quinta-feira, 27 de abril de 2017

Jornalistas denunciam censura da Frente Nacional

As associações de jornalistas de 29 meios de comunicação da França, inclusive o jornal Le Monde, protestaram hoje contra a decisão da neonazista Frente Nacional de "escolher as mídias autorizadas a seguir Marine Le Pen", candidata da ultradireita à Presidência da República.

Depois de vários casos em que jornalistas foram impedidos de cobrir eventos da campanha de Marine, os jornalistas divulgaram a seguinte nota:

"Por ocasião da campanha para o segundo turno da eleição presidencial, a Frente Nacional decidiu escolher os meios de comunicação autorizados a seguir Marine Le Pen. Várias publicações viram assim seus representantes ser privado de toda informação e de toda possibilidade de seguir a candidata da Frente Nacional no terreno.

"Assim, depois da Mediapart e do Quotidien (e antes dele, de seu predecessor Le Petit Journal), a Agência France Presse (AFP), a Rádio France, a Rádio France International, France 24, Le Monde, Libération e Marianne foram em algum momento vítimas dessas exclusões. Não se trata portanto de um recurso à prática do pool de jornalistas, quando informações e imagens são compartilhadas.

"Protestamos da maneira mais firme contra este entrave à liberdade de fazer nosso trabalho e cumprir nosso dever de informar. Não cabe a uma formação política, qualquer que seja, de dedicir que meios de comunicação estão habilitados a exercer seu papel democrático na nossa sociedade", concluíram os jornalistas.

O segundo turno da eleição presidencial na França, marcado para 7 de maio, é um duelo entre o liberalismo de Emmanuel Macron e o antiliberalismo neofascista da FN.

Israel derruba drone da Síria nas Colinas do Golã

Horas depois de uma explosão atribuída a um bombardeio israelense perto do aeroporto de Damasco, Israel abateu hoje um drone vindo da Síria na região das Colinas do Golã, um território árabe ocupado na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e anexado em 1981, informou o jornal liberal israelense Haaretz.

Um míssil de defesa Patriota interceptou uma aeronave não tripulada que invadiu o espaço aéreo israelense nas Colinas do Golã no fim da tarde de hoje, anunciaram as Forças de Defesa de Israel. Os moradores na cidade de Safed, no Norte de Israel, viram dois mísseis antiaéreos sendo disparados.

O ataque frustrado aconteceu horas depois de um bombardeio israelense à Síria. Na madrugada de hoje, noite de ontem no Brasil, Israel alvejou depósitos de armas e munições num complexo militar próximo do aeroporto da capital da Síria usado como ponto de apoio para milícias xiitas financiadas pelo Irã.

Desde o início da guerra civil síria, em março de 2017, Israel bombardeou a Síria várias vezes, supostamente para destruir carregamentos de armas e munições para a milícia fundamentalista xiita libanesa Hesbolá (Partido de Deus). O objetivo agora teria sido o mesmo.

Israel volta a bombardear a Síria

Cinco explosões ouvidas nesta noite perto do aeroporto internacional de Damasco, a capital da Síria, seguidas de um incêndio, foram atribuídas a um bombardeio de Israel, noticiou o jornal liberal israelense Haaretz citando fontes árabes.

Eram 3h25 da madrugada (21h25 em Brasília) quando o ataque começou. Os alvos foram depósitos de armas e munições usados por milícias apoiadas pelo Irã para lutar ao lado da ditadura de Bachar Assad na guerra civil síria, especialmente do grupo fundamentalista xiita libanês Hesbolá (Partido de Deus).

Israel tenta evitar de todas as formas que as armas colocadas à disposição do Hesbolá sejam desviadas para futuros conflitos com o Estado judaico. A área bombardeada tem hangares, depósitos e fábricas.

Depois da intervenção militar da Rússia no conflito sírio, a partir de 30 de setembro de 2017, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, foi a Moscou negociar com o presidente Vladimir Putin uma licença para continuar atacando carregamentos de armas capazes de ameaçar Israel.

Putin gostou de ser tratado como grande potência no Oriente Médio e concordou em aceitar o jogo do maior aliado dos Estados Unidos na região.

