quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

EUA acusam serviço secreto paquistanês

A inteligência americana está convencida de que os terroristas responsáveis pelo ataque contra Mumbai, a antiga Bombaim, na semana passada foram treinados por ex-oficiais do Exército do Paquistão e de seu poderoso serviço secreto, revelou hoje o jornal The New York Times citando como fonte um ex-oficial dos Estados Unidos.

Os suspeitos pertencem ao grupo islamita radical Lashkar-e-Taiba. A Índia aponta Yussuf Muzammil como o comandante da operação que passava ordens por telefone aos terroristas. Até agora, não foi estabelecida nenhuma ligação com o governo civil paquistês.

Essa revelação foi feita no dia em que a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, chegou a Nova Déli, a capital indiana, onde se encontrou com o primeiro-ministro Manmohan Singh e o ministro do Exterior, Pranab Mukherjee.

Rice declarou que qualquer resposta aos atentados deve se preocupar com a "eficiência na prevenção" de novos atos terroristas e em "não criar outras conseqüências imprevistas". Ela disse que é preciso agir com urgência e determinação, e cobrou do Paquistão rapidez, transparência e total colaboração nas investigações.

Montadoras pedem US$ 34 bilhões aos EUA

As grandes empresas automobilísticas dos Estados Unidos aumentaram o pedido ao Congresso. Pelos planos apresentados ontem, querem US$ 34 bilhões, US$ 9 bilhões a mais do que no mês passado.

Duas empresas - a General Motors e a Chrysler - precisam de empréstimos de emergência para não quebrar até o fim do ano. A GM necessita de US$ 4 bilhões imediatamente e pediu um total de US$ 18 bilhões aos deputados e senadores.

Já a Ford pediu US$ 9 bilhões e a Chrysler, US$ 7 bilhões.

As vendas de automóveis desabaram nos EUA e no resto do mundo em novembro.

Venezuelanos são contra reeleição sem limite

Mais de 65% dos venezuelanos são contra a reeleição sem limites para a Presidência da República, indica uma pesquisa divulgada hoje em Caracas. Há um ano, uma proposta de emenda constitucional que autorizava a reeleição sem limites recebeu 50,7% de votos contrários.

Pela pesquisa, 31% apóiam a proposta relançada pelo presidente Hugo Chávez depois do avanço da oposição nas eleições municipais e estaduais do mês passado. A oposição ganhou em três grandes estados e na capital federal, regiões onde se produzem 70% da riqueza nacional.

Depois de declarar que não faria a proposta, Chávez se declarou candidato ontem à noite, em nome de sua revolução bolivarista, e anunciou que a consulta popular será realizada até fevereiro do próximo anos.

Ontem, as Marinhas de Guerra da Rússia e da Venezuela iniciaram manobras navais conjuntas no Mar do Caribe. É o primeiro exercício militar russo na região desde o fim da Guerra Fria.

Chávez nega que seja uma provocação a seu arquiinimigo, os Estados Unidos.

Índia aponta mandante do ataque terrorista

Os Estados Unidos e a índia estão convencidos de que a onda terrorista da semana passada veio do Paquistão. A Índia acusa um dos principais líderes do grupo militantes paquistanês Lashkar-e-Taiba, Yussuf Muzammil, de planejar e comandar o ataque terrorista contra a maior e mais rica cidade indiana, Mumbai, a antiga Bombaim.

Durante a ação, os terroristas teriam usado um telefone de satélite para falar com Muzammil e outros líderes do grupo no Paquistão. Também teriam usado telefones celulares roubados de suas vítimas.

Senador republicano ganha reeleição na Geórgia

O senador republicano Saxby Chambliss foi reeleito ontem pelo estado da Geórgia, acabando com a esperança do Partido Democrata de ter uma bancada de 60 senadores, número suficiente para impedir a obstrução dos trabalhos parlamentares pela oposição.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Barril de petróleo cai para US$ 47,20

O barril de petróleo do tipo West Texas Intermediate caiu hoje na Bolsa Mercantil de Nova Iorque para US$ 47,20, a menor cotação em três anos e meio.

Em julho, o petróleo atingiu a cotação recorde de US$ 147,50. Por causa da recessão nos países ricos, que pode virar uma recessão global, o barril perdeu mais de cem dólares desde então.

Recessão derruba bolsas na Ásia

A confirmação da recessão nos Estados Unidos derrubou hoje as bolsas de valores da Ásia.

