o ódio aos EUA levam à invasão da Embaixada Norte-Americana em Teerã em 4 de novembro de 1979 e a tomada dos diplomatas e funcionários como reféns, uma humilhação para o presidente Jimmy Carter, aliado do xá. O governo Carter tenta resgatar os reféns. 

A Operação Garra de Águia fracassa com a entrada de areia do deserto nos motores de helicópteros dos EUA. Um civil iraniano e oito militares americanos morrem quando um helicóptero cai sobre um avião de transporte de tropas.

Essa sucessão de derrotas e humilhações de Carter contribui junto com a inflação elevada para a vitória de Ronald Reagan na eleição presidencial de 1980. Ele negocia a libertação dos reféns para o dia de sua posse.

sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

Netanyahu rejeita plano de paz dos países árabes

 O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu rejeita uma proposta de paz dos países árabes, que prevê a libertação de todos os reféns e a criação de um Estado nacional para o povo palestino, ameaça levar a guerra até 2025 e ataca o Líbano com bombas de fósforo branco, que são proibidas. 

Os Estados Unidos fazem o quinto bombardeio em território do Iêmen contra a milícia huti, que ataca navios cargueiros no Mar Vermelho, e recolocam o grupo na lista de organizações terroristas. O Irã e o Paquistão se atacam. E a Jordânia volta a bombardear a Síria.

Netanyahu tem interesse em prolongar a guerra para não cair e ter de responder a processos por corrupção que podem levá-lo para a cadeia. O chefe de governo afirmou que, se Israel não atingir seus objetivos, especialmente de eliminar o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), "a segurança de Israel estará comprometida por gerações" porque "vai passar uma imagem de fraqueza, os inimigos vão acreditar que podem derrotar Israel e novos ataques serão uma questão de tempo."

O total de palestinos mortos chegou a 24.620 sem que Israel esteja perto de atingir seus objetivos: destruir o Hamas, libertar os reféns e instalar na Faixa de Gaza um governo que não ameace Israel.

No Iêmen, os EUA bombardearam pela quinta vez os rebeldes hutis, xiitas zaiditas apoiados pelo Irã na guerra civil iemenita, entrando num padrão de toma lá, dá cá. Toda vez que os hutis atacaram um navio no Mar Vermelho os EUA vão tentar destruir as bases de lançamento de mísseis e drones.

Depois de um bombardeio do Irã a um grupo extremista muçulmano sunita na terça-feira, o Paquistão, uma potência nuclear, respondeu ontem, também atacando um grupo armado irregular. A China, aliada dos dois países, pediu moderação e se ofereceu para mediar.

Hoje na História do Mundo: 19 de Janeiro

NASCE O GENERAL LEE

    Em 1807, nasce na Virgínia o general Robert Edward Lee, comandante militar dos estados confederados do Sul na Guerra da Secessão (1861-65) nos Estados Unidos.

Filho da aristocracia, Lee entra aos 18 anos para a Academia Militar de West Point, onde é o segundo melhor de sua turma, com distinção em artilharia, cavalaria e infantaria.

Lee se destaca na Guerra Mexicano-Americana (1846-48) como um comandante brilhante taticamente. É considerado herói na guerra em que os EUA tomaram mais de 40% do território do México.

No fim de 1859, Lee é cotado para ser comandante das forças da Confederação. Lincoln chega a lhe oferecer o comando da União. Ele recusa. Só entra na Guerra Civil Norte-Americana quando a Virgínia se separa da União, em 17 de abril de 1861.

O general Lee enfrenta a União em batalhas sangrentas como Antietam e Gettysburg até se render ao comandante militar do Norte, general Ulysses Grant, no Fórum de Appomattox, em 9 de abril de 1865. As hostilidades param em 26 de maio na mais sangrenta das guerras dos EUA, com um total de mortes estimado em 620 mil.

Robert Lee morre aos 63 anos de um acidente vascular cerebral em 12 de outubro de 1870, em Lexington, na Virgínia.

A remoção de uma estátua do general Robert E. Lee provocou uma grande manifestação da extrema direita em Charlottesville, na Virgínia, com neonazistas cantando slogans contra judeus e enfrentando antifascistas que os confrontaram. Na época, o presidente Donald Trump declara que "havia gente boa dos dois lados".

PRIMEIRO ATAQUE AÉREO

    Em 1915, durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), dois zepelins da Alemanha jogam bombas na costa leste da Inglaterra, no primeiro bombardeio aéreo ao Reino Unido.

No início da guerra, a Alemanha usa suas aeronaves, que viajam a uma velocidade de até 135 quilômetros por hora com uma carga de até duas toneladas de explosivos, para bombardear Paris, Liège e Antuérpia. A Inglaterra vem em seguida.

Meses depois, em 31 de maio, um zepelim de quase 200 metros joga 90 bombas incendiárias e 30 granadas em Londres.

