MORTE DE COPÉRNICO
Em 1543, morre em Frombork, hoje parte da Polônia, o astrônomo polonês Nicolau Copérnico.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
MORTE DE COPÉRNICO
Em 1543, morre em Frombork, hoje parte da Polônia, o astrônomo polonês Nicolau Copérnico.
CHINA ANEXA O TIBETE
Em 1951, a República Popular da China anexa o Tibete, que era independente desde o fim do Império Chinês, em 1912. Nasce o movimento pela independência do Tibete sob a liderança do Dalai Lama, que fala em autonomia para não provocar o regime comunista chinês.
A China é durante 2 mil anos o Império do Meio, o centro do mundo na Ásia. Entra em declínio e é vencida pelo Império Britânico nas Guerras do Ópio (1839-42 e 1856-60). A derrota para o Japão na Primeira Guerra Sino-Japonesa (1894-95) acaba com a ordem sinocêntrica na Ásia.Há uma última reação anti-imperialista na Guerra dos Boxers (1899-1901), mais uma derrota, e o Império Chinês acaba. O Tibete, parte do império desde o século 13, se torna independente.
Quando a revolução comunista liderada por Mao Tsé-tung conquista o poder, em 1º de outubro de 1949, entre os objetivos centrais estão restaurar a dignidade do povo chinês, humilhado pelos imperialismos ocidental e japonês, e as fronteiras históricas da China.
Pouco depois, Mao manda invadir o Tibete. Como o acesso é difícil, o Exército Popular de Libertação (EPL) leva 11 meses para chegar lá, em 6 de outubro de 1950. Sete meses depois, a China toma conta do Tibete, que mantém a estrutura administrativa sob o controle chinês.
IRLANDA LEGALIZA CASAMENTO GAY
Em 2015, a Irlanda, um dos países mais católicos do mundo, é o primeiro a legalizar o casamento num plebiscito, com 60,5% da participação e 62% dos votos a favor.
A Igreja Católica protesta. O cardeal Pietro Parolin descreve o resultado como uma "derrota para a humanidade".
É uma luta antiga. A homossexualidade era crime na Irlanda até 1993. Quando a data do plebiscito é marcada, em 19 de fevereiro, a campanha começa imediatamente.
GUERRA DAS DUAS ROSAS
Em 1455, as forças da Dinastia de York vencem o exército do rei Henrique VI (1422-61 e 1470-71), da Dinastia de Lancaster, em Saint Albans, a pouco mais de 30 quilômetros de Londres, dando início à Guerra das Duas Rosas (1455-85), uma disputa entre os herdeiros do rei Eduardo III (1327-77) pelo trono da Inglaterra.
Muitos nobres da Dinastia de Lancaster morrem, inclusive Edmundo de Beaufort, Duque de Somerset, grande amigo da rainha Margaret de Anjou. O rei é preso por Ricardo Plantageneta, Terceiro Duque de York. A guerra entre as dinastias de York, cujo escudo tinha uma rosa branca, e de Lancaster, da rosa vermelha, dura 30 anos.Quando Eduardo III morre, ascende ao trono seu neto Ricardo II (1377-99), de apenas 10 anos, porque o filho mais velho, Eduardo, conhecido como Príncipe Negro, morre antes do pai.
Seu reinado é marcado pela Revolta Camponesa, liderada por Wat Tyler, em 1381. Com o campo arrasado pela pandemia da peste bubônica, um imposto cobrado por pessoa deflagra a rebelião.
Os últimos anos do reinado de Ricardo II são marcados pela tirania. Quando ele vai à guerra na Irlanda, é derrubado por Henrique IV (1399-1413).
Henrique Bolinbroke é filho de João de Gaunt, filho de Eduardo III e irmão de Dona Philippa de Lancastre, rainha de Portugal, casada com Dom João I e mãe do Infante Dom Henrique. Por parte de mãe, Henrique IV é neto de Felipe IV, da França. É o primeiro rei desde a Invasão Normanda, em 1066, a discursar em inglês na cerimônia de coroação.
