Os ministros das Finanças da União Europeia, reunidos hoje em Bruxelas, aprovaram uma nova regulamentação para fundos de hedge e de private equity, numa derrota do novo governo britânico, que teme que os negócios vão para Nova York, onde a regulamentação será mais frouxa.
Em uma jogada contra a especulação, o ministro das Finanças da Alemanha, Wolfgang Schaeuble, anunciou a proibição, a partir da meia-noite de hoje, de operações de short selling com alguns tipos de bônus de países da zona do euro, de alguns tipos de obrigações colateralizadas de crédito e de dez ações.
Short selling é um tipo de operação em que o investidor ou especulador pede ações por empréstimos e vende, apostando na queda de preço da ação para depois recomprá-la por valor menor, pagar a dívida e ficar com o lucro.
Estão proibidas as operações de short selling em que o especulador não chega a ter posse de ações ou títulos e aposta contra elas.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
terça-feira, 18 de maio de 2010
Construção de casas novas sobe 5,8% nos EUA
A construção de casas novas nos EUA cresceu 5,8% em abril, o melhor desempenho em um ano e meio.
Procurador pede absolvição de Garzón
O procurador do Supremo Tribunal da Espanha pediu hoje a absolvição do juiz Baltasar Garzón, denunciado por prevaricação e abuso depoder por tentar investigar os crimes do franquismo.
O procurador-geral do Tribunal Penal Internacional, Luis Moreno Ocampo, manteve o convite para que ele trabalhe como seu assessor, em Haia, na Holanda.
A Justiça da Espanha consentiu. Garzón, que mandou prender do ex-ditador chileno Augusto Pinochet ao líder terrorista saudita Ossama ben Laden por crimes contra a humanidade, será assessor jurídico do TPI.
O procurador-geral do Tribunal Penal Internacional, Luis Moreno Ocampo, manteve o convite para que ele trabalhe como seu assessor, em Haia, na Holanda.
A Justiça da Espanha consentiu. Garzón, que mandou prender do ex-ditador chileno Augusto Pinochet ao líder terrorista saudita Ossama ben Laden por crimes contra a humanidade, será assessor jurídico do TPI.
Casal gay é condenado no Maláui
O primeiro casal homossexual a se casar no Maláui, num ritual tradicional porque a lei do país não permite, foi condenado hoje por sodomia e indecência. Pode pegar 14 anos de cadeia.
Atentados matam 30 no Afeganistão e Paquistão
Dois atentados terroristas mataram pelo menos 30 pessoas hoje no Sul da Ásia.
No Afeganistão, um carro-bomba explodiu perto de um comboio militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos Estados Unidos, matando 18 pessoas, inclusive seis soldados da OTAN. Cinco eram americanos.
No Afeganistão, um carro-bomba explodiu perto de um comboio militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), a aliança militar liderada pelos Estados Unidos, matando 18 pessoas, inclusive seis soldados da OTAN. Cinco eram americanos.
Grécia recebe dinheiro da UE mas euro cai
A Grécia recebeu hoje da União Europeia a primeira parcela de 14,5 bilhões de euros, cerca de R$ 32,2 bilhões o que lhe permite pagar dívidas de 9 bilhões de euros com vencimento hoje. Mesmo assim, a moeda europeia caiu abaixo de US$ 1,22, sua menor cotação desde abril de 2006.
Na abertura da reunião de cúpula da América Latina, Caribe e União Europeia, o presidente do Conselho Europeu, Herman von Rompuy, foi obrigado a reafirmar que "o euro é uma moeda sadia".
O presidente executivo da UE lembrou os 11 anos de inflação sob controle desde a criação da moeda comum europeu. Acrescentou que a zona do euro tem saldo em conta corrente.
A desvalorização do euro já ajudou as exportações dos 16 países que participam da união monetária europeia. O saldo comercial subiu de 1,6 bilhão de euros em março para 4,5 bilhões de euros em abril.
Na abertura da reunião de cúpula da América Latina, Caribe e União Europeia, o presidente do Conselho Europeu, Herman von Rompuy, foi obrigado a reafirmar que "o euro é uma moeda sadia".
