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quinta-feira, 6 de setembro de 2018

Índia acaba com a criminalização da homossexualidade

Em uma decisão histórica, a Suprema Corte da Índia derrubou um artigo do Código Penal do período colonial que criminalizava as relações sexuais entre pessoas do mesmo sexo, punível até com a pena de morte. Além do estigma, a criminalização estimulava a violência e o suborno contra a comunidade LGBT.

Diante de um tribunal lotado, o presidente da Suprema Corte da Índia, Dipak Misra, declarou que "o respeito pelas escolhas individuais é a essência da liberdade. A liberdade só será real quando cada um de nós perceber que a comunidade LGBT tem direitos iguais."

Os ativistas do movimento gay lutavam há décadas para derrubar o Artigo 377 do Código Penal Indiano, uma herança de 157 anos do tempo da colonização do país pelo Império Britânico, que proibia a "conjunção carnal contra a ordem da natureza".

Embora a lei raramente fosse aplicada para encarcerar e muito menos executar homossexuais, reforçava o estigma, fragilizava e negava direitos iguais. O casamento gay ainda é um sonho distante, mas será a próxima luta.

domingo, 25 de junho de 2017

Marcha gay de Chicago proíbe bandeiras do arco-íris com estrela de Davi

CAMBRIDGE-MA, EUA - A organização da marcha do orgulho gay de Chicago, a terceira maior cidade dos Estados Unidos, excluiu hoje a participação de bandeiras do arco-íris com a estrela de Davi, símbolo de Israel, noticiou o jornal liberal israelense Haaretz.

Um dos membros do coletivo LGBT (gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros), citado no jornal Windy City Times, alegou que as bandeiras do orgulho gay israelense "faziam as pessoas se sentirem inseguras" e que a passeata é "pró-palestinos" e "antissionista".

No Twitter dos organizadores, a manifestação foi descrita como "uma mobilização e celebração da resistência de sapatonas, bichas e transgêneros antirracista, antiviolência, dirigida por voluntários e pelas bases."

Uma das três pessoas excluídas, Laurel Grauer, da entidade LGBTQ israelense Uma Ponte mais Larga, declarou que é "uma bandeira da minha congregação que celebra minha identidade judaica e gay que eu empunhava na Marcha das Sapatas há mais de uma década. Eles me disseram para sair porque poderia provocar reações de quem a considerasse ofensiva."

Eleanor Shoshany Anderson, também afastada, considerou-se discriminada por ser judia.

Em janeiro de 2016, uma recepção para judeus participantes de uma conferência gay em Chicago foi invadida por manifestantes gritando que "a lavagem rosa tem de acabar". A expressão é usada para criticar quem minimiza a importância do tratamento dispensado por Israel aos palestinos porque o país é uma democracia e defende os direitos humanos dos homossexuais.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Filial d'Al Caeda reivindica morte de ativista gay em Bangladesh

Um grupo ligado à rede terrorista Al Caeda assumiu hoje a responsabilidade pelo assassinato do editor da primeira revista gay de Bangladesh. Desde fevereiro de 2015 extremistas muçulmanos mataram 17 ativistas e intelectuais liberais e secularistas (não religiosos).

Xulhaz Mannan, de 35 anos, e seu parceiro, Mahbub Rabbi Tonoy, de 25 anos, foram mortos a facadas no apartamento por homens que se apresentaram na portaria como carteiros. Além de editar a revista Roopbaan, voltada para o público de gays, lésbicas e transgêneros, Mannan trabalhava para a Agência de Ajuda Internacional dos Estados Unidos (USAID).

Pelo Twitter, uma célula do grupo Ansar al Islam declarou que seus guerreiros mataram Mannan e Tonoy, acusando-os de serem "os pioneiros da prática e da promoção da homossexualidade em Bangladesh". A alegação não foi confirmada.

O antigo Paquistão Oriental está em choque. A homossexualidade é crime neste país muçulmano de 160 milhões de habitantes onde as mulheres e as minorias sexuais são tratadas com menos tolerância do que na vizinha Índia.

Em pesquisa divulgada em 2014 pela revista Roopbaan, 54% dos gays, lésbicas e bissexuais bengaleses viviam sob medo constante de que sua orientação sexual seja revelada.

domingo, 5 de abril de 2015

Gays são mais populares do que evangélicos nos EUA

Numa nova pesquisa com eleitores que devem votar para presidente dos Estados Unidos em 2016, a maioria tem uma visão mais favorável de homossexuais do que de cristãos evangélicos.

No questionário submetido pela empresa Greenberg Quinlan Rosner Research a pedido da Campanha pelos Direitos Humanos, 53% disseram ter uma visão favorável de gays e 42% de evangélicos, enquanto 28% têm uma visão negativa de evangélicos e 18% de homossexuais.

Até agora, só o evangélico Ted Cruz se apresentou como pré-candidato, mas há pelo menos dois disputando diretamente o voto da direita religiosa: os ex-governadores Mike Huckabee e Rick Santorum.