O dirigível zepelim, um balão rígido com motor semelhante a uma bola de rúgbi, é uma criação de 1900 do Conde Ferdinand Graf von Zeppelin, um inventor alemão, muito usada nos anos 1930 para o transporte transatlântico até o acidente com o Hindenburg ao pousar em Lakehurst, em Nova Jérsei, em 6 de maio de 1937, quando pegou fogo e 14 pessoas morreram.

INDIRA NO PODER

    Em 1966, depois da morte repentina do primeiro-ministro Lal Bahadur Shastri oito dias antes, Indira Gandhi se torna chefe de governo da Índia ocupando o cargo que um dia foi de seu pai, Jawaharlar Nehru, o primeiro governante depois da independência do país, em 15 de agosto de 1947.

Única filha de Jawaharlar Nehru, Indira Nehru nasce em Allahabade, na Índia, em 19 de novembro de 1917. Ela entra para o Partido do Congresso em 1938. Em 1942, casa com Feroze Gandhi, que não tem parentesco com o grande herói da independência da Índia, Mohandas Gandhi, o Mahatma (Grande Alma).

Em 1964, quando o pai morre, Shastri a nomeia ministra da Informação. De 1966 a 1977, ela governo por três mandatos. 

Depois de uma decisão da Suprema Corte, em julho de 1975, de que ela violou a lei eleitoral, Indira decreta estado de emergência, assume poderes emergenciais e manda prender adversários políticos. Também impõe outras medidas impopulares, como esterilização em grande escala para controlar a natalidade.

Como resultado das medidas de exceção, o Partido do Congresso perde pela primeira vez as eleições na Índia, em 1977, para o Partido Janata, precursor do Partido Bharatiya Janata (BJP), que hoje governa o país.

Indira chega a ser presa por corrupção, mas volta em janeiro de 1980 com uma vitória eleitoral avassaladora. O filho Sanjay Gandhi, o sucessor favorito, morre num acidente de avião em junho de 1980. Na política interna, Indira enfrenta uma tentativa de secessão dos hindus da seita sikh, que querem proclamar a independência do Calistão.

Sob a liderança de Sant Jarnail Singh Bhingrnwale, em 1982, um grande número de sikhs se entrincheira no Templo Dourado de Amritsar, o lugar mais sagrado dos sikhs. Em junho de 1984, Indira Gandhi manda o Exército da Índia atacar o templo. Pelo menos 450 separatistas são mortos.

Cinco meses depois, em 31 de outubro de 1984, dois sikhs da guarda pessoal da primeira-ministra a fuzilam. Ela é sucedida por outro filho, Rajiv Gandhi, que governa até sofrer uma derrota eleitoral, em 1989, quando vira líder da oposição. Rajiv é assassinado em 21 de maio de 1991 por militantes da minoria tamil.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

Hoje na História do Mundo: 18 de Janeiro

IMPÉRIO ALEMÃO

    Em 1871, nasce o Império Alemão, sob a liderança do chanceler (primeiro-ministro) Otto von Bismarck, o Marechal de Ferro, depois de vitórias da Prússia em guerras contra a Dinamarca (1864), Áustria-Hungria (1866) e França (1870-71).

A derrota na Guerra Franco-Prussiana causa a queda do Segundo Império (1852-70), de Napoleão III, e a revolta da Comuna de Paris, em 18 de março de 1871, uma das mais importantes insurreições populares do século 19, quando as massas populares tomam a capital da França, na primeira tentativa de criar um poder operário de caráter socialista.

A Alemanha toma as províncias da Alsácia e da Lorena. A ascensão da Alemanha, que no fim do século torna-se a maior economia da Europa, e a pretensão da França de recuperar esses territórios são causas da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), que marca o fim do que o historiador britânico Eric Hobsbawm chama de Era dos Impérios.

ROMPIDO CERCO DE LENINGRADO

    Em 1944, depois de dois anos e quatro meses, quase 900 dias, o Exército Vermelho rompe o Cerco de Leningrado, um dos episódios marcantes da Segunda Guerra Mundial (1939-45), com a morte de cerca de um milhão de pessoas na antiga capital da Rússia e berço das revoluções de 1917.

O cerco começa em 8 de setembro de 1941, com a participação da Itália e da Finlância, dois meses depois da invasão da União Soviética pela Alemanha Nazista. A conquista de Leningrado é um dos objetivos da Operação Barbarossa.

Ao invadir a URSS, as forças dos exércitos nazista e aliados atacam em três frentes. Uma marcha para o Norte, rumo a Leningrado, outra para o Centro em direção a Moscou e a terceira para o Sul rumo à Ucrânia.

Como há muita fome na cidade cercada, os pais não deixam os filhos menores e jovens sair de casa. Havia um mercado negro de carne humana em Leningrado.

No começo de 1944, os soviéticos mobilizam 1 milhão de soldados, o dobro do número de inimigos. As últimas unidades alemãs se rendem em 27 de janeiro de 1944.

