sábado, 19 de agosto de 2017

Procuradora-geral foge da Venezuela de lancha

Sob ameaça de prisão pela ditadura de Nicolás Maduro, a procuradora-geral Luisa Ortega Díaz e seu marido, o deputado chavista dissidente Germán Ferrer, fugiram da Venezuela de lancha, foram até a ilha de Aruba e chegaram de avião ontem à Colômbia, noticiou o jornal venezuelano El Nacional.

Chavista histórica, Luisa Ortega denunciou a Assembleia Nacional Constituinte convocada por Maduro como ilegal, ilegítima e uma traição à memória de Hugo Chávez e sua Constituição da República Bolivarista da Venezuela. Ela exigia a realização de um plebiscito e a realização de eleições diretas.

Uma das primeiras decisões da Constituinte de Maduro, há duas semanas, foi afastá-la do cargo. A procuradora-geral investigava não só violações dos direitos humanos durante a repressão à onda de manifestações iniciada em abril como a corrupção, inclusive os negócios da construtora brasileira Odebrecht. Teria saído do país com documentos importantes para acusar Maduro.

Sem passaportes, confiscados pela ditadura de Maduro, Luisa Ortega e o marido chegaram ontem às 15h30 (17h30 em Brasília) ao aeroporto El Dorado, em Bogotá.

O casal saiu da Península de Paranaguá, na Venezuela, às 2h30 (4h30 em Brasília) da madrugada de sexta-feira numa lancha rápida junto com a chefe de gabinete, Gioconda González Sánchez, e Arturo Vilar Estévez, depois que o Tribunal Supremo de Justiça decretou a prisão de Ferrer.

Também ontem, a Constituinte usurpou os poderes legislativos da Assembleia Nacional eleita democraticamente em 6 de dezembro de 2015, quando a oposição conquistou dois terços das cadeiras.

Este sempre foi o objetivo da Constituinte de Maduro, tomar o poder do Parlamento dominado pela oposição e assumir poderes totais, com o controle do Executivo, do Judiciário e agora Legislativo, anulando a vontade popular.

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Constituinte de Maduro dissolve Assembleia Nacional da Venezuela

Mais uma etapa do golpe do ditador Nicolás Maduro contra as instituições da Venezuela foi perpetrada hoje. A Assembleia Nacional Constituinte ilegal e ilegítima convocada pelo regime chavista usurpou os poderes da Assembleia Nacional eleita democraticamente em 6 de dezembro de 2015, onde a oposição conquistou maioria de dois terços.

Por unanimidade, os deputados eleitos numa votação manipulada pela ditadura aprovaram um decreto autorizando a Constituinte a exercer o Poder Legislativo. Na prática, a medida acaba com a única instituição onde a oposição podia se manifestar e exercer algum direito na Venezuela.

A Constituinte resolveu "assumir as competências para legislar diretamente para garantir a preservação da paz, da soberania, do sistema socioeconômico e financeiro, dos bens do Estado e dos direitos dos venezuelanos", declarou uma nota.

A decisão é resultado da recusa da Assembleia Nacional em "jurar lealdade" à Constituinte. A presidente da Constituinte de Maduro, a ex-chanceler Delcy Rodríguez, convidou o presidente e os dois vice-presidentes para uma reunião. Eles recusaram porque negam legitimidade à Constituinte.

"Não compareceremos ante à mentira da Constituinte. Não somos obrigados a fazer isso", afirmou a Mesa da Unidade Democrática, a coalizão oposicionista.

Depois da recente declaração desastrada do presidente Donald Trump ameaçando com uma intervenção militar na Venezuela, a ditadura acusa a oposição por manifestações violentas e de conspirar com os Estados Unidos para acabar com a "revolução bolivarista" iniciada pelo finado caudilho Hugo Chávez.

No início do mês, a Constituinte destituíra a procuradora-geral, Luisa Ortega Díaz, que a considerou inconstitucional e um ultraje à memória e à herança política de Chávez.

Desde o início do ano, Maduro conspira para cassar os poderes do Parlamento eleito democraticamente. Primeiro, o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), subserviente ao regime, anulou as decisões da Assembleia Nacional por suposto "desacato" a uma decisão judicial ao dar posse a deputados que tiveram as eleições impugnadas pelo Judiciário chavista.

Em 30 de março, TSJ assumiu o Poder Legislativo. Diante da revolta generalizada, recuou três dias depois, mas a semente da discórdia estava lançada. Desde o início de abril, a Venezuela vive num clima de pré-guerra civil, com manifestações de protesto diárias nas grandes cidades em que pelo menos 127 pessoas foram mortas.

