terça-feira, 27 de junho de 2017

Reforma de Trump tira seguro-saúde de 22 milhões até 2026

O projeto em discussão no Senado para acabar com o programa do governo Barack Obama para garantir cobertura universal de saúde vai deixar mais 22 milhões de americanos sem seguro-saúde até 2026, advertiu hoje o bipartidário Escritório de Orçamento do Congresso (CBO) dos Estados Unidos.

A previsão aumenta a pressão sobre os senadores do Partido Republicano. Se dois republicanos votarem contra, o projeto está liquidado. Pelo menos duas senadoras alertaram que não vão apoiar a proposta, que corta o financiamento para a Planned Parenthood, uma instituição beneficente dedicada à saúde reprodutiva que entre outras coisas financia aborto.

É mais uma jogada ideológica do governo Trump e da ultradireita republicana. Obama acusou o projeto de não ser um programa de saúde, mas um corte de impostos bilionário para favorecer grandes empresas e grandes fortunas.

Pelos cálculos do CBO, o projeto aprovado no mês passado na Câmara deixaria 23 milhões sem cobertura. A proposta republicana acaba com a obrigatoriedade de ter seguro-saúde e não exige que os planos de saúde não excluam as doenças preexistentes. Assim, o prêmio do seguro deve cair para pessoas saudáveis, mas corre o risco de se tornar impagável para quem já tem doenças graves.

segunda-feira, 26 de junho de 2017

Telefonema de Camilla deflagrou divórcio de Charles e Diana

A pedido de amigos preocupados com a saúde mental do príncipe Charles, sua amante de longa data, ligou para o herdeiro do trono do Reino Unido em 1986. O telefonema deflagrou o processo de divórcio de Charles e Diana, alega um novo livro recém publicado sobre Camilla Parker-Bowles, A Duquesa: a história não contada.

No livro, divulgado pouco a pouco pela imprensa britânica, a autora Penny Junor descreve a chamada como "uma ligação fatal": "Camilla estava lisonjeada, como qualquer um estaria, de saber que seria a única pessoa capaz de elevar o espírito do príncipe, mas era verdade", diz a citação publicada pelas Yahoo News.

"O que ele precisava era de alguém que estivesse a seu lado, que o compreendesse, não fizesse exigências nem fosse temperamental, que fosse quente e educada, que o fizesse se sentir seguro, levantasse sua moral, restaurasse sua confiança e o fizesse sorrir de novo", escreveu Penny Junior.

Charles "estava exausto depois de cinco anos tentando lidar com a insatisfação de Diana, triste com o fracasso tão espetacular e perigosamente deprimido", acrescentou a autora.

A ex-amante afirma que não estava interessada na época em restabelecer a relação rompida com o casamento dos príncipes. Depois do passo inicial, os telefonemas entre os dois se tornaram frequentes.

"Camilla trouxe Charles da beira do abismo e lhe deu força para enfrentar o mundo", sempre mais simpático à bela e adorável Diana.

"O que começou como amizade e um ombro amigo para chorar se transformou num poderoso caso de amor. Sim, ele sempre amou Camilla - de uma maneira talvez como se carrega a tocha do primeiro amor, mas levava as juras do casamento a sério e não pretendia reiniciar o caso. E se Camilla não tivesse feito a primeira ligação, talvez ele nunca tivesse feito.""

Penny Junor está sendo acusada de atacar a memória da princesa Diana pouco antes do 20º aniversário de sua morte trágica, em 31 de agosto de 1997.

Suprema Corte aceita parte do veto de Trump a viajantes muçulmanos

O supremo tribunal federal dos Estados Unidos aceitou hoje examinar o decreto do presidente Donald Trump proibindo a entrada no país de cidadãos de seis países muçulmanos, declarada inconstitucional por instâncias inferiores por discriminação religiosa. 

Antes da decisão final, o o veto poderá ser aplicado a quem "não tiver estabelecido uma relação de boa fé com uma pessoa ou uma entidade dos EUA."

Pouco depois da possa, em janeiro de 2017, Trump baixou um decreto vetando a entrada no país por 90 dias de cidadãos de sete países muçulmanos: Iêmen, Irã, Iraque, Líbia, Síria, Somália e Sudão. Todos os pedidos de asilo político ficariam suspendos por 120 dias. Um juiz de primeira instância do Havaí e o tribunal federal de recursos de São Francisco, na Califórnia, rejeitaram o decreto.

Sob pressão do governo do Iraque, que luta com o apoio dos EUA contra a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante na Batalha de Mossul, Trump decretou em março uma nova versão do veto sem iraquianos. Casos como o de um tradutor do Exército do Iraque que não pôde entrar nos EUA revoltaram o governo de Bagdá.

Mais uma vez, agora um juiz de primeira instância de Maryland e um tribunal federal de recursos do estado da Virgínia, declararam a inconstitucionalidade da medida. A Emenda nº 1 à Constituição dos EUA garante plena liberdade de imprensa, de religião, de associação para fins pacíficos e para processar o governo americano.

