quarta-feira, 29 de março de 2017

Ex-primeiro-ministro Valls apoia Macron na França

Mais um líder do Partido Socialista anuncia que vai apoiar o ex-ministro da Economia e candidato independente Emmanuel Macron no primeiro turno da eleição presidencial da França, em 23 de abril de 2017. É o ex-primeiro-ministro Manuel Valls, derrotado na eleição prévia do PS pelo ex-ministro da Educação Benoît Hamon, que está em quinto lugar nas pesquisas.

Em entrevista na manhã de hoje à televisão BFMTV, Valls declarou estar na hora de "tomar uma posição responsável" e não de simples "alinhamento". "Não quero, na noite do primeiro turno, ficar diante de uma escolha entre François Fillon e Marine Le Pen. Não podemos correr esse risco."

Macron foi ministro do governo Valls, mas é considerado liberal demais pela velha guarda socialista. Ele lidera as pesquisas sobre o primeiro turno com 26,5% votos, um pouco acima da candidata neofascista Marine Le Pen, da Frente Nacional, com 25%.

O ex-primeiro-ministro conservador François Fillon era o favorito até ser revelado que empregou a mulher e os filhos como funcionários-fantasmas do Senado. Só a mulher, Penelope Fillon, ganhou 800 mil euros. Ambos estão sendo processados. Seu marido caiu para 17%.

Enquanto Macron agradeceu, Hamon acusou Valls de "não manter a palavra empenhada" e "não respeitar o veredito das urnas". O deputado Patrick Mennucci disse ter "vergonha" de Valls.

"O que vale daqui para a frente um acordo assinado por um homem como Manuel Valls?", perguntou o ex-ministro da Economia Arnaud Montebourg, também derrotado na primária socialista. "Nada. É o que vale um homem sem honra."

Valls negou que esteja traindo o PS ao não apoiar o vencedor da prévia: "O interesse superior da França está acima das regras de um partido, de uma primária, de uma comissão." Outros líderes socialistas e o presidente François Holland apoiam Macron discretamente.

Reino Unido inicia negociações para deixar a União Europeia

A primeira-ministra Theresa May assinou a carta que será entregue hoje à Comissão Europeia em Bruxelas, dando início ao processo formal de saída do Reino Unido da União Europeia, noticiou a televisão pública britânica.

As negociações da Brexit (British exit = saída britânica, em inglês) devem durar pelo menos dois anos. May pretende negociar um acordo de livre comércio. Será difícil. O mercado único europeu, na verdade mercado comum, tem como regra básica a livre circulação de capitais, mercadorias e pessoas.

Para não comprometer o processo de integração do continente, abalado por múltiplas crises, da periferia da Zona do Euro, dos refugiados, do terrorismo, do avanço da extrema direita, os líderes da UE pretendem jogar duro, a começar pela Alemanha, como indicaram a chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel e o ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble.

Se não querem uma Europa à la carte, onde cada país escolhe os aspectos da integração que lhe interessem, os líderes europeus tendem a cobrar um preço elevado pela saída do Reino Unido, a primeira desde a assinatura do Tratado de Roma, que criou a Comunidade Econômica Europeia, em 1957.

O primeiro-ministro Winston Churchill previu depois da guerra a provável formação de uma espécie de Estados Unidos da Europa, mas o Reino Unido ficou fora do grupo inicial de seis países fundadores da CEE. Em 1963 e 1967, o presidente da França, Charles de Gaulle, vetou o ingresso do Reino Unido.

Em 1973, depois da queda de De Gaulle, em 1969, em consequência da Revolução dos Estudantes, em maio de 1968, finalmente o Reino Unido entrou para o mercado comum europeu durante o governo conservador de Edward Heath.

A oposição trabalhista era contra a adesão à CEE. Com a vitória de Harold Wilson nas eleições de 1974, foi convocado um plebiscito. Em 1975, os britânicos votaram a favor de se integrar à Europa, mas a insularidade do país sempre alimentou a ideia de separação.

