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segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Bancos de Wall St. lutam pela sobrevivência

O quarto maior banco de investimentos dos Estados Unidos, Lehman Brothers, quebrado e sem conseguir interessados em comprar sequer sua parte mais saudável, e pode pedir concordata ainda hoje. Para evitar o mesmo destino, o terceiro maior banco de investimentos americano, Merrill Lynch, negociou sua venda ao Bank of America por US$ 44 bilhões.

Na tarde de domingo, 14 de setembro de 2008, uma tentativa de salvar o Lehman Bros. com uma solução de mercado fracassou, quando o banco Barclays, do Reino Unido, desistiu do negócio.

Meses atrás, o secretário do Tesouro, Henry Paulson, negociou um acordo com US$ 30 bilhões de empréstimos com dinheiro público para que o Chase comprasse o quebrado Bear Stearns.

Há duas semanas, o governo assumiu o controle dos dois giantes do mercado de crédito hipotecário dos EUA, Fannie Mae e Freddie Mac, que garantem negócios de US$ 5,3 trilhões.

Desta vez, foi taxativo ao negar o uso de dinheiro público para salvar o Lehman Bros. Mas a expectativa é que o banco central dos EUA coloque à disposição dos bancos uma linha de crédito de cerca de US$ 70 bilhões aos bancos.

O jornal The Wall St. Journal, porta-voz do centro financeiro de Nova Iorque, já admite que apenas dois grandes brancos americanos independentes sobreviverão: Goldman Sachs e Morgan Stanley.

Para agravar ainda mais a crise financeira americana, a gigantesca seguradora American International Group estaria tentando levantar dinheiro no mercado, inclusive com a venda de seus próprios ativos, por necessitar de até US$ 40 bilhões.

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008

Dow Jones cai mais de 300 pontos

Com o anúncio do banco Merrill Lynch de que teve no final do ano passado o maior prejuízo trimestral de sua história, US$ 9,83 bilhões, a Bolsa de Valores de Nova Iorque operou em forte queda, com o índice Dow Jones baixando cerca de 300 pontos.

Para enfrentar a crise, o banco recebeu US$ 13 bilhões de fundos de Cingapura, da Coréia do Sul e do Kuwait.

No final do dia, o Índice Dow Jones, que mede o desempenho das 30 principais ações na Bolsa de Wall St., registrava contração de 306,95 pontos (-2,46%), fechando em 12.159,21. Todas as 30 ações que compõem o índice se desvalorizaram.

O S&P caiu 2,91% e a Nasdaq, 1,99%.

Diante do risco cada vez maior de recessão nos Estados Unidos, os preços do petróleo baixaram, com o barril sendo cotada a US$ 90,13 em Nova Iorque e a US$ 88,75 em Londres.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

EUA estão em recessão, dizem analistas

A maior economia do mundo entrou em recessão, afirmaram nesta segunda-feira analistas dos bancos de investimentos americanos Merrill Lynch e Morgan Stanley.

Já o banco Goldman Sachs estima que o prejuízo da crise de crédito hipotecário iniciada pela inadimplência dos tomadores de empréstimos de segunda linha para compra de casa própria chegue a US$ 2 trilhões.

"O relatório econômico da sexta-feira confirmou nossas suspeitas de que a economia se encaminhava para uma recessão oficial no final do ano", declarou Rosenberg, do Merrill Lynch.

Na sexta-feira, o Departamento de Comércio dos Estados Unidos revelou que a economia americana só gerou 18 mil novos empregos em dezembro. A taxa de desemprego passou de 4,7% para 5% da população em idade de trabalhar.

"Em nenhum momento dos últimos 60 anos, a taxa de desemprego cresceu 0,60 ponto percentual na parte baixa do ciclo sem que a economia escorregasse para a recessão", argumentou. "Aqui, temos o índice chegando a 5% em dezembro, em comparação com 4,4% em março passado".

Os economistas Richard Berner e David Greenlaw, do banco Morgan Stanley, manifestaram a mesma preocupação: "A questão central é quão profunda e quão longa será a recessão".

Esse pessimismo atingiu também o presidente da filial do Federal Reserve Board (Fed), o banco central americano, em Atlanta, na Geórgia. Em discurso no Rotary Club de Atlanta, Dennis Lockhart admitiu hoje que "os aspectos negativos estão ganhando impulso na nossa economia. Estas circunstâncias exigem que os formuladores de política estejam preparados para responder pragmaticamente".