Seu filho Henrique V (1413-22) invade a França, vence a Batalha de Agincourt e reivindica a coroa francesa. Henrique VI não tem as qualidades exigidas de um monarca. Perde quase tudo que o pai conquistara na França.
Em 1453, o rei dá sinais de insanidade. Ricardo, Duque de York, descendente do terceiro filho de Eduardo III, é nomeado Lorde Protetor. Henrique VI descende do quarto filho de Eduardo III. Quando o rei se recupera, em 1454, afasta o pessoal de York, que via como ameaça a seu filho.
Com um exército de 3 mil homens, York marcha rumo a Londres, no início da guerra. Henrique VI consegue recuperar o trono, mas com vitórias em 1459 e 1460 York ganha o direito de herdar a coroa. Lancaster reage a mata Ricardo, Duque de York, em dezembro de 1460.
Eduardo, filho de Ricardo de York, chega a Londres antes da rainha Margaret de Anjou e é coroado como Eduardo IV (1461-70 e 1471-83). Em seguida, consolida o poder com uma vitória decisiva em 29 de março de 1461, na Batalha de Towton, a mais sangrenta travada em solo inglês, quando cerca de 50 mil homens se enfrentam durante 10 horas sob a neve no Domingo de Ramos.
Henrique VI, Margaret de Anjou e o filho fogem para a Escócia. Termina a primeira parte da guerra.
Em 1470, Henrique VI recupera o trono. Eduardo IV volta do exílio no ano seguinte, derrota as forças de Margaret de Anjou, e mata o filho dela e de Henrique VI, que é preso e morre na Torre de Londres.
Eduardo IV governa até morrer. Seu filho mais velho é coroado como Eduardo V, mas seu tio Ricardo III, nomeado Lorde Protetor, usurpa o trono e prende os principezinhos na Torre Londres, onde eles são mortos.
Em agosto de 1485, Henrique Tudor, à frente do exército de Lancaster, vence Ricardo III na Batalha de Bosworth. É o fim da Guerra das Duas Rosas e da Idade Média na Inglaterra. Sobe ao trono a Dinastia Tudor, que com Henrique VIII (1509-47) rompe com o Vaticano e cria a Igreja da Inglaterra em 1534 para se divorciar na busca de um filho homem para evitar uma guerra na sua sucessão, e começa a construir o Império Britânico sob Elizabeth I (1558-1603).
TERREMOTO DE VALDÍVIA
Em 1960, o Terremoto de Valdívia, o sismo mais violenta da história, com magnitude de 9,5 graus na escala abertura de Richter, abala a costa leste do Chile, mata cerca de 5,7 mil pessoas, fere mais de 2 milhões e provoca um maremoto que atinge lugares distantes no Oceano Pacífico como o Japão, o Havaí, onde morrem 62 pessoas, as Filipinas, onde morrem 31 pessoas, e a costa oeste dos Estados Unidos.
O Terremoto de Valdívia começa às 15h11 com a maior ruptura tectônica registrada até hoje, ao longo de mil quilômetros, entre a Placa de Nazca e a Placa Sul-Americana, na fosse oceânica Peru-Chile. Dura 10 minutos. O epicentro fica a 570km ao sul de Santiago e o hipocentro a 33km de profundidade. Uma onda de 8m atingiu a costa chilena entre Concepción e Chiloé a 150 km/h de velocidade.
NIXON EM MOSCOU
Em 1972, Richard Nixon é o primeiro presidente dos Estados Unidos a ir a Moscou e o segundo a visitar a União Soviética.
As viagens do presidente Nixon, um anticomunista ferrenho, à China e à URSS em 1972 marcam o início de um período de degelo na Guerra Fria conhecido como détente, quando houve um diálogo entre as superpotência, que vai até a invasão do Afeganistão pela URSS no Natal de 1979.
Um marco inicial é a viagem secreta do então assessor de Segurança Nacional da Casa Branca, Henry Kissinger, grande articulador desta política, à China em setembro de 1971 para preparar a visita de Nixon, que vai primeiro a Beijim e depois a Moscou. A aproximação à China e à URSS levou à retirada dos EUA dos Vietnã.
