domingo, 22 de abril de 2018

Trump exige desnuclearização para levantar sanções à Coreia do Norte

Congelar os testes nucleares e de mísseis não basta. Quando encontrar o ditador Kim Jong Un, no fim de maio ou início de junho, o presidente Donald Trump vai exigir o desmantelamento do arsenal nuclear da Coreia do Norte para suspender as sanções impostas pelos Estados Unidos.

Estas são duas questões fundamentais: o ritmo do desarmamento nuclear do regime comunista da Coreia do Norte e o cronograma de retirada das sanções internacionais.

"Quando o presidente diz que não vai repetir os erros do passado, significa que os EUA não farão concessões substanciais como levantar as sanções antes que a Coreia do Norte desmantele substancialmente seus programas nucleares", declarou um alto funcionário do governo Trump ao jornal The Wall Street Journal.

Em pronunciamento ao povo norte-coreano, Kim afirmou que estava congelando os testes nucleares e de mísseis porque o país atingiu o objetivo de ter armas atômicas. O objetivo central do regime stalinista de Pyongyang passaria a ser o desenvolvimento econômico.

"Se a Coreia do Norte partir para uma desnuclearização rápida, então o céu é o limite", acrescentou a mesma fonte. Mas Trump não vai oferecer nenhum benefício econômico antes de se certificar de que a desnuclearização é para valer.

No Twitter, o presidente americano observou que "estamos muito longe de uma conclusão com a Coreia do Norte, talvez as coisas funcionem, talvez não - só o tempo dirá... Mas o trabalho que estou fazendo agora deveria ter sido feito há muito tempo."

Ontem, Kim indicou que não pretende abrir mão das armas. Depois do encontro com o ditador da China, Xi Jinping, um porta-voz chinês citou o ditador norte-coreano para falar que prefere "medidas sincronizadas em fases para chegar à paz".

Durante o fim de semana da Páscoa, quando recebeu em Pyongyang o diretor-geral da CIA (Agência Central de Inteligência) e secretário de Estado designado, Mike Pompeo, Kim propôs um acordo baseado em concessões paralelas a cada fase que poderia se estender por anos.

"Um congelamento é simples de reverter", comentou o alto funcionário. O governo Trump exige medidas imediatas de grande impacto. Não aceita que a Coreia do Norte use as negociações como pretexto para driblar as sanções internacionais impostas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Como a aplicação das sanções depende basicamente da China, responsável por 90% do comércio exterior norte-coreano, Kim pode usar as negociações para convencer Beijim a aliviar a pressão.

A Coreia do Norte insiste na necessidade de ir construindo uma confiança mútua entre os dois países. Com base no histórico de negociações da Coreia do Norte, os EUA desconfiam de qualquer acordo baseado na implementação gradual da desnuclearização.

Terrorista suicida do Estado Islâmico mata 57 pessoas no Afeganistão

Pelo menos 57 pessoas que faziam fila para se alistar como eleitores foram mortas hoje por um homem-bomba em Cabul, a capital do Afeganistão. Outras 119 saíram feridas, informou o Ministério da Saúde Pública. A organização terrorista Estado Islâmico reivindicou a autoria do atentado.

O ataque aconteceu no fim da manhã no bairro de Dasht-i-Barchi, onde a maioria da população pertence à minoria xiita hazara. O Estado Islâmico é uma milícia extremista sunita. Já atingiu mesquitas, santuários, escolas e outros alvos xiitas. Na Internet, declarou ter atacado "apóstatas", como se refere aos xiitas.

Foi o pior ataque desde uma onda de atentado em janeiro, quando uma ambulância-bomba matou mais de 100 pessoas e feriu outras 235.

Cerca de 14 milhões de afegãos podem se registrar para votar nas eleições parlamentares e municipais de 20 de outubro. A inscrição pode ser feita em uma das 7,3 mil zonas e seções eleitorais, das quais 948 estão situadas em locais fora do controle governamental.

A inscrição eleitoral começou em 14 de abril. Até agora, o ritmo de alistamento é lento, talvez por causa da desesperança do eleitor diante da corrupção generalizada e do não cumprimento de promessas de melhoria das condições de segurança e nos serviços públicos.

Os salafistas, que pregam o retorno à "pureza" do Islã do tempo do profeta Maomé (571-632), dos Talebã ao Estado Islâmico, repudiam eleições democráticas. Só aceitam a "lei de Deus", sua interpretação do livro sagrado dos muçulmanos, o Corão, de acordo com a religião ditado por Alá ao profeta.

