domingo, 22 de outubro de 2017

Aliados do presidente Macri vencem eleições na Argentina

Sem concorrer, o presidente Mauricio Macri foi o grande vencedor das eleições legislativas de hoje na Argentina para renovar um terço do Senado e a metade da Câmara de Deputados. Os primeiros números divulgados apontam a derrota da presidente Cristina Kirchner na província de Buenos Aires para Esteban Bullrich, da aliança Cambiemos (Mudemos), liderada por Macri.

Com 99% das urnas apuradas, Bullrich (41,39%) leva uma vantagem de 388 mil votos sobre a ex-presidente Cristina Kirchner (37,24%), que fica com a segunda das três vagas em jogo. Sem admitir a derrota, Cristina afirmou que sua Unidade Cidadã é a maior força de oposição hoje na Argentina.

Na cidade de Buenos Aires, a deputada Elisa Carrió, do Cambiemos, lidera com 50,93% dos votos, muito à frente do candidato kirchnerista, Daniel Filmus (21,74%), e do ex-ministro da Economia Martín Lousteau (12,33%).

Na província de Santa Fé, Cambiemos tinha 38% contra 25% do kirchnerista Agustín Rossi, da Frente Justicialista. Em Córdoba, Cambiemos ganhava com 48% contra 30% para a União por Córdoba, do governador Juan Schiaretti, peronista que se refugiou no Brasil durante a última ditadura militar argentina (1976-83) e chegou a ser subdiretor da Fiat.

Em Mendoza, a província dos vinhos finos argentinos, junto à Cordilheira dos Andres, o oficialismo batia o peronismo por 45% a 25%. Na província de Entre Ríos, na chamada Mesopotâmia argentina, Cambiemos liderava com 53%. Na vizinha Corrientes, o macrismo tinha 55%.

Até mesmo na província de Santa Cruz, principal reduto do kirchnerismo, com 43% dos votos, Cambiemos superava por mais de dez pontos percentuais a Frente para a Vitória, da governadora Alicia Kirchner, irmã mais velha do falecido presidente Néstor Kirchner, marido de Cristina. Os candidatos de Macri também ganharam no Chaco.

Em San Luis, o peronismo venceu com os irmãos Alberto e Adolfo Rodríguez Saá, que dominam a política da província desde a redemocratização, em 1983. Os peronistas também ganharam em Tucumán, Catamarca, Río Negro e San Juan. Em La Rioja, o ex-presidente Carlos Menem estava em segundo lugar.

Quando assumiu o poder, há pouco menos de dois meses, Macri encontrou uma economia arrasada pelo populismo econômico de Cristina Kirchner, com recessão, inflação e déficit público elevados. Ele liberou o câmbio e reduziu os subsídios a serviços públicos.

No primeiro momento, esse ajuste fiscal gerou uma inflação de 40% ao ano e uma recessão de 2,3% em 2016. Mas a economia cresce desde o terceiro trimestre ao ano passado e isso se refletiu nas urnas. A expectativa para 2017 é de um avanço de 2,45% no produto interno bruto.

Shinzo Abe consolida poder com ampla maioria no Japão

Mesmo perdendo sete deputados, o Partido Liberal-Democrata (PLD) conquistou uma ampla vitória nas eleições para a Câmara da Dieta, o Parlamento do Japão, elegendo 283 dos 465 deputados. Em aliança com os 29 deputados do budista Komeito (Partido do Governo Limpo), o primeiro-ministro Shinzo Abe terá a maioria de dois terços necessária para mudar a Constituição pacifista e preparar o país para se defender da ameaça nuclear da Coreia do Norte.

A recuperação da economia e o programa nuclear da Coreia do Norte foram os grandes temas da campanha. Durante o último um ano e meio, a economia japonesa, a terceira maior do mundo, cresceu em todos os trimestres graças às políticas de incentivo da abeconomia. Há mais de um década, não vivia um período de crescimento tão longo.

Com o regime comunista norte-coreano testando bombas atômicas e mísseis balísticos, Abe acredita que chegou a hora de reformar a Constituição de 1947, imposta pelos Estados Unidos depois da Segunda Guerra Mundial (1939-45), que impede o Japão de mandar suas Forças Armadas ao exterior, a não ser em missões de paz das Nações Unidas.

A primeira mudança do artigo 9 da Constituição foi em 1992, quando os militares japoneses foram autorizados a participar de missões de paz da ONU. Em 2014, o governo reinterpretou a Constituição para afirmar que as Forças de Defesa do Japão poderiam socorrer inimigos sob ataque.

Diante do desafio norte-coreano, o tabu está caindo. A governadora de Tóquio, Yuriko Koike, do conservador Partido da Esperança, de centro-direita, apoia a reforma constitucional: "Estamos chegando a um lugar onde podemos ter uma discussão nacional sólida."

Uma pesquisa divulgada em 19 de outubro pelo jornal Asahi Shimbun indica que a opinião pública japonesa está dividida entre os que querem e os que rejeitam a reforma constitucional para o Japão voltar a ser um país normal, capaz de projetar seu poderio militar no exterior.

Se Abe, hoje com 63 anos, ficar no cargo até novembro de 2019, será o primeiro-ministro que governou o Japão por mais tempo no pós-guerra.

Bilionário populista e antieuropeu vai governar a República Tcheca

O partido populista de centro-direita Ação de Cidadãos Insatisfeitos (ANO) venceu as eleições parlamentares de ontem na República Tcheca com cerca de 30% dos votos. Seu líder, o bilionário Andrej Babis, apelidado de Trump tcheco, será o próximo primeiro-ministro, informou hoje o jornal Latin American Herald Tribune.

Aos 63 anos, o Trump tcheco está sob investigação por uso fraudulento de fundos da União Europeia (UE). Mesmo assim, seu partido subiu 11 pontos percentuais em relação às eleições de 2013 para 29,6%. Elegeu 78 dos 200 deputados da Câmara dos Deputados. Terá de fazer alianças para formar um governo de maioria.

Em segundo lugar, ficou o partido conservador ODS (11,3%, 25 deputados), seguido pelo anarquista Piratas (10,8%, 22 deputados) e pelo estreante, ultranacionalista e antieuropeu SPD (10,6%, 22 deputados), que chegou a aparecer em segundo lugar em pesquisas de boca de urna.

Os dois partidos tradicionais de esquerda sofreram fortes perdas. O Partido Comunista da Boêmia e da Morávia (KSCM) baixou de 15% para 7,8% do eleitorado, enquanto o Partido Social-Democrata Tcheco (CSSD) desabou de 20,4% para 7,3%, caindo de maior partido político tcheco para o sexto lugar. Ambos elegeram 15 deputados cada.