O presidente executivo da UE lembrou os 11 anos de inflação sob controle desde a criação da moeda comum europeu. Acrescentou que a zona do euro tem saldo em conta corrente.
A desvalorização do euro já ajudou as exportações dos 16 países que participam da união monetária europeia. O saldo comercial subiu de 1,6 bilhão de euros em março para 4,5 bilhões de euros em abril.
França troca assassino do Irã por pesquisadora
Em troca da autorização da ditadura teocrática do Irã para a pesquisadora francesa Clotilde Reiss sair do país, a França deve libertar hoje Ali Vakili Rad, condenado pelo homicídio do ex-primeiro-ministro iraniano Chapour Baktiar, chefe de governo durante a ditadura do Xá Reza Pahlevi (1953-79).
Clotilde Reiss foi presa sob acusação de espionagem por fotografar manifestações de protesto da oposição contra a reeleição fraudulenta do presidente Mahmoud Ahmadinejad. Dois iranianos presos com ela foram condenados e executados.
Depois de intensa pressão internacional, ela foi solta e ficou dois meses na Embaixada da França em Teerã. Foi solta há dois, supostamente num gesto de boa vontade do Irã com a sociedade internacional no momento da visita do presidente Lula.
Agora, ficamos sabendo que a França pagou o Irã com a libertação de um dos assassinos a soldo do regime fundamentalista iraniano.
Clotilde Reiss foi presa sob acusação de espionagem por fotografar manifestações de protesto da oposição contra a reeleição fraudulenta do presidente Mahmoud Ahmadinejad. Dois iranianos presos com ela foram condenados e executados.
Depois de intensa pressão internacional, ela foi solta e ficou dois meses na Embaixada da França em Teerã. Foi solta há dois, supostamente num gesto de boa vontade do Irã com a sociedade internacional no momento da visita do presidente Lula.
Agora, ficamos sabendo que a França pagou o Irã com a libertação de um dos assassinos a soldo do regime fundamentalista iraniano.
segunda-feira, 17 de maio de 2010
África do Sul apresenta armas para segurança da Copa
Em uma demonstração de força, a África do Sul apresentou hoje, no centro empresarial de Joanesburgo, a maior e mais rica cidade do país, os carros, blindados e helicópteros que serão usados para garantir a segurança durante a Copa do Mundo, que será realizada de 11 de junho a 11 de julho de 2010.
Israel proíbe entrada de Chomsky na Cisjordânia
Israel barrou o acadêmico e intelectual de esquerda americano Noam Chomsky, não permitindo que ele entrasse na Cisjordânia ocupada para dar uma palestra na Universidade Bir Zeit, considerada pelas autoridades israelenses como um foco do radicalismo palestino.
"O Sr. Chomsky, sua filha e um acompanhante, Assaf Kfouri, foram parados na Ponte Allenby, em Jericó, separados e interrogados várias vezes durante cinco horas", declarou o deputado palestino Mustafa Barghouti, que convidara o professor para proferir a palestra.
Durante o interrogatório, um dos agentes revelou que estava recebendo perguntas diretamente do Ministério do Interior
"Depois de quase cinco horas", acrescentou Barghouti, "o Sr. Chomsky sua filha foram informados de que não poderiam entrar no território ocupado nem na Palestina, devendo voltar para a Jordânia",
Chomsky argumentou que o problema não é seu: "O problema é da Universidade Bir Zeit, que depende da aprovação do governo de Israel para escolher quem vai falar. Nunca vi nada parecido em outra universidade."
E acrescentou: "É mais um sinal da ocupação israelense. O cerco a Gaza é selvagem e criminoso. Mas também querem controlar a Cisjordânia. São rigorosos e arbitrários. É uma ocupação arbitrária e criminosa.
"O Sr. Chomsky, sua filha e um acompanhante, Assaf Kfouri, foram parados na Ponte Allenby, em Jericó, separados e interrogados várias vezes durante cinco horas", declarou o deputado palestino Mustafa Barghouti, que convidara o professor para proferir a palestra.