"Os hazaras não vão desistir nunca", reagiu Mohammad Zia Feroz, de 26 anos, empregados do Crescente Vermelho, o equivalente à Cruz Vermelha nos países muçulmanos. "Ameaças não vão nos parar. Não há alternativa além de participar das eleições."

Desde a derrota do Califado que tentou criar no Iraque e na Síria, o Estado Islâmico se infiltrou em países que vivem sob anarquia e guerra civil, especialmente na Líbia e no Afeganistão.

Irã ameaça retomar enriquecimento de urânio

A República Islâmica do Irã não está tentando fazer a bomba atômica, mas, se os Estados Unidos abandonarem o acordo nuclear assinado em 2015 com as grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas, vai retomar o enriquecimento de urânio "vigorosamente", advertiu o ministro do Exterior iraniano, Mohamed Javad Zarif. O urânio enriquecido é a carga das bombas atômicas mais simples.

Diante do aumento da tensão entre Israel e o Irã dentro da guerra civil da Síria, aumentou a expectativa de que o presidente Donald Trump, aconselhado pelo novo assessor de Segurança Nacional, John Bolton, decertifique o acordo, que congela o programa nuclear iraniano por uma década.

Há duas semanas, o presidente Hassan Rouhani declarou que os EUA "lamentariam" o fim do acordo. O Irã reagiria "em uma semana".

Trump quer "remediar as terríveis lacunas" que vê no texto acordo, enquanto a Alemanha, a China, a França, o Reino Unido e a Rússia querem mantê-lo como está. Sabem das dificuldades de renegociar um acordo, especialmente com um líder instável como o atual presidente americano.

Os EUA de Trump exigem um regime de inspeções mais rigoroso e o fim da limitação dos prazos de 10 a 15 anos para o Irã retomar as atividades nucleares. A decisão de manter ou não os EUA no acordo deve ser anunciada até 12 de maio.

Até o fim de abril, o presidente da França, Emmanuel Macron; a primeira-ministra do Reino Unido, Theresa May; e a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel; vão a Washington tentar persuadir Trump.

"Tentar apaziguar Trump, penso, será um exercício fútil", observou o chanceler iraniano. "Para o Irã, é importante receber os benefícios do acordo e, em hipótese alguma, o país aceitar uma aplicação unilateral." Se os EUA abandonarem o acordo, é "altamente improvável" que o Irã continue a respeitá-lo com os outros signatários.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Coreia do Norte anuncia suspensão de testes nucleares e de mísseis

Em mais uma surpresa, a Coreia do Norte anunciou a suspensão imediata dos testes nucleares e de mísseis balísticos intercontinentais. A instalação onde foram realizadas as seis explosões atômicas do regime comunista de Pyongyang será desativada. A uma semana do encontro com o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae In, o ditador Kim Jong Un tenta comprovar suas boas intenções.

A decisão do Comitê Central do Partido do Trabalho, reunido hoje pela primeira vez em seis meses, entra em vigor neste sábado. A resolução louva "a grande vitória da linha de perseguir simultaneamente o desenvolvimento econômico e a construção de uma força nuclear".

O regime stalinista promete "desmantelar o local de testes nucleares situado no Norte do país para demonstrar de forma transparente a suspensão dos testes nucleares".

Agora, a República Popular Democrática da Coreia, nome oficial do país, que reivindica soberania sobre toda a Península Coreana, apoia a proibição de testes nucleares e se compromete a nunca usar armas atômicas, a não ser se for ameaçada ou seja alvo de provocações nucleares.

Isso indica que o regime norte-coreano pretende manter um arsenal nuclear como garantia de segurança. Não é o que quer o presidente Donald Trump, que ameaçou abandonar o encontro de cúpula com Kim, previsto para fim de maio ou início de junho, se a Coreia do Norte não aceitar uma desnuclearização total.

Os Estados Unidos e a Coreia do Sul consideraram positivo o anúncio, mas o Japão avaliou como "insuficiente", especialmente porque a Coreia do Norte não falou sobre os mísseis de médio alcance, que ameaçam o arquipélago japonês.

