domingo, 24 de março de 2024

Hoje na História do Mundo: 24 de Março

NAT KING COLE EM PRIMEIRO

    Em 1945, a revista norte-americana Billboard lança sua lista de álbuns mais vendidos e o cantor e pianista Nat King Cole é o primeiro a ficar em primeiro lugar.

Cole nasce em 17 de março de 1919 em Montgomery, no estado do Alabama, e cresce em Chicago. Aos 12 anos, toca órgão e canta na igreja onde o pai é pastor. Cinco anos depois, ele cria seu primeiro grupo de jazz.

Em 1937, começa a tocar em grupo de jazz de Los Angeles. Logo, forma o Nat King Cole Trio. A popularidade de Cole o torna o primeiro negro norte-americano a apresentar um programa de televisão. 

O Nat King Cole Show estreia na rede NBC em 1956, mas é cancelado um ano depois por falta de patrocinadores porque as empresas não querem associar suas marcas a um negro. O racismo da época o impede de ter um sucesso ainda maior, mas não evita que trabalhe em vários filmes de Hollywood.

GUERRA SUJA ARGENTINA

    Em 1976, um golpe militar derruba a presidente María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, viúva de Juan Domingo Perón, e dá início ao "Processo de Reorganização Nacional", uma guerra suja contra a esquerda na Argentina que mata um total estimado de 30 mil pessoas.

A primeira junta militar é formada pelo general Jorge Rafael Videla, comandante do Exército; almirante Emilio Eduardo Massera, comandante da Marinha; e general-brigadeiro Orlando Ramón Agosti. A desculpa para a repressão é o combate à guerrilha.

Depois da morte de Perón por causas naturais em 1º de julho de 1974, ele é sucedido por Isabelita, que não tem o carisma nem o talento político de sua segunda mulher, María Eva Duarte de Perón, a Evita.

Fraca politicamente, Isabelita é assessorada por um grupo de assessores militares que lança, em 5 de fevereiro de 1975, a Operação Independência, de combate às guerrilhas esquerdistas. Eles dividem o país em cinco regiões militares e dão autonomia aos comandantes para desencadear a repressão e eliminar os guerrilheiros.

A repressão foi muito além dos guerrilheiros. Tentou eliminar toda uma corrente de pensamento com prisões ilegais, sequestros, desaparecimento de pessoas e execuções sumárias, inclusive os voos da morte, em que opositores era drogados e jogados no mar.

Pela Escola de Mecânica da Armada (ESMA), o principal centro de detenção e tortura, passam 5 mil pessoas que foram mortas. Cerca de 500 bebês filhos de presos assassinados são sequestrados e adotados por famílias ligadas ao regime.

Em 30 de abril de 1977, Azucena Villaflor e outras mães de desaparecidos protestam na Plaza de Mayo, diante da Casa Rosada, a sede do governo. Nasce o movimento das Mães da Praça de Maio, que dá origem ao movimento das Avós da Praça de Maio, que conseguiram recuperar mais de 130 netos.

A ditadura sanguinária começa a cair em 2 de abril de 1982, quando o general-presidente Leopoldo Fortunato Galtieri, que dera um golpe dentro do golpe, manda invadir as Ilhas Malvinas, possessão do Império Britânico, que as chama de Falklands.

O general delinquente não imaginava que a primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, enviaria uma força-tarefa que derrota e humilha os militares argentinos, que massacravam seu próprio povo mas fracassaram em sua aventura militar.

Depois de dez semanas e das mortes de 649 argentinos e 258 britânicos (3 civis), a Argentina se rende em 14 de junho. Os militares continuam no poder até 10 de dezembro de 1983, quando entregam o poder ao presidente Raúl Alfonsín (1983-89).

Alfonsín manda investigar o desaparecimento de pessoas e o relatório enviado à Justiça serve de ponto de partido para o Julgamento das Juntas, dos nove comandantes das três juntas militares que governaram a Argentina depois do golpe, concluído em 1985.

Sob a pressão de revoltas de militares de baixo escalão, o governo Alfonsín cede e aprova as leis Ponto Final e de Obediência Devida, para julgar somente as juntas pelos crimes da ditadura. Em 8 de outubro de 1989, assume o presidente Carlos Menem (1989-99), que indulta os comandantes no fim de dezembro de 1990.

Em 2003, no governo Néstor Kirchner (2003-7), as leis que acabaram com os processos e os indultos foram anulados e as investigações reabertas. Desde então, cerca de mil repressores foram condenados.

ARCEBISPO ASSASSINADO

    Em 1980, Dom Óscar Romero, arcebispo de San Salvador, um crítico das violações dos direitos humanos pela ditadura e os grupos paramilitares de El Salvador durante a guerra civil contra a Frente Farabundo Martí de Libertação Nacional (FMLN), é assassinado durante a missa de domingo. Ele é canonizado em 2018.

Óscar Arnulfo Romero Galdámez é considerado conservador antes de ser nomeado arcebispo, em 1977, mas denuncia a ditadura do general Carlos Humberto Romero, que não tinha relação de parentesco com ele, e se nega a apoiar a junta militar que substitui o general deposto.

Sua defesa dos pobres, as grandes vítimas da violência política provoca ameaças de morte. Sua defesa dos direitos humanos vale a indicação de deputados dos Estados Unidos e do Reino Unido ao Prêmio Nobel da Paz de 1979.

Depois do fim da Guerra Civil Salvadorenha (1979-92), a Comissão da Verdade de El Salvador conclui que Dom Romero foi morto por um esquadrão da morte liderado pelo ex-major Roberto D'Aubuisson.

