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terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

MsF acusam Rússia e Síria de atacar 17 clínicas e hospitais

Depois de bombardeios contra cinco hospitais e clínicas ontem em áreas dominadas por rebeldes, a organização não governamental Médicos sem Fronteiras acusou a Força Aérea da Rússia e a ditadura de Bachar Assad de atacar "deliberadamente" 17 clínicas, hospitais e postos de saúde na Síria, informou o jornal francês Le Monde.

Os MsF denunciam a Rússia por "crimes de guerra" ao usar a mesma política de terra arrasada adotada pelo presidente Vladimir Putin na Guerra da Chechênia, uma república rebelde da Federação Russa, inclusive bombardeios a hospitais e centros de saúde. O hospital da ONG em Marat al-Numan foi visado pela terceira vez desde o início da guerra civil, há quase cinco anos.

"São zonas controladas pela oposição", observou o presidente dos MsF, Mego Terzian. "Seria ilógico se bombardeassem um hospital que serve sua população Claramente, os quatro foguetes foram disparados pela coalizão do governo de Damasco. Foi deliberado, com certeza, porque quatro foguetes caíram em poucos minutos no mesmo alvo, o prédio do hospital. Não pode ter sido um erro ou acidente."

Desde o início da intervenção militar da Rússia em defesa da ditadura de Bachar Assad, em 30 de setembro de 2015, os ataques a hospitais e clínicas aumentaram, acrescentou Terzian: "Eles usam a mesma política de destruição de Grozny, na Chechênia, uma política de bombardeios maciços sem discriminação. É uma política de terra arrasada.""

Terzian afirmou que os MsF deram à Força Aérea da Rússia as coordenadas dos três hospitais geridos pela ONG na Síria: "Estas estruturas devem ser protegidas. Mesmo a guerra tem regras, há convenções que se aplicam. Mas este não é o caso da Síria desde o início do conflito e isso se acentuou com os bombardeios russos a partir do fim de setembro de 2015."

Nas últimas seis semanas, cinco hospitais dos MsF foram alvejados. Ao todo, foram 17 hospitais, clínicas e postos de saúde. O hospital de Marat al-Numan atendia 40 mil pessoas. Tinha dois centros cirúrgicos, uma sala para emergências e 30 leitos. Foi totalmente destruído.

Desde o início da guerra civil, 117 hospitais, clínicas e postos de saúde foram alvejados pelo regime ou pelos vários grupos rebeldes, que ignoram as Convenções de Genebra.

A questão agora é se vai haver cessar-fogo a partir da sexta-feira, como prometeram os EUA e a Rússia, ou se o regime vai continuar atacando sob a cobertura aérea russa que mudou a relação de forças no campo de batalha.

sábado, 3 de outubro de 2015

Bombardeio dos EUA mata 19 pessoas em hospital do Afeganistão

Pelo menos 19 pessoas foram mortas quando uma bomba disparada pela Força Aérea dos Estados Unidos atingiu um hospital da organização não governamental Médicos sem Fronteiras (MSF) no Afeganistão. Doze mortos eram funcionários do hospital, noticiou o jornal The New York Times.

Em uma nota lacônica, o comando militar americano confirmou ter realizado um ataque às 2h15 deste sábado pela hora local na cidade de Kunduz contra "indivíduos que ameaçava a força" em que "pode ter havido danos colaterais numa instalação médica próxima".

A direção dos MSF afirma que o bombardeio continuou durante meia hora depois de ter alertado que o hospital corria perigo. O ataque provocou um incêndio que durou horas. O comissário de direitos humanos das Nações Unidas disse que pode ter sido um "crime de guerra".

No fim da tarde, a Presidência do Afeganistão divulgou comunicado declarando que o comandante militar americano no país, general John Campbell, pediu desculpas pelo erro, enquanto o secretário da Defesa dos EUA, Ashton Carter, se limitou a dizer que está em andamento uma "investigação completa sobre o trágico incidente".