Pela primeira vez, nem o ODS nem o CSSD ganhou. Será o parlamento mais fragmentado desde a independência da República Tcheca, em 1993.

sábado, 21 de outubro de 2017

Governo da Espanha aprova intervenção na Catalunha

O Conselho de Ministros da Espanha aprovou hoje a suspensão da autonomia regional na Catalunha para impedir sua independência. O governador regional Carles Puigdemont, o vice-governador Oriol Junqueras e todos os secretários foram afastados. 

A expectativa é de convocação de eleições regionais dentro de seis meses. Enquanto isso, o Parlament ficará aberto, mas não poderá indicar um governador nem formar um novo govern. Puigdemont ameaça declarar a independência.

A intervenção, prevista no artigo 155 da Constituição da Espanha, precisa ser confirmada pelo Senado, que deve fazer uma reunião extraordinária prevista para a próxima sexta-feira, noticiou o jornal espanhol El País. Na exposição de motivos, o governo alega a necessidade de "voltar à legalidade".

"Não era nosso desejo nem intenção aplicar o artigo 155", declarou o primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy. "Fazemos porque nenhum governo, de nenhum país democrático, pode aceitar que se ignore a lei, que se viole a lei, que se mude a lei e que se faça tudo isso pretendendo impor seus critérios aos demais."

O Partido Popular (PP), de Rajoy, tem maioria no Senado e conta com o apoio do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), o maior da oposição, e do centrista Cidadãos. O líder socialista, Pedro Sánchez, afirmou não ter "nenhuma discrepância com Rajoy sobre a integridade territorial" da Espanha.

Já o partido radical de esquerda Podemos lamentou, através de seu secretário de organização, Paulo Echenique: "Estamos em choque com o fim da democracia na Catalunha e na Espanha." Seu líder, Pablo Iglesias, atacou a monarquia espanhola: "O bloco monárquico crê mostrar autoridade, mas só revela sua incapacidade de oferecer soluções e afasta ainda mais a Catalunha da Espanha."

Com a aprovação do Senado, o governo central espanhol vai assumir o controle das finanças da Generalitat, o governo autônomo catalão, e da polícia regional, os Mossos d'Esquadra, em catalão, que ficarão sob o controle do Ministério do Interior. Se Puigdemont declarar a independência, será denunciado pelo Ministério Público por "rebelião".

Rajoy nega que as medidas suspendam a autonomia regional da Catalunha. Argumenta que apenas afastou os dirigentes que estavam agindo ilegalmente ao convocar o plebiscito de 1º de outubro. Pela Constituição espanhola, todo o país deve votar em plebiscitos sobre independência.

A presidente do Parlament, deputada Carme Forcadell, considerou a aplicação do artigo 155 "um golpe de Estado" e advertiu: "Não permitiremos."

Antes da intervenção, o Tribunal Constitucional da Espanha declarou ilegal e inconstitucional a Lei do Plebiscito sobre Autonomia, abrindo o caminho para as medidas de Rajoy.

Neste momento, há uma grande manifestação em Barcelona a favor da independência. Puigdemont já chegou local e deve fazer um pronunciamento, possivelmente para declarar a independência da Catalunha. Os independentistas radicais querem manter a mobilização nas ruas para pressionar Madri a negociar.

A solução racional seria realizar eleições regionais e ver como fica a divisão de forças no Parlament, mas os movimentos sociais mais radicais, a Assembleia Nacional Catalã, Òmnium e a Candidatura da Unidade Popular (CUP) consideram qualquer recuo uma "traição".

O senador Jordi Guillot, eleito pela esquerdista Entesa Catalana, vê "uma forte inércia para o conflito": "Demasiadas vozes, cá e lá, pedem vitórias e derrotas. É evidente que o procés nunca teve força para vergar o Estado, nem para conseguir apoios internacionais.

A aposta radical seria no confronto, acrescenta: "Pode haver a tentação de que, tendo chegado onde chegamos, será melhor fazer uma declaração unilateral de independência esperando que o Estado reaja, intervindo na Generalitat, e forçar uma Maidan [referência à revolução de 2014 na Ucrânia]. Uma mobilização ampla e prolongada a que o governo central responderia com repressão. Agravar o conflito custe o que custar para gerar um descontrole a uma virulência que obrigue a União Europeia a intervir."

Para o escritor catalão Antoni Puigverd, há um "choque de dois sonhos": o da uma Espanha francesa, unitária e socialista, e o da Catalunha independente: "Ambos creem que têm uma oportunidade de ouro para ganhar. Sendo antagônicos, estes dois sonhos coincidem num ponto: quanto pior, melhor. Estão conseguindo."

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Chefe da Casa Civil da Casa Branca mentiu sobre deputada

Um dos adultos encarregados de pôr um mínimo de ordem no caótico governo Donald Trump foi pego mentindo sobre a deputada que revelou a insensibilidade do presidente dos Estados Unidos ao dar condolências à viúva grávida de um militar morto por terroristas no Níger, na África Ocidental. O chefe da Casa Civil da Casa Branca, general John Kelly, mentiu para atacar a deputada federal Frederica Wilson.

Trump levou 12 dias para encontrar em contato com as famílias dos quatro soldados mortos kem 4 de outubro na África, numa emboscada de terroristas ligados ao grupo Estado Islâmico. Teria dito à viúva: "Seu marido sabia o que estava assinando, mas entendo que dói de qualquer maneira." O presidente nem citou o nome do sargento La David Johnson, indignou-se a mãe dele. A viúva chorou ao desligar o telefone.

A deputada federal democrata Frederica Wilson deu publicidade à indignação da família e logo se tornou alvo das retaliações da Casa Branca. O general Kelly afirmou que, ao participar da inauguração da nova sede do FBI (Federal Bureau of Investigation), a polícia federal dos EUA, em Miami, em 2015, Frederica Wilson teria alegado que ela conseguira os US$ 20 milhões para a obra.

Kelly apresentou Wilson como uma política cínica e oportunista, em busca da notoriedade fácil. Mas um vídeo divulgado pelo jornal The Sun Sentinel, da Flórida, derrubou a versão do general, dando razão à deputada.

Em seu discurso de nove minutos, ela nunca reivindicou para si a obtenção do dinheiro, admitindo ter sido aprovado antes de ser eleita para a Câmara dos Representantes.

Wilson fez, sim, com outros deputados, o projeto para dar ao edifício o nome de dois agentes do FBI, Benjamin Grogan e Jerry Dove, mortos em troca de tiros com assaltantes de bancos em 1986, reportou o jornal Miami Herald.