Durante o interrogatório, um dos agentes revelou que estava recebendo perguntas diretamente do Ministério do Interior
"Depois de quase cinco horas", acrescentou Barghouti, "o Sr. Chomsky sua filha foram informados de que não poderiam entrar no território ocupado nem na Palestina, devendo voltar para a Jordânia",
Chomsky argumentou que o problema não é seu: "O problema é da Universidade Bir Zeit, que depende da aprovação do governo de Israel para escolher quem vai falar. Nunca vi nada parecido em outra universidade."
E acrescentou: "É mais um sinal da ocupação israelense. O cerco a Gaza é selvagem e criminoso. Mas também querem controlar a Cisjordânia. São rigorosos e arbitrários. É uma ocupação arbitrária e criminosa.
Casal Kirchner leva apoio ao juiz Garzón
Durante viagem à Espanha para participar da reunião de cúpula da América Latina, União Europeia e Caribe, a presidente da Argentina, Cristina Kirchner, e seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner, foram dar apoio ao juiz Baltasar Garzón, suspenso pelo Supremo Tribunal do país por ter ordenado uma investigação dos crimes do franquismo.
"Demos nosso total apoio", declarou a presidente argentina. "Não creio que seja uma ingerência em assuntos internos porque os direitos humanos são universais. Foi este conceito que permitiu processar [o ex-ditador chileno Augusto] Pinochet. Por tudo isso, me parece incompreensível o uso de dois pesos e duas medidas com uma pessoa da reputação do juiz Baltasar Garzón."
Além de Pinochet e da ditadura militar argentina, Garzón mandou prender o terrorista saudita Ossama ben Laden por crimes contra a humanidade. Quando quis desenterrar os crimes cometidos pelo franquismo durante a Guerra Civil Espanhola (1936-39) e a ditadura do generalíssimo Francisco Franco (1939-75), foi afastado.
"Demos nosso total apoio", declarou a presidente argentina. "Não creio que seja uma ingerência em assuntos internos porque os direitos humanos são universais. Foi este conceito que permitiu processar [o ex-ditador chileno Augusto] Pinochet. Por tudo isso, me parece incompreensível o uso de dois pesos e duas medidas com uma pessoa da reputação do juiz Baltasar Garzón."
Além de Pinochet e da ditadura militar argentina, Garzón mandou prender o terrorista saudita Ossama ben Laden por crimes contra a humanidade. Quando quis desenterrar os crimes cometidos pelo franquismo durante a Guerra Civil Espanhola (1936-39) e a ditadura do generalíssimo Francisco Franco (1939-75), foi afastado.
BP promete estancar vazamento nesta semana
A companhia petrolíera BP, a antiga British Petroleum, anuncia o primeiro sucesso em retirar parte do petróleo que vaza desde 20 de abril, enfiando um tubo dentro do oleoduto furado para sugar o petróleo.
O vazamento de petróleo no Golfo do México pode ser o pior da História.
O vazamento de petróleo no Golfo do México pode ser o pior da História.
Vulcão volta a prejudicar tráfego aéreo na Europa
Uma mudança nos ventos voltou a jogar cinza do vulcão islandês Eyjafalla nos céus da Irlanda, do Reino Unido e da Holanda, causando o fechamento de vários aeroportos, entre eles Heathrow e Gatwick, no Sul da Inglaterra, e Schipol, em Amsterdã, na Holanda, que estão entre os mais movimentados da Europa.
Pelo menos mil voos foram cancelados, sob protesto das companhias aéreas.
No fim da tarde, os aeroportos de Londres (Heathrow e Gatwick) e de Amsterdã foram reabertos.
Pelo menos mil voos foram cancelados, sob protesto das companhias aéreas.
No fim da tarde, os aeroportos de Londres (Heathrow e Gatwick) e de Amsterdã foram reabertos.
EUA, Europa e Rússia duvidam de acordo com Irã
Depois da confirmação do acordo negociado pelo presidente Lula e o ministro das Relações Exteriores, embaixador Celso Amorim, para que o Irã mande parte de seu urânio para enriquecimento no exterior, os Estados Unidos, a França, o Reino Unido e a Rússia duvidaram que o regime fundamentalista iraniano cumpra integralmente seus deveres previstos no Tratado de Não Proliferação Nuclear.
Israel afirmou que "o Brasil e a Turquia foram enganados em Teerã".