Sem sucesso da manobra inicial, Maduro apelou para a convocação de uma Constituinte, mas violou a Constituição várias vezes, o que caracteriza um golpe de Estado. Agora, finalmente, conseguiu anular a Assembleia Nacional dominada pela oposição.

Para começar, a Constituição da República Bolivarista da Venezuela exige a realização de um plebiscito para aprovar a convocação de uma Constituinte. Com grande impopularidade por causa da crise econômica sem precedentes na história do país, Maduro evitou a consulta popular.

As eleições da Constituinte violaram a regra básica da democracia, o sufrágio direto, secreto e universal em que cada pessoa tem direito a um voto e todos os votos valem a mesma coisa. Nas eleições sob medida de Maduro, cada cidade teve direito de eleger um deputado e as capitais estaduais, dois. Isso deu um poder enorme a pequenas comunidades rurais dominadas pelo chavismo.

Dois terços dos deputados foram eleitos por essa "regra territorial". O resto por entidades pelegas ligadas ao regime. No mundo inteiro, só a Rússia, a Bolívia e a Nicarágua aprovaram a Constituinte de Maduro.

O Mercosul, liderado por Brasil e Argentina, suspendeu a Venezuela até a restauração da democracia. Mas o regime marcha no sentido contrário, aumentando o risco de guerra civil no país vizinho.

Estrategista de ultradireita de Trump cai depois de Charlottesville

Depois da debandada de grandes executivos que acabou com os conselhos empresariais da Casa Branca, o caótico governo Donald Trump perdeu hoje seu principal estrategista. 

O ultradireitista Steve Bannon é mais uma vítima da Batalha de Charlottesville, quando uma manifestação neonazista foi confrontada por militantes antifascistas. O presidente dos Estados Unidos foi ambíguo e culpou "ambos os lados".

"O chefe da Casa Civil, John Kelly, e Steve Bannon chegaram a um acordo mútuo de que hoje será o último dia de Steve", anunciou  a assessora de imprensa da Casa Branca, Sarah Huckabee Sanders, citada pelo jornal The New York Times. "Agradecemos pelo seu serviço e lhe desejamos o melhor."

Próximo dos grupos brancos de extrema direita responsáveis pelos conflitos, Bannon era editor do sítio de ultradireita Breitbart, um dos principais meios de comunicação da campanha de Trump, que disse que ele teria pedido demissão em 7 de agosto.

Havia boatos sobre sua saída desde que o presidente nomeou o general John Kelly para a Casa Civil da Casa Branca em substituição a Reince Priesbus, queimado pelo então diretor de comunicações do governo, Anthony Scaramucci. Além deles, Trump também demitiu o assessor de Segurança Nacional, Michael Flynn, por mentir sobre contatos com a Rússia.

Com a chegada do general Kelly para pôr ordem no governo, Scaramucci foi afastado e agora chegou a vez de Bannon. O problema é que Trump está agora cercado de seus parentes e de generais. Quem vai orientar a agenda política do presidente?

A desculpa para demitir Bannon foi uma entrevista nesta semana à revista progressista American Prospect. Ele ridicularizou a estratégia militar em relação à Coreia do Norte: "Até que alguém resolva a parte da equação que mostra que 10 milhões de pessoas morreriam em meia hora em Seul, não sei do estamos falando, não há solução militar, eles nos pegaram."

Bannon acusou os diplomatas do Departamento de Estado de morreram de medo com a mudança da política comercial para trocar o liberalismo por um nacionalismo econômico agressivo e atacou a extrema direita, que sob sua influência aderiu a Trump: "Esses caras são uma coleção da palhaços, marginais e perdedores. Temos de esmagá-los."

Depois do conflito do último fim de semana na Virgínia e da resposta ambígua de Trump ao não condenar inequivocamente os neonazistas e partidários do Ku Klux Klan, a pressão contra Bannon dentro do Partido Republicano aumentou. O general Kelly aproveitou para se livrar dele.

Ataque a faca mata dois e fere seis na Finlândia

Um homem atacou pessoas a facadas hoje numa praça diante de um mercado na cidade de Turku, na Finlândia. Duas pessoas morreram e outras seis saíram feridas. A polícia baleou e prendeu o agressor, mas não revelou sua identidade, noticiou a agência Reuters.

A ministra do Interior, Paula Risikko, descreveu o terrorista como "com a aparência de estrangeiro" e comparou a ação aos ataques na Catalunha. Dois jornais sensacionalistas britânicos disseram que ele gritou "Alá é grande!" na hora do ataque, mas isso não foi confirmado por fontes confiáveis.

A polícia deu o incidente por encerrado e liberou a área, mas procura possíveis cúmplices do agressor e reluta em tratar o caso como terrorismo, informou a televisão pública britânica BBC.

NOTA: No dia seguinte, as autoridades da Finlândia concluíram que foi um atentado terrorista.