PETRÓLEO NO MAR DO ALASCA

    Em 1989, o navio-tanque Exxon Valdez, da companhia petrolífera Exxon, bate num recife na Enseada Príncipe William, no sul do estado do Alasca, e derrama 41,6 milhões de litros de petróleo no mar, no pior acidente da indústria petrolífera na história dos Estados Unidos.

As tentativas de conter o vazamento são inúteis. O petróleo bruto se espalha até uma distância de 160 quilômetros, poluindo mais de 1,1 mil km de costa e matando milhares de aves e mamíferos.

Mais tarde, sabe-se que o capitão Joseph Hazelwood estava bebendo na hora do acidente e mandou um marinheiro sem qualificação pilotar o petroleiro. 

Em março de 1990, ele é condenado por contravenção penal a mil horas de trabalho comunitário e multa de US$ 50 mil. A pena é anulada em julho de 1992 com base numa lei federal que livra de processo quem relatar um vazamento de petróleo.

O Serviço Nacional de Segurança dos Transportes dos EUA impôs à Exxon uma multa de US$ 100 milhões e US$ 1 bilhão a serem pagos em 10 anos para despoluir o meio ambiente. A Exxon e o estado do Alasca rejeitaram o acordo e a questão é encerrada com o pagamento pela empresa de apenas US$ 25 milhões.

GUERRA DO KOSSOVO

    Em 1999, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) inicia uma campanha de bombardeios aéreos de 78 dias contra a Iugoslávia, reduzida a Sérvia e Montenegro, e a posições militares sérvias que perseguem a maioria de origem albanesa na província do Kossovo.

A região ocupa um lugar especial da história da Sérvia. Na Batalha do Kossovo, em 15 de junho de 1389, o Império Otomano derrota o rei Lazar e conquista a Sérvia, que só recupera a independência em 1867. Quando retoma o Kossovo, em 1913, a província é povoada por albaneses.

Em 1974, o ditador da Iugoslávia, Josip Broz Tito, dá autonomia ao Kossovo dentro da Sérvia. Com a morte de Tito, em 1980, e o declínio da ideologia comunista, em 1987, Slobodan Milosevic é eleito líder da Liga Comunista da Sérvia com a promessa de restaurar o controle sobre o Kossovo.

Eleito presidente da Sérvia em 1989, Milosevic acaba com a autonomia do Kossovo em 1990. Com o renascimento do nacionalismo sérvio, a Croácia e a Eslovênia declaram independência em 1991. O Exército Federal da Iugoslávia intervém. A guerra da Eslovênia acaba logo, mas a da Croácia se arrasta por anos.

Em 1992, a independência da Bósnia-Herzegovina deflagra a pior das guerras que dividiram a Iugoslávia, que durou mais de três anos e matou mais de 100 mil pessoas. A Iugoslávia fica reduzida a Sérvia e Montenegro.

O Exército de Libertação do Kossovo nasce em 1996 para lutar contra a dominação sérvia. Chega a controlar a metade da província quando a Sérvia reage e inicia uma campanha de purificação étnica que leva à intervenção da Organização do Tratado de Atlântico Sul (OTAN), a aliança militar liderada pelos EUA, que não perde nenhum soldado em combate durante a campanha aérea.

Milosevic cai em outubro de 2000 numa revolta popular na Sérvia. É preso e entregue ao Tribunal Penal Internacional para Crimes de Guerra na Antiga Iugoslávia. Morre em 11 de março de 2006, antes do fim do processo em que era acusados de mais de 60 crimes de genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

GENOCIDA DA BÓSNIA

    Em 2016, o Tribunal Penal Internacional para a Antiga Iugoslávia, com sede em Haia, na Holanda, condena a 40 anos de prisão por crimes de guerra, inclusive genocídio, o psiquiatra Radovan Karadzic, líder da autoproclamada República Sérvia durante a Guerra da Independência da Bósnia-Herzegovina (1992-95). Em 2019, a pena é ampliada para prisão perpétua.

A Bósnia tem a população mais dividida religiosa etnicamente da Iugoslávia: 44% bósnios muçulmanos; 31% sérvios, que são cristãos ortodoxos; e 16% croatas, que são católicos. 

Com o apoio do presidente da Sérvia, Slobodan Milosevic, do Exército Federal da Iugoslávia e do comandante militar sérvio-bósnio, general Ratko Mladic, os sérvios cercam Sarajevo, a capital do país, e fazem uma campanha de "limpeza étnica" para expulsar quem não é sérvio das áreas sob seu controle.

Em 1995, o tribunal o acusou crimes guerra e crimes contra a vida, inclusive genocídio, assassinato, tortura, estupro e limpeza étnica. O caso mais notório foi o Massacre de Srebrenica, de 11 a 25 de julho de 1995, quando pelo menos 8.373 bósnios muçulmanos, toda a população masculina adulta da cidade, morreu.

Karadzic foge para a Sérvia depois da guerra e trabalha numa clínica de medicina alternativa em Belgrado até ser preso em julho de 2008 e enviado ao tribunal de Haia.

sábado, 23 de março de 2024

Hoje na História do Mundo: 23 de Março

PRIMEIRO ELEVADOR

    Em 1857, o inventor norte-americano Elisha Otis instala a primeiro elevador em prédio comercial numa loja de departamentos em Nova York.

Otis, descendente de imigrantes ingleses, nasce em Halifax, no estado de Vermont, em 3 de agosto de 1811. De 1838 a 1845, ele construiu navios e carruagens. Em 1852, Otis é enviado para dirigir uma nova fábrica e instalar o maquinário, em Yonkers, no estado de Nova York.

Lá, Otis projeta e constrói o primeiro elevador com uma trava de segurança para evitar a queda se a corrente ou corda que o puxa se romper. No ano seguinte, ele pede demissão abre sua própria loja em Yonkers. A demanda é pequena.