Várias candidaturas devem ser lançadas neste mês de abril. Na primeira fase da campanha, das eleições primárias, os candidatos do Partido Republicano tendem a radicalizar nas suas guerras culturais contra o liberalismo americano.

"Ninguém gosta de uma pessoa que usa a religião para justificar sua intolerância", escreveu Jameson Parker no sítio Addicting Info, [Mike] "Huckabee e sua turma estão cada vez mais distantes do americano médio."

Huckabee, ex-governador do Arkansas (1996-2007), disputou a candidatura do Partido Republicano em 2012 com a defesa do conservadorismo social mais do que, por exemplo, as políticas econômicas de livre mercado defendidas pelo partido.

Ministro da Igreja Batista do Sul, que não se reformou depois da Guerra Civil Americana (1861-65), ele costuma denunciar a "perseguição religiosa": "Não vai parar até que não haja mais igrejas, que não haja mais pessoas pregando o Evangelho", declarou Huckabee recentemente.

terça-feira, 31 de março de 2015

Indiana recua da lei que permitiria discriminar homossexuais

O governador do estado de Indiana, Mike Pence, fez um apelo aos deputados da Assembleia Legislativa estadual para que emendem a Lei de Restauração da Liberdade Religiosa aprovada na semana passada para deixar claro que a legislação "não dá às empresas o direito de negar serviços a ninguém", noticiou hoje o jornal The Washington Post.

"Precisamos focar especificamente nesta percepção de que a lei dá uma licença para discriminar", declarou o governador em entrevista coletiva hoje em Indianápolis. Ele destacou que, mais do que um esclarecimento, é necessária "uma correção".

Com base na chamada "objeção de consciência", empresários com profundas convicções religiosas poderiam se negar a atender consumidores homossexuais. Para o movimento gay, é uma reação de estados conservadores à aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

A lei foi duramente criticada nos Estados Unidos e em outros países democráticos, inclusive pelo diretor-presidente da Apple, Tim Cook, primeiro diretor de uma grande empresa a assumir sua homossexualidade no exercício do cargo, pelo risco de discriminar gays, lésbicas e transgêneros em nome da consciência religiosa. 

Na Califórnia e em outros estados importantes, começaram a ser articulados movimentos de boicote a Indiana. Os prefeitos de Chicago, Portland, São Francisco e Seattle proibiram os funcionários públicos de viajar a serviço para Indiana. Nove diretores-presidentes de empresas do estado enviaram ontem carta ao governador pedindo a mudança na lei. A National Collegiatte Athletic Association, a entidade máxima do esporte universitário dos EUA ameaça retirar sua sede de Indianápolis.

"As pessoas não querem isso", alegou Adam Talbot, da Campanha pelos Direitos Humanos, que se opõe à lei. "As pessoas não precisam disso. Pensam que é perigoso."

Apesar dos protestos, o governador falou em problemas de "percepção" e não do risco de discriminação, alegando que o objetivo da lei é garantir a "liberdade religiosa": "Esta lei foi projetada para garantir a vitalidade da liberdade religiosa no estado. Não dá a ninguém o direito de discriminar."

Num gesto oportunista, o ex-governador da Flórida Jeb Bush declarou apoio à lei. O filho do ex-presidente George Herbert Walker Bush (1989-93) e irmão do ex-presidente George Walker Bush (2001-9), aspirante à candidatura do Partido Republicano à Presidência dos EUA em 2016, não é considerado suficientemente conservador pela ala mais direitista do partido.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Família de Alan Turing exige perdão para 49 mil gays

Nesta segunda-feira, a família de Alan Turing vai encaminhar uma petição ao primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, exigindo que o governo britânico perdoem 49 mil homens condenados por homossexualismo, informa o jornal inglês The Guardian.

Um dos grandes heróis da Segunda Guerra Mundial, Turing criou um dos primeiros computadores e foi decisivo para decifrar os códigos secretos dos nazistas e derrotar a Alemanha. Em 1952, foi condenado por "indecência grave" com um jovem de 19 anos e castrado quimicamente.

Turing morreu dois anos depois, envenenado por cianureto, num provável suicídio. Em 2013, recebeu o perdão real póstumo. Seu filho Thomas, o sobrinho-neto Nevil Hunt e a sobrinha-neta Rachel Barnes reuniram 500 mil assinaturas. Eles entregam a petição na residência oficial de 10 Downing St.

A história de Turing é contada no filme O Jogo da Imitação, que concorreu a melhor filme, melhor direção (Morten Tylden), melhor ator (Benedict Cumbarbacht), melhor atriz coadjuvante (Keira Knightley) nos Oscars 2015, mas não levou nenhum prêmio.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Jornal de Uganda expõe 200 homossexuais

Um dia depois da sanção da mais dura lei contra o homossexualismo no mundo inteiro, um jornal de Uganda publicou hoje com manchete de capa uma lista de 200 pessoas de destaque da comunidade gay e lésbica, inclusive alguns que nunca admitiram isso publicamente. Muitos temem ser alvo de violência e pensam em fugir do país, adverte o jornal digital The Huffington Post.

