Mais de 200 mil pessoas foram mortas e 2 milhões expulsas de suas casas nos últimos três anos na província de Darfur, no Leste do Sudão, o maior país da África. A situação se agravou com o rompimento entre o governo sudanês e o vizinho Chade, que fechou sua fronteira dificultando o acesso a campos onde vivem 400 mil refugiados. É mais um genocídio ignorado depois de tantas promessas da humanidade de que as tentativas de eliminar povos inteiros jamais se repetiriam, adverte o filósofo francês Bernard-Henry Lévy.
Em artigo no Wall St. Journal, Lévy afirma que a humanidade não ignora que aviões da Força Aérea do Sudão saem das bases de Porto Sudão e Obeid e bombardeiam vilas inteiras. Depois, os sobreviventes são atacados pela milícia conhecida como Janjaweed (homens armados a cavalo). Assim como na Bósnia, a violência sexual é usada cotidianamente como arma de guerra.
O regime de Cartum, responsável por este genocídio, já barrou a visita de um alto funcionário das Nações Unidas para ajuda humanitária; assedia organizações não-governamentais européias que tentam prestar alguma ajuda às vitimas de mais esta tragédia.
Desde 20 de fevereiro, as milícias aplicam a decisão do governo fundamentalista sudanês que proíbe “qualquer organização estrangeira” de “interferência” nos “assuntos internos” do Sudão. A expulsão das ONGs indica que chegou a hora final do plano, que não deve ser testemunhada por estrangeiros.
Enquanto a Liga Árabe rejeita qualquer intervenção como “neocolonial”, o Ocidente hesita em intervir, embora o então secretário de Estado americano no primeiro governo Bush, Colin Powell, tenha caracterizado a situação em Darfur como genocídio.
Lévy se pergunta onde estão os liberais e progressistas que vivem denunciando o conflito palestino-israelense que não vêem uma mortandade 500 vezes maior. Onde estão as organizações européias e americanas que lutam contra o racismo?
O filósofo francês conclui que seria muito mais simples enquadrar o regime sudanês e seu presidente Omar Bashir do que foi invadir o Iraque e derrubar Saddam Hussein. Lembra ainda que depois de cinco anos de adiamento, o Ocidente resolveu atacar em 1999 o então presidente da Sérvia, Slobodan Milosevic, responsável por guerras que mataram 250 mil pessoas, deslocaram outras 5 milhões e promoveram torturas e genocídio que a Europa não via desde 1945.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
sábado, 15 de abril de 2006
sexta-feira, 14 de abril de 2006
Presidente do Irã prega destruição de Israel
Sete meses depois de dizer que Israel deve ser varrido do mapa, o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou que o país é uma ameaça para os países muçulmanos. "O regime sionista é uma árvore seca e podre, que está morrendo e será aniquilada por uma tempestade. Seus ramos logo serão quebrados".
Apesar desta suposta fraqueza, durante conferência em Teerã nesta sexta-feira, Ahmadinejad declarou que "a existência do regime sionista é uma imposição e uma ameaça sem restrições nem fim e nenhum dos países muçulmanos da região pode se sentir seguro diante desta ameaça."
Este tiroteio verbal é mais inquietante porque Ahmadinejad anunciou nesta semana que o Irã conseguiu enriquecer urânio para usar como combustível nuclear para fins pacíficos. Mas as Nações Unidas suspeitam que o regime fundamentalista da república islâmica esteja desenvolvendo bombas atômicas. A questão está sendo examinada pelo Conselho de Segurança da ONU.
O chefe do serviço secreto das Forças Armadas de Israel, general Amos Yadlin, teme que o Irã possa fabricar uma arma nuclear em 10 anos. Por isso comenta-se que os EUA ou Israel poderiam lançar um bombardeio aéreo limitado para tentar destruir as instalações nucleares iranianas.
Na quinta-feira, depois que Ahmadinejad anunciou o enriquecimento de urânio, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, pediu ao Conselho de Segurança que aprova uma resolução contra o Irã com base no Capítulo 7 da Carta das Nações Unidas, que autoriza o uso da força.
Em dezembro, Ahmadinejad colocou em dúvida o Holocausto dos judeus na Segunda Guerra Mundial: "Criaram o mito de que os judeus foram massacrados e colocam isso acima de Deus, da religião e do profeta. Se vocês queimaram judeus, arrumem lugar para eles nos Estados Unidos, na Europa, no Canadá ou no Alasca". Ele perguntou ainda se a questão palestina não equivale ao Holocausto.
"Este é o tipo de retórica que só aumenta o medo e as preocupações da comunidade internacional", declarou Sean McCormack, porta-voz do Departamento de Estado americano. "É um chefe de Estado pregando a aniquilação de outro Estado."
Numa pesquisa divulgada no jornal Los Angeles Times, 48% dos americanos apoiaram o uso da força se o Irã estiver produzendo material para fazer armas atômicas, enquanto 40 se opuseram a uma ação militar. Se os EUA atacarem o Irã, 44% querem empregar apenas mísseis e aviões bombardeiros, não forças terrestres. De qualquer maneira, 61% acreditam que o Irã conseguirá fabricar armas nucleares.
Apesar desta suposta fraqueza, durante conferência em Teerã nesta sexta-feira, Ahmadinejad declarou que "a existência do regime sionista é uma imposição e uma ameaça sem restrições nem fim e nenhum dos países muçulmanos da região pode se sentir seguro diante desta ameaça."
Este tiroteio verbal é mais inquietante porque Ahmadinejad anunciou nesta semana que o Irã conseguiu enriquecer urânio para usar como combustível nuclear para fins pacíficos. Mas as Nações Unidas suspeitam que o regime fundamentalista da república islâmica esteja desenvolvendo bombas atômicas. A questão está sendo examinada pelo Conselho de Segurança da ONU.
O chefe do serviço secreto das Forças Armadas de Israel, general Amos Yadlin, teme que o Irã possa fabricar uma arma nuclear em 10 anos. Por isso comenta-se que os EUA ou Israel poderiam lançar um bombardeio aéreo limitado para tentar destruir as instalações nucleares iranianas.
Na quinta-feira, depois que Ahmadinejad anunciou o enriquecimento de urânio, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, pediu ao Conselho de Segurança que aprova uma resolução contra o Irã com base no Capítulo 7 da Carta das Nações Unidas, que autoriza o uso da força.
Em dezembro, Ahmadinejad colocou em dúvida o Holocausto dos judeus na Segunda Guerra Mundial: "Criaram o mito de que os judeus foram massacrados e colocam isso acima de Deus, da religião e do profeta. Se vocês queimaram judeus, arrumem lugar para eles nos Estados Unidos, na Europa, no Canadá ou no Alasca". Ele perguntou ainda se a questão palestina não equivale ao Holocausto.
"Este é o tipo de retórica que só aumenta o medo e as preocupações da comunidade internacional", declarou Sean McCormack, porta-voz do Departamento de Estado americano. "É um chefe de Estado pregando a aniquilação de outro Estado."
Numa pesquisa divulgada no jornal Los Angeles Times, 48% dos americanos apoiaram o uso da força se o Irã estiver produzendo material para fazer armas atômicas, enquanto 40 se opuseram a uma ação militar. Se os EUA atacarem o Irã, 44% querem empregar apenas mísseis e aviões bombardeiros, não forças terrestres. De qualquer maneira, 61% acreditam que o Irã conseguirá fabricar armas nucleares.
Sinais positivos na economia prenunciam alta de juros nos EUA
A semana apresentou vários indicadores positivos na maior economia do mundo. O consumo cresceu 0,6%, acima do esperado, em março, o déficit comercial caiu e, nesta sexta-feira, o Federal Reserve Board (Fed), o banco central americano, anunciou um aumento de 0,6% na produção industrial.
O déficit comercial caiu 4,1% para US$ 65,7 bilhões em fevereiro. Ainda é altíssimo mas melhorou porque os americanos compraram menos carros e televisores importados. E o déficit comercial com a China, bastante sensível porque costuma provocar discursos protecionistas no Congresso dos EUA, caiu 23% para US$ 13,8 bilhões. É o menor desde março de 2005.
A expectativa é de um crescimento do produto interno bruto americano de mais de 4,5% no primeiro trimestre. Aumentaram os salários e a geração de empregos. E o sentimento do consumidor, medido pela Universidade de Michigan, está mais otimismo. Mas talvez o que impressione mais os analistas de mercado é a capacidade utilizada na indústria, de 81,3%, o maior índice em seis anos.
Já o déficit público aumentou para US$ 85,5 bilhões, o maior já registrado em março. Mas ficou abaixo dos US$ 119 bilhões de fevereiro.
Além disso, a crise em torno do programa nuclear iraniano levou o petróleo para cerca de US$ 70 o barril. A alta acumulada no ano é de 35%. O Fundo Monetário Internacional já advertiu que a alta do petróleo fatalmente será repassada aos preços, gerando uma pressão inflacionária. Nos EUA, a gasolina de aproxima de US$ 3 por galão de 3,785 litros (cerca de R$ 1,70/litro).
Tudo isto indica que o Fed deve mesmo aumentar a taxa básica de juros dos EUA de 4,75% para 5% ao ano na próxima reunião do Comitê do Mercado Aberto, em 10 de maio. A grande dúvida do mercado é quando e onde vai parar esta altura de juros. No momento, a maioria dos economistas acredita que vá até 5,5%.
O déficit comercial caiu 4,1% para US$ 65,7 bilhões em fevereiro. Ainda é altíssimo mas melhorou porque os americanos compraram menos carros e televisores importados. E o déficit comercial com a China, bastante sensível porque costuma provocar discursos protecionistas no Congresso dos EUA, caiu 23% para US$ 13,8 bilhões. É o menor desde março de 2005.
A expectativa é de um crescimento do produto interno bruto americano de mais de 4,5% no primeiro trimestre. Aumentaram os salários e a geração de empregos. E o sentimento do consumidor, medido pela Universidade de Michigan, está mais otimismo. Mas talvez o que impressione mais os analistas de mercado é a capacidade utilizada na indústria, de 81,3%, o maior índice em seis anos.
Já o déficit público aumentou para US$ 85,5 bilhões, o maior já registrado em março. Mas ficou abaixo dos US$ 119 bilhões de fevereiro.
Além disso, a crise em torno do programa nuclear iraniano levou o petróleo para cerca de US$ 70 o barril. A alta acumulada no ano é de 35%. O Fundo Monetário Internacional já advertiu que a alta do petróleo fatalmente será repassada aos preços, gerando uma pressão inflacionária. Nos EUA, a gasolina de aproxima de US$ 3 por galão de 3,785 litros (cerca de R$ 1,70/litro).
Tudo isto indica que o Fed deve mesmo aumentar a taxa básica de juros dos EUA de 4,75% para 5% ao ano na próxima reunião do Comitê do Mercado Aberto, em 10 de maio. A grande dúvida do mercado é quando e onde vai parar esta altura de juros. No momento, a maioria dos economistas acredita que vá até 5,5%.
Bush mantém Rumsfeld apesar do fogo cerrado de generais
O presidente dos Estados Unidos, George Walker Bush, declarou publicamente seu "total apoio" e "a mais profunda estima" ao secretário da Defesa, Donald Rumsfeld, acusado de incompetência e incapacidade para exercer o cargo por seis generais, três dos quais participaram da Guerra do Iraque.
"Conversei mais cedo com Don Rumsfeld sobre as operação em andamento na guerra global contra o terror", disse Bush em nota oficial distribuída pela Casa Branca. "Reitero meu forte apoio à sua liderança neste momento histórico de desafio que o país atravessa."
Em entrevista ao telejornal Today da TV NBC, o general John Baptiste, um dos que pediram a cabeça do chefe do Pentágono, negou que haja uma ação coordenada contra Rumsfeld mas apenas uma "coincidência acidental". Acrescentou que "muita gente está começando a fazer perguntas e isto é saudável numa democracia. Fomos à guerra com um plano furado que não levou em conta o duro trabalho necessário para construir a paz depois de derrubar o regime. Servimos sob um secretário da Defesa que não entende de liderança, é abusado, arrogante e não construiu uma equipe forte."
Na quinta-feira, o general da reserva Charles Swannack, que comandou a prestigiada 82ª Divisão Aerotransportada, uma tropa de elite de pára-quedistas, durante a invasão do Iraque disse à TV CNN: "Precisamos de um novo secretário da Defesa porque Rumsfeld está carregando um peso muito grande com ele".
O general também atribuiu a Rumsfeld responsabilidade pelo escândalo de tortura na prisão de Abu Ghraib, no Iraque. Na época, a influente revista britânica The Economist e o então candidato democrata à Presidência dos EUA, senador John Kerry, pediram a demissão do secretário da Defesa.
Agora, os generais Anthony Zinni, John Riggs, Paul Eaton e Gregory Newbold também pediram a queda de Rumsfeld, um dos expoentes da linha dura no governo Bush, e um dos principais responsáveis pela condução da guerra no Iraque. Riggs disse que ele é "incompetente tática, estratégica e operacionalmente".
Antes da guerra, os comandantes militares pediram 700 mil soldados para invadir o Iraque. Tiveram de se virar com a metade. Rumsfeld também defendia a doutrina de uma guerra rápida mas o avanço acelerado rumo a Bagdá deixou desguarnecida a retaguarda por onde chegava o suprimento das tropas na frente de combate.
A vitória rápida restaurou o prestígio das lideranças civis do Pentágono. Coube ao Departamento da Defesa e não ao Departamento de Estado, que tinha um plano muito mais detalhado, a administração do Iraque ocupado e o planejamento da reconstrução do país.
Talvez o erro mais grave tenha sido desmobilizar totalmente as forças de segurança do regime de Saddam Hussein, jogando na clandestinidade centenas de milhares de homens com treinamento militar que foram engrossar a resistência contra a invasão.
A sucessão de erros, a violência das operações de contra-insurgência, a tortura e a total insegurança mantém o Iraque no caos e na anarquia, ambiente no qual a reconstrução do país se arrasta sem que os iraquianos tenham sequer água e energia como sob Saddam.
Alguém deveria pagar por isso. Os generais pediram a cabeça de Rumsfeld. Para o presidente Bush, demiti-lo seria uma confissão do fracasso. E o governo Bush não é de admitir seus próprios erros.
"Conversei mais cedo com Don Rumsfeld sobre as operação em andamento na guerra global contra o terror", disse Bush em nota oficial distribuída pela Casa Branca. "Reitero meu forte apoio à sua liderança neste momento histórico de desafio que o país atravessa."
Em entrevista ao telejornal Today da TV NBC, o general John Baptiste, um dos que pediram a cabeça do chefe do Pentágono, negou que haja uma ação coordenada contra Rumsfeld mas apenas uma "coincidência acidental". Acrescentou que "muita gente está começando a fazer perguntas e isto é saudável numa democracia. Fomos à guerra com um plano furado que não levou em conta o duro trabalho necessário para construir a paz depois de derrubar o regime. Servimos sob um secretário da Defesa que não entende de liderança, é abusado, arrogante e não construiu uma equipe forte."
Na quinta-feira, o general da reserva Charles Swannack, que comandou a prestigiada 82ª Divisão Aerotransportada, uma tropa de elite de pára-quedistas, durante a invasão do Iraque disse à TV CNN: "Precisamos de um novo secretário da Defesa porque Rumsfeld está carregando um peso muito grande com ele".
O general também atribuiu a Rumsfeld responsabilidade pelo escândalo de tortura na prisão de Abu Ghraib, no Iraque. Na época, a influente revista britânica The Economist e o então candidato democrata à Presidência dos EUA, senador John Kerry, pediram a demissão do secretário da Defesa.
Agora, os generais Anthony Zinni, John Riggs, Paul Eaton e Gregory Newbold também pediram a queda de Rumsfeld, um dos expoentes da linha dura no governo Bush, e um dos principais responsáveis pela condução da guerra no Iraque. Riggs disse que ele é "incompetente tática, estratégica e operacionalmente".
Antes da guerra, os comandantes militares pediram 700 mil soldados para invadir o Iraque. Tiveram de se virar com a metade. Rumsfeld também defendia a doutrina de uma guerra rápida mas o avanço acelerado rumo a Bagdá deixou desguarnecida a retaguarda por onde chegava o suprimento das tropas na frente de combate.
A vitória rápida restaurou o prestígio das lideranças civis do Pentágono. Coube ao Departamento da Defesa e não ao Departamento de Estado, que tinha um plano muito mais detalhado, a administração do Iraque ocupado e o planejamento da reconstrução do país.
Talvez o erro mais grave tenha sido desmobilizar totalmente as forças de segurança do regime de Saddam Hussein, jogando na clandestinidade centenas de milhares de homens com treinamento militar que foram engrossar a resistência contra a invasão.
A sucessão de erros, a violência das operações de contra-insurgência, a tortura e a total insegurança mantém o Iraque no caos e na anarquia, ambiente no qual a reconstrução do país se arrasta sem que os iraquianos tenham sequer água e energia como sob Saddam.
Alguém deveria pagar por isso. Os generais pediram a cabeça de Rumsfeld. Para o presidente Bush, demiti-lo seria uma confissão do fracasso. E o governo Bush não é de admitir seus próprios erros.
Irã rejeita ultimato das Nações Unidas
O Irã rejeitou ontem o ultimato da Organização das Nações Unidas para suspender seu programa nuclear e o enriquecimento de urânio. Há dois dias, o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, anunciou que o país tinha conseguido enriquecer urânio a 3,5%. Este teor permite utilizá-lo como combustível nuclear em usinas de geração de energia mas não fabricar bombas atômicas.
A declaração foi vista como mais um desafio à sociedade internacional. Ontem, Mohammed elBaradei, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão da ONU, esteve em Teerã negociando com o regime fundamentalista iraniano. Recebeu um não e pediu mais tempo para tentar uma solução diplomática.
O Irã insiste em que tem o direito de enriquecer urânio para fins pacíficos. Mas os Estados Unidos e a União Européia duvidam das reais intenções, já que o país tem uma das maiores reservas mundiais de petróleo. Não precisaria de usinas nucleares para gerar energia.
Como o maior temor dos estrategistas americanos é que armas atômicas ou tecnologia nuclear caiam nas mãos de grupos terroristas como al Caeda, que não teriam o menor escrúpulo em usá-las, os EUA estariam escolhendo alvos para um bombardeio limitado destinado a destruir as principais instalações nucleares do Irã. Por isso, Baradei, ganhador do Prêmio Nobel da Paz 2005 junto com sua agência, pediu mais tempo.
O agravamento da crise iraniana fez o preço do barril de petróleo passar de US$ 70.
A declaração foi vista como mais um desafio à sociedade internacional. Ontem, Mohammed elBaradei, diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), órgão da ONU, esteve em Teerã negociando com o regime fundamentalista iraniano. Recebeu um não e pediu mais tempo para tentar uma solução diplomática.
O Irã insiste em que tem o direito de enriquecer urânio para fins pacíficos. Mas os Estados Unidos e a União Européia duvidam das reais intenções, já que o país tem uma das maiores reservas mundiais de petróleo. Não precisaria de usinas nucleares para gerar energia.
Como o maior temor dos estrategistas americanos é que armas atômicas ou tecnologia nuclear caiam nas mãos de grupos terroristas como al Caeda, que não teriam o menor escrúpulo em usá-las, os EUA estariam escolhendo alvos para um bombardeio limitado destinado a destruir as principais instalações nucleares do Irã. Por isso, Baradei, ganhador do Prêmio Nobel da Paz 2005 junto com sua agência, pediu mais tempo.
O agravamento da crise iraniana fez o preço do barril de petróleo passar de US$ 70.
quinta-feira, 13 de abril de 2006
Prodi promete acabar com monopólio das TVs de Berlusconi
O primeiro-ministro conservador Silvio Berlusconi ainda luta contra o resultado das eleições de 9 e 10 de abril na Itália, vencidas pela coalizão de centro-esquerda por pouco mais de 25 mil votos. Mas o líder da União, o ex-primeiro-ministro e ex-presidente da Comissão Européia já fala como novo chefe de governo.
Em entrevista à Associação da Imprensa Estrangeira na Itália, Prodi prometeu atacar o duopólio da rádio e televisão estatal RAI e do grupo Mediaset, de Berlusconi. Além disso, disse que vai reduzir a carga fiscal em um ano, criar uma lei de imigração menos restritiva que a aprovada sob a inspiração dos aliados neofascistas de Berlusconi, combater os conflitos de interesses entre a atividade política e os negócios privados, uma das grandes questões suscitadas pela era Berlusconi, e retirar as tropas italianas do Iraque até o final do ano, mantendo o cronograma do governo derrotado nas urnas.
Prodi estimou que precisará de dois meses para formar seu governo.
Em entrevista à Associação da Imprensa Estrangeira na Itália, Prodi prometeu atacar o duopólio da rádio e televisão estatal RAI e do grupo Mediaset, de Berlusconi. Além disso, disse que vai reduzir a carga fiscal em um ano, criar uma lei de imigração menos restritiva que a aprovada sob a inspiração dos aliados neofascistas de Berlusconi, combater os conflitos de interesses entre a atividade política e os negócios privados, uma das grandes questões suscitadas pela era Berlusconi, e retirar as tropas italianas do Iraque até o final do ano, mantendo o cronograma do governo derrotado nas urnas.
Prodi estimou que precisará de dois meses para formar seu governo.
Islândia lidera acesso a Internet bandalarga
O Islândia (26,4%) superou a Coréia do Sul (25,7%), tornando-se o país com maior percentual de habitantes com acesso rápido à rede mundial de computadores, informa a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE). Logo atrás, vem a Holanda (25,3%) e a Dinamarca (25%).
As duas maiores economias do mundo conseguiram apenas o décimo-primeiro e o décimo-segundo lugares, com o número dois Japão (17,6%) superando os Estados Unidos (16,8%) neste quesito. Os EUA ainda têm o maior número de conexões via banda larga, 42,9 milhões, mas em dezembro de 2001 era o quarto em percentual de internautas com banda larga.
Na Holanda, as companhias telefônicas foram obrigadas a dar acesso a suas redes para que concorrentes ofereçam o serviço, o que é considerado decisivo para o país ocupar o lugar onde está no ranking da banda larga.
As duas maiores economias do mundo conseguiram apenas o décimo-primeiro e o décimo-segundo lugares, com o número dois Japão (17,6%) superando os Estados Unidos (16,8%) neste quesito. Os EUA ainda têm o maior número de conexões via banda larga, 42,9 milhões, mas em dezembro de 2001 era o quarto em percentual de internautas com banda larga.
