A falta de coordenação da Europa para combater a especulação contra o euro, agravada pelo aperto de crédito na China e o aumento do números de pedido de seguro-desemprego nos Estados Unidos, derrubou as bolsas de valores no mundo inteiro hoje.
Esses problemas, especialmente a crise das dívidas públicas da zona do euro, indicam novas dificuldades para a recuperação da economia mundial e até mesmo o risco de um segundo mergulho na recessão.
Os investidores fugiram de ações, aplicações em produtos primários e moedas de países com expectativa de crescimento, como o Brasil. Até o ouro caiu. O barril de petróleo foi cotado a US$ 66. A maior fuga foi para títulos da dívida pública dos EUA, sempre um refúgio seguro.
As bolsas de Tóquio e São Paulo caíram 2,5%, com a Bovespa acumulando queda de mais de 10% na semana. Na Europa, Paris e Frankfurt perderam mais de 2%. Em Nova York, o Índice Dow Jones baixou 3,6%.
Este é o blog do jornalista Nelson Franco Jobim, Mestre em Relações Internacionais pela London School of Economics, ex-correspondente do Jornal do Brasil em Londres, ex-editor internacional do Jornal da Globo, do Jornal Nacional e da TV Brasil, ex-professor de jornalismo e de relações internacionais na UniverCidade, no Rio de Janeiro. Todos os comentários, críticas e sugestões são bem-vindos, mas não serão publicadas mensagens discriminatórias, racistas, sexistas ou com ofensas pessoais.
quinta-feira, 20 de maio de 2010
Merkel quer negociar reforma financeira no G-20
Diante das críticas à decisão unilateral da Alemanha de proibir certas operações especulativas, a primeira-ministra Angela Merkel, prometeu pressionar o G-20 a avançar na reforma da regulamentação do sistema financeiro internacional.
Merkel defende a criação de um imposto sobre transações financeiras para formar um fundo de combate a crises futuras.
Depois de admitir que o euro está ameaçado, a com ele a própria União Europeia, a primeira-ministra alemã disse que a receita para uma moeda saudável é orçamentos sólidos e equilibrados. A Alemanha quer impor leis de responsabilidade fiscal para lastrear a união monetária e impedir crises como esta.
Merkel defende a criação de um imposto sobre transações financeiras para formar um fundo de combate a crises futuras.
Depois de admitir que o euro está ameaçado, a com ele a própria União Europeia, a primeira-ministra alemã disse que a receita para uma moeda saudável é orçamentos sólidos e equilibrados. A Alemanha quer impor leis de responsabilidade fiscal para lastrear a união monetária e impedir crises como esta.
Keiko Fujimori quer ser presidente do Peru
Com o apoio de milhares de partidários de seu pai, a deputada conservadora Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, condenado e preso por corrupção e violação dos direitos humanos, se lançou ontem candidata à Presidência do Peru em 2011.
Aos 34 anos, Keiko diz combinar a força da juventude, a força da experiência e a força do povo, já que é muito popular e desponta como favorita nas primeiras pesquisas sobre as eleições do próximo ano.
O governo Fujimori (1990-2000) controlou a inflação e derrotou os grupos guerrilheiros Sendero Luminoso e Movimento Revolucionário Túpac Amaru.
Keiko defende uma anistia para os crimes contra os direitos humanos cometidos pelo pai no combate à guerrilha.
Aos 34 anos, Keiko diz combinar a força da juventude, a força da experiência e a força do povo, já que é muito popular e desponta como favorita nas primeiras pesquisas sobre as eleições do próximo ano.
O governo Fujimori (1990-2000) controlou a inflação e derrotou os grupos guerrilheiros Sendero Luminoso e Movimento Revolucionário Túpac Amaru.
Keiko defende uma anistia para os crimes contra os direitos humanos cometidos pelo pai no combate à guerrilha.
Ladrão rouba obras-primas de museu de Paris
Uma falha no sistema de segurança do Museu de Arte Moderna da Cidade de Paris permitiu a entrada de um ladrão que roubou cinco obras-primas:
• O Pombo e as Ervilhas, de Pablo Picasso;
• A Pastoral, de Henri Matisse;
• A Oliveira Próxima a Estaque, de Georges Braque;
• A Mulher com Leque, de Amedeo Modigliani;
• e Natureza Morta com Candelabro, de Fernand Léger.