Numa reunião de cúpula, Nixon e o ditador Leonid Brejnev, secretário-geral do Partido Comunista da URSS, assinaram acordos importantes como o Primeiro Tratado de Limitação de Armas Estratégicas (SALT-1), um acordo sobre incidentes no mar e o Tratado de Mísseis Antibalísticos (ABM), também conhecido pela slgla MAD (Destruição Mutuamente Assegurada em inglês), que significa louco em inglês.
Este tratado proíbe a instalação de defesas antimísseis. Em caso de guerra nuclear, os dois lados arrasariam um ao outro sem qualquer defesa. É o equilíbrio do terror nuclear. Mas começam a ser assinados os acordos que levam ao fim da Guerra. Todos caducam, menos o Terceiro Tratado de Redução de Armas Estratégicas (START-3), prorrogado até 5 de fevereiro de 2026.
No momento, com a guerra de agressão da Rússia contra a Ucrânia, que o ditador Vladimir Putin apresenta como um conflito com o Ocidente, não há a menor condição para negociar acordos de desarmamento e controle de armas.
SEMANA SANGRENTA EM PARIS
Em 1871, a Comuna de Paris, uma revolta popular contra o governo provisório de Adolphe Tiers na França, é alvo de uma onda de repressão violenta conhecida como Semana Sangrenta.
A Comuna de Paris é uma insurreição contra o governo francês. Deflagrada em 18 de março, vai até 28 de maio. É resultado da derrota para a Alemanha na Guerra Franco-Prussiana (1870-71) e do colapso do Segundo Império (1852-70) sob Napoleão III.
A Assembleia Nacional eleita em fevereiro de 1871 para fazer a paz com a Alemanha tem uma maioria monarquista que reflete o conservadorismo das províncias. Os republicanos de Paris temem que a assembleia reunida em Versalhes restaure a monarquia.
Os revolucionários ganham as eleições municipais de 26 de março. O programa radical da comuna é adotado. Mas comunas de Marselha, Lyon, Saint-Étienne e Toulouse são rapidamente derrotadas. E os fédérés não tem organização militar para enfrentar uma máquina de guerra.
Em 21 de maio, as tropas do governo entram numa região não defendida de Paris. Na Semana Sangrenta, esmagam a comuna, que se defende com barricadas nas ruas da capital francesa e incêndios em prédios públicos.
Pelo menos 877 soldados morrem e outros 187 desaparecem nesta guerra civil. Do lado da Comuna de Paris, são 6.667 mortes confirmadas.
BOMBA DE HIDROGÊNIO EM BIKINI
Em 1956, um avião bombardeiro dos Estados Unidos joga uma bomba de hidrogênio sobre a ilha de Namu, no Atol de Bikini, no Oceano Pacífico, mostrando que a bomba H pode ser transportada de avião, num novo salto na corrida armamentista nuclear.
Os EUA testam armas nucleares em Bikini desde 1946, com explosões terrestres. Neste teste, um bombardeiro B-52 joga a bomba a uma altitude de mais de 15 mil metros. A explosão acontece a cerca de 4,6 quilômetros do solo, com uma energia de 15 megatons, equivalente a 15 milhões de toneladas de dinamite.
Num dos processos mais sensíveis desde a criação do Tribunal Penal Internacional (TPI), o procurador-geral, o jurista britânico Karim Khan, pediu na segunda-feira a prisão dois líderes de Israel e três do Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) por crimes de guerra cometidos durante o ataque terrorista de 7 de outubro a Israel e a guerra subsequente na Faixa de Gaza. A decisão de três juízas deve sair em duas a três semanas, mas pode demorar meses.
A palavra extermínio tem peso especial porque é o que caracteriza o crime de genocídio, que está sendo discutido no Tribunal Internacional de Justiça das Nações Unidas a pedido da África do Sul e de outros países.
Os líderes do Hamas, o chefe na Faixa de Gaza, Yahya Sinwar, considerado o principal mentor do ataque de 7 de outubro, o comandante militar, Mohammed Deif, e o mais alto dirigente político do grupo, Ismail Haniya, são denunciados por crimes de guerra e contra a humanidade por extermínio, assassinato, sequestro, tortura, tratamento cruel, atentado à dignidade da pessoa humana, violações e violência sexual de pessoas em cativeiro.