Partido Democrata processa Rússia, campanha de Trump e WikiLeaks

O Partido Democrata entrou hoje com uma ação judicial acusando a campanha do presidente Donald  Trump de conspirar com o governo e os serviços secretos da Rússia para derrotar a candidatura da ex-secretária de Estado Hillary Clinton à Presidência dos Estados Unidos, em 2016.

A ação, protocolada no tribunal federal de primeira instância de Manhattan, em Nova York, cita Donald Trump Jr., o genro do presidente, Jared Kushner, e Roger Stone, assessor de Trump há muitos anos, como parte da conspiração.

A Rússia é acusada de "um ataque descarado contra a democracia americana" ao invadir os computadores do Partido Democrata e vazar para o WikiLeaks 44 mil mensagens de correio eletrônico da campanha de Hillary.

Os democratas repetem o que fizeram em 1972, quando processaram o comitê de reeleição do então presidente Richard Nixon pedindo uma indenização de US$ 1 milhão pela invasão da sede central do partido no Edifício Watergate, em Washington. O Escândalo de Watergate levou à renúncia de Nixon, em 1974.

Em relatório divulgado no início deste ano, a CIA (Agência Central de Inteligência), o FBI (Federal Bureau of Investigation) e a NSA (Agência de Segurança Nacional) apontam o serviço secreto militar russo (GRU) como responsável pela pirataria cibernética.

Desde sua vitória, Trump afirma que não houve conluio com a Rússia. O caso está sendo investigado pelo procurador especial Robert Mueller, nomeado depois que o presidente demitiu o então diretor-geral do FBI, James Comey, em 9 de maio de 2017.

Comey acaba de publicar um livro em que acusa Trump de ser "moralmente incapaz" de presidir os EUA.

quinta-feira, 19 de abril de 2018

Coreia do Norte admite desnuclearização sem retirada das forças dos EUA

O ditador Kim Jong Un não vai exigir a retirada das forças dos Estados Unidos da Coreia do Sul para abrir mão das armas nucleares da Coreia do Norte, afirmou hoje o presidente sul-coreano, Moon Jae In. Era um obstáculo importante. Kim também acenou com a possibilidade de negociar um acordo de paz, 65 anos depois do fim da Guerra da Coreia (1950-53).

Há décadas, o regime comunista norte-coreano exigia a retirada total dos hoje 28,5 mil soldados americanos estacionados na Península Coreana; não reconhecia os governos da Coreia do Sul e do Japão, descritos como "fantoches dos EUA"; reivindicava a soberania sobre toda a Península Coreana; e só aceitava negociar diretamente com Washington.

Desde o fim da Guerra Fria e da União Soviética, em 1991, a ditadura stalinista de Pyongyang faz uma chantagem atômica. Começou usando o programa nuclear para barganhar energia e alimentos para sustentar sua economia falida.

Como os EUA jamais aceitaram a exigência de uma retirada total, as negociações não avançaram. Em décadas de negociações frustradas, a Coreia do Norte chegou a destruir o reator do Centro de Pesquisas Nucleares de Yongbion, mas, desde 2006, fez seis testes nucleares, três desde a ascensão de Kim Jong Un, em dezembro de 2011.

A expectativa de desarmamento da ditadura stalinista é a grande razão para Trump ir à Coreia do Norte. Será o primeiro encontro de cúpula dos dois países. Na Semana Santa, Trump enviou o diretor-geral da CIA (Agência Central de Inteligência) e secretário de Estado designado, Mike Pompeo, a Pyongyang para avaliar o compromisso de Kim com negociações de desarmamento nuclear.

Nos últimos dias, Trump comentou que Pompeo "estabeleceu um bom relacionamento" com o governo norte-coreano. O encontro com Kim está previsto para fim de maio ou início de junho, mas o presidente americano ainda ameaça não ir.

Ao receber ontem o primeiro-ministro do Japão, Shinzo Abe, na Casa Branca, o presidente Donald Trump ameaçou não realizar e até abandonar a esperada reunião de cúpula com Kim se a questão central da desnuclearização não estiver na mesa.

O Japão não quis ficar de fora de uma negociação que vai definir o futuro geopolítico da região. Abe pediu a Trump que fale dos japoneses sequestrados há décadas pelo regime norte-coreanos, uma questão muito importante e sensível no Japão.

