Sem dólares para movimentar sua economia, apesar de ter uma das maiores jazidas mundiais de petróleo, a Venezuela fez um acordo com o banco americano Citibank para trocar parte de suas reservas em ouro por US$ 1 bilhão, revelou ontem o jornal inglês Financial Times.
O acordo alivia temporariamente o governo socialista de Nicolás Maduro, que enfrenta a maior inflação do mundo, de 80% ao ano, podendo chegar a 150% até o fim do ano; escassez permanente de medicamentos e produtos básicos como leite, carne, farinha de trigo e papel higiênico; e ainda perdeu receita com a queda pela metade nos preços do petróleo nos últimos dez meses.
A Venezuela prometeu trocar 1,4 milhão de onças troy (31,1 gramas), o equivalente a 3,5 mil barras ou 43,54 toneladas de ouro, por US$ 1 bilhão em dinheiro, sobre o qual vai pagar juros.
Aos preços de hoje, esta quantidade de ouro vale quase US$ 1,7 bilhão. O negócio uma grande margem de segurança ao banco caso o preço do ouro caia no mercado internacional. O ouro baixou 36% depois de chegar ao pico em 2011, mas subiu 1,8% em 2015. A onça troy está em cerca de US$ 1,2 mil.
Por causa do caos econômico instaurado pelo "socialismo do século 21" do falecido caudilho Hugo Chávez, a economia venezuelana deve recuar até 7% em 2015. Com a queda na arrecadação, o governo Maduro está imprimindo bolívares para financiar um déficit orçamentário de 20% do produto interno bruto. O resultado é a inflação projetada para chegar a 150% ao ano.
Com as reservas em moedas fortes em US$ 19 bilhões em abril, o menor nível em 11 anos, depois de vender US$ 1 trilhão em petróleo desde a ascensão de Chávez ao poder em 1999, só restou à Venezuela recorrer às reservas em ouro. São cerca de 377 toneladas.
Em seu duelo infantil com os Estados Unidos, Chávez prometeu livrar a Venezuela da "ditadura do dólar". Orientou o banco central a vender dólares e comprar ouro. Há quatro anos, com medo de processos pela desapropriação da empresas estrangeiras, levou a maior parte do ouro depositado no exterior para o país.
Agora, seu sucessor troca o ouro porque a Venezuela precisa de dólares que nunca deveriam faltar por causa das exportações de petróleo. Hoje em dia, nada na Venezuela funciona como num país normal. A última novidade é uma redução da jornada de trabalho dos funcionários públicos de oito para cinco horas por dia para economizar energia num dos maiores produtores mundiais de petróleo.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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quinta-feira, 30 de abril de 2015
Venezuela troca com o Citi reservas em ouro por US$ 1 bilhão
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quinta-feira, 16 de agosto de 2012
EUA intima bancos a explicar manipulação da Libor
As procuradorias dos estados de Nova York e de Connecticut intimaram sete bancos a dar explicações num inquérito sobre a manipulação da Libor, a taxa de referência interbancária do centro financeiro de Londres, usada para calcular transações estimadas em US$ 800 bilhões por ano, informou hoje a agência de notícias Bloomberg.
Os bancos americanos Citigroup e J P Morgan Chase, os britânicos Barclays, HSBC e RBS, o suíço UBS e o alemão Deutsche Bank terão de entregar documentos à Justiça dos Estados Unidos. Vários clientes apelaram aos tribunais alegando terem sido lesados pela manipulação.
A Libor é uma taxa de referência interbancária calculada com base nas taxas de juros praticadas por um grupo de bancos internacionais do qual as sete empresas intimadas fazem parte.
No pior momento da crise, em que o crédito interbancário praticamente secou, os bancos manipularam as taxas para dar uma aparência de normalidade. Agora, afirmam ter sido pressionados por bancos centrais a fazer isso.
Os bancos americanos Citigroup e J P Morgan Chase, os britânicos Barclays, HSBC e RBS, o suíço UBS e o alemão Deutsche Bank terão de entregar documentos à Justiça dos Estados Unidos. Vários clientes apelaram aos tribunais alegando terem sido lesados pela manipulação.