Em 1854, uma demonstração no Chrystal Palace em Nova York atrai a atenção. O primeiro elevador em prédio comercial é instalado na empresa E. V. Haughwout & Co. 

PODERES ESPECIAIS PARA HITLER

    Em 1933, o Reichstag, o parlamento da Alemanha, aprova a Lei Habilitante, também chamada de Lei de Concessão de Poderes Especiais ou Lei para Sanar a Aflição do Povo e da Nação, seu verdadeiro nome. A lei dá poderes especiais a Adolf Hitler para reagir a uma suposta conspiração comunista que seria responsável pelo incêndio do Reichstag em 27 de fevereiro.

Depois de eleições em que o Partido Nacional-Socialista Trabalhista da Alemanha (Nazista) conquista 33% dos votos em 6 de novembro de 1932, Hitler é nomeado chanceler (primeiro-ministro). Menos de um mês depois, há o incêndio do parlamento. Os nazistas são suspeitos e acusam os comunistas. É o grande golpe da ascensão de Hitler ao poder total.

A Lei Habilitante é aprovada pelo Partido Nazista, pelo Partido Nacional Popular da Alemanha e pelo Partido de Centro. Dá os primeiros poderes ditatoriais a Hitler, permitindo que o governo crie leis e assine tratados com outros países sem a aprovação do Reichstag.

Com a morte do presidente Paul von Hindenburg, em 2 de agosto de 1934, o regime nazista convoca um plebiscito para unificar os cargos de presidente e primeiro-ministro na figura do Führer (Líder). Em 19 de agosto, os alemães aprovam a ditadura de Adolf Hitler com quase 90% dos votos.

DIREITOS HUMANOS

    Em 1976, entra em vigor a Convenção ou Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, que incorpora os direitos consagrados pela Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada pelas Nações Unidas em 10 de dezembro de 1948.

A convenção é aberta para adesões em 19 de dezembro de 1966. Reconhece o direito à vida; a não ser submetido a tortura ou penas ou tratamentos cruéis, desumanos e degradantes; a não ser submetido à escravidão ou ao tráfico de escravos; à liberdade e à segurança pessoal; à livre circulação; à igualdade perante tribunais e cortes de justiça; à liberdade de pensamento, de consciência, de religião e de expressão; e de não ser discriminado por raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, situação econômica, nascimento ou qualquer condição.

GUERRA NAS ESTRELAS

    Em 1983, durante a Guerra Fria, o presidente Ronald Reagan anuncia que os Estados Unidos vão desenvolver a Iniciativa de Defesa Estratégica, um programa de tecnologia antimísseis para proteger o país de ataques de mísseis nucleares.

O projeto é logo chamado de Guerra nas Estrelas, referência à série de filmes de grande sucesso dos anos 1970. A União Soviética, que não consegue competir com os EUA em tecnologia da informação. protesta.

A iniciativa viola o Tratado de Mísseis Antibalísticos (ABM), de 1972, que proibia o desenvolvimento e a instalação de sistemas de defesa antimísseis, também conhecido como "destruição mutuamente assegurada" (MAD, que significa louco em inglês), o que garantia o equilíbrio do terror nuclear na Guerra Fria.

Aumenta a pressão sobre a URSS, o que levaria a negociações de desarmamento e controle de armas depois da ascensão do reformista Mikhail Gorbachev à liderança do Partido Comunista, em 11 de março de 1985, e ao fim da Guerra Fria.  

sexta-feira, 22 de março de 2024

Ataque terrorista reivindicado pelo Estado Islâmico mata 144 na Rússia

Pelo menos 144 pessoas morreram e mais de 500 saíram feridas de um ataque terrorista contra um teatro nos arredores de Moscou, a capital da Rússia, nesta sexta-feira. Quatro homens armados com fuzis de assalto invadiram o teatro Crocus City Hall, em Krasnogorsk, pouco antes da hora marcada para um concerto de rock e abriram fogo indiscriminadamente. Depois, jogaram bombas incendiárias para tocar fogo no teatro. 

A Ucrânia negou qualquer participação no ataque. O grupo terrorista Estado Islâmico do do Coração ou Coraçone, que tem base no Afeganistão e atua também no Paquistão, reivindicou a autoria do atentado. A polícia russa anunciou a prisão de 11 suspeitos, inclusive os quatro que acusa pelo ataque.

Foi o pior atentado terrorista em Moscou desde a Crise dos Reféns do Teatro Dubrovka, em 2002, quando 204 reféns morreram, e o pior na Rússia desde a invasão a uma escola primária em Beslan, na Ossétia do Norte, em 2004, quando 340 pessoas foram mortas.

O ditador Vladimir Putin tem um longo histórico de guerra contra o jihadismo. Para consolidar o poder, quando foi nomeado primeiro-ministro de Boris Yeltsin, em 1999, iniciou a Segunda Guerra da Chechênia. Em 2015, ao entrar na guerra civil da Síria em apoio à ditadura de Bachar Assad, a Rússia bombardeou o Estado Islâmico, que reagiu derrubando um avião de passageiros na Península do Sinai.
O número de mortos foi atualizado depois da gravação.

Conselho de Segurança vota proposta de cessar-fogo dos EUA

Depois de vetar três projetos de resolução desde o início da guerra, os Estados Unidos apresentaram uma proposta a ser votada hoje pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas determinando "um cessar-fogo imediato e sustentado", para proteger os civis, permitir a entrada de ajuda humanitária apoiar a libertação dos reféns. A Rússia sempre pode vetar, mas ficaria com o ônus de impedir a trégua.

A mudança de posição do presidente Joe Biden reflete crescentes divergências com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. Há semanas, os EUA pedem proteção a civis inocentes, mais ajuda humanitária e uma trégua que deveria entrar em vigor em 10 de março para facilitar a libertação dos reféns sequestrados no ataque terrorista de 7 de outubro. As negociações para uma trégua foram retomadas hoje no Catar.

