quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Irã ataca Trump e Israel na Assembleia Geral da ONU

Ao discursar hoje na sessão anual da Assembleia Geral das Nações Unidas, o presidente do Irã, Hassan Rouhani, atacou o "desonesto regime sionista" que "atropela os direitos dos palestinos" por "ter a audácia de pregar para nações pacíficas". O Irã não reconhece Israel e trata o país como "regime sionista".

Rouhani contra-atacou duramente as críticas do presidente Donald Trump ao acordo firmado em 2015 entre a república islâmica, os Estados Unidos, a Alemanha e as outras grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança da ONU (China, França, Reino Unido e Rússia) para desarmar o programa nuclear iraniano. Descreveu o pronunciamento de Trump como uma "retórica ignorante, absurda e odiosa".

Em seu discurso ontem, o presidente americano considerou o acordo nuclear "um dos piores e mais unilaterais" já firmados pelos EUA. O governo linha-dura de Israel pressiona Trump a abandonar o acordo.

"Não ameaçamos ninguém, mas também não aceitamos ser ameaçados", declarou o aiatolá. "Nosso discurso é de respeito e dignidade."

Ele defendeu o acordo como um modelo e afirmou que a república islâmica nunca desonrou seus compromissos internacionais: "Será uma pena se este acordo for destruído por novatos desonestos no mundo político", acrescentou, alfinetando o presidente americano.

Quando defendeu o direito do povo palestino a uma pátria independente, o líder iraniano argumentou: "Somos o mesmo povo que resgatou os judeus da servidão na Babilônia." Rouhani negou que o objetivo da ditadura teocrática iraniana seja "restaurar o antigo império [persa], impor sua religião oficial e outros e exportar a revolução pela força das armas."

O Irã, que tem uma das maiores reservas mundiais de gás e petróleo, quer cooperação para a segurança e o desenvolvimento econômico, disse o aiatolá: "Convido todos os interessados em paz, segurança e progreosso através da parceria e da cooperação entre as nações a visitar o Irã."

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Trump ameaça na ONU "destruir totalmente" a Coreia do Norte

Depois de acusar o ditador Kim Jong Un de estar em "uma missão de suicídio de si mesmo e do regime", o presidente Donald Trump ameaçou hoje "destruir totalmente" a Coreia do Norte, se precisar defender os Estados Unidos e seus aliados.

Antes de participar da sessão anual da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, Trump se reuniu com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

Mais uma vez, o líder israelense o pressionou a revisar o acordo assinado em 2015 pela República Islâmica do Irã, as cinco grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança da ONU (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha para desarmar o programa nuclear iraniano.

Em seu discurso, além de ameaçar a Coreia do Norte, Trump criticou o acordo nuclear com o Irã como "um dos mais unilaterais" já assinados pelos EUA. O acordo com o Irã, avalizado por todo o Conselho de Segurança da ONU, é considerado um modelo para uma solução diplomática da crise na Península Coreana.

Desde 2006, o regime comunista norte-coreano fez seis testes nucleares e vários testes de mísseis capazes de transportar ogivas atômicas. Agora, o regime stalinista de Pionguiangue deve ter bombas atômicas. Ainda não se sabe se tem capacidade de miniaturizar as bombas para colocá-las na cabeça de mísseis.

Com seus sucessivos testes militares, a Coreia do Norte está aperfeiçoando seus mísseis e bombas atômicas. Trump considera isso inaceitável. Ele também condenou a ditadura de Nicolás Maduro na Venezuela e convocou os aliados dos EUA a boicotar a Coreia do Norte, o Irã e a Venezuela.

Terremoto de 7,1 graus abala o México e mata ao menos 224 pessoas

Um forte tremor de terra de 7,1 graus na escala aberta de Richter sacudiu hoje a região central do México, inclusive a capital, com maior impacto no estado de Morelos. Mais de 220 pessoas morreram, informam as agências de notícias e as televisões especializadas em notícias.

O segundo abalo sísmico forte no país neste mês aconteceu no aniversário do terremoto de 1985, que destruiu muitos prédios na Cidade do México e matou pelo menos 6 mil pessoas. Foi o pior da história do México.

Em 7 de setembro de 2017, às 23h49 (1h49 do dia seguinte em Brasília), um terremoto de 8,2 graus na Escala Richter com epicentro no Golfo de Tehuantepec, no Oceano Pacífico, sacudiu a costa sul do México, especialmente os estados de Oaxaca e Chiapas, e parte da Guatemala, causando pelo menos 96 mortes. Desde então, houve 3.170 tremores secundários na região.