Os EUA continuam decididos a tentar aprovar uma nova rodada de sanções no Conselho de Seguranças das Nações Unidas para pressionar o regime fundamentalista iraniano a parar de enriquecer urânio e abrir todas as suas instalações nucleares a inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Israel afirmou que "o Brasil e a Turquia foram enganados em Teerã".
Os EUA continuam decididos a tentar aprovar uma nova rodada de sanções no Conselho de Seguranças das Nações Unidas para pressionar o regime fundamentalista iraniano a parar de enriquecer urânio e abrir todas as suas instalações nucleares a inspeções da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
GM anuncia primeiro lucro desde 2007
A General Motors ganhou US$ 865 milhões no primeiro trimestre, primeiro lucro trimestral da empresa desde 2007.
Euro cai ao menor valor em quatro anos
O euro caiu hoje à menor cotação em quatro anos, desde 18 de abril de 2006, sendo vendido a US$ 1,2235. Depois, subiu para US$ 1,2338.
• A Itália prepara cortes orçamentários para economizar US$ 27,5 bi nos próximos dois anos e evitar o contágio da crise da Grécia.
• A Grécia ameaça processar bancos dos EUA por sua responsabilidade na crise.
Alemanha quer impor disciplina fiscal
Diante da ameaça à união monetária europeia, com o euro caindo hoje à menor cotação em quatro anos, a Alemanha quer impor aos outros países da zona do euro leis de responsabilidade fiscal como a sua, que limita o déficit público federal em 2016 a no máximo 0,35% do produto interno bruto.
Irã se considera herdeiro do Império Persa
O Irã é a antiga Pérsia. Considera-se herdeiro do mais antigo império multinacional da História e de seus grandes reis-heróis, Dario, Xerxes e Ciro, que enfrentaram os gregos nas Guerras Médicas ou Medo-Persas ou Greco-Persas (499-449AC), em batalhas famosas como Maratona, Salamina e Termópilas.
Há um filme de Hollywood recente sobre essa guerra, 300, em referência aos 300 de Esparta, que sob o comando de Leônidas resistiram a um Exército persa muito mais numeroso. O filme é criticado como uma peça de guerra subliminar que visa a demonizar o inimigo, no caso o Irã.
Rodrigo Santoro, travestido como um homossexual escandaloso, é o imperador Xerxes, enquanto os gregos, fundadores da civilização ocidental, são os heróis brancos e americanizados.
As guerras estão contadas em História, de Xenofonte, um dos pais da História.
Contra todas as previsões, as cidades-estado gregas derrotaram o maior império da época, tornaram-se imperialistas e brigaram entre si na Guerra do Peloponeso, acabando com o período áureo da Grécia Antiga. O país seria conquistado por Felipe da Macedônia.
Seu filho, Alexandre, o Grande, um dos maiores generais de todos os tempos, derrotou e conquistou o Império Persa e o vizinho Afeganistão (foi o único ocidental a fazer isso antes da invasão americana pós-11 de setembro. A Batalha de Gaugamela, em que derrotou Dario III, em 331 AC, marca o fim do Império Persa da Antiguidade.
O Irã também é berço do Zoroastrismo.
Depois do fim do Império Persa, a região foi incorporada ao Império Helenístico deixado por Alexandre, que morreu em Babilônia em 323AC.
Mais tarde, foi dominada pelo Império Romano, na época de sua major expansão, sob Trajano (98-117 DC). Com a decadência do império, ressurgem dinastias tribais locais, que enfrentam o Império Bizantino.
A grande mudança vem na Batalha de Kassídia, em 637, com a expansão árabe para propagar o Islamismo. Durante um século, o país é dominado pelo Califado de Damasco e depois passa para o Califado Abácida, que funda Bagdá para ser sua capital em 742.
É no Irã, e em seguida no Norte da África e na Península Ibérica, e mais tarde na Europa, que o Islamismo saiu do mundo árabe para se tornar uma religião internacional, uma das maiores da humanidade, com 1,3 bilhão de seguidores.
Só no final do primeiro milênio a Pérsia conquistou independência de Bagdá, sob os Samânidas, que tinham como capital Bukhara. Mas essa dinastia foi vencida por tribos turcas.