O risco para Israel é de um isolamento internacional ainda maior. Biden quer o fim da guerra e negociações para criar um país para o povo palestino. Netanyahu quer prolongar a guerra, enfraquecer Biden para ajudar o ex-presidente Donald Trump e adiar sua queda inevitável.

NOTA: A China e a Rússia vetaram a resolução proposta pelos EUA. O embaixador russo alegou que era muito politizada e não impedia Israel de realizar uma invasão terrestre da cidade de Rafá.

Hoje na História do Mundo: 22 de Março

MASSACRE DE JAMESTOWN

    Em 1622, o cacique Opechancanough lidera um ataque-surpresa das tribos da Confederação Powhatan contra Jamestown, capital da colônia da Virgínia, e massacra 347 pessoas, um quarto da população dos colonos.

Jamestown, fundada em 14 de maio de 1607, é o primeiro assentamento inglês na América. É um empreendimento privado da Virginia Company com uma carta régia de Jaime I, da Inglaterra, para criar a empresa. Na época, toda a costa atlântica ao norte da Flórida é chamada de Virgínia, uma homenagem à rainha Elizabeth I, da Inglaterra, a Rainha Virgem, que não teve filhos. Sabia que um marido minaria seu poder.

As relações com os nativos inicialmente variam entre amizade e hostilidade. Na Primeira Guerra Powhatan (1609-14), o cacique Pownhatan tenta expulsar os europeus com a fome. Entre 1609 e 1611, a colônia quase é abandonada.

 Com a introdução da cultura do tabaco, a partir de 1613, a colônia começa a prosperar. John Rolfe, o pioneiro da produção de tabaco, casa com a princesa Pocahontas, filha do cacique.

No verão de 1619, a colônia cria o primeiro governo representativo na América, com a eleição de uma Assembleia Geral de 22 burgueses e seis indicados pela companhia. Só os homens com propriedades têm direito de voto.

É em Jamestown que chegam os primeiros escravos africanos ao que hoje é os EUA. Em 20 de agosto de 1619, 20 dos 50 angolanos de um navio negreiro português atacado por dois navios piratas ingleses são vendidos em Jamestown. É o marco do início da escravidão no país.

Em 1620, a expansão da área agrícola para produzir tabaco e a infiltração dos colonos em regiões de caça dos indígenas provocam atritos na região da Baía de Chesapeke que explodem em 1622.

Os powhatans chegam desarmados a Jamestown, com veados, perus, frutas, peixes e outros mantimentos como se fossem para vender. Pegam todas as ferramentas e armas disponíveis e matam todos os colonos europeus, homens, mulheres e crianças de todas as idades. É o início da Segunda Guerra Powhatan (1622-32).

Na Terceira Guerra Powhatan (1644-46), Opechancanough é capturado e morto. Uma linha divisória, uma fronteira, é traçada entre a colônia e as terras indígenas. Exige autorização para ser cruzada.

LEI DO SELO

    Em 1765, o Parlamento Britânico aprova uma lei para recuperar as finanças do Reino Unido, pagar as dívidas e defender os territórios tomados da França na Guerra dos Sete Anos (1756-63).

A Lei do Selo cria um imposto direto sobre todos os materiais impressos para uso legal ou comercial nas colônias britânicas na América do Norte, de jornais e panfletos a cartas de jogar.

Os colonos já pagam tarifas mais altas para importar têxteis, vinho, café e açúcar, por força da Lei do Açúcar (1764). A Lei da Moeda (1764) causa forte queda no valor do papel moeda usado nas colônias. A Lei do Aquartelamento (1765) obriga os colonos a dar casa e comida aos soldados britânicos em caso de necessidade.

Como haviam pago um preço alto em vidas e recursos durante a guerra, os colonos estão convencidos que já deram sua cota de sacrifício ao Império Britânico. Como não têm direito de voto no Parlamento de Westminster, articulam o movimento "Não à taxação sem representação." 

Em outubro de 1765, nove das 13 colônias mandam delegados para o Congresso da Lei do Selo, que produz a Declaração de Direitos e Reclamações. Sob pressão, o governo revoga a lei no ano seguinte. Mas a semente da rebeldia e da liberdade estava plantada. Em 4 de julho de 1776, os EUA declararam a independência, reconhecida em 1783 pelo Reino Unido e a França.

LIGA ÁRABE

    Em 1945, a Arábia Saudita, o Egito, o Iêmen, o Iraque, o Líbano, a Síria e a Transjordânia (hoje Jordânia) fundam no Cairo a Liga Árabe, a organização regional dos países árabes e do pan-arabismo.

Desde então, entraram a Líbia (1953), o Sudão (1956), o Marrocos e a Tunísia (1958), o Kuwait (1961), a Argélia (1962), o Catar, os Emirados Árabes Unidos e Omã (1971), a Mauritânia (1973), a Somália (1974), a Organização para a Libertação da Palestina (1976), Djibúti (1977) e as Ilhas Comores (1993).

Os objetivos são fortalecer a cooperação em programas econômicos, políticos, sociais e culturais, e mediar conflitos entre os países árabes e com outros países. Cada país-membro tem um voto no Conselho da Liga. As decisões só são obrigatórias para quem vota a favor. 

ISRAEL MATA LÍDER DO HAMAS

    Em 2004, a Força Aérea de Israel mata com um ataque de míssil terra-ar na Cidade de Gaza o fundador e líder do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), xeique Ahmed Yassin.

Ahmed Yassin Hassan Yassin nasce em Al-Jure, na Faixa de Gaza, em 1º de janeiro de 1937, ainda na época do mandato britânico sobre a Palestina. Quando estuda no Cairo, a capital do Egito, entra em contato com a Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista islâmico, fundado em 1928 no Egito por Hassan al-Bana.

