sábado, 16 de dezembro de 2017

Mais de 70% suspeitam de conluio entre Trump e Rússia

Aumenta a pressão sobre o presidente Donald Trump. Uma nova pesquisa divulgada pela agência Associated Press (AP) indica que 72% dos americanos suspeitam das ligações de sua campanha com a Rússia e 63% entendem que o presidente dos Estados Unidos está tentando obstruir a ação da Justiça.

Para 40% dos eleitores entrevistados, o presidente agiu ilegalmente, enquanto 32% acreditam que o que Trump fez é antiético, mas não ilegal, e 25% não veem problema algum.

Quanto à obstrução de justiça, 63% acreditam que o presidente tentou parar as investigações e impedir a ação da Justiça, ao demitir James Comey da direção-geral do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, criticar o procurador especial Robert Mueller e afirmar que é tudo “notícia falsa” porque nada haveria a investigar.

À medida que o inquérito avança e chega a seu entorno, Trump dá sinais de irritação. A história não o absolverá. Talvez o braço longo da lei o pegue antes.

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Três palestinos morrem em choques com forças de segurança de Israel

Hoje foi o oitavo dia de fúria contra a decisão do presidente Donald Trump de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel. Pelo menos três palestinos foram mortos e outros 260 saíram feridos de confrontos com as forças de segurança israelense na fronteira da Faixa de Gaza e na Cisjordânia ocupada, inclusive no setor árabe de Jerusalém, noticiou o jornal liberal israelense Haaretz citando como fonte o Ministério da Saúde palestino.

Milhares de palestinos participaram dos protestos. De acordo com as Forças de Defesa de Israel, cerca de 3,5 mil palestinos se manifestaram em nove locais junto à fronteira de casa, onde fizeram barricadas de fogo com pneus e atiraram pedras nos soldados e policiais. Dois palestinos, Yasser Sukar, de 23 anos, e Ibrahim Abu Thuraya, de 29, foram mortos lá.

Outros 2,5 mil protestaram na Cisjordânia, onde morreu Mustafá Bassel, de 29 anos. Milhares de árabes israelenses se manifestaram na cidade de Sakhnin, no Norte de Israel, onde o prefeito árabe "agradeceu a Trump por colocar a questão palestina na agenda internacional. O Leste de Jerusalém é uma cidade árabe e palestina, e será capital do Estado da Palestina."

Em Gaza, ao festejar os 30 anos de fundação do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas), seu líder, Ismail Haniya, declarou que "o levante contra a contra a decisão de Trump causou fissuras na posição dos Estados Unidos e isolou seu governo.

"Estamos agindo para revogar a decisão de Trump e vamos derrubá-la de uma vez por todas. A decisão de Trump é mais perigosa do que a Declaração de Balfour", comentou Haniya, lembrando a promessa feita pelo Império Britânico em 1917, durante a Primeira Guerra Mundial, de criar uma pátria para o povo judeu no território histórico da Palestina.

"Estamos agindo com elementos islamistas árabes para transformar toda sexta-feira num dia de fúria por Jerusalém e exacerbar os protestos contra a decisão de Trump", desafiou o líder do Hamas.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Governo Trump acaba com neutralidade da Internet

Por 3 a 2, a Comissão Federal de Comunicações dos Estados Unidos revogou uma regra básica de operação da rede mundial de computadores que obrigava os provedores de serviços a tratar todo o tráfego de dados via Internet da mesma maneira, sem dar prioridade, por exemplo, a quem estiver disposto a pagar mais. A partir de agora, poderão acelerar, retardar ou bloquear o tráfego.

É mais uma regulamentação do governo Barack Obama (2009-17) eliminada sob o presidente Donald Trump. Os republicanos afirmam que a medida vai revitalizar a economia da banda larga, beneficiando os consumidores ao oferecer mais opções e preços menores.

A votação seguiu a orientação partidária dos membros da comissão. Para o presidente da CFC, Ajit Pai, idealizador da nova regulamentação, a chave do sucesso será "a transparência - a ideia de que os consumidores saibam exatamente o que estão pagando."

