quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 24 de Dezembro

TRATADO DE GHENT

    Em 1814, os Estados Unidos e o Reino Unido assinam o Tratado de Ghent, na Bélgica, pondo fim à Guerra de 1812, uma tentativa do Império Britânico de recolonizar os EUA que reafirma a independência do país.

Quando Napoleão Bonaparte decreta o Bloqueio Continental a países que negociam com o Reino Unido, os EUA ignoram e continuam comerciando com os dois. Seguem a orientação do Discurso de Despedida do primeiro presidente norte-americano, George Washington, comerciar com todos os países e não se envolver em conflitos externos.

A França modera sua atuação a partir de 1810. Quando o Reino Unido começa a instigar indígenas do Canadá na fronteira, o Congresso dos EUA declara guerra. As colônias britânicas Canadá Superior, Canadá Inferior, Nova Escócia e Terra Nova, que formariam o Canadá, lutam pelo Reino Unido.

Os britânicos chegam a tomar Washington e incendeiam a Casa Branca. O Hino dos EUA é um poema musicado que descreve a noite em que a sede do governo arde em chamas, mas ao amanhecer a bandeira salpicada de estrelas continua lá.

EDISON PATENTEIA O FONÓGRAFO

    Em 1877, o Escritório de Patentes dos Estados Unidos recebe um pedido do inventor Thomas Alva Edison para registrar o "fonógrafo ou máquina falante".

Edison apresenta a invenção duas semanas antes em Nova York, quando ele apresenta sua gravação às vezes ininteligível.

Maior inventor da história, Edison registra mais de mil patentes nos EUA e mais de 2 mil no mundo inteiro, inclusive do cinematógrafo e da lâmpada elétrica.

COMANDANTE EISENHOWER

Em 1943, o general Dwight Eisenhower é nomeado comandante militar supremo das forças dos aliados ocidentais na Segunda Guerra Mundial (1939-45).

Terceiro de uma família com sete filhos, Dwight David Eisenhower nasce em Denison, no Texas, em 14 de outubro de 1890. Ike estuda na Academia Militar de West Point e se forma na turma de 1915 com um desempenho acadêmico nada invejável. Entre os 164 formandos, é o 61º nos estudos acadêmicos e 125º em disciplina.

Durante a Primeira Guerra Mundial (1914-18), Ike comanda um centro de treinamento de tanques. É promovido a capitão. Está para ser mandado para a guerra na Europa quando a guerra acaba.

De 1922 a 1924, Ike serve na Zona do Canal do Panamá. Promovido a major, tira o primeiro lugar numa turma de 275 em 1926. Dois anos mais tarde, se forma na Escola de Guerra do Exército. Então, serve na França, onde escreve um guia sobre campos de batalha da Primeira Guerra Mundial.

Em 1933, Eisenhower se torna assessor do comandante do Exército, general Douglas MacArthur. Dois anos depois, vai com MacArthur para as Filipinas, onde ajuda a reorganizar as Forças Armadas da então colônia dos EUA.

Ike volta aos Estados Unidos pouco depois da invasão da Polônia pela Alemanha Nazista, em 1º de setembro de 1939, que marca o início da Segunda Guerra Mundial (1939-45). Em março de 1941, é promovido a coronel. Três meses depois, vira chefe de pessoal do Terceiro Exército e chama a atenção do comandante do Exército, general George Marshall ao planejar jogos de guerra com 500 mil soldados.

Quando os EUA entram na Segunda Guerra Mundial, depois do ataque japonês à Frota do Pacífico, estacionada em Pearl Harbor, no Havaí, em 7 de dezembro de 1941, Marshall nomeia Eisenhower para a divisão de planos de guerra que prepara a invasão aliada à Europa. 

Em março de 1942, ele é promovido a general de exército. Em junho, Marshall o nomeia comandante militar dos EUA na Europa. Além de profundo conhecedor de estratégias militares e capacidade de organização, Ike tem grande talento para a persuasão e se destaca por ser humilde, amigável e um otimista persistente.

Eisenhower comanda a Operação Tocha, a invasão aliada da África Equatorial Francesa, em julho de 1942. A primeira ofensiva dos aliados na guerra começa em 8 de novembro de 1942 e vai até maio de 1943. Ele lidera a invasão da Sicília e do território continental da Itália, o que leva à queda do regime fascista em Roma em 4 de junho de 1944.

Como comandante militar aliado, ele lidera a maior operação de assalto anfíbio da história, a Invasão da Normandia no Dia D, 6 de junho de 1944, com 156 mil soldados. Em 25 de agosto daquele ano, os aliados libertam Paris. 

No inverno, os aliados derrotam a última ofensiva alemã na frente ocidental na Batalha de Ardenas e cruzam o Rio Reno para invadir a Alemanha em 7 de março de 1945. A guerra na Europa termina em 8 de maio, quando o Exército Vermelho da União Soviética toma Berlim avançando pela frente oriental.

Em maio de 1948, Eisenhower deixa o Exército como o mais popular e prestigiado soldado dos EUA. Dois anos depois, o presidente Harry Truman o convence a assumir o comando militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN). Durante um ano e três meses, ele organiza a aliança militar criada para conter o expansionismo soviético na Europa.

Desde 1943, é citado como possível candidato à Casa Branca. Em junho de 1952, deixa o Exército após 37 anos e é eleito presidente dos EUA pelo Partido Republicano com uma ampla vitória em plena Guerra Fria, durante o macartismo, quando o senador Joseph McCarthy denuncia infiltração comunista na máquina do Estado, em Hollywood e até no Exército. O Partido Republicano conquista maioria na Câmara e no Senado, mas perde dois anos depois e fica sem maioria na Câmara por 40 anos.

Com a morte do ditador soviético Josef Stalin, em 5 de março de 1953, Eisenhower consegue negociar um armistício na Guerra da Coreia (1950-53) a partir de 27 de julho daquele ano. Em dezembro, Ike faz o discurso Átomos para a Paz, que leva à criação da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), em 1957. Ao mesmo tempo, adota a doutrina de retaliação maciça em caso de um ataque nuclear da URSS.

A campanha à reeleição em 1956 é perturbada pela Guerra de Suez, quando o ditador egípcio Gamal Abdel Nasser nacionaliza o Canal de Suez e é atacado por Israel, França e Reino Unido na mesma época da invasão soviética à Hungria para esmagar uma tentativa de liberalização do regime comunista.