O Hamas é filho da Irmandade Muçulmana. Nasce em 10 de dezembro de 1987, no início da Primeira Intifada, a revolta 

RÚSSIA APOIA TRUMP

    Em 2019, o procurador especial Robert Mueller entrega ao procurador-geral e ministro da Justiça dos Estados Unidos, William Barr, seu relatório concluindo que a Rússia "interferiu sistemática e amplamente na eleição presidencial de 2016" para apoiar Donald Trump e declara que, "embora este relatório não conclua que o presidente cometeu crime, também não o exonera."

Mueller, ex-diretor do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal norte-americana, constata a interferência da Rússia, especialmente através de uma fábrica de mentiras do GRU (Departamento Central de Inteligência), o serviço de espionagem militar da Rússia, em São Petersburgo, e descobre contatos de membros da campanha de Trump com funcionários e espiões russos, mas não consegue provar que houve conluio entre a campanha de Trump e a Rússia. 

O Departamento da Justiça divulga uma versão editada do relatório como uma "medida protetiva" com base nos privilégios do presidente.

Durante as investigações, num encontro com o ditador russo, Vladimir Putin, o então presidente Trump declarou que acreditava nas palavras de Putin de que não houve interferência, contrariando as conclusões dos serviços de inteligência dos EUA.

Trump simpatiza com Putin, ameaça não defender países da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e a bancada trumpista na Câmara dos Representantes não aprova há meses um pedido de ajuda militar de US$ 61 bilhões à Ucrânia. 

O primeiro-ministro de extrema direita da Hungria, Viktor Orbán, maior aliado de Putin na União Europeia (UE), saiu de um encontro com Trump dizendo que, se for reeleito, Trump não dará um centavo a mais à Ucrânia. O ex-presidente já anunciou que pode dar empréstimos a juro zero, mas a Ucrânia terá de pagar pelas armas.

quinta-feira, 21 de março de 2024

Hoje na História do Mundo: 21 de Março

NASCIMENTO DE BACH

    Em 1685, Johann Sebastian Bach, um dos maiores compositores de todos os tempos, nasce em Eisenach, na Turíngia, hoje um estado da Alemanha, na época parte do Sacro Império Romano-Germânico, numa família com longa tradição musical e se torna um músico completo e o maior virtuoso de sua geração.
Bach era cravista, organista, violinista, violonista, professor, mestre de capela e fabricante de órgãos. Há quem considere o gênio da música barroca o maior compositor da história. 

O Catálogo das Obras de Bach tem cerca de 1.100 músicas autênticas. Entre suas obras mais importantes, estão o Cravo Bem Temperado, a Missa em Si Menor, A Arte da Fuga, Jesus Alegria dos Homens, a Paixão segundo São Mateus e os Concertos de Brandemburgo.


MASSACRE DE SHARPEVILLE 

Em 1960, a polícia do regime segregacionista do apartheid abre fogo de submetralhadoras contra uma manifestação pacífica da maioria negra contra restrições ao direito de viajar dentro do país, mata 69 pessoas e deixa outras 180 feridas, na favela de Sharpeville, perto de Joanesburgo, a maior e mais rica cidade da África do Sul.

O Massacre de Sharpeville deflagra uma onda de protestos. Mais de 10 mil pessoas são presas pela ditadura da minoria branca para restaurar a ordem. Diante da matança, o Congresso Nacional Africano (CNA) abandona a luta pacífica e adere à luta armada contra o apartheid. 

Nelson Mandela, que era influenciado pelas ideias pacifistas de Henry David Thoreau, Leon Tolstoy e Mohandas Gandhi, comanda a Umkhonto we Sizwe (Lança da Nação), criada em 1961 para ser o braço armado do CNA. 

Por isso, Mandela é preso em 1962 e condenado em 1964 à pena de morte por traição, sentença comutada para prisão perpétua. Sai da prisão 27 anos depois, em 1990, para negociar o fim do apartheid e a democratização da África do Sul. 

Em 1994, torna-se o primeiro presidente eleito democraticamente da história do país. A data é o Dia da Igualdade Racial.

BOICOTE OLÍMPICO

    Em 1980, o presidente Jimmy Carter anuncia que os Estados Unidos não vão participar da Olimpíada de Moscou em protesto contra a invasão da União Soviética no Afeganistão, em dezembro de 1979. Cerca de 60 países aderem ao boicote dos EUA. Na abertura dos Jogos, o urso Micha, mascote olímpico, chora.


Os anos 1970 são um momento de degelo parcial na Guerra Fria. Com as viagens do presidente dos EUA, Richard Nixon, à China e à União Soviética em 1972, começa o período da détente. A invasão do Afeganistão é o fim desta era.

Ao todo, 5 mil atletas de 81 países participam da Olimpíada de 1980. Em retaliação, a URSS boicotou a Olimpíada de 1984 em Los Angeles.

Além do boicote à Olimpíada, Carter suspende a ratificação pelo Congresso do Segundo Tratado de Limitação de Armas Estratégicas (SALT 2), proíbe as exportações de grãos e de alta tecnologia para a URSS. Mas a grande resposta acontece no governo Ronald Reagan (1981-89), quando os EUA, a Arábia Saudita, o Paquistão e a China se unem para apoiar uma guerrilha de extremistas muçulmanos para fazer do Afeganistão o Vietnã da URSS.

INDEPENDÊNCIA DA NAMÍBIA

    Em 1990, depois de 106 anos de colonização pela Alemanha e ocupação pela África do Sul, a Namíbia conquista a independência.