Hoje a terra tremeu às 13h14 pela hora local (15h14 em Brasília) a uma profundidade de 57 quilômetros. O epicentro do terremoto, o ponto da superfície mais próximo do tremor, fica a 12 km a sudeste de Axochiapán, em Morelos, na divisa estadual entre Morelos e Puebla, e a 120 km da capital, informou o Serviço Sismológico Nacional, da Universidade Nacional Autônoma do México.

Dois milhões de pessoas estão sem energia elétrica na capital. Várias casas e prédios desabaram no bairro Roma, onde muitos estrangeiros vivem na Cidade do México. Agentes da defesa civil tentam encontrar sobreviventes entre os escombros. A mesma cena se repete nas cidades de Puebla e Cuernavaca.

OEA condena morte de preso político na Venezuela

A Organização dos Estados Americanos (OEA) protestou ontem contra a ditadura de Nicolás Maduro por causa da morte de um preso político na Venezuela no domingo passado. Carlos Andrés García estava detido há nove meses.

"Condenamos a flagrante violação dos direitos humanos pelo regime da Venezuela, que causou a morte do vereador Andrés García", declarou no Twitter o secretário-geral da OEA, o ex-ministro do Exterior do Uruguai Luis Almagro, horas depois da morte.

Em 8 de agosto, o Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos denunciou os "crimes contra a humanidade" cometidos pelo governo Maduro na repressão à onda de manifestações de protesto iniciada em abril. Pelo menos 124 pessoas morreram, mais de 160 de acordo com a oposição.

García não recebeu tratamento médico e uma ordem judicial para libertá-lo por razões humanitárias foi ignorada.

Desde as manifestações de fevereiro de 2014, o número de presos políticos chegou a cerca de 600, acusa a organização de defesa dos direitos humanos Foro Legal.

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

Ativistas do povo de Biafra incendeiam mesquita na Nigéria

Militantes do movimento Povo Indígena de Biafra (IPOB, do inglês) tocaram fogo no fim de semana em uma mesquita na cidade de Ogrute, capital da região de Igbo-Ezer, no estado de Enugu, no Sudeste da Nigéria, o país mais populoso da África.

O ataque provocou tumulto e pânico onde os moradores do povo hauçá, o mais numeroso do país, que é muçulmano. Na semana passada, o Exército cercou e atacou a casa do líder do IPOB, Nnmandi Kanu, que lidera o movimento pela independência. Ele estaria planejando uma fuga para a vizinha República de Camarões,

Em Abuja, a capital federal, o governo central acusou indivíduos descontentes politicamente e saqueadores de tesouros de patrocinar agitadores e separatistas do IPOB para desestabilizar a Nigéria. O ministro da Informação e da Cultura, Alhaji Lai Mohammed, acusou o grupo de não ter outro propósito.

A guerra civil de Biafra (1967-70) foi um dos conflitos mais graves da África depois da independência, com um total de 1 milhão de mortos em combate e de fome.

Polícia britânica prende suspeito do ataque ao metrô de Londres

A polícia britânica, Scotland Yard, prendeu sábado à noite em Hounslow, na periferia de Londres, um homem de 21 anos, o segundo suspeito do ataque ao metrô da capital do Reino Unido que deixou 29 feridos na última sexta-feira.

O primeiro suspeito, detido na sexta-feira no porto de Dover, quando tentava fugir do país, foi identificado como um iraquiano de 18 anos. A organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante reivindicou a responsabilidade pelo atentado, mas provavelmente foi apenas inspiradora.

Dois dias depois do ataque, o nível de alerta contra o terrorismo foi rebaixado de máximo para crítico.

domingo, 17 de setembro de 2017

Egito condena ex-presidente a 25 anos de prisão por espionagem

O Superior Tribunal de Justiça do Egito condenou ontem o ex-presidente Mohamed Mursi a 25 anos de prisão, sob a acusação de espionagem para um governo estrangeiro, no caso, do Catar. Outros três réus, também membros da Irmandade Muçulmana, foram sentenciados à morte.

Durante o ano em que governou o Egito, da eleição de maio de 2012 ao golpe de 3 de julho de 2013, Mursi teria deixado vazar segredos de Estado para o Catar, que no momento está sendo isolado pelas monarquias petroleiras do Golfo Pérsico.

Mursi foi primeiro presidente eleito democraticamente da história do Egito. A eleição foi realizada mais de um ano depois da queda do ditador Hosni Mubarak, em 11 de fevereiro de 2011, na chamada Primavera Árabe.