Venezuela de Maduro deixa OEA e se isola ainda mais

Por orientação do presidente Nicolás Maduro, cada vez mais acuado e isolado, a Venezuela vai deixar a Organização dos Estados Americanos (OEA) para evitar qualquer tipo de "intervencionismo", anunciou ontem a ministra do Exterior, Delcy Rodríguez, noticiou o jornal El Nacional. O processo deve durar 24 meses.

A chanceler venezuelana citou o exemplo de Cuba, excluída por causa da natureza antidemocrática do regime comunista, que descreveu como "revolucionário", e acusou uma "coalizão intervencionista" de agir para desestabilizar a Venezuela.

Com inflação de 800%, queda do produto interno bruto estimada em 19% no ano passado e desabastecimento generalizado, a Venezuela enfrenta a pior crise econômica de sua história recente.

Enquanto paga bilhões de dólares em juros de bônus da estatal Petróleos de Venezuela (PdVSA) e dos títulos da dívida pública do país para evitar o calote, o governo Maduro não é capaz de garantir o suprimento de produtos básicos. Faltam papel higiênico, medicamentos, alimentos básicos, farinha de trigo, óleo comestível. Os venezuelanos ficam horas em filas em busca de preços menores ou produtos escassos.

Pelo menos 30 pessoas morreram na atual onda de protestos iniciada em 6 de abril depois que o Tribunal Supremo de Justiça tentou dissolver a Assembleia Nacional, dominada pela oposição, e usurpar seus poderes legislativos, impondo na prática uma ditadura de Maduro.

Sob pressão interna e externa, o presidente recuou, mas acusa a burguesia nacional de conspirar com potências estrangeiras, notadamente os Estados Unidos, para derrubar o regime chavista. Entre as medidas de "resistência", prometeu ampliar os chamados "coletivos", as milícias da revolução bolivarista, responsáveis por várias mortes nos últimos dias.

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Mélenchon não apoia Macron mas não quer voto na Frente Nacional

O candidato da ultraesquerda à Presidência da França, Jean-Luc Mélenchon, se nega a apoiar o independente Emmanuel Macron, um defensor da economia de mercado, mas não quer que nenhum de seus mais de 7 milhões de eleitores (19,6%) vote na neofascista Frente Nacional.

Desde domingo, os candidatos derrotados no primeiro turno da eleição presidencial francesa estão sob pressão para definir suas posições para o segundo turno, marcado para 7 de maio. O ex-primeiro-ministro conservador François Fillon e o ex-ministro da Educação socialista Benoît Hamon declararam apoio a Macron.

Mélenchon, uma das surpresas desta eleição, chegou a sonhar com uma vaga no segundo turno. Ganhou com o descontentamento da esquerda com a presidência de François Hollande. No primeiro momento, ele se negou a orientar seus eleitores, alegando não ter mandato para isso.

Agora, seu movimento França Insubmissa desceu parcialmente do muro sem assumir o apoio a Macron: "Nenhum voto deve ir para a Frente Nacional", declarou hoje Alexis Corbière, porta-voz de Mélenchon.

A reação vem porque a ultradireitista Marine Le Pen tenta aproveitar o sentimento antiglobalização dos eleitores de Mélenchon para tentar conquistar seus votos para o segundo turno.

Na sua estratégia de caracterizar Macron como candidato das oligarquias e da "globalização selvavem", Le Pen tenta captar o voto operário. Hoje ela fez uma visita de surpresa à fábrica da empresa Whirlpool em Amiens, enquanto o ex-ministro participava um encontro intersindical na Câmara de Comércio da cidade.

A fábrica está em greve. Os trabalhadores tentam impedir seu fechamento e reabertura na Polônia. Le Pen afirmou que "está no meio dos trabalhadores que resistem à globalização selvagem".

Há uma certa inquietação na França com a possibilidade de uma vitória da extrema direita. Em 21 de abril de 2002, quando Jean-Marie Le Pen, pai de Marine, derrotou o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin, todas as outras forças políticas se mobilizaram para apoiar a reeleição do presidente Jacques Chirac, inclusive Mélenchon.

Chirac teve 20% no primeiro turno e 80% no segundo. Agora, Mélenchon é contra a FN, mas não pede voto para Macron. O eleitorado direitista cristão que se mobilizou contra o casamento gay e apoiou Fillon tende a votar em Le Pen. Prefere o antiliberalismo ou casamento gay.