Em Seul, o presidente Moon está otimista: "Os norte-coreanos não apresentaram qualquer condição inaceitável para os EUA, como a retirada das tropas americanas da Coreia do Sul. Eles só falaram sobre o fim das hostilidades contra o país e a necessidade de garantias de segurança. Os planos para o diálogo entre o Norte e os EUA devem avançar porque isto está claro."

Moon se encontra com Kim em 27 de abril. No início do mês passado, quando um enviado especial do Sul esteve com o ditador de Pyongyang, Kim teria dito que a Coreia do Norte não precisaria de armas nucleares se não se sentisse "ameaçada militarmente" e recebesse "garantias de segurança".

Em 2016, o regime norte-coreano reafirmou que os EUA deveria retirar suas tropas da Coreia se quisessem a desnuclearização da península. A mudança de posição é fundamental para o sucesso das negociações. Como lembrou Moon, mantendo a cautela, "o diabo está nos detalhes".

quarta-feira, 18 de abril de 2018

Ascensão de Díaz-Canel marca fim da era Castro em Cuba

O vice-presidente Miguel Díaz Canel foi eleito hoje pela Assembleia Nacional como candidato único à Presidência de Cuba. Amanhã, será empossado por Raúl Castro, que substituiu o irmão Fidel a partir de 2006. A dinastia dos Castro governou Cuba durante quase 60 anos, desde a vitória da revolução, em 1º de janeiro de 1959.

É também uma mudança de gerações. Díaz-Canel, faz 58 anos amanhã. Não era nascido quando os guerrilheiros tomaram Havana. Como primeiro-secretário do Partido Comunista, Raúl será o poder por trás do trono até 2021.

É o lento adeus da geração revolucionária. Desde a morte de Fidel, Raúl é o último símbolo de uma era que se recusava a passar. Se for escolhido líder do partido, o novo presidente terá então plenos poderes.

Díaz-Canel começa amanhã um mandado de cinco anos, com direito a uma reeleição, uma regra estabelecida por Raúl. É um engenheiro eletrônico que subiu discretamente na hierarquia do partido. Será encarregado de tocar à frente a tímida abertura econômica ensaiada por Raúl na expectativa de manter o poder absoluto do regime comunista, o que é altamente improvável.

Como nunca deu entrevistas a estrangeiros, suas ideias são praticamente desconhecidas. "Não se sabe o que pensa e, além do mais, se em dez anos Raúl Castro não foi capaz de impulsionar as reformas por causa da resistência dos setores conservadores, não sei como poderá fazê-lo Díaz-Canel, que não tem sua legitimidade histórica e provavelmente não terá apoio unânime do Exército e do partido", raciocina o economista cubano Carmelo Mesa-Largo, professor da Universidade de Pittsburgh, na Pensilvânia, nos Estados Unidos.

O novo presidente enfrenta grandes desafios econômicos, a começar pela necessidade de unificar o câmbio, observa o cientista político Michael Bustamante, professor da Universidade Internacional da Flórida: "É um risco porque a desvalorização pode afetar muito a população. Mas, se conseguir levar adiante, é uma oportunidade para se legitimar diante da população."

Durante o governo Raúl Castro, depois de negociações mediadas pelo Vaticano e o papa Francisco, em 17 de dezembro de 2014, o ditador cubano e o então presidente americano, Barack Obama, anunciaram o reatamento de relações entre os EUA e Cuba.

Em 20 de junho de 2015, as duas embaixadas foram reabertas. Obama afrouxou alguns aspectos do embargo econômico em vigor desde fevereiro de 1962, facilitando viagens e remessas de dinheiro.

O governo Donald Trump não rompeu relações, mas reduziu o pessoal da embaixada depois que vários diplomatas e funcionários sentiram sintomas atribuído a um suposto ataque com ondas sonoras que não se sabe de quem partiu.

Para agradar a sua base conservadora, o atual presidente praticamente congelou o reatamento com Cuba. Sem uma abertura política, Trump e o Partido Republicano querem manter a linha dura contra o inimigo histórico.

Diretor da CIA e futuro secretário de Estado se reuniu com Kim Jong Un

Por ordem do presidente Donald Trump, o diretor-geral da CIA (Agência Central de Inteligência) e secretário de Estado nomeado, Mike Pompeo, foi à Coreia do Norte na Páscoa e se encontrou com o ditador Kim Jong Un. É um sinal de avanço nas negociações para uma reunião de cúpula de Trump e Kim no fim de maio ou início de junho.