Total de mortos em atentados na Catalunha sobe para 14

Com a morte de uma mulher atropelada na cidade balneária de Cambrils, subiu hoje para 14 o número total de mortos nos atentados terroristas na Catalunha, uma região autônoma da Espanha. 

A polícia acredita que célula terrorista responsável pelos ataques tinha 12 membros: cinco morreram em Cambrils, quatro estão presos e três continuam foragidos. O principal alvo agora é Moussa Oukabir, que alugou o veículo usado em Barcelona.

Entre os 14 mortos e mais de 100 feridos, há pessoas de 34 nacionalidades. Isso mostra a diversidade das pessoas que estavam na Rambla, a avenida mais famosa de Barcelona e da Espanha, com uma grande área de pedestres que vai da Praça da Catalunha até o porto, onde uma estátua de Cristóvão Colombo saúda a Descoberta da América.

Por ali, o terrorista dirigiu em ziguezague a 80 quilômetros por hora durante 550 metros, da Praça da Catalunha até a altura do Teatro do Liceu, atropelando e matando.

Como os dois atentados foram coordenados, e a explosão numa casa horas seria uma tentativa de armar uma bomba, havia uma célula terrorista criada ou inspirada pela milícia jihadista Estado Islâmico do Iraque e do Levante no coração da Catalunha.

Na opinião do professor Fawas Gerges, especialista em Oriente Médio da London School of Economics e autor de uma história do Estado Islâmico, é uma nova estratégia da organização infiltrar células terroristas em grandes cidades no momento em que é derrotada nos campos de batalha do Iraque e da Síria.

Se o Califado proclamado há três anos pelo líder Abu Baker al-Baghdadi, o Califa Ibrahim, praticamente desapareceu e ele fugiu, os atentados terroristas em grandes cidades tem ampla visibilidade e repercussão internacional, permitindo ao Estado Islâmico recrutar a inspirar novos voluntários para o martírio por esta seita apocalíptica.

Deputado pede impeachment de Trump por tolerar neonazistas

O deputado Steve Cohen, democrata eleito pelo estado do Tennessee, membro da Subcomissão de Constituição e Justiça Civil da Comissão de Justiça da Câmara de Representantes dos Estados Unidos, vai pedir a abertura de um processo de impeachment do presidente Donald Trump por causa dos comentários a respeito dos conflitos provocados por neonazistas em Charlottesville, na Virgínia.

"Em vez de condenar inequivocamente as ações odiosas dos neonazistas, nacionalistas brancos e homens do Ku Klux Klan depois de uma tragédia nacional, o presidente disse que 'havia gente boa dos dois lados'. Não há bons nazistas. Não homens do Klan bons", declarou o deputado.

As declarações de Trump dando uma equivalência moral aos neonazistas e ao movimento antifascista chocaram o país e o mundo, suscitaram mais dúvidas sobre sua capacidade de liderança em momentos de crise e provocaram uma dura reação de Israel. Pela legislação dos EUA, a denúncia contra o presidente precisa ser aprovada na Câmara por maioria absoluta e por dois terços do Senado.

"Lutamos uma guerra mundial para derrotar os nazistas e uma guerra civil para derrotar a Confederação", acrescentou Steve Cohen. Foram as duas guerras em que mais morreram americanos.

Pelo menos 618 mil pessoas foram mortas na Guerra da Secessão (1861-65), quando os estados do Sul tentaram se separar para manter a escravidão. Em uma nova estimativa feita pelo professor David Hackner, da Universidade de Binghamton, em Nova York, o total de mortos subiu para 750 mil. Na Segunda Guerra Mundial, morreram 419 mil americanos.

"Em reação à queda da Confederação e da subsequente aprovação das emendas constitucionais da Reconstrução, o KKK iniciou uma campanha para aterrorizar os afro-americanos, intimidando-os para que não exercessem seus novos direitos civis", comentou o deputado ao propor o impeachment de Trump.

Cohen lembrou ainda: "As encarnações subsequentes do clã continuaram a aterrorizar os afro-americanos com linchamentos e assassinatos como os de Medgar Evers, Schwerner, Chaney, Goodman e outros ativistas dos direitos civis."

A inacreditável comparação com a Alemanha, inimiga na Segunda Guerra Mundial foi inevitável: "Quando eu vi os vídeos dos protestos em Charlottesville, me lembrei dos vídeos que havia visto da Noite dos Cristais, em 1938, na Alemanha nazista. Parecia que os manifestantes de Charlottesville estavam gritando 'judeus não vão nos substituir' e 'sangue e solo', infames palavras de ordem nazistas, enquanto marchavam com tochas que formavam a imagem das ações do Klan."