Os críticos de arte imaginam que o ladrão terá grande dificuldade em vender os quadros, já que todo o mercado está avisado, a não ser que procure colecionadores privados que jamais exponham os quadros publicamente.
De qualquer maneira, os preços do mercado são muito menores do que os R$ 230 milhões de reais que esses quadros valeriam num leilão legalizado.
• O Pombo e as Ervilhas, de Pablo Picasso;
• A Pastoral, de Henri Matisse;
• A Oliveira Próxima a Estaque, de Georges Braque;
• A Mulher com Leque, de Amedeo Modigliani;
• e Natureza Morta com Candelabro, de Fernand Léger.
Os críticos de arte imaginam que o ladrão terá grande dificuldade em vender os quadros, já que todo o mercado está avisado, a não ser que procure colecionadores privados que jamais exponham os quadros publicamente.
De qualquer maneira, os preços do mercado são muito menores do que os R$ 230 milhões de reais que esses quadros valeriam num leilão legalizado.
Maláui condenda casal gay a 14 anos de prisão
O primeiro casal do Maláui, um país do centro da África, a selar a união num casamento homossexual foi sentenciado à pena máxima de 14 anos de cadeia por sodomia e indecência.
No mundo inteiro, 80 países ainda consideram o homossexualismo um crime.
Rolagem da dívida Argentina atrai pouco interesse
Houve pouco interesse na proposta de troca de bônus mais antigos caloteados na crise de 2001 por novos papéis.
Irã ameaça romper acordo feito com Lula
O Irã ameaçou hoje romper o acordo feito com o Brasil e a Turquia para mandar metade de seu urânio para enriquecimento no exterior, se o Conselho de Segurança das Nações Unidas aprovar a quarta rodada de sanções contra o programa nuclear iraniano.
Em declaração citada pela agência oficial de notícias da república islâmica, o vice-presidente do parlamento iraniano, Mohammed Reza Bahone, advertiu que o país não vai enviar combustível nuclear à Turquia dentro de 30 dias, se for punido pela ONU.
A França declarou que só três dos 15 países-membros do Conselho de Segurança se opõem ao antoprojeto apresentado na terça-feira pelos Estados Unidos, com o apoio dos outros membros permanentes com direito de veto: China, Rússia, França e Reino Unido. Isso significaria que as sanções seriam aprovadas.
Em declaração citada pela agência oficial de notícias da república islâmica, o vice-presidente do parlamento iraniano, Mohammed Reza Bahone, advertiu que o país não vai enviar combustível nuclear à Turquia dentro de 30 dias, se for punido pela ONU.
A França declarou que só três dos 15 países-membros do Conselho de Segurança se opõem ao antoprojeto apresentado na terça-feira pelos Estados Unidos, com o apoio dos outros membros permanentes com direito de veto: China, Rússia, França e Reino Unido. Isso significaria que as sanções seriam aprovadas.
Coreia do Norte ameaça ir à guerra contra o Sul
A Coreia do Norte negou hoje ter torpedeado um navio sul-coreano e ameaça ir à guerra, se for alvo de sanções retaliatórias.
Espanha vende bônus sem dificuldades
A Espanha não teve problemas para vender hoje bônus de 10 anos no valor de 3,5 bilhões de euros a juros de 4% ao ano.
O Conselho de Ministros deve aprovar hoje o pacote anunciado pelo primeiro-ministro Rodríguez Zapatero, inclusive um imposto sobre patrimônios de mais de 1 milhão de euros.
Japão cresceu 1,2% no primeiro trimestre
O Japão cresceu 1,2% primeiro trimestre do ano, confirmado a recuperação do país depois de pior crise do pós-guerra, quando as exportações japonesas caíram pela metade. Este ritmo de crescimento projeta uma taxa anual de 4,9%, abaixo da expectativa do mercado, que era de 5,9%.
A recuperação do Japão se deve tanto ao aumento das exportações, especialmente para a China e outras economias emergentes da Ásia, quanto ao consumo interno.
Cientistas sintetizam vida em laboratório
Cientistas americanos anunciaram ter sintetizado a vida artificialmente em laboratório pela primeira vez.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Vazamento de petróleo é 19 vezes maior
As autoridades dos Estados Unidos acusaram hoje a companhia de petróleo BP, antiga British Petroleum, responsável pelo vazamento no Golfo Pérsico, de esconder a real dimensão do acidente ecológico.