O presidente insiste em que o veto é necessário para garantir a segurança nacional. Festejou a decisão como "uma vitória clara da segurança nacional".

A Suprema Corte marcou para outubro as audiências para ouvir os argumentos das duas partes. Os três ministros mais conservadores do tribunal - Samuel Alito, Neil Gorsuch e Clarence Thomas - foram contra a admissão parcial do veto alegando que sua aplicação será difícil e ameaçar "provocar uma enxurrada de ações até a decisão final sobre o mérito do caso".

Quando a Suprema Corte ouvir as alegações das partes, o prazo de 90 dias previsto no decreto terá acabado

domingo, 25 de junho de 2017

Marcha gay de Chicago proíbe bandeiras do arco-íris com estrela de Davi

CAMBRIDGE-MA, EUA - A organização da marcha do orgulho gay de Chicago, a terceira maior cidade dos Estados Unidos, excluiu hoje a participação de bandeiras do arco-íris com a estrela de Davi, símbolo de Israel, noticiou o jornal liberal israelense Haaretz.

Um dos membros do coletivo LGBT (gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros), citado no jornal Windy City Times, alegou que as bandeiras do orgulho gay israelense "faziam as pessoas se sentirem inseguras" e que a passeata é "pró-palestinos" e "antissionista".

No Twitter dos organizadores, a manifestação foi descrita como "uma mobilização e celebração da resistência de sapatonas, bichas e transgêneros antirracista, antiviolência, dirigida por voluntários e pelas bases."

Uma das três pessoas excluídas, Laurel Grauer, da entidade LGBTQ israelense Uma Ponte mais Larga, declarou que é "uma bandeira da minha congregação que celebra minha identidade judaica e gay que eu empunhava na Marcha das Sapatas há mais de uma década. Eles me disseram para sair porque poderia provocar reações de quem a considerasse ofensiva."

Eleanor Shoshany Anderson, também afastada, considerou-se discriminada por ser judia.

Em janeiro de 2016, uma recepção para judeus participantes de uma conferência gay em Chicago foi invadida por manifestantes gritando que "a lavagem rosa tem de acabar". A expressão é usada para criticar quem minimiza a importância do tratamento dispensado por Israel aos palestinos porque o país é uma democracia e defende os direitos humanos dos homossexuais.

sábado, 24 de junho de 2017

Israel mata duas pessoas em bombardeio aéreo à Síria

A Força Aérea de Israel atacou hoje tropas e tanques do Exército da Síria nas Colinas do Golã, depois que disparos de artilharia errantes atingiram o território israelense, anunciaram porta-vozes militares de Israel. O regime sírio acusou o ataque de dar cobertura aérea a uma ação de milícias extremistas muçulmanas.

Dois sírios morreram no ataque à cidade de Kuneitra, onde, na versão da ditadura de Bachar Assad, havia uma ação da Frente al-Nusra, ligada à rede terrorista Al Caeda, que mudou de nome para Frente de Luta do Levante, tentando se desvincular d'al Caeda. Foi o primeiro incidente envolvendo Israel na guerra civil da Síria desde abril.

"As Forças de Defesa de Israel não vão permitir nenhuma tentativa de atingir a soberania de Israel e a segurança de seu povo, e vê o regime sírio como responsável pelo que vem de seu território", declarou em nota o comando militar israelense.

Israel ocupou as Colinas do Golã, que pertenciam à Síria, na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e as anexou em 1981. Com o desenvolvimento de tecnologia de mísseis, elas perderam importância militar. Antes, poderiam ser usadas como base para ataques de artilharia contra o território israelense.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

Putin dirigiu pessoalmente ataque à eleição nos EUA, acusa Post

SÃO FRANCISCO-CA, EUA - O presidente Vladimir Putin participou diretamente da campanha de ataques cibernéticos para favorecer a candidatura do magnata imobiliário Donald Trump, visto como mais favorável ao Kremlin, e prejudicar a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, denunciou hoje o jornal The Washington Post. A reportagem descreve a ação como o "crime do século" por minar a democracia nos Estados Unidos.

Em agosto do ano passado, afirma o jornal, a CIA (Agência Central de Inteligência) enviou correspondência ultrassecreta ao então presidente Barack Obama com detalhes sobre as medidas tomadas por Putin.

Naquele momento, já era evidente a interferência de ciberpiratas russos no processo eleitoral nos EUA. Há mais de um ano, eles vinham invadindo os sistemas de computação dos partidos Democrata e Republicano. Hoje, sabe-se que entraram também em computadores ligados à eleição em pelo menos 21 estados.

O FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, havia aberto em julho um inquérito sobre a ciberpirataria russa. Em 22 de julho, o sítio WikiLeaks divulgou 22 mil mensagens pirateadas do Comitê Nacional do Partido Democrata.