O antieuropeísmo tornou-se uma tendência dominante no Partido Conservador no fim do governo Margaret Thatcher (1979-90). Como primeira-ministra, Thatcher exigiu uma devolução de parte do dinheiro que o Reino Unido dava ao orçamento da UE, sob a alegação de que o país recebia muito menos subsídios da política agrícola comum do que a Alemanha e a França. E lutou para evitar uma transferência maior de poderes para Bruxelas.

Thatcher resistiu à ideia de "uma união cada vez maior" e à união monetária europeia. Foi derrubada por seu ex-ministro Michael Heseltine, da ala europeísta do partido. O regicídio da grande líder dividiu o partido irremediavelmente, criando uma ala ferozmente antieuropeia.

Quando convocou o plebiscito de 23 de junho de 2016, o então primeiro-ministro David Cameron pretendia pacificar o Partido Conservador. Foi o maior erro político de sua até então bem-sucedida carreira. Com a vitória do não por 52% a 48%, o Reino Unido deixa seu maior mercado e começa um futuro incerto. Não tem muito a ganhar com a Brexit.

Ontem, o Parlamento da Escócia aprovou a realização de novo plebiscito sobre a independência. Há três, os escoceses optaram por continuar no Reino Unido por 55% a 45%, mas, no ano passado, 62% votaram a favor de manter o país na UE. Se o Reino Unido deixar o mercado comum europeu, é provável que a Escócia aprove a independência.

A consulta popular depende da aprovação do Parlamento Britânico, que só deve discutir a questão quando os termos do divórcio com a Europa estiverem definidos.

Joãozinho Podre apoia Trump e Brexit

De rebelde a ultradireitista, a trajetória de John Lydon, mais conhecido como Johnny Rotten (Joãozinho Podre), cantor e líder da banda punk britânica Sex Pistols, dos anos 1970s, segue a triste sina da classe operária na Europa. Com o fim do socialismo, volta-se para a extrema direita e a um nacionalismo narcisista e autoindulgente.

"A classe operária falou, sou um deles e estou com eles", declarou o autor de Anarchy in the UK, um dos sucessos da banda, que descrevia a monarquia constitucional britânica como um "regime fascista".

Em entrevista ao programa Bom Dia, Grã-Bretanha!, da televisão independente ITV, Johnny Rotten, hoje com 61 anos, elogiou Trump, dizendo que o presidente dos Estados Unidos não é racista e poderia ser seu amigo.

Depois de admitir que Trump é "um cara complicado", o ex-roqueiro acusou "a mídia esquerdista americana de tentar queimar o cara como racista, o que definitivamente não é verdade. Lydon também elogiou o ex-líder do Partido da Independência do Reino Unido (UKIP), Nigel Farage, um dos principais articuladores do não à União Europeia no plebiscito de 23 de junho de 2016.

terça-feira, 28 de março de 2017

Carlos o Chacal é condenado à terceira prisão perpétua

O terrorista venezuelano Ilich Ramírez Sánchez, mais conhecido como Carlos o Chacal, foi condenado hoje à prisão perpétua por um tribunal da França por um atentado cometido com granada em Paris em 1974, informou a agência Reuters.

Em 15 de setembro daquele ano, Carlos jogou uma granada numa drogaria. Duas pessoas morreram e outras 34 saíram feridas.

Durante os anos 1970s e 1980s, Sánchez foi um dos criminosos mais procurados do mundo por causa de atentados em defesa da causa palestina e de movimentos de libertação nacional esquerdistas e anti-imperialistas.

Trump revoga plano antiefeito estufa de Obama

Ao assinar hoje o Decreto de Independência Energética, o presidente Donald Trump liberou o uso de carvão por usinas termelétricas e autorizou a exploração de combustíveis fósseis em águas e terras do governo federal dos Estados Unidos e a construção de um gasoduto numa reserva indígena. 

Trump revoga assim o Plano de Energia Limpa do governo Barack Obama (2009-17) e abandona o compromisso dos EUA com o Acordo de Paris para controlar a emissão dos gases que agravam o efeito estufa provando o aquecimento global.