Em vez de 5 mil, seriam 95 mil barris que estariam escapando nos últimos dias.
Em vez de 5 mil, seriam 95 mil barris que estariam escapando nos últimos dias.
Governo da França aprova projeto contra burca
Sob protesto dos muçulmanos, o Conselho de Ministros da França aprovou hoje o projeto da Lei do Véu a ser enviado em junho à Assembleia Nacional proibindo o uso de trajes femininos que cubram o rosto.
O projeto é conhecido como lei da burca porque seu alvo seria a mulher muçulmana. Sua votação está prevista para setembro, depois das férias de verão no Hemisfério Norte.
A França tem a maior comunidade muçulmana da Europa, cerca de 5 milhões de pessoas, na maioria imigrantes ou descentes de imigrantes das ex-colônias francesas do Norte da África..
Embora a maioria das muçulmanas francesas não use roupas que escondem o rosto, o governo resolver legislar sobre a matéria, alegando a defesa dos princípios da república e a suposta necessidade de proteger mulheres que estarão sendo coagidas a usar as vestimentas tradicionais por extremistas.
Como muitas dessas mulheres moram na periferia, onde não podem contar com a proteção da polícia, são alvo fácil de gangues.
Para uma mulher muçulmana entrevistada nas ruas de Paris com um véu deixando apenas os olhos de fora, a lei é uma agressão psicológica e uma violação do direito individual de cada mulher de escolher sua própria roupa.
Já o presidente da comissão parlamentar que vai examinar o projeto, François Guérin, afirmou que ele visa a proteger os direitos das mulheres e combate o que chamou de "talebã franceses".
O projeto é conhecido como lei da burca porque seu alvo seria a mulher muçulmana. Sua votação está prevista para setembro, depois das férias de verão no Hemisfério Norte.
A França tem a maior comunidade muçulmana da Europa, cerca de 5 milhões de pessoas, na maioria imigrantes ou descentes de imigrantes das ex-colônias francesas do Norte da África..
Embora a maioria das muçulmanas francesas não use roupas que escondem o rosto, o governo resolver legislar sobre a matéria, alegando a defesa dos princípios da república e a suposta necessidade de proteger mulheres que estarão sendo coagidas a usar as vestimentas tradicionais por extremistas.
Como muitas dessas mulheres moram na periferia, onde não podem contar com a proteção da polícia, são alvo fácil de gangues.
Para uma mulher muçulmana entrevistada nas ruas de Paris com um véu deixando apenas os olhos de fora, a lei é uma agressão psicológica e uma violação do direito individual de cada mulher de escolher sua própria roupa.
Já o presidente da comissão parlamentar que vai examinar o projeto, François Guérin, afirmou que ele visa a proteger os direitos das mulheres e combate o que chamou de "talebã franceses".
UE tenta coordenar combate à especulação
Diante da reação negativa do mercado à proibição pela Alemanha de operações consideradas especulativas, os ministros das Finanças da União Europeia buscaram hoje retomar a coordenação no combate à crise das dívidas públicas de alguns países do euro: Grécia, Portugal, Espanha, Irlanda e Itália.
A ministra das Finanças da França, Christine Lagarde, foi especialmente dura, criticando a Alemanha por não ter consultado os aliados antes de tomar a decisão unilateral de proibir operações descobertas de venda curta (short selling) com títulos da dívida de alguns países, derivativos que funcionam como seguro dessas dívidas e as 10 principais ações da Bolsa de Valores de Frankfurt.
Na venda curta, o especulador toma emprestado um lote de ações ou títulos e vende imediatamente, apostando na queda do preço para recomprar os mesmos papéis por menos, pagar a dívida e reembolsar a diferença.
Foram proibidas as operações descobertas de venda curta, em que o especulador joga com promessas de comprar e não chega a ter em seu poder as ações e os títulos contra os quais aposta.
O resultado foi uma forte queda nas bolsas de valores, que começou ontem em Nova York e São Paulo e chegou hoje à Ásia e à Europa. A principal exceção foi Atenas porque a Grécia pagou uma parcela de 8,5 bilhões de sua dívida.