Na Holanda, as companhias telefônicas foram obrigadas a dar acesso a suas redes para que concorrentes ofereçam o serviço, o que é considerado decisivo para o país ocupar o lugar onde está no ranking da banda larga.
Etanol é nova onda em Wall Street
Está aí mais uma grande oportunidade para o Brasil no mercado internacional.
Com aumento de 52% desde o início do ano e a promessa de manter rodando a formidável frota americana apesar das constantes crises no Oriente Médio, o álcool combustível é uma das vedetes da Bolsa de Valores de Nova Iorque.
Os fazendeiros americanos estão construindo usinas para fabricar álcool de milho. Mas o custo é maior do que o do álcool de cana do Brasil.
Além do presidente George Walker Bush, que declarou que os Estados Unidos são viciados em petróleo, o homem mais rico do mundo, Bill Gates, dono da Microsoft, também está interessado no etanol.
Pela lei de energia assinada por Bush, será obrigatório adicionar combustível de fontes renováveis aos combustíveis fósseis. Isto significa um aumento de 15 para 28 bilhões de litros até 2012.
O mercado está ansioso em busca de ações ligadas ao álcool combustível, anuncia The Wall St. Journal, porta-voz do centro financeiro de Nova Iorque. Para os analistas, o movimento é especulativo porque não há grandes empresas no setor capazes de satisfazer à quase insaciável demanda dos americanos por combustível para seus automóveis. Mas é uma indicação clara de que o maior mercado do mundo está sedento por álcool e o Brasil tem condições de atender a parte desta demanda.
Com aumento de 52% desde o início do ano e a promessa de manter rodando a formidável frota americana apesar das constantes crises no Oriente Médio, o álcool combustível é uma das vedetes da Bolsa de Valores de Nova Iorque.
Os fazendeiros americanos estão construindo usinas para fabricar álcool de milho. Mas o custo é maior do que o do álcool de cana do Brasil.
Além do presidente George Walker Bush, que declarou que os Estados Unidos são viciados em petróleo, o homem mais rico do mundo, Bill Gates, dono da Microsoft, também está interessado no etanol.
Pela lei de energia assinada por Bush, será obrigatório adicionar combustível de fontes renováveis aos combustíveis fósseis. Isto significa um aumento de 15 para 28 bilhões de litros até 2012.
O mercado está ansioso em busca de ações ligadas ao álcool combustível, anuncia The Wall St. Journal, porta-voz do centro financeiro de Nova Iorque. Para os analistas, o movimento é especulativo porque não há grandes empresas no setor capazes de satisfazer à quase insaciável demanda dos americanos por combustível para seus automóveis. Mas é uma indicação clara de que o maior mercado do mundo está sedento por álcool e o Brasil tem condições de atender a parte desta demanda.
quarta-feira, 12 de abril de 2006
Assembléia Nacional da França aprova projeto alternativo à lei do primeiro emprego
A Assembléia Nacional da França aprovou hoje o projeto que substitui o contrato do primeiro emprego, alvo de um mês de greves, marchas de protesto e conflitos de estudantes e trabalhadores com a polícia que lembraram a revolução de maio de 1968.
Pela nova proposta apresentada à Assembléia Nacional pela União por um Movimento Popular, partido do presidente Jacques Chirac e do primeiro-ministro Dominique de Villepin, toda empresa que der emprego a jovens de 16 a 25 anos com baixa qualificação, residente numa zona urbana problemática ou titular de um contrato de inserção na vida social (civis) receberá ajuda governamental.
Esta ajuda será de 400 euros por mês no primeiro ano e 200 euros por mês no segundo. Estima-se que o governo francês gastará 150 milhões de euros neste ano e o dobro no próximo para sustentar o programa.O dinheiro virá de um aumento de impostos sobre o tabaco. Podem fazer parte do programa civis jovens com diploma de segundo grau ou inferior.
A revogada lei do primeiro emprego permitia que as empresas demitissem sem indenizar jovens de até 26 anos nos primeiros dois anos do primeiro contrato de trabalho. Para estudantes e sindicalistas, era apenas o primeiro passo para eliminar direitos sociais e trabalhistas.
A oposição de esquerda tentou incluir na lei uma cláusula para obrigar o governo francês a realizar "negociações nacionais" antes de qualquer reforma da legislação trabalhista.
Pela nova proposta apresentada à Assembléia Nacional pela União por um Movimento Popular, partido do presidente Jacques Chirac e do primeiro-ministro Dominique de Villepin, toda empresa que der emprego a jovens de 16 a 25 anos com baixa qualificação, residente numa zona urbana problemática ou titular de um contrato de inserção na vida social (civis) receberá ajuda governamental.
Esta ajuda será de 400 euros por mês no primeiro ano e 200 euros por mês no segundo. Estima-se que o governo francês gastará 150 milhões de euros neste ano e o dobro no próximo para sustentar o programa.O dinheiro virá de um aumento de impostos sobre o tabaco. Podem fazer parte do programa civis jovens com diploma de segundo grau ou inferior.
A revogada lei do primeiro emprego permitia que as empresas demitissem sem indenizar jovens de até 26 anos nos primeiros dois anos do primeiro contrato de trabalho. Para estudantes e sindicalistas, era apenas o primeiro passo para eliminar direitos sociais e trabalhistas.
A oposição de esquerda tentou incluir na lei uma cláusula para obrigar o governo francês a realizar "negociações nacionais" antes de qualquer reforma da legislação trabalhista.
Itália dividida fica sem fôlego para recuperação
A União, de centro-esquerda, liderada pelo ex-primeiro-ministro e ex-presidente da Comissão Européia (órgão executivo da União Européia) Romano Prodi, venceu as eleições de 9 e 10 de abril na Itália. Foi uma vitória mais matemática do que política, já que a Itália mostrou-se radicalmente dividida. Isto dificulta a realização das reformas necessárias para recuperar a economia do país. A Bolsa de Valores de Milão caiu 2,2% por causa da incerteza gerada pelo resultado eleitoral.
Também não foi o fim da era Silvio Berlusconi, como previu o sociólogo inglês Anthony Giddens. Seu partido, Força Itália, foi o mais votado. As eleições acabaram se tornando um plebiscito sobre o governo Berlusconi e quase metade da Itália o apoiou.
Nas eleições para a Câmara, a União conquistou 49,8% dos votos contra 49,78% da Casa da Liberdade, do primeiro-ministro conservador Silvio Berlusconi. Foram apenas 25.224 votos da vantagem. Mas pela nova lei eleitoral aprovada pelo governo Berlusconi, Prodi terá 63 deputados a mais na Câmara, 340 contra 277 da direita.
Para o Senado, de 315 cadeiras, a União conquistou cinco das seis cadeiras que dependiam do voto de 1 milhão de italianos que votaram no exterior. Isto lhe dá 159 senadores contra 156 da aliança liderada por Berlusconi.
"Vamos mudar a Itália", prometeu Prodi, ao proclamar a vitória. Mas Berlusconi alegou ser cedo demais para a esquerda se declarar vencedora: “Houve muita irregularidades. Vamos esperar a recontagem dos votos”, afirmou o primeiro-ministro, disposto a lutar até o fim. Ele sugeriu inclusive a formação de uma grande coalizão como democratas-cristãos e social-democratas fizeram na Alemanha.
O novo governo terá como maior desafio recuperar a economia do país, que já foi a quinta maior do mundo mas nos últimos anos foi ultrapassada pela Grã-Bretanha e pela China. Nos últimos cinco anos, sob Berlusconi, a Itália cresceu apenas 0,8% ao ano em média. No ano passado, a economia ficou estagnada.
A Itália tem uma dívida pública interna de 106% do produto interno bruto, que é de US$ 1,6 trilhão. O déficit orçamentário, de 4,1%, supera o limite de 3% previsto no Pacto de Estabilidade e Crescimento criado para sustentar o euro. Sofre com a adesão ao euro, que significa taxas de juros mais baixas mas impede as desvalorizações competitivas que reanimavam a economia italiana.
Dividida ao meio de maneira tão radical, com um governo fraco, dificilmente a Itália conseguirá fazer as reformas necessárias para recuperar sua economia. Berlusconi foi eleito em 2001, depois de um breve período no poder em 1994, com a promessa de administrar o pais como um empresário de sucesso, já que é o homem mais rico da Itália. Mas não conseguiu enfrentar os grupos de interesse, o clientelismo e o paternalismo.
Sua fortuna quadruplicou para US$ 12 bilhões desde que entrou na política na vácuo deixado no centro e na direita do espectro político italiano pelos escândalos de corrupção do início da década de 90. Berlusconi é uma espécie de filho bastardo da Operação Mãos Limpas.
Milhares de políticos e empresários foram acusados, diversos presos e condenados, numa série de escândalos de corrupção que destruíu a Democracia Cristã e o Partido Socialista, inclusive as carreiras políticas dos primeiros-ministro Giuliano Amato e Bettino Craxi.
Berlusconi, apadrinhado de Craxi, era dono do grupo financeiro Fininvest e da Mediaset, que controla as três grandes redes de televisão privadas da Itália. Diante do vazio político na centro-direita e do risco de uma vitória da esquerda liderada por comunistas e ex-comunistas, o empresário mais rico do pais decidiu entrar na política.
Ele também era dono do clube de futebol Milan. Aproveitou o grito de guerra da torcida italiana, “Força, Itália!”, para batizar seu partido, criado em março de 1994 para disputar eleições no mês seguinte.
Diante da erosão da direita, Berlusconi aliou-se à Aliança Nacional, novo nome do neofascista Movimento Social Italiano, e à Liga Norte, um grupo autonomista do Norte liderado por Umberto Bossi que pregava a independência da Padânia, no Pólo da Liberdade, para se opor aos comunistas. Até hoje, nesta eleição, Berlusconi apelou para o anticomunismo histórico dos italianos religiosos.
Assim, o Cavalheiro Berlusconi chegou ao poder em abril de 1994 mas só durou até dezembro. Sua coalizão, abalada pelos conflitos internos, não resistiu. Em 1996, ele perdeu as eleições para Prodi mas a divisão interna na coligação de centro-esquerda levou seu atual líder a ser substituíto por Massimo d’Alema, do Partido Democrático da Esquerda, o Partido Comunista reformado.
O Partido Comunista Italiano foi o maior do Ocidente durante toda a Guerra Fria. Com uma votação garantida de cerca de um terço do eleitorado, nunca chegou ao poder por causa do sistema de voto proporcional que a Itália adotava.
Com cerca de 40% das preferências, a Democracia Cristã liderou a maioria dos mais de 50 governos que a Itália teve desde 1945. Os comunistas, sob Enrico Berlinger, chegaram a firmar o “compromisso histórico”, comprometendo-se a lutar pelo poder exclusivamente por meios democráticos, no chamado eurocomunismo dos anos 70. Mas não participavam da coligação governista. Isto os poupou dos escândalos de corrupção.
Irônico é que Berlusconi tenha se beneficiado de um clima de moralização da vida pública na Itália. Ele é a própria encarnação do empresário com conexões importantes capaz de tirar proveito dos vícios da sociedade italiana. Fez leis em seu próprio benefício, inclusive dando imunidade a primeiros-ministros.
O programa da centro-esquerda promete corrigir as distorções introduzidas na lei para beneficiar o primeiro-ministro conservador. Mas dificilmente Prodi terá fôlego para alterar a legislação trabalhista e fazer uma reforma do Estado, do serviço público e da Previdência Social que acabe com o déficit fiscal e permita atacar o problema da dívida pública
A expectativa na Itália é que a economia se arraste. Pelo menos até a próxima eleição, que pode ser antes dos cinco anos de mandato do novo parlamento. Desde 1945, Berlusconi foi o único primeiro-ministro a completar o mandato. Já está saindo.
Também não foi o fim da era Silvio Berlusconi, como previu o sociólogo inglês Anthony Giddens. Seu partido, Força Itália, foi o mais votado. As eleições acabaram se tornando um plebiscito sobre o governo Berlusconi e quase metade da Itália o apoiou.
Nas eleições para a Câmara, a União conquistou 49,8% dos votos contra 49,78% da Casa da Liberdade, do primeiro-ministro conservador Silvio Berlusconi. Foram apenas 25.224 votos da vantagem. Mas pela nova lei eleitoral aprovada pelo governo Berlusconi, Prodi terá 63 deputados a mais na Câmara, 340 contra 277 da direita.
Para o Senado, de 315 cadeiras, a União conquistou cinco das seis cadeiras que dependiam do voto de 1 milhão de italianos que votaram no exterior. Isto lhe dá 159 senadores contra 156 da aliança liderada por Berlusconi.
"Vamos mudar a Itália", prometeu Prodi, ao proclamar a vitória. Mas Berlusconi alegou ser cedo demais para a esquerda se declarar vencedora: “Houve muita irregularidades. Vamos esperar a recontagem dos votos”, afirmou o primeiro-ministro, disposto a lutar até o fim. Ele sugeriu inclusive a formação de uma grande coalizão como democratas-cristãos e social-democratas fizeram na Alemanha.
O novo governo terá como maior desafio recuperar a economia do país, que já foi a quinta maior do mundo mas nos últimos anos foi ultrapassada pela Grã-Bretanha e pela China. Nos últimos cinco anos, sob Berlusconi, a Itália cresceu apenas 0,8% ao ano em média. No ano passado, a economia ficou estagnada.
A Itália tem uma dívida pública interna de 106% do produto interno bruto, que é de US$ 1,6 trilhão. O déficit orçamentário, de 4,1%, supera o limite de 3% previsto no Pacto de Estabilidade e Crescimento criado para sustentar o euro. Sofre com a adesão ao euro, que significa taxas de juros mais baixas mas impede as desvalorizações competitivas que reanimavam a economia italiana.
Dividida ao meio de maneira tão radical, com um governo fraco, dificilmente a Itália conseguirá fazer as reformas necessárias para recuperar sua economia. Berlusconi foi eleito em 2001, depois de um breve período no poder em 1994, com a promessa de administrar o pais como um empresário de sucesso, já que é o homem mais rico da Itália. Mas não conseguiu enfrentar os grupos de interesse, o clientelismo e o paternalismo.
Sua fortuna quadruplicou para US$ 12 bilhões desde que entrou na política na vácuo deixado no centro e na direita do espectro político italiano pelos escândalos de corrupção do início da década de 90. Berlusconi é uma espécie de filho bastardo da Operação Mãos Limpas.
Milhares de políticos e empresários foram acusados, diversos presos e condenados, numa série de escândalos de corrupção que destruíu a Democracia Cristã e o Partido Socialista, inclusive as carreiras políticas dos primeiros-ministro Giuliano Amato e Bettino Craxi.
Berlusconi, apadrinhado de Craxi, era dono do grupo financeiro Fininvest e da Mediaset, que controla as três grandes redes de televisão privadas da Itália. Diante do vazio político na centro-direita e do risco de uma vitória da esquerda liderada por comunistas e ex-comunistas, o empresário mais rico do pais decidiu entrar na política.
Ele também era dono do clube de futebol Milan. Aproveitou o grito de guerra da torcida italiana, “Força, Itália!”, para batizar seu partido, criado em março de 1994 para disputar eleições no mês seguinte.
Diante da erosão da direita, Berlusconi aliou-se à Aliança Nacional, novo nome do neofascista Movimento Social Italiano, e à Liga Norte, um grupo autonomista do Norte liderado por Umberto Bossi que pregava a independência da Padânia, no Pólo da Liberdade, para se opor aos comunistas. Até hoje, nesta eleição, Berlusconi apelou para o anticomunismo histórico dos italianos religiosos.
Assim, o Cavalheiro Berlusconi chegou ao poder em abril de 1994 mas só durou até dezembro. Sua coalizão, abalada pelos conflitos internos, não resistiu. Em 1996, ele perdeu as eleições para Prodi mas a divisão interna na coligação de centro-esquerda levou seu atual líder a ser substituíto por Massimo d’Alema, do Partido Democrático da Esquerda, o Partido Comunista reformado.
O Partido Comunista Italiano foi o maior do Ocidente durante toda a Guerra Fria. Com uma votação garantida de cerca de um terço do eleitorado, nunca chegou ao poder por causa do sistema de voto proporcional que a Itália adotava.
Com cerca de 40% das preferências, a Democracia Cristã liderou a maioria dos mais de 50 governos que a Itália teve desde 1945. Os comunistas, sob Enrico Berlinger, chegaram a firmar o “compromisso histórico”, comprometendo-se a lutar pelo poder exclusivamente por meios democráticos, no chamado eurocomunismo dos anos 70. Mas não participavam da coligação governista. Isto os poupou dos escândalos de corrupção.
Irônico é que Berlusconi tenha se beneficiado de um clima de moralização da vida pública na Itália. Ele é a própria encarnação do empresário com conexões importantes capaz de tirar proveito dos vícios da sociedade italiana. Fez leis em seu próprio benefício, inclusive dando imunidade a primeiros-ministros.
O programa da centro-esquerda promete corrigir as distorções introduzidas na lei para beneficiar o primeiro-ministro conservador. Mas dificilmente Prodi terá fôlego para alterar a legislação trabalhista e fazer uma reforma do Estado, do serviço público e da Previdência Social que acabe com o déficit fiscal e permita atacar o problema da dívida pública
A expectativa na Itália é que a economia se arraste. Pelo menos até a próxima eleição, que pode ser antes dos cinco anos de mandato do novo parlamento. Desde 1945, Berlusconi foi o único primeiro-ministro a completar o mandato. Já está saindo.
terça-feira, 11 de abril de 2006
Bush chama ataque ao Irã de "especulação selvagem" mas EUA escolhem alvos
O presidente George Walker Bush chamou de “especulação selvagem” as notícias de que os Estados Unidos estariam escolhendo alvos para bombardear o Irã na tentativa de neutralizar seu programa nuclear. Uma reportagem da revista The New Yorker afirma que os EUA poderiam usar até armas nucleares táticas para destruir instalações subterrâneas.
A questão ganha ainda mais urgência com o anúncio do governo fundamentalista iraniano de que enriqueceu urânio num teor suficiente para usá-lo como combustível para reatores nucleares de geração de energia. Isto significa que o Irã está a caminho de dominar o ciclo completo do urânio, o que lhe permitiria fazer bombas atômicas dentro de 10 anos.
Em artigo na revista Foreign Policy intitulado Engane-me Outra Vez, o especialista Joseph Cirincione observa que os argumentos e os passos dados pelo governo americano repetem o ritual da invasão do Iraque: “Até agora, tratava a hipótese de ação militar como coisa de blogueiros ou adeptos de teorias conspiratórias. Agora, minha hipótese de trabalho é que alguns membros do governo, entre os quais o vice-presidente Dick Cheney, acreditam que a opção preferencial é um bombardeio limitado, que desestabilizaria o regime”.
Na propaganda bushista, o Irã substitui o Iraque como grande ameaça à estabilidade do Oriente Médio, patrocinador do terrorismo internacional e interessado em desenvolver armas de destruição em massa.
Por enquanto, a Casa Branca prefere o que chama de “diplomacia coercitiva”. Isto indica que não haverá ataque a curto prazo mas os alvos estão sendo escolhido. Entre eles, está o centro de enriquecimento de urânio de Natanz. Segundo a reportagem de Seymour Hersh para a New Yorker, os preparativos já estão na fase operacional.
Hersh está convencido da decisão do governo Bush de atacar, citando por exemplo as comparações feitas por altos funcionários americanos do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e o ditador nazista Adolf Hitler. Apesar das diferenças de poder entre a Alemanha da segunda metade dos anos 30 e do Irã, a linha dura de Bush alega que Hitler poderia ter sido parado por um ataque preventivo.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas deu prazo até o final de abril para o Irã suspender o enriquecimento de urânio. Nesta quarta-feira, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed elBaradei, chega a Teerã para retomar negociações. Tentará convencer os iranianos da seriedade da situação.
Até agora, o governo iraniano denuncia a “guerra psicológica” americana como se fosse só isso. Mas o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais de Washington já traçou várias hipóteses para um bombardeio seletivo contra o programa nuclear do Irã.
A alternativa mais leve seria um ataque de advertência com alguns mísseis de cruzeiro contra um só alvo importante do programa nuclear iraniano. Outra hipótese seria um ataque com dezenas de mísseis contra diversas instalações nucleares do Irã. Um ataque maior incluiria 200 a 600 mísseis de cruzeiros e bombardeios de avião durante até 10 dias contra as principais instalações militares iranianas. A alternativa mais dura incluiria mil a 2,5 mil mísseis de cruzeiro e semanas de bombardeios aéreos.
Na New Yorker, Hersh afirma que está sendo considerada a hipótese de empregar armas nucleares táticas B61-11, projetadas para penetrar no solo e destruir fortalezas subterrâneas e instalações nucleares como a usina de Natanz.
A questão ganha ainda mais urgência com o anúncio do governo fundamentalista iraniano de que enriqueceu urânio num teor suficiente para usá-lo como combustível para reatores nucleares de geração de energia. Isto significa que o Irã está a caminho de dominar o ciclo completo do urânio, o que lhe permitiria fazer bombas atômicas dentro de 10 anos.
Em artigo na revista Foreign Policy intitulado Engane-me Outra Vez, o especialista Joseph Cirincione observa que os argumentos e os passos dados pelo governo americano repetem o ritual da invasão do Iraque: “Até agora, tratava a hipótese de ação militar como coisa de blogueiros ou adeptos de teorias conspiratórias. Agora, minha hipótese de trabalho é que alguns membros do governo, entre os quais o vice-presidente Dick Cheney, acreditam que a opção preferencial é um bombardeio limitado, que desestabilizaria o regime”.
Na propaganda bushista, o Irã substitui o Iraque como grande ameaça à estabilidade do Oriente Médio, patrocinador do terrorismo internacional e interessado em desenvolver armas de destruição em massa.
Por enquanto, a Casa Branca prefere o que chama de “diplomacia coercitiva”. Isto indica que não haverá ataque a curto prazo mas os alvos estão sendo escolhido. Entre eles, está o centro de enriquecimento de urânio de Natanz. Segundo a reportagem de Seymour Hersh para a New Yorker, os preparativos já estão na fase operacional.
Hersh está convencido da decisão do governo Bush de atacar, citando por exemplo as comparações feitas por altos funcionários americanos do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, e o ditador nazista Adolf Hitler. Apesar das diferenças de poder entre a Alemanha da segunda metade dos anos 30 e do Irã, a linha dura de Bush alega que Hitler poderia ter sido parado por um ataque preventivo.