Nesta época, agia na região a seita dos Assassinos, considerados precursores do terrorismo político que hoje é endêmico no Oriente Médio.
Em 1256, são os mongóis que invadem a Pérsia e depois o Império Otomano.
FUNDAÇÃO DA MONARQUIA
Só em 1501, sob a dinastia Safavida, que tornou o xiismo a religião oficial do país, o Irã recuperou sua independência e lançou as bases da monarquia que vigorou até a revolução islâmica de 1979.
A partir do século 17, entram na disputa por influência sobre o país as potências europeias, notadamente nos Impérios Britânico e Russo, que fariam o Grande Jogo na região, incluindo o Afeganistão.
No início do século 20, de 1905 a 1911, houve a chamada Revolução Constitucionalista contra o absolutismo da dinastia Kajar e o país passa a ter um parlamento. O xá seria submetido à lei e a coroa passa a ser “uma dávida divina dada ao xá pelo povo”.
Em 1921, sob um clima de caos gerado pela ameaça da invasão de um exército guerrilheiro soviético, Reza Shah Pahlevi, um oficial da Brigada Cossaca Persa, treinada pela Rússia, dá um golpe de estado, assina um tratado de amizade com os soviéticos e funda a dinastia Pahlevi.
Reza Shah é coroado em 15 de dezembro de 1925 e impõe um regime autoritário, nacionalista, militarista, secularista e anticomunista, com censura pesada e muita propaganda governista. Foi sucedido em 1941 pelo filho Mohamed Reza Pahlevi, depois de uma invasão anglo-soviética.
O Xá dos Xás, Sua Majestade Imperial, a Luz dos Arianos e o Chefe dos Guerreiros. Na sua releitura do passado, celebrou os “2,5 mil anos da continua monarquia”, desde a fundação do Império Persa por Ciro.
Reza Pahlevi fez uma série de reformas econômicas promovendo uma modernização conservadora. Essas políticas e o reconhecimento de Israel o levaram a se distanciar do clero xiita.
Com o golpe contra o primeiro-ministro nacionalista Mohamed Mossadegh, que nacionalizou o petróleo e foi derrubado numa conspiração anglo-americana, em 1953, o Xá assumiu poderes absolutos, baniu o Partido Comunista e governou com o apoio de uma temida polícia política, a Savak, acusada por até 100 mil mortes. Era a instituição mais odiada do país.
Sob o Xá, o Irã era o país do Oriente Médio que mais recebia ajuda dos EUA, que chegou a US$ 11 bilhões por ano. O presidente Jimmy Carter elogiou o regime como um exemplo de estabilidade na região.
A onda de protestos começou em janeiro de 1978. De agosto de 1978 a janeiro de 1979, uma onda de greves paralisou o país, especialmente o setor petrolífero. Os sindicatos começaram a revolução, que reunia desde liberais pró-Ocidente até extremistas religiosos.
Foram as maiores manifestações de massa de História, uma multidão nas ruas.
REPÚBLICA DOS AIATOLÁS
Os aiatolás, sob a liderança de Khomeini, eram a única instituição organizada para substituir o regime que desabava. Em 11 de fevereiro de 1979, o Xá entregou o país aos aiatolás e foi-se embora.
Com o passar do tempo, a linha dura tomou conta. Houve choques nas ruas de Teerã entre liberais descontentes com o regime, devidamente massacrados pela Guarda Revolucionária e suas milícias associadas.
A meta da ideologia de Khomeini é derrubar a ideia de que o progresso traz junto a ocidentalização da sociedade. É preciso reislamizar a umma, o conjunto de todos os muçulmanos, que era a proposta de Hassan al-Bana, fundador do primeiro grupo fundamentalista islâmico, a Irmandade Muçulmana, no Egito, em 1928.
Era uma primeira reação organizada contra a modernização imposta pelo colonialismo europeu desde a invasão do Egito por Napoleão em 1798.
Outro ideólogo importante do jihadismo e do ben-ladismo é Said Kutub, um egípcio que apoiou a revolução que derrubou a monarquia no Egito em 1952, mas rompeu com Gamal Abdel Nasser, o grande líder do nacionalismo pan-árabe, um nacionalista de esquerda que não queria mistura política e religião.