Justiça rejeita decreto de Trump contra cidades-refúgio

Em mais uma derrota do governo Donald Trump na Justiça, um juiz federal de São Francisco da Califórnia declarou inconstitucional ontem um decreto do presidente que cortava a ajuda para as chamadas cidades-refúgio dos Estados Unidos, que acolhem refugiados e imigrantes.

O juiz William Orrick aceitou a petição dos condados de Santa Clara e São Francisco alegando que teriam prejuízos imediatos e irreparáveis. Decidiu que o governo federal não pode negar verbas federais a cidades que se neguem a cooperar com as autoridades de imigração.

A medida "privaria os condados de centenas de milhões de dólares para sustentar serviços essenciais", concluiu o juiz. Na sentença, ele afirma que o decreto viola a separação de poderes estabelecida pela Constituição, a 5ª Emenda à Constituição, que garante o direito a um processo legal, e a 10ª Emenda, que proíbe obrigar jurisdições locais a aplicar leis federais.

"A Constituição dá ao Congresso, não ao presidente, os poderes para ordenar gastos, então um decreto não pode constitucionalmente impor novas condições aos fundos federais", argumentou o juiz. O governo Trump promete levar o caso até a Suprema Corte.

Ex-presidente Sarkozy declara voto em Macron

Mais um líder do partido gaulista Os Republicanos, de centro-direita, adere à Frente Republicana antiextrema-direita e anuncia apoio à candidatura do ex-ministro da Economia Emmanuel Macron à Presidência da França. O ex-presidente Nicolas Sarkozy declarou hoje que vai votar em Macron no segundo turno, em 7 de maio de 2017.

"É uma escolha de responsabilidade que não significa de modo algum apoio a seu projeto", escreveu Sarkozy no Facebook, deixando claro que o objetivo é barrar a ascensão ao poder de Marine Le Pen, da neonazista Frente Nacional.

Ao mesmo tempo, Sarkozy defendeu uma mobilização de seu partido para vencer as eleições parlamentares: "No próximo mês de junho, por ocasião das eleições legislativas, os franceses terão de novo a possibilidade de fazer a escolha de uma verdadeira alternância dando seus sufrágios aos candidatos indicados pelo centro e pela direita."

Como o favorito Emmanuel Macron não tem partido, lançou há menos de um ano seu movimento Em Marcha para sustentar sua candidatura, é improvável que consiga maioria parlamentar para governar. Se Os Republicanos tiverem maioria na Assembleia Nacional, será obrigado a nomear um primeiro-ministro do partido de Sarkozy.

Os Republicanos poderiam ter vencido e se firmado mais uma vez como o maior partido da França, se não tivessem insistido na candidatura do ex-primeiro-ministro François Fillon, abalada por denúncias de que empregou a mulher e os filhos como funcionários-fantasmas do Senado.

Antes do escândalo, Fillon saiu da eleição primária republicana com 30% das preferências. Teria um caminho tranquilo até o Palácio do Eliseu. Mas o partido que dominou a política francesa durante a maior parte da 5ª República, fundada em 1958 pelo general Charles de Gaulle, deu um tiro no pé.

Assim, neste caso, não fazem sentido as análises sobre a decadência dos partidos tradicionais. Os gaulistas presidiram a França por 33 anos desde 1958, com De Gaulle, Georges Pompidou, Jacques Chirac e Sarkozy. Não há partido mais tradicional na política francesa e as eleições legislativas tendem a confirmá-lo como maior partido do país, a não ser que Macron surpreenda mais uma vez.

terça-feira, 25 de abril de 2017

Total de mortos nos protestos na Venezuela chega a 26 pessoas

Com mais quatro mortes ontem, o total de mortos na atual onda de protestos contra o regime chavista da Venezuela subiu para 26 pessoas, confirmou hoje a procuradora-geral da República, Luisa Ortega Díaz, citada pelo jornal venezuelano El Nacional.

"Quero manifestar meu repúdio a todos os atos de violência ocorridos no país, os rechaço", declarou a procuradora-geral. "Sou uma mulher de paz. Não tolero a violência. Lamento a morte de 26 venezuelanos. Dói muito a morte de pessoas, sejam do governo ou da oposição."

Além das mortes, desde 4 de abril de 2017, 437 pessoas foram feridas, 1.289 detidas, 217 apresentadas aos tribunais e 65 ficaram presas.