O Conselho de Segurança das Nações Unidas deu prazo até o final de abril para o Irã suspender o enriquecimento de urânio. Nesta quarta-feira, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Mohamed elBaradei, chega a Teerã para retomar negociações. Tentará convencer os iranianos da seriedade da situação.
Até agora, o governo iraniano denuncia a “guerra psicológica” americana como se fosse só isso. Mas o Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais de Washington já traçou várias hipóteses para um bombardeio seletivo contra o programa nuclear do Irã.
A alternativa mais leve seria um ataque de advertência com alguns mísseis de cruzeiro contra um só alvo importante do programa nuclear iraniano. Outra hipótese seria um ataque com dezenas de mísseis contra diversas instalações nucleares do Irã. Um ataque maior incluiria 200 a 600 mísseis de cruzeiros e bombardeios de avião durante até 10 dias contra as principais instalações militares iranianas. A alternativa mais dura incluiria mil a 2,5 mil mísseis de cruzeiro e semanas de bombardeios aéreos.
Na New Yorker, Hersh afirma que está sendo considerada a hipótese de empregar armas nucleares táticas B61-11, projetadas para penetrar no solo e destruir fortalezas subterrâneas e instalações nucleares como a usina de Natanz.
Prazer do álcool sem ressaca
A maioria das pessoas que têm doenças do fígado por causa do álcool não é alcoolista; bebe socialmente. Mas agora surge uma esperança para acabar com a ressaca e com o sentimento de culpa de um de seus hábitos favoritos pode estar lhe matando. É um coquetel de medicamentos capaz de dar o prazer do álcool sem os efeitos colaterais negativos.
Por enquanto, é apenas uma idéia. Mas não há razão para não dar certo, argumenta o psicofarmacologista David Nutt, da Universidade de Bristol, na Inglaterra, em artigo publicado na revista britânica New Scientist.
O álcool age sobre o cérebro ligando a moléculas conhecidas como receptores GABA-A, que têm dezenas de variações, algumas associadas a efeitos específicos do álcool. A perda de memória, por exemplo, acontece porque o álcool se liga a um receptor no hipocampo chamado alfa-5.
Pelo raciocínio de Nutt, será possível criar moléculas que se liguem fortemente aos subtipos favoráveis e enfraqueçam a ligação com as negativas.
Já existem duas substâncias que podem exercer esta função, o bretazenil e o pagoclone, desenvolvidas como medicamentos contra a ansiedade mas nunca lançadas comercialmente. Têm a vantagem de poder ser neutralizadas instantaneamente pelo flumazenil, usado como antídoto contra doses excessivas de tranqüilizantes como Valium.
O desafio para os bioquímicos será criar uma mistura de moléculas que dê os prazeres do álcool, especialmente o relaxamento e a sociabilidade, mas não a agressividade, a náusea, a perda de coordenação motora e a amnésia que fazem mal a quem bebe e às vezes a quem está por perto.
Com medicamentos em vez de álcool, o risco de cirrose hepática seria consideravelmente reduzido, entende David Nutt.
Mas há problemas. A indústria farmacêutica certamente está interessada em drogas que dêem prazer. Mas há questões políticos e morais envolvidas no desenvolvimento de novas drogas recretativas. E quem disse que os bebedores trocarão um vinho de alta qualidade ou sua cerveja favorita por um comprimido?
Por enquanto, é apenas uma idéia. Mas não há razão para não dar certo, argumenta o psicofarmacologista David Nutt, da Universidade de Bristol, na Inglaterra, em artigo publicado na revista britânica New Scientist.
O álcool age sobre o cérebro ligando a moléculas conhecidas como receptores GABA-A, que têm dezenas de variações, algumas associadas a efeitos específicos do álcool. A perda de memória, por exemplo, acontece porque o álcool se liga a um receptor no hipocampo chamado alfa-5.
Pelo raciocínio de Nutt, será possível criar moléculas que se liguem fortemente aos subtipos favoráveis e enfraqueçam a ligação com as negativas.
Já existem duas substâncias que podem exercer esta função, o bretazenil e o pagoclone, desenvolvidas como medicamentos contra a ansiedade mas nunca lançadas comercialmente. Têm a vantagem de poder ser neutralizadas instantaneamente pelo flumazenil, usado como antídoto contra doses excessivas de tranqüilizantes como Valium.
O desafio para os bioquímicos será criar uma mistura de moléculas que dê os prazeres do álcool, especialmente o relaxamento e a sociabilidade, mas não a agressividade, a náusea, a perda de coordenação motora e a amnésia que fazem mal a quem bebe e às vezes a quem está por perto.
Com medicamentos em vez de álcool, o risco de cirrose hepática seria consideravelmente reduzido, entende David Nutt.
Mas há problemas. A indústria farmacêutica certamente está interessada em drogas que dêem prazer. Mas há questões políticos e morais envolvidas no desenvolvimento de novas drogas recretativas. E quem disse que os bebedores trocarão um vinho de alta qualidade ou sua cerveja favorita por um comprimido?
Ajuda ao desenvolvimento passou de US$ 100 bilhões em 2005
Os países desenvolvidos da Organização de Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) aumentaram sua ajuda aos países mais pobres em 31,4% no ano passado para chegar a US$ 106,5 bilhões, um nível sem precedentes. Este total corresponde a 0,33% dos produtos internos brutos dos paises-membros da OCDE. É um pouco menos da metade do 0,7% recomendado pela Organização das Nações Unidas.
A ajuda sob a forma de redução de dívida cresceu mais de 400%. Os maiores beneficiários foram o Iraque, que não precisará pagar US$ 14 bilhões, e a Nigéria, que poderá economizar US$ 5 bilhões. Outros US$ 2,2 bilhões foram doados como ajuda de emergência para as vitimas do maremoto de 26 de dezembro de 2004 no Oceano Índico.
Os EUA deram a maior contribuição, US$ 27,5 bilhões, uma alta de 36,5% em termos reais.
A ajuda sob a forma de redução de dívida cresceu mais de 400%. Os maiores beneficiários foram o Iraque, que não precisará pagar US$ 14 bilhões, e a Nigéria, que poderá economizar US$ 5 bilhões. Outros US$ 2,2 bilhões foram doados como ajuda de emergência para as vitimas do maremoto de 26 de dezembro de 2004 no Oceano Índico.
Os EUA deram a maior contribuição, US$ 27,5 bilhões, uma alta de 36,5% em termos reais.
Armani dá dicas de elegância masculina
Um dos mais famosos estilistas de moda, o italiano Giorgio Armani é também um administrador bem-sucedido.
Desde a morte de seu sócio, em 1985, ele assumiu o controle do negocio e expandiu sua prestigiada marca para adereços, móveis, interior de carros, chocolates e hotéis. Em 2004, este império deu um lucro de 126 milhões de euros (US$ 152 milhões), com vendas de 1,3 bilhão de euros.
Em entrevista ao The Wall St. Journal ele admitiu a possibilidade de abrir o capital da empresa, lançando ações em bolsa. Entre outras coisas, deu dicas para a elegância masculina:
1. Poliéster é um tecido fantástico. Tem características fantásticas, elasticidade, se ajusta bem e não amarrota.
2. Linho é um desastre. Se você veste linho e se senta, quando levanta parece ter sido atropelado por um caminhão.
3. É um mito que um homem só tem credibilidade se estiver vestindo ternos de risca de giz, camisas tipo Oxford, gravata e sapatos ingleses.
4. Os homens ficam bem em camisas, gravatas e casacos que revelam poucas curvas mas sejam confortáveis.
5. Não aceito homens de roupa esporte em reuniões de diretoria. Jaquetas e casacos esportivos são para fins de semana.
Desde a morte de seu sócio, em 1985, ele assumiu o controle do negocio e expandiu sua prestigiada marca para adereços, móveis, interior de carros, chocolates e hotéis. Em 2004, este império deu um lucro de 126 milhões de euros (US$ 152 milhões), com vendas de 1,3 bilhão de euros.
Em entrevista ao The Wall St. Journal ele admitiu a possibilidade de abrir o capital da empresa, lançando ações em bolsa. Entre outras coisas, deu dicas para a elegância masculina:
1. Poliéster é um tecido fantástico. Tem características fantásticas, elasticidade, se ajusta bem e não amarrota.
2. Linho é um desastre. Se você veste linho e se senta, quando levanta parece ter sido atropelado por um caminhão.
3. É um mito que um homem só tem credibilidade se estiver vestindo ternos de risca de giz, camisas tipo Oxford, gravata e sapatos ingleses.
4. Os homens ficam bem em camisas, gravatas e casacos que revelam poucas curvas mas sejam confortáveis.
5. Não aceito homens de roupa esporte em reuniões de diretoria. Jaquetas e casacos esportivos são para fins de semana.
García está praticamente no segundo turno no Peru
O ex-presidente Alan García (1985-90) , de centro-esquerda, praticamente garantiu sua vaga no segundo turno da eleição presidencial no Peru, em 14 de maio.
Com 84,89% dos votos apurados, o candidato ultranacionalista Ollanta Humala, da União pelo Peru, lidera com 30,8%, seguido de García, do Partido Aprista Peruano, com 24,71%, e da direitista Lourdes Flores, do Partido Social-Cristão, com 23,57%.
Como faltam computar sobretudo votos do interior, García conta com o apoio dos camponeses para garantir sua presença no segundo turno.
Pelas atuais pesquisas, tanto García quanto Flores bateriam Humala no segundo turno. Mas é uma nova eleição. Humala tem tempo para crescer.
O atual presidente peruano, Alejandro Toledo, viajou para Washington onde deve assinar amanhã um tratado de livre comércio com os Estados Unidos. Humala, apoiado pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, promete denunciar o tratado, em nome da defesa dos interesses nacionais, e também aumentar os impostos sobre os lucros das mineradoras estrangeiras.
Com 84,89% dos votos apurados, o candidato ultranacionalista Ollanta Humala, da União pelo Peru, lidera com 30,8%, seguido de García, do Partido Aprista Peruano, com 24,71%, e da direitista Lourdes Flores, do Partido Social-Cristão, com 23,57%.
Como faltam computar sobretudo votos do interior, García conta com o apoio dos camponeses para garantir sua presença no segundo turno.
Pelas atuais pesquisas, tanto García quanto Flores bateriam Humala no segundo turno. Mas é uma nova eleição. Humala tem tempo para crescer.
O atual presidente peruano, Alejandro Toledo, viajou para Washington onde deve assinar amanhã um tratado de livre comércio com os Estados Unidos. Humala, apoiado pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, promete denunciar o tratado, em nome da defesa dos interesses nacionais, e também aumentar os impostos sobre os lucros das mineradoras estrangeiras.
Irã anuncia enriquecimento de urânio
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, anunciou nesta terça-feira que seu país conseguiu, em 20 de fevereiro, enriquecer urânio no grau de 3,5%, suficiente para o uso em reatores nucleares para produção de energia para fins pacíficos.
Para fabricar uma bomba atômica, o urânio precisa ser enriquecido num teor muito mais alto, de 50%. Mas o Irã está dominando o ciclo do urânio. Isto inquieta as potências ocidentais, sobretudo os Estados Unidos, que temem que a república islâmica transfira tecnologia nuclear para grupos terroristas, além de ser um fator de desestabilização do Oriente Médio.
Ontem, o presidente George Walker Bush considerou uma "especulação selvagem" a notícia de que os EUA estão escolhendo alvos para um possível bombardeio aéreo limitado para destruir o programa nuclear iraniano. Uma reportagem do experiente jornalista Seymour Hersh para a revista The New Yorker afirma que a Casa Branca pensa até mesmo em usar armas nucleares táticas para atingir instalações nucleares subterrâneas.
A questão nuclear iraniana foi encaminhada pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) ao Conselho de Segurança das Nações Unidos, que pode aplicar sanções ou até autorizar o uso da força. Mas a China e a Rússia, duas potências com poder de veto na ONU, são contra sanções, que poderiam provocar uma retaliação do Irã usando o petróleo como arma econômica.
Antes mesmo do anúncio do Irã, por causa das notícias sobre escolha de alvos pelos EUA, o petróleo chegou a US$ 69 por barril.
Para fabricar uma bomba atômica, o urânio precisa ser enriquecido num teor muito mais alto, de 50%. Mas o Irã está dominando o ciclo do urânio. Isto inquieta as potências ocidentais, sobretudo os Estados Unidos, que temem que a república islâmica transfira tecnologia nuclear para grupos terroristas, além de ser um fator de desestabilização do Oriente Médio.
Ontem, o presidente George Walker Bush considerou uma "especulação selvagem" a notícia de que os EUA estão escolhendo alvos para um possível bombardeio aéreo limitado para destruir o programa nuclear iraniano. Uma reportagem do experiente jornalista Seymour Hersh para a revista The New Yorker afirma que a Casa Branca pensa até mesmo em usar armas nucleares táticas para atingir instalações nucleares subterrâneas.
A questão nuclear iraniana foi encaminhada pela Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) ao Conselho de Segurança das Nações Unidos, que pode aplicar sanções ou até autorizar o uso da força. Mas a China e a Rússia, duas potências com poder de veto na ONU, são contra sanções, que poderiam provocar uma retaliação do Irã usando o petróleo como arma econômica.
Antes mesmo do anúncio do Irã, por causa das notícias sobre escolha de alvos pelos EUA, o petróleo chegou a US$ 69 por barril.
Prodi vence eleições na Itália
A União, de centro-esquerda, liderada pelo ex-primeiro-ministro Romano Prodi, venceu as eleições para a Câmara dos Deputados da Itália. Conquistou 49,8% dos votos contra 49,73% da Casa da Liberdade, do primeiro-ministro conservador Silvio Berlusconi. Foram apenas 25.224 votos da vantagem. Mas pela nova lei eleitoral aprovada pelo governo Berlusconi, Prodi terá 63 deputados a mais na Câmara, 340 contra 277 da direita.
Para o Senado, de 314 cadeiras, a União espera conquistar cinco das seis cadeiras que dependem do voto dos italianos do exterior. Isto lhe daria 158 senadores contra 156 da aliança liderada por Berlusconi.
"Vamos mudar a Itália", prometeu Prodi, ao proclamar a vitória. Mas a direita alegou ser cedo demais para a esquerda se declarar vencedora.
O novo governo terá como maior desafio recuperar a economia do país, que já foi a quinta maior do mundo mas nos últimos anos foi ultrapassada pela Grã-Bretanha e pela China. Nos últimos cinco anos, sob Berlusconi, a Itália cresceu apenas 0,8% ao ano em média. No ano passado, a economia ficou estagnada.
A Itália tem uma dívida pública interna de 106% do produto interno bruto, que é de US$ 1,6 trilhão. Sofre com a adesão ao euro, que significa taxas de juros mais baixas mas impede as desvalorizações competitivas que reanimavam a economia.
Para o Senado, de 314 cadeiras, a União espera conquistar cinco das seis cadeiras que dependem do voto dos italianos do exterior. Isto lhe daria 158 senadores contra 156 da aliança liderada por Berlusconi.
"Vamos mudar a Itália", prometeu Prodi, ao proclamar a vitória. Mas a direita alegou ser cedo demais para a esquerda se declarar vencedora.
O novo governo terá como maior desafio recuperar a economia do país, que já foi a quinta maior do mundo mas nos últimos anos foi ultrapassada pela Grã-Bretanha e pela China. Nos últimos cinco anos, sob Berlusconi, a Itália cresceu apenas 0,8% ao ano em média. No ano passado, a economia ficou estagnada.
A Itália tem uma dívida pública interna de 106% do produto interno bruto, que é de US$ 1,6 trilhão. Sofre com a adesão ao euro, que significa taxas de juros mais baixas mas impede as desvalorizações competitivas que reanimavam a economia.
segunda-feira, 10 de abril de 2006
Alan García aumenta vantagem sobre Lourdes Flores no Peru
Com 76,6% dos votos apurados, o candidato ultranacionalista Ollanta Humala, apoiado pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, vence o primeiro turno da eleição presidencial no Peru com 29,8% dos votos.
A disputa pela outra vaga no segundo turno, a ser disputado em maio, ainda está indefinida. Mas o ex-presidente Alan García, de centro-esquerda, com 25,05%, está ampliando sua vantagem sobre a direitista Lourdes Flores, que era favorita durante a maior parte da campanha mas tem no momento 24,5% dos votos.
Para os observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA), as eleições peruanas foram livres e transparentes.
Mais de 16 milhões de peruanos estavam aptos a votar para escolher um presidente, dois vice-presidentes, 120 deputados e 15 senadores. Cerca de 90% compareceram às urnas.
A disputa pela outra vaga no segundo turno, a ser disputado em maio, ainda está indefinida. Mas o ex-presidente Alan García, de centro-esquerda, com 25,05%, está ampliando sua vantagem sobre a direitista Lourdes Flores, que era favorita durante a maior parte da campanha mas tem no momento 24,5% dos votos.
Para os observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA), as eleições peruanas foram livres e transparentes.
Mais de 16 milhões de peruanos estavam aptos a votar para escolher um presidente, dois vice-presidentes, 120 deputados e 15 senadores. Cerca de 90% compareceram às urnas.
China censura revistas estrangeiras
O governo do Partido Comunista da China decidiu proibir o lançamento de novas revistas estrangeiras no pais, com exceção das que tratem de ciência e tecnologia. A decisão foi tomada depois que o primeiro número da revista de cultura jovem Rolling Stone trouxe na capa um músico dissidente chinês.
“A revista não existe mais”, declarou um burocrata da Administração Geral de Imprensa e Publicações, em Xangai. Era editada em parceria com um sócio chinês que abandonou o negócio sob pressão do governo.
Mas o grupo Time Warner pretende lançar a revista Sports Illustrated ainda este ano para se beneficiar do fato de que Beijim será sede da Olimpíada de 2008.
“A revista não existe mais”, declarou um burocrata da Administração Geral de Imprensa e Publicações, em Xangai. Era editada em parceria com um sócio chinês que abandonou o negócio sob pressão do governo.
Mas o grupo Time Warner pretende lançar a revista Sports Illustrated ainda este ano para se beneficiar do fato de que Beijim será sede da Olimpíada de 2008.
França abandona lei do primeiro emprego
Depois de mais de um mês de greves, protestos e manifestações de rua às vezes violentas, o presidente da França, Jacques Chirac, resolveu revogar a chamada lei do primeiro emprego, prometendo adotar medidas para "favorecer a inserção profissional de jovens em dificuldades", anunciou hoje de manhã o Palácio do Eliseu.
A nova proposta já foi apresentada à Assembléia Nacional pela União por um Movimento Popular, partido de Chirac e Villepin. Toda empresa que der emprego a jovens de 16 a 25 anos com baixa qualificação, residente numa zona urbana problemática ou titular de um contrato de inserção na vida social (civis) receberá ajuda governamental. Esta ajuda será de 400 euros por mês no primeiro ano e 200 euros por mês no segundo. O dinheiro virá de um aumento de impostos sobre o tabaco. Podem fazer parte do programa civis jovens com diploma de segundo grau ou inferior.
Por sua vez, o primeiro-ministro Dominique de Villepin argumentou que a lei revogada foi mal compreendida. Ele apresentou a proposta para facilitar a contratação e demissão de jovens depois da revolta dos jovens de origem estrangeira da periferia de Paris, em outubro e novembro do ano passado.
Como o índice de desemprego entre jovens é de 23%, bem acima da média nacional de 9,6%, chegando a 40% entre os de origem estrangeira, Villepin propôs que as empresas poderiam demitir sumariamente jovens de até 26 anos em seu primeiro contrato de trabalho durante um período de até dois anos.
Sob pressão das ruas, Chirac prometeu reduzir este prazo de dois para um ano e exigir que as empresas justificassem a demissão. Mas nada conseguiu acalmar estudantes e sindicalistas, que vêem na medida um primeiro passo para cortar direitos sociais e garantias trabalhistas na França.
Com o recuo do governo, fica prejudicada a candidatura presidencial de Villepin, um diplomata de carreira que obteve notoriedade ao se opor à invasão dos EUA ao Iraque no Conselho de Segurança das Nações Unidas, em 2003. Ele era o favorito do presidente Chirac para ser o candidato da direita na eleição do próximo ano.
A nova proposta já foi apresentada à Assembléia Nacional pela União por um Movimento Popular, partido de Chirac e Villepin. Toda empresa que der emprego a jovens de 16 a 25 anos com baixa qualificação, residente numa zona urbana problemática ou titular de um contrato de inserção na vida social (civis) receberá ajuda governamental. Esta ajuda será de 400 euros por mês no primeiro ano e 200 euros por mês no segundo. O dinheiro virá de um aumento de impostos sobre o tabaco. Podem fazer parte do programa civis jovens com diploma de segundo grau ou inferior.
Por sua vez, o primeiro-ministro Dominique de Villepin argumentou que a lei revogada foi mal compreendida. Ele apresentou a proposta para facilitar a contratação e demissão de jovens depois da revolta dos jovens de origem estrangeira da periferia de Paris, em outubro e novembro do ano passado.
Como o índice de desemprego entre jovens é de 23%, bem acima da média nacional de 9,6%, chegando a 40% entre os de origem estrangeira, Villepin propôs que as empresas poderiam demitir sumariamente jovens de até 26 anos em seu primeiro contrato de trabalho durante um período de até dois anos.
Sob pressão das ruas, Chirac prometeu reduzir este prazo de dois para um ano e exigir que as empresas justificassem a demissão. Mas nada conseguiu acalmar estudantes e sindicalistas, que vêem na medida um primeiro passo para cortar direitos sociais e garantias trabalhistas na França.
Com o recuo do governo, fica prejudicada a candidatura presidencial de Villepin, um diplomata de carreira que obteve notoriedade ao se opor à invasão dos EUA ao Iraque no Conselho de Segurança das Nações Unidas, em 2003. Ele era o favorito do presidente Chirac para ser o candidato da direita na eleição do próximo ano.
Eleição na Itália disputada até o último voto
Com 70% dos votos apurados, a coligação esquerdista União, liderada pelo ex-primeiro-ministro Romano Prodi, tinha uma pequena vantagem de 51,4% contra 47,9% sobre a Casa da Liberdade, do primeiro-ministro Silvio Berlusconi, nas eleições para a Câmara dos Deputados. Para o Senado, há um empate técnico, com as projeções indicando que Berlusconi terá 49,6% contra 49,5% para a coalizão de centro-esquerda.