Na Romênia, pelo menos 20 mil pessoas marcharam nas ruas da capital, Bucareste, em protesto contra um corte anunciado de 25% nos salários do funcionalismo público e de 15% nas aposentadorias para que o país receba uma ajuda de 20 bilhões de euros, cerca de R$ 45 bilhões, do Fundo Monetário Internacional.
A ministra das Finanças da França, Christine Lagarde, foi especialmente dura, criticando a Alemanha por não ter consultado os aliados antes de tomar a decisão unilateral de proibir operações descobertas de venda curta (short selling) com títulos da dívida de alguns países, derivativos que funcionam como seguro dessas dívidas e as 10 principais ações da Bolsa de Valores de Frankfurt.
Na venda curta, o especulador toma emprestado um lote de ações ou títulos e vende imediatamente, apostando na queda do preço para recomprar os mesmos papéis por menos, pagar a dívida e reembolsar a diferença.
Foram proibidas as operações descobertas de venda curta, em que o especulador joga com promessas de comprar e não chega a ter em seu poder as ações e os títulos contra os quais aposta.
O resultado foi uma forte queda nas bolsas de valores, que começou ontem em Nova York e São Paulo e chegou hoje à Ásia e à Europa. A principal exceção foi Atenas porque a Grécia pagou uma parcela de 8,5 bilhões de sua dívida.
Na Romênia, pelo menos 20 mil pessoas marcharam nas ruas da capital, Bucareste, em protesto contra um corte anunciado de 25% nos salários do funcionalismo público e de 15% nas aposentadorias para que o país receba uma ajuda de 20 bilhões de euros, cerca de R$ 45 bilhões, do Fundo Monetário Internacional.
Irã repudia anteprojeto de sanções
O Irã repudiou hoje como ilegítimo o anteprojeto de sanções contra o país apresentado pelos Estados Unidos ontem ao Conselho de Segurança das Nações Unidas com o apoio das cinco grandes potências com direito de veto.
Em Teerã, o diretor da Agência Iraniana de Energia Atômica, Ali Akbar Salehi, declarou que "a ameaça de sanções fica mais fraca" depois do acordo negociado pelo presidente Lula e o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, para que o Irã mande parte de seu urânio para enriquecimento no exterior.
"Esta é a última chance das potências ocidentais", desafiou Salehi. "Eles estão sentindo que pela primeira vez os países em desenvolvimento são capazes de defender seus direitos sem a presença dos países mais poderosos. Isto torna tudo mais difícil para o Ocidente. Eles não vão chegar a lugar nenhum."
Ao apresentarem aquele projeto de sanções, protestou, "eles perderam a legitimidade diante da opinião pública".
Em Teerã, o diretor da Agência Iraniana de Energia Atômica, Ali Akbar Salehi, declarou que "a ameaça de sanções fica mais fraca" depois do acordo negociado pelo presidente Lula e o primeiro-ministro da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, para que o Irã mande parte de seu urânio para enriquecimento no exterior.
"Esta é a última chance das potências ocidentais", desafiou Salehi. "Eles estão sentindo que pela primeira vez os países em desenvolvimento são capazes de defender seus direitos sem a presença dos países mais poderosos. Isto torna tudo mais difícil para o Ocidente. Eles não vão chegar a lugar nenhum."
Ao apresentarem aquele projeto de sanções, protestou, "eles perderam a legitimidade diante da opinião pública".
Banco central dos EUA prevê crescimento forte
Uma recuperação econômica mais forte do que previsto vai acelerar o crescimento e reduzir substancialmente o desemprego nos Estados Unidos ainda neste ano, indicam as minutas da última reunião do Comitê de Mercado Aberto da Reserva Federal (Fed), o banco central americano.
A expectativa de crescimento cresceu para 3,2% a 3,7%, em comparação com 2,8% a 3,5% da previsão anterior, feita em janeiro. O desemprego deve cair para 9,1% a 9,5%.
Mas o Fed adverte que as medidas de aperto fiscal na Europa vão reduzir as taxas de crescimento no continente, com impacto sobre toda a economia mundial.
Afinal, a União Europeia tem um produto interno bruto de US$ 16,8 bilhões, mais do que os EUA. Com a Europa em crise, a recuperação mundial será mais fraca.