Em 4 de outubro de 1957, a URSS lança o primeiro satélite artificial da Terra, o Sputnik, sai na frente na corrida espacial e assusta os EUA com a perspectiva de poder lançar uma bomba atômica em território norte-americano. Isto leva à criação da NASA (Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço).

Para melhorar as relações com a URSS, Eisenhower convida o primeiro-ministro Nikita Kruschev para visitar os EUA em setembro de 1959, mas o abate de um avião-espião U-2 em território soviético, em 1º de maio de 1960, num dos momentos de alta tensão na Guerra Fria atrapalha a visita.

No fim do governo, em janeiro de 1961, os EUA rompem relações diplomáticas com Cuba dois anos depois da vitória da revolução liderada por Fidel Castro. Em seu discurso de despedida, Ike adverte para o poderio crescente do "complexo industrial-militar", a influência no governo da indústria do setor de defesa.

INVASÃO DO AFEGANISTÃO

    Em 1979, pouco antes da meia-noite, uma ponte aérea com 280 aviões de transporte militar da União Soviética desembarca em Cabul três divisões, cada uma com cerca de 8,5 mil homens, que três dias depois depõem o líder do regime comunista afegão, com pouca resistência, e instalam no poder Babrak Karmal, da ala pró-Moscou do Partido Popular Democrático do Afeganistão.

Mas dominar Cabul não significa controlar o Afeganistão, um país tribal e montanhoso, com um relevo que favorece a ação guerrilheira.

A invasão soviética acaba com o período da détente entre as superpotências, um degelo na Guerra Fria que começa em 1972 com as visitas do presidente norte-americano Richard Nixon à URSS e à China, e a retirada dos Estados Unidos do Vietnã. Começa a Segunda Guerra Fria, que vai até a ascensão do reformista Mikhail Gorbachev à liderança do Partido Comunista da URSS, em 11 de março de 1985.

O presidente Jimmy Carter e países aliados dos EUA boicotam a Olimpíada de Moscou, em 1980. A URSS retribui boicotando a Olimpíada de Los Angeles, em 1984.

Logo se forma uma aliança entre os EUA, que fornece as armas; a Arábia Saudita, que entra com homens e petrodólares; o Paquistão, por onde passam o dinheiro e as armas; e a China, que dá apoio politico. O objetivo é fazer do Afeganistão do Vietnã da URSS.

Cerca de 2,8 milhões de afegãos fogem para o Paquistão, onde os homens são doutrinados nas madrassas, as escolas religiosas que só ensinam o Corão, o livro sagrado do islamismo, a língua árabe, os provérbios do profeta Maomé (hádices) e a história do Islã. Outro 1,5 milhão se refugia no Irã.

A introdução de mísseis antiaéreos norte-americanos portáteis sustentados no ombro vira o jogo a partir de 1981 e acaba com a superioridade aérea soviética. A retirada soviética começa em 1988 e termina em 1989.

Os chamados árabes afegãos, mujahedin que lutam contra a URSS, criam em 1988 a rede terrorista Al Caeda sob a liderança do saudita Ossama ben Laden e do egípcio Ayman al-Zawahiri. O terrorismo muçulmano é um detrito da Guerra Fria.

Com a retirada soviética, diferentes grupos islamistas disputam o poder até que a milícia fundamentalista sunita dos Talebã (Estudantes) se impõe, em 1996, com o apoio do Paquistão. 

Depois de ataques às embaixadas dos EUA no Quênia e na Tanzânia, em agosto de 1998, o presidente Bill Clinton manda bombardear bases d'al Caeda no Afeganistão. A resposta feroz vem nos atentados de 11 de setembro de 2001.

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terça-feira, 23 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 23 de Dezembro

 VAN GOGH CORTA ORELHA

    Em 1888, durante uma crise depressiva grave, o holandês Vincent van Gogh, um dos maiores pintores de todos os tempos, corta parte de sua orelha esquerda, em Arles, na França.

Hoje, Van Gogh é celebrado mundialmente como um gênio da pintura. Durante sua vida, só vende um quadro, para seu irmão Theo. É uma alma torturada e um grande artista que luta contra a fome. 

Van Gogh nasce na Holanda em 30 de março de 1853 e só decide se tornar um artista em 1880. Seus primeiros quadros, como Os Comedores de Batatas, são escuros e sombrios. Refletem a miséria dos pequenos agricultores holandeses.

Em 1886, ele vai morar na França com o irmão Theo, um marchand que o apresenta a pintores como Paul Gauguin, Georges Seurat e Camille Pissarro. Van Gogh muda de estilo e passa a usar cores vivas. Em 1888, aluga uma casa em Arles, no Sul da França, para criar uma colônia de artistas. Gauguin fica lá por dois meses.

Durante uma discussão entre os dois, Van Gogh ameaça o amigo com uma faca antes de se mutilar. Van Gogh é hospitalizado em Arles e internado num hospício em Saint Rémy por um ano, um período em que oscila entre a loucura e grande criatividade, em que pinta Íris e Noite Estrelada.

Em 27 de julho de 1890, Van Gogh dá um tiro em si mesmo e morre dois dias depois.

CRIMINOSOS DE GUERRA JAPONESES EXECUTADOS

    Em 1948, o almirante e ex-primeiro-ministro Hideki Tojo e outros seis líderes do Japão são enforcados por crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), especialmente o genocídio do povo chinês.

As sentenças do Tribunal de Tóquio são anunciadas em 12 de novembro. Entre os condenados à morte, além de Tojo, estão os generais Iwane Matsui, organizador do Estupro de Nanquim, e Heitaro Kimura, que torturou prisioneiros de guerra. Dezesseis réus pegam prisão perpétua e outros dois penas menores.

Outros 5 mil japoneses são processados por crimes de guerra fora do Japão; 900 são executados.

INVERNO NUCLEAR

    Em 1983, um grupo de cientistas que inclui Carl Sagan publica um ensaio na revista Science intitulado Inverno Nuclear: consequências globais de múltiplas explosões nucleares, advertindo que uma guerra atômica pode cobrir a Terra com uma nuvem de cinza, fumaça e poeira capaz de baixar bastante a temperatura, esfriar e escurecer o planeta.