Naquela concentração de supremacistas brancos inspirados pela Guerra Civil Americana e pela doutrina de Adolf Hitler, não havia manifestantes inocentes como alegou Trump: "Nenhum dos manifestantes com esse palavreado pode ser considerado 'gente como boa', como sugeriu o presidente."

Cohen citou entrevistas dos neonazistas. Sean Patrick Nielsen declarou que "uma das três razões estar ali era 'matar judeus'. Outra era Christopher Cantwell, um líder nacionalista branco que disse que não conseguia ver 'aquele bastardo do Kushner andando por aí com aquela menina linda' e que esperava que 'alguém como Donald Trump, mas que não desse sua filha a um judeu', liderasse o país."

E concluiu: "Como judeu, como americano e como representante de um distrito afro-americano, estou revoltado pelo fato do presidente dos EUA não ter se erguido e condenado inequivocamente os nazistas que querem matar judeus, cujos predecessores mataram 6 milhões de judeus no Holocausto, e condenado inequivocamente os homens do Klan, uma organização dedicada a aterrorizar afro-americanos."

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Polícia da Catalunha mata cinco em operação antiterrorismo

Na madrugada desta sexta-feira, a Polícia da Catalunha, na Espanha, anunciou ter evitado um segundo atentado ao matar cinco terroristas, desta vez na cidade praiana de Cambrils, 110 quilômetros ao sul de Barcelona, onde ontem à tarde uma caminhonete foi jogada contra pedestres matando 13 pessoas e ferindo mais de 100.

Os cinco terroristas de Cambrils entraram de caminhonete na área de pedestres quando foram mortos a tiros pelos policiais depois de ferir sete pessoas. Eles carregavam explosivos, facas, martelos e falsos coletes suicidas.

A polícia revelou ainda agora há pouco que uma morte numa explosão numa casa em Alcanar, na quarta-feira, tinha relação com o atentado de Barcelona. Isso significa que a célula terrorista estava fabricando bombas para realizar ações mais violentas. A polícia ainda caça o motorista da caminhonete.

Para os especialistas em terrorismo, é provável que a explosão tenha ocorrido durante a fabricação de uma bomba e pode ter acelerado a execução do atentado em Barcelona usando uma caminhonete como arma.

A organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante reivindicou a autoria do primeiro atentado, mas não há certeza de que tenha relação operacional com o grupo que cometeu os atentados.

Para o professor Fawas Gerges, especialista em Oriente Médio da London School of Economics e autor de uma história do Estado Islâmico, se os três ataques foram coordenados, isso indica que há uma célula terrorista no coração da Catalunha.

Com a derrota nos campos de batalha do Iraque e da Síria, a estratégia do Estado Islâmico é infiltrar células terroristas em grandes cidades, onde seus ataques têm maior visibilidade e repercussão internacional, permitindo recrutar novos voluntários do martírio.

Estado Islâmico reivindica autoria do atentado terrorista em Barcelona

Através de sua agência de propaganda na Internet Amaq, a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante reivindicou a responsabilidade pelo ataque com uma caminhonete em alta velocidade que atropelou e matou 13 pessoas e deixou outras 100 feridas, noticiou o jornal espanhol El País. Como sempre faz isso, fica a dúvida se foram militantes do grupo ou uma célula inspirada pela organização.

"Os executores do ataque em Barcelona são soldados do Califado e realizaram uma operação contra um país da coalizão" de 68 países liderada pelos Estados Unidos que desde setembro de 2014 bombardeia o Estado Islâmico no Iraque e na Síria. Ontem, o governo iraquiano anunciou o início dos ataques aéreos contra Tal Afar, a última cidade importante em poder dos jihadistas.

Foi o oitavo atentado com atropelamento desde que um tunisiano matou 86 pessoas em Nice, no Sul da França, durante a festa de aniversário da Revolução Francesa de 1789, em 14 de julho de 2016. Os outros foram realizados em Estocolmo, Berlim, Paris e Londres.

Dois suspeitos foram presos em Barcelona. Um é marroquino e o outro do enclave espanhol de Melila, na África. O motorista responsável pelo atropelamento continua desaparecido.

A Espanha contribui para a aliança anti-EI com 425 soldados e policiais que treinam as Forças Armadas e a polícia do Iraque no combate ao terrorismo. Também participa junto com a França de operações antijihadistas no Gabão, no Mali e no Senegal, na África.

Atentado terrorista mata 13 pessoas em Barcelona

Uma caminhonete investiu contra uma multidão hoje na Rambla, perto da Praça da Catalunha, no centro de Barcelona. As autoridades locais confirmaram uma morte e 32 feridos. A agência Reuters fala em 13 mortes.

O caso está sendo tratando como terrorismo, a exemplo do que aconteceu em outros atentados com veículos atribuídos à milícia jihadista Estado Islâmico do Iraque e do Levante e seus seguidores.