O atual presidente dos EUA e a corrente dominante no Partido Republicano negam que o homem seja responsável pelo aumento da temperatura média do planeta por causa da emissão de gases carbônicos.

Mais de 20 estados, representantes da indústria e empresas processaram a Agência de Proteção Ambiental (EPA) sob a alegação de que o plano de transição para uma economia menos poluente do governo Obama é inconstitucional.

Durante a campanha, Trump prometeu ressuscitar a indústria do carvão e "acabar com todas as regulamentações que prejudicam a geração de empregos". O diretor da EPA nomeado por ele, Scott Pruitt, processou a agência 14 vezes quando era procurador-geral do estado de Oklahoma.

Por outro lado, os procuradores-gerais de 18 estados apoiavam o Plano de Energia Limpa de Obama e podem rejeitar qualquer proposta alternativa de Trump e Pruitt. Pela lei americana, para eliminar regulamentações, é necessário submeter as novas regras a consulta pública, o que pode levar até um ano.

A grande inimiga do Plano de Energia Limpa é a indústria do carvão, a mais poluente. Com o aumento da oferta de gás natural e de energias alternativas como solar e eólica a preços competitivos, o carvão virou uma opção poluente e ineficiente. E mesmo que as minas de carvão voltem a produzir em grande escala, será uma produção mecanizada.

segunda-feira, 27 de março de 2017

Líder da oposição na Rússia é condenado a 15 dias de prisão

Apesar dos protestos internacionais, a Rússia condenou hoje o líder da oposição, Alexei Navalny, a 15 dias de prisão por liderar uma manifestação não autorizada ontem em Moscou e outras cidades russas para denunciar a corrupção governamental e pedir a demissão do primeiro-ministro Dimitri Medvedev.

Mais de mil pessoas foram presas em toda a Rússia, a maioria em Moscou, onde Navalny liderava uma marcha para Rua Tverskaya quando a polícia atacou os manifestantes e prendeu seu líder. Ele é o principal adversário em potencial do presidente Vladimir Putin, candidato à reeleição em 2018.

As manifestações de ontem foram as maiores desde o início de 2012, quando a oposição russa protestava contra fraude nas eleições parlamentares. Desde então, Putin trava uma guerra ideológica contra o Ocidente, tentando desmoralizar a democracia liberal e quem a apoia na Rússia.

No mês passado, Navalny foi condenado por desvio de fundos. É suficiente para torná-lo inelegível.

domingo, 26 de março de 2017

Bulgária elege centro-direita pró-Europa

O partido de centro-direita Cidadãos pelo Desenvolvimento Europeu da Bulgária (GERB) venceu hoje por pequena margem as eleições parlamentares búlgaras com 33% dos votos contra 27,2% dos socialistas, apoiados pela Rússia, indicam as projeções dos primeiros resultados, citados pela agência Reuters.

A se confirmarem esses resultados, o ex-primeiro-ministro Boyko Borissov, que caiu em novembro, terá a oportunidade de formar um novo governo.

Acima de tudo, as eleições na Bulgária foram consideradas em teste de lealdade entre duas potências que tentam atrair o país para sua órbita: a Rússia, que dominou a Bulgária durante a Guerra Fria como União Soviética até a queda do regime comunista, em 1989; e União Europeia, da qual faz parte desde 2004.

Mais uma vez, a exemplo do que fez até nos Estados Unidos, a Rússia de Putin tentou manipular as eleições na Bulgária para favorecer o partido mais próximo do Kremlin. Os socialistas perderam, mas praticamente dobraram sua votação.

Partido de Merkel vence eleições estaduais na Alemanha

A União Democrata-Cristã (CDU), o partido conservador da chanceler (primeira-ministra) Angela Merkel, venceu as eleições no estado do Sarre, com 40,7% dos votos, um bom avanço em relação aos 35,% das eleições anteriores, noticiou a agência Reuters.