O ensaio introduz o conceito de inverno nuclear, que poderia ameaçar toda a vida na Terra "quando combinado com a destruição das explosões nucleares, incêndios, chuva radioativa e o aumento da radiação ultravioleta causada pela redução da camada de ozônio. Uma longa exposição ao frio, à escuridão e à radioatividade poderia ser uma séria ameaça aos humanos sobreviventes e outras espécies."

O alerta vem durante o período chamado de Segunda Guerra Fria, que vai da invasão soviética ao Afeganistão, em 1979, à ascensão do líder reformista Mikhail Gorbachev à liderança do Partido Comunista da União Soviética, em março de 1985.

A partir de 1º de novembro de 1983, os Estados Unidos instalam mísseis de curto e médio alcances nos países aliados da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), o que leva a URSS a abandonar negociações de controle de armas.

Sagan, um astrônomo e astrofísico, é acusado de "propaganda" contra a guerra por contestadores da hipótese, mas é evidente que uma guerra nuclear teria efeitos arrasadores.

Em 8 de dezembro de 1987, Gorbachev e o então presidente dos EUA, Ronald Reagan, assinam na Casa Branca, em Washington, o Tratado sobre Forças Nucleares Intermediárias. 

É o primeiro acordo a eliminar toda uma classe de armas atômicas, os mísseis nucleares terrestres de curto e médio alcances (500 a 5,5 mil quilômetros), abandonado em 2019 pelos EUA sob a alegação de que a Rússia o havia violado.

Outros tratados que levaram ao controle de armas e o fim da Guerra Fria, como o Tratado de Mísseis Antibalísticos e o Tratado sobre Forças Convencionais na Europa, caducaram. Resta apenas o Terceiro Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start-3), prorrogado até fevereiro de 2026 no início do governo Joe Biden.

No momento, não existem as menores condições para negociação de novos tratados. O ditador russo, Vladimir Putin, faz uma guerra híbrida contra o Ocidente por causa do apoio à resistência da Ucrânia.

MAIOR CALOTE DA HISTÓRIA

    Em 2001, a Argentina suspende os pagamentos da dívida externa, de cerca de US$ 100 milhões, no maior calote da história.

A hiperinflação é uma herança maldita da última ditadura militar argentina (1976-83). As tentativas do primeiro governo civil de conter a alta de preços fracassam. Com inflação de 200% ao mês, o presidente Raúl Alfonsín (1983-89) entrega o cargo ao sucessor seis meses antes do previsto.

Depois de novas tentativas frustradas, o presidente Carlos Menem (1989-99) nomeia Domingo Cavallo para ministro da Economia, que cria um plano de convertibilidade que torna a cotação do peso argentino igual a um dólar, numa dolarização parcial.

A inflação cai, mas fica sempre acima dos EUA. Em alguns anos, os preços crescem 6% nos EUA e 45% no mesmo período na Argentina. Isto mina a competitividade da economia argentina e reduz a entrada de dólares.

O problema explode no governo Fernando de La Rúa (1999-2001), que mantém uma política econômica na qual não acreditava. Ele chama Cavallo para o governo, mas não adianta. Diante de manifestações de protesto com cerca de 40 mortes, De la Rúa renuncia em 20 de dezembro. A Argentina tem cinco presidentes em duas semanas.

O calote acontece depois de quatro anos de recessão, quando o serviço (juros) da dívida consomem 45% das exportações argentinas, tornando a dívida impagável. O governo acaba com a paridade dólar-peso e a moeda argentina perdeu imediatamente 30% do valor e 75% ao todo .

Com a crise econômica brutal, 58% dos argentinos ficam na pobreza. No governo Néstor Kirchner (2003-7), o ministro Roberto Lavagna negocia a reestruturação da dívida e 93% dos credores aceitam perdas de até 75%. Fundos especulativos rejeitam a renegociação, mas a economia volta a crescer e a Argentina sai da crise por alguns anos.

Até hoje, a Argentina caloteou a dívida pública nove vezes.

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segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 22 de Dezembro

 QUINTA SINFONIA

    Em 1808, a 5ª Sinfonia do alemão Ludwig van Beethoven, talvez o maior compositor de todos os tempos, faz sua estreia em Viena, na Áustria, numa noite muito fria, sem aquecimento, para uma plateia pequena, o que atrasa o reconhecimento da grandeza da obra.

É a sinfonia mais popular da história, mas sua magnitude não é reconhecida no primeiro momento. O concerto dura quatro horas sob frio intenso e a 5ª sinfonia começa mais de duas depois do início.

Beethoven é ao mesmo tempo maestro e pianista. A orquestra toca mal. Ele interrompe e recomeça.

Também estreiam naquela noite o Concerto para Piano nº 4 e a 6ª Sinfonia (Pastoral) de Beethoven, mas dentro de pouco tempo é a 5ª Sinfonia que recebe aclamação.

Em 1810, um crítico importante elogia Beethoven por superar Wolfgang Amadeus Mozart e Joseph Haydn com uma música que "abre o reino do colossal e incomensurável... evoca terror, medo e dor, e desperta um anseio que é a essência do romantismo."

DOSTOIÉVSKI SALVO DE FUZILAMENTO

    Em 1849, o escritor russo Fiódor Dostoiévski é levado a um pelotão fuzilamento e preparado para execução depois de ter sido condenado em 16 de novembro por atividades antigovernamentais. Na última hora, é poupado e enviado para o exílio interno num campo de trabalhos forçados na Sibéria.
Dostoiévski nasce em 11 de novembro de 1821 em Moscou. O pai é médico do Hospital dos Pobres, em Moscou, onde enriquece e compra terras e servos.

Com a morte do pai, Dostoiévski, que sofre de epilepsia, estuda engenharia militar e se torna funcionário público enquanto escreve secretamente seus livros. Lança os primeiros, Povo Pobre e O Duplo em 1846. O primeiro é um sucesso; o segundo fracassa.

É libertado em 1854 e serve como soldado na fronteira com a Mongólia. De volta à Rússia europeia, em 1859, funda uma revista no ano seguinte e mais tarde viaja pela Europa. Em 1866, publica Crime e Castigo, sua obra mais popular. 