Do lado de fora, ativistas que veem numa Internet neutra e aberta um instrumento poderoso da democracia e da igualdade de oportunidades protestaram. Eles alegam que a nova regulamentação tende a aumentar os preços e balcanizar a rede, criando nichos que não se comunicam.

Os grandes vencedores são empresa como AT&T, Comcast e Verizon, que poderão cobrar mais caro de usuários e empresas de maior poder aquisitivo para acelerar suas mensagens. Perdem companhias como o Google, a Amazon, o Netflix e o Facebook. Temem que os provedores cobrem tarifas elevadas ou deem prioridade a seu próprio conteúdo.

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Evangélico pedófilo aliado de Trump perde eleição no Alabama

O candidato democrata Doug Jones foi eleito para o Senado dos Estados Unidos pelo estado do Alabama, vencendo o ex-juiz evangélico Roy Moore, aliado do presidente Donald Trump, acusado pedofilia por várias mulheres durante a campanha eleitoral.

Foi a primeira vitória democrata para o Senado no Alabama desde 1972 e o senador eleito naquele ano aderiu ao Partido Republicano dois anos depois. A derrota reduz a maioria republicana no Senado para dois votos (51-49), dificultando a aprovação das propostas legislativas do governo Trump. O presidente apoiou outro candidato na eleição primária republicana, mas resolveu ficar com Moore, apesar das denúncias de crimes sexuais.

Como o resultado foi apertado, Moore recusou-se a reconhecer a derrota, argumentando que, quando a diferença é de 1%, os votos devem ser recontados. Na realidade, a lei do Alabama prevê a recontagem quando a diferença for de até 0,5% ou quando um candidato pedir e pagar.

Com 99% da apuração concluída, a diferença é de 1,5% dos votos apurados. A vantagem do democrata é menor do que os 22.783 votos, cerca de 1,7%, preenchidos à mão por republicanos que se recusaram a votar em Moore.

Quando Trump nomeou o então senador Jeff Sessions para secretário da Justiça, ninguém poderia imaginar que os republicanos perderiam uma eleição no estado, um dos mais pobres e conservadores dos EUA. Mas o candidato errado ganhou a eleição prévia e se negou a desistir quando foi desmoralizado.

Durante a campanha, uma mulher revelou ter sido molestada sexualmente por Moore quando ela tinha 14 anos e ele 32, em reportagem publicada no jornal The Washington Post. Várias outras mulheres fizeram acusações semelhantes.

O ex-desembargador, afastado duas vezes do Tribunal de Justiça do Alabama por querer colocar os Dez Mandamentos do cristianismo dentro da corte, negou tudo. Alegou se tratar de uma conspiração esquerdista para desmoralizá-lo.

Mesmo assim, o líder republicano no Senado, Mitch McConnell, outros dirigentes do Partido Republicano e até Ivanka Trump, filha do presidente, declararam que acreditavam nas mulheres. Eles não conseguiram convencer Trump a abandonar Moore, o que o pressionaria a desistir da candidatura.

Trump entrou pessoalmente na campanha e insistiu que a eleição de um republicano era fundamental para manter a maioria do partido no Senado. Foi uma derrota pessoal.

Outro grande perdedor foi o ex-chefe de campanha e ex-estrategista de Trump na Casa Branca, Steve Bannon, um guru do ultranacionalismo e antiglobalismo da ultradireita, que apoiou Moore desde a primária.

Trump é acusado de abuso sexual por pelo menos dez mulheres. Anos atrás, nos bastidores de um programa de televisão, ele fez comentários revelados durante a campanha em que se gabava de apalpar os órgãos sexuais de mulheres que não reagiriam negativamente porque ele é rico e famoso.

Apesar do escândalo, Trump foi eleito. Com a onda de denúncias de crimes sexuais cometidos pelo produtor de cinema Harvey Weinstein, magnatas de Hollywood, jornalistas, chefs de cozinha e outras celebridades caíram do pedestal e estão sendo processados por assédio sexual.