No Japão, que depende das exportações para os mercados americano e europeu, a Bolsa de Tóquio perdeu 6,4%. Hong Kong caiu 5% e Sídnei, na Austrália, 4,2%.

A expectativa de um grande corte na taxa básica de juros do Banco Central da Europa daqui a dois dias fez as principais bolsas do continente fecharem em alta. Londres subiu 1,4%, Frankfurt ganhou 3,1% e Paris 2,3%.

Nos EUA, depois da forte queda de 7,7% ontem, por causa do anúncio oficial de que o país está em recessão, as bolsas se recuperaram, com alta de 3,3% no Índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais ações da Bolsa da Nova Iorque, e de 3,7% na Nasdaq, a bolsa das ações de empresas de alta tecnologia.

Venda de carros desaba nos EUA

Um dia depois da confirmação de que a maior economia do mundo está em recessão, novos dados revelam a profundidade da crise. As vendas de carros novos tiveram outra queda forte em novembro nos Estados Unidos.

A Chrysler vendeu menos 47%; a General Motors, menos 41%; a Toyota, menos 34%; a Honda, menos 32%.

Hoje, a GM pediu US$ 18 bilhões ao Congresso. A Ford deve pedir US$ 9 bilhões. Em troca, devem assumir o compromisso de produzir carros mais eficientes, que consumam menos e poluam menos, dando sua contribuição à redução das emissões de gases que agravam o efeito estufa.

Para o secretário do Tesouro, Henry Paulson, o setor automobilístico é uma das pedras fundamentais da indústria americana e precisa de ajuda para enfrentar a crise. A falência das Três Irmãs de Detroit deixaria mais 3 milhões de desempregados.

EUA estão em recessão há um ano

A maior economia do mundo está em recessão desde dezembro do ano passado, concluiu o Escritório Nacional de Pesquisas Econômicas dos Estados Unidos (NBER, do inglês). É a mais longa recessão no país desde 1982.

Recessão é o crescimento negativo da economia, descrito pelo NBER como "um declínio significativo da atividade econômica em amplos setores da economia durante mais de cinco meses, normalmente visível na produção, no emprego e na renda real".

Geralmente os economistas consideram que um país está em recessão quando tem dois trimestres consecutivos de crescimento negativo. É uma convenção que procura identificar tendências e reduzir o impacto de sazonalidades.

O NBER marca o início da recessão em dezembro de 2007 porque foi o último pico de um ciclo de crescimento econômico. Desde então, o nível de emprego cai a cada mês.

Por isso, a economia estaria em recessão mesmo ainda não tendo decrescido por dois trimestres consecutivos, o que deve fazer neste fim de ano. Talvez já estivesse, não fosse o estímulo dado no segundo semestre, quando o governo Bush e o Congresso devolveram imposto de renda a empresas e pessoas no valor de US$ 165 bilhões.

EUA alertaram Índia sobre ataque pelo mar

Os serviços secretos dos Estados Unidos alertaram a Índia de que Mumbai, a maior cidade do país, poderia ser alvo de um ataque vindo do mar. Acredita-se que os 10 extremistas muçulmanos que aterrorizaram a antiga Bombaim por 60 horas a partir de 26 de novembro de 2008 tenham chegado em traineiras e usados botes de borracha para desembarcar.

Enquanto pressiona o Paquistão a atacar os grupos suspeitos pela ação, que terminou com a morte de 180 pessoas, o governo indiano está sob enorme pressão da opinião pública, que o considera incapaz de proteger a população de novas ações terroristas.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

ONU volta a negociar acordo pós-Quioto

Nove mil delegados de 186 países discutem nas próximas duas semanas, até 12 de dezembro de 2008, em Poznan, na Polônia, um acordo internacional para substituir a partir de 2013 o Protocolo de Quioto, que expira em 2012.

A Conferência de Poznan faz parte de um processo de negociações sobre mudança do clima iniciado na Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, a Rio-92. Aqui, em 1992, foi aprovada a Convenção sobre Mudança do Clima.

Hoje o secretário-executivo da Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, Yvo de Bör, alertou que as negociações devem estar concluídas até a próxima reunião daqui a um ano em Copenhague. E o primeiro-ministro da Dinamarca, Anders Rasmussen, manifestou a esperança de que a crise financeira global não atrapalhe o combate ao aquecimento global.

