terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Ex-primeiro-ministro é eleito presidente do Usbequistão

Com 89% dos votos e 88% de participação, o presidente interino e ex-primeiro-ministro Chavkat Mirziyoyev foi eleito presidente da ex-república soviética do Usbequistão. Ele substitui o ditador Islam Karimov, que governou o país de 1990, antes do fim da União Soviética, até sua morte, em 2 de setembro de 2016.

Mirziyoyev, do Partido Liberal Democrático do Usbequistão, era primeiro-ministro de Karimov desde 2003. No discurso da vitória, elogiou o antecessor. Os dois chefiavam um dos regimes mais fechados do mundo.

Hã expectativa de que o novo presidente promova uma abertura econômica para estimular a economia do pa~is, abalada pela corrupção e a burocracia herdadas da era soviética. Como primeiro-ministro, Mirziyoyev iniciou uma aproximação com os países vizinhos.

O novo presidente é mais próximo de Vladimir Putin do que seu antecessor. Vinte minutos depois da vitória, foi cumprimentado pelo presidente da Rússia.

Depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, Karimov usou os Estados Unidos a usar uma base aérea usbeque para atacar a milícia dos Talebã, que governava o vizinho Afeganistão e abrigava a rede terrorista Al Caeda. Anos depois, mandou embora os americanos temendo uma revolução liberal colorida como as que derrubaram governos nas repúblicas soviéticas da Geórgia e da Ucrânia.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Valls deixa governo para ser candidato na França

O primeiro-ministro Manuel Valls anunciou hoje que vai entregar o cargo de chefe do governo amanhã ao presidente François Hollande para se dedicar exclusivamente à sua candidatura à Presidência da França em 2017. É uma esperança de uma candidatura forte de esquerda capaz de chegar ao segundo turno.

Em pronunciamento de 20 minutos, Valls se apresentou como um candidato pronto para enfrentar o autoritarismo da direita e da extrema direita no país e no mundo: "Quero uma França independente, inflexível em seus valores diante da China de Xi Jinping, da Rússia de Vladimir Putin, dos Estados Unidos de Donald Trump e da Turquia de Recep Erdogan."

Dentro do Partido Socialista, Valls é considerado um centrista com tendências econômicas liberais. Ele apelou cinco vezes para o artigo 49, inciso 3, da Constituição da França, uma medida de exceção para aprovar projetos de interesse do governo sem a necessidade de voto na Assembleia Nacional, inclusive a reforma trabalhista repudiada pelas grandes centrais sindicais.

Valls deverá disputar a eleição primária do PS, em 22 e 29 de janeiro, com vários candidatos mais à esquerda, entre eles o ex-ministro da Economia Arnaud Montebourg.

No momento, com a impopularidade do presidente François Hollande, que desistiu da reeleição, as pesquisas indicam sério risco de que o PS seja eliminado no primeiro turno, em 23 de abril de 2017. O ex-primeiro-ministro conservador François Fillon, do partido Os Republicanos, enfrentaria e venceria Marine Le Pen, da neofascista Frente Nacional, no segundo turno, em 7 de maio.

Vice-presidente das Filipinas adere à oposição

A vice-presidente Leni Robredo, eleita independentemente, anunciou hoje que vai sair do governo das Filipinas e líderar a oposição a políticas controvertidas do presidente Rodrigo Duterte, como sua guerra contra as drogas, noticiou o jornal filipino Manila Times.

Depois de entrar várias vezes em choque com o presidente, Leni Robredo foi proibida de participar de reuniões ministeriais. Fora do governo, sente-se livre para contra-atacar: "Terei uma voz mais forte de oposição a todas as políticas em detrimento do povo como a pena de morte, a redução da maioridade penal, execuções extrajudiciais e o tratamento discriminatório das mulheres."

Na eleição presidencial de maio de 2016, Robredo derrotou por pequena margem Ferdinand Marcos Jr., filho do ditador do mesmo nome, que dirigiu o país com mão de ferro durante a Guerra Fria, de 1965 a 1986.

Como vice independente, Robredo estabeleceu suas próprias prioridades: segurança alimentar e combate à fome, educação, desenvolvimento internacional, empoderamento e cobertura universal de saúde. Ela acusa as políticas de combate ao crime de Duterte de ignorar o verdadeiro problema das Filipinas, a miséria de grande parte da população.

Marcos Júnior, aliado de Duterte, que reenterrou o ditador no Cemitério dos Heróis, acusou Leni Robredo de fraudar a eleição e seu Partido Liberal de conspirar para derrubar o presidente.

Há rumores persistentes de golpe de Estado em Manila, mas a empresa de consultoria e análise estratégica americana Strafor não acredita em golpe, "a não ser que uma ampla parcela da sociedade e do Congresso se mobilizem contra Duterte."

Cerca de 4 mil pessoas morreram em seis meses da guerra de Duterte contra as drogas, criticada por organizações não governamentais de defesa dos direitos humanos. O presidente instigou a população a fazer justiça por conta própria, matando traficantes e usuários de drogas. Um agente denunciou à Anistia Internacional que basta colocar uma fita crepe ao redor da cabeça do morto e escrever caso de drogas para a morte não ser investigada.