Os políticos foram os últimos. Sob pressão das bancadas femininas, o senador Al Franken renunciou ao mandato na semana passada. E agora as mulheres que acusam Trump voltaram as manchetes e insistem que o presidente seja investigado por crimes sexuais.

Portugal investiga Igreja Universal por adoção ilegal de crianças

O Ministério Público de Portugal abriu inquérito sobre o envolvimento da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) numa rede de adoção ilegal de crianças portuguesas, confirmou à Agência Lusa a Procuradoria-Geral da República.

Na série de reportagens O Segredo dos Deuses, que a televisão portuguesa TVI começou a transmitir na segunda-feira depois do Jornal das 8, a Igreja Universal mantinha um lar ilegal de crianças em Lisboa na década de 90 para onde vários menores foram levados à revelia das mães.

Sem conhecimento e muito menos autorização da Justiça, as crianças eram entregues diretamente no Lar Universal, criado em 1994, legalizado em 2001 e fechado em 2011 com a desculpa da crise econômica.

Muitas crianças acabavam no exterior, adotadas por bispos e pastores da igreja de forma irregular, sem que as famílias tivessem direito a uma audiência num tribunal, afirmam as jornalistas Alexandra Borges e Judite França.

De acordo com a reportagem, o bispo Edir Macedo, fundador e dono da IURD, "está envolvido nesta rede internacional de adoções ilegais de crianças e seus próprios 'netos' são crianças roubadas do Lar Universal, uma instituição que à época fazia parte da obra social da igreja."

A TVI acusa até mesmo que "um importante membro desta rede chegou mesmo a roubar um recém-nascido e registrá-lo diretamente como seu filho biológico".

"Isto aconteceu debaixo dos nossos olhos e retrata o esquema que estava montado num lar ilegal", declarou o diretor de jornalismo da TVI, Sérgio Figueiredo, depois do primeiro programa. "O Estado não esteve completamente bem aqui, mas nunca é tarde para repor a verdade."

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Trump quer voos tripulados dos EUA à Lua e Marte

Para revigorar a indústria espacial dos Estados Unidos, 45 anos depois que o homem pisou na Lua pela última vez, o presidente Donald Trump anunciou ontem em Washington a intenção de voltar ao satélite da Terra e usar a Lua como base para chegar a Marte e além.

A Diretriz nº 1 de Política Espacial é a primeira recomendação do Conselho Nacional Espacial. "É o primeiro passo para o retorno dos astronautas americanos à Lua pela primeira vez desde 1972, para exploração e uso", declarou Trump em cerimônia na Casa Branca.

"Desta vez, não vamos apenas hastear a bandeira e deixar nossas pegadas", acrescentou o presidente dos EUA, citado pelo jornal The New York Times. "Vamos estabelecer uma base para uma futura viagem a Marte e talvez um dia para outros mundos além de Marte."

O objetivo é atrair empresas interessadas em desenvolver tecnologia para viabilizar o projeto e dar um novo impulso à exploração espacial.

segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Atentado terrorista na Times Square fracassa

Duas estações muito movimentadas do metrô de Nova York foram fechadas hoje depois que um homem de nacionalidade bengalesa tentou realizar um atentando com uma bomba caseira que não explodiu direito perto da Times Square. Quatro pessoas saíram feridas, inclusive o terrorista, que foi preso em seguida.

O atentado foi às 7h20 numa passagem subterrânea que dá acesso a linhas de metrô na 8ª e 9ª avenidas e na Broadway.

As autoridades nova-iorquinas suspeitam que terrorista foi inspirado pela propaganda da milícia Estado Islâmico do Iraque e do Levante na Internet. Akayed Ullah, de 27 anos, levava os explosivos presos ao corpo e alegou que o ataque era uma resposta aos ataques de Israel à Faixa de Gaza.

Na Internet, a agência de propaganda do Estado Islâmico declarou que o ataque foi uma resposta à decisão do presidente Donald Trump de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel.