Era pouco antes das 17h em Barcelona (12h em Brasília) quando uma caminhonete branca avançou sobre uma passagem de pedestres que liga a Praça de Catalunha à Rambla, um dos locais mais movimentados da cidade. Muitas pessoas fugiram para um centro comercial próximo.

Até agora, as autoridades locais só confirmaram uma morte, mas um enfermeiro que estava no local e ajudou no socorro às vítimas disse ao jornal espanhol El País ter visto pelo menos seis mortos.

Israel atacou comboios de armas 100 vezes nos últimos cinco anos

Israel bombardeou carregamentos de armas para seus inimigos como a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus) cerca de 100 vezes desde 2012, declarou o general-brigadeiro Amir Eshel, que está deixando o comando da Força Aérea israelense, noticiou o jornal liberal israelense Haaretz.

Várias autoridades de Israel, inclusive o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, admitiram que as Forças Armadas do país atacaram comboios com armamentos em várias frentes dezenas de vezes, mas não citaram números precisos.

Com microfone aberto, Netanyahu contou aos primeiros-ministros da Hungria, Polônia, República Tcheca e Eslováquia: "Eu disse ao Putin. Quando vemos remessas de armas para o Hesbolá, atacamos. Fizemos isso dezenas de vezes."

Agora, pela primeira vez, um alto comandante das Forças de Defesa de Israel reconhece essa política publicamente.

"Uma ação pode ser um ato isolado, pequeno, num alvo específico, ou pode levar uma semana intensa envolvendo um grande número de elementos", declarou o general Eshel. "Há outra coisa que acredito ser muito significativa. Tivemos o bom senso de não levar o Estado de Israel à guerra."

No Oriente Médio, a escalada de um conflito para a guerra é "trivial", comentou o general. "Quando Israel tem um real interesse, age independentemente dos riscos. Penso que na visão dos nossos inimigos, como eu entendo, esta linguagem é clara aqui e compreendida também além do Oriente Médio."

Cinquenta anos depois da Guerra dos Seis Dias, em junho de 1967, quando destruiu as forças aéreas inimigas em terra com um ataque supresa, a Força Aérea de Israel está pronta para mais um ataque preventivo contra o Hesbolá, a principal força terrestre de apoio ao regime de Bachar Assad na guerra civil da Síria.

"Não estou dizendo que Israel deve realizar ataques preventivos", ressalvou Eshel. "É um dilema estratégico e tudo precisa ser considerado. Mas hoje temos a mesma habilidade contra novos inimigos - organizações terroristas com controle disperso."

quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Iraque anuncia bombardeio ao Estado Islâmico em Tal Afar

Com o apoio da coalizão aérea liderada pelos Estados Unidos, o governo do Iraque começou a bombardear a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante na cidade de Tal Afar, noticiou o jornal Daily Sabah. Quando a campanha estiver concluída, começará a ofensiva por terra.

Tal Afar está em poder do Estado Islâmico desde 2014. Depois da queda de Mossul, a segunda maior cidade do Iraque, que também havia sido conquistada há três anos, Tal Afar é um dos últimos redutos da milícia extremista muçulmana no Iraque.

Em 29 de junho, depois de nove meses de batalha, a televisão estatal iraquiana anunciou com orgulho: "O mito do Califado do Estado Islâmico acabou." Mas a guerra não terminou.

Sem Tal Afar, o Estado Islâmico não terá mais nenhum território importante sob controle. Para sobreviver, deve recuar a grupo terrorista clandestino e realizar atentados terroristas suicidas nas cidades do Iraque, especialmente nas áreas que um dia dominou.

No deserto, ainda há bolsões no Estado Islâmico. Por isso, parte das forças usadas na ofensiva contra Mossul foi deslocada para a província de Ambar, junto à fronteira com a Síria, onde as Forças Democráticas Sírias, uma aliança árabe-curda apoiada pelos EUA, travam a Batalha de Rakka para tomar a chamada capital do Estado Islâmico.

Depois de ganhar a guerra, o governo iraquiano terá pela frente a tarefa formidável de conquistar a paz. O país está arrasado. As milícias que apoiam o Exército do Iraque vão cobrar seu preço.

A maioria xiita está dividida entre partidários do primeiro-ministro Haider al-Abadi, do ex-primeiro-ministro Nuri al-Maliki e do clérigo radical Muktada al-Sader. Os sunitas se consideram marginalizados desde a queda do ditador Saddam Hussein, em 2003. O desafio democrático do Iraque é integrar os árabes sunitas. E os curdos convocaram um plebiscito sobre a independência para 25 de setembro.