Duterte chegou a ofender o presidente Barack Obama com palavrões por críticas à sua guerra contra as drogas. O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, falou com ele por telefone. Na versão do governo filipino, Trump teria elogiado a política de guerra às drogas.

Conversa de Trump com Taiwan foi planejada durante meses

Quando o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, falou por telefone com a presidente da Taiwan, Tsai Ing-wen, alegou que havia apenas atendido a uma chamada para cumprimentá-lo pela vitória. Na realidade, foi uma provocação intencional para mostrar dureza no relacionamente com o a China, revelou hoje o jornal The Washington Post.

Os presidentes dos dois países não se falavam desde 1979, quando os EUA romperam com Taiwan, uma exigência da República Popular da China para o estabelecimento de relações bilaterais. Washington aceitou assim a política chinesa de que só existe uma China, representada pelo regime comunista de Beijim.

No domingo, Trump voltou ao ataque, acusando a China de manipular o câmbio e de intimidar os países vizinhos com sua reivindicação territorial sobre 90% do Mar do Sul da China.

O telefonema histórico foi consequência de meses de preparação. A equipe de Trump buscava uma nova estratégia para o relacionamento com Taiwan antes mesmo do magnata imobiliário garantir a candidatura do Partido Republicano à Casa Branca.

A jogada reflete também a visão de assessores linha-dura que defendem atitudes mais firmes contra o que consideram abusos de poder da superpotência em ascensão. No seu estilo negocial da fazer política, Trump ataca e tenta desestabilizar a outra parte para depois fazer um jogo de sedução e apresentar suas propostas.

Alguns membros da equipe de transição de Trump são a favor de posições mais duras em relação à China e mais amigável com Taiwan, inclusive o futuro ministro-chefe da Casa Civil, Reince Priebus. Em artigo para a revista Foreign Affairs intitulado Visão de Donald Trump de Paz através da Força na Ásia e no Pacífico, dois assessores do presidente eleito, Peter Navarro e Alexander Gray, descrevem Taiwan como um "farol da democracia" na Ásia.

A ilha que a China considera uma província rebelde é apresentada como "o aliado dos EUA mais vulnerável militarmente no mundo inteiro".

Logo depois da vitória de Trump, seus assessores fizeram uma lista de líderes mundiais com quem ele falaria ao telefone. "Taiwan sempre esteve no topo da lista", declarou Stephen Yates, assessor do governo George W. Bush (2001-9).

Diante das tentativas da equipe de Trump, inclusive do vice-presidente Mike Pence, de dizer que a ligação partiu de Taipé, Alex Huang, porta-voz da presidente Tsai, declarou à agência Reuters que "é claro que os dois lados chegaram a um acordo antes do contato telefônico."

Com a provocação, Trump quis deixar claro aos chineses que nada será como antes. Os chineses reagiram com cautela, seguindo um antigo provérbio que diz: "Como resistir a um milhão de mudanças? Continuando a ser quem você é."

domingo, 4 de dezembro de 2016

Matteo Renzi renuncia à chefia de governo na Itália

Depois de uma fragorosa derrota no referendo constitucional deste domingo, o primeiro-ministro Matteo Renzi anunciou há pouco que amanhã vai entregar o cargo ao presidente Sergio Mattarella. No momento, o não vence por 59,5% a 40,5%.

"Eu assumo toda a responsabilidade. Eu perdi", declarou Renzi. "A experiência do meu governo termina aqui."

Os analistas políticos interpretam o resultado como um novo sinal da revolta do eleitor comum contra os partidos e políticos tradicionais, que levou à aprovação da saída do Reino Unido da União Europeia no plebiscito de 23 de junho e à eleição de Donald Trump à Presidência dos Estados Unidos em 8 de novembro.

Renzi, de 41 anos, chegou ao poder sem ganhar eleições como líder do partido, em 22 de fevereiro de 2014, depois de derrubar o primeiro-ministro Enrico Letta numa disputa interna do Partido Democrático, de centro-esquerda.

Ao assumir a chefia do governo com 39 anos e um mês, tornou-se o primeiro-ministro mais jovem da República da Itália. Com mil dias no poder, o governo Renzi foi o quarto mais longo da história da república.

Primeiro-ministro perde referendo constitucional na Itália

O primeiro-ministro Matteo Renzi sofreu uma ampla derrota num referendo que convocou para reformar a Constituição da Itália e aumentar a estabilidade política. As projeções dos primeiros resultados dão 59% para o não e 41% para o sim.

Renzi, que ameaçou renunciar se perdesse, deve fazer um pronunciamento à nação daqui a pouco.

Sob o pretexto de aumentar a estabilidade política, a reforma esvaziava o poder do Senado e dava um bônus de mais cadeiras ao partido vencedor das eleições para a Càmara.

Seus adversários a acusam de dar poder demais ao primeiro-ministro num país que teve chefes de governo como o ditador fascista Benito Mussolini e o empresário arquicorrupto Silvio Berlusconi.

Ultradireita reconhece derrota na eleição presidencial da Áustria

Apesar da Brexit e de Donald Trump, a Áustria não se rendeu ao ultranacionalismo de direita. Com a televisão projetando uma vitória do candidato verde e independente Alexander Van der Bellen com 53,6% dos votos, o Partido da Liberdade da Áustria (FPÖ), neonazista, reconheceu há pouco a derrota no segundo turno da eleição presidencial, informou o jornal francês Le Monde.