A expectativa de crescimento cresceu para 3,2% a 3,7%, em comparação com 2,8% a 3,5% da previsão anterior, feita em janeiro. O desemprego deve cair para 9,1% a 9,5%.
Mas o Fed adverte que as medidas de aperto fiscal na Europa vão reduzir as taxas de crescimento no continente, com impacto sobre toda a economia mundial.
Afinal, a União Europeia tem um produto interno bruto de US$ 16,8 bilhões, mais do que os EUA. Com a Europa em crise, a recuperação mundial será mais fraca.
Brasil e Turquia defendem acordo com Irã
O Brasil e a Turquia enviaram carta hoje aos países-membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas pedindo que o acordo negociado com o Irã seja levado em consideração nas discussões sobre a proposta dos Estados Unidos de impor novas sanções contra o regime fundamentalista iraniano, suspeito de desenvolver armas nucleares.
A carta destaca o direito de pesquisar, produzir e usar energia nuclear para fins pacíficos. Considera o Acordo de Teerã um caminho para novos acordos e conclui que é hora de dar uma chance a negociações, evitando medidas prejudicias à solução pacífica da questão.
Veja abaixo a tradução divulgada no sítio do Ministério das Relações Exteriores do Brasil:
Palácio Itamaraty
Carta aos membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas
A carta destaca o direito de pesquisar, produzir e usar energia nuclear para fins pacíficos. Considera o Acordo de Teerã um caminho para novos acordos e conclui que é hora de dar uma chance a negociações, evitando medidas prejudicias à solução pacífica da questão.
Veja abaixo a tradução divulgada no sítio do Ministério das Relações Exteriores do Brasil:
Ministério das Relações Exteriores
Assessoria de Imprensa do Gabinete
Assessoria de Imprensa do Gabinete
Térreo
Brasília - DF
CEP: 70170-900
Brasília - DF
CEP: 70170-900
Nota nº 320 - 19/05/2010
A Declaração Conjunta firmada por Brasil, Turquia e Irã no último dia 17, em Teerã (nota nº 310), foi encaminhada hoje, 19 de maio, aos membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas, por meio da seguinte carta
(Tradução não-oficial do original em inglês, que segue após o texto em português)
Excelência,
Temos o prazer de encaminhar, em anexo, cópia da ‘Declaração Conjunta de Irã, Turquia e Brasil’, que foi emitida pelo Exmo. Sr. Mahmoud Ahmadinejad, Presidente da República Islâmica do Irã, pelo Exmo. Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente da República Federativa do Brasil, e pelo Exmo. Sr. Recep Tayyip Erdoğan, Primeiro-Ministro da República da Turquia, em Teerã, em 17 de maio de 2010. A Declaração Conjunta foi assinada pelo Exmo. Sr. Manucher Mottaki, Ministro dos Negócios Estrangeiros da República Islâmica do Irã, pelo Exmo. Sr. Ahmet Davutoğlu, Ministro dos Negócios Estrangeiros da República da Turquia e pelo Exmo. Sr. Celso Amorim, Ministro das Relações Exteriores da República Federativa do Brasil.
A Declaração Conjunta realça o direito de desenvolver pesquisa, produção e uso de energia nuclear para fins pacíficos ao mesmo tempo que sublinha a forte convicção dos três países de que a troca de combustível nuclear ensejará oportunidade de começar um processo prospectivo que almeja criar uma atmosfera positiva, construtiva e não-confrontacional, conducente a uma era de interação e cooperação.
A Declaração reflete, nesse contexto, a clara concordância do Irã em depositar 1200 quilos de urânio levemente enriquecido (LEU) na Turquia. Ela também estabelece um roteiro realista e factível que leve a acordos e arranjos necessários que serão negociados entre as partes diretamente envolvidas, dentro de prazos especificados, para o fornecimento de 120 quilos de combustível nuclear necessários para o Reator de Pesquisas de Teerã (TRR) em troca do LEU depositado.
Temos plena confiança de que o grupo P5+1 examinará a Declaração Conjunta com vistas a preparar o caminho para o reabastecimento do TRR da forma mais eficiente e efetiva, considerando aspectos relativos ao programa nuclear iraniano e a temas de interesse mútuo, por meio de um diálogo construtivo.