Israel não aderiu ao Estatuto de Roma. Não é um país-membro do TPI. Os Estados Unidos, a China, a Rússia e o Catar, onde vive a liderança do Hamas, também não. Grandes potências não submetem seus cidadãos a jurisdição de tribunais internacionais. Mas a Palestina faz parte. Da mesma forma, o sequestro e deportação de crianças ucranianas que justifica o pedido de prisão do ditador russo, Vladimir Putin, em março do ano passado, aconteceu em território ucraniano e a Ucrânia é um país-membro do TPI.
A ordem de prisão era esperada há semanas. A expectativa é que incluísse o comandante das Forças Armadas de Israel, general Herzi Halevi. O procurador Karim Khan avisou que pode haver novas denúncias.
Netanyahu protestou contra "um ultraje de proporções históricas" ao ser equiparado a um grupo terrorista, atribuiu o pedido de prisão "ao fogo do antissemitismo que se alastra pelo mundo" e prometeu continuar a guerra até a vitória toral. Mas o jornal liberal israelense Haaretz observa que o pedido do procurador "cria uma equivalência jurídica e moral".
Os EUA e a Alemanha defenderam Israel. O presidente Joe Biden afirmou que "não há equivalência entre Israel e o Hamas" e que "a guerra em Gaza não é genocídio". O secretário de Estado, Antony Blinken, expressou a "total rejeição" dos EUA à decisão e advertiu que "pode prejudicar as negociações de cessar-fogo", o que é um exagero porque os dois lados foram denunciados. A França apoiou a "independência do tribunal" na "luta contra a impunidade".
Sempre se colocando na posição de vítima, o Hamas "condena firmemente" a decisão do procurador por "igualar a vítima ao agressor".
Khan se baseou em depoimentos dos sobreviventes e declarações dos acusados. Em 9 de outubro, o ministro da Defesa de Israel anunciou "um cerco total a Gaza", deixando o território palestino sem energia elétrica, água e comida e bloquear a entrada de ajuda humanitária. "Nós combatemos animais humanos", declarou na época Gallant.
A advogada Amal Clooney, mulher do ator George Clooney, fez parte da equipe que revisou as acusações do procurador-geral para ver se estão de acordo com os estatutos do tribunal. Ela comentou que "a lei que protege civis na guerra foi desenvolvida há mais de 100 anos e se aplica a todos conflitos do mundo independentemente da razão dos conflitos."
"Como advogada defensora dos direitos humanos, não posso aceitar que uma criança valha mais do que outra", acrescentou Ms Clooney. "Não aceito que nenhum conflito esteja fora do alcance da lei nem que qualquer agressor esteja acima da lei."
No passado, além de Putin, o tribunal pediu a prisão do ditador do Sudão Omar Bachir pelo Genocídio de Darfur e do ditador da Líbia Muamar Kadafi.
O caso, em princípio, não altera a realidade no campo de batalha, a não ser que Israel se contenha para mostrar que não comete os crimes imputados. Mas vai aumentar a pressão nos EUA e na Europa contra a venda de armas a Israel.
O presidente Ebrahim Raisi e o ministro do Exterior do Irã, Hossein Amir-Abdollahian, morreram domingo à noite num acidente de helicóptero em meio a forte neblina perto da fronteira com o Azerbaijão.
Raisi era um linha-dura que chegou ao poder com a desmoralização da ala mais moderada da ditadura teocrática iraniana. Essa ala negociou no governo Barack Obama com os EUA e as outras grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (China, França, Reino Unido e Rússia) um acordo para congelar a parte militar do programa nuclear do Irã. Em 8 de maio de 2018, o então presidente Donald Trump abandonou o acordo.
No fim dos anos 1980, Raisi foi um dos juízes de morte, que condenaram à morte entre mil e 30 mil iranianos, com número mais provável em torno de 5 mil, dizimando a oposição de esquerda à República Islâmica.