Em 1867, casa com uma estenógrafa. O casal foge da Rússia para escapar dos credores. Com o sucesso de O Possesso, o casal volta a São Petersburgo. Em 1879, publica sua obra-prima, Os Irmãos Karamazov, um sucesso imediato. Morre 9 de fevereiro de 1881.

CASO DREYFUS

    Em 1894, uma corte marcial da França condena o capitão judeu Alfred Dreyfus à prisão perpétua sob a acusação de espionagem, de passar segredos militares para a Alemanha, num julgamento cheio de vícios processuais.
Quatro meses depois, o capitão de artilharia começa a cumprir pena na prisão da Ilha do Diabo, na Guiana Francesa. O caso revela o antissemitismo da França.

Quando surgem indícios de que o verdadeiro espião é o major Ferdinand Esterhazy, o Exército tenta esconder as provas. Esterhazy é levado à corte marcial e absolvido em uma hora num julgamento em janeiro de 1898.

Indignado, o escritor Émile Zola publica uma carta aberta chamada Eu Acuso no jornal Aurora, acusando os juízes, o Exército e o presidente da França. O jornal vende 200 mil exemplares num dia.

Zola é condenado por calúnia, mas consegue fugir para a Inglaterra. O escândalo divide a França. Enquanto nacionalistas e a Igreja Católica apoiam o Exército, republicanos, socialistas e defensores da liberdade religiosa defendem Dreyfus.

Em 1898, o major Hubert Henry admite ter forjado provas contra Dreyfus e comete suicídio. Pouco depois, Esterhazy foge do país

Dreyfus é levado a novo julgamento em 1899 e condenado a 10 anos de prisão em outro processo forjado. Um novo governo francês o perdoa. Em 1906, o Tribunal Superior de Recursos anula a sentença.

O Caso Dreyfus provoca grande liberalização na França, reduz o poder dos militares e leva à separação formal entre Igreja e Estado.

QUEDA DE CEAUSESCU

    Em 1989, o Exército da Romênia adere à revolta anticomunista e derruba o ditador Nicolae Ceausescu, no poder há 42 anos. É o último dos países-satélites da União Soviética a se livrar do comunismo na Europa Oriental, depois de Polônia, Hungria, Alemanha Oriental, Tcheco-Eslováquia e Bulgária.
A derrocada do Gênio dos Cárpatos começa três dias antes, quando as forças de segurança romenas abrem fogo contra uma manifestação de romenos de origem húngara em Timisoara. Morre uma pessoa, mas um repórter da agência de notícias alemã-oriental anuncia a morte de milhares.

Ceausescu tenta se defender com um discurso em Bucareste, mas é vaiado pela multidão. Ele e a mulher, Elena, fogem de helicóptero. São presos, condenados por assassinato em massa num julgamento sumário por um tribunal militar revolucionário e executados no dia de Natal por um pelotão de fuzilamento.

REABERTO O PORTÃO DA BRANDEMBURGO

    Em 1989, o Portão de Brandemburgo, um dos símbolos da capital histórica da Alemanha, é reaberto após ficar fechado desde o início da construção do Muro de Berlim em agosto de 1961.

O portão é encomendado pelo rei Frederico Guilherme II para ser a entrada da avenida Unter den Linden rumo ao palácio real da Prússia. É construído de 1788 a 1791 sob a inspiração da Acrópole

Depois da queda do Muro de Berlim, em 9 de novembro, a reabertura do Portão de Brandemburgo é um passo importante rumo à Reunificação da Alemanha, que acontece em 3 de outubro de 1990.

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domingo, 21 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 21 de Dezembro

 DESCOBERTA DO RÁDIO

    Em 1898, depois de descobrir o elemento químico polônio, os futuros ganhadores do Prêmio Nobel de Física de 1903 com Henri Becquerel, o casal Pierre e Marie Curie, descobrem o rádio, um metal radioativo e prateado usado no tratamento de câncer.

Maria Salomea Sklodowska nasce em Varsóvia, na Polônia, então parte do Império Russo, em 7 de novembro de 1867. Aos 24 anos, em 1891, ela segue a irrmã mais velha, Bronislawa, e vai estudar na Universidade de Paris, onde se forma em física e química.

Na França, ela passa a ser chamada de Marie. Em 1894, quando obtém o segundo diploma, ela conhece Pierre Curie, instrutor da Escola Superior de Física e Química Industriais de Paris, apresentado pelo físico polonês Józef Kowalski, que sabia que Marie estava procurando um espaço maior para seu laboratório. Pierre lhe ofereceu o espaço.

A paixão pela ciência aproxima os dois. Pierre Curie a pede em casamento. Marie recusa. Pensa em voltar para a Polônia. De volta a Varsóvia, ela percebe que não pode fazer carreira em seu país, onde tem o acesso à universidade negado por ser mulher.

Por carta, Pierre Curie a convence a voltar para Paris para fazer um doutorado. Eles se casam em 26 de julho de 1895 sem cerimônia religiosa. Uma piada na época era que Marie era "a grande descoberta de Pierre".

No mesmo ano, Wilhelm Roentgen descobre os raios-X, mas não o fenômeno que os causa. Em 1896, Henri Becquerel percebe que o urânio emite raios semelhantes aos raios-X. Ela decide investigar o fenômeno para sua tese.

Marie Curie levanta a hipótese de que a radiação não seja resultado da interação entre moléculas, venha do próprio átomo. 

Entre suas realizações, estão a teoria da radioatividade, palavra que ela cria, técnicas para isolar isótopos radioativos e a descoberta de dois elementos químicos, o polônio e o rádio.

Ela é a primeira mulher a ganhar o Prêmio Nobel e a primeira professora da Universidade de Paris. É também a primeira pessoa a ganhar duas vezes o Nobel. Ganha o prêmio de Química em 2011.

PRIMEIRO JOGO DE BASQUETE

    Em 1891, o professor de educação física James Naismith organiza o primeiro jogo de basquete, numa escola de Springfield, no estado de Massachusetts, nos Estados Unidos. O pau quebra e Naismith decide criar as regras do jogo.

Naismith pega elementos do futebol, do futebol norte-americano e do hóquei, mas tenta eliminar o contato físico. Como a turma tem 18 estudantes, o primeiro jogo é disputado por equipes de nove jogadores.