Mulher-bomba do Boko Haram mata 27 pessoas na Nigéria

Um atentado terrorista suicida cometido por uma mulher-bomba atribuído ao grupo terrorista Boko Haram matou 27 pessoas além dela e deixou 83 feridos num mercado da vila de Konduga, perto da cidade de Maiduguri, no estado de Borno, no Nordeste da Nigéria, noticiou o jornal nigeriano The Daily Post.

Cinco horas antes, o Exército havia lançado uma mega operação de comandos mobilizando 2 mil soldados de elite para caçar o líder da milícia extremista muçulmana Boko Haram, Abubakar Shekau. O comandante do Exército quer capturá-lo vivo ou morto em 40 dias.

Foi o terceiro atentado terrorista deste agosto na Nigéria. A explosão aconteceu às 17h50 pela hora local (13h50 em Brasília), quando o mercado estava cheio. A Agência Nacional de Gerenciamento de Emergências e a Agência Estadual de Gerenciamento de Emergências foram acionadas e ainda não confirmaram o total de mortos e feridos.

Mais de 15 mil pessoas morreram na África Ocidental desde que o Boko Haram, cujo nome significa repúdio à educação ocidental, aderiu à luta armada para impor a lei islâmica à região. Há dois anos, o líder que agora está sendo caçado jurou lealdade à organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante.

Desde então, o Boko Haram se apresenta como a Província do Estado Islâmico na África Ocidental. Shekau já foi declarado morto. Alimenta o mito da própria invulnerabilidade.

terça-feira, 15 de agosto de 2017

Nigéria mobiliza 2 mil soldados para caçar líder do Boko Haram

Com 2 mil soldados de elite, o Exército da Nigéria começou hoje oficialmente a operação para caçar o líder da milícia terrorista Boko Haram, Abubakar Shekau, 18 dias depois de seu comandante, general Tukur Yusuf Buratai, ordenar sua captura vivo ou morto em 40 dias, informou o jornal nigeriano The Daily Post.

O comandante no teatro de operações, general Ibrahim Attahiru, organizou os 2 mil soldados de elite em comandos de operações especiais capaz de realizar patrulhas e armar emboscada no interior profundo do país.

Ao saudar os soldados designados para a missão, o general Attahiru lembrou que depende deles o sucesso da Operação Lafiya Dole e deu sua receita para a vitória: "disciplina, inteligência, autoconfiança e uma determinação implacável".

Cerca de 15 mil pessoas foram mortas desde que o grupo extremista muçulmano Boko Haram (repúdio à educação ocidental) virou uma milícia e aderiu à luta armada, em 2009, para impor a lei islâmica na África Ocidental.

Em março de 2015, Shekau jurou lealdade à organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Desde então, o Boko Haram se apresenta como a Província do Estado Islâmico na África Ocidental. Depois do Estado Islâmico, é o grupo terrorista que mais mata no mundo.

Trump recua e culpa "ambos os lados" em Charlottesville

Durou pouco mais de 24 horas a condenação explícita do presidente Donald Trump aos grupos neonazistas que entraram em choque com militantes antifascistas no sábado em Charlottesville, no estado da Virgínia. Hoje o presidente dos Estados Unidos voltou a culpar "ambos os lados" pela violência.

Depois de ficar em silêncio durante dois dias, sob intensa pressão dentro de seu próprio partido, Trump responsabilizou ontem grupos de extrema direita e citou nominalmente a organização do Ku Klux Klan e os supremacistas brancos. Voltou atrás hoje para incluir o que chamou de extrema esquerda.

"Penso que há culpa dos dois lados", declarou o presidente em entrevista na Trump Tower, sua residência particular em Nova York. "Você tinha de um lado um grupo que era ruim e do outro lado um grupo que também era violento e ninguém quer dizer isso, mas eu vou dizer agora. Você tinha um grupo do outro lado que não tinha permissão [para protestar] e saiu atacando. Eles foram muito violentos."

Sempre rápido ao atacar inimigos reais ou imaginários e a denunciar terroristas islâmicos, desta vez o presidente justificou a demora de dois dias para culpar os supremacistas brancos com base na cautela: "Antes de fazer uma declaração, preciso saber dos fatos." Ele não chamou o jovem que jogou um carro contra manifestantes antifascistas de terrorista.

No sábado, o presidente afirmou: "Condenamos nos termos mais fortes possíveis esta demonstração escandalosa de ódio, violência e intolerância de muitos lados." E repetiu: "muitos lados".

Desde então, quatro altos dirigentes industriais deixaram o Conselho Manufatureiro Americano, um órgão cosultivo da Casa Branca. Raivoso, Trump disse que eles saíram do governo "porque não estão levando seu trabalho a sério em relação a este país. Estão saindo constrangidos porque fabricam seus produtos no exterior."