A Libor é uma taxa de referência interbancária calculada com base nas taxas de juros praticadas por um grupo de bancos internacionais do qual as sete empresas intimadas fazem parte.
No pior momento da crise, em que o crédito interbancário praticamente secou, os bancos manipularam as taxas para dar uma aparência de normalidade. Agora, afirmam ter sido pressionados por bancos centrais a fazer isso.
sexta-feira, 2 de setembro de 2011
EUA processam 17 bancos por títulos hipotecários
O órgão regulador do setor de financiamento da
habitação nos Estados Unidos decidiu processar 17 bancos por terem enganado
seus clientes sobre títulos de crédito hipotecário antes e durante a crise
financeira de 2008-9, informa o jornal The Washington Post.
Com a ação, a Agência Federal de Financiamento da
Habitação, responsável pelas empresas de garantia de crédito hipotecário Fannie
Mae e Freddie Mac, pretende recuperar bilhões de dólares perdidos em
investimentos fracassados do Bank of America, Citigroup, Goldman Sachs, General
Eletric e J P Morgan, entre outros bancos.
Diante do colapso do mercado imobiliário, os bancos
emitiram títulos de dívida hipotecária sem alertar os clientes sobre os riscos.
Freddie Mac e Fannie Mae acabaram ficando com a maior parte do prejuízo
bilionário e foram encampadas pelo governo dos EUA.
Em nota recente, o Goldman Sachs deu dicas aos clientes sobre como
lucrar com a crise
das dívidas públicas da Zona do Euro.
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terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Citigroup tem prejuízo de US$ 7,6 bilhões
O Citigroup, que era o maior banco do mundo antes do agravamento da crise mundial, perdeu mais US$ 7,6 bilhões no último trimestre do ano passado.
Desse total, US$ 6,2 bilhões foram usados para pagar parte dos empréstimos tomados junto ao governo no auge da crise. O Citi, hoje o terceiro maior banco americano, ainda deve US$ 26,7 bilhões ao Tesouro dos Estados Unidos.
Desse total, US$ 6,2 bilhões foram usados para pagar parte dos empréstimos tomados junto ao governo no auge da crise. O Citi, hoje o terceiro maior banco americano, ainda deve US$ 26,7 bilhões ao Tesouro dos Estados Unidos.
sexta-feira, 17 de julho de 2009
Citigroup e Bank of America anunciam lucro
Os dois bancos que tiveram os piores resultados nos testes de estabilidade financeira feitos pelo Tesouro revelaram hoje lucros importantes, acima das expectativas do mercado.
No último trimestre, o Bank of America ganhou US$ 2,42 bilhões, enquanto o Citi lucrou US$ 4,3 bilhões, principalmente por causa da venda do banco Smith Barney. O resultado operacional do Citi continua negativo.
Mas o mercado vê esses bancos comerciais numa situação muito diferente de bancos de investimentos como o Goldman Sachs e o J P Morgan Chase, que apresentaram lucros robustos no segundo trimestre.
Com o aumento do desemprego, mais clientes do BofA e do Citi tem problemas para pagar suas dívidas hipotecárias, de cartões de crédito e empréstimos pessoais. É mais uma amostra das dificuldades para sair de uma recessão tão profunda.
Confira no New York Times.
No último trimestre, o Bank of America ganhou US$ 2,42 bilhões, enquanto o Citi lucrou US$ 4,3 bilhões, principalmente por causa da venda do banco Smith Barney. O resultado operacional do Citi continua negativo.
Mas o mercado vê esses bancos comerciais numa situação muito diferente de bancos de investimentos como o Goldman Sachs e o J P Morgan Chase, que apresentaram lucros robustos no segundo trimestre.
Com o aumento do desemprego, mais clientes do BofA e do Citi tem problemas para pagar suas dívidas hipotecárias, de cartões de crédito e empréstimos pessoais. É mais uma amostra das dificuldades para sair de uma recessão tão profunda.