As bolas são de futebol e as cestas de carregar pêssegos com cerca de 17,6 litros. Uma escada é usada para recuperar as bolas.

DE GAULLE ELEITO PRESIDENTE

    Em 1958, três meses depois da aprovação da uma nova Constituição da França, o general Charles de Gaulle, chefe de governo no exílio em Londres durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), é eleito presidente por ampla maioria em meio à Guerra da Independência da Argélia (1954-62).

Charles André Joseph Marie de Gaulle nasce em 22 de novembro de 1890 em Lille, no Norte da França. Veterano da Primeira Guerra Mundial (1914-18), De Gaulle foge da França para a Inglaterra depois que o primeiro-ministro Henri Pétain assina um armistício com a Alemanha Nazista, em junho 1940.

Em Londres, como líder da França Livre, organiza forças francesas das colônias africanas para lutar ao lado dos aliados. Em 1944, é nomeado chefe de governo no exílio. Com a libertação de Paris, em 25 de agosto daquele ano, ele entra em triunfo na cidade no dia seguinte.

Sua eleição marca o início da 5ª República na França. No poder, De Gaulle dá independência à Argélia em 1962.

Em maio de 1968, estoura a Revolução dos Estudantes. De Gaulle chega a sair da França. Quando volta, convoca um referendo sobre uma reforma constitucional, em 1969, e perde. Em 28 de abril daquele ano, renuncia. Morre em 9 de novembro de 1970.

Até hoje, os partidos conservadores da direita francesa são considerados herdeiros do gaullismo. 

EMIRADOS ÁRABES UNIDOS

    Em 1971, nascem os Emirados Árabes Unidos (EAU), com a união de seis principados ricos em petróleo (Abu Dhabi, Ajman, Dubai, Fujairah, Sharjah e Umm al-Cuwain) aos quais logo se junta o sétimo (Ras al-Khaimah) formando um pequeno país com grande peso na economia mundial.

O Império Britânico assume o controle da região por volta de 1820 de forma a garantir a segurança a caminho da Índia, a maior "joia" da coroa. Com a independência da Índia e do Paquistão, em 1947, Londres perde gradualmente o interesse sobre as colônias a Leste de Suez.

TERROR EM LOCKERBIE

   Em 1988, um Boeing 747 que faz o voo 103 (Londres-Nova York) da companhia aérea norte-americana PanAm explode no ar a 10 mil metros de altitude sobre a cidade de Lockerbie, na Escócia, num atentado terrorista, matando todas as 259 pessoas a bordo e 11 no solo.

A bomba é acionada por um gravador de fita cassete, que teria sido colocado a bordo em Frankfurt, na Alemanha, e transferido no voo para Nova York.

O atentado é visto inicialmente como uma possível vingança da República Islâmica do Irã pelo abate de um Airbus com 290 pessoas a bordo no fim da Guerra Irã-Iraque (1980-88).

Outra hipótese é uma retaliação por um bombardeio dos Estados Unidos à Líbia em 14 e 15 de abril de 1986 em que morre uma filha do ditador Muamar Kadafi.

Em 1991, quando os EUA e 30 aliados entram em guerra com o Iraque por causa da invasão do Kuwait em 2 de agosto de 1990 e Washington quer a neutralidade do Irã, uma investigação britânico-norte-americana indicia dois agentes líbios, Abdel Basset al-Megrahi e Lamen Khalifa Fhimah.

A Líbia se nega a entregar os suspeitos. Em 1999, sob pressão de sanções aprovadas pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas, Kadafi concorda em entregar os dois suspeitos para julgamento na Holanda com base na lei da Escócia.

Em 2001, Megrahi é condenado à prisão perpétua e Fhimah é absolvido. A Líbia assume a responsabilidade pelo atentado em 2003, quando se aproximava do Ocidente em meio à Guerra contra o Terror deflagrada pelo presidente George Walker Bush depois dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001 contra os EUA.

Dois anos depois, a Líbia assume a responsabilidade e concorda em pagar US$ 8 milhões à família de cada vítima. A PanAm, que fale três anos após o atentado, recebe uma indenização de US$ 30 milhões.

Em dezembro de 2022, os EUA anunciam a prisão de um terceiro suspeito líbio, Abu Agila Mohammad Massud.

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sábado, 20 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 20 de Dezembro

 INÍCIO DA SECESSÃO

    Em 1860, depois da eleição de Abraham Lincoln para a Presidência dos Estados Unidas, a Carolina do Sul é o primeiro estado do Sul a se separar da União por causa das ideias abolicionistas do novo presidente.

Antes do início da Guerra da Secessão (1861-65), outros cinco estados do Sul com grande produção de algodão com mão de obra escrava, Alabama, Flórida, Geórgia, Louisiana e Mississípi, se afastam da União em janeiro de 1861 e o Texas em 1º de fevereiro. Formam os Estados Confederados da América antes da posse de Lincoln. O Arkansas, a Carolina do Norte, o Tennessee e a Virgínia aderem pouco depois do início da guerra. O Missouri e o Kentucky no fim de 1861.  

A Guerra da Secessão, travada por Lincoln contra os Estados Confederados da América (Sul) para manter a União, começa começa em 12 de abril de 1861, quando as forças do Sul atacam o Forte Sumter, em Charleston, na Carolina do Sul. Vai até 9 de abril de 1865, quando o comandante militar da Confederação (Sul), general Robert Lee, se rende ao comandante militar da União, general Ulysses Grant, depois da derrota na Batalha de Appomattox. 

Em 1º de janeiro de 1863, no meio da guerra, Lincoln faz a Declaração da Emancipação, um decreto com o objetivo de estimular os escravos a fugir do Sul e aderir às forças do Norte. Mais de 200 mil negros se alistam para lutar pelo Exército e a Marinha da União. São mais de 10% das forças federais.

A 13ª Emenda à Constituição dos EUA, abolindo a escravidão, é aprovada em novembro de 1864 pelo Senado e em 31 de janeiro de 1865 na Câmara de Representantes. Entra em vigor em 6 de dezembro de 1865, depois de ser ratificada por três quartos dos estados, como prevê a carta magna dos EUA.

Com cerca de 620 mil mortes, a Guerra da Secessão é a pior guerra da história dos EUA.