O Partido Social-Democrata da Alemanha (SPD) ficou em segundo, com uma pequena queda de 30,6% para 29,6%, numa derrota para o novo líder do partido. Martin Schulz, ex-presidente do Parlamento Europeu, é o principal adversário de Merkel, que tenta o quarto mandato consecutivo nas eleições nacionais de 24 de setembro de 2017.

Em terceiro lugar, com 12,9%, ficou o partido A Esquerda, uma fusão da ala mais esquerdista do SPD, que rejeitou as reformas econômicas liberalizantes do então chanceler Gerhard Schröder (1998-2005), com o antigo partido comunista da Alemanha Oriental.

À ultradireita, o novo partido Alternativa para a Alemanha (AfD), anti-imigração e antimuçulmano, conseguiu 6,2% dos votos. Os Verdes não superaram a cláusula de barreira, que exige um mínimo de 5% dos votos. Ficam fora da Assembleia Legislativa Estadual do Sarre.

Até 24 de setembro, haverá mais duas eleições estaduais. Servirão como prévias das eleições federais.

Rússia prende mais de mil militantes e o líder da oposição

Durante manifestações de protesto de milhares de pessoas contra a corrupção realizadas em várias cidades, a polícia da Rússia prendeu mais de mil ativistas e o principal líder da oposição, Alexei Navalny. Maior ameaça ao presidente e protoditador Vladimir Putin na eleição presidencial de 11 e 18 de março de 2018, Navalny deve ser condenado para se tornar inelegível.

Navalny e cerca de 500 militantes foram presos quando a marcha seguia pela Rua Tverskaya, no centro de Moscou, sob a acusação de participar de uma manifestação não autorizada. Outros foram detidos no interior do país.

Foram os maiores protestos na Rússia desde as manifestações do fim de 2011 e início de 2012 denunciando fraude nas eleições parlamentares. Putin foi eleito presidente pela terceira vez em março de 2012.

O alvo declarado agora é a corrupção no governo do primeiro-ministro Dimitri Medvedev, fiel escudeiro de Putin. Mas o objetivo maior é atingir o homem-forte do Kremlin ao denunciar a corrupção em meio a uma crise econômica.

sábado, 25 de março de 2017

Integração da Europa faz 60 anos em meio à sua maior crise

A União Europeia festeja hoje os 60 anos do Tratado de Roma, que criou a Comunidade Econômica Europeia, em meio às maiores ameaças à sua sobrevivência, com a crise econômica dos países da periferia da Zona do Euro, a onda de refugiados das guerras do Grande Oriente Médio, o terrorismo dos extremistas muçulmanos, o ressurgimento da extrema direita e a saída do Reino Unido.

O processo de integração europeia foi lançado em 9 de maio de 1950, cinco anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial, pelo Plano Schuman, iniciativa do então ministro do Exterior da França, Robert Schuman, para evitar novas guerras na Europa a partir de uma reconciliação entre França e Alemanha.

No ano seguinte, o Tratado de Paris, assinado por Alemanha, Bélgica, França, Holanda, Itália e Luxemburgo, criou a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço. O objetivo era controlar o comércio destas matérias-primas para impedir o rearmamento da Alemanha.

Em 25 de março de 1957, os mesmos seis países pioneiros assinaram o Tratado de Roma, que entrou em vigor em 1º de janeiro de 1958 fundando a CEE, e dois dias depois a Comunidade Europeia da Energia Atômica (Euratom). A Dinamarca, a Irlanda e o Reino Unido entraram nos anos 1970s. Grécia, Espanha e Portugal, nos anos 1980s.

A União das Comunidades Europeias ganhou este nome no Tratado de Maastricht, em 1991. Com o fim da Guerra Fria no mesmo ano, em 1995, entraram países neutros: Áustria, Finlândia e Suécia.

A grande expansão veio em 2004, com o ingresso de três ex-repúblicas soviéticas (Estônia, Letônia e Lituânia), quatro países do antigo Bloco Soviético (Eslováquia, Hungria, Polônia e República Tcheca), uma ex-república da Iugoslávia (Eslovênia) e duas ilhas do Mar Mediterrâneo (Chipre e Malta).