O navegador português Diogo Cão vai à costa da Namíbia em 1486 e 1488, mas os contatos com europeus são poucos até 1670, quando africâneres da África do Sul exploram o território. Por volta de 1790 comerciantes e colonos vão à região, mas não exercem uma influência importante até os anos 1860, quando são abertas rotas para o comércio de marfim e depois de gado.

Nos anos 1880, a Conferência de Berlim (1884-85) faz a partilha da África entre as potências imperiais da Europa e a Alemanha coloniza a África do Sudoeste e enfrenta resistência dos hererós.

Entre 1904 e 1907, durante uma revolta contra o domínio colonial, os alemães matam de 24 a 65 mil hererós, 50% a 70% da população da tribo, e 10 mil namaquas, 50% desta tribo, no que é considerado o primeiro genocídio do século 20.

Em 1914-15, com a eclosão da Primeira Guerra Mundial (1914-18), a União Sul-Africana, parte do Império Britânico, invade e toma a África do Sudoeste. Depois da guerra, a Liga das Nações dá um mandato à União Sul-Africana para administrar a África do Sudoeste sem necessidade de preparar a independência do país.

Depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45), a economia cresce rapidamente com exploração de diamantes e criação de gado. No fim dos anos 1970, a renda per capita sobe para US$ 1 mil por ano (US$ 20 mil para os brancos e US$ 150 para os negros).

Desde 1947, a Namíbia pede às Nações Unidas o fim da ocupação sul-africana. As igrejas apoiam a petição e começam a preparar a sociedade civil para a independência. 

A Organização do Povo do Sudoeste da África (SWAPO) nasce em 1958 como o grande partido da maioria negra e adota a luta armada. Seus líderes são processados por terrorismo e encarcerados em 1968 na prisão da ilha de Robben, onde também estão Nelson Mandela e outros líderes do Congresso Nacional Africano (CNA), que luta contra o regime segregacionista do apartheid na África do Sul.

A partir de 1969, a SWAPO atua em toda a fronteira norte. Suas operações são facilitadas pela independência de Angola, em 1975. 

Em 1971, a Corte Internacional de Justiça da ONU considera que o mandato sul-africano acabou e reconhece o direito à independência.

Com uma crise econômica, seis anos de seca, queda na produção de pescado por causa do excesso de captura, o impacto da guerra e a má administração, a Namíbia passa a ser um peso para a África do Sul.

O Conselho de Segurança da ONU aprova resoluções que exigem a independência da Namíbia, mas a África do Sul reluta. Durante a Guerra Fria, usa como desculpa uma intervenção militar de Cuba em Angola para repelir uma invasão sul-africana.

Em 1988, a invasão sul-africana a Angola é derrotada. A África do Sul se retira de Angola em junho daquele ano. Em dezembro, começa a negociar uma transição para a realização de eleições e a independência da Namíbia sob a supervisão da ONU.

A SWAPO vence as eleições de 1989 com 57% dos votos e conquista 60% das cadeiras no parlamento. Seu líder, Sam Nujoma, é o primeiro presidente da Namíbia independente.

quarta-feira, 20 de março de 2024

Hoje na História do Mundo: 20 de Março

 PANDEMIA DA PESTE

    Em 1345, professores da Universidade de Paris atribuem a pandemia da peste bubônica, a pior da história da humanidade, com total de mortes na Eurásia estimado entre 75 e 200 milhões de pessoas de 1346 a 1353, a "uma tripla conjunção de Saturno, Júpiter e Marte" ocorrida em 20 de março.

Hoje a ciência sabe que a causa da peste negra é a bactéria yersinia pestis, transmitida por pulgas de ratos que pulam para outras espécies de mamíferos quando os ratos hospedeiros morrem.

Os primeiros casos em seres humanos aparecem por volta de 1320 na Mongólia, mas pesquisas recentes sugerem que pode ter ocorrido séculos antes na Europa.

Os sintomas iniciais são dor de cabeça, febre e calafrios. A língua fica enbranquecida. As glândulas linfáticas incham com a reação do organismo. Surgem manchas pretas e vermelhas na pele. A morte vem uma semana mais tarde.

Depois de dizimar as tribos nômades da Mongólia, a peste migra para o Leste e o Sul da China e a Índia. Chega à Europa em 1346.

Há um episódio em que os tártaros, um povo de origem turca, lutam contra italianos de Gênova no Oriente Médio quando um surto da peste atinge os tártaros. Eles catapultam os cadáveres pesteados no território sob o controle dos genoveses, que assim levariam a doença consigo no regresso à Europa.

Mesmo que esta história seja verdadeira, a hipótese mais provável é que a peste chegue à Europa levada por ratos nos porões dos navios. Inicialmente as cidades portuárias são as mais atingidas. Em Veneza, houve 100 mil mortes e uma média de 600 por dia.

Em 1347, a peste chega a Paris, onde mata 50 mil pessoas. No ano seguinte, contamina a Grã-Bretanha. Um terço da população da Europa morre até a pandemia recuar, em 1352.

A culpa da desgraça não é atribuída aos astros. Judeus, ciganos e supostas bruxas são torturados e queimados na fogueira. Os religiosos a consideram um castigo divino pela imoralidade. Todos os remédios caseiros, inclusive banhos de urina e de sangue menstrual, fracassam.

Há outros surtos da peste até o século 18. No Brasil, só é controlada no século 20 com Oswaldo Cruz no Ministério da Saúde, quando a população chega a criar ratos porque o governo paga pela captura destes animais. Nunca mais houve uma pandemia como no século 14.

HENRIQUE V

    Em 1413, com a morte de Henrique IV, primeiro rei da Dinastia de Lancaster, seu filho mais velho ascende ao trono da Inglaterra como Henrique V durante a Guerra dos Cem Anos (1337-1453), contra a França.