"Eu gostaria de felicitar o Sr. Van der Bellen por seu sucesso", declarou o secretário-geral do FPÖ, Herbert Kickl, à televisão estatal ÖRF.

Uma vitória de Norbert Hofer seria a primeira de um neonazista para a presidência de um país da Europa desde 1945. O próprio Hofer cumprimentou o adversário nas redes sociais e pediu aos austríacos que "fiquem juntos e trabalhem juntos".

O primeiro turno da eleição presidencial austríaca, realizado em 24 de abril de 2016, sob o impacto da crise dos refugiados que tentavam desesperadamente asilo na União Europeia, tirou da disputa os partidos tradicionais liberal e social-democrata que dominaram a política austríaca no pós-guerra.

No segundo turno, em 22 de maio, Van der Vellen ganhou por 50,3% a 49,7% depois de dias de apuração. O Tribunal Constitucional da Áustria anulou o resultado por irregularidades em algumas secções eleitorais e nova votação foi realizada hoje.

Rei da Arábia Saudita muda conselho de altos estudos religiosos

Por decreto real, o sultão Salman ordenou uma reformulação do Conselho de Altos Estudiosos, o mais importante órgão de estudos de islamismo da Arábia Saudita, com 21 teólogos, noticiou a imprensa oficial saudita.

Vários membros do conselho serão substituídos. Os detalhes e os motivos não foram revelados.

O decreto também muda o chefe do Conselho Consultivo (Chura) e o ministro do Trabalho e do Desenvolvimento Social.

As prioridades do rei Salman são reorientar a economia saudita para reduzir a dependência do petróleo e preparar uma transição de gerações na sua sucessão. O próximo sultão da Arábia Saudita será o primeiro a não ser filho do fundador do país, Abdul Aziz al Saud. Um filho de Salman é o segundo na linha sucessória.

A monarquia saudita tem sua legitimidade baseada na religião como guardiã das cidades sagradas de Meca e Medina, onde nasceu a religião muçulmana. É um pacto entre a dinastia de Saud e o pai do salafismo, uma versão ultrapuritana do islamismo, Mohamed ben Abdul Wahab, feito em 1744 por Mohamed ben Saud, quando foi nasceu o primeiro estado saudita.

Esse regime apoiado por ulemás ou sábios do Islã ultraconservadores foi um instrumento importante da dinastia de Saud para impor seu controle e evitar o surgimento de grupos de oposição. O versete do Corão que manda "odebecer a Alá, a seu profeta e à autoridade entre vocês" ajudou a enquadrar liberais, socialistas, islamistas, salafistas e jihadistas.

Em sua busca de legitimidade, a Arábia Saudita apresenta ao mundo a sua verão puritana do islamismo, o wahabismo ou salafismo, como a verdadeira interpretação do Corão. 

Desde o forte aumento dos preços do petróleo a partir do embargo árabe ao Ocidente, em 1973, a monarquia saudita exporta suas ideias religiosas, contribuindo direta e indiretamente para a formação de grupos extremistas jihadistas, que consideram obrigação de todo muçulmano fazer a guerra contra os infiéis.

O conselho de ulemás ajudou Abdul Aziz a controlar milícias rivais em 1929, antes da fundação da Arábia Saudita, em 23 de setembro de 1932. 

Em 1963, o conselho autorizou o rei Faissal a introduzir a televisão no reino. Os salafistas sustentam que o Islã proíbe a reprodução da figura humana e de animais para evitar a idolatria. Em 1979, concordou com a intervenção de comandos franceses para reassumir o controle da Grande Mesquita de Meca, tomadas por extremistas. No século 21, ajudou a deslegitimar a rede terrorista Al Caeda.

Uma preocupação do governo saudita é a grande coincidência de ideias e princípios da instituição religiosa e dos jihadistas. A simpatia é mútua e permite aos jihadistas manter uma presença forte no reino.

O Ministério de Assuntos Islâmicos revelou em 19 de julho que estava investigando os imãs de 17 mesquitas da capital que, nos sermões de sexta-feira, se recusaram a condenar uma ação jihadista na fronteira com o Iêmen.

Desde 2009, para escapar da repressão saudita, a Al Caeda na Península Arábica mudou seu quartel-general para o Iêmen, que usa como base para atacar a Arábia Saudita,

Uma nova ameaça jihadista ao reino foi o surgimento do Estado Islâmico do Iraque e do Levante, outro grupo jihadista que desafia o direito de dinastia de Saud de guardar as cidades sagradas do Islã por causa de sua relação com o Ocidente, a mesma bronca de Ossama ben Laden. O Exército saudita reforçou a fronteira norte com 30 mil soldados a mais nos últimos anos

O desafio saudita é mobilizar os ulemás para a guerra ideológica de deslegitimação do jihadismo.

sábado, 3 de dezembro de 2016

Força-tarefa da Lava Jato ganha Prêmio Anticorrupção 2016

A Força-Tarefa da Operação Lava Jato recebeu hoje o Prêmio Anticorrupção 2016, concedido pela organização não governamental de combate à corrupção Transparência Internacional. A investigação sobre lavagem de dinheiro desvendou um megaescândalo de corrupção na Petrobrás e em outras empresas estatais.