O Brasil e a Turquia estão convencidos de que é hora de dar uma chance às negociações e evitar medidas prejudiciais à solução pacífica desta questão.
Queira aceitar, Excelência, os protestos de nossa mais alta consideração.
Celso Amorim
Ministro das Relações Exteriores da
República Federativa do Brasil
Ahmet Davutoğlu
Ministro dos Negócios Estrangeiros da
República da Turquia
(Tradução não-oficial do original em inglês, que segue após o texto em português)
Excelência,
Temos o prazer de encaminhar, em anexo, cópia da ‘Declaração Conjunta de Irã, Turquia e Brasil’, que foi emitida pelo Exmo. Sr. Mahmoud Ahmadinejad, Presidente da República Islâmica do Irã, pelo Exmo. Sr. Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente da República Federativa do Brasil, e pelo Exmo. Sr. Recep Tayyip Erdoğan, Primeiro-Ministro da República da Turquia, em Teerã, em 17 de maio de 2010. A Declaração Conjunta foi assinada pelo Exmo. Sr. Manucher Mottaki, Ministro dos Negócios Estrangeiros da República Islâmica do Irã, pelo Exmo. Sr. Ahmet Davutoğlu, Ministro dos Negócios Estrangeiros da República da Turquia e pelo Exmo. Sr. Celso Amorim, Ministro das Relações Exteriores da República Federativa do Brasil.
A Declaração Conjunta realça o direito de desenvolver pesquisa, produção e uso de energia nuclear para fins pacíficos ao mesmo tempo que sublinha a forte convicção dos três países de que a troca de combustível nuclear ensejará oportunidade de começar um processo prospectivo que almeja criar uma atmosfera positiva, construtiva e não-confrontacional, conducente a uma era de interação e cooperação.
A Declaração reflete, nesse contexto, a clara concordância do Irã em depositar 1200 quilos de urânio levemente enriquecido (LEU) na Turquia. Ela também estabelece um roteiro realista e factível que leve a acordos e arranjos necessários que serão negociados entre as partes diretamente envolvidas, dentro de prazos especificados, para o fornecimento de 120 quilos de combustível nuclear necessários para o Reator de Pesquisas de Teerã (TRR) em troca do LEU depositado.
Temos plena confiança de que o grupo P5+1 examinará a Declaração Conjunta com vistas a preparar o caminho para o reabastecimento do TRR da forma mais eficiente e efetiva, considerando aspectos relativos ao programa nuclear iraniano e a temas de interesse mútuo, por meio de um diálogo construtivo.
O Brasil e a Turquia estão convencidos de que é hora de dar uma chance às negociações e evitar medidas prejudiciais à solução pacífica desta questão.
Queira aceitar, Excelência, os protestos de nossa mais alta consideração.
Celso Amorim
Ministro das Relações Exteriores da
República Federativa do Brasil
Ahmet Davutoğlu
Ministro dos Negócios Estrangeiros da
República da Turquia
Talebã atacam maior base dos EUA no Afeganistão
Com granadas, fuzis, metralhadores e terroristas suicidas, a milícia fundamentalista dos Talebã travou uma batalha de sete horas tentando invadir a base aérea de Bagram, a maior dos Estados Unidos no Afeganistão, que fica a 60 quilômetros da capital, Cabul.
Pelo menos 10 rebeldes e um civil americano que trabalhava na base morreram. Oito soldados americanos saíram feridos.
Ontem, os mesmos talebã atacaram um comboio da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), matando 12 civis afegões e seis soldados da OTAN, entre eles cinco americanos.
São amostras da determinação que os EUA vão enfrentar quando o contingente americano no Afeganistão chegar a 100 mil soldados.
Pelo menos 10 rebeldes e um civil americano que trabalhava na base morreram. Oito soldados americanos saíram feridos.
Ontem, os mesmos talebã atacaram um comboio da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), matando 12 civis afegões e seis soldados da OTAN, entre eles cinco americanos.
São amostras da determinação que os EUA vão enfrentar quando o contingente americano no Afeganistão chegar a 100 mil soldados.
Exército da Tailândia ataca Camisas Vermelhas
O Exército da Tailândia avançou hoje para reassumir o controle da área do centro de Bangkok ocupada há mais de um mês pelos oposicionistas do movimento das Camisas Vermelhas, que exige a renúncia do governo e a convocação de eleições antecipadas.