A Bulgária e a Romênia entraram em 2007 e a Croácia, em 2013. Montenegro, Sérvia e Turquia negociam a associação. A ex-república soviética da Ucrânia gostaria de entrar, mas enfrenta forte oposição da Rússia

No caso da Turquia, com o autoritarismo crescente do presidente Recep Tayyip Erdogan, a adesão está cada vez mais distante. A Grécia veta a Macedônia para evitar reivindicações territoriais sobre a região grega do mesmo nome.

Hoje, 27 países festejam os 60 anos. Deveriam ser 28, se 52% dos britânicos que foram às urnas em 23 de junho de 2016 não tivessem votado a favor da saída do país da UE. A primeira-ministra Theresa May não foi convidada para a festa.

Daqui a quatro dias, ela vai acionar o artigo 50 do Tratado de Lisboa, que regulamenta a saída de países da UE, deflagrando um processo de negociação que deve durar dois anos. Como uma das principais razões da vitória do não à Europa foi reassumir o controle da imigração, é provável que o Reino Unido deixe também o mercado comum europeu.

Uma regra básica do processo de integração da Europa é a livre circulação de mercadorias, pessoas e capitais. Assim, o Reino Unido deve deixar o segundo maior mercado do mundo, depois dos Estados Unidos e ainda corre o risco de perder a Escócia, que vai convocar novo plebiscito sobre a independência para tentar ficar na Europa.

Com a vitória da Brexit (British exit = saída britânica, em inglês), os movimentos nacionalistas e antieuropeus de ultradireita cresceram. O Partido da Liberdade, neonazista, quase venceu a eleição presidencial na Áustria. Na Holanda, o Partido da Liberdade liderado por Geert Wilders levou apenas 13% e ficou longe do poder.

Na França, a candidata da neofascista Frente Nacional, Marine Le Pen, chegou a liderar as pesquisas sobre o primeiro turno da eleição presidencial, marcado para 23 de abril de 2017. No momento, está em segundo, atrás do ex-ministro da Economia Emmanuel Macron, que concorre como independente e é favorito para vencer no segundo turno, em 7 de maio.

Se vencer, Le Pen promete acabar com a "imigração legal e ilegal", e convocar um plebiscito para tirar a França da UE. Ontem, foi a Moscou, receber o apoio do presidente da Rússia, Vladimir Putin, que trabalha ativamente para destruir a UE e sabotar a democracia liberal do Ocidente. A saída da França seria o fim do processo de integração da Europa.

A UE é uma experiência inédita na história da humanidade. É uma entidade supranacional, um grupo de países que se associaram para resolver seus conflitos pacificamente e garantir a paz através da superação dos nacionalismos extremados que destruíram o continente em duas guerras mundiais e do desenvolvimento econômico integrado.

No modelo europeu, a economia social de mercado, os países mais ricos financiam o desenvolvimento dos países e das regiões mais pobres. Teve extraordinário sucesso na integração de países como Grécia, Irlanda e Portugal, depois atingidos pela crise do euro.

Esse modelo foi abalado pela entrada de países muito mais pobres da Europa Oriental, mas ainda é o melhor modelo para uma globalização social-democrata, essencial para evitar ondas de refugiados e imigrantes de países pobres e falidos onde o Estado entrou em colapso.

Aos 60 anos, a Europa unida mas nem tanto discute um futuro em "velocidades diferentes" ou geometria variável para dar flexibilidade ao bloco de 28 países. Na prática, já existe um núcleo central, os agora 19 países que adotaram o euro como moeda comum.

Durante cinco séculos, a Europa dominou o mundo a partir da expansão colonial marítima, da Revolução Comercial e da Revolução Industrial, antes de quase se suicidar em duas guerras e perder a supremacia. Os mesmos nacionalismos que causaram duas guerras mundiais voltam a mostrar as caras.

sexta-feira, 24 de março de 2017

Republicanos abandonam projeto contra programa de saúde de Obama

Um Partido Republicano dividido causou a primeira grande derrota do presidente Donald Trump no Congresso ao abandonar o projeto do presidente da Câmara, deputado Paul Ryan, para acabar com o programa de universalização da saúde pública do governo Barack Obama.