Em seguida, o presidente argumentou que muitos manifestantes não eram neonazistas, estavam lá simplesmente protestando contra a remoção da estátua do general Robert Lee, comandante militar dos estados do Sul que lutaram para manter a escravidão e dividir os EUA na Guerra da Secessão (1861-65), o pior conflito armado da história do país, com mais de 600 mil mortes.

"Eu condenei os neonazistas", alegou Trump. "Condenei vários grupos diferentes. Mas nem todas aquelas pessoas eram neonazistas, acreditem em mim. Nem todas aquelas pessoas eram supremacistas brancos, em nenhuma medida. Aquelas pessoas estavam lá porque decidiram protestar contra a retirada da estátua de Robert Lee."

Trump questionou a remoção dos símbolos da Confederação, que lutou contra as forças abolicionistas da União, liderada pelo presidente Abraham Lincoln, dizendo que os presidentes e fundadores dos EUA George Washington e Thomas Jefferon tinham escravos: "George Washington será o próximo? Onde isso vai parar?"

Mais uma vez, o presidente acusou os jornalistas de distorcerem a realidade: "O que dizer da ultraesquerda que chegou atacando o que vocês chamam de ultradireita? O que dizer do fato que eles chegaram atacando com porretes na mão?"

Imediatamente, foi elogiado pelo ex-líder do KKK David Duke, que estava na manifestação neonazista em Charlottesville: "Obrigado, presidente Donald Trump, por sua honestidade e coragem ao dizer a verdade sobre Charlottesville e condenar os terroristas de esquerda."

Macron chega aos 100 dias com impopularidade recorde

Ao completar 100 dias no cargo, o jovem presidente Emmanuel Macron registra a maior queda de popularidade de um chefe da Estado da França. Em junho, quando seu partido República em Marcha conquistou maioria absoluta na Assembleia Nacional, Macron tinha o apoio de 64%. Hoje, só 36% estão satisfeitos com o presidente francês, enquanto 64% o desaprovam.

Na mesma pesquisa do Instituto Francês de Opinião Pública (Ifop), em julho, Macron tinha 54% a favor. Isso indica que a queda mais forte foi recente. Seu antecessor, François Hollande, chegou aos 100 dias com 46% de aprovação e 54% da rejeição.

A lua de mel foi rápida. O mais jovem líder francês desde o imperador Napoleão Bonaparte foi acusado de bonapartismo e perdeu apoio à direita ao discutir publicamente com o comandante-em-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general Pierre de Villiers, que criticou os cortes orçamentários e caiu.

Em setembro, depois da volta dos franceses das férias de verão no Hemisfério Norte, Macron terá de enfrentar os protestos dos sindicatos e das ruas contra sua proposta da reforma da Lei do Trabalho, que na França é maior do que a Bíblia. A reforma trabalhista foi uma das promessas de campanha de Macron.

segunda-feira, 14 de agosto de 2017

"China não vai permitir guerra na sua fronteira", diz cônsul no Rio

A China não acredita que o atual tiroteio verbal entre os Estados Unidos e a Coreia do Norte desande numa guerra. Defende a desnuclearização da Península da Coreia, uma solução pacífica e a estabilidade, afirmou hoje o cônsul geral no Rio de Janeiro, Li Yang.

"Duvido que eles vão à guerra", declarou o cônsul-geral chinês ao participar do seminário A China no Cenário Internacional, realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). "A China não permitir que ninguém faça guerra na sua fronteira", numa clara advertência aos EUA.

O jornal oficial chinês Global Times já avisou: se a Coreia do Norte atacar, a China fica neutra; se os EUA ou a Coreia do Sul agredirem, a China vai defender a Coreia do Norte.

Li lembrou que havia uma negociação em andamento depois da visita do presidente Bill Clinton e seu encontro com o fundador da Coreia do Norte, o Grande Líder Kim Il Sung, em 1994. Com a chegada de George W. Bush à Casa Branca, em 2001, a possibilidade de um acordo acabou.

"Estivemos perto em vários momentos. Quando chegamos perto, os EUA tomam medidas para reescalar", criticou o cônsul chinês.

Em artigo no jornal The Wall Street Journal no sábado passado, o ex-secretário de Estado Henry Kissinger, arquiteto da reaproximação EUA-China em 1971, argumentou que a solução pacífica da crise norte-coreana depende de uma convergência dos interesses estratégicos das duas grandes potências.

Ambas têm interesse na desnuclearização da Península Coreana para evitar uma corrida armamentista nuclear no Leste da Ásia, onde Japão, Coreia do Sul, Vietnã e outros países poderiam desenvolver armas atômicas.

"Se esse foco de conflito desaparecer, não haverá mais necessidade de tropas americanas na Península Coreana", comentou Li. Seria um elemento de barganha da China.