Confira no New York Times.
terça-feira, 9 de junho de 2009
Bancos vão devolver US$ 68 bilhões ao Tesouro
O Tesouro dos Estados Unidos autorizou dez grandes bancos do país a pagarem os empréstimos de emergências tomados em outubro do ano passado, no auge da crise, dentro do Programa de Alívio de Ativos Tóxicos (TARP, do inglês) do governo George W. Bush.
Serão cerca de US$ 68 bilhões. O governo americano vai receber dinheiro de bancos como o Goldman Sachs, o J P Morgan Chase e o American Express.
Mas os dois maiores bancos dos EUA, o Bank of America e o Citigroup, não passaram nos chamados testes de estresse e ainda não foram autorizados a saldar a dívida. Cada um recebeu US$ 45 bilhões. O BofA pretende levantar dinheiro no mercado. Já o Citi vai ceder 34% do controle acionário em troca da dívida.
O presidente Barack Obama comentou que "este é um sinal positivo, mas não significa que nossos problemas acabaram. Longe disso."
Serão cerca de US$ 68 bilhões. O governo americano vai receber dinheiro de bancos como o Goldman Sachs, o J P Morgan Chase e o American Express.
Mas os dois maiores bancos dos EUA, o Bank of America e o Citigroup, não passaram nos chamados testes de estresse e ainda não foram autorizados a saldar a dívida. Cada um recebeu US$ 45 bilhões. O BofA pretende levantar dinheiro no mercado. Já o Citi vai ceder 34% do controle acionário em troca da dívida.
O presidente Barack Obama comentou que "este é um sinal positivo, mas não significa que nossos problemas acabaram. Longe disso."
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Governo dos EUA pode ficar com 40% do Citigroup
À beira da falência, o Citigroup, que era o maior banco privado dos Estados Unidos antes do agravamento da crise financeira global, em setembro do ano passado, negocia mais um empréstimo de emergência que pode dar ao governo americano 40 das ações da empresa.
Leia mais no The Wall St. Journal.
Leia mais no The Wall St. Journal.
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Citi recomenda ações do Brasil
O Citigroup, maior banco dos Estados Unidos, rebaixou hoje a recomendação de compra de ações de empresas do México e aconselhou a aquisição de papéis de empresas brasileiras dos setores financeiro, de telefonia e de matérias-primas.
Depois das sucessivas quedas na Bolsa de Valores de São Paulo, os preços se tornaram ainda mais atraentes.
Depois das sucessivas quedas na Bolsa de Valores de São Paulo, os preços se tornaram ainda mais atraentes.
sábado, 9 de fevereiro de 2008
Índia cresce 8,7% ao ano
A economia da Índia, uma das novas locomotivas do mundo globalizado, deve crescer 8,7% no ano fiscal que termina em março de 2008, menos do que nos três anos anteriores. No ano fiscal passado, a expansão foi de 9,6%.
Essa queda no crescimento é atribuída à valorização da rúpia e ao aperto de crédito causado pela crise iniciada no mercado de crédito hipotecário nos Estados Unidos. Isso causará uma queda no crescimento das exportações e no consumo de bens duráveis.
O Citigroup, que previra uma expansão de 9,3%, reduziu-a para 8,3% citando a deterioração da economia internacional, enquanto o Lehman Brothers trabalha com uma expectativa de 8,8% e o Morgan Stanley com 7,4% no próximo ano fiscal e 7,8% no que termina em março de 2010.
Entre as grandes potências econômicas emergentes, os chamados BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China), a China se mantém como a economia mais dinâmica e que mais cresce. Os economistas prevêem uma desaceleração este ano por causa da crise americana, depois de um crescimento de 11,4% em 2007.
A Índia continua no segundo lugar e a Rússia em terceiro. Rica em petróleo, gás e outros recursos naturais, a economia russa se beneficia da alta nos preços de energia. Deve crescer 5% a 6% em 2008.