O presidente Xi Jinping anunciou hoje uma viagem a Pyongyang que deixa claro o apoio da China à sua aliada Coreia do Norte, assim como a determinação da superpotência ascendente de estar no centro das decisões sobre o futuro da Península Coreana.

A Rússia também pediu um encontro com Kim, que saiu do isolamento para se tornar um dos chefes de Estado mais solicitados no momento.

A missão de Pompeo foi o encontro de mais alto nível entre os EUA e a Coreia do Norte desde 2000, quando a então secretária de Estado, Madeleine Albright, esteve com Kim Jong Il, pai do atual ditador. O problema é o mesmo: o programa nuclear norte-coreano.

Kim deve apresentar seus planos de desnuclearização em reunião de cúpula com o presidente da Coreia do Sul, Moon Jae In, em 27 de abril. A questão nuclear estará no comunicado conjunto.

terça-feira, 17 de abril de 2018

Israel se prepara para uma retaliação direta do Irã

Dentro da guerra civil da Síria, o maior risco no momento é de uma guerra entre Israel e o Irã. O governo israelense espera um ataque direto da república islâmica em retaliação pelo bombardeio a uma base aérea síria em que sete militares iranianos foram mortos, em 9 de abril de 2018, informou o jornal The Jerusalem Post.

A expectativa é de um ataque de mísseis ou drones disparados pela Guarda Revolucionária do Irã de alguma base na Síria e não por milícias aliadas como o Hesbolá (Partido de Deus), do Líbano, que luta ao lado da ditadura de Bachar Assad na guerra civil síria. A ordem deve partir do general Kassem Suleimani, comandante da Força al-Qods, braço da Guarda Revolucionária para ações no exterior.

"Israel vai reagir duramente a qualquer ação iraniana partindo da Síria", declarou uma fonte das Forças de Defesa de Israel à TV Sky News em árabe. Os militares israelenses estão certos de que a resposta virá.

Depois do bombardeio israelense, Ali Akbar Velayati, ex-ministro do Exterior e atual assessor do Supremo Líder Espiritual da República Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, advertiu Israel de que "deve esperar uma resposta poderosa".

O representante de Khamenei junto à Guarda, Ali Shirazi, foi ainda mais agressivo: "Se Israel quer continuar sua existência traiçoeira, deve evitar medidas estúpidas. Se derem pretextos ao Irã, Telavive e Haifa serão destruídas."

Fotos de satélites-espiões mostram um aumento da presença militar iraniana na Síria sob o comando do general-brigadeiro Air Ali Hajizadeh, comandante da força aérea da Guarda Revolucionária do Irã. Também revelam que o Irã envia mísseis para a Síria como se fosse ajuda humanitária.

Os iranianos estabeleceram várias bases, inclusive T4, a base atacada por Israel; em Alepo, a capital econômica do país; no Aeroporto Internacional de Damasco e em outro campo de pouso, ao sul da capital; e em Deir el-Zur, no Leste da Síria, para onde aviões Ilyushin levaram armas e equipamentos militares do Irã.

As companhias aéreas comerciais Simorgh Air e Pouya Cargo Air estariam sendo usadas, de acordo com a mesma fonte, para levar mais soldados e armamentos para a Síria.

No início de fevereiro, um drone iraniano armado com explosivos invadiu o espaço aéreo israelense e foi abatido. Foi um divisor de águas importante nas relações bilaterais entre os dois países.

"Foi a primeira vez que o próprio Irã fez alguma coisa contra Israel - e não através de aliados", observou um oficial israelense, e "foi a primeira vez que atacamos alvos iranianos vivos, tanto instalações quanto pessoas".

China cresceu em ritmo de 6,8% ao ano no primeiro trimestre de 2018

Apesar da ameaça de um conflito comercial com os Estados Unidos, a economia da China cresceu nos três primeiros meses deste ano num ritmo anual de 6,8%, acima da expectativa do governo. O investimento privado compensou uma queda de 20% no saldo comercial.

Além das ameaças protecionistas de Trump, o governo chinês tenta conter o endividamento público e os preços dos imóveis. Está decidido a enfrentar uma guerra comercial, se o presidente americano insistir num tarifaço contra produtos fabricados na China.