Visivelmente irritado, Trump falou em deixar o programa de Obama implodir, sob o argumento de que as prestações do seguro-saúde vão aumentar muito nos próximos anos. Acabar com o programa de saúde de Obama era uma promessa de campanha de Trump e da maioria dos republicanos.

O projeto retirado de votação deixaria em dez anos mais 24 milhões de americanos sem seguro-saúde, advertiu o bipartidário Escritório de Orçamento do Congresso. Isso colocou republicanos moderados na defensiva, não querendo pagar o preço nas próximas eleições.

Ao mesmo tempo, a ala mais direitista do partido, chamava o projeto de Obamacare light, acusando o projeto republicano de criar um Estado de bem-estar social nos EUA, o que para a ultradireita é uma espécie de socialismo.

Com o partido dividido, ficou evidente que não haveria votos suficientes para aprovar o projeto, apesar do patrocínio de Ryan e do apoio de Trump, os dois grandes perdedores.

Líder da extrema direita francesa pede apoio à Rússia

A candidata à Presidência da França pela neofascista Frente Nacional, Marine Le Pen, visitou hoje em Moscou o presidente Vladimir Putin, noticiou o jornal internacional The Moscow News. As duas partes negaram que a Rússia tenha oferecido ajuda financeira para a candidata, uma grande ameaça à União Europeia, mas a realidade deve ser outra.

Le Pen acenou com a possibilidade de suspender as sanções impostas à Rússia depois da intervenção militar na Ucrânia e da anexação da Crimeia. Putin prometeu não interferir na eleição de 23 de abril e 7 de maio de 2017 na França.

Provavelmente a verdade seja exatamente o contrário do que declarado publicamente. A polícia federal dos Estados Unidos (FBI) investiga a interferência da Rússia na eleição presidencial americana através de pirataria cibernética e de contatos diretos da campanha do atual presidente Donald Trump com o Kremlin.

A Rússia de Putin trava uma guerrinha fria com o Ocidente, contra os valores da sociedade aberta, liberal e democrática. Com pirataria cibernética, ajudou Trump a derrotar a ex-secretária de Estado Hillary Clinton, que Putin acusa por uma onda de protestos contra fraude nas eleições parlamentares russas de 2011.

Desde aquele ano, Le Pen visitou a Rússia quatro vezes. Esteve inclusive na Crimeia anexada. Seu partido recebeu um empréstimo de 8 milhões de euros de um banco russo. Moscou ajuda aberta e secretamente forças políticas ultranacionalistas anti-UE, como a Frente Nacional, da França, a Liga Norte e o Movimento 5 Estrelas, na Itália.

quinta-feira, 23 de março de 2017

Partido Socialista cai para 5º lugar na eleição presidencial da França

Com o avanço de Jean-Luc Mélenchon, candidato da frente de esquerda França Insubmissa, a um mês do primeiro turno da eleição presidencial na França, o ex-ministro da Educação Benoît Hamon, candidato oficial do Partido Socialista, caiu para quinto lugar numa pesquisa de opinião realizada na terça-feira para a televisão BFMTV e a revista L'Express.

O líder na pesquisa sobre o primeiro turno, marcado para 23 de abril de 2017, é o ex-ministro da Economia do atual governo, Emmanuel Macron, considerado liberal demais dentro do PS, com avanço de 0,5 ponto percentual e 26% das preferências. 

Em segundo lugar, vem a chefe da neofascista Frente Nacional, Marine Le Pen, com queda de meio ponto percentual e 24,5%. Ela promete acabar com a "imigração legal e ilegal", e tirar a França da União Europeia.

Marine Le Pen se inspira nas vitórias do plebiscito sobre a saída do Reino Unido do bloco europeu e a eleição de Donald Trump nos Estados Unidos. Tem o apoio do presidente da Rússia, Vladimir Putin. Um banco russo emprestou 8 milhões de euros a seu partido de ultradireita. É a maior ameaça nesta eleição.