Ele concorreu à Presidência em 2017 pela conservadora Frente Popular das Forças da Revolução contra o então presidente, Hassan Rouhani, que tentou uma aproximação com o Ocidente ao negociar o acordo nuclear. Perdeu por 57% a 38,3%. Em 2021, foi eleito com 62% dos votos.
Homem de confiança do Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, o ditador de fato do Irã, Raisi foi duro na repressão a qualquer oposição ao regime, por exemplo, nos protestos contra a morte da menina Mahsa Amini, torturada pela polícia da moralidade por não usar o véu islâmico corretamente. Pelo menos 537 pessoas foram mortas pelas forças de segurança.
Ibrahim Raisi era um candidato em potencial à sucessão de Khamenei, que tem 85 anos e teve câncer na próstata. As autoridades têm agora 50 dias para convocar nova eleição presidencial, o que sempre gera uma disputa de poder dentro do regime teocrático iraniano. Mas o núcleo central do regime não é abalado porque em última análise manda o líder supremo.
Em política externa, com a volta das sanções dos EUA e a guerra da Rússia contra a Ucrânia, o Irã se aproximou do eixo China e Rússia por terem um inimigo comum, os EUA.
O presidente tinha muitos inimigos dentro e fora do Irã, mas não se falou até agora de indícios de sabotagem.
VASCO DA GAMA CHEGA À ÍNDIA
Em 1498, o navegador português Vasco da Gama chega a Calicute, tornando-se o primeiro europeu a chegar à Índia pelos oceanos Atlântico e Índico, contornando a costa da África.
Em Calicute, Vasco da Gama enfrenta a hostilidade de mercadores muçulmanos e tem de lutar para voltar a Portugal, onde chega em setembro de 1499. Ele volta à Índia em 1502 para vingar um massacre de portugueses. Em 1524, é enviado como vice-rei da Índia, onde contrai malária e morre na cidade de Cochim, em 24 de dezembro de 1524.
MORTE DE COLOMBO
Em 1506, o navegador genovês Cristóvão Colombo, primeiro europeu a explorar a América desde que os vikings estabeleceram colônias na Groenlândia e no Canadá, no século 10, morre em Valladolid, na Espanha, sem saber que descobrira um novo continente. Ele acredita ter chegado às Índias.
Depois de ser rejeitado uma vez pelo rei Dom João II, de Portugal, e duas vezes pelos reis da Espanha, Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela, na terceira tentativa, os reis católicos, fortalecidos pela conquista de Granada e a expulsão dos mouros da Península Ibérica em 2 de janeiro de 1492, decidem bancar a viagem.
Em 3 de agosto do mesmo ano, Colombo sai de Palos com três pequenos navios, Santa Maria, Pinta e Niña, e chega à América em 12 de outubro, provavelmente a uma das ilhas Bahamas. No mês seguinte, vai a Cuba. Em dezembro funda uma pequena colônia na ilha de Hispaniola, hoje dividida entre Haiti e República Dominica.
Ao todo, Colombo faz quatro viagens à América sem se dar conta de que não estava na Ásia. Em 1507, um ano após sua morte, é publicado o primeiro mapa múndi, incluindo o novo continente, batizado como América em homenagem ao navegador florentino Américo Vespúcio, que a chamara de Novo Mundo.
LEI DE TERRAS
Em 1862, o presidente Abraham Lincoln sanciona a Lei de Propriedade Rural dos Estados Unidos, que garante a propriedade de até 160 acres (64 hectares) de terras pública sem qualquer ônus para quem vive na terra e a cultiva por pelo menos 5 anos.
Assim, o acesso à terra nos EUA se dá através da posse. No Brasil, em contraste, a lei de terras é de 1850 e estabelece como princípio de acesso à terra a propriedade. Desta maneira, os grandes fazendeiros compram terras para seus descendentes, enquanto a maioria não tem acesso à terra e trabalha como agregado às grandes propriedades.