No Brasil, a expectativa hoje é de um crescimento de 4%, bem abaixo da média histórica do pós-guerra até os anos 80, de 7% a 8%, e abaixo dos nossos concorrentes no mundo globalizado.
Essa queda no crescimento é atribuída à valorização da rúpia e ao aperto de crédito causado pela crise iniciada no mercado de crédito hipotecário nos Estados Unidos. Isso causará uma queda no crescimento das exportações e no consumo de bens duráveis.
O Citigroup, que previra uma expansão de 9,3%, reduziu-a para 8,3% citando a deterioração da economia internacional, enquanto o Lehman Brothers trabalha com uma expectativa de 8,8% e o Morgan Stanley com 7,4% no próximo ano fiscal e 7,8% no que termina em março de 2010.
Entre as grandes potências econômicas emergentes, os chamados BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China), a China se mantém como a economia mais dinâmica e que mais cresce. Os economistas prevêem uma desaceleração este ano por causa da crise americana, depois de um crescimento de 11,4% em 2007.
A Índia continua no segundo lugar e a Rússia em terceiro. Rica em petróleo, gás e outros recursos naturais, a economia russa se beneficia da alta nos preços de energia. Deve crescer 5% a 6% em 2008.
No Brasil, a expectativa hoje é de um crescimento de 4%, bem abaixo da média histórica do pós-guerra até os anos 80, de 7% a 8%, e abaixo dos nossos concorrentes no mundo globalizado.
segunda-feira, 26 de novembro de 2007
Ameaça de recessão derruba Dow Jones
Sob o fantasma do aperto de crédito e da ameaça de uma recessão nos Estados Unidos, o Índice Dow Jones, da Bolsa de Valores de Nova Iorque, caiu cerca de 237,44 pontos (1,8%), anulando os 181 pontos da recuperação da última sexta-feira, e fechou em 12.743,44.
O setor financeiro foi o mais atingido, com as ações do Citigroup caindo 6% e as do banco Goldman Sachs, 4%.
A bolsa Nasdaq, das ações de empresas de alta tecnologia, baixou 55,61 pontos (2,1%) para 2.540,99. O índice S&P 500 caiu 33,48 (2,3%) para 1.407,22.
Desde seus picos, em outubro, os três principais índices da Bolsa de Nova Iorque baixaram mais de 10%, o que o mercado financeiro define como uma "correção".
O setor financeiro foi o mais atingido, com as ações do Citigroup caindo 6% e as do banco Goldman Sachs, 4%.
A bolsa Nasdaq, das ações de empresas de alta tecnologia, baixou 55,61 pontos (2,1%) para 2.540,99. O índice S&P 500 caiu 33,48 (2,3%) para 1.407,22.
Desde seus picos, em outubro, os três principais índices da Bolsa de Nova Iorque baixaram mais de 10%, o que o mercado financeiro define como uma "correção".
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
Admirável mundo novo globalizado
O barril de petróleo aproxima-se de US$ 100. Já passa de US$ 98. As dívidas podres da crise no mercado de crédito hipotecário nos Estados Unidos podem chegar a US$ 250 bilhões até o final de 2008. E a PetroChina vale US$ 1 trilhão, mais de duas vezes mais do que a Exxon, até a semana passada a maior companhia aberta do mundo, o que sugere que o mercado financeiro chinês está criando uma bolha.
Bem-vindos ao admirável mundo novo globalizado. Mas apertem os cintos. A previsão é de fortes turbulências à frente, apesar do otimismo exagerado de quem não vê riscos de crise energética nem de desindustrialização da economia brasileira.
A crise no mercado de crédito hipotecário para tomadores de segunda linha nos Estados Unidos só vai pior nos próximos dois anos, afirma Bill Gross, o diretor de investimentos do maior fundo de bônus do mundo.
Em entrevista à televisão americana CNBC, especializada em economia e negócios, Gross, da Pacific Investment Management (Pimco) previu que o mercado ainda terá absorver prejuízos de US$ 250 bilhões até o final deste ano e em 2008. Ele entende que os grandes bancos que anunciaram prejuízos de bilhões de dólares no terceiro semestre – Citigroup, Merrill Lynch e Bear Stearns – sofrerão perdas adicionais.