Na visão dos fundamentalistas, a religião deve orientar toda a vida social e política. Kutub escreveu na cadeia uma série de livros que lança as bases ideológicas do terrorismo muçulmano, partindo do princípio de que é preciso combater incessantemente os infiéis no mundo inteiro. A solução não está mais em islamizar a umma.
É preciso islamizar o mundo inteiro. Khomeini foi o tradutor de Kutub para o persa. Misturou o Corão, o xiismo, as ideias radicais do sunita Kutub e elementos da Revolução Francesa (revolução e república) para fazer a primeira revolução islâmica, com a tomada do poder e a mudanças na estrutura do Estado iraniano.
Nem Ocidente. Nem Comunismo. O mundo precisava de uma Revolução Islâmica. Khomeini introduziu a charia, o direito islâmico, e o conceito de velayat-e fakih, a sociedade precisa ser supervisionada por um Conselho de Guardiães da fé e da revolução, os sábios, juristas e doutores do Islã.
Esta é a base da ditadura teocrática, em que o presidente, o governo, o Parlamento, a Justiça, as Forças Armadas, a Polícia, todas as instituições estão subordinadas ao Supremo Líder Espiritual, posição ocupada por Ali Khamenei desde a morte de Khomeini, em 1989.
A revolução iraniana foi das primeiras a se submeter ao teste das urnas, mas o regime veta milhares de candidatos, cerca de mil na primeira eleição de Ahmadinejad e mais de 400 na do ano passado.
Naturalmente, a revolução desagradou as diferentes ditaduras que governam os países muçulmanos, nem as superpotências da Guerra Fria. Todos apoiaram o ditador iraquiano, Saddam Hussein, quando ele invadiu o Irã, em 22 de setembro de 1980.
GUERRA ENTRE MUÇULMANOS
Essa guerra brutal durou oito anos. Matou quase 1 milhão de muçulmanos. Foi alimentada pelos dois lados por interessados em ver dois países muçulmanos se degladiando.
Dentro dela, houve uma Guerra dos Petroleiros, com ataque a navios-taque no Golfo Pérsico, e uma Guerra das Cidades, bombardeios maciços contra centros urbanos, de lado a lado, inclusive com armas químicas.
Em 1987, Khomeini teria vencido suas resistências e autorizado a Guarda Revolucionária a desenvolver armas nucleares.
Como a revolução passou a apoiar grupos radicais que seqüestraram americanos no Líbano, o governo Reagan vendeu armas e peças de reposição para os arsenais comprados pelo xá em troca da libertação de reféns.
Depois de dois governos do reformista Mohamed Khatami, eleito contra a vontade da linha dura, com 70% dos votos, no primeiro turno, quando parecia que o regime evoluiria gradativamente para uma liberalização, as invasões do Iraque e do Afeganistão levaram a nova radicalização interna e à eleição do ex-prefeito de Teerã Mahmoud Ahmadinejad, tema que exploro num capítulo do meu livro.
Foi uma eleição difícil, em segundo turno, de um cara de fora do círculo íntimo do regime mas seu fiel seguidor, um ex-guarda revolucionário que acenou com um programa de renda mínima no interior e bateu as pesquisas de opinião oficiais.
Ahmadinejad nega o Holocausto e ameaça varrer Israel do mapa. Isso aumenta a preocupação com o programa nuclear do Irã, que já foi alvo de três rodadas de sanções do Conselho de Segurança da ONU para pressionar o regime a parar de enriquecer urânio.
No ano passado, dentro das negociações propostas por Obama, Rússia e França se ofereceram para processar urânio até 20%. Em outubro, Ahmadinejad aceitou em princípio, mas foi bombardeado internamente por governo e oposição.
Dentro do xadrez político interno, a questão nuclear é peça fundamental. Há duas semanas, Khamenei descartou totalmente a possibilidade de mandar urânio para fora do país.
Na semana passada, o ministro do Exterior da França, Bernard Kouchner, advertiu Lula de que ele será enganado em Teerã porque o Irã não tem interesse em aceitar plenamente as regras do TNP.
Na abertura da conferência que revista o tratado até o fim deste mês, tanto o secretário-geral da ONU quanto o diretor-geral da AIEA disseram que “cabe ao Irã provar que seu programa nuclear é inteiramente pacífico”.