TRÍPLICE ALIANÇA
Em 1882, a Alemanha, a Áustria-Hungria e a Itália formam a Tríplice Aliança, um acordo militar defensivo para se proteger de ataques de outras potências europeias. Com o início da Primeira Guerra Mundial (1914-18), a Itália deixa a aliança em 1915 sob a alegação de que é só para defesa.
A Alemanha e a Áustria-Hungria são estreitamente ligadas desde 1879. A Itália busca apoio contra a França, inimiga histórica da Alemanha, que se unifica depois da Guerra Franco-Prussiana (1870-71).
O principal responsável pela Tríplice Aliança é o chanceler (primeiro-ministro) alemão, Otto von Bismarck, o Marechal de Ferro, interessado em preservar o status quo na Europa para evitar que a França tente reconquistar a Alsácia e a Lorena.
Como a Primeira Guerra Mundial começa com uma declaração de guerra da Áustria-Hungria à Sérvia em 28 de julho de 1914, um mês depois do assassinato do herdeiro do trono austro-húngaro em Sarajevo, na Bósnia, a Itália inicialmente não entra na guerra sob a alegação de que a Áustria é agressora.
Em 1915, a Itália abandona a Tríplice Aliança e entra na guerra ao lado da Tríplice Entente (Reino Unido, França e Rússia), formada em 1907.
No fim da guerra, com a derrota da Tríplice Aliança, desaparecem os impérios Alemão, Austro-Húngaro e Otomano (turcos), que adere às potências centrais. Também desaparece o Império Russo, que perde a guerra para a Alemanha antes da derrota final alemã em 11 de novembro de 1918.
PRIMEIRO VOO TRANSATLÂNTICO
Em 1926, o aviador norte-americano Charles Lindbergh parte para o primeiro voo sem parar através do Oceano Atlântico. Vai de Nova York a Paris no avião monomotor Espírito de São Luís em 33 horas e meia.
O jovem Lindbergh deixa a Universidade de Wisconsin em Madison no segundo ano para se dedicar à aviação. Entra para uma escola em Lincoln, em Nebraska, e compra um avião Jenny da Primeira Guerra Mundial para viajar pelo Sul e o Meio-Oeste dos EUA.
Depois de ficar um ano numa escola de pilotos do Exército, Lindbergh vai ser piloto do correio aéreo. Em 1926, faz a rota de São Luís, no Missouri, a Chicago, em Illinois. Aí surge a ideia de concorrer ao Prêmio Orteig, de US$ 25 mil, oferecido a quem primeiro cruzar o Atlântico sem parar.
De 10 a 12 de maio de 1926, LIndbergh leva o Espírito de São Luís de São Diego para Nova York com escala em São Luís.
Depois de dias de atraso por causa do meu tempo, ele decola do Campo Roosevelt, em Long Island, ao lado de Nova York, às 7h52 de 20 de maio. Pouco antes do anoitecer, sobrevoa a Terra Nova, no Canadá, e se aventura em mar aberto. Chega ao aeroporto de Le Bourget, perto de Paris, 33 horas e meia e 5,8 mil km depois, às 22h21 de 21 de maio.
A vida do herói é tumultuosa. Em março de 1932, Charles Augustus Jr., filho de Charles e Anne Lindbergh, é sequestrado e encontrado morto.
O casal sai dos EUA e vai para a Europa em dezembro de 1935, primeiro para a Inglaterra e depois para a Alemanha, onde Lindbergh claramente flerta com as ideias de supremacia racial do nazismo, que via como única força capaz de conter o comunismo da União Soviética, a maior ameaça em sua opinião.
De volta aos EUA, Lindbergh defende a neutralidade dos EUA na Segunda Guerra Mundial (1939-45) e trava um debate com o presidente Franklin Roosevelt em 1941, quando a intervenção militar norte-americana parece inevitável, antes do ataque japonês a Pearl Harbor em 7 de dezembro de 1941. Lindbergh tem um comício do grupo América Primeiro (o mesmo slogan de Donald Trump) em dezembro, que é cancelado.