ELVIS RECRUTADO 

    Em 1957, quando passa o Natal na recém-comprada mansão de Graceland, em Memphis, no Tennessee, Elvis Presley, o Rei do Rock, é convocado para servir o Exército dos Estados Unidos na Alemanha, onde fica um ano e meio.


Elvis Aaron Presley nasce em Tupelo, no Mississípi, em 8 de janeiro de 1935. Ele trabalha como motorista de caminhão. Aos 19 anos, entra num estúdio para gravar uma música para a mãe e o produtor se encanta com a voz e o talento.

O Rei do Rock começa a carreira na onda do rock and roll dos anos 1950. Seu rebolado é considerado sensual demais para o puritanismo norte-americano. As televisões só o enquadram da cintura para cima.

Mais tarde, John Lennon diz que "Elvis morreu quando serviu o Exército". 

Na volta da Alemanha, vira um ator de Hollywood. Faz filmes e canta músicas românticas. O álcool e drogas de farmácia causam uma morte precoce, em 16 de agosto de 1977, aos 42 anos.

INVASÃO DO PANAMÁ

    Em 1989, os Estados Unidos intervêm militarmente no Panamá para depor e prender o ditador e ex-agente da CIA (Agência Central de Inteligência) general Manuel Noriega, sob a acusação de tráfico de drogas.

Noriega se refugia na Nunciatura Apostólica, a embaixada do Vaticano na Cidade do Panamá. Os soldados cercam a nunciatura com caixas de som poderosas e a bombardeiam com rock pesado a alto volume 24 horas por dia para não deixar ninguém dormir. O general se entrega em 3 de janeiro de 1990.

O general Cara de Abacaxi é sentenciado a 40 anos de prisão em abril de 1992. Cumpre 17 anos e é extraditado para a França, onde é condenado a 7 anos e meio de prisão por lavagem de dinheiro. Em 2011, a França o extradita para o Panamá, onde ele cumpre pena por crimes cometidos durante a ditadura.

Noriega morre de câncer no cérebro em 29 de maio de 2017.

FIM DO IMPÉRIO PORTUGUÊS

    Em 1999, doze anos depois de um acordo, Portugal devolve Macau à China, assim como o Reino Unido faz com Hong Kong dois anos antes. É o fim do imperialismo europeu na China e do Império Português, que começa com a conquista de Ceuta, no Marrocos, em 1415 e do qual o Brasil é o maior fruto.

A região administrativa especial de Macau fica no canto sudoeste do estuário do Rio das Pérolas, perto da cidade de Cantão (Guangzhou). Hong Kong fica do lado leste do estuário. Macau é formada por uma península que se projeta da Província de Cantão (Guangdong) e as ilhas de Taipa e Coloane. As línguas oficiais são o cantonês e o português, mas a grande maioria fala também inglês.

Os portugueses se estabelecem em Macau em 1557 e vão ocupando gradualmente a região. Macau tem grande desenvolvimento no fim do século 16 e no início do século 17. Entra em decadência quando os ingleses tomam, no fim da Primeira Guerra do Ópio (1839-42), Hong Kong, que se torna o porto mais importante daquela região da China.

Mesmo assim, Macau constrói em 1865 o primeiro farol no Mar do Sul da China, o Farol da Guia. Só em 1887, no Tratado de Cooperação Sino-Português, a China reconhece oficialmente a soberania portuguesa sobre Macau.

FORÇA ESPACIAL

    Em 2019, o presidente Donald Trump sanciona a Autorização de Defesa Nacional que cria a Força Espacial, um dos seis ramos das Forças Armadas dos Estados Unidos, ao lado de Exército, Marinha, Força Aérea, Corpo de Fuzileiros Navais e Guarda Costeira. Tem por lema Semper Supra, "sempre acima" em latim.


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sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 19 de Dezembro

CONTO DE NATAL

    Em 1843, Um Conto de Natal, de Charles Dickens é publicado pela primeira vez e logo se transforma num clássico da literatura.

Durante uma noite de frio e neve, Londres se prepara para celebrar o Natal, menos o velho Ebenezer Scrooge, um negociante rico, pão-duro, rabugento e solitário. Ele recebe a visita redentora do fantasma de Jacob Marley, seu ex-sócio falecido, que lamenta ter passado a vida inteira se preocupando só com dinheiro.

Depois de receber visitas de outros fantasmas, Scrooge entende o espírito natalino e se torna uma pessoa generosa.

Dickens escreve Um Conto de Natal para chamar a atenção dos britânicos para as condições de vida dos trabalhadores pobres. Seu pai era um trabalhador com um salário razoável que cometia extravagâncias. Em 1824, quando Dickens tem 12 anos, o pai é preso por dívidas e ele vai trabalhar numa fábrica. O episódio marca profundamente a vida do autor.

GUERRA DA INDOCHINA

    Em 1946, o Viet Minh, o movimento nacionalista de esquerda liderado por Ho Chi Minh, inicia a Primeira Guerra da Indochina (1946-54) na luta pela independência da França.

O Império Francês toma a Indochina e a torna um protetorado em 1883. Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-45), o Império do Japão toma boa parte do Sudeste da Ásia. Quando o Japão se rende oficialmente, em 2 de setembro de 1945, Ho Chi Minh declara independência.

Como a França não aceita, o Viet Minh trava uma guerra de guerrilhas que termina com a vitória na Batalha de Dien Bien Phu, em 7 de maio de 1954. Um acordo de paz assinado em Genebra em 21 de julho de 1954 divide o Vietnã entre o Norte comunista e o Sul, apoiado pelos Estados Unidos.

Em 1955, haveria eleições para unificar o país. Diante da expectativa de vitória comunista, os EUA suspendem as eleições e começa a Segunda Guerra da Indochina ou Guerra do Vietnã (1955-75). Os EUA começam a enviar assessores militares ainda no governo Dwight Eisenhower (1953-61) e entram diretamente na guerra em 1964. Fazem um acordo de paz com o Vietnã do Norte e saem do conflito em 1973.

A guerra termina com a vitória do Vietnã do Norte, comunista, em 30 de abril de 1975.

PAZ NO ESPAÇO EXTERIOR

    Em 1966, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprova o Tratado do Espaço Sideral ou do Espaço Exterior, um acordo internacional para proibir a militarização do espaço.