Desde 2014, os procuradores federais estão na linha de frente das investigações sobre um dos maiores escândalos de corrupção no mundo inteiro. Foram mais de 240 denúncias que levaram a 118 condenações somando 1.256 anos de prisão, inclusive de membros da elite política e econômica, justifica a Transparência.

"Bilhões de dólares foram perdidos com a corrupção no Brasil. Os brasileiros estão fartos com a corrupção que está arrasando seu país. A Força-Tarefa da Operação Lava Jato está fazendo um grande trabalho para garantir que os corruptos, não importa quão poderosos sejam, sejam responsabilizados e  que seja feita justiça", declarou a presidente do Comitê do Prêmio Anticorrupção da Transparência Internacional, Mercedes de Freitas.

E acrescentou: "Temos a satisfação de dar aos procuradores brasileiros da Força-Tarefa da Lava Jato o Prêmio Anticorrupção de 2016 por seu esforço incansável para acabar com a corrupção endêmica no Brasil."

China protesta contra conversa de Trump com presidente de Taiwan

A República Popular da China protestou formalmente hoje contra a conversa telefônica entre o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, e a presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen. Foi o primeiro contato oficial de chefes de Estado desde que os EUA romperam com a ilha que a China considera uma província rebelde, em 1979.

O ministro do Exterior chinês, Wang Yi, condenou Taiwan por fazer a ligação, que chamou de manobra "mesquinha" sem acusar diretamente a equipe de transição de Trump. Ele reafirmou que o princípio de que só existe uma China é a base das relações entre os dois países.

Por força deste princípio, a China não mantém relações diplomáticas com países que reconhecem Taiwan. Os EUA não reconhecem Taiwan, mas mantém o compromisso de garantir sua segurança, aceitam a política de uma única China, só rejeitam o uso da força para reunificar o país.

Ao comentar o telefonema, um porta-voz do presidente eleito declarou que Trump e Tsai "discutiram os laços econômicos, políticos e de segurança entre os EUA e Taiwan".

A reação do regime comunista chinês foi cautelosa. O telefonema foi uma amostra de como será o relacionamento EUA-China. Nos seus comícios de agradecimento pela vitória, nesta semana, Trump voltou a citar o enorme déficit comercial dos EUA. A maior parte é com a China.

No Twitter, seu meio de comunicação favorito, Trump ironizou as críticas: "Interessante que os EUA vendam de bilhões de dólares em equipamentos militares a Taiwan e eu não deva aceitar um telefonema de congratulação."

O presidente eleito adotou estratégias do mundo de negócios para vencer a eleição presidencial americana. Intimida e assusta para depois apresentar sua proposta. A China é seu maior desafio. O relacionamento começa tempestuoso.

Estupro é aceito por 27% dos europeus em certas condições

Se a vítima estava bêbada, usava roupas provocantes e não disse não claramente, cerca de 27% dos habitantes da União Europeia consideram que manter relações sexuais é "justificável ou aceitável", indica uma pesquisa realizada pelo instituto TNS a pedido da Comissão Europeia nos 28 países-membros do bloco, noticiou a televisão francesa.

A pesquisa foi realizada de 4 a 13 de junho e divulgada ontem. A Romênia e a Hungria são os países onde proporcionalmente mais entrevistados consideraram o estupro "aceitável", enquanto na Suíça e na Espanha houve maior rejeição.

Os entrevistados responderam a várias perguntas. A central era: "As pessoas pensam que manter relações sexuais sem consentimento pode ser justificado com certas situações. Você pensa que isso se aplica às circunstâncias seguintes?"

Outras questões sondaram a percepção sobre violência sexual, assédio sexual e violência ligada ao sexo. Pelo menos 70% consideraram a violência e o assédio sexuais contra mulheres comuns em seus países. Um terço disseram que os homens também são vítimas de violência sexual.

Na França, a cada ano, em média 223 mil mulheres sofrem violência conjugal, 84 mil são violentadas, vítimas de tentativa de estupro ou de agressão sexual. Um número de telefone para ligações de emergência por violência social recebe 50 mil chamadas por ano.

Fillon lidera pesquisa sobre eleição presidencial na França

Depois de ganhar a eleição primária da centro-direita, o ex-primeiro-ministro conservador François Fillon desponta como favorito à eleição presidencial de 2017 na França. A seis meses da eleição, Fillon tem 32% das preferências contra 22% para a líder da neofascista Frente Nacional, Marina Le Pen, indica uma pesquisa divulgada pela televisão francesa.

Em terceiro lugar, aparece o ex-ministro da Economia Emmanuel Macron (13%), que lançou uma candidatura independente, seguido pelo candidato de ultraesquerda, Jean-Luc Mélenchon (12%) e pelo presidente François Hollande (8%).

O presidente anunciou dia 1º de dezembro que não será candidato à reeleição, abrindo espaço para uma eleição primária competitiva da esquerda em 22 e 29 de janeiro..

No segundo turno, Fillon teria uma vitória esmagadora com 79% dos votos válidos contra 21% para Marine Le Pen. A pesquisa foi realizada via Internet em 25 de novembro, dois dias antes da eleição primária do partido Os Republicanos, de centro-direita, vencida por Fillon.

