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segunda-feira, 20 de maio de 2024

Presidente do Irã morre em queda de helicóptero

O presidente Ebrahim Raisi e o ministro do Exterior do Irã, Hossein Amir-Abdollahian, morreram domingo à noite num acidente de helicóptero em meio a forte neblina perto da fronteira com o Azerbaijão.

Raisi era um linha-dura que chegou ao poder com a desmoralização da ala mais moderada da ditadura teocrática iraniana. Essa ala negociou no governo Barack Obama com os EUA e as outras grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (China, França, Reino Unido e Rússia) um acordo para congelar a parte militar do programa nuclear do Irã. Em 8 de maio de 2018, o então presidente Donald Trump abandonou o acordo.

No fim dos anos 1980, Raisi foi um dos juízes de morte, que condenaram à morte entre mil e 30 mil iranianos, com número mais provável em torno de 5 mil, dizimando a oposição de esquerda à República Islâmica.

Ele concorreu à Presidência em 2017 pela conservadora Frente Popular das Forças da Revolução contra o então presidente, Hassan Rouhani, que tentou uma aproximação com o Ocidente ao negociar o acordo nuclear. Perdeu por 57% a 38,3%. Em 2021, foi eleito com 62% dos votos.

Homem de confiança do Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, o ditador de fato do Irã, Raisi foi duro na repressão a qualquer oposição ao regime, por exemplo, nos protestos contra a morte da menina Mahsa Amini, torturada pela polícia da moralidade por não usar o véu islâmico corretamente. Pelo menos 537 pessoas foram mortas pelas forças de segurança.

Ibrahim Raisi era um candidato em potencial à sucessão de Khamenei, que tem 85 anos e teve câncer na próstata. As autoridades têm agora 50 dias para convocar nova eleição presidencial, o que sempre gera uma disputa de poder dentro do regime teocrático iraniano. Mas o núcleo central do regime não é abalado porque em última análise manda o líder supremo.

Em política externa, com a volta das sanções dos EUA e a guerra da Rússia contra a Ucrânia, o Irã se aproximou do eixo China e Rússia por terem um inimigo comum, os EUA.

O presidente tinha muitos inimigos dentro e fora do Irã, mas não se falou até agora de indícios de sabotagem.

sábado, 20 de maio de 2017

Irã reelege o presidente moderado Hassan Rouhani

Com mais de 80% dos votos apurados na eleição presidencial realizada ontem no Irã, o presidente Hassan Rouhani obteve uma vantagem insuperável e está reeleito, informou o jornal liberal israelense Haaretz citando fontes oficiais do Irã. 

"Acabou. Rouhani é o vencedor", resumiu um funcionário iraniano citado pelo Haaretz. Seu adversário da linha dura, Ebrahim Raisi, denunciou fraude e ainda não reconheceu a derrota.

Mais de 40 milhões de iranianos votaram na sexta-feira, a folga religiosa semanal dos muçulmanos. Com 37 milhões de votos apurados, o aiatolá moderado Rouhani, de 68 anos, lidera com 21,6 milhões contra 14 milhões para o linha-dura Raisi, de 56 anos.

O comparecimento foi de cerca de 70%, semelhante ao de 2013, quando Rouhani foi eleito prometendo se reaproximar do Ocidente para negociar o fim das sanções econômicas, recuperar a economia do país e aumentar as liberdades públicas.

Quatro anos depois, o regime dos aiatolás não mudou. O Conselho dos Guardiães da Revolução vetou mais de mil candidatos à Presidência da República Islâmica do Irã.

"Votei em Rouhani para evitar a vitória de Raisi. Não quero um linha-dura como meu presidente", declarou Ziba Ghomeyshi em Teerã. "Esperei cinco horas na fila para votar."

Em 2015, o Irã fechou um acordo com as cinco grandes potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha para congelar seu programa nuclear militar por dez anos, em troca do levantamento das sanções internacionais.

Como a recuperação da economia foi fraca por causa dos baixos preços do petróleo, a oposição fez campanha denunciando a corrupção e a desigualdade. Mas a eleição acabou virando um referendo sobre o acordo nuclear com os Estados Unidos e as outras grandes potências - e Rouhani venceu.

Os resultados oficiais devem ser anunciados ainda neste sábado. No fim da apuração, o presidente foi reeleito com 57% dos votos.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Rouhani lidera pesquisa mas enfrenta união da linha dura no Irã

O presidente Hassan Rouhani, tido como demorado, é o favorito, mas, de acordo com as pesquisas, deve ser obrigado a disputar um segundo turno na eleição presidencial na República Islâmica do Irã e corre até risco de perder. As forças conservadoras estão se unindo contra ele no primeiro turno.

Para aumentar as chances dos conservadores, o prefeito de Teerã, Mohammad Ghabalif, anunciou hoje que está abandonando a disputa.

No primeiro turno, daqui a quatro dias, em 19 de maio de 2017, 42% devem votar em Rouhani, indica uma sondagem feita por telefone em 7 e 8 de maio pela Agência de Pesquisas Estudantes Iranianos (ISPA). Em seguida, vem o clérigo linha-dura Ebrahim Raisi, com 27% e Ghalibaf, com 25%. Se o prefeito conseguir transferir seus votos para Raisi, Rouhani perde.

Outra pesquisa, feita por telefone entre 8 e 11 de maio, pela agência Perspectivas Internacionais sobre a Opinião Pública (IPPO), deu 29% a Rouhani, 12% a Ghabalif e 11% a Raisi, com margem de erro de 3,72%.

Cerca de 28% disseram estar indecisos e 20% não quiseram participar. Como mais da metade dos seus eleitores não pretendem mudar o voto, os pesquisadores admitem a possibilidade de vitória do presidente no primeiro turno, mas a união dos conservadores é uma grande ameaça.

A República Islâmica do Irã foi um dos primeiros regimes revolucionários a convocar eleições, mas muitos candidatos são vetados por conselhos de aiatolás, anciães e sábios do regime.

Rouhani, de 68 anos, estudou na Universidade Caledônia de Glasgow, na Escócia. Concorre pelo Partido da Moderação e do Desenvolvimento. Está longe de ser considerado liberal como o ex-presidente Mohamed Khatami (1997-2005). Foi eleito em 2013 prometendo uma reaproximação com o Ocidente, o fim das sanções internacionais e da crise econômica.

Sua eleição permitiu o acordo com as cinco grandes potências com direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha para desarmar o programa nuclear iraniano. Esse acordo é denunciado pela linha dura como uma "traição" e um "sinal de fraqueza".

As sanções foram parcialmente suspensas e o país voltou ao mercado internacional, mas a situação econômica é difícil. Na campanha, os dois principais candidatos se acusaram mutuamente pela desigualdade e a corrupção.

Raisi, de 56 anos, formado no seminário da cidade sagrada de Kom, concorre pelo partido Sociedade do Clero Combativo. Ele ameaça romper o acordo nuclear e quer reavivar o fervor revolucionário. Defende a "autossuficiência" para só se relacionar com países que não questionem a revolução islâmica.

Na última vez que a eleição presidencial iraniana foi para o segundo turno, em 2009, a linha dura se uniu. Sob a liderança do Supremo Líder Espiritual da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, garantiu a reeleição do presidente linha-dura Mahmoud Ahmadinejad e derrotou a Revolução Verde liderada pelo ex-primeiro-ministro Mir Hussein Mussavi. Tudo indica que houve fraude eleitoral.