Já o primeiro-ministro polonês, Donald Tusk, espera que a próxima reunião de cúpula da União Européia, em 11 e 12 deste mês, chegue a um acordo para uma ação conjunta para conter o agravamento do efeito estufa.

O acordo assinado em 11 de dezembro de 1997 na cidade japonesa de Quioto é um protocolo adicional à convenção aprovada no Rio. Seu objetivo é a "estabilização das concentrações na atmosfera dos gases que provocam o efeito estufa em um nível que evite uma perigosa interferência antropogênica no sistema climático".

Para isso, propõe uma redução de 5,2% em relação aos níveis de 1990 nas emissões de gases que provocam o efeito estufa de 37 países desenvolvidos.

Essas reduções seriam de 8% na União Européia, 7% nos Estados Unidos, 6% no Japão e zero na Rússia. A Austrália conquistou o direito de emitir até 8% e a Islândia 10% a mais.

Os EUA nunca aderiram ao Protocolo de Quioto. Na Rio-92, o presidente George Bush sr. (1989-93) alegou que prejudicaria a economia americana.

Seu sucessor, Bill Clinton (1993-2001) sabia que o protocolo não tinha a menor chance de ser aprovado no Senado, onde os republicanos tinham maioria. Assinou o Protocolo de Quioto como um dos últimos atos de seu governo, jogando a bomba no colo de George Walker Bush (2001-09), que ficou com a má fama.

Claro que Bush merece. Seu governo negou validade à tese científica que atribui ao homem o agravamento do efeito estufa e resistiu o quanto pôde à mudança da matriz energética. Só no fim, aceitou o álcool combustível, compreendendo que a dependência do petróleo importado do Oriente Médio ameaça a segurança nacional dos EUA.

Índia intima Paquistão a atacar terroristas

O governo da Índia pressionou oficialmente hoje o Paquistão a atacar as bases do grupo terrorista Lashkar-e-Taiba, que considera responsável pela onda de terror contra Mumbai, a maior cidade indiana, na semana passada.

A polícia indiana afirma que o único sobrevivente dos dez terroristas declarou ter nascido no Punjab paquistanês e ter sido treinado pelo grupo Lashkar-e-Taiba, que nasceu para lutar contra a dominação da Índia sobre a Caxemira.

O problema é que o serviço secreto das Forças Armadas do Paquistão tem ligações com os rebeldes da Caxemira, que os usa para travar uma guerra indireta com a Índia, inimiga histórica.

Obama deve indicar Hillary e Gates hoje

O presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, deve indicar hoje a senadora Hillary Clinton para secretária de Estado e confirmar que pretende manter Robert Gates como secretário da Defesa.

domingo, 30 de novembro de 2008

Israel vai libertar 250 prisioneiros palestinos

O governo de Israel aprovou neste domingo a libertação de 250 palestinos presos. É um gesto de boa vontade com o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, em meio a tensão e violências crescentes na Faixa de Gaza, que está sob o controle do Movimento de Resistência Islâmicas (Hamas).

A lista dos prisioneiros que serão soltos será elaborada por uma comissão especial, com base no critério de não libertar quem "derramou sangue judeu". Os cidadãos israelenses terão o direito de apresentar objeções aos nomes escolhidos.

Abbas pediu a libertação de prisioneiros ao primeiro-ministro israelense demissionário Ehud Olmert em 17 de novembro

O negociador palestino Saeb Erakat elogiou a decisão israelense e manifestou a esperança da "libertação um dia de todos os prisioneiros palestinos".

Ministro do Interior da Índia renuncia

O ministro do Interior da Índia, Shivraj Patil, apresentou hoje sua renúncia ao primeiro-ministro Manmohan Singh, assumindo a responsabilidade pelas falhas de segurança que permitiram uma onda de ataque de terroristas muçulmanos que paralisou a maior cidade indiana, Mumbai, nos últimos dias.

Para o vice-governador do estado de Maharashtra, R. R. Patil, o objetivo dos extremistas muçulmanos era fazer um 11 de Setembro indiano. "Encontramos munição, bombas e granadas de mão em quantidade. Com base em nossa investigação, acreditamos que queriam matar umas 5 mil pessoas."