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Admirável mundo novo globalizado

O barril de petróleo aproxima-se de US$ 100. Já passa de US$ 98. As dívidas podres da crise no mercado de crédito hipotecário nos Estados Unidos podem chegar a US$ 250 bilhões até o final de 2008. E a PetroChina vale US$ 1 trilhão, mais de duas vezes mais do que a Exxon, até a semana passada a maior companhia aberta do mundo, o que sugere que o mercado financeiro chinês está criando uma bolha.

Bem-vindos ao admirável mundo novo globalizado. Mas apertem os cintos. A previsão é de fortes turbulências à frente, apesar do otimismo exagerado de quem não vê riscos de crise energética nem de desindustrialização da economia brasileira.

A crise no mercado de crédito hipotecário para tomadores de segunda linha nos Estados Unidos só vai pior nos próximos dois anos, afirma Bill Gross, o diretor de investimentos do maior fundo de bônus do mundo.

Em entrevista à televisão americana CNBC, especializada em economia e negócios, Gross, da Pacific Investment Management (Pimco) previu que o mercado ainda terá absorver prejuízos de US$ 250 bilhões até o final deste ano e em 2008. Ele entende que os grandes bancos que anunciaram prejuízos de bilhões de dólares no terceiro semestre – Citigroup, Merrill Lynch e Bear Stearns – sofrerão perdas adicionais.

Sua recomendação: o Comitê do Mercado Aberto do Federal Reserve Board (Fed), o comitê de política monetária do banco central dos EUA, deve continuar a reduzir os juros, com o objetivo de fazer com que os juros do crédito hipotecário para 30 anos caiam para 5% ao ano, a fim de evitar novos calotes.

"O Fed está encurralado", analisou Gross. "Precisa combater a inflação, mas também tem de combater a deflação dos ativos imobiliários."

Se levarmos em conta que o Fed ajudou a criar a bolha especulativa no mercado imobiliário americano ao manter a taxa básica de juros em 1% ao ano depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, a questão é o que esperar da China. Lá, as autoridades monetárias não têm a menor experiência em crises financeiras e os investidores parecem tomados por um otimismo incontornável.

Na segunda-feira, 5 de novembro, a companhia petrolífera estatal PetroChina tornou-se a maior empresa do mundo. Suas ações subiram 163% no primeiro dia de abertura de seu capital na Bolsa de Valores de Xangai, a maior cidade chinesa.

Durante o pregão, a PetroChina, que já negociava ações em Hong Kong e Nova Iorque, foi cotada em US$ 1 trilhão. É mais do dobro da empresa de petróleo americana Exxon Mobil, que tem um valor de mercado de US$ 450 bilhões e era a maior companhia de capital aberto do mundo. Mas a Exxon tem lucros maiores e as empresas chinesas não controlam nem 2% dos campos petrolíferos do mundo.

O governo chinês, preocupado com a formação de uma bolha especulativa, prometeu controlar os mercados financeiros. Como a China tem uma taxa de poupança elevadíssima, de 47%, e os chineses não podem investir no exterior, restam poucas opções. No momento, eles estão descobrindo as bolsas de valores. Talvez ainda não tenham se dado conta de que o mercado de renda variável oscila também para baixo.

Quando o primeiro-ministro Wen Jiabao fez restrições a um plano que permitiria que residentes na China continental comprassem ações em Hong Kong, a Bolsa de Hong Kong caiu 5%. Vem aí novas altas e baixas.

Em meio à crise provocada pelo estouro da bolha especulativa no setor habitacional nos EUA e o risco de que a China esteja inflando a sua, os preços do petróleo estão a menos de dois dólares da marca psicologicamente importante de US$ 100.

Há alguns meses, previa-se que esta marca seria atingida em caso de um bombardeio dos EUA contra o programa nuclear do Irã. Agora, se esse ataque vier – e o presidente francês, Nicolas Sarkozy, acaba de reiterar, diante do Congresso dos EUA, que um Irã com armas nucleares é “inaceitável” para a França – o petróleo vai a quanto: US$ 150?

É preciso lembrar ainda que a China é a principal responsável pelo aumento nos preços dos produtores primários. Essa alta é responsável pela bonança econômica da América do Sul e do Brasil, que percentualmente exporta cada vez menos manufaturados.

Nas estatísticas oficiais, o Brasil coloca, por exemplo, açúcar como produto industrializado. Ninguém exporta cana-de-açúcar.

As exportações brasileiras concentram-se em soja, aço, açúcar, em breve talvez também o álcool, ferramentas simples, como pás e chaves de fenda, mas pouquíssimos produtos com alto conteúdo tecnológico.

Há uma notável exceção: os aviões da Embraer. Assim, uma crise no processo de desenvolvimento chinês, que inevitavelmente virá um dia – pensem no Japão dos anos 80 para os 90 – terá um forte impacto nestes tristes trópicos.