Henrique Bolingbroke é coroado Henrique IV em 1399, depois de vencer Ricardo II, enfraquecido por constantes conflitos com o Parlamento de Westminster. No fim da vida, com doenças crônicas, o jovem herdeiro toma conta dos negócios do reino. Lidera o Exército contra galeses rebeldes na Batalha de Shrewsbury.

No trono, Henrique V retoma a reivindicação de seu bisavô Eduardo III pela coroa francesa. Em 1415, invade a França e vence a Batalha de Agincourt. A Inglaterra domina toda a Normandia em 1419. 

Pelo acordo de Troyes, em 1420, Henrique V casa com Catarina de Valois, filha do rei Carlos VI, da França, é reconhecido como regente e herdeiro da coroa. Sua vitória dura pouco. Em 1422, Henrique V morre da chamada febre do acampamento, o tifo, comum na época em campanhas militares.

CEM DIAS

    Em 1815, depois de onze meses de exílio na Ilha de Elba, Napoleão Bonaparte volta a Paris e reassume o poder nos Cem Dias, na verdade 110 dias até a derrota final na Batalha de Waterloo, 18 de junho, e a restauração da dinastia real pré-Revolução Francesa com Luís XVIII.

Napoleão volta ao poder quando o Congresso de Viena já está reunido e a Santa Aliança decidida a restaurar a ordem monárquica anterior às guerras napoleônicas.

Em 25 de março, o Reino Unido, a Áustria, a Prússia e a Rússia, as grandes potências da Sétima Coalizão contra Napoleão formam um exército de 150 mil homens para acabar de vez com o imperador francês. Napoleão é preso e enviado ao exílio da Ilha de Santa Helena, uma possessão britânica no Oceano Atlântico a 1.950 quilômetros da costa do Sudoeste da África, onde morre de câncer no estômago em 5 de maio de 1821.

KRUSCHEV EM ASCENSÃO

    Em 1953, 15 dias depois da morte do ditador Josef Stalin, o ucraniano Nikita Kruschev é um dos cinco indicados para o novo Secretariado do Partido Comunista da União Soviética. Em setembro, ele se torna secretário-geral do partido e, em 1958, primeiro-ministro.

A morte repentina de Stalin, em 5 de março de 1953, deixa um vácuo de poder na liderança soviética. Giorgi Malenkov é nomeado primeiro-secretário do PC e primeiro-ministro.

Kruschev, membro ativo desde que entrou para o partido, em 1918. Sua lealdade a Stalin é total, inclusive durante o Holodomor, a morte de mais de 3 milhões de ucranianos durante o processo de coletivização da agricultura na URSS (1929-33), que causou uma grande fome, especialmente na Ucrânia. Assim, ele escapa dos expurgos dos anos 1930.

Depois da morte de Stalin, Kruschev derrota Malenkov para se tornar líder do partido em seis meses. Consolida o poder no 20º Congresso do PC da URSS. Em 26 de fevereiro de 1956, denuncia os crimes do stalinismo.

É o primeiro-ministro soviético que tenta instalar mísseis nucleares em Cuba, mas acaba recuando diante da iminência de uma invasão dos EUA à ilha, na Crise dos Mísseis, em outubro de 1962. Nunca o mundo esteve tão perto de uma guerra nuclear. Kruschev cai dois anos depois.

INVASÃO DO IRAQUE

    Em 2003, os Estados Unidos e aliados lançam uma invasão do Iraque para depor o ditador Saddam Hussein sob o falso pretexto de que o país tinha um arsenal de armas químicas e biológicas e estaria desenvolvendo armas atômicas. Centenas de milhares de pessoas morreram.

A guerra destruiu a promessa de uma nova ordem mundial com base no direito internacional, desestabilizou ainda mais o Oriente Médio, gerou o Estado Islâmico, talvez o mais feroz dos grupos extremistas muçulmanos, fortaleceu o Irã e serviu de desculpa para a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Depois de não conseguir capturar o líder da rede terrorista Al Caeda, Ossama ben Laden, na Batalha de Tora Bora, no Afeganistão, no fim de 2001, no Discurso sobre o Estado da União de 29 de janeiro de 2002, o então presidente George Walker Bush acusou o Irã, o Iraque e a Coreia do Norte de serem um "eixo do mal".

Os EUA mudavam seu foco na Guerra contra o Terror, deflagrada depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Como Saddam Hussein era um ditador secularista, inimigo dos terroristas muçulmanos, é preciso inventar uma alegação falsa para justificar a guerra. Mas o governo Bush não consegue convencer aliados europeus importantes como a Alemanha e a França, que estão prontas para votar contra a guerra no Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Como a França tem poder de veto, assim como a China e a Rússia, que também votariam contra a guerra, os EUA não submetem uma nova resolução ao Conselho de Segurança, se valem de uma anterior que apertava o regime de sanções internacionais que desmantelara o arsenal iraquiano.

A guerra é ilegal porque não foi aprovada pelo Conselho de Segurança da ONU e ilegítima porque jamais foram encontradas as armas de destruição em massa que justificariam a invasão.

terça-feira, 19 de março de 2024

Mais de um milhão enfrentam fome aguda em Gaza, diz a ONU

 Com mais de um milhão de palestinos sob risco de fome aguda, a Faixa de Gaza está na pior crise de insegurança alimentar da história das Nações Unidas, advertiu um novo relatório. A União Europeia e a Jordânia acusam Israel de usar a fome como arma de guerra, o que é crime. As organizações não governamentais Human Rights Watch e Oxfam pediram aos Estados Unidos que parem de fornecer armas a Israel.

Os EUA confirmaram ontem a morte de Marwan Issa, subcomandante das Brigadas al-Qassam, o braço armado do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), considerado o número três do grupo terrorista e um dos organizadores do ataque terrorista de 7 de outubro, quando pelo menos 1.139 israelenses e estrangeiros foram mortos e 257 sequestrados, e a guerra começou. Desde então, pelo menos 31.819 palestinos foram mortos em Gaza.