Diante de surpresa não detectadas nas pesquisas, como a vitória da saída do Reino Unido da União no referendo de 23 de junho e o triunfo de Donald Trump na eleição presidencial nos Estados Unidos, aumentou o temor de ascensão da extrema direita na Europa.

Há um risco de que o candidato neonazista seja eleito presidente da Áustria. Uma vitória da antieuropeia Marine seria um terremoto capaz de destruir a União Europeia.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Trump fala com presidente de Taiwan em desafio à China

Numa medida sem precedentes desde que os Estados Unidos restabeleceram relações diplomáticas com a República Popular da China, em 1979, o presidente eleito, Donald Trump, falou por telefone com a presidente Tsai Ing-wen, de Taiwan, que a China considera uma província rebelde e ameaça invadir se declarar independência, noticiou o jornal britânico Financial Times.

Os EUA romperam relações diplomáticas com Taiwan em 1979, como precondição para o reatamento com a China, reconhecendo que só existe uma China e que o governo comunista de Beijim é seu único representante legítimo. Mas mantêm o compromisso histórico de defender a ilha para onde os nacionalistas do Kuomintang fugiram quando a revolução liderada por Mao Tsé-tung tomou o poder no continente, em 1º de outubro de 1949.

Desde o rompimento, nenhum presidente dos EUA havia mantido contato oficial direto com um presidente taiwanês. A China ainda não reagiu oficialmente.

De acordo com um porta-voz da equipe de transição do presidente eleito, Trump e Tsai "discutiram os laços econômicos, políticos e segurança estreitos" entre os dois países.

O partido da presidente taiwanesa é a favor da independência, o que pode gerar retaliação de Beijim. Desde sua eleição, o regime comunista cortou as comunicações porque a líder taiwanesa não proclamou oficialmente sua adesão ao princípio de que só existe uma China, pedra fundamental da política externa de Beijim.

"A ligação coloca em dúvida se Trump aceita ou não o princípio básico das relações EUA-China", comentou Evan Medeiros, ex-assessor do governo Barack Obama especialista em China, hoje na consultoria Eurasia Group. "É uma garantia de que as relações EUA-China sob Trump terão um início muito tumultuado."

Em 1979, quando do reatamento, a China era responsável por 2% do produto mundial bruto. Hoje, produz 16% da riqueza. É a segunda maior economia do mundo e uma superpotência em ascensão.

Taxa de desemprego nod EUA cai para 4,6%

A economia dos Estados Unidos gerou 178 mil vagas de emprego a mais do que fechou em novembro de 2016, anunciou hoje o Departamento do Trabalho. A taxa de desemprego caiu de 4,9% para 4,6%. É a menor em nove anos, desde agosto de 2007, antes do início da Grande Recessão (2008-9).

Os analistas esperavam 180 mil empregos e 4,9%. Em outubro, o saldo foi de 142 mil postos de trabalho. Houve uma pequena queda de 0,1% na média dos salários, que cresceu 2,5% na comparação anual.

A queda na taxa de desemprego indica ao mesmo tempo avanço no emprego e que cerca de 400 mil desempregados desistiram de procurar emprego, saindo da força de trabalho. O índice de desemprego amplo, incluindo o subemprego (trabalho temporário e bicos), caiu de 9,5% para 9,3%. Nos dois anos anteriores à crise, 2006 e 2007, ficou na média de 8,3%.

A participação das pessoas em idade de trabalhar no mercado de trabalho baixou de 62,8% para 62,7%. Na faixa etária mais produtiva, de 25 a 54 anos, a queda foi de 81,6% para 81,4%.

O setor com maior aumento de empregos nos últimos 12 meses foi o de serviços profissionais e empresariais, com 571 mil vagas, seguido de saúde, com 407 mil. A indústria manufatureira fechou 54 mil postos de trabalho e a mineração, 87,3 mil. O presidente eleito, Donald Trump, promete restaurar o emprego na indístria.

"Este relatório de emprego abre caminho para aumento nas taxas de juros", comentou Jason Schenker, diretor-presidente da consultoria Prestige Economics. "É a coroação de uma série contínua de dados econômicos positivos."

Para o jornal inglês Financial Times, a aposta do mercado financeiro numa alta de juros na próxima reunião do Comitê de Mercado Aberto da Reserva Federal (Fed), o comitê de política monetária do banco central dos EUA, em 13 e 14 de dezembro, se aproxima dos 100%.

Seria o segundo aumento em uma década, desde junho de 2006. Em dezembro de 2008, o Fed praticamente zerou sua taxa básica para 0-0,25% ao ano. Há um ano, fez um pequeno aumento para uma faixa de 0,25%-0,5% ao ano.

No início do ano, a expectativa era de até quatro altas de juros nos EUA em 2016. Os problemas da China e outros sinais de fraqueza da economia mundial reduziram a aposta para duas altas. Esta agora é dada como certa.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Hollande desiste da reeleição à Presidência da França

Em uma decisão inesperada, o presidente François Hollande anunciou hoje que não será candidato à reeleição à Presidência da França na eleição de 23 de abril e 7 de maior de 2017. O primeiro-ministro Manuel Valls passa a ser o favorito para ser o candidato do Partido Socialista.

