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domingo, 25 de junho de 2017

Marcha gay de Chicago proíbe bandeiras do arco-íris com estrela de Davi

CAMBRIDGE-MA, EUA - A organização da marcha do orgulho gay de Chicago, a terceira maior cidade dos Estados Unidos, excluiu hoje a participação de bandeiras do arco-íris com a estrela de Davi, símbolo de Israel, noticiou o jornal liberal israelense Haaretz.

Um dos membros do coletivo LGBT (gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros), citado no jornal Windy City Times, alegou que as bandeiras do orgulho gay israelense "faziam as pessoas se sentirem inseguras" e que a passeata é "pró-palestinos" e "antissionista".

No Twitter dos organizadores, a manifestação foi descrita como "uma mobilização e celebração da resistência de sapatonas, bichas e transgêneros antirracista, antiviolência, dirigida por voluntários e pelas bases."

Uma das três pessoas excluídas, Laurel Grauer, da entidade LGBTQ israelense Uma Ponte mais Larga, declarou que é "uma bandeira da minha congregação que celebra minha identidade judaica e gay que eu empunhava na Marcha das Sapatas há mais de uma década. Eles me disseram para sair porque poderia provocar reações de quem a considerasse ofensiva."

Eleanor Shoshany Anderson, também afastada, considerou-se discriminada por ser judia.

Em janeiro de 2016, uma recepção para judeus participantes de uma conferência gay em Chicago foi invadida por manifestantes gritando que "a lavagem rosa tem de acabar". A expressão é usada para criticar quem minimiza a importância do tratamento dispensado por Israel aos palestinos porque o país é uma democracia e defende os direitos humanos dos homossexuais.

terça-feira, 26 de abril de 2016

Filial d'Al Caeda reivindica morte de ativista gay em Bangladesh

Um grupo ligado à rede terrorista Al Caeda assumiu hoje a responsabilidade pelo assassinato do editor da primeira revista gay de Bangladesh. Desde fevereiro de 2015 extremistas muçulmanos mataram 17 ativistas e intelectuais liberais e secularistas (não religiosos).

Xulhaz Mannan, de 35 anos, e seu parceiro, Mahbub Rabbi Tonoy, de 25 anos, foram mortos a facadas no apartamento por homens que se apresentaram na portaria como carteiros. Além de editar a revista Roopbaan, voltada para o público de gays, lésbicas e transgêneros, Mannan trabalhava para a Agência de Ajuda Internacional dos Estados Unidos (USAID).

Pelo Twitter, uma célula do grupo Ansar al Islam declarou que seus guerreiros mataram Mannan e Tonoy, acusando-os de serem "os pioneiros da prática e da promoção da homossexualidade em Bangladesh". A alegação não foi confirmada.

O antigo Paquistão Oriental está em choque. A homossexualidade é crime neste país muçulmano de 160 milhões de habitantes onde as mulheres e as minorias sexuais são tratadas com menos tolerância do que na vizinha Índia.

Em pesquisa divulgada em 2014 pela revista Roopbaan, 54% dos gays, lésbicas e bissexuais bengaleses viviam sob medo constante de que sua orientação sexual seja revelada.

terça-feira, 31 de março de 2015

Indiana recua da lei que permitiria discriminar homossexuais

O governador do estado de Indiana, Mike Pence, fez um apelo aos deputados da Assembleia Legislativa estadual para que emendem a Lei de Restauração da Liberdade Religiosa aprovada na semana passada para deixar claro que a legislação "não dá às empresas o direito de negar serviços a ninguém", noticiou hoje o jornal The Washington Post.

"Precisamos focar especificamente nesta percepção de que a lei dá uma licença para discriminar", declarou o governador em entrevista coletiva hoje em Indianápolis. Ele destacou que, mais do que um esclarecimento, é necessária "uma correção".

Com base na chamada "objeção de consciência", empresários com profundas convicções religiosas poderiam se negar a atender consumidores homossexuais. Para o movimento gay, é uma reação de estados conservadores à aprovação do casamento entre pessoas do mesmo sexo.