Os Estados Unidos e a União Soviética, as duas superpotências que dominam o mundo durante a Guerra Fria, encaminham suas propostas, que são conciliadas no texto aprovado pela Assembleia Geral. 

O Tratado sobre os Princípios que Regem a Atividade dos Estados na Exploração e Uso do Espaço Exterior, inclusive na Lua e outros corpos celestes, é aberto para assinatura em 27 de janeiro de 1967. Entra em vigor em 10 de outubro do mesmo ano.

REINO UNIDO ACEITA DEVOLVER HONG KONG

    Em 1984, a primeira-ministra britânica, Margaret Thatcher, e o líder chinês Deng Xiaoping chegam a um acordo para que o Reino Unido devolva Hong Kong à China em 1º de julho de 1997.

No início das negociações, a primeira-ministra britânica chegou a falar em prorrogar o Tratado de Nanquim (1842) e a Convenção de Beijim (1860), pelos quais o Império Britânico tomou a colônia no fim das Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60) sob o pretexto da abrir a China ao livre comércio, inclusive de ópio.

Depois de 22 rodadas de negociações ao longo de dois anos, Thatcher aceita ceder a que era considerada a última joia do Império Britânico. Em troca, Deng cria a fórmula "um país com dois sistemas", prometendo manter o sistema capitalista e as liberdades democráticas em Hong Kong durante pelo menos 50 anos.

Thatcher está entusiasmada com as reformas lançadas por Deng em 13 de dezembro de 1978 na esperança de que a abertura econômica e a adesão da China ao capitalismo levem a uma liberalização do regime comunista chinês. Mas o massacre do movimento dos estudantes pela paz e a democracia na Praça da Paz Celestial, em Beijim, em 4 de junho, acaba com a chance de uma abertura política.

Diante de ondas de protestos no território, que tem status de região administrativa especial da República Popular da China, o ditador Xi Jinping, no poder desde 2012, impôs uma Lei de Segurança Nacional que na prática acaba com a autonomia de Hong Kong e enterra a fórmula "um país com dois sistemas", criada também tendo em vista a reintegração de Taiwan, que Xi ameaça fazer à força.

MULHER NO PODER NA COREIA DO SUL

    Em 2012, Park Geun Hye é a primeira mulher eleita presidente da Coreia do Sul. Ela também se torna, em 2017, a primeira líder do país eleita democraticamente afastada num processo de impeachment.

Ela nasce em Daegu, na Coreia do Sul, em 2 de fevereiro de 1952, filha do ditador Park Chung Hee, que governa o país de 1961 até a morte, em 1979. Vai com a família para Seul nos anos 1950. Cresce na Casa Azul, o palácio presidencial sul-coreano.

Em 1974, ela vira primeira-dama depois que a mãe morre numa tentativa de assassinato do pai por um agente da Coreia do Norte. Cinco anos depois, o pai é assassinado pelo diretor da Agência Central de Inteligência da Coreia (KCIA), Kim Jae Kyu.

Park Geun Hye é eleita em 1998  deputada da Assembleia Nacional pelo conservador Grande Partido Nacional. É reeleita quatro vezes antes de se candidatar à Presidência. Na campanha, ela resgata o lema do pai, "vamos viver bem", pede desculpas aos que sofreram sob seu regime e promete retomar os altos índices de crescimento econômico.

Seu governo é marcado pelo naufrágio do ferryboat Sewol, com mais de 300 mortes, em abril de 3024, em que a guarda costeira é acusada de negligência no socorro às vítimas.

O escândalo que a derruba estoura em 2016. O maior jornal sul-coreano, Chosun Ilbo, revela que o governo ameaça grandes empresas com auditorias se não contribuírem para duas fundações, supostamente instituições beneficentes, sem fins lucrativos, ligadas a Choi Soon Sil, amiga, confidente, guia espiritual da presidente e líder de uma seita chamada Igreja da Vida Eterna. As empresas doam US$ 70 milhões às fundações.

Choi é presa em novembro de 2016. Em 9 de dezembro do mesmo ano, a Assembleia Nacional aprova o impeachment. Pela Constituição da Coreia do Sul, a Corte Suprema tem de confirmar o impeachment por dois terços dos votos. Em 10 de março de 2017, por unanimidade, o Supremo confirma a decisão dos deputados.

A ex-presidente é presa, processada e condenada a 24 anos de prisão e multa de US$ 17 milhões em 6 de abril de 2018. A sentença depois é ampliada para 33 anos de prisão. Em novo julgamento, em 2020, a pena é reduzida para 20 anos. Em 2021, o presidente Moon Jae In lhe dá o indulto presidencial. Park sai da cadeia em 31 de dezembro daquele ano.

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quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Hoje na História do Mundo: 18 de Dezembro

 MAYFLOWER IN PLYMOUTH

    Em 1620, depois de longa e tempestuosa viagem, os peregrinos do Mayflower ancoram onde hoje fica Plymouth, no estado de Massachusetts, para fundar uma colônia no Novo Mundo.

A história começa em 1606, quando um grupo de protestantes reformistas decide criar sua própria igreja. Acusados de traição, eles fogem para a Holanda. Doze anos depois, recebem ajuda de mercadores britânicos para criar uma colônia na América.

Os 102 peregrinos do Mayflower zarpam em 6 de setembro de 1620 pensando em chegar à colônia da Virgínia, mas o mau tempo desvia o navio para o norte. O nome Peregrinos do Mayflower é dado por William Bradford, primeiro governador da nova colônia.

Em 11 de novembro, o Mayflower chega ao Cabo Cod. Antes de irem para a terra em busca de um porto seguro, 41 peregrinos assinam um documento se comprometendo a criar um governo por consenso e a cumprir as leis da nova colônia.

Era 10 de dezembro quando um grupo descobre uma enseada e volta ao Mayflower. Com o mau tempo, o navio só aporta no dia 18.

Durante um inverno brutal, 50 peregrinos morrem. O Mayflower volta para a Inglaterra em 5 de abril de 1621. Um ano depois da chegada, os peregrinos festejam sua sobrevivência no primeiro Dia Nacional de Ação de Graças.

FIM OFICIAL DA ESCRAVIDÃO NOS EUA

    Em 1865, com a ratificação por três quartos dos estados, como exige a Constituição dos Estados Unidos, entra em vigor a 13ª Emenda, determinando que "nem a escravidão nem a servidão involuntária deve existir nos EUA ou em qualquer lugar submetido a sua jurisdição."