Durante a guerra, Lindbergh é enviado para a Guerra no Pacífico em abril de 1944 e participa de 50 mísseis de combate como tripulante que arma e dispara bombas e tiros de artilharia. Mas ele era acima de tudo um técnico. Reduz o consumo de combustível dos aviões P-38, aumentando a autonomia de voo e o alcance dos ataques.
Depois da guerra, o casal levou uma vida tranquila em Connecticut e no Havaí, onde Charles Lindbergh morre em 26 de agosto de 1974 aos 72 anos.
ANA BOLENA DECAPITADA
Em 1536, condenada por adultério, Ana Bolena, a segunda das seis mulheres do rei Henrique VIII, da Inglaterra, e mãe da futura rainha Elizabeth I, é decapitada na Torre de Londres.
Henrique VIII nasce em Greenwich em 28 de junho de 1991. É filho de Henrique Tudor, que derrota o rei usurpador Ricardo III na Batalha de Bosworth, em 22 de agosto de 1485, e vence a Guerra das Duas Rosas (1455-1487), a guerra entre as dinastias de Lancaster e York, herdeiras de Eduardo III, e se torna Henrique VII, o primeiro rei da dinastia Tudor.
A grande preocupação de Henrique VIII é ter um filho homem para evitar uma guerra de príncipes pela sucessão. Mas Catarina de Aragão, filha dos reis católicos da Espanha, Fernando II de Aragão e Isabel I de Castela, lhe dá uma filha mulher, Maria Tudor, futura Maria I.
Desde 1527, Henrique VIII pressiona o papa Clemente VII a anular o casamento, mas seu rival, o rei Carlos V, da Espanha, imperador do Sacro Império Romano-Germânico, o mais poderoso dos reis da Europa naquela época, que sonha com uma "monarquia universal", faz pressão no sentido contrário.
Filha de Tomás Bolena e Elizabeth Howard, Ana Bolena é educada na Holanda, na corte de Maragarida arquiduquesa da Áustria, e depois vai para a França ser dama de companhia da rainha Cláudia de Valois, esposa de Francisco I. Ela volla à Inglaterra em 1522.
Dois anos e meio depois, Ana conhece Henrique VIII e resiste às investidas do rei para se tornar seu amante como a irmã Maria Bolena. Em 1532, em Calais, os dois se tornam amantes.
Ele se divorcia de Catarina de Aragão, motivo do rompimento com a Igreja Católica em 1534, para se casar secretamente em 25 de janeiro de 1533 com Ana Bolena, que em setembro lhe dá outra filha mulher, a futura Elizabeth I, a mulher mais poderosa da história da Inglaterra.
O casamento com Catarina de Aragão é anulado 23 de maio de 1533. Pouco depois, Henrique VIII e o arcebispo de York, Thomas Wolsey, são excomungados. Em 3 de novembro de 1534, Henrique VIII cria a Igreja da Inglaterra e se torna seu primeiro chefe. Até hoje, o rei da Inglaterra é o chefe da Igreja Anglicana. Na coroação de Carlos III, houve cerimônia em várias religiões para reconhecer a diversidade cultural do Reino Unido hoje.
Ao todo, Henrique VIII casa com seis mulheres. A terceira, Jane Seymour, lhe dá o filho homem, Eduardo VI, fraco e doente..
Ana Bolena é presa em 2 de maio de 1536 sob acusações de adultério, incesto e traição, e decapitada na Torre de Londres.
Quando Henrique VIII morre, em 28 de janeiro de 1547, o único filho legítimo homem, Eduardo VI, ascende ao trono com nove anos. Com a saúde frágil, morre aos 15 nos, em 6 de julho de 1553. É sucedido por Lady Jane Gray, filha de uma irmã de Henrique VIII, a Rainha dos Nove Dias.
Quem herda o trono é Maria I, a primeira mulher a reivindicar com sucesso o trono da Inglaterra. Ele se casa com Felipe II, da Espanha, filho de Carlos V, do Sacro Império Romano-Germânico, mas não tem filhos. Católica, tenta reverter a Reforma Protestante na Inglaterra.
Maria I morre em 17 de novembro de 1558. É sucedida por Elizabeth I, filha de Ana Bolena, que retoma a Reforma Protestante e começa a construir o Império Britânico. Conhecida como a Rainha Virgem, morre sem deixar filhos em 1603.