A lei foi duramente criticada nos Estados Unidos e em outros países democráticos, inclusive pelo diretor-presidente da Apple, Tim Cook, primeiro diretor de uma grande empresa a assumir sua homossexualidade no exercício do cargo, pelo risco de discriminar gays, lésbicas e transgêneros em nome da consciência religiosa. 

Na Califórnia e em outros estados importantes, começaram a ser articulados movimentos de boicote a Indiana. Os prefeitos de Chicago, Portland, São Francisco e Seattle proibiram os funcionários públicos de viajar a serviço para Indiana. Nove diretores-presidentes de empresas do estado enviaram ontem carta ao governador pedindo a mudança na lei. A National Collegiatte Athletic Association, a entidade máxima do esporte universitário dos EUA ameaça retirar sua sede de Indianápolis.

"As pessoas não querem isso", alegou Adam Talbot, da Campanha pelos Direitos Humanos, que se opõe à lei. "As pessoas não precisam disso. Pensam que é perigoso."

Apesar dos protestos, o governador falou em problemas de "percepção" e não do risco de discriminação, alegando que o objetivo da lei é garantir a "liberdade religiosa": "Esta lei foi projetada para garantir a vitalidade da liberdade religiosa no estado. Não dá a ninguém o direito de discriminar."

Num gesto oportunista, o ex-governador da Flórida Jeb Bush declarou apoio à lei. O filho do ex-presidente George Herbert Walker Bush (1989-93) e irmão do ex-presidente George Walker Bush (2001-9), aspirante à candidatura do Partido Republicano à Presidência dos EUA em 2016, não é considerado suficientemente conservador pela ala mais direitista do partido.

terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Jornal de Uganda expõe 200 homossexuais

Um dia depois da sanção da mais dura lei contra o homossexualismo no mundo inteiro, um jornal de Uganda publicou hoje com manchete de capa uma lista de 200 pessoas de destaque da comunidade gay e lésbica, inclusive alguns que nunca admitiram isso publicamente. Muitos temem ser alvo de violência e pensam em fugir do país, adverte o jornal digital The Huffington Post.

Os Estados Unidos ameaçam reduzir ou cortar a ajuda anual de US$ 470 milhões a Uganda. Para o secretário de Estado americano, John Kerry, ontem foi "um dia trágico para Uganda e para todos os que lutam pelos direitos humanos".

O homossexualismo é crime em Uganda desde o período colonial, quando era definido como "contra a ordem natural". A nova lei aumenta as penas. Transforme ea delito "tocar alguém com a intenção de cometer atos de homossexualidade" e estabele pena de morte para relações homossexuais carnais, sexo com portadores do HIV e a prática repetida de atos homossexuais.

A inspiração para o projeto veio de igrejas evangélicas pentecostais dos EUA.

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Rainha pop do Irã defende homossexuais

A rainha da música pop no Irã, Googoosh, exilada desde o ano 2000, tornou-se a primeira celebridade do país a apoiar publicamente os direitos dos homossexuais. No Dia de São Valentim, Dia dos Namorados no Hemisfério Norte, ela divulgou um vídeo no Facebook que mostra um casal de lésbicas, uma relação condenada por suas famílias e pela sociedade iraniana em geral.
Googoosh

"Até agora, a reação foi tremenda", declarou Navid Akhavan, roteirista e diretor do vídeo, assistido por 1,2 milhão de pessoas, citado pelo jornal inglês The Guardian. "Os comentários e mensagens que tenho recebido da comunidade gay, lésbica, transexual e transgênero do Irã provocam lágrimas."

Também houve reações negativas. Akhavan já esperava: "Sabíamos desde o início que o tópico deste vídeo seria extremamente controverso para os iranianos. Por isso, esperávamos reações negativas, mas isso não me incomodou nem a Googoosh."

O diretor acrescentou que decidiu fazer o vídeo diante das humilhações e perseguições sofridas por homossexuais no Irã, que podem ser punidos até com a morte: "Estou muito orgulhoso de ter tido coragem para tomar esta atitude pioneira em defesa dos homossexuais iranianos."

A homofobia é uma política de Estado do regime fundamentalista iraniano. Quando esteve no poder, o ex-presidente linha-dura Mahmoud Ahmadinejad (2005-13) declarou repetidas vezes que não há homossexuais no Irã.