Aznar colaborou com vôos para Guantânamo

O governo do primeiro-ministro conservador José María Aznar autorizou o pouso no país de vôos clandestinos para levar prisioneiros da guerra contra o terror, da milícia afegã dos Talebã e da rede terrorista Al Caeda, para o centro de detenção da base naval de Guantânamo, um enclave americano em Cuba, revela o jornal espanhol El País neste domingo, 30 de novembro de 2008.

Em 10 de janeiro de 2002, quatro meses depois do ataque às Torres Gêmeas do World Trade Center e dois meses depois da queda do regime fundamentalista dos Talebã no Afeganistão, a embaixada dos Estados Unidos em Madri comunicou ao governo Aznar que o país levaria presos em vôos de longa distância. Em situação de emergência, poderia ser obrigados a aterrisar em algum avião espanhol. Os EUA se comprometiam a retomar o vôo assim que fosse possível.

sábado, 29 de novembro de 2008

Casal Kirchner vive à sombra de Perón

Quando o governo radical de Fernando de la Rúa (1999-2001) desabou sob o colapso da paridade peso-dólar herdada do presidente Carlos Menem (1989-99), o poder foi devolvido ao peronismo, aparentemente o único partido político capaz de governar a Argentina.

O ex-vice-presidente Eduardo Duhalde, que perdera a eleição para De la Rúa, completou um mandato-tampão até 2003, quando Menem fugiu do segundo turno, numa disputa entre peronista e Néstor Kirchner (2003-07) chegou ao poder com a determinação de combater a crise econômica.

Kirchner conseguiu renegocia a dívida externa, retomar o crescimento econômico e eleger sua mulher, Cristina Fernández de Kirchner como sucessora. Mas fustigou empresas privadas, conteve preços artificialmente desestimulando investimentos em setores como energia, e manipulou os índices de inflação.

Além disso, organizou sua base política ao redor do corporativismo peronista, de sua ligação histórica com os sindicatos, e adotou uma política de confrontação permanente, contra seus inimigos políticos, os países vizinhos, empresas privadas.

Neste ano, no governo Cristina Kirchner, houve o longo conflito com o campo em torno do imposto sobre exportações de grãos, fragilizando a Argentina às vésperas do tsuname financeiro global.

Em artigo na edição de hoje do jornal La Nación, o escritor argentino Thomás Eloy Martínez, autor de um livro sobre María Eva Duarte de Perón, a Evita, examina a saga do casal à sombra do general Juan Domingo Perón, de Evita e de María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, derrubada no trágico golpe de 24 de março de 1976.

Terror em Mumbai matou 195 pessoas

Os combates cessaram mas a Índia ainda avalia as dimensões morais, políticas e econômicas da onda terrorista de 26 de novembro de 2008 contra sua maior e mais rica cidade, Mumbai, a antiga Bombaim.

Hoje o jornal The New York Times revela que os serviços secretos dos Estados Unidos suspeitam do grupo extremista muçulmano Lashkar-e-Taiba, que luta para que a Caxemira pertença ao Paquistão, ou de outra organização radical islamita envolvida na questão da Caxemira, Jaish-e-Muhammad.

Só um terrorista teria sido capturado vivo, um jovem do Punjab paquistanês. Pelas imagens obtidas, eram todos jovens com pouco mais de vinte anos. Estavam extremamente bem treinados e organizados. Teriam chegado num barco pesqueiro e lanchas rápidas no Sul de Mumbai, atacando em 10 lugares diferentes da cidade, entre eles dois hotéis de luxo, a estação ferroviária central, um hospital, um café e restaurante freqüentado por turistas estrangeiros e um centro cultural judaico.

O serviço de inteligência militar da Índia disse que os terroristas tinham um telefone de satélite e falaram com o líder do grupo Lashkar-e-Taiba.

Se realmente forem de um grupo baseado na Caxemira, a ira da Índia contra o Paquistão tende a aumentar. Em 2004, o então ditador Pervez Musharraf, se comprometera a desmantelar os centros de treinamento de grupos armados irregulares no Paquistão. O presidente Assif Ali Zardari renovou a promessa em discurso na Assembléia Geral das Nações Unidas deste ano.

A Caxemira é uma questão sagrada na identidade nacional paquistanesa. Com maioria muçulmana, deveria pertencer ao Paquistão. Juntou-se à Índia quando ambos ficaram independentes do Império Britânico, em 1947, por decisão do marajá Hari Singh, governador da região na época. Provocou uma reação imediata do Paquistão e uma guerra entre os dois países.