Com seu autoritarismo, Mursi e a Irmandade Muçulmana, o mais antigo grupo fundamentalista muçulmano, fundado em 1928, foram rejeitados tanto pelas forças ao antigo regime quanto pelos revolucionários que se concentraram na Praça da Libertação, no centro do Cairo, a partir de 25 de janeiro de 2011.

Em 2013, as massas voltaram a ocupar a praça, daquela vez para pedir ao Exército que afastasse Mursi. O marechal Abdel Fattah al-Sissi derrubou os islamistas e virou ditador. O chamado Estado profundo (Forças Armadas, serviços secretos, burocratas e empresários beneficiados pelo regime) voltou a assumir o controle total do poder.

Em junho de 2016, um juiz de primeira instância condenou Mursi a 40 anos de prisão. Na revisão final, a sentença caiu para 25 anos. O tribunal manteve as penas de morte para o documentarista Ahmed Ali Abdo, o aeronauta da companhia aérea Egypt Air Mohamed Adel Kilani e o professor universitário Ahmed Ismail Thabet. Outro réu pegou prisão perpétua e dois foram condenados a 15 anos

O ex-presidente já cumpre uma pena de 20 anos pela morte de manifestantes durante protestos de rua em 2012

sábado, 16 de setembro de 2017

Procurador que investigava Cristina Kirchner foi morto, conclui inquérito

O procurador especial Alberto Nisman foi assassinado em 19 de janeiro de 2015. Horas depois, iria apresentar ao Congresso da Argentina alegações de que a presidente Cristina Kirchner era responsável por um acordo secreto. Seu objetivo era encobrir a participação do Irã no pior atentado terrorista da história da América Latina e o pior contra judeus desde o fim da Segunda Guerra Mundial. A hipótese de suicídio de Nisman, defendida pelo governo Cristina Kirchner, está descarta.

Era uma segunda-feira, 18 de julho de 1994, 85 pessoas morreram e 300 saíram feridas de um atentado com carro-bomba contra a Associação Mutual Israelita Argentina (AMIA), um clube da comunidade judaica do país, a maior da América Latina, com cerca de 300 mil pessoas.

Depois de nove anos de investigação, em 2003, a Justiça argentina acusou a República Islâmica do Irã de planejar o atentado e a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá pela execução. Oito altos funcionários iranianos, inclusive o falecido presidente Ali Akbar Hachemi Rafsanjani e o ex-ministro da Defesa Ahmad Vahidi, e um cidadão libanês foram denunciados.

O ex-embaixador Hadi Soleimanpour chegou a ser detido em Londres, mas foi libertado pela Justiça do Reino Unido.

Em 13 de setembro de 2004, Alberto Nisman, judeu, foi nomeado procurador especial para o Caso AMIA. Os pedidos internacionais de prisão dos dois oito iranianos e do libanês voltaram a ser feitos pelo governo argentino e começou a investigação sobre o .

Uma possibilidade é que tenha sido uma vingança direta contra o governo Carlos Menem (1989-99). De origem árabe e muçulmana, Menem se converteu ao catolicismo para ser presidente da Argentina.

Durante a campanha, Menem pediu dinheiro aos países árabes, inclusive ao então ditador da Líbia, Muamar Kadadi. No poder, adotou uma política externa de alinhamento automático com os Estados Unidos e Israel. Em 1991, a Argentina foi o único país da América Latina a enviar forças para a Guerra do Golfo.

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Estado Islâmico reinvindica autoria do atentando em Londres

Através de sua agência de propaganda online Amaq, a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante tentou assumir a responsabilidade pelo atentado de hoje contra o metrô de Londres, que deixou 29 feridos.

Como sempre, há dúvidas se trata-se de uma célula terrorista controlada diretamente pelo Estado Islâmico ou de extremistas muçulmanos seduzidos pela propaganda do grupo.

No Twitter, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cobrou uma ação mais rigorosa contra as atividades dos radicais islâmicos nas redes sociais da Internet. Em conversa telefônica, a primeira-ministra britânica, Theresa May, o criticou por revelar que a polícia do Reino Unido já identificou o terrorista.

Atentado terrorista no metrô de Londres deixa 29 feridos

No quinto atentado terrorista do ano na Inglaterra, uma bomba explodiu parcialmente no metrô de Londres, deixando 29 feridos, inclusive uma brasileira com ferimentos leves que já está em casa.

A bomba caseira foi deixada dentro de um trem do metrô dentro de um pacote com um balde que pegou fogo e acionada por controle remoto depois que o terrorista desembarcou, perto da estação de Parsons Green. A explosão foi apenas parcial. A polícia encontrou o detonador.