Todos os partidos devem se unir contra Le Pen no segundo turno. Foi que aconteceu com seu pai, Jean-Marie Le Pen, quando ele superou o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin, em 21 de abril de 2002, e foi para o segundo turno contra o presidente Jacques Chirac, vencedor no final por ampla margem.

De acordo com as pesquisas, Macron e Le Pen devem disputar o segundo turno, em 7 de maio, deixando de fora os grandes partidos que dominaram a 5ª República, o PS e o partido gaulista, herdeiro das ideias do general Charles de Gaulle, grande herói da Segunda Guerra Mundial e principal dirigente do país no pós-guerra, que hoje se chama Os Republicanos.

O candidato gaulista, o ex-primeiro-ministro François Fillon, era o favorito depois de ganhar a eleição primária do partido até a imprensa denunciar que ele empregou a mulher os filhos como funcionários-fantasmas do Senado. Apesar do escândalo e de estar sendo processado, Fillon se recusa a abandonar a candidatura. Está em queda e perdeu mais 0,5 ponto desde a pesquisa anterior. Tem 17%.

Mélenchon é o quarto, com um avanço de meio ponto e 13,5% do total, ultrapassando o socialista Hamon, que caiu 2 pontos para 11,5%, o pior resultado da história do PS.

Por causa de sua impopularidade, o presidente François Hollande desistiu de concorrer e o ex-primeiro-ministro Manuel Valls foi derrotado pela esquerda, que optou por Hamon. Mas cada vez mais os socialistas embarcam na candidatura Macron. O próprio presidente Hollande pediu outro dia a desistência de Fillon, numa clara jogada para beneficiar a candidatura de seu jovem ex-ministro.

Polícia britânica identifica terrorista que atacou Parlamento Britânico

A polícia do Reino Unido identificou hoje como Khalid Masood, de 52 anos, nascido condado de Kent, na Inglaterra, revelou o jornal The Guardian

Masood era conhecido da Scotland Yard e dos serviços secretos, mas era considerado uma "figura periférica". O nome é diferente do apontado ontem por meios de comunicação de outros países europeus.

Hoje a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante reivindicou a responsabilidade pelo atentado, mas não apresentou qualquer prova.

Como em casos anteriores, Masood tinha várias passagens pela polícia sem qualquer ligação com fanatismo religioso. Foi condenado pela primeira vez em 1983 por "danos criminosos". A última vez foi em 2003 por posse de faca.

Isso mostra um padrão que se repete desde os atentados terroristas contra o jornal Charlie Hebdo, em 7 de janeiro de 2015, em Paris, na França.

A maioria dos terroristas que atacaram a Europa era de marginais que haviam cometido pequenos delitos como agressões, roubos, assaltos e tráfico de drogas. Na cadeia, foram radicalizados. São marginais e não fanáticos religiosos. Usam o salafismo jihadista, uma ideologia assassina, para justificar seus crimes.

Estado Islâmico reivindica atentado terrorista em Londres

Através de sua agência de propaganda Amaq, a milícia extremista muçulmana Estado Islâmico do Iraque e do Levante tentou assumir hoje a responsabilidade pelo ataque terrorista de ontem na Ponte de Westminster e contra o Parlamento Britânico, em Londres, noticiou o jornal The Guardian. O total de mortos foi reduzido hoje para três, além do terrorista, com 40 sobreviventes feridos.

Em nota, a agência o chamou de "soldado do Estado Islâmico", sem dar detalhes sobre quais seriam suas ligações com o grupo nem qualquer prova de autoria.

A polícia britânica já identificou o terrorista morto, mas não revelou sua identidade para não prejudicar as investigações. A primeira-ministra Theresa May informou que ele era conhecido da polícia e dos serviços secretos do Reino Unido. Era considerado uma "figura periférica".

Oito pessoas foram presas hoje em operações de busca e apreensão em seis locais de Londres e Birmingham, a segunda maior cidade do país.