Duas horas depois, a vida tinha voltado do normal no ponto mais movimentado da maior cidade dos Estados Unidos. Trump declarou estar satisfeito porque a bomba não explodiu e elogiou a pronta reação das equipes de socorro.

domingo, 10 de dezembro de 2017

Palestino esfaqueia segurança israelense em Jerusalém

Um guarda de segurança de 35 anos está em estado grave depois de ser esfaqueado no peito hoje perto da Estação Central de Ônibus de Jerusalém. Eram cerca de duas horas da tarde pela hora local (10h em Brasília) quando um palestino de 24 anos foi interpelado, puxou uma faca, atacou o guarda e fugiu, noticiou o jornal The Jerusalem Post.

O terrorista fugiu pela Rua Jaffa, onde foi detido por um civil e outro policial. Ele reside em Nablus, na Cisjordânia ocupada, e não tem permissão para trabalhar em Israel. Logo depois do ataque, uma multidão se reuniu no local para pedir "pena de morte para terroristas".

A melhor resposta é fortalecer a soberania sobre a cidade, declarou o prefeito de Jerusalém, Nir Barkat: "Nossos inimigos não precisam de desculpas para nos atacar. Não há justificativa para o terrorismo e a violência. A resposta ao terror é fortalecer a soberania e construir em toda a Jerusalém unificada."

A tensão aumentou muito na cidade sagrada para três religiões, judaísmo, cristianismo e islamismo, depois que o presidente Donald Trump reconheceu, na semana passada, Jerusalém como a capital de Israel. Os palestinos declararam três dias de raiva e o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) convocou uma nova intifada (revolta).

A primeira intifada estourou em 8 de dezembro de 1987, em resposta à repressão israelense nos territórios árabes ocupados 20 anos antes. Durou até o anúncio de um cessar-fogo e dos acordos de paz negociados em Oslo, em 13 de setembro de 1993, nos jardins da Casa Branca, quando o líder histórico da Organização para a Libertação da Palestina (OLP), Yasser Arafat, apertou as mãos do primeiro-ministro de Israel, Yitzhak Rabin. Pelo menos 160 soldados (60 soldados e 100 civis) e 2.162 israelenses.

A segunda intifada começou em 28 de setembro de 2000, depois do fracasso das negociações intermediadas pelo presidente americano Bill Clinton em Camp David, nos Estados Unidos, quando o líder da oposição israelense, Ariel Sharon, visitou a Esplanada das Mesquitas e o Monte do Templo, lugares sagrados para judeus e muçulmanos. Foi até 2006. Pelo menos 215 soldados e 664 civis israelenses, e 3.858 palestinos.

Quando a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou a divisão da Palestina e a criação de Israel, em 1947, decidiu que Jerusalém seria uma cidade universal. Mas os países árabes rejeitaram a independência de Israel e iniciaram uma guerra em que Israel ocupou o Oeste de Jerusalém e a Jordânia o Leste.

Na Guerra dos Seis Dias, em 1967, Israel ocupou a outra metade da cidade, o setor árabe, onde os palestinos sonham em instalar a capital de seu futuro Estado nacional. Israel anexou o setor oriental, unificou a cidade e a declarou sua eterna capital, mas isso nunca foi reconhecido pela sociedade internacional.

Como a Carta da ONU veda a guerra de conquista, a ocupação e a anexação são ilegais à luz do direito internacional e de várias resoluções do Conselho de Segurança da ONU. Por isso, nenhum país do mundo, à exceção dos EUA de Trump, reconhece Jerusalém como capital de Israel.

O gesto de Trump é mais um jogo de cena para sua plateia, para a direita evangélica, que acredita na versão bíblica de que Deus deu Israel e Jerusalém ao povo judeu, para os bilionários judeus que financiam campanhas eleitorais nos EUA, com quem se comprometeu a transferir a embaixada americana de Telavive para Jerusalém.

Trump agrada à direita israelense e ao primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu, mas, na prática, seu gesto não muda a situação atual, desqualifica dos EUA como mediadores no processo de paz e alimenta uma nova onda de violência.