A rádio e televisão estatal RAI prevê que a direita pode controlar as duas casas do Congresso.
A rádio e televisão estatal RAI prevê que a direita pode controlar as duas casas do Congresso.
domingo, 9 de abril de 2006
Humala vence mas Peru terá segundo turno
O ex-oficial golpista Ollanta Humala, do Partido Nacionalista Peruano, venceu o primeiro da eleição presidencial no Peru mas haverá segundo turno em 14 de maio.
Com 70% dos votos apurados, Humala tinha cerca de 29% dos votos. Seu adversário no segundo turno ainda está indefinido. No momento, a candidata direitista Lourdes Flores está em segundo com 25,9%, ameaçada pelo ex-presidente Alan García, com 24,8% dos votos.
Mais de 16 milhões de peruanos estavam aptos a votar para escolher um presidente, dois vice-presidentes, 120 deputados e 15 senadores.
Humala tem o apoio do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Segue a mesma linha política, prometendo nacionalizar os recursos naturais para financiar programas sociais, a exemplo também que Evo Morales está fazendo na Bolívia. Também pretende convocar uma Assembléia Nacional Constituinte para refundar a república peruana, na linha do chavismo. Isto foi denunciado na campanha como uma ameaça à democracia.
O Peru cresceu a taxas elevadas, na média de 4,8%, durante o governo Alejandro Toledo mas ele termina seu mandato como um dos presidentes mais impopulares da América Latina. Quer assinar um acordo de livre comércio já negociado com os Estados Unidos antes de transferir o poder. Humala promete revogar o acordo.
Com 70% dos votos apurados, Humala tinha cerca de 29% dos votos. Seu adversário no segundo turno ainda está indefinido. No momento, a candidata direitista Lourdes Flores está em segundo com 25,9%, ameaçada pelo ex-presidente Alan García, com 24,8% dos votos.
Mais de 16 milhões de peruanos estavam aptos a votar para escolher um presidente, dois vice-presidentes, 120 deputados e 15 senadores.
Humala tem o apoio do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Segue a mesma linha política, prometendo nacionalizar os recursos naturais para financiar programas sociais, a exemplo também que Evo Morales está fazendo na Bolívia. Também pretende convocar uma Assembléia Nacional Constituinte para refundar a república peruana, na linha do chavismo. Isto foi denunciado na campanha como uma ameaça à democracia.
O Peru cresceu a taxas elevadas, na média de 4,8%, durante o governo Alejandro Toledo mas ele termina seu mandato como um dos presidentes mais impopulares da América Latina. Quer assinar um acordo de livre comércio já negociado com os Estados Unidos antes de transferir o poder. Humala promete revogar o acordo.
sábado, 8 de abril de 2006
Acidificação dos oceanos pelo gás carbônico ameaça corais
Acidificação dos oceanos pelo gás carbônico ameaça corais
Além de provocar o aquecimento da Terra, o aumento da concentração de gás carbônico na atmosfera está acidificando os oceanos. Isto ameaça matar os corais de águas frias encontrados nas periferias das plataformas continentais. Outra forma de vida em perigo é o plâncton, aquela fina camada de vida microscópica que vive em suspensão junto à superfície das águas. É uma parte fundamental da cadeia alimentar dos seres aquáticos.
O alerta para o risco que correm os corais partiu de Ulf Riebesell, pesquisador do Instituto de Ciências do Mar da Universidade de Kiel no Mar Báltico: “Os corais de águas frias podem ser as primeiras vítimas da acidificação dos mares”, advertiu esta semana em artigo publicado na revista Frontiers in Ecology and the Environment, publicada pela Sociedade Ecológica da América.
No mesmo estudo, pesquisadores chefiados por John Guinotte Instituto de Preservação da Biologia Marinha de Bellevue, Washington, estimam que 70% dos atuais habitantes dos recifes de coral não suportem as mudanças ambientais que devem ocorrer até o final do século.
“Imagine jogar ácido clorídrico sobre giz”, supõe o professor Andre Freiwald, da Universidade de Erlangem-Nurembergue. “O giz será desintegrado imediatamente. O mesmo pode acontecer com os corais.”
À medida que aumenta a concentricão de gás carbônico na atmosfera por causa de queima de combustíveis fósseis como carvão, gás e petróleo, cerca de um terço deste gás é absorvido pelos oceanos. “Se as emissões de gás carbônico continuarem neste ritmo, teremos os oceanos mais ácidos dos últimos 300 milhões de anos. Já há uma mudança sensível no pH (índice de acidez) e a expectativa é que a situação se deteriore ainda mais até 2100”.
Além de provocar o aquecimento da Terra, o aumento da concentração de gás carbônico na atmosfera está acidificando os oceanos. Isto ameaça matar os corais de águas frias encontrados nas periferias das plataformas continentais. Outra forma de vida em perigo é o plâncton, aquela fina camada de vida microscópica que vive em suspensão junto à superfície das águas. É uma parte fundamental da cadeia alimentar dos seres aquáticos.
O alerta para o risco que correm os corais partiu de Ulf Riebesell, pesquisador do Instituto de Ciências do Mar da Universidade de Kiel no Mar Báltico: “Os corais de águas frias podem ser as primeiras vítimas da acidificação dos mares”, advertiu esta semana em artigo publicado na revista Frontiers in Ecology and the Environment, publicada pela Sociedade Ecológica da América.
No mesmo estudo, pesquisadores chefiados por John Guinotte Instituto de Preservação da Biologia Marinha de Bellevue, Washington, estimam que 70% dos atuais habitantes dos recifes de coral não suportem as mudanças ambientais que devem ocorrer até o final do século.
“Imagine jogar ácido clorídrico sobre giz”, supõe o professor Andre Freiwald, da Universidade de Erlangem-Nurembergue. “O giz será desintegrado imediatamente. O mesmo pode acontecer com os corais.”
À medida que aumenta a concentricão de gás carbônico na atmosfera por causa de queima de combustíveis fósseis como carvão, gás e petróleo, cerca de um terço deste gás é absorvido pelos oceanos. “Se as emissões de gás carbônico continuarem neste ritmo, teremos os oceanos mais ácidos dos últimos 300 milhões de anos. Já há uma mudança sensível no pH (índice de acidez) e a expectativa é que a situação se deteriore ainda mais até 2100”.
EUA e UE suspendem ajuda a palestinos
Aumenta o cerco sobre o governo palestino do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas). Depois de Israel parar de transferir impostos arrecadados nos territórios semi-autônomos palestinos, cerca de US$ 50 milhões mensais, agora os Estados Unidos e a União Européia decidiram cortar a ajuda econômica à Autoridade Nacional Palestina. Estas potências exigem que o Hamas abandone a luta armada e reconheça o direito de existência de Israel.
De agora em diante, os palestinos só receberão das potências ocidentais ajuda humanitária através de organizações como as Nações Unidas.
A UE dá anualmente 500 milhões de euros (US$ 610 milhões) em ajuda aos palestinos; 80% serão cortados. Na segunda-feira a UE faz um convênio de US$ 78 milhões com a ONU para oferecer ajuda de emergência.
Os EUA estão suspendendo projetos no valor de US$ 240 milhões mas prometeram aumentar sua ajuda humanitária em 57% para US$ 287 milhões nos próximos dois anos. Este dinheiro deve ser entregue diretamente à população mais carente, não passando pelo governo palestino.
Nesta semana, o primeiro-ministro Ismail Haniya reconheceu as dificuldades financeiras, inclusive para pagar os 140 mil funcionários do governo semi-autônomo palestino. Um alto dirigente do Hamas disse que o movimento fundamentalista está pronto a aceitar a criação de dois países, Israel e a Palestina, dividindo o território histórico da Palestina, entregue ao Império Britânico por mandato da Liga das Nações, precursora da ONU, depois da Primeira Guerra Mundial.
Isto significaria reconhecer Israel. Mas Haniya declarou que não haverá mudança da plataforma política do Hamas. Por enquanto.
De agora em diante, os palestinos só receberão das potências ocidentais ajuda humanitária através de organizações como as Nações Unidas.
A UE dá anualmente 500 milhões de euros (US$ 610 milhões) em ajuda aos palestinos; 80% serão cortados. Na segunda-feira a UE faz um convênio de US$ 78 milhões com a ONU para oferecer ajuda de emergência.
Os EUA estão suspendendo projetos no valor de US$ 240 milhões mas prometeram aumentar sua ajuda humanitária em 57% para US$ 287 milhões nos próximos dois anos. Este dinheiro deve ser entregue diretamente à população mais carente, não passando pelo governo palestino.
Nesta semana, o primeiro-ministro Ismail Haniya reconheceu as dificuldades financeiras, inclusive para pagar os 140 mil funcionários do governo semi-autônomo palestino. Um alto dirigente do Hamas disse que o movimento fundamentalista está pronto a aceitar a criação de dois países, Israel e a Palestina, dividindo o território histórico da Palestina, entregue ao Império Britânico por mandato da Liga das Nações, precursora da ONU, depois da Primeira Guerra Mundial.
Isto significaria reconhecer Israel. Mas Haniya declarou que não haverá mudança da plataforma política do Hamas. Por enquanto.
sexta-feira, 7 de abril de 2006
López Obrador não será chavista
Se o ex-prefeito esquerdista da Cidade do México Andrés Manuel López Obrador for eleito presidente em 6 de julho, não adotará políticas radicais na linha do presidente da Venezuela, Hugo Chávez. A previsão foi feita pela embaixadora mexicana no Brasil, Cecilia Soto González, em palestra proferida ontem no Centro Brasileiro de Relações Internacionais, no Rio de Janeiro.
Com um partido fraco e sem maioria no Congresso e amarrado por compromissos internacionais como o Tratado de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, da sigla em inglês), ele não terá margem de manobra para ousar muito.
López Obrador lidera as pesquisas há dois anos mas sua vitória não está garantida. Uma pesquisa recente deu a vitória ao jovem candidato Felipe Calderón, do Partido de Ação Nacional (PAN), do presidente Vicente Fox.
Numa boa notícia para a democracia, o Partido Revolucionário Institucional (PRI), que dominou totalmente a política mexicana durante 71 anos (1929-2000), controlando os três poderes, as empresas estatais e os sindicatos, deve ficar em terceiro lugar. É o fim de um monopólio de poder que tornou o México numa ditadura civil durante a maior parte do século 20, criando, nas palavras da embaixadora, “uma confusão entre partido e Estado”. E uma prova da maturidade da democracia mexicana
O PRI chegou a inspirar a ditadura militar brasileira, que sonhava com a mexicanização da política brasileira, transformando seu partido, a Aliança Renovadora Nacional (Arena), num PRI.
Com um candidato como Roberto Madrazzo, “visto como representante do velho PRI autoritário” que atropelou a ala jovem e reformista do partido, “é provável que o PRI fique em último lugar entre os grandes partidos, completando a transição democrática”.
Numa pesquisa realizada no início do mês passado, López Obrador tinha 37,5% das preferências contra 30,6% de Calderón e 28,8% de Madrazo. Outra pesquisa, realizada entre 18 e 21 de março, deu 36% para Calderón, um empate técnico com López Obrador (34%), com Madrazo ficando com 28% das intenções de voto.
Como a eleição presidencial mexicana é realizada num turno único, ganha o mais votado.
CONFUSÃO PARTIDO-ESTADO
No antigo sistema político mexicano, com o monopólio do PRI, havia uma confusão entre partido e Estado, o controle total do Congresso e da maioria dos governos estaduais pelo partido oficial, e uma economia fechada que reforçada o autoritatismo. Como o governo tinha o monopólio da importação de papel para a imprensa, controlava os jornais e revistas.
A cada eleição presidencial havia uma crise gerada pelo manipulação da economia para favorecer o candidato do PRI. O presidente assumia declarando: “A revolução continua, a partir do palácio presidencial”, como se isto não fosse uma contradição total.
O candidato favorito, López Obrador,é do Partido da Revolução Democrática (PRD), formado por uma aliança entre dissidentes da ala esquerdista do PRI, liderados por Cuautémoc Cárdenas, filho do presidente Lázaro Cárdenas, fundador do PRI em 1929, e do antigo partido comunista.
López Obrador formou a Coalizão para o Bem de Todos com o Partido do Trabalho e a Convergência Democrática. Ele se beneficiou com a desilusão com as eleições de 2000 e o governo Fox. Sua campanha "baseia-se na frustração com a mudança, prometendo mais crescimento, emprego e segurança", comentou e embaixadora.
Numa manobra inteligente, quando era prefeito da capital, dava entrevistas coletivas todos os dias às 6h, ditando a agenda política do país.
Mas sua candidatura decolou porque "o governo tentou barrá-la seguindo a lei ao pé da letra, cassando seus direitos políticos", comentou Cecilia Soto. "Mas o povo mexicano sempre fica do lado das vítimas".
Sem maioria no Congresso, Fox não conseguiu aplicar seu programa. A contrapartida positiva é que pela primeira vez na História do México, o parlamento se afirmou como um poder independente. Mas a maioria do PRI não permitiu uma reforma profunda.
O governo Fox ainda foi prejudicado pela recessão nos EUA depois do estouro da bolha especulativa das ações de empresas de Internet, em maio de 2000. Com o Nafta, o comércio exterior mexicano cresceu muito, chegando a US$ 400 bilhões, mas 85% dos negócios são com os EUA. Esta dependência implica que crises americanas sempre atinjam o México.
“Parecia que o PRI voltaria ao poder”, comentou a embaixadora. “Nas eleições intermediárias, manteve a maioria no Congresso e elegeu 17 governadores” nos 31 estados mexicanos. Surgiu uma nova geração priísta. Mas sua derrota para Madrazo na escolha do candidato presidencial é um retrocesso para a modernização do partido. O candidato faz uma campanha para mudar sua imagem mas tem o mais alto índice de rejeição, 45%. "Madrazo é um desastre para o PRI", afirma Cecilia Soto.
Dentro do PAN, Fox apoiava outro candidato. Teve de engolir Calderón. Mas apesar da desiluão com seu governo, o presidente é muito popular. Tem hoje 63% de aprovação. "Ele perdeu os formadores de opinião mas é muito popular por causa de sua fala simples e de sua proximidade com o povo", nota Cecilia Soto. "Neste ano, estão amadurecendo programas econômicos. Serão construídas 800 mil casas populares. Os programas de saúde estão começando a apresentar resultados e o Quadro Negro Eletrônico, de informatização das escolas, é um sucesso".
O presidente beneficiou-se ainda das acusações do presidente de Cuba, Fidel Castro, e mais recentemente do venezuelano Hugo Chávez, que o acusou na conferência de Cúpula das Américas em Mar del Plata, na Argentina, no final do ano passado, de fazer o jogo dos EUA. López Obrador pegou carona na crítica de Chávez e perdeu pontos. Tinha 40% das preferências.
O ex-prefeito da Cidade do México também negou-se a participar de dois debates e perdeu prestígio com isso. Nega-se a ir a foros empresariais, alegando não querer chegar ao poder comprometido com empresários.
Tudo isto favorece o candidato do PAN.
Como ninguém acreditava na máquina do Estado, totalmente submetida ao PRI no século passado, para democratizar o México foi criado um Instituto Eleitoral independente. A tinta que marca os dedos para evitar que os eleitores votem duas vezes foi patenteada pela NASA (Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço dos EUA).
O financiamento das campanhas é feito com dinheiro público. Só 10% vêem de empresas privadas. Nesta eleição, os partidos terão US$ 1,2 bilhão de fundos públicos. A embaixadora admite que houve uso de recursos de caixa dois (dinheiro sonegado do imposto de renda) em 2000 mas garante que a corrupção eleitoral está diminuindo.
Derrotar o PRI em 2000 não foi fácil para Fox. Em janeiro daquele ano, ele estava 20 pontos percentuais atrás do candidato oficial. Em maio, perdia por 12 pontos. A poucas semanas da votação, 19 pesquisas davam a vitória ao PRI e apenas cinco ao PAN.
Do ponto de vista econômico, López Obrador aposta num neokeynesianismo, ou seja, no uso do Estado e do investimento público como motor pelo menos auxiliar do desenvolvimento. Quer uma política fiscal que garanta a estabilidade macroeconômica sem frear o crescimento. Não pretende fazer novas reformas liberalizantes e muito menos mexer no regime da empresa estatal Petroleos de México (Pemex), responsável por um terço da arrecadação do governo.
López Obrador lidera as pesquisas há dois anos mas sua vitória não está garantida. Uma pesquisa recente deu a vitória ao jovem candidato Felipe Calderón, do Partido de Ação Nacional (PAN), do presidente Vicente Fox.
Numa boa notícia para a democracia, o Partido Revolucionário Institucional (PRI), que dominou totalmente a política mexicana durante 71 anos (1929-2000), controlando os três poderes, as empresas estatais e os sindicatos, deve ficar em terceiro lugar. É o fim de um monopólio de poder que tornou o México numa ditadura civil durante a maior parte do século 20, criando, nas palavras da embaixadora, “uma confusão entre partido e Estado”. E uma prova da maturidade da democracia mexicana
O PRI chegou a inspirar a ditadura militar brasileira, que sonhava com a mexicanização da política brasileira, transformando seu partido, a Aliança Renovadora Nacional (Arena), num PRI.
Com um candidato como Roberto Madrazzo, “visto como representante do velho PRI autoritário” que atropelou a ala jovem e reformista do partido, “é provável que o PRI fique em último lugar entre os grandes partidos, completando a transição democrática”.
Numa pesquisa realizada no início do mês passado, López Obrador tinha 37,5% das preferências contra 30,6% de Calderón e 28,8% de Madrazo. Outra pesquisa, realizada entre 18 e 21 de março, deu 36% para Calderón, um empate técnico com López Obrador (34%), com Madrazo ficando com 28% das intenções de voto.
Como a eleição presidencial mexicana é realizada num turno único, ganha o mais votado.
CONFUSÃO PARTIDO-ESTADO
No antigo sistema político mexicano, com o monopólio do PRI, havia uma confusão entre partido e Estado, o controle total do Congresso e da maioria dos governos estaduais pelo partido oficial, e uma economia fechada que reforçada o autoritatismo. Como o governo tinha o monopólio da importação de papel para a imprensa, controlava os jornais e revistas.
A cada eleição presidencial havia uma crise gerada pelo manipulação da economia para favorecer o candidato do PRI. O presidente assumia declarando: “A revolução continua, a partir do palácio presidencial”, como se isto não fosse uma contradição total.
O candidato favorito, López Obrador,é do Partido da Revolução Democrática (PRD), formado por uma aliança entre dissidentes da ala esquerdista do PRI, liderados por Cuautémoc Cárdenas, filho do presidente Lázaro Cárdenas, fundador do PRI em 1929, e do antigo partido comunista.
López Obrador formou a Coalizão para o Bem de Todos com o Partido do Trabalho e a Convergência Democrática. Ele se beneficiou com a desilusão com as eleições de 2000 e o governo Fox. Sua campanha "baseia-se na frustração com a mudança, prometendo mais crescimento, emprego e segurança", comentou e embaixadora.
Numa manobra inteligente, quando era prefeito da capital, dava entrevistas coletivas todos os dias às 6h, ditando a agenda política do país.
Mas sua candidatura decolou porque "o governo tentou barrá-la seguindo a lei ao pé da letra, cassando seus direitos políticos", comentou Cecilia Soto. "Mas o povo mexicano sempre fica do lado das vítimas".
Sem maioria no Congresso, Fox não conseguiu aplicar seu programa. A contrapartida positiva é que pela primeira vez na História do México, o parlamento se afirmou como um poder independente. Mas a maioria do PRI não permitiu uma reforma profunda.
O governo Fox ainda foi prejudicado pela recessão nos EUA depois do estouro da bolha especulativa das ações de empresas de Internet, em maio de 2000. Com o Nafta, o comércio exterior mexicano cresceu muito, chegando a US$ 400 bilhões, mas 85% dos negócios são com os EUA. Esta dependência implica que crises americanas sempre atinjam o México.
“Parecia que o PRI voltaria ao poder”, comentou a embaixadora. “Nas eleições intermediárias, manteve a maioria no Congresso e elegeu 17 governadores” nos 31 estados mexicanos. Surgiu uma nova geração priísta. Mas sua derrota para Madrazo na escolha do candidato presidencial é um retrocesso para a modernização do partido. O candidato faz uma campanha para mudar sua imagem mas tem o mais alto índice de rejeição, 45%. "Madrazo é um desastre para o PRI", afirma Cecilia Soto.
Dentro do PAN, Fox apoiava outro candidato. Teve de engolir Calderón. Mas apesar da desiluão com seu governo, o presidente é muito popular. Tem hoje 63% de aprovação. "Ele perdeu os formadores de opinião mas é muito popular por causa de sua fala simples e de sua proximidade com o povo", nota Cecilia Soto. "Neste ano, estão amadurecendo programas econômicos. Serão construídas 800 mil casas populares. Os programas de saúde estão começando a apresentar resultados e o Quadro Negro Eletrônico, de informatização das escolas, é um sucesso".
O presidente beneficiou-se ainda das acusações do presidente de Cuba, Fidel Castro, e mais recentemente do venezuelano Hugo Chávez, que o acusou na conferência de Cúpula das Américas em Mar del Plata, na Argentina, no final do ano passado, de fazer o jogo dos EUA. López Obrador pegou carona na crítica de Chávez e perdeu pontos. Tinha 40% das preferências.
O ex-prefeito da Cidade do México também negou-se a participar de dois debates e perdeu prestígio com isso. Nega-se a ir a foros empresariais, alegando não querer chegar ao poder comprometido com empresários.
Tudo isto favorece o candidato do PAN.
Como ninguém acreditava na máquina do Estado, totalmente submetida ao PRI no século passado, para democratizar o México foi criado um Instituto Eleitoral independente. A tinta que marca os dedos para evitar que os eleitores votem duas vezes foi patenteada pela NASA (Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço dos EUA).
O financiamento das campanhas é feito com dinheiro público. Só 10% vêem de empresas privadas. Nesta eleição, os partidos terão US$ 1,2 bilhão de fundos públicos. A embaixadora admite que houve uso de recursos de caixa dois (dinheiro sonegado do imposto de renda) em 2000 mas garante que a corrupção eleitoral está diminuindo.
