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sexta-feira, 14 de março de 2008

Intervenção em banco derruba bolsas de valores

A intervenção do Federal Reserve Board, o banco central dos Estados Unidos, com a ajuda do banco J P Morgan Chase, para salvar o quinto maior banco de investimentos americanos abalou mais uma vez o mercado financeiro.

O Bear Stearns é a nova vítima da crise no setor habitacional nos EUA. Não foi revelado quanto dinheiro será necessário injetar para impedir sua quebra.

Diante de líderes empresarias reunidos do Clube da Economia de Nova Iorque, o presidente George W. Bush tentou passar uma mensagem otimista. Ele prometeu ajuda para refinanciar os contratos de quem corre risco de perder a casa, defendeu a aprovação definitiva dos cortes de impostos de seu governo e advertiu para os riscos de "uma regulamentação excessiva capaz de prejudicar a economia americana a longo prazo".

Com mais um banco em dificuldades, as ações da Bolsa de Valores de Nova Iorque perderem, em média, 2%.

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Admirável mundo novo globalizado

O barril de petróleo aproxima-se de US$ 100. Já passa de US$ 98. As dívidas podres da crise no mercado de crédito hipotecário nos Estados Unidos podem chegar a US$ 250 bilhões até o final de 2008. E a PetroChina vale US$ 1 trilhão, mais de duas vezes mais do que a Exxon, até a semana passada a maior companhia aberta do mundo, o que sugere que o mercado financeiro chinês está criando uma bolha.

Bem-vindos ao admirável mundo novo globalizado. Mas apertem os cintos. A previsão é de fortes turbulências à frente, apesar do otimismo exagerado de quem não vê riscos de crise energética nem de desindustrialização da economia brasileira.

A crise no mercado de crédito hipotecário para tomadores de segunda linha nos Estados Unidos só vai pior nos próximos dois anos, afirma Bill Gross, o diretor de investimentos do maior fundo de bônus do mundo.

Em entrevista à televisão americana CNBC, especializada em economia e negócios, Gross, da Pacific Investment Management (Pimco) previu que o mercado ainda terá absorver prejuízos de US$ 250 bilhões até o final deste ano e em 2008. Ele entende que os grandes bancos que anunciaram prejuízos de bilhões de dólares no terceiro semestre – Citigroup, Merrill Lynch e Bear Stearns – sofrerão perdas adicionais.

Sua recomendação: o Comitê do Mercado Aberto do Federal Reserve Board (Fed), o comitê de política monetária do banco central dos EUA, deve continuar a reduzir os juros, com o objetivo de fazer com que os juros do crédito hipotecário para 30 anos caiam para 5% ao ano, a fim de evitar novos calotes.

"O Fed está encurralado", analisou Gross. "Precisa combater a inflação, mas também tem de combater a deflação dos ativos imobiliários."

Se levarmos em conta que o Fed ajudou a criar a bolha especulativa no mercado imobiliário americano ao manter a taxa básica de juros em 1% ao ano depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, a questão é o que esperar da China. Lá, as autoridades monetárias não têm a menor experiência em crises financeiras e os investidores parecem tomados por um otimismo incontornável.

Na segunda-feira, 5 de novembro, a companhia petrolífera estatal PetroChina tornou-se a maior empresa do mundo. Suas ações subiram 163% no primeiro dia de abertura de seu capital na Bolsa de Valores de Xangai, a maior cidade chinesa.

Durante o pregão, a PetroChina, que já negociava ações em Hong Kong e Nova Iorque, foi cotada em US$ 1 trilhão. É mais do dobro da empresa de petróleo americana Exxon Mobil, que tem um valor de mercado de US$ 450 bilhões e era a maior companhia de capital aberto do mundo. Mas a Exxon tem lucros maiores e as empresas chinesas não controlam nem 2% dos campos petrolíferos do mundo.

O governo chinês, preocupado com a formação de uma bolha especulativa, prometeu controlar os mercados financeiros. Como a China tem uma taxa de poupança elevadíssima, de 47%, e os chineses não podem investir no exterior, restam poucas opções. No momento, eles estão descobrindo as bolsas de valores. Talvez ainda não tenham se dado conta de que o mercado de renda variável oscila também para baixo.

Quando o primeiro-ministro Wen Jiabao fez restrições a um plano que permitiria que residentes na China continental comprassem ações em Hong Kong, a Bolsa de Hong Kong caiu 5%. Vem aí novas altas e baixas.

Em meio à crise provocada pelo estouro da bolha especulativa no setor habitacional nos EUA e o risco de que a China esteja inflando a sua, os preços do petróleo estão a menos de dois dólares da marca psicologicamente importante de US$ 100.

Há alguns meses, previa-se que esta marca seria atingida em caso de um bombardeio dos EUA contra o programa nuclear do Irã. Agora, se esse ataque vier – e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, acaba de reiterar, diante do Congresso dos EUA, que um Irã com armas nucleares é “inaceitável” para a França – o petróleo vai a quanto: US$ 150?

É preciso lembrar ainda que a China é a principal responsável pelo aumento nos preços dos produtores primários. Essa alta é responsável pela bonança econômica da América do Sul e do Brasil, que percentualmente exporta cada vez menos manufaturados.

Nas estatísticas oficiais, o Brasil coloca, por exemplo, açúcar como produto industrializado. Ninguém exporta cana-de-açúcar.

As exportações brasileiras concentram-se em soja, aço, açúcar, em breve talvez também o álcool, ferramentas simples, como pás e chaves de fenda, mas pouquíssimos produtos com alto conteúdo tecnológico.

Há uma notável exceção: os aviões da Embraer. Assim, uma crise no processo de desenvolvimento chinês, que inevitavelmente virá um dia – pensem no Japão dos anos 80 para os 90 – terá um forte impacto nestes tristes trópicos.