Eles travariam nova guerra pela Caxemira em 1962 e em 1971, a guerra da independência de Bangladesh, o antigo Paquistão Oriental. Desde que fizeram a bomba atômica, a Índia em 1974 e o Paquistão no ano seguinte com a ajuda da China, houve vários conflitos de fronteiras e há um estado de guerra nas montanhas geladas do Himalaia. Nunca mais houve guerra aberta entre Índia e Paquistão.

Desde 1989, há uma guerrilha muçulmana que luta contra o domínio da Índia sobre a Caxemira, com o apoio paquistanês. Se esses grupos treinaram e armaram os terroristas do ataque a Mumbai, a tensão entre os dois países vai subir muito.

Em maio de 1998, os dois países testaram armas nucleares, entrando definitivamente para o clube atômico. Os Estados Unidos impuseram sanções, mas logo perceberam a importância de fazer uma aliança estratégica e um acordo nuclear com a Índia, uma superpotência econômica e militar em ascensão, além de ser inimiga histórica da China.

Esse acordo recentemente ratificado pelos parlamentos dos EUA e da Índia é mais uma justificativa para que os jihadistas declarem guerra à Índia, sem esquecer do conflito histórico entre hindus e muçulmanos, acirrado pelos governos do partido nacionalista hindu BJP (Partido Bharatiya Janata), que tinha o compromisso eleitoral de detonar a bomba atômica e o cumpriu. Mas o Paquistão fez o mesmo em seguida.

Os atentados de 11 de setembro aproximaram os EUA do Paquistão, país central na guerra contra o terrorismo dos fundamentalistas muçulmanos. É o único país islâmico com armas nucleares e é vizinho do Afeganistão, onde o regime fundamentalista da milícia dos Talebã (Estudantes) abrigava os centros de treinamento da rede terrorista Al Caeda, com o apoio do serviço secreto paquistanês.

Desde as primeiras reações ao ataque terrorista em Mumbai, o governo indiano apontou para o vizinho e inimigo histórico. Mas o Paquistão é um Estado em virtual colapso. Não consegue controlar todo o seu território.

Em 20 de setembro, o atual governo civil foi alvo do terrorismo islâmico no atentado contra o Hotel Marriott de Islamabad. O presidente é viúvo da principal líder política da história recente do país, Benazir Bhutto, assassinada em um atentado terrorista em 27 de dezembro de 2007.

Se ficar comprovado que foram grupos da Caxemira que atacaram Mumbai, a Índia vai exigir do Paquistão o desmantelamento dos centros de treinamento em território paquistanês. O problema é que, sem condições de retomar a Caxemira à força, o Exército do Paquistão, que é quem detém o poder de fato, apóia esses grupos armados.

É uma jogada do Paquistão para pressionar a Índia a cumprir um antigo compromisso assumido perante as Nações Unidas de realizar um plebiscito na Caxemira, de maioria muçulmana.

As relações indo-paquistanesas viviam seu melhor momento. Há uma semana, o presidente Zardari prometeu não lançar um primeiro ataque nuclear. Isso não interessa aos jihadistas.

Numa tentativa de se eximir de culpa, o Paquistão se ofereceu para mandar o chefe de seu serviço secreto militar participar da investigação. A oposição nacionalista hindu da Índia descreveu a ajuda como uma confissão de culpa.

O frágil governo civil paquistanês quer cooperar na guerra contra o terrorismo internacional, que abre nova frente de luta na Índia, alvo freqüente de atentados, inclusive de extremistas muçulmanos. Mas até agora nenhum tinha tido tamanho impacto, paralisando o centro econômico da Índia por três dias.

A questão é até onde vai o poder civil no Paquistão. Uma ala das Forças Armadas paquistanesas é suspeita de apoiar os Talebã para manter uma zona de influência no Afeganistão. É nessa área que se concentram os líderes em fuga d'al Caeda e dos Talebã, o grande centro de treinamento do jihadismo.

Tanto a Índia quanto os EUA gostariam de aproveitar a oportunidade para dar um xeque-mate no Paquistão e exigir um ataque decisivo contra as bases terroristas instaladas nas regiões tribais do Noroeste do país. Mas precisam evitar o agravamento da caótica situação do único país muçulmano com a bomba atômica, tudo o que os terroristas mais sonham para lançar um atentado ainda maior do que os de 11 de setembro de 2001.