A vitória em Leningrado, depois da ganhar as batalhas de Stalingrado e Kursk, em 1943, são decisivas para o avanço do Exército Vermelho rumo a Berlim até a vitória final, em 8 de maio de 1945. 

quarta-feira, 17 de janeiro de 2024

Hoje na História do Mundo: 17 de Janeiro

COMPLEXO INDUSTRIAL-MILITAR

    Em 1961, no seu discurso de despedida, o presidente Dwight Eisenhower (1953-61), comandante militar dos aliados ocidentais na Segunda Guerra Mundial (1939-45), adverte para o risco da "influência indevida do complexo industrial-militar" sobre a democracia nos Estados Unidos.

Ike governa no auge da Guerra Fria, quando as duas superpotência têm bombas de hidrogênio, mil vezes mais poderosas do que as de Hiroxima e Nagasáki. Ele teme que a indústria bélica mine a democracia.

INÍCIO DA GUERRA DO GOLFO

    Em 1991, com um bombardeio maciço, começa a Guerra do Golfo Pérsico de uma coalizão de mais de 30 países liderada pelos Estados Unidos para expulsar as forças do Iraque do Kuwait, com autorização do Conselho de Segurança das Nações.

O ditador iraquiano Saddam Hussein ordena a invasão do Irã em 22 de setembro de 1980 com o apoio dos EUA, da União Soviética e do mundo árabe para tentar derrubar o regime fundamentalista xiita imposto pelo aiatolá Ruhollah Khomeni depois da Revolução Islâmica de 1919 no Irã.

A guerra dura oito anos, tem intensos bombardeios a cidades e ataques a navios petroleiros no Golfo Pérsico, e mata um e dois milhões de muçulmanos de acordo com a Enciclopédia Britânica. Em 20 de agosto de 1988, Khomeini aceita o cessar-fogo, que chama de "pílula amarga".

Com a economia abalada, Saddam Hussein chantageia a Arábia Saudita e o Kuwait, que o apoiaram na guerra, exgindo compensação ao Iraque por suposto roubo de petróleo em campos na fronteira com esses países. Como eles não cedem, o Iraque invade o Kuwait em 2 de agosto de 1990 sob a alegação de Saddam de que é "a 19ª província do Iraque".

Por temer uma invasão da Arábia Saudita, o que daria a Saddam o controle de uma grande quantidade das reservas de petróleo do mundo, o então presidente dos EUA, George Bush, lança a Operação Escudo no Deserto, envia forças dos EUA para território saudita e exige a retirada total dos iraquianos do Kuwait.

Depois de meses de negociações infrutíferas, o Conselho de Segurança da ONU autoriza o uso da força. A URSS vota a favor e a China se abstém. 

terça-feira, 16 de janeiro de 2024

Irã ataca área do consulado dos EUA no Curdistão iraquiano

Pela primeira vez, o Irã, que apoia todas as milícias que atacam Israel, os Estados Unidos e a navegação no Mar Vermelho, fez um ataque direto. A Guarda Revolucionária Iraniana bombardeou com drones a área onde fica o Consulado dos EUA em Erbil, a capital do Curdistão, sob a alegação de atacar o serviço de espionagem de Israel, o Mossad. Pelo menos quatro pessoas morreram e seis saíram feridas. Nem pessoal nem instalações norte-americanas foram atingidas.

Os EUA e o Iraque condenaram o ataque. O governo iraquiano convocou uma reunião de emergência para discutir nesta terça-feira "a violação do território iraquiano e o não cumprimento pelo Irã do acordo de segurança entre os dois países."

A Marinha dos EUA interceptou um míssil de cruzeiro antinavio disparado pelos hutis, uma milícia apoiada pelo Irã, contra um navio cargueiro norte-americano. O navio foi atingido, mas seguiu viagem e ninguém saiu ferido.

O ministro da Defesa de Israel, Yoav Gallant, anunciou o fim das operações de grande intensidade no Norte da Faixa de Gaza e acrescentou que em breve, ainda neste mês, esta fase da guerra termina também no Sul. Ele já fez este anúncio antes, sob pressão dos EUA para reduzir as mortes de civis inocentes. Até agora, de acordo com o Hamas, 24.100 palestinos foram mortos em Gaza.

O Exército disse ter descoberto 100 lançadores de foguetes em Beit Lahia, no Norte de Gaza, e um centro de comando do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) em Khan Yunes, a principal cidade do Sul de Gaza, onde estariam os líderes mais procurados por Israel, Mohamed Deïf, comandante das Brigadas al-Qassam, o braço armado do Hamas, e Yahya Sinwar, o líder do grupo terrorista em Gaza, considerado o principal mentor do ataque de 7 de outubro.

A pena da ativista iraniana Narges Mohammadi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz do ano passado, foi aumentada em 1 anos e 3 meses por "fazer propaganda contra o Irã de dentro da prisão". Ela está condenada a 31 anos de cadeia. Já cumpriu 12 anos.