O Irã não abre suas instalações a inspeções da agência nem responde às dúvidas da agência.
Soma-se a isso um endurecimento do regime diante dos protestos contra a reeleição fraudulenta de Ahmadinejad.
FRAUDE ELEITORAL
Como na questão nuclear, não há nenhum revólver fumegante, nenhuma prova defnitiva de que o Irã esteja fazendo a bomba nem de que a eleição foi roubada. Mas todos os indícios levam a essas conclusões.
O regime sente nos EUA uma ameaça existencial, e quem quiser enfrentar os EUA precisa de armas de destruição em massa, como conclui o ex-ministro da Defesa da Índia Jaswant Singh.
Teerã não abre as instalações nucleares e desenvolve uma tecnologia de uso duplo. Para fazer a bomba, é preciso enriquecer urânio acima de 90% O Irã está em 3,5% e já anuncia capacidade de enriquecer a 20%.
A Europa e os EUA, inclusive França e Alemanha, países que não apoiaram a invasão do Iraque, não acreditam nas negativas de Teerã.
Já a fraude eleitoral foi revelada num estudo da Chatham House, o Royal Institute of International Affairs, uma das muitas instituições que premiaram o presidente Lula. É altamente improvável que Ahmadinejad tenha ganho no primeiro turno, quando precisou de um segundo turno numa eleição em que não havia nenhum reformista forte.
A apuração centralizada não permitiria apurar 46 milhões de votos em poucas horas. Ao longo de toda a apuração anunciada oficialmente, a distribuição percentual de votos entre os candidatos não variou, como se uns não fossem mais fortes do outros em diferentes regiões do país. Há vários cálculos que indicam a virtual impossibilidade de se acreditar no resultado oficial.
Os protestos foram violentamente reprimidos, o número de execuções dobrou, pelo oito dissidentes foram executados, a censura aumentou, especialmente na Internet, a milícia Bassij matou pelo menos 20 dissidentes, inclusive Neda Soltan, que virou o símbolo da revolta popular.
Isso não significa que o regime esteja ameaçado. Mas é uma ditadura com peso cada vez maior da Guarda Revolucionária, como mostra a vitória de Ahmadinejad contra antigos líderes do regime, sem qualquer perspectiva de reformas ou de submeter o programa nuclear a um controle democrático ou civil.
Israel e os EUA já examinaram a possibilidade de bombardear 100 a 200 alvos do programa nuclear. Mas há muitas instalações em cidades e universidades. Seria preciso atacar as defesas antiaéreas para minimizar o risco aos pilotos atacantes. E o Irã tem aliados capazes de lançar contra-ataques terroristas.
O resultado mais provável seria uma conflagração generalizada no Oriente Médio.
Ao mesmo tempo, o Irã não colabora para a paz com Israel, que não reconhece e chama de “entidade sionista”, arma grupos xiitas no Iraque, o Hesbolá e o Hamas. Seu ministro da Defesa, Ahmed Vahidi, tem prisão decretada na Argentina por atentados contra alvos judaicos em Buenos Aires nos anos 90.
Além da ameaça a Israel e do terrorismo nuclear, uma bomba iraniana deflagraria uma corrida nuclear no Oriente Médio, com Síria, Egito, Turquia e Arábia Saudita querendo equilibrar o poder de fogo do vizinho persa.
Em tese, uma negociação global com o Irã capaz de reduzir a paranoia do regime seria altamente benéfica em várias frentes. É o que buscam Lula e Celso Amorim. A questão é se isso é possível.
O Brasil e a Turquia são os únicos países democráticos que ainda estendem a mão ao Irã. A resposta positiva ao presidente Lula foi anunciada ontem à noite pelo ministro do Exterior da Turquia.
A Turquia é extremamente cética. Ainda desconfia do Irã. Teme que o regime fundamentalista iraniano esteja enrolando para ganhar tempo.
É provável que os EUA rejeitem a proposta iraniana e continuem pressionando o Conselho de Segurança das Nações Unidas a aprovar uma quarta rodada de sanções contra o Irã.
domingo, 16 de maio de 2010
Total de mortos na Tailândia sobe para 35
Os protestos dos oposicionistas acampados no centro da capital da Tailândia se espalharam hoje por toda a Bangkok, com tiroteios e explosões em vários pontos da cidade.
