quinta-feira, 6 de julho de 2006

Celso Amorim nega crise no Mercosul

Para o ministro das Relações Exteriores, embaixador Celso Amorim, não há crise no processo de integração da América do Sul: "O Mercosul é complexo e turbulento mas vivo e dinâmico", afirmou hoje o chanceler brasileiro, ao participar da 1ª Conferência Nacional de Política Externa e Política Internacional, promoção da Fundação Alexandre Gusmão (Funag) e do Instituto de Pesquisas de Relações Internacionais (IPRI), ambos do Itamaraty, na sede do ministério no Rio de Janeiro.

O ministro só admitiu falar em crise no sentido do ideograma chinês para a palavra, que significa risco e oportunidade: "É um momento de mudanças. O Mercosul precisa ser ampliado a aprofundado ao mesmo tempo. Tem gente que não quer o Mercosul porque tem outros interesses, às vezes de ganho rápido".

Celso Amorim reconheceu que "o ingresso da Venezuela não é simples. Há visões do mundo não-coincidentes. Mas o Mercosul tem agora a cara da América do Sul". Em seguida, declarou que "a gente não fica esperando aplausos. Não interessa aos podersos uma política comum de energia".

Ele defendeu a prioridade dada pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva às relações com países em desenvolvimento: "As exportações cresceram mais onde a política externa é mais ativa. Os países em desenvolvimento representam hoje 53% do nosso comércio exterior; antes, eram 46%". Acrescentou que "falta muito o que fazer".

Falta, por exemplo, concluir a Rodada Doha da Organização Mundial do Comércio: "As normas internacionais e o multilateralismo são muito importantes", afirmou, observando que tanto nas negociações com os Estados Unidos para criar a Área de Livre Comércio das Américas (Alca) quanto com a União Européia as propostas dos países ricos ficaram muito aquém do que se discute na OMC. "Se não concluirmos a negociação na OMC, a pressão para fazer outros acordos será enorme".

Estas pressões viriam do empresariado temeroso de perder espaço nos mercados americano e europeu.

"Outra reforma inacabada é a das Nações Unidas", mencionou o chanceler. "Antes da primeira Guerra do Golfo, em 1990 e 1991, os EUA precisavam da Alemanha e do Japão para financiar a guerra. Passaram a apoiar a reforma do Conselho de Segurança mas com a entrada só da Alemanha e do Japão. Hoje não faz sentido uma reforma sem países em desenvolvimento, como reconheceu a ministra do Exterior britânica, Margaret Beckett", que acaba de visitar o Brasil.

3 comentários:

cristiano fagundes disse...

Trecho da biografia de Margareth Beckett: "Mrs Beckett was appointed shadow Minister for Social Security from 1984-1989, shadow Chief Secretary to the Treasury from 1989-1992, and shadow Leader of the House from 1992-1994." O que significa "shadow" nesse contexto?

cristiano fagundes disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
Nelson Franco Jobim disse...

Ela era ministra do governo paralelo da oposição, uma tradição da política britânica. O líder da oposição indica um deputado para fazer "sombra" para cada ministro, criticando suas atividades. Se a oposição vence as eleições e se torna governo, geralmente ele passa a fazer parte do gabinete naquela pasta.