"Ninguém quer para nosso país um cenário de confrontação bélica, de guerra civil ou ingerência estrangeira", acrescentou Luisa Ortega. Ela criticou a violência de parte da oposição e, diante da gravíssima crise econômica, afirmou que "não se pode promover um discurso de ódio e desqualificar quem pensa de maneira distinta."

Por fim, a procuradora-geral pediu calma ao governo Nicolás Maduro e à oposição: "Todos os dirigentes devem baixar o tom de confrontação e para com os discursos racistas, xenófobos e desqualificantes."

A violência política explodiu na Venezuela depois que o Tribunal Supremo de Justiça, subordinado ao Poder Executivo, decidiu usurpar os poderes da Assembleia Nacional, dominada pela oposição. Pego em flagrante num golpe contra seu próprio regime, Maduro recuou, mas a oposição intensificou a campanha por eleições diretas já para substituir o presidente.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Marine Le Pen deixa presidência do partido para ampliar eleitorado

Em grande desvantagem nas primeiras pesquisas depois do segundo turno, a candidata de extrema direita à Presidência da França, Marine Le Pen, anunciou hoje que vai deixar a presidência da Frente Nacional. 

É uma jogada para vender uma imagem mais centrista e tentar captar os votos, por exemplo, dos eleitores de Jean-Luc Mélenchon, da ultraesquerda, descontentes com as políticas pró-mercado do favorito, Emmanuel Macron, a quem ela acusa de apoiar uma "globalização selvagem".

Candidato independente, o ex-ministro da Economia Macron venceu o primeiro turno com 8.657.326 ou 24% dos votos com propostas a favor da globalização, do internacionalismo liberal, da União Europeia e da economia de mercado.

Le Pen ficou em segundo com 21,3% com uma plataforma ultranacioanalista, prometendo combater o terrorismo islâmico, expulsar os imigrantes, deixar o euro, convocar um plebiscito para sair da UE, fechar as fronteiras e proteger a economia. Ela obteve 7.679.593 votos, batendo o recorde do pai, Jean-Marie Le Pen. Ele obteve 6,8 milhões em 2012, quando derrotou o primeiro-ministro socialista Lionel Jospin e foi para o segundo turno.

Os candidatos conservador François Fillon (20%) e socialista Benoît Hamon (6,36%) deram apoio a Macron para vencer a ameaça da extrema direita. O presidente François Hollande, o mais impopular da história recente da França, também declarou apoio a seu ex-ministro da Economia.

As pesquisas dão 60% a 64% das preferências para Macron no segundo turno, marcado para 7 de maio de 2017.

Marine tenta reagir apresentando o adversário como "filho do hollandismo", liberal e pró-europeu. Na visão da ultradireita, isso significa que "as fronteiras continuaram abertas e a França e sua cultura continuarão sendo invadidas".

Macron é o grande vencedor. Há um ano, estava no governo. Saiu e criou o movimento Em Marcha para lançar a candidatura. Foi beneficiado pelo escândalo que abalou o favorito, o ex-primeiro-ministro conservador Fillon, acusado de empregar mulher e filhos como funcionários-fantasmas do Senado.

O grande derrotado é o Partido Socialista, que teve a pior votação de sua história, apenas 6,36% dos votos no primeiro turno. A ala mais moderada apoiou Macron e a mais radical votou em Mélenchon. Mas o partido gaulista Os Republicanos também perdeu muito ao insistir num candidato manchado pela corrupção e rejeitado pelo eleitoral.

A Europa e o mercado festejaram o resultado, com alta generalizada nas bolsas de valores. O fantasma da ascensão da extrema direita, alimentado pelo plebiscito que decidiu pela saída do Reino Unido da UE e pela vitória de Donald Trump nos Estados Unidos, não assombrou a eleição presidencial francesa.

domingo, 23 de abril de 2017

Macron vai para o segundo turno contra Le Pen

O ex-ministro da Economia e candidato independente Emmanuel Macron ficou em primeiro lugar na pesquisa de boca de urna divulgada há pouco pela televisão francesa France2 e venceu o primeiro turno da eleição presidencial. Ele recebeu 23,9% dos votos, à frente da neofascista Marine Le Pen, da Frente Nacional, com 21,5%.

Em terceiro lugar, ficou o ex-primeiro-conservador François Fillon com 19,7% pouco à frente do candidato da ultraesquerda, Jean-Luc Mélenchon, com 19,2%.