Kissinger teme que a desnuclearização leve ao colapso do regime norte-coreano. Ele entende que EUA e China precisam formular uma visão comum sobre o futuro da Coreia, se serão mantidos dois países ou a península será reunificada.

Outro ponto importante para a China é o desmantelamento do sistema de defesa antimísseis instalado na Coreia do Sul para proteger o país dos mísseis norte-coreanos. No futuro, pode ser usado contra a China em caso de conflito com os EUA.

Sobre a mobilização do Exército da Índia numa região da fronteira entre os dois países disputada desde a guerra civil de 1962, o consul insistiu que a China é a favor da solução pacífica de todos os conflitos. Mas fez uma advertência: "Se nossa terra for invadida ou ocupada, não teremos escolha."

Trump condena neonazistas com dois dias de atraso

Dois dias depois dos acontecimentos em Charlottesville, sob intensa pressão de seu próprio Partido Republicano, visivelmente a contragosto, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, finalmente condenou expressamente os grupos de ultradireita responsáveis pela violência que deixou três mortos, "inclusive o Ku Klux Klan, os neonazistas e supremacistas brancos".

"O racismo é um mal", declarou Trump, "e aqueles que causam violência em seu nome são bandidos e criminosos, inclusive o Ku Klux Klan, neonazistas, supremacistas brancos e outros grupos repugnantes diante do que consideramos mais caro como americanos."

Horas antes de sua declaração conciliatória, onde usou as palavras "amor", "alegria" e "justiça", o presidente havia atacado duramente no Twitter o diretor-geral do grupo Merck, Ken Frasier, que abandonou o Conselho Manufatureiro Americano, órgão consultivo da Casa Branca, em protesto contra "a intolerância e o extremismo".

Isso indica que Trump foi fortemente pressionado para condenar o racismo e os grupos supremacistas brancos explicitamente, depois de fazer uma acusação genérica de intolerância e extremismo de "muitas partes".

Trump relutou porque os grupos racistas de extrema direita fazem parte do núcleo duro de sua base de apoio. O ex-líder do KKK David Duke reclamou do presidente, lembrando que "ele foi eleito pelos americanos brancos, não por radicais de esquerda".

A campanha de Trump resgatou a legitimidade desses grupos e em nenhum momento, pelo menos até agora, ele havia se distanciado claramente desses partidários extremistas.

Líder empresarial negro deixa o governo Trump

Diante da ambiguidade do presidente em relação à passeata neonazista do fim de semana, o diretor-geral do grupo Merck, Kenneth Frasier, saiu hoje do Conselho Manufatureiro Americano do governo Donald Trump, dizendo que estava tomando uma posição contra a intolerância e o extremismo, noticiou a jornal digital The Huffington Post.

A primeira reação do presidente foi atacar o executivo no Twitter, disparando que agora Frasier teria mais tempo para pensar nos preços abusivos dos medicamentos.

Horas depois, finalmente, dois dias depois da manifestação de supremacistas brancos em Charlottesville, uma cidade universitária do estado da Virgínia, Trump denunciou nominalmente a organização racista Ku Klux Klan, os neonazistas e os supremacistas brancos, responsabilizando-os pela violência. Logo após os acontecimentos, o presidente havia condenado o "fanatismo e a violência" de "muitas partes" - e repetido "muitas partes".

domingo, 13 de agosto de 2017

Prefeito critica Trump por não condenar neonazistas

Um dia depois do conflito entre neonazistas e antifascistas em Charlottesville, na Virgínia, o prefeito democrata Michael Signer criticou hoje as "repetidas falhas" do presidente Donald Trump ao não condenar explicitamente os supremacistas brancos que invadiram a cidade.

"Vejam a campanha que ele fez. Vejam a aproximação a grupos supremacistas brancos, nacionalistas brancos", declarou o prefeito de Charlottesville em entrevista à televisão americana CNN.

O movimento Una a Direita convocou uma manifestação de protesto contra a remoção de uma estátua do general Robert Lee, comandante militar dos Estados Confederados do Sul, que lutaram para manter a escravidão e dividir os Estados Unidos na Guerra da Secessão (1861-65).

Quando viram símbolos nazistas, da organização racista Ku Klux Klan e da campanha de Trump no coração de uma cidade universitária americana, ativistas liberais, esquerdistas e antifascistas decidiram reagir.

Houve confronto e confusão. Um homem jogou um carro contra um grupo de manifestantes antifascistas, matando uma mulher de 32 anos e ferindo outras 19 pessoas.

Ao comentar o caso, Trump condenou a violência, o fanatismo e a intolerância de "muitas partes", generalizando, sem responsabilizar explicitamente os neonazistas.