Os moradores da área, um bairro de classe média alta do Sudoeste de Londres, no caminho das quadras de tênis de Wimbledon, socorreram os feridos.

A primeira-ministra britânica, Theresa May, elevou o estado de alerta contra o terrorismo de "grave" para "crítico". Isso significa que a Scotland Yard e os serviços secretos consideram que há o risco iminente de um novo ataque.

Nigéria ataca casa do líder do povo de Biafra

Numa verdadeira operação de guerra, com 100 blindados e sete caminhonetes Hilux, as forças de segurança da Nigéria invadiram ontem a casa de Nnamdi Kanu, o líder do Povo Indígena de Biafra (IPOB). Pelo menos 15 pessoas teriam sido mortas.

Kanu, seus pais e seus filhos estão desaparecidos, denuncia um movimento pela independência que ressurge 50 anos depois do início da Guerra de Biafra (1967-70), uma das guerras civis mais trágicas da África, com cerca de 1 milhão de mortos, grande parte de fome.

"Eles arrombaram a casa do nosso líder em Ibeku Umuahia, no condado de Afaraukwu, às 13h30" (9h30 em Brasília), declarou a porta-voz do IBOP, Emma Powerful. "A operação conjunta do Exército da Nigéria, da polícia e do serviço secreto, e até mesmo da defesa civil, invadiu a casa de Nnamdi Kanu e matou vários partidários nossos na frente da casa do líder."

Os soldados chegaram na região 48 horas depois de um confronto entre partidários do IPOB e o Exército no domingo e cercaram a casa de Kanu. "Agora, não sabemos onde estão nosso líder, Mazi Nnamdi Kanu, e sua família, inclusive seu pai, sua mãe e seus filhos", acrescentou a porta-voz.

"A invasão do foi liderada pelo general de exército Muhammadu Buhari", o presidente nigeriano, "sob a supervisão do general de divisão Tukur Yusuf Buratai", comandante do Exército, "e de seu exército de ocupação", protestou o (IPOB). "Eles mataram muitos partidários nossos que estavam com o líder Mazi Nnamdi Kanu e levaram os corpos."

Antes de deixar a localidade, um grupo de soldados invadiu a sede da Federação dos Jornalistas da Nigéria no estado de Abia, destruiu computadores e outros objetos de valor. Os soldados estariam tentando destruir fotos e imagens que teriam sido feitas durante a operação.

"A missão conjunta chegou em veículos blindados, com armas sofisticadas. Ficaram atirando esporadicamente durante três horas e meia.

Depois da euforia inicial com a independência, em 1960, os desequilíbrios econômicos regionais, tribais e religiosos desencadearam uma série de conflitos. A fraude nas eleições de outubro de 1965 levou a um colapso da ordem pública no Leste da Nigéria.

Em janeiro de 1966, um grupo de jovens do povo ibo tentou dar um golpe de Estado, matando o primeiro-ministro Balewa e dois governadores regionais. A tentativa do general Johnson Aguiyi Ironsi de abolir as regiões e impor um governo unitário causou violentos protestos contra os ibos no Norte.

Em julho de 1966, um grupo de oficiais do Norte da Nigéria deu um contra-golpe. Ironsi foi assassinado. O coronel Yakubu Gowon tomou o poder. Uma série de massacres interétnicos, em outubro de 1966, agravou a situação. O Sul, rico em petróleo, ameaçava se separar.

Numa última tentativa de manter a paz, o governo militar dividiu as quatro regiões do país em 12 estados, enquanto a Assembleia Consultiva do Leste autorizava o coronel Odumegwu Ojukwu a criar uma república independente.

GUERRA CIVIL
Em 30 de maio de 1967, Ojukwu declarou a independência de três estados do Leste, fundando a República de Biafra com o apoio da França. O governo federal da Nigéria, apoiado pelo Reino Unido, rejeitou a independência de Biafra.

Os combates, iniciados em julho de 1967, logo degeneraram numa guerra civil total. Os ibos cruzaram o Rio Níger, tomaram a cidade de Benin e marchavam rumo a Lagos quando foram detidos na cidade de Ore. Em seguida, o contra-ataque federal chegou a Enugu, a capital de Biafra.

FOME EM MASSA
Os próximos dois anos foram marcados pelo cerco e a paulatina redução do enclave de Biafra, com pesadas perdas entre a população e uma fome em massa. As imagens dos ibos de Biafra morrendo de fome são comparáveis às que o mundo veria em Bangladesh em 1971, na Etiópia em 1984 e na Somália em 1992.