Pela primeira vez desde que o general Charles de Gaulle fundou a 5ª República Francesa, em 1958, nenhum dos grandes partidos vai para o segundo turno. Mas isso se deve principalmente ao escândalo que envolveu Fillon, que empregou mulher e filhos como funcionários-fantasmas do Senado.

O candidato gaulista era o favorito e se negou a abandonar a campanha, abrindo espaço para a migração dos votos mais centristas para Macron. Em pronunciamento minutos atrás, Fillon reconheceu a derrota, declarou ser necessária uma união contra a extrema direita no segundo turno e anunciou o voto em Macron.

Marine Le Pen afirmou que "é hora de uma grande alternância libertar o povo francês das elites arrogantes. Eu sou a candidata do povo." Com 6,9 milhões de votos, ela bateu um novo recorde para a extrema direita francesa.

Todas as pesquisas dão a vitória a Macron no segundo turno, a ser disputado em 7 de maio de 2017. Numa sondagem divulgada pelo jornal Le Monde depois da divulgação do resultado do primeiro turno neste domingo, o candidato independente tem 62% das preferências contra 38% para a ultradireitista Le Pen.

sábado, 22 de abril de 2017

Trump não autoriza Exxon a explorar petróleo na Rússia

O governo Donald Trump negou autorização para a companhia de petróleo Exxon Mobil a perfurar poços atrás de petróleo na Rússia, anunciou ontem o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Steven Mnuchin, depois de consultar o presidente.

A Exxon Mobil tinha pedido uma isenção das sanções impostas pelos EUA e a União Europeia à Rússia depois da intervenção militar russa na ex-república soviética da Ucrânia e da anexação da Crimeia, em 2014. Queria retomar uma parceria com a empresa estatal russa Rosneft.

Com a crise na Ucrânia, as relações entre a Rússia e o Ocidente sofreram a maior deterioração desde o fim da Guerra Fria e do desaparecimento da União Soviética, em 1991. Durante a campanha, Trump prometeu melhorar as relações e fazer uma aliança no combate ao terrorismo dos muçulmanos jihadistas. Foi acusado de conluio com a Rússia, que pirateou e divulgou informações negativas sobre a candidata democrata, a ex-secretária de Estado Hillary Clinton.

O ataque dos EUA à Síria, maior aliada de Moscou no Oriente Médio, em retaliação ao uso de armas químicas, minou esta tentativa de reaproximação. Ao não deixar a Exxon procurar petróleo na Rússia, Trump avaliza as sanções aplicadas pelo governo Barack Obama (2009-17).

Em sociedade com a Rosneft, a Exxon Mobil poderia explorar petróleo no Mar Negro e no Mar Kara, na Sibéria. Os campos de petróleo do Mar Kara são considerados os mais promissores da Rússia no Oceano Ártico.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Ataque ao ônibus do Borussia Dortmund não foi terrorismo

A polícia da Alemanha prendeu o principal suspeito pelo ataque ao ônibus da equipe do Borussia a caminho de um jogo da Liga dos Campeões da Europa em 11 de abril, em Dortmund foi adiado. Sergej W., de 28 anos e origem russa, tentava lucrar com uma manobra no mercado financeiro.

Em 3 de abril de 2017, Sergej tomou empréstimo para financiar uma operação de venda a descoberto (short selling) de ações do clube, apostando na queda do preço para pagar depois com o mesmo número de ações mas com valor mais baixo, denunciam os procuradores alemães.

O acusado investiu 79 mil euros no mercado de opções, e poderia ter ganho até um milhão de euros se as ações do Borussia entrassem em colapso, estimou o secretário do Interior do estado da Renânia do Norte-Vestifália, Ralf Jäger.

"Fiquei chocado", declarou Jäger, com "este tipo de motivo para realizar um ataque. Mostra mais uma vez do que as pessoas são capazes."

No primeiro momento, a suspeita era de extremistas islâmicos. Em 13 de novembro de 2015, o ataque  terrorista que deixou 130 mortos em Paris começou com explosões ao redor e na entrada do Estádio da França, na cidade-satélite de Saint-Denis, onde era disputada uma partida amistosa entre Alemanha e França. O presidente François Hollande assistia ao jogo e foi retirado às pressas pelo serviço secreto.