Israel fez novo ataque ao Hospital al-Chifa, o maior da Faixa de Gaza, sob a alegação de que era um quartel-general do Hamas. Pelo menos 20 palestinos foram mortos, entre eles Faiq Mabhouch, chefe de segurança do grupo terrorista em Gaza.

A esperança de um acordo para uma trégua com troca de reféns por presos aumentou porque o Hamas abandonou a exigência de um cessar-fogo definitivo, mas o Catar, que media as negociações, observou que as posições ainda são distante e uma invasão terrestre da cidade de Rafá causaria nova estagnação.

O governo Joe Biden pressiona Israel a não invadir Rafá, mas o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu insiste que o ataque por terra é necessário para eliminar os últimos batalhões do Hamas.

Hoje na História do Mundo: 19 de Março

CONJURAÇÃO DE AMBOISE

    Em 1560, uma conspiração de aristocratas huguenotes (protestantes) contra a poderosa família católica Guise fracassa na França.

Com a ascensão do rei Francisco II ao trono da França com apenas 14 anos, a família Guise se torna muito poderosa, o que gera inimizade dentro da própria nobreza. 

A conspiração é articulada. A cara do movimento é um nobre huguenote conhecido como La Renaudie. Por trás, está Luís I de Bourbon, príncipe de Condé. Os Guise ficam sabendo quando a corte está em Blois e levam o rei para Amboise.

La Renaudie adia os planos. Os conspiradores se dividem em pequenos grupos e se infiltram na Floresta de Amboise. Como são traídos, o inimigo os espera. Em 19 de março, La Renaudie e outros conspiradores atacam o Castelo de Amboise. O assédio é repelido, La Renaudie morre e vários conspiradores são presos.

A vingança da família Guise é cruel e impiedosa. Por uma semana, há tortura, enforcamentos, esquartejamentos e corpos jogados no Rio Loire. Condé é condenado à morte, mas a morte do rei Francisco II, em dezembro, o salva.

NEVADA LEGALIZA O JOGO

    Em 1931, o estado de Nevada legaliza o jogo e abre o caminho para a instalação de cassinos, especialmente na cidade de Las Vegas.

Única grande cidade do Oeste dos Estados Unidos fundada no século 20, Las Vegas evolui de uma cidadezinha construída ao redor de uma estação ferroviária no início do século passado para a cidade que mais crescia no país no fim do século, com seus cassinos e hotéis cinematográficos que atraem dezenas de milhões de turistas por ano.

Las Vegas é mais procurada do que atrações turísticas como o Grand Canyon e o Parque Nacional de Yellowstone.

Com uma população de 648 mil pessoas e mais de 2,8 milhões na região metropolitana, Las Vegas é a maior e mais rica cidade de Nevada. É a cidade de um milhão de luzes, com sua arquitetura exuberante e exagerada, de uma riqueza ostensiva e brega.

INDEPENDÊNCIA DA ARGÉLIA

    Em 1962, autoridades da França e líderes da Frente de Libertação Nacional (FLN) da Argélia assinam os Acordos de Evian, que acabam com uma guerra de oito anos e dão independência ao país do Norte da África.

A Guerra da Independência da Argélia foi uma das principais guerra de descolonização da segunda metade do século 20, marcada por uma guerra de guerrilhas e crimes de guerra cometidos pelos dois lados. Começa em 1º de novembro de 1954, o Dia de Todos os Santos Vermelho.

A brutalidade do Exército da França alienou os argelinos, que aderiram à revolução, acabou com o apoio à guerra colonial na França Metropolitana e abalou o prestígio internacional do país. A Quarta República (1946-58) acaba e dá lugar à Quinta República, sob a égide do general Charles de Gaulle.

Depois de uma onda de manifestações pela independência nas principais cidades argelinas, em 1960, e de uma resolução das Nações Unidas sobre o direito à independência, o então presidente De Gaulle inicia negociações com a FLN.

segunda-feira, 18 de março de 2024

Hoje na História do Mundo: 18 de Março

 EUA BOMBARDEIAM CAMBOJA

    Em 1969, durante a Guerra do Vietnã (1955-75), aviões bombardeiros dos Estados Unidos deixam de lado seus alvos no Vietnã para atacar bases dos guerrilheiros comunistas do Viet Cong e a chamada Trilha de Ho Chi Minh, no Camboja, usada pelos rebeldes para ir do Vietnã do Norte para o Vietnã do Sul através do país vizinho, que estava fora da guerra.

Ao todo, 3.360 missões aéreas jogam 110 mil toneladas de bombas no Camboja durante um ano e dois meses, até 26 de maio de 1970. A Operação Menu é realizada em segredo. Nem o Congresso nem a opinião pública norte-americana é informada porque o Camboja é um país neutro.

GOLPE NO CAMBOJA

    Em 1970, o general e primeiro-ministro Lon Nol dá um golpe militar no Camboja, derruba o Príncipe Vermelho, Norodom Sihanouk, e instaura uma ditadura com o apoio dos EUA.

A guerra, os bombardeios e a ditadura apoiada por Washington alimentam o grupo guerrilheiro Khmer Vermelho, em atividade desde 1968, que toma o poder em 16 de abril de 1975, duas semanas antes da queda de Saigon, no fim da Guerra do Vietnã.

O Khmer Vermelho, apoiado pela China e inspirado pelo maoísmo e a Grande Revolução Cultural Proletária (1966-76), instaura um dos regimes comunistas mais cruéis e brutais, talvez o pior de todos, um reino do terror que mata 1,5 a 2 milhões de pessoas até ser derrubado por uma invasão do Vietnã em 7 de janeiro de 1979.