Elizabeth I é sucedida por Jaime I da Inglaterra e Jaime VI da Escócia, católico, filho de sua inimiga Maria Stuart, que manda construir um túmulo para a mãe na Abadia de Westminster do mesmo nível do de Elizabeth I.
O conflito entre católicos e protestantes leva à Guerra Civil Inglesa do século 17. Carlos I, filho de Jaime I, é decapitado em 30 de janeiro de 1649, início de um breve período republicano na história da Inglaterra. A guerra só termina a Revolução Gloriosa 1688, que produz a Declaração de Direitos de 1689, estabelece a supremacia do Parlamento e torna a Inglaterra numa monarquia constitucional.
GUERRA DOS TRINTA ANOS
Em 1643, durante a Guerra dos Trinta Anos (1618-48), o Exército da França, sob o comando de Luís II de Bourbon, vence a Espanha na Batalha de Rocroi, na região francesa de Ardennes, e acaba com a supremacia militar espanhola na Europa depois de 120 anos. No fim da guerra, a França se torna a maior potência militar do continente.
É no início um conflito religioso que começa dentro do Sacro Império, com os católicos austríacos e espanhóis lutandocontra os reinos e principados protestantes. Depois das intervenções da Dinamarca (1625-29) e da Suécia (1630-35) do lado dos protestantes, a França intervém em 1635 sob a liderança do Cardeal de Richelieu, primeiro-ministro do rei Luís XIII.
A Guerra dos Trinta Anos é o conflito que provoca as invasões holandesas no Nordeste do Brasil e o fim da União Ibérica, o período da história do Brasil conhecido como Domínio Espanhol (1580-1640), quando o rei da Espanha reinava também em Portugal. Richelieu fomenta a Revolta de Lisboa, em 1º de maio de 1640, para Portugal recuperar a independência e enfraquecer a Espanha.
Cinco dias após a ascensão de Luís XIV ao trono da França com menos de cinco anos, a França quebra em Rocroi o mito da invencibilidade espanhola nas guerras europeias.
LAWRENCE DA ARÁBIA MORRE EM ACIDENTE DE MOTO
Em 1935, seis dias depois de um acidente de motocicleta na estrada em Dorset, no interior da Inglaterra, morre aos 46 anos Thomas Edward Lawrence, mais conhecido como Lawrence da Arábia, o oficial de inteligência britânico que aderiu à Revolta Árabe (1916-18) para vencer o Império Otomano (turco) na Primeira Guerra Mundial (1914-18).
Dois anos depois, Lawrence consegue uma bolsa para uma expedição arqueológica que escava um assentamento hitita no Rio Eufrates durante três anos. Ele aprende árabe e viaja pelo Oriente Médio.
Em 1914, explora a Península do Sinai, no Egito, na época controlado pelo Império Britânico, na fronteira com o Império Otomano. Com seu conhecimento sobre o Oriente Médio, Lawrence se alista como oficial de inteligência quando começa a guerra. Fica baseado no Cairo como analista de informações.
Quando o emir de Meca, Hussein Ibn Ali, proclama a Revolta Árabe contra a dominação turca, em 1916, vai numa missão diplomática britânica à Arábia, convence seus superiores a apoiar a rebelião e se torna oficial de ligação com o exército de Hussein.
Sob a liderança de Lawrence, os árabes lançam uma guerra de guerrilhas. Em julho de 1917, eles tomam Ácaba, junto ao Sinai, onde se juntam às forças britânicas e marcham para Jerusalém. Lawrence é promovido a coronel.
Em novembro, é capturado como agente secreto em território inimigo, preso, torturado e abusado sexualmente pelos turcos. Ele consegue escapar a se junta ao Exército na tomada de Damasco, em outubro de 1918, a vitória final sobre os turcos.
Depois da guerra, Lawrence espera que a Arábia se una num grande país cobrindo toda a península. Decepcionado com a divisão fomentada pelo Império Britânico e o tribalismo árabe, volta para o Reino Unido.