Os Estados Unidos ameaçam reduzir ou cortar a ajuda anual de US$ 470 milhões a Uganda. Para o secretário de Estado americano, John Kerry, ontem foi "um dia trágico para Uganda e para todos os que lutam pelos direitos humanos".

O homossexualismo é crime em Uganda desde o período colonial, quando era definido como "contra a ordem natural". A nova lei aumenta as penas. Transforme ea delito "tocar alguém com a intenção de cometer atos de homossexualidade" e estabele pena de morte para relações homossexuais carnais, sexo com portadores do HIV e a prática repetida de atos homossexuais.

A inspiração para o projeto veio de igrejas evangélicas pentecostais dos EUA.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Rainha pop do Irã defende homossexuais

A rainha da música pop no Irã, Googoosh, exilada desde o ano 2000, tornou-se a primeira celebridade do país a apoiar publicamente os direitos dos homossexuais. No Dia de São Valentim, Dia dos Namorados no Hemisfério Norte, ela divulgou um vídeo no Facebook que mostra um casal de lésbicas, uma relação condenada por suas famílias e pela sociedade iraniana em geral.
Googoosh

"Até agora, a reação foi tremenda", declarou Navid Akhavan, roteirista e diretor do vídeo, assistido por 1,2 milhão de pessoas, citado pelo jornal inglês The Guardian. "Os comentários e mensagens que tenho recebido da comunidade gay, lésbica, transexual e transgênero do Irã provocam lágrimas."

Também houve reações negativas. Akhavan já esperava: "Sabíamos desde o início que o tópico deste vídeo seria extremamente controverso para os iranianos. Por isso, esperávamos reações negativas, mas isso não me incomodou nem a Googoosh."

O diretor acrescentou que decidiu fazer o vídeo diante das humilhações e perseguições sofridas por homossexuais no Irã, que podem ser punidos até com a morte: "Estou muito orgulhoso de ter tido coragem para tomar esta atitude pioneira em defesa dos homossexuais iranianos."

A homofobia é uma política de Estado do regime fundamentalista iraniano. Quando esteve no poder, o ex-presidente linha-dura Mahmoud Ahmadinejad (2005-13) declarou repetidas vezes que não há homossexuais no Irã.

sábado, 18 de janeiro de 2014

Putin insinua ligação entre gays e pedofilia

Em mais uma de suas tiradas fascistoides, ao afirmar que os homossexuais que forem à Olimpíada de Inverno em Sóchi, na Rússia, em fevereiro de 2014, o presidente Vladimir Putin declarou que os gays não serão discriminados e não terão problemas "desde que deixem os menores em paz".

É uma sugestão sórdida. Os grupos fascistas que perseguem, agridem e matam homossexuais na Rússia se apresentam como movimentos de luta contra a pedofilia.

Diante da uma onda de protestos da sociedade civil e do crescente movimento pela defesa dos direitos dos gays e lésbicas, o Parlamento russo aprovou em 7 de janeiro de 2013 uma lei criminalizando a "propaganda do homossexualismo" sob o pretexto de proteger as crianças. Desde então, quaisquer grupos de defesa dos direitos dos homossexuais pode ser processado criminalmente.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Reino Unido ameaça cortar ajuda a países antigays

O primeiro-ministro David Cameron advertiu ontem que o Reino Unido pode cortar a ajuda a países que discriminam homossexuais. É o caso de países da África que ainda consideram um crime relações sexuais com pessoas do mesmo sexo.

"A Grã-Bretanha é hoje um dos maiores doadores do mundo. Queremos que os países que recebem nossa ajuda respeitem os direitos humanos, o que inclui a maneira como tratam gays e lésbicas", declarou Cameron à rádio e TV pública BBC, citada pela Agência France Presse (AFP).

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Último gay sobrevivente do Holocausto lança livro

Aos 95 anos, Rudolf Brazda,  talvez o último sobrevivente gay do Holocausto cometido pela Alemanha na Segunda Guerra Mundial, está lançando um livro para contar sua história, informa a revista alemã Der Spiegel.

A perseguição aos homossexuais é uma das partes menos conhecida do nazismo. Poucas indenizações foram pagas. Por isso, Brazda resolveu dar sua contribuição.

Sua história tem um dos poucos relatos sobre o sexo nos campos de concentração nazistas.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Militares dos EUA aceitam gays nas Forças Armadas

Cerca de 70% dos militares dos Estados Unidos acreditam que a presença de homossexuais assumidos nas Forças Armadas não prejudicaria o desempenho no campo de batalha. A conclusão é de um relatório apresentado hoje pelo secretário da Defesa, Robert Gates.

Gates pediu ao Senado que acabe com a norma conhecida como "não pergunte e não conte", que há 17 anos permite a participação de gays no Exército, na Marinha e na Força Aérea dos EUA desde que eles não assumam abertamente sua preferência sexual.