Desde o início da intervenção militar dos EUA e aliados no Afeganistão, em outubro de 2001, para vingar os atentados de 11 de setembro, há uma tensão entre os governos afegãos instalados depois da queda da milícia fundamentalista dos Talebã (Estudantes) por causa da morte de civis em bombardeios aéreos.

Na segunda-feira, cerca de 500 talebã tomaram a cidade de Kunduz, uma capital de província do Norte do país, desmoralizando mais uma vez as forças de segurança afegãs. Foi a maior cidade do Afeganistão conquistada pelos rebeldes desde a invasão americana.

Para retomar a cidade, o governo do presidente Achraf Ghani pediu o apoio dos EUA, que ainda mantêm 9,8 mil soldados no Afeganistão. Por ordem do presidente Barack Obama, eles só podem entrar em combate em situações extremas. Foi o caso.

Um porta-voz da polícia de Kunduz afirmou que alguns talebã se refugiaram no hospital e usaram o local como posição de tiro. Dois empregados do hospital negaram esta versão, alegando que não havia combates nas redondezas. O prédio tem marcas de bala, mas não se sabe se são recentes.

Ontem o governo afegão anunciou a reconquista de Kunduz, mas um repórter da televisão pública britânica BBC mostrou que a batalha ainda não havia terminado.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

ONU pede trégua humanitária diária na guerra civil no Iêmen

As Nações Unidas fizeram um apelo hoje para que haja tréguas diárias na guerra civil do Iêmen para permitir o acesso de equipes de ajuda humanitária aos civis atingidos pelo conflito, noticiou o jornal libanês The Daily Star.

Desde que começou uma intervenção militar da Arábia Saudita e aliados, em 26 de março de 2015, as agências e organizações não governamentais de ajuda humanitária não conseguem entrar nas áreas mais críticas. Pelo menos 650 pessoas foram mortas e outras 2 mil feridas nos últimos 15 dias.

Hoje a Cruz Vermelha e o Fundo da ONU para a Infância (Unicef) conseguiram enviar dois aviões com suprimentos médicos. A ONG Médicos sem Fronteiras conseguiu mandar um navio com ajuda no início da semana.

Em Genebra, na Suíça, o coordenador de ajuda humanitária da ONU, Johannes van der Klaauw, exigiu uma "trégua humanitária imediatamente": "Precisamos mais desses voos e mais navios" e uma pausa diária nos bombardeios aéreos a Saná, a capital iemenita, para entregar a ajuda.

A ONU tenta negociar com os sauditas e os rebeldes hutis, apoiados pelo Irã, para garantir o acesso diário da ajuda humanitária às zonas de combate.

O Iêmen é o país árabe mais pobre. Antes do agravamento da guerra civil, em fevereiro, quando os hutis, que tinham entrado na capital em setembro de 2014, dissolveram as instituições do Estado e colocaram o presidente Abed Rabbo Mansur Hadi em prisão domiciliar, 16 milhões de iemenitas precisavam de ajuda humanitária.

Hoje, só no porto de Áden, a segunda maior cidade do país, cenário das batalhas mais ferozes nos últimos dias, "um milhão de pessoas correm risco de ficar sem água potável em dias", advertiu o coordenador da ONU. "A situação em Áden é extremamente preocupante, se não catastrófica." A cidade vive uma "guerra urbana" travada por "milíciais incontroláveis".

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Enfermeira de Dallas está livre do vírus ebola

A primeira enfermeira diagnostica com o vírus ebola depois de atender um paciente africano que morreu nos Estados Unidos, Nina Pham, foi declarada hoje livre da doença pelo Instituto Nacional de Saúde, no estado de Maryland, onde estava sendo tratada, noticiou o jornal The Washington Post.

Nina Pham, de 26 anos, pegou o vírus quando atendeu o liberiano Thomas Eric Duncan, a única pessoa que morreu de ebola até agora nos EUA, no Hospital Presteriano de Saúde do Texas, em Dallas.

