O presidente da Polônia, Lech Kaczynski, morreu hoje perto de Smolensk, na Rússia, quando o avião russo em que ele viajava caiu numa floresta. Também morreram a mulher dele e outras 95 pessoas.
As autoridades de tráfego aéreo da Rússia afirmam ter advertido várias vezes o piloto do Tupolev Tu-154 a não descer no aeroporto de Smolensk. Havia muita neblina e o avião não tinha condições de operar por instrumentos
Além de Kczynski e de sua mulher, estavam no voo os comandantes do Exército e da Marinha, o presidente do Banco Central e vários deputados poloneses. Eles participariam de uma homenagem aos 22 mil oficiais do Exército da Polônia mortos no Massacre de Katyn, em abril de 1940, pela NKVD, a polícia política do ditador soviético Jose Stalin.
Pouco antes da Segunda Guerra Mundial, Stalin e o ditador alemão Adolf Hitler assinaram o Pacto Germano-Soviético pelo qual a Alemanha ficaria com o Oeste da Polônia e a URSS com o Leste do país e os países bálticos. Os soviéticos invadiram a prenderam toda a oficialidade polonesa.
Quando a Polônia se aliou à União Soviética para combater a Alemanha nazista, depois que Hitler invadiu a URSS, em junho de 1941, o governo polonês no exílio pediu a libertação dos oficiais.
Anos depois, os restos mortais foram encontrados. Os oficiais poloneses tinham sido mortos com tiros à queima-roupa na nuca.
A URSS atribuiu o Massacre de Katyn aos nazistas. Só em 1990, o último presidente soviético, Mikhail Gorbachev, reconheceu a responsabilidade do país.
Até hoje, o massacre é um motivo de tensão entre a Rússia e a Polônia. Neste ano, pela primeira vez, os primeiros-ministros dos dois países, Vladimir Putin e Donald Tusk, participaram lado a lado de uma homenagem aos mortos. Mas a visita de reconciliação do presidente polonês terminou em mais uma tragédia.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
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