Quando Biafra estava reduzida a um sexto de seu território, sem munição e sem comida, em 24 de dezembro de 1969, as tropas federais lançaram o assalto final. Em 15 de janeiro de 1970, depois da fuga de Ojukwu para a Costa do Marfim, Biafra se rendeu.

PACIFICAÇÃO
Mais de um milhão de pessoas foram mortas no mais sangrento conflito tribal da História da África antes da guerra civil na República Democrática do Congo, onde se estima que 5,4 milhões de pessoas morreram entre 1996 e 2002, na chamada Primeira Guerra Mundial Africana, que reuniu nove exércitos e centenas de grupos armados irregulares.

Por mais sangrenta que tenha sido a guerra civil de Biafra, a pacificação é considerada um modelo para acabar com guerras tribais na África. Se houvesse massacres e assassinatos em massa, talvez Biafra tivesse até hoje um grupo guerrilheiro.

Ao anunciar a vitória, o agora general Gowon declarou que “não há vencedores nem vencidos” e prometeu: “Eu solenemente repito nossas garantias de anistia geral para todos os que foram enganados a participar da rebelião. Eu garanto pessoalmente a segurança de quem se submeter à autoridade federal”.

Não foram permitidas retaliações de jovens oficiais que queriam se vingar nem exigidas compensações dos ibos. Não foram dadas medalhas e condecorações aos vencedores.

“Como resultado da guerra, acredito que a Nigéria aprendeu que um movimento político etnocêntrico não seria viável”, admitiu Emeka Ojukwu, líder da revolta e presidente de Biafra, em entrevista ao jornalista americano Blaine Harden, autor do livro África: despachos de um continente frágil, que aponta a Nigéria como uma das grandes esperanças da África negra.

quinta-feira, 14 de setembro de 2017

Coreia do Norte dispara novo míssil sobre o Japão

A Coreia do Norte realizou há pouco mais um teste de mísseis. O foguete teleguiado passou por cima da ilha de Hokkaido, a mais ao norte das quatro maiores ilhas do arquipélago do Japão, informou o Estado-Maior das Forças Armadas da Coreia do Sul. 

Horas antes, em reação às novas sanções aprovadas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, a ditadura comunista de Pionguiangue ameaçou usar mísseis nucleares para "afundar o Japão" e reduzir os EUA a "cinzas e escuridão".

O presidente sul-coreano, Moon Jae In, descartou a possibilidade de que o país desenvolva suas próprias armas nucleares, alegando que uma corrida armamentista agravaria ainda mais a situação no Leste da Ásia.

Turquia adverte curdos do Iraque a não declarar independência

A Turquia elogiou hoje uma decisão da Assembleia Nacional do Iraque para rejeitar a proposta de realização de um plebiscito sobre a independência do Curdistão iraquiano convocado para 25 de setembro. O governo turco teme a eclosão de um movimento pela independência do Sudeste do país, onde os curdos são maioria, e ameaçou tomar medidas de força em caso de aprovação.

O Parlamento iraquiano autorizou o primeiro-ministro Haider al-Abadi de "tomar todas as medidas necessárias" para manter a unidade do Iraque, inclusive o uso da força. O líder curdo Massoud Barzani prometeu levar à frente a votação, que considera "um direito natural".

"Consideramos a posição de insistência da liderança curda iraquiana em relação ao plebiscito e suas declarações cada vez mais emocionais preocupantes", declarou em nota o Ministério do Exterior da Turquia. "Deve-se nota que esta insistência tem um custo. Pedimos que ajam com bom senso e abandonem este projeto errôneo imediatamente."

Com cerca de 35 milhões de pessoas, os curdos são a maior nação do mundo sem um Estado Nacional, uma antiga aspiração enterrada pelo Império Britânico no fim da Primeira Guerra Mundial. O povo curdo se espalha pela Turquia, o Irã, o Iraque, a Síria e o Azerbaijão. A maioria, estimada em 15 a 20 milhões, vive na Turquia.

Na guerra civil da Síria, os curdos são a principal força terrestre aliada dos Estados Unidos na guerra contra a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante. O ditador turco, Recep Tayyip Erdogan, teme que uma faixa do Norte da Síria liberada pelas Forças Democráticas Sírias (FDS) se una ao Curdistão iraquiano.

Hoje, o Curdistão iraquiano é uma região semi-autônoma do Norte do Iraque, onde a vive a terceira maior população curda, estimada em 5,6 a 8,5 milhões de pessoas. Depois do avanço do Estado Islâmico no Iraque em 2014, os curdos passaram a ter ainda mais autonomia na prática em relação ao frágil governo central de Bagdá.