Pelo menos 35 pessoas morreram nos últimos quatro dias, inclusive o general Khattya Sawasdipol, que era o principal estrategista dos rebeldes. Outras 250 pessoas ficaram feridas nos confrontos dos últimos quatro dias.
Depois de mais de um mês de protesto do movimento de partidários do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra chamados de Camisas Vermelhas, o governo mandou o Exército retomar a área ocupada.
Pelo menos 35 pessoas morreram nos últimos quatro dias, inclusive o general Khattya Sawasdipol, que era o principal estrategista dos rebeldes. Outras 250 pessoas ficaram feridas nos confrontos dos últimos quatro dias.
Depois de mais de um mês de protesto do movimento de partidários do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra chamados de Camisas Vermelhas, o governo mandou o Exército retomar a área ocupada.
Bolívia faz acordo para evitar marcha indígena
Depois de três dias de discussões, o governo da Bolívia anunciou hoje um acordo para evitar a realização de uma marcha de protesto de índios que sairiam na quinta-feira da Amazônia rumo a La Paz.
"Os povos indígenas agiram com muita sabedoria, fizeram propostas e os compromissos que assumimos são importantes porque envolver questões estruturais, como terra, autonomia dos povos indígenas, desenvolvimento econômico e representação política", declarou o ministro das Autonomias, Carlos Romero.
A poderosa Confederação dos Povos Indígenas da Bolívia (Cidob), que apoia o presidente Evo Morales, planejava realizar uma marcha de mais de 600 quilômetros até o Palácio Queimado, sede do governo, em La Paz, para apresentar suas reivindicações em grande estilo.
"Os povos indígenas agiram com muita sabedoria, fizeram propostas e os compromissos que assumimos são importantes porque envolver questões estruturais, como terra, autonomia dos povos indígenas, desenvolvimento econômico e representação política", declarou o ministro das Autonomias, Carlos Romero.
A poderosa Confederação dos Povos Indígenas da Bolívia (Cidob), que apoia o presidente Evo Morales, planejava realizar uma marcha de mais de 600 quilômetros até o Palácio Queimado, sede do governo, em La Paz, para apresentar suas reivindicações em grande estilo.
Santos quer governar Colômbia com verdes
O ex-ministro da Defesa Juan Manuel Santos, candidato do presidente Álvaro Uribe à presidência da Colômbia na eleição de 30 de maio, convidou o partido de seu maior rival, Antanas Mockus, para participar de seu governo, caso saia vencedor.
Mockus, ex-prefeito de Bogotá, se tornou a sensação da campanha ao polarizar a disputa com o candidato de um governo com alta popularidade por causa do combate decidido aos grupos guerrilheiros de esquerda, sobretudo às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).
Como um dos estrategistas dessa vitória, Santos deveria ser o beneficiário direto e herdeiro da política de "segurança democrática" de Uribe, que nega legitimidade aos grupos armados de esquerda.
Foi atropelado por Mockus, mas se recuperou e voltou a assumir a liderança em algumas pesquisas que ainda indicam empate técnico entre os dois favoritos.
A ascensão do candidato verde indica que os colombianos confiam que a longa guerra civil acabou ou está chegando ao fim e que o ambientalismo é uma questão política central do século 21.
Mockus, ex-prefeito de Bogotá, se tornou a sensação da campanha ao polarizar a disputa com o candidato de um governo com alta popularidade por causa do combate decidido aos grupos guerrilheiros de esquerda, sobretudo às Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC).
Como um dos estrategistas dessa vitória, Santos deveria ser o beneficiário direto e herdeiro da política de "segurança democrática" de Uribe, que nega legitimidade aos grupos armados de esquerda.
Foi atropelado por Mockus, mas se recuperou e voltou a assumir a liderança em algumas pesquisas que ainda indicam empate técnico entre os dois favoritos.
A ascensão do candidato verde indica que os colombianos confiam que a longa guerra civil acabou ou está chegando ao fim e que o ambientalismo é uma questão política central do século 21.
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