Hoje a deputada reagiu e levou o caso para a questão racial: "A Casa Branca está cheia de supremacistas brancos", disparou. "Tenho pena dele por achar que precisa mentir sobre mim, que não sou sua inimiga. Não posso nem imaginar por que ele inventou uma mentira dessas. É totalmente insano. Estou pasmada porque era tão fácil de descobrir."

Frederica Wilson era amiga da família. Conhecia La David Johnson desde o ensino fundamental, quando ele entrou para um programa de tutoria criado por ela. A deputada estava com a família dentro da limusine esperando o caixão com o corpo do sargento na pista do aeroporto quando o presidente ligou. Ela ouviu a conversa pelo viva-voz do rádio do carro.

Mais um bate-boca gerado pelo governo Trump suscitou dúvidas sobre o que realmente aconteceu no Níger em 4 de outubro. Aparentemente, os soldados americanos acompanhavam uma patrulha do Exército local perto da fronteira como Mali quando foram surpreendidos por 50 jihadistas. Não tinham homens nem poder de fogo para resistir.

A primeira questão é: que informações de inteligência esses militares tinham para se arriscar andar sem proteção especial numa fronteira de alto risco? O que eles estavam fazendo lá? Quem os mandou para essa missão? Houve negligência?

Os democratas comparam com o ataque terrorista ao consulado dos EUA em Bengázi, na Líbia, em 11 de setembro de 2012, quando morreram o embaixador e outros três americanos. A na época oposição republicana explorou o episódio, mais ainda porque Hillary Clinton era a secretária de Estado, no primeiro governo Barack Obama.

Pior para o governo Trump é a revelação de que o sargento Johnson foi abandonado no campo de batalha. Seu corpo foi resgatado 48 horas depois. A deputada chegou a cogitar que tenha ficado vivo agonizando durante horas. Isso quebra uma regra fundamental das Forças Armadas dos EUA: nenhum soldado pode ser deixado para trás. Johnson era o único negro do grupo.

Dois ataques a mesquitas deixam 59 mortos no Afeganistão

Um terrorista suicida se detonou hoje numa mesquita xiita de Cabul, a capital do Afeganistão. Pelo menos 39 pessoas morreram e 41 saíram feridas. O total de mortos pode aumentar, previu um porta-voz do Ministério da Saúde. Outras 20 foram mortas num ataque a uma mesquita sunita na província de Ghor, informou a televisão pública britânica BBC.

A mesquita Imã Zaman estava cheia de fiéis nesta sexta-feira, a folga religiosa semanal dos muçulmanos, o dia de ir à mesquita. Esses novos ataques revoltaram a população xiita, que se sente desprotegida diante dos grupos terroristas sunitas.

Como o ataque em Cabul foi de sunitas contra xiitas, a organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante é suspeita. Em agosto, pelo menos 40 pessoas foram mortas num ataque atribuída ao Estado Islâmico contra uma mesquita xiita.

Nos últimos anos, o Estado Islâmico tenta se infiltrar no Afeganistão. Com a perda dos territórios no Iraque e na Síria, deve intensificar os esforços para estender seus tentáculos.

Emissões de gás carbônico estacionam pelo terceiro ano seguido

As emissões de gás carbônico, o maior responsável pelo aquecimento global, praticamente não sobem desde 2013, concluiu a avaliação anual das emissões de gases de efeito estufa do Centro de Pesquisas Conjuntas da União Europeia e da Agência de Avaliação Ambiental da Holanda.

O relatório atualiza os dados do constante monitoramento dos três principais gases de efeito estufa: o dióxido de carbono, o metano e o óxido nitroso ou monóxido de dinitrogênio.

A China, os Estados Unidos, a Rússia e o Japão reduziram seus emissões de 2015 para 2016, enquanto a União Europeia mantiveram o mesmo nível e na Índia continuam aumentando. Não há dados sobre o metano e o óxido nitroso desde 2012.

O metano é gerado pela produção agrícola, de gás e carvão, assim como do tratamento do lixo. O óxido nitroso está ligado ao uso de fertilizantes na agricultura e à produção industrial. O maior vilão é o gás carbônico produzido pela queima de combustíveis fósseis: carvão, petróleo e gás natural.

Em 2016, as emissões da UE registraram queda de 20,8% em relação a 1990 e 17,9% em comparação com 2005.

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Israel volta a bombardear a Síria

Israel bombardeou a Síria em resposta a disparos de artilharia que atingiram seu território nas Colinas do Golã, como vem fazendo desde o início da guerra civil no país vizinho, em 2011. Na segunda-feira, a defesa antiaérea síria atacara aviões de guerra israelenses que sobrevoavam o Líbano, provocando uma reação imediata.

O incidente aconteceu no dia da visita do ministro da Defesa da Rússia, Serguei Choigu, a Israel. Durante a guerra civil, a Rússia vendeu à Síria baterias antiaéreas de última geração. Israel pediu a Moscou que não autorizasse seu uso contra si.

Na manhã de 16 de outubro, aviões-espiões da Força Aérea de Israel fotografavam o Líbano quando foram identificados pelas baterias antiaéreas SA-5, da Síria, que dispararam um míssil. Essas batérias são absoletas e ineficientes. O míssil antiaéreo não chegou a ameaçar os aviões israelenses, mas a retaliação foi imediata.

"Quem quiser nos ferir", advertiu o primeiro-ministro linha-dura Benjamin Netanyahu, "será ferido em resposta."

Ainda não se conhecem os resultados desse contra-ataque. Num incidente semelhante, em março, uma esquadrilha israelense disparou quatro bombas de precisão contra a bateria antiaérea de onde partiu o míssil inimigo.

A Síria declarou que o bombardeio israelense terá "sérias consequências" e o comandante do Exército do Irã advertiu Israel a não se meter na Síria, onde Teerã apoia a ditadura de Bachar Assad.

"Os russos não estão envolvidos nestas decisões que, presumimos, são tomadas no palácio presidencial em Damasco", comentou sem se identificar um alto funcionário do Ministério da Defesa de Israel. "Às vezes, essas decisões são tomadas por oficiais de baixa patente no campo de batalha."

A defesa síria ainda ainda está sob o impacto de um bombardeio, em 8 de setembro, a uma fábrica de armas próxima a Damasco que estava tentando melhorar a acurácia dos mísseis e foguetes sírios, ação atribuída a Israel. "Eles podem ter achado que seriam atacados e lançaram o míssil para se defender", especulou a fonte israelense, citada pelo jornal árabe-americano Al-Monitor.