Pelo menos duas pessoas foram mortas nos choques de hoje. Desde março, pelo menos 65 tailandeses morreram na rebelião.
Pelo menos duas pessoas foram mortas nos choques de hoje. Desde março, pelo menos 65 tailandeses morreram na rebelião.
terça-feira, 18 de maio de 2010
EUA propõem novas sanções contra o Irã
Os Estados Unidos ignoraram o acordo fechado ontem pelo Brasil, a Turquia e o Irã e apresentaram hoje um anteprojeto de resolução ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para impor novas sanções contra o regime fundamentalista iraniano, que acusam de desenvolver armas nucleares.
Em depoimento na Comissão de Relações Exteriores do Senado dos Estados Unidos, a secretária de Estado, Hillary Clinton, anunciou um acordo com os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha em torno do texto do anteprojeto.
À tarde, a embaixadora americana na ONU apresentou a proposta que está sendo discutido pelos 15 maiores países-membros do Conselho de Segurança da ONU. O anteprojeto:
• proíbe a venda de armas pesadas e equipamentos para fabricação de mísseis;
• proíbe o Irã de construir novas instalações militares e de fazer investimentos militares no exterior;
• renova a exigência de que o Irã pare de enriquecer urânio;
• obriga o Irã a cooperar totalmente com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA);
• autoriza a inspeção de navios e aviões com destino ao Irã para impedir o contrabando de equipamentos nucleares.
O embaixador da Rússia declarou que seu governo aprovou a proposta porque "é focada no combate à proliferação nuclear e não causaria prejuízos ao povo iraniano".
A França minimizou a importância do acordo negociado pelo Brasil. Em tom desdenhoso, seu embaixador, Gérard Araud, disse que "o acordo sobre o reator de Teerã", referindo-se à proposta inicialmente aceita pelo Irã em outubro do ano passado e rejeitada logo em seguida, "era para criar confiança. Não era a questão central".
Para o embaixador britânico na ONU, o objetivo principal da quarta rodada de sanções contra a república dos aiatolás é manter a estratégia de pressionar e negociar com o Irã ao mesmo tempo.
O representante do Reino Unido acusou a república islâmica de não receber a comissária europeia de Relações Exteriores, Catherine Ashton.
A China elogiou a iniciativa brasileira, pediu cooperação total do Irã com o regime de inspeções da AIAe disse que o objetivo das sanções é pressionar o Irã a negociar.
Em depoimento na Comissão de Relações Exteriores do Senado dos Estados Unidos, a secretária de Estado, Hillary Clinton, anunciou um acordo com os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, China, França, Reino Unido e Rússia) e a Alemanha em torno do texto do anteprojeto.
À tarde, a embaixadora americana na ONU apresentou a proposta que está sendo discutido pelos 15 maiores países-membros do Conselho de Segurança da ONU. O anteprojeto:
• proíbe a venda de armas pesadas e equipamentos para fabricação de mísseis;
• proíbe o Irã de construir novas instalações militares e de fazer investimentos militares no exterior;
• renova a exigência de que o Irã pare de enriquecer urânio;
• obriga o Irã a cooperar totalmente com a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA);
• autoriza a inspeção de navios e aviões com destino ao Irã para impedir o contrabando de equipamentos nucleares.
O embaixador da Rússia declarou que seu governo aprovou a proposta porque "é focada no combate à proliferação nuclear e não causaria prejuízos ao povo iraniano".
A França minimizou a importância do acordo negociado pelo Brasil. Em tom desdenhoso, seu embaixador, Gérard Araud, disse que "o acordo sobre o reator de Teerã", referindo-se à proposta inicialmente aceita pelo Irã em outubro do ano passado e rejeitada logo em seguida, "era para criar confiança. Não era a questão central".
Para o embaixador britânico na ONU, o objetivo principal da quarta rodada de sanções contra a república dos aiatolás é manter a estratégia de pressionar e negociar com o Irã ao mesmo tempo.
O representante do Reino Unido acusou a república islâmica de não receber a comissária europeia de Relações Exteriores, Catherine Ashton.
A China elogiou a iniciativa brasileira, pediu cooperação total do Irã com o regime de inspeções da AIAe disse que o objetivo das sanções é pressionar o Irã a negociar.
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