No ano passado, o produto interno bruto chinês cresceu 6,7%, ganhando impulso com o aumento das exportações no fim do ano. Com a queda no saldo comercial de bens, esperava-se uma expansão econômica menor.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

Novo presidente quer levar Montenegro para a União Europeia

Com 54% dos votos, o ex-primeiro-ministro Milo Djukanovic foi eleito ontem presidente no primeiro turno, depois de governar a ex-república iugoslava de Montenegro durante quase um quarto de século até outubro de 2016, noticiou o jornal montenegrino Vijesti. Grande favorito, fez campanha prometendo integrar o país à União Europeia (UE).

 Djukanovic, de 56 anos, lidera o Partido Democrático dos Socialistas de Montenegro, que teve origem no Partido Comunista da Iugoslávia e governa o país desde a democratização, em 1991. Ele liderou a independência de Montenegro da Sérvia, em 2006, e a adesão à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar ocidental, liderada pelos Estados Unidos, em 2017.

A expectativa é que o cargo de presidente, que era praticamente honorífico durante os mandatos do seu predecessor e aliado Filip Vujanovic, passe a ser o centro do poder em Montenegro.

Apesar de todas as crises, o sonho europeu sobrevive. Na campanha à Presidência da França, Emmanuel Macron prometeu reformar e revitalizar o projeto de uma Europa unida. Enfrenta resistência da Alemanha, que não concorda com a criação de um orçamento comum da Zona do Euro e de um sistema pan-europeu de garantia de depósitos bancários enquanto a Itália não sanear seus bancos em dificuldades.

Mas a Europa unida ainda atrai. Montenegro quer entrar no jogo. É a via para o desenvolvimento dos países da Europa Oriental pós-comunismo.

domingo, 15 de abril de 2018

Ditadura síria retoma ataques depois do bombardeio dos EUA e aliados

Os Estados Unidos ameaçaram hoje impor novas sanções à Rússia em represália ao apoio ao uso de armas químicas pela ditadura de Bachar Assad na guerra civil da Síria. O regime retomou os ataques depois do bombardeio dos EUA e aliados.

"As sanções à Rússia vão chegar", afirmou a embaixadora linha-dura dos EUA nas Nações Unidas, Nikki Haley. "O secretário [do Tesouro] Mnuchin vai anunciar na segunda-feira e serão dirigidas contra quaisquer empresas que negociem equipamentos relacionados ao uso de armas químicas por Assad."

Neste domingo, o presidente da França, Emmanuel Macron, disse ter persuadido o presidente Donald Trump a não retirar as tropas americanas da Síria: "Convencemos que é importante ficar num prazo mais longo."

Macron defendeu o ataque como "um ato legítimo de represália" que foi "completado perfeitamente" e acusou a Rússia de "incapacitar" a ONU durante os sete anos de guerra civil na Síria ao vetar sistematicamente todas as resoluções condenando a ditadura de Assad.

O presidente francês declarou ter feito a crítica diretamente ao ditador russo, Vladimir Putin, e considerou importante o bombardeio para deixar claro à Rússia que as linhas vermelhas são para valer.

Tanto a Rússia quanto a Síria negam que o regime de Assad tenha usado armas químicas contra os rebeldes em Duma, a maior cidade da região de Guta Oriental, a única da região da Grande Damasco onde ainda havia rebeldes.

Na semana anterior, os EUA impuseram sanções a vários empresários e oligarcas ligados ao Kremlin e ao banco RFC, ligado a uma empresa de venda de armas que o governo americano acusa de ser responsável pelas transações com a Síria.

Outra grande discussão é sobre a eficiência do bombardeio aliado. Como não há informações sobre feridos nem sobre o vazamento dos gases tóxicos usados nas armas químicas, alguns especialistas questionam se foram atingidos alvos importantes, capazes de reduzir a capacidade militar do regime.

Em telefonema ao presidente do Irã, Hassan Rouhani, principal aliado no apoio a Assad, advertiu que, "se tais ações, realizadas em violação da Carta da ONU, vão inevitavelmente levar ao caos nas relações internacionais."

Vindo de quem anexou ilegalmente a Crimeia, fomentou uma guerra civil no Leste da Síria e interfere regularmente nas eleições de outros países, como a de Trump em 2016, é muito cinismo. Mas, em retaliação ao bombardeio das potências ocidentais, a Rússia, uma grande potência militar, examina a possibilidade de impor sanções à indústria aeronáutica dos EUA, noticiou o jornal inglês Financial Times.