Sua recomendação: o Comitê do Mercado Aberto do Federal Reserve Board (Fed), o comitê de política monetária do banco central dos EUA, deve continuar a reduzir os juros, com o objetivo de fazer com que os juros do crédito hipotecário para 30 anos caiam para 5% ao ano, a fim de evitar novos calotes.
"O Fed está encurralado", analisou Gross. "Precisa combater a inflação, mas também tem de combater a deflação dos ativos imobiliários."
Se levarmos em conta que o Fed ajudou a criar a bolha especulativa no mercado imobiliário americano ao manter a taxa básica de juros em 1% ao ano depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, a questão é o que esperar da China. Lá, as autoridades monetárias não têm a menor experiência em crises financeiras e os investidores parecem tomados por um otimismo incontornável.
Na segunda-feira, 5 de novembro, a companhia petrolífera estatal PetroChina tornou-se a maior empresa do mundo. Suas ações subiram 163% no primeiro dia de abertura de seu capital na Bolsa de Valores de Xangai, a maior cidade chinesa.
Durante o pregão, a PetroChina, que já negociava ações em Hong Kong e Nova Iorque, foi cotada em US$ 1 trilhão. É mais do dobro da empresa de petróleo americana Exxon Mobil, que tem um valor de mercado de US$ 450 bilhões e era a maior companhia de capital aberto do mundo. Mas a Exxon tem lucros maiores e as empresas chinesas não controlam nem 2% dos campos petrolíferos do mundo.
O governo chinês, preocupado com a formação de uma bolha especulativa, prometeu controlar os mercados financeiros. Como a China tem uma taxa de poupança elevadíssima, de 47%, e os chineses não podem investir no exterior, restam poucas opções. No momento, eles estão descobrindo as bolsas de valores. Talvez ainda não tenham se dado conta de que o mercado de renda variável oscila também para baixo.
Quando o primeiro-ministro Wen Jiabao fez restrições a um plano que permitiria que residentes na China continental comprassem ações em Hong Kong, a Bolsa de Hong Kong caiu 5%. Vem aí novas altas e baixas.
Em meio à crise provocada pelo estouro da bolha especulativa no setor habitacional nos EUA e o risco de que a China esteja inflando a sua, os preços do petróleo estão a menos de dois dólares da marca psicologicamente importante de US$ 100.
Há alguns meses, previa-se que esta marca seria atingida em caso de um bombardeio dos EUA contra o programa nuclear do Irã. Agora, se esse ataque vier – e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, acaba de reiterar, diante do Congresso dos EUA, que um Irã com armas nucleares é “inaceitável” para a França – o petróleo vai a quanto: US$ 150?
É preciso lembrar ainda que a China é a principal responsável pelo aumento nos preços dos produtores primários. Essa alta é responsável pela bonança econômica da América do Sul e do Brasil, que percentualmente exporta cada vez menos manufaturados.
Nas estatísticas oficiais, o Brasil coloca, por exemplo, açúcar como produto industrializado. Ninguém exporta cana-de-açúcar.
As exportações brasileiras concentram-se em soja, aço, açúcar, em breve talvez também o álcool, ferramentas simples, como pás e chaves de fenda, mas pouquíssimos produtos com alto conteúdo tecnológico.
Há uma notável exceção: os aviões da Embraer. Assim, uma crise no processo de desenvolvimento chinês, que inevitavelmente virá um dia – pensem no Japão dos anos 80 para os 90 – terá um forte impacto nestes tristes trópicos.
Bem-vindos ao admirável mundo novo globalizado. Mas apertem os cintos. A previsão é de fortes turbulências à frente, apesar do otimismo exagerado de quem não vê riscos de crise energética nem de desindustrialização da economia brasileira.
A crise no mercado de crédito hipotecário para tomadores de segunda linha nos Estados Unidos só vai pior nos próximos dois anos, afirma Bill Gross, o diretor de investimentos do maior fundo de bônus do mundo.