Com a queda da popularidade do presidente abaixo de 10%, até um mínimo de 4%, a esquerda francesa se inquieta com as pesquisas que apontam um segundo turno entre a ultradireita e a centro-direita no próximo ano.

Seria uma repetição do primeiro turno da eleição presidencial de 2002. Em 21 de abril daquele ano, o líder da neofascista Frente Nacional, Jean-Marie Le Pen, bateu o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin, que adotara medidas econômicas impopulares para enquadrar a França na união monetária que criou o euro, por menos de 200 mil votos (16,86% a 16,18%).

A ultraesquerda negou apoio a Jospin e teve 11%, abrindo caminho Le Pen, que perderia no segundo turno para o presidente Jacques Chirac, que teve 82% dos votos.

Se esse quadro se repetir em 2017, com derrota da esquerda no primeiro turno e união de todas as forçcas democráticas contra o neofascismo no segundo turno, o ex-primeiro-ministro François Fillon, do partido Os Republicanos, herdeiro de Chirac, será o próximo presidente da França.

Para ter uma chance, o PS propôs a realização de uma eleição primária da esquerda. De início, seria apenas uma manobra para legitimar a candidatura de Hollande, quando o presidente seria candidato natural à reeleição.

No fim de semana, o presidente da Assembleia Nacional, o deputado socialista Claude Bortolone, defendeu a ampliação da primária da esquerda e convidou Hollande, Valls, o ex-ministro liberal Emmanuel Macron e Jean-Luc Mélenchon, líder da Frente de Esquerda, que reúne grupos à esquerda do PS.

A primária está marcada para 22 e 29 de janeiro. É a última esperança da centro-esquerda de ter um candidato forte e competitivo em 2017 na França. O ex-ministro da Economia Arnaud Montebourg manifestou a intenção de participar. Macron, por enquanto, mantém sua candidatura independente pelo movimento Em Marcha.

Tailândia tem novo rei

O príncipe herdeiro Maha Vajiralongkorn Bodindradebayavarangkun ascendeu hoje ao trono da Tailândia como sucessor do pai, o rei Bhumibol Adulyadej, que morreu em 13 de outubro de 2016 depois de reinar por 70 anos, noticiou o jornal tailandês The Bangkok Post.

A data da coroação ainda não foi marcada. Será realizada no próximo ano, depois da cremação do rei morto;

O convite oficial foi feito pela Assembleia Nacional da Tailândia, dominada pelo Conselho Militar pela Paz e a Ordem, a junta militar que deu um golpe em maio de 2014.

Colômbia volta a negociar paz com ELN em janeiro

Ao mesmo tempo em que o Congresso ratificava o acordo de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC), o governo colombiano anunciou ontem o reinício, em janeiro de 2017, do diálogo com o Exército de Libertação Nacional (ELN), noticiou o jornal Latin American Herald Tribune.

Em declaração divulgada em Quito, a capital do Equador, onde será realizada a primeira rodada de negociações com o ELN, os representantes do governo manifestaram a esperança de que até lá seja libertado o ex-deputado Odín Sánchez, sequestrado pelo grupo.

O início de negociações de paz entre o governo e o segundo maior grupo guerrilheiro da Colômbia foi anunciado em 27 de outubro, em Quito. Por causa do sequestro de Sánchez, o presidente Juan Manuel Santos não viajou ao Equador.

Em 7 de novembro, o comandante supremo do ELN, Nicolás Rodríguez Bautista, de nome de guerra Gabino, perdão para dois rebeldes capturados pelo governo para soltar o ex-deputado. O governo colombiano respondeu que qualquer perdão "deve cumprir a lei em vigor".

A Colômbia agradeceu à colaboração do Equador e ao apoio de Brasil, Chile, Cuba, Noruega e Venezuela às negociações de paz com o ELN.

Com a ratificação pelo Congresso do acordo de paz com as FARC, os cerca de 7 mil homens em armas devem se concentrar em 20 áreas determinadas e entregar as armas sob a supervisão das Nações Unidas nos próximos seis meses. Mas a guerrilha advertiu que só vai depor as armas depois da aprovação de uma anistia para 2 mil guerrilheiros presos. É a próxima batalha legislativa do presidente Santos.

A oposição ao acordo, liderada pelo ex-presidente Álvaro Uribe, considera uma rendição a garantia de vagas no Congresso para as FARC nas duas próximas eleições, independentemente do resultado das urnas.

quarta-feira, 30 de novembro de 2016

Congresso aprova novo acordo de paz com as FARC

O Congresso da Colômbia aprovou hoje uma versão revisada do acordo de paz negociado com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). A versão original foi rejeitada por pequena margem em referendo realizado em 2 de outubro de 2016.

O acordo de paz foi ratificado ontem no Senado e hoje na Câmara, onde o presidente Juan Manuel Santos tem maioria, sem necessidade de nova consulta popular. Santos ganhou o Prêmio Nobel da Paz 2016 mesmo com a derrota no referendo.

Apesar de algumas mudanças, os adversários do acordo, liderados pelo ex-presidente Álvaro Uribe, denunciam uma suposta impunidade para os guerrilheiros que durante 52 anos tentaram derrubar o governo colombiano.