A Rússia pediu explicações diretamente através do ministro da Defesa. "Eles sabem que nossas missões fotográficas no Líbano são para autodefesa, para coletar informações sobre o arsenal de foguetes e mísseis que se acumula diante dos nossos olhos. Explicamos que não temos a menor intenção de admitir ataques a nossos aviões", acrescentou o alto funcionário de Israel.

O ministro da Defesa israelense, Avigdor Lieberman, manifestou a preocupação com a influência do Irã na Síria. Alertou que a presença de forças iranianas perto da fronteira de Israel será motivo para ir à guerra.

Ontem, ante as ameaças do comandante militar iraniano, o primeiro-ministro Netanyahu falou pelo telefone com o presidente da Rússia, Vladimir Putin.

"Não vai haver presença iraniana na nossa cerca, nem nas Colinas do Golã nem no Líbano", afirmou a fonte militar israelense. "Ou vai haver um acordo, ou será resolvido pela for. De nossa parte, deixamos claro a todas as partes envolvidas que não vamos ceder nesta questão."

Talebã matam 43 soldados em ataque a base militar no Afeganistão

Em ataque na madrugada de hoje com carros-bomba, a milícia extremista muçulmana dos Talebã (Estudantes) destruiu uma pequena base do Exército do Afeganistão no distrito de Maywand, na província de Kandahar, matando 43 soldados, dois dias depois de ataques contra postos policiais que deixaram 40 mortos em Ghazni e Paktia.

A Milícia dos Talebã mostra força no momento em que um reforço de 3 mil soldados dos Estados Unidos começa a ser enviado ao Afeganistão. O quartel de Maywand foi arrasado com uma nova tática: jogar veículos capturados das forças de segurança carregados de explosivos.

"O quartel foi totalmente destruído", admitiu o general Dawlat Waziri, porta-voz do Exército afegão. "Quando o combate começou, eles detonaram um carro-bomba perto da base, então o combate continuou por um tempo e eles detonaram outro carro-bomba. Também tinham Humvees carregados de explosivos."

Eram 2h30 quando a ação começou. A primeira explosão provocou um incêndio. "A explosão foi tão forte que quebrou nossas portas e janelas. Pensamos que fosse um terremoto ou um bombardeio aéreo", contou o comerciante Abdul Rahim Maiwandwal, que vive a poucos quilômetros de distância.

"Depois da explosão, ouvimos tiros e então mais explosões", acrescentou. "Quando saí para trabalhar de manhã, vi a base totalmente destruída e queimada." Dos 60 soldados, 43 morreram, nove saíram feridos e seis estão desaparecidos. Só dois ficaram ilesos.

Tanto na terça-feira quanto hoje, os talebãs usaram Humvees, os superjipes militares dos EUA, capturados do Exército do Afeganistão. Os jihadistas sempre se camuflaram como membros das forças de segurança, quando não se infiltraram no Exército e na polícia. O uso de veículos militares facilita o acesso aos alvos.

O subchefe da polícia da província de Kunduz, Safar Mohamed, estima que a milícia extremista capturou cerca de 20 Humvees e 60 a 70 picapes Ranger só em Kunduz. Na província de Helmande, onde os talebã são bastante ativos, uns 100 veículos foram capturados das forças de segurança afegãs. Na ação de hoje, levaram mais sete veículos.

Poluição causou 9 milhões de mortes em 2015

A poluição foi responsável por 9 milhões de mortes em 2015, 16% do total. Cerca de 92% dessas mortes ocorreram em países de renda baixa ou média, como a China, a Índia, o Paquistão, Bangladesh, o Quênia e Madagascar, revelou um novo estudo publicado hoje na revista médica britânica The Lancet.

O prejuízo anual com a poluição é estimado em US$ 4,6 trilhões, equivalente a 6,2% do produto mundial bruto. A poluição do ar matou 6,5 milhões, enquanto a água poluída causou 1,8 milhão de mortes e a contaminação nos locais de trabalho, outras 800 mil mortes.

A maioria das mortes aconteceu na Índia (2,5 milhões) e na China (1,8 milhão), dois países com mais de um bilhão de habitantes e em crescimento acelerado. Os autores alegam que a poluição não é consequência inevitável do desenvolvimento. Basta aplicar as normas e leis dos países ricos para proteger suas populações.

Muitas dessas mortes foram causadas por doenças do coração, acidentes vasculares cerebrais, câncer de pulmão e enfizema pulmonar, tornando a contaminação ambiental um dos maiores fatores de risco para a morte prematura.

Como os países com mais mortes são pobres ou de renda média e a poluição afeta desproporcionalmente os mais pobres, em muitos casos, o problema é negligenciado, geralmente em nome de interesses econômicos. Agora mesmo, nos Estados Unidos, o país mais rico do mundo, o governo Donald Trump declarou "o fim da guerra ao carvão".

A Comissão sobre Saúde e Poluição da Lancet é um projeto de dois anos envolvendo mais de 40 cientistas das áreas de saúde e meio ambiente. Com base nos dados da pesquisa Peso Global da Doença, faz estimativas do impacto da poluição, seus custos econômicos e as dimensões da contaminação ambiental em escala global.

Espanha deve intervir na Catalunha no sábado

Diante da resposta do governador regional Carles Puigdemont, que se negou a retirar a declaração de independência da Catalunha, o primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, convocou para sábado uma reunião do Conselho de Ministros para aprovar a intervenção de Madri, suspendendo a autonomia da região, noticia o jornal espanhol El País.

Se Rajoy recorrer ao artigo 155 da Constituição da Espanha de 1978, nunca usado antes, "se não houver diálogo e houver repressão", Puigdemont ameaça colocar em marcha imediatamente o processo de separação, submetendo a declaração de independência à votação do Parlament da Generalitat, informa o jornal La Vanguardia, de Barcelona

Na carta enviada hoje ao primeiro-ministro, o governador catalão insiste na necessidade de negociação e diálogo, mas denuncia a repressão do governo central ao movimento pela independência. Também deixa claro que o único resultado aceitável para ele é a independência da Catalunha, totalmente rejeitada por Rajoy, a imensa maioria dos espanhóis e até por mais da metade dos catalães.

Depois da aprovação no Conselho de Ministros, a intervenção terá de ser ratificada pelo Senado, onde o Partido Popular (PP), de Rajoy, tem maioria. O Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), o maior da oposição, também é contra a independência catalã.

Em caso de intervenção, o governo espanhol vai assumir o controle da polícia local, os Mossos d'Esquadra, e das finanças do govern da Generalitat de Catalunha. Depois, convocaria eleições antecipadas para o Parlament, o parlamento regional.

O Ministério Público pediu hoje ao governo catalão que afaste Josep Lluís Trapero da chefia dos Mossos d'Esquadra. Ele é investigado por insurreição junto com dois líderes de grupos ativistas pela independência, Jordi Cuixart e Jordi Sánchez. Trapero não foi preso, mas está proibido de sair da Espanha. Terá de entregar o passaporte e se apresentar a cada 15 dias numa delegação de polícia.

A linha dura de Madri acaba fortalecendo o movimento independentista. Mas o sonho da independência não garante um futuro melhor. Mais de 700 empresas saíram da Catalunha desde o plebiscito de 1º de outubro. Nas ruas de Barcelona, a cidade com maior movimento turístico na Espanha, com 8 milhões de visitas por ano, as vendas do comércio caíram 20%.

Durante reunião de cúpula da União Europeia, em Bruxelas, na Bélgica, a chanceler (primeira-ministra) da Alemanha, Angela Merkel, e o presidente da França, Emmanuel Macron, apoiaram o governo e a unidade nacional da Espanha.

China cresce em ritmo de 6,8% ao ano

Com alta de 6,6% na produção industrial e nas exportações, a China, segunda maior economia do mundo, cresceu no terceiro trimestre de 2017 num ritmo de 6,8% ao ano, dentro da expectativa do mercado e do governo, noticiou o jornal americano The Wall Street Journal

É uma boa notícia para o presidente Xi Jinping e os líderes reunidos no 19º Congresso do Partido Comunista Chinês. Ao mesmo tempo, mostra que o país ainda depende dos mecanismos tradicionais de crescimento econômico: investimento, indústria manufatureira e exportações. A esperada transição para o mercado interno e serviços vai em marcha lenta.

Em seu discurso na abertura do congresso, Xi apresentou a China como uma superpotência econômica e militar, e atribuiu o sucesso ao Partido Comunista. O que legitima hoje a ditadura do partido é o crescimento econômico acelerado.

O regime chinês segue a teoria da bicicleta: se parar de pedalar, cai. Quando a crise econômica chegar, o poder absoluto do partido será questionado.

Xi Jinping tem ambições de longo prazo, muito além dos dois mandatos de cinco anos que vêm sendo a praxe do regime comunista desde 1992, o que o obrigaria a deixar o poder supremo em 2022. Sua visão impõe o controle total do partido sobre a atividade econômica. Retoma um controle central afrouxado com as reformas de liberalização da economia da era Deng Xiaoping.

As empresas estatais estão no centro da política econômica de Xi. Para manter as altas taxas de investimento, as companhias chinesas teriam hoje dívidas de 200% do produto interno bruto, estimado em US$ 11 trilhões.

O governo anunciou um crescimento de 18,4% no lucro das estatais para US$ 1,1 trilhão. A reforma das estatais e a redução da capacidade ociosa estão adiadas. A capacidade instalada está aumentando.

Dias antes do congresso do partido, o presidente do Banco Popular da China, Zhou Xiaochuan, previu crescimento de 7% no segundo semestre do ano. Os novos imperadores que governam a China podem fazer seus longos e sonolentos discursos e dormir tranquilamente depois. Por enquanto.

Puigdemont reafirma independência se Espanha intervier na Catalunha

Se o governo da Espanha rejeitar sua proposta de diálogo e intervier na Catalunha, o governador regional Carles Puigdemont vai colocar em marcha o processo unilateral de independência, noticiou o jornal catalão La Vanguardia, de Barcelona.

Puigdemont tem até as 10h de hoje (6h em Brasília) para responder oficialmente ao ultimato do governo central espanhol e esclarecer se declarou ou não unilateralmente a independência da Catalunha.

Tanto o primeiro-ministro conservador Mariano Rajoy quanto o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), o maior da oposição, relutam em aplicar o artigo 115 da Constituição da Espanha para suspender a autonomia regional da Catalunha, informou o jornal espanhol El País. Querem eleições antecipada na Catalunha.

Há dois dias, o Tribunal Constitucional considerou ilegal o plebiscito de 1º de outubro, base do movimento separatista para proclamar a independência. Puigdemont declarou a independência ao apresentar o resultado do plebiscito ao Parlament, em 10 de outubro. Logo em seguida, suspendeu seus efeitos para negociar com a Espanha.

Na segunda-feira, em carta ao primeiro-ministro espanhol, Puigdemont pediu dois meses para negociar a independência. Mas é uma negociação em que só aceita um resultado: a independência. Rajoy pode aceitar uma reforma do Estatuto de Autonomia da Catalunha, mas rejeita uma independência total.

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Congresso do Partido Comunista da China consagra Xi Jinping

O 19º Congresso do Partido Comunista Chinês começa hoje em Beijim suscitando duas questões: o líder Xi Jinping é o mais poderoso dirigente chinês desde Mao Tsé-tung, o fundador da República Popular da China, ou Deng Xiaoping, o arquiteto das reformas que transformaram o país na segunda maior potência mundial, rumo ao primeiro lugar? 

O todo-poderoso Xi Jinping vai deixar a chefia do partido e do governo em 2022, mantendo uma regra em vigor desde 1992, depois do Massacre na Praça da Paz Celestial, em 1989, ou pretende ficar indefinidamente no cargo como um novo imperador?

No discurso de abertura do congresso do partido mais importante deste século, durante quase quatro horas, Xi exaltou o combate à corrupção, no plano interno, e o aumento do poderio econômico e militar do país, no plano internacional. Anunciou uma "nova era" para as relações com o mundo. E defendeu a realização do "sonho chinês", expressão que pretende transformar em marca de seu governo.

Xi Jinping falou pela primeira vez no "sonho chinês" durante visita ao Museu Nacional, em Beijim, em novembro de 2012, logo depois de ser escolhido secretário-geral do PC. Ele declarou que "os jovens devem ousar e sonhar, trabalhar assiduamente para realizar seus sonhos e contribuir para revitalizar da nação".

Os teóricos do partido definiram o "sonho chinês" como prosperidade, esforço coletivo, socialismo e glória nacional. É o nacionalismo chinês da era Xi.

Em cinco anos, o homem-forte da China apelou para o nacionalismo, centralizou poderes, combateu inimigos políticos dentro do partido e do governo com sua campanha anticorrupção, aumentou a repressão aos dissidentes e a censura na Internet, e o controle do Estado sobre a economia.

Sua visão de mundo tem o poder absoluto do partido como centro, como guia da economia, da sociedade e até do comportamento individual. A meta é garantir o papel do PC como pai, fiador e protetor perpétuo da Nova China.

O maior projeto internacional é recriar a Rota da Seda como uma via de comércio ligando a China a seu maior mercado, a União Europeia, criando oportunidades de desenvolvimento ao longo do caminho, inclusive no Grande Oriente Médio, uma das regiões mais conturbadas da Terra, numa diplomacia econômica.

Ao discursar para empresários no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, no início do ano, Xi apresentou-se como defensor do livre comércio e da abertura econômico, no momento em que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, adota políticas protecionistas.

O recuo internacional e a incompetência de Trump tornam Xi no homem mais poderoso do mundo, como observou o revista inglesa The Economist.

Durante o 19º congresso do PC chinês, não se espera nada muito espetacular. Não se espera uma discussão sobre os problemas do país, o elevado endividamento das empresas, o excesso de capacidade instalada, a poluição, a falta de habitação, a educação e o aumento na desigualdade social. A expectativa é de consolidação do poder de Xi.

Num regime ditatorial como o chinês, as mudanças e alianças são negociadas em encontros secretos a portas fechadas. Mas as posições ideológicas se cristalizam nos congressos. Em 1982, Deng anunciava uma nova era de prosperidade com sua "economia de mercado socialista".

O congresso do partido é realizado a cada cinco anos para escolher os novos dirigentes chineses. De início, os 2.287 delegados vão eleger os 370 membros plenos e substitutos do Comitê Central do PC. Em sua primeira reunião, o novo Comitê Central vai eleger os 25 membros do Politburo, o birô político do partido.

Por fim, o Politburo deve eleger seu Comitê Permanente, os sete imperadores que governam a China, o núcleo central do poder, que vai confirmar Xi Jinping como dirigente supremo do partido e do país.

Como Xi está no fim do primeiro mandato, a seguir a praxe adotada depois do Massacre na Praça da Paz Celestial pelo líder Deng Xiaoping de que cada líder do partido e presidente da República cumpre dois mandatos de cinco anos, seu sucessor deveria ser indicado.

Quem sobe e desce no Comitê Permanente é o maior indicador da luta interna pelo poder no regime comunista. Uma questão importante é se o primeiro-ministro Li Keqiang será mantido no cargo e no Comitê Permanente. Chefe de governo, ele é encarregado principalmente da administração econômica. É considerado mais liberal do que Xi.

Outro nome a observar é o czar anticorrupção Wang Qishan. Aos 69 anos, já passou de idade de 68 anos, estabelecida por Deng Xiaoping como limite de idades para dirigentes do partido e do governo, de modo a passar a poder às novas gerações.

Se Wang for mantido no Comitê Permanente, será um sinal de que esta regra informal está quebrada. Xi, hoje com 64, poderia ir além do fim dos atuais mandatos como líder do partido, em outubro de 2022, e presidente da República, em março de 2023.

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Justiça da Espanha considera ilegal plebiscito da Catalunha

Por unanimidade, o Tribunal Constitucional da Espanha julgou ilegal hoje a lei do plebiscito sobre a independência da Catalunha, sustentando que o Parlament cometeu "falhas muito graves no procedimento legislativo". A resposta do governador regional catalão, Carles Puigdemont, foi um novo pedido de abertura de diálogo com o governo central.

A Lei nª 19, de 2017, base para o plebiscito sobre a autodeterminação da Catalunha, foi declarada inconstitucional pelos 12 juízes do supremo tribunal espanhol. Esta lei e a Lei de Transitoriedade Jurídica são as bases legais do movimento pela independência.

O tribunal argumentou que a Constituição da Espanha não admite a possibilidade de secessão unilateral e que as Nações Unidas limitaram o direito de autodeterminação a "casos de subjugação de povos, dominação e exploração estrangeiras".

"Toda tentativa de quebrar total ou parcialmente a unidade nacional e a integridade territorial de um país é incompatível com os propósitos e os princípios da Carta da ONU", acrescentou.

Na sentença, o ministro-relator Andrés Ollero alegou ainda que a lei do plebiscito viola "a soberania nacional do povo espanhol, a unidade da nação constituída em Estado democrático de direito e a própria supremacia da Constituição, a que estão sujeitos todos os poderes públicos e também, portanto, o Parlamento da Catalunha."

Como a Constituição da Espanha exige que todos os espanhóis votem em plebiscitos sobre independência, ao aprovar a Lei do Plebiscito, o Parlament "se situou por completo à margem da lei, entrou numa inaceitável via de fato e deixou declaradamente de atuar no exercício de suas funções constitucionais e estatutárias."

Com base nesta decisão, o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, pode invocar na sexta-feira o artigo 155 da Constituição para suspender a autonomia regional da Catalunha e nomear um interventor. Ele deu prazo até quinta-feira para o governador Puigdemont esclarecer se declarou ou não a independência.

Puigdemont repetiu hoje o pedido de abertura de um diálogo com o governo central de Madri. O problema é que o único resultado que aceita destas negociações é a independência da Catalunha. Rajoy se nega a negociar sob este ultimato.

À noite, cerca de 200 mil pessoas tomaram as ruas de Barcelona, a capital da Catalunha, para defender a independência e exigir a libertação de dois ativistas, Jordi Cuixart e Jordi Sánchez, líder de associação pró-independência, foram presos ontem pela Justiça espanhola por dificultar o trabalho da Guarda Civil para tentar impedir a realização do plebiscito de 1º de outubro.

Juiz federal suspende restrições de Trump a entrada de estrangeiros

O juiz federal Derrick Watson, de Honolulu, no Havaí, suspendeu hoje a aplicação de um decreto do presidente Donald Trump que entraria em vigor amanhã restringindo a entrada nos Estados Unidos de cidadãos de oito países, sob a alegação de ser inconstitucional ao discriminar com base na nacionalidade.

Dois decretos anteriores visavam exclusivamente países muçulmanos. Foram contestados na Justiça. O último seria examinado pela Suprema Corte, quando foi substituído por este. Na versão anterior, foram banidos cidadãos do Iêmen, do Irã, da Líbia, da Síria, da Somália e do Sudão.

Agora, saiu o Sudão, sem que se saiba exatamente por quê. Entraram o Chade, a Coreia do Norte e a Venezuela. As regras variam de acordo com o país. Alguns estrangeiros podem estudar nos EUA, mas não imigrar.

Em um arrazoado de 40 páginas, o juiz Watson, indicado no governo Barack Obama, alegou que o decreto "contém incoerências internas" capazes de comprometer o argumento de Trump de defesa da segurança nacional dos EUA.

A decisão se aplica apenas aos países muçulmanos. Ao contestar o decreto, o estado do Havaí excluiu a Coreia do Norte e a Venezuela.

Em Washington, a Casa Branca considerou a suspensão do decreto "perigosamente falho" e afirmou que "minam os esforços do presidente para manter a segurança do povo americano e aplicar os padrões de segurança mínimos para a entrada nos EUA."

O Departamento da Justiça argumentou que o decreto tem bases legais sólidas, fundamentadas em pesquisa feita nos questionários respondidos por quem pede visto para entrar no país, e não visa apenas países muçulmanos.

Jornalista que denunciava corrupção no governo de Malta é morta

A jornalista Daphne Caruana Galizia, que investigava o envolvimento de altas autoridades de Malta no escândalo dos Papéis do Panamá, foi morta ontem com a explosão de seu carro. Seu filho denunciou que a ilha é um "Estado mafioso" dirigido por "bandidos".

O primeiro-ministro Joseph Muscat, acusado junto com a mulher de ter conta bancária ilegal no exterior, declarou estar indignado com a "barbárie": "O que aconteceu hoje é inaceitável. Hoje é um dia negro para nossa democracia e a liberdade de expressão. Não vou descansar enquanto não for feita justiça."

Daphne Galizia, de 53 anos, foi assassinada por volta das 15h de ontem (11h em Brasília), meia hora depois de publicar em seu blogue denúncias contra o chefe da Casa Civil de Malta, Keith Schembri. Ele é acusado de criar uma empresa de fachada no Panamá logo depois da vitória do Partido Trabalhista nas eleições de 2013.

"Minha mãe foi assassinada porque ficou entre o Estado de Direito e aqueles que tentam violá-la, como tantos jornalistas fortes", escreveu Matthew Caruana Galizia no Facebook. "Mas ela foi alvejada porque era a única pessoa a fazer isso. Isto acontece quando as instituições do Estado não estão capacitadas: a última pessoa geralmente é jornalista. O que a tornou na primeira pessoa a ser morta."

Matthew acrescentou que a morte da mãe "não foi um homicídio comum nem uma tragédia. Trágico é alguém ser atropelado por um ônibus. Quando há sangue e fogo ao redor de você, é uma guerra. Somos um povo em guerra contra o Estado e o crime organizado, que se tornaram indistinguíveis."

Ele concluiu: "Sim, é onde estamos, num Estado mafioso onde você será explodido por exercer suas liberdades fundamentais, apenas para vermos aqueles que deveriam nos proteger estão celebrando."

Aliança liderada pelos EUA toma capital do Estado Islâmico

Depois de quatro meses de batalha, as Forças Democráticas Sírias (FDS), uma milícia árabe-curda armada, financiada e treinada pelos Estados Unidos, anunciaram hoje a retomada de Rakka, na Síria, que nos últimos três anos foi a capital do califado proclamado pela organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante em junho de 2014.

Diante da ofensiva final da aliança liderada pelos EUA, os terroristas se concentraram no estádio de Rakka, seu último reduto. Nesta terça-feira, as FDS tomaram o estádio e anunciaram a vitória final.

"As operações militares dentro da cidade estão completamente encerradas", declarou Talal Silo, porta-voz das FDS. Cerca de 85% de Rakka estão liberados, afirmou o coronel Rob Manning, porta-voz do Departamento da Defesa dos EUA.

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos, uma organização não governamental de oposição com sede em Londres que monitora a guerra civil na Síria, confirmou que os milicianos do Estado Islâmico deixaram Rakka.

Primeira grande cidade a cair em poder do Estado Islâmico, Rakka virou um símbolo do império do terror que o grupo tentou instalar no coração do Oriente Médio. Foi palco de degolas e crucificações públicas e centro de planejamento de atentados terroristas pelo mundo afora.

Sob o impacto dos bombardeios aéreos dos EUA, Rakka é hoje uma cidade em ruínas. O Estado Islâmico volta a ser apenas um grupo terrorista clandestino, mas deixa uma geração de jovens radicalizados por sua ideologia assassina.

Com seu desaparecimento, em breve as forças aliadas aos EUA vão se encontrar com o Exército da Síria e as milícias aliadas ao regime de Bachar Assad, apoiadas pela Rússia.

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Forças do Iraque tomam Kirkuk de guerrilheiros curdos

Com a queda da organização terrorista Estado Islâmico do Iraque e do Levante, os aliados de ocasião começam a lutar entre si. Por ordem do primeiro-ministro Haider al-Abadi, o Exército do Iraque e milícias xiitas aliadas entraram hoje na cidade de Kirkuk, que estava em poder de guerrilheiros curdos.

A operação militar é uma resposta ao plebiscito de 25 de setembro, que aprovou a independência do Curdistão iraquiano. Desde o fim da ditadura de Saddam Hussein com a invasão americana de 2003, os curdos têm autonomia regional no Iraque. Depois de desempenhar um papel importante na guerra contra o Estado Islâmico, ampliando em 40% o território sob seu controle, resolveram dar mais um passo rumo à independência.

Os peshmerga foram totalmente surpreendidos e não tiveram reação diante dos tanques iraquianos. Ficaram especialmente revoltados com a participação das Unidades de Mobilização Popular, milícias xiitas sustentadas pelo Irã. O governo regional curdo acusou o Irã de estar por trás da ofensiva.

Houve alguma resistência no quartel K1, no aeroporto, na refinaria de Kirkuk e no campo de petróleo de Baba Gurgur. Milhares de curdos fugiram rumo à região autônoma.

Enquanto suas milícias atacavam em Kirkuk, o general Kassem Suleimani, comandante da Guarda Revolucionária do Irã, ia ao enterro de Jalal Talabani, líder da União Patriótica do Curdistão, rival do Partido Democrático do Curdistão, chefiado por Massoud Barzani, que controla o governo regional.

Responsável por 6% da produção mundial de petróleo, a província de Kirkuk é uma joia cobiçada tanto pelo governo central do Iraque quando pelo Curdistão independente. Era uma província curda onde Saddam Hussein infiltrou árabes sunitas leais a seu regime numa estratégia de arabização.

Quando a França e o Reino Unido redesenharam o mapa do Oriente Médio depois da derrota do Império Otomano na Primeira Guerra Mundial, o então subsecretário de Oriente Médio do Ministério do Exterior e da Comunidade Britânica, Winston Churchill, juntou Kirkuk às províncias de Bagdá e Bássora para formar o Iraque. Queria um país suficientemente grande e rico para se contrapor ao vizinho Irã.

Assim, enterrou o sonho do Curdistão independente, uma promessa não honrada dos vencedores da guerra.