Antes da Guerra da Secessão (1861-65), o presidente Abraham Lincoln e a ala abolicionista do Partido Republicano querem apenas evitar que a escravidão avance para os novos estados e territórios do Oeste. Isto é inaceitável para os estados do Sul.

Em novembro de 1860, quando Lincoln é eleito, sete estados do Sul formam os Estados Confederados da América para sair da União e manter a escravatura. A Guerra Civil começa em 12 abril de 1861, pouco mais de um mês depois da posse do novo presidente, em 4 de março.

A Proclamação de Emancipação, em 1º de janeiro de 1863, transforma a guerra para manter a União numa luta pela abolição da escravatura. Esta mudança desestimula a França e o Reino Unido a apoiar o Sul e permite ao Norte alistar 180 mil soldados negros para a guerra.

Dois terços do Senado aprovam a 13ª Emenda em abril de 1864, mas a Câmara, que tinha uma grande bancada democrata, só faz isso em janeiro de 1865, três meses antes da rendição do comandante militar da Confederação, general Robert Lee, em Appotomax, em 9 de abril.

Em 2 de dezembro, o Alabama torna-se o 27º estado a ratificar a emenda, precondição para voltar à União, completando os três quartos exigidos pela Constituição. No dia 18 de dezembro, 246 anos depois que o primeiro grupo de escravos chegou à colônia de Jamestown, na Virgínia, a 13ª Emenda entra em vigor.

O QUEBRA-NOZES ESTREIA EM SÃO PETERSBURGO

    Em 1892, o balé O Quebra-Nozes, do compositor Peter Tchaikovsky (foto), estreia no Teatro Mariinsky, em São Petersburgo, a capital imperial da Rússia.

 A peça se baseia no livro O Quebra-Nozes e o Rei Camundongo, do escritor alemão Ernest Theodor Amadeus Hoffmann, sobre uma menina que fica amiga de um quebra-nozes que se torna vivo na véspera do Natal e a ajuda a enfrentar o rei malvado. É um livro sombrio. O coreógrafo Marius Petipa, do Balé Imperial da Rússia preferiu seguir uma adaptação mais leve feita pelo francês Alexandre Dumas.

Tchaikovsky começa a compor em fevereiro de 1891 e continua durante uma excursão pelos EUA em que participa da inauguração do Carnegie Hall, em Nova York. Na volta, em Paris, descobre um novo instrumento, a celesta, que será usado em O Quebra-Nozes.

É a terceira peça de Tchaikovsky para balé, depois de O Lago dos Cisnes e A Bela Adormecida. A crítica é feroz. O compositor morre antes de ver o sucesso de O Quebra-Nozes, o balé mais apresentado no mundo, uma introdução à música clássica para muitos jovens. Como é uma história natalina, é muito encenado na época do Natal.


FIM DA BATALHA DE VERDUN

    Em 1916, depois de 10 meses e 1 milhão de baixas, termina a Batalha de Verdun, a mais longa da Primeira Guerra Mundial (1914-18).

É uma das maiores batalhas da história e uma das mais arrasadoras da guerra. É um símbolo da resistência francesa e dos horrores da guerra industrial da era moderna, conhecida como o "moedor de carne de Verdun",

O combate começa em 21 de fevereiro, quando a Alemanha ataca o Exército da França em Verdun, na margem do Rio Meuse. O comandante militar alemão, general Erich von Falkenhayn, considera o Exército francês mais fraco do que o britânico e acredita que uma derrota levará os aliados a negociar a paz.

LÍDER DA OPOSIÇÃO ELEITO PRESIDENTE DA COREIA DO SUL

    Em 1997, Kim Dae Jung, que chega a ser preso e condenado a morte pela ditadura militar, é o primeiro líder da oposição a se eleger presidente da Coreia do Sul.
Kim nasce em 8 de janeiro de 1924 na ilha de Haui, no condado de Sinã, hoje parte da Coreia do Sul. Ele se forma como melhor aluno num curso comercial de ensino médio. Em 1943, entra para uma empresa japonesa da qual se torna dono em 1945. Durante a Guerra da Coreia (1950-53), é preso e condenado à morte pelos comunistas, mas consegue escapar.

Nos anos 1950, Kim se torna um militante pela democracia. Em 1954, critica as políticas autoritárias do ditador Syngman Rhee. Na quinta tentativa, ele se elege deputado em 1961, mas as eleições são anuladas por um golpe militar do general Park Chung Hee, que governa a Coreia do Sul até ser assassinado em 26 de outubro de 1979.

Durante a ditadura de Park, Kim, um brilhante orador de 40 anos quando perde o mandato, vira o principal líder da oposição. Ele se candidata a presidente contra Park em 1971 e perde com 40% dos votos. Em 1973, é sequestrado num hotel em Tóquio pela Agência Central de Inteligência da Coreia (KCIA) e levado de volta à Coreia do Sul. Em 1976, é preso por ser um ativista pró-democracia. Sai da prisão domiciliar em 1979, dois meses antes da morte de Park.

Kim Dae Jung é preso de novo em maio de 1980 por sedição e conspiração. É condenado à morte, mas o ditador Chun Doo Hwan comuta a pena, inicialmente para prisão perpétua e depois para 20 anos. Ele vai se tratar nos EUA em 1982 e fica exilado.

Ao voltar à Coreia do Sul, em 1985, Kim reassume a posição de líder da oposição. Ele concorre à Presidência e perde em 1987 e 1992. Em 1995, funda um novo partido, o Congresso Nacional por uma Nova Política, e finalmente conquista a vitória em 1997.

No poder, ele faz um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) para recuperar a economia sul-coreana depois da Crise da Ásia e melhora as relações com a Coreia do Norte. Sua política do brilho do sol permite que sul-coreanos visitem o Norte e reduz as restrições para investimentos no Norte.

De 13 a 15 de junho de 2000, Kim Dae Jung se encontra com o ditador norte-coreano Kim Jong Il na primeira reunião de cúpula entre os líderes das duas Coreias.

Como a Coreia do Sul não tem reeleição para presidente, Kim deixa o poder em 2003. Ele morre em Seul em 18 de agosto de 2009 aos 85 anos.

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