Em entrevista divulgada há dois dias, o lugar-tenente de Ossama ben Laden, o vice-líder d'al Caeda, o médico Ayman al-Zawahiri, considerado o estrategista do grupo, atribuiu a crise financeira global aos atentados de 11 de setembro, a grande glória de sua turma. Os atentados levaram o banco central dos EUA a baixar os juros e dar dinheiro de graça aos bancos e instituições financeiras, o que gerou uma bolha especulativa.

A causa da crise não foi o 11 de Setembro em si, mas os erros de política monetária de Alan Greenspan e sua equipe em decorrência do terror e do estouro da bolha da internet, somados à falta de regulamentação do setor financeiro, que levou as empresas a correrem riscos arrasadores.

Mesmo assim, o discurso delirante e paranóico de Zawahiri indica que o terror busca alvos fracos para matar em massa. Centros financeiros, como Nova Iorque em 2001 e Mumbai em 2008, são alvos preferenciais de sua guerra santa.

Índia anuncia fim da Batalha de Mumbai

Depois de 58 horas, com a morte de três terroristas muçulmanos entrincheirados no Taj Mahal Palace Hotel, a Índia declarou encerrado o combate aos terroristas que atacaram diversos pontos de Mumbai, a antiga Bombaim, centro financeiro do país, na quarta-feira à noite.

Foi o 11 de Setembro da Índia. Pelo menos 160 pessoas morreram, entre elas 22 estrangeiros, e 330 saíram feridas.

A Índia tem um conflito histórico de séculos entre hindus e muçulmanos que se acirrou com o fundamentalismo religioso de ambas as partes, além da questão da Caxemira com o Paquistão.

Há muitos motivos internos e grupos internos que podem estar ligados a essa onda de terror, embora pelo alcance, pelo treinamento e por visar diretamente americanos, britânicos e judeus, pareça uma conspiração internacional com as marcas d'al Caeda.

A Índia tem a maior população muçulmana do mundo, depois da Indonésia e do Paquistão, uma minoria de 150 milhões de pessoas majoritariamente pobres que se sentem excluídas e se sentiram muito mais durante o governo do partido nacionalista hindu, o BJP.

Há dois movimentos históricos dentro do islamismo político. Em 1928, Hassan al-Bana cria a Irmandade Muçulmana com o objetivo de reislamizar a Uma, reconverter o conjunto de todos os muçulmanos ao "verdadeiro Islã".

Nas prisões de Nasser nos anos 50 e 60 Said Kutub, ideólogo do aiatolá Ruhollah Khomeini e da rede terrorista Al Caeda, chegou à conclusão de que é preciso converter ou eliminar todos os infiéis, especialmente nos centros de poder no mundo porque eles impõem os governantes corruptos e infiéis dos países muçulmanos.

O fundamentalismo religioso, seja muçulmano, cristão, judaico ou hindu, é um conflito interno dentro de cada cultura sobre qual é a verdadeira interpretação dos livros sagrados.

O jihadismo, portanto, é uma guerra civil dentro do Islã, uma guerra sobre o que realmente quis dizer o profeta em nome de Deus. Os estrangeiros são alvo por suposta conivência com a grande conspiração judaico-cristã para dominar o mundo muçulmano.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Bolívia protesta contra os EUA

A Bolívia protesta contra o fim das preferências comerciais para produtos bolivianos nos Estados Unidos. Elas serão suspensas em 15 de novembro, sob a alegação de que o país não faz o suficiente para combater o tráfico de cocaína.

O presidente Evo Morales declarou ontem em La Paz que se trata de revanchismo político do governo americano porque ele optou pelo socialismo.

Há meses, Morales expulsou do país o embaixador dos EUA e os agentes da DEA (Drug Enforcement Agency, Agência de Repressão às Drogas). O presidente começou sua carreira política no sindicato dos produtores de coca e defende o cultivo tradicional da planta na cultura andina.

Desde 1991, a grande maioria dos produtos da Bolívia, Equador, Peru e Colômbia não paga imposto de importação para entrar no mercado americano, o que aumenta sua competitividade. Isso é feito com base numa lei de estímulo para que os países andinos tenham alternativas econômicas à produção de drogas como a cocaína.

Depois da vitória de Barack Obama para presidente, Morales tenta uma reaproximação com os EUA. Mas a expulsão dos agentes da DEA não será esquecida.