Derrotar o PRI em 2000 não foi fácil para Fox. Em janeiro daquele ano, ele estava 20 pontos percentuais atrás do candidato oficial. Em maio, perdia por 12 pontos. A poucas semanas da votação, 19 pesquisas davam a vitória ao PRI e apenas cinco ao PAN.
Do ponto de vista econômico, López Obrador aposta num neokeynesianismo, ou seja, no uso do Estado e do investimento público como motor pelo menos auxiliar do desenvolvimento. Quer uma política fiscal que garanta a estabilidade macroeconômica sem frear o crescimento. Não pretende fazer novas reformas liberalizantes e muito menos mexer no regime da empresa estatal Petroleos de México (Pemex), responsável por um terço da arrecadação do governo.
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Justiça britânica conclui que O Código da Vinci não é plágio
Um tribunal da Grã-Bretanha rejeitou a acusação de que o escritor Dan Brown plagiou dois historiadores americanos para escrever o best-seller O Código da Vinci, que vendeu 40 milhões de cópias desde seu lançamento, em 2003, ganhando o equivalente a US$ 90 milhões. Michael Baigent e Richard Leigh alegavam que Brown plagiou a idéia central de seu livro O Santo Graal e a Linhagem Sagrada, de 1982, de que Jesus Cristo sobreviveu à crucificação, casou-se com Maria Madalena, teve filhos e descendentes.
Brown admitiu ter lido o livro dos historiadores e outros 38 em suas pesquisas para escrever O Código da Vinci. O juiz superior Peter Smith aceitou o argumento de que a obra de Brown é um livro de ficção. Baigent e Leigh terão de pagar um milhão de libras, cerca de US$ 1,75 milhão, em custas judiciais mas tiraram seu livro da obscuridade.
Brown admitiu ter lido o livro dos historiadores e outros 38 em suas pesquisas para escrever O Código da Vinci. O juiz superior Peter Smith aceitou o argumento de que a obra de Brown é um livro de ficção. Baigent e Leigh terão de pagar um milhão de libras, cerca de US$ 1,75 milhão, em custas judiciais mas tiraram seu livro da obscuridade.
EUA criaram 211 mil novos empregos em março
A maior economia do mundo voltou a dar sinais de vitalidade em março, gerando 211 mil novos empregos, em comparação com 225 mil em fevereiro e 154 mil em janeiro. O índice de desemprego nos Estados Unidos caiu para 4,7%, o nível mais baixo desde julho de 2001. Mas o salário real cresceu apenas 0,2% em relação ao mês anterior e 3,4% em bases anuais.
Os economistas americanos costumavam considerar 5% a taxa de desemprego abaixo da qual provocaria uma forte pressão inflacionária. Na opinião de alguns analistas, a concorrência gerada pela nova economia baseada na revolução da informação teria neutralizado este impacto. De novembro de 1996 a setembro de 2001, o crescimento real dos salários em bases anuais oscilou entre 3,5% e 4,4% sem gerar inflação.
Então o mercado de trabalho está aquecido. Isto pode levar a novos aumentos na taxa básica de juros dos EUA. Mas os salários estão sob controle, reduzindo a pressão pela alta dos preços. A Bolsa de Valores de Nova Iorque caiu com a divulgação da queda no desemprego porque significa que os juros tendem a continuar subindo.
O Comitê do Mercado Aberto do Federal Reserve Board (Fed), o banco central americano, volta a se reunir em 10 de maio. A expectativa do mercado é que aumente os juros de 4,75% para 5% ao ano. Para os analistas, a dúvida é onde estas altas vão parar. A maioria das previsões hoje está em 5,5%.
Os economistas americanos costumavam considerar 5% a taxa de desemprego abaixo da qual provocaria uma forte pressão inflacionária. Na opinião de alguns analistas, a concorrência gerada pela nova economia baseada na revolução da informação teria neutralizado este impacto. De novembro de 1996 a setembro de 2001, o crescimento real dos salários em bases anuais oscilou entre 3,5% e 4,4% sem gerar inflação.
Então o mercado de trabalho está aquecido. Isto pode levar a novos aumentos na taxa básica de juros dos EUA. Mas os salários estão sob controle, reduzindo a pressão pela alta dos preços. A Bolsa de Valores de Nova Iorque caiu com a divulgação da queda no desemprego porque significa que os juros tendem a continuar subindo.
O Comitê do Mercado Aberto do Federal Reserve Board (Fed), o banco central americano, volta a se reunir em 10 de maio. A expectativa do mercado é que aumente os juros de 4,75% para 5% ao ano. Para os analistas, a dúvida é onde estas altas vão parar. A maioria das previsões hoje está em 5,5%.
Nova carnificina mata pelo menos 70 no Iraque
Três terroristas suicidas, dois deles disfarçados como mulheres para não serem revistados, atacaram nesta sexta-feira, 7 de abril, uma mesquita xiita no Norte de Bagdá, matando pelo menos 70 pessoas e deixando outras 140 feridas. A mesquita de Buratha é ligada ao Conselho Supremo pela Revolução Islâmica do Iraque, principal grupo da Aliança Iraque Unido, vencedora das eleições parlamentares de 15 de dezembro de 2005.
O pregador da mesquita, um importante líder político, acusou líderes políticos e religiosos de fomentar “uma guerra suja e sectária”.
O pregador da mesquita, um importante líder político, acusou líderes políticos e religiosos de fomentar “uma guerra suja e sectária”.
Apple Mac vai rodar Windows XP
A incompatibilidade de sistemas de computadores pessoais está chegando ao fim. Pelo menos esta é a promessa da Apple. Depois de lançar uma nova linha de computadores com chips de Intel, o mesmo usado nas máquinas que usam o sistema operacional Windows, da Microsoft, Apple lança agora um software, o Boot Camp, para que os Macs possam operar tanto com o sistema Mac OSX quanto com Windows XP.
Com o fim do conflito de sistemas, a Apple pretende aumentar sua participação no mercado para 15%. Suas ações subiram 7%.
A empresa, conhecida por suas inovações revolucionárias, lançou em 1984, durante a Olimpíada de Los Angeles, o primeiro computador pessoal amigo do usuário, o Macintosh. Só depois a Microsoft desenvolveu o sistema Windows para que os PCs pudessem operar com um sistema de janelas que se abrem na tela, como os Macs.
Foi uma revolução no uso de computadores. Permitiu que leigos sem treinamento em informática pudessem participar da revolução tecnológica em marcha.
Diante da concorrência do Windows, com a Microsoft dominando o mercado de programas (software), a Apple perdeu sua participação no mercado. Parecia condenada quando reagiu lançando primeiro o iMac, o computador com CPU e monitor integrados, depois o iBook e, seu grande sucesso, símbolo da inventividade da empresa, o iPod, a sensação do momento entre jovens do mundo inteiro.
Com o fim do conflito de sistemas, a Apple pretende aumentar sua participação no mercado para 15%. Suas ações subiram 7%.
A empresa, conhecida por suas inovações revolucionárias, lançou em 1984, durante a Olimpíada de Los Angeles, o primeiro computador pessoal amigo do usuário, o Macintosh. Só depois a Microsoft desenvolveu o sistema Windows para que os PCs pudessem operar com um sistema de janelas que se abrem na tela, como os Macs.
Foi uma revolução no uso de computadores. Permitiu que leigos sem treinamento em informática pudessem participar da revolução tecnológica em marcha.
Diante da concorrência do Windows, com a Microsoft dominando o mercado de programas (software), a Apple perdeu sua participação no mercado. Parecia condenada quando reagiu lançando primeiro o iMac, o computador com CPU e monitor integrados, depois o iBook e, seu grande sucesso, símbolo da inventividade da empresa, o iPod, a sensação do momento entre jovens do mundo inteiro.
Pesquisas dão resultados diferentes no Peru
A eleição presidencial do próximo domingo, 9 de abril, no Peru entra na reta final totalmente indefinida. Uma pesquisa dá a vitória ao candidato nacionalista Ollanta Humala, um ex-oficial golpista apoiado pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez. Outra, à direitista Lourdes Flores, do Partido Social-Cristão.
Deve haver segundo turno e há um complicador a mais. O ex-presidente Alan García, da Aliança Popular Revolucionária Americana (APRA) cresceu nos últimos dias e pode conquistar uma das vagas para o segundo turno, em maio. Pelas pesquisas, tanto Flores quanto García bateriam Humala na segunda votação.
Na sondagem da Companhia Peruana de Pesquisas de Mercado, Lourdes Flores aparece em primeiro com 27,6% das preferências contra 25,9% de Humala e 24,9% para García, o que deixa os três praticamente empatados.
Para explicar a queda do candidato nacionalista em quase seis pontos em relação à pesquisas anterior, Manual Saavedra, presidente da empresas que fez a pesquisa, mencionou os ataques ligando Humala a Vlademiro Montesinos, chefe dos serviços de segurança dos governos Alberto Fujimori, denunciado por dezenas de mortes.
Humala teria participado das “rondas” dos esquadrões de assalto de Fujimori e Montesinos durante a campanha para acabar com o grupo maoísta e polpotiano Sendero Luminoso, em que morreram quase 70 mil pessoas.
Outra pesquisa, do instituto Apoyo, o mais prestigiado do Peru, foi publicada no jornal El Universal, do México. Não deveria ter sido publicada no Peru porque foi encomendada por uma empresa privada interessada apenas em avaliar a situação política interna e não em revelá-la ao público.
Nesta pesquisa, Humala folga na liderança, com 33%, seguido de Alan García com 23% e Lourdes Flores com 22,8%, em empate estatístico.
O presidente Alejandro Toledo advertiu que se alguém quiser fechar o Congresso ou dissolver o Poder Judiciário o povo peruano sairá às ruas para defender a democracia. A declaração foi considerada uma agulhada em Humala, que prega uma reforma do Estado com convocação de uma Assembléia Constituinte que atuaria paralelamente ao atual Congresso.
Deve haver segundo turno e há um complicador a mais. O ex-presidente Alan García, da Aliança Popular Revolucionária Americana (APRA) cresceu nos últimos dias e pode conquistar uma das vagas para o segundo turno, em maio. Pelas pesquisas, tanto Flores quanto García bateriam Humala na segunda votação.
Na sondagem da Companhia Peruana de Pesquisas de Mercado, Lourdes Flores aparece em primeiro com 27,6% das preferências contra 25,9% de Humala e 24,9% para García, o que deixa os três praticamente empatados.
Para explicar a queda do candidato nacionalista em quase seis pontos em relação à pesquisas anterior, Manual Saavedra, presidente da empresas que fez a pesquisa, mencionou os ataques ligando Humala a Vlademiro Montesinos, chefe dos serviços de segurança dos governos Alberto Fujimori, denunciado por dezenas de mortes.
Humala teria participado das “rondas” dos esquadrões de assalto de Fujimori e Montesinos durante a campanha para acabar com o grupo maoísta e polpotiano Sendero Luminoso, em que morreram quase 70 mil pessoas.
Outra pesquisa, do instituto Apoyo, o mais prestigiado do Peru, foi publicada no jornal El Universal, do México. Não deveria ter sido publicada no Peru porque foi encomendada por uma empresa privada interessada apenas em avaliar a situação política interna e não em revelá-la ao público.
Nesta pesquisa, Humala folga na liderança, com 33%, seguido de Alan García com 23% e Lourdes Flores com 22,8%, em empate estatístico.
O presidente Alejandro Toledo advertiu que se alguém quiser fechar o Congresso ou dissolver o Poder Judiciário o povo peruano sairá às ruas para defender a democracia. A declaração foi considerada uma agulhada em Humala, que prega uma reforma do Estado com convocação de uma Assembléia Constituinte que atuaria paralelamente ao atual Congresso.
quinta-feira, 6 de abril de 2006
Ex-assessor acusa Bush e Cheney de autorizar vazamento de informações confidenciais
O ex-chefe de gabinete do vice-presidente dos Estados Unidos Lewis Libby declarou que tanto o presidente George Walker Bush quanto seu vice, Dick Cheney, autorizaram o vazamento de informações confidenciais para defender a decisão de invadir o Iraque. Mas não disse, em depoimento aos procuradores que investigam a revelação do nome da agente secreta Valerie Plame, se foram responsáveis por este crime. Em 10 de junho de 2004, Bush prometeu punir qualquer funcionário de seu governo responsável pela divulgação de informações sigilosas.
Valerie Plame é mulher do embaixador Joseph Wilson, enviado ao Níger, na África, no início de 2002 para investigar uma alegação do serviço secreto italiano de que o então ditador do Iraque, Saddam Hussein, teria tentado comprar combustível nuclear naquele país africano. Seu relatório, encaminhado à Casa Branca em 9 de março de 2002, concluiu que a alegação era falsa.
Mesmo assim, no discurso sobre o Estado da União de 28 de janeiro de 2003, preparando os EUA para a guerra, Bush afirmou que Saddam teria tentado comprar urânio no Níger, atribuindo a informação ao serviço secreto britânico.
Em 7 de março de 2003, duas semanas antes da invasão, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, Mohamed elBaradei, descreveu um documento sobre a suposta tentativa de compra de urânio pelo Iraque como "uma falsificação grosseira".
O Iraque foi duramente bombardeado a partir de 20 de março de 2003 e invadido logo em seguida. Saddam Hussein caiu em 9 de abril. Quando ficou evidente que o Iraque não tinha as armas de destruição em massa citadas para justificar a invasão, Wilson publicou artigo no jornal The New York Times argumentando que suas informações tinham sido "distorcidas" para exagerar a "ameaça" iraquiana.
Dias depois, o marqueteiro de Bush, Karl Rove, e Libby, discutindo a questão com repórteres, comentaram que Plame poderia ter influenciado a indicação do marido para a missão já que era “uma agente secreta que operava na área de armas de destruição em massa”. A notícia foi publicada pelo colunista conservador Robert Novak em 14 de julho, deflagrando o Plamegate. A identidade de um espião é um segredo de Estado garantido em nome da
segurança nacional dos EUA.
Irritado, George Tenet, diretor da CIA (Agência Central de Inteligência), que revelara a identidade de Plame a Cheney, ordenou a abertura de inquérito. Em 27 de outubro do ano passado, o procurador Patrick Fitzgerald denunciou Lewis Libby Jr. com uma acusação de obstrução de justiça, duas de perjúrio (mentir sob juramento) e duas de falso testemunho. Ele pode pegar até 30 anos de prisão e multa de US$ 1,5 milhão.
Nada aconteceu com Novak mas Matthew Cooper, da revista Time, foi obrigado a revelar sua fonte e Judith Miller, do New York Times, ficou presa durante 80 por se negar a depor como testemunha. Sob juramento, seria obrigada a revelar a fonte.
As fontes eram Rove e Libby.
O governo Bush reagiu duramente contra os vazamentos na Casa Branca quando The New York Times revelou o esquema de escuta telefônica ilegal ordenado por Bush em nome da segurança nacional. Agora terá de explicar melhor o vazamento de sua própria autoria.
Valerie Plame é mulher do embaixador Joseph Wilson, enviado ao Níger, na África, no início de 2002 para investigar uma alegação do serviço secreto italiano de que o então ditador do Iraque, Saddam Hussein, teria tentado comprar combustível nuclear naquele país africano. Seu relatório, encaminhado à Casa Branca em 9 de março de 2002, concluiu que a alegação era falsa.
Mesmo assim, no discurso sobre o Estado da União de 28 de janeiro de 2003, preparando os EUA para a guerra, Bush afirmou que Saddam teria tentado comprar urânio no Níger, atribuindo a informação ao serviço secreto britânico.
Em 7 de março de 2003, duas semanas antes da invasão, o diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, Mohamed elBaradei, descreveu um documento sobre a suposta tentativa de compra de urânio pelo Iraque como "uma falsificação grosseira".
O Iraque foi duramente bombardeado a partir de 20 de março de 2003 e invadido logo em seguida. Saddam Hussein caiu em 9 de abril. Quando ficou evidente que o Iraque não tinha as armas de destruição em massa citadas para justificar a invasão, Wilson publicou artigo no jornal The New York Times argumentando que suas informações tinham sido "distorcidas" para exagerar a "ameaça" iraquiana.
Dias depois, o marqueteiro de Bush, Karl Rove, e Libby, discutindo a questão com repórteres, comentaram que Plame poderia ter influenciado a indicação do marido para a missão já que era “uma agente secreta que operava na área de armas de destruição em massa”. A notícia foi publicada pelo colunista conservador Robert Novak em 14 de julho, deflagrando o Plamegate. A identidade de um espião é um segredo de Estado garantido em nome da
segurança nacional dos EUA.
Irritado, George Tenet, diretor da CIA (Agência Central de Inteligência), que revelara a identidade de Plame a Cheney, ordenou a abertura de inquérito. Em 27 de outubro do ano passado, o procurador Patrick Fitzgerald denunciou Lewis Libby Jr. com uma acusação de obstrução de justiça, duas de perjúrio (mentir sob juramento) e duas de falso testemunho. Ele pode pegar até 30 anos de prisão e multa de US$ 1,5 milhão.
Nada aconteceu com Novak mas Matthew Cooper, da revista Time, foi obrigado a revelar sua fonte e Judith Miller, do New York Times, ficou presa durante 80 por se negar a depor como testemunha. Sob juramento, seria obrigada a revelar a fonte.
As fontes eram Rove e Libby.
O governo Bush reagiu duramente contra os vazamentos na Casa Branca quando The New York Times revelou o esquema de escuta telefônica ilegal ordenado por Bush em nome da segurança nacional. Agora terá de explicar melhor o vazamento de sua própria autoria.
Bilhões da Fronteira Tríplice financiam terrorismo
A procuradoria do distrito de Manhattan fechou nesta semana uma conta bancária em Nova Iorque que seria usada para lavar dinheiro sujo procedente do Uruguai e distribuí-lo entre grupos terroristas como Al Caeda, o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) palestino e o Hesbolá, o Partido de Deus xiita do Líbano. Somente nos últimos dois anos, cerca de US$ 3 bilhões de negócios ilícitos realizados na fronteira triplice entre Brasil, Argentina e Paraguai junto à Foz do Iguaçu foram enviados a uma conta no Bank of America através da Cambio Gales/Lespan, com sede em Montevidéu.
Da conta nos Estados Unidos, o dinheiro teria ido para Riad, capital da Arábia Saudita; Beirute, no Líbano; e Ramala, na Cisjordânia.
“Não posso prender Ossama ben Laden mas posso tentar cortar-lhe os fundos”, declarou o procurador de Manhattan, Robert Morgenthau, ao jornal sensacionalista The New York Post, que revelou o fechamento da conta. Ele não identificou as empresas envolvidas mas estaria conversando com o Bank of America, o segundo maior dos EUA, para que colabore com a investigação, que já dura três anos. Não está sendo acusado de cumplicidade mas está sujeito a multas pesadas por falhas administrativas.
Até o momento não foi apresentada denúncia alguma. O caso está sob investigação desde 1984, quando Morghentau descobriu que uma empresa financeira nova-iorquina, Beacon Hill Services, trasferira fundos suspeitos provenientes do Cone Sul da América do Sul a contas no Chase Manhattan e outras instituições.
Há muito tempo os EUA consideram a Tríplice Fronteira um foco de atividades ilícitas – prostituição, tráfico de drogas, contrabando, extorsão mediante seqüestro. Embora não haja provas concretas de que grupos terroristas atuam na região para arrecadar dinheiro, suspeita-se que sirva de centro de financiamento e recrutamento tanto para grupos latino-americanos, como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), quanto para a rede Al Caeda, liderada por Ben Laden.
Desde os atentados de 11 de setembro de 2001, a preocupação americana aumentou. Em julho de 2004, o Departamento do Tesouro dos EUA identificou Assad Ahmad Barakat, do Hesbolá, como um dos “financiadores-chaves do terrorismo na América do Sul. Numa operação conjunta, o FBI, a polícia federal americana, e o governo paraguaio prenderam o traficante brasileiro Carlos Ivan Mendes Mesquita, acusado de ser sócio das FARC.
No ano passado, entraram na Argentina via Puerto Iguazú membros do movimento fundamentalista muçulmano Jamaat al-Tabligh, ligado a Al Caeda. Nos anos 90, dois alvos israelenses foram atacados em Buenos Aires. As suspeitas sempre recaíram sobre grupos terroristas do Oriente Médio infiltrados via Tríplice Fronteira.
Da conta nos Estados Unidos, o dinheiro teria ido para Riad, capital da Arábia Saudita; Beirute, no Líbano; e Ramala, na Cisjordânia.
“Não posso prender Ossama ben Laden mas posso tentar cortar-lhe os fundos”, declarou o procurador de Manhattan, Robert Morgenthau, ao jornal sensacionalista The New York Post, que revelou o fechamento da conta. Ele não identificou as empresas envolvidas mas estaria conversando com o Bank of America, o segundo maior dos EUA, para que colabore com a investigação, que já dura três anos. Não está sendo acusado de cumplicidade mas está sujeito a multas pesadas por falhas administrativas.
Até o momento não foi apresentada denúncia alguma. O caso está sob investigação desde 1984, quando Morghentau descobriu que uma empresa financeira nova-iorquina, Beacon Hill Services, trasferira fundos suspeitos provenientes do Cone Sul da América do Sul a contas no Chase Manhattan e outras instituições.
Há muito tempo os EUA consideram a Tríplice Fronteira um foco de atividades ilícitas – prostituição, tráfico de drogas, contrabando, extorsão mediante seqüestro. Embora não haja provas concretas de que grupos terroristas atuam na região para arrecadar dinheiro, suspeita-se que sirva de centro de financiamento e recrutamento tanto para grupos latino-americanos, como as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), quanto para a rede Al Caeda, liderada por Ben Laden.
Desde os atentados de 11 de setembro de 2001, a preocupação americana aumentou. Em julho de 2004, o Departamento do Tesouro dos EUA identificou Assad Ahmad Barakat, do Hesbolá, como um dos “financiadores-chaves do terrorismo na América do Sul. Numa operação conjunta, o FBI, a polícia federal americana, e o governo paraguaio prenderam o traficante brasileiro Carlos Ivan Mendes Mesquita, acusado de ser sócio das FARC.
No ano passado, entraram na Argentina via Puerto Iguazú membros do movimento fundamentalista muçulmano Jamaat al-Tabligh, ligado a Al Caeda. Nos anos 90, dois alvos israelenses foram atacados em Buenos Aires. As suspeitas sempre recaíram sobre grupos terroristas do Oriente Médio infiltrados via Tríplice Fronteira.
quarta-feira, 5 de abril de 2006
Morales enfrenta primeiro protesto na Bolívia
Uma greve de 24 horas convocada pelos poderosos sindicatos de transportadores paralisou parcialmente a Bolívia nesta quarta-feira. Foi o primeiro grande protesto contra o governo do presidente Evo Morales, um líder indígena e sindical que está no poder desde janeiro.