Avião da Chapecoense teve pane elétrica e falta de combustível

Pouco antes do trágico acidente, o piloto do avião que levava a equipe da Chapecoense para Medelim, na Colômbia, declarou em desespero à torre de controle do aeroporto: "O voo LaMia 2933 tem uma pane elétrica total e está sem combustível", revelaram as gravações de voz de uma das caixas-pretas da aeronave, citadas pelo jornal colombiano El Tiempo.

Setenta uma pessoas morreram no acidente, inclusive a delegação da Chapecoense, que disputaria hoje em Medelim o primeiro jogo da final da Copa Sul-Americana e vários jornalistas que cobririam a partida.

Em entrevista à televisão americana CNN, a ex-inspetora-geral do Departamento de Transporte dos Estados Unidos, Mary Schiavo, descreveu o caso como "negligência criminosa".

"As regulamentações internacionais e da maioria dos países exigem que um avião leve combustível suficiente para mais do que sua viagem, para chegar a um aeroporto próximo do destino e fazer um pouso de emergência em caso de necessidade e para mais meia hora de viagem", declarou Schiavo.

Na gravação de 12 minutos, a controladora de voo do aeroporto de Medelim fala com o voo da companhia boliviana LaMia e outro da colombiana Avianca. No primeiro momento, o piloto do avião da Chapecoense não informa a torre sobre a gravidade da situação, tanto que a controladora dá prioridade de pouso para um terceiro avião, da empresa Viva Colombia.

Depois de sete minutos de conversa, o piloto Miguel Quiroga alerta o controle de voo que está em situação de emergência:

- O voo LaMia CP-2933 está em aproximação. Pedimos prioridade para aproximação porque se apresentou um problema com combustível - apelou o piloto.

- Entendo. Solicita prioridade para sua aterrissagem igualmente por problema de combustível, certo? - responde a torre.

- Afirmativo - falou Quiroga.

- Ok. Atento, lhe darei os vetores para proceder ao localizador e efetuar a aproximação. Em aproximadamente sete minutos, iniciarei a confirmação - acrescenta a controladora de voo.

Em seguida, a torre pede ao piloto que notifique o rumo e mantenha o rumo para a descida. Minutos depois, Quiroga volta a pedir os vetores para a aterrissagem, sinal de que não sabia onde estava.

A operadora avisa então que há um avião abaixo do avião da LaMia que iria aterrissar antes, assim que os funcionários do aeroporto examinassem se havia combustível derramado na pista de pouso.

- Que tempo tem para permanecer em aproximação? - quis saber a controladora de voo.

- Com emergência de combustível, senhorita. Por isso, estabelecemos de uma vez um curso final - informou o piloto com a voz embargada pela dramaticidade da situação.

O controle de voo insiste para que o Avro RJ85 da LaMia faça algumas manobras porque há outros aviões nos arredores do aeroporto. Tarde demais.

Quiroga havia iniciado a descida e notificado a torre de controle. Duas aeronaves foram orientadas a sair do caminho.

- O voo tem uma pane elétrica total e está sem combustível - afirmou o piloto em tom dramático.

A torre avisa ao piloto que o voo desapareceu dos radares e pedem que ele dê sua localização. A resposta do piloto é seu último contato:

- A dez mil pés. Vetores, vetores, senhorita, vetores da pista... Estamos a nove mil pés. Vetores, vetores...

Conselho de Segurança aprova novas sanções à Coreia do Norte

Por unanimidade, o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovou hoje novas sanções ao regime comunista da Coreia do Norte por violar resoluções anteriores e ter feito em setembro seu quinto teste de armas nucleares, noticiou a agência Reuters.

O principal foco das novas sanções é a exportação de carvão norte-coreana. O país fica proibido de vender ao exterior cobre, níquel, prata e zinco. As exportações de carvão do regime stalinista de Pionguiangue terão um limite de 7,5 milhões de toneladas ou US$ 400,9 milhões, um corte estimado em cerca de 60%.

Desde o fim da União Soviética, em 1991, quando perdeu seu maior patrocinador, a Coreia do Norte, o país mais fechado do mundo, faz uma chantagem atômica, ameaçando os países vizinhos e os Estados Unidos com o desenvolvimento de armas nucleares.

Esta opção nuclear foi reforçada pela ascensão ao poder do jovem e inseguro Kim Jong Un, o terceiro na dinastia que governa o último país a manter todos os rituais do stalinismo, censura, tortura, perseguição implacável a dissidentes, campos de concentração, paradas militares e civis monumentais, julgamentos e assassinatos políticos.

Como a Coreia do Norte faz cada vez mais testes nucleares e de mísseis, parece que a estratégia de contenção adotada pelos EUA com a colaboração parcial da China não está funcionando. O regime comunista chinês não têm o menor interesse em desestabilizar a região.

Na prática, Beijim sustenta a ditadura de Pionguiangue, mas não quer a instalação de um sistema de defesa antimísseis americano na Coreia do Sul e do Japão. Isso daria uma vantagem estratégica aos EUA num possível conflito futuro com a China.