Em entrevista à televisão americana CNBC, especializada em economia e negócios, Gross, da Pacific Investment Management (Pimco) previu que o mercado ainda terá absorver prejuízos de US$ 250 bilhões até o final deste ano e em 2008. Ele entende que os grandes bancos que anunciaram prejuízos de bilhões de dólares no terceiro semestre – Citigroup, Merrill Lynch e Bear Stearns – sofrerão perdas adicionais.
Sua recomendação: o Comitê do Mercado Aberto do Federal Reserve Board (Fed), o comitê de política monetária do banco central dos EUA, deve continuar a reduzir os juros, com o objetivo de fazer com que os juros do crédito hipotecário para 30 anos caiam para 5% ao ano, a fim de evitar novos calotes.
"O Fed está encurralado", analisou Gross. "Precisa combater a inflação, mas também tem de combater a deflação dos ativos imobiliários."
Se levarmos em conta que o Fed ajudou a criar a bolha especulativa no mercado imobiliário americano ao manter a taxa básica de juros em 1% ao ano depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, a questão é o que esperar da China. Lá, as autoridades monetárias não têm a menor experiência em crises financeiras e os investidores parecem tomados por um otimismo incontornável.
Na segunda-feira, 5 de novembro, a companhia petrolífera estatal PetroChina tornou-se a maior empresa do mundo. Suas ações subiram 163% no primeiro dia de abertura de seu capital na Bolsa de Valores de Xangai, a maior cidade chinesa.
Durante o pregão, a PetroChina, que já negociava ações em Hong Kong e Nova Iorque, foi cotada em US$ 1 trilhão. É mais do dobro da empresa de petróleo americana Exxon Mobil, que tem um valor de mercado de US$ 450 bilhões e era a maior companhia de capital aberto do mundo. Mas a Exxon tem lucros maiores e as empresas chinesas não controlam nem 2% dos campos petrolíferos do mundo.
O governo chinês, preocupado com a formação de uma bolha especulativa, prometeu controlar os mercados financeiros. Como a China tem uma taxa de poupança elevadíssima, de 47%, e os chineses não podem investir no exterior, restam poucas opções. No momento, eles estão descobrindo as bolsas de valores. Talvez ainda não tenham se dado conta de que o mercado de renda variável oscila também para baixo.
Quando o primeiro-ministro Wen Jiabao fez restrições a um plano que permitiria que residentes na China continental comprassem ações em Hong Kong, a Bolsa de Hong Kong caiu 5%. Vem aí novas altas e baixas.
Em meio à crise provocada pelo estouro da bolha especulativa no setor habitacional nos EUA e o risco de que a China esteja inflando a sua, os preços do petróleo estão a menos de dois dólares da marca psicologicamente importante de US$ 100.
Há alguns meses, previa-se que esta marca seria atingida em caso de um bombardeio dos EUA contra o programa nuclear do Irã. Agora, se esse ataque vier – e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, acaba de reiterar, diante do Congresso dos EUA, que um Irã com armas nucleares é “inaceitável” para a França – o petróleo vai a quanto: US$ 150?
É preciso lembrar ainda que a China é a principal responsável pelo aumento nos preços dos produtores primários. Essa alta é responsável pela bonança econômica da América do Sul e do Brasil, que percentualmente exporta cada vez menos manufaturados.
Nas estatísticas oficiais, o Brasil coloca, por exemplo, açúcar como produto industrializado. Ninguém exporta cana-de-açúcar.
As exportações brasileiras concentram-se em soja, aço, açúcar, em breve talvez também o álcool, ferramentas simples, como pás e chaves de fenda, mas pouquíssimos produtos com alto conteúdo tecnológico.
Há uma notável exceção: os aviões da Embraer. Assim, uma crise no processo de desenvolvimento chinês, que inevitavelmente virá um dia – pensem no Japão dos anos 80 para os 90 – terá um forte impacto nestes tristes trópicos.