A Confederação dos Sindicatos de Transportadores convocou a greve em protesto contra um decreto que impõe aumentos de impostos às empresas de ônibus a partir de maio. O movimento atingiu La Paz, Cochabamba, Oruro, Potosí, El Alto, Sucre e Tarija, onde os motoristas bloquearam estradas, avenidas e garagens de ônibus.Mas não foi sentido em Santa Cruz de la Sierra.
O presidente da confederação, José Luis Cardoso, advertiu Morales de que foi eleito graças aos movimentos sociais, ameaçando organizar novas jornadas de protesto nos próximos dias. Ele insinuou que o governo quer aumentar sua arrecadação para aplicar o dinheiro na campanha para eleição de uma Assembléia Constituinte, uma das promessas de campanha do novo presidente boliviano.
Dados do Ministério da Fazenda indicam que 177 proprietários têm 248 ônibus cadastrados e pagam o equivalente a US$ 1.843 anualmente. Se as 1.167 frotas que operam no país inteiro foram submetidas ao regime geral de impostos, a arrecadação subiria para o equivalente a US$ 2,3 bilhões por ano.
A Confederação dos Sindicatos de Transportadores convocou a greve em protesto contra um decreto que impõe aumentos de impostos às empresas de ônibus a partir de maio. O movimento atingiu La Paz, Cochabamba, Oruro, Potosí, El Alto, Sucre e Tarija, onde os motoristas bloquearam estradas, avenidas e garagens de ônibus.Mas não foi sentido em Santa Cruz de la Sierra.
O presidente da confederação, José Luis Cardoso, advertiu Morales de que foi eleito graças aos movimentos sociais, ameaçando organizar novas jornadas de protesto nos próximos dias. Ele insinuou que o governo quer aumentar sua arrecadação para aplicar o dinheiro na campanha para eleição de uma Assembléia Constituinte, uma das promessas de campanha do novo presidente boliviano.
Dados do Ministério da Fazenda indicam que 177 proprietários têm 248 ônibus cadastrados e pagam o equivalente a US$ 1.843 anualmente. Se as 1.167 frotas que operam no país inteiro foram submetidas ao regime geral de impostos, a arrecadação subiria para o equivalente a US$ 2,3 bilhões por ano.
Sindicalistas e estudantes dão ultimato ao governo francês
Os dirigentes estudantis e sindicais da França deram prazo até 17 de abril para o governo revogar a lei do primeiro emprego, que permite demitir sem indenização jovens de até 26 anos no primeiro ano de seu primeiro contrato de trabalho. A proposta do primeiro-ministro Dominique de Villepin desencadeou uma onda de greves e manifestações que mobilizaram milhões de franceses, provocando conflitos de rua que lembram a revolução de maio de 1968.
Na tarde de hoje, os líderes dos protestos foram recebidos por representantes da União por um Movimento Popular, partido do presidente Jacques Chirac e de Villepin. Mas não mostraram intenção de ceder. Pelo contrário. Se a lei não for revogada pela Assembléia Nacional até 17 de abril, prometem retomar as greves e marchas de protestos "sem excluir nenhum meio de ação".
Um recuo será fatal para a carreira do primeiro-ministro, que pretende concorrer à Presidência da França em 2007. Seu maior rival no campo conservador, o ministro do Interior e presidente da UMP, Nicolas Sarkozy, passou a ser o encarregado de negociar com os manifestantes.
Na tarde de hoje, os líderes dos protestos foram recebidos por representantes da União por um Movimento Popular, partido do presidente Jacques Chirac e de Villepin. Mas não mostraram intenção de ceder. Pelo contrário. Se a lei não for revogada pela Assembléia Nacional até 17 de abril, prometem retomar as greves e marchas de protestos "sem excluir nenhum meio de ação".
Um recuo será fatal para a carreira do primeiro-ministro, que pretende concorrer à Presidência da França em 2007. Seu maior rival no campo conservador, o ministro do Interior e presidente da UMP, Nicolas Sarkozy, passou a ser o encarregado de negociar com os manifestantes.
terça-feira, 4 de abril de 2006
Bexiga é primeiro órgão feito pelo homem com tecido do paciente
Numa revolução na medicina, cirurgiões americanos anunciaram a criação de uma bexiga a partir de tecidos dos próprios pacientes. Há seis anos, a família de uma jovem com o problema congênito conhecido como spida bifina aceitou participar da experiência. O procedimento foi relatado agora à revista médica The Lancet pela equipe do Dr. Anthony Atalla, do Hospital da Criança de Boston, nos Estados Unidos.
Os doutores fizeram biópsias dos pacientes para identificar os tipos de células tanto da mucosa interna de suas bexigas e as células musculares do exterior. Primeiro, eles criaram colônias destas células durante semanas. Eles fizeram um modelo de bexiga em polímero biodegradável e ao redor dela construíram o primeiro órgão feito pelo homem. Depois de mais oito semanas, implantaram a nova bexiga costurando-a ao órgão com problema. Com o tempo, as duas se fundiram numa só.
Os sete pacientes que participaram da experiência tiveram melhoria da função urinária sem os efeitos negativos associados aos transplantes, como rejeição, já que o material genético provinha deles mesmos.
"É uma mostra de que algum dia será possível fazer órgãos complexos", comentou Robert Langer, professor de bioengenharia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts.
Antes que o procedimento possa ser usado regulamente, serão necessárias mais experiências. Os médicos advertem que no início será possível realizar apenas alguns milhares de pessoas, dependendo da aprovação da Administração de Medicamentos e Alimentos, o órgão regulador dos EUA.
Os doutores fizeram biópsias dos pacientes para identificar os tipos de células tanto da mucosa interna de suas bexigas e as células musculares do exterior. Primeiro, eles criaram colônias destas células durante semanas. Eles fizeram um modelo de bexiga em polímero biodegradável e ao redor dela construíram o primeiro órgão feito pelo homem. Depois de mais oito semanas, implantaram a nova bexiga costurando-a ao órgão com problema. Com o tempo, as duas se fundiram numa só.
Os sete pacientes que participaram da experiência tiveram melhoria da função urinária sem os efeitos negativos associados aos transplantes, como rejeição, já que o material genético provinha deles mesmos.
"É uma mostra de que algum dia será possível fazer órgãos complexos", comentou Robert Langer, professor de bioengenharia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts.
Antes que o procedimento possa ser usado regulamente, serão necessárias mais experiências. Os médicos advertem que no início será possível realizar apenas alguns milhares de pessoas, dependendo da aprovação da Administração de Medicamentos e Alimentos, o órgão regulador dos EUA.
Mais de um milhão de franceses protestam contra lei do primeiro emprego
Na quinta jornada de manifestações contra a lei do primeiro emprego, pelo menos 1 milhão de franceses participaram de 200 protestos convocados por estudantes e sindicalistas para impedir a demissão sem indenização de jovens de até 26 anos no primeiro ano de seu primeiro contrato de trabalho. Os manifestantes, que segundo os organizadores foram 3 milhões, exigem a revogação da lei e a queda do primeiro-ministro Dominique de Villepin.
Em Paris, Rennes e Lille, o protesto degenerou em violência. Na capital francesa, a violência explodiu no final da passeata, quando os manifestantes se dispervam na Praça da Itália. Pelo menos 206 pessoas foram presas.
Nesta quarta-feira, representantes das cinco principais centrais sindicais francesas serão recebidos no Senado, onde negociarão com a União por um Movimento Popular, partido de Villepin e do presidente Jacques Chirac.
Ao sancionar a lei na semana passada, o presidente tentou acomodar a situação, prometendo reduzir de dois para um ano o prazo em que os jovens estariam sujeitos a demissão e exigindo que os empregadores justifiquem as dispensas. Mas estudantes e sindicalistas mantiveram o movimento e não estão dispostos a aceitar nada menos do que a revogação da lei. Como ela já foi aprovada pelo parlamento, um recuo seria humilhante para o governo.
O projeto foi apresentado para reduzir o desemprego, que é de 23% entre os jovens, bem acima da média nacional de 9,6%, chegando a 40% entre os jovens de origem estrangeira. Mas estudantes e sindicalistas vêem na proposta um primeiro passo para acabar com as garantias e direitos trabalhistas.
Em discurso nesta terça-feira na Assembléia Nacional, o primeiro-ministro Villepin insistiu em que a lei do primeiro emprego será aplicada. Mas sua queda mais provável. Para 45% dos franceses, ele deve deixar a chefia do governo. E seu próprio partido encarregou o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, presidente da UMP e arquirrival de Villepin na briga pela candidatura à presidência em 2007, de liderar as negociações com sindicalistas e estudantes.
O problema é que os manifestantes vêem Sarkozy como o homem que quer introduzir o liberalismo econômico na França. Ele seria, portanto mais perigoso do que Villepin.
Em Paris, Rennes e Lille, o protesto degenerou em violência. Na capital francesa, a violência explodiu no final da passeata, quando os manifestantes se dispervam na Praça da Itália. Pelo menos 206 pessoas foram presas.
Nesta quarta-feira, representantes das cinco principais centrais sindicais francesas serão recebidos no Senado, onde negociarão com a União por um Movimento Popular, partido de Villepin e do presidente Jacques Chirac.
Ao sancionar a lei na semana passada, o presidente tentou acomodar a situação, prometendo reduzir de dois para um ano o prazo em que os jovens estariam sujeitos a demissão e exigindo que os empregadores justifiquem as dispensas. Mas estudantes e sindicalistas mantiveram o movimento e não estão dispostos a aceitar nada menos do que a revogação da lei. Como ela já foi aprovada pelo parlamento, um recuo seria humilhante para o governo.
O projeto foi apresentado para reduzir o desemprego, que é de 23% entre os jovens, bem acima da média nacional de 9,6%, chegando a 40% entre os jovens de origem estrangeira. Mas estudantes e sindicalistas vêem na proposta um primeiro passo para acabar com as garantias e direitos trabalhistas.
Em discurso nesta terça-feira na Assembléia Nacional, o primeiro-ministro Villepin insistiu em que a lei do primeiro emprego será aplicada. Mas sua queda mais provável. Para 45% dos franceses, ele deve deixar a chefia do governo. E seu próprio partido encarregou o ministro do Interior, Nicolas Sarkozy, presidente da UMP e arquirrival de Villepin na briga pela candidatura à presidência em 2007, de liderar as negociações com sindicalistas e estudantes.
O problema é que os manifestantes vêem Sarkozy como o homem que quer introduzir o liberalismo econômico na França. Ele seria, portanto mais perigoso do que Villepin.
Primeiro-ministro da Tailândia cai
Depois de semanas de protestos e de eleições boicotadas pela oposição, o primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, o homem mais rico da Tailândia, pediu demissão. Ao sair de um encontro com o rei Bhumibol Adulyadej, Thaksin declarou: “Não temos tempo para brigar. Quero a união do povo tailandês e esquecer o que aconteceu”.
Mas a oposição não quer esquecer o que aconteceu, sobretudo as denúncias de corrupção e de abuso de poder envolvendo o primeiro-ministro demissionário, especialmente a venda de seu império de telecomunicações por US$ 1,9 bilhão para uma empresa estatal de Cingapura sem pagar impostos.
Sob intensa pressão das ruas, Thaksin antecipou as eleições parlamentares tailandesas em três anos, na esperança de ser absolvido pelo “julgamento das urnas”. Seu partido obteve 57% dos votos mas sua vitória perdeu a legitimidade por causa do boicote da oposição.
Das 500 cadeiras da Câmara dos Deputados, 38 não foram preenchidas. Sem adversário, os candidatos do governo precisavam de pelo menos 20% dos votos destes distritos e o eleitor tinha a opção de votar Não. Cerca de 40% dos eleitores deste país do Sudeste Asiático optaram pelo voto de protesto. Como a Constituição da Tailândia prevê que o parlamento não se reúna sem que todas as cadeiras estavam preenchidas, será preciso realizar novas eleições nos 38 distritos onde não houve vencedor.
Há um ano, depois de ser o primeiro chefe de governo civil a concluir um mandato de quatro anos na Tailândia, Thaksin foi reeleito com ampla maioria, conquistando 377 das 500 cadeiras da Câmara.
Ele se lançou na política como um diretor-presidente que levaria a eficiência administrativa do setor privado para a vida pública. Mas seu governo foi marcado por uma guerra contra as drogas em que morreram 2,3 mil tailandeses, o crescimento de uma guerrilha muçulmana num conflito que causou 1,2 mil mortes, tentativas de manipular a mídia, favoritismo, tráfico de influência e corrupção.
Antes das eleições de 2001, Thaksin tentou esconder sua participação na empresa de telecomunicações Shin Corporation transferindo ações para parentes, seu motorista, sua empregada e outras pessoas. Em determinado momento, dois empregados seus estavam entre os 10 maiores acionistas da Bolsa de Valores de Bangcoc.
Thaksin deveria ficar como primeiro-ministro interino até a formação de novo governo. Mas preferiu transferir o cargo para o vice-primeiro-ministro Chidchai Vanasatidya.
Mas a oposição não quer esquecer o que aconteceu, sobretudo as denúncias de corrupção e de abuso de poder envolvendo o primeiro-ministro demissionário, especialmente a venda de seu império de telecomunicações por US$ 1,9 bilhão para uma empresa estatal de Cingapura sem pagar impostos.
Sob intensa pressão das ruas, Thaksin antecipou as eleições parlamentares tailandesas em três anos, na esperança de ser absolvido pelo “julgamento das urnas”. Seu partido obteve 57% dos votos mas sua vitória perdeu a legitimidade por causa do boicote da oposição.
Das 500 cadeiras da Câmara dos Deputados, 38 não foram preenchidas. Sem adversário, os candidatos do governo precisavam de pelo menos 20% dos votos destes distritos e o eleitor tinha a opção de votar Não. Cerca de 40% dos eleitores deste país do Sudeste Asiático optaram pelo voto de protesto. Como a Constituição da Tailândia prevê que o parlamento não se reúna sem que todas as cadeiras estavam preenchidas, será preciso realizar novas eleições nos 38 distritos onde não houve vencedor.
Há um ano, depois de ser o primeiro chefe de governo civil a concluir um mandato de quatro anos na Tailândia, Thaksin foi reeleito com ampla maioria, conquistando 377 das 500 cadeiras da Câmara.
Ele se lançou na política como um diretor-presidente que levaria a eficiência administrativa do setor privado para a vida pública. Mas seu governo foi marcado por uma guerra contra as drogas em que morreram 2,3 mil tailandeses, o crescimento de uma guerrilha muçulmana num conflito que causou 1,2 mil mortes, tentativas de manipular a mídia, favoritismo, tráfico de influência e corrupção.
Antes das eleições de 2001, Thaksin tentou esconder sua participação na empresa de telecomunicações Shin Corporation transferindo ações para parentes, seu motorista, sua empregada e outras pessoas. Em determinado momento, dois empregados seus estavam entre os 10 maiores acionistas da Bolsa de Valores de Bangcoc.
Thaksin deveria ficar como primeiro-ministro interino até a formação de novo governo. Mas preferiu transferir o cargo para o vice-primeiro-ministro Chidchai Vanasatidya.
Saddam Hussein será processado por genocídio
O ex-ditador iraquiano Saddam Hussein, deposto em abril de 2003 por uma invasão americana, será julgado pela morte de milhares de curdos e a destruição de suas aldeias, inclusive pelo ataque com armas químicas contra Halabja, a “Hiroxima curda”, que matou pelo menos 5 mil pessoas em 16 de março de 1988. Outro réu será seu primo Ali Hassan al-Majijd, conhecido como Ali Químico por ter comandado este massacre.
“As investigações sobre o chamado caso da campanha Anfal, em que milhares de homens, mulheres e crianças foram mortos, estão concluídas”, declarou o juiz Raid Jouhi, porta-voz do tribunal que julga o ex-ditador. “Os acusados serão processados com base na lei iraquiana por genocídio e crimes contra a humanidade”.
Saddam Hussein já está sendo processado pela morte de 148 xiitas na cidade de Dujail, em 1982, depois de uma tentativa de assassiná-lo. Estima-se que mais de 100 mil curdos tenham sido mortos na operação Anfal.
IRAQUE CAÓTICO
Diante do caos em que se transformou o Iraque ocupado, a maior preocupação é com os riscos e desafios do dia-a-dia. “Fico feliz que Saddam seja julgado por tudo o que fez”, comentou Sahar Ibrahim. “Mas não faz muita diferença. Não há segurança no país hoje. Está muito pior do que antes. Pelo menos sabíamos onde estava o perigo”.
Durante o fim de semana, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, e o ministro do Exterior britânico, Jack Straw, fizeram uma visita-surpresa a Bagdá para pressionar os políticos iraquianos a formar logo um governo de união nacional para enfrentar a onda de violência. Em média, 75 iraquianos estão sendo mortos a cada dia.
A situação se agravou com o ataque à Mesquita Dourada de Samarra, um santuário xiita, em 22 de fevereiro, deflagrando uma forte retaliação contra os sunitas que deixa o Iraque à beira da guerra civil. Centenas de pessoas foram mortas. Milícias agem impunemente e diversos cadáveres com marcas de torturas foram encontrados em Bagdá.
O primeiro-ministro Ibrahim al-Jaafari está sob forte pressão para renunciar. Ele foi reindicado para o cargo pela Aliança Iraque Unido, coligação xiita vencedora das eleições parlamentares de 15 de dezembro de 2005. Mas agora a AIU está dividida. O principal apoio a Jaafari vem do aiatolá rebelde Muktada al-Sader, um dos maiores inimigos da invasão americana. Sua milícia, o Exército Mahdi, enfrentou tropas dos Estados Unidos na semana passada.
Sem união nem dentro da principal coalizão xiita, a expectativa de formação de um governo estável no Iraque é muito pequena.
“As investigações sobre o chamado caso da campanha Anfal, em que milhares de homens, mulheres e crianças foram mortos, estão concluídas”, declarou o juiz Raid Jouhi, porta-voz do tribunal que julga o ex-ditador. “Os acusados serão processados com base na lei iraquiana por genocídio e crimes contra a humanidade”.
Saddam Hussein já está sendo processado pela morte de 148 xiitas na cidade de Dujail, em 1982, depois de uma tentativa de assassiná-lo. Estima-se que mais de 100 mil curdos tenham sido mortos na operação Anfal.
IRAQUE CAÓTICO
Diante do caos em que se transformou o Iraque ocupado, a maior preocupação é com os riscos e desafios do dia-a-dia. “Fico feliz que Saddam seja julgado por tudo o que fez”, comentou Sahar Ibrahim. “Mas não faz muita diferença. Não há segurança no país hoje. Está muito pior do que antes. Pelo menos sabíamos onde estava o perigo”.
Durante o fim de semana, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, e o ministro do Exterior britânico, Jack Straw, fizeram uma visita-surpresa a Bagdá para pressionar os políticos iraquianos a formar logo um governo de união nacional para enfrentar a onda de violência. Em média, 75 iraquianos estão sendo mortos a cada dia.
A situação se agravou com o ataque à Mesquita Dourada de Samarra, um santuário xiita, em 22 de fevereiro, deflagrando uma forte retaliação contra os sunitas que deixa o Iraque à beira da guerra civil. Centenas de pessoas foram mortas. Milícias agem impunemente e diversos cadáveres com marcas de torturas foram encontrados em Bagdá.
O primeiro-ministro Ibrahim al-Jaafari está sob forte pressão para renunciar. Ele foi reindicado para o cargo pela Aliança Iraque Unido, coligação xiita vencedora das eleições parlamentares de 15 de dezembro de 2005. Mas agora a AIU está dividida. O principal apoio a Jaafari vem do aiatolá rebelde Muktada al-Sader, um dos maiores inimigos da invasão americana. Sua milícia, o Exército Mahdi, enfrentou tropas dos Estados Unidos na semana passada.
Sem união nem dentro da principal coalizão xiita, a expectativa de formação de um governo estável no Iraque é muito pequena.
Favorito na Itália promete retirar tropas do Iraque já
O líder da oposição na Itália, Romano Prodi, ex-presidente da Comissão Européia, órgão executivo da União Européia, afirmou na segunda-feira, 3 de abril, que vai retirar imediatamente as tropas italianas do Iraque, se vencer as eleições de 9 e 10 de abril. Ele tem uma vantagem nas pesquisas de três a cinco pontos percentuais.
Já o primeiro-ministro conservador Silvio Berlusconi, que também prometeu a retirada do Iraque, guardou uma carta na manga. Na sua última intervenção no segundo e último debate entre os candidatos a chefiar o próximo governo da Itália, sem dar chance de réplica ao adversário, prometeu acabar com o odiado imposto sobre bens imóveis.
Com as pesquisas indicando que um terço do eleitorado ainda está indeciso, os dois candidatos foram agressivos, gerando um debate tenso, marcado por ataques pessoais. Prodi acusou Berlusconi, o homem mais rico da Itália, de dividir o pais e arruinar a economia. Prometeu “harmonia e justiça social”.
Numa pesquisa do jornal La Stampa, 80% deram a vitória no debate a Prodi, contra 19% para o primeiro-ministro.
Consciente de que era a última chance de tirar a desvantagem nas pesquisas, Berlusconi acusou Prodi de representar a “esquerda comunista” e tentou explorar as contradições da coligação oposicionista sobre política fiscal. Depois de insistir que haverá aumento de impostos em caso de vitória de Prodi, guardou para o último momento sua proposta de cortar impostos.
Na feroz troca de acusações, Prodi citou o escritor irlandês Bernard Shaw para dizer que "Berlusconi se apóia nos números como os bêbados se agarram a um poste: não para buscar a luz mas para não cair". O primeiro-ministro chamou de um "idiota útil da esquerda" manipulado por seus "sócios comunistas".
Prodi prometeu baixar os custos trabalhistas para recuperar a economia e admitiu que vai restaurar o imposto sobre herança “mas só para quem ganhar milhões de euros”. Alegou que a economia está estagnada enquanto o governo aumenta os gastos públicos.
“Não se pode governar com esta mentalidade de que vai tudo mal”, retrucou o primeiro-ministro. “É preciso parar de falar mal da Itália.”
