A chegada do presidente Barack Obama no momento decisivo aumenta a chance de um acordo. Ele está limitado pelas regras da democracia americana, mas não vai a Copenhague passear. Algo terá de ser aprovado.
Caso contrário, será uma grande derrota política, no momento em que sua popularidade cai abaixo de 50%.
Obama só tem o apoio de 45% dos americanos na questão do clima e o apoio geral de apenas 36% dos independentes; em abril, eram 62%. Mais de 60% dos americanos e 80% dos republicanos duvidam da contribuição humana para o aquecimento global, aceita por 55% dos democratas.
Desde o início, o plano dos EUA é fechar a Conferência de Copenhague com grande declaração política do tipo "estamos todos juntos na luta" e criar um fundo para iniciar ações práticas, deixando para negociar as metas de cortes de emissões para 2010.
Ontem, a secretária de Estado, Hillary Clinton, chegou propondo a criação de um fundo de US$ 100 bilhão por ano até 2020 para financiar a transição dos países em desenvolvimento para um mundo com menos queima de carvão e petróleo. É assim que os ricos resolvem seus problemas, jogando muito dinheiro em cima.
A China, que lidera o bloco dos países em desenvolvimento, logo começou a estudar a tal "transparência" cobrada pelos EUA. Os americanos querem metas verificáveis para os países terem acesso ao fundo.
O projeto aprovado na Câmara dos EUA prevê corte de 17% nas emissões até 2020, em relação a 2005. Isso dá apenas 3% a 4% em relação a 1990, que era o marco de referência do Protocolo de Quioto, ao qual os EUA nunca aderiram.
Há outro projeto no Senado que chega a 20%. Mais do que isso, não tem a menor chance de aprovação e, sem os EUA, o maior poluidor per capita e historicamente do mundo, não vai haver acordo para cortar as emissões dos gases de efeito estufa.
É isto o que está na mesa. É pegar ou largar. No fim das contas, EUA e China decidem. É o Grupo dos Dois (G-2) informal que governa o mundo.
O Brasil ainda não assumiu o papel de protagonista como deveria. Como não quer ingerência na Amazônia, adota uma postura defensiva. Mas está no grupo de 15 países que tentam salvar a conferência nas últimas horas.
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