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
Bolsa de Hong Kong desaba
A Bolsa de Valores de Hong Kong, na China, caiu 5% hoje diante de notícias de que o primeiro-ministro Wen Jiabao faz diversas restrições a um plano para permitir que residentes na China continental comprem ações em Hong Kong.
O plano gerou expectativas de que bilhões de dólares fossem investidos em Hong Kong.
Outras bolsas asiáticas também registraram quedas por causa do impacto no setor financeiro dos problemas no Citigroup. Seu diretor-presidente, Charles Prince, pediu demissão, sendo substituído pelo ex-secretário do Tesouro americano (no governo Clinton) Robert Rubin.
Um dos maiores bancos do mundo, o Citi foi duramente atingido pela crise no setor de crédito hipotecário nos Estados Unidos, provocada pela falta de pagamento das prestações da casa própria por tomadores de segunda linha. Acaba de anunciar novas perdas, estimadas em US$ 8 bilhões a US$ 11 bilhões.
O plano gerou expectativas de que bilhões de dólares fossem investidos em Hong Kong.
Outras bolsas asiáticas também registraram quedas por causa do impacto no setor financeiro dos problemas no Citigroup. Seu diretor-presidente, Charles Prince, pediu demissão, sendo substituído pelo ex-secretário do Tesouro americano (no governo Clinton) Robert Rubin.
Um dos maiores bancos do mundo, o Citi foi duramente atingido pela crise no setor de crédito hipotecário nos Estados Unidos, provocada pela falta de pagamento das prestações da casa própria por tomadores de segunda linha. Acaba de anunciar novas perdas, estimadas em US$ 8 bilhões a US$ 11 bilhões.
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
Bolsa de Nova Iorque cai 362 pontos
Apesar do corte na taxa básica de juros na quarta-feira, o medo de um aperto de crédito por causa do impacto no mercado financeiro da crise no setor habitacional nos Estados Unidos derrubou ontem o Índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais ações negociadas na Bolsa de Valores de Nova Iorque. A queda foi de 362,14 pontos (2,6%), para 13.567,87 pontos.
Para evitar uma crise de liquidez, o Federal Reserve Board (Fed), o banco central americano, colocou mais US$ 41 bilhões à disposição dos bancos.
No mundo inteiro, as bolsas fecharam em queda.
As ações do Citigroup baixaram 7% e as do banco de investimentos J P Morgan e do grupo AIG, 6% cada.
Mesmo com o petróleo em alta, as ações da Exxon perderam 3% do valor porque a maior companhia petrolífera do mundo lucrou menos do que o previsto.
Na bolsa especializada em ações de empresas de alta tecnologia, a Nasdaq, a queda foi de 2,25%. O índice S&P 500, que avalia 500 ações negociadas em Wall Street, baixou 2,6%. Foi seu pior dia desde agosto. Caíram 2.826 ações e 442 tiveram alta.
O preço do barril de petróleo caiu depois de ser negociado a US$ 96, fechando em US$ 93,49 na Bolsa Mercantil de Nova Iorque.
Para evitar uma crise de liquidez, o Federal Reserve Board (Fed), o banco central americano, colocou mais US$ 41 bilhões à disposição dos bancos.
No mundo inteiro, as bolsas fecharam em queda.
As ações do Citigroup baixaram 7% e as do banco de investimentos J P Morgan e do grupo AIG, 6% cada.
Mesmo com o petróleo em alta, as ações da Exxon perderam 3% do valor porque a maior companhia petrolífera do mundo lucrou menos do que o previsto.
Na bolsa especializada em ações de empresas de alta tecnologia, a Nasdaq, a queda foi de 2,25%. O índice S&P 500, que avalia 500 ações negociadas em Wall Street, baixou 2,6%. Foi seu pior dia desde agosto. Caíram 2.826 ações e 442 tiveram alta.
O preço do barril de petróleo caiu depois de ser negociado a US$ 96, fechando em US$ 93,49 na Bolsa Mercantil de Nova Iorque.
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