Homem mais rico da Itália, com uma fortuna estimada em US$ 12 bilhões, o Cavalheiro Berlusconi entrou na política em 1994 no vazio criado pelo desaparecimento dos partidos de centro-direita, sobretudo da Democracia Cristã, depois dos escândalos de corrupção revelados pela Operação Mãos Limpas.
Dono da Fininvest, segunda maior empresa italiana depois da Fiat, e da maior rede de televisão privada, usou-a para se promover. Presidente do clube de futebol Milan, adotou inicialmente como nome de seu partido o grito de guerra da torcida italiana: “Forza, Itália!” (Força, Itália). Articulou então uma frente com a Aliança Nacional, neofascista, e a Liga Norte, que pretendia criar um novo pais, a Padânia, separando o Norte rico do Sul pobre.
Meses depois de fundada, a Forza Itália ganhou as eleições de março de 1994 como líder do Pólo da Liberdade. Berlusconi governou de abril a dezembro de 1994, caindo pela divisão interna no governo. Em 1996, foi derrotado por Romano Prodi, tornando-se líder da oposição até 2001, quando retornou ao poder, onde está até hoje, um recorde para um primeiro-ministro da Itália, que teve mais de 50 governos desde 1945.
Já o primeiro-ministro conservador Silvio Berlusconi, que também prometeu a retirada do Iraque, guardou uma carta na manga. Na sua última intervenção no segundo e último debate entre os candidatos a chefiar o próximo governo da Itália, sem dar chance de réplica ao adversário, prometeu acabar com o odiado imposto sobre bens imóveis.
Com as pesquisas indicando que um terço do eleitorado ainda está indeciso, os dois candidatos foram agressivos, gerando um debate tenso, marcado por ataques pessoais. Prodi acusou Berlusconi, o homem mais rico da Itália, de dividir o pais e arruinar a economia. Prometeu “harmonia e justiça social”.
Numa pesquisa do jornal La Stampa, 80% deram a vitória no debate a Prodi, contra 19% para o primeiro-ministro.
Consciente de que era a última chance de tirar a desvantagem nas pesquisas, Berlusconi acusou Prodi de representar a “esquerda comunista” e tentou explorar as contradições da coligação oposicionista sobre política fiscal. Depois de insistir que haverá aumento de impostos em caso de vitória de Prodi, guardou para o último momento sua proposta de cortar impostos.
Na feroz troca de acusações, Prodi citou o escritor irlandês Bernard Shaw para dizer que "Berlusconi se apóia nos números como os bêbados se agarram a um poste: não para buscar a luz mas para não cair". O primeiro-ministro chamou de um "idiota útil da esquerda" manipulado por seus "sócios comunistas".
Prodi prometeu baixar os custos trabalhistas para recuperar a economia e admitiu que vai restaurar o imposto sobre herança “mas só para quem ganhar milhões de euros”. Alegou que a economia está estagnada enquanto o governo aumenta os gastos públicos.
“Não se pode governar com esta mentalidade de que vai tudo mal”, retrucou o primeiro-ministro. “É preciso parar de falar mal da Itália.”
Homem mais rico da Itália, com uma fortuna estimada em US$ 12 bilhões, o Cavalheiro Berlusconi entrou na política em 1994 no vazio criado pelo desaparecimento dos partidos de centro-direita, sobretudo da Democracia Cristã, depois dos escândalos de corrupção revelados pela Operação Mãos Limpas.
Dono da Fininvest, segunda maior empresa italiana depois da Fiat, e da maior rede de televisão privada, usou-a para se promover. Presidente do clube de futebol Milan, adotou inicialmente como nome de seu partido o grito de guerra da torcida italiana: “Forza, Itália!” (Força, Itália). Articulou então uma frente com a Aliança Nacional, neofascista, e a Liga Norte, que pretendia criar um novo pais, a Padânia, separando o Norte rico do Sul pobre.
Meses depois de fundada, a Forza Itália ganhou as eleições de março de 1994 como líder do Pólo da Liberdade. Berlusconi governou de abril a dezembro de 1994, caindo pela divisão interna no governo. Em 1996, foi derrotado por Romano Prodi, tornando-se líder da oposição até 2001, quando retornou ao poder, onde está até hoje, um recorde para um primeiro-ministro da Itália, que teve mais de 50 governos desde 1945.
Movimento luta para preservar fábrica dos fornos de Auschwitz
É o momento mais infame e degradante da História da Humanidade. Em Auschwitz, 1,5 milhão de pessoas, na maioria judeus, morreram nas câmaras de gás ou por outros métodos de matar. Seus corpos foram queimados em fornos crematórios. Mas a memória do Holocausto que marcou a Segunda Guerra Mundial (1939-45) precisa ser preservada. Um grupo de historiadores está se mobilizando para preservar a fábrica dos fornos e dos sistemas de ventilação dos campos de concentração.
A fábrica da Topf & Söhne, abandonada há 10 anos, fica a apenas 15 minutos a pé do centro da cidade de Erfurt, na antiga Alemanha Oriental. Está entregue aos sem-teto, aos grafiteiros e à fúria da natureza. Algumas paredes desabaram. O teto está cedendo. Há poucas janelas intactas. Um grupo de squatters (invasores de casas abandonadas) tinha ocupado as ruínas do prédio, onde realizava concertos de punk rock.
Lá foram fabricados os fornos e os sistemas de ventilação das câmaras de gás de Auschwitz. É um pedaço da trágica História da Alemanha que se deteriora, talvez na busca de um esquecimento impossível.
Há anos as autoridades locais evitam o problema. O memorial do vizinho campo de concentração de Buchenwald já atrai uma atenção sobre o Holocausto que perturba a cidade. Surgiu então um movimento de historiadores para pressionar a Prefeitura de Erfurt e o Governo do Estado da Turíngia.
Se o estado resolveu não fazer nada, Erfurt está decidida a preservar a memória deste passado sombrio. “Estamos negociando para comprar parte da propriedade”, contou Wolfgang Zweigler, funcionário da prefeitura, à revista alemã Der Spiegel. O dono atual, desde a falência da Erfurter Mälzerei und Speicherbau, nome da Topf & Söhne no pós-guerra, é o Erfurter Bank.
O projeto é criar um memorial onde ficaria em exibição permanente a exposição Os Engenheiros da Solução Final, criada em Buchenwald, que está rodando pela Alemanha. Já esteve no Museu Judaico em Berlim.
A historiadora Annegret Schüle, que está escrevendo um livro sobre a fábrica, tem até 2007 para desenvolver o projeto. Será o primeiro memorial do Holocausto na Alemanha relembrando o papel da indústria alemã na máquina de matar nazista.
A Topf & Söhne nasceu em 1878 como uma indústria de fornos industriais, máquinas de fazer cerveja e chaminés. Nos anos 1920, começou a produzir fornos crematórios.
Quando os nazistas precisaram de um método eficiente para se livrar dos milhões de cadáveres de suas vítimas, os engenheiros da companhia visitaram os campos de concentração de Auschwitz, Buchenwald e Dachau. Eles orientaram a instalação dos fornos crematórios e dos sistemas de ventilação por onde o gás era introduzido nas câmaras de gás.
A fábrica da Topf & Söhne, abandonada há 10 anos, fica a apenas 15 minutos a pé do centro da cidade de Erfurt, na antiga Alemanha Oriental. Está entregue aos sem-teto, aos grafiteiros e à fúria da natureza. Algumas paredes desabaram. O teto está cedendo. Há poucas janelas intactas. Um grupo de squatters (invasores de casas abandonadas) tinha ocupado as ruínas do prédio, onde realizava concertos de punk rock.
Lá foram fabricados os fornos e os sistemas de ventilação das câmaras de gás de Auschwitz. É um pedaço da trágica História da Alemanha que se deteriora, talvez na busca de um esquecimento impossível.
Há anos as autoridades locais evitam o problema. O memorial do vizinho campo de concentração de Buchenwald já atrai uma atenção sobre o Holocausto que perturba a cidade. Surgiu então um movimento de historiadores para pressionar a Prefeitura de Erfurt e o Governo do Estado da Turíngia.
Se o estado resolveu não fazer nada, Erfurt está decidida a preservar a memória deste passado sombrio. “Estamos negociando para comprar parte da propriedade”, contou Wolfgang Zweigler, funcionário da prefeitura, à revista alemã Der Spiegel. O dono atual, desde a falência da Erfurter Mälzerei und Speicherbau, nome da Topf & Söhne no pós-guerra, é o Erfurter Bank.
O projeto é criar um memorial onde ficaria em exibição permanente a exposição Os Engenheiros da Solução Final, criada em Buchenwald, que está rodando pela Alemanha. Já esteve no Museu Judaico em Berlim.
A historiadora Annegret Schüle, que está escrevendo um livro sobre a fábrica, tem até 2007 para desenvolver o projeto. Será o primeiro memorial do Holocausto na Alemanha relembrando o papel da indústria alemã na máquina de matar nazista.
A Topf & Söhne nasceu em 1878 como uma indústria de fornos industriais, máquinas de fazer cerveja e chaminés. Nos anos 1920, começou a produzir fornos crematórios.
Quando os nazistas precisaram de um método eficiente para se livrar dos milhões de cadáveres de suas vítimas, os engenheiros da companhia visitaram os campos de concentração de Auschwitz, Buchenwald e Dachau. Eles orientaram a instalação dos fornos crematórios e dos sistemas de ventilação por onde o gás era introduzido nas câmaras de gás.
Jogador nigeriano cala racistas alemães com saudação nazista
A 66 dias do início da Copa do Mundo, o futebol da Alemanha se vê às voltas com mais uma crise. Além dos escândalos nas apostas, do fraco desempenho da seleção nacional e das brigas internas na federação alemã, precisa enfrentar o fantasma do racismo.
O meio-campo nigeriano Adebowale Ogungbure não agüentou mais. Ao sair de campo em Halle no dia 25 de março, depois do empate do seu time, o Sachsen Leipzig, contra o Hallesche em 2-2 pela 4ª Divisão, Ogungbure foi xingado de “negro sujo”, “negro de merda” e “macaco”. Fingiu que nada estava acontecendo.
Mas quando passou em frente ao pavilhão principal do estádio e a torcida adversária começou a fazer ruídos e gestos de macaco, o nigeriano achou que era demais. Colocou dois dedos acima da boca para imitar o bigodinho de Hitler e estendeu o braço direito à frente, fazendo a saudação nazista.
A reação foi violenta. Um torcedor do Hallesche atacou com a bandeirinha de escanteio e outro tentou lhe aplicar uma gravata de luta livre.
“Estava tão furioso que nem quis saber”, disse Ogungbure à revista alemã Der Spiegel. “Poderia ter sido morto mas tinha de fazer alguma coisa”.
Ele disse ter sido alvo de racismo pelo menos na metade dos 25 jogos que disputou na Alemanha. “Mas em 25 de março cuspiram demais. Nunca vi ninguém cuspir num gato ou cachorro aqui na Alemanha”, desabafou o jogador.
O caso assumiu um ar de teatro do absurdo quando Ogungbure foi acusado de “comportamento anticonstitucional” porque o nazismo é proibido na Alemanha. Em 24 horas, a promotoria retirou a acusação.
A Fifa (Federação Internacional de Futebol Associativo), empenhada numa campanha contra o racismo no futebol, interessou-se pelo caso. As sanções previstas pelas medidas anti-racismo podem incluir interdição do estádio, perda de pontos, rebaixamento e eliminação de competições.
As novas regras serão aplicadas, garantiu o secretário-geral da Fifa, Urs Linsi: “Vamos é claro assegurar que isto seja punido também na 4ª Divisão da Alemanha”.
O meio-campo nigeriano Adebowale Ogungbure não agüentou mais. Ao sair de campo em Halle no dia 25 de março, depois do empate do seu time, o Sachsen Leipzig, contra o Hallesche em 2-2 pela 4ª Divisão, Ogungbure foi xingado de “negro sujo”, “negro de merda” e “macaco”. Fingiu que nada estava acontecendo.
Mas quando passou em frente ao pavilhão principal do estádio e a torcida adversária começou a fazer ruídos e gestos de macaco, o nigeriano achou que era demais. Colocou dois dedos acima da boca para imitar o bigodinho de Hitler e estendeu o braço direito à frente, fazendo a saudação nazista.
A reação foi violenta. Um torcedor do Hallesche atacou com a bandeirinha de escanteio e outro tentou lhe aplicar uma gravata de luta livre.
“Estava tão furioso que nem quis saber”, disse Ogungbure à revista alemã Der Spiegel. “Poderia ter sido morto mas tinha de fazer alguma coisa”.
Ele disse ter sido alvo de racismo pelo menos na metade dos 25 jogos que disputou na Alemanha. “Mas em 25 de março cuspiram demais. Nunca vi ninguém cuspir num gato ou cachorro aqui na Alemanha”, desabafou o jogador.
O caso assumiu um ar de teatro do absurdo quando Ogungbure foi acusado de “comportamento anticonstitucional” porque o nazismo é proibido na Alemanha. Em 24 horas, a promotoria retirou a acusação.
A Fifa (Federação Internacional de Futebol Associativo), empenhada numa campanha contra o racismo no futebol, interessou-se pelo caso. As sanções previstas pelas medidas anti-racismo podem incluir interdição do estádio, perda de pontos, rebaixamento e eliminação de competições.
As novas regras serão aplicadas, garantiu o secretário-geral da Fifa, Urs Linsi: “Vamos é claro assegurar que isto seja punido também na 4ª Divisão da Alemanha”.
segunda-feira, 3 de abril de 2006
Exclusão digital de negros cai nos EUA
Uma pesquisa concluída em fevereiro pelo instituto Pew indica que 74% dos brancos, 61% dos negros e 80% dos hispânicos que falam inglês usam a Internet nos Estados Unidos. Em 1998, só 42% dos brancos, 23% dos negros e 40% dos hispânicos declararam ter acesso à rede mundial de computadores.
Isto representa um aumento significativo na inclusão digital. É atribuído à queda de preço dos computadores, maior número de computadores disponíveis em escolas e bibliotecas públicas, e acesso a Internet via telefones celulares e palmtops.
Desde 1997, a Fundação Bill e Melinda Gates, criada pelo homem mais rico do mundo, dono da Microsoft, investiu US$ 250 milhões para que bibliotecas públicas oferecessem acesso grátis à rede.
Mas Marlon Orozco, gerente de programação da Intel Computer Clubhouse Network, observa que a exclusão digital está ficando mais sutil. É mais fácil enviar mensagens e baixar músicas do que criar comunidades virtuais e promover seus próprios negócios.
Outra constatação é que os novos usuários da rede geralmente têm acesso a máquinas e programas mais antigos, com velocidade de conexão menor. Além disso, quem só tem acesso em escolas e locais públicos fica em desvantagem, comentou Andy Carvin, coordenador da Digital Divide Network.
O nível educacional é um fator importante para os 137 milhões de americanos ligados à rede. Também há uma forte correlação entre renda familiar e acesso à Internet.
Isto representa um aumento significativo na inclusão digital. É atribuído à queda de preço dos computadores, maior número de computadores disponíveis em escolas e bibliotecas públicas, e acesso a Internet via telefones celulares e palmtops.
Desde 1997, a Fundação Bill e Melinda Gates, criada pelo homem mais rico do mundo, dono da Microsoft, investiu US$ 250 milhões para que bibliotecas públicas oferecessem acesso grátis à rede.
Mas Marlon Orozco, gerente de programação da Intel Computer Clubhouse Network, observa que a exclusão digital está ficando mais sutil. É mais fácil enviar mensagens e baixar músicas do que criar comunidades virtuais e promover seus próprios negócios.
Outra constatação é que os novos usuários da rede geralmente têm acesso a máquinas e programas mais antigos, com velocidade de conexão menor. Além disso, quem só tem acesso em escolas e locais públicos fica em desvantagem, comentou Andy Carvin, coordenador da Digital Divide Network.
O nível educacional é um fator importante para os 137 milhões de americanos ligados à rede. Também há uma forte correlação entre renda familiar e acesso à Internet.
Chávez toma campo de petróleo e rompe contrato com transnacionais
O presidente Hugo Chávez cumpriu as ameaças feitas a empresas transnacionais que exploram petróleo na Venezuela, quinto maior exportador mundial do produto. Pela primeira vez desde que chegou ao poder, em 1999, tomou nesta segunda-feira, 3 de abril, um campo de petróleo de uma companhia estrangeira, no caso a francesa Total, e rompeu um contrato com a italiana Eni. As duas empresas se negaram a entregar o controle de campos de petróleo ao Estado venezuelano.
Pela orientação de Chávez, as empresas estrangeiras devem fazer parcerias em que a estatal Petróleos de Venezuela S. A. (PdVSA) deve ter participação de pelo menos 60%. Na sexta-feira, 31 de março, as companhias hispano-argentina Repsol, anglo-holandesa Shell e a China National Petroleum Corporation assinaram contratos rendendo-se às novas regras.
Outras empresas, inclusive a Exxon, maior companhia petrolífera do mundo, decidiram vender seus negócios na Venezuela em vez de concordar com as exigências do governo.
As atividades da Total foram encampadas pela PdVSA, que Chávez usa para financiar seus programas sociais para os venezuelanos pobres. A Eni ameaça entrar na Justiça, se não houver acordo. O governo venezuelano alega que a Eni e a Total devem milhões de dólares de impostos e, se não pagarem, não poderão mais atuar no pais.
Para os analistas de mercado, a atitude de Chávez é política e não obedece à lógica econômica. A Venezuela é riquíssima em petróleo e gás. Tem reservas provadas de 78 bilhões de barris. Mas depende de capital e tecnologia estrangeiros para explorar estas riquezas. Eles acreditam que a longo prazo a economia do país será prejudicada.
BOLIVARISMO
Na ideologia chavista, que o caudilho chama de "socialismo do século 21" ou "bolivarismo", em homenagem a Simón Bolívar, o grande libertador da América do Sul, os recursos naturais devem estar sob o controle de empresas estatais e estas devem ser usadas para financiar o desenvolvimento social, já que as empresas públicas pertencem a todo o povo.
Esta mensagem encontrou eco numa esquerda latino-americana carente de ideologia desde o colapso do comunismo na Guerra Fria, especialmente nos países andinos do chamado arco indígena da América do Sul: Bolívia, Peru e Equador. É a retomada do papel do Estado como principal vetor do desenvolvimento.
Sob a presidência de Evo Morales, a Bolívia está decidida a nacionalizar suas jazidas de gás e petróleo. Morales é o segundo presidente índio da História da América Latina, depois do mexicano Benito Juárez (1861-63, 1867-1872). Começou liderando o sindicato dos produtores de folha de coca, que sofreram com os programas de erradicação da planta financiados pelos Estados Unidos. Elegeu-se pelo Movimento ao Socialismo, que esteve na vanguarda dos protestos e bloqueios de estradas que derrubaram os presidentes Gonzalo Sánchez de Losada, em 2003, e Carlos Mesa, em 2005.
No momento, o governo Morales trava uma queda de braço com a Petrobrás, maior empresa em atuação na Bolívia, responsável por 25% da arrecadação de impostos e por 18% do produto interno bruto boliviano. A Petrobrás entrou no país para executar o acordo firmado em 1996 para construir um gasoduto de 3 mil quilômetros para distribuir gás boliviano no Brasil.
Com investimentos de US$ 1,5 bilhões, a Petrobrás e suas associadas descobriram novas jazidas de gás, aumentando a produção boliviana. Agora, a empresa brasileira resiste a transferir o controle de suas atividades ao governo Morales, como Chávez exige das transnacionais que operam na Venezuela.
No Equador, segundo maior exportador de petróleo da América do Sul, membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), o Congresso aprovou na semana passada a taxação em 60% sobre os lucros das companhias petrolíferas.
O Peru elege seu presidente no domingo, 9 de abril. As pesquisas apontam para um segundo turno entre a candidata de centro-direita Lourdes Flores, do Partido Social-Cristão, com 26%, e o ultranacionalista Ollanta Humala, da União pelo Peru, que tem de 31% a 33% das preferências, embora o ex-presidente Alan García, da Aliança Popular Revolucionária Americana (APRA), de centro-esquerda, esteja subindo nas pesquisa. Com 23% das intenções de voto, já declara que vencerá Humala no segundo turno.
Humala manifestou a intenção de nacionalizar os recursos naturais peruanos, seguindo a linha do chavismo, que procura se afirmar como a verdadeira esquerda latino-americana, em contraposição a líderes mais moderados como os presidentes do Brasil, Luiz Ignacio Lula da Silva; do Chile, Michele Bachelet; e do Uruguai, Tabaré Vásquez.
Pela orientação de Chávez, as empresas estrangeiras devem fazer parcerias em que a estatal Petróleos de Venezuela S. A. (PdVSA) deve ter participação de pelo menos 60%. Na sexta-feira, 31 de março, as companhias hispano-argentina Repsol, anglo-holandesa Shell e a China National Petroleum Corporation assinaram contratos rendendo-se às novas regras.
Outras empresas, inclusive a Exxon, maior companhia petrolífera do mundo, decidiram vender seus negócios na Venezuela em vez de concordar com as exigências do governo.
As atividades da Total foram encampadas pela PdVSA, que Chávez usa para financiar seus programas sociais para os venezuelanos pobres. A Eni ameaça entrar na Justiça, se não houver acordo. O governo venezuelano alega que a Eni e a Total devem milhões de dólares de impostos e, se não pagarem, não poderão mais atuar no pais.
Para os analistas de mercado, a atitude de Chávez é política e não obedece à lógica econômica. A Venezuela é riquíssima em petróleo e gás. Tem reservas provadas de 78 bilhões de barris. Mas depende de capital e tecnologia estrangeiros para explorar estas riquezas. Eles acreditam que a longo prazo a economia do país será prejudicada.
BOLIVARISMO
Na ideologia chavista, que o caudilho chama de "socialismo do século 21" ou "bolivarismo", em homenagem a Simón Bolívar, o grande libertador da América do Sul, os recursos naturais devem estar sob o controle de empresas estatais e estas devem ser usadas para financiar o desenvolvimento social, já que as empresas públicas pertencem a todo o povo.
Esta mensagem encontrou eco numa esquerda latino-americana carente de ideologia desde o colapso do comunismo na Guerra Fria, especialmente nos países andinos do chamado arco indígena da América do Sul: Bolívia, Peru e Equador. É a retomada do papel do Estado como principal vetor do desenvolvimento.