Ao receber o alerta, Obama ordenou uma investigação sobre as vulnerabilidades do sistema eleitoral e pediu às outras agências de inteligência do governo americano que confirmassem a alegação. Durante meses, o governo Obama debateu em segredo como reagir. Poderia fazer ataques cibernéticos retaliatórios ou divulgar as acusações do memorando da CIA.

Obama teve medo de ser acusado de forjar a história para ajudar Hillary e prejudicar a oposição. Certamente seria alvo das tiradas de Trump. Seu governo chegou a armar "bombas cibernéticas" para retaliar, mas temeu uma escalada na guerra cibernética. Só em 29 de dezembro, depois da vitória do republicano, o governo Obama expulsou 35 diplomatas russos e impôs novas sanções à Rússia.

Os partidários de Trump alegam que a interferência russa não mudou a decisão do eleitor dentro da cabine de votação, mas foi um ataque direto à democracia americana com impacto duradouro. Hoje o presidente Trump está sob ameaça de um processo de impeachment por obstrução de justiça por ter demitido o diretor-geral do FBI James Comey, que presidia o inquérito.

A interferência indevida da Rússia será uma sombra sobre o governo Trump, capaz de destruí-lo. Como observam os repórteres do Post, é uma guerra cibernética da Rússia contra as democracias liberais. Foi tentada contra o atual presidente Emmanuel Macron, na França, e abalou os EUA, que terão de enfrentar o problema nos próximos anos.

quinta-feira, 22 de junho de 2017

Trump nega ter gravado conversas com ex-diretor do FBI

SÃO FRANCISCO, EUA - O presidente Donald Trump negou hoje ter gravado as conversas com o ex-diretor-geral do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos Estados Unidos, James Comey. Num de seus primeiros ataques depois da demissão de Comey, em 9 de maio, Trump ameaçou o ex-diretor, caso ele houvesse gravado.

"Com todos os relatos recentes de vigilância eletrônica, interceptações e vazamentos ilegais de informação, não tenho ideia se há ou não fitas ou gravações de minhas conversas com James Comey, mas eu não gravei nem tenho gravações", declarou Trump no Twitter, seu meio de comunicação favorito.

O presidente usou um memorando interno do Departamento da Justiça feito pelo subprocurador-geral Rod Rosenstein para demitir Comey alegando incompetência e erros na condução do inquérito sobre o uso de correio eletrônico privado pela então secretária de Estado Hillary Clinton no primeiro governo Barack Obama. Depois, admitiu que mudou o diretor do FBI por causa da investigação sobre um possível conluio de sua campanha com o governo da Rússia.

Dias atrás, quando o jornal The Washington Post revelou que Trump está sendo investigado no caso da Rússia, o presidente se declarou vítima de uma "caça às bruxas" e acusou Rosenstein, "o homem que me aconselhou a demitir Comey" de liderar a caçada.

Com a sucessão de escândalos, vazamentos e a falta de transparência nas relações do presidente com seu grupo empresarial, a popularidade de Trump caiu ao menor nível, 36%, em pesquisa divulgada nesta semana pela rede de televisão americana CBS, mas seu eleitorado continua fiel.

Em 1974, o então presidente Richard Nixon foi forçado a renunciar, em meio ao Escândalo de Watergate, depois que a Suprema Corte o obrigou a entregar as fitas com as gravações de suas reuniões no Salão Oval da Casa Branca e revelavam suas manobras para obstruir a Justiça.

quarta-feira, 21 de junho de 2017

Sultão da Arábia Saudita nomeia filho como sucessor

O rei da Arábia Saudita, Salman ben Abdul Aziz al Saud, mudou a linha sucessória, promovendo seu filho Mohamed ben Salman, de 31 anos, de segundo para primeiro príncipe herdeiro. Até hoje, todos os sultões sauditas foram filhos do fundador do país, Abdul Aziz al Saud. O rei Salman vira a linha sucessória para sua descendência.

Até agora, o primeiro na linha de sucessão ao trono era Mohamed ben Nayef, ministro do Interior, responsável pelo combate ao terrorismo. A grande questão é se o resto da família real vai aceitar a manobra do sultão.

O príncipe Mohamed ben Salman é ministro da Defesa e presidente o conselho econômico encarregado de modernizar a economia do país. Para promover o desenvolvimento e reduzir a dependência do petróleo, propôs uma série de reformas liberalizantes que incluem a venda de 5% da companhia estatal de petróleo.

Até o pai ascender ao trono, em janeiro de 2015, o jovem príncipe era praticamente desconhecido do público saudita Seu desafio será modernizar o regime e reduzir a dependência do petróleo sem minar todo o sistema político, se não houver uma revolta dos príncipes caroneados na manobra do rei.

Para o jornal liberal israelense Haaretz, é uma boa notícia para os Estados Unidos e Israel na medida em que fortalece o setor reformista, preocupado em modernizar a economia saudita.