Carter aconselha Obama para reconhecer a Palestina

Ainda existe uma chance escassa para uma paz no Oriente Médio baseada na coexistência pacífica de dois estados no território histórico da Palestina. Diante das tentativas do governo linha-dura de Israel de anexar a Cisjordânia, o ex-presidente Jimmy Carter recomendou ao presidente Barack Obama que os Estados Unidos reconheçam a independência da Palestina antes da posse de Donald Trump, em 20 de janeiro de 2017.

Em artigo no jornal The New York Times, Carter aconselha Obama a seguir o exemplo de outros 137 países que reconheceram a independência da Palestina, entre eles o Brasil, para que o país passe a ser membro pleno das Nações Unidas.

"Lá em 1978, durante meu governo, o primeiro-ministro de Israel, Menachen Begin, e o presidente do Egito, Anuar Sadat, assinaram os acordos de paz de Camp David", lembrou Carter. "Os acordos foram baseados na Resolução 242 do Conselho de Segurança da ONU, aprovada depois da Guerra dos Seis Dias, em 1967.

"As palavras-chaves foram 'a inadmissibilidade de conquista de território através da guerra e a necessidade de trabalhar por uma paz justa e duradoura no Oriente Médio na qual todo estado da região possa viver em segurança' e 'na retirada das Forças Armadas de Israel dos territórios ocupados no conflito recente'."

O processo de paz no Oriente Médio iniciado pela Conferência de Madri, em 1991, usaria nos acordos de Oslo a mesma fórmula de devolução dos territórios ocupados em troca de paz e segurança. Mas o processo foi interrompido pelo assassinato do primeiro-ministro Yitzhak Rabin, em novembro de 1995, e a ascensão do primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu, no ano seguinte.

Carter elogia declaração de Obama em 2009 exigindo o congelamento total da colonização dos territórios árabes ocupados, sem mudar o comportamento do governo israelense. Em 2011, o atual presidente afirmou que os dois estados deveriam ter como base as fronteiras anteriores à guerra de 1967.

Hoje são 4,5 milhões de palestinos vivendo sob a ocupação militar de Israel, sem qualquer direito à cidadania, enquanto 600 mil colonos gozam de plenos direitos garantidos pela legislação israelense. O risco, adverte Carter, é que essa discriminação mine a democracia em Israel.

Com o reconhecimento da independência da Palestina pelos EUA, acrescenta o ex-presidente, o Conselho de Segurança da ONU estabeleceria os parâmetros para um acordo de paz definitivo, "reafirmando a ilegalidade de todos os assentamentos israelenses além das fronteiras de 1967

Estado Islâmico reivindica ataque a campus nos EUA

A organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante reivindicou ontem a responsabilidade pelo ataque que deixou onze pessoas feridas num campus da Universidade Estadual de Ohio em Columbus, nos Estados Unidos, cometido por um estudante somaliano morto pela polícia.

A tentativa de assumir a autoria apareceu na agência de propaganda do Estado Islâmico. Foi detectada pelo centro americano de vigilância de sítios jihadistas, SITE. Mas não há qualquer indicação de que a relação com o grupo terrorista vá além da inspiração ideológica.

Depois de jogar seu carro contra um grupo de estudantes, Abdul Razak Ali Artan desceu com um facão e continou atacando até ser baleado e morto pela polícia. No relato dos jihadistas, ele "realizou sua operação em resposta aos apelos para alvejar os cidadãos dos países da coalizão internacional" que luta contra o Estado Islâmico no Oriente Médio.

Na madrugada desta terça-feira, quatro feridos continuavam hospitalizados, em condições estáveis. Abdul Razak Artan deu entrevista ao jornal estudantil The Lantern em agosto reclamando da falta no campus de uma sala para os muçulmanos fazerem suas orações.

O terrorista foi descrito como um estudante reservado, que tinha receio sobre a maneira como os outros o percebiam e lamentava que os meios de comunicação produzam o que na sua opinião é uma imagem distorcida dos muçulmanos.

EUA cresceram mais do que estimado no terceiro trimestre

O ritmo de crescimento da economia dos Estados Unidos de julho a setembro de 2016 superou a expectativa do mercado e a estimativa oficial, de 2,9%, avançando 3,2%, o melhor desempenho em dois anos, anunciou a agência Reuters citando como fonte o Departamento do Comércio. Em média, os analistas previam 3%.

A maior economia do mundo avançou num ritmo anual de 0,8% no primeiro trimestre, 1,4% no segundo e 3,2% no terceiro. A aceleração é atribuída ao consumo doméstico e às exportações.

Foi o crescimento mais forte desde o terceiro trimestre de 2014. As exportações tiveram o maior avanço desde o quarto trimestre de 2013.

Outra pesquisa indicou uma alta em setembro de 5,5% num ano nos preços das casas, um sinal de plena recuperação do setor habitacional do mercado imobiliário, onde começou a Grande Recessão de 2008-9.

Uma terceira sondagem apontam um aumento da confiança do consumidor americano em novembro para o maior nível em nove anos, apesar das incertezas ao redor das políticas do presidente eleito, Donald Trump.

Com a delegacia regional da Reserva Federal (Fed), o banco central dos EUA, em Atlanta prevendo uma expansão de 3,6% ao ano no quarto trimestre, aumenta a expectativa de aumento nas taxas básicas de juros na próxima reunião do Comitê de Mercado Aberto do Fed, marcada para 13 e 14 de dezembro.