Sob a presidência de Evo Morales, a Bolívia está decidida a nacionalizar suas jazidas de gás e petróleo. Morales é o segundo presidente índio da História da América Latina, depois do mexicano Benito Juárez (1861-63, 1867-1872). Começou liderando o sindicato dos produtores de folha de coca, que sofreram com os programas de erradicação da planta financiados pelos Estados Unidos. Elegeu-se pelo Movimento ao Socialismo, que esteve na vanguarda dos protestos e bloqueios de estradas que derrubaram os presidentes Gonzalo Sánchez de Losada, em 2003, e Carlos Mesa, em 2005.
No momento, o governo Morales trava uma queda de braço com a Petrobrás, maior empresa em atuação na Bolívia, responsável por 25% da arrecadação de impostos e por 18% do produto interno bruto boliviano. A Petrobrás entrou no país para executar o acordo firmado em 1996 para construir um gasoduto de 3 mil quilômetros para distribuir gás boliviano no Brasil.
Com investimentos de US$ 1,5 bilhões, a Petrobrás e suas associadas descobriram novas jazidas de gás, aumentando a produção boliviana. Agora, a empresa brasileira resiste a transferir o controle de suas atividades ao governo Morales, como Chávez exige das transnacionais que operam na Venezuela.
No Equador, segundo maior exportador de petróleo da América do Sul, membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), o Congresso aprovou na semana passada a taxação em 60% sobre os lucros das companhias petrolíferas.
O Peru elege seu presidente no domingo, 9 de abril. As pesquisas apontam para um segundo turno entre a candidata de centro-direita Lourdes Flores, do Partido Social-Cristão, com 26%, e o ultranacionalista Ollanta Humala, da União pelo Peru, que tem de 31% a 33% das preferências, embora o ex-presidente Alan García, da Aliança Popular Revolucionária Americana (APRA), de centro-esquerda, esteja subindo nas pesquisa. Com 23% das intenções de voto, já declara que vencerá Humala no segundo turno.
Humala manifestou a intenção de nacionalizar os recursos naturais peruanos, seguindo a linha do chavismo, que procura se afirmar como a verdadeira esquerda latino-americana, em contraposição a líderes mais moderados como os presidentes do Brasil, Luiz Ignacio Lula da Silva; do Chile, Michele Bachelet; e do Uruguai, Tabaré Vásquez.
GM vende 14% menos em março
A maior fabricante de automóveis do mundo, a General Motors, um dos símbolos da velha economia industrial, teve uma queda de vendas de 14% em março nos Estados Unidos e sua rival histórica, a Ford, de 4,6%, enquanto a Chrysler registrou um aumento de 1,6% e a japonesa Toyota de 6,9%.
O total de veículos leves vendidos nos EUA foi de 16,59 milhões no mês passado, abaixo dos 16,6 milhões de fevereiro e dos 16,88 milhões de março de 2005. Para a GM, a a queda na venda de carros foi de 22%, enquanto nos utilitários leves, inclusive os esportivos, foi de 9,5%.
Sob intensa pressão para se recuperar desde que admitiu um prejuízo de US$ 10,6 bilhões no ano passado, a GM vendeu uma participação de 51% da GMAC, seu braço financeiro, para a Cerberus Capital por US$ 14 bilhões. Mas o jornal The Wall St. Journal observa que isto não resolve os problemas da empresa e ainda reduzirá o lucro de suas atividades financeiras.
O total de veículos leves vendidos nos EUA foi de 16,59 milhões no mês passado, abaixo dos 16,6 milhões de fevereiro e dos 16,88 milhões de março de 2005. Para a GM, a a queda na venda de carros foi de 22%, enquanto nos utilitários leves, inclusive os esportivos, foi de 9,5%.
Sob intensa pressão para se recuperar desde que admitiu um prejuízo de US$ 10,6 bilhões no ano passado, a GM vendeu uma participação de 51% da GMAC, seu braço financeiro, para a Cerberus Capital por US$ 14 bilhões. Mas o jornal The Wall St. Journal observa que isto não resolve os problemas da empresa e ainda reduzirá o lucro de suas atividades financeiras.
domingo, 2 de abril de 2006
Tailandeses votam não em boicote a eleições
Depois de tantos escândalos de corrupção, está aí algo que interessaria ao eleitor brasileiro.
Na Tailândia, a oposição decidiu boicotar as eleições antecipadadas pelo primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, o homem mais rico do país, na tentativa de abafar seus próprios escândalos, inclusive a venda de seu império de telecomunicações por US$ 1,9 bilhão. Das 500 cadeiras de deputado na Câmara, 38 não foram preenchidas, o que forçará a realização de novas eleições.
A oposição acusa Thaksin de buscar o que chama de julgamento das urnas para fugir de inquéritos policiais e processos judiciais. Como só o governo apresentou candidatos, em vários distritos o resto da cédula estava vazio mas havia uma opção de votar Não. Para se eleger, um deputado precisa de pelo menos 20% dos votos. A estratégia oposicionista deu certo em Bangcoc, a capital tailandesa.
Mesmo assim, por causa de sua força no interior, Thaksin deve conseguir maioria. Mas será um governo sem legitimidade. “A eleição produzirá um impasse político que vai durar meses”, prevê o cientista político Somjai Phagaphasvivat.
A crise tem um impacto econômico. Está paralisando o pais. A Bolsa de Bangcoc apresenta o segundo pior desempenho este ano no Sudeste Asiático, à frente apenas da Malásia. A negociação de acordos de liberalização comercial com os Estados Unidos e o Japão foi suspensa. O movimento pela queda do primeiro-ministro vai continuar.
Na Tailândia, a oposição decidiu boicotar as eleições antecipadadas pelo primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, o homem mais rico do país, na tentativa de abafar seus próprios escândalos, inclusive a venda de seu império de telecomunicações por US$ 1,9 bilhão. Das 500 cadeiras de deputado na Câmara, 38 não foram preenchidas, o que forçará a realização de novas eleições.
A oposição acusa Thaksin de buscar o que chama de julgamento das urnas para fugir de inquéritos policiais e processos judiciais. Como só o governo apresentou candidatos, em vários distritos o resto da cédula estava vazio mas havia uma opção de votar Não. Para se eleger, um deputado precisa de pelo menos 20% dos votos. A estratégia oposicionista deu certo em Bangcoc, a capital tailandesa.
Mesmo assim, por causa de sua força no interior, Thaksin deve conseguir maioria. Mas será um governo sem legitimidade. “A eleição produzirá um impasse político que vai durar meses”, prevê o cientista político Somjai Phagaphasvivat.
A crise tem um impacto econômico. Está paralisando o pais. A Bolsa de Bangcoc apresenta o segundo pior desempenho este ano no Sudeste Asiático, à frente apenas da Malásia. A negociação de acordos de liberalização comercial com os Estados Unidos e o Japão foi suspensa. O movimento pela queda do primeiro-ministro vai continuar.
EUA e Grã-Bretanha avaliam conseqüências de um ataque ao Irã
A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, insiste em que “a diplomacia pode funcionar”. Mas o jornal conservador britânico The Sunday Telegraph anunciou neste domingo que os comandantes militares discutem na segunda-feira, 3 de abril, com o governo Tony Blair as possíveis conseqüências de um ataque dos Estados Unidos para tentar destruir o programa nuclear do Irã, especialmente “sobre as tropas britânicas estacionadas no Iraque e no Afeganistão”. Já o jornal americano The Washington Post, citando fontes militares e de serviços secretos, estima que o maior risco seriam contra-ataques terroristas no mundo inteiro.
Piorando ainda mais a crise, o Irã anunciou neste domingo que testou com sucesso um novo míssil subaquático que atinge 100 metros por segundo. O teste coincidiu com manobras militares envolvendo 17 mil soldados iranianos, no momento em que aumenta a tensão entre o Irã e as potências ocidentais. Veio acompanhado de uma advertência: “Não brinquem com fogo”, alertou o comandante do treinamento, contra-almirante Mohammad Ibrahim Dehqani.
Para o Sunday Telegraph, um ataque americano para tentar impedir o Irã de fabricar bombas atômicas será “inevitável”, se este país não suspender seu programa de enriquecimento de urânio, como exigem o Conselho de Segurança das Nações Unidas e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Diante do caos criado pela guerra no Iraque, “não haverá uma invasão do Iraque mas a destruição de suas instalações nucleares”, disse um funcionário do Ministério do Exterior britânico. Seria um “bombardeio cirúrgico”, a exemplo do que Israel fez em 1981, com o apoio dos EUA, contra a usina nuclear iraquiana de Osirak.
O problema é que o Irã aprendeu com a experiência iraquiana. Espalhou suas instalações nucleares pelo país. Assim, não há garantia de que uma onda de "bombardeios cirúrgicos" seja capaz de paralisar o programa nuclear iraniano. Antes, seriam necessárias centenas de ataques para destruir o sistema de defesa antiaérea do Irã. Uma ação militar desta envergadura inflamaria ainda mais o mundo muçulmano, alienaria os reformistas iranianos e traria o risco de uma aliança entre Al Caeda e o Irã.
Na análise dos especialistas americanos, a reação imediata do Irã seria atacar posições americanas no Iraque, onde tem afinidade com a maioria xiita, que representa 60% da população iraquiana. Também poderia mobilizar outros aliados no Oriente Médio, como o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) palestino e o Hesbolá, o Partido de Deus xiita, do Líbano.
Quando a AIEA remeteu a questão da bomba iraniana ao CS-ONU, que pode desde impor sanções e até autorizar o uso da força, o negociador iraniano Javad Vaidi advertiu que o Irã poderia provocar “dor e sofrimento”.
As potências ocidentais com direito de veto no CS, EUA, Grã-Bretanha e França, querem aplicar sanções econômicas se o Irã não suspender o enriquecimento de urânio e não abrir totalmente suas instalações nucleares a inspeções da AIEA. Mas a China e a Rússia insistem na continuação das negociações.
Se for alvo de sanções econômicas, o Irã ameaça usar o petróleo como arma política, abalando o mercado internacional de energia. Se for alvo de uma ação militar, deve reagir com atos terroristas, talvez até fazendo uma aliança tática com Al Caeda. Enquanto isso, reforça seu dispositivo militar.
“Depois de semanas de guerra psicológica, o Ocidente espera que recuemos e abramos mão de nossos direitos”, declarou o general Mohammad Hejazi, chefe de uma milícia islamita, à televisão iraniana. “Não só não recuamos como mostramos nossa capacidade com estas manobras. A segurança do Golfo Pérsico é do interesse de todos. Nossos interesses econômicos dependem do Golfo Pérsico assim como o suprimento de energia do mundo depende desta região. Se a região não estiver segura, os responsáveis pagaráo um preço alto. Os inimigos não devem brincar com fogo”.
Leia mais em www.baguete.com.br
Piorando ainda mais a crise, o Irã anunciou neste domingo que testou com sucesso um novo míssil subaquático que atinge 100 metros por segundo. O teste coincidiu com manobras militares envolvendo 17 mil soldados iranianos, no momento em que aumenta a tensão entre o Irã e as potências ocidentais. Veio acompanhado de uma advertência: “Não brinquem com fogo”, alertou o comandante do treinamento, contra-almirante Mohammad Ibrahim Dehqani.
Para o Sunday Telegraph, um ataque americano para tentar impedir o Irã de fabricar bombas atômicas será “inevitável”, se este país não suspender seu programa de enriquecimento de urânio, como exigem o Conselho de Segurança das Nações Unidas e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Diante do caos criado pela guerra no Iraque, “não haverá uma invasão do Iraque mas a destruição de suas instalações nucleares”, disse um funcionário do Ministério do Exterior britânico. Seria um “bombardeio cirúrgico”, a exemplo do que Israel fez em 1981, com o apoio dos EUA, contra a usina nuclear iraquiana de Osirak.
O problema é que o Irã aprendeu com a experiência iraquiana. Espalhou suas instalações nucleares pelo país. Assim, não há garantia de que uma onda de "bombardeios cirúrgicos" seja capaz de paralisar o programa nuclear iraniano. Antes, seriam necessárias centenas de ataques para destruir o sistema de defesa antiaérea do Irã. Uma ação militar desta envergadura inflamaria ainda mais o mundo muçulmano, alienaria os reformistas iranianos e traria o risco de uma aliança entre Al Caeda e o Irã.
Na análise dos especialistas americanos, a reação imediata do Irã seria atacar posições americanas no Iraque, onde tem afinidade com a maioria xiita, que representa 60% da população iraquiana. Também poderia mobilizar outros aliados no Oriente Médio, como o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) palestino e o Hesbolá, o Partido de Deus xiita, do Líbano.
Quando a AIEA remeteu a questão da bomba iraniana ao CS-ONU, que pode desde impor sanções e até autorizar o uso da força, o negociador iraniano Javad Vaidi advertiu que o Irã poderia provocar “dor e sofrimento”.
As potências ocidentais com direito de veto no CS, EUA, Grã-Bretanha e França, querem aplicar sanções econômicas se o Irã não suspender o enriquecimento de urânio e não abrir totalmente suas instalações nucleares a inspeções da AIEA. Mas a China e a Rússia insistem na continuação das negociações.
Se for alvo de sanções econômicas, o Irã ameaça usar o petróleo como arma política, abalando o mercado internacional de energia. Se for alvo de uma ação militar, deve reagir com atos terroristas, talvez até fazendo uma aliança tática com Al Caeda. Enquanto isso, reforça seu dispositivo militar.
“Depois de semanas de guerra psicológica, o Ocidente espera que recuemos e abramos mão de nossos direitos”, declarou o general Mohammad Hejazi, chefe de uma milícia islamita, à televisão iraniana. “Não só não recuamos como mostramos nossa capacidade com estas manobras. A segurança do Golfo Pérsico é do interesse de todos. Nossos interesses econômicos dependem do Golfo Pérsico assim como o suprimento de energia do mundo depende desta região. Se a região não estiver segura, os responsáveis pagaráo um preço alto. Os inimigos não devem brincar com fogo”.
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sábado, 1 de abril de 2006
Morrem menos americanos mas cresce mortalidade no Iraque
Trinta soldados americanos foram mortos no Iraque em março, o número mais baixo para um mês em mais de dois anos, desde fevereiro de 2004, quando houve 21 mortes. Mas a guerra entre os iraquianos tornou-se mais feroz, matando em média 75 militares, policiais ou civis por dia. É mais um sinal do estado de guerra civil latente que vive o pais invadido pelos Estados Unidos em março de 2003.
Pelos cálculos do site Iraq Body Count, o total de civis mortos em conseqüência da intervenção americana está entre 33.814 e 37.936. Desde o início da guerra, 2.327 soldados dos EUA e 204 de países participaram da invasão morreram. Outros 17 mil militares americanos foram feridos.
Pelos cálculos do site Iraq Body Count, o total de civis mortos em conseqüência da intervenção americana está entre 33.814 e 37.936. Desde o início da guerra, 2.327 soldados dos EUA e 204 de países participaram da invasão morreram. Outros 17 mil militares americanos foram feridos.
Alemanha teme confrontos de neonazistas durante a Copa do Mundo
De um lado, os neonazistas; do outro, os famigerados hooligans (arruaceiros) britânicos. Este é um dos pesadelos dos organizadores da Copa da Alemanha: batalhas de rua entre jovens ultranacionalistas da Alemanha, Grã-Bretanha, Holanda, Polônia ou de qualquer outro país europeu, talvez da Austrália.
Numa conferência sobre segurança realizada a apenas 10 semanas do início da Copa, o ministro do Interior da Alemanha, Wolfgang Schäuble, revelou que grupos neonazistas planejam “usar a Copa do Mundo para aparecer a fazer propaganda”. Mas garantiu que a policia alemã está pronta a enfrentar o desafio.
Na quinta-feira, 30 de março, o jornal berlinense Der Tagesspiegel afirmou que os neonazistas planejam manifestações para o período do mundial de futebol. Esperam que a policia esteja tão envolvida na segurança da Copa que não tenha tempo para eles.
O Partido Nacional da Alemanha e outros grupos neonazistas pretendiam organizar uma marcha pela “liberdade de expressão” em Gelsenkirchen, no Vale do Ruhr, em protesto porque o nazismo é oficialmente banido na Alemanha. Também programaram manifestações de Leipzig, Berlim e Nurembergue em solidariedade ao presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que declarou publicamente que "não houve o Holocausto dos judeus na Segunda Guerra Mundial", é um "mito", e que "Israel deve ser varrida do mapa”. Estas quatro cidades serão sede de jogos da Copa.
Numa conferência sobre segurança realizada a apenas 10 semanas do início da Copa, o ministro do Interior da Alemanha, Wolfgang Schäuble, revelou que grupos neonazistas planejam “usar a Copa do Mundo para aparecer a fazer propaganda”. Mas garantiu que a policia alemã está pronta a enfrentar o desafio.
Na quinta-feira, 30 de março, o jornal berlinense Der Tagesspiegel afirmou que os neonazistas planejam manifestações para o período do mundial de futebol. Esperam que a policia esteja tão envolvida na segurança da Copa que não tenha tempo para eles.
O Partido Nacional da Alemanha e outros grupos neonazistas pretendiam organizar uma marcha pela “liberdade de expressão” em Gelsenkirchen, no Vale do Ruhr, em protesto porque o nazismo é oficialmente banido na Alemanha. Também programaram manifestações de Leipzig, Berlim e Nurembergue em solidariedade ao presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, que declarou publicamente que "não houve o Holocausto dos judeus na Segunda Guerra Mundial", é um "mito", e que "Israel deve ser varrida do mapa”. Estas quatro cidades serão sede de jogos da Copa.
Condoleezza Rice admite que EUA cometeram milhares de erros no Iraque
A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, confia no julgamento da História sobre a invasão do Iraque pelos Estados Unidos, em março de 2006.
Durante visita a Blackburn, no Noroeste da Inglaterra, onde foi alvo de diversas manifestações de protesto, a chefe da diplomacia americana reconheceu que os EUA cometeram "milhares de erros táticos no Iraque, coisas que poderiam ter sido feitas de outra maneira mas não o foram, com certeza. Mas quando olharmos para a História, seremos julgados se tomamos as decisões estratégicas corretas. Do ponto de vista estratégico, acredito firmemente que a decisão de derrubar Saddam Hussein foi correta".
Condi Rice deu uma palestra sexta-feira, 31 de março, na Chatham House de Blackburn, do Royal Institute of International Affairs, ao lado do ministro do Exterior britânico, Jack Straw. E afirmou: "Sem intervenção militar, Saddam Hussein não iria a lugar algum. Não teríamos um Oriente Médio diferente com Saddam no meio".
Mais de 20% da população de Blackburn são muçulmanos. A secretária pretendia ir a uma mesquita. A visita foi cancelada por medo de protestos contra a guerra no Iraque. Com a ajuda da Internet, a comunidade local organizou um movimento "Pare, Condi!"
Ao falar sobre os protestos paficistas, a secretária de Estado foi diplomática: "Não estou surpresa. As pessoas têm posições firmes e têm o direito de protestar. Democracia é isto".
Depois Rice foi a Liverpool, onde visitou o Instituto de Artes Cênicas, restaurado com a ajuda do beatle Paul McCartney, que estudou lá. Na entrada, passou por manifestantes com camisetas dizendo: "Não à tortura". À noite, um dos músicos que tocaria num show a que ela foi cancelou a apresentação em protesto. Outro dedicou Imagine, de John Lennon, aos manifestantes do lado de fora e enxertou na letra versos de outra música de Lennon: "All we are saying/Is give peace a chance" (Tudo o que estamos dizendo é dêem uma chance para a paz).
Mas para o jornal americano The Washington Post, a crítica mais incisiva à invasão do Iraque partiu do ex-ministro das Finanças e do Exterior britânico Douglas Hurd, um conservador que disputou a sucessão de Margaret Thatcher em 1990: "É bem possível acreditar que a democracia seja fundamental. Mas é preciso entender que deve crescer a partir das raízes da sua própria sociedade e que matar milhares de pessoas, muitas inocentes, é inaceitável se cometido por um tirano doméstico ou por uma boa causa".
Durante visita a Blackburn, no Noroeste da Inglaterra, onde foi alvo de diversas manifestações de protesto, a chefe da diplomacia americana reconheceu que os EUA cometeram "milhares de erros táticos no Iraque, coisas que poderiam ter sido feitas de outra maneira mas não o foram, com certeza. Mas quando olharmos para a História, seremos julgados se tomamos as decisões estratégicas corretas. Do ponto de vista estratégico, acredito firmemente que a decisão de derrubar Saddam Hussein foi correta".
Condi Rice deu uma palestra sexta-feira, 31 de março, na Chatham House de Blackburn, do Royal Institute of International Affairs, ao lado do ministro do Exterior britânico, Jack Straw. E afirmou: "Sem intervenção militar, Saddam Hussein não iria a lugar algum. Não teríamos um Oriente Médio diferente com Saddam no meio".
Mais de 20% da população de Blackburn são muçulmanos. A secretária pretendia ir a uma mesquita. A visita foi cancelada por medo de protestos contra a guerra no Iraque. Com a ajuda da Internet, a comunidade local organizou um movimento "Pare, Condi!"
Ao falar sobre os protestos paficistas, a secretária de Estado foi diplomática: "Não estou surpresa. As pessoas têm posições firmes e têm o direito de protestar. Democracia é isto".
Depois Rice foi a Liverpool, onde visitou o Instituto de Artes Cênicas, restaurado com a ajuda do beatle Paul McCartney, que estudou lá. Na entrada, passou por manifestantes com camisetas dizendo: "Não à tortura". À noite, um dos músicos que tocaria num show a que ela foi cancelou a apresentação em protesto. Outro dedicou Imagine, de John Lennon, aos manifestantes do lado de fora e enxertou na letra versos de outra música de Lennon: "All we are saying/Is give peace a chance" (Tudo o que estamos dizendo é dêem uma chance para a paz).
Mas para o jornal americano The Washington Post, a crítica mais incisiva à invasão do Iraque partiu do ex-ministro das Finanças e do Exterior britânico Douglas Hurd, um conservador que disputou a sucessão de Margaret Thatcher em 1990: "É bem possível acreditar que a democracia seja fundamental. Mas é preciso entender que deve crescer a partir das raízes da sua própria sociedade e que matar milhares de pessoas, muitas inocentes, é inaceitável se cometido por um tirano doméstico ou por uma boa causa".
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