Ontem, foi anunciado o primeiro caso da doença em Nova York. O médico Craig Spencer contraiu ebola quando trabalhava para a organização não governamental Médicos sem Fronteiras na África Ocidental e sentiu os primeiros sintomas ontem, quando teve febre de 39,4ºC, nove dias depois de voltar aos EUA.

Morador no bairro do Harlem, em Nova York, Spencer foi de metrô até o Brooklyn jogar boliche com a namorada e amigos quarta-feira à noite. Como 6 milhões de pessoas usam o metrô de Nova York todos os dias, a população ficou assustada, o governador Andrew Cuomo e o prefeito Bill de Blasio pediram calma.

Cerca de 5 mil pessoas morreram de ebola na atual epidemia, quase todas em três países do Leste da África: Libéria, Serra Leoa e Guiné.

Médico que atuou na Guiné é quarto caso de ebola nos EUA

Um médico que voltou para os Estados Unidos há dez dias, depois de tratar pacientes com ebola no Lste da África, é o quarto caso de contaminação pelo vírus ebola no país. A doença chegou a outro país africano, o Mali, um dos mais pobres do mundo e em guerra civil.

Craig Spencer, de 33 anos, morador do Harlem, em Nova York, trabalhou para a organização não governamental Médicos Sem Fronteiras (MSF) na Guiné. De volta aos EUA, ele não tinha retomado suas atividades no Centro Médico da Universidade de Colúmbia.

Na quarta-feira à noite, ele foi de metrô com a namorada e amigos da ilha de Manhattan ao bairro nova-iorquino do Brooklyn, onde eles jogaram boliche num local público. Depois, tomaram um táxi para casa.

Hoje de manhã, Spencer teve perturbações digestivas e uma febre de 39,4 graus centígrados. Avisou os MSF e decidiu se isolar no seu próprio apartamento. Mais tarde, foi levado para o Hospital Bellevue, o centro de tratamento do ebola em Nova York.

O prefeito Bill de Blasio declarou que quatro pessoas tiveram contato com ele e vão ficar em quarentena por 21 dias, inclusive a namorada do médico, já submetida a exames.

A Organização Mundial da Saúde já registrou 9.936 casos da doenças com 4.877 mortes, informou a rede de televisão árabe Al Jazira. Quase todas os casos e mortes ocorreram em três países da África Ocidental: Libéria, Guiné e Serra Leoa.

sábado, 24 de agosto de 2013

Cerca de 3,6 mil sírios são tratados após ataque químico

Cerca de 3,6 mil pessoas com sintomas de intoxicação neurológicas receberam atendimento depois de um ataque com armas químicas nos arredores de Damasco, em 21 de agosto de 2013, disse hoje a organização não governamental Médicos Sem Fronteiras. O total de mortes confirmadas é de 355.

A ditadura de Bachar Assad e os rebeldes que lutam há quase dois anos e meio contra o regime se acusam mutuamente pelo ataque. Os Estados Unidos ameaçam intervir militarmente na guerra civil síria se o governo usar seu arsenal químico.

Meses atrás, a França, o Reino Unido, Israel e os EUA afirmaram que as forças de Assad teriam usado armas químicas em pelo menos três ocasiões. Também houve denúncias contra os rebeldes. Uma equipe das Nações Unidas investiga as alegações.

Apesar da advertência do presidente Barack Obama, feita há um ano, de que o uso de armas químicas seria uma linha vermelha além da qual a sociedade internacional teria de intervir na Síria, os EUA relutam em se envolver na guerra civil. É um conflito muito complexo e hoje em dia a ala rebelde mais eficiente está ligada à rede terrorista Al Caeda.

Assad é aliado do Irã e da Rússia, mas uma Síria com o Estado em colapso e Al Caeda em atividade seria um pesadelo ainda maior para os EUA.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

MSF acusam EUA de privilegiar militares

A organização não governamental Médicos Sem Fronteiras (MSF) acusou ontem os Estados Unidos de darem prioridade aos suprimentos militares para as forças americanas e não às necessidades urgentes de saúde dos haitianos feridos no terremoto. Dois aviões da ONG teriam sido desviados para a vizinha República Dominicana.