Puigdemont pede dois meses para diálogo com a Espanha

Mais uma vez, o governador regional Carles Puigdemont foi ambíguo sobre a independência da Catalunha. Sob pressão da Espanha para definir até quinta-feira se declarou ou não a independência, ele pediu dois meses para negociar.

Em cartas trocadas hoje, o líder catalão e o primeiro-ministro espanhol, Mariano Rajoy, propõem o diálogo, mas nenhum parece disposto a ceder, informou o jornal El País, de Madri.

Rajoy está disposto a receber Puigdemont para discutir dentro dos marcos legais existentes hoje, a Constituição da Espanha e o Estatuto de Autonomia da Catalunha. Antes, quer saber se o líder catalão declarou independência ou não.

Por outro lado, Puigdemont se equilibra entre um movimento pela independência minoritário que tem pressa e a impossibilidade de entrar em choque frontal com o governo central espanhol. Em sua carta, ele fala em nome da "maioria dos catalães", que teriam se manifestado a favor de "um país independente".

Para Rajoy, o plebiscito foi ilegal. Além do mais, só votaram 42,3%. Então, do total de eleitores catalães, apenas 38% aprovaram a independência. Isso reforça o argumento de que o movimento é minoritário.

Sem disposição para ceder, o primeiro-ministro está pronto para acionar o artigo 155 da Constituição para suspender a autonomia da Catalunha a partir de sexta-feira.

Diante da ordem de prisão de dois ativistas do movimento pela independência, Jordi Cuixart, da Assembleia Nacional Catalã, e Jordi Sánchez, da Òmnium, Puigdemont declarou à noite que "agora a Espanha tem presos políticos".

Juíza manda prender dois ativistas da independência da Catalunha

A juíza espanhola Carmen Lamela decretou hoje a prisão preventiva e sem fiança dos líderes da Assembleia Nacional Catalã (ANC), Jordi Sánchez, e da Òmnium, Jordi Cuixart, as principais organizações por trás do movimento pela independência da região, noticiou o jornal La Vanguardia, de Barcelona. 

Eles são acusados de sedição por incitar as massas a boicotar a operação para impedir a realização do plebiscito sobre a independência em 1º de outubro, crime continuado e obstrução de justiça. O chefe da polícia autônoma los Mossos d'Esquadra, Josep Lluís Trapero, recebeu apenas medidas cautelares.

Ao justificar sua decisão, a juíza responsabilizou os dois pelas concentrações de populares em 20 e 21 de setembro em determinados pontos de Barcelona para evitar a ação da Guarda Civil da Espanha, que pretendia realizar várias prisões, buscas e apreensões.

"Uma multidão se concentrou diante dos prédios a serem revistados" a pedido de várias associações soberanistas, "sendo as mais destacadas por sua capacidade de mobilização as realizadas pelos líderes das organizações independentistas ANC e Òmnium", acrescentou Lamela.

Mais de 40 mil pessoas convocadas pelas redes sociais se reuniram diante do Departamento de Economia da Generalitat da Catalunha, para protestar contra a prisão de 11 altos funcionários supostamente responsáveis pela logística do plebiscito. Alguns manifestantes furaram pneus e depredaram veículos "para parar a Guarda Civil", reportou o jornal El País, de Madri.

"A finalidade imediata das pessoas que protagonizaram os atos de 20 e 21 de setembro estava orientada a impedir que funcionários da Justiça e e as Forças e Corpos de Segurança pudessem desenvolver suas funções de cumprimento da lei e das resoluções ditadas por uma autoridade no seio do procedimento judicial", escreveu a juíza.

Cuixart e Sánchez ficaram o dia inteiro à frente do protesto e quiseram "negociar" a liberdade dos suspeitos: "Tentaram negociar durante pelo menos cinco vezes com as forças de segurança, propondo diferente opções que convinham exclusivamente a seus fins políticos, mas nunca aceitaram as opções que os especialistas em segurança cidadã propunham para evitar ou diminuir os riscos."

A secretária da 13ª Vara de Instrução de Barcelona teve de deixar o Departamento de Economia da Generalitat por um terraço e se misturar ao público que saía de um teatro próximo, enquanto manifestantes mais exaltados depredavam três veículos da Guarda Civil, num prejuízo estimado em 135 mil euros.

Na parte relativa à "continuidade delitiva", a juíza argumenta que os dois "vêm operando dentro de um grupo organizado de pessoas, levando a cabo de forma contínua e reiterada atividades de colaboração ativa e necessária em relação com a atuação de pessoas, organizações e movimentos dirigida a lograr fora das vias legais a independência da Catalunha do resto da Espanha, num processo que ainda se encontra em marcha.""

Por fim, Carmen Lamela considera alta a possibilidade de que os acusados tentam "ocultar, alterar ou destruir provas".

O Código Penal da Espanha pune com até 15 anos de prisão quem "se organizar publicamente e em tumulto" para "impedir pela força ou fora das vias legais a aplicação das leis, ou para impedir qualquer autoridade, corporação oficial ou funcionário público, no exercício legítimo de suas funções ou em cumprimento de acordos, ou de resoluções administrativas ou judiciais".

Intervenção na Catalunha vai focar na polícia e nas finanças

Se decidir suspender a autonomia regional e intervir para evitar a independência da Catalunha, o primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, dará prioridade ao controle da polícia, los Mossos d'Esquadra, e das finanças da Generalitat, noticia hoje o jornal espanhol El País.

As primeiras medidas seriam aprovadas pelo governo espanhol nesta sexta-feira, dependendo da resposta do governador da Catalunha, Carles Puigdemont, se declarou ou não a independência. Como Puigdemont não deve responder nem sim nem não, a intervenção pode ser adiada.

O próximo passo seria a nomeação de um delegado do governo central para governar temporariamente a Catalunha, dissolver o govern e o Parlament, e convocar eleições gerais na província.

Até agora, nenhuma das partes dá sinal de ceder. Quando chegar a hora do diálogo, Rajoy poderá oferecer uma reforma do estatuto de autonomia para dar mais controle ao governo regional sobre suas finanças e infraestrutra.

O argumento econômico a favor da independência é que a Catalunha é a região mais próspera da Espanha depois de Castela, a região de Madri, e sofreu desnecessariamente com as políticas de austeridade adotadas para enfrentar a crise do euro desde 2011 pelo governo conservador de Rajoy.

Sem a Espanha, com a fuga de várias empresas e a necessidade de negociar a adesão à União Europeia a partir de zero, a economia da Catalunha, uma região com 7,5 milhões de habitantes e produto regional bruto de US$ 255 bilhões.