O comandante militar americano, general Ken Keen, dá prioridade à segurança. Como os EUA controlam o aeroporto de Porto Príncipe, entram em atrito com as organizações de ajuda humanitária.

Num hospital improvisado ao ar livre, o anestesista Stephen Bewaele não escondeu sua frustração: "Só estamos fazendo as cirurgias mais simples. Podemos dar mais alguns dias de vida aos feridos amputando um braço ou uma perna. Evitamos infecções capazes de matá-los. Mas eles precisam de mais operações e nós precisamos de uma sala de cirurgia esterilizada. O tratamento vai muito além do que podemos fazer agora."

Em Paris, a diretora do departamento jurídico dos MSF, Françoise Saulnier, declarou que "é uma questão de coordenação e de estabelecer prioridades. Fazer cirurgias é uma prioridade urgente neste tipo de catástrofe".

Nos primeiros três dias, explicou Françoise, a prioridade é tirar sobreviventes de baixo dos escombros.

"Nos três dias seguintes", acrescentou, "a prioridade é fazer operações de emergência. O resto - comida, água e abrigo - vem depois. Agora, está tudo misturado e a atenção vital à sobrevivência de pessoas foi adiada para dar passagem à logística militar, que é essencial, mas não no momento inicial."

Com essa confusão, "perdemos três dias. Esses três dias criaram um enorme problema, com infecções, gangrenas, com a necessidade de amputações que poderiam ter sido evitadas. Até hoje, as equipes cirúrgicas estão operando em condições precaríssimas. Não há morfina. Não há antibióticos. Eles não tem instrumentos cirúrgicos nem para amputar. Precisam comprar nas lojas. É apocalíptico, e está piorando."

Agora à noite, a Casa Branca admitiu estar preocupado com a lentidão da chegada de equipamentos e suprimentos médicos aos flagelados de Porto Príncipe.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Fome ameaça 178 milhões de crianças

Pelo menos 178 milhões de crianças têm problemas de saúde e desenvolvimento por causa de severa desnutrição, e 20 milhões estão ameaçadas de morrer de fome, alertou hoje a organização não governamental Médicos sem Fronteiras.

A três dias do início da conferência anual da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentos (FAO), que será realiza em Roma, na Itália, de 16 a 18 de dezembro de 2009, os MSF cobraram a criação de um plano de combate à fome de crianças de até cinco anos.

Um porta-voz da ONG considera absurda a estratégia de só intervir em situações de emergência, quando as pessoas estão morrendo de fome. Além dos programas já existentes de distribuição de comida e apoio à agricultura familiar, os MSF querem outro especialmente focado nas crianças.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

Fome ameaça 4,5 milhões na Etiópia

Cerca de 4,5 milhões de etíopes estão ameaçados pela fome por causa da seca e de uma quebra nas safras agrícolas do país, além da inflação mundial nos preços dos alimentos, e precisam ajuda alimentar de emergência, advertem organizações internacionais. Mais de 126 mil crianças têm sérios problemas de desnutrição.

É a pior crise na Etiópia desde 1984 a 1986, quando um milhão de pessoas morreram de fome em meio a uma guerra civil. As imagens de crianças e adultos em pele e osso provocaram uma comoção mundial. Com 78 milhões de habitantes, o país tem a segunda maior população da África.

Um centro de nutrição infantil da organização não-governamental Médicos Sem Fronteiras na cidade de Chachemene, no Oeste do Etiópia, está cheia de mães segurando filhos que não se sustentam em pé, com lábios rachados e olhar parado.

Mitchu, uma menina de três anos, pesa cinco quilos, pouco mais do que um bebê saudável. Há duas semanas, é alimentada a cada três horas há duas semanas. Mas não reage. Os médicos acham que ela vai morrer de fome e malária.

O Programa Mundial de Alimentos das Nações Unidas precisa de mais 180 mil toneladas de comida para atender às necessidades somente da Etiópia em 2